Brasil devia processar os EUA em tribunais internacionais

Jorge Béja

O maior problema do governo brasileiro não é apenas a perda da credibilidade, como informa matéria de Vicente Nunes (Correio Braziliense), reproduzida aqui na Tribuna da Internet. Problema muito maior e mais grave é a falta de brio, de dignidade… falta de moral e da moral. Desde 2003 reina a amoralidade. Nem as outras nações respeitam mais o governo brasileiro e, de roldão, levam o Brasil para o abismo.

A descoberta de que o governo americano grampeou os telefones de vários agentes públicos brasileiros, inclusive a presidente da República, é de tamanha gravidade que está a exigir a adoção de medidas judiciais nas Cortes Internacionais competentes, por parte do governo brasileiro, com pedido da mais completa, ampla abrangente e pesada reparação pecuniária por dano moral ao Brasil e aos brasileiros.

Mas nada será feito. O Edinho Silva já disse que está tudo bem. Que os americanos reconheceram o erro e isso é o quanto basta, além de ser fato do passado, segundo Edinho. Mas erro, seu Edinho? Isso não é erro. É crime. No campo internacional, crime hediondo. No passado, seria motivo de declaração de guerra.

ACOVARDAMENTO

Hoje, com os agentes governamentais que o Brasil tem, é motivo de acovardamento. Deixa até transparecer que essa gente da Brasília-federal sente uma ponta de orgulho ao descobrir que seus telefones foram (e por que não continuariam sendo?) grampeados pelo Tio Sam. E nada será feito porque falta moral aos governantes brasileiros para ir aos tribunais exigir reparação por dano moral. E sendo a moral um bem que eles não têm, não existe dano perpetrado contra um bem inexistente. Um governo que assaltou a Petrobras não tem lastro de dignidade para recorrer às cortes internacionais com pedido de indenização contra o governo americano por grampear os telefones de um punhado de seus agentes da alta esfera governamental.

Nas democracias, as mesmas regras, costumes e leis que regem a convivência social entre as pessoas e os povos prevalecem também entre as Nações. Violar correspondência, comunicação telegráfica, telefônica ou interceptar-grampear o telefone dos outros é crime aqui no Brasil e em qualquer parte do mundo democrático.

Mesmo com índice de aprovação de apenas 9%, Dilma Rousseff ainda é a presidente do Brasil. E ainda nesta condição, tem o dever de abrir processo judicial contra os Estados Unidos da América do Norte, com pedido de reparação por danos morais. Se cruzar os braços, prevaricou. Até nisso…

10 thoughts on “Brasil devia processar os EUA em tribunais internacionais

  1. Os Estados Unidos da América sempre fizeram do Brasil o seu quintal, e fizeram dos brasileiros gato e sapato, o que bem entenderam fazer. assim, em 1942, na segunda guerra mundial, simplesmente se alojaram em Natal (RN) como se fosse seu território e de lá fizeram uma base aérea de guerra: Os EUA precisavam de um local de onde pudessem decolar com segurança. Um ponto de apoio que permitisse abastecer e seguir direto para a África”, explicou o professor de história Luís Eduardo Suassuna, ou simplesmente professor Coquinho, como é mais conhecido.

    Foi por suprir esta necessidade que Natal, e não Parnamirim, se transformou no ‘Trampolim da Vitória’ para os EUA. Os aviões vinham deste país, abasteciam em Natal e ficavam prontos para fazer a travessia do Atlântico rumo ao continente africano. “Muita gente pensa que este termo ‘Trampolim da Vitoria’ se refere a Parnamirim. Mas o município nem existia naquela época. A Parnamirim de hoje era um distrito de Natal, que só foi emancipada em 1950”, recordou Coquinho.

    Se isso não foi o suficiente, intrometeram-se em todos os governos, democráticos ou não, qiue o Brasil teve, para valer seu ponto de vista hegemônico, isto é, seu monólogo. Tramaram com os generais e grupos oligárquicos da UDN o boicote à posse do presidente João Goulart. Não deu certo, então o mesmo grupo, apoiado (inclusive militarmente se fosse necessário) pelos Estados Unidos e auxiliados pela CIA, tramaram o golpe militar de 1964. Tivemos vinte anos de ditadura militar americanófila.

    Agora, continuam fazendo do Brasil gato e sapato, com a vergonhosa (para nós) espionagem de correspondência telefônica, eletrônica – colocaram grampos em todos os brasileiros, embaixadores, ministros, Presidente da República e, mais uma vez, temos de baixar a cabeça e deixar por isso mesmo. É verdade que falta moral ao governo do PT para pedir indenização por danos morais, já que moral o PT e o governo do PT não tem. Roubou descaradamente a Petrobrás, as estatais, os fundos de pensão, como é de conhecimento público. Mas falta também brio das autoridades brasileiras para pelo menos protestar em cortes internacionais mais esta invasão de nossa privacidade, de nossa correspondência e de nossa dignidade.

    E o Brasil ainda continua sendo uma republiqueta de bananas, quintal dos Estados Unidos da América, com a presidente Dilma recentemente indo beijar a mão de Barack Obama, e o “Ministro” da Comunicação Social afirmando que a violação da correspondência dos brasileiros é passado, e não tem mais importância. Tem sim! Mais uma vez a soberania brasileira foi violada.

    • Bravo, bravíssimo, Dr. Edinei Freitas. Estava sentindo falta de seus artigos e comentários, sempre ricos de sabedoria e primorosa redação. Os grampos dos americanos nos telefones das autoridades brasileiras têm forte conotação de semelhança com uma invasão do território nacional por agentes de governo estrangeiro, causa mais do que suficiente para uma pronta e eficaz reação que os frouxos governantes que ainda estão do poder não tomam. Aceitam, calam, se curvam. É acachapante. Se França e Alemanha, também grampeadas, nada vão fazer contra, tanto não nos diz respeito.
      Grato por ter lido e comentado o artigo.
      Jorge

      • Béja,
        Embora você esteja totalmente certo em princípio, qualquer esperança de que um protesto em qualquer nível faria cessar ou diminuir a espionagem americana (ou de qualquer outro país que esteja nos espionando) é absolutamente irreal.
        Nenhum país do mundo nunca deixou de espionar outro por razões éticas. A espionagem é uma guerra secreta e permanente. O que determina seu escopo é apenas a maior ou menor capacidade técnica e financeira do país. Antigamente era realizada primordialmente pela presença física de agentes de um país no outro, e pela rede de cidadãos do outro país que se consegue, por diversos motivos e estímulos, cooptar como informantes. Hoje, com o avanço das comunicações, a tecnologia substituiu a maior parte deste esforço físico, com ganho de tempo e diminuição de risco.
        E não está restrita aos governos, todo o mundo sabe que as grandes corporações também espionam umas às outras.
        É uma guerra de ataque e defesa, semelhante à antiga guerra dos canhões contra as blindagens, onde o desenvolvimemto tecnológico de cada país lhe permite maior ou menor sucesso na obtenção de informações alheias e na dificultação de vazamento das suas próprias.
        Reclamar da espionagem em côrtes internacionais, embora legalmente possível, é ser julgado de modo hipócrita por juízes representantes de países que também espionam.
        É por esse motivo, e não pela falta de brio nacional, que países como a Alemanha e a França reclamam de modo pró-forma contra os Estados Unidos e não se incomodam em levar avante medidas jurídicas.
        Se o telefone do avião da presidente brasileira é suprido pela rede americana de satélites Inmarsat, se nossa comunicação nacional e internacional utiliza satélites de comunicação e cabos submarinos estrangeiros, se a rede mundial de internet depende basicamente de alguns conjuntos de servidores americanos, se os sistemas operacionais dos computadores do nosso governo são sistemas americanos, é inútil pensar que podemos evitar ser espionados. Ou que fiquemos sequer sabendo da espionagem se não aparecerem delatores americanos como o Edward Snowden.
        Isto para não falar da China e da Rússia, com seu pessoal especializado em guerra cibernética.
        Só poderemos tentar minorar(e apenas minorar) o risco quando tivermos uma estrutura tecnológica muito mais sólida do que a que temos hoje.

        • Para não falar de uma cultura de segurança de dados onde o presidente da Câmara acha muito natural dar a seus funcionários s sua senha “pessoal e intransferível” do sistema de computação da Câmara….

  2. Bom dia!

    Dr. Béja, qual será o futuro desse Julinho “di menor” brasileirinho, perdido e abandonado, brincando nas esquinas congestionadas desumanas da Avenida Cibernética da América?

    Por que esse desrespeito e falta de compaixão de Tio Sam para com esse jovem infante impotente?

    Qual será o futuro desse Júlio “di maior” brasileiro, Dr. Béja?

    Os Júlios e a pena de morte, Daniela Arbex:
    http://www.tribunademinas.com.br/os-julios-e-a-pena-de-morte/

    O meu guri, Beth Carvalho:
    http://letras.mus.br/beth-carvalho/686191/

    Saudações fraternas.

    • Billy, desde já agradeço por ter lido e lançado comentário que leva à comoção para quem o leu por inteiro. Tudo visto, me atrevo a responder.

      No Século XIX, lá na Itália, nasceu Giovanni, filho do segundo casamento de Margarida, mãe de outro filho do seu primeiro casamento, cujo marido morreu.

      Giovanni cresceu e dele seu meio-irmão foi-lhe inimigo. Maltratava-o. Até que um dia, já adulto Giovanni (+ ou – 18 anos ), seu meio-irmão dele tornou-se amigo. Giovanni havia entrado para o seminário. Ordenou-se sacerdote. E dedicou seu sacerdócio aos meninos de rua, os “birichinis”, de uma Itália dividida em reinos que não se entendiam e brigavam entre si.

      Giovanni Melchior Bosco, chamado de Dom Bosco (1815-1888), andava prá-lá-e-prá-cá com aqueles “bandos” de meninos de rua. A sociedade reprovava. Chamavam a polícia. Os governantes sentiam horror de Dom Bosco, tudo por causa do amparo que dava aos “birichinis”. O primeiro deles chamava-se Bartolomeu Garelli, que entendeu a intenção de Dom Bosco e empenhou-se para infundir em seu comparsas de crime que abandonassem aquela vida e seguissem Dom Bosco. Sim, comparsas de crime, porque roubavam, assaltavam e matavam.

      Mas Dom Bosco venceu. Deles fez homens de bem. Com eles fundou a Sociedade Salesiana, dedicada exclusivamente aos meninos pobres. A obra de Dom Bosco cresceu. Espalhou-se pelo mundo. Depois da França, o Brasil foi o segundo país a receber os sacerdotes salesianos, que aqui entraram por Mato Grosso e edificaram, em Niterói, a primeira casa salesiana no Brasil. Hoje são mais de 300 casas entre nós. E no mundo, os salesianos são a 3ª maior ordem religiosa, mesmo sendo recente em relação às outras.

      Mas não temos um Dom Bosco entre nós. Nem sei se os colégios salesianos aceitam alunos pobres. Creio que não. Mas era para aceitar, porque assim está escrito nos regulamentos e princípios que o próprio São João Bosco escreveu e que podem ser lidos na Casa-Mãe em Turim. São manuscritos.

      Sem Dom Bosco, e sem alguém que faça o que Dom Bosco fez, a situação vai piorar muito. E não será a redução da maioridade penal que vai resolver essa tragédia brasileira. Cem, mil, dez mil, cem mil, milhões de Julinhos estão nas ruas e nas ruas vão permanecer, crescer, matar e morrer. E se forem para os cárceres, deles sairão mais violentos. Os Julinhos do amanhã serão mais estigmatizados e derrotados do que os de hoje. Pelo menos aqueles que são mesmo inimputáveis, que não sabem o caráter ilícito do crime que cometeram. E que moral têm os governantes de um Brasil, cujos menores perambulam pelas ruas sem que lhes seja dado eficaz amparo, para ir aos Tribunais Internacionais pedir reparação moral contra o outro país que “grampeou” seus telefones e ouviu suas conversas e diálogos?
      Jorge Béja

  3. Investir em tecnologia para evitar guerras cibernéticas o Brasil nem pensar. Agora reclama da espionagem. Façam o dever de casa, deixem de roubar bilhões e invistam verdadeiramente em tecnologia, prestigiem nossos cérebros e deixem de choradeira tupiniquim. Para se ter dimensão da importância que o país reserva ao desenvolvimento tecnológico, basta ver que o ministro da Ciência e Tecnologia até bem pouco tempo queria o banimento de computadores para evitar desemprego. Por favor me poupem!

  4. Senhores,

    Vejam parte deste artigo do André Luís Woloszyn, Analista de assuntos estratégicos e especialista em conflitos de média e baixa intensidade:

    “PORQUE NOS CALAMOS SOBRE A CIBERESPIONAGEM

    As autoridades brasileiras agiram acertadamente quando consideraram o episódio da ciberespionagem patrocinada pela National Security Agency (NSA) dos EUA como um fato superado. E assim foi por duas importantes razões.

    Em primeiro lugar, A DEPENDÊNCIA DO BRASIL EM RELAÇÃO AOS ESTADOS UNIDOS É COMPLETA em relação aos EUA em matéria de tecnologias digitais é completa, assim como todos os demais países latino-americanos.
    TODO o fluxo de comunicações online e o armazenamento dos metadados passam por território estadunidense e lá são inseridos em bancos de dados e armazenados. Insistir com retaliações ou acreditar que fatos desta natureza não mais acontecerão é uma percepção um tanto INOCENTE quando interesses estratégicos estão em jogo. Pouco há a fazer nestas circunstâncias além de investimentos em pesquisa e tecnologia, o que tradicionalmente para o Brasil, nunca foi uma prioridade.

    A segunda razão, provavelmente a mais relevante, é motivada pela dúvida sobre qual a extensão dos resultados obtidos pela ciberespionagem norte-americana e seus impactos para o governo brasileiro.”

    O resto do artigo: http://www.defesanet.com.br/wikies/noticia/19661/REVELACOES-WIKILEAKS–porque-nos-calamos-sobre-a-ciberespionagem-/

    Abraços.

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