Brasileiro já perdeu quase dois anos de expectativa de vida na pandemia, e 2021 será ainda pior

Expectativa de vida no Brasil • IBGE Explica - YouTubeDeu na BBC

O brasileiro perdeu quase dois anos de expectativa de vida em 2020 por causa da pandemia de covid-19. Em média, bebês nascidos no Brasil em 2020 viverão 1,94 ano a menos do que se esperaria sem o quadro sanitário atual no país. Ou seja, 74,8 anos em vez dos 76,7 anos de vida anteriormente projetados.

Com isso, a esperança de longevidade dos brasileiros retornou ao patamar de 2013. A queda interrompe um ciclo de crescimento da expectativa de vida no país, que partiu da média de 45,5 anos, em 1945, até atingir os estimados 76,7 anos, em 2020, um ganho médio de cinco meses por ano-calendário.

ESPECIALISTA DE HARVARD – O cálculo do impacto da covid-19 na sobrevida da população foi feito por uma equipe liderada pela demógrafa Márcia Castro, professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard. A expectativa de vida, ou seja, a estimativa de quantos anos as pessoas devem viver, em média, é um importante indicador de qualidade de vida e do cálculo do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das nações.

“Funciona como um termômetro social porque ela te mostra como a gente está progredindo em aumentar a longevidade da população, através de medidas de saúde pública, saneamento, e também te mostra como determinado choque, como uma guerra ou, neste momento, a pandemia, reduz esse indicador porque há um padrão de mortalidade maior do que o esperado”, afirmou Márcia Castro à BBC News Brasil.

Com a segunda maior taxa de mortalidade do mundo em números absolutos, o Brasil já registra quase 360 mil óbitos causados pelo novo coronavírus.

CONSEQUÊNCIA  – O impacto dessa mortalidade na expectativa de vida da população do país já é 72% maior do que a verificada nos Estados Unidos, líder em óbitos por covid-19 (560 mil).

Enquanto os brasileiros perderam 1,94, ano, na média, os americanos perderam 1,13 ano de expectativa de vida em 2020 por conta da pandemia (redução de 78,8 anos para 77,8 anos).

Mas os dados podem ser na verdade piores do que essa estimativa. “A gente sabe que houve muita dificuldade de acesso ao teste de covid-19, subnotificação e muita morte pelo novo coronavírus que não foi registrada dessa maneira”, explica Márcia Castro.

OUTRA VERSÃO – Assim, os pesquisadores contemplaram um cenário alternativo: contabilizaram o impacto na expectativa de vida brasileira a partir da soma de todas as mortes oficialmente registradas como covid-19 acrescidas de 90% daquelas identificadas como causadas por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), quadro comumente provocado pelo novo coronavírus. Nesse cenário, a redução na expectativa de vida no Brasil ultrapassaria os dois anos e meio.

“Ainda assim, são duas estimativas bastante conservadoras. As medidas devem ser ainda maiores porque mesmo depois de contabilizar mortes por covid-19 e por SRAG, verificamos que há ainda um excesso de óbitos em relação ao esperado, que pode ser causado por falta de assistência médica básica para outras doenças, por exemplo”, afirma Castro. A demógrafa e os demais pesquisadores já trabalham em novas pesquisas para estimar essa perda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A situação demográfica é preocupante. A população do Brasil deve encolher em quase 50 milhões até o fim do século. Como o país tem dimensão continental, seria de se esperar que a população crescesse, ao invés de diminuir. Mas os cálculos não levam em conta a inevitável imigração de outros povos, como tem ocorrido com haitianos, venezuelanos e sírios, nos últimos anos. Depois voltaremos ao assunto. (C.N.)

4 thoughts on “Brasileiro já perdeu quase dois anos de expectativa de vida na pandemia, e 2021 será ainda pior

  1. A população do mundo todo PRECISA ENCOLHER. E MUITO !!! Falta-nos espaço físico, social, laboral, etc. Mas os homens e mulheres, mesmo tendo à sua disposição inúmeros meios anticoncepcionais, insistem em ignorá-los.

  2. Há muito tempo, procuro uma justificativa que mostre a vantagem de ser longevo no Brasil.
    Quando ouço alguém dizer que a terceira idade é a “melhor idade”, fico apreensivo e acho que “velhinho” não precisa ser enganado.
    A começar, ser aposentado ou pensionista do INSS, já é por si só, uma tragédia.
    Na idade avançada, tudo é dificultoso, falta saúde, falta dinheiro, falta condições físicas até para as mais rudimentares necessidades, enfim, é um viver que não traz qualquer prazer.
    Quando falam em aumento de expectativa de vida, logo passo a relacionar o fato com o sofrimento, que no Brasil é real. Quanto mais se vive, mais se sofre.
    Não seria o caso de se segurar de alguma forma o crescimento demográfico, tentar melhorar o nível de vida da população em geral, e depois então parti-se para dar mais tempo de vida as pessoas? Porque se é para viver miseravelmente, não vejo vantagem em se viver muito.
    No Brasil se tem falado muito em “expectativa de vida”, mas se fala muito pouco ou quase nada, em “qualidade de vida”, portanto aumentar o viver, sem a devida qualidade, é condenar a muito mais tempo de sofrimento.
    E como o nosso pais dá demonstrações de que não haverá mudanças que nossos olhos possam ver, o que se esta fomentando, é a indústria do sofrimento.
    Em Portugal, quando de uma pesquisa com idosos, perguntaram a um velhinho, como ele se sentia.
    O idoso respondeu, que estava como o Partido Comunista.
    O pesquisador não entendeu e pediu uma explicação para o fato.
    O idoso então detalhou a situação. Dizia ele, que da cintura para cima, ainda era “martelo”, mas da cintura para baixo, “foi-se”.
    E parece que “foi-se”, é a situação dos velhinhos brasileiros.

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