Auditoria da CGU aponta irregularidades de prefeituras em vitrine eleitoral de Dilma

Tai Nalon
Folha

Programas do governo federal que devem ser usados como vitrines na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff em 2014 apresentam irregularidades na aplicação dos recursos por parte das prefeituras e enfrentam atrasos que podem atrapalhar o alcance das metas fixadas pelo Planalto.

Auditorias realizadas neste ano pela CGU (Controladoria-Geral da União) em 60 cidades de todo o país – escolhidas por sorteio – mostram que, em 98% dos municípios analisados, há falhas no Bolsa Família e na construção de creches, pré-escolas e UBSs (unidades básicas de saúde).

O Bolsa Família está relacionado à principal promessa de campanha de Dilma –a erradicação da pobreza extrema– e vem sendo carro-chefe dos governos petistas. Já a construção de creches e de UBSs é estratégica para que Dilma estreite relações com líderes regionais que podem somar apoio em 2014.

Os três programas são bancados pela União, mas executados em conjunto com as prefeituras, que recebem o dinheiro federal sob uma série de condições, como a entrega de documentos para o início de uma obra, comprovação de que o projeto está em execução ou o envio de uma lista de beneficiários.

Os municípios, porém, frequentemente falham em procedimentos básicos, como a comprovação da aplicação dos recursos, fiscalização e previsão orçamentária, o que resulta em atrasos.

Das 60 cidades fiscalizadas pela CGU em 2013, 59 apresentaram irregularidades no Bolsa Família. Há indícios de pagamento do benefício a famílias com mais de R$ 140 mensais de renda per capita – teto estipulado pelo programa.

As prefeituras também falham por não conseguir comprovar a frequência escolar de crianças vinculadas ao programa, um pré-requisito, e por não publicar a lista de beneficiários. A construção de creches e pré-escolas tem problemas em 34 dos 60 (57%) municípios analisados. A maior parte deles relacionada à execução financeira das obras e às licitações para contratação de construtoras e compra de materiais. A promessa do governo é entregar até o fim do próximo ano 6.000 creches.

Há seis casos de obras atrasadas, paralisadas ou abandonadas. Também há registro de falta de publicidade de processos de licitação e irregularidade nos critérios de reajuste de preços. No caso das UBSs, 13 dos 60 municípios (22%) apresentaram problemas como obras atrasadas ou abandonadas, pagamentos por serviços não executados e direcionamento de licitações.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A Controladoria descobriu até a filha de um prefeito recebendo Bolsa Família. Há outro caso, famoso, de um gato que também era contemplado. Pena que a CGU tenha demorado tanto para fazer este tipo de apuração. Os programas são importantes, mas não podem deixar de ser fiscalizados. (C.N.)

 

Pelo amor de Deus, não deixem Dilma discursar de improviso!

Pedro Venceslau
O Estado de S.Paulo

Antes de entrar na campanha presidencial de 2010, a então ministra Dilma Rousseff, candidata ungida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi submetida a um intenso processo de media training com o marqueteiro João Santana para melhorar sua oratória.

Considerada um quadro técnico, ela tinha pouca desenvoltura em palanques e diante dos microfones, o que preocupava os estrategistas petistas. Após três anos no Palácio do Planalto, a presidente surpreendeu aqueles que apostavam em um mandato eminentemente técnico e fechado no gabinete.

Entre o primeiro discurso, feito no Congresso Nacional no dia da posse, em 1° de janeiro de 2003, e o último, na inauguração da BR-448, em Porto Alegre, no último dia 20, Dilma somou 599 intervenções, segundo dados obtidos no site da Presidência da República.

A média de quase dois discursos por dia está longe da alcançada por Lula, que somou 968 falas nos primeiros três anos do seu primeiro mandato, mas ainda assim é um número considerável, já que a Presidência foi a primeira disputa eleitoral de Dilma.

“FALAS BELÍSSIMAS”

“Ela tem feito falas belíssimas, emotivas e com muita capacidade de explicação”, celebra o deputado Edinho Silva (PT), um dos prováveis coordenadores da campanha pela reeleição da presidente. “A oratória dela melhorou muito ao longo do mandato. Dilma é hoje uma exímia oradora.”

Apesar dos elogios, a oratória presidencial deixou um rastro de gafes e declarações indecifráveis que tornaram-se hits na internet e memes nas redes sociais. Entre os mais populares está um pronunciamento feito no último Dia da Criança, em Porto Alegre.

“O Dia da Criança é da mãe, do pai, dos professores… mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás. O que é muito importante”, disse Dilma, para espanto da plateia.

Especialistas ouvidos pelo Estado foram unânimes ao avaliar que a presidente mantém vícios perigosos em seu estilo de falar. “O perigo está na hora em que ela tenta dar um toque pessoal e parte para a fala de improviso”, disse o fonoaudiólogo e professor de oratória Rodrigo Moreira, que analisou discursos de Dilma a pedido do Estado. “O nervosismo faz com que ela perca a concentração.”

Foi em um momento de improviso, por exemplo, que a presidente saudou Márcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, como prefeito de Porto Alegre em um discurso em Minas Gerais. Acabou vaiada pela plateia.

Em outra ocasião, chamou o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, de Antonio Cláudio. Nos dois casos, a saída encontrada para evitar o constrangimento foi fazer piada com o erro. “Quando o erro é grave, é melhor levar no humor”, afirma Moreira. “Dilma faz isso e ri de si mesma.”

Outra declaração da presidente que chamou a atenção aconteceu na saída de uma reunião do G-20, em setembro, quando o País vivia o auge da tensão com os Estados Unidos devido às denúncias de espionagem. “Ontem eu disse para o presidente Obama que é claro que ele sabia que, depois que a pasta de dente sai do dentifrício, ela dificilmente volta para dentro do dentifrício. Eu disse que a gente tinha que levar isso em conta. Ele respondeu que faria todo o possível para que a pasta de dente não ficasse solta por aí e voltasse uma parte para dentro do dentifrício”, disse Dilma a um batalhão de jornalistas. Não se sabe se o recado foi assimilado pelo norte-americano ou compreendido pelo tradutor.

INVENTAR UM ESTILO

“Por ter um perfil técnico, Dilma sente-se mais à vontade em público do que se tivesse que inventar um estilo”, pondera o cientista político Cláudio Couto, professor de administração pública da FGV.

O fonoaudiólogo Rodrigo Moreira aponta alguns vícios da oratória de Dilma. “Ela faz muitas perguntas para si própria durante a fala, o que é um vício de linguagem. Quando usado em excesso, isso cria um incômodo para quem escuta. Outro problema é a questão do contato visual, que é perdido. Se eu fosse professor de oratória dela, só usaria teleprompter.”

Um exemplo do uso de perguntas foi o discurso feito no dia 17 dezembro, no Estaleiro Atlântico Sul, em Ipojuca (PE). “Nós decidimos que íamos partir para a ofensiva e implantar a indústria naval. Como? Através da garantia de demanda que os projetos da Petrobras representam. Por que isso? Porque a Petrobras é uma das maiores empresas de petróleo do mundo.”

O cientista político e consultor de marketing Rudá Ricci, autor do livro Lulismo, observa que houve uma evolução importante nos discursos da presidente nos últimos quatro anos. “Dilma abandonou o obrigação de sorrir. Como ela é séria, o sorriso parecia forçado . A presidente também está dominando melhor o espaço dela na hora de falar.”

Para o jornalista Eugênio Bucci, ex-presidente da Radiobrás, a presidente é tecnocrática até nos assuntos políticos. “Esse estilo não cai nas graças do povo. O discurso parece de uma auditora que fiscaliza, não que lidera. Dilma fala como uma máquina. Não parece alguém que está conversando.”

EQUIPE DE APOIO

Sempre que vai falar em público, a presidente segue o mesmo ritual. O discurso é preparado por uma equipe de redatores de uma “tropa de elite” chamada GAIA (Gabinete Adjunto de Informação de Apoio à Decisão). O texto final passa ainda pelo crivo do ministro ligado à área que será alvo da fala antes de chegar às mãos da presidente, que costuma dedicar suas horas de voo para ler e memorizar o máximo possível do material.

Os “cacos” de improviso vão sendo incluídos ao longo da fala. Segundo interlocutores da presidente, a linha mestra das falas é definida por João Santana, marqueteiro da campanha de 2010.

“O ghost writer ou o marqueteiro, dependendo do caso, pontua quais são as ideias-força e os momentos que merecem mais ênfase e consequentemente algum improviso para gerar empatia com a plateia. É justamente quando ela sai do protocolar que se perde”, diz Rudá Ricci.

Um poema em estilo samba-canção, de Ana Cristina César

A professora, tradutora e poeta carioca Ana Cristina Cruz Cesar (1952-1983) é considerada um dos principais nomes da chamada geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970. No poema “Samba-Canção”, Ana Cristina revela que fez tudo para o seu amor gostar, porque ela queria apenas carinho.

SAMBA-CANÇÃO

Ana Cristina César

Tantos poemas que perdi.
Tantos que ouvi, de graça,
pelo telefone – taí,
eu fiz tudo pra você gostar,
fui mulher vulgar,
meia-bruxa, meia-fera,
risinho modernista
arranhando na garganta,
malandra, bicha,
bem viada, vândala,
talvez maquiavélica
e um dia emburrei-me,
vali-me de mesuras
(era uma estratégia),
fiz comércio, avara,
embora um pouco burra,
porque inteligente me punha
logo rubra, ou ao contrário, cara
pálida que desconhece
o próprio cor-de-rosa,
e tantas fiz, talvez
querendo a glória, a outra
cena à luz de spots,
talvez apenas teu carinho,
mas tantas, tantas fiz…

(Colaboração enviada por Paulo Peres – Site Poemas & Canções)

Equador reitera que continuará protegendo Julian Assange, criador do Wikileaks

Da Prensa Latina

Quito – O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, assegurou na véspera de natal que seu governo continuará protegendo o fundador do Wikileaks, Julian Assange, asilado na embaixada do país andino em Londres desde junho de 2012.

“Nós não daremos nosso braço a torcer, manteremos a proteção, porque achamos que é nosso direito proteger você da perseguição e proteger  sua liberdade e a liberdade de expressão”, expressou Patiño, em uma mensagem enviada a Assange através da emissora local Rádio Pública.

Depois de enviar um fraterno cumprimento natalino ao homem que revelou milhares de arquivos secretos da diplomacia estadunidense, o chanceler equatoriano disse ter esperanças de que a Suécia aceite a proposta de seus advogados de tomar declarações na sede diplomática da nação sul-americana no Reino Unido.

“Ou que o governo britânico se dê conta de que estão cometendo uma violação muito grave de seus direitos humanos, ao não aceitar os fundamentos jurídicos apresentados pelo Equador com relação à obrigação que tem de dar a você um salvo-conduto”, agregou.

REFUGIADO

O jornalista australiano refugiou-se na embaixada equatoriana em Londres para evitar ser extraditado à Suécia, onde seria julgado por supostos delitos sexuais.

Assange considera, por sua vez, que só se trata de uma estratégia para ser enviado aos Estados Unidos, onde poderia inclusive ser condenado à pena de morte por revelar informações consideradas secretas.

“É importante que saiba que o povo e o governo equatorianos têm uma decisão firme de manter a proteção, na contramão da perseguição política que sofre dos maiores poderes do mundo”, assegurou Patiño ao fundador do Wikileaks, a quem qualificou como ícone da liberdade de expressão. (transcrito do site Irã News)

 

Agora, Genoino quer passar o Ano Novo em sua casa de São Paulo

Andreza Matais e Ricardo Brito
Estadão

BRASÍLIA – O ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino pretende passar o Ano Novo com a família em São Paulo. A defesa de Genoino deu entrada a um pedido no Supremo Tribunal Federal (STF) para que ele passe a cumprir prisão domiciliar provisória na sua casa no Butantã, na zona oeste da capital paulista. Ele está preso desde o dia 15 de novembro após condenação no processo do mensalão por corrupção ativa.

No dia 21 de novembro, o presidente do Supremo, ministro Joaquim Barbosa, concedeu autorização provisória para que Genoino cumpra prisão domiciliar até que a Corte dê a palavra final sobre se a Penitenciária da Papuda, na capital federal, oferece condições para ele fazer seu tratamento de saúde.

Desde então, ele está, segundo seu advogado Luiz Fernando Pacheco, na casa de um familiar em Brasília. Pacheco argumentou que foi o próprio Genoino quem manifestou interesse em voltar para São Paulo, na casa onde reside há 30 anos. Atualmente, segundo o defensor, está na casa de um contraparente em Brasília. Ele não quis revelar a identidade do hóspede do condenado nem o endereço onde o ex-presidente petista se encontra. A Vara de Execuções Penais informou que a localização de Genoino está sob sigilo.

BARBOSA NÃO ALIVIA

Independentemente do pedido de transferência provisória para São Paulo, a decisão de Joaquim Barbosa sobre a concessão de prisão domiciliar definitiva deve ficar para depois das festas de fim de ano. Barbosa consultou as Varas de Execuções Penais em Brasília e São Paulo para saber delas se haveria condições do ex-presidente do PT cumprir pena em presídios em uma das duas localidades.

Em Brasília, a Vara de Execuções indicou que há condições para recepcionar presos com problemas de saúde. Em decisão do último dia 20, o juiz substituto Bruno Ribeiro mandou ofícios para a Secretaria de Saúde e para a Subsecretaria do Sistema Penitenciário solicitando “que continuem envidando esforços no sentido de prestar aos sentenciados em cumprimento de pena no Distrito Federal a assistência à saúde e, em caso de necessidade, a pronta transferência para a rede hospitalar de referência, sem prejuízo da estrita observância das recomendações clínicas que cada caso requer”.

A Vara de Execuções de São Paulo, segundo apurou a reportagem, teria dado uma resposta evasiva.

O Natal como celebração do templo e de seus vendilhões

Celso Lungaretti 

O que o mundo realmente celebra no Natal? A saga de um carpinteiro que trouxe esperança a pescadores e outras pessoas simples de um país subjugado ao maior império da época.

Os primeiros cristãos eram triplamente injustiçados: economicamente, porque pobres; socialmente, porque insignificantes; e politicamente, porque tiranizados. Jesus Cristo nasceu três décadas depois da maior revolta de escravos enfrentada pelo Império Romano em toda a sua existência.

As mais de seis mil cruzes fincadas ao longo da Via Ápia foram o desfecho da epopeia de Spartacus, que, à sua maneira rústica, acenou com a única possibilidade então existente de revitalização do império: o fim da escravidão. Roma ganharia novo impulso caso passasse a alicerçar-se sobre o trabalho de homens livres, não sobre a conquista e o chicote.

Vencido Spartacus, não havia mais quem encarnasse (ou pudesse encarnar) a promessa de igualdade na Terra. Jesus Cristo a transferiu, portanto, para o plano místico: todos os seres humanos seriam iguais aos olhos de Deus, devendo receber a compensação por seus infortúnios num reino para além deste mundo.

REALIDADE DILACERANTE

Este foi o cristianismo das catacumbas: a resistência dos espíritos a uma realidade dilacerante, avivando o ideal da fraternidade entre os homens. Hoje há enormes diferenças e uma grande semelhança com os tempos bíblicos: o império igualmente conseguiu neutralizar as forças que poderiam conduzir a humanidade a um estágio superior de civilização.

A revolução é mais necessária do que nunca, mas inexiste uma classe capaz de assumi-la e concretizá-la, como o fez a burguesia, ao estabelecer o capitalismo; e como se supunha que o proletariado industrial fizesse, edificando o socialismo.

O fantasma a nos assombrar é o do fim do Império Romano: ou seja, o de que tal impasse nos faça retroceder a um estágio há muito superado em nosso processo evolutivo.

LEGIÕES DE EXCLUÍDOS

O capitalismo hoje produz legiões de excluídos que fazem lembrar os bárbaros que deram fim a Roma; não só os que vivem na periferia do progresso, mas também os miseráveis existentes nos próprios países abastados, vítimas do desemprego crônico.

E as agressões ao meio ambiente, decorrentes da ganância exacerbada, estão atraindo sobre nós a fúria dos elementos, com conseqüências avassaladoras. Décadas de catástrofes serão o preço de nossa incúria.

No entanto, como disse o grande jornalista Alberto Dines, “criaturas e nações cometem muitos desatinos, mas na beira do abismo recuam e escolhem viver”.

Se a combinação do progresso material com a influência mesmerizante da indústria cultural tornou o capitalismo avançado praticamente imune ao pensamento crítico e à gestação/concretização de projetos alternativos de organização da vida econômica, política e social, tudo muda durante as grandes crises, quando abrem-se brechas para evoluções históricas diferentes.

CONTAGEM REGRESSIVA

Temos pela frente não só a contagem regressiva até que as contradições insolúveis do capitalismo acabem desembocando numa depressão tão terrível como a da década de 1930, como a sucessão de emergências e mazelas que decorrerão das alterações climáticas.

O sofrimento e a devastação serão infinitamente maiores se os homens enfrentarem desunidos esses desafios. Caso as nações e os indivíduos prósperos venham a priorizar a si próprios, voltando as costas aos excluídos, estes morrerão como moscas.

O desprendimento, substituindo a ganância; a cooperação, em lugar da competição; e a solidariedade, ao invés do egoísmo, terão de dar a tônica do comportamento humano nas próximas décadas, se as criaturas e nações escolherem viver.

E há sempre a esperança de que os mutirões criados ao sabor dos acontecimentos acabem apontando um novo caminho para os cidadãos, com a constatação de que, mobilizando-se e organizando-se para o bem comum, eles aproveitam muito melhor as suas próprias potencialidades e os recursos finitos do planeta.

Então, para além deste Natal mercantilizado, que se tornou a própria celebração do templo e de seus vendilhões, vislumbra-se a possibilidade de outro. O verdadeiro: o Natal cristão, dos explorados, dos humilhados e ofendidos. Se frutificarem os esforços dos homens de boa vontade.

(enviado por Sérgio Caldieri, e extraído do blog Náufrago da Utopia)

Dirceu ataca imprensa e nega regalia na prisão

Daiene Cardoso e Andreza Matais
Agência Estado

Em carta endereçada aos amigos e petistas que enviaram mensagens de apoio neste fim de ano, o ex-ministro José Dirceu, que cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda desde 15 de novembro, ataca a imprensa e se diz vítima de uma campanha para impedi-lo de trabalhar fora da prisão. O petista também nega receber tratamento privilegiado no presídio do Distrito Federal.

“Não bastasse a injustiça de nossa condenação e prisão, agora somos vítimas de uma campanha infamante sobre regalias e privilégios que não temos e nunca pedimos”, escreveu Dirceu. O petista afirma que não se abaterá, mesmo com “as campanhas que buscam impedir que eu exerça minha atividade profissional”.

A primeira tentativa de Dirceu de conseguir um emprego foi de gerente administrativo do hotel St. Peter, em Brasília, com salário de R$ 20 mil, enquanto a gerente-geral recebia conforme registrado em carteira R$ 1.800,00. Dirceu desistiu da oferta de trabalho após o Jornal Nacional revelar que a empresa sócia majoritária do hotel foi constituída no Panamá, conhecido paraíso fiscal. O jornal O Estado de S.Paulo revelou, após isso, que Dirceu abriu uma filial de sua consultoria no Panamá no mesmo endereço da Truston International, sócia do hotel. Embora tenha registrado a existência da filial e indicado seu endereço aos órgãos brasileiros, o ex-ministro nega, por meio de sua assessoria, que tenha formalizado a abertura no paraíso fiscal.

As mensagens de solidariedade vêm sendo entregues pelos advogados do ex-ministro-chefe da Casa Civil. O PT também criou um tumblr, o Mil Cartas para os Companheiros, para que a militância manifeste sua solidariedade aos “presos políticos do PT”.

No texto escrito na quarta-feira, 25, e divulgado nesta quinta-feira, 26, em sua página no Facebook, Dirceu fala de sua rotina de leitura e estudos para a “luta” ao qual se “prepara”. “É importante a denúncia da prisão arbitrária e a demanda para o cumprimento da lei, do regime semiaberto”, afirma. Ele foi condenado no processo do mensalão a 10 anos e 10 meses de prisão no regime fechado, mas cumpre pena em regime semiaberto.

Além de agradecer a solidariedade dos amigos, Dirceu publicou hoje um cartão de fim de ano onde diz que “ninguém pode prender meus sonhos”.

Comissão da Verdade terá até dezembro de 2014 para concluir trabalhos

Da Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff prorrogou, por meio da Medida Provisória (MP) 632, publicada nesta quinta-feira (26/12) no Diário Oficial da União, os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV). O decreto de criação previa a conclusão das atividades em maio de 2014, após dois anos de trabalho. A prorrogação estabelece mais sete meses, até 16 de dezembro do próximo ano, para a apresentação do relatório final.

A prorrogação era pleiteada desde o primeiro semestre deste ano. Em abril, um pedido foi apresentado à presidente durante reunião com lideranças do movimento estudantil. Em maio, membros da própria CNV apresentaram as demandas da sociedade civil, incluindo comissões estaduais da Verdade, comitês de Memória e Justiça e centrais sindicais, para que os trabalhos fossem prorrogados.

Os membros da CNV consideravam difícil a conclusão do relatório final até maio e importante a prorrogação para o aprofundamento dos trabalhos. A CNV foi criada para apurar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, período que inclui a ditadura militar. De acordo com a lei que a criou, a comissão tem o objetivo de esclarecer fatos e não tem caráter punitivo. O grupo também utiliza informações produzidas há 17 anos pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos e há 11 anos pela Comissão de Anistia.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A Comissão da Verdade não apurou muita coisa, mas deu um monte de filhotes, com outras comissões estaduais espalhadas pelo país. É uma pena que só esteja investigando o lado de lá, passando uma borracha nos crimes do lado de cá, entre os quais, terrorismo, delação, execuções sumárias e tudo o mais. Seria interessante saber a verdade por completo. O melhor nome seria Comissão das Meias Verdades. (C.N.)

Radicalismos e revanchismos não levam a nada

Francisco Bendl

Não apoio radicalismos. Sou contra nacionalistas lutarem entre si para implantação de regimes ou sistemas de governo ou para derrubarem ou colocarem gente no poder sem o voto popular.

Se o golpe militar se fez necessário, inexplicáveis as torturas e mortes que aconteceram promovidas pelos litigantes de ambos os lados.

Ufanismos não são apropriados quando constatamos que houve centenas de pessoas que tiveram suas vidas ceifadas em nome de uma ideologia ou em defesa da Pátria, mas que redundaram em brasileiros aniquilando brasileiros, promovendo ódios e indignações, injustiças e temores indiscriminadamente.

TODOS ERRARAM

As Forças Armadas exageraram na sua ânsia de impedir uma ditadura à la cubana, que estava em curso indiscutivelmente; os adeptos de Castro erraram ao eleger o Estado e quem lhes fosse contra para também cometerem seus assassinatos e torturas, sequestros e roubos, que simplesmente distorciam a causa que defendiam e combatiam.

O problema que se percebe hoje em dia é o revanchismo, a vingança, a cobrança de quase trinta anos passados de um período que o País não tem do que se orgulhar, ao contrário, tanto o Estado quanto os rebeldes devem se penitenciar pela forma que adotaram para impor suas vontades, desconsiderando o povo e o Estado de Direito da cidadania brasileira.

Lamento ainda ler discursos em defesa dos assassinatos e torturas cometidas, na mesma medida que repudio explicações e justificativas dos “guerrilheiros” ainda vivos que alegam mentirosa e desavergonhadamente que lutavam pela democracia!

Se a primeira facção deveria ter seus torturadores punidos, a segunda igualmente precisaria ter seus falsos combatentes desmascarados e também cobrados pelos crimes que cometeram. Mas não é isso que está acontecendo.

Economista diz que empresários evitam alardear desconfiança na economia

Rosana Hessel
Correio Braziliense

São Paulo — O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, não vê razão para poupar pessimismo. Antes do anúncio do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre deste ano, ele foi tachativo: queda de 0,5%. Acertou. Agora, prevê um quadro mais sombrio.

Alguns especialistas acham que dos males virá o bem. Esperam para 2014 a “tempestade perfeita”, acúmulo de intempéries capaz de detonar reformas de que o país precisa para crescer de modo mais intenso, sem pressões inflacionárias. Para Vale, os problemas maiores virão em 2015, quando o próximo presidente tomará posse. “Teremos mais do que uma tempestade. Não sei que termo poderia ser. Tempestade vem e passa. Depois, você junta os cacos e reconstrói. Aqui, teremos uma tempestade para ficar durante muito tempo”, explica.

No entender do economista, são remotas as chances de a presidente Dilma Rousseff mudar a cabeça para fazer os ajustes necessários a fim de que o país retome a rota do crescimento. “Reformista de fato esse governo não é. Não está fazendo nada. Com isso, não vamos crescer como precisamos. Não tem chance”, resume.

Para Vale, o Brasil foi engolfado por uma onda de desconfiança. Por isso, faltam os investimentos necessários à retomada do Produto Interno Bruto (PIB). “Infelizmente, o governo perdeu a credibilidade. Em 2015, ao que tudo indica, Dilma entregará para ela mesma uma herança maldita”, afirma. “Em 2018, essa herança será mais maldita ainda. Será a herança tenebrosa”, completa. A seguir, os principais trechos da entrevista:

O que podemos esperar da economia brasileira em 2014?
O país vai crescer menos que em 2013. Estamos prevendo alta de 1,9%. Neste ano, o PIB terá alta de 2,3%, com avanço na margem de 0,9% no quarto trimestre. A economia saiu do fundo do poço. Infelizmente, o país não consegue crescer mais do que isso. No ano que vem, a taxa de juros estará mais elevada, a situação cambial continuará volátil, com desvalorização do real. Também haverá pressão na inflação. Está fácil para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) seguir perto de 6,5%. Enquanto isso, o Banco Central não terá liberdade para elevar os juros como deveria. Não à toa, haverá duas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) depois das eleições. Provavelmente, esse será o espaço que se colocará para o BC aumentar os juros assim que a presidente for reeleita.

Como avalia o cenário econômico atual?
É de uma indústria que piorou. O resultado do PIB do terceiro trimestre veio dentro do que a gente esperava, de queda de 0,5%. Não houve grandes surpresas. Vale lembrar que houve a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de carros e as vendas dispararam, mas a produção recuou. O setor automobilístico teve papel importante no tombo da economia no terceiro trimestre.

MinistroLuís Roberto Barroso promete rapidez para mensalão do PSDB

Fernando Rodrigues
Folha

Relator do mensalão tucano, o ministro Luís Roberto Barroso aguarda apenas terminar a fase de alegações finais, ainda este ano, para preparar a parte que lhe cabe no processo.

“Sou relativamente rápido. Tudo estando pronto na volta do recesso, imagino que em meados do primeiro semestre meu voto esteja pronto”, disse ele em entrevista à Folha e ao UOL.

O mensalão tucano é um caso de uso de dinheiro não declarado para financiar campanhas eleitorais, tendo como principal acusado o deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG), que já foi presidente nacional da sigla.

Na disputa entre PT e PSDB, os petistas sempre se queixam de terem enfretado o julgamento de seu mensalão antes que o caso dos tucanos fosse apreciado pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo Luís Roberto Barroso, entretanto, não há como prever com precisão quando o caso envolvendo o PSDB chegará a um desfecho. Eis como o ministro descreve o rito a ser seguido agora:

“Não depende só de mim. O processo está em alegações finais. É a ultima manifestação do acusado, depois de ouvidas todas as testemunhas e produzidas todas as provas. Aí o processo vem concluso para mim, elaboro o meu voto, em seguida encaminho para o ministro Celso de Mello, que é o revisor. Portanto, vai depender de eu preparar o meu voto, do ministro Celso de Mello preparar o dele, e da presidência pautar para julgar.”

IMPREVISIBILIDADE

A única certeza é sobre o voto de Barroso no início de 2014. Depois, entra-se em um cronograma cheio de imprevisibilidades jurídicas. “A gente deve prever o que está sob o nosso controle. Existem outros atores importantes. Existem alguns componentes aleatórios, como a própria pauta do Supremo ao longo de 2014”, afirma o ministro.

No caso do mensalão do PT, Barroso diz preferir não comentar a atual fase de execução das penas de parte dos condenados. A primeira fase do julgamento, em que as condenações foram definidas, foi concluída em 2012.

“Se eu achasse alguma coisa relevante sobre esse assunto eu diria internamente, e não publicamente. Tenho uma postura de não fazer juízos públicos sobre votos ou posições dos meus colegas.”

Quando ainda era advogado, Barroso defendeu a causa do italiano Cesare Battisti, que obteve direito de permanecer no Brasil, mesmo tendo sido acusado de assassinato na Itália. Indagado sobre semelhanças com o caso do norte-americano Edward Snowden, que participou do vazamento de documentos secretos dos EUA e tenta obter asilo em outros países, o ministro diz que são episódios diferentes.

“Mas se o Brasil desse asilo a ele e eu ainda fosse advogado, eu o defenderia também”, afirma. Simpatiza com a causa? “Não, eu simpatizo com a defesa.”

Mundo real e ideal

Tostão

(O Tempo)

Nesta época do ano, deveria tirar férias, viajar, já que o futebol para. A exceção é na Inglaterra. Mas prefiro continuar por aqui, escrevendo. Os aeroportos estão um caos, os hotéis abusam dos preços, chove muito ou faz muito calor no Brasil e muito frio na Europa e nos EUA. As estradas estão péssimas e perigosas. Os alemães, que fazem a logística de sua seleção, estranharam os quebramolas, que, para eles, estragam os carros, congestionam o tráfego e provocam mais acidentes.

Aproveito esses dias para ler mais e ir mais ao cinema. Tiro férias também da televisão. Não suporto as retrospectivas.

Difícil é arrumar assunto e leitores para minhas colunas.

Nesta época do ano, as pessoas sonham com o mundo ideal. Nele, os auditores do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) analisariam o caso da Portuguesa com o olhar do que está escrito no regulamento e também com o olhar da justiça, do contexto, com a certeza de que a Lusa não agiu com má-fé nem se beneficiou de seu erro.

Faltava um argumento jurídico à Lusa. Agora, já tem. Segundo alguns advogados, o Estatuto do Torcedor estaria acima do regulamento do campeonato, o que livraria o time do rebaixamento.

GASTOS COM A COPA

No mundo ideal, os gastos com a Copa seriam apenas com dinheiro privado. A CBF, as federações estaduais e os clubes seriam dirigidos por profissionais competentes, transparentes e independentes.

Não existiriam relações promíscuas, e o calendário seria feito para beneficiar a qualidade do futebol. Os clubes não gastariam mais do que arrecadam ou do que podem pagar, e acabariam os astronômicos salários, incompatíveis com as receitas.

No mundo ideal, os torcedores iriam para os estádios só para torcer e fazer festa. Haveria lugares mais caros, para quem quisesse mordomia, e outros mais baratos, populares. Todos teriam conforto e segurança. Os marginais estariam presos ou impedidos de frequentar os jogos. A vigilância seria constante e implacável.

No mundo ideal, os gramados seriam padrão Fifa. O futebol que se joga no Brasil seria muito melhor, individualmente e no conjunto.

O equilíbrio das partidas do Atlético-MG, contra times sem nenhuma expressão, no Mundial de Clubes, é mais uma constatação desta deficiência.

A Seleção é exceção, pelo fato de quase todos os jogadores atuarem fora do país.

No mundo ideal, a imprensa cobraria de técnicos, dirigentes e jogadores mais compromisso com a qualidade do jogo. Os analistas deixariam de ver futebol somente a partir da conduta dos treinadores, dos resultados e como se houvesse sempre uma relação direta entre a história do jogo e o placar final.

Quanto maior a distância entre o mundo real e o ideal, maior é a frustração e o desamparo.

O mundo ideal só existe na nossa imaginação, mas serve de referência para se tentar sempre fazer algo melhor.

O Brasil e o asilo a Snowden

Mauro Santayana
(HD) – Um dos principais assuntos da semana, foi a realização de uma reunião da Presidente Dilma,  para analisar o asilo a Edward Snowden, em troca de informações sobre as atividades de espionagem da NSA contra cidadãos e autoridades brasileiras.
O assunto surgiu a partir de uma “carta aberta” de Snowden ao povo brasileiro, publicada na  “Folha de São Paulo”, e do lançamento de uma campanha em defesa do asilo a ele, com a coleta de assinaturas e o uso de  máscaras que reproduzem sua face.
O texto renovou as denúncias a propósito dos riscos que corremos – nós e pessoas de outras nacionalidades – de termos nossas comunicações interceptadas, todos os dias, e de sermos até mesmo chantageados pelos EUA, por nossas atividades na internet.
Ela foi, também, uma mensagem de gratidão ao  governo brasileiro, pela atenção dada às denúncias de pelo empenho demonstrado, nas Nações Unidas, para atuar com firmeza em defesa da privacidade como um direito fundamental de todo ser humano.
APROPRIADO E LEGAL
O que mais chamou a atenção, no entanto, foi a parte em que Snowden afirmava, com relação às investigações que estão sendo realizadas pelo governo brasileiro:
“Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina. Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.”
Esse trecho foi interpretado como uma espécie de barganha, por meio da qual Snowden estaria oferecendo sua colaboração e informações, em troca de eventual concessão de asilo, pelo governo brasileiro. Hipótese que foi rapidamente desmentida pelo jornalista Gleen Greenwald, espécie de porta-voz oficioso de Snowden, que afirmou, que, na verdade, ele estaria apenas explicando sua impossibilidade de vir ao Brasil pessoalmente, devido à implacável perseguição que lhe é movida pelo governo norte-americano.
ARMADILHA
Ao tratar o assunto como uma questão de Estado,  o Brasil poderia estar superestimando o fato e caindo em uma armadilha diplomática e institucional. O asilo a Snowden, só se justifica por razões humanitárias, caso estivesse correndo risco de vida, na Rússia, onde está agora, o que não é o caso.  Aceitá-lo, em troca de informações, equivaleria moralmente a equiparar-nos aos EUA, fazendo o que eles fizeram conosco, que foi meter o bedelho em nossos assuntos internos.
A mensagem mais importante da carta de Snowden está no final, quando ele declara:“Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.”

Marco Regulatório da Mineração é um crime contra o povo brasileiro

Paulo Henrique Dias

O povo brasileiro não vai aceitar esta vergonha do Marco Regulatório de Mineração, que é a espoliação das nossas reservas minerais, a criação da reserva de mercado para os grandes grupos empresariais da mineração.

Empresas Internacionais corruptoras e políticos corruptos são os mentores e executores deste Marco, que há três anos atrasa a mineração e a pesquisa mineral no Brasil.

O Estado será transformado em uma grande mesa de negociatas, curvado aos agiotas do povo e das nossas riquezas, em favor das grandes potências, ao invés de fortalecer as pequenas e medias e empresas nacionais, distribuindo renda e riquezas .

Agora, as riquezas que foram catalogadas pelos garimpeiros e mineradores juniores, por pequenos e médios empresários de mineração, técnicos, geólogos e engenheiros de minas, estas jazidas minerais já descobertas serão colocadas em leilão pelo Ministério das Minas e Energia, em licitações de cartas marcadas para beneficiar as multinacionais, favorecidas também pela ampla divulgação do fim do gargalo da logística, com a criação dos modais ferroviário, hidroviário, rodoviário e aéreo, em andamento.

Os políticos corruptos se assanharam e viram a oportunidade de roubar, espoliar e entregar nossas riquezas, sob a desculpa de modernizar, inovar. Beneficiarão apenas a si próprios e aos mesmos sugadores do Estado.

Por que até hoje não foi aberto crédito especial para os mineradores juniores, as pequenas e médias empresas de mineração? E as cooperativas minerais, como a de Serra Pelada, que está sendo roubada por políticos e autoridades, executivas, legislativas e judiciárias, que apoiam empresários internacionais corruptores.

As grandes empresas têm interesse em dominar as jazidas minerais do Brasil, para controlar a demanda dos metais e minérios estratégicos necessários ao desenvolvimento e crescimento econômico, controlando o mercado de Commodities.

Mas o povo e os políticos sérios não aceitarão que os lobos continuem ditando as normas no galinheiro. Acorda Brasil!!!

Uma canção com jeito de mato

Em parceria com Maurício Santini, a arranjadora, cantora e compositora mineira Paula Fernandes de Souza retrata, peculiarmente, na letra da música “Jeito de Mato”, o universo paralelo que existe dentro de cada ser. A música faz parte do CD Paula Fernandes – Ao Vivo gravado, em 2011, pela Universal Music Brasil.

JEITO DE MATO
Maurício Santini e Paula Fernandes
De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita.
Do regalo de terra que teu dorso ajeita.
E dorme serena, no sereno e sonha.

De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita.
Do mato, do medo, da perda tristonha.
Mas, que o sol resgata, arde e deleita.

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda.
É teu destino, é tua senda.
Onde nascem tuas canções.
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória
E acende os corações.

Sim, dos teus pés na terra nascem flores.
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar.
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras.
Sete lagoas, mel e brincadeiras.
Espumas, ondas, águas do teu mar.

        (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Homenagem ao fracasso

Marcelo Gleiser

Numa sociedade em que o sucesso é almejado e festejado acima de tudo, onde estrelas, milionários e campeões são os ídolos de todos, o fracasso é visto como algo embaraçoso e constrangedor, que a gente evita a todo custo e, quando não tem jeito, esconde dos outros. Talvez não devesse ser assim.

Semana passada, li um ensaio sobre o fracasso no “New York Times” de autoria de Costica Bradatan, que ensina religião comparada em uma universidade nos EUA. Inspirado por Bradatan, resolvi apresentar minha própria homenagem ao fracasso.

Fracassamos quando tentamos fazer algo. Só isso já mostra o valor do fracasso, representando nosso esforço. Não fracassar é bem pior, pois representa a inércia ou, pior, o medo de tentar. Na ciência ou nas artes, não fracassar significa não criar. Todo poeta, todo pintor, todo cientista coleciona um número bem maior de fracassos do que de sucessos. São frases que não funcionam, traços que não convencem, hipóteses que falham. O físico Richard Feynman famosamente disse que cientistas passam a maior parte de seu tempo enchendo a lata de lixo com ideias erradas. Pois é. Mas sem os erros não vamos em frente. O sucesso é filho do fracasso.

NADA DISSO

Tem gente que acha que gênio é aquele cara que nunca fracassa, para quem tudo dá certo, meio que magicamente. Nada disso. Todo gênio passa pelas dores do processo criativo, pelos inevitáveis fracassos e becos sem saída, até chegar a uma solução que funcione. Talvez seja por isso que o autor Irving Stone tenha chamado seu romance sobre a vida de Michelangelo de “A Agonia e o Êxtase”. Ambos são partes do processo criativo, a agonia vinda do fracasso, o êxtase do senso de alcançar um objetivo, de ter criado algo que ninguém criou, algo de novo.

O fracasso garante nossa humildade ao confrontarmos os desafios da vida. Se tivéssemos sempre sucesso, como entender os que fracassam? Nisso, o fracasso é essencial para a empatia, tão importante na convivência social.

Gosto sempre de dizer que os melhores professores são os que tiveram que trabalhar mais quando alunos. Esse esforço extra dimensiona a dificuldade que as pessoas podem ter quando tentam aprender algo de novo, fazendo do professor uma pessoa mais empática e, assim, mais eficiente. Sem o fracasso, teríamos apenas os vencedores, impacientes em ensinar os menos habilidosos o que para eles foi tão fácil de entender ou atingir.

VAIDADE PESSOAL

Claro, sendo os humanos do jeito que são, a vaidade pessoal muitas vezes obscurece a memória dos fracassos passados; isso é típico daqueles mais arrogantes, que escondem seus fracassos e dificuldades por trás de uma máscara de sucesso. Se o fracasso fosse mais aceito socialmente, existiriam menos pessoas arrogantes no mundo.

Não poderia terminar sem mencionar o fracasso final a que todos nos submetemos, a falha do nosso corpo ao encontrarmos a morte.

Desse fracasso ninguém escapa, mesmo que existam muitos que acreditem numa espécie de permanência incorpórea após a morte. De minha parte, sabendo desse fracasso inevitável, me apego ao seu irmão mais palatável, o que vem das várias tentativas de viver a vida o mais intensamente possível. O fracasso tem gosto de vida.

Marcelo Gleiser é físico, astrônomo, professor, escritor e roteirista. Conhecido nos Estados Unidos por seus lecionamentos e pesquisas científicas, no Brasil é mais popular por suas colunas em jornais e revistas.