Pastor Feliciano critica Nelson Mandela, quer se eleger ao Senado e diz que de forma alguma apoiará Dilma

Marcel Frota e Nivaldo Souza – iG Brasília

O deputado Marco Feliciano (PSC-SP) polemiza ao falar sobre o ex-presidente da África do Sul Nelson Mandela. Apesar de homenagear Mandela com um minuto de silêncio durante a última sessão da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, Feliciano disparou contra o líder negro por causa da aprovação de lei de aborto na África do Sul.

“Quem mata uma criança, para mim, não é meu amigo. Então Mandela implantou a cultura que chamamos de cultura da morte dentro da África do Sul”, disse Feliciano, em entrevista ao iG. “E até hoje os índices de aborto na África do Sul são dos maiores do mundo. Então, nesse quesito, Mandela não foi feliz”, criticou o deputado.

Em 1996, a legalização do aborto foi tomada por Mandela com base no alto índice de violência sexual contra a mulher. Segundo autoridades sul-africanas, cerca de 60 mil estupros são denunciados todos os anos no país.
Apesar da crítica, Feliciano elogiou a atuação de Mandela na questão da igualdade racial e prometeu uma homenagem ao líder da luta contra a segregação racial do apartheid. O deputado é relator do projeto de lei que pode destinar 20% das vagas em concursos público para negros. Ele antecipa que dará parecer favorável às cotas. “Meu voto vai ser uma homenagem a Mandela”, indica.
POSICIONAMENTO

O parlamentar avalia que deixou de ser um político somente identificado com a corrente evangélica para ocupar um espaço vago na preferência de eleitores conservadores, independentemente da orientação religiosa.

“Talvez eu revelei ao país uma espécie de político que parece que está em extinção: o político com posicionamento”, afirma, ressaltando acreditar ser hoje no cenário político “uma pessoa firme que suporta pressão”.

Isso alimenta o sonho de Feliciano em disputar uma vaga no Senado por São Paulo em 2014. O pastor diz que a decisão não depende apenas dele. É preciso avaliar a postulação ensaiada também por Eduardo Suplicy (PT), Gilberto Kassab (PSD), José Serra (PSDB). Em um cenário apenas com ele e Suplicy, o deputado diz que haveria uma “luta bonita”. “Se fosse só ele (Suplicy como candidato no estado), entraria na disputa sem medo nenhum. Seria uma luta bonita, porque o sobrenome Suplicy está atrelado a tudo o que contraria a nós (evangélicos)”, diz.

Feliciano compara a briga com Suplicy às históricas lutas entre os ex-boxeadores Mike Tyson e Evander Holyfield, em meados dos anos 1990. “Seria a luta do século (pelo Senado)”, diz, avaliando que uma candidatura a senador pode enfrentar dificuldades na hora de encontrar um candidato ao governo paulista disposto a tê-lo em seu palanque. “Não sei qual governador seria capaz de comprar essa briga”.

O tom sobe mais quando questionado sobre apoiar a presidente Dilma Rousseff, a quem acusa de não cumprir um acordo com correntes religiosas em relação à não aprovar leis favoráveis ao aborto. Em julho, Dilma sancionou lei estabelecendo direitos a mulheres vítimas de estupro – entre eles: oferta da pílula de emergência conhecidas como ‘pílula do dia seguinte’, que pode evitar a gravidez em até 72 horas após o ato sexual. “Quando a presidente assinou um documento dizendo que no mandato dela o aborto não seria votado, eu acreditei”, disse.Em 2010, a então candidata Dilma divulgou carta afirmando que não tomaria “a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no país”. A mudança foi decisiva para não apoiar a reeleição de Dilma. “Eu não posso caminhar ao lado dela”, afirma Feliciano.

O futebol e o mundo mudaram

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Tostão
 O Tempo

Somos todos responsáveis pelo que fizemos e dissemos em outras épocas. Mas nem tudo o que falamos e escrevemos em um passado muito distante deveria ser analisado apenas com o olhar do presente. O mundo, as pessoas, os conceitos, os costumes e, às vezes, até a ética mudam com o tempo. Qualquer um possui também o direito de trocar de opinião.

Faço essas divagações porque li, dias atrás, uma entrevista que dei, há 43 anos, ao Pasquim, um jornal de inteligência e de resistência bem-humorada à ditadura. Fui entrevistado por craques do jornalismo e do humor, como Ziraldo, Jaguar, Sérgio Cabral (pai), Marilene Dabus, Tarso de Castro e outros.

A entrevista foi em 1970, quando o Brasil se preparava para a Copa. Conversamos sobre futebol, seleção e tantas outras coisas. Estava curioso para ler o que disse quando tinha 23 anos. Não fiquei surpreso nem decepcionado, mas penso diferente sobre algumas poucas coisas.

Era, como hoje, tímido e sonhador. Devo ter sofrido para dar a entrevista, como ainda ocorre. Parafraseando Fernando Pessoa, não gostava nem gosto de ser alvo de curiosidade pública, porém, à parte disso, tinha e tenho todos os sonhos do mundo. Na época, queria, como todo jovem, ter sucesso e ser campeão do mundo.

Entre tantas coisas, falei que admirava as ideias de dom Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e Recife, que pregava uma atuação da igreja próxima ao povo, em vez do discurso conformista e habitual da época. Logo após ser publicada a entrevista, um conhecido me disse que eu deveria ter cuidado com o que falava.

O mundo e o futebol mudaram. Imagine hoje um jovem sem celular, sem internet e sem democracia. Imagine também um atleta de um grande clube sem apoio tecnológico e científico. Além de serem muito mais bem preparados fisicamente, os atletas atuais possuem mais conhecimento tático e, na média, executam melhor os fundamentos técnicos. Por outro lado, os do passado eram mais criativos, fantasistas e surpreendentes.

Muitos falam que os craques do passado não brilhariam hoje porque os espaços são menores. Por outro lado, com mais espaço, os medíocres mostravam que eram medíocres. Não dava para enganar. Hoje, os grossos se escondem nos pequenos espaços e na disputa física. São os atletas táticos, tão elogiados.

No passado, havia menos disciplina tática. Hoje, há um excesso de planejamento, de repetição e de regras. Predominam os Zé-Regrinhas, em todas as atividades. São os Zé-Regrinhas que querem colocar a Portuguesa na Segunda Divisão. Mesmo se for clara a regra, ela não pode estar acima do bom senso e da Justiça, pois existe uma certeza, a de que a Lusa não agiu por má fé nem se beneficiou pelo provável erro. A Lusa deveria ser punida de outra forma, e não com a perda dos pontos.

BH, 116 ANOS

Na quinta-feira, Belo Horizonte fez 116 anos. É uma cidade jovem. Moro aqui há 67 anos (completo no próximo mês). Gosto de Belo Horizonte porque aqui me sinto bem, próximo das pessoas que amo. Gosto da cidade porque gosto de seu cheiro, de caminhar pelas ruas, apesar de tantos buracos nas calçadas e do caos no trânsito, que é um problema também para quem caminha. Estou, progressivamente, abandonando o carro. Ando pela cidade de táxi ou a pé. Faz bem para a saúde. Gosto de sair, de tomar uma cerveja, de ir a um restaurante e tenho de respeitar a Lei Seca. Gosto da capital porque gosto. Não preciso explicar.

Discussão sobre o acidente que matou JK ainda têm versões diferentes

Leandro Kleber
Correio Braziliense

As três gerações de peritos que analisaram as circunstâncias da morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek em um acidente de carro em 22 de agosto de 1976 não têm a menor dúvida sobre o que aconteceu naquele fim de tarde de domingo no então km 165 da Via Dutra. Todos eles afirmam, categoricamente, que a tragédia foi resultado de uma batida de trânsito comum, em que o Opala dirigido pelo motorista do ex-presidente, Geraldo Ribeiro, perdeu o controle e atravessou o canteiro central da pista após ser atingido, de leve, por um ônibus da Viação Cometa. O carro acabou colidindo com um caminhão no sentido contrário. Na última terça-feira, a Comissão da Verdade da Câmara Municipal de São Paulo aprovou um documento com 90 pontos com supostos indícios de que houve o falecimento do ex-presidente foi resultado de uma conspiração dos militares, a terceira investigação concluída sobre o caso.

Os peritos que prepararam os laudos na época do acidente ganharam o respaldo de quatro outros profissionais que fizeram a exumação do corpo de Geraldo, em 1996, e de dois peritos que auxiliaram os trabalhos de uma comissão especial criada no Congresso para investigar as causas da morte de JK, em 2001. O colegiado foi presidido pelo então deputado Paulo Octávio, casado com Anna Christina Kubitschek, neta do ex-presidente.

Sem acreditar que a morte do ex-presidente foi consequência de uma batida de carro comum, o ex-secretário de JK Serafim Jardim, autor do livro Juscelino Kubitschek — onde está a verdade?, pediu a exumação do corpo de Geraldo em 1996, após a morte de Dona Sarah Kubitschek. Uma das versões, até hoje não comprovada, é de que o motorista levou um tiro na cabeça e, por isso, perdeu o controle do carro e bateu em um caminhão. O tiro teria partido de um veículo Caravan, que emparelhou com o Opala na pista. Porém, a perícia feita nos anos 1990, em um trabalho assinado por quatro profissionais, derruba essa tese.

De acordo com o médico legista Márcio Alberto Cardoso, um dos responsáveis pelos serviços, as fotos mostram intacto o crânio de Geraldo, assim que é tirado da urna no cemitério de Belo Horizonte. “Há imagens publicadas, inclusive, na imprensa. Não havia perfurações ou fratura no crânio dele. O que achamos foi um prego, que chamamos de cravo, usado para fixar estrutura de pano nos caixões. Fizemos todos os testes para chegar a essa conclusão. Não tenho a menor dúvida do que fizemos”, afirma.

Brizola e Mandela no Brasil

bri1 e mand

Fernando Brito

Em 1991, recém liberto de seus 27 anos de cárcere, Nelson Mandela esteve no Rio.

Não era presidente, o que só seria em 1994, era o líder do Congresso Nacional Africano, partido que comandava na luta antirracista.

Leonel Brizola, governador do Estado, resolveu convidá-lo para batizar, com seu nome, um Ciep em Campo Grande, Zona Oeste da cidade.

22 anos depois, as crianças daquela escola homenagearam seu patrono e isso foi matéria na Agência Brasil.

Junto com a matéria chegou a foto do grande Vidal da Trindade, fotografo de O Dia, bela figura, querido companheiro.

Então, partilho ambas com vocês, porque me são gratas, emocionantes e presentes  cenas neste dia histórico, em que as lembranças dos que se foram e  o amor pelos que virão a ser nos dão força para a gente continuar sendo o que é.

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No Rio, alunos do Ciep Nelson Mandela
prestam homenagem ao patrono

Rio de Janeiro – Cartazes com frases de adeus pelos corredores e fitas de luto nos uniformes. Foi assim que alunos e professores do Centro Integrado de Educação Pública (Ciep) Nelson Mandela, em Campo Grande, na zona oeste do Rio, homenagearam o patrono da instituição, que morreu ontem (5) vítima de complicações respiratórias. Durante à tarde de hoje (6), todas as turmas da escola se reuniram para prestar um minuto de silêncio e cantar o Hino Nacional, além de recitar frases e cantar músicas sobre Mandela.

Segundo a diretora-geral do Ciep, Luci Gomes Cardoso, o legado do ex-presidente da África do Sul permanecerá na instituição. “É uma honra ser diretora da escola que leva o nome de Nelson Mandela, porque a mensagem dele sensibiliza todo ser humano, em todos os momentos. É muito fácil trabalhar em um colégio como este, porque transmitimos o que ele tanto lutava:  união e a não discriminação. As escolas vêm enfrentando muitos problemas, como bullying, mas nós, por meio dos ideais de Mandela, conseguimos elaborar um tema para a nossa instituição: Viver, Conviver e Ser Feliz. Nós sempre levaremos o legado dele, porque é disso que as crianças precisam”.

Em 1991, Mandela fez a primeira viagem ao Brasil, um ano após ter sido libertado da prisão, visitou o Ciep. Claudia Doria da Silva Ferreira, atual professora do ensino básico na instituição, acompanhou a visita.

A visita de Nelson Mandela nessa escola fortaleceu a ideia de igualdade. Foi muito emocionante, a gente nunca imaginou que uma figura mundial e historicamente importante como ele viesse nos ver. Eu não me lembro exatamente as falas dele, mas o que me marcou foi o seu olhar. Um olhar carismático que transmitia toda a sua história e a sua luta por união racial, social e dos povos. O legado dele ficou. Hoje ele é o patrono da nossa escola, uma figura que deve ser ensinada aos alunos”, destacou a professora.

Nicolas Niqui, de 7 anos, foi um dos alunos que participaram da homenagem: “Nelson Mandela lutou contra a desigualdade entre negros e brancos. Hoje a gente fez uma homenagem para ele, porque ele morreu ontem”, contou.

Líder da luta contra o apartheid (regime de segregação racial na África do Sul), Mandela inspirou movimentos contra o racismo em todo o mundo. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1993 e foi o primeiro presidente negro da África do Sul, com mandato de 1994 a 1999.

(artigo enviado por Mário Assis)

Hermine Liska e a perseguição às Testemunhas de Jeová no nazismo

Antonio Rocha

Gosto muito dos depoimentos de vida, verdadeiros, transpiram perseverança, por uma existência melhor. No âmbito dos Estudos Literários, chamamos de “prazer da leitura”. Foi isto que percebi lendo a revista Despertai, agosto de 2011.

Entre as páginas 18 de 20 tem o artigo de Hermine Liska contando parte de sua vida.

Nascida na Áustria, seus pais eram “Bibelforscher = estudantes da Bíblia”, como os Testemunhas de Jeová eram conhecidos na época. Em 1938, Hitler assumiu o poder e passou a perseguir os praticantes da Torre de Vigia, outra designação para os TJ.

Na ocasião, Liska tinha 8 anos e gostava dos cânticos e também estudo das Escrituras. Mas logo a Juventude Hitlerista obrigava todos os jovens e crianças a cantarem hinos nazistas e falar “Heil Hitler = Salvação é Hitler”. Ela não cantava para o partido nazista nem fazia a saudação.

PERSEGUIÇÃO

Os pais foram perseguidos, negaram-se a criar os filhos dentro dos parâmetros das SS e perderam a custódia dos filhos.  A menina foi encaminhada para um Centro de Reeducação, o irmão aceitou o Hitlerismo. Certa feita uma professora disse-lhe: “Hermine, você é loura e tem olhos azuis. Você é germânica, não judia. Jeová é o Deus dos judeus”.

Ela não aceitou e até o fim da guerra viveu confinada. Só com a libertação é que voltou livremente a professar sua fé.

Outro fato que me impressiona nos TJ é o seu parque gráfico. Publicada em 83 idiomas os números chegam mensalmente a quase 40 milhões de exemplares.

TJ é TJ, é uma abordagem diferente da Bíblia. É um ramo específico e original dos Estudos Teológicos. Aprecio muito. Lembro quando criança, eles iam de porta em porta, lá na cidade satélite do Gama, DF, aos sábados, oferecendo esta revista e outra conhecida publicação: “Sentinela”, que também chega a 40 milhões de exemplares mensais.

No mundo pop, o falecido Michel Jackson era de família TJ, só adulto ele passou para a Igreja Presbiteriana.

(*) Na ocasião ela ainda era viva e morava
com o marido, na Áustria, hoje eu não sei.

Porque não navegamos num mar de rosas, não me ufano do Brasil

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Acílio Lara Resende

Filho de um amigo, de 20 anos, estudante de direito, depois de experimentar no ano passado excelente temporada nos Estados Unidos, passará agora dois meses no Canadá. Seu pai me anunciou a viagem feliz da vida. Disse-me que o aconselhou a ficar por lá e a não voltar tão cedo. Não creio que esteja certo, mas, na verdade, o Brasil não anda merecendo o que de melhor dispõe – os jovens, seu maior tesouro.

Ouvi quieto o desejo do amigo e, obviamente, elogiei a ótima oportunidade que deu ao filho. Uma exceção à regra, sem dúvida. Não sei por que, me lembrei do polêmico livro “Porque Me Ufano do Meu País”, que, no passado, foi leitura obrigatória durante anos, de autoria do Conde Afonso Celso (1860-1938), mineiro escritor, advogado, professor, político e também fundador da Academia Brasileira de Letras.

A notícia da viagem veio depois da morte de Mandela e antes do jogo entre Atlético do Paraná e Vasco, no último domingo, na cidade de Joinville, no Estado de Santa Catarina. Um jogo de vida e morte, como se o futebol e o esporte em geral, ao contrário do que pregou o maior pacifista do mundo, fossem uma batalha sangrenta.

Um dos times, o Atlético do Paraná, antes do jogo, só pensava na sua participação na Copa Libertadores da América; o outro, o Vasco da Gama, que, ao lado do Fluminense, vinha de péssima campanha, precisava desesperadamente da vitória para escapar da segunda divisão. Para os jogadores e torcedores do time carioca, a derrota seria, pela segunda vez em cinco anos, dura humilhação! Para os dois, pois, valia tudo, até a morte violenta de quem quer que fosse.

DECEPÇÃO COM A RAÇA HUMANA

As cenas foram ao ar em todos os canais de televisão do país e, como todos nós esperávamos, percorreram o mundo. Pensei em cancelar minha matrícula de brasileiro. De fato, não me ufano do meu país (e cada vez mais me decepciono com a raça humana…). Quase dei razão ao amigo que deseja ver o filho o mais longe possível de um país que só sabe tirar o sono dos justos. Que tem uma natureza pródiga e um povo bom, mas está longe de ter representantes à altura do seu destino.

Também sem saber por que motivo, após a “batalha de Joinville”, a CBN reeditou uma declaração do ex-ministro José Dirceu (que agora debocha do povo e de nossa Suprema Corte), dada no início dessa vergonha que foi o mensalão: “Este governo não ‘róba’, não deixa ‘robar’ e combate a corrupção”. Que bonito! A frase foi dita com a pronúncia do “o” bem aberta. Lembrei-me, então, do que disse certa vez meu irmão Otto Lara Resende: “No Brasil, o roubo começa pelo furto do ‘u’ do verbo roubar”. Só que, no caso de Dirceu, a ação criminosa foi muito além. Que ele aprenda hoje, no mínimo, a usar bem o verbo…

O mineiro Afonso Celso de Assis Figueiredo Junior (ou simplesmente Conde Afonso Celso) foi companheiro, na Academia Brasileira de Letras, dentre outros, de Machado de Assis, Rui Barbosa e Joaquim Nabuco. As boas companhias, todavia, não o impediram de publicar o livro a que me referi acima. Foi ele quem deu vida ao ufanismo – um sentimento ruim, meio bobalhão, de exacerbado orgulho por este país grandalhão. Esse sentimento me lembra o movimento armado de 1964 e, em especial, a presidente Dilma e o ex-presidente Lula. O que os une é o mesmo sentimento, pois, para ambos, navegamos num mar de rosas.

Mas nem tudo está perdido: que, lá na África, Obama e Castro se entendam e Dilma e Lula compreendam quem foi Mandela… (transcrito de O Tempo)

Há 45 anos, a ditadura militar baixava o AI-5

Dênis de Moraes

(Blog Ousar Lutar! Ousar Vencer!)

Na fantasmagórica sexta-feira 13 de dezembro de 1968, o cartunista Henfil anteviu a desgraça que assolaria o país horas depois. Em charge publicada no Jornal dos Sports com o aval do editor-chefe, Maurício Azedo, um torcedor desabafa diante da atmosfera irrespirável: “Chega de intermediários! Delegado Padilha para chefe da Seleção!”

Deraldo Padilha, delegado de polícia na extinta Guanabara, era acusado de utilizar os métodos mais truculentos para extrair confissões de presos e perseguir moradores de favelas, homossexuais e prostitutas.

Com a decretação do Ato Institucional número 5, a ideologia da segurança nacional assumiu, por completo, as rédeas da vida nacional. Ao Estado reservava o monopólio da coerção e o controle supremo das atividades sociais, políticas e econômicas. Em dez anos de vigência do AI-5, foram proibidos cerca de 600 filmes, 500 livros, 450 peças, mil letras de músicas, milhares de matérias jornalísticas, dezenas de programas de rádio e televisão, capítulos e sinopses inteiras de telenovelas.

Com a suspensão das garantias constitucionais, milhares de políticos, estudantes, artistas, intelectuais e líderes sindicais foram presos. Fechado o Congresso, foi imposta a censura prévia em veículos de comunicação. Só para dar um exemplo da prepotência: de cada dez cartuns que Henfil desenhava para o Jornal do Brasil, sete ou oito caíam na malha fina dos censores da Polícia Federal. Após o AI-5, a ditadura militar cassou os mandatos de 110 deputados federais, 161 deputados esta­duais, 163 vereadores e 28 prefeitos, além de aposentar compulsoriamente três grandes ministros do Supremo Tribunal Federal, Evandro Lins e Silva, Hermes Lima e Victor Nunes Leal, professores universitários e cientistas.

JORNAIS

A ditadura aniquilaria o Correio da Manhã, que parou de circular em 1974, após prolongada crise financeira. Vinte e quatro horas após a decretação do AI-5, o jornal O Paiz foi empastelado por grupos paramilitares. O prédio em Copacabana onde morava um de seus editores, o jornalista Joel Silveira, foi cercado por soldados do Exército armados de metralhadoras. Um capitão deu voz de prisão a Joel, que, gripado e com 40 graus de febre, teve a fineza de oferecer um cafezinho ao oficial antes de partirem para o I Batalhão de Guardas, em São Cristóvão, onde dividiria a cela com o jornalista Carlos Heitor Cony, do Correio da Manhã.

O último número da Revista Civilização Brasileira, baluarte na resistência cultural ao arbítrio, circulou em 22 de dezembro de 1968. Editoras acumularam graves prejuízos com a apreensão de tiragens inteiras de livros considerados “subversivos”. Artistas e intelectuais exilaram-se ou tiveram que redobrar a cautela diante das ondas de prisões, processos e perseguições.

Na noite do AI-5, o poeta Ferreira Gullar aguardava em seu modesto apartamento na avenida Henrique Dumont, em Ipanema, a chegada do dramaturgo Oduvaldo Vianna Filho, Vianinha, como ele membro do Comitê Cultural do clandestino Partido Comunista Brasileiro (PCB). Gullar não teve tempo de escapar. Soou a campainha. Ele dirigiu-se à porta, tenso.

— O senhor é Ferreira Gullar? — perguntou um dos três homens.

— Sim.

— Pois está preso — disse o capitão do Exército Ailton Guimarães Jorge, depois banqueiro do jogo-do-bicho no Rio e prócer da Liga Independente das Escolas de Samba.

Apavorada, a mulher de Gullar, Thereza Aragão, arriscou perguntar:

— Cadê a ordem de prisão?

— Está ali — disse um dos dois sargentos do Exército que acompanhavam Guimarães, apontando para a TV onde o ministro da Justiça, Gama e Silva, prosseguia na leitura do decreto que oficializava o AI-5.

SEM LIBERDADE DE EXPRESSÃO

A ofensiva fascistizante desmantelou as formas críticas de expressão, submetendo-as à vigilância policial. Não se tratava mais de conter a produção intelectual em determinados limites, e sim de abortá-la, destruí-la como encarnação do mal. Como bem assinalou José Paulo Netto, saía de cena, à força, tudo o que de mais vivo, criativo e polêmico se alcançara na cultura brasileira na década de 1960 (inclusive na fase pós-1964).

Inaugurava-se o chamado vazio cultural, durante o qual a ditadura procurou ocupar os espaços dinamitados pela repressão patrocinando atividades acríticas e eventos alienantes. O regime avocou para si a tarefa de “preservar a memória nacional”, através de inofensivas obras de recuperação de parte do patrimônio histórico. Não somente liquidou com a hegemonia cultural de esquerda no período anterior, como azeitou a máquina de propaganda oficial para celebrar o “Brasil grande”, fazendo apologia do “milagre econômico” e do consumismo. Era tão sólido o “milagre” que não chegou a durar quatro anos, fulminado pela retração econômica global após a crise do petróleo.

Talvez a maior ironia da era de terror do AI-5 tenha acontecido em janeiro de 1973, quando o general-presidente Emílio Garrastazu Médici se valeu da legislação de exceção para demitir do serviço público o delegado Deraldo Padilha. O Exército nunca o perdoara por um atrito com o general Mozart Moacir, justamente em 1968.

(artigo enviado por Mário Assis)

Corporativismo é isso aí: Justiça demorou 14 anos para cassar a aposentadoria do juiz Nicolau

Carlos Newton

A notícia foi divulgada discretamente, porque mostra como a Justiça brasileira é lenta e corporativista. Num caso simples e notório como o que envolveu o ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, o Lalau, que desviou milionárias verbas da construção do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo, em conluio com o empresário Luis Estevão, que perdeu seu mandato de senador, a Justiça levou 14 anos para cassar a aposentadoria do ex-magistrado.

O problema é que, para cassar a aposentadoria de um juiz, é necessária a abertura de processo administrativo no qual são consideradas as condenações judiciais. E acontece que Nicolau somente teve sua primeira condenação definitiva (transitada em julgado, sem mais recursos) em abril deste ano, ou seja, 14 anos depois vir à tona o escândalo. E o TRT de São Paulo levou quase oito meses para cassar a aposentadoria, o que deveria ser um ato automático.

Detalhes: o ex-juiz foi sentenciado a uma pena de nove anos de prisão por lavagem de dinheiro, e ao pagamento de multa de apenas R$ 600 mil, uma mixaria diante dos milhões que desviou. E está cumprindo pena domiciliar, porque a Justiça é muito compreensiva em relação a ex-magistrados, digamos assim.

PROTECIONISMO

Está tudo errado na Lei Orgânica da Magistratura, que cria uma dificuldade enorme para punir juízes corruptos, quando a legislação contra eles deveria ser muito mais rigorosa, porque é inaceitável que magistrados sejam corruptos. Simples assim.

Já basta o fato de terem 60 dias de férias por ano e trabalharem nos dias que bem entendem, ganhando auxílio-alimentação (embora só cheguem ao Fórum depois do meio-dia) e recebendo auxílio-moradia (sabe-se lá por quê).

 

A Rosa inesquecível de Otavio de Sousa e Pixinguinha

O compositor e mecânico Otávio de Sousa, na letra de “Rosa”, parceria com Pixinguinha, expressa o mais alto refinamento do romantismo do início do século XX. Esta valsa foi gravada por Orlando Silva, em 1937, pela RCA Victor.

ROSA

Pixinguinha e Otávio de Sousa

Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais ativo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu

Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza

Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh flor meu peito não resiste
Oh meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do onipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer
De todo fenecer

       (Colaboração enviada por Paulo Peres –  site Poemas & Canções)

Mandela: os elogios dos sem-vergonha

Georges Gastaud

Lenine dizia que a maneira com que a burguesia consegue sujar os grandes revolucionários consiste em incensá-los a título póstumo depois de os ter perseguido durante toda a sua vida. É o que acontece hoje. A burguesia mundial incensa Mandela depois de o ter aprisionado durante 27 anos. Ela quer esconder que os grandes estados capitalistas, França inclusive, se desinteressaram de Mandela durante décadas. Sem vergonha, o grande patronato do nosso país importava os diamantes e as laranjas sul-africanos manchados com o sangue do apartheid.

Eis porque, não dispondo senão de dois minutos, recordarei três verdades censuradas por aqueles que não veem em Mandela senão o grande conciliador que, a seus olhos, teria impedido a transição democrática na África do Sul de voltar-se para o que a burguesia mundial mais temia: uma África do Sul socialista. Esta está infelizmente por realizar, para reduzir as enormes desigualdades que subsistem hoje entre a burguesia branca ou negra de Pretória e o proletariado miserável de Soweto.

Primeira verdade censurada: a luta antiapartheid foi conduzida de A a Z pelo Partido Comunista da África do Sul e pelo sindicato de classe Cosatu. Mandela foi membro do PC sul-africano que, pela primeira vez, levantou a bandeira da revolta negra e anticolonial. Honra a Mandela, mas honra também a Chris Hani , dirigente negro do PC sul-africano, assassinado pelo regime racista no princípio dos anos 90. Quando haverá uma praça Chris Hani em Lens e nas cidades dos arredores?

Segunda verdade: o regime do apartheid e todos os regimes gorilas que o cercavam, o colonialismo dos fascistas portugueses em Angola e Moçambique, países reduzidos ao estado de ghettos na Rodésia e na Namíbia, nunca teria caído, dado o apoio que recebia de Reagan, de Thatcher e de Israel, se Fidel Castro não houvesse enviado à África um contingente militar internacionalista. Foi em Cuito Cuanavale , em Angola, que o exército cubano esmagou o exército do apartheid e foi só a partir desta data que a parte menos bárbara do regime racista aceitou tirar Mandela da sua prisão. O objectivo era sacrificar o apartheid para salvar a propriedade capitalista dos meios de produção, que continua hoje sempre em vigor, apesar de certos progressos democráticos evidentes mas frágeis. Honra a Cuba socialista cujo presidente era hoje o dirigente mais autorizado a prestar a Mandela uma homenagem sincera.

Terceira verdade: em França foram os comunistas, a começar por Georges Marchais, que apoiaram a luta antiapartheid enquanto outros não se interessavam senão pelo anticomunista Walesa ou apresentavam os talibans, atacando o regime laico de Cabul, como “combatentes da liberdade”.

VITÓRIA INCOMPLETA

Termino dizendo, com Marwan Bargouti, dirigente do Fatah aprisionado em Israel, que a vitória de Mandela permanecerá incompleta enquanto o povo palestino, com o qual Nelson era solidário, for oprimido. A luta antiapartheid não terá sido vitória senão no dia em que, na África do Sul, a polícia do regime atual cessar de atirar sobre os mineiros negros em greve e quando, em França, o poder instituído cessar de derramar lágrimas de crocodilo enquanto expulsa crianças sem documentos à saída das escolas com o único objetivo de fazer esquecer a renúncia a mudar a sociedade.

Mandela, Chris Hani, vosso combate é mais vital do que nunca em vossa pátria, mas também, infelizmente, na nossa!

(artigo enviado por Valter Xéu, do site Pátria Latina)

A falta de vergonha aumenta: no apagar das luzes, auxílio-moradia retroativo para os magistrados.

Do SindJustiça-RJ

No início deste ano, o SindJustiça-RJ impediu a aprovação vergonhosa de um auxílio-moradia para magistrados com retroatividade de 10 anos. Agora, o Tribunal voltou à carga e, às vésperas do recesso e no apagar das luzes de 2013, a Administração encaminhou à Alerj o projeto de auxílio-moradia, de forma disfarçada.

Em nenhum momento, o projeto faz menção à expressão “auxílio-moradia”, limitando-se a citar leis e números. E colocam o texto de forma que se assegure a retroatividade da despesa, já que citam que será resguardada a simetria com o Ministério Público, mesmo argumento que utilizaram para receber os atrasados do auxílio alimentação. Vejam os artifícios utilizados:

1) Para garantir a aprovação do auxílio-moradia – Em vez de citar expressamente o auxílio-moradia, o projeto de lei encaminhado à Alerj fala em “benefício referido no inciso II do art. 65 da Lei Complementar Federal n° 35, de março de 1979”. Essa lei é a LOMAN – Lei Orgânica da Magistratura Nacional, que no artigo citado, diz: “Art. 65 – Além dos vencimentos, poderão ser outorgadas aos magistrados, nos termos da lei, as seguintes vantagens: II – ajuda de custo, para moradia, nas localidades em que não houver residência oficial à disposição do Magistrado”.

2) Para garantir o pagamento a todos os magistrados – Em vez de citar expressamente quem se beneficiará do auxílio, o projeto de lei encaminhado à Alerj fala em observar “as diretrizes adotadas em relação ao disposto no art. 86 da Lei Complementar Estadual n° 106, de 03 de janeiro de 2003”. Trata-se da Lei Orgânica do Ministério Público, que no artigo citado, diz: “Art. 86. A indenização de transporte, a bolsa de estudo de caráter indenizatório, o auxílio pré-escolar, o auxílio-alimentação e a aquisição de obras jurídicas destinadas ao aprimoramento intelectual dos membros do Ministério Público serão disciplinados em resolução do Procurador-Geral de Justiça”. Ou seja, a regulamentação do pagamento do auxílio-moradia vai seguir a mesma regra, qual seja, ser disciplinada por Resolução do próprio TJ.

3) Para assegurar a retroatividade a 10 anos – Em vez de citar expressamente a retroatividade, conforme foi aprovado no Órgão Especial do TJ, o projeto de lei encaminhado à Alerj fala que “aplicam-se aos destinatários desta lei, no que couber, a fim de resguardar a devida simetria, as disposições previstas na Lei Complementar Estadual 113, de 24 de agosto de 2006”. Essa lei alterou a Lei Orgânica do Ministério Público. Ao falar em simetria, o projeto pretende utilizar o mesmo argumento usado quando do pagamento de atrasados de auxílio alimentação da magistratura, alegando que, como o MP recebia desde 2004, os magistrados têm direito a atrasados. Desde 2004.

JUSTIFICATIVA ERRADA

Além disso, em sua justificativa, a Presidente do Tribunal afirma, categoricamente, que a previsão de despesa para 2014 é da ordem de R$ 8.795.863,92, o que se mostra evidentemente equivocado. São cerca de 750 magistrados. O teto estipendial previsto na Constituição Federal (subsídios dos ministros do STF), a partir de janeiro de 2014 será de cerca de 30.000,00. A conta é simples: R$ 30.000,00 x 18% (percentual do auxílio previsto no projeto de lei) = R$ 5.400,00. Como são cerca de 750 magistrados, a despesa mensal será da ordem de R$ 4.050.000,00. Isso, em um ano, equivale a R$ 48.600.000,00.

QUASE 500 MILHÕES

Se forem aprovados os atrasados, por meio de Resolução do TJ, como possibilita o projeto, a despesa, só com atrasados, será da ordem de 486.000.000,00, quase meio bilhão de reais, sem contar com eventuais os acréscimos de correção monetária e/ou juros.

Como gastar essa fortuna com auxílio-moradia se temos aprovados aguardando convocação que não são chamados por suposta falta de orçamento? Como gastar essa fortuna com auxílio-moradia se, por conta da não convocação de aprovados, servidores têm suas vidas totalmente desestruturadas com remoções ex officio para todos os lados, o que causou até tentativa de suicídio de uma colega recentemente?

Como gastar essa fortuna com auxílio-moradia se a Administração deve à categoria os atrasados da ação dos 24%, pelos quais lutamos há 25 anos (vinte e cinco anos) e não efetua o pagamento? Como gastar essa fortuna com auxílio-moradia se o cidadão espera anos pelo desfecho do seu processo, por falta de servidores e de magistrados?

QUESTÃO LEGAL

Não obstante a questão moral, ainda temos a questão legal. Existe uma lei, denominada Lei dos Fatos Funcionais, n° 5535/2009, que prevê o pagamento de auxílio-moradia para magistrados do Rio de Janeiro. Ocorre que esta lei está sendo questionada no STF, através da AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE 4.393. Nas palavras do Procurador-Geral da República, que propôs a ADIN, destacou que a lei questionada é na prática um “estatuto estadual da magistratura”, o que é vedado pela Constituição Federal em seu artigo 93, segundo o qual o estatuto da magistratura é uma lei complementar federal, de iniciativa privativa do STF. “Deve ser observado o respeito à unicidade nacional da magistratura”, argumentou Gurgel.

O Relator desta Ação de Inconstitucionalidade, Ex-Ministro Ayres Britto, deu o seu voto, acatando a inconstitucionalidade da lei; em seguida, o Ministro Luis Fux, que era desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, pediu vistas do processo, em 17/05/2012, e até hoje não devolveu os autos para julgamento. Seria, no mínimo, prudente, que eventual aprovação pela Alerj de tal auxílio levasse em conta a possibilidade de a lei dos fatos funcionais ser considerada inconstitucional (o que é praticamente inevitável), o que causaria um rombo sem precedentes no orçamento do Tribunal, acaso já tiverem sido pagos os valores.

 

Brasileirão 2013 – O plano para salvar o Fluminense

Fernando Jorge Almeida

Eu não sou torcedor fanático, nem desejo ver nenhum time carioca se ferrar. Mas numa análise bem fria, cheguei a seguinte conclusão sobre a armação para salvar o Fluminense:

1. Plano “A”: Bastava o Flu ganhar do Bahia e o Coritiba não bater o São Paulo.

2. Plano “B”: Se o Coritiba estiver batendo o São Paulo, escalar o jogador suspenso pelo STJD.

Senão, vejamos: O jogo da Portuguesa não valia para nada, portanto não havia a menor lógica em escalar um jogador irregular, aos 32 minutos do segundo tempo, que jogou menos de 95 minutos durante o campeonato inteiro.

Conclusão:

1. Acho que a Portuguesa não perde os pontos se o seu advogado apelar para a Constituição e o Código de Processo Civil, que afirma que toda decisão judicial só vale a partir do primeiro dia útil após a publicação. Uma regra do STJD não pode atropelar as leis maiores.

2. Se perder, além de recorrer, pode investigar passo a passo, o processo que levou o técnico a escalar o referido jogador. Nesse caso, uma investigação séria, pode jogar muita merda no ventilador.

(artigo enviado por Mário Assis)

Stédile se encontra com o Papa e defende novo modelo de reforma agrária

Vasconcelo Quadros
iG São Paulo

Após participar de encontro no Vaticano, o economista João Pedro Stédile, líder do MST atacou, em entrevista, o sistema capitalista e defendeu um novo modelo de reforma agrária que una ‘campo e cidade’

Principal dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Stédile voltou de uma audiência com o Papa Francisco, no Vaticano, disposto a dar uma guinada no modelo de reforma agrária clássica que o movimento pregou nos últimos 30 anos.

Stédile quer uma mudança de paradigma: “É preciso lutar por uma reforma agrária popular, que interesse a todo o povo e não apenas aos camponeses (…), uma aliança que junte os trabalhadores das cidades e do campo”, afirma o dirigente do MST numa entrevista gravada em vídeo e divulgada nesta terça-feira.

Segundo ele, o atual modelo, baseado na divisão de terras aos pequenos produtores, já se esgotou. Até na Venezuela, onde o ex-presidente Hugo Chávez formou um estoque de sete milhões de hectares, diz, faltam camponeses para assentar.
João Pedro Stédile diz que a reforma agrária tradicional foi “bloqueada e está parada” no Brasil e no mundo inteiro pelo sistema capitalista, que está promovendo uma verdadeira avalanche de capital para expandir o agronegócio baseado na monocultura.

PRIVATIZAR ATÉ O AR

“Eles (empresas multinacionais e bancos) vão aos países para privatizar a terra, a água, os recursos naturais das florestas. E agora estão tentando privatizar inclusive o ar com essa política de crédito de carbono”, afirma o economista. Stédile sustenta que as empresas usam GPS para mapear os níveis de oxigênio e fotossíntese das florestas, transformando esses recursos em títulos de valores fictícios que são vendidos nas bolsas europeias para compensar a emissão de gás carbônico produzido por esses mesmos grupos.

“É uma hipocrisia completa. O capitalista está ganhando dinheiro (com a poluição que produz) e se apropriando até do ar”, cutuca o dirigente do MST. O novo modelo de reforma agrária, segundo Stédile, deve ser o da agroecologia, com uma revolução nos métodos de produção, substituindo a monocultura pela diversificação, a destruição das matas pelo reflorestamento e as commodities agrícolas por alimentos.

“Tem de trocar a matriz tecnológica predadora – baseada no uso intensivo de máquinas e defensivos agrícolas – pela agroecologia e investir na produtividade em equilíbrio com a natureza”, afirma. Segundo ele, o novo modelo passa também pela democratização do conhecimento através de uma revolução educacional que alcance famílias de trabalhadores urbanos e camponeses.

UM NOVO MODELO

Stédile acha que embora o modelo atual de reforma agrária, iniciado no século 20, tenha sido suplantado pelo avanço do capitalismo, o novo modelo é possível. “Sou otimista. Ainda verei uma reforma agrária popular no mundo e o Papa Francisco vai nos ajudar”, disse o dirigente, que participava do Fórum Social Mundial e do encontro com o Papa Francisco, no último dia 7.

No vídeo, gravado no Teatro Valle Occupato, em Roma, Stédile fala também sobre o predomínio de multinacionais e bancos no controle da terra e dos sistemas de produção e critica o fracasso dos governos neoliberais e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e a Agricultura (FAO) na produção de alimentos e combate a fome.

Papa é chamado de marxista após lançar documento em que afirmou que o capitalismo seria ‘uma nova tirania’

Philip Pullella

Ag. Reuters

O papa Francisco, em resposta às críticas de conservadores de que suas ideias econômicas e sociais respingam no comunismo, disse para um jornal italiano neste domingo (15) que não é marxista, mas mesmo marxistas podem ser boas pessoas.

Francisco também negou que pretende nomear uma cardeal feminina, disse que está fazendo um bom progresso para sanear as finanças do Vaticano e confirmou que vai visitar Israel e a Palestina no ano que vem, segundo o La Stampa.

Mês passado, um programa de rádio ancorado por Rush Limbaugh, que tem muitos fãs nos Estados Unidos, criticou o papa por comentários sobre a economia mundial.

Limbaugh, que não é católico, disse que partes do documento eram “marxismo puro saindo da boca de um papa” e sugeriu que alguém escreveu o documento papal por ele. Também acusou o papa de passar dos limites do catolicismo e ser “puramente político”.

Em resposta às acusações, que iniciaram um debate na mídia e nos blogs mês passado, Francisco, membro da ordem dos jesuítas, associada a políticas sociais progressistas, disse que “a ideologia marxista é errada, mas, na minha vida, conheci muitos marxistas que são boas pessoas, então não me sinto ofendido”.

Ele também foi criticado por outros conservadores. No documento do mês passado, considerado uma plataforma do seu papado, Francisco atacou o capitalismo como “uma nova tirania” e disse que “a economia de exclusão e desigualdade” matou pessoas ao redor do mundo.

Na sua resposta aos críticos, Francisco disse que não estava falando como um “técnico, mas de acordo com a doutrina social da Igreja Católica Romana, e isso não o transforma em um marxista”. Ele disse que estava apenas tentando mostrar “um recorte do que estava acontecendo” no mundo.

Em outro documento semana passada, Francisco disse que salários enormes e bônus eram sinstomas de uma economia baseada na ganância e pediu que as nações diminuíssem a desigualdade econômica.

Preocupações conservadoras

Conservadores estão preocupados e decepcionados com pronunciamentos do papa, como quando ele disse que não estava em posição de julgar homossexuais, que são pessoas de bem, sinceramente procurando Deus.

Sobre as especulações de que estaria pensando em nomear uma cardeal feminina ano que vem, disse: “Eu não sei da onde essa ideia saiu. As mulheres na Igreja deveriam ser valorizadas, mas não virarem clérigos”.

Ele disse que as reformas financeiras estão “no caminho certo”, mas ainda não decidiu o que fazer com o Banco do Vaticano, envolto em escândalos nas últimas décadas. No passado, não descartou fechá-lo.

Francisco disse que está “ficando pronto” para visitar a Terra Sagrada ano que vem, no 50° aniversário de quando o papa Paulo VI se tornou o primeiro papa nos tempos modernos a visitar o local.

Ele foi convidado por Israel e pela Autoridade Palestina para fazer uma visita, que deve ser realizada em maio ou junho.

Haverá espaço no Brasil para o partido único?

Márcio Garcia Vilela

Dias desses, dei com um artigo que me chamou a atenção. Intitulado “A Estranha Democracia Brasileira”, pus-me a procurar informação a respeito do autor, de quem nunca ouvira falar. Algum preconceito? Acho que não. Tenho lido, ao longo da vida, textos de ótima qualidade, inobstante desconhecer quem os escreveu. Só mais tarde descubro o autor. Não cedo tempo a bobagens que pululam por aí, até porque ando sempre lerdo com minhas leituras. Publicações costumam chegar, ruins e boas, a mancheias, o atraso vai se avolumando, a ansiedade também pela falta de espaço, ao ponto de deixar de lado uma interessante orelha que, entediado, acabo não terminando.

Dessa vez, estranhamente, “uma estranha democracia brasileira” me deteve. Algum motivo particular? Havia. A matéria tratava de uma reflexão concisa a respeito dos muitos caminhos que está tomando, erraticamente, o Brasil e que sugerem também perigosa excitação maquiavélica. E as vacas estão tomando o rumo da horta. O querido leitor sabe o que acontece quando esses simpáticos animais conseguem derrubar a cerca e entram no milharal? O fazendeiro trata de defender o que é seu: surra nelas, até retirá-las.

Será que, como castigo, os cidadãos conscientes, convencidos de que “a democracia é o pior de todos os regimes políticos, salvo todos os demais outros”, apanham também? A história é o mais confiável testemunho. Fora da lei, sem instituições sólidas, maiorias despreparadas, inconscientes, incapazes de compreender a verdade e rechaçar a mentira, tudo pode acontecer. A ilusão, principalmente a que emerge do exercício da razão e as conclusões do refletir sem senso de responsabilidade são os piores inimigos do “zoon politikon”.

PAGAR O PREÇO

Se o eleitor não se dispõe a pagar esse preço, a sociedade não se sustenta e se desmorona com o impacto da leviandade. A minha geração já não dispõe mais de tempo. Inúmeras vezes a demagogia chegou na frente e nos furtou o que sobrou. Um dia, a brisa sobrou e restaurou a esperança. Será que tudo acabou? Certo é que, terminado o atual mandato presidencial, dona Dilma completará para o PT 12 anos na Presidência da República. Se fosse uma Margareth Thatcher, tudo bem: uma chefe de governo do seu nível merece permanecer com louvores o tempo em que governou o Reino Unido e até mais, liderando seu partido. Mas, a política é muito mais ingrata do que reconhecida: sua queda se deu por manobras do próprio Partido Conservador contra sua titularidade.

Incrível, mas é assim, principalmente numa democracia. Ora, reeleita a senhora Dilma e quiçá volte ao poder o senhor Lula, poderão somar para o PT mais tempo na Presidência que Vargas, incluído seu período constitucional. Logo, não cabem sequer comentários. Se tal absurdo ocorrer, seja com os atuais personagens, seja com outros que aparecerem, como estaria o país ao final desse ciclo de tragédia? Nem vale a pena especular. Mormente quando se trata de América Latina. Exceto o suicídio de Vargas, nada aqui choca. Porém, faz chorar, e não é o caso? (transcrito de O Tempo)

Presente de Natal: Aeronautas aprovam indicativo de greve para a próxima sexta-feira

Bruno Bocchini

São Paulo – Em assembleia nacional, os aeronautas (pilotos, copilotos e comissários de voo) decidiram aprovar um indicativo de paralisação para a próxima sexta-feira (20). A decisão final sobre o início de greve ou não dependerá de uma nova reunião com o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea), marcada para o dia 18.

“A categoria recusou a proposta das empresas aéreas, decidiu entrar em estado de greve, com indicação de paralisação do setor na próxima sexta-feira (20)”, disse em nota o Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA). Entrar em estado de greve não significa que a categoria decidiu paralisar os trabalhos, apenas que está mobilizada para uma provável greve.

A proposta das empresas áreas prevê reajuste do piso salarial em 7%, aumento de 5,6 % dos salários até R$ 10 mil e, em valor fixo, elevação de R$ 560 dos salários acima de R$ 10 mil, além de aumento no vale-refeição de 8%. O reajuste proposto no valor do vale-alimentação e demais cláusulas econômicas  é 5,60%.

O Snea ressaltou que essa é a proposta final das empresas aéreas e que o sindicato dos trabalhadores está se aproveitando da proximidade do final do ano para pressionar com a possibilidade de greve, quando os aeroportos estão lotados.

A categoria, no entanto, pede 8% de reajuste nas cláusulas econômicas – a correção da inflação e mais 2,2%, a título da produtividade. Os aeronautas também querem avanços sociais, como aumento de folgas e a possibilidade de o tripulante se locomover em aeronaves de outras empresas.(da Agência Brasil)

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Todo final de ano, é a mesma coisa: os aeronautas ameaçam greve. Mas a paralisação dos profissionais das companhias aéreas não é a única preocupação com relação ao funcionamento dos aeroportos. O caos já vem acontecendo independentemente de haver greve ou não. Quando foi ministra do Turismo, Marta Suplicy recomendou aos passageiros que o melhor a fazer era “relaxar e gozar”, vejam só que demonstração de espírito público. Se houver greve este final de ano, não vai adiantar relaxar, porque ninguém conseguirá gozar. Só a Marta Suplicy, porque ela só pensa naquilo... (C.N.)