Ciro Gomes posta vídeo com críticas a Lula, e simpatizantes do ex-presidente reagem

Ciro Gomes

Ciro Gomes conseguiu 243 mil visualizações em apenas 24 horas

Amanda Scatolini
O Globo

O ex-ministro Ciro Gomes (PDT) utilizou o Twitter nesta segunda-feira para divulgar um vídeo de críticas ao governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que chegou a ficar entre os assuntos mais comentados na rede social ao longo do dia.

“Eu gostaria que você tivesse paciência de escutar coisas que não está acostumado. Uma delas: o governo Lula deu pouco aos pobres e muito aos ricos. #VerdadesobreLula”, escreveu Ciro na legenda do vídeo, que já contabilizou mais de 243 mil visualizações desde que foi postado.

PREFERÊNCIA AOS RICOS – No vídeo, Ciro, que ficou em terceiro lugar nas eleições de 2018, critica as ações políticas e sociais do petista na Presidência. “Não estou aqui para fazer quem gosta de mim, gostar ainda mais. Nem para tentar convencer quem não gosta de mim, a passar a gostar”, explicou Ciro no início da gravação, completando depois que o governo de Lula deu “pouco para os pobres” e “muito para os ricos”.

“É preciso um novo modelo que crie oportunidades de verdade para os pobres e para a classe média”, continuou Ciro, que deve concorrer novamente nas eleições presidenciais de 2022.

O perfil oficial do Partido dos Trabalhadores de São Paulo chegou a comentar a publicação, ironizando o fato de Ciro ter feito parte da equipe de Lula no primeiro mandato, como ministro da Integração Nacional. “Pra quê isso, Ciro? Você fez parte do governo Lula, foi ministro”, escreveu o perfil.

NAS REDES SOCIAIS – A hashtag proposta por Ciro Gomes também entrou nos assuntos mais comentados da rede social, mas com apelos diferentes. Apoiadores de Lula aproveitaram a chance para mostrar gratidão pelos projetos sociais do petista, enquanto pedetistas elogiavam a postura de Ciro.

A polêmica, no entanto, não ficou somente entre os perfis de esquerda no Twitter, já que o assunto também foi comentado por direitistas e apoiadores de Bolsonaro. O deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) chegou a compartilhar a postagem, concordando com Ciro. “Governo Lula não ajudou os pobres, beneficiou apenas alguns empresários que mantinham relações espúrias com seu governo”, afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A campanha está esquentando. O total de 243 mil visualizações em apenas 24 horas indica que Ciro Gomes, que faz campanha desde 2019, está crescendo na preferência popular. (C.N.)

CPI considera “prova de omissão” a carta que Mandetta enviou a Bolsonaro em março de 2020

Mandetta avisou a Bolsonaro sobre a gravidade da pandemia

Deu na Coluna do Estadão

A despeito de seu potencial “viralizante”, a afirmação de Luiz Henrique Mandetta de que Jair Bolsonaro queria um decreto para incluir covid-19 na bula da cloroquina, a sala de comando da CPI se animou mesmo foi com a carta enviada pelo ex-ministro da Saúde ao presidente da República, considerada a primeira “prova” da omissão de Bolsonaro e um forte indicativo de que ele jogou contra o ministério no início da pandemia.

Sobre a “bula”, a avaliação do Planalto é singela: crise natimorta, porque Mandetta não mostrou indícios nem evidências.

REVISÃO DE POSTURA – Na carta de março de 2020, Mandetta pediu a Bolsonaro a revisão de postura na pandemia e alertou sobre a possibilidade de uma mortandade. Pode até não ser uma prova, mas, para efeito de relatório final, é um primeiro tijolo rumo à responsabilização de Bolsonaro. A bola agora está com Nelson Teich.

A interlocutores, Flávio Bolsonaro disse não ver motivos suficientes para eventual convocação de seu irmão Carlos, citado por Mandetta como participante de reuniões.

Durante o depoimento, o ex-secretário de Mandetta na Saúde, Wanderson Oliveira disparava comentários e informações complementares ao depoimento do ex-ministro no WhatsApp.

 SERIA O OSMAR? –  Sem citar nomes, Mandetta falou da turma que municiava o presidente com informações equivocadas sobre a pandemia. Muita gente da CPI entendeu tratar-se do deputado Osmar Terra (MDB-RS).

O líder do PT no Senado, Rogério Carvalho (SE), prepara pedido de convocação do deputado federal, que deve ser apresentado nos próximos dias.

Quanto ao relator Renan Calheiros (MDB-AL), ele já arregimentou quatro técnicos do Senado para ajudar a confecção do relatório que será entregue no final das investigações.

CONVERSA DE BOTEQUIM – O presidente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD-AM) diz que as declarações polêmicas de Paulo Guedes são “conversa de botequim”.

Outra alfinetada foi de Carlos Lupi, presidente do PDT: “Pazuello diz que não pode comparecer à CPI por medo de infectar os parlamentares. Ele não teve o mesmo medo ao andar no shopping sem máscara.”

Por fim, a tentativa de Jair Bolsonaro de se aproximar de José Sarney esbarra também em questões regionais. O Maranhão foi o único Estado onde houve troca do comando estadual do MDB, partido do ex-presidente, na semana passada. Roseana Sarney assumiu o comando no Maranhão. Será candidata a deputada federal e apoiará o nome indicado pelo governador Flávio Dino (PCdoB) para sua sucessão.

Ao bater continência para Sarney, Bolsonaro indagou se Lula era amigo íntimo de Renan

Bolsonaro foi pedi a bênção ao velho cacique do MDB

Merval Pereira
O Globo

‘É verdade que o Renan é muito amigo do Lula?’, teria perguntado o presidente Bolsonaro ao ex-presidente José Sarney, para quem bateu continência na entrada e na saída, em respeito a quem, como ele é, já foi comandante em chefe das Forças Armadas.

A política brasileira segue “fulanizada”, o papel da aliança partidária quase sempre é substituído pelas relações pessoais, e aí aparece uma das fragilidades de Bolsonaro. Mesmo tendo ficado no Congresso por quase 30 anos, Bolsonaro não tem amigos na política, os seus estão em outras áreas, como a militar, com suas imbricações na vida civil, com ex-militares que se desviaram para a milícia.

RELAÇÕES LIMITADAS – O Centrão é uma base política multipartidária para Bolsonaro, mas não existe uma relação interpessoal desses neoaliados com ele, assim como não existia com o ex-presidente Lula no início de seu primeiro mandato. A aliança com o PMDB foi costurada pelo então todo-poderoso chefe do Gabinete Civil, José Dirceu, e prontamente rejeitada por Lula, que não queria peemedebistas em seu governo.

Coube ao tempo provar que Dirceu estava certo, e a aliança acabou saindo pela cooptação por meio do mensalão. A convivência estreitou essa relação, que foi eterna enquanto duraram os recursos do Caixa da União.

Rompido no governo Temer, depois do impeachment da então presidente Dilma, o Centrão custou a engrenar uma intimidade maior com Bolsonaro, cujo mote principal era acabar com a “velha política”.

NA VELHA POLÍTICA – Foi um lema autofágico, que acabou abandonado pela necessidade de defender-se e aos filhos de antigos hábitos da “velha política”, como rachadinhas, funcionários “fantasmas” e favores fisiológicos. O porto seguro foi o Centrão e sua tradição de fazer política a curto prazo. Mas surgiu Lula no caminho desse relacionamento tão frágil. Um velho amor que voltou a ter condições de oferecer expectativa de poder, que é do que vive o Centrão.

O presidente da Câmara, Arthur Lira, que um dia mostrou o cartão amarelo a Bolsonaro com palavras duras, usa hoje o mesmo tema, o combate desorganizado à pandemia, para desdenhar a CPI da Covid, que ele considera desnecessária.

O presidente da Câmara está querendo assumir o papel de grande apoiador do governo no Congresso. Defende a ideia de que a CPI da Covid está sendo superestimada e afirma que não colocará em pauta nenhum pedido de impeachment contra Bolsonaro.

DISPUTA DE PODER – Nada mais é do que uma disputa de poder com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ambos eleitos com apoio do Palácio do Planalto, e com o senador Renan Calheiros, também de Alagoas, uma jogada política às vésperas da eleição.

A CPI tem um potencial brutal de atingir o governo. Pode até ser que não ela tenha nenhuma consequência, mas é quase inevitável que saia fragilizado.

Pacheco teve que abri-la por determinação do Supremo Tribunal Federal, e os Bolsonaros sentiram-se traídos. Lira aproveita o momento em que o pior inimigo parece a Bolsonaro ser o senador Renan Calheiros para tentar esvaziar a relatoria da CPI e ganhar o apoio de Bolsonaro na disputa eleitoral de Alagoas em 2022.

VICE DE LULA? – Calheiros, por seu lado, sonha com a vice de Lula na chapa da eleição presidencial, que não terá o General Mourão, que fica de regra três para acalmar os militares caso a CPI leve a um improvável, mas possível, impeachment de Bolsonaro.

A “fulanização” da política, que não agradava a Ulysses Guimarães, levou a que fosse criada a tese estapafúrdia de que o então juiz Moro prendeu Lula para impedir que ele derrotasse Bolsonaro na eleição de 2018, quando Moro e Bolsonaro nem sequer se conheciam.

Um encontro dos dois no saguão do Aeroporto Santos Dumont, no Rio, durante a campanha presidencial, serve bem de exemplo: Bolsonaro bateu continência a Moro, que o tratou com displicência. No futuro, se acaso Moro ou algum aliado seu for eleito para a Presidência da República, tudo mudará de novo, e dirão que o STF anulou as condenações de Lula para estimular sua candidatura à Presidência contra o próprio Moro, e Bolsonaro, que estimula seus seguidores a atacar o STF. A fulanização da política leva a essas teorias da conspiração, que são sempre certas quando coincidem com nossa opinião pessoal.

Lula encontra com Molon, do PSB, e fala em aliança para derrotar Bolsonaro em 2022

O deputado Alessandro Molon
Foto: Marcos Ramos / Agência O Globo

Molon, ex-PT, conhece Lula e sabe com quem está tratando…

Augusto Fernandes
Correio Braziliense

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou sua visita a Brasília esta semana se reunindo com o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da oposição na Câmara. O encontro foi mais um dentro da agenda de compromissos com políticos de diferentes partidos montada pelo petista mirando uma estratégia para as eleições do ano que vem.

Não à toa, um dos principais tópicos da conversa com Molon foi a construção de uma aliança entre os partidos de oposição para derrotar o presidente Jair Bolsonaro na corrida para o Palácio do Planalto.

A OFERTA DO PT – De acordo com o deputado do PSB, Lula disse que o PT está disposto a abrir mão de disputar as eleições em alguns estados e compor alianças com legendas de esquerda para enfraquecer eventuais candidatos apoiados por Bolsonaro.

Molon também comentou que, caso os partidos progressistas queiram ter sucesso contra o atual presidente em 2022, será fundamental derrotá-lo no Rio de Janeiro.

“Falamos da importância de derrotar o bolsonarismo, sobretudo em seu berço, o Rio de Janeiro. É preciso construir uma frente ampla de partidos para a disputa eleitoral no estado, mesmo que esta aliança seja de partidos que apoiem diferentes candidatos à Presidência da República. Lula manifestou apoio a este tipo de iniciativa e disse que o PT está disposto a abrir mão de lugar nas chapas estaduais em favor de nomes de outros partidos”, frisou o deputado.

AUXÍLIO EMERGENCIAL – Outro assunto que esteve na pauta do encontro entre Lula e Molon foi a assistência financeira para os brasileiros mais humildes em meio à pandemia da covid-19. De acordo com o deputado do PSB, o petista defendeu o restabelecimento do auxílio emergencial a R$ 600 até o fim do ano.

Antes do compromisso com Molon, Lula conversou com o senador Fabiano Contarato (Rede-ES). Ao parlamentar, o ex-presidente também pediu uma mobilização para que o auxílio emergencial volte a ser pago no valor original.

Além disso, Lula convidou Contarato para se filiar ao PT e concorrer ao governo do Espírito Santo no ano que vem. “Eu tenho que analisar, porque estou construindo vários diálogos com partidos com os quais me identifico mais, que são partidos progressistas. Claro que com esse convite formalizado, vamos avaliar com bastante carinho”, disse Contarato.

OUTRAS REUNIÕES – A agenda do petista por Brasília continuará pelo menos até quinta-feira (dia 6). Ele deve se reunir com embaixadores e parlamentares, como os senadores Kátia Abreu (PDT-TO), Otto Alencar (PSD-BA) e Jader Barbalho (MDB-PA).

Além disso, existe a expectativa de uma reunião de Lula com o ex-presidente José Sarney, que semana passada foi visitado pelo presidente Jair Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Livre, leve e solto, como diria o genial jornalista Nelson Motta, o candidatíssimo Lula investe firme na campanha para voltar ao poder, graças a Fachin, Gilmar & Cia, livre de qualquer ameaça jurídica, como se fosse um cidadão acima de qualquer suspeita, no filme de Elio Petri. Mas era só o que faltava!, diria o Barão de Itararé. (C.N.)

Reação da França à carta de militares contra emigrantes é um bom exemplo para Brasil

França e parceiros com

Florence Parly, ministra da Defesa, mandou punir os oficiais

Deu em O Globo

A independência da Argélia deixou sequelas profundas na França. Uma ala militar sempre considerou o general Charles de Gaulle traidor da pátria por ter cedido a soberania aos argelinos. Tal ala, que combatera os separatistas na Guerra da Argélia nos anos 1950, encetou o fracassado “putsch de Argel” contra De Gaulle em 1961.

Dez anos depois, ajudou a fundar a Frente Nacional, o partido de extrema direita criado por Jean-Marie Le Pen aglutinando descontentes com o gaullismo, hoje transformado na Reunião Nacional de sua filha, Marine.

MÉTODOS DE TORTURA – Foram militares franceses egressos da Guerra da Argélia que, ao longo dos anos 1960 e 1970, ensinaram métodos de tortura desenvolvidos e aplicados nos argelinos a seus colegas dos países latino-americanos onde os golpes deram certo e resultaram em ditaduras, entre eles o Brasil.

Seis décadas depois, fantasmas daquele período continuam a assombrar a caserna francesa.

No aniversário de 60 anos do “putsch de Argel”, no último dia 21 de abril, 20 generais franceses da reserva, apoiados por militares da ativa, publicaram na revista de extrema direita “Valeurs Actuelles” uma carta aberta contra o que chamam de “desintegração” do país.

IMIGRANTES DO ISLÃ – “Desintegração que, com o islamismo e as hordas da periferia, acarreta a separação de múltiplas parcelas da população para transformá-las em territórios submetidos a dogmas contrários à nossa Constituição”, diz a carta.

Os signatários conclamam os políticos “que dirigem o país” a “erradicar esses perigos” para combater a violência. “Não é mais hora de tergiversar, senão amanhã a guerra civil porá fim a esse caos crescente, e os mortos, cuja responsabilidade recairá sobre os senhores, se contarão aos milhares.”

É tentador traçar um paralelo entre a manifestação dos militares franceses e o papel crescente que seus colegas brasileiros têm assumido na política.

AS DIFERENÇAS – Lá, há uma mobilização por ocupar um espaço político maior. Aqui, o espaço já foi ocupado. Lá, o caminho para o poder passa pela extrema direita de Marine Le Pen, que aplaudiu o teor da carta da caserna. Aqui, pela de Bolsonaro.

Porém, por mais que a repercussão da carta lembre a de certos tuítes de generais brasileiros, as diferenças são mais significativas que as semelhanças. A ministra da Defesa francesa, Florence Parly, uma civil, imediatamente condenou a manifestação e prometeu punir o que lhe pareceu uma tentativa de sedição.

“Solicitei ao chefe de Estado-Maior que aplique as regras previstas no estatuto dos militares, ou seja, sanções”, afirmou. O primeiro-ministro Jean Castex a secundou, qualificando a iniciativa de “contrária a todos os nossos princípios republicanos, à honra, ao dever do Exército”.

“MEU EXÉRCITO” – Aqui, o presidente da República fala em “meu Exército” e trocou o ministro da Defesa, um militar da reserva, por outro mais suscetível a suas sugestões de usar as Forças Armadas em benefício de seu projeto político.

Toda a cúpula militar foi demitida por resistir às extravagâncias de Jair Bolsonaro. Exemplo de como as coisas funcionam numa democracia madura — e de como ainda não funcionam no Brasil.

Primeira reunião de Braga Netto com o Alto Comando foi apenas ‘congraçamento social’

O ministro da Defesa, Walter Braga Netto, quando apresentou nesta quarta-feira, 31 de março, os três novos comandantes das Forças Armadas.

Braga Netto levou Jair Bolsonaro e dois ministros à reunião

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O ministro da Defesa, Braga Netto, se reuniu pela primeira vez, nesta segunda-feira (03/05), com o Alto Comando das Forças Armadas. Entre os temas debatidos no encontro, o “foco nas missões constitucionais” das três Forças.

O clima do encontro foi amistoso, mas houve muitos questionamentos sobre o papel das Forças Armadas neste momento. Há um certo incômodo por parte dos fardados com o excessivo “protagonismo das Forças Armadas” neste momento, o que deixa os militares muito expostos.

Segundo integrantes do Alto Comando, o ministro também falou da necessidade de recomposição dos recursos destinados aos projetos estratégicos da Defesa e para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa. O ministério perdeu muitas verbas com o corte do Orçamento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reunião não foi para valer, porque teve a participação d o presidente Jair Bolsonaro, do ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, e da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina. Ou seja, foi uma espécie de congraçamento social Colocar Braga Netto no Ministério da Defesa foi uma desesperada tentativa de Bolsonaro para continuar sonhando com um regime de exceção que ainda não aconteceu nem vai acontecer. O Alto Comando não quer saber dessas aventuras. E vamos em frente.. (C.N.)

 

Com medo da CPI, Pazuello inventa desculpa para escapar do Dia D e da Hora H

Charge do Thiagão (Diário do Nordeste)

Bruna Lima e Renato Souza
Correio Braziliense

O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello avisou que não vai comparecer presencialmente à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a covid-19 no Senado Federal nesta quarta-feira (5/5). O depoimento estava agendado para começar às 10h de amanhã. O general do Exército alega que dois assessores receberam diagnóstico positivo para o novo coronavírus.

O ex-ministro deve tentar autorização para depor a distância, on-line, ou adiar em uma ou duas semanas sua oitiva. Mas nova data foi marcada – o próximo dia 19.

TEM DE COMPARECER – Os senadores avaliaram quais os prejuízos para o andamento dos trabalhos de investigação com a ausência presencial de Pazuello. A avaliação é de que pela internet ele poderia ser orientado quanto às perguntas realizadas pelos parlamentares.

“Ele esteve com pessoas (infectadas com a doença) e, agora, vamos aguardar”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI, ao Correio.

A gestão de Pazuello ocorreu no auge da crise da covid-19, com registro de estoques zerados de oxigênio em Manaus, aumento potencial de mortes e de infectados pela covid-19 e atraso na compra de vacinas. 

ORDEM DO PLANALTO – Nos bastidores, fontes ligadas ao Executivo afirmam que a orientação para faltar ao depoimento presencial partiu do Palácio do Planalto.

O governo está preocupado com o teor das declarações do militar, que vem recebendo orientação de auxiliares do presidente Jair Bolsonaro para enfrentar a sessão.

A estratégia seria ganhar tempo para avaliar e rebater os depoimentos dos ex-ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, que depõe quarta-feira, dia 5.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Que vergonha, hein? Um general com medo de depor na CPI. Quando chegou o Dia D, com a Hora H, ele “afinou”, como se diz no Nordeste. Já não se fazem generais como antigamente. (C.N.).

Revelações de Mandetta deixaram Bolsonaro em péssima situação na CPI da Covid

Ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta presta depoimento na CPI da Covid Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Mandetta não exagerou, disse apenas o que todos sabiam

Natália Portinari, Julia Lindner e André Souza
O Globo

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, na CPI da Covid no Senado, Mandetta confirmou que houve discordância de sua posição sobre isolamento social com a do presidente Jair Bolsonaro. Ele respondeu a um questionamento feito pelo relator Renan Calheiros.

— Sim, senhor. Eu sou médico… Jurei na minha formatura, jurei quando tomei posse como deputado defender a Constituição, o princípio da vida, ali não era uma situação de diferenças políticas. Ali era um momento republicano. Eu conversava com o governador do Ceará, a governadora do Rio Grande do Norte, assim como de São Paulo, todos eles para que tivéssemos momento de união. Nunca discuti com o presidente, nunca tive discussão áspera, mas sempre coloquei a minha posição de forma muito clara — disse.

LEITE DERRAMADO -Mais tarde, questionado novamente sobre “lockdown”, Mandetta afirmou que o Brasil agiu depois do “leite derramado”.

— O Brasil não fez nenhum “lockdown”. O Brasil fez medidas depois do leite derramado. Vai entrar em colapso, então fecha. Vai faltar remédio, então fecha. Vai faltar oxigênio em Manaus, então fecha. A gene sempre foi um passo atrás desse vírus. Aqueles que fizeram preventivo foram poucos. Até Araraquara fez depois do leite derramado — disse Mandetta.

Mandetta foi enfático quando perguntado se, enquanto estava no cargo, alguma empresa ou entidade apresentou perspectivas de vacinas. Disse que não, mas que se houvesse vacinas à época iria atrás delas como um prato de comida.

PRODUZIR CLOROQUINA – Renan também questionou se a ordem do presidente Jair Bolsonaro para o laboratório do Exército aumentar a produção de cloroquina tinha partido do Ministério da Saúde, e Mandetta disse que não.

— A única coisa que o Ministério da saúde fez, após consulta ao Conselho Federal de Medicina e a conselheiros do ministério, era para o uso compassivo, quando não há outro recurso terapêutico. É um medicamento que tem uma série de reações adversas, uma série de cuidados que tem que ser vistos — disse Mandetta.

Segundo ele, havia quantidade suficiente do remédio no Brasil: “A cloroquina nos é produzida regularmente para o uso que convém, para malária, lúpus, pela Fiocruz, e tínhamos a quantidade necessária para isso”.

“ORIENTAÇÕES PARALELAS” – Mandetta disse que Bolsonaro não deu nenhuma orientação ao ouvir a previsão do Ministério da Saúde, no início da pandemia, de que o país poderia chegar a 180 mil mortes. Atualmente, o Brasil ultrapassa 400 mil óbitos decorrentes da doença.

— Não. Ficou aquilo como ‘existem outras pessoas que também falam outras coisas’, enfim. Não foi aquilo que foi capaz de unir — respondeu Mandetta ao ser indagado se Bolsonaro fez alguma recomendação ao ouvir a previsão inicial da Saúde.

O ex-ministro disse ainda que Bolsonaro parecia ter outra fonte de informação paralela, fora do Ministério da Saúde. E citou que o filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (RJ), costumava acompanhar reuniões ministeriais e tomar notas.

TRATAMENTO PRECOCE — “Me lembro do presidente sempre questionar a questão da cloroquina como válvula de tratamento precoce, embora sem evidência precoce, lembro de ele falar do isolamento vertical. Ele tinha outra, não saberia dizer, outra fonte que dava para ele. Do Ministério da Saúde nunca houve orientação de coisas que não eram da cartilha”, assinalou.

Questionado pelo vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), sobre se o Ministério da Saúde foi pressionando pelo presidente Jair Bolsonaro a contrariar recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), Mandetta disse que não.

— Ele foi publicamente confrontado e isso dava uma informação dúbia à sociedade. O objetivo do Ministério da Saúde era dar uma informação, o presidente dava outra informação.

RELAÇÃO DÚBIA – Sobre a relação com Bolsonaro, Mandetta disse que o presidente inicialmente compreendia as informações, mas poucos dias depois mudava de ideia. Segundo o ex-ministro, era uma “relação dúbia”.

O ex-ministro relatou também dificuldades com os filhos de Bolsonaro para conseguir um bom diálogo com a China.”Eu tinha um Ministério de Relações Exteriores que eu precisava muito, porque eu era dependente de insumos que estavam na China, que tinha que trazer para o Brasil. Então era mais do que necessário ter um bom diálogo com a China. Então eu tinha dificuldade com o ministro de Relações Exteriores [Ernesto Araújo, que deixou o cargo em 2021]”, disse, acrescentando:

“O outro filho do presidente que é deputado, Eduardo, tinha rotas de colisão com a China, através de Twitter, mal-estar. Eu fui até um certo dia ao Planalto, eles estavam todos lá, os três filhos [o vereador Carlos, o deputado Eduardo o senador Flávio] do presidente, e mais assessores, que são assessores de comunicação.  Disse a eles: eu preciso conversar com o embaixador da China, preciso que eles nos ajude, pedi uma reunião com ele, posso trazer aqui? “Não, aqui não.” Acabei fazendo por telefone — explicou Mandetta.

EXISTIA DIFICULDADE – O senador Randolfe Rodrigues perguntou então se havia uma oposição a qualquer diálogo com a China. Mandetta respondeu:

— Existia uma dificuldade de superar essas questões.

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA) perguntou se Mandetta passou a criticar fortemente o governo federal apenas por que deixou o cargo? Mandetta explicou que, como cidadão, pode criticar Bolsonaro e finalizou:

— Eu como cidadão, hoje, 410 mil vidas me separam do presidente.

IMPACTO DA CORRUPÇÃO – O senador governista Marcos Rogério (DEM-RO) perguntou qual o impacto da corrupção, citando os escândalos do mensalão e do petrolão, na forma como o Brasil enfrentou a pandemia.

— Vem desde o dia que Cabral pisou aqui — disse Mandetta, acrescentando: — Isso é base de inúmeros problemas, não só na saúde.

Logo no início da sessão, Renan questionou se Mandetta vê como adequada a orientação do Ministério da Saúde para que as pessoas só procurassem o sistema de saúde com sintomas graves. Mandetta afirmou que o intuito era apenas evitar aglomerações por suspeitas de viroses em hospitais, antes de haver transmissão comunitária no país, o que só foi registrado no final de março de 2020.

 

HAVIA INSEGURANÇA — “Isso não é verdade. Não havia um caso no país. O que havia eram pessoas com sensação de insegurança, de pânico. Viam China, Itália com seu lockdown, e as pessoas procuravam hospitais com intuito de fazer testes: 99,9999% dos casos eram de outros vírus, e 0,0001% eram indefinidos. Só fizemos transmissão comunitária depois de 24 de março. Em um momento de viroses, a orientação para viroses é que observe a virose, que não vá ao hospital porque aglomera, porque se tiver um paciente ele vai contaminar na sala de espera. Eu tenho visto essa máxima ser repetida. É mais uma guerra de narrativa. Todas as orientações são para dar entrada pelo sistema de saúde”, salientou.

Renan questionou como funcionava o sistema de governança da pasta na gestão de Mandetta e quais foram as orientações aos municípios durante o início da crise sanitária. O ex-ministro respondeu que o ministério é dividido em secretarias especializadas e que tudo ocorreria de maneira harmônica entre eles. Sobre orientações, o ex-ministro citou uma série de portarias sobre medicamentos e testagens.

TESTAGEM EM MASSA – O relator também questionou por que não houve testagem em massa da população, Mandetta respondeu:

— No mês de março iniciamos todo o processo de aquisição da testagem, 24 milhões de testes. Não adianta só ter o teste, é preciso processar os testes. Mas foi assinado o recebimento dos testes no ministro subsequente, ministro Teich. E depois eu soube que essa estratégia não foi utilizada. Foi muito clara a nossa estratégia: testar, testar.

O relator então perguntou se havia impedimento técnico para a testagem na época. O ex-ministro se justificou:

 

— Não havia o teste. Era uma carência mundial.

CAMINHO TRAÇADO – Ainda sobre os testes, Mandetta afirmou: “Nós tínhamos um caminho traçado para a testagem, sabíamos para onde iríamos, sabíamos que íamos testar, bloquear contágio e iríamos tratar via atenção primária e ampliar nossa rede hospitalar. Não tomamos nenhuma medida que não tenha sido pela ciência. E a ciência é essa, é isso que recomendaram. Depois, vimos pararem muitas coisas e não colocarem outras no lugar, a testagem é uma delas”.

Mandetta disse que a estratégia para compra centralizada de respiradores pelo governo federal foi bem-sucedida em sua gestão. De acordo com ele, estados e municípios enfrentavam problemas na aquisição dos produtos.

— Nós entramos, arbitramos, fizemos a encomenda e conseguimos garantir o abastecimento de toda a rede nacional. E são esses respiradores que estão até hoje segurando a epidemia. Todos os 15 mil foram entregues — afirmou.

LÍDER REAGE – O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), questionou, então, por que os estados partiram para comprar respiradores. Mandetta respondeu que “há um hiato”.

— Eles começaram a predar e a escalonar preços. Ficou insustentável. Nesse momento entrou o Ministério da Saúde. O Brasil foi o país que comprou respiradores pelo preço mais baixo do mundo. E entregou na ponta. Isso não impede os governadores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Mandetta deixou Bolsonaro em má situação na CPI da Covid, e isso já era esperado, pois todos sabem qual foi o comportamento do presidente nessa pandemia. (C.N.)

Com a militarização do governo, cientistas políticos apontam a volta do ‘partido fardado’

Alertado por militares, presidente se distância dos olavistas, que admitem perder espaço

Jair Bolsonaro mandou contratar mais de 6 mil militares

Marcelo Godoy
Estadão

A presença de militares no governo Jair Bolsonaro e o comportamento deles reanimaram o interesse na atuação dos militares da ativa, que em dois anos da ativa postaram 3,4 mil tuítes políticos. Foram redescobertas obras como as dos antropólogos Celso Castro e Piero Leirner e as de cientistas políticos como José Murilo de Carvalho e Oliveiros S. Ferreira, autor de “Vida e Morte do Partido Fardado” e “Elos Partidos”.

Um dos centros do debate atual é o conceito de “partido fardado”, usado por Oliveiros e pelo cientista político francês Alain Rouquié.

ROTINA DE PODER – Oliveiros pensava que as reformas do presidente Castelo Branco, limitando o tempo de permanência de generais na ativa, teriam levado ao fim do partido fardado, deixando-o acéfalo. Generais se candidatavam, exerciam cargo político e depois voltavam aos quartéis. Eles simbolizavam o fenômeno.

Para o cientista político Eliezer Rizzo de Oliveira, que prepara um livro sobre o tema, o governo Bolsonaro mostra que o partido fardado não havia morrido, só estava hibernando, sobretudo no Exército. “Estamos diante de um ativismo militar, de um partido verde-oliva.”

Segundo a pesquisadora Ana Penido, do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional (Gedes), o cientista Oliveiros S. Ferreira dizia que o partido fardado não é algo formal para disputar eleições, mas uma organização temporária, que só se evidencia em momentos de tensão interna nas Forças Armadas ou de desencontro entre a instituição e o governo, favoráveis à politização militar.

PARTIDO MILITAR – A pesquisadora Ana Penido adota, porém, o termo “partido militar” para designar o fenômeno.

“Pertencem ao partido aqueles militares que se julgam no direito de interpretar a Constituição e, na condição de defensores da lei e da ordem, estabelecem, por si mesmos, como e quando agirão. Integram o estabelecimento militar aqueles que agem subordinados às leis e regulamentos, pautados pela hierarquia e disciplina.”

Para o coronel da reserva Marcelo Pimentel, que analisa o fenômeno no livro “Os Militares e a Crise Brasileira”, o atual processo de politização dos militares começou em meados da última década.

UM PÓLO POLÍTICO – “A politização dos militares não se confunde com a mera expressão pessoal de opiniões políticas”, explica o coronel Pimentel.

Diz o historiador que o partido militar se coloca em um dos polos da política e cria o risco de divisões nas Forças Armadas, com a volta ao estado de indisciplina crônica, vivido nos quartéis antes de 1964.

“O que preocupa é a atual geração de tenentes em razão do exemplo dos chefes. O mau uso de redes sociais é um meio de politização do Exército”, comenta.

Banco Central diz que gasto de brasileiros no exterior é o menor para março desde 2005

Queda das despesas somaram US$ 313 milhões em março

Alexandro Martello
G1

Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 313 milhões em março, de acordo com informações divulgadas nesta semana pelo Banco Central. Na comparação com o mesmo período de 2020, quando as despesas em outros países totalizaram US$ 612 milhões, a queda foi de 48,8%.

Esse também foi o menor valor para o mês de março desde 2005, ou seja, em 16 anos, quando as despesas lá fora somaram US$ 260 milhões. No primeiro trimestre deste ano, segundo números oficiais, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 860 milhões, com queda de 70,6% frente ao mesmo período de 2020 (US$ 2,931 bilhões).

RESTRIÇÕES – A forte queda nos gastos acontece em meio às restrições provocadas pela pandemia do novo coronavírus, que resultou no fechamento de fronteiras e na suspensão de voos, e que também levou à disparada do dólar. Depois de registrar forte alta de 29% em 2020, a moeda norte-americana registrou novo aumento, de 0,41% em março deste ano. No primeiro trimestre de 2021, a valorização foi de 8,49%.

Além das tensões com a pandemia, dificuldades do governo em levar adiante reformas para reequilibrar as contas públicas têm influenciado o preço da moeda norte-americana. Com a disparada do dólar, as viagens de brasileiros ao exterior ficam mais caras. Isso porque as passagens e as despesas com hotéis, por exemplo, são cotadas em moeda estrangeira.

GASTOS DE ESTRANGEIROS – De acordo com dados do BC, em março deste ano os estrangeiros gastaram US$ 213 milhões no Brasil, com queda frente ao patamar registrado no mesmo mês de 2020 (US$ 385 milhões). Nos três primeiros meses deste ano, os gastos de estrangeiros no Brasil somaram US$ 693 milhões, com recuo de 54,9% contra o mesmo período de 2020 (US$ 1,538 bilhão).

Para estimular o turismo no Brasil, o presidente Jair Bolsonaro assinou no começo de 2019 um decreto para dispensar o visto de visita para turistas de Estados Unidos, Canadá, Austrália e Japão que viajarem ao Brasil.

Mandetta revela na CPI que Bolsonaro queria que a Anvisa alterasse bula da cloroquina

TV Senado

Depoimento de Mandetta sobre Bolsolanro é aterrador

Marcela Mattos, Sara Resende e Beatriz Borges
G1 e TV Globo

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta afirmou nesta terça-feira (4), na Comissão parlamentar de inquérito (CPI) da Covid, que o presidente Jair Bolsonaro queria que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alterasse a bula da cloroquina, com ineficácia cientificamente comprovada, para que o medicamento fosse indicado no tratamento da Covid-19. Segundo Mandetta, o pedido foi negado pelo presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres.

O ex-ministro foi à CPI na condição de testemunha, quando há o compromisso de dizer a verdade sob o risco de incorrer no crime de falso testemunho. O Brasil já tem mais de 408 mil mortes por Covid-19.

ASSESSORAMENTO PARALELO -“Eu estive dentro do Palácio do Planalto quando fui informado, após uma reunião, que era para eu subir para o terceiro andar porque tinha lá uma reunião com vários ministros e médicos que iam propor esse negócio de cloroquina, que eu nunca tinha conhecido. Quer dizer, ele tinha esse assessoramento paralelo”, disse Mandetta.

“Nesse dia, havia sobre a mesa, por exemplo, um papel não-timbrado de um decreto presidencial para que fosse sugerido daquela reunião que se mudasse a bula da cloroquina na Anvisa, colocando na bula a indicação da cloroquina para coronavírus. E foi inclusive o próprio presidente da Anvisa, [Antônio] Barra Torres que disse não”, afirmou.

Em seu depoimento, o ex-ministro disse ainda que Bolsonaro insistia no uso da cloroquina para o tratamento precoce, mesmo sem evidência científica, e que o presidente deveria ter outras fontes de informação, pois o uso do medicamento não era recomendado pelo Ministério da Saúde.

TRATAMENTO PRECOCE – “Me lembro do presidente sempre questionar a questão ligada a cloroquina como a válvula de tratamento precoce, embora sem evidência científica. Eu me lembro do presidente algumas vezes falar que ele adotaria o chamado confinamento vertical, que era também algo que a gente não recomendava”, afirmou.

Mandetta disse ainda que o Ministério da Saúde seguia a “cartilha da organização mundial de saúde” e que se ele tivesse adotado a teoria de que o vírus não chegaria no Brasil teria sido uma “carnificina”.

Do Ministério da Saúde nunca houve a recomendação de coisas que não fossem da cartilha da Organização Mundial de Saúde, dessas estruturas todas, era o que a gente tinha, não por sermos donos da verdade, não, pelo contrário, nós éramos donos da dúvida, eu torcia muito para aquelas teorias de que ‘ah, o vírus não vai chegar no Brasil’, agora, se eu adotasse aquela teoria e chegasse, teria sido uma carnificina”, afirmou.

PSOL quer punição a Eduardo Bolsonaro por elogiar cassação de ministros em El Salvador

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Eduardo Bolsonaro sabe que não pode ser processado

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

A bancada do PSOL na Câmara dos Deputados vai entrar com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar as declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de concordância com a destituição de juízes da Suprema Corte de El Salvador. Os parlamentares pedem que o caso seja incluído nos inquéritos sobre os atos antidemocráticos e das fake news, que o STF já investiga.

No sábado, dia 1º, o novo Congresso de El Salvador votou pela destituição de cinco juízes da Câmara Constitucional da Suprema Corte. No domingo (3), o filho do presidente da República, Jair Bolsonaro, publicou no Twitter que “o Congresso destituiu todos os ministros da Suprema Corte por interferirem no Executivo, tudo constitucional”. “Juízes julgam casos, se quiserem ditar políticas que saíam às ruas para se elegerem”, acrescentou.

DECLARAÇÃO GRAVÍSSIMA – Para a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS), a declaração de Eduardo é “gravíssima”. Em sua avaliação, o deputado “segue demonstrando seu autoritarismo e a ideologia que toda a família do presidente segue”.

“Não é a primeira vez que ele realiza declarações com esse tom. Não aceitaremos ameaças às liberdades democráticas”, afirma Fernanda.

De acordo com a petição, a declaração de Eduardo Bolsonaro estimula um atentado contra as instituições brasileiras e o desrespeito ao princípio da moralidade e da prevalência do respeito aos direitos humanos nas relações internacionais do País, assegurados pela Constituição Federal.

Os deputados do PSOL também solicitam que o Supremo Tribunal Federal encaminhe o pedido ao Procurador Geral da República, Augusto Aras, para que Eduardo Bolsonaro seja denunciado pela prática de crimes comuns ocorridos com a declaração de improbidade administrativa, além da imediata tomada de depoimento do deputado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Realmente, o filho Zero Três não conhece limites. Mas a decisão do PSOL é tudo jogo de cena, porque todos sabem que Eduardo Bolsonaro tem proteção constitucional para se manifestar livremente. Nele a tal Lei de Segurança Nacional não pega. (C.N.)

Combate à pandemia é jogo de sete erros, já com 400 mil mortos e um vício de origem

Jair Bolsonaro não entende o papel do líder numa democracia

João Gabriel de Lima
Estadão

No dia seguinte à instalação da CPI da Covid, milícias digitais atacaram senadores de oposição. A artilharia envolveu desde a disseminação de fake news até ameaças veladas aos parlamentares, com frases como “Você gosta da sua família?” O assunto foi tema de reportagem do Estadão e mereceu manchete na edição impressa da quinta-feira 29.

A operação criminosa, segundo suspeitam os senadores, foi deflagrada por três assessores da Presidência da República. Os parlamentares enxergaram no processo a digital do “gabinete do ódio”, grupo influenciado pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente.

REPRESENTANTES LEGÍTIMOS – Pode-se gostar ou não dos senadores, mas eles não estão no Parlamento por concurso público. Somados, constituem um espelho do povo brasileiro, pois foram escolhidos em eleição livre. Nas democracias, é normal que os cidadãos elejam os governantes e os oposicionistas que irão fiscalizá-los.

É igualmente normal que adversários políticos subam o tom de vez em quando. Não é normal – nem democrático – que se tratem como inimigos, passíveis de extermínio por milícias digitais.

As elites eleitas, de situação ou oposição, são moderadoras das preferências populares”, diz o cientista político Jorge Fernandes, da Universidade de Lisboa. Tal moderação se dá entre entes que dialogam. Nas democracias modernas, os líderes são, antes de tudo, negociadores. Sabem que, mesmo escolhidos pela maioria, beneficiam-se da conversa constante com as vozes minoritárias, à direita e à esquerda, de uma sociedade plural.

A VALIDADE DA CPI – Uma CPI é um instrumento legítimo numa democracia. A atual pode prestar um serviço inestimável se trouxer à tona informações concretas e úteis. Um editorial publicado no Estadão na segunda-feira 26 deu uma contribuição importante nesse sentido. O texto junta três estudos científicos sobre a gestão da pandemia no Brasil. Deles se depreendem pelo menos sete erros crassos no combate à covid-19.

UM: faltou uma coordenação nacional efetiva para lidar com a pandemia, algo fundamental num país tão desigual. DOIS: a baixa testagem comprometeu o planejamento. TRÊS: houve atraso no fechamento de fronteiras. QUATRO: o excesso de serviços designados como “essenciais” prejudicou políticas de isolamento. CINCO: houve intervenção indevida em protocolos de tratamento – leia-se cloroquina. SEIS: foram demitidos quadros técnicos importantes do Ministério da Saúde. SETE: os fundos de emergência não foram utilizados na íntegra. Eles poderiam ser empregados, por exemplo, na compra de vacinas.

UM VÍCIO DE ORIGEM – Todos esses erros decorrem, em maior ou menor grau, do já citado vício de origem do governo federal: a incompreensão do papel do líder numa democracia moderna. Faltou negociar com os governadores políticas conjuntas. Faltou envolver instâncias internacionais – como a Organização Mundial da Saúde – num intercâmbio iluminador. Faltou ouvir uma parte importante da sociedade civil – a comunidade científica – sobre boas práticas no combate a pandemias.

O Brasil é referência internacional em campanhas de vacinação e tem um sistema de saúde abrangente. Tínhamos tudo para ser um caso de sucesso no combate à covid-19. Em vez disso, lamentamos uma tragédia de 400 mil mortos. Que os representantes escolhidos pelo povo, na CPI, entendam as razões do fracasso e proponham uma correção de rumo. De preferência, sem serem importunados por jagunços digitais.

Lula está em Brasília para cumprir agenda de quatro dias de encontros com políticos

Lula será julgado em Brasília, onde foi absolvido duas vezes

Objetivo maior de Lula é se aproximar dos partidos de centro

Sarah Teófilo e Israel Medeiros

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Brasília nesta segunda-feira (3/5) para uma semana cheia de compromissos com políticos de diversas legendas. Esta é a primeira viagem política de Lula após o Supremo Tribunal Federal (STF) confirmar, em plenário, a anulação de quatro sentenças contra o petista no âmbito da Lava-Jato — do triplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e duas ações relacionadas ao Instituto Lula.

Após a decisão, o ex-presidente voltou a ser elegível e é um dos nomes cogitados para a disputa do pleito no ano que vem.

EM BUSCA DO CENTRO – A agenda do ex-presidente não foi divulgada pela assessoria do petista, e integrantes do PT no Congresso pouco falam sobre o assunto. A reportagem apurou que Lula não deve se reunir com aliados. Ele está buscando conversas com legendas de centro, e vai aproveitar o tempo para se reunir com parlamentares dessa ala, de olho nas eleições de 2022.

Os nomes que participarão de reuniões não foram divulgados oficialmente, mas constava no plano original um encontro com o relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, senador Renan Calheiros (MDB-AL), opositor ao presidente da República, Jair Bolsonaro.

Porém, temendo a repercussão negativa, Calheiros teria recusado o convite. Também não há previsão de encontros com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), crítico de Bolsonaro.

COM EMBAIXADORES – Em entrevista à CNN Brasil no início da tarde desta segunda-feira, o senador Humberto Costa (PT-PE) revelou que Lula deve se encontrar com embaixadores para falar sobre vacinas.

“Pelo que sei, ele terá muitos encontros políticos com senadores, com deputados. Deverá conversar também com ex-presidentes, vai conversar também com embaixadores, numa ação no sentido de tentar ajudar no enfrentamento dessa pandemia, particularmente no tema das vacinas”, disse.

A assessoria de Lula, no entanto, diz que nenhum ex-presidente está na lista de encontros para os próximos dias.

SEM ENCONTRAR RENAN – Sobre o encontro com Renan Calheiros, o senador Humberto Costa afirmou que não há, até onde sabe, previsão de conversas para falar sobre a CPI da Covid.

“Primeiro porque não cabe ao presidente (Lula) fazer isso. Até mesmo essa informação relativa ao senador Renan é verdadeira. O próprio presidente também considerou que não ficaria bem, poderia gerar muita especulação se houvesse um encontro neste momento com o senador Renan, de modo que esse encontro será adiado para um outro momento”, pontuou.

Ele comentou, ainda, que o PT está satisfeito com a estratégia de ação na CPI até o momento. “A nossa bancada, pelo que eu tenho sentido até agora — tenho sido chamado para reuniões partidárias, participei de mais de um encontro com o próprio presidente Lula —, me parece que o partido está satisfeito com nossa estratégia de ação, com o que nós vamos fazer. Vamos ver se na prática vamos corresponder essa expectativa”.

Fora do RegImento! Em dois anos, militares da ativa já postaram 3,4 mil tuítes políticos

Em dois anos, militares da ativa postaram 3,4 mil tuítes políticos

Manifestações políticas são proibidas aos militares da ativa

Marcelo Godoy
Estadão

Pesquisa feita em contas de 115 militares da ativa ligados ao ex-comandante do Exército general Eduardo Villas Bôas localizou 3.427 tuítes de caráter político-partidário, entre abril de 2018 e abril de 2020. Eles estavam nas contas mantidas na rede social por 82 integrantes das Forças Armadas, entre os quais 22 oficiais-generais – 19 generais, dois almirantes e dois brigadeiros.

São casos como o do coronel Ricardo. Era 7 de outubro de 2018, dia do primeiro turno da eleição presidencial, quando a conta do militar no Twitter fez propaganda do então candidato Jair Bolsonaro: “É dia de mudar o Brasil. Vote consciente. Brasil acima de tudo! Deus acima de tudo!” Outro oficial – um tenente-coronel de Cavalaria – escreveu: #MitoPrimeiroTurno.

CONTRA E A FAVOR – A maioria dos tuítes é de apoio ao governo, mas há exceções. Um general disse sobre o caso das “rachadinhas”, no gabinete de Flávio Bolsonaro quando o hoje senador pelo Republicanos era deputado estadual no Rio: “Ventos novos exigem posturas novas”.

Um dia depois da saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça, um coronel escreveu: “A minha melhor continência a esse patriota!” E repetiu a frase do ex-juiz da Lava Jato: “Faça a coisa certa, sempre”.

Um general chegou a mudar o nome de seu perfil, adotando outra identidade na rede, após a demissão de Moro, e passou a tuitar contra Bolsonaro, criticando-o pela atuação no combate à pandemia de covid-19.

ATIVISMO MILITAR – Para o cientista político Eliezer Rizzo de Oliveira, as publicações dos militares demonstram a existência de um “ativismo militar”. As manifestações político-partidárias de integrantes da ativa são proibidas pelo Estatuto dos Militares e pelos regimentos disciplinares e portarias das três Forças Armadas.

 Na avaliação de Eliezer, é importante controlar esse fenômeno, pois “a aplicação das normas republicanas confronta o partido fardado, ao passo que a impunidade reforça a autonomia militar”.

O Ministério da Defesa disse que Marinha, Exército e Aeronáutica têm “manuais e cartilhas que normatizam e orientam adequadamente a conduta e o uso de mídias sociais por parte dos militares”.

JÁ HOUVE PUNIÇÕES – O uso incorreto de redes já levou à punição de militares da ativa. O Exército cita casos de violação da segurança de unidades, mas não revelou o total de punidos.

A Força Aérea informou que registrou “17 procedimentos para apuração de suposta transgressão por ‘mau uso’ de redes sociais, dos quais dez praças foram punidos disciplinarmente” – seis deles em 2019 e quatro em 2020. Nenhum oficial foi punido.

Entre os que fizeram postagens políticas está o brigadeiro Carlos Baptista Júnior, com 80 publicações políticas, todas em apoio ao presidente e ao bolsonarismo antes de ser nomeado comandante da Aeronáutica.

OUTRAS PUNIÇÕES – A Marinha respondeu que, em 2019, foram determinadas 17 punições a militares pelo uso de redes. Em 2020, esse número subiu para 20 punições a 20 militares. Os dados foram obtidos pelo Estadão por meio de Lei de Acesso à Informação.

Para o Exército, atualmente o problema está sob controle. A reportagem apurou que uma dezena dos perfis de militares que publicavam manifestações políticas apagou os tuítes, fechou suas contas ou abandonou a rede social.

A questão foi disciplinada pela portaria de 2019 feita pelo ex-comandante da Força, general Edson Leal Pujol. Ela criou critérios para a manutenção de contas nas redes sociais pelos militares, proibindo sua vinculação delas com perfis institucionais, à exceção dos integrantes do Alto Comando.

AINDA EM DEBATE – O uso do Twitter por militares voltou a ser debatido após o novo comandante do Exército, general Paulo Sérgio de Oliveira, congelar sua conta para priorizar a comunicação institucional no YouTube.

Ele criara o perfil em abril de 2018, depois dos tuítes de Villas Bôas às vésperas do julgamento de Luiz Inácio Lula da Silva, então preso na Lava Jato. Além dele, outros 30 generais e coronéis abriram contas de abril de 2018 a abril de 2020, período abrangido pela pesquisa, publicada no livro Os Militares e a Crise Brasileira.

Entre os tuiteiros, um quinto dos posts políticos critica a oposição e a imprensa e 35% traz mensagens de apoio ao governo ou reproduz opiniões de bolsonaristas, como as deputadas Bia Kicis (PSL-DF) e Carla Zambelli (PSL-SP).

Governar sai caro para Bolsonaro, porque o Congresso explora as fraquezas do governo

Pode ser uma ilustração de texto que diz "VAMOS FAZER UMA CAMPANHA CONTRA A CORRUPÇÃO? QUE TAL SE A GENTE DESVIAR ALGUMAS VERBAS PÚBLICAS? NÃO TEMOS DINHEIRO! ME PARECE INTERESSANTE! DukE"

Charge do Duke (O Tempo)

Carlos Pereira
Estadão

O Brasil foi surpreendido com a notícia de que a Lei Orçamentária Anual, além de ter sido aprovada muito tardiamente, alocou o valor de R$ 49,3 bi em emendas dos parlamentares ao Orçamento. Políticas públicas provenientes dessas emendas são peça-chave para a sobrevivência eleitoral de parlamentares, pois, ao nutrir as suas redes locais de interesse nos municípios, elas aumentam as chances de reeleição dos legisladores.

Esse valor é substancialmente maior do que os alocados em anos anteriores. Na realidade, tanto a demanda dos parlamentares por emendas, como seu gasto efetivo durante o governo Bolsonaro quase triplicaram: de R$ 19,2 bi para R$ 46,3 bi (LOA) em 2019 e de R$ 5,7 bi para R$ 16,1 bi (pagas) em 2020, respectivamente.

DEMANDA VULTOSA – Para abrir espaço a essa demanda vultosa de emendas, os parlamentares subestimaram alguns dos gastos obrigatórios do governo. Diante dos riscos de que essa escolha abrisse flancos jurídicos com a Lei de Responsabilidade Fiscal e com o teto de gastos, o governo foi obrigado a vetá-las parcialmente para o montante de R$ 35,5 bi.

Mas por que o governo Bolsonaro tem sofrido esse expressivo aumento nos custos de governabilidade? Bem, os custos de governabilidade são inflacionados quando o presidente está politicamente vulnerável com a sociedade e/ou quando gerencia mal a sua coalizão.

Além de pagar mais caro, o presidente também corre riscos de perder poderes outrora delegados pelos próprios legisladores.

EXEMPLOS: FHC E DILMA – No governo FHC, por exemplo, a perda em 2001 da prerrogativa de reeditar indefinidamente medidas provisórias decorreu da quebra da sua coalizão, com saída do PFL, e da queda de sua popularidade.

Em 2015, Dilma perdeu o direito de executar de forma discricionária as emendas individuais ao Orçamento, após ver sua popularidade despencar e enfrentar vários problemas na sua coalizão.

Temer também foi compelido a executar de forma impositiva emendas dos parlamentares para barrar as denúncias de corrupção da PGR.

“CHEQUE EM BRANCO” – Já Bolsonaro viu o Congresso promulgar o Orçamento impositivo também para as emendas coletivas das bancadas estaduais ao Orçamento quando perdeu suporte entre os eleitores sem ter uma coalizão majoritária.

Os parlamentares perceberam que as emendas impositivas não mais exigiriam apoio ao governo para que fossem executadas.

Com isso, o governo tem precisado encontrar outras moedas de troca, como é o caso das “transferências especiais”, conhecidas como emendas “cheque em branco”, pois não requerem informação sobre a destinação de recursos nem prestação de contas aos órgãos federais de controle.

Lewandowski diz que gestor pode responder por improbidade se atrasar segunda dose da vacina

Lewandowski diz que os prefeitos podem ser processados

Paulo Roberto Netto
Estadão

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, defendeu nesta segunda, 3, que gestores públicos podem responder a ações de improbidade caso atrasem na aplicação da segunda dose das vacinas contra a covid. A manifestação consta em decisão proferida para suspender decisão do Tribunal de Justiça do Rio que validou decreto estadual que alterava a ordem de prioridades do imunizante.

Para Lewandowski, os governadores podem promover alterações e adequações ao Plano Nacional de Vacinação para se adaptarem às suas realidades locais, mas devem garantir que a medida não prejudique a garantia da aplicação da segunda dose a quem já recebeu a primeira.

RESPEITO AO PRAZO – “Isso sem prejuízo do escrupuloso respeito ao prazo estabelecido pelos fabricantes das vacinas – e aprovado pela Anvisa – para a aplicação da segunda dose do imunizante naquelas pessoas que já receberam a primeira, sob pena de frustrar-se a legítima confiança daqueles que aguardam a complementação da imunização, em sua maioria idosos e portadores de comorbidades, como também de ficar caracterizada, em tese, a improbidade administrativa dos gestores da saúde pública local, caso sejam desperdiçados os recursos materiais e humanos já investidos na campanha de vacinação inicial”, defendeu Lewandowski.

A decisão foi proferida em ação movida pela Defensoria Pública fluminense, que questionaram decreto do governo do Rio que ampliou o escopo de prioridades na vacinação em todo o Estado.

Editado em março, o dispositivo incluiu a todas as forças de segurança como prioritárias para a vacinação enquanto nota técnica do Ministério da Saúde recomendava a aplicação somente a servidores que atuam diretamente na linha de frente da pandemia com o transporte de pacientes ou em ações de vigilância de medidas de distanciamento social.

MAIS PRIORITÁRIOS – A Defensoria apontou que a medida ampliou, sem critério técnico, o escopo de pessoas que poderiam receber a primeira dose da vacina, que já seria aplicada em paralelo ao grupo de idosos. O órgão também apontou o risco da medida prejudicar a vacinação do grupo de pessoas com comorbidades.

A liminar de Lewandowski suspende a decisão do Tribunal de Justiça que validou o decreto até o plenário discutir o caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Lewandowski agiu certo. O que está ocorrendo é uma sucessão de atos eivados de altíssima irresponsabilidade social. A militarização da Saúde não deu certo, mesmo. (C.N.)