Ainda neste mês, o Brasil pode enfim chegar a 100 milhões de doses aplicadas

É preciso aplicar mais vacinas também no fim de semana

José Carlos Werneck

Para se chegar a esse significativo número, basta manter a média dos últimos cinco dias, que deve subir com o início da aplicação das segundas doses da Fiocruz. O Brasil aplicou pouco mais de 78 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 desde o início da campanha nacional de imunização e pode superar a marca de 100 milhões de doses até o final deste mês. 

Para isso se concretize, não é necessária grande aceleração no Plano Nacional de Imunização (PNI), bastando apenas manter a média de doses aplicadas nos últimos cinco dias.

NA MÉDIA – Desde segunda-feira, foram aplicadas, em média, 1,1 milhão de doses por dia. Até o dia 30, se chegaria a pouco mais de 21 milhões de doses necessárias.

O grande desafio é elevar o número de doses aplicadas nos finais de semana, que puxam a média geral para baixo, atualmente em 850 mil. A expectativa em torno dessa importante meta ganhou força com as novas entregas, que fizeram o total de vacinas disponibilizadas chegar a 109,2 milhões.

O primeiro lote de vacinas da Fiocruz foi entregue em 17 de março e, três meses depois, as segundas doses começam a ser aplicadas esta semana.

USO DA MÁSCARA – É importantíssimo também lembrar que o uso da máscara, o distanciamento social e todas as medidas de higiene continuam igualmente necessárias para se evitar a proliferação do Coronavírus, que continua
matando muitas pessoas por todo o País!

Bolsonaro oferece uma embaixada para ministro do TCU antecipar aposentadoria

O ministro do TCU, Raimundo Carreiro

Raimundo Carreiro pode virar embaixador em Portugal

Lauriberto Pompeu
Estadão

A crise que envolveu o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Palácio do Planalto no episódio do relatório paralelo sobre mortes por covid ressuscitou a pressão do presidente Jair Bolsonaro para mudar a composição da Corte. A intenção de Bolsonaro é antecipar em dois anos a aposentadoria de Raimundo Carreiro e influenciar na escolha de um nome mais alinhado ao governo.

Carreiro é apadrinhado pelo ex-presidente José Sarney e pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI da Covid.

UMA EMBAIXADA –
Ao ministro foi oferecida uma vaga de embaixador em Portugal como contrapartida para deixar o TCU antes da aposentadoria compulsória, aos 75 anos, que ele só completará em 2023. O atual embaixador do Brasil em Portugal é Carlos Alberto Simas Magalhães, que está no posto desde o fim de 2019. Há, porém, resistências para que essa operação seja concretizada.

Relator no TCU do processo que trata da aquisição de tecnologia 5G, Carreiro está desde o dia 6 nos Estados Unidos. A comitiva também conta com a participação de Walton Alencar, também ministro do tribunal e integrante de um grupo de trabalho sobre 5G, além dos senadores Flávio Bolsonaro  (Patriota-RJ), Ciro Nogueira  (Progressistas-PI) e do ministro das Comunicações, Fábio Faria.


INDICAÇÃO DO SENADO
– Cabe ao Senado indicar o substituto de Carreiro. Hoje, o nome mais forte para a vaga é o de Antonio Anastasia (PSD-MG). O presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), é quem conduz as negociações para emplacar Anastasia no TCU, embora negue fazer parte das articulações. 

Embora seja visto como independente, Anastasia é muito próximo ao deputado Aécio Neves (PSDB-MG), que rejeita o rótulo de governista, mas tem atuado como aliado do Palácio do Planalto em várias ocasiões. Nesta quinta, 10, por exemplo, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara, presidida por Aécio, aprovou acordo de cooperação tecnológica entre os governos brasileiro e israelense. A ação foi elogiada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) no Twitter. 

Anastasia entrou na política pelas mãos de Aécio, quando foi vice do tucano no governo de Minas, de 2007 a 2010. Após esse período, ele se elegeu governador e senador. 

TEM TRÊS VOTOS  – Atualmente, dos nove ministros do TCU, Bolsonaro só indicou um até agora: Jorge Oliveira, ex-titular da Secretaria Geral da Presidência. Além dele, os outros dois nomes simpáticos ao governo são Walton Alencar e Augusto Nardes. 

Na tentativa de blindar o governo, Bolsonaro já fez várias mudanças na chefia de instituições e até de empresas estratégicas.

Foi assim que avalizou a troca de comando na Polícia Federal, na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e na Petrobrás. O presidente também considera o procurador-geral da República, Augusto Aras, como um aliado importante. 

Alexandre Garcia lidera faturamento com “fake news”, informa Google à CPI

Natália Portinari
O Globo

Dados sigilosos enviados pelo Google à CPI da Covid mostram que canais no YouTube, entre eles de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, ganharam dinheiro disseminando notícias falsas sobre a pandemia antes que seus vídeos fossem apagados da rede social. A pedido da comissão, a empresa de tecnologia forneceu uma lista de 385 vídeos removidos pelo Youtube ou deletados pelos próprios usuários após serem identificados como disseminadores de desinformação sobre formas de tratamento para a Covid-19 ou a pandemia. A listagem foi acompanhada de quanto cada publicação rendeu aos donos dos canais até saírem do ar.

O jornalista Alexandre Garcia encabeça a relação, tendo tido 126 tirados doar por ele próprio ou pela plataforma que haviam rendido quase R$ 70 mil em remuneração pela audiência e publicidade.

OUTROS FATURADORES – Gustavo Gayer (R$ 40 mil), Notícias Política BR (R$ 20,7 mil), Brasil Notícias (R$ 17,7 mil), completam as primeiras colocações. Ao todo, os usuários ganharam US$ 45 mil, o equivalente a R$ 230 mil.

Desde o início da pandemia, responsáveis por canais que tiveram conteúdo removido pela plataforma refutam ter publicado desinformação de forma deliberada. Em alguns caos, afirmam ser vitima de censura pelas empresas de tecnologia.

O Google forneceu dados sobre 385 vídeos de 34 canais identificados como disseminadores de notícias falsas no Brasil. Destes, 90 publicações não geraram renda aos administradores.

TIRADOS DO AR – A empresa frisou, em sua resposta à CPI, que os vídeos em questão se encontram fora do ar, alguns deles por desrespeitarem os termos de uso da plataforma.

Grande parte é de vídeos com propagandas de drogas comprovadamente ineficazes contra o coronavírus, como a ivermectina e a cloroquina, denunciando um suposto complô contra o uso desses medicamentos da parte de opositores de Jair Bolsonaro.

MENTIRAS VARIADAS – O canal Aconteceu na Política alegou sem provas, por exemplo, que “governadores estão estocando vacinas e 6 milhões sumiram” e disseminou mentiras sobre a CoronaVac (“A Vacina de Taubaté de Doria — Bolsonaro sai na frente mais uma vez”).

Em um vídeo do Aconteceu na Política, o youtuber afirma que o Brasil havia superado a porcentagem de população vacinada da Europa, o que nunca ocorreu. Um vídeo com título idêntico do canal de Gustavo Gayer continua no ar. Gayer teve 56 publicações deletadas ou removidas.

“Pazuello detona Mandetta e diz que muita gente poderia ter sido salva com tratamento precoce!”, diz o título de um dos 25 vídeos deletados do canal Brasil de Olho.

NOTÍCIAS FALSAS – O mesmo canal Brasil de Olho publicou os vídeos “Pesquisa surpreende ao mostrar quantos brasileiros tomariam hidroxicloroquina” e “Reunião secreta de Doria é vazada e prova uso político da vacina e revela plano para tirar Bolsonaro”, entre outros.

Em um vídeo do canal Casando o Verbo, havia a alegação de que os registros de 62 mil pessoas que morreram de AVC foram falseados para incluir Covid-19 como causa da morte, sem base em provas. O título fazia referência à morte do ator Tom Veiga, intérprete do Louro José, que morreu após um AVC.

Os youtubers apelavam a títulos cifrados para impedir que o Google encontrasse o conteúdo, como o uso da palavra “V4C1NA” e “tratamento inicial” em vez de “tratamento precoce”, nome mais comum para se referir ao “kit Covid”, de medicamentos ineficazes contra o coronavírus, defendido em 2020 pelo governo Jair Bolsonaro.

DIRETO DO PLANALTO – O levantamento contém três vídeos do Foco do Brasil, canal investigado no inquérito dos atos antidemocráticos, aberto pelo STF, pela ligação com o Palácio do Planalto. O assessor do chamado “gabinete do ódio” Tercio Arnaud Tomaz repassou vídeos ao canal e ajudou seu administrador a retransmitir imagens da TV Brasil.

Em depoimento em julho do ano passado, o dono do Foco do Brasil, Anderson Rossi, disse à Polícia Federal ter um faturamento mensal de R$ 50 mil a R$ 140 mil. Nos vídeos citados sobre Covid, porém, a monetização foi baixa, de apenas R$ 368.

GRAVES CONSEQUÊNCIAS  – Os dados foram enviados à CPI a pedido do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), com base em um levantamento da Novelo Data sobre vídeos que “desapareceram” da rede social em 2021.

“A propagação de fake news a respeito da pandemia tem sido uma ação orquestrada e com consequências diretas no agravamento do número de mortes pela covid-19”, frisa o senador em seu pedido.

No mundo todo, o Google removeu mais de um milhão de vídeos desde fevereiro do ano passado por disseminarem desinformação sobre a pandemia.

‘Motociata’ de Bolsonaro ganha apoio evangélico e reúne milhares em meio à pandemia

Apoiadores de Bolsonaro antes de 'motociata' em São Paulo

Desde cedo já havia grande número de motociclistas

Renata Galf e Victoria Azevedo
Folha

Centenas de motociclistas e apoiadores a pé se aglomeraram na manhã deste sábado (12), na avenida Braz Leme, em Santana, zona norte de São Paulo, parar participar da chamada “motociata” com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Um “pedágio solidário” foi montado para receber doações de alimentos que serão distribuídos em comunidades em São Paulo. Duas fileiras com voluntários, em sua maioria de máscara, recepcionavam os motociclistas que seguiam rumo a praça Campo de Bagatelle e distribuíam bandeiras do Brasil e adesivos.

SEM MÁSCARAS
–  A maioria dos motociclistas não usava máscara de proteção contra a Covid-19 e tinha bandeiras do Brasil amarradas no corpo. O fluxo aumentou a partir das 8h30. A manifestação, intitulada “Acelera para Cristo”, está prevista para começar às 10h.

Na reunião com a PM, foram estabelecidas algumas regras: as motos deverão estar todas emplacadas e não poderão trafegar a mais de 40 km/h. Será proibido empinar o veículo, e todos deverão usar capacete e máscaras.

Em nota nesta sexta-feira, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que haverá um efetivo de mais 6.300 policiais a postos. O policiamento será reforçado em toda a capital, na região metropolitana e na rodovia dos Bandeirantes. Também os pontos de concentração e dispersão do ato terão patrulhamento ampliado.

OPERAÇÃO DE GUERRA –
Para tanto, a polícia diz que contará com diferentes batalhões, com cerca de 2.100 viaturas, cinco aeronaves e dez drones. A operação também contará com apoio de CET, Guarda Civil Metropolitana e AutoBAn.

O evento vinha sendo pensado há cerca de um mês com proporções bem mais modestas, organizado por um grupo de comerciantes, com Vilar à frente, e de igrejas evangélicas do estado.

Mas o ato cresceu muito desde que Bolsonaro confirmou participação, o que inclusive começou a incomodar alguns representantes de associações de motociclistas, que dizem que o evento foi “sequestrado” por líderes religiosos sem relação com o universo motoqueiro.

VIROU ATO EVANGÉLICO – Em parte, a ideia é compensar o cancelamento presencial do maior evento evangélico do país, a Marcha Para Jesus, por causa da pandemia. A marcha costuma ocorrer no mês de junho. E o presidente tem no meio evangélico uma base de seguidores fiel.

Mais recentemente, Bolsonaro passou a receber também o apoio de muitos motociclistas, que se organizam no Brasil em diversos clubes de aficionados pelas duas rodas. Grande parte deles associa o presidente, que é motociclista amador, à defesa da liberdade.

Bolsonaro também promoveu a redução do valor do seguro obrigatório e acenou com a isenção de pedágio em estradas federais para os motociclistas.

CPI da Covid encomenda estudo de juristas para identificar os crimes de Bolsonaro na pandemia

Bate-boca na CPI da covid-19

Charge do J. Bosco (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde e Julia Affonso
Estadão

CPI da Covid aprovou requerimento para que juristas e pesquisadores de universidades apresentem um estudo sobre os crimes que podem ser imputados ao presidente Jair Bolsonaro por ações e omissões no combate à pandemia da covid-19. O objetivo é ter uma avaliação aprofundada de especialistas sobre as penas que podem ser atribuídas a Bolsonaro e outras autoridades consideradas responsáveis pelo agravamento da crise sanitária.
O pedido aos especialistas foi aprovado na sessão de quinta-feira, 11, em meio às diversas quebras de sigilo de aliados do presidente.

AÇÕES E OMISSÕES
– A ideia é que o núcleo de juristas avalie, por exemplo, em quais crimes podem ser enquadrados atos como desinformação e escolhas administrativas deliberadamente equivocadas.
Apresentado pelo senador  Alessandro Vieira (sem partido-SE), o requerimento afirma que o grupo será liderado pelo professor adjunto de Direito Penal Salo de Carvalho, da Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Precisamos de uma avaliação jurídica mais aprofundada sobre o enquadramento típico da conduta do presidente da República”, afirmou Vieira, que é delegado de polícia. “Até tenho minha opinião sobre os tipos legais que se aplicam, mas é oportuno buscar um respaldo maior.”

PEDIDOS DE INVESTIGAÇÃO – Como mostrou o Estadão em março, os pedidos para a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigar presidentes bateram recorde na gestão de Bolsonaro. De cada três pedidos de investigação, dois foram apresentados depois do início da pandemia.

Parlamentares de partidos de oposição, como PSOL e PT, assinam algumas destas representações em que cobram a atuação do procurador-geral da República, Augusto Aras.

Nelas, acusam o chefe do Executivo de infrações a medidas sanitárias por não usar máscara, crime de responsabilidade e até genocídio. Nenhum dos pedidos, porém, avançou até agora.

QUEBRA DE SIGILO – A CPI já aprovou a quebra do sigilo telefônico e telemático de pessoas ligadas a Bolsonaro e integrantes do chamado “gabinete paralelo”. O grupo assessorou o presidente, incentivando o discurso contrário à vacina e defendendo o tratamento precoce com medicamentos sem eficácia comprovada para combater o coronavírus, como a cloroquina.

“Fiz uma reunião aqui do (grupo) ‘Médicos pela Vida’. Entre eles, a Nise Yamaguchi (…). Conversei com Arthur Weintraub. A CPI mostra aquilo como gabinete paralelo. É como falam em gabinete do ódio”, criticou Bolsonaro, na noite desta quinta-feira, 10, em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

A lista dos que terão seus dados abertos inclui os ex-ministros Eduardo Pazuello (Saúde), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e o assessor especial da Presidência, Filipe Martins.

VENDAS DE CLOROQUINA – Além disso, a CPI pediu acesso a informações de empresas que receberam recursos públicos e tiveram aumento nas vendas de cloroquina.

As medidas foram aprovadas no mesmo dia em que estava previsto o depoimento do governador do Amazonas, Wilson Lima. Ele não foi à CPI após decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), que o livrou de prestar depoimento. A determinação abre caminho para que o mesmo ocorra com os outros oito governadores convocados, deixando o foco de desgaste para Bolsonaro.

Objetivo do Supremo é governar o país sem ter a necessidade de participar das eleições

Charge do Duke (domtotal.com)

J.R. Guzzo
Gazeta do Povo 

O Supremo Tribunal Federal, quando se deixa de lado os não-me-toques usados para “proteger as instituições”, e se fala em português claro, funciona cada vez mais abertamente como o principal protetor do crime no Brasil — e tem cada vez menos interesse em disfarçar o que está fazendo.

O ministro Fachin proibiu os voos de helicóptero da polícia sobre as favelas do Rio de Janeiro; o único direito que ficou garantido, no caso, foi o dos criminosos, que agora estão protegidos de ações policiais capazes de revelar suas posições no território que ocupam.

OUTRAS DECISÕES – O ministro Marco Aurélio soltou um dos maiores traficantes de droga do país; o homem fugiu no ato, e nunca mais foi encontrado.

O ministro Gilmar Mendes não pode ver um ladrão do erário sem sacar do bolso um alvará de soltura.

Agora é a vez da ministra Rosa Weber, que deu ao governador do Amazonas, um dos políticos brasileiros mais enrolados com suspeitas de corrupção no uso de verbas públicas no combate à covid, o privilégio de não ser interrogado nesse picadeiro de circo que “investiga” a pandemia no Brasil.

ARGUMENTO ESPANTOSO –  A ministra  Weber deu um argumento espantoso para a sua decisão: o governador, segundo ela, não pode sofrer “constrangimentos” na CPI da Covid. Por que não?

Só porque está metido na Operação Sangria, da Polícia Federal? Ou só porque precisa esconder as responsabilidades diretas do governo do Amazonas no sinistro colapso do fornecimento de oxigênio em Manaus, no começo do ano — que a “Resistência”, desde então, tenta desesperadamente jogar em cima do governo federal?

Todos os inimigos do presidente da CPI, do seu relator e da bancada da esquerda que controla os chamados “trabalhos” têm sido insultados em público, das formas mais grosseiras que se possa imaginar, pelos inquisidores.

DIREITOS HUMANOS – Ninguém, no STF ou em qualquer outra entidade de oposição ao governo, se lembrou até agora de mexer uma palha em favor dos seus direitos.

Por acaso eles não estão sendo constrangidos da maneira mais agressiva, cínica e desleal em seus interrogatórios? Por que o governador do Amazonas não pode ser constrangido, mas a dra. Mayra Pinheiro pode?

Há desculpas vagas de que ouvir o governador na CPI poderia ferir a “independência de poderes”. Como assim, se o próprio STF não faz outra coisa senão violar diretamente os direitos dos outros dois poderes?

DEPUTADO PRESO – Os ministros conseguiram prender um deputado federal em pleno exercício do seu mandato. A cada instante dão “três dias”, ou “cinco dias”, para o presidente da República e os seus ministros fazerem isso e aquilo.

Atendem a qualquer exigência que os partidos de esquerda lhes apresentam, por mais fútil que seja, para atacar o governo. “Interferência?” Que conversa é essa?

Alega-se, também, que o governador do Amazonas — o Estado brasileiro onde o Covidão roubou mais que em qualquer outro — está sendo investigado pela polícia, e se fosse ouvido na CPI poderia incriminar a si mesmo.

BAIXA QUALIDADE – É chicana jurídica de baixa qualidade. Um administrador minimamente honesto não teria problema nenhum em responder a qualquer pergunta, na CPI ou onde for. Se não fez nada de errado, por que está se escondendo?

Quanto à possibilidade de “incriminação”, estamos diante de uma piada vulgar. Não é exatamente esse o propósito declarado dos donos da CPI — incriminar os adversários?

Desde o seu primeiro dia, essa CPI tem sido um espetáculo inédito, mesmo para os padrões de safadeza da vida política brasileira, em matéria de hipocrisia, de desrespeito ao público e de desonestidade em estado bruto.

PIORES DENÚNCIAS – Como definir esta aglomeração, quando o presidente da CPI é um político desse mesmíssimo Amazonas, envolvido nas piores denúncias de roubalheira na área da saúde?

Sua própria mulher foi presa, pelo mesmo motivo; seus três irmãos também foram presos, também por ladroagem e também na saúde. Dizer mais o quê?

É óbvio que o STF está agindo e vai agir como aliado vital dessa gente. Faz todo o sentido que seja assim. Sua missão, seu objetivo e seus interesses são os mesmos — governar o país sem a necessidade de ganhar eleições

Vão fazer qualquer coisa para continuar assim.

(artigo enviado por Celso Serra)

Bolsonaro acredita que a quebra de sigilos pela CPI da Covid pode “ferrar” o governo 

Jair-Bolsonaro

Jair Bolsonaro enfrenta um problema atrás do outro

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Duas pessoas que conversaram com o presidente Jair Bolsonaro afirmam, de forma categórica, que ele está com muito medo da quebra de sigilos pela CPI da Covid. No entender de Bolsonaro, isso pode “ferrar” o governo.

Há suspeitas entre os senadores de que integrantes do Palácio do Planalto receberam propina de laboratórios fabricantes de cloroquina.

ESTRATÉGIAS – Não por acaso, o presidente está tentando criar um fato atrás do outro para confundir a população. A fala sobre o possibilidade de o governo derrubar a obrigatoriedade do uso de máscaras por quem já foi vacinado ou teve covid-19 está dentro dessas estratégias.

Assessores do presidente já estão correndo para averiguar até que ponto a quebra de sigilos pela CPI pode atingir em cheio o Planalto. Estão na lista das pessoas que tiveram aprovada a quebra de sigilos telefônico e telemático o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, o assessor internacional da Presidência da República, Filipe Martins, e o empresário Carlos Wizard.

QUEIROGA NA MIRA – Nos bastidores do governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, costuma se referir ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, como uma mistura de Eduardo Pazuello com Luiz Henrique Mandetta, ex-chefes da pasta.

Para Guedes, Queiroga reúne a subserviência de Pazuello ao presidente Jair Bolsonaro e a exposição midiática de Mandetta. 

Ou seja, nas entranhas do governo, Queiroga faz o que Bolsonaro quer, sem questioná-lo, mesmo que não concorde com as determinações, mas, quando está de frente para as câmaras defende o que a ciência prega e fica bem na foto.

NA FRITURA – Porém, mesmo com esse jogo de cintura do ministro, quem sabe das coisas de dentro do governo diz que, apesar do seu lado Pazuello, Queiroga já não agrada mais Bolsonaro. O presidente vê nele mais o lado Mandetta, por ter bom trânsito com a mídia.

Bolsonaro, como se sabe, é invejoso demais. Portanto, começou a contagem regressiva para ver até quanto tempo Queiroga fica no cargo.

Como ocorre no Brasil, os super-ricos dos EUA não pagam quase nada de imposto de renda

Jeff Bezos, Warren Buffet e Elon Musk

Site vasculhou as declarações de Bezos, Buffet e Musk

Deu na BBC

Detalhes que alegam revelar quão pouco imposto de renda pagam os bilionários americanos vazaram para um site de notícias. O site ProPublica afirma ter visto as declarações de impostos de algumas das pessoas mais ricas do mundo, incluindo Jeff Bezos, Elon Musk e Warren Buffett.

Alega que Bezos, da Amazon, não pagou impostos em 2007 e 2011, enquanto Musk, da Tesla, não pagou nada em 2018. Uma porta-voz da Casa Branca chamou o vazamento de “ilegal”, e o FBI e as autoridades fiscais estão investigando.

TESOURO DE DADOS – O ProPublica disse que está analisando o que chama de “vasto tesouro de dados da Receita Federal” sobre os impostos dos bilionários e que divulgará mais detalhes nas próximas semanas.

Embora a BBC não tenha conseguido confirmar as alegações, o alegado vazamento ocorre em um momento de crescente debate sobre o valor dos impostos pagos pelos ricos e a crescente desigualdade. O ProPublica disse que os 25 americanos mais ricos pagam menos impostos – uma média de 15,8% da renda bruta ajustada – do que a maioria dos trabalhadores americanos tradicionais.

Jesse Eisinger, repórter sênior e editor da ProPublica, disse ao Programa Hoje: “Ficamos muito surpresos que você pudesse baixar [os impostos] a zero se fosse um multimilionário. Na verdade, pagar zero em impostos realmente nos deixava no chão. Pessoas ultrarricas podem contornar o sistema de uma forma totalmente legal.”

BRECHAS NO SISTEMA – “Os ricos têm uma capacidade enorme de encontrar deduções, encontrar créditos e explorar brechas no sistema”, disse ele. Portanto, embora o valor da riqueza cresça enormemente por meio da propriedade de ações de sua empresa, isso não é registrado como receita.

Porém, há mais do que isso, disse ele: “Eles também fazem deduções fiscais agressivas, muitas vezes porque pediram dinheiro emprestado para financiar seu estilo de vida.”

Ele disse que os bilionários americanos compram um ativo, constroem um ou herdam uma fortuna e, então, tomam emprestado contra sua riqueza. Assim, porque eles não realizam nenhum ganho ou vendem qualquer ação, eles não estão recebendo nenhuma receita, que possa ser tributada.

DEDUZEM TUDO – “Eles então pegam emprestado de um banco a uma taxa de juros relativamente baixa, vivem disso e podem usar as despesas com juros como dedução de suas receitas”, disse ele.

O site disse que “usando estratégias tributárias perfeitamente legais, muitos dos super-ricos são capazes de reduzir suas contas de impostos federais a nada ou quase a isso”, mesmo que sua riqueza tenha disparado nos últimos anos.

Os ricos, como acontece com muitos cidadãos comuns, podem reduzir suas contas de imposto de renda por meio de coisas como doações de caridade e retirando dinheiro da receita de investimentos em vez da receita de salários.

MENOS IMPOSTOS – O site ProPublica, usando dados coletados pela revista Forbes, disse que a riqueza dos 25 americanos mais ricos coletivamente aumentou US$ 401 bilhões de 2014 a 2018 – mas eles pagaram US$ 13,6 bilhões em imposto de renda ao longo desses anos.

O presidente Joe Biden prometeu aumentar os impostos sobre os americanos mais ricos para melhorar a igualdade e arrecadar dinheiro para seu enorme programa de investimento em infraestrutura.

Ele quer aumentar a alíquota máxima do imposto, dobrar o imposto sobre o que aqueles que ganham com altos investimentos e alterar o imposto sobre herança. No entanto, a análise da ProPublica concluiu: “Enquanto alguns americanos ricos, como administradores de fundos de hedge, pagariam mais impostos sob as atuais propostas do governo Biden, a grande maioria dos 25 principais veria pouca mudança.”

DIZ SOROS – Um dos bilionários mencionados, o filantropo George Soros, também teria pago impostos mínimos. Seu escritório não respondeu a um pedido de comentários da BBC, mas disse em um comunicado à ProPublica que Soros não devia impostos há alguns anos por causa de perdas em investimentos.

A declaração também apontou que ele há muito apóia impostos mais altos para as pessoas mais ricas da América.

De acordo com relatos nos Estados Unidos, Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York cujos detalhes fiscais estavam entre os documentos, disse que a divulgação levantava questões de privacidade e que ele usaria “meios legais” para descobrir a fonte do vazamento.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se lá na matriz USA é assim, apesar de sonegação dar cadeia, como nos casos do gangster Al Capone e do ator Wesley Snipes, imaginem como funciona a coisa aqui na filial Brazil, onde ministro do Supremo é apanhado em sonegação e dá ordens para a Receita esquecer o assunto… Ah, Brasil! (C.N.)

Centrão pressiona por saída de Eduardo Ramos e Bolsonaro avalia minirreforma ministerial

Julia Chaib e Bruno Boghossian
Folha
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) discute com aliados um novo pacote de mudanças em ministérios para atender a cobranças feitas por líderes do centrão no Congresso. Esses parlamentares pressionam por uma distribuição de cargos e pela saída do chefe da Casa Civil, o general da reserva Luiz Eduardo Ramos.
Os partidos que dão sustentação a Bolsonaro atribuem ao ministro dificuldades no atendimento de demandas políticas, em nomeações de interesse dos parlamentares e no andamento de ações do governo em suas bases eleitorais.

Já a pasta do Turismo é alvo de cobiça política graças à capacidade de realizar ações nos estados e municípios onde os parlamentares têm interesses eleitorais. O atual titular, Gilson Machado, foi uma escolha pessoal de Bolsonaro.

SENADO DESPREZADO – A pressão pelas trocas —em especial a da Casa Civil— parte de aliados do presidente na Câmara e no Senado, mas principalmente neste último, onde cobram mais influência na composição de um governo que não tem nenhum senador entre seus ministros. Já a Câmara tem cinco titulares na Esplanada dos Ministérios.

Articuladores políticos do governo dizem que Bolsonaro deve decidir nos próximos 30 dias se fará essas alterações e se incluirá a Casa Civil na minirreforma. Ponderam que o presidente pode resistir a trocar Ramos, uma vez que os dois têm uma relação próxima.

Os parlamentares do centrão levaram ao presidente queixas sobre o trânsito político do general na Câmara e no Senado. Reclamam também da lentidão de ações do governo sob supervisão do ministro.

PASTA INFLUENTE – A Casa Civil costuma ser uma das pastas mais influentes no desenho da Esplanada. O ministro que ocupa o posto é tradicionalmente o principal conselheiro do presidente, um interlocutor de peso com o Congresso e uma espécie de gerente dos programas implementados pelo governo federal.

Nos planos do centrão, Ramos poderia ser trocado por um político ou um nome avalizado pelos parlamentares. A ideia é que, assim, esse grupo de partidos tenha participação direta nas decisões tomadas no Palácio do Planalto.

Um dos argumentos dos políticos é que a mudança ajudaria a azeitar a máquina do governo para a disputa eleitoral de 2022. Além de acelerar obras e investimentos nos redutos dos parlamentares, a troca teria o objetivo de ampliar a divulgação dessas ações e implantar uma gestão “com foco em resultados”, nas palavras de um senador governista.

FALTA HABILIDADE – Para alguns parlamentares alinhados ao Planalto, a falta de habilidade política de Bolsonaro e seus principais auxiliares desgasta o governo e cria dificuldades para a corrida presidencial do ano que vem. Esse enfraquecimento tende a se refletir também nas campanhas dos deputados e senadores que escolheram se aliar ao presidente.

A discussão sobre a troca na Casa Civil é a mais delicada do pacote. Além da proximidade entre Bolsonaro e Ramos, os líderes argumentam que a pasta já passou por muitas mudanças. O general é o terceiro titular do posto —foi antecedido por Onyx Lorenzoni (hoje ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência) e por Walter Braga Netto (atual ministro da Defesa).

Mesmo assim, parlamentares insistem na substituição por considerar que, em nenhum dos três casos, Bolsonaro acertou na escolha.

TODOS CONTRA RAMOS – Segundo aliados do presidente no Congresso, Ramos se tornou “uma unanimidade” entre os líderes por não ser eficiente ao resolver as demandas dos parlamentares. Os congressistas alegam que, por não terem os pedidos atendidos, têm dificuldade de fazer articulações com suas bancadas para aprovar projetos de interesse do Planalto.

Com relação à troca de Salles, alvo de investigações da PF por suposta facilitação de contrabando de madeira, parlamentares dizem que Bolsonaro já deu sinais de que o substituiria.

O problema, lembram os aliados do governo, é que o presidente é imprevisível e já indicou outras vezes que trocaria o ministro e concretizou a mudança.

MEIO AMBIENTE – A saída de Salles é considerada relevante por possibilitar um sinal a investidores estrangeiros de que o Brasil está disposto a adotar uma nova postura na área ambiental, o que contribuiria para ampliar a entrada de recursos no país.

Bolsonaro, no entanto, já fez elogios públicos ao ministro em ocasiões recentes. Seriam, segundo os políticos, sinais de que ele guarda prestígio dentro do palácio.

“O ministro Ricardo Salles é um excepcional ministro, mas ele tem dificuldades junto a setores aparelhados do Ministério Público. Os xiitas ambientais. E as dificuldades são enormes. Não é apenas a Tereza Cristina [ministra da Agricultura] a responsável por ajudar o campo a produzir mais. É o Ricardo Salles também. É o governo federal também”, disse Bolsonaro em maio.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO mais interessante é que o general Ramos se acha o máximo. Com seu perfil mussolínico (parece irmão gêmeo), vive dando declarações em que elogia seu trabalho de articulador político. Na verdade, é um trapalhão, que inventou um orçamento paralelo capaz de configurar crime de responsabilidade e impeachment. Note-se que o  inverno se aproxima e o governo já está derretendo. Imaginem quando chegar o verão... (C.N.)

Bolsonaro entra em avião, é xingado e diz que quem o hostilizou devia andar de jegue

Bolsonaro tira fotos com apoiadores em avião e debocha de críticos no ES

Bolsonora foi fazer campanha no avião e quebrou a cara

Luiza Marcondes
G1 Política

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi vaiado e xingado ao entrar em um avião para cumprimentar passageiros nesta sexta-feira (11) no aeroporto de Vitória, no Espírito Santo. O presidente foi ao estado para uma cerimônia de entrega de casas populares.

Ao chegar ao aeroporto de Vitória, Bolsonaro entrou em um avião da Azul prestes a decolar para Campinas. Um vídeo gravado por uma passageira permite ouvir ao menos três pessoas aos gritos de “Fora, fora, fora Bolsonaro” e “genocida”.

SELFIES COM O MITO – Em outro vídeo, divulgado em uma rede social por Bolsonaro e também compartilhado pelo site bolsonarista “Foco do Brasil”, apoiadores do presidente tiram fotos com ele e o chamam de “mito”.

Ao ouvir os xingamentos do fundo do avião, Bolsonaro debochou dos passageiros que o criticavam: “Quem fala ‘fora, Bolsonaro’ devia estar viajando de jegue”.

A empresa Azul não se manifestou. A concessionária Zurich Airport, que administra o aeroporto, informou que “a visita do Presidente da República, bem como o trajeto da visita, é uma operação mantida em sigilo por questões de segurança”. 

Lula amplia sua vantagem sobre Bolsonaro, que perderia também para Ciro Gomes

Intervenção de Paula Cardoso sobre fotos de Marcos Corrêa/PR/Agência Brasil e Marlene Bergamo/Folhapress

Ilustração reproduzida da revista Piauí

Israel Medeiros
Correio Braziliense
A um ano e quatro meses das eleições presidenciais de 2022, o ex-presidente Lula (PT) aumentou sua vantagem em relação ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na corrida pelo Planalto e está nove pontos percentuais à frente nas intenções de voto, segundo edição de junho da pesquisa XP/Ipespe.

CIRO  VENCERIA – No segundo turno, Bolsonaro perderia também para Ciro Gomes (PDT), que agora tem 41% das intenções de voto, enquanto o mandatário tem 37%. Considerando apenas o primeiro turno, no entanto, Ciro Gomes foi o candidato que mais perdeu espaço na disputa. Na edição anterior, ele aparecia com 9%; agora, está com 6%.

O presidente Bolsonaro também perdeu um ponto e saiu de 29% para 28% no primeiro turno. Lula, por sua vez, saltou três pontos e foi a 32%. O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, também aparece na pesquisa. Ele oscilou um ponto para menos, passando de 8% para 7% em comparação ao levantamento anterior.

Já na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são citados, Lula e Bolsonaro aparecem empatados, com 24% das intenções de voto. Os outros candidatos, juntos, somaram 8%. Os que votariam branco ou nulo também somaram 8% e os que não responderam, 36%.

Segundo os dados, em outubro, o presidente tinha aprovação de 31%. Isso significa que a parcela que desaprova o governo Bolsonaro cresceu 19 pontos percentuais em 9 meses e se intensificou no pior momento da pandemia.

Perguntados sobre os rumos econômicos, aqueles que consideram que o país está no rumo certo agora são uma parcela maior: saíram de 26% e agora são 29% dos entrevistados. Os que consideram que está no caminho errado saíram de 63% para 60%.

MEDO DA COVID – O levantamento revelou, também, que o medo do surto de coronavírus diminuiu de 50% para 45%. O país tem, hoje, mais de 480 mil mortes por covid-19 desde o início da pandemia e registra cerca de 2 mil óbitos diariamente.

Os entrevistados foram questionados, ainda, sobre a realização da Copa América no Brasil. Do total, 64% revelaram ser contrários e outros 29%, favoráveis. Entre aqueles que têm uma visão negativa do presidente Jair Bolsonaro, 83% reprovam o torneio. Entre os apoiadores, 58% aprovam a realização da competição no Brasil.

A pesquisa XP/Ipespe entrevistou 1.000 pessoas por telefone em âmbito nacional nos dias 7, 8, 9 e 10 de junho.

Telegramas secretos mostram que governo desconfiava das vacinas, mas apostava em spray nasal

O presidente Jair Bolsonaro falou sobre aplicação do spray nasal para casos graves de Covid-19 em março de 2021 Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo/01-06-2021

Jair Bolsonaro elogiou o spray nasal em março de 2021

Paulo Cappelli


Telegramas secretos do Itamaraty, em posse da CPI da Covid e obtidos pelo GLOBO, relatam que, em fevereiro deste ano, o governo brasileiro ainda resistia a assinar contrato para adquirir vacinas das farmacêuticas Pfizer e Janssen, que já tinham selado acordo com cerca de 70 países para fornecer bilhões de doses.

Classificado como “secreto” e com prioridade “urgente”, um dos telegramas foi endereçado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) a 19 embaixadas brasileiras.

CONSULTA INFORMAL – O documento, enviado em 24 de fevereiro deste ano, solicitava que os diplomatas sediados em diferentes países fizessem uma “consulta informal às autoridades locais” sobre os termos dos contratos confidenciais assinados com a Pfizer e Johnson.

“No intuito de subsidiar e orientar o seguimento das negociações, e em que pese a confidencialidade dos contratos, muito agradeceria a Vossa Excelência a gentileza de consultar informalmente as autoridades locais, a fim de averiguar como foram recebidas e processadas as referidas questões contratuais com o laboratório Pfizer, no que se refere a vacinas contra  a COVID-19”, diz trecho do telegrama do Ministério das Relações Exteriores.

O documento ainda expõe os motivos que levaram o governo brasileiro a não assinar o contrato com laboratórios internacionais como a Pfizer para garantir vacinas naquele momento.

ARGUMENTOS – Dentre os motivos, estão: “a assunção, pelo governo, da responsabilidade civil por eventuais danos colaterais das vacinas”; “a alienação de ativos do país no exterior em benefício da farmacêutica como garantia de pagamento”; e “a determinação de que eventuais litígios entre empresa e governo sejam resolvidos na Câmara Arbitral de Nova York”.

Naquele momento, só a Pfizer já tinha celebrado contratos para a entrega de mais de dois bilhões de doses a 69 países.

A Pfizer encaminhou a primeira proposta ao governo Bolsonaro de fornecimento de 70 milhões de doses da sua vacina no dia 15 de agosto do ano passado, segundo informou a própria empresa. A entrega inicial estava previstas para dezembro, mas o Ministério da Saúde não se manifestou.

ATRASO SINISTRO – Somente em março, no final da gestão de Eduardo Pazuello o primeiro contrato para o recebimento de 100 milhões de doses foi assinado. O país, porém, deixou de receber 4,5 milhões de doses até março, conforme revelou a farmacêutica à CPI. Em maio, outro contrato foi assinado para a entrega de mais 100 milhões de doses até o fim do ano.

O fechamento de contrato com a Johnson também demorou e somente em março o Brasil assinou a compra de 38 milhões de doses, com previsão de entrega apenas a partir do terceiro trimestre.

Uma negociação concluída neste mês permitiu o envio de 3 milhões de doses na próxima semana. Como a vacina que será recebida tem validade apenas até o dia 27 de junho, o governo deve fazer um mutirão para aplicação e restringir o uso às capitais. A vacina da Johnson tem como diferencial ser de dose única, enquanto as principais concorrente necessitam de aplicação de duas unidades para a imunização.

SPRAY NASAL – Ao mesmo tempo em que relutava em assinar contrato com a Pfizer e Johnson, em março, o então chanceler, Ernesto Araújo,  foi a Israel conhecer um spray nasal que não tinha ainda eficácia comprovada no tratamento contra a Covid-19.

Ele estava acompanhado do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que, assim como ele, foi demitido sob críticas até mesmo de aliados do Planalto. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também estava na comitiva.

O encontro entre a comitiva brasileira e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu,  foi relatado em um telegrama Itamaraty enviado em março deste ano. “Bibi Netanyahu lembrou que o spray nasal EXOCD-24 vem obtendo resultados muito promissores no tratamento de doentes moderados e graves infectados com COVID-19”, diz trecho do documento assinado pelo embaixador do Brasil em Israel, Gerson Menandro Garcia de Freitas.

O spray foi aprovado para uso apenas em Israel e na Nova Zelândia. No Brasil, não foi fechado qualquer acordo para o fornecimento do medicamento experimental.

Nas redes sociais, o medicamento chegou a ser apelidado de “nova cloroquina” do presidente Jair Bolsonaro.
Uma carta de intenções chegou a levar a assinatura do então ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, e da diretora da empresa fabricante, mas a compra do produto nunca se concretizou.

PREÇO MAJORADO – Dois dias antes de o governo Bolsonaro assinar contrato com Pfizer, o  embaixador brasileiro em Israel enviou um telegrama a Ernesto Araújo, relatando que Netanyahu topou pagar “preço majorado pelas vacinas (da Pfizer), a fim de assegurar prioridade no recebimento das doses”, que chegaram ao país em 9 de dezembro de 2020.

“O próprio primeiro-ministro Netanyahu chegou a dar declarações públicas no ano passado de que ‘o custo elevado pago à Pfizer seria amplamente compensado pela retomada antecipada do funcionamento da economia e, por conseguinte, do crescimento econômico em relação aos demais países'”.

Bolsonaro ironiza governadores e volta a defender que vacinados não usem máscara

Jair Bolsonaro coloca a culpa nos governadores e prefeitos

Guilherme Mazui
G1 — Brasília

O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender nesta sexta-feira (11) a desobrigação do uso de máscaras para vacinados e recuperados da Covid, mas disse que a decisão final será de governadores e prefeitos. “Eu não apito nada”, ironizou.

Bolsonaro já havia informado na quinta (10) que pediu ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, um parecer para liberar vacinados e recuperados da Covid de usar máscaras.

RISCO DE CONTAMINAÇÃO – A ideia foi prontamente rebatida por especialistas, que alertam que mesmo quem foi vacinado ou teve a doença pode transmitir o vírus para outras pessoas. Além disso, quem já teve Covid pode ter de novo, e quem foi vacinado pode ter a doença de forma mais leve.

Nesta sexta, ao voltar a desencorajar o uso de máscaras por vacinados e recuperados, Bolsonaro voltou a dizer que a responsabilidade é de estados e municípios. Ele falou a veículos de imprensa na porta do Palácio da Alvorada.

“Quem já foi infectado e quem tomou vacina não precisa usar máscara. Quem vai decidir é ele [ministro Queiroga], dar um o parecer. Se bem que quem decide na ponta da linha é o governador e prefeito, eu não apito nada. É ou não é? Segundo o Supremo, quem manda são eles.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro jamais se exibe como presidente. Ele se apresenta sempre como se fosse um humorista de “stand up comedy”, tipo Chico Anysio e Tom Cavalcanti. Tenta fazer piada com coisas sérias, mas não tem graça nenhuma. (C.N.)

Lula inclui Eduardo Paes e Rodrigo Maia em articulação para montar palanque no Rio

Lula se reúne com representantes da esquerda no Rio de olho no palanque para a candidatura à Presidência em 2022 Foto: Reprodução

Lula já se reuniu com representantes da esquerda no Rio

Sérgio Roxo
O Globo

Lula se reúne com representantes da esquerda no Rio de olho no palanque para a candidatura à Presidência

Na sequência das articulações políticas que iniciou após recuperar os seus direitos políticos em março, o ex-presidente Lula se encontra nesta sexta-feira (11) com o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), em um almoço no Palácio da Cidade. O ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também deve participar.

A disputa eleitoral do Rio no próximo ano deve fazer parte da conversa. Nesta quinta-feira, Lula se reuniu, entre outros, com o deputado Marcelo Freixo, que deve se filiar ao PSB nas próximas semanas. O petista tem ajudado nas articulações para a viabilizar a candidatura do parlamentar ao governo do Rio no próximo ano. A ideia é incluir o PSD na aliança.

SANTA CRUZ – Paes tem colocado como opção lançar a candidatura do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, ao governo estadual. Segundo a colunista Bela Megale, Santa Cruz vai participar do almoço desta sexta-feira. Outro que estará presente é Maia, que negocia a entrada em um novo partido após romper com o DEM.

Uma opção citada por petistas é que Santa Cruz seja vice de Freixo ou candidato ao Senado na chapa. O deputado Alessandro Molon (PSB), que também participou da reunião com Lula nesta quinta-feira, tenta se viabilizar para ser o candidato a senador da chapa.

O Rio é o segundo destino de Lula após o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anular as suas condenações na Operação Lava-Jato. No começo de maio, Lula esteve em Brasília, onde se reuniu, entre outros, com Maia, com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e com lideranças do MDB.

ACORDOS ESTADUAIS – Apesar não admitir claramente que será candidato a presidente no ano que vem, Lula tem se dedicado à construção dos palanques estaduais. Em São Paulo, a aposta é no ex-prefeito Fernando Haddad, que tem mantido encontros com apoiadores e dado entrevistas para rádios do interior do estado. Haddad, inclusive, acompanhou Lula em sua viagem a Brasília.

O ex-presidente também entrou em campo para garantir que o PT não fique refém de outros partidos na eleição para o governo de Minas, o segundo estado com mais eleitores do país. Desde a redemocratização, nunca um presidente foi eleito sem obter a maioria dos votos entre os eleitores mineiros.

Em reunião com o ex-presidente, caciques petistas de MInas  decidiram lançar a pré-candidatura do deputado federal Reginaldo Lopes. Antes de Lula recuperar os seus direitos políticos, dirigentes do estado vinham cogitando uma composição para apoiar a candidatura do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD).

POSSIBILIDADE – Nos bastidores, é citada a possibilidade de os nomes de Reginaldo e até de Haddad, com menor chance, serem retirados no futuro se houver necessidade de uma composição que ajude a chapa de Lula a atrair mais partidos aliados.

—  Está se construindo um amplo consenso no PT de que a centralidade nossa em 2022 é a disputa nacional.Tudo que nós fizemos nos estados estará sincronizado com a disputa nacional em torno da candidatura de Lula. Candidaturas nos estados que não sejam vinculadas a isso não serão prioridades para nós — afirma o deputado José Guimarães (PT-CE), que coordena o grupo de acompanhamento das candidaturas nos estados.

Guimarães acrescenta que “a candidatura de Haddad em São Paulo é prioridade absoluta” diante das boas perspectivas de sucesso em razão das dificuldades enfrentadas pelo PSDB no estado, com o embate entre o ex-governador Geraldo Alckmin e o atual governador João Doria.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Graças ao Supremo, estamos de volta para o futuro, com Lula fechando acordos para inviabilizar uma terceira via e voltar ao poder, trazendo consigo Dirceu, Dilma, Gabrielli, Vaccari & Cia. É graças ao Supremo, repita-se, exaustivamente. (C.N.)  

Aliados querem que Ciro Gomes deixe Lula de lado e concentre ataques em Bolsonaro

Crédito: NELSON ALMEIDA / AFP

Ciro quer aproveitar a alta rejeição de Lula e Bolsonaro

Camila Mattoso
Folha

Aliados de Ciro Gomes (PDT-CE) tentam convencê-lo a mudar a mira de seus ataques. Querem que ele deixe de lado Lula (PT), por enquanto, e concentre todos os esforços contra Jair Bolsonaro. Em declarações e vídeos divulgados nas redes sociais, o alvo mais frequente tem sido o petista. Segundo relatos, Ciro ainda tem demonstrado resistência para mudar a estratégia de pré-campanha, mas João Santana, marqueteiro do presidenciável, já comprou a ideia e promete ajudar.

Em entrevista ao Valor Econômico no mês de maio, Ciro chamou o ex-presidente de “maior corruptor da história moderna brasileira”.

OPÇÃO AOS BRASILEIROS – Nesta quinta-feira (10), disse à rádio Tupi que tem obrigação de dar outra opção aos brasileiros que não seja escolher entre “coisa ruim e coisa pior”. Lula já respondeu que não faria o “jogo rasteiro” do pedetista.

O deputado Túlio Gadêlha (PDT-PE) defendeu à Folha que Ciro desistisse de atacar Lula e virasse os canhões para Bolsonaro. Ele disse que acreditar em um segundo turno entre Ciro e o petista é “viver uma ilusão.

Presidente do PDT, Carlos Lupi tem dito que crê nesse cenário descartado por Gadêlha. Ele quer que Ciro invista contra Bolsonaro, que, avalia ele, não terá forças para ir ao segundo turno.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ciro Gomes parte de uma premissa verdadeira, que o deputado Túlio Gadelha, na sua inexperiência, nem leva em consideração. O fato concreto e indiscutível é que existe rejeição absoluta (mais de 50%) aos dois candidatos favoritos (Lula e Bolsonaro). É óbvio que essa circunstância, diria o pensador Ortega y Gasset, favorece o surgimento de uma terceira via, inicialmente formada por aqueles que rejeitam os dois. O problema é o excesso de candidatos que não têm chance, mas insistem em desfrutar os 15 minutos de fama de Andy Warhol. Esta é uma eleição para apenas três candidatos, o resto é entulho. (C.N.)

George Soros financia no Brasil um grande número de ONGs e instituições sociais

George Soros Philanthropy 50 de fevereiro de 2011 Foto

George Soros é um grande benfeitor dos países africanos

Gabriel de Arruda Castro
Gazeta do Povo

A Fundação Open Society, comandada pelo bilionário George Soros, distribuiu cerca de US$ 32 milhões a organizações brasileiras entre 2016 e 2019. O valor equivale a aproximadamente R$ 117 milhões, considerando o câmbio médio de cada ano. A conclusão é de um levantamento exclusivo da Gazeta do Povo, com base em dados da própria fundação. Os números detalhados de 2020 ainda não estão disponíveis.

A Fundação Open Society atua em 120 países, e distribuiu mais de 3 mil doações no ano de 2019. O orçamento total da fundação para 2020 foi de US$ 1,2 bilhão. Desses, apenas US$ 55 milhões foram destinados à América Latina. George Soros tem uma fortuna US$ 8,6 bilhões, segundo a revista Forbes.

Ao todo, 118 organizações receberam recursos da Open Society para atuar no Brasil entre 2016 e 2019. A grande maioria é de entidades com sede no país, mas também houve repasses para que organizações estrangeiras realizassem projetos no Brasil.

TOTAL AINDA MAIOR – O montante da Open Society aplicado no Brasil muito provavelmente é ainda maior, já que algumas das entidades internacionais financiadas pela Open Society atuam em diversos países ao mesmo tempo. Além disso, a organização distribui recursos diretamente a pesquisadores individuais. Esse montante não foi incluído no cálculo feito pela reportagem.

A Open Society, criada em 1984, defende a liberação das drogas, a legalização do aborto e a libertação de presos que eles chamam de “não violentos”. A organização também se orgulha de financiar projetos que “promovam os direitos em áreas como o reconhecimento legal da fluidez de gênero”.

No período de 2016 a 2019, a organização brasileira que mais recebeu recursos da Open Society foi a Associação Direitos Humanos em Rede, com US$ 2,3 milhões. A entidade, que hoje assumiu o nome de Conecta Direitos Humanos, se identifica como um grupo de ativistas em prol dos direitos humanos. Uma das prioridades da Conectas é a defesa de criminosos encarcerados. A entidade se opõe ao “encarceramento em massa” e apoia medidas que reduzam o número de prisioneiros no Brasil.

DESARMAMENTO – A segunda organização que mais recebeu recursos da Open Society é o Instituto Sou da Paz (US$ 1,8 milhão), que promove, dentre outras causas, a defesa do desarmamento da população. Em seguida, aparece Instituto Igarapé (US$ 1, 5 milhão). A entidade comandada pela cientista política Ilana Szabó atua na defesa da descriminalização das drogas.

Outros nomes da lista da Open Society chamam atenção. A Fundação Fernando Henrique Cardoso obteve US$ 315 mil, distribuídos em três anos diferentes.

Já o Instituto Anis foi beneficiado com US$ 245 mil. O rosto mais conhecido da organização é de Débora Diniz, professora da Universidade de Brasília e uma das mais conhecidas defensoras da legalização do aborto no Brasil.

LISTA DIFERENCIADA – A Associação dos Juízes Federais obteve, em 2019, uma doação de US$ 10 mil. A Quebrando o Tabu, que tem 12 milhões de seguidores no Facebook, recebeu US$ 228 mil.

A lista da Open Society também inclui a Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Instituto Alana, o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ) e a Fiotec, um braço da Fundação Oswaldo Cruz.

Em princípio, não há nada de ilegal no trabalho da Fundação Open Society. Mas o volume significativo de recursos injetados em projetos alinhados com as causas de esquerda – e que nem sempre ganha publicidade – pode desequilibrar o debate público.

DA FGV A FHC – A rede financiada pela Open Society é pouco conhecida do público. Os dados sobre as doações ficam em uma parte pouco acessível do site da organização, e não é possível fazer uma separação por país.

Muitas vezes, os beneficiados também não fazem questão de exibir a ligação. A Fundação Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, não divulga quem são os seus financiadores. O Viva Rio, tampouco.

A Quebrando o Tabu também não. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) menciona a Open Society em sua prestação de contas, mas os dados estão defasados: o relatório mais recente é o do biênio 2016-2017.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Muito interessante a reportagem, enviada à Tribuna por Mário Assis Causanilhas. Mostra por que George Soros, que antes era chamado de “investidor”, quando Armínio Fraga trabalhava com ele, de uns anos para cá passou a ser chamado de “filantropo”. Outros bilionários, como o brasileiro Jorge Paulo Lemann, fazem o mesmo, distribuindo parte de suas fortunas para causas sociais. São acusados de apoiar a esquerda, mas na verdade suas doações são generalizadas e não levam em conta nuances ideológicas, ou seja, não se pode dizer que sejam politicamente direcionadas. Eles apenas têm dinheiro demais e a consciência lhes pesa. (C.N.)   

O inacreditável futuro da internet nos dará oportunidade de ter uma vida virtual até no sexo

Charge do Latuff (Humor Político)

Pedro Doria
O Globo

Parece ficção científica, mas por trás da briga entre o estúdio de videogames Epic e a Apple, o primeiro caso antitruste contra as Big Techs nas cortes americanas, está um conceito de como será a internet no futuro. É o metaverso. Não se trata de uma realidade próxima, mas também não é tão distante — coisa para daqui a 15 ou 20 anos.

É quando a internet se tornará um universo paralelo em que vamos transitar. Algo que lembra “Jornada nas estrelas: a nova geração”, o filme “Jogador número 1” ou, em sua forma distópica, “Matrix”.

PROCESSO REVELADOR – A Epic processa a Apple, pois quer oferecer a quem joga seu principal game, Fortnite, maneiras de pagar por recursos do jogo sem passar pela loja dos iPhones e iPads. Mas esse processo é só um lance numa partida bem mais complexa. A Epic quer se firmar como uma das maiores empresas de tecnologia do mundo alguns lances à frente. E seu caminho é justamente o multiverso.

Chamamos hoje de ciberespaço este ambiente on-line em que nos encontramos cotidianamente. Com frequência, temos já a sensação de que levamos ali uma ou mais vidas paralelas entre fotos das férias com muito sorriso e nenhum mau humor, debates acalorados no Twitter, trocas de e-mail sisudas com o chefe, os Zooms que substituem o bar com os amigos. É como se tivéssemos inúmeras personas. Mas não há a sensação de que a internet é um espaço.

Uma das ideias por trás do que será o 6G é que ele terá a capacidade de operar realidade virtual. Essa rede, que em algum ponto dos anos 2030 começará a ser instalada, permitirá que o Zoom não se dê na frente de um monitor, e sim num ambiente em que, com um amigo em Tóquio, outro no México e um terceiro em Nairóbi, possamos juntos nos sentar num à beira-mar virtual com todo o jeito de ser real. Veremos as pessoas em três dimensões ricas.

NÃO É SÓ VISÃO 3D – A internet parecerá de fato um lugar. Num ambiente assim, as possibilidades são inúmeras. Não se trata, afinal, apenas da visão 3D. Luvas e outros utensílios acoplados ao corpo podem oferecer tato — e, assim, quando alguém aperta sua mão, o cumprimento é sentido com a pressão dada na origem, até com o calor.

Pode ser tão realista quanto quisermos, quanto também permitir que um perna de pau como cá este colunista se saia na partida tão brilhante como Zico. A pornografia ganhará outra dimensão, também o cinema e o teatro poderão se fundir e estaremos ali ao lado de Hamlet quando enfim ele cair morto. O resto é silêncio.

Esse é o conceito do metaverso. Quem o oferecer primeiro vai, naturalmente, fazer muito dinheiro.

REALIDADE VIRTUAL – Facebook, Google e Microsoft têm investimentos importantes e pesados em realidade virtual. A Apple já explora com suas câmeras de celular as possibilidades de mapear o espaço real em 3D para compreender sua profundidade e encaixar, ali, objetos virtuais para ser vistos, hoje, pela lente do celular. No futuro, com algum outro aparelho, na própria rua.

Uma maneira de enxergar o Fortnite é como um jogo em que comandamos personagens que, a cada rodada, saltam sobre uma ilha para disputar seu território. Armas as mais distintas, fantasias de super-heróis e alienígenas, tudo vale. Mas em Fortnite também se realizam, de tempos em tempos, concertos de música virtuais com artistas reais que estão de fato tocando. Lady Gaga e Ariana Grande estão programadas para tocar na ilha este ano. O rapper Travis Scott tocou para um público que ultrapassou 12 milhões de pessoas.

O metaverso existirá. A Epic trabalha para ser a primeira a oferecê-lo. Para isso, precisa passar por cima das grandes, hoje.

Dante Milano queria escrever versos sem pensar, mas que fossem puros e inocentes como o princípio do amor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O poeta Dante Milano (1899-1991), que nasceu em Petrópolis (RJ), no poema “Descobrimento da Poesia”, deseja escrever versos sem pensar, mas que sejam puros e inocentes como o princípio do amor.

DESCOBRIMENTO DA POESIA
Dante Milano

Quero escrever sem pensar.
Que um verso consolador
Venha vindo impressentido
Como o princípio do amor.

Quero escrever sem saber,
sem saber o que dizer,
Quero escrever uma coisa
Que não se possa entender,

Mas que tenha um ar de graça,
De pureza, de inocência,
De doçura na desgraça,
De descanso na inconsciência.

Sinto que a arte já me cansa
E só me resta a esperança
De me esquecer do que sou
E tornar a ser criança.

É correto que juízes e procuradores continuem a ter direito a férias de 80 dias por ano?

Resultado de imagem para MORDOMIAS NO CONGRESSO CHARGES

Charge do Dum (Arquivo Google)

Dora Cavalcanti
Folha

O ponto de partida para repensar se as férias em dobro de juízes e procuradores devem ou não ser mantidas implica reconhecer que as duas carreiras, em especial a primeira, se destacam pela responsabilidade e consequente desgaste emocional que demandam cotidianamente.

Tomar decisões sobre a vida, a liberdade, o trabalho e o patrimônio das pessoas é atribuição das mais delicadas. Além disso, diferentemente do que se ouve muitas vezes, integrantes do Poder Judiciário costumam, sim, trabalhar muito.

PRIVILÉGIO INJUSTIFICÁVEL – Estabelecidas essas premissas, é preciso pensar em caminhos que assegurem condições de trabalho compatíveis com a relevância das funções exercidas, mas dispensem os dois meses de férias, desde sempre percebidos pela sociedade como um privilégio injustificável.

Os questionamentos dos brasileiros vão da falta de isonomia à morosidade nos processos, mas talvez o mais cabal deles resida em uma pergunta simples. Se juízes e procuradores muitas vezes trocam parte dessas férias por dinheiro, não seria este um sinal inequívoco de que não precisam tanto assim de 60 dias por ano para repor suas energias? Isso sem falar que, aos dois meses de férias, se somam os 17 dias do recesso forense, totalizando quase 80 dias garantidos de descanso.

Segundo o Ministério da Economia, as férias dobradas de algumas carreiras custam R$ 4 bilhões por ano aos cofres públicos. Mesmo assim, o governo federal não incluiu juízes, promotores, procuradores e parlamentares na PEC 32, que trata da reforma administrativa.

TENTANDO LIMITAR – Existem três propostas de emenda à Constituição que tentam limitar o benefício. Entretanto, atendendo a associações de magistrados, o Congresso freou a tramitação das PECs alegando que a pandemia impede a discussão sobre o tema. Assim, vamos adiando a solução de problemas.

Analogias podem gerar falsos paradigmas, mas é comum comparar a carreira de juiz à de advogado, pois ambos têm a mesma formação acadêmica. Muitos dizem que para se dedicar à magistratura um juiz abre mão da possibilidade de acumular fortuna, mas sabemos que o estereótipo do advogado muito rico está bem longe de retratar a realidade da classe.

No quesito descanso, então, o abismo não poderia ser mais gritante. A imensa maioria dos advogados autônomos dificilmente consegue tirar férias por não ter com quem dividir a responsabilidade por conduzir suas causas.

INTERESSE PÚBLICO – A definição das políticas públicas, desnecessário dizer, há de ser sempre pautada pelo interesse da coletividade. O aprimoramento do sistema de Justiça deve ter como eixo central a figura do jurisdicionado, que espera uma solução rápida e justa para o conflito em que se vê envolvido.

Um bom começo seria redirecionar recursos advindos do fim dos 60 dias de férias para a realização de mais concursos públicos. O 188º Concurso para a Magistratura Estadual de São Paulo, por exemplo, teve 23.122 inscritos para 310 vagas e 86 aprovados. Ou seja, somente 25% das vagas foram preenchidas.

Nessa perspectiva, dentre as evidências do desacerto dos 60 dias de férias, não podemos fechar os olhos para seu efeito mais lesivo: a corrosão da relação entre a sociedade e o Judiciário. Precisamos aprofundar com seriedade esse debate, buscando mecanismos que assegurem uma carga razoável de trabalho e o merecido descanso — sem que para isso se mantenha uma regra que agrava a distância entre os atores do processo.