Colchão de liquidez do Tesouro Nacional subiu para R$ 1,12 trilhão, mas a dívida também aumentou

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Charge do Iotti (Gáucha/ZH)

Rosana Hessel
Correio Braziliense

A chamado colchão de liquidez do Tesouro Nacional, reserva utilizada para administrar a dívida pública, apresentou aumento, em termos nominais, de 19,96% entre fevereiro e março deste ano, passando de R$ 933,22 bilhões, para R$ 1.119,44 bilhões, conforme dados do órgão do Ministério da Economia divulgados nesta quarta-feira (28/04).

É o maior patamar desde o início da série do órgão, iniciada em 2015. Em relação a março de 2020, houve um salto de 82,28%, em termos nominais, sobre os R$ 610,78 bilhões.

TRÊS FATORES – De acordo com o coordenador-geral de operações da dívida pública, Luis Felipe Vital, três fatores explicam esse aumento do colchão de liquidez, embora um deles, a emissão líquida, foi de apenas R$ 1,2 bilhão. Já os recursos de desvinculação de fundos, de R$ 140 bilhões, e a devolução de R$ 32 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram mais expressivos. “Isso contribuiu para aumentar a reserva de liquidez”, explicou, em entrevista virtual a jornalistas.

Vital disse que essa reserva é suficiente para garantir a gestão dos títulos públicos por “pouco mais de sete meses à frente”, o que, para ele, não pode ser um risco para a emissão para os créditos extraordinários de programas recriados, como os auxílios emergenciais para trabalhadores e empresas de pequeno porte, além de mais gastos com Saúde.

SITUAÇÃO CONFORTÁVEL – “Isso acaba sendo uma questão mais confortável e, havendo qualquer necessidade de recursos ou de programas que utilizem recursos da dívida pública, a gente tem condições de serem absorvidos pelo colchão de liquidez e, caso necessário, pode ser feito ajuste na estratégia de financiamento. Mas, neste momento, não vislumbramos risco nesse sentido”, afirmou.

O técnico do Tesouro, contudo, reconheceu que há um volume “considerável” de vencimentos de títulos ao longo de 2021. Até maio, os vencimentos estimados somam R$ 435 bilhões e, apenas em 1º de abril, esse colchão já foi reduzido em R$ 330 bilhões “Esse indicador é bastante volátil, porque pode sofrer variações significativas de um dia para o outro”, disse Vital. Ele destacou ainda que os vencimentos, assim como a reserva de liquidez, “são os maiores da história”.

EMISSÕES RECORDES – De acordo com o relatório do Tesouro, Em março, foram realizadas R$ 164,5 bilhões em emissões e resgatados R$ 163,4 bilhões, resultado em uma emissão líquida de apenas R$ 1,2 bilhão. Apesar do volume pequeno de emissões líquidas, Vital descartou qualquer dificuldade do Tesouro na rolagem de títulos públicos.

“Há meses em que vencimentos líquidos são menores e por isso há uma emissão líquida maior; já quando os vencimentos são maiores, o resgate líquido é maior, mas podem existir meses na média, quando o volume de vencimentos é compatível com o volume emitido”, afirmou. Segundo ele, o volume de volume de emissões de março foi o maior para meses de março, em valores nominais, da série, iniciada novembro de 2006.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
As notícias são aparentemente positivas., por causa do repasse de R$ 38 bilhões do BNDES. No entanto, em tradução simultânea, a dívida pública continua aumentando, não há menor vestígio de superávit primário para reduzi-la. Além disso, o próprio coordenador das operações da dívida informa que o risco-país (Credit Default Swap, na sigla em inglês para os contratos com prazos de cinco anos dos títulos públicos do Brasil) está em 190 pontos, muito alto em relação a outras economias emergentes. (C.N.)

One thought on “Colchão de liquidez do Tesouro Nacional subiu para R$ 1,12 trilhão, mas a dívida também aumentou

  1. Outro ponto interessante é que o prazo médio de vencimento está diminuindo, de forma que, apesar do juros baixo, a rotatividade da dívida é alta, e esse colchão enorme, que é usado na rolagem da dívida, também acaba custando juros para ser mantido. Por fim, o problema do prazo baixo com dívida alta: se as condições de mercado exigirem aumento do juros, o orçamento estoura completamente. Em caso extremo, se o juro for de 15% ao ano, com dívida de 200% do PIB – como ocorreu nos anos 90 – consome-se toda a arrecadação do governo (30% do pib) com essa despesa. Só que agora, após sucessivas revisões nas leis, esse gasto passou a ser o único gasto sagrado do governo, e não pode ter seu pagamento violado (sem alterações na constituição), mesmo que consuma 100% das receitas da união.

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