Como se formam os cadastros telefônicos e pessoais

 Pedro do Coutto
 
Em artigo publicado no New York Times, traduzido na edição do dia 8 na Folha de São Paulo, o jornalista Charlie Savage, com base em informações que colheu junto a funcionários do governo, disse que a CIA, Central de Inteligência, para 10 milhões de dólares por ano à operadora ATT para obter informações sobre chamadas telefônicas internacionais, trocadas e recebidas por norteamericanos. E também por residentes no país, de várias nacionalidades. A matéria confirma o que se pensava, mas é sempre importante sublinhar os fatos, expondo-os à luz da realidade expressa. Não creio que o problema se restrinja só aos EUA e tampouco os temas sejam só os políticos e os ligados à segurança nacional. Valem para tudo.
No Brasil, bancos de informações cadastrais se constroem de maneira semelhante. Não através das empresas de telefonia, mas por intermédio do preenchimento de fichas de cadastro. Ao que os sintomas indicam, as fichas cadastrais em muitos casos são objeto de negociação entre os que são responsáveis pelo seu arquivo e empresas de telemarketing. Quem não recebeu nunca um telefonema ou e-mail oferecendo serviços e produtos embora não os tenha procurado e se interessado por adquiri-los?
De ficha em ficha, formam-se bancos de dados numerosos que se multiplicam através do tempo e fazem crescer as ofertas. Algumas à base de propaganda enganosa, como a que se propõe fazer crer que as pessoas foram sorteadas. Puro engodo. Sorteadas para quê? Para o direito de comprarem bens e serviços quando não houve sorteio algum?
Ofertas de cartões de crédito proliferam. As de crédito também. Só que os juros mensais de 6%, embora seja esta a inflação brasileira ao longo de um ano. Impressionante a desfaçatez. Uma farsa.
FICHA CADASTRAL
Assim, quando se está preenchendo um ficha cadastral num supermercado, às vezes se está fornecendo informações para montagem e revenda de dados pessoais, incluindo CPF. Daí às mesas dos Hackers a distância não é longa. Grande parte do sigilo bancário é vulnerada a partir daí. Não desejo dizer com isso que não se possa preencher fichas de cadastro, mas somente chamar atenção para um aspecto que, infelizmente, já se incorporou à verdade do cotidiano.
São diversos os caminhos adotados pelo telemarketing, mas sua origem é uma só. Não é possível que, de outra forma, possa se chegar à privacidade das pessoas físicas, para as quais não existe o mesmo sistema de resguardo de que se utilizam as empresas. Mesmo assim, o meio empresarial é atingido por diversas outras maneiras. Até mesmo com base no cadastro pessoal de seus dirigentes e acionistas. Os prejuízos podem ser muito grandes.

O artigo de Charlie Savage significa uma chave a mais para descerrar a porta e iluminar como se desenvolvem nos Estados Unidos, e no mundo, ações simples de invasão de privacidade. Pois está evidente que a verificação das chamadas não vai restringir a identificação dos que trocam telefonemas. Pelo contrário. Vão proceder dessa forma, mas também dependendo do rumo das conversas gravadas partir para analisar seus conteúdos. Não serão todas as conversações, mas aquelas que, por um motivo ou outro, tornam-se interessantes e possam fornecer informações importantes em todos os setores da vida humana. Ninguém está livre. Sobretudo os que se envolvem em atividades ilegais como aconteceu agora em São Paulo.

4 thoughts on “Como se formam os cadastros telefônicos e pessoais

  1. Muito boa crônica. Já percebi que informações sobre o meu perfil consumidor são repassadas para outros fornecedores. Só não tenho a certeza se a informação é cobrada.

  2. O jornalista não pode se esquecer que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tinha um “convênio” assinado com o SERASA que previa repasse de dados cadastrais de eleitores para a empresa.
    Os inimigos dos brasileiros não estão em solo estrangeiro…

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