Dilma espera contar com Renan para barrar o impeachment

José Carlos Werneck

A preocupação da presidente Dilma Rousseff com o avanço da Operação Lava Jato na etapa batizada de Radioatividade, está focada na bancada do PMDB no Senado Federal. Em sua agonia, o Palácio do Planalto precisa desesperadamente de contar com Renan Calheiros para neutralizar o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha que é quem aceita os pedidos de impeachment da chefe do Governo.

A Polícia Federal aponta que propinas pagas ao almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, presidente licenciado da Eletronuclear, ocorreram de 2011 a 2015. Até o fim de 2014, o senador Edison Lobão, fiel aliado do ex-presidente José Sarney e do presidente do Senado era o titular das Minas e Energia.

Não obstante o Governo tenha a certeza absoluta de que agora vários políticos do PMDB sejam atingidos pela Lava Jato e que o partido é o “dono” do setor elétrico, a extensão da operação sobre o grupo de Renan é preocupante.

SURPRESA

O envolvimento de Pinheiro da Silva no esquema não era esperado pelo Governo, porque ele sempre foi considerado um técnico de renome internacional em urânio enriquecido e pessoa acima de qualquer suspeita. O PMDB é um partido de políticos mais que veteranos e sabe que o nome de Edison Lobão surgirá obrigatoriamente nesta fase da investigação.

Vários políticos próximos à presidente dizem que, com a crise, qualquer notícia envolvendo aliados certamente agravará a já caótica situação, apesar de que, desde 2014, o agora ex-ministro é alvo da Lava Jato .

Em delação ao Ministério Público, no ano passado, Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, contou que o senador maranhense, então à frente do ministério de Minas e Energia, lhe pediu,em 2008, 1 milhão de reais. Lobão também apareceu na delação de Ricardo Pessoa,dono da UTC como recebedor de suborno. A UTC é uma das contratadas pela Eletronuclear para realizar obras na usina de Angra 3. O senador afirma que as acusações não tem o menor fundamento.

PRECISAM DE RENAN

O Planalto e a cúpula do PMDB sabem que a Lava Jato pode frustrar a aproximação com o presidente do Senado e o governo precisa dele para ter aprovado o projeto que revê a desoneração da folha de pagamento das empresas, última etapa do ajuste fiscal, e, principalmente, neutralizar a “pauta-bomba”, com projetos que aumentam os gastos governamentais. Mas o que o Governo do PT espera mesmo é que, com estas manobras, possa azedar o relacionamento dos presidentes das duas Casas do Congresso e impedir que Eduardo Cunha leve adiante a tramitação dos pedidos de impeachment existentes na Câmara.

O presidente do Senado Federal é também objeto de investigação pela Lava Jato, mas considera-se “injustiçado”, e já conseguiu,derrotar muitas vezes,o Governo no plenário.

O temor da presidente Dilma é de que senadores aliados se alinhem com Cunha, e a abandonem. O presidente da Câmara rompeu com Dilma, após, a delação de Julio Camargo, que o acusou de ter pedido 5 milhões de dólares de propina , mas segundo ele, o que ocorreu foi uma “conspiração palaciana”.

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