E o poeta chega ao cimo eterno da montanha, como se moço e não bem velho já fosse…

Alphonsus, um poeta eternamente apaixonado

Paulo Peres
Poemas & Canções

O poeta mineiro Alphonsus de Guimaraens, pseudônimo de Afonso Henrique da Costa Guimarães (1870-1921), no soneto “Como Se Moço e Não Bem Velho Eu Fosse”, sente que algo novo aconteceu para alegrar a sua vida, mas, infelizmente, não passou de um sonho.

COMO SE MOÇO E NÃO BEM VELHO EU FOSSE
Alphonsus de Guimaraens

Como se moço e não bem velho eu fosse,
Uma nova ilusão veio animar-me,
Na minh’alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul, tornou-se
Todo em raios, que vinham desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto;
Do céu tombei ao caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto…

5 thoughts on “E o poeta chega ao cimo eterno da montanha, como se moço e não bem velho já fosse…

  1. Um soneto intimista, bem rimado e metrificado em 10 sílabas. Nele, o poeta se preocupou com a cadência de cada estrofe, assim como a beleza sonora (eufonia).
    Elementos orográficos são frequentemente notados, em obras de literatos mineiros. Aqui, montanha.
    O que ficou implícito, no texto, foi a frustração ensejada por aquelas ascensões meteóricas, que a gente dá na vida, mesmo por autossugestão e, de repente, desmorona: foi apenas um balãozinho que nem bem inflou e já estorou.
    “Quanto maior a altura, pior a queda”

  2. Por não ter o que dizer:
    ===================

    Talento á parte, porque do poeta não desdigo a arte,
    Mas do seu estilo complexo muito me incomodo
    Coimo exemplo, nunca usaria alcandorar-se
    Para buscar fuga nos céus por meus desastres.

    Mas eu sou eu, e o poeta já morreu
    Famoso, querido e triste por ter tido
    Ilusões e sonhos não vividos.

  3. 1Poeta clássico da Literatura Brasileira.

    2) Licença… por falar em martírio…

    3) Sugiro aos arquitetos que, por favor, criem monumentos “in memoriam” aos mortos pela Covid-19, nos mais diversos municípios brasileiros.

    4) Por enquanto, é o Holocausto do Século 21… 400 mil mortos… uma lástima !

    5) Da mesma forma que existem: Monumentos aos Pracinhas, ao Tortura Nunca Mais, agora no Rio estão construindo um Memorial ao Holocausto dos nossos irmãos judeus…

    6) Que se criem também Memorial ao Holocausto Indígena e Memorial ao Holocausto da Escravidão.

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