E se Neymar não puder jogar na Copa?

Pedro do Coutto  

Na edição de quarta-feira 23 de abril, a Folha de São Paulo publicou reportagem de Marcel Rizzo – muito boa – revelando viagem que o treinador Felipe Scolari, o coordenador Carlos Alberto Parreira e o auxiliar Flávio Murtosa realizaram a vários países para realizar contatos com sete titulares da Seleção Brasileira que apresentam problemas de vários tipos no exterior. Número alto, correspondendo a mais da metade da equipe. Estamos, lembra Marcel Rizzo, a 50 dias do início da Copa do Mundo. Está em cima da hora, sobretudo porque a lista dos convocados tem de ser anunciada à FIFA até 13 de maio.
Não sei porque as páginas esportivas até agora não procuraram Felipão para tentar ouvi-lo sobre a hipótese de Neymar não se livrar dos reflexos da contusão que o atingiu e não puder entrar em campo. Afinal de contas, o Barcelona revelou que prevê sua volta ao time daqui a quatro semanas. Uma já se passou, faltam três, portanto. Mas a parada de um mês é muito longa. E existe a hipótese de a plena recuperação exigir mais tempo. Qual a alternativa, já que sua ausência obrigaria a mudanças táticas sensíveis. Neymar é um gênio na arte do futebol sobretudo do meio campo para a frente. Vem tocando a bola de trás e, como todos sabem, é brilhante nos arremates.
INSUBSTITUÍVEL?
Sua falta criaria um problema dos maiores. Claro que não é insubstituível. Nem Pelé, o maior de todos os tempos, foi. Lembrando 62, ele sofreu distensão muscular na primeira partida contra a Tchecoslováquia. Naquele tempo não havia substituição no meio das partidas. Contra a Espanha entrou Amarildo, então no Botafogo, em seu lugar. A partir daí uma sequência de vitórias. Fomos campeões do mundo. Ninguém é insubstituível.
A propósito, me surge da memória um belo artigo do jornalista Achiles Chirol, no antigo Correia da Manhã, que como ele se foi na névoa do tempo, acentuando que se a Seleção dependesse de um só homem para vencer, por mais genial que fosse, não seria o futebol brasileiro. Garrincha foi excepcional para a consagração. Ocorre agora, no entanto, que a maioria da equipe de Felipão joga em clubes fora do Brasil. Dos sete titulares apontados pela Folha de São Paulo, apenas Fred, do Fluminense, joga aqui. E tal realidade é bastante prejudicial à formação da equipe. E se Felipão, a vinte dias de convocá-los, tem dúvidas, quanto mais os torcedores, cuja presença nos estádios é fundamental.
É o momento de Felipão falar e, acima de tudo, se concentrar mais na Seleção e na escolha da equipe incluindo alternativas táticas e técnicas. A mais importante neste momento: como armará o time se Neymar não puder estar presente. Uma incógnita. E o futebol não vive de mistérios. Ao contrário. Exige transparência.

6 thoughts on “E se Neymar não puder jogar na Copa?

  1. Se Neymar não puder jogar na Copa vai terminar ficando sentado no banco, igual Ronaldo Fenômeno, para valorizar mais ainda seu passe.

    Simplesmente participará da jogada dos cartolas!

  2. Tomara que não somente Neymar, mas Davi Luiz, Thiago Silva, Hulck, Oscar, também não joguem a copa da corrupção, da vergonha e da desonestidade geral.

  3. Sempre fui contra a Copa do Brasil desde aquela farra para escolher a sede, ali o que deve ter “feito uns corre” como se diz aqui na periferia, e deve ter batido na casa dos bilhões.
    Ali já era o início do grande pão e circo que enfiava goela abaixo dos ‘bolsas-famílias” para deixá-los um pouco com “entretenimento” e ás mazelas corruptivas jogadas para debaixo do tapete.
    Se o agora “mimadinho caí-cai”dos filhos do marinho, que mostra até as cuecas do patrocinador para encher os bolsos do dinheiro ,jogar ou não jogar, não mudará nada e não afetará o cotidiano da vida…..eh1eh!eh

  4. Pedro,
    Tenho muito medo da expressão “ninguém é insubstituível”!
    Ela tem subjacente um conceito de qualidade. E a substituição de um profissional por outro não significa com a mesma qualidade.
    Ficou patente o que ocorreu depois da copa de 70. Nas duas copas seguintes, tivemos jogadores glorificados e cantados como excepcionais. Não eram. Bons jogadores, sem duvida.
    A imprensa esportiva brasileira, via de regra, gosta do otimismo e da glorificação, tanto que não vem discutindo esse fato da contusão do craque. Ou uma preocupação com este fato como externas no teu artigo.
    Não há, atualmente, substituto para o Neymar. Podem colocar outro com a camisa do rapaz. Mas, isso é outra coisa.
    SDS
    Vitor.

  5. O Neymar é a Sharapova do futebol. Muita mídia, mas pouco jogo. Na Espanha se pudessem mandavam o indivíduo pra casa mas a turma que pagou os tubos não pode ficar no prejuízo. Como na copa as deficiências do Neymar ficariam claras como água, o melhor seria deixá-lo fora para depois vendê-lo para a máfia russa e levá-lo para a Inglaterra.

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