Ex-ministro Pazuello é nomeado para novo cargo e Bolsonaro desafia todo o país

Charge do Miguel Paiva (diariodocentrodomundo.com.br)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro nomeou o general Eduardo Pazuello para o cargo de secretário de Estudos Estratégicos da Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, lançando assim um desafio a todo o país, incluindo o Exército, na medida em que o chefe do Executivo deixa claro que não aceita punição para o ex-ministro da Saúde e também a sua reincorporação ao segmento militar, uma vez que se trata de um oficial da ativa. Como é natural, o ato de Bolsonaro foi publicado com grande destaque pelo O Globo, pela Folha de São Paulo e pelo Estado de São Paulo.

O comandante do Exército, general Paulo Sérgio Nogueira, terá que assumir uma atitude clara, bem como o ministro da Defesa. Quando digo atitude, indico seja ela qual for e em que direção, mas acentuo que não poderá ficar congelada. Por um lado ou pelo outro, será preciso uma forte sensibilidade não só no Planalto, mas em todos os estados brasileiros. No O Globo, a reportagem é de Daniel Giulino, Dimitrius Dantas e Jussara Soares. Na Folha, de Ricardo Della Coletta, no Estadão, de Filipe Frazão e  Lucy Ribeiro. As próximas horas serão decisivas na medida em que medidas terão que ser tomadas.

DESTAQUE – O presidente da República enfrentou a pressão que generalizou o quadro político nacional. Inclusive porque Bolsonaro voltou a destacar Pazuello numa manifestação em Brasília e puxou aplausos para o general. Assim agindo, ele repetiu a cena que já havia acontecido na caravana de motocicletas no Rio de Janeiro. O panorama está crítico, a atmosfera está densa e todos os envolvidos estão à espera de um desfecho a qualquer hora.

O equívoco que Bolsonaro cometeu evidencia-se ainda mais no fato de ter puxado aplausos para um ministro que ele mesmo exonerou, deixando claro que teria que ser substituído. Caso contrário, o teria mantido na pasta. Daí porque não se compreende a ação incentivada.

Curioso é verificar que Bolsonaro criou a secretaria, mas a designação de Pazuello foi assinada pelo ministro Luis Eduardo Ramos, chefe da Casa Civil da Presidência da República. Não parece lógico que um cargo do mesmo nível ministerial possa investir uma pessoa numa secretaria paralela a da da Casa Civil.

CLIMA DE RUPTURA – Na história moderna brasileira, repete-se o clima de ruptura que marcou os desfechos de 11 de novembro de 1955, o de 31 de março de 1964 e o de 13 de dezembro de 1968, Ato nº 5, formando um quadro também semelhante ao do atentado de 1981 no Riocentro.

Há ainda a atmosfera que marcou a campanha pelas Diretas Já que antecedeu de poucas semanas, em 1985, o fim da ditadura militar que se instalou no país em abril de 1964. Agora, um quadro de sensibilidade bastante forte se projeta sobre o país. A população aguarda o duelo final como nos filmes de capa e espada.

PIB  – O IBGE revelou nesta terça-feira e os jornais publicaram no dia seguinte o resultado registrado pelo Produto Interno Bruto no primeiro trimestre de 2021. O crescimento foi de 1,2%, mas a área econômica vê como sintoma de que a economia poderá este ano avançar em torno de 5%.

Para mim é difícil chegar a esses 5% com o desemprego mantendo-se na escala em que se encontra e na qual estão comprimidos 14 milhões de trabalhadores e trabalhadoras. O presidente Bolsonaro, diante de reclamações sobre a manutenção do auxílio emergencial, disse ironicamente que “os que não estão satisfeitos procurem um banco para fazer empréstimos”. Como os miseráveis, eternizados na obra de Victor Hugo, poderão ir ao banco realizar operações se as condições em que se encontram os estão levando até à fome?

CAUTELA – O crescimento do PIB tem que ser analisado com cautela. Em primeiro lugar porque se trata de uma incidência sobre um número absoluto de R$ 6,6 trilhões. Em segundo lugar, porque 1,2% do primeiro ao primeiro trimestre de 2021 em relação ao primeiro trimestre de 2020 não indica um avanço concreto na mesma proporção do crescimento econômico. Não cresce na mesma proporção porque a população brasileira sobe a velocidade de 1% a cada 12 meses. Acentue-se o fato de que a renda per capita resulta da divisão do PIB pelo número de habitantes.

Não termina aí a estrada que leva ao cálculo. Tem que se considerar também o índice inflacionário que separa 2021 de 2020. O índice inflacionário do IBGE foi de 5,4%. Assim, o crescimento fica sujeito a duas lentes: a lente demográfica e a lente inflacionária. Como acontece não só no Brasil , mas em todos os países do mundo.

8 thoughts on “Ex-ministro Pazuello é nomeado para novo cargo e Bolsonaro desafia todo o país

  1. PIBANDO ELEITORALMENTE

    O tal “mercado financeiro” deve desculpas ao Brasil: seus economistas erraram feio nas previsões do Produto Interno Bruto (PIB), que teve forte crescimento de 1,2% no 1º trimestre, o dobro do esperado.

    Agora, há uma corrida de revisões de aumento do PIB, após o banco Itaú estimar em 5% este ano.

    E já se constrói o consenso de que será de 7% o PIB de 2022.

    É que, para a média de 5% em 2021, a economia deve estar em 7% no último trimestre, e iniciará o ano eleitoral de 2022 nesse ritmo.

    O Brasil vai “bombar”, sobretudo nas áreas de infraestrutura e construção civil, dizem especialistas.

    Quem investir nessas áreas vai se dar bem.

  2. O grande jornalista Pedro do Coutto continua bebendo nas fontes poluídas da imprensa aliada da bandidocracia tucano-petista (Globo, Folha e Estadão), apesar disto sua análise levanta pontos importantes. O “clima de ruptura” começou com a eleição do Presidente Bolsonaro, escolhido pela maioria da população para dar um basta na bandidagem, na roubalheira e na degeneração que assola o país há 3 décadas. E essa ruptura vai continuar com a reeleição do Presidente em 2022: petralhas, tucanalhas e associados, nunca mais!

  3. Nas empresas modernas, implantaram o ciclo do PDCA, modelo japonês. Planeja, Faz, Checa, Age, para planejar de novo rodando o PDCA continuamente.
    No Ministério da Economia, Paulo Guedes ainda está na primeira das quatro PDCA. Fala muito, planeja pouco, faz pouco, não checa nada para mudar o rumo, por isso tem sido um fracasso, que só. Esse pibinho anunciado aí, é porque o Brasil trabalha de noite, enquanto o governo atrapalha de dia.
    Nos últimos dias, o ministro voltou às câmeras de TV para anunciar a venda de estatais/ privatização. Com o dinheiro dos leilões, ele pretende financiar um Fundo, com 30% dos valores arrecadados para bancar o Renda Básica, programa que visa dar dinheiro direto para o bolso do beneficiário. Trata-se do Bolsa Família do Bolsonaro.
    Ficamos sabendo, pela matéria do Estadão desta quinta, que o pai dessa ideia, é o empresário Elvaristo Amaral, líder do Movimento Convergência Brasil. Guedes vai chamá-lo para fazer parte do Gabinete do Bem, um grupo de empresários destinado a produzir medidas populistas, visando tirar o governo e o ministro das cordas e assim, aumentar a popularidade do presidente para que ele possa concorrer com chances de vitória nas eleições de 2022.
    Guedes disse: ” Vamos devolver as estatais ao povo brasileiro”. Ele é tão bonzinho, não é? Mentiroso, pois, quem vai ganhar as estatais são as classes empresariais, as vencedoras dos leilões, com preços bem baratinhos, na bacia das almas, quase de graça e financiadas pelo BNDES. Não sei a razão de botar no Banco o S. De social não tem nada de pitibiriba.

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