Generais Pujol e Azevedo garantem veto a golpe militar para implantar ditadura no País

Reação dos generais é uma gélida ducha na disposição de extremistas

Pedro do Coutto

Na solenidade alusiva ao Dia do Exército, em Brasília, nesta segunda-feira, o general Edson Pujol  afirmou enfaticamente que o Exército brasileiro é leal à Constituição e à democracia, repetindo o termo utilizado pelo general Fernando Azevedo e Silva quando anunciou sua saída do Ministério da Defesa. Na ocasião, Azevedo disse que preservou “as Forças Armadas como instituição de Estado”. Pujol disse que a data comemorava a renovação do compromisso “da instituição de Estado secular”.

Portanto, ambos rechaçaram a manifestação simbólica de domingo quando apoiadores de Jair Bolsonaro saíram às ruas e concentraram-se na Esplanada dos Ministérios, caminhando com cartazes nos quais pediam pelo golpe militar e a instauração de uma ditadura no Brasil “com Bolsonaro no poder”. Sem dúvida, um movimento em favor de uma ruptura capaz de promover um golpe militar, como foi o caso do Ato Institucional nº 5, não deixa de ser uma vontade pouco oculta do atual presidente da República.

SUBVERSÃO – Tanto, que se condenasse tal movimento subversivo, Bolsonaro teria publicamente desmentido e não aceitaria confraternizar-se com eles em frente ao QG do Exército na capital do país. Acentuo que o fato ocorrido em frente ao Forte Apache contra o Supremo e o Congresso Nacional foi repetido no final da semana e não provocou nenhuma reação do chefe do Executivo.

A reação dos generais que até há pouco ocupavam os cargos de ministro da Defesa e comandante do Exército, representa uma gélida ducha na disposição minoritária de radicais da extrema direita que não conseguem viver na democracia. São exaltados, não têm visão alguma da política e do que ela representa em matéria de instrumento do progresso e do equilíbrio institucional de um país como o Brasil.

A partir de hoje, quarta-feira, como reflexo do que assinalaram os jornais, o panorama militar e o universo político passaram a respirar uma nova realidade. Principalmente os deputados e senadores, entre os quais se incluem alguns extremistas que, se pensarem bem, vão se lembrar do que aconteceu em consequência do Ato nº 5, incluindo o fechamento das duas Casas do Poder Legislativo.

ORÇAMENTO – Danielle Brant, Renato Machado e Bernardo Caram, Folha de São Paulo, destacam com grande precisão os atendimentos realizados na segunda-feira, entre o governo, deputados e senadores, sobre modificações no Orçamento para este ano, superando assim, inicialmente, os impasses que vinham impedindo um acordo muito necessário para a administração do país.

O país não pode caminhar sem um Orçamento definido, apesar de ser esta uma peça mais de ficção do que de realidade. As modificações que entraram em vigor recentemente na legislação mudaram a face da Lei de Orçamento. Ela passou de uma peça autorizativa, para uma peça impositiva, como é o caso das emendas parlamentares.

Pela vontade de Paulo Guedes, mais uma vez derrotado pela articulação política, as emendas não seriam sancionadas, mas sim vetadas e o teto orçamentário não seria furado, como vai ser, por uma série de dispositivos encaixados na redação final da matéria. Diante disso, lembro do poema de Carlos Drummond de Andrade em que o personagem principal pergunta: ” E agora, José?”. Traduzo, “E agora, Paulo Guedes?”.

INFLUÊNCIA ELEITORAL – As emendas dos parlamentares significam uma soma no valor de R$ 18,5 bilhões, e referem-se a obras indicadas por senadores e deputados para atender, pelo que se presume, legítimas reivindicações de suas áreas de influência eleitoral. Paulo Guedes era contra, mas agora ficou sem ter o que dizer.

De outro lado, também foi excluído do teto de gastos o Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas empresas. Igualmente saiu do teto de gastos o Programa de Manutenção de Empregos através do repasse de recursos do Tesouro às unidades industriais de pequeno porte. Os créditos extraordinários foram igualmente autorizados.

DÍVIDA – O governo comprometeu-se a evitar o crescimento da dívida pública. Essa, eleva-se hoje a R$ 5,7 trilhões sobre a qual incidem juros anuais de 2,75%, conforme decisão do Banco Central. O total da Lei de Orçamento, a meu ver, é um pouco superior a R$ 3,6 trilhões. Isso porque pela lei em vigor, os orçamentos anuais são reajustados pela inflação do ano do exercício anterior. Com base no IPCA do IBGE o índice inflacionário de 2020 foi de 6,1%.

Não vejo motivo para que tanto o governo quanto os jornalistas que cobrem o setor da Economia não encaixem em suas matérias os números absolutos sobre os quais as percentagens incidem. Focalizar apenas a taxa percentual não reflete a dimensão verdadeira dos fatos.

MEIO AMBIENTE – Henrique Gomes Batista, O Globo, publicou ontem matéria a respeito do fórum do Meio Ambiente convocado pelo presidente Joe Biden para amanhã e sexta-feira em relação ao qual o governo brasileiro encontra-se em péssima situação. Henrique Gomes Batista relaciona os múltiplos problemas criados por fatos e também omissões do ministro Ricardo Salles, condenado por todos os lados, objeto inclusive de uma representação do procurador Lucas Furtado ao TCU, pedindo o envio de uma notificação ao governo defendendo a demissão imediata de Salles.

Aliás, a demissão do ministro está se tornando, ou já se tornou, uma reivindicação nacional e também internacional, pois representantes dos 40 países que se reúnem amanhã em torno das telas da internet estão perplexos com o comportamento extremamente negativo do titular do Meio Ambiente.

Até o cantor Caetano Veloso se manifestou condenando a permanência de Ricardo Salles. Na segunda-feira, a jornalista Miriam Leitão em seu espaço no O Globo praticamente arrasou o ainda ministro, relacionando os principais problemas de grande vulto que ele vem causando ao governo Bolsonaro e, sobretudo, ao País. Outro dia escrevi que a única saída de Bolsonaro é demitir Ricardo Salles, mas como não ocorreu até agora, acho que vão acabar saindo juntos, o presidente da República e o antiministro do Meio Ambiente.

PETROBRAS –  Ao assumir a Presidência da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna afirmou que vai prosseguir na paridade do preço do petróleo em relação ao qual são fixados os valores da gasolina e do óleo diesel. Francamente não creio que ele mantenha a política de Castello Branco, pois se fosse para manter a mesma diretriz,  por qual motivo Bolsonaro teria para investi-lo no comando da Petrobras?

A paridade de preços com o mercado internacional não faz sentido porque tal situação depende do câmbio e os consumidores brasileiros não têm os seus salários reajustados baseados na oscilação do dólar. Portanto é impossível que os proprietários de automóveis possam absorver aumentos seguidos como esses que Castello Branco deixou como legado na empresa estatal. Basta dizer que de janeiro a abril deste ano, o preço da gasolina subiu 41% e o preço do óleo diesel, 27%.

FUNDOS  – Uma reportagem de Aline Bronzati e Altamiro Silva Júnior, o Estado de São Paulo, ontem, matéria com grande destaque, anunciando que os bancos Itaú e Bradesco que competem no mercado interno resolveram lançar fundos para captação de recursos junto à empresas chinesas.

Essa decisão dos dois maiores bancos do país vai ao encontro de projetos chineses direcionados principalmente para o setor de produção e transmissão de energia elétrica. Uma das empresas chinesas é a State Grid. Alguns ex-dirigentes de Furnas, por exemplo, já se encontram trabalhando em parceria com a constelação econômica iluminada pela China.

ATAQUES A RENAN –  No O Globo, Amanda Almeida coloca em destaque a reação de deputados que apoiam Jair Bolsonaro contra a indicação de Renan Calheiros para relator da CPI que vai investigar os erros e as enormes omissões do Ministério da Saúde, no que se refere ao combate frontal com a pandemia, com mais de 370 mil mortes que poderiam ser evitadas se o ministro Mandetta permanecesse no cargo e  Pazuello não tivesse assumido.

Pazuello terá que dar explicação dupla à CPI: depõe como testemunha, pois era secretário executivo de Nelson Teich, e é acusado pela forma com que exerceu, posteriormente, o cargo ministerial. Renan Calheiros vem sendo atacado intensamente nas redes sociais por adeptos de Bolsonaro, entre os quais a deputada Carla Zambelli, aquela que chegou a propor a Sergio Moro mudar o seu comportamento no Ministério da Justiça e aguardar a nomeação para o STF.

A meu ver, quanto mais for atacado pelo bolsonarismo, melhor para Renan. Sob uma chuva de agressões, ele vai obtendo espaço maior junto aos jornais e emissoras de TV.

11 thoughts on “Generais Pujol e Azevedo garantem veto a golpe militar para implantar ditadura no País

  1. Senador exemplar???

    Quadrilhão do MDB (INQ 4326)

    Nesse inquérito, Renan Calheiros foi denunciado, junto com outros senadores do MDB, pelo crime de organização criminosa. Segundo a PGR, eles teriam recebido, no total, R$ 864,5 milhões de propina de empresas contratadas pela Petrobras e pela Transpetro, em troca de apoio ao governo Lula. Em fevereiro, o plenário do STF começou a analisar a denúncia, mas Dias Toffoli pediu vista e paralisou o julgamento.

    Corrupção na Transpetro (INQ 4215)

    Nesse caso, Renan Calheiros foi denunciado por corrupção e lavagem, por suposto recebimento de propina da NM Engenharia, em troca de contratos na Transpetro. Em 2019, a Segunda Turma do STF recebeu a denúncia, com base em indícios de que o MDB de Tocantins recebeu R$ 150 mil da empresa em 2010 – o dinheiro seria destinado ao ex-senador Leomar Quintanilha, que, em 2007, livrou Renan de representações no Conselho de Ética do Senado.

    Propina da Odebrecht (INQ 4426)

    Inquérito apura pagamentos de R$ 5 milhões da Odebrecht a Renan Calheiros e Romero Jucá em 2014, para alterar uma medida provisória de 2013 e aliviar o imposto de renda de lucros obtidos por empresas brasileiras no exterior. Neste mês, Edson Fachin concedeu prazo de 60 dias para encerramento da investigação.

    Caixa 2 da Odebrecht (INQ 4464)

    Apura repasses de R$ 500 mil da Odebrecht para Renan Calheiros em 2014. Inicialmente, a investigação, aberta em 2017, apontava benefícios à empreiteira em obras do Canal do Sertão. Em janeiro deste ano, o relator, Marco Aurélio Mello, acolheu tese da defesa de que os repasses eram caixa 2 e encaminhou o caso para a primeira instância da Justiça Eleitoral em Alagoas.

    Desvios no Postalis (INQ 4492)

    Apura recebimento de propina em investimentos milionários do Postalis, o fundo de pensão dos Correios, em papéis de empresas de fachada que seriam geridas por Milton Lyra, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Renan Calheiros. Em março, Luís Roberto Barroso prorrogou a investigação por mais 60 dias.

    Propina da JBS (INQ 4707)

    Nesse inquérito, Renan Calheiros é investigado pelo suposto recebimento de ao menos R$ 3,8 milhões da JBS para apoiar Dilma Rousseff em 2014, junto com outros senadores do MDB. Investigação tramita em segredo de Justiça, sob relatoria de Edson Fachin.

    Propina no Estaleiro Rio Tietê (INQ 4832)

    Investigação por corrupção e lavagem, no suposto recebimento de propina na construção de embarcações do Estaleiro Rio Tietê, encomendadas pela Transpetro. Sergio Machado disse que pediu que o empresário Wilson Quintela, da Estre Petróleo, Gás e Energia, repassasse dinheiro em espécie e fizesse doações eleitorais a Renan Calheiros.

    Propina no Estaleiro Atlântico Sul (INQ 4833)

    Investiga Renan Calheiros por corrupção e lavagem, por suposto recebimento de propina de empresas integrantes do consórcio do Estaleiro Atlântico Sul, contratado pela Transpetro para construção de navios. Sergio Machado disse que, entre 2004 e 2014, liberou um total de R$ 32 milhões para Renan Calheiros.

  2. O gado bolsonarista só está enchendo a bola do senador alagoano, o cara não vale a água da louça mas o gado bolsonarista vai ressuscitá-lo, transformá-lo em um mártir da intolerância bolsonarista. Os inimigos do mito são em primeiro lugar ele mesmo, depois a famiglia dele e os seus adoradores. Aí uma reeleição fica a cada dia que passa mais e mais difícil. O 51 só não se reelege se tentar repetir o discurso do passado, se fizer as mesmas promessas já ultrapassadas. A cada dia a corda mais se aproxima do pescoço do mito.

  3. Estou vindo apenas comunicar que estou deixando de vir aqui ler este panfleto de extrema direita. Deleitem-se vós, que apreciais jornalismo chinfrin.

    By… By…

  4. As tecnologias que os países ricos desenvolvem estão se tornando muito complexas e de dificil acesso (armazenadas em chips). Por isso em breve voltaremos á condição de servidão disfarçada: produzir produtos básicos em troca de uma caixinha milagrosa. tal qual fazíamos com os índios com a troca de espelho por ouro.
    Uma forma de curto prazo de se obter pessoal de excelência é através de formação em universidades de alto nível (tal qual Harvard, Duke, Princeton, Stanford). Tal feito leva tempo, mas é possível e foi o que a China fez: infestou universidades americanas de alunos chineses brilhantes e os levou de volta com o conhecimento tão desejado.
    Para aprender a produzir, a China ofereceu a mão de obra barata a grandes empresas estrangeiras. Hoje a China é uma potência em tecnologia.
    Nota: Akio Morita, fundador da Sony, cita em seu livro (Made in Japan) que aconselhou os chineses a primeiro se tornarem centro de produção através da mão de obra barata e só depois pensar em inovar.
    Uma coisa é certa: não é com governos imbecis que chegaremos ao fim do tunel, nem tampouco com militares, nem tampouco com corruptos medíocres.

  5. A omissão dos militares com o povo e Brasil foi tanta de vinte anos para cá, a ponto que hoje recusam “convites” para comandar o País.

    Chega a ser divertido, se não fosse trágico, o caos que nos encontramos atualmente, onde interessa o Planalto apenas para Lula e Bolsonaro.
    O primeiro para continuar roubando e, o segundo, para seguir destruindo o Brasil e eliminando parte de sua população.

    Quanto aos militares pedirem que afastemos o cálice da sedução para reorganizarem a Nação, trata-se de uma manobra puramente diversionista, pois existem milhares deles no governo, do primeiro até escalões subalternos.

    E existem poderosas razões para que declinem dos convites:
    Como vidraça, o exemplo de austeridade, probidade, seriedade, honestidade, interesses pelo Brasil e população devem ser concretos, visíveis, nítidos.
    Nesta situação que as FFAA se encontram de conforto, tranquilidade, paz, ótimos soldos, mordomias, e mandando no Brasil indiretamente, assumir o poder só mesmo para se incomodar e perder mais prestígio.

    Logo, as declarações dos dois generais “garantindo” que não haverá intervenção deles no poder, tem duplo sentido:
    a – já se encontram no poder;
    b – garantir o quê, se o Brasil está como querem?

    Agora, Braga Netto alertou que as urnas devem ser obedecidas, ou seja, Bolsonaro eleito pelo povo e democraticamente deverá ser respeitado neste aspecto, onde o general tem razão de um lado, porém não lhe assiste o outro, em face da tragédia desta administração.

    Quero ver, entretanto, se o general repetirá essas mesmas palavras, no caso de Lula vencer Bolsonaro e ser eleito, em consequência!
    Se terá esse mesmo pendão democrático, isto é, Braga Netto desfilará com um estandarte defendendo a democracia como faz neste momento?

    • Sem dúvida, sem dúvida.
      Mordomias como as de agora, os militares não tiveram nem quando houve a ditadura, que prefiro denominar de regime de exceção.

      Tá muito bom assim.
      As FFAA vão se meter em baile de bruxa para quê??!!

  6. Do Oglobo: Ex-comandante, Edson Pujol diz que ex-ministro Pazuello ‘ferrou o Exército’.

    Só o exército, general? Pena que seus mortos não possam incriminá-lo.

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