Governo manipula as estatísticas da classe média C

Carlos Newton

O comentarista Wilson Baptista Jr., sempre atento, nos envia pequena matéria de O Globo sobre os métodos usados para classificar se uma família conseguiu superar a chamada faixa da pobreza.

A chamada classe C, que seria a classe média baixa, tem várias maneiras de ser aferida, mas nenhum delas apresenta precisão e credibilidade. Pelo contrário, as sistemáticas evidenciam a manipulação desse tipo de estatística, que o governo do PT utilizasse para se vangloriar através do critério de renda per capita, criado pelo economista Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas. Existe também o chamado critério Brasil, adotado pelas agências de publicidade para direcionar os anúncios comerciais. E também há o critério por ocupação profissional, também altamente contestável.

CRITÉRIOS DIVERSOS

Confira como cada um faz essa classificação:

Critério Brasil: A metodologia usada pelas agências de publicidade teve sua versão mais recente atualizada no início deste ano. Pelo modelo, a classe C engloba famílias com renda mensal entre R$ 1.446,24 e R$ 4. 427,35, mas pode variar. Isso porque considera o acesso a bens e serviços, como banheiro, água encanada e carro

Pela ocupação: A definição é usada pelo economista Waldir Quadros, professor da Unicamp. O pesquisador não usa o termo “classe”, mas sim cinco “padrões de vida”, que vão de “alta classe média” a “miseráveis”. Influencia na classificação o tipo de ocupação e os ganhos do membro da família com maior rendimento. Entre as profissões típicas da “baixa classe média” estão recepcionistas e operadores de telemarketing.

Definição do governo: em 2012, quando Marcelo Néri ocupava a Secretaria de Assuntos Estratégicos, ele próprio definiu que a classe média é formada por famílias com renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019. Atualizada pela inflação, seria de R$ 368,27 a R$ 1.289,59

E você, o que acha? Uma família com cinco pessoas e renda total de R$ 1.845,00 teria escapado da faixa da pobreza e poderia ser considerada classe média?

11 thoughts on “Governo manipula as estatísticas da classe média C

  1. Classe média é o grupo que não usa o SUS e tem plano de saúde. A questão é definir não a classe média e sim a pobreza. Quantos brasileiros estao “realmente” desempregados e sem renda? Bolsa-família, não é renda e sim benefício social temporário. Auxílio desemprego também não é renda. Calculem os números e veremos que menos de 55% da população ativa tem renda. Depois, temos as crianças, os velhos aposentados (aposentadoria do INSS poderia ser considerada como renda?) e os amigos do rei (aposentados do sistema público com salário integral). Se a classe média ganha 500 ou 1500 por mês, não é importante e sim o que se pode comprar com este volume de dinheiro. Aliás, qual é a renda per capita em USD no Brasil? Ninguém fala mais disto depois que o dólar passou dos três reais. Na verdade, o Brasil continua um país de pobres e, hoje, são uma maioria da população. Maior do que em 2003.

  2. Segundo o governo , um cssal com uma renda de R$ 740,00 seria classe media ….kkkk
    Com menos de R$ 25,00 dia , apos pagar a conta de luz e conducao se leva um ‘ vidao ‘!

  3. 99,999% das analises da imprensa estao se baseando apenas nos movimentos politicos abertamente existentes.
    Ha um outro que corre nas sombras que tem, quem sabe , provocado condicoes de desgaste ao governo ate superioores as manifesyacoes.
    Estao pregando para que so se consuma o estritamente necessario , nao se troque de carro , eletrodomesticos , etc. Tambem estao aconselhando que se passe os investimentos para o ouro fisico custodiado.
    Como estao tendo uma grande adesao e capaz que mostrem as suas garras no 7 de setembro , mes que por mero acaso o Temer deve devolver o abacaxi para a tia….

  4. Tamberlini, sei que esta ocorrendo ha algum tempo um movimento sem precedentes de aceleraçao dos saques da velha poupança, principalmente pela pressao inflacionaria das tarifas e do cambio e pela perda de renda pelo crescente desemprego e aumento da taxa de juros.

    Boa parte desses saques esta indo para pos fixados nao tributados como LCA e LCI e mesmo para prefixados no Tesouro, para opçoes especulativas, ou para a desesperada amortizaçao das dividas crescentes.

    Essa do ouro (“so o ouro” como dizem em Brasilia) fisico custodiado e do temor de medidas desesperadas do governo (com ruptura institucional, pois a Emenda 32 torna inviavel um bloqueio de ativos) eu ainda desconheço. Detalhe mais o seu relato.

    • Não é simples medo. Há um movimento para reduzir o consumo ao mínimo possível e retirar os ativos financeiros dos bancos. Não foi à toa que os bancos estão dificultando o crédito a cada dia. O movimento é grande, tanto que as agências do Banco do Brasil, credenciadas para comercializar ouro físico pararam com a operação.
      Dessa forma esse rupo pretende encurralar ainda mais o governo na área econômico, inclusive com greves apoiadas por setores do patronato.
      No dia 7 de setembro eles devem aparecer de forma clara no Museu do Ipiranga em SP. Mas não é só, o Temer pula do barco até o dia 15, já que é muito ligado a eles.

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    Perfil da população brasileira segmentada por faixa salarial:

    FAIXA SALARIAL……………………………….POPULAÇÃO…………….%
    ————————————————————————————————–
    ATÉ 3 SALÁRIOS MÍNIMOS…………………….159.620.400…….79,02
    DE 3 A 5 SALÁRIOS MÍNIMOS………………….20.482.800…….10,14
    DE 5 A 10 SALÁRIOS MÍNIMOS………………..15.352.000………7,60
    DE 10 A 20 SALÁRIOS MÍNIMOS………………..4.848.000………2,40
    MAIS DE 20 SALÁRIOS MÍNIMOS……………….1.696.800………0,84
    ————————————————————————————————–
    TOTAL…………………………………………………..202.000.000………100

    Fonte: IBPT.

    Pela classificação da ABEP (Associação Brasileira de Empresas e Pesquisas) que estratifica a classe média e três subclasses – baixa classe média, média classe média e alta classe média – a classe média vai de uma renda per capta de R$441,00 até R$4.076,00. Veja a matéria aqui: http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2013/08/veja-diferencas-entre-conceitos-que-definem-classes-sociais-no-brasil.html

  6. Uma outra forma de enxergarmos a questão da renda da população é olhando para os dados da PNAD contínua do IBGE.

    Veja:

    Unidades da Federação………………Rendimento nominal mensal domiciliar per capita
    ——————————————————————————————————–
    Brasil…………………………………………………………………..R$1.052,00
    ——————————————————————————————————–
    Rondônia………………………………………………………………..R$762,00
    Acre……………………………………………………………………….R$670,00
    Amazonas……………………………………………………………….R$739,00
    Roraima………………………………………………………………….R$871,00
    Pará………………………………………………………………………..R$631,00
    Amapá…………………………………………………………………….R$753,00
    Tocantins…………………………………………………………………R$765,00
    Maranhão…………………………………………………………………R$461,00
    Piauí………………………………………………………………………..R$659,00
    Ceará……………………………………………………………………….R$616,00
    Rio Grande do Norte………………………………………………….R$695,00
    Paraíba……………………………………………………………………..R$682,00
    Pernambuco………………………………………………………………R$802,00
    Alagoas…………………………………………………………………….R$604,00
    Sergipe……………………………………………………………………..R$758,00
    Bahia………………………………………………………………………..R$697,00
    Minas Gerais…………………………………………………………..R$1.049,00
    Espírito Santo………………………………………………………….R$1.052,00
    Rio de Janeiro………………………………………………………….R$1.193,00
    São Paulo………………………………………………………………..R$1.432,00
    Paraná…………………………………………………………………….R$1.210,00
    Santa Catarina………………………………………………………….R$1.245,00
    Rio Grande do Sul…………………………………………………….R$1.318,00
    Mato Grosso do Sul…………………………………………………..R$1.053,00
    Mato Grosso…………………………………………………………….R$1.032,00
    Goiás……………………………………………………………………….R$1.031,00
    Distrito Federal…………………………………………………………R$2.055,00
    ——————————————————————————————————–
    Fonte:IBGE/PNAD Contínua 2014.

    Veja que se adaptarmos esta tabela do IBGE à classificação da ABEP para a estratificação social, veremos que o Brasil, como um todo é um país de alta classe média com rendimento per capta de R$1.052,00.

    O Brasil, em 2014, assim se caracteriza como um país cuja sociedade é de alta classe média, segundo a estratificação da ABEP.

    O Maranhão, com R$441,00 de rendimento nominal mensal familiar per capta classifica-se na média classe média; e o Distrito federal, com R$2.055,00 na baixa classe alta.

    • Perdão, eu errei aqui. Esta classificação é segundo o governo e não à ABEP. Perdão!

      Agora, vejam que discrepância quando adaptamos a estatística do IBGE que através da PNAD contínua nos dá o rendimento nominal mensal domiciliar per capta, à estratificação social segundo a ABEP:

      Unidades da Federação..Rendimento nominal mensal domiciliar per capita…Estrato Social segundo a ABEP
      —————————————————————————————————————————————————
      Brasil…………………………………………………….R$1.052,00…………………….pobre, mas não extremamente pobre
      —————————————————————————————————————————————————-
      Rondônia………………………………………………R$762,00……………………….extremamente pobre
      Acre………………………………………………………R$670,00……………………….extremamente pobre
      Amazonas……………………………………………..R$739,00……………………….extremamente pobre
      Roraima………………………………………………..R$871,00……………………….pobre, mas não extremamente pobre
      Pará………………………………………………………R$631,00……………………….extremamente pobre
      Amapá…………………………………………………..R$753,00……………………….extremamente pobre
      Tocantins………………………………………………R$765,00……………………….extremamente pobre
      Maranhão……………………………………………..R$461,00……………………….extremamente pobre
      Piauí……………………………………………………..R$659,00……………………….extremamente pobre
      Ceará…………………………………………………….R$616,00……………………….extremamente pobre
      Rio Grande do Norte………………………………R$695,00……………………….extremamente pobre
      Paraíba………………………………………………….R$682,00……………………….extremamente pobre
      Pernambuco………………………………………….R$802,00……………………….extremamente pobre
      Alagoas…………………………………………………R$604,00……………………….extremamente pobre
      Sergipe………………………………………………….R$758,00……………………….extremamente pobre
      Bahia…………………………………………………….R$697,00……………………….extremamente pobre
      Minas Gerais…………………………………………R$1.049,00……………………….pobre, mas não extremamente pobre
      Espírito Santo………………………………………..R$1.052,00……………………….pobre, mas não extremamente pobre
      Rio de Janeiro………………………………………..R$1.193,00………………………vulnerável
      São Paulo………………………………………………R$1.432,00………………………vulnerável
      Paraná…………………………………………………..R$1.210,00……………………….vulnerável
      Santa Catarina……………………………………….R$1.245,00……………………….vulnerável
      Rio Grande do Sul………………………………….R$1.318,00……………………….vulnerável
      Mato Grosso do Sul……………………………….R$1.053,00……………………….pobre, mas não extremamente pobre
      Mato Grosso…………………………………………R$1.032,00………………………..pobre, mas não extremamente pobre
      Goiás……………………………………………………R$1.031,00………………………..pobre, mas não extremamente pobre
      Distrito Federal……………………………………..R$2.055,00………………………..baixa classe média
      ——————————————————————————————————————————————————–
      Fonte:IBGE/PNAD Contínua 2014 / ABEP.

      Conclusão: o Brasil é um país de gente pobre, mas não extremamente pobre. Não é um país de classe média. Nunca foi!!!

      • Critérios da ABEP (Associação Brasileira de Empresas e Pesquisas):

        – Renda média familiar até R$854,00 é considerado extremamente pobre;
        – Renda média familiar de R$854,01 até R$1.113,00 é considerado pobre, mas não extremamente pobre;
        – Renda média familiar de R$1.113,01 até R$1.484,00 é considerado vulnerável;
        – Renda média familiar de R$1.484,01 até R$2.674,00 é considerado baixa classe média;
        – Renda média familiar de R$2.674,01 até R$4.681,00 é considerado média classe média;
        – Renda média familiar de R$4.681,01 até R$9.897,00 é considerado alta classe média;
        -Renda média familiar de R$9.897,01 até R$17.434,00 é considerado baixa classe alta;
        – Renda média familiar acima de R$17.434,00 é considerado alta classe alta.

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