Governo voltará a enviar SMS cobrando devolução do auxílio emergencial recebido indevidamente

Com 2% de sucesso na 1ª vez, governo diz que estratégia é um sucesso

Marcelo Parreira
G1/ TV Globo

O governo federal apostará novamente na estratégia de enviar mensagens SMS para quem recebeu auxílio emergencial de forma indevida e pedir o dinheiro de volta. Ao todo, 2,38 milhões de mensagens devem ser enviadas, em dois lotes. O governo não informou quanto foi pago a essas pessoas nem quanto espera conseguir de volta com a medida.

Em dezembro, 1,2 milhão de pessoas receberam as mensagens informando que elas deveriam devolver o benefício ou contestar o cancelamento, mas, segundo os dados oficiais, somente 30.370 fizeram a devolução, isto é, 2,4% do público-alvo.

DESTINATÁRIOS – De acordo com o governo, na primeira tentativa, foram recuperados R$ 47 milhões. A expectativa do Poder Executivo era recuperar R$ 1,57 bilhão. Entre as pessoas que receberam as mensagens em dezembro, estavam: cidadãos com renda superior ao limite previsto nas regras do programa; aposentados; beneficiários do INSS; servidores públicos civis e militares; detentos do regime fechado.

À época, o Ministério da Cidadania não explicou como pessoas que constam na própria folha de pagamentos da União tiveram os cadastros autorizados. A TV Globo também questionou o governo sobre os benefícios pagos a presos em regime fechado e sobre a lista de contatos telefônicos utilizada pelo ministério para enviar mensagens a esse grupo, mas não houve resposta.

“SUCESSO” – Assim como no envio de SMS em dezembro, a estratégia será implementada por meio de um contrato do Ministério da Economia. No ofício encaminhado à pasta, ao qual o G1 teve acesso, o Ministério da Cidadania diz que “tendo em vista o sucesso da estratégia”, vai enviar mensagens de reforço às pessoas que receberam o primeiro lote de SMS, mas não contestaram nem devolveram o recurso recebido.

Pelo ofício, a pasta também vai notificar um novo grupo de pessoas, cujo recebimento indevido foi identificado depois. Em nota, o ministério afirmou que o índice de suspeitas de fraudes envolvendo o auxílio emergencial em 2020 foi de 0,44% e que a medida provisória que estabeleceu o novo auxílio para este ano “reforçou como pilares a proteção social e econômica aos mais vulneráveis e o compromisso com a responsabilidade fiscal”.

O ministério afirmou também que já retomou R$ 3,1 bilhões pagos e não-movimentados nas contas, além de ter recuperado R$ 321,2 milhões devolvidos voluntariamente por quase 250 mil beneficiários. Sobre a estratégia de enviar mensagens SMS em busca da devolução, destacou “que o custo operacional representa 0,14% ao que foi recuperado até o momento.”

3 thoughts on “Governo voltará a enviar SMS cobrando devolução do auxílio emergencial recebido indevidamente

  1. Tem muita mutreta por trás desses pagamentos a pessoas indevidas, mas muita!

    Falsificação de CPFs, abertura de contas correntes que imediatamente fecham após o dinheiro ter sido retirado, identidades falsas, e gente que tem pleno domínio dessa forma de depositar créditos, e facilmente transferidos para suas contas pessoais.

    O problema tem sido contumaz em todos os governos, ou seja, o quanto são PROPOSITADAMENTE desorganizados.
    Por que é difícil a sonegação do IR?
    por que é difícil enganar o Banco Central?
    Pelo simples fato que são instituições voltadas à fiscalização, ao controle, no fazer cada contribuinte cumprir com suas obrigações.

    Os governos não se preocupam com a segurança das verbas chegarem aos seus destinos porque não interessa.
    Agindo desta forma, com falhas gritantes, “sobra” um saldo polpudo para seus “organizadores”.

    Depois, se até certo ponto fáceis de serem descobertos, o impossível é ter gente para cobrar ou abrir processos judiciais!

    Diante da memória do povo não ser maior que o cérebro de um mosquito, alguns dias deixam de existir as informações e notícias neste sentido, e o Brasil segue o seu curso determinado pela corrupção, hoje no DNA de nossos poderes constituídos.

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