Liberar preços e congelar salários só pode prejudicar a popularidade de Bolsonaro

Charge do Adnael (facebook.com)

Pedro do Coutto

Reportagem de Bernardo Melo, Manoel Ventura e Natália Portinari, O Globo deste domingo, revela que o presidente Jair Bolsonaro está se empenhando para melhorar a sua popularidade e, com isso, a sua imagem fundamental, em sua opinião, para as eleições de 2022.

Acontece que a popularidade não se obtém através da injeção de publicidade comercial em quaisquer órgãos da imprensa ou em qualquer rede de televisão. A popularidade depende, isso sim, de realizações concretas que podem interessar à vida das pessoas, levando-as a um panorama melhor. Não adianta se injetar milhões de reais que não tem um elo consistente com a realidade do país, dos estados e dos municípios brasileiros.

PROBLEMAS SOCIAIS  – A reportagem focaliza a relação entre os problemas sociais e a população do país. Sucede que o presidente Bolsonaro se fixa no programa Bolsa Família, que ele deseja ampliar, e no auxílio de emergência, que deseja manter até o fim do ano. Mas a eleição não será conseguida em 2021, mas em 2022. Portanto, se o auxílio de emergência for cortado, como deverá ser, próximo à conquista dos votos, o reflexo será negativo ao próprio governo. É claro. A oferta de alguma coisa após ser feita não pode ser revogada, pois o beneficiário do gesto se sentirá ultrapassado, já que habitualmente faz um prognóstico otimista sobre o que lhe é oferecido. Retirar é pior do que não dar.

A publicidade do governo depende de fatos concretos e permanentes, como é o caso da redistribuição de renda. Não pode haver redistribuição de renda, e sim concentração, se os preços seguem o seu curso natural, com os salários comprimidos de forma prejudicial, causando a queda evidente e inegável do poder de consumo.

O poder de consumo se baseia na disponibilidade dos trabalhadores em adquirir os produtos que deseja, inclusive os alimentos que estão escassos para cerca de 25% da população brasileira.

PROMOÇÕES DO GOVERNO – Constança Rezende e Raquel Lopes, Folha de São Paulo, destacam o fato de R$ 52 milhões destinados para a vacinação e contra a Covid-19 terem sido aplicados em promoções do governo de muito menor reflexo na opinião pública. Justamente porque falta um fator que possa sensibilizar efetivamente os eleitores e eleitoras do país.

Não adianta pensar o contrário porque não haverá exemplo positivo, exceto para aqueles que lideram os pagamentos e aqueles que executam as tarefas, entre elas, várias inócuas. A grande arma de um governo para obter respaldo na opinião pública não é a publicidade tradicional porque ao verificar que o espaço foi comercializado, as pessoas não valorizam o conteúdo, pois se alguém pagou pelo espaço, ele não será igualitário entre a esperança e a oferta.

MOURÃO NA DISPUTA – No O Globo também de domingo, Manuel Gulino e Paulo Cappelli revelam que o vice-presidente Hamilton Mourão está estudando trocar de legenda partidária e disputar as eleições de 2022 para senador pelo Rio Grande do Sul ou para o governo do Rio de Janeiro. A informação é importante pois acentua o afastamento do general Mourão do governo Bolsonaro.

As relações entre ambos estão estremecidas há vários meses. Em alguns momentos, Mourão assumiu posições contrárias a do presidente da República, a exemplo do caso dos desmatamentos, na medida em que Mourao já se pronunciou contra a continuidade de Ricardo Salles no Meio Ambiente enquanto Bolsonaro considera a atuação do referido ministro como excepcional.

RUPTURA – O afastamento de Mourão do presidente da República representa uma oscilação na base militar, especialmente do Exército em relação ao próprio governo. Não que a corrente mais próxima de Hamilton Mourão tenha força para uma ruptura institucional.

Não se trata disso, mas sim de que existe uma corrente que pode se contrapor a qualquer iniciativa do Planalto. Um grupo pode não ter força para realizar algo de concreto. Mas não quer dizer que não consiga evitar qualquer alteração em sentido contrário. Mourão e Jair Bolsonaro, como os fatos comprovam, encontram-se em posições antagônicas. A veloz caminhada para as urnas vai com o passar do tempo caracterizando uma ruptura que se reflete nas tendências de voto e na popularidade do presidente da República.

5 thoughts on “Liberar preços e congelar salários só pode prejudicar a popularidade de Bolsonaro

  1. Ele como sempre faz tudo errado. Ele é extremamente simplista, para não dizer simplório.
    Desde o início do mandato ele se colocou no palanque eleitoral.
    Na ideia dele quem votou nele, continuará votando, e por isso com o tempo mais eleitores o escolherão.
    Qdo o Trump tropical acordar vai ser traumático!

  2. Tamos ferrados de qualquer jeito: um candidato só é capaz de gerenciar uma carroça e o outro de puxá-la; aquele é semi anarfa o outro um idiota genocida.
    Escolher quem?

  3. Realmente, não adianta propaganda e marketing, se os fatos não correspondem a enganação para boi dormir. Salários congelados e preços no supermercado subindo felizmente.
    Na bomba de gasolina, litro quase chegando a seis reais, dizem que é para estimular a compra de Refinarias da Petrobrás. Política de privatização em massa dos ativos do Petróleo, que já foi nosso. Não é mais. Os generais que ajudaram a criar a Petrobrás em 1954, já não existem mais, estamos em outro mundo. Venda de tudo, até da alma nacionalista.
    Quanto ao General Mourão, está parecendo com o Alençar, mineiro, vice do Lula, que discordava dos juros altos em público. Lula nem esquentava. Bolsonaro se incomoda com as críticas de Mourão. Ele não chega a ser um Contraponto, são divergências pontuais. Por exemplo: Mourão é a favor da Copa América, contra o ativismo judicial do STF, apoia ações militares nas comunidades do Rio de Janeiro, enfim, são vinhos da mesma pipa, com tons discordantes dependendo dos fatos.
    Mourão não tem carisma para vencer eleição majoritária, a não ser, pendurado em alguém que tenha votos. Se romper com o governo, será o último da lista. Daí, que no ano da eleição, deverá se acertar com Bolsonaro para sobreviver na Política. O pragmatismo é o dogma dos políticos e militares, criados na filosofia Positivista.
    Há muito lenha para queimar nessa fogueira de vaidades, antes do pleito de 2022.

  4. No RJ está congelado e nem por isso muitos servidores garantiram voto ao Witzel que era favorável ao regime imposto pela União, e tem muitos que votarão em Claudio Castro, esse completamente bolsonarista…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *