Mensalão: candidatos em silêncio esperam pesquisas

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Pedro do Coutto


Os candidatos às eleições de 2014, não só quanto à sucessão presidencial, mas também incluindo disputas estaduais, permanecem em silêncio diante da decisão do Supremo em relação ao mensalão, especialmente quanto as prisões decretadas para diversos condenados. Estão aguardando a divulgação de pesquisas do Datafolha e do Ibope para que possam sentir efetivamente quais são as reações populares em face dos acontecimentos.


Atualmente nada se faz no campo político sem que haja um levantamento de opinião pública norteando o caminho a seguir. Até agora, portanto, as reações verificadas, especialmente na área do PT, são fracas, não permitindo uma visão mais nítida das tendências. Não estou me referindo ao julgamento em si, mas às prisões determinadas e à forma com que estão sendo cumpridas. O caso da prisão do deputado José Genoino, por exemplo, que vem apresentando problemas de saúde.

 

Não há clima, é claro, para que  candidato algum assuma posição contrária ao desfecho ocorrido até agora. Porém as situações de saúde sempre motivam um sentimento de pena porque todos nós nos sensibilizamos diante do sofrimento humano, sejam quais forem as condições.


No caso específico de Genoino creio que cabem medidas de resguardo, inclusive pelo fato de que a situação de risco que o está envolvendo pode, junto à opinião pública, de alguma forma estender-se aos demais cujas prisões forem decretadas. A atmosfera de sofrimento de uma pessoa pode ser capaz de causar um reflexo nas demais prisões dos condenados, embora a penas diferentes, mas em consequência do mesmo processo.

Não se pode alegar cerce4amento do direito de defesa a uma questão que  se arrastou – e parcialmente ainda se arrasta – por mais de oito anos na Corte Suprema do país. Tampouco tem cabimento réus alegarem ser perseguidos políticos. Perseguidos por quem? Por qual governo ou quais governos? De 2005 para cá, só houve dois presidentes da República: Lula e Dilma Rousseff. Tal constatação bloqueia as manifestações de um pequeno grupo do PT.

SILÊNCIO ESTRATÉGICO


Mas isso não significa que o julgamento do STF represente uma vitória da oposição. Daí o silêncio estratégico adotado como norma de conduta de todos os candidatos. A respeito do tema silêncio, o jornalista Ricardo Noblat escreveu um artigo muito bom na edição de O Globo de segunda-feira. O texto de Noblat possui várias colocações, além do silêncio, uma delas a que focaliza um provável mal estar de parte de José Dirceu ante o distanciamento em relação a ele adotado pela presidente Dilma Rousseff.

Havendo silêncio no plano federal, nada mais lógico do que ocorra nas áreas estaduais. Porque em muitos casos as alianças entre os candidatos nacionais e os regionais vão naturalmente depender de uma sintonia entre os posicionamentos. Isso é próprio da política. Todos, sem dúvida, são a favor de mais emprego, melhores salários, mais recursos para educação e saúde. Pacífico. Nesses pontos não vão surgir divergências. Mas as convergências têm limites. Evidentemente se todas as opiniões coincidissem, a política, que é a luta pelo poder, não existiria. E a própria vida humana seria um tédio.

As divergências, portanto, são fundamentais. Mas não podem conduzir o pensamento humano às raias do absurdo. Os reflexos das prisões do mensalão certamente estão sendo avaliados nas pesquisas que devem estar sendo realizadas. Os candidatos assim vão esperar um pouco.

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