Não é fácil se posicionar em meio a subterfúgios e mentiras

Acílio Lara Resende
O Tempo

A crise por que passam os brasileiros, que tem várias faces, vem se agravando cada vez mais. Assiste-se, dia após dia, ao desmoronamento da nossa economia. Para uns, a crise é econômica; para outros, é política. Na realidade, ambas são causas, mas também efeitos. E a deterioração desse circo mambembe (e sem palhaço) vem se acentuando desde o primeiro mandato da presidente Dilma, mas atingiu o clímax na sua reeleição. Com o apoio do submisso ex-ministro Guido Mantega (et caterva), desprovida das qualidades necessárias à liderança política e, ainda, com o desafio de provar – principalmente ao PT – que é mesmo a eficiente “gerentona” do ex-presidente Lula, Dilma se transformou na única condutora da nossa economia. Um horror!

Para mim, porém, leitor, o que há de mais perigoso é a crise política, que é (vale repetir uma vez mais) “a arte de bem governar os povos”. É ela que solapa a credibilidade de um país, interna e externamente. Mas, como qualquer crise, sempre se encontrou uma saída para ela, proposta, sobretudo, e independentemente dos partidos, por lideranças espertas ou conscientes do seu papel.

O que ocorre é que, ao lado de outras crises, há, ainda, a pior e mais grave delas – a crise de lideranças. É devastadora, hoje, a ausência de representantes confiáveis, tanto no governo quanto na oposição. O que se vê são políticos de varejo, que apenas defendem os seus interesses, próximos ou longínquos, sem nenhuma preocupação com o país. Não é nada fácil, portanto, se posicionar politicamente em meio a subterfúgios e mentiras.

GOVERNO SEM RUMO

Veja bem, como diria um velho e educado amigo toda vez que pedia permissão para dar o seu palpite, não sem antes frisar os dois pontos: o país está nesse impasse, senhores, simplesmente porque o governo está sem rumo, e, em compensação, a oposição não consegue sequer escolher um rumo. A presidente delegou as suas atribuições a vários intermediários: Joaquim Levy, um bom sujeito (mas sem nenhuma preocupação com o seu emprego em grande banco no futuro), deveria conduzir a economia, e Michel Temer, a articulação política. Só que o primeiro não tem o apoio do PT, e o segundo já sucumbiu, não sem antes afirmar que o país precisa de alguém que o reúna e o defenda.

Na oposição, sobretudo no PSDB, em qual das correntes você acredita, leitor? Na do senador Aécio Neves, que quer a impugnação da chapa Dilma e Temer para ser candidato a presidente três meses depois da convocação das eleições? Ou você acredita na do governador Geraldo Alckmin, que deseja levar a presidente sangrando até 2018, quando, então, ele seria o candidato?

E A TEORIA DO SERRA?

 

Ou, enfim, você crê na do senador José Serra, que confia, piamente, que, no caso de impeachment via TCU, e com a consequente posse do vice-presidente, e com o apoio do PMDB, ele seria o futuro todo-poderoso da nossa economia? Mas essa última opção não provocaria um desastre, que seria a posse de Michel Temer, que, por ser passageiro do mesmo barco, fretado pela dona Dilma e que os acompanhou nas eleições, agravaria mais ainda a crise?

Os partidos de oposição poderiam entregar ao ex-presidente Fernando Henrique a missão sugerida por Michel Temer – a de reunir o país em favor de um rumo. Aos 84 anos, FHC tem plenas condições – mentais, morais, intelectuais e políticas, internas e externas – para encaminhar uma solução para o imbróglio. Só faltam duas condições para isso: ele querer e, depois, o PSDB o aceitar a missão…

Ou o que todos desejam é que a vaca vá para o brejo?

13 thoughts on “Não é fácil se posicionar em meio a subterfúgios e mentiras

  1. Quem vai sangrar até 2018 será o povo brasileiro. Que ideia mais estapafúrdia de que Dilma vai sangrar… que sangrar o quê, meu senhor. A Dilma até 2018 vai é gozar, e gozar muito!

    Quero ver o povo aguentar até lá, quero ver!

  2. Prezado Acílio Lara Resende,

    A oposição ao governo do PT não está concentrada no PSDB mas concordo que nenhum líder do PSDB parece ter consenso do próprio partido. O PSDB está dividido entre uma ala Aecista, outra Serrista e outra Alckimista, brigando entre si porque os três tem interesse em ser o indicado pelo partido para ser o candidato a presidente da República para 2018. Fernando Henrique Cardoso, além de estar muito idoso, tem dado opiniões controversas, inclusive inocentando Dilma antes das investigações da Lava-Jato serem concluídas, e já não pode mais liderar o PSDB.

    Mas há lideranças nacionais, sim, preparadas para governar o Brasil e tirar o Brasil do atoleiro. Elas estão no PPS de onde destaco dois nomes: O presidente do Partido, deputado federal (PPS_SP) Roberto Freire, e o líder da bancada na Câmara, deputado federal (PPS-PR) Rubens Bueno. O partido tem propostas para o país. Só é preciso que a população queira e aceite a liderança do PPS. A começar da reforma política onde o PPS propõe a instituição do Parlamentarismo no Brasil e do voto distrital misto. O Parlamentarismo seria para vigorar à partir das eleições de 2018, assim como o voto distrital misto. Para agora, de imediato, teremos de colocar remendos no governo Dilma, se ela não for defenestrada. Apesar de ser oposição, o PPS não se negará a ter uma posição parlamentar que beneficie a população. Abaixo transcrevo a proposta do PPS:

    O presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP), defendeu a votação da proposta de emenda constitucional de autoria do ex-deputado Eduardo Jorge que institui o parlamentarismo no Brasil, durante cerimônia de lançamento da Frente Parlamentarista Franco Montoro, na manhã desta quinta-feira (16).

    A matéria está pronta para a apreciação do plenário da Câmara e tem parecer pela aprovação. Freire lembrou que solicitou que ela fosse votada como grande mudança na reforma política, mas não obteve sucesso.

    Estavam presentes no lançamento da frente a deputada federal Carmen Zanotto (PPS-SC), os dirigentes do partido Francisco Almeida e Soninha Francine e o secretário-geral do PPS-DF, Anderson Martins. Eduardo Jorge e vários deputados federais também participaram do evento.

    Segundo Freire, em um país como o Brasil, que é praticamente uma República unitária, já que a federação é “uma ficção”, o sistema presidencialista é imperial. “Além disso, o presidencialismo aprofunda todos os impasses, e todas as crises são passíveis de serem transformadas em impasses institucionais sob sua vigência”.

    No entanto, o presidente do PPS salientou que o parlamentarismo não pode ser usado como alternativa à crise econômica e ético-política por que passa o país.

    “É um regime para ser adotado no próximo mandato presidencial, até para não ser chamado de golpe por esses que facilmente tacham os outros de golpistas, mesmo que um dia tenham estado nas ruas e no parlamento, ao nosso lado, lutando pelo impeachment de Fernando Collor”, lembrou.

    Para Freire, o mandato presidencial deve ser cumprido, seja qual for o presidente, “havendo impeachment, sendo convocadas novas eleições ou se Dilma continuar”.

    Freire contou que a realização do plebiscito sobre o parlamentarismo foi adiantado na época dos estertores do governo Collor. “O país pensava se teríamos impeachment, como sairíamos da crise e imaginávamos que o parlamentarismo poderia ser usado para evitar o aprofundamento do impasse”.

    Na campanha do plebiscito, PT e PDT se perfilaram em favor do presidencialismo, acreditando que ou Lula ou Leonel Brizola fosse o eleito presidente em 1994. “E o único que foi presidente naquele ano foi um parlamentarista, que em oito anos de governo não tomou nenhuma medida em prol da luta pela qual seu partido, o PSDB, havia nascido”, afirmou Freire, numa referência a Fernando Henrique Cardoso.

    No plebiscito, realizado em 1993, o parlamentarismo foi derrotado. Para a adoção do sistema, mesmo com a aprovação da emenda de Eduardo Jorge pelo Congresso, deverá haver consulta popular novamente.

    Por isso, Eduardo Jorge defendeu que os parlamentaristas conversem com a população sempre sobre o regime que defendem. “Ele é o passo mais avançado para a governança democrática no mundo”, salientou. Com o sistema parlamentarista, “a responsabilidade de prestar contas ao cidadão é muito maior”. Eduardo Jorge disse que vai discutir o assunto com todos os presidentes de partido e também com a presidente Dilma Rousseff.

  3. Começou bem a análise, até o momento em que propôs resolver os problemas do país entregando o governo a FHC (eleição pra que, né? ). Para prevenir os leitores sobre as próximas tentativas de comédia, talvez seja melhor que, no futuro, elas venham assinadas por Acílio HILÁRIO Resende.

  4. Caminhava rasoavelmente bem, até que citou o velho proxeneta do Consenso de washington, e deixou cair a mascara. Tornou-se como disse Alessandro, Acílio HILÁRIO Resende.

  5. O meu beneficio do INSS continua o mesmo. Conferí o mesmo agora a pouco e nada da primeira parcela do 13º Salário. Madame Dilma e seus assessores já receberam a sua parte….Agora querem que o Ajuste Fiscal deste Leviano Levy SEJA NO BUMBUM DO POVO. Será que o governo Dilma vai mesmo pagar o 13º Salário aos Aposentados Brasileiros? Será que a madame vai mais uma vez humilhar os Aposentados Brasileiros como fez até agora? Todo o cuidado é pouco com este governo. Quem mentiu deslavadamente na Campanha pode muito bem continuar a mentir. FORA DILMA!!!!!

  6. O PAÍS SÓ MELHORA COM AÇÕES CONSTRUTIVAS

    A ênfase que damos à LEGALIDADE vale também em questões de MORALIDADE, pois são princípios constitucionais da gestão pública que se completam. Havendo materialidade denúncias devem ser formuladas, restando ainda que façamos o devido questionamento no campo político, para que os órgãos de controle partidários ou públicos atuem coerentemente, porque do jeito como as coisas caminham é possível a ocorrência de ‘blindagens’ (suposições).

    Mas, ainda assim, não é construtivo entrar em implicações pessoais, seja da ‘Lava-Jato’ ou de outras operações faxina necessárias ao país, senão para cobrar rigor nas investigações e exemplar julgamento de envolvidos, cabendo a eles que se defendam e aos tribunais o veredicto. A fulanização do debate e o desrespeito às instituições não encontra âncora na realidade e nos fatos, daí porque se revelam como meras provocações que devem ser evitadas.

    COMBATE À IMPUNIDADE – Qualquer pessoa de bom senso e desprendida de questões menores, porque do contrário até a capacidade de percepção se perde, sabe que os desmandos corriam consentidos em outras gestões (‘FHLula’). Os altos comissionados que se tornaram delatores no escândalo da Petrobras foram demitidos pela presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e 2012. A impunidade não se enfrenta com bravatas e vinhetas da mídia ou em ações negativas visando a instabilidade institucional, que se ocorrer agravará ainda mais as dificuldades vividas pelo país.

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