Nos desejos de Affonso Romano de Sant’Anna, uma lição de amor à Natureza e ao Universo

Affonso Romano de Sant'Anna

Affonso participou da vanguarda poética dos anos 60

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e poeta mineiro Affonso Romano de Sant’Anna descreve os seus “Desejos”, em versos bastante atuais .

DESEJOS
Affonso Romano de Sant’Anna

Disto eu gostaria:
ver a queda frutífera dos pinhões sobre o gramado
e não a queda do operário dos andaimes
e o sobe-e-desce de ditadores nos palácios.

Disto eu gostaria:
ouvir minha mulher contar:
– Vi naquela árvore um pica-pau em plena ação,
e não: – Os preços do mercado estão um horror!

Disto eu gostaria:
que a filha me narrasse:
-As formigas neste inverno estão dando tempo às flores,
e não:-Me assaltaram outra vez no ônibus do colégio.

Disto eu gostaria:
que os jornais trouxessem notícias das migrações dos pássaros,
que me falassem da constelação de Andrômeda
e da muralha de galáxias que, ansiosas, viajam
a 300 km por segundo ao nosso encontro.

Disto eu gostaria:
saber a floração de cada planta,
as mais silvestres sobretudo,
e não a cotação das bolsas
nem as glórias literárias.

Disto eu gostaria:
ser aquele pequeno inseto de olhos luminosos
que a mulher descobriu à noite no gramado
para quem o escuro é o melhor dos mundos.

2 thoughts on “Nos desejos de Affonso Romano de Sant’Anna, uma lição de amor à Natureza e ao Universo

  1. E por citar, Pássaros Migratórios, faz-me lembrar do Parque de Serengeti, donde, anualmente, saem os gnus, num imenso rebanho, em busca de outras paragens: depois de percorrerem quilômetros, alcançam novos pastos e novos mananciais.
    Nequela jornada suicida, os bovídeos têm “consciência” ou senciência de que passarão por quebradas de alto risco. Leopardos, chitás e leões ficam de espreita, emboscados na savana. Nos lagos e lagoas, crocodilos imersos, só “cum zoião de fora”, para lançarem o bote quando os retirantes forem mitigar a sede. Antes de concluírem o percurso, muitos animais não comemoram a chegada ao podium, morreram devorados ou por exaustão.
    Inobstante, no ano seguinte, a mesma marcha instintiva se repete; embora a maioria seja sobrevivente da anterior e presenciou o fim dos seus companheiros que tombaram.
    Durante esta Pandemia, não é que milhões dos que se dizem racionais, reproduzem a mesma precipitação dos irresponsáveis gnus?
    Aproveitando a deixa de formigas e pássaros, cumpre enfocar que uma das nossas mais colaborativas parceiras, na polinização dos cultivares agrícolas, estão sendo extintas, as abelhas. E os pássaros também parecem não contar com existências longevas, daqui em diante.
    Agora, resta-nos esperar pelo vento, no cumprimento da anemofilia (polinização) realizada pelo vento. Ou, por outra, que a agronomia treine cafetões, para ajudarem no cruzamento dos androceus e gineceus, durante a florada.
    PS: a polinização efetuada pelos pássaros, chama-se ornitofilia.

  2. Deve haver um erro nesses 300 km por segundo. A intenção seria a velocidade da luz 300.000 km/s: a raiz quadrada C² da Teoria da Relatividade de Albert Einstein E = MC²

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