O vestido preto de seda que transforma a mulher em amante, na poesia de Adélia Prado

Paulo Peres
Poemas & Canções
 

A professora, escritora e poeta mineira Adélia Luzia Prado de Freitas lembra da paixão, que virou um ritual, quando usou “O Vestido” que a faz amante.

O VESTIDO
Adélia Prado

No armário do meu quarto
escondo de tempo e traça meu vestido
estampado em fundo preto.

É de seda macia desenhada em campânulas
vermelhas à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.

Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.  

3 thoughts on “O vestido preto de seda que transforma a mulher em amante, na poesia de Adélia Prado

  1. Essa poetisa foi muito bem vinda a este Blog:
    Primeiro – ela veio-me confirmar que, romanticamente, fiz uma escolha acertada; pois, atualmente, estou degustando uma viúva, que ainda traja preto. Naquelas momentos, dos nossos fingimentos recíprocos, eu pergunto a ela: Cheirosa, se tu dizes que sou o sol do teu novo amanhecer, como contínuas usado trajes escuros? Qual é a cor do sol que te ilumina? E ela responde: “Não sabes que roupas escuras retêm mais calor? Ou pensas que eu só quero de ti a luz?”
    Segundo – A adventícia professora é conterrânea e traz, em seu nome (Adélia), o feminino daquele que, por pouquíssimo, não teve a bendita glória de ser o antígeno, anticorpo e antídoto contra a pior praga que já assolou o Brasil.

    • 1) Como ontem foi aniversário do cantor e compositor Roberto Carlos, lembrei que em um de seus últimos programas na TV apresentou um grupo musical chamado “Calcinha Preta”.

      2) Assim, fiz uma “ligação” do Vestido Preto com a Calcinha Preta…

      3) Parabéns ao grande artista Roberto Carlos, completou 80 anos. Saúde e Sucesso sempre !

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