Operação no Jacarezinho: o que se sabe e o que falta esclarecer, além da morte do policial

Policiais civis durante operação na manhã desta quinta-feira (6) no Jacarezinho, no Rio de Janeiro — Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Retrato de um pais que constrói mais presídios do que escolas…

Eduardo Pierre
G1 Rio

Uma operação da Polícia Civil do RJ no Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, nesta quinta-feira (6), se tornou a mais letal da história fluminense: 25 pessoas morreram. Moradores denunciaram, em vídeos publicados em redes sociais e em relatos à Defensoria Pública, que suspeitos foram executados durante a operação, mesmo tendo se rendido. A polícia nega qualquer irregularidade.

Veja o que se sabe e o que ainda falta esclarecer em 8 perguntas e respostas:

  1. O QUE A POLÍCIA FOI FAZER NO JACAREZINHO?

Agentes de diferentes delegacias, com apoio da Core, a tropa de elite da Polícia Civil, deflagraram a Operação Exceptis. A força-tarefa investiga o aliciamento de crianças e adolescentes para ações criminosas, como assassinatos, roubos e até sequestros de trens da Supervia.

A polícia afirma que o tráfico da região adota táticas de guerrilha, com armas pesadas e “soldados fardados”.

  1. O QUE DIZEM OS MORADORES?

Em vídeos publicados em redes sociais e em relatos à Defensoria Pública, testemunhas afirmam que suspeitos foram executados.

Thaynara Paes, mulher de um dos mortos no Jacarezinho, disse que, ao ser localizado pela polícia, o marido, Rômulo Oliveira Lúcio, chegou a se entregar, mas ainda assim foi executado. Rômulo, segundo ela, tinha 29 anos e estava na condicional.

Outra moradora filmou um policial e disse que o suspeito queria se entregar. A mulher acusou os agentes de tentarem “encurralar” moradores para evitar que eles chegassem até o local onde supostamente o homem teria se rendido.

  1. O QUE A POLÍCIA DIZ SOBRE AS ALEGADAS EXECUÇÕES?

O delegado Rodrigo Oliveira, subsecretário operacional da Polícia Civil, disse não considerar que houve erros ou excessos na operação.

“A Polícia Civil não age na emoção. A operação foi muito planejada, com todos os protocolos e em cima de 10 meses de investigação”, afirmou o subsecretário operacional da Polícia Civil.

Sobre a imagem do morto encontrado numa cadeira, o delegado Fabrício de Oliveira, coordenador da Core e que participou da operação, disse que as circunstâncias em que ela foi feita vão ser apuradas.

“Quando a polícia acessou, alguns criminosos foram encontrados já mortos. Caso está sob investigação e em breve a polícia vai dar mais detalhes dobre a dinâmica do que aconteceu”, disse.

  1. QUEM SÃO OS MORTOS?

Até a última atualização desta reportagem, apenas um deles tinha sido identificado pela polícia: o policial civil André Leonardo de Mello Frias, de 48 anos, atingido na cabeça no início da operação.

Os demais seguiam sem identificação oficial, mas, segundo o delegado Felipe Curi, os 24 eram “todos criminosos”. “Não tem suspeito, é criminoso, bandido, traficante e homicida porque tentaram matar os policiais”, afirmou.

A OAB-RJ, no entanto, divulgou uma lista com alguns identificados.

  1. QUANTOS FORAM PRESOS?

O delegado Felipe Curi informou que seis pessoas foram presas: três com mandado de prisão e três em flagrante. Outros três procurados foram mortos.

A polícia tinha falado em 21 criminosos denunciados e identificados em escutas autorizadas pela Justiça, mas não esclareceu se contra todos foram expedidos mandados de prisão.

  1. O QUE FOI APREENDIDO?

Um balanço divulgado às 17h de quinta-feira listava: 16 pistolas, 6 fuzis, 12 granadas, 1 submetralhadora e 1 escopeta. Também foi apreendida “farta quantidade de drogas” — que não foi contabilizada.

  1. A OPERAÇÃO FOI AUTORIZADA?

A polícia garantiu que cumpriu todos os protocolos exigidos por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). O Ministério Público confirmou que foi avisado.

No ano passado, o STF determinou regras para operações policiais em comunidades — incursões de rotina estão proibidas. Pela decisão do ministro Edson Fachin, as ações só seriam permitidas de maneira excepcional.

“Decisão do STF não impede a polícia de fazer o dever de casa. Ela coloca protocolos, e a Polícia Civil cumpre todos”, disse o delegado Rodrigo Oliveira.

“Não sei se as grandes operações dão resultado. O que eu sei é que a falta de operação dá um péssimo resultado”, emendou Oliveira.

  1. POR QUE ESTA FOI A OPERAÇÃO MAIS LETAL?

Nenhuma outra deixou tantos mortos, segundo um levantamento feito pelo G1 com informações do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense (UFF) e da plataforma Fogo Cruzado.

“Foi a operação mais letal que consta na nossa base de dados, não tem como qualificar de outra maneira que não como uma operação desastrosa. É uma ação autorizada pelas autoridades policiais, o que torna a situação muito mais grave”, disse o sociólogo Daniel Hirata, do Geni.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, este país está numa guerra civil não declarada. Como avisava Darcy Ribeiro: “Não querem construir escolas, terão de construir presídios”. Não deu outra. (C.N.)

9 thoughts on “Operação no Jacarezinho: o que se sabe e o que falta esclarecer, além da morte do policial

  1. Narcoestado profundo. MPRJ (casa da Lava Jato, do identitarismo e do plim-plim) em conluio com o CV. E isso é o que nos deixam saber. Imagina o que não se publica.

    O que fizeram com o Brasil e em particular com o Rio de Janeiro!

    https://scontent-gig2-1.xx.fbcdn.net/v/t1.6435-9/181472152_1579580372239211_5436809134574936577_n.jpg?_nc_cat=101&ccb=1-3&_nc_sid=8bfeb9&_nc_ohc=OdwYJ0JDDmMAX8o9sNJ&_nc_ht=scontent-gig2-1.xx&oh=6c6570f0cd4bb53f3f78d8e745fd983f&oe=60BB2416

  2. Guerra contra o narcotráfico ou… pelo PONTO do tráfico?

    A forma como essa guerra no Rio de Janeiro – que se espraia brasis adentro -, inclusive com operação do exército sob o comando do general braga neto, deixou pelo menos duas marcas indeléveis:

    1) o fuzilamento do músico, Evaldo Rosa, com mais de oitenta tiros

    2) o fortalecimento das milícias: facções criminosas integradas por policiais militares e civis, principalmente, com endosso de integrantes do judiciário, do executivo e do legislativo. Com relação a esse último phoder, não esquecer matadores de aluguel que foram condecorados ou contratados para gabinetes da familícia Boçalnaro – Adriano da Nóbrega e Fabrício Queiroz.
    .

    PS. Com relação às armas apreendidas, ficam bem distante dos 117 fuzis apreendidos pela polícia civil em 2019 e que eram do vizinho de condomínio de jair messias bolsonaro e assassino de Marielle, Ronnie Lessa.
    Em tal apreensão não houve nenhum tiro, nenhuma casa arrombada, até porque o arsenal estava “malocado” numa residência no Méier, e não numa favela.

    Para finalizar, mais uma vez pergunto:

    Guerra contra o narcotráfico ou… pelo PONTO do tráfico?

  3. CHACINA VERSUS FAXINA.

    Deem uma olhada no arsenal (link no final do texto) dos “mininu inocentes”.
    Agora estão aonde deviam, no colo do capeta!
    Já são vinte e oito Santos!

    Armamento pesado, Cali e Medellín é aqui. Não tem mais conversê, como esconder que é GUERRA mesmo, não importa muito se é entre traficantes, milicianos, domínios de favelas ou disputa por ampliação de território.

    Vou dizer com todas as letras: ISSO AÍ SE CHAMA FAXINA!!

    Chacina é o que a população de bem sofre todos os dias.
    Somos atacados em qualquer lugar; qualquer bairro, qualquer loja, qualquer rua, qualquer Shopping.

    Os cachorros sarnentos nos atacam em matilhas, são alcateias de lobos assanhados pra levar nossos pertences, celulares, bolsas, carteiras de dinheiro, carros simples, carros de luxo, bicicletas, patinetes, qualquer coisa que lhes renda um bom dinheiro.
    Não hesitam em nos matar!
    ISSO É CHACINA!!

    No Hell de Janeiro jamais podemos relaxar, temos que estar ligados vinte e quatro horas por dia.
    Saímos pra trabalhar sem saber se voltamos pra ver nossa família novamente. É risco de altíssimo grau!
    ISSO É CHACINA!!

    Túneis são fechados com tiroteios, ruas, avenidas e etc…
    A linha vermelha que nos leva até o aeroporto Internacional é atacada com frequência, tiros e balas traçantes… os motoristas e seus acompanhantes se escondem embaixo dos carros, rezando pra que uma bala não os atinja.
    ISSO É CHACINA!!

    Na praia vira e mexe tem arrastões com lobos enlouquecidos as vezes mais de cem facínoras nos atacam, contando com a leniência da polícia, ou porque não dão conta, ou porque o chorume de ladravazes que escorrem pelas ruas, já não é mais possível de se conter, tal o volume de assaltos em qualquer parte da cidade, rica, média ou pobre.
    Podemos ser assassinados a qualquer momento e a qualquer hora, eles com revólveres e nós armados apenas com a nossa fé de que o cachorro louco não esteja a fim de matar naquele momento.
    ISSO É CHACINA!!

    O poder público está encastelado com seus seguranças e carros blindados e olham com desdém os que viram estatística na ida ou na volta de qualquer coisa que tenhamos que fazer na rua, seja trabalho ou lazer.
    ISSO É CHACINA!!

    Nós somos as vítimas do sistema e não esses mortos que rotulam de vítimas e coitadinhos, são todos aprendizes de traficantes e ladrões em potencial. Descem pro asfalto pro tudo ou nada.
    Geralmente eles levam o bem e se bobear, a nossa vida também.
    ISSO É CHACINA!!!

    Vivemos numa cidade violentíssima como nenhuma outra do Brasil; não estou exagerando, quem mora aqui sabe o que estou falando.
    Por favor não me interpretem mal, sei que há cidades muito violentas no país inteiro, mas o Hell, é HORS-CONCOURS!

    Uma cidade cada vez mais espremida entre o mar e as favelas onde o território agora é todo deles, tomaram o rio de janeiro e não vão largar o osso facilmente, descobriram que a lei os protege e o assanhamento da violência está em cada pedra portuguesa que outrora enfeitavam está belíssima cidade.
    ISSO É CHACINA!!

    Estamos em guerra é na guerra também morrem inocentes, é a lei da guerra!

    O próximo posso ser eu!

    JL

    https://twitter.com/RiodeNojeira/status/1390424163941236739?s=08

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