Os corações marginais que sensibilizavam Gonzaguinha

O economista, cantor e compositor carioca Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (1945-1991) , mais conhecido como Gonzaguinha é, sem dúvida, um dos maiores talentos da Música Brasileira em seus diversos estilos populares. A letra de “Corações Marginais” retrata o cotidiano caótico dos moradores de rua, vítimas do desajuste social. A música intitula o LP Corações Marginais, gravado por Gonzaguinha, em 1988, pela Moleque/WEA.

CORAÇÕES MARGINAIS

Gonzaguinha

Eles já estão ficando, eles já estão dormindo, no centro, no coração
Da cidade

Saem dos seus trabalhos e ficam já instalados, no centro no coração
Da cidade

Sob os viadutos, sob todas marquizes – questão de comunidade.
Equilibrismo possível, malabarismo possível, dos corações, no coração
Da cidade

Cobram-se com os jornais que falam da vida que vai nas veias, no coração
Da cidade

Comem migalhas dos pombos, fazem as necessidades, no coração
Da cidade

Dividem as dificuldades como se devia fazer – questão de comunidade
Sonham o fim de semana, crianças, mulheres e camas, seus corações, no coração
Da cidade

Suas mulheres guerreiras fazem a vida lá longe do coração da cidade
Ficam insones a noite, cuidam de suas crianças, nos seus corações
Das cidades

O coração da cidade não abre nunca aos domingos, não vê esta impunidade
Crianças, mulheres e homens, brincando, sorrindo, se amando na festa da marginalidade

O coração da cidade não tem o menor respeito com os corações
Das cidades

E os corações das cidades não voltam nunca pra caça, são prisioneiros
Do coração da cidade.

               (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

One thought on “Os corações marginais que sensibilizavam Gonzaguinha

  1. Paulinho, ao ler fiquei pensando, está faltando algo que condiz com o que eu penso,
    mas, ao final eu encontrei. Está aqui … O coração da cidade não tem o menor respeito com os corações das cidades.

    Mas não esqueço, desde nosso tempo de estudante,
    você sempre foi um fã do Gonzaguinha.

    Um grande abraço
    do sempre amigo,
    Luiz Carlos Moraes

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