O impressionista Suplicy abre uma dissidência no PT

Pedro do Coutto

O gesto impressionista e impressionante do senador Eduardo Suplicy, assumiu a posição de juiz do povo e simbolizando da tribuna a expulsão de José Sarney da presidência do Senado, não representou apenas um ato de forte hostilidade e rejeição à permanência de um político. Não. Fornece também outra leitura, diferença entre o significado e o significante, interpretação usada pelo meu amigo Antonio Houaiss para definir situações diversas em volta do mesmo fato.

Na realidade, Suplicy, a partir daquele momento que todos acompanharam pela televisão e no dia seguinte viram nos jornais, sublinhou a dissidência que abriu na bancada do PT. Uma cisão clara ficou patente, a começar pela regional paulista integrante do principal colégio eleitoral do país. Isso porque embora o partido tenha defendido a permanência de Sarney, nenhum senador da legenda, a começar pelo líder Aloísio Mercadante, contestou sua atitude e suas afirmações. O episódio, assim, provavelmente vai produzir reflexos na sucessão presidencial.

Pois se não há unidade partidária no Congresso, em termos lógicos não deve existir igualmente na campanha eleitoral. A ausência dos senadores do PT na sessão da noite de terça-feira terá sido casual? Provavelmente não.Foi uma forma velada de permitir que o parlamentar insubmisso às diretrizes do Planalto pudesse se manifestar sem que fosse acossado pelos companheiros.

Por uma ironia do destino, terminaria sendo contestado pelo senador Heráclito Fortes, que é do DEM, e portanto, da oposição. Mas, ao que parece da oposição ao governo Lula. Não à continuidade de José Sarney à frente da Mesa Diretora. Talvez até porque, ele, Heráclito, ocupe a primeira secretaria. Mas esta é outra questão. É restrita ao Parlamento.

O gesto do autor do projeto de renda mínima não está, por sua natureza, restrito à esfera do Poder Legislativo. O que já seria muito, mas é inevitavelmente maior. Vejam só. O líder do Partidfo dos Trabalhadores, Mercadante, que se empenhava abertamente pela saída de Sarney da presidência do Senado, acabou cedendo à determinação do presidente Lula e renunciando irrevogavelmente à renúncia que dissera ser irrevogável. Tornou-se também refém do Palácio do Planalto e de sua própria contradição.

O presidente da República convidou-o para acompanhá-lo em eventos na região metropolitana de São Paulo no sentido nítido de apagar o rastro do mal estar. Lula voltou-se para retirá-lo de uma dissidência. Como Aloísio Mercadante terá que partir para renovar seu mandato no ano que vem, teve que recuar. Mas não adiantou. No momento em que Lula procurava das a cisão inicial como fato superado, surge o episódio Suplicy. Que poderá fazer agora? Não só ele, presidente da República. Mas também o próprio Mercadante que, nas circunstâncias colocadas, não lidera nem a si mesmo.

A bancada petista tem razão em ficar perplexa. Qual, agora, o caminho a seguir? A dissidência de Mercadante ou a dissidência de Suplicy? Passaram a ser duas, em vez de uma. O desenrolar da terça-feira inundou o país de autêntico humor, em dúvida, porém –aí é que está a questão- seu conteudo é mais amplo. Sensibiliza indiretamente a pré candidatura da ministra Dilma Roussef, não a superando, é claro, mas reduzindo o entusiasmo a seu favor na decolagem, espaço estratégico e essencial a qualquer campanha política.

A cisão aberta por Eduardo Suplicy reflete-se fortemente na solidez da candidatura da ministra chefe da Casa Civil. Revela fracionamento, desunião, esgarçamento de propósitos. Isso porque a unidade partidária é fundamental para o início da campanha rumo à escala do poder. Sem união na base, campanha alguma se fortalece. O impressionismo de Suplicy, como um quadro de Manet ou Renoir, iluminou as cores de uma paisagem de contradições.

Mentiras combatidas com mentiras

Carlos Chagas

Não é aquela história de  “quem nunca comeu melado, quando come,  se lambuza”, por não ter sido  a primeira vez que o governo tenta livrar-se de uma mentira contando outras.  Mas a lambança continua.

Por que o Palácio do Planalto divulgou que as fitas gravadas de todos os seus  freqüentadores são apagadas em trinta dias? Para evitar a entrega dos registros capazes de mostrar Lina Maria Vieira entrando na garage, no elevador, no corredor do quarto andar e no gabinete da ministra Dilma Rousseff, que os altos funcionários do governo negam?

Não há outra explicação para a mentira da destruição das imagens registradas pelas câmeras espalhadas pela sede do Executivo. A própria empresa terceirizada, encarregada do trabalho,   esclareceu que nada se apaga,  que durante seis meses o conteúdo permanece intocável, sendo depois passado para uma dessas diabólicas maquininhas especializadas em guardar tudo  para a eternidade.

A conclusão surge clara: cada mentira que se segue serve para desnudar a anterior. Como a lógica nem sempre ocupa o mesmo patamar da lei, ficará impossível demonstrar nos tribunais que as fitas não foram apagadas em trinta dias. Mas é claro que, se foram, foi para esconder alguns flagrantes. E se não  foram,  pior ainda, porque as provas podem ser obtidas.

O triste no episódio é que tudo acontece em torno de uma suposta ida da ex-secretária da Receita Federal à Casa Civil, quando na versão dela, teria recebido instruções para agilizar o processo contra um dos filhos de José Sarney, investigado por suspeita de sonegação fiscal. Dá pena ver narizes tão sérios crescendo mais que o do Pinóquio, mas, pelo jeito, a próxima mentira será afirmar que a Casa Civil faz muito que não funciona no Palácio do Planalto…

Ilusões perigosas

Senão  mentiras,  ao menos ilusões. Faz tempo ouve-se  a equipe econômica apregoar que saímos  da crise.  Para Mantega e companhia,  o país vai de vento em popa. Deu a volta por cima na tempestade que assola o planeta.

Será, no mínimo, uma ilusão, para quem por cautela e educação evita falar em mentiras. Senão vejamos, conforme  números divulgados pelo próprio governo esta semana:

Aumentou o nível das inadimplências; as vendas caíram; a produção industrial e agrícola  diminuiu; os juros para as pessoas físicas subiram, como o do cheque especial e o dos cartões de crédito; a arrecadação é menor do que nos anteriores; o desemprego multiplicou-se.

Por mais que se torça para sairmos da crise, não dá para deixar de somar essas e outras informações sem que se pergunte: que paraíso é   esse?

Ainda dá tempo

Segunda-feira o presidente Lula deverá anunciar com muita pompa e circunstância a criação da nova empresa destinada a gerir o petróleo encontrado no pré-sal. Paralela à Petrobrás, a  companhia ainda não batizada administrará riquezas   imensuráveis.

A pergunta que se faz é se a provisoriamente  denominada Petrosal dedicará parte de  seus recursos patrocinando entidades sindicais, corporações, festivais, festas de São João, ONGs  variadas e todo tipo de atividades que nada tem a ver com sua finalidade básica. Tomara que não, porque o risco será de,  outra vez, partidarizar-se a ação governamental. Ou alguém duvida de que a Petrobrás tornou-se uma das maiores fontes de renda de entidades formadas por companheiros?

Seria esperar demais se a nova empresa incluísse essa cláusula  em seus estatutos? Agora, milagre, mesmo, seria  a proibição de gastar centenas de milhões de reais em publicidade e propaganda. Porque do potencial de petróleo a ser extraído, ninguém duvida. Para vendê-lo, aqui e lá fora, não parece  necessário promovê-lo. Nossos clientes  já estão de olho e com os talões de cheque na mão,  assinados.

É bom tomar cuidado

Em segredo, a seção gaúcha do PTB encomendou pormenorizada pesquisa a um dos principais institutos, sobre a sucessão presidencial e  estadual. Não há favoritos, por enquanto, mas um percentual singular  chamou a atenção dos dirigentes trabalhistas: 65% dos consultados aprovam a continuação do presidente Lula no poder.

Para não conturbar o processo, o PTB não divulgará oficialmente a pesquisa, como, aliás, outros partidos e instituições vem fazendo. Mas que é bom tomar cuidado, isso é. Afinal, se Dilma Rousseff não decolar, não faltarão vozes  para reavivar a hipótese hoje posta em cone de sombra…

O Supremo não recebe a denúncia contra o ex-Ministro Palocci, mas destrói a imponência da inocência

O valioso e volumoso relatório do Ministro Gilmar Mendes a respeito dos fatos que levaram à demissão do Ministro Antonio Palocci, devem ter assombrado os alunos de uma Universidade de Direito, que ele mesmo assinalou e registrou como presentes.

O presidente do Supremo, que estava ali simplesmente como relator, sem a majestade da presidência, não deixava esquecer a simplicidade de um voto, que afinal não precisou mais de 1 hora e 45 minutos para ser lido e digerido.

Gilmar Mendes não conseguiu de modo algum agravar a situação do ex-ministro, pois ela já estava insustentável. Mas não conseguiu superar também uma linha que fosse da FUNDAMENTADA, DOCUMENTADA E ABALIZADA prova acumulada pelo Ministério Público.

Às 19:30, depois de 7 horas de funcionamento só houve constrangimento e mais nada. Pois havia uma certeza que “pairava no ar” e estava sim na peça altamente fundamentada do Procurador Geral, Roberto Gurgel, que montou uma acusação IRREVOGÁVEL, já que a palavra está na moda.

O Ministro é CULPADO, os outros também, mas em grau menor. Absolvendo Antonio Palocci, o Supremo estaria C-R-E-D-E-N-C-I-A-N-D-O-O a ocupar cargos IMPORTANTÍSSIMOS. E pronto a cometer NOVOS CRIMES e tentar FUGIR, contratando notabilidades ADVOCATÍCIAS.

Carmem Lucia e Ayres Brito deram votos magistrais RECEBENDO A DENÚNCIA. Marco Aurélio Mello, começando a votar, afirma: “Pelo número de ministros, a denúncia está RECUSADA”. E DÁ UM VOTO MAGISTRAL.

Palocci pode estar satisfeito. Mas não engana ninguém nem pode imaginar que o presidente da Caixa fez tudo sozinho. FORA PALOCCI, cartão vermelho para ele.

Dólar e ações, rigorosamente estáveis

A Bovespa chegou a cair pouco mais de 1 por cento, mas veio se recuperando. E fechou sem ganho nem perda, 57.750 mil pontos. Saiu de 57 mil, 110. Volume de 4 bilhões e um pouquinho, tristeza geral.

O dólar da abertura até às 4 da tarde, em alta de 0,77%. Foi caindo até o final estabilíssimo. Amanhã, último dia da semana, quase fim de mês, não se espera trajetória de alta.

Romero Jucá desmente o general Felix

A Segurança Institucional do Planalto-Alvorada afirmou: “As gravações das câmeras são destruídas depois de 30 dias”. Ontem, a partir de 4 horas, o líder do governo mostrou EXTRATOS DAS CÂMERAS, de até 9 meses, ou seja de dezembro de 2008.

Quem tem razão?

Dona Lina e Dona Dilma, segundo o líder do governo, “não falam a mesma língua, em questão de datas”. Mas o general Felix todo poderoso militar, a Romero Jucá mais poderoso ainda, só que civil, estão voando em alturas inteiramente diferentes.

Bolsa cai, amestrados dizem: “É apenas realização de lucros”

Não adianta insistir que a Bovespa (e as Bolsas americanas) não têm nada a ver com o fim da crise econômica. Foram grandes criadoras da crise financeira.

Hoje, às 12:45, a queda era de 1,20% em 57 mil cravados. Continuava medíocre, volume de negócios, 1 bilhão e 500 milhões.

Como acontece todo dia,ações e dólar se alternam. A essa hora o dólar subia 1,20% em 1,88 bem alto.

Substituto do Ministro da Coordenação

Estou escrevendo muito antes do julgamento de Palocci no Supremo. É um absurdo. Mas o Estadão erra o tempo de Ted Kennedy no Senado, mas dificilmente deixará de acertar na absolvição do ex-poderoso Ministro.

“Palocci é nosso”

Se ganhar mesmo, o Planalto tratará de fazer marquetismo para o ex-Ministro da Fazenda. E ao contrário do que dizem “analistas amestrados”, Palocci pode ir para a vaga de José Mucio. São 7 meses (de agora até 15 de março do ano que vem) o suficiente para que o Planalto-Alvorada precisa explicar todo dia, “ele está de volta”. (Exclusiva)

Tempo de Ted Kennedy no Senado

O Globo diz que ele é “senador há 47 anos”. A Folha: “Estava no Senado há 46 anos”. O Estadão: “Ficou no Senado durante 47 anos”.

“Ninguém acertou”

Isso é o que dizia aquele famoso programa de perguntas e respostas. Como Ted Kennedy foi eleito a primeira vez em 1964, estava no Senado portanto há 45 anos. De memória, sem consultar nada nem ninguém, meu site-blog está mais correto do que esses jornalões com montanhas de “informações”.

Ciro desagrada Lula, mas faz jogada eleitoral

O ex-governador do Ceará e candidato a presidente em 2002 (chegou a estar na frente nas pesquisas), insiste em concorrer à presidência. É um direito dele, o Planalto-Alvorada acha que não é.

Do Ceará para São Paulo

Mudando de domicílio, Ciro teria mudado de intenção. Não disputaria novamente a presidência, concorreria ao governo de SP. Este, potencialmente é o segundo cargo em importância no Brasil. Se ganhasse e como é moço, o deputado cearense poderia ser presidenciável em 2014, se os “deuses (Lula?) dissessem amém”.

Lula comanda o espetáculo

Agora, mais bem informado, Ciro chegou a duas conclusões. 1- Não ganha de modo algum para governador. 2- Haja o que houver, não haverá eleitoralmente 2014. Pelo menos para ele. (Exclusiva)

Autênticas, textuais e entre aspas

Luiz Gonzaga Belluzzo, economista e presidente do Palmeiras: “O petróleo pode ser uma maldição. A Venezuela tem que importar até ovo, mas produz um dirigente como Chávez”.

Manchete do Globo: “Onda de demissões expõe guerra de grupos na Receita”. O jornalão só “descobriu” agora, ou foi “acionado” tarde?

Sergio Cabral: “Não vou comparecer à reunião que JÁ RESOLVEU a questão do pré-sal, sem consultar os governadores que produzem petróleo”.

Do ponto de vista do Estado do Rio, perfeito, perderia 14 bilhões. Mas o governador quer fazer média, e EXIGIR de Lula que retire a candidatura de Lindberg a Governador.

Manchete ADIVINHATÓRIA do Estadão: “Supremo julga Palocci hoje, e Planalto já faz plano para 2010”.

O Estadão visivelmente tenta influenciar o Supremo (Ou os Ministros informam seus votos antecipadamente ao jornalão?). Ontem o jornalão estava opinativo, mas não conclusivo. Hoje opinativo e altamente conclusivo. Só que a EXPLOSÃO PT-PMDB será mais retumbante em São Paulo. Lá não há acordo. Essa será a motivação do jornalão?

Flunimed “reabilitado”

Passou às oitavas da inexpressiva e invisível Sul-Americana. Com dois empates. O de ontem, obtido como o precioso apoio do árbitro. Aos 46 minutos do primeiro tempo, um pênalti que não houve, e que o árbitro, colocado lá longe, no meio do campo, marcou.

Arnaldo César Coelho: “Não houve nada”

Foi um esbulho. O comentarista da TV-Globo protestou logo. E mesmo se tivesse sido falta, fora da área. Os jogadores brasileiros estão com a fixação: se jogam, pedem pênalti ou cartão. E caem no chão, se “contorcendo” em dores.

Conversa com o leitor: Suplicy e Itaú

Elza Moraes
“Jornalista, pode me dizer quando acaba o mandato do senador Suplicy? Acho que o seu odioso cartão vermelho foi apenas figuração contra o presidente Lula. Não quero esconder: vou votar, novamente em Lula”.

Comentário de Helio Fernandes
O mandato de Suplicy termina em 2014, em 2010 está livre. Foi candidato a governador de SP em 1994, perdeu. Em 1996, para não ficar sem mandato, foi vereador. Em 1998, senador, reeleito em 2006. Mas o que “influencia” muito Suplicy é o “efeito Marta”.

Alberto da Gama
“Gostei muito da tua nota sobre a compra da Seguradora Porto Seguro pelo Itaú. Mas acho, desculpe, que as ações desse banco não são tão valorizadas quanto você disse”.

Comentário de Helio Fernandes
Não tenho a menor ligação com ninguém, até hoje critico duramente o Itaú pela compra vergonhosa do Banerj. Só que as ações do Itaú nas Bolsas americanas mais valorizadas do que o poderoso Bank of America.

O Supremo, Palocci e o governo de São Paulo

São 10 horas da manhã, quando posto esta nota, cuja abertura dei ontem. A sessão geralmente começa às duas da tarde, muitos estarão atentos ao resultado e não apenas em São Paulo.

Palocci “merece” esse Senado,
mas quer ser governador de SP

Se for absolvido (existe um trabalho colossal para isso), estará em condições de se candidatar. Pensa (?) na presidência, admite o governo, mas muitos garantem: “Seu perfil é do Senado (o de agora, o de agora).

Sessão longa e suspense

De qualquer maneira serão 11 votos (o presidente vota em qualquer circunstância) demorados, estudados, meditados, não é apenas o futuro de um homem, e sim possível reviravolta eleitoral, mesmo que seja estadual. (Exclusiva)

A vida foi injusta e ingrata com Ted Kennedy

Ele morreu na cama derrotado por um câncer. Seus três irmãos morreram gloriosamente. Tentando ou exercendo a presidência. Para a qual estava destinado e predestinado. Afastado por um episódio menor e sem importância.

Ted Kennedy nasceu em 1932, precisamente quando seu pai tentava ou admitia ser presidente dos EUA. Baseado apenas na colossal fortuna que acumulou com o contrabando de bebidas. Os EUA viviam a grande fase ou Era da “lei seca”, o dinheiro rolava, Joe Kennedy era sócio dos maiores mafiosos do país.

Governador de Nova York, Franklin Delano Roosevelt lançou sua candidatura a presidente, parecia invencível, só faltava dinheiro. Espertíssimo, o depois chamado “patriarca” da família, resolveu financiá-lo, deixando a ambição para outra oportunidade, em 1936.

Ficou ligado a Roosevelt, viu o sucesso do presidente, desistiu, compreendeu que não teria nenhuma oportunidade.

Contrabandista e embaixador na Inglaterra

Fez o pedido a Roosevelt, que compreendeu logo as dificuldades, mas não desencorajou o pretendente. 3 meses depois mandou a mensagem, a Inglaterra levou 8 meses para conceder o agrément, mas o que fazer?

O “velho” Joe não desistiu de eleger um filho presidente. Manteve contato com o presidente Roosevelt, que foi se reelegendo seguidamente. Quando o filho mais velho (que tinha o mesmo nome do pai) foi convocado para a guerra, pensou nele se candidatando como “herói de guerra”.

Outra esperança morta

Mas quando Joe morreu no Pacífico, com o afundamento do seu barco, o PT-109, foi à Casa branca (era embaixador e ainda amigo de Roosevelt) e teve com ele uma discussão ao mesmo tempo trágica, dramática e desesperada ou desesperadora. Gritou para Roosevelt no Salão Oval: “Seu aleijado, você matou meu filho”. Teve que ser contido por seguranças, não se podia prever o que faria. Perdera um filho, mas vira desperdiçada uma nova oportunidade presidencial.

17 anos depois, um filho, John é eleito presidente

Vocação política, intelectual e social (nos dois sentidos da palavra) John se destacava em Harvard, logo depois já era senador. Ted então com 20 anos acompanhava tudo. Quando John se candidatou a presidente, em 1960, Ted estava com 28 anos, era o mais aplicado dos irmãos políticos eleitorais.

Kennedy-Nixon

Este era o maior favorito. No final John foi o vencedor, na frente de Nixon por 120 mil votos. Votaram 60 milhões de americanos, John ganhou por “um quinto de um por cento”, exatamente 120 mil votos. Muito mais do que isso, foi “arranjado” com a máfia, o “patriarca” era intimíssimo de várias famílias.

A esperança para Ted, o mais moço

John governou pouco, foi assassinado, Robert não chegou a governar, foi pelo mesmo caminho, senador e candidato, assassinado quando praticamente ganhou a convenção na Califórnia, em 1968. Ted então ficou na vez e no caminho. Estava com 36 anos, em 1964, com 32 se elegera senador, se destacava no Senado, só se falava nele como futuro presidenciável.

Joe, a aposta, John o destino, Robert a esperança,
Ted a certeza, sem o pai

Em 1970, logo depois da morte de Robert e a seguir a do pai, Ted Kennedy com 38 anos de idade e adorado por todos, conquistava o segundo mandato de senador. Ninguém duvidava: se não fosse assassinado, seria o segundo presidente da já lendária família Kennedy.

O “assassinato”, no naufrágio num rio

Nas vésperas de 1976, Ted completava 44 anos, quase a idade de John, que se elegeu com 43, e a de Robert que se elegeria com 45 em 1970.

Nesse ano rigidamente eleitoral, Ted não sabia se disputaria a reeleição para o terceiro mandato de senador, ou se iria direto para a presidência, o desejo quase unânime do Partido Democrata.

***

PS- Ted se elegeu novamente em 1976, mas já não existia certeza da presidência. Inesperadamente fora manchete de todas as maneiras e países, mas ele mesmo recusava qualquer disposição ou pensamento para a presidência. Era a tragédia, de forma diferente. Foi se elegendo senador, estava cumprindo o oitavo mandato. Mas nesses 30 anos, de 1976 a 2006 (o último mandato de senador), ninguém mais falava em presidência.

PS2- Agora, no geral e em especial na família Kennedy, a anti-tragédia. A morte esperada pelo câncer vulgar e nada lendário, anunciado e esperado. Um Kennedy não merecia isso.

Um risco para o Senado inteiro

Carlos Chagas

Vício ou virtude? Indignação ou descontrole? Quem quiser que decida, mas o fenômeno merece imediata análise e conseqüente diagnóstico por parte de sociólogos, médicos, e cientistas políticos. Porque em boa coisa não vai dar quando senadores  perdem  totalmente a tranqüilidade devida a todo ser humano. Dois deles,   nos últimos dias, brindaram a tribuna da casa com palavras e expressões dignas de um consultório de psicanalista.  Ou de uma arquibancada de estádio de futebol em tarde de decisão de  campeonato.

Fernando Collor e Eduardo Suplicy estariam apenas puxando a fila de uma nova e perigosa forma de  atuação parlamentar.  Destemperaram-se diante  dos microfones e de seus pares, faltando pouco para usarem os punhos contra adversários. Essas manifestações costumam pegar feito sarampo nos tempos em que não havia vacina. Falta pouco para  contagiarem  bancadas inteiras.

O senador pelo PT lembrou  os tempos em que foi campeão universitário de boxe no estado de São Paulo. O ex-presidente da República deu a impressão de haver voltado ao tatame de caratê onde conquistou faixa preta, último dam. Olhos esbugalhados, palavras desconexas, gestos desesperados.

Algo  está acontecendo no Senado,  importando menos  saber se por conta da permanência de José Sarney em sua presidência ou pela ânsia de cada senador  livrar-se dos efeitos da longa  pantomima   encenada num dos  maiores palcos da atividade política nacional.

Era de constrangimento o clima no plenário, ontem,  dia seguinte ao vexame dado por Suplicy. Como foi duas semanas atrás quando o senador Pedro Simon chegou a confessar haver sentido medo físico de  Collor.  Se a moda agora é essa, não se livrarão dela sequer as senadoras, muito menos os idosos  pais da pátria em final de carreira.

Eduardo Suplicy sempre poderá alegar haver sido provocado pelo colega Heráclito Fortes, que o acusava de falta de coerência por deixar de apresentar o ridículo cartão vermelho para o presidente Lula, depois de havê-lo mostrado para José Sarney.

Fernando Collor dirá haver feito em desabalada carreira, em segundos,  o percurso que separa seu gabinete do plenário, perdendo o fôlego e a têmpera  em função da informação errada de um auxiliar, sobre estar Pedro Simon atingindo-o em sua honra.

Tanto faz. Acima e além desses  episódios grotescos, entremeados pelos dedos em riste e os palavrões trocados entre Renan Calheiros e Tasso Jereissati, registre-se a temperatura em que se trava o debate político. Agredir-se sem limitações parece a saída para quantos imaginam receber pela violência uma   carta de alforria dos  telespectadores da TV-Senado, capaz de limpá-los das lambanças verificadas  na casa desde o começo do ano. Um risco dos diabos a ameaçar o Senado inteiro, onde o dia seguinte sempre consegue ficar um pouquinho pior do que a véspera.

Nem tudo é válido

“Nem tudo é válido para garantir a governabilidade”. A conclusão é da senadora Marina Silva, explicando sua saída do PT para o PV. Ela não nega sentir, com freqüência, pontadas no peito por haver deixado o partido que ajudou a fundar e ao qual dedicou toda sua vida pública. Mas não dava para assistir os companheiros, e o governo Lula, desligando-se cada vez mais das propostas que iriam mudar o Brasil, a começar pela luta em favor do meio ambiente.  Defendeu na antiga bancada o afastamento do presidente José Sarney da presidência do Senado, para a investigação das acusações feitas contra ele. Quando percebeu que o PT seria o fator principal da permanência do ex-presidente da República, tomou a decisão, motivada pelos dois fatores.

Marina nega estar rompida com o presidente Lula, a quem elogia por uma série de realizações, mas parece não perdoá-lo  por conta de se haver sobreposto ao PT. Sustenta que  cada passo deve ser dado  a seu tempo e  não nega a perspectiva de tornar-se candidata ao palácio do Planalto, pelos verdes.

Cuidado com as precipitações

No meio de um tiroteio, não se pode esperar que os contendores mantenham a calma, a tranquilidade  e o bom senso. É bala para todo lado, levando muitas vezes os mocinhos ao  fogo  amigo, alvejando aliados em vez de adversários.

Assim deve ser  vista não apenas a retirada dos membros do DEM e do PSDB do Conselho de Ética do Senado, mas, também,  a proposta oposicionista da extinção desse colegiado. Por força da aritmética, o governo dobra e humilha as decisões do Conselho, já que possui maioria. Mesmo assim, é um perigo, além de uma bobagem, tentar transferir para o Poder Judiciário a prerrogativa de julgar parlamentares por quebra de decoro, ensejando ao Supremo Tribunal Federal até mesmo decidir sobre cassação de mandatos.  Seria uma renúncia inexplicável das  atribuições do Legislativo, com o perigo de o Judiciário transformar-se num super-poder. Os tribunais superiores já fazem leis partidárias e eleitorais, além de afastar governadores e prefeitos de seus  mandatos. Enfeixando mais essa regalia, e agora por decisão do Congresso, logo ecoaria pelo  país aquele grito que em 1945 tornou-se solução para acabar com a ditadura: “Todo o Poder ao Judiciário!”. Só que agora não vivemos mais uma ditadura, quer dizer, se aprovada a proposta de extinção do Conselho de Ética, viveremos uma distorção.

O desconhecido Plano B

Apenas como exercício especulativo, imaginemos que a ministra Dilma Rousseff perca condições eleitorais ou de saúde para continuar candidata ao palácio do Planalto. O que fará o presidente Lula, que se não consultou o PT para indicar a candidata, menos fará para substituí-la.  Seria confessar um erro anterior, coisa muito difícil de o primeiro-companheiro reconhecer.

Qual o Plano B do chefe do governo, montado numa das maiores popularidades jamais registradas na crônica da República? Buscar outro candidato nos quadros do PT? Qual, se já não existia  antes?   Aceitar uma indicação de outro partido equivaleria em humilhar ainda mais seus companheiros, que sem dúvida reagiriam como até agora não reagiram. Nem Aécio, nem Ciro, nem Marina nem Heloísa  se enquadrariam na equação oficial.

Então… Então repousa sob a cinzas a brasa da continuidade do Lula no poder. A frio, não dá mais, seja através de  emenda constitucional permitindo o terceiro mandato, seja pela prorrogação de todos os mandatos por dois anos. Apenas no bojo de uma crise, real ou artificial, o Congresso referendaria a permanência. Ou alguém imagina que o Lula  apoiará José Serra?

Candidatos são mais decisivos do que os partidos

Pedro do Coutto

O repórter Pedro Dias Leite revelou na Folha de São Paulo de 25 de agosto que, na véspera, o presidente Lula reuniu-se com os dirigentes do PT e do PMDB, Ricardo Berzoini e Michel Temer, para começar a acertar as alianças estaduais, reduzindo as divisões existentes, no sentido de fortalecer a candidatura da ministra Dilma Roussef à sucessão de 2010. Tudo bem, é do jogo político, as articulações das legendas são importantes. Importantes, porém não essenciais. Essencial é o potencial do candidato, no caso candidata. Os que disputam eleições majoritárias têm que contar mais consigo mesmos do que com a força das agremiações partidárias em torno de seus nomes.

Basta lembrar exemplos históricos. Se o peso partidário garantisse o êxito nas urnas, o general Lott, apoiado pela coligação amplamente majoritária no Congresso PSD-PTB, não teria sido derrotado por Jânio Quadros nas eleições de 60. Se força partidária valesse, Fernando Collor, pelo PRN, não teria se tornado presidente na redemocratização de 89. Nessa eleição, Ulisses Guimarães, pelo PMDB, maior partido da época, alcançou apenas a fração de 5% dos votos no primeiro turno. A antiga Arena, em cujos quadros encontrava-se o senador José Sarney até a transição indireta de 85, no sistema então bipartidário mantinha mais de dois terços do Congresso.

Ernesto Geisel, dando sequência ao ciclo dos militares no poder, foi referendado presidente da República pela agremiação de total maioria. Isso no início de 74. Em outubro, no voto direto, o então MDB (o P foi acrescentado em 82) venceu a disputa para senador em dezesseis estados da federação. Os exemplos são muitos ao longo do tempo.

Ia esquecendo de citar Jânio Quadros que, pelo PTN e pelo PDC, foi eleito prefeito de São Paulo em 51 e governador do estado de São Paulo em 54 derrotando o PSP de Ademar de Barros, maior legenda paulista.

O candidato – me disse Juscelino Kubitschek numa entrevista para o Correio da Manhã referente à sucessão de 1960 – tem que se afirmar por si. Apoios são acessórios. Os apoios vêm em função da força dos candidatos. E não o contrário. Candidato que for contar com as siglas partidárias para decolar termina não decolando.

Foi exatamente isso o que aconteceu com o general Lott que, apesar da forte presença que possuia no governo, não apresentava apelo eleitoral. JK sentiu que se o apoiasse na campanha –não o fez- não teria êxito. E causaria com sua participação o rancor do vitorioso. Acertou pela metade. De fato seu apoio entusiasmado não adiantaria, mas, nem por isso, esquivou-se dos ataques do presidente eleito, desfechados poucas horas após ter recebido a faixa no altar do Palácio do Planalto, primeira transmissão do poder em Brasília.

Entre as linhas de Oscar Niemeyer, Juscelino projetava o futuro, como disse Andre Malraux, super intelectual Frances, ministro da Cultura de De Gaulle, ao visitar a capital que disse ser a da esperança. Do futuro do país, mas não do futuro político a curto prazo, já que com sete meses à frente do governo, o vitorioso de 60 renunciava absurdamente em 61. Foi no dia 25 de agosto. Esta semana completaram-se 48 anos. São memórias do passado.

Mas que servem de exemp0lo ao futuro próximo, pois faltam menos de quatorze meses para a sucessão de Lula. As coligações político partidárias não sustentam candidatos ou candidatas. São eles próprios que têm que se sustentar a si mesmos. Quando a candidatura é forte por si, os apoios e os amigos de infância lotam as ante salas e a véspera do poder. Quando não é assim, os potenciais aliados não aparecem. Tampouco os amigos de infância. Uns e outros não atendem ao telefone. Política é assim. A vida humana também.

JT se tornou a “Auschwitz” do pequeno empregador

Roberto Monteiro Pinho

A justiça especializada do trabalho pode encontrar uma saída para solucionar em parte o problema de sua lentidão, para isso teria que separar os processos morosos dos mais ágeis bastaria criar uma identificação, separando os valores em blocos de R$ 5 mil, R$ 10, mil sucessivamente, a identificação poderia ser, por exemplo, com a capa, onde cada cor corresponderia até aquele valor, (a exemplo do que já existe diferenciando o RPS e do Rito Ordinário), que poderia acompanhar a ação em todas as instâncias recursais. Mas para isso seria necessário que os integrantes da JT admitissem que existe um número infinitamente superior de processos em execução, onde vários ingredientes, e a inércia compõem o processo executório, destacado pela falta de indicação por parte do reclamante de bem passivo de penhora. Preocupado com este quadro desalentador, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), editou a Recomendação n° 8/2007 com um elenco de normas para promover a conciliação nos processos em tramitação na segunda e terceira instância dos tribunais, até porque o Art. 5°, inciso LXXVIII da C.F. prevê a razoabilidade na duração do processo.

Por outro a comunidade moderada de juristas, torce para que a execução trabalhista se proceda rigorosamente dentro da regra processual, sem esta alegoria toda produzida por juízes dito “inovadores”, que canibalisam o texto legal, e dão-lhe outra versão, tendo como referência, que o legislador ao fazer aquela lei, se inspirou nisso “ou aquilo”, ou seja: o que sua vontade (dele juiz) permite aplicar, já que neste caso, o Estado neste momento processual é à vontade do juiz, e, portanto, este apesar de não estar acima de tudo e de todos, nem sempre é capaz de se dar conta desta imutável verdade, e conseqüentemente de outros valores maiores. Este quadro requer seja revisto a proposta da implantação da Vara de Execuções Trabalhistas, e do projeto de grupo de ações em execução centralizadas para uma mesma empresa, que já se avalia de momento com o êxito da penhora em dinheiro na no faturamento da empresa, aonde se programa uma ordem de chegada e cada processo recebe uma parcela, até o limite de 30%.

Ocorre que existe uma aparente resistência contra a adoção desses dois institutos (a Vara de Execução), e dos processos separados por blocos conforme o valor de cada ação, isso inclusive, data vênia, daria ao julgador e a própria sociedade uma visão clara de que o judiciário trabalhista é realmente de filosofia e de essência ao hipossuficiente, até porque as pequenas ações teriam prioridades em detrimento das maiores e as mais complexas. Há pouco conforme publicado nos veículos de comunicações, “após tramitar até o TST, uma ação trabalhista de um segurança contra apresentadora de TV, Xuxa Meneguel, foi pacificada através de milionário acordo de R$ 1,4 milhão”, quantia relevante, não só pela natureza da relação profissional, mas também pelo fato de que este, não pagou custas, menos ainda sucumbência e recebeu no judiciário laboral o mesmo hipo tratamento dado ao litigante de uma ação de pequeno valor.

Neste mesmo universo analítico temos que destacar que a micro e pequena empresa, não tem tratamento diferenciado no judiciário trabalhista, muito embora tenha a proteção do estatuto da Micro e Pequena Empresa em vigor. Os seus magistrados não adotam as diretrizes ali capituladas, assim esses pequenos negócios, diante de ações trabalhistas, que extrapolam seus condizentes recursos, fruto da falta de uma assessoria jurídica que a JT hoje exige, as levam para a informalidade, transformando a vida comercial desses pequenos empregadores, (O MTE estima que este segmento emprega 8 milhões de trabalhadores em todo País), num campo de “Auschwitz”, tamanhas as atrocidades praticadas a luz do poder estatal/juiz, nesses processos.

Como se isso não bastasse, sem se importar com as conseqüências de suas sentenças e decisões, são penhoradas contas aposentadoria, e conjunta, não existe respeito à meação, e menos ainda da conta poupança (que tem proteção legal até 40 salários mínimos). E ainda, a entidade associativa dos juízes do trabalho é contra o PL n° 7642/2006, que altera a redação do art. 791 da CLT e estabelece a sucumbência na JT e extingue o “jus postulandi”. O fato é: ou o governo interfere e põe ordem neste iceberg de irregularidades a luz do direito interpretativo que banaliza o judiciário laboral, ou então mantém esta pratica conforme já vem fazendo, e espera para ver as contas das demissões, provocadas por essas injunções, que levam a fuga da micro e pequena empresa formal para a informalidade.

Podemos dizer que a justiça trabalhista acabou se transformando num braço deformado do direito, eis porque não soluciona o conflito laboral que envolve verba alimentar com celeridade, e aplica normas de direito, importadas (permitidas pelo art. 760 da CLT),  do CPC, Lei Fiscal e Código do Consumidor (CDC), mas não adota critério emanado do judiciário estadual, que tem paradigma no processo de execução em Vara de Órfãos e Sucessões, e a Pensão de Alimentos, este último utiliza preventivamente, através do instituto da decisão provisória a verba alimentar, buscando pela aplicabilidade comum e disseminada do direito real. Quando se fala em deformidade, imagina-se o conjunto de todas suas irregularidades no ordenamento jurídico, que agregado a desta partícula de independência no jurisdicionado e de sua estrutura material. O fato é que temos a impressão de que seus integrantes operam administrativamente e juridicamente totalmente divorciados do mundo racional e social, até porque é constante o movimento associativo de magistrados trabalhistas, trabalharem com força de “lobby” no Congresso, contra propostas que visam oxigenar o funcionamento da especializada, a que titulo nunca ficou claro.

Até tu, Itaú?

Fora dos escândalos, a notícia mais comentada: o negócio do banco com a seguradora Porto Seguro. Seu proprietário, altamente profissional, fez um “leilão” entre Bradesco e Itaú, este ofereceu melhores condições.

Bastidores obscuros

Nesses negócios (ou fusões) existe sempre uma área pouco iluminada, onde mesmo os que sabem caminhar na escuridão, acabam se perdendo. De qualquer maneira, foi o negócio que a Porto Seguro queria e que o Bradesco (há muito tempo não entregue a gente tão pouco competente) não soube entender ou finalizar.

30%-40%-30%

Não são números cabalísticos e sim aritméticos e empresariais. O Itaú fica com 30, a Porto Seguro com 40, e o “distinto público” com 30. Tudo sujeito a “chuvas e trovoadas”. Mas não para o Itaú ou a Porto Seguro. (E esta ainda administra a carteira de automóveis, são os maiores especialistas do Brasil).

Rendimento mensal e anual, irrevogável

O dono da Porto Seguro recebeu uma parte em dinheiro (200 ou 300 milhões), nem queria tanto. O resto em ações do Banco Itaú, que em Nova Iorque (e no Brasil) são valorizadíssimas. Essas ações representam mais do que dinheiro VIVO.

1 BILHÃO E 300 MILHÕES

É quanto o dono da Porto Seguro terá em ações, que se PRECISAR negociar, TIRAM logo da sua mão, VALEM MAIS DO QUE AÇÕES DOS BANCOS AMERICANOS. Digamos por baixo, muito por baixo, que essas ações produzam um rendimento mínimo de 0,5% ao mês, 6% ao ano.

Traduzindo os números

1 BILHÃO E 300 MILHÕES a 0,5%, produzirão 6 milhões e 500 mil, MENSALMENTE. Ou 39 milhões ANUALMENTE. Ação do Itaú é melhor do que pré-sal, e fica na superfície.

Bolsa inativa e sem alternância

O volume de quase 4 bilhões, mostra que só existem mesmo profissionais, que estão lucrando satisfatoriamente. Como tenho dito: aos 74 mil pontos quando começou a crise, passaram a vender.

A cada minuto “nasce um trouxa”

Veio caindo, caindo quando chegou abaixo de 40 mil (na verdade, 38 mil) sentiram que a hora é de comprar. Só que chegou um ponto de incerteza, pararam. Hoje, 57.640 pontos, alta de 0,30%, não é nada.

O dólar, importante, chegou a subir 0,40%, no final estava rigorosamente estável em 1,86.

Os 18 do Forte, os 12 da Receita

87 anos separam os dois episódios. O primeiro, de caráter militar, reuniu a elite do Exército que tomaria o Poder em 1930. O segundo fato ainda não terá desdobramento. Existem por enquanto, muitas versões e pouca profundidade para análise. Só que ao contrário do que aconteceu com os 18, os 12 estão deixando o Poder. (Exclusiva)