Brasil-Argentina na Copa do Mundo

A seleção dirigida por Maradona, decide hoje, sua situação e destinação no futebol mundial. Três hipóteses, nada surpreendentes. 1- Classificação direta. 2- Repescagem. 3- Eliminação.

Não afeta ou atinge o Brasil

Já ficou fora da Copa várias vezes, o Brasil participou de todas. Mas sem confronto entre os dois países. Nas vezes em que fomos campeões, não enfrentamos a Argentina. Quando jogamos com a Argentina, não fomos campeões.

Em 1974, na Alemanha, jogamos
com eles no dia da morte de Perón

Estávamos as duas seleções no Hotel Intercontinental de Frankfurt. Por volta das 9 da noite, (da Europa, 4 da tarde aqui) chegou a notícia da morte de Perón. Circulou o rumor de que “não haveria jogo”. Falei com o chefe da delegação, que me disse, “jogaremos com fumo na lapela, mas haverá jogo”.

Jogo monótono e desinteressante, ganhamos, não adiantou nada. Três dias depois perdemos em Dortmund, para a Holanda, a semifinal. E ficamos em 4º lugar, derrotados pela Polônia, em Munich.

Os 50 anos de Maradona

A Argentina está em situação difícil mas não final e sem salvação. Classificada, fará a festa dos 50 anos de Maradona. Completa pouco antes de começar a Copa.

A crise da economia mundial por causa do que se chamou de quebra de Wall Street. De 1923 a 1929, 6 anos de altas sem nenhum intervalo. As ações foram subindo sem parar, e ainda havia a “alavancagem”. 80 anos depois a imprudência se repetiu, não se sabe quando acaba e o que é recuperação. Enquanto isso, o capitalismo garante a liberdade de imprensa, a liberdade de imprensa garante o capitalismo. Por mais 50 anos?

A euforia era geral. Nenhum alerta, vá lá, sobressalto, o céu financeiro, iluminado de manhã à noite. Fiscalização, nenhuma. Corretores e jogadores, faziam o que queriam, e levavam investidores com dinheiro, a segui-los intrepidamente, a alta aparentemente eterna, arrastando o otimismo.

Os investidores corriam risco sem saber. Jogadores e corretores, unidos e irmanados pelo que se chamava (e voltou a se chamar 80 anos depois) de “alavancagem”. Lógico, não com a intensidade daqueles dias miraculosos, maravilhosos, para todos eles em nenhuma hipótese, perigosos.

Mas o que era essa “alavancagem” que acabou destruindo a todos? O seguinte: quem tinha 1 milhão de dólares jogava 5 milhões. Dava esse milhão como garantia à corretora, com um documento escrito: “Se cair 20 por cento, pode vender”. Uma queda de 20 por cento de 5 milhões, dava exatamente 1 milhão, era a segurança da corretora. “mas não vai cair mesmo”, todos se consideravam seguros, se divertiam e se satisfaziam juntos e em tranquilidade.

Sobre aqueles tempos estranhos, o empresário Bernard Baruch, antes de chegar à empresa (que tinha ótima carteira de ações) gostava de engraxar os sapatos naquelas cadeiras altas da Quinta Avenida. Um dia o engraxate lhe deu um papel com uma lista de ações, dizendo: “Doutor, não pode deixar de comprar estas ações, vão subir muito”.

Chegou ao escritório, chamou o responsável pelas ações, deu a ordem, “venda imediatamente todas as ações”. Ele ainda quis argumentar, “estão em alta excelente”. E Baruch peremptório, “é isso, na alta é que se vende”. 8 meses depois tudo explodia, não perdeu um dólar.

Empresários que passavam longe de Wall Street, também não perderam nada. Como os construtores do Empire State Building, que em 1931 inauguravam o prédio mais alto do mundo. Que levou mais de 3 anos sendo construído, muito antes da crise da jogatina, da ambição financeira e da falta de fiscalização.

A recuperação foi lenta e demorada. Roosevelt assumia 4 anos depois, em 5 de março de 1933, com o país esfacelado. Criou o New Deal, estatizou tudo, (como fingiram fazer agora) dificuldades terríveis. O número de desempregados, 15 milhões, o mesmo de agora, mas numa população muito menor.

Hoje todos dão palpites, falam em “recuperação da economia por causa da recuperação das bolsas”. Nada a ver. Garantem que tudo acabará em 2010, (os mais precavidos citam 2011) mas é tudo mistificação.

A Bovespa subiu de 6 mil para 74 mil em mais ou menos 7 anos. E ninguém esperava ou admitia a queda. Mas veio desses 74 mil para 30 mil, com os investidores verdadeiros atirados na lama do descrédito, desassossego, desespero.

A longa viagem de volta

TRILHÕES de dólares e euros, foram jogados nessa voragem. E não serão devolvidos, apesar das maquiagens que fazem nesses “empréstimos”. Não só para os mercados acionários mas também para os imobiliários. Diminuíram um pouco as “bonificações dos Executivos”, nada melhor para o otimismo vazio.

Desemprego destrutivo

A UE (União Européia) confessa 18 milhões de desempregados, e não surge nem o trabalho para os que chegam à idade do primeiro emprego. Os americanos, mais hipócritas, citam apenas “as percentagens do desemprego”, para quem sabe “decodificar”, são 15 milhões. Sem capacidade para fornecer o primeiro emprego.

Otimismo falso e farsante

O famoso economista Nouriel Roubini, disse com segurança e total advertência: “O mundo pode estar plantando as sementes da próxima crise”. E conclui: “Existe disparidade completa entre o OTIMISMO dos mercados, e a DEBILIDADE da economia real”.

Analisando o presente,
respondendo pelo futuro

Está rigorosamente correto. E posso aplaudi-lo sem restrições, pois há mais de 6 meses digo isso diariamente.

Não há momento em que deixe de chamar a atenção para a irrealidade do que ocorre nas Bolsas, (do mundo) e a tentativa de credibilidade que espalham através dos jornalistas amestrados.

As Bolsas podem subir,
sem recuperação da economia

Faço a comparação diária, e mostro sem nenhuma complicação ou mistificação, que a economia é uma coisa, e a jogatina das Bolsas, outra completamente diferente. Dou números e conclusões que não podem ser desmentidas. E agora, confirmadas pelo economista dos EUA.

***

PS – Por enquanto não há esperança ou expectativa de consolidação da economia em curto, médio ou longo prazo. Os que falam com conhecimento de causa, como o economista Nouriel Roubini, (ou este repórter) correm o risco de serem ridicularizados.

PS 2 – No momento, a garantia vem de um entrelaçamento: o capitalismo garante a liberdade de imprensa, a liberdade de imprensa garante o capitalismo.

Se arrecadação recuou foi o consumo que baixou

Pedro do Coutto

Reportagem de Renato Andrade, O Estado de São Paulo de 13 de outubro, revela que o governo está praticando um sistema de cortes em fundos especiais administrados por ele próprio para fazer caixa e assim compensar a queda verificada na receita pública. O período focalizado foi o de Janeiro a Setembro. Sinal, portanto, de que a economia ainda não reaqueceu apesar do clima de otimismo sem dúvida existente no país. Mas fazer caixa é deixar de investir e isso bloqueia os reflexos que as aplicações de capital produzem na administração e na sociedade. O fenômeno adia a plena retomada do processo de desenvolvimento. E este processo é fundamental porque é preciso considerar a taxa inflacionária, em torno de 4,5% para os últimos doze meses, e o fato de a população crescer à velocidade de 1,2% ao ano. Assim, cada recurso que deixa de ser utilizado de forma reprodutiva e multiplicadora produz um déficit social disfarçado, ainda que aparentemente contribua para estabilizar as contas oficiais. Estabilizar as contas oficiais é básico e o governo Lula tem alcançado êxito no setor. Mas não é tudo. Há um outro lado na questão.É o do crescimento do poder aquisitivo com o menor comprometimento possível em termos de dívidas dos assalariados.Caso contrário, se depender do crédito, o consumo avança, mas o endividamento também e o fenômeno reduz a possibilidade de um crescimento maior (e melhor) da poupança interna. E a poupança interna, no Brasil, é muito pequena se compararmos com as de países industrializados e desenvolvidos. Quanto menor for a capacidade de poupança, mais altos serão os juros,maias elevado o endividamento tanto da população quanto do país. Aliás não existe país sem povo. O progresso é o resultado do encontro de dois fatores. Pois só se produz o que se consome. E só se consome o que foi produzido.

O dinheiro para as pessoas, e para os maiores projetos econômicos, não é, tampouco pode ser um fim em si mesmo. É um instrumento de realização e de construção. Já vai longe o tempo em que os milionários (hoje bilionários) juntavam  recursos monetários pra si, como se tal tipo de comportamento fosse símbolo de sucesso.Não é. Esta questão foi muito bem comentada pelo ex ministro da Fazenda, Otávio Gouvêa de Bulhões, em seu livro Dois Conceitos de Lucro, 1969, editado pela Fundação Getúlio Vargas. Suas colocações, claras e serenas, como era de seu estilo, permanecem atuais como exemplo cada vez mais necessário. Ele colocou, por exemplo, o problema dos impostos. Ressaltou que o poder público, por encontrar a sensibilidade  que o indique qual o patamar ideal de cobrança.Porque – dizia o ex ministro – se vier a ser fixado um limite acima das possibilidades normais da sociedade, esta deixa de recolhê-los.Claro os devedores serão fortemente cobrados, como sempre acontece. Mas vão demorar a pagar. Pagam juros e correção, mas o que ocorre? Apenas o poder público, dentro de um processo assim, deixa de arrecadar e investir mais rapidamente nas obras e serviços de legítimo interesse coletivo. Perdem com isso tanto o poder público quanto a população.

Até porque serviços essenciais a ela deixam, de ser concretizados nos prazos. Então vê-se o seguinte: se estes  limites de tempo não são cumpridos, digamos no plano do saneamento do meio, quantas pessoas, sobretudo crianças,  são diretamente atingidas em consequência? Este cálculo tem que entrar na média com um peso ponderável. São números indiretos, pouco aparentes, mas profundamente reais.O destino de milhares de vidas depende dos números que, por apresentarem efeitos indiretos, estão envoltos em sombras.

Burrice continuada

Carlos Chagas

Não dá para calar, ainda que todo ano aconteça o  estupro de sempre,  levando  muita gente a relaxar, mesmo não gozando. Mais uma vez,  à meia-noite do próximo domingo, os relógios precisarão ser adiantados em uma hora, em nome desse abominável horário de verão. Ninguém foi consultado. Qualquer que seja o governo, todos os governantes  lançam-se ao roubo de uma hora de sono dos cidadãos, em metade do Brasil. No Norte e no Nordeste, que reagiram, os ponteiros ficarão onde estão, mas nos estados mais populosos, não tem remédio. Quem  for trabalhar, da segunda-feira em diante,  acordará antes do sol. Os estudantes irão para o colégio sonolentos e aproveitarão a primeira aula para tirar a diferença.

Tudo se faz automaticamente, sem discussão nem ponderações, porque a moda é essa, há  décadas. O pretexto continua de  economizar energia à noite,  sem que os tecnocratas se dignem calcular quantas lâmpadas precisarão  ser acesas pelas madrugadas. Sem falar na alegria dos assaltantes  próximos dos pontos de ônibus ou das  estações do metrô, nas grandes cidades.

Falta cidadania, do Centro-Oeste para baixo, capaz de levar o contribuinte a insurgir-se e não adiantar o relógio.  Como também  a mídia carece de coragem para deixar a programação de rádio e televisão nos horários anteriores. Da mesma forma as empresas de transporte  aéreo, rodoviário  e ferroviário.  Se elas   ignorassem o decreto presidencial, demonstrariam que o governo pode muito, mas não pode tudo.

Alguns privilegiados, daqueles que moram à  beira-mar, alegarão estar chegando em casa  uma hora mais cedo, prontos para ir à praia. A maioria, porém, reclamará do jantar antecipado.

Na fronteira de Minas e do Espírito Santo com a Bahia, será o caos para quem  mora num estado e trabalha no outro. A opção será ficar  pronto para o batente e atravessar a rua ou a  ponte às sete horas e verificar que do outro lado  ainda são seis horas.   Ou, ao contrário, chegar uma  hora atrasado. Sem esquecer a volta.

Em suma, o horário de verão é um esbulho que não nos cansaremos de denunciar, como vimos fazendo há tempos. Ao menos, para demonstrar que estão  quebrando nosso relógio biológico, reduzindo durante muitos dias  a capacidade de trabalho e a produtividade de uns,  bem como o aproveitamento escolar  de outros. Tudo para,  em fevereiro,  depois de estarmos acostumados ao novo horário, atrasarmos os relógios…

De três, só passam dois…

No Ceará, três fortes candidatos disputam as duas vagas de senador: Eunício Oliveira, do PMDB, prestes a se tornar presidente nacional do partido; Tasso Jereissati, do DEM, que já presidiu, ex-governador,  líder nas pesquisas, com 70% das preferências; e José Pimentel, pelo PT, todo-poderoso ministro da Previdência Social, apoiado pelo presidente Lula.

O diabo, para os três, é que só na equação só cabem dois. Se o palácio do Planalto esmera-se na tentativa de derrotar Tasso, também é  verdade que o PMDB exige respeito,  para apoiar Dilma Rousseff no plano federal. E o PT não quer saber de nada, apenas de eleger Pimentel.

A situação é inusitada para qualquer composição imaginada. Eunício e Tasso formariam uma dupla de peso, mas Eunício e Pimentel, também. No primeiro caso, porém, ficaria em risco a aliança dos companheiros com maior partido nacional. No outro, os votos poderiam desfazer quaisquer arranjos de cúpula.

E um acordo Tasso-Pimentel, estaria fora de propósito? É bom lembrar que Hitler e Stalin celebraram surpreendente pacto, no início da Segunda Guerra Mundial…

Oposição a mais empregos

Com um viés de indignação, certos jornais divulgam que de 2003 até hoje o governo criou 57 mil vagas em suas estruturas, sendo 26 mil só este ano. A notícia é transmitida como se tratasse de um novo surto de gripe suína ou epidemia de dengue.  Com críticas e protestos pelos gastos públicos decorrentes de tantas nomeações.

É preciso acabar com o farisaísmo. Entre tantos desacertos, o governo Lula acerta quando abre novos postos de trabalho no serviço público. Primeiro por demonstrar não serem assim tão fantásticas as estatísticas e a propaganda relativa ao fim do desemprego.  Estivesse a iniciativa privada contratando tanto quando apregoam e, aí sim, seriam  desnecessários os empregos públicos.

Depois, porque as denúncias permanentes de ineficiência, lentidão e burocracia na  máquina estatal  só poderiam ser corrigidas com o aproveitamento de mais gente qualificada. Quando isso acontece,  as elites protestam. Quem não tem trabalho que se dane, parecem sustentar em seus editoriais e reportagens.

Submergir ou ascender

Divide-se a cúpula do PT: uns sustentam que Dilma Rousseff deve livrar-se o mais breve possível dos encargos da Casa Civil e lançar-se de corpo inteiro na campanha presidencial, até aproveitando para descolar-se um pouquinho do presidente Lula. São os que duvidam da transferência de popularidade e de votos.

Outros, porém, defendem estratégia oposta. A candidata deveria aproveitar o  quanto puder  sua condição de principal auxiliar do presidente da República,  estando presente em cada momento das atividades do Lula, colada nele para angariar votos e popularidade.

Os companheiros sabem que as decisões são tomadas a quilômetros de distância de suas salas de reunião, centralizadas no  principal gabinete do palácio do Planalto, mas insistem em dar palpites. Estariam os dois grupos  apenas  prevenindo  um possível  malogro da candidatura oficial? Afinal, nada tiveram com a indicação de Dilma. Deveriam, mesmo, é ficar quietos.

A Bovespa continua em alta inútil

Os índices permanecem subindo, nenhuma surpresa. Às 13;15 minha primeira postagem, a alta era de 0,22% em 64 mil 225 pontos. No fechamento passou a 64.645 pontos, mais 0,90%. O volume que era de 1 bilhão e 400 milhões para 3 horas e pouco, foi a 4 bilhões e 200 milhões, nada especial. O dólar continua descendo a ladeira, hoje ficou em 1,72, com queda de 1,29%. O governo (leia-se Banco Central) assustado.

Os amestrados não se cansam de falar em “novos recordes” da Bovespa

Vai subindo tão inesperadamente como caiu. Só que na queda arrastou a classe média já martirizada pelos governos. Na alta favoreceu os ricos e especuladores, redundância? Além do mais, esses “especialistas” ganham na jogatina, com sonegação, e nos dividendos, sem imposto de renda. Por que o trabalhador paga imposto de renda e o jogador fica sempre isento? E a classe média, punida sem receber a restituição.

Como tenho registrado aqui, as ações que chegaram no mínimo de 30 mil pontos, reagiram nos 6 últimos meses e já estão em 64 mil . Não demora e baterão nos 74 mil, como estavam quando os aventureiros provocaram a crise.

Nada a ver com a economia que interessa aos bilhões do mundo e à multidão de desempregados.

Hoje, inquietos e assustados com as altas, e sabendo que o “mercado” está rigorosamente sem investidores, jogam com cautela. Esperam investidores, mais fáceis de enganar do que os Fundos, que dividem os lucros.

Até às 13:15, o índice de São Paulo, em alta de 0,22%, em 64 mil 225 pontos. Para mais de 3 horas de jogatina, volume de 1 BILHÃO e 400 milhões.

O dólar na caminhada que vem sendo habitual, um pouquinho para baixo, devagar e sempre. A esta hora caía 0,53% em 1,73.

FHC injustiçado, merecia o Nobel

Pela primeira vez o Nobel de Economia foi para uma mulher. A americana Elinor Ostrom foi considerada quem melhor dividiu bens públicos , administrando-os. Não foi de maneira alguma mais eficiente do que o ex-presidente, que não dividiu os bens do Brasil, DOOU todos a grupos estrangeiros. Com isso ganhou mais 4 anos de poder.

Eike Batista superavaliado

Não se passa um mês, uma semana, um dia em que não apareça como O HOMEM MAIS RICO DO BRASIL. Ele espalha isso, e aceitam. Devia ganhar o Prêmio Pinochio.

Existem, no Brasil, 50 ou 100 mais ricos do que ele

Ele garante que tem patrimônio de 7 bilhões e meio de reais, e fala num i-m-a-g-i-n-á-r-i-o valor de mercado, que NÃO VALE NADA. É tudo em ações projetadas para o futuro, que podem representar LUCRO ou PREJUÍZO, tudo incerto.

Jamais criou um emprego

Todos os seus negócios (?) são baseados em aproveitamento das riquezas nacionais (o manganês do Amapá e minérios raríssimos da Amazônia), jamais criou nada. Para ficar só no Rio: os Marinhos têm patrimônio de mais de 20 BILHÕES e valor de MERCADO de mais 80 BILHÕES. E no resto do Brasil, dezenas mais ricos do que ele. Só que Eike mente e todos retumbam, que palavra, e que farsante.

Autênticas, textuais e entre aspas

Do jornalista Carlos Chagas, analisando, prevenindo, mas quase adivinhando: “O Nobel agora foi para Obama. Para adversários e companheiros, a conquista veio no sentido contrário: Lula não ganhou. E se Lula tivesse ganho esse Nobel?”

Completando e repercutindo o Chagas: se no último ano de governo, perdão, no suposto e não previsível último ano de Lula, ele ganhasse o tão cobiçado Prêmio? Aí mesmo é que continuaria presidente, teria que mostrar o troféu a todos os correligionários, os adversários não agüentariam mais.

De Tasso Jereissati, em 2011, já ex-senador, sem saber o que fazer: “Puxa, não consegui derrubar o Sarney, não me reelegi, e continuo respondendo a processo no Supremo, apesar de Sua Excelência Gilmar Mendes”.

Carlos Nuzman, inócuo presidente do COB há 17 anos: “Todos têm que trabalhar para 2016. Quem não trabalhar, está aberta a porta de saída”. Puxa, poderia concretizar suas próprias palavras.

José Roberto Gabrieli, presidente da Petrobras: “A empresa tem muito prestígio externo, é reconhecida pelas empresas privadas”. Ha! Ha! Ha! Foi obrigada a ceder partes importantes de seu patrimônio e produção por causa das “doações” do presidente FHC.

Do coronel Chávez, no mais assombroso ato de desrespeito à ONU e OEA, desapreço à América do Sul e Mercosul, desprezo à América Central e ao próprio Lula, de quem se diz amigo: “Zelaya tem que voltar à presidência e junto com a eleição, ter aprovado o referendo para que se reeeleja”. Nem diz, “possa disputar” a reeeleição e sim OBTÊ-LA. Que audácia.

Tem falado abertamente criticando outros presidentes da América do Sul. Quem seria capaz disso a não ser o coronel Chávez? Insistência dele: “Tenho favorecido e protegido os presidentes da Bolívia e do Equador e eles não deram uma palavra de apoio ao presidente Zelaya e à democracia em Honduras”. Ha! Ha! Ha!

Arruda, Roriz, Mario Sérgio e Jaguar

Vicente Limongi
Hélio, Tens razão em recordar o que Arruda prometeu pessoalmente para você: jamais pleitearia a própria reeeleição como governador. Fazer o que, eles são assim mesmo. Veneram e adoram o Poder. Tenho bom relacionamento, hoje, com Arruda. Creio que faz bom trabalho como governador. Contudo, Joaquim Roriz é uma parada braba. Bom de voto, carismático. Mesmo fora do forte PMDB não se deve subestimá-lo. Arruda sabe disso. Roriz não precisa de televisão. Sobe num caixote e faz comicio para multidões. É esperar para ver.

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Hélio, Também gosto do trabalho do Mário Sérgio. Talvez tenha demorado muito a moldar seu forte temperamento. Sim, porque para conviver com bajuladores e cretinos que nunca jogaram nem pedra em mangueira, é difícil. Ou o sujeito releva bastante as tolices que ouve e lê, ou muda de ramo. Mário Sérgio conhece futebol. Como Gerson, sabe analisar, enxerga o jogo, faz as alterações certas. Deixando de ser técnico, Mário Sérgio deveria permanecer analista . Contudo, é como salientei, como ele sabe tudo de futebol e suas manhas e seus coleguinhas geralmente não sabem nada, fica difícil. Sucesso para o Mário no internacional.

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Hélio, De carona no comentário do Luis Antônio, reitero o que comentei, assinalei e destaquei, aqui na Tribuna, há uns 8 dias: Todos te copiam e fica por isso mesmo. Não critico o Luis Antônio, que creio ser um leitor não jornalista, mas, por exemplo, domingo passado, no O Globo, o “humorista” Agamenon, escreveu a tua definição; Serginho, Cabralzinho, Filhinho. Como se estivesse dizendo alguma novidade. Agamenon, pseudônimo de algum imbecil recalcado e covarde, porque escrever com nome falso, para mim é um verme, é mais um entre tantos metidos a engraçados com espaço na imprensa. Como há quem goste, os boçais vão ficando.

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Hélio, Tomando ao pé da letra a opinião sempre competente do José Carlos Werneck, creio que, então, faltaria bala no Brasil.

Comentário de Helio Fernandes
Bastaria essa tua frase: “Eles são assim mesmo, adoram o Poder”. Quando deixou o governo de Brasília pela primeira vez, (FHC ainda não violentara a Constituição) Roriz afirmou publicamente, viajando para os EUA, “não volto mais para o Brasil”. Voltou logo na próxima eleição.

O Arruda, garantiu que “não queria reeeleição”, me pediu para publicar. Na primeira oportunidade, passou logo “a querer”. Como os dois renunciaram para não serem CASSADOS, qual será o “preferido” do sistema político e eleitoral viciado?

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Mario Sergio tem personalidade demais, (exatamente como o Gérson que você citou) acaba criticado por comentaristas presunçosos, pedantes e pretensiosos, que nem conseguem estabelecer a diferença entre ARITMÉTICA e MATEMÁTICA. Não percebem que a MATEMÁTICA é o todo, a ARITMÉTICA a parte, que trata dos números.

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É assim mesmo, Limongi. Há mais ou menos 20 anos, criei o Ha! Ha! Ha! , nada genial, mas uma criação. Que o Jaguar escreveu e descreveu dizendo, “o Helio criou a gargalhada gráfica”. Não respeitam nem “o cara” (o Jaguar) que abriu seu próprio caminho de forma extraordinária.

Constrangimento

Pierre-Philippe Marcou, fotógrafo da France Press, fez ótimo trabalho, pegando Nuzman beijando Lula no rosto. Mas o que é que o presidente vai dizer em casa ou aos companheiros? Nenhum dividendo, nenhuma satisfação. Que vexame.

Suplicy insiste em ser candidato

O ex-marido de Dona Marta, adora a condição de ex, mesmo político ou eleitoral. Em 1994, candidato a governador de São Paulo, acabou vereador e depois senador, com apoio de Maluf. É o que diz, revoltado, seu adversário de então, o Oscar do basquete.

Já quis ser até presidente

Em 1998, na terceira candidatura de Lula (e praticamente já na terceira derrota) quis substituir o companheiro, não teve a menor chance, foi eleito senador. Agora quer ser candidato a governador, seu mandato vai até 2014. Não terá nem legenda.

Renovação em Brasília

José Carlos Werneck
Helio, o PT de Brasília está se preparando para lançar o Ministro dos Esportes como candidato a governador. Pode ser a mudança de nomes, a capital está precisando disso.

Comentário de Helio Fernandes
Obrigado, Werneck. Como você é sempre muito bem informado, (sem falar das coisas dos tribunais, onde você é um brilhante advogado), fico satisfeito e esperançado. Como o Brasil inteiro precisa de renovação, substituição, modificação, o Distrito Federal também.

Chega de senadores RENUNCIANDO para não serem CASSADOS,  e fazendo estágio como governador. Pela primeira vez, ou se eternizando. Chega, não votem em quem já é, no Executivo ou no Legislativo.

Esportivas, observadas e comentadas

Palmeiras, primeiro, perde
para o Náutico, quase o último

Muricy “pegou” o Palmeiras como líder, trabalho do interino Jorginho. Daí em diante foi ganhando e empatando, “milagrosamente”, nenhuma vitória indiscutível. Ontem, goleado pelo time de Pernambuco, que luta contra o rebaixamento.

Mudança no G-4

O Atlético perdeu mais uma, o Goiás quase ia perdendo outra, empatou no final. O Avaí (simpático e surpreendente) pela segunda vez seguida vencia por 2 a 0, deixa empatar. Nenhum perigo de rebaixamento, nenhuma chance do G-4.

O Flamengo sem Adriano?

É mais um jogador convocado desnecessariamente, que se machuca. E a CBF que gasta fortunas e não indeniza os clubes? O artilheiro do Brasileirão pode desfalcar o time num final importantíssimo.

Flunimed: melhorou, só está
180 por cento rebaixado

Finalmente venceu (venceu?) o quase rebaixado Santo André. Assim mesmo, penando e sofrendo do princípio ao fim. Se não mudar o time, o sofrimento continuará na Série B.

Uma vez Flamengo, nada
a ver com Márcio Braga

Está pertinho do g-4, pode ir para a Libertadores. O presidente fracassado reassumiu, trocou o Senado pela Câmara, tenta isso há 40 anos. Vai depender de Clovis Sahione ou Patrícia Amorim, Os outros, apenas os outros.

“Não chores por mim, Argentina”

O final foi emocionante, pelo jogo, e pelo temporal, que não deixava ver coisa alguma. Satisfação pelo segundo gol e pela comemoração de Maradona. Amanhã, contra o Uruguai, dificilmente a seleção ficará longe da África do Sul. Maradona vai completar 50 anos dias antes da Copa de 2010, merece estar lá.

Ronaldo Fenômeno na seleção

Não está muito longe da convocação. Em 9 meses, basta que perca muitos quilos, fique mais perto de um tipo atlético. E Julio Batista, Luiz Fabiano, Adriano e Wagner Love se contundirem. Nada surpreendente, o corpo do fenômeno balança.

O Botafogo positivamente instável

Na 18ª  rodada, quando escrevi que Sport e Fluminense estavam rebaixados, citei o Botafogo, ressalvando seu espírito de luta. Perde, ganha e empata no final, o que prova que luta. O que aconteceu ontem. Pode permanecer na Série A, nenhuma injustiça. Mas ainda luta com Santo André e Náutico. Os dois clubes do Paraná dão impressão de que continuarão na Série A.

No dia 12 de outubro de 1977, Silvio Frota, Ministro do Exército, tentou derrubar o “presidente” Geisel. Derrotado, demitido, perdeu tudo. Apenas “pavimentou” o caminho para que João Figueiredo fosse o próximo “presidente”

Há 32 anos, num dia 12 de outubro exatamente igual ao de ontem, o General Silvio Frota, Ministro do Exército do “presidente” Ernesto Geisel, tentava derrubá-lo. Só não conseguiu por imprudência, incompetência, imprevidência. Era um dos muitos golpes dentro do golpe, o que ocorreu com mais frequência do que se sabe ou até do que se imagina.

Ernesto Geisel trabalhava na escolha do seu sucessor. Os que tomaram o Poder em 1964, fixaram um princípio (?) inteiramente inédito e inusitado em matéria de ditadura. Normalmente as ditaduras são fixas (até que se desgastem, geralmente do ponto de vista interno) com um ditador também fixo.

A de 1º de abril de 1964, inovou completamente. Implantou uma ditadura fixa com um ditador rotativo. E esse ditador rotativo precisava preencher três condições. 1- Ser general de Exército. (Quatro Estrelas). 2- Da ativa. 3- Não admitir de maneira alguma a permanência no Poder depois de terminado o prazo fixado. Ou seja: nada de reeeleição.

Do ponto de vista da sucessão normal, jamais houve reeeleição na nossa história. Quanto ao ditador (com o jogo e o Poder obtido pela força), não tinha duração fixada, mandava até ser derrubado. (Getulio Vargas).

Já se sabia que Geisel anunciaria dentro de algum tempo, o nome do sucessor. Também se sabia, que só existiam dois nomes, ligadíssimos ao “presidente”: Hugo Abreu, Chefe da casa Militar, que tinha a função importantíssima de censurar e controlar a imprensa, com a conivência, a concordância e a cumplicidade dos ávidos donos dos jornalões.

E João Figueiredo, chefe do SNI. Mas havia um desafio que era o que seduzia Ernesto Geisel, não muito brilhante nem muito audacioso, mas que gostava de contrariar o estabelecido. Hugo Abreu e Figueiredo eram generais de Divisão (três Estrelas) o que não se encaixava nos princípios (?) de 1964.

Hugo Abreu achava que ia ser o escolhido, era o número 1 no Almanaque, Figueiredo o número 3. E no Exército, (Forças Armadas) para ser promovido, a rotina estabelece que “antiguidade é posto”. Menos para Geisel, que adorava ser carrancudo e “desmancha-prazeres”. Geisel se preparava para “desmanchar o prazer” de um terceiro personagem, poderosíssimo e candidatíssimo.

Esse terceiro personagem se chamava Silvio Frota, general de 4 Estrelas, Ministro do Exército, e além de tudo isso, convencido de que a vez era dele, ninguém tinha mais títulos e credenciais. Poucos dias antes, um fato de importância irrefutável: o “presidente” Geisel chamou a Brasília os Comandantes dos 4 Exércitos. Sem eles não se faz nem se fazia nada.

O Ministro do Exército soube, (como deixar de saber?) e que no dia 12 de outubro seriam recebidos em Brasília. Cometeu então o equívoco que arruinou o fim de sua carreira. Mandou três coronéis e 1 general de Brigada (2 Estrelas), receber os Comandantes. Geisel, sempre pragmático mas precavido, destacou 4 generais de Exército para dar as “boas vindas” aos colegas da mesma patente. E levá-los ao Planalto. Silvio Frota também convidava para irem ao Ministério do Exército (Forte Apache), adivinhem qual o convite que aceitaram?

Os comandantes ficaram horas no Planalto, recebidos com honras, sólidas, e champanhe, líquida. Quando saíram, um deles, Hugo Bethlem, já era Ministro do Exército. Silvio Frota nem precisou ser demitido, um general sem tropa vai pra casa, foi o que ele fez.

(Anos depois publicou um livro com revelações interessantes. Mas externando a convicção, numa frase absurda que depreciou o livro: “Ernesto Geisel era comunista, eu sempre soube disso”).

Geisel arrematou o que diziam dele, (“desmancha prazer”) escolhendo Figueiredo e preterindo Hugo Abreu. Com isso teve que ratificar o que acontece no Exército: “caroneando” o número 1, Hugo Abreu, este foi pra casa, revoltado.

Logo depois publicaria o livro, “O outro lado do Poder”, que Julio Mesquita Filho, Otavio Frias pai, Roberto Marinho e Nascimento Brito, leram com amargura, com mágoa, ressentimento e sem pode exibir uma palavra de protesto. Tudo era verdade e nenhum deles escrevia mais do que o próprio nome.

***

PS – Os fatos se desenrolariam com grande velocidade, mas quero terminar no próprio dia 12 de outubro de 1977. João Figueiredo, Chefe do SNI, não tinha confiança no próprio órgão que chefiava, sabia que gravavam tudo.

PS 2 – Precisando conversar com o grande amigo Mario Andreazza, marcou com ele um jantar nessa noite, na casa do advogado Paulo Maia. Teve que ser desmarcado. Andreazza protegeu Delfim Netto no governo Figueiredo. Morreu ainda moço, sem deixar nenhuma herança ou propriedade, completamente pobre, ao contrário do que espalhavam. Mas isso é outra história.

Lógico, mas inexequível

Carlos Chagas

Em seu programa de rádio, ontem, o presidente Lula foi à estratosfera,   mesmo acompanhado pela maioria da opinião pública nacional. Estrilou mais uma vez diante dos países ricos, anunciando que o Brasil  apresentará nas Nações Unidas, em dezembro, um plano destinado a leva-los a pagar pelo estrago ecológico há muito feito  no planeta. Citou os Estados Unidos, que há 200 anos iniciaram a revolução industrial devastando suas  florestas e começando a poluir a atmosfera. Devem, os americanos, reflorestar seu país ou pagar àqueles  que ainda possuem matas em grande extensão.

Vão rir de nós, quando formalizarmos essa proposta. Não há força humana capaz de obrigar o mundo  a reparar o passado.  Até porque, se essa história  pegar, logo haverá quem pretenda ver    Israel indenizando os cristãos,   já que os  judeus crucificaram Jesus,  ou a Mongólia vendendo  suas parcas riquezas,  por conta da  devastação feita   por Gengis Khan.

O Lula anunciou para breve a redução de 80% no desmatamento entre nós e formulou com lógica a necessidade  de recebermos compensações financeiras pela preservação das florestas. Convenhamos, porém: só obterá resultados quando o Sargento Garcia prender  o Zorro…

Ver para crer

Acompanhado da ministra Dilma Rousseff o presidente Lula inicia, amanhã, demorado périplo pelas obras de transposição do rio São Francisco. Está otimista, anuncia para 2010 a inauguração  da primeira etapa do projeto  e para 2012 a sua conclusão. Tomara que dê certo, caso o Ibama e os ecologistas não criem novos obstáculos.

Paraíso perdido

Conquista praticamente ímpar na história da República, o ministro Celso Amorim conseguiu concentrar no Itamaraty a totalidade dos embaixadores do Brasil no exterior. Não há um só de  nossos representantes escolhido  fora da carreira diplomática. Deixando para outro dia discutir se essa reserva de mercado beneficia ou prejudica  nossa imagem lá fora, vale registrar que parece em vias de ser alterada. Trará novas concepções o  próximo presidente  da Republica, seja José Serra, Dilma Rousseff, Ciro Gomes ou Marina Silva.

A presença do Marco Aurélio Garcia como “chanceler do B”, no palácio do Planalto, já desarruma bastante a pureza das intenções de Amorim, mas pior ficará a situação no próximo governo.

O próprio assessor especial para assuntos internacionais do presidente Lula  acaba de ser designado coordenador do plano de governo de Dilma Rousseff. Trata-se da  evidência de que se a candidata for eleita,  integrará o ministério. Onde, se depender dele?

Com José  Serra, coisa um pouco diferente, já que os embaixadores aposentados Rubem Barbosa e Sérgio Amaral são os mais cotados para as Relações Exteriores. Mas para não ser incomodado, caso vencedor,  o governador paulista precisará acomodar o ex-presidente Fernando Henrique. Não como  ministro, que o ego do sociólogo rejeitaria, mas como eminência parda da nossa diplomacia, ele que nomeou muitos embaixadores fora da carreira.

Um partido posto em frangalhos

Carlos Chagas

Prevista para a próxima semana, dia 21, a reunião do presidente Lula com dirigentes do PMDB marcará o engajamento formal do partido na candidatura Dilma Rousseff. Representará o assassinato explícito da tentativa de as bases peemedebistas se reunirem em  novembro,  conforme estava combinado, para um Congresso Nacional onde se debateria a hipótese da candidatura própria e a  elaboração de um programa mínimo para uni-los na sucessão do ano que vem.

Foi o que denunciou  o senador Pedro Simon, no fim de semana, acentuando ter sido  a proposta  atropelada por obra e graça do presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, na verdade quem ainda manda na legenda. Disposto a tornar-se candidato a vice-presidente na chapa de Dilma, já que por ser paulista, não conseguiria ser vice de Serra, o presidente da Câmara recebeu contundentes críticas do  senador gaúcho. Conforme Simon, ficou selado um presente negro e um futuro triste para o PMDB,  na humilhante reunião de líderes, semana passada, para a qual não foi convidado  e  nem iria, se tivesse sido. Lá estava o grupo empenhado em vender o partido em troca de cargos e benesses no futuro governo.  De Dilma Rousseff, se ela vencer, ou de José Serra, se o presidente Lula não conseguir transferir sua popularidade para a candidata. Porque um jeito sempre haverá para se aproximarem do governador paulista.   Além de Michel Temer, segundo Simon, esse grupo é comandado por Renan Calheiros, ex-ministro de Fernando Henrique e hoje porta-voz  do governo atual; Geddel Vieira Lima, líder de Fernando Henrique na Câmara e agora ministro do Lula; Eliseu Padilha, também ministro do governo passado e cheio de paixão pelo presidente da República; José Sarney, capaz de vender a alma ao Lula por conta de sua permanência na presidência do Senado; e outros da mesma estirpe.

Por essas e outras, completou o senador,  o PMDB tornou-se insosso, amorfo e inodoro, um arremedo  que em breve perderá a condição de maior partido nacional, empenhado em namorar os dois lados da equação sucessória, ou qualquer outro que possa aparecer, sem comprometer-se com a solução  natural que seria o lançamento de uma candidatura própria. Seus dirigentes  formarão com quem  vencer, qualquer que seja.

“Não  merecemos o comando que temos”,  afirmou, lembrando que todos mantém  cargos no governo do PT, como mantinham  no governo do PSDB. E terão nos próximos,  até o dia em que perceberem estar reduzidos a frangalhos, desprezados pelo eleitorado.   Por essas e outras,  Simon anunciou que abandonará a vida pública, uma vez encerrado seu mandato, em 2014…

Depois do Estado, a Folha

Seria de fazer corar frades de pedra, se eles ainda existissem, a denúncia publicada ontem pela “Folha de S.Paulo”.  Degravações de conversas entre o filho mais velho do senador José Sarney, Fernando Sarney, mostram conversas, pedidos e instruções dadas por ele ao ministro Edison Lobão e assessores, interferindo em audiências e atos do ministério das Minas e Energia.

Lobão defendeu-se, dizendo que amigos podem pedir, mas não são atendidos. Pode ser, mas choca todo mundo  a desenvoltura com que Fernando Sarney e o ex-ministro Silas Rondeau, outro integrante do clã do ex-presidente da República, tratam da coisa pública junto a um ministro do governo Lula.

O jornal “O Estado de S. Paulo” já se encontra censurado por  ato judicial, proibido de divulgar denúncias envolvendo o filho de Sarney. Pelo jeito, chegará rápido  a vez da “Folha de S. Paulo”,  já que os processos correm em segredo de justiça. Fica estranho, também, saber que  a Polícia Federal monta sistemas de escuta telefônica  atingindo  o gabinete de um  ministro.   Bem fazia  Tancredo Neves ao recomendar a seus amigos e  assessores que, pelo telefone, não abordassem nada além da rotina e do futebol.

Um episódio a esclarecer

Por falar em Tancredo Neves, um episódio a esclarecer. O presidente eleito mas não empossado encontrava-se internado num hospital de São Paulo, já submetido a diversas operações. Seus médicos divulgavam boletins diários, sempre pessimistas.

Em Brasília, o  então  ministro da Fazenda, Francisco Dornelles, sobrinho de Tancredo, acompanhava com a apreensão o drama do tio, ao tempo  em que procurava conduzir a política econômica do presidente interino, José Sarney.

Certa manhã,  este que vos escreve recebeu telefonema de Dornelles, pedindo-me comparecer ao seu gabinete, na Esplanada dos Ministérios. Lá, numa pequena sala de reuniões ao lado de sua escrivaninha, estavam dois senhores de aparência modesta, dizendo-se monges de um mosteiro desconhecido do interior de Goiás. Há dias tentavam avistar-se com o ministro para avisa-lo de que a doença de Tancredo ligava-se a “trabalhos”  de magia negra. Autorizados por Dornelles, tinham acabado de voltar do apartamento particular do presidente eleito, onde foram investigar. Haviam sido acompanhados por um outro sobrinho de Tancredo, primo de Dornelles, Gastão Neves, hoje falecido. No quarto de dormir, abriram com uma faca o travesseiro,encontrando nele o que, naquela salinha do ministério da Fazenda, encontrava-se sobre pequena mesa redonda: o travesseiro rasgado e, dentro dele, um boneco vudu, todo espetado por espinhos, e mais um terço desses que se vê matronas rezando na Igreja.

Dornelles perguntou-me, entre espantado e cético, o que fazer com aquela estranha composição, ao tempo em que deu a palavra aos dois monges. Eles explicaram que a magia negra  era forte, responsável pelo péssimo estado de saúde de Tancredo.  Mais ainda, recomendavam duas ações: iriam naquele momento mesmo a algum local próximo de Brasília onde encontrassem uma cachoeira de águas límpidas, para lá depositar as duas peças de feitiçaria, limpando-as. E em seguida queriam ser conduzidos a São Paulo, para rezarem em local o mais próximo de Tancredo, buscando  neutralizar o feitiço com orações.

A pergunta que Dornelles me fez já era uma decisão, com a qual  obviamente concordei, mesmo sem acreditar na versão dos monges: “devo  mandá-los  agora mesmo para São Paulo?”

Um telefonema foi providenciado para o então delegado Romeu Tuma, que cuidava da segurança de Tancredo no hospital, informando que o jatinho do ministério da Fazenda levaria dois amigos que deveriam ser obedecidos na  medida do possível  em tudo o que pleiteassem.

Lá se foram os dois monges, que Tuma não permitiu entrassem no  quarto do presidente eleito, mas colocou-os no andar superior, bem em cima dos aposentos do paciente. Lá eles rezaram a noite inteira.

O epílogo do episódio aconteceu no dia seguinte, quando à tarde o professor-doutor encarregado de divulgar o boletim surpreendeu o país, anunciando que o estado geral do dr. Tancredo havia melhorado sensivelmente. Recebi minutos depois telefonema de Dornelles: “você viu?”

Respondi que tinha visto, que não acreditava mas que curvava-me a qualquer fato envolvendo a saúde do presidente. Realmente, mais um dia e voltaram as informações pessimistas, novas operações e, no fim, a morte de Tancredo.  Mas que eu tinha visto também o boneco vudu, isso tinha…

MST radicaliza e cria problema para Lula

Pedro do Coutto

Numa entrevista ao repórter Eduardo Scolese, Folha de São Paulo de 12 de outubro, João Pedro Stedile, da direção do MST, considerou o presidente Lula mal informado a respeito da invasão e destruição de laranjais da empresa Cutrale, no interior de São Paulo.Primeiro negou a derrubada, depois procurou reduzir seus efeitos dizendo que a produção destinava-se à exportação de suco,não à mesa dos brasileiros.O argumento não possui a menor lógica. Em primeiro lugar, porque a mesa dos brasileiros, através do mercado de empregos,não depende só da comercialização interna, depende igualmente das vendas externas.Em segundo lugar, produção não pode ser confundida com destruição.Emissoras de televisão registraram as ações.Encontram-se portanto registradas. Atribuir aos setores contrários à reforma agrária a produção dos filmes não faz o menor sentido. Stedile sustentou que cerca de 15 mil latifundiários são donos de 98 milhões de hectares. E que a renda média dos que trabalham no campo não chega a um salário mínimo. É verdade porque em milhares de casos o assalariado rural recebe, mas suas famílias também pela comida. Trabalho escravo ou semi escravo resistindo ao tempo e incrivelmente convivendo com o século XXI. Mas esta é outra questão. Não é por si capaz de justificar depredações. Não somente dos pés de laranja, mas igualmente de dezenas de tratores agrícolas. Os tratores, evidentemente, não poderiam pertencer aos grupos do Movimento dos Sem Terra.

O MST vem radicalizando o processo político há bastante tempo. Agora é de se acreditar que aprofundará suas ações em face do período pré eleitoral que começa. Tal ação destina-se a criar um impasse de grande proporção. A repressão, que se torna necessária, já que propriedades privadas não pode ser objeto de invasão e ocupação, inclui sempre um risco com reflexo na campanha política. A não reação, o conformismo, gera efeitos igualmente negativos junto a sociedade, especialmente os produtores rurais que estão se sentindo ameaçados. Uma questão que talvez somente possa ser equacionada pela prevenção e pela colocação efetivamente em prática de lei do estatuto da terra, de novembro de 1964. Esta lei não se baseia apenas na distribuição de terras improdutivas aos que não as possuem. Pois isso não adiantaria nada. Prevê a distribuição, sim, mas com assistência técnica e implementos capazes de torná-las produtivas e rentáveis. Se o governo iniciar finalmente este processo estará dando um passo positivo para descomprimir uma questão econômico social que percorre os séculos e ameaça eternizar-se. Não existe outro caminho. Com isso, o presidente Lula retira argumentos do MST. Um deles o falso dilema entre mercado interno e externo. Inclusive porque as ações voltadas para o comércio internacional são o maior êxito do atual governo. Quando começou, em 2003, as exportações somavam 70 bilhões de dólares. Duplicaram exatamente. O equilíbrio financeiro vem aí.

Na economia, não há fatores isolados. São todos interligados. Inclusive o mercado interno é essencial, mas não fornece câmbio para o país pagar as exportações de que necessita. Não existe nação alguma no mundo que somente desenvolva o comércio interno. A China, hoje a terceira economia do mundo, é o melhor exemplo  para que os dirigentes do MST compreendam melhor o processo político. Ele tem várias faces e ângulos. Radicalizar não conduz a nada.

Falta assimetria e senso jurídico nas decisões da JT

Roberto Monteiro Pinho

Tem sido objeto de critica observação à utilização do judiciário trabalhista para demandar ações de Mandado de Segurança e de Ações Cautelares, excepcionalmente seria admitido a cautelar, por exemplo, para reintegração ao emprego, eis que a situação esta materializada pela própria natureza do evento, mas quanto ao MS e AC, não são ações trabalhistas, possuem regência própria, sem o amparo da CLT no que tange a sua legítima utilização. Vem de muito, às asperezas de cunho processualista praticada pela magistratura trabalhista, vertentes que formam hoje denso leito de injunções, terminantemente definidas pela lei organizada e pela ordem racional do fato. E quanto às decisões ao tratar da matéria relativa a falência, as de relação internacional, e sem mais delongas, porque não a questão do honorário de sucumbência, por ser estritamente de relação de trabalho, portanto alimento, mas neste ponto por razões políticas, a vetusta ala alienígena da JT tem sido omissa.

Enquanto no atacado o Tribunal Superior do Trabalho (TST) vai referendando uma série de incoerências jurídicas, no varejo os Tribunais Regionais e Varas do Trabalho não ficam atrás, são centenas de decisões das mais estapafúrdias, com a quebra de regular direito da pessoa, quando se trata dos aplicativos da execução, onde data máxima vênia, as decisões são proferidas em grande parte, com total despreparo de magistrados. Alertam renomados advogados e juristas que o jurisdicionado trabalhista na sua mais alta Corte, está na contramão do STF e do STJ por não acolher a exemplo: embargos declaratórios aos quais o embargante busque seja atribuído efeito infringente, se este dispositivo de mutação genérica do processo não é acolhido por desconhece-lo nesse matiz laborista, menos razão ainda para albergar Mandado de Segurança e Medidas Cautelares.

A truculência jurídica é visível e fato predominante na especializada, inúmeras são as transgressões ao direito elementar em penhora de conta corrente, salário, aposentadoria, poupança e aquelas protegidas por diploma legal, se a lei manda ser menos gravosos, tamanha é a surdez dos seus integrantes, que nem menos se dão ao detalhe de limitar valor da constrição em até 30%, conforme predomina a jurisprudência dos tribunais, optam pelo arresto total do bem, em flagrante oposição ao art. 620 do CPC (o menos gravoso para o executado). Enquanto manifestadamente o STF (publicou Súmula Vinculante) e o STJ e seus tribunais regionais, aboliram a prisão de fiel depositário (com exceção dos casos de obrigação alimentar de família), E mais o texto estendeu a proibição de prisão civil por dívida, prevista no artigo , inciso LXVII , da CF/88 , à hipótese de infidelidade no depósito de bens e, por analogia, também à alienação fiduciária, tratada nos dois recursos objeto que provocou a decisão. Já o colonial decisório trabalhista permanece inerte, mantendo prisão de devedor, como criminosa ação de intimidação, sob a chancela estatal do judiciário laboral, eis que mais à frente o penalizado será livrado da prisão.

Por este e outros motivos já se fala, (e não são poucas vozes) na premente e urgente, adoção no judiciário trabalhista do julgador privado, despido da indumentária da impunidade e da irracional estabilidade pessoal, sem utilizar a toga como arma para pesquisa laboratorial, em químicas danosas para a o trade jurídico e a sociedade. Quanto ao “aberratio júris”, o desprezo do TST à admissão dos embargos de declaração infringente, é de conhecimento da comunidade jurídica, conforme conhecemos: “é admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento” (STJ – AI nº 1.153.021-SP, DJe 26.08.2009).

O fato é que estamos à mercê de um judiciário de natureza social, que se revestiu de tribunal de causas, olvidando sua vocação conciliadora, substituída por complexas fórmulas de resultados, capazes de desestimular até mesmo a participação dos advogados neste campo trabalhista, tamanha a insatisfação manifestada pelos que ali militam. Alguns lampejos de reação por vezes afloram das corregedorias, mas são vozes que não convencem, são reféns do corporativismo predominante nesta gigante prole de elementos, células radicais, que fazem deste judiciário, um campo de batalha ideológica. Assim de fato temos é que, no palco da “pompa e circunstância”, é mais valoroso para os integrantes da JT serem denominados de juiz/desembargador do que propriamente serem juízes de fato.

Marinho, Roriz, Cabral e Obama

Paulo Solon
A minha leitura deste seu informativo é de que, com autorização governamental, Roberto Marinho roubou, furtou, ou desviou (como queiram) 14.285 ações dos minoritários da Rádio e Televisão Paulista.

Comentário de Helio Fernandes
Com tua competência, experiência e os títulos conquistados, tem toda a autoridade para opinar sobre o que pertencia aos cidadãos, e passou a ter apenas um dono. E essa “propriedade” é tão valiosa, que hoje, é APENAS o órgão, digamos jornalístico, que representa o MAIOR FATURAMENTO da chamada ORGANIZAÇÃO GLOBO. Que República.

Altino Maranhão
Helio, Brasília só tem isso para governá-la? Arruda, que renunciou para não ser cassado e acabou governador? Ou Joaquim Roriz, que 4 vezes governador, se elegeu senador e renunciou a 7 anos de mandato para não ser cassado?

Comentário de Helio Fernandes
Veja você, Altino. Cassado como senador, Arruda acabou governador. Roriz, cassado como senador quer ser governador pela quinta vez. É possível? Eles dizem que é, explicam: “Não fomos CASSADOS, tivemos apenas que RENUNCIAR”. Impressionante.

Helcio Amaral
O senhor já esclareceu sua posição, sempre lúcida e corajosa a respeito do MST. Como eu, o senhor justificava as ações desse grupo por falta da reforma agrária. Agora, total exagero, não quero deixar de criticá-los ou até combatê-los, o excesso foi muito grande.

Comentário de Helio Fernandes
Foi um ato insensato, impensado, inesperado pela violência e até burrice. Perderam o possível ou até verdadeiro apoio que conquistaram. Deram razão aos que diziam que eram aproveitadores, que não queriam servir à reforma agrária e sim trucidar e violentar o direito. Agora dificilmente recuperarão espaço, (moral e credibilidade) que ostentavam.

Almir Moreira
Jornalista, sempre me vali de suas análises e observações, pois reconheço que mesmo quando discordo do senhor, não posso condená-lo. Assim recorro ao senhor por causa das declarações do secretário de segurança: “Vamos pacificar 43 favelas até 2010”. O senhor considera que em tão pouco tempo pode cumprir o prometido?

Comentário de Helio Fernandes
Duas colocações iniciais. 1 – O secretário substituiu o governador, que não teve coragem de assumir esses compromissos. 2 – O secretário já “retificou” a nota, “não é 2010 e sim 2012”. Quer dizer, com mais 2 anos, pode fazer o que prometeu ou garantiu.

Não verdade, o que pretende o governador do Estado do Rio? Palavras exatas: “Vamos pacificar 43 favelas das 1020 que existem no Rio”. (Deram o número exato, podiam ter falado mil, preferiram 1020).

Mas podiam ter dado a percentagem, para que não sobrassem dúvidas. Pacificar 4 por cento das favelas. Levando em conta os números dos próprios responsáveis (?), 43 delas em 3 anos. Assim, em 25 anos, cumpririam os 100 por cento. Ou melhor: 4 por cento a cada três anos, seriam 75 anos para “pacificar” todas as favelas cariocas.

Levando em conta os prazos contraídos pelos personagens, eles são otimistas e pacientes. E com toda a condição de assistirem os resultados dos compromissos.

Mauro Barreto
Jornalista, gostaria de saber sua opinião sobre o Prêmio Nobel concedido ao Presidente Obama. Acho que é o primeiro presidente a conquistar esse prêmio tão desejado. Foi merecido?

Comentário de Helio Fernandes
Considero inevitável. Ele teria que receber mesmo, só acho muito apressado e capaz de provocar polêmica. Ele ainda não completou 9 meses de governo, provavelmente, ou melhor, é correto interpretar essa concessão como a recompensa por tudo que ele representa. E digamos para que não mude de trajeto no meio do caminho.

Mas é impossível deixar de registrar: um presidente dos EUA ganhando o Prêmio Nobel? De qualquer maneira não foi Eisenhower, Truman, Lindon Johnson, Nixon, Reagan, Bush pai, Clinton ou Bush filho.

Pelo menos demonstram que o Prêmio Nobel, apesar dos equívocos (principalmente em matéria de Economia) ainda pode representar esperança e estímulo.

* * *

Antonio Santos Aquino:
Excelentes tuas observações, de forma individual ou global. É claro que pode haver divergência histórica sobre fatos e acontecimentos, sem que haja hostilidade, discordância ou posições diferentes. Os fatos são os fatos, as análises e interpretações, totalmente respeitadas.

Igualmente correta a tua afirmação de que a Constituição de 1988 era para ser parlamentarista, de acordo com o Projeto de Afonso Arinos. Aprovada como Parlamentarista na Comissão de Sistematização, foi estuprada no plenário, passou a Presidencialista. Mas com todo o arcabouço contrário o que levou à “falta de governabilidade tão reclamada”.

Para minha satisfação, Aquino, você lembrou do Rei João Sem Terra, um dos meus prediletos. A partir dos anos 1200/ 1300, implantou uma Constituição que tem princípios que duram até hoje. A Constituição inglesa só é 25 por cento escrita, o resto é utilizado por hábito, costume e tradição, o que criou o chamado DIREITO CONSUETUDINÁRIO.

Há quase 800 anos, criou o Tribunal do Júri, para julgar com o coração e não com o cérebro. E que resiste até hoje, com a mesma forma no mundo. Menos naturalmente no Brasil, pois a Justiça comum não respeita o Tribunal do Júri.

Obrigado, Aquino.

Passou perto

Carlos Chagas

Ontem, as oposições respiraram profundamente. Amanheceram aliviadas, depois de ligar o rádio. Barack Obama é o Prêmio Nobel da Paz deste ano.   Não que tucanos, democratas e penduricalhos se interessassem muito pela homenagem prestada ao presidente dos Estados Unidos. A satisfação dos adversários do governo veio no sentido oposto: Lula não ganhou.

O presidente do Brasil  estava cotado para receber o prêmio.  Seu nome constou da lista dos favoritos. Já imaginaram se depois de trazer as Olimpíadas de 2016, o primeiro companheiro ganhasse  o Nobel da Paz?  Sua popularidade deve estar próxima dos 90%. Consagrado com o prêmio, facilmente alcançaria os 99%, só não chegando à unanimidade por conta do ranço de alguns adversários. Poderia, com toda facilidade, ser nomeado Imperador do Brasil, com a população inteira aplaudindo. Quem sabe Presidente Perpétuo?

Em termos de merecimento, até que o Lula suplanta o Obama. O americano mal chegou ao poder. Está começando, ainda que bem. Mas não conseguiu tirar suas  tropas do Iraque e até mandou mais soldados para o Afeganistão. Luta para implantar um plano de saúde extensivo a ricos e pobres, sem ter conseguido, por enquanto.

Fala-se que as oposições exultaram com a derrota do presidente. Só elas? Talvez não. Entre os companheiros e os aliados, o sentimento também foi de desafogo. Ficaria tão ampla a distância que os separa do chefe quanto aquela verificada entre um pároco de aldeia e o Padre Eterno.

É claro que o perigo não passou. Ano que vem, tido como o último do presidente Lula, o Prêmio Nobel da Paz será distribuído outra vez. E agora que começou a moda de homenagear presidentes da República, é bom tomar cuidado…

Um  lamento de bom senso

Walter Pereira, do PMDB de Mato Grosso do Sul, chegou ao Senado como suplente do saudoso Rames Tebet. Constitui uma exceção, entre tantas nulidades que assumiram cadeiras pela ausência dos titulares. Primeiro porque tinha passado  e tradição política.Foi deputado constituinte, um dos signatários da atual Constituição. Reconhece que nossa lei maior foi elaborada com o olho dos constituintes no espelho retrovisor. Quando deveriam estar muito mais voltados para o futuro.  E lamenta que a Assembléia Nacional Constituinte não tenha sido exclusiva, ou seja, não deveria ter sido congressual, com seus integrantes pensando no exercício dos respectivos mandatos de deputado e senador.  Por isso a reforma partidária e eleitoral não se viu incluída no texto. Cada política pensava em seus interesses, mesmo legítimos. Nenhum artigo capaz de prejudicá-los viu-se incluído na Constituição, mesmo os obviamente necessários, como a exclusão dos partidos de aluguel e a fidelidade partidária.  Agora, nem haverá que esperar mudanças fundamentais em nossos estatutos eleitorais e partidários. É pena,  mas trata-se da realidade.

A vez de Itamar

De Minas, chegam sinais  da eleição do ex-presidente Itamar Franco para o Senado, ano que vem.  Tendo deixado o PMDB,  ele demonstrou estar fora do acordão que se prepara nas Gerais.  Correrá sozinho na volta ao Senado, ainda que podendo contar com a simpatia do governador Aécio Neves. O estado fará justiça ao último mineiro que ocupou a presidência da República e dela saiu como entrou: pobre, honrado e respeitado.

Fumantes de todo o país: uní-vos

Não tem limite a discriminação e o preconceito verificados contra os fumantes. Tornamo-nos réprobos, cidadãos de segunda classe. Mas vai ficar pior, se verdadeiras as notícias que vem de São Paulo. Dizem que se eleito presidente da República, José Serra já tem redigido seu primeiro decreto: “É proibido fumar em todo o território nacional.”