Seleção de futebol dos EUA: “Go home”

Campeão legitimo, autentico, magnifico, 5 jogos, 5 vitorias indiscutiveis. O artilheiro da competição, os melhores jogadores. O Brasil deu dois gols de vantagem aos americanos, como acontecia antigamente na sinuca, e ainda hoje no golfe, jogadores com handicap maior ou menor.

Alguns se assusturam com o primeiro gol dos americanos, feito pelo Dempsey. (Nos EUA, muitos devem ter se lembrado do Dempsey campeão mundial de boxe, que quando parou de lutar abriu um restaurante famoso até hoje, em Nova Iorque, não Manhattan, no caminho para Nova Jersey).

O segundo gol dos EUA também estava no roteiro, com um minuto do segundo tempo, o primeiro gol de Luiz Fabiano. Depois, o segundo também dele, e o dominio total. A partir daí, só o goleiro Howard trabalhou.

Não há mais nada a dizer. Os jogadores estiveram bastante razoaveis, compreenderam muito bem e executaram muito bem o que estava no script. Para completar: finalmente, Dunga conquistou a tranquilidade para trabalhar. Já classificado para 2010 (pode até perder todos os jogos), campeão da Copa das Americas, nenhuma contestação.

O grande injustiçado foi a A Frica do Sul. Demostrou competencia e treinamento, jogou de igual para igual com o Brasil. Com a Espanha (pelo terceiro lugar) merecia vencer. O que acontecia até os 42 minutos. A Espanha passou à frente rapidamente, a Africa do Sul foi para a prorrogação aos 47. Não se entregou. Mas a Espanha fez na prorrogação o gol que não merecia. Joel Santana, explendido.

“Prêmio Innovare”: um desnecessário patrocínio exclusivo da Rede Globo

Ao lançar oficialmente o VI Prêmio Innovare, por uma justiça mais rápida e eficaz, no Plenário do Superior Tribunal de Justiça, o presidente do STJ, ministro Cesar Rocha, surpreendeu a todos ao informar que a promissora iniciativa tinha o exclusivo patrocínio das Organizações Globo, representadas pelo seu presidente, jornalista Roberto Irineu Marinho.

E entusiasmado e agradecido, fez um  comentário ao comportamento da imprensa em geral, que não está patrocinando o “Prêmio Innovare”, mas o tem divulgado desinteressadamente como uma promoção meritória de toda a cidadania e sem exclusividade de espécie alguma.

Disse o ministro-presidente do STJ: “Sabemos que bem mais fácil seria o exercício da crítica ou pelo espetáculo, ou a objeção sem a oferta de alternativas, que só servem para desacreditar as instituições ou nivelá-las ao sabor  de impulsos, sem lhes aprimorar o desempenho. TODAVIA, AS ORGANIZAÇÕES GLOBO PREFERIRAM SEGUIR O CAMINHO CONSTRUTIVO DE APONTAR SOLUÇÕES, SEM DEIXAR DE CRITICAR, PROMOVER MELHORIAS, SEM SE ABSTER DE APONTAR O DÉFICIT DE EFICIÊNCIA INSTITUCIONAL QUE NOS ACOMETE, PELO QUE SE FAZEM CREDORAS DA NOSSA ADMIRAÇÃO, EM FACE DA REALIZAÇÃO DE ELEVADOS E VALIOSOS OBJETIVOS DA CIDADANIA BRASILEIRA”.

Em consideração ao ministro Cesar Rocha, pedimos licença para esclarecer: a morosidade da Justiça brasileira é uma realidade incontestável e a imprensa a retrata com objetivos construtivos e não deletérios e, diariamente, jornais como “O Estado de S. Paulo”, “Folha de S. Paulo” e outros também conceituados jornais de muitos estados brasileiros e sites como o CONSULTOR JURÍDICO – CONJUR –  produzem noticiários e fundamentados editoriais, enaltecendo seu trabalho e importância para a prevalência do Estado de Direito e do respeito às garantias fundamentais do cidadão.

Como divulgado, tramitam no Poder Judiciário brasileiro 70 milhões de processos e há centenas, milhares deles que se arrastam há 20, 30 anos, sem solução. Já quanto à ineficácia da Justiça, em parte, não existe prova maior disso do que, por exemplo, as centenas de milhares de precatórios, decisões transitadas em julgado, não pagos pelos Municípios, Estados e União, num total de cerca de 100 bilhões de reais, deixando desesperadas centenas de milhares de pessoas, lesadas pelo Estado, que como as Organizações Globo acreditam no Poder Judiciário, claro, mas,  por razões bem diferentes.

Muito particularmente ainda com relação a essa parceria exclusiva com as Organizações Globo, respeitosamente, julgo que esse conglomerado de comunicações, que é réu, recorrente ou recorrido em centenas de processos que tramitam no Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal da Cidadania, por estratégia e bom senso, deveria se abster de aparecer como patrocinador do “Prêmio Innovare”. Deveria divulgá-lo, como os demais veículos de comunicação vêm fazendo, porém,  sem a marca de patrocinador exclusivo.

Por mais isenta e independente que seja a Justiça brasileira, sem dúvida, deve gerar desconforto em todos os que processam ou estão sendo processados pelas Organizações Globo, a informação de que essa empresa, além da verdade dos autos, têm outros canais de comunicação com magistrados que amanhã poderão estar julgando suas ações. E mais: conta com o agradecimento e a admiração do próprio presidente do STJ e do que também são merecedoras outras redes de TV e empresas jornalísticas não mencionadas no evento e que gozam de credibilidade e de respeitabilidade,  reconhecidas por institutos de pesquisa.

Afinal, em nome da transparência, em que consiste este patrocínio  exclusivo do VI Prêmio Innovare? Faço questão de divulgá-lo. Outras organizações poderão se oferecer para patrociná-lo nos próximos anos e, quem sabe, sem exclusividade.

PS1- Há pouco elogiamos o STJ, pois,  em cerca de 30 dias, o ministro João Otávio de Noronha, da Quarta Turma, recebeu  o REsp 438138-DF e o levou a julgamento. É essa celeridade que a população espera do Poder Judiciário, não importando os nomes das partes. Porém, por coincidência, uma das partes interessadas nesse processo era a TV Globo Ltda., pertencente às Organizações Globo. O recurso entrou no gabinete do ministro Otávio de Noronha em 11 de maio e foi julgado no dia 18 de junho. Há pouco mais de uma semana. Parabéns! Merece o troféu celeridade.

PS2- O www.www.tribunadainternet.com.br está à disposição do STJ e do Prêmio Innovare.

O assombração com medo do espelho

Carlos Chagas

Milton Campos era governador de Minas e seu governo passava por dura crise. Nada dava certo e os  jornais  batiam firme, todos os dias. Um daqueles aspones precoces sugeriu que o palácio da Liberdade desencadeasse intensa campanha publicitária, dando dinheiro para a mídia. Talvez estivesse nesse detalhe a má vontade dos diários, mas o dr. Milton negou-se e concluiu: “Este meu governo anda mesmo tão ruim que até eu tenho vontade de falar mal dele…”

Pois é. O tempo passou, o presidente Lula refere-se ao seu governo como  o melhor desde a proclamação da República, mas, ironicamente, não perde oportunidade para falar mal dele.

A última vez foi sexta-feira passada, em Porto Alegre. Declarou que o Brasil foi construído para não funcionar, que a fiscalização é excessiva, que a máquina de fiscalizar é mais eficiente do que a máquina de execução  e completou lembrando o fato de  um auditor  do Tribunal de Contas que paralisa a construção de uma estrada ganhar três vezes mais do que um engenheiro do Dnit encarregado de construí-la.

Com todo o respeito, mas quem é o chefe do Poder Executivo? Ainda agora está para ser nomeado mais um ministro do TCU,  e quem vai indicá-lo? Se as obras não andam, ou são paralisadas logo depois de iniciadas, seria bom perguntar porque.  Afinal, quem nomeia o diretor do Dnit e o próprio ministro dos Transportes?

Faz pouco o presidente queixou-se do Ibama, que estaria entravando as obras de duas hidrelétricas na Amazônia por conta de alguns coelhinhos ou sapinhos. Também falou mal do Ministério Público,  pelos mesmos motivos. Mas  está para nomear hoje, se não nomeou ontem, o novo Procurador Geral  da República. Como são de sua escolha o presidente do Ibama e o ministro do Meio Ambiente.

Quer dizer: o Lula critica o governo que não executa, só que é o  governo dele mesmo, a quem em última instância cabe providenciar a execução. Parece aquela história do assombração que caiu desmaiado de medo depois de olhar no espelho…

O  retrato da nação

A sorte do Senado, ou dos senadores, é que  a atual onda de escândalos apareceu este ano.  Fosse no ano que vem e possivelmente poucos, dos dois terços da casa,  se reelegeriam. Como a renovação só acontecerá em outubro de 2010, Suas Excelências podem dormir tranqüilos.  Em um ano e três meses o eleitorado esquece tudo.

Mesmo assim, há controvérsias. Os suplentes em exercício, por exemplo, marcham para o cadafalso. Até  velhas lideranças correm risco  de não  voltar.

A pergunta que se faz é se o novo Senado   será  melhor ou pior. E a resposta pode ser amarga, mas verdadeira: será igualzinho. Porque o Senado, como  o Congresso, é o retrato da nação.   O que acontece nos seus limites é o que acontece na sociedade, sem tirar nem por. Jeitinhos, benesses, favores e nepotismo estão incrustados nas empresas privadas tanto quanto no serviço público, fora as exceções de sempre, lá e cá.

Globo, Sky e Abril no tapete do CADE

Pedro do Coutto

Certamente entre os julgamentos difíceis existentes no país figuram os relativos a ações propostas no campo dos atos de concentração, a cargo do CADE. Conselho Administrativo de Defesa Econômica. É trabalhoso, em primeiro lugar, identificar o que de fato constitui concentração capaz de levar a monopólios em várias áreas. Em segundo lugar traduzir a linha que separa interesses empresariais legítimos de outros nem tanto. Nos dois casos, ainda por cima coloca-se a hipótese de como evitar ou substituir a cristalização de mercado. Ela pode ocorrer, pelo menos em algum grau, e não de forma absoluta. Este, creio, o aspecto mais difícil da questão essencial, como disse o poeta há quatrocentos anos.

A Perdigão, por exemplo, tornou-se majoritária na composição da empresa que surgiu –ou vai surgir- do acordo com a Sadia. A Perdigão passou a ser a controladora. As duas dominam amplamente a área de suas especialidades, inclusive na exportação. O que fazer? Se o CADE decidisse contrariamente ao novo controle acionário que se concretiza (a questão permanece pendente), qual poderia ser a solução? Criar outro conglomerado? Mas quem faria isso? Como tornar isso possível?

Com quais empresas? Pode ser que existam, pode ser que não. Se não houver interesse de parte de outras companhias, que pode o CADE fazer? Nada. Uma questão de lógica, sem a qual na vida não se vai a lugar algum.

Citei o caso da Perdigão, mas lendo o Diário Oficial de 26 de junho, página 55, 56 e 57, me chamou atenção um problema que o CADE examinou formulado pela Abril e Direct-TV contra a SKY e a Globo. A decisão determina que a SKY e a Globo incluam o canal MTV em sua plataforma por mais um na. Por que isso? Porque o Grupo News assumiu a Direct-TV em 2006, porém na ocasião o CADE estabeleceu prazo de três anos para que os assinantes migrassem para a SKY. Em 2008, entretanto, a SKY retirou a MTV de seu sistema.

Exatamente em face de tal situação, o CADE determinou que a desvinculação da MTV só pode ocorrer em 2009. O prazo vence agora, neste mês. A SKY terá que indenizar a Abril por doze meses de receita. Quem desejar a íntegra da decisão, basta comprar o número do Diário Oficial a que me refiro. No mesmo exemplar, o CADE negou provimento a recurso da TV Gazeta (Fundação Cásper Líbero) e manteve sua exclusão da plataforma SKY-Globo.

O que desejo dizer é que atos de concentração são sempre complexos. Afinal de contas, o que concretamente caracteriza o fenômeno? A fusão de duas ou mais empresa contra concorrentes, ou, no caso de televisão, os índices de audiência e o jogo que eles contêm? A Rede Globo possui mais telespectadores do que todas as outras redes juntas. Basta ler, aos domingos, os níveis do Ibope sempre publicados pela FSP, caderno Folha Ilustrada. Ela é seguida de longe pela Record, SBT em terceiro, Bandeirantes em quarto. São estas tabelas do Instituto que regem os investimentos publicitários nos diversos horários. Uma questão de concorrência, sob o ângulo mercadológico, incluindo bons e maus momentos em matéria de qualidade.

A Globo não se preocupa com a Band, tanto assim que libera para ela a transmissão dos jogos de futebol, cujos direitos de transmissão detém. Esta atitude pode ser interpretada como concentração? Não à luz da lei. Mas de fato é, em parte. Tem cabimento algum tipo de ação? Nenhum. É impossível, apesar de ser uma investida indireta contra a Record. Mas de que adiantaria a Record recorrer ao CADE? Absolutamente nada. O processo de absorção do mercado faz parte do jogo, é da vida.

O terceiro mandato tem nome

Carlos Chagas

Poucos companheiros poderão exprimir tão bem o PT quando o ex-ministro José Dirceu. Apesar de afastado do Congresso e do ministério, o ex-chefe da Casa Civil dedica-se com força total ao diálogo com os principais líderes do partido, percorrendo permanentemente os estados. Este ano já esteve em vinte deles, alguns por quatro ou cinco vezes.

Pois é de José Dirceu a observação  definitiva a respeito da sucessão presidencial: “o terceiro mandato chama-se Dilma Rousseff. Não há hipótese da continuação do presidente Lula no governo,  até porque ele rejeita qualquer articulação nesse sentido. Muito menos haverá prorrogação de mandatos.”

Outra afirmação dele  é de que se por acaso José Serra for eleito, coisa em que não acredita, o PT e o presidente Lula passarão sem qualquer trauma  o poder, como já aconteceu em alguns estados e prefeituras de capital. A democracia está consolidada no país, completamente afastada a possibilidade de golpes ou sucedâneos.

Dilma Rousseff vence as etapas necessárias à sua candidatura,  acrescenta Dirceu, informando que no segundo semestre ela deverá apresentar seu plano de governo, exprimindo continuidade. Continuísmo, jamais. A chefe da Casa Civil surpreendeu,  antecipando  percentuais de apoio, nas pesquisas, que se imaginava só se registrariam no final do ano.

O presidente Lula, para seu antigo auxiliar, é maior do que o PT, na medida em que aglutina outros partidos. Sua popularidade ultrapassa a de qualquer de seus antecessores porque governa para a sociedade, priorizando os mais pobres sem esquecer as elites. Assim, supõe que o empresariado ficará com Dilma, nas eleições de 2010, assim como a imensa maioria das massas.

A existência de montes de grupos e alas no PT, com denominações específicas, é considerada natural, por José Dirceu, evidência da democracia interna. O importante é que depois dos debates e discussões, tomada a decisão, todos se unem em torno dela. Dois movimentos que não de conformaram com essa diretriz acabaram saindo, até porque seriam expulsos. No caso, formaram o Psol e o PT do B.

O PMDB é o PMDB…

Análise das principais questões políticas e econômicas do país foi feita por José Dirceu em entrevista à  TV Educativa do Paraná.  Ele concorda com o presidente Lula sobre a necessidade do apoio do PMDB ao governo e à sua candidata, aceitando que o PT venha a se compor com o maior partido nacional em muitos estados. Onde não houver condição, porém, candidatos de lá e de cá disputarão as preferências populares, abrindo até dois palanques para a candidatura de Dilma Rousseff. Tudo dentro do maior respeito.

Reconhece que parte do PMDB,em São Paulo, inclina-se por apoiar José Serra, mas a grande maioria do partido fechará com o governo.  Michel Temer é um nome respeitável para compor a chapa oficial, mas essa questão será decidida no devido tempo pela candidata e pelo PT.

Um desabafo de José Dirceu refere-se ao seu julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, junto com outros acusados no processo do mensalão. Ele já foi absolvido em outros casos, na primeira instância, e gostaria que o foro especial não existisse, mas como é o que manda a lei, curva-se a ela. Seus planos são para retornar ao Congresso, quando desimpedido.

Intervenção polêmica

Outra vez o Tribunal Superior Eleitoral atropela a vontade popular. O governador do Tocantins, Marcelo Miranda, acaba de ser condenado á perda do mandato, por abuso de poder na campanha eleitoral de 2006. Assim como fez com Jackson Lago, do Maranhão, e Cássio Cunha Lima, da Paraíba, o Poder Judiciário revoga a decisão do eleitorado. Dessa vez, porém, em função de meandros da lei, não assumirá o segundo colocado nas eleições. Caso o Supremo Tribunal federal confirme a sentença do TSE, caberá à Assembléia Legislativa indicar o novo governador.

Outro governador que se encontra na linha de tiro da Justiça é Ivo Cassol, de Rondônia. Luiz Henrique, de Santa Catarina, escapou. Até porque, para disputar a reeleição, licenciou-se.

Sofreu mas não recuou

Quinta-feira o senador Pedro Simon sofreu, na intimidade,  antes de pronunciar discurso pedindo a renúncia de  José Sarney da presidência do Senado. São amigos, respeitam-se e pertencem ao mesmo partido, o PMDB. Mesmo assim, o senador gaúcho foi em frente e exigiu que o colega deixasse a função, com base nas denúncias que a imprensa divulga há semanas. Simon entendeu que Sarney havia perdido as condições de apurar e punir excessos praticados no Senado, alguns envolvendo parentes dele.

Endossada até pelo presidente Lula, circula a versão anunciada pelo presidente do Senado de que tudo acontece por ele pregar o apoio do PMDB ao governo e à candidatura de Dilma Rousseff. O raciocínio só não bate quando se sabe que senadores do PT são acusados de envolvimento na campanha contra Sarney. Coisas da política…

Todas as vitórias

Pedro do Coutto

Quando Daniel Alves executou a cobrança perfeita da falta e a bola, de curva, roçou na trave esquerda e entrou no gol da África do Sul, faltavam cinco minutos para o final da partida. Lembrei de meu amigo Nelson Rodrigues: todas as vitórias são santas. Ele costumava dizer. O vencedor, digo eu, deve agradecer a Deus, receber o êxito com serenidade, e seguir em frente pelo destino afora. Outras etapas vêm sempre na estrada da vida.

A Seleção Brasileira não atuou como poderia ter jogado, tem muito mais futebol, magia e arte do que demonstrou na quinta-feira. Os africanos superaram a si mesmos, magnificamente treinados por Joel Santana. A equipe de Dunga revelou-se lenta nos contra ataques e na saída de bola. A equipe de Dunga revelou-se lenta nos contra ataques e na saída de bola, facilitando a marcação móvel do adversário. Além disso, prendeu demais a bola na frente, proliferando as tentativas individuais de Kaká e Robinho. Quanto mais o ataque prende a bola, melhor para a defesa do outro time. Há mais tempo para marcar, maior redução de espaço para os atacantes. A marcação de mobilidade da África do Sul foi brilhante. A tática de tentar surpreender através de contra-ataques também. Era a única possibilidade que Santana tinha de vencer o Brasil. Os africanos fecharam atrás e partiram pata lances isolados de ataque. Em matéria de aplicação tática, foram perfeitos. Fizeram o melhor que puderam.

Nós ficamos aquém do que podemos. Mas ganhamos. Necessitamos de um lance isolado para encontrar o caminho das redes. O que importa, acima de tudo, é termos chegado à vitória. Estamos na final. Mais uma na longa e gloriosa história do futebol brasileiro. O jogo de domingo à tarde é muitíssimo mais para nós. A seleção americana, em condições normais, não assusta. Na primeira fase, perdeu para nós por três a zero numa partida fácil. Porém decisão é decisão. O clima é outro. A atmosfera também.

Mas devemos seguir confiantes na vitória, sem, é claro, assumir o já ganhou que conduziu à tragédia de 16 de julho de 50. Na véspera, um  sábado, ao anoitecer, havia carnaval nas ruas do centro do Rio. Vinte e quatro horas depois a tristeza na penumbra da derrota por dois a um. Mas esse episódio pertence ao passado. Vamos firme para a decisão da Copa das Confederações, preliminar na Taça do Mundo de 2010. Vamos firmes e confiantes, mas sem máscara, sem salto alto, sem menosprezar o adversário.

Os EUA, taticamente, realizaram uma partida primorosa contra a Espanha, compreendendo bem o estilo ofensivo – e pouco defensivo – do adversário. A seleção espanhola tradicionalmente ataca bem, movimenta-se ainda melhor no gramado, porém defende-se mal. Os quatro zagueiros, até hoje, apesar da evolução do futebol, atuam em linha única. Isso favorece extraordinariamente os lançamentos para penetração em velocidade, transformando um atacante em peça de levar de vencida quatro homens da defesa. O meio campo também não volta para proteger a retaguarda. O futebol espanhol, futebol-arte, tem fibra mas simboliza o passado.

Sobretudo porque, no passado, as equipes jogavam com 11 homens. Hoje, jogam com 13. Surpresa? Nem tanto. Antigamente os dois laterais só defendiam. Hoje atacam também. Tornaram-se mais dois extremas em campo. O time americano absorveu bem as atuais práticas defensivas. Volta bem para defender sua área. Porém –podem perceber- deixa vários espaços entre suas linhas. Campo aberto para a Seleção de Ouro, pentacampeã do Mundo. Por isso, acredito firmemente que venceremos mais essa e traremos mais uma conquista para o Brasil. Vamos entretanto sem o já ganhou. Porque futebol se vence no gramado. E a partida só termina com o apito do juiz.

A quarta vacancia da Presidencia do Senado

Segunda – feira, eu revelava, “José Sarney recebeu a comunicação: tem 3 possibilidades. 1- licença, que pode ser sem volta. 2- renuncia. 3- demissão pelo voto”.

Ficou horrorizado, telefonou para o presidente Lula que fez a sua primeira defesa.

Inutil, inocua, ingenua. Lula acha que pode tudo. Quando se trata dele, talvez possa mesmo. Só que em relação a Sarney , as coisas se complicaram. É pouco avô para muito neto comprometido.

Sarney, que não era arrogante, nem na ditadura nem na Presidencia por acaso, ficou. E se complicou. Se não aceitar a LICENÇA, não tomar a iniciativa da RENUNCIA, será fulminado pela DEMISSÃO.

Vai entrar na historia, diferente de ACM, Jader ou Renan. Só que nenhum destes foi presidente da Republica ou teve 5 mandatos no Senado.

A Bovespa sem méritos, sem volume e sem utilidade

Às 13:00 hs, eu dava as cotações , depois de conversar com muitos corretores. E diante do volume de um bilhão e 400 milhões, analisava: ” Hoje mais um dia longe dos 5 bilhões negociados “‘. Fechou em 3 bilhões e 800 milhões.

As cotações também praticamente não saíram do lugar. A Bovespa fechou estabilissima, em 51 mil 485. O dolar em 1,93 , menos 0, 34% .

Sexta – feira perdida.

Genial e consagradora

De todos que falaram sobre Michael Jackson, o mais lucido, o mais definitvo e insuperavel, foi Paul McCartney: “As futuras gerações, os que ainda não nasceram, vão cantar e idolatrar Michael Jackson”. Além do mais, quem tem a credencial do beatle?

Manchetes sem inspiração ou criatividade

Da Folha, quadradissima: “Michael Jackson morre aos 50”. Puxa, 16 horas e “informaram” o que o mundo inteiro já sabia, palavra por palavra?

O Globo: “O pop perde seu rei”. Só isso? Nossa Senhora, dá pra fazer pelo menos 20 manchetes, informando mesmo, lamentando e até opinando. Nem parece que morreu um idolo negro que conquistou os brancos. E que sem distinção ou preconceito, choram por ele.

Wimbledon: o morango amargo e sem creme

O francês Tsonga, numero 9 do ranking, foi eliminado pelo croata Karlovic, numero 22. Três tiebreaks, 84 games, 4 sets, quase 3 horas de jogo.

Resumindo: monotono, chatissimo e nenhuma sensação. Motivo: o croata tem 2 metros e sete de altura, aproveita para sacar de cima para baixo. Como Tsonga também saca bem, não houve troca de bola. O francês, desconsolado, desajeitado, desanimado e até envergonhado de só trocar de lado, sem jogar.

Os especuladores “choram” a morte de Jackson e a queda “assustadora” do volume

Jogadores também gostam de musica pop. Hoje, até às 13 horas, “operaram” de luto. A Bovespa girou pouco. Abriu em mais 0,20%, foram para o almoço, 3 horas depois, em 0,40%. 51 mil e 600, nos dois casos.

De 10 da manhã a 1 da tarde, o volume chegou apenas a 1 bilhão e 400 milhões. Pela projeção, novamente não chega a 5 bilhões, longe disso.

O dolar começou em 1,93 (alto), menos 0,70%. Passou para 1,94 (também alto), mais 0,20%. Nada que seja significativo.

Joel Santana garantiu o passaporte, não sai da Africa do Sul

Falavam muito que o treinador brasileiro não resistiria se perdesse a Copa das Confederações.  O treinador Bora Milutinovic, que já comandou equipes em 5 Copas, “queria” o cargo de Joel.

Como o salario de Joel é de 200 mil mensais, Bora se ofereceu por 50 mil. Mas o desempenho da Africa do Sul agradou a todos.

E o definitivo: depois do jogo, Mandela chamou Joel, abraçou-o, eliminou qualquer possibilidade dele ser dispensado. Joel estava orgulhoso e feliz. (Exclusiva)

Não haverá fratricidio eleitoral no Paraná

Em 2006, assim que Requião derrotou Osmar Dias por 10 mil votos, escrevi na Tribuna impressa e ainda não assassinada: Como Requião já está reeeleito, para 2010, sobram os dois irmãos senadores, Alvaro e Osmar”.

Informei mais: Osmar tem mandato até 2010, Alvaro até 2014, a vez deve ser do Osmar, dos três o unico que ainda não foi governador. Requião voltará ao Senado, o PMDB não irá indica-lo para vice-presidente da Republica. E como Osmar é do PDT, é possivel que seu vice seja outro Osmar, do PMDB. (Exclusiva)

Brasil 10 a zero nos EUA

Não escondo que torci pela Africa do Sul de maioria negra, pelo profissional Joel Santana, pelo idolo Mandela. Escrevi isso antes do jogo. Prevaleceu a injustiça. O Brasil já ganhou dos americanos por 3 a 0. Agora espero, no minimo, no minimo, esse resultado multiplicado por três.

Michael Jackson morreu na hora certa, mas de quê?

Todas as grandes personalidades deveriam morrer aos 50 anos. Foi o que aconteceu com o mais famoso cantor de musica pop. Morreu ás 2:40 da tarde (no Brasil), só se soube a partir de 5 horas, 3 horas depois.

O noticiario invadiu a madrugada inteira (de quinta para hoje, sexta) e não parou. Foi capa (Primeira) de todos os jornais do mundo.

Imaginem jackson morrendo aos 80 90 anos, chamado de “idoso”, de forma depreciativa como gostam e costumam usar a palavra?

Lembrariam logo de alguns aspectos menos positivos de sua vida e não de sua carreira. Ele não teve interferencia nem escolha. Mas aos 50 anos, conquistou a eternidade.

Quanto às causas da morte, não foram reveladas. mas ninguém morre aos 50 anos do coração, sem um historico. As mais provaveis dessa morte subita, três. 1) Doença cardiaca congenita, nao revelada, e até não conhecida pelo proprio cantor.

2) Doença cardiaca adquirida, também não do conhecimento de Michael Jackson, ou até deliberadamente escondida, o que não seria surpreendente, em se tratando de uma celebridade como ele. Chegam a dizer, sem a menor confirmação, que ia muito a consultorios medicos.

3) Estresse, provocando arritmia coronaria. Durante o longo processo que terminou com o julgamento e a absolvição no caso do suposto abuso do menor, seu coração não deu o menor sinal de fraqueza ou fragilidade. Agora, esse estresse provocado por uma emoção positiva, ou seja, o anuncio oficial de que faria 50 shows, o que não acontecia há anos.

De qualquer maneira, morreu por falta de respiração. A resistencia humana acaba com 3 minutos, ele ficou 7 ou 8 sem respirar, já chegou no hospital com morte cerebral.

Hipotese, mas indiscutivel: se perdesse a respiração estando num hospital, não teria morrido.

Obama não pode estimular fumantes

Na campanha eleitoral, o agora presidente garantiu: “Fumei durante muito tempo, consegui dominar o vício”. Excelente.

Presidente, Obama vem a publico de forma contraditoria e condenavel: “Fumo um cigarrinho de vez em quando, mas não em publico, nem perto das minhas filhas ou em casa”.

Então onde fuma? E o fato de ter dito que VENCEU 90 por cento mas ainda MANTÉM 10 por cento do VICIO é um estimulo aos que não se livram do crime das “FUMAGEIRAS”. (Exclusiva)

A Petrobras ENRIQUECEU de Geisel a UEKI, Renó e Galvão, e centenas de malandros. Mas não ENRIQUECEU o Brasil que precisava

Fiscalização na maior empresa brasileira e em todas as outras é obrigatória. Imaginem fazer uma CPI para cada uma delas?

Acertaram frontalmente quando colocaram Wilson Santarosa como dos primeiros a serem investigados. Ele é absoluto, domina a Petrobras, pelo menos há 10 anos. Está há mais tempo do que isso na Petrobras, mas INCONTROLAVEL só há 10 anos. (Aliás, basta ler o que escrevi sobre ele, na Tribuna impressa, para verificar seu espantoso dominio sobre a empresa e o controle, a respeito dos amestrados).

Mas investigado não deve ser apenas o “dono” da Comunicação. Ele dominava e domina tudo, não é inteligente mas é esperto. E então, não dividia o Poder, mas fingia não ver o que faziam nas subsidiarias, que são tão poderosas (ou mais, em materia financeira ou de movimentação de somas fabulosas) quanto a empresa-mãe.

Não podem deixar de chamar para depor (em CPI ou simples fiscalização) TODOS, mas todos mesmo, que passaram pela Petrobras qualquer que seja o cargo.

O primeiro a ser CHAMADO (algemado?) deve ser o senhor Shigeaki Ueki. Foi presidente da Petrobras e Ministro das Minas e Energia durante a ditadura, nomeado e patrocinado por quem? Ninguém menos do que o general Ernesto Geisel, “presidente” por um periodo, atrabiliario, autoritario, majoritario SEM VOTOS.

Shigeaki Ueki ocupou os dois cargos (logico, um depois do outro), mas numa epoca em que a petrobras era expectativa e não realidade. Não produziamos, importavamos entre 10 e 12 BILHÕES DE DOLARES anualmente. Falavam em comissão de 10 por cento, mas basta colocar 3 por cento, e fiquem assombrados. (É claro que a divisão é grande, lá para fora e aqui dentro, mas o total era altamente DIVISIVEL).

Não por acaso, Shigeaki Ueki e os filhos (que também devem ser convocados ou CONDUZIDOS) têm no Texas, mais POÇOS DE PETROLEO do que a familia Bush, e do que outros proprietarios.

E também não é preciso recorrer AO ACASO, para compreender este fato: quando abriram o testamento de Geisel (os carrascos também morrem, titulo de um filme famoso), encontraram, em dinheiro, 20 milhões de dolares. O general Silvio Frota, ditador, mas honestissimo, comentou com muitos generais: “Eu não disse, eu não disse?”. Só que no livro de MEMORIAS, Frota chama Geisel de COMUNISTA, o que compromete o livro, que é importante.

Mas não basta Ueki, Santarosa (este em escala infinitamente menor), todos os que passaram pela Petrobras e suas DIRETORIAS SUBSIDIARIAS. Não esquecendo Renó e Galvão, que trabalharam em dupla, corretissimos um com o outro, na propria Petrobras e na BR. Tão ligados, que deixando a mina de ouro, fundaram uma empresa, juntos, que vai maravilhosamente.

Não esquecer de investigar A FUNDO, A NEGOCIAÇÃO com a Repsol, onde todos os grandes da Petrobras estão acintosa e satisfatoriamente envolvidos.

PS- Mas a Petrobras não se esgota no nome da empresa principal, é indispensavel DEVASSAR quem passou (ou quem está) pela BR, Transpetro, Financeira, tem qualquer ligação.

PS2- Para ficar mais facil: montem uma fiscalização naquele enorme predio da Avenida Chile. E quem tiver direito a ELEVADOR PRIVATIVO, não escapa: quebra de sigilo bancario, telefonico, “convite” para depoimento.

Consultoria para intermediar empréstimos? Essa não

Pedro do Coutto

Dificilmente alguém na esfera econômica vai se deparar com uma situação mais absurda da que existir uma empresa –Sacris Consultoria- cuja atividade volta-se para intermediar empréstimos consignados em folha entre servidores do Senado e diversas bancos, entre eles a Caixa Econômica Federal, segunda agência financeira do país, e o HSBC, estabelecimento de primeira linha, inclusive patrocinador do Jornal Nacional da Rede Globo. Quase impossível acreditar, mas é verdade.

Agravando o panorama, já envolto por uma sequência de escândalos, a Sacris Consultoria tem como um dos sócios José Adriano Cordeiro Sarney, neto do presidente do Senado, e ex presidente da República José Sarney. Ele mesmo. A matéria, objeto de excelente reportagem de Rodrigo Rangel e Rosa Costa. O Estado de São Paulo de ontem, 25/06, focaliza os porões de crédito consignado, cujas articulações eram feitas diretamente pelo ex diretor adjunto da Câmara Alta, João Carlos Zeghbi, evidentemente em sintonia com o ex diretor geral, Agaciel Maia. Incrível, absolutamente incrível.

Espanta, sobretudo, a presença do HSBC e da CEF na engrenagem, ao lado de bancos menores como o Fibra, Daycoval, Finasa e Paraná Banco. A que ponto chegam as coisas. A que ponto chega a volúpia do lucro fácil e escancarado. Desde quando, estabelecimentos de crédito necessitam de intermediação para liberar créditos pessoais? Desde nunca. Basta ver que o volume de empréstimos circulando no país atinge 1 trilhão e 100 bilhões de reais. Cifra inclusive acima da massa salarial paga por ano, que é de 800 bilhões. Então, qual a explicação para o fenômeno? Não existe. Significa um claro atentado à lógica. Os próprios bancos abrem linhas de crédito a torto e a direito.

Recorrem a intermediários? Só os que aceitaram negociar com o Senado Federal e sua administração, agora substituída, tantos e tão graves acusações pesam contra ela.

Mas Agaciel e Zoghbi são funcionários. Como os senadores podiam desconhecer os passos que moviam, nas sombras, à margem da Mesa Diretora do túnel do tempo que divide as Casas do Congresso? Ninguém poderá acusar o senador José Sarney de conivência, claro. Mas sim de omissão. Será que pessoa alguma entre as tantas de sua amizade pessoal não levou a ele os fatos que estavam se passando? A pergunta fica no ar.

Mas ela independentemente da resposta, acentua a falta de nitidez que, em Brasília, no Parlamento, divide a linha do público e do particular. Para muitos, essa linha não existe. Passa-se de um lado para outro, sempre com prejuízo do interesse coletivo, com a maior facilidade e rapidez. O déficite, tão moral quanto financeiro, sobretudo ético, vai se acumulando ao longo do tempo. Os casos são infindáveis. A cada dia que passa aparece um novo episódio a emergir das águas do lago que embeleza a Praça dos Três Poderes. Os desonestos moviam-se com a leveza  dos cisnes que lá estão.

Na véspera do escândalo da presença do José Adriano Cordeiro Sarney entre os sócios da Sacris Consultoria, desvendou-se a existência de contas secretas operadas pela administração do Senado junto à Caixa Econômica Federal. Os objetivos de tais contas, suas movimentações e destinos, ainda estão por ser reveladas. Dificilmente poderá ser. Caso contrário, não haveria a necessidade de tais contas serem ocultas. No meio de tal vendaval, torna-se precária a posição do senador José Sarney na presidência do Poder Legislativo. Ele  próprio haverá de reconhecer que, pelo menos, chegou a hora de se afastar e sair do palco central da crise. Caso contrário, sua biografia, pela qual tanto se empenha, será tisnada por ele próprio. Intermediação para conceder empréstimos pessoais? Essa não.

A montanha gerou um rato

Carlos Chagas

Marcada para a próxima terça-feira, não há certeza de que venha a ser instalada a CPI da Petrobrás. Falta acordo, por enquanto, a respeito de quem será ao presidente e quem será o relator, ainda que ambos devam provir das bancadas governistas. Como a 15 de julho interrompem-se os trabalhos parlamentares, e aquele dia é uma quarta-feira, o mais provável é que os senadores enforquem a segunda e a terça, 13 e 14. Resultado: a CPI, se vier a ser instalada na próxima semana, terá apenas a seguinte para trabalhar, se puder trabalhar.

A conclusão surge clara: só no segundo semestre, a partir de agosto, terão início as investigações sobre a Petrobrás. Com a oposição reduzida a ínfima participação na CPI, só serão convocados depoentes que o palácio do Planalto aceitar. Bem como apenas serão examinadas denúncias aprovadas pelo governo.

Numa palavra, e fora surpresas, a montanha gerou um rato. A maior empresa nacional passará incólume pelo que se supunha ser uma tempestade e nem chegará a simples ventania.

Melhor para a imagem externa da Petrobrás, é claro, à qual o Brasil deve pelo menos a metade de sua nova imagem no planeta. Mas pior para o que se vai tornando uma constante entre nós, ironicamente dando razão ao próprio presidente Lula, para quem as denúncias sempre dão em nada.

O número de altos diretores da Petrobrás indicados pelo PT não deixa ninguém mentir: todos, menos um que o PMDB apadrinhou. Já se encontram previamente blindados. A começar pelo seu presidente, só prestarão depoimento se o governo  permitir.

Para as oposições, restará apenas centrar pontaria nas empresas privadas que prestam serviços à Petrobrás. As terceirizações. Será esse o objetivo pretendido pelos tucanos e alguns dissidentes do PMDB? Como instrumento eleitoral, a CPI da Petrobrás dará em nada.

Uma polêmica intrincada

Declarou o presidente do Supremo Tribunal Federal,   Gilmar  Mendes, que o Congresso não pode reverter decisões da mais alta corte nacional de justiça. Há dúvidas transcendentais a respeito. Estaria a harmonia e independência entre os Poderes posta em frangalhos caso o Legislativo não pudesse, dentro de suas atribuições, votar leis acordes com as necessidades e as circunstâncias.

Em favor dessa evidência desembarca o  advogado mais competente em Direito da Comunicação, José Paulo Cavalcanti Filho. Em artigo publicado ontem na Folha de S. Paulo, ele acentua que apesar do  recente julgamento extinguindo a obrigatoriedade do diploma  para o exercício da profissão de jornalista,   o requisito poderá ser exigido numa outra lei.

Trata-se, por enquanto, de uma discussão  acadêmica, porque não se tem notícia de estar em elaboração, no Congresso, qualquer projeto nesse sentido. Nem mesmo a proposta colateral referente ao direito de resposta foi apresentada.

Desde a anterior revogação integral da Lei de Imprensa que deputados e senadores fingem-se de mortos.   Recusam-se a botar a mão no vespeiro capaz de cortar-lhes a carreira política, porque ninguém resistirá a um boicote determinado pelos barões da imprensa.

Com a palavra deveria estar o deputado Miro Teixeira, autor da consulta que redundou na ida da Lei de Imprensa para o ralo. Ele tem participado de seminários, conferências e entrevistas sobre a questão, mas produzir alternativas ao vazio jurídico, nem pensar. Ter ou não ter Lei de Imprensa depende da formação dos estados nacionais, lá no passado remoto, assim como das circunstâncias e  das necessidades atuais.  Mas urge  pelo menos uma atualização do Código Penal,  para capitular crimes e abusos cometidos através dos meios de comunicação.  Do jeito que está é que não pode ficar.