Pazuello passa para a história do Ministério da Saúde como gerente causador de um desastre

A "surpresa" de Pazuello com o repique da covid em 2021 - Outras Palavras

Charge do Benett (Folha)

Elio Gaspari
Folha/O Globo

Quando se acha que aconteceu de tudo, o capitão consegue mais uma. Fritando o general que transformou em bode expiatório, chamou a Brasília a médica Ludhmila Hajjar para convidá-la.

Bolsonaro e Pazuello encarnam um tipo de comando primitivo, às vezes confundido com o folclore da caserna. O general entrou no Ministério da Saúde com uma tropa de ocupação. Colocou 25 oficiais da ativa e da reserva em posições de comando. Um tenente-coronel cuidava das aquisições de insumos estratégicos, outro, de sua logística. Deu no que deu. O coronel secretário-executivo usava um brochinho com uma caveira atravessada por uma faca.

Afora isso, o próprio general dirigiu-se a parlamentares como se fosse um sargento falando a recrutas: “Não falem mais em isolamento social”.

MANDA E OBEDECE – Oficiais exibicionistas ridicularizam comandados. Às vezes mandam soldado puxar carroça. Como ministro, o general Pazuello fez fama mostrando-se como um soldado do capitão ao lembrar que “um manda e outro obedece”.

O ministro talvez pudesse ter recorrido à memória que o vice-presidente Hamilton Mourão tem da história militar americana. Em 1866 o presidente Andrew Johnson mandou o general Ulysses Grant para uma missão no México. Ele se recusou e o presidente se enfureceu, vendo no gesto um ato de indisciplina.

Grant acabara de vencer a Guerra Civil e explicou: “Eu sou um oficial do Exército e devo obedecer às suas ordens militares. No caso, trata-se de uma missão civil, puramente diplomática e não estou obrigado a aceitá-la”.

INCOMPETÊNCIA – Formação militar nada tem a ver com folclore, muito menos com incompetência administrativa. A hidrelétrica de Itaipu foi construída por um coronel da reserva que morreu sem fortuna ou encrencas. José Costa Cavalcanti havia sido deputado e não elevava o tom de voz.

O mais folclórico dos generais presidentes (João Figueiredo) foi o pior da cepa. Castello Branco não usava a linguagem que Bolsonaro usou na conversa com a médica Ludhmila Hajjar.

O estilo que Bolsonaro cultiva com seu pelotão palaciano tem folclore e falta-lhe conteúdo. O Planalto vive assombrado pelo que considera uma campanha de desinformação. Tanto é assim que uma das primeiras providências de Pazuello foi alterar o boletim estatístico de mortes pela pandemia. Produziu o memorável episódio da formação do consórcio de veículos da imprensa, que faz o serviço a custo zero.

BODE EXPIATÓRIO – Pazuello passará para a história do ministério como gerente de um desastre. Tornou-se bode expiatório por ter irradiado uma visão negacionista da pandemia. As vacinas de Manaus foram para Macapá, a avalanche de imunizantes não aconteceu e a Coronavac chinesa do governador João Doria revelou-se uma dádiva. Durante a última semana de sua gestão, o Brasil tornou-se um dos dez países com mais mortes por milhão de habitantes. Foi a consequência da “conversinha” da nova onda de contágios.

Não precisava ter sido assim. Estados Unidos, Reino Unido, Itália e Portugal sofreram no ano passado. Sem as “frescuras” do folclore militar, não estão mais nessa lista maldita.

Que o médico Marcelo Queiroga, nova variante da cepa de ministros de Bolsonaro, tenha sorte.

15 thoughts on “Pazuello passa para a história do Ministério da Saúde como gerente causador de um desastre

  1. Ontem, ao anunciar a passagem do cargo para o novo ajudante do Bolsonaro: “é a passagem de comando de um OFICIAL GENERAL para um doutor”, como se fosse o rótulo que fizesse o vinho.

    Uma manchete do Estadão:
    ‘Brasil vive maior colapso sanitário e hospitalar da história’, diz Fiocruz

  2. O Brasil ultrapassou 284 mil mortos vítimas da pandemia.

    Previ que até a metade do ano chegaríamos a 300 mil.
    Errei e feio.
    Passaremos de 300 mil imolados até o fim desse mês, março.

    A pasta da saúde nunca antes foi tão criminosamente negligenciada, abandonada, onde um militar que não distingue esparadrapo de micropore foi o designado pelo ignorante-mor, Bolsonaro, que também não sabe a diferença de Cloroquina para Cloro de Piscina.

    Nessa irresponsabilidade ASSASSINA do presidente com relação à saúde, encaminhamo-nos céleres para o colapso deste serviço no país.
    Antes, dezenas de pessoas morreram por falta de oxigênio em Manaus, numa demonstração indiscutível de desprezo de Bolsonaro e seu general da banda para com o povo!

    Covarde, dissimulado, mau caráter, leviano, Bolsonaro tenta culpar os governadores e até o STF, alegando que são os culpados pela tragédia no número de vítimas fatais pela pandemia.
    Que ele simplesmente mandou o dinheiro para os Estados, logo, a cobrança deve ser feita aos governadores, menos à presidência.

    Certamente essa quantidade de mortos pelo Covid vale muito mais que os bilhões de reais roubados por Lula e seus asseclas, muito mais.
    Justamente por este descaso, negligência, irresponsabilidade, crueldade contra o cidadão, Bolsonaro perderá as eleições inevitavelmente.

    Quem será o seu sucessor aguarda o momento para dar o pontapé inicial na partida eleitoral, quando Bolsonaro tiver de explicar à população o seu comportamento genocida

    • Trata-se apenas da capacidade aeróbica, cardio-respiratória. O andar rápido é um indicativo das condições físicas das pessoas e já é sabido de sinal de resistência à praga (me refiro ao vírus da Covid não ao ocupante do planalto). Creio que esta é a ideia.

  3. o criminoso – coiteiro de milicianos há décadas! -, não foi conduzido ao cargo de presidente do brazil por ordem divina. dezenas de milhões de votos de eleitores é que possibilitaram que um delinquente egresso das forças armadas usasse a faixa presidencial. dezenas de milhões de eleitores-cúmplices d’um notório incitador de estupro e admirador confesso de tortura e torturadores.
    esse genocídio teve até um símbolo de campanha: um revólver feito com dedos e mãos, macabramente batizado de “arminha”.

    • Pazuello cumpriu com o seu dever maravilhosamente bem!
      Desincumbiu-se da sua função com méritos.

      Qual é a especialidade do militar, ainda mais de um general?
      Matar o inimigo em caso de guerra.

      Bolsonaro declarou que estávamos em estado de guerra com a pandemia, logo, o general foi eficiente e eficaz naquilo que se tornou um especialista:
      dar cabo de vidas humanas.

      E só não matou mais porque o general não pertencer à arma de guerra, pois é Intendente, ou seja, eliminou essa quantidade absurda de brasileiros porque deixou de comprar vacinas, de cuidar do oxigênio nos hospitais, de verificar se havia leitos numa explosão da doença, de estabelecer prioridades com a aquisição do pouco imunizante comprados, seringas, respiradores, equipe médica …

      Pazuello foi um caos como “organizador de logística”, em tese, a sua especialidade na Intendência.
      Sem que soubesse a diferença de atadura para tala, aceitou um cargo de enorme responsabilidade e competência, sem que tivesse as mínimas condições para, pelo menos, sair-se razoavelmente com suas obrigações.

      Agora, o Brasil está uma legítima esculhambação, daquelas de almanaques.
      Enquanto os generais que pertencem ao staff de Bolsonaro o auxiliam em matar brasileiros, o presidente tem eliminado vários oficiais por expô-los à população como incompetentes, incapazes, ignorantes, e meros cidadãos fantasiados de militares!

      Quantos generais Bolsonaro já”queimou” com suas atitudes irresponsáveis?
      Vários, e não vai parar por aqui.

      Para quem conheceu e teve comandantes capitães como eu os tive, no meu tempo de PE, oficiais de alto nível moral, ético, comportamental, exemplo para seus comandantes e comandados, Bolsonaro está literalmente destruindo a imagem dos oficiais subalternos.

      Não satisfeito em ser o destruidor do Brasil e de instituições, a sua conduta insana o está conduzindo para riscar do caderno o conceito que os militares levaram tempo para conseguir, depois do regime de exceção.

      Em dois anos, falar em militar se candidatando a qualquer vaga no parlamento, a pessoa foge do assunto como o demônio do altar!

      Por outro lado, se as FFAA jamais se imaginaram presas, amarradas suas mãos e pés, imobilizadas sem participarem de guerra alguma ou revolta interna, os militares sabem que derrubar Bolsonaro do governo seria um tiro no pé.

      Se o motivo seria incontestavelmente sua incapacidade mental, essa justificativa iria se espraiar para as guarnições como uma pandemia, rotulando nossos militares como exemplos de inutilidade, incompetência e irresponsabilidade!

      Mas, diante da falta de estrategistas e táticos no Exército de hoje, uma falha gritante, o generalato desconhece que, muitas vezes, recuar é a solução.
      Lambe as feridas, arma-se melhor, renova o moral da tropa, faz que ela descanse, e quando contra-atacar ninguém segura!

      Em outras palavras:
      Bolsonaro impedido ocasionará uma série de críticas às FFAA.
      Por outro lado, comprovarão à população que, sempre que necessário cortar na sua própria carne o tumor, os militares estarão a postos!

      Haveria demonstração de honra, dignidade, e enaltecimento à farda, ao militar.

      No entanto, vivemos outros tempos:
      mais atribulados, confusos, tentações as mais diversas e exóticas, que têm feito sucumbir até mesmo o nosso EB, ou seja, essa atitude que citei acima de despojamento dos militares, nem pensar!

      Conclusão:
      Contabilizaremos muito mais brasileiros mortos pela pandemia; a economia se agrava a cada dia; a saúde pública está em colapso; o povo sem dinheiro para se alimentar … porém as castas, elites, poder econômico e a instituição das FFAA cada vez melhores, recebendo proventos milionários, privilégios, mordomias, regalias, complementos salarias em alimentos, enquanto milhões catam nos lixões e latões de lixo restos de comida para sobreviverem até o dia seguinte!

      Deus meu, mas onde foi que erramos?!

  4. Como Pazzuelo, se o próprio Bolsonaro já assumiu publicamente que ele, o presidente, é o responsável pela política de saúde?
    Aquilo que o general executou de errado, deve-se debitar a culpa, no controle remoto que o presidente estava usando.

  5. De toda a maneira, Pazuello foi o agente de Bolsonaro para diminuir a população brasileira.

    Tem tanta culpa quanto o seu amo e senhor, pois informo quem não serviu o Exército, Marinha ou Aeronáutica, que ordem mal dada NÃO SE EXECUTA!

    Ex:
    Estou na posição de Descansar, e um gaiato berra:
    Apresentar Armas!
    Errado.

    Se Pazuello tinha plena consciência que ele e Bolsonaro não estavam dando conta do recado, controlando a pandemia ou sendo eficientes nesse trabalho, o general deveria simplesmente ou se demitir ou orientar o presidente, naquilo que estavam fazendo de errado ou sendo omissos.

  6. Caro Chicão,
    ecolhemos o demônio, mas naquela altura não tínhamos outra alternativa, lembra?
    Arriscamos e temos muito valor por isso, afinal o quadro seria devastador com o Haddad.

    Melhor o perigo desconhecido que o perigo conhecido.

    Melhor um ladrão desconhecido que um ladrão conhecido.

    Nós estamos dentro dos cinquenta e sete milhões, não erramos sozinhos, ou seja, algo de muito perigoso se via no horizonte petista e se continuassem no poder passaríamos por outros problemas. O irônico é que o bolsonaro está nos acenando com um quadro igual ao petista.

    Se perpetuar no poder é absolutamente necessário pra esses ladrões!
    Tomam o gosto e não querem largar o osso.

    Neste momento temos um embate perigoso porque o capeta está ladeado de militares que não estão nem aí pras FFAA como você bem disse.
    Hoje o apreço pela grana fácil fala muito mais alto.
    Os milicos estão ficando ricos, os mais próximos então, nem se fala.

    Só espero que na hora H e no dia D, as FFAA não nos frustrem ainda mais e dêem um pé na bunda do maluco.

    Que fase, Chicão, que fase…

    Um forte abraço e muita perseverança pra poder aturar toda esta doença.

    José Luis.

  7. Outro “jornalista” mentiroso. O Pazuello não é o causador do desastre, fez o que pôde mesmo boicotado. O causador do desastre é o $TF (Como bem disse o Dr. Ives Granda ontem na entrevista a Jovem Pan), governadores e prefeitos.

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