Por causa da devastação crescente, Noruega nega pedido de US$ 1 bilhão para Amazônia

Rotevatn, ministro norueguês, recusa-se a atender ao Brasil

Luis Barrucho
BBC

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, prometeu reduzir o desmatamento da Amazônia entre 30% e 40% em um ano se o Brasil receber US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,7 bilhões) de países estrangeiros, mas na visão do governo norueguês, essa é “uma questão de vontade política, não de falta de financiamento adiantado”.

“A Noruega e outros países enfatizaram em conversas recentes com o Brasil que a comunidade internacional está preparada para aumentar o financiamento ao Brasil assim que o Brasil apresentar resultados na redução do desmatamento. Diminuir o desmatamento no curto prazo é uma questão de vontade política, não de falta de financiamento adiantado”, diz o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Sveinung Rotevatn, do Partido Liberal, em nota enviada à BBC News Brasil.

PRINCIPAL DOADORA – Até decidir suspender os repasses há dois anos, a Noruega era a principal doadora do Fundo Amazônia, lançado em 2008 como o maior projeto da história de cooperação internacional para a preservação da floresta amazônica.

Segundo Rotevatn, a retomada do financiamento do fundo vai depender de o Brasil mostrar “resultados”.

“Temos um diálogo contínuo com o governo brasileiro sobre a situação atual da Amazônia e uma possível reabertura do Fundo Amazônia. Para que isso aconteça, precisamos ver uma redução substancial do desmatamento, um plano confiável para manter um baixo nível de desmatamento no futuro e uma estrutura de governança no fundo que seja aceitável para todas as partes”, diz Rotevatn.

NÃO HÁ RESULTADOS – “Conforme discutido com o ministro Salles há algumas semanas, é essencial que o Brasil aumente seus esforços de aplicação da lei na Amazônia e utilize os recursos que foram disponibilizados anteriormente para esse esforço”, disse o ministro norueguês, acrescentando:

É importante para o Governo norueguês enfatizar que qualquer cooperação futura em desmatamento será baseada no pagamento por resultados”, acrescentou.

Em entrevista recente ao jornal O Estado de S. Paulo, Salles insistiu no discurso de que, sem dinheiro, o Brasil não conseguirá reduzir o desmatamento – mas pela primeira vez apresentou uma meta de diminuir o desmate, não sem contrapartida financeira: US$ 1 bilhão em ajuda externa de países como os Estados Unidos. Sem esses recursos externos, Salles disse ao Estado de S. Paulo que vai fazer o possível, mas sem fixar meta.

PROBLEMA SE AGRAVA – Mas, desde que Salles assumiu o ministério do Meio Ambiente, o ritmo de destruição da floresta aumentou substancialmente. As taxas de desmatamento em 2019 e 2020 são as maiores desde 2008.

No mesmo período, o Ibama suspendeu suas operações na Amazônia duas vezes por restrições orçamentárias.

O plano de Salles será apresentado aos Estados Unidos no encontro que o presidente daquele país, Joe Biden, vai realizar com 40 líderes internacionais para debater a pauta climática.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Fundo da Amazônia não existe mais na prática. Era mantido com recursos da Noruega (93,8%), da Alemanha (5,7%), que também já se retirou, e da Petrobras (O,5%). O BNDES é gestor do Fundo, mas não coloca um centavo nele. O Fundo não existe mais. Desse jeito, daqui a pouco a floresta também não existirá mais. (C.N.)

13 thoughts on “Por causa da devastação crescente, Noruega nega pedido de US$ 1 bilhão para Amazônia

  1. Ninguém mais vai nessa conversa furada do Salles e Bolsonaro, que é o que está comandando tudo.
    Verdadeiro crime lesa pátria, até o Mourão fechou o bico de tão grande que é a roubalheira.
    Todos vão responder na justiça pela situação.
    Não vai valer o que estão ganhando com isso, é muita omissão, muita vergonha.

  2. Apertaram as ONGs espalhadas na Amazônia, muito preocupadas com o desmatamento, mas também com ouro e outros materiais raros, abundantes na bacia a amazônica. Podem estar tirando muitíssimo mais de lá do que doam ao fundo. Se considerar a biodiversidade, chegamos a casa do US$ trilhão/ano. Pouco mais do que devolviam?

  3. Com a devida vênia aos combatentes do bom combate que se esmeram em seus argumentos, esse cidadão de longe se vê que é um da família descrita pelo Pedrella.

  4. Três nações nórdicas que eu muito as admiro: abocanham uma grande fatia do mercado mundial, com alta tecnologia; sem estardalhaços ou futricas; na mais absoluta discrição! Suécia, Finlândia e Noruega: que Odin continue protegendo-as!

  5. O seu Mourão afirmou recentemente que o Brasil não precisa de esmola para proteger a amazônia.
    A Noruega contribuiu cerca de 1.2 billion de dolares para o Fundo da Amazonia desde 2008.
    Ela tem uma pequena população de 5 milhões e 367 mil habitantes e um PIB de $366 bilhões, o que resulta em um PIB per capita de $67 989 .
    O PIB per capita do Brasil é de cerca de $6 450.
    Portanto dez vezes menor. Somos mendigos? Nooooo!

  6. Quem é dono do dinheiro dispõe dele como quiser. Caso o beneficiário não se mostre digno dele o doador não é obrigado a doá-lo, simples não é mesmo? Enquanto o mito insistir em ficar com o ministro do Meio Ambiente dificilmente haverá clima para o Fundo Amazônia pleitear alguma coisa.

  7. A maioria dos que emitem opinião a respeito da Amazonia, não a conhecem. É uma imensidão verde, cujas bordas vem sendo pilhadas a dezenas de anos e ninguém e nunca houve denúncia. Foi só o governo colocar o pé na porta para a roubalheira das ONGS e dos especialistas, virou uma pandemia. Vão conhecer a Amazonia real e esqueçam discursos da Globo, Folha, Uol, Estadão e seus asseclas.

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