Quinze dias depois de lançar Haddad, Lula decide que ele mesmo será o candidato em 2022

Calvo e evelhecido, Lula continua sonhando com a Presidência

Rosângela Bittar
Estadão

Desafio à esfinge: o que houve de determinante, em tão curto espaço de tempo, que levou o ex-presidente Lula a assumir sua candidatura à Presidência da República? Num dia ele lançou Fernando Haddad, despachando-o para liderar caravanas. Quinze dias depois, sem revogar a primeira ordem, declarou de viva-voz o que todos entenderam como um alto lá. Será ele mesmo o candidato.

No primeiro movimento, o ex-presidente pretendeu tranquilizar o Supremo Tribunal Federal quanto à sua submissão à Lei da Ficha Limpa. Não seria candidato mesmo se lhe fosse favorável o julgamento, esta semana, relativo à suspeição do juiz Sérgio Moro no caso do triplex do Guarujá.

APOIO DE LEWANDOWSKI – Duas semanas se passaram e eis que o ministro Ricardo Lewandowski permitiu acesso da defesa aos diálogos entre os promotores da força-tarefa e o juiz da Lava Jato. São 10% as transcrições do grampo que se referem a Lula, agora em exame pelo ministro Gilmar Mendes, o relator do processo.

Os advogados puderam constatar a extensão do comprometimento não apenas de Sérgio Moro, como do coordenador Deltan Dallagnol e até do então procurador-geral Rodrigo Janot. Verificaram que a Justiça teria dados suficientes para considerar Lula vítima de perseguição. Constataram que os que o prenderam admitiam não ter provas ou certezas.

Ampliaram-se, então, as expectativas, até aí limitadas ao triplex. Agora seria possível rever também o caso do sítio de Atibaia. Anuladas as sentenças, recuperados os direitos políticos, Lula poderia ser candidato. Aí se precipitou, surpreendendo até quem esperava estabelecer com o PT uma aliança mais ampla ao centro e à esquerda.

E O CASO DO SÍTIO? – O que fará a seguir ainda está em análise. Poderá pedir a extensão dos argumentos do triplex para o sítio. Se não for possível, a defesa ingressará com novo pedido de habeas corpus específico.

Desde que saiu da prisão, o ex-presidente só se manifestava para louvar a preservação da sua potência sexual, anunciava planos de casamento com Janja e sugeria uma vida reclusa em paradisíaca praia da Bahia.

De repente, uma mudança e tanto. Lula virou político de novo e restabeleceu o que parecia superado: a polarização.

BOLSONARO VIBROU – O presidente Jair Bolsonaro exultou. Vinha projetando o fantasma do ex-presidente como adversário, agora o tinha na realidade. E a Lula sempre interessou o confronto com Bolsonaro. Ambos querem uma disputa de recíproca rejeição acreditando, cada um, que o outro tem pior conceito na praça.

Este cenário é responsável pela ressurreição, nestes recentes episódios nada espontâneos, do aviso do general Villas Bôas ao STF sobre a inconveniência de restaurar os direitos eleitorais de Lula. Um episódio de dois anos atrás, subitamente atualizado pela edição do livro de memórias do ex-comandante, com novas revelações. Entre elas a de que o Alto Comando do Exército referendou a pressão que exerceu sobre a Suprema Corte.

Desta vez, com um agravante: a explosão do apoio aos militares do núcleo de extremistas que sustentam Bolsonaro. Até como pretexto para mais uma vez agredirem o Supremo, o saco de pancadas do grupo. Uma frente que expõe a geleia geral de obscurantismo, negacionismo, diversionismo, golpismo e provocação. Como se o tempo tivesse dado uma meia-volta, volver.

FALTA O SUPREMO – Tal enredo ainda não está consolidado. Nada impede que o STF contorne polêmicas e adote uma solução híbrida. Reconheceria a suspeição do juiz Sérgio Moro, mas não restabeleceria os direitos políticos de Lula, que permaneceria inelegível. E já houve precedente desta combinação: a decisão de Lewandowski, agora com sinais trocados, no impeachment da ex-presidente Dilma. Foi deposta, mas sem perder seus direitos políticos.

Estará permeando este julgamento a animosidade jamais superada dos militares com a esquerda. Perfeitamente correspondida.

7 thoughts on “Quinze dias depois de lançar Haddad, Lula decide que ele mesmo será o candidato em 2022

  1. São frequentes os artigos publicados relatando o que os jornalistas, ou talvez os seus patrões gostariam que acontessessem.
    E na maioria destes artigos versam sobre conversas (inexistentes) de amigos íntimos da pessoa que se quer denegrir. E sempre tem gente que acredita.

  2. Como são todos ladrões, nem vou dizer que o link abaixo é fora da pauta.

    A MANSÃO PROPINA!!

    UM ASCO!!

    Ou esse miliciano escroto do vai preso ou o brasileiro honesto terá que se mudar pra um país mais sério como o Paraguai, muito bem lembrado hoje pela manhã pelo Sr . Carlos Newton.

    https://www.google.com/url?sa=t&source=web&rct=j&url=https://www.oantagonista.com/brasil/exclusivo-flavio-bolsonaro-so-pagou-109-milhao-e-fez-transferencias-fracionadas-para-compra-de-mansao/amp/&ved=2ahUKEwjswYyhs5XvAhWkrFkKHWnGCjUQlO8DegQINxAB&usg=AOvVaw0-grmALHlFQwN7f2EiNF7w

    Com licença, vou vomitar e já volto!
    JL

  3. Se Lula retornasse, pela primeira vez, teríamos uma decepção ampla e total. Porque ele pode até ser exímio, na arte de produzir caos. Porém, desta feita, ele ia sentir-se
    um incompetentee, por não poder tornar o Brasil pior.

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