Rebelião ou rendição das massas?

Carlos Chagas

Em função de Renan Calheiros, o mandato da presidente Dilma pode estar momentaneamente preservado, ainda que não se tenha certeza do que poderá acontecer com as manifestações de protesto do próximo domingo. Ou também porque se desconhece todo o potencial do pacote de maldades do deputado Eduardo Cunha. Mesmo que Madame consiga superar o permanente inferno zodiacal fora de seu aniversário, ficarão cicatrizes difíceis de superar.

Como ela explicará, para seus biógrafos, haver renegado o ideário do PT para governar o país? Noves fora as mentiras da recente campanha presidencial, vale alinhar algumas iniciativas adotadas pela presidente desde o dia de sua segunda posse.

Prometendo não investir contra os direitos trabalhistas, mas até ampliá-los, Dilma reduziu o seguro desemprego, destroçou o abono salarial e as pensões das viúvas, estabeleceu que devem ser pagos os serviços prestados pelo SUS e vetou o aumento das aposentadorias de acordo com o reajuste do salário mínimo.

No reverso da medalha, também propôs revogar a desoneração da folha de pagamento das empresas, aumentou os juros e acabou com a isenção dos produtos da cesta básica. Engajou-se por inteiro na concessão de benesses ao sistema financeiro e não mexeu na escandalosa remessa de lucros para o exterior. Quase matou o FIES e cortou o sonho de milhares de estudantes pobres. Pior ainda, nenhuma solução apresentou para conter o desemprego em massa que assola o país. Tudo ao contrário do que havia sustentado ao pedir votos para sua reeleição. Também beneficiou os planos de saúde e não hesitou em cortar 10 bilhões da reais das dotações orçamentárias para a educação pública. E 40 bilhões da saúde.

GOVERNO NEOLIBERAL

Ainda que possa escapar da degola, expectativa ainda por ser demonstrada, Dilma carregará até o final de seu período de governo a mancha de haver-se tornado neoliberal, renegando o programa do PT. Coisa que o Lula fez no varejo, ela pratica no atacado. Talvez por isso ainda evite a defenestração, porque conta com o apoio das elites, às quais acaba de aderir por inteiro. Basta ver a súbita reviravolta no noticiário dos jornalões e penduricalhos da mídia, com algumas exceções. Querem preservá-la para preservar-se.

A conclusão surge lamentável: mais uma vez os anseios de mudança profunda nas estruturas sociais saem pelo ralo, permanecendo o mesmo modelo que predomina no planeta, do domínio dos poucos privilegiados sobre os ignorados. Cada vez mais revela-se a impossibilidade da pronta rebelião das massas, restando como consolo uma única saída: a rendição das massas. Exangues, algum poder precisará cuidar delas, caso venham a levantar os braços e render-se.

13 thoughts on “Rebelião ou rendição das massas?

  1. A deputada federal Carmen Zanotto (SC), vice-líder do PPS na Câmara, reagiu à ideia de cobrança dos serviços do SUS (Sistema Único de Saúde), proposta pelo presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao governo federal. “Causa perplexidade uma proposta como essa. Isso demonstra um grande desconhecimento dos problemas de subfinanciamento, cujo maior responsável é a União”, criticou.

    Presidente da Frente Parlamentar do Diagnóstico, Prevenção e Tratamento do Câncer e defensora da aprovação da proposta Saúde Mais Dez, que prevê mais recursos federais ao SUS, Carmen Zanotto disse que ficou “em choque ” quando leu que a proposta faz parte do pacote da Agenda Brasil encaminhado ao Palácio do Planalto.

    Para Carmen Zanotto, a ideia “absurda ” soa até como uma provocação, diante das necessidades por que passam os milhões de usuários do SUS. “Cobrar pelos serviços, conforme a renda do usuário, é jogar nas costas da população a responsabilidade. O povo não é culpado por esta situação de crise econômica, moral e ética”, afirmou.

    Ela lembrou ainda que o projeto de Renan Calheiros fere a lógica dos princípios constitucionais que nortearam a criação do Sistema Único de Saúde.

    No entender da deputada, introduzir a prática de compra e venda de serviço dentro do SUS está na contramão dos debates que vêm sendo travados no Parlamento sobre as responsabilidades dos entes federativos, principalmente da União, de financiamento do sistema. “Os municípios e os estados já estão investindo muito mais do previsto, falta a União cumprir com a sua parte”, alertou Carmen Zanotto.

  2. O presente artigo nos faz pensar, refletir, a respeito do quanto estamos sendo usados e manipulados pelo poder que verdadeiramente rege a vida do ser humano:
    O Econômico.
    Quaisquer governos deste planeta são subjugados pelo dinheiro, alterando suas convicções, mudando suas ideologias, substituindo antigas plataformas para melhorar as relações com o sistema financeiro em detrimento das necessidades do povo, da sua dignidade, do seu desenvolvimento.
    Dilma Roussef foi derrotada inapelavelmente por esta elite, que tanto o PT combateu antes de assumir a cadeira da presidência do Brasil.
    Independente da corrupção e desonestidade que estão marcando indelevelmente as gestões petistas, não há como discutir que o PT traiu o seu próprio discurso, cuspiu nas suas próprias palavras, e se transformou em grande aliado deste poder, comprovando minha afirmação os lucros inacreditáveis dos bancos brasileiros nos últimos treze anos.
    Nesse meio tempo, o povo empobreceu, nunca antes pagou tanto juro, foi tão explorado e teve sobre seus ombros tamanha carga tributária na história deste País.
    Evidente que a dúvida paira em cima das administrações petistas a respeito do que fez dessa fábula de dinheiro arrecadado e o destino que deu para essas verbas, que vai perdurar por muito tempo, mesmo após o término desse atual e desastrado governo, caso contrário, se os impostos que abarrotam os cofres públicos fossem bem administrados o Brasil não estaria diante dessas dificuldades, lógico.
    Dessa forma, se o povo aspirava melhorias à sua vida com o advento do PT, enganou-se, iludiu-se, pois a realidade atual acusa exatamente o oposto do que se imaginava quando os petistas assumissem o comando brasileiro, isto é, o fortalecimento do poder econômico e o enfraquecimento da população, permanentemente à mercê desta elite nefasta, sádica e cruel, e que ocasiona qualquer governo se ver obrigado à genuflexão perante quem realmente manda, e não apenas finge, teatraliza, invariavelmente interpretações de péssima qualidade.

  3. A presidente avalia que, para sair do isolamento e enfrentar a crise, seu governo precisa se entender com os bancos. Levy fez os convites na segunda (10), um dia depois da reunião dos ministros com a presidente sobre instabilidade política e recessão.

    Participaram dez executivos do setor financeiro, entre eles os presidentes do Itaú, Roberto Setúbal; do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco; do Banco do Brasil, Alexandre Abreu; do JP Morgan, José Berenguer; e do BTG Pactual, André Esteves.

    Na visão dos banqueiros presentes ao encontro, o ministro se empenhou em convencê-los de que há unidade do governo em torno do ajuste fiscal, embora as medidas provoquem arrocho, prejudiquem a popularidade da presidente e enfrentem resistência no PT.

    Levy repetiu algumas vezes que a Fazenda está alinhada com os Ministérios do Planejamento e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A atitude foi vista como um esforço para afastar rumores de racha na equipe econômica.

    O ministro pediu informações sobre a situação de vários setores empresariais monitorados de perto pelos bancos. Ouviu que os produtores de açúcar e álcool continuam mal, assim como a indústria óleo e gás. O setor de energia elétrica parece ter parado de piorar e este ano ainda deve ser bom para o agronegócio.

    CÂMBIO E INFLAÇÃO

    Houve um consenso de que o câmbio está se ajustando e de que em algum momento a inflação vai ceder. O maior risco é o fracasso do ajuste fiscal, que pretende reduzir os gastos do setor público.

    O ministro avaliou com os banqueiros a chamada “Agenda Brasil”, conjunto de ações e medidas econômicas e sociais apresentadas pelo presidente do Senado.

    Os pontos mais relevantes, para Levy e para os banqueiros, são de difícil implementação, como a reforma do ICMS, aumento da tributação sobre setores que foram desonerados pelo governo, adoção de idade mínima para aposentadoria e cobrança do SUS para faixas de renda.

    São medidas que contrariam vários interesses e têm custo social elevado. Levy disse que o governo vai insistir. Os banqueiros gostaram.

  4. A preferência verdadeira do PT e seu principal objetivo no poder finalmente estão esclarecidos:
    AGRADAR OS BANQUEIROS, que se divertirão com o sofrimento e dificuldades da população.
    Existiu algum partido na história republicana pior que o PT?

    • Bendl., é só ver os lucros dos Bancos neste primeiro semestre.
      O banquitola que apoiava dona marina a cada trimeste 10 bilhões de lucros.
      Tive a oportunidade de ver uma dessas faturas casadas entre banco e lojas, os juros da fatura chegam a 600% ano…..
      A proposito, essa loja é a que o povão gosta de fazer em trocentos parcelas de 20,00 por Mês, esquecendo do juros embutidos….
      Os petebrás, quando não eram govierno, atacavam esse tipo de aliança entre os banqueiros e os franco0-tucanos-suiços
      E hoje fazem a mesma coisa…….
      Todo o dinherio canalizado pelos bilionários banqueiros e empresários.
      E VIVE LA FRANCE.!!!!!
      abçs

    • Jamais, Sr. Francisco Bendl – Nunca na História desta República houve um partido que se enveredou para tanta promiscuidade com os banqueiros e com empreiteiras, que foi para quem Lula e Dilma governaram. Não estou nem falando da roubalheira, do Petrolão, etc. Acredito que agora o senhor vá concordar com minha indignação, manifesta tantas vezes aqui nesta Tribuna, quando alguém chama o PT de partido de esquerda. Isto é um insulto à memória dos ícones da esquerda brasileira que já morreram e também aos que estão vivos. O PT não é esquerda nem direita, ele é um partido do lumpezinato. Lula sempre foi um lúmpem ! Respondendo à sua pergunta, não houve, em nossa história republicana qualquer partido pior do que o PT.

  5. Armando,
    Apesar desta tua ojeriza a FHC – compreensível e nada tenho a opor -, a verdade é que a era de imensas farturas para os bancos têm sido as administrações petistas: as duas de Lula e esta uma e meia de Dilma.
    Diga-se de passagem, que foi nesses desgovernos petistas decretado, inacreditavelmente, que os bancos não poderiam sofrer prejuízos(!), então criou-se o desconto em Folha de Pagamento para dinheiro emprestado, assegurando ao sistema plena proteção, porém sendo a nossa Constituição rasgada e cuspida por Lula e Dilma quanto ao artigo 7º e inciso 10º, que reza ser o salário impenhorável e se torna crime sua retenção DOLOSA (alô, Dr.Béja).
    Em outras palavras:
    Somente no Brasil que foi abolido por canetaço o risco do negócio, não há clientes de risco mais para os bancos, todos são excelentes pagadores porque seus salários estão penhorados por determinação governamental, autorizando que, “até” 35%, podem ser descontados dos vencimentos dos trabalhadores.
    O surpreendente é que o STF se cala diante dessa aberração, pois apêndice do Executivo faz o que este lhe determinar, inclusive desobedecer a Constituição, tarefa por excelência da nossa mais alta corte que lhe caberia protegê-la e não aviltá-la!
    Um bom dia, Armando.

  6. E que tal, senhores comentaristas, a proposta que vem no Pacotão de Renan Calheiros, para que o Brasil arrecade mais para pagar os juros da dívida: Propõe Renan que o atendimento no SUS seja pago pelos usuários, de acordo com sua faixa de renda. Dilma concordou ! O SUS hoje em dia só é utilizado por quem não tem dinheiro para custear um plano de saúde particular. Estas pessoas agora vão ser obrigadas a pagar pelos procedimentos.

  7. Estamos sofrendo, além do estelionato eleitoral, um golpe de Estado e a outorga de uma nova Constituição.

    O problema do SUS é de cima abaixo, com aproveitadores e peculato viciante fumado até a última ponta. Há desvios de costas quentes do maior ao menor. Eles ainda dizem: “somos ladrõezinhos, desviamos os remédios para revender, e de quebra matamos os pacientes, faltamos os plantões, dormimos em serviço, fazemos acordos com funerárias, encomendamos defuntos vivos, porque somos costas quentes, temos amigos poderosos que nos protegem, não temos respeito pela vida humana, só pela nossa própria, mas há ladrõezões bem maiores do que nós e que desviam dezenas de milhões”.

    Acabam com a ilusão do SUS, reforçam o oligopólio dos riquíssimos planos de saúde. A regulação é só de faxada. Não há Estado regulador, só tributador.

    Façam o maravilhoso plano de saúde Agnelo Queiroz, mestre da roubalheira com a desgraça e a morte alheia. Adquirindo claramente tudo o que não se precisa em quantidades espantosas e inoperantes, deixando faltar o mínimo necessário.

    Não falta dinheiro ao Estado brasileiro com essa carga tributária tremenda. O melhor ajuste fiscal seria pararem de roubar tanto e tão descaradamente, sem noção ou temor nenhum.

    No orçamento de 2015 do Governo Federal, de acordo com o Ministério do Planejamento, as receitas do Tesouro ultrapassaram R$ 1.994.800.000.000,00, sendo 39,5% com contribuições, 23,1% com capital, 22,6% com impostos e taxas, 6,3% com outras receitas correntes, inclusive agropecuária, industrial e transferências, 5.5% com patrimonio e 2,7% com serviços.

    Já os gastos oficiais, superaram R$ 1.983.400.000.000,00, com 27,5% em encargos financeiros, 22,7% em previdência social, 12,3% em transferências para Estados e Municípios, 5,5% para saúde, 5,0% para educação, 3,8% para assistência social, 3,7% para defesa, 3,7% para trabalho, 3,0% para justiça, 2,8% para administração pública em geral, 1,4% para obras urbanas, 1,3% para para transportes, 0,5% para agropecuária e pesca, 0,5% para o legislativo, 0,4% para ciência e tecnologia, 0,4% para comunicações, 0,3% para reforma agrária, 0,14% para meio ambiente, 0,13% para cultura, 4,7% abrangendo integração nacional, minas e energia, relações exteriores, esportes, desenvolvimento, turismo, direitos humanos, reserva de contingência e operações de crédito. Isso sem contabilizar o universo macro e micro dos desvios, que sempre encarecem tudo e estouram qualquer orçamento.

  8. Carlos Chagas, os mais jovens não te conhecem, pela graça de deus vivi o bastante para te conhecer. Lembro bem do teu passado ao lado general que editou o Ato n° 5, general Costa e Silva, o mais brutal instrumento que a “revolução” editou contra o povo brasileiro. Naqule momento tu até dizias piadas para o general. Depois, muito depois justificaste em livro teu papel de “inocente” que não concordavas com os acontecimentos(não li o livro ouvi um amigo falar acho que o sentido é esse). Mesmo com essa justificativa ainda pulsa em tuas veias o germe do golpe, quem lê o que escreves, vê em cores o que desejas. Não fora assim pelo menos mensionarias o nome dos que meteram a mão no dinheiro da petrobrás. É só lembrar : Lobão, Collor, Renan, Eduardo Cunha, Jucá. Para que não se misturem devemos lembrar que foram todos udenistas, desde criancinha. Devias lembrar que o dinheiro recebido como ajuda de campanha para o PSDB veio dos mesmos cofres que ajudaram a campanha de Dilma. Devias lembrar a queda vertiginosa do preço do petróleo e do minério de ferro, que em pouco mais de quatro mêses caiu mais de 50%. Além de tudo Dilma não foi acusada diretamente por nenhum dos que fizeram delação. Essa história de pedalada, nada mais é que jogo contábil: para não fechar minhas contas com defict X peço a Caixa Econômica essa importância que fica como empréstimo do governo. Estou tentando materializar o que verdadeiramente aconteceu. As importâncias são volumosas mas a presidente não embolsou nada. Dizem as vestais: Mas não pode a lei não permite é crime. Crime de responsabilidade. Pode ser pedido o impeachement. Pode mas as razões sociais e técnicas devem ser ponderadas. Não se pode em uma conjuntura de descontrole econômico mundial não levar em consideração todos esses fatores. Falam em EEUU como se ninguém soubesse que eles os EEUU impuseram a Arabia Saudita que baixasse o preço do petroleo para prejudicar o Irã, a Russia, a Venezuela e o Brasil principalmente. É os EEUU que mandam no mundo, o que nos salva hoje é o poderiu militar da Russia e China. Caso contrário ele teria intervido militarmente na Venezuela no Equador e Bolívia. No Brasil seria militarmente mais difícil. Poderia até entrar em nosso território mas não sairiam. A não ser se empregassem armas atômicas para daqui há 100 anos tomarem posse de nosso território. Calma Carlos ainda tem muita gente viva que te conhece “dos bons tempos em que a porrada comia solta nas costas do povo”. Muitos choravam, sofriam; morriam. Outros prendiam, torturavam, matavam. Outros aplaudiam. Os tempos são outros e a verdade deve prevalescer. Até Fernando Henrique o príncipe dos sociólogos declara em um jornal na Europa: Dilma é honrada. Pergunta singela: Porque Fernando Henrique dá essa declaração? Que passarinho azul fez que mudasse de opinião? Vem coisa aí. O que será?Na rua da carioca tem uisque bom Carlos.

    • Os Estados Unidos “poderiam até entrar em nosso território mas daqui não sairiam”…
      Quem dera que isso fosse verdade. Só que o nosso exército, incluindo as tropas de fronteira, não tem munição suficiente para sustentar nem meia hora de combate, a aeronáutica não tem caças nem bombardeiros, tem alguns Super Tucanos que são muito bons para apoio ao solo mas cairiam do céu em poucos minutos se enfrentassem os caças americanos, os navios da marinha não navegam. Temos um (um!) submarino, do tipo da Segunda Guerra Mundial. O povo não conta, por mais disposto que estivesse, porque já foi desarmado, não pode lutar como no Iraque e no Afeganistão. A população está concentrada nas grandes cidades, não está espalhada pela selva como no Vietnã. A agricultura está concentrada em grandes empresas. Nosso sistema energético é extremamente vulnerável. Não temos drones. Com o que você montaria esta resistência?
      A única população em condições de formar gupos de guerrilha seriam os traficantes, que, imagino, não se interessariam.

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