Um poema sobre a imagem triste das favelas, onde se defrontam sonhos e decepções

Rocinha: maior favela do país - Jornal O Globo

Rocinha, no Rio de Janeiro, é a maior favela do país

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora e poeta cearense Maria Luíza Mourão, conhecida como Malú Mourão, no poema “Olhando da Janela”, confessa que guardará no coração a imagem triste das favelas.

OLHANDO DA JANELA
Malú Mourão

Do alto da montanha se ostenta,
De um povo, a marca de uma vida,
Que na verdade em nada lhe contenta,
O vil poder que a muitos intimida.

Vejo a favela assim imperiosa,
Onde esconde sutil a incerteza,
De uma vivência às vezes duvidosa,
Que do morro faz parte da beleza.

Mas naquela hipotética comunidade,
Existem os sonhos e as decepções,
Que se misturam a cada realidade,
Mesclando de anseios as emoções.

Ali surgem incógnitas impetuosas,
Onde a vida arquitetada na carência,
Entrega-se confusa às teias laboriosas,
Do escárnio prepotente da violência.

E no compasso da eterna esperança,
A comunidade no seu pensar latente,
Deseja ter um viver de bonança
Onde a paz ilumine cada vivente.

Moradores da Rocinha, Sereno ou Fé,
Quitungo ou Complexo do Alemão,
Corôa , Caixa D’água ou Guaporé!…
Guardarei esta imagem no coração.

6 thoughts on “Um poema sobre a imagem triste das favelas, onde se defrontam sonhos e decepções

  1. Favelas foi tema de Orestes Barbosa e Sílvio Caldas. Nada sobre favelas, diante da sua poesia, tem realce. Sua última estrofe tem o colorido de um Renoir:

    A porta do barraco era sem trinco
    Mas a Lua, furando o nosso zinco
    Salpicava de estrelas nosso chão
    Tu pisavas nos astros, distraída
    Sem saber que a ventura desta vida
    É a cabrocha, o luar e o violão

    Êta trem bão!

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