Vem aí a nova reforma tributária, cuja finalidade principal é explorar ainda mais o contribuinte

Charge do Duke (domtotal.com)

J.R.Guzzo
Estadão

Ninguém no Brasil está minimamente satisfeito, embora possa estar conformado, com os impostos que tem a pagar. Nem quem ganha salário, nem o consumidor, nem as empresas – que, aliás, mal conseguem se manter vivas e dentro da legalidade no regime de extorsão permanente por parte do Estado a que todos têm de se submeter. Quando o cidadão pensa no serviço miserável que recebe de volta, então, a coisa passa do péssimo para o mais péssimo.

Paga-se muito, paga-se errado, paga-se de forma frequentemente estúpida – e não se recebe nada que justifique os 150 dias de trabalho, em média, que o brasileiro tem de entregar a cada ano só para pagar imposto. Ou, então, o que se recebe é tão pouco, mas tão pouco, que fica difícil perceber a diferença.

EXPLORAÇÃO GERAL – Neste ano, até o começo do mês de maio, o Brasil já tinha pago mais de R$ 920 bilhões em impostos; o primeiro trilhão de 2021 (e olhe que nem se chegou à metade do ano) já está à vista – isso num momento em que a economia está andando a quase zero por hora, e pelo segundo ano em seguida, por causa da covid e das restrições que vieram com o “distanciamento social”.

É dinheiro, e o preço pago é alto demais para a população. Basta pensar um minuto: durante cinco meses inteirinhos você rala e não vê um tostão do dinheiro que ganhou. Vai tudo para o bolso do governo.

É melhor nem falar, a essa altura, no que o governo faz com a fortuna que toma a cada segundo da população – nem no tipo de coisas (e de gente) que o cidadão está pagando a cada vez que acende a luz de casa, fala no celular ou põe um litro de combustível no tanque.

QUEREM EXPLORAR MAIS – Considerando-se a calamidade que os impostos são hoje para o público pagante, talvez se pudesse esperar, pelo menos, que os que recebem aquela montanha toda de dinheiro estivessem satisfeitos. Mas não estão.

A União, os 27 Estados e os 5.500 municípios também estão infelizes; reclamam que é pouco, ou que deveriam estar recebendo uma parte maior que a parte dos outros, ou que o sistema não tem lógica, nem equilíbrio, nem justiça.

De qualquer forma, todos reclamam que não têm dinheiro para comprar um rolo de esparadrapo – e como é que vão fazer para dar aumento aos 12 milhões de funcionários públicos que estão na folha de pagamento?

ESCRAVIDÃO CONCRETA – Se o brasileiro vive hoje numa situação análoga à de escravo, trabalhando quase metade do seu tempo só para sustentar a Casa Grande que é a máquina pública, e se a Casa Grande também está infeliz, seria de se esperar que os responsáveis diretos pela catástrofe estivessem trabalhando para mudar alguma coisa. Não pensando no pagador de imposto, que a classe estatal quer mesmo manter em regime de escravidão – mas pensando neles próprios, os donos do Estado. Nada mais falso.

A reforma fiscal destinada a consertar uma parte do desastre está travada há dois anos no Congresso, e pelo andar da procissão vai continuar se arrastando.

Na verdade, há não apenas uma, mas duas reformas inteiras em andamento. Só que nenhuma das duas sai realmente do lugar.

ASSALTO AO CONTRIBUINTE -A Câmara tem propostas. O Senado tem propostas. O governo federal tem propostas. Os governos estaduais e municipais têm propostas. A “sociedade civil” tem propostas; enfim, só o pagador de imposto não tem proposta.

Mais: cada uma dessas tribos tem as suas brigas internas, cada grupinho ou grupão tem os seus interesses próprios, e todos estão atrás de algum proveito para si. Dá para ver o tamanho da confusão quando o único ponto que une os diversos lados é sua insistência em dizer que “a reforma não vai resolver tudo”.

Sempre que se começa a ouvir esse tipo de falatório, uma coisa é certa: ninguém está disposto a resolver nada.

21 thoughts on “Vem aí a nova reforma tributária, cuja finalidade principal é explorar ainda mais o contribuinte

  1. A parte beneficiada pelos tributos são todos os servidores públicos do país, a outra parte somente paga todas as benesses deste clã privilegiadíssimo e que nunca abriu mão de nada.
    O povo passa fome mas paga impostos enquanto os servidores ficam em casa porém, ganhando integralmente seus salários, benesses e vantagens.

    • Sou aposentado recente do serviço publico federal. Tenho um filho de 14 anos, como dependente, na minha Declaração de Imposto de Renda. Todo ano deixo lá, descontado no contracheque, R$ 14.600,00 mais oito boletos de R$ 163,00. Dos três órgãos públicos por onde transitei, nunca subtrair nenhuma caneta; até a água que bebia comprava do meu bolso. Joguei muitas boladas de dinheiro no chão: propinas tentadas. O mais gostoso de tudo isso é, a todo momento, ser tachado de burro, otário, mané, pau da bandeira….
      Fiz alguns inimigos, mas nunca “caguetei” ninguém, apenas era leal para com o compromisso que assumiu com as Instituições que servi.

  2. Discordo do último parágrafo. Todos os intervenientes estão dispostos a resolver a reforma tributária para beneficio próprio e o resto que se “exploda”.

  3. Grupo Globo resolve fechar revista Época:

    A partir de 28 de maio a revista Época, do Grupo Globo, para de circular no Brasil e passa a integrar o conteúdo do jornal carioca O Globo.

    A empresa decidiu pelo fim da revista por conta do acentuado declínio nas vendas, fenômeno que vem acontecendo consistentemente desde 2018, como mostrou reportagem de 02/04 da Revista Oeste (somente assinantes).

    A mudança acontece no mesmo ano em que o lucro do Grupo Globo sofreu uma vertiginosa queda de 78%.

    Em comunicado, a empresa disse que “a dinâmica de uma revista semanal de notícias impressa começou a perder relevância em um tempo em que os furos de reportagem são publicados em tempo real e alertados nas telas dos celulares.”

  4. Criar imposto sobre bens como lanchas, iates, helicópteros e jatinhos.
    Quadruplicar o imposto máximo sobre heranças e estabelecer faixas de incidência.
    Definir o imposto sobre fortunas – já previsto na CR, porém não implantado.

    Essas medidas não atingem a classe média, e sim as classes que precisa apertar mais.

  5. Outra medida para organizar as finanças é diminuir o número de Municípios e de representantes nos Estados e Municípios.
    O país tem mais municípios e estados e municípios com mais representantes do que se compararmos com estados de outros países.

  6. No fim do Império (1889) existiam apenas 14 impostos no Brasil, atualmente são 92 impostos diferentes.

    Foi nisso que deu a imposição da Republiqueta de Bananas Podres pelos militares, contra a vontade do povo.

  7. O Lira já disse que a reforma tributária será fatiada em 3 ou 4 projetos, como desde o início queria Bolsonaro. O governo terá a sua reforma na esfera federal e os governadores e prefeitos as suas. Estes que se virem para explicar o que decidirem e fizerem.

  8. Assunto transversal, para quebrar o afunilamento. Análises estreitas também estreitam o cérebro.
    O resto do mundo admira os profissionais brasileiros, porque somos factótum

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