Voto impresso de Bolsonaro tem maioria folgada na comissão e vai avançar na Câmara

Charge do Aliedo (Arquivo Google)

Camila Turtelli e Anne Warth
Estadão

Bandeira do presidente Jair Bolsonaro, o voto impresso nas eleições deve ser aprovado na comissão que analisa o tema na Câmara, com aval não apenas de governistas. Levantamento do Estadão/Broadcast com os atuais 32 deputados do colegiado mostra que 21 são favoráveis e apenas quatro se opõem. Outros sete afirmaram ainda estar indecisos.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, passou quatro horas nesta quarta-feira, 9, debatendo o assunto com os parlamentares, afirmou que a medida representa um “retrocesso”, mas que, uma vez aprovado, o novo sistema será adotado.

FAZER AUDITORIA – Adversários do governo veem na impressão do voto uma possibilidade de auditoria para frear o discurso de fraude eleitoral adotado por Bolsonaro.

O PT e a Rede são os únicos partidos que se colocaram contrários à medida na comissão. A aprovação no colegiado é o passo mais importante para a proposta, sem a qual a discussão não chegaria aos plenários da Câmara e do Senado.

Nesta quarta, em evento com líderes evangélicos em Anápolis (GO), o presidente repetiu que a disputa de 2018, quando se elegeu, foi fraudada; caso contrário, teria vencido no primeiro turno. “A fraude que existiu me jogou no segundo turno. Tenho provas materiais disso”, disse Bolsonaro. Apesar de ter prometido, ainda em março de 2020, apresentar as provas de irregularidades, o presidente nunca mostrou qualquer evidência.

URNA ELETRÔNICA – A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) em discussão na Câmara é da deputada Bia Kicis (PSL-DF), uma das aliadas mais próximas ao presidente. O texto não acaba com a urna eletrônica, mas obriga a impressão de comprovantes físicos de votação, que devem ser depositados automaticamente em uma caixa de acrílico acoplada ao equipamento. Com isso, o eleitor poderá conferir se o recibo em papel coincide com o que digitou, mas não poderá levar o comprovante com ele.

Em audiência nesta quarta na Câmara para tratar do tema, Barroso defendeu o sistema atual de votação sob o argumento de que nunca houve qualquer caso de fraude comprovada na urna eletrônica desde que foi adotada, em 1996.

“A introdução do voto impresso seria uma solução desnecessária para um problema que não existe com o aumento relevante de riscos”, afirmou. “O que nós fizemos com o sistema eletrônico de votação foi derrotar um passado de fraudes que marcaram a história brasileira no tempo do voto de papel”, disse o presidente do TSE.

DIFICULDADES OPERACIONAIS –  Segundo Barroso, uma vez aprovada, haverá dificuldades operacionais para colocar o novo formato em prática já na disputa de 2022, mas que a Justiça Eleitoral, responsável por organizar as eleições nos 5.570 municípios do País, fará o possível para cumprir o que os parlamentares decidirem.

“Se passar, teremos de fazer uma licitação para comprar as urnas. Não é procedimento banal, não é fácil. O tribunal tem boa fé e vai tentar cumprir, se for essa decisão, que eu torço para que não venha, mas se vier vamos tentar cumprir (em 2022)”, disse o ministro, que estima um custo de R$ 2 bilhões para substituir todos os atuais equipamentos.

Além de Bolsonaro, desde o mês passado o PDT passou a defender o voto impresso nas eleições. Invocando a memória do ex-governador Leonel Brizola (1922-2004), fundador da sigla, que costumava atacar a urna eletrônica, o presidente da legenda, Carlos Lupi, argumentou que a possibilidade de “recontagem” inibe eventuais fraudes. 

DIZ PAULO RAMOS – “Essa é uma bandeira histórica do PDT e que nada tem a ver com o Bolsonaro, que vai tentar tumultuar o processo eleitoral de qualquer forma”, afirmou o deputado Paulo Ramos (PDT-RJ).

Outro integrante da oposição, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) defende um modelo em que nem todos os votos seriam impressos, apenas uma amostra entre 5% a 10% das urnas de cada município.

“Isso não iria encarecer tanto o sistema e seria razoável. Quem tem medo de auditagem é quem quer fazer coisa errada”, argumentou o parlamentar.

HÁ PRECEDENTES – O mesmo sistema defendido hoje foi usado de forma experimental nas eleições de 2002. Um relatório do tribunal concluiu que a experiência “demonstrou vários inconvenientes”, em “nada agregou em termos de segurança ou transparência” e o pior: criou problemas. O tribunal apontou que nas seções com voto impresso foram observados filas maiores e um maior porcentual de urnas com defeito. O modelo foi, então, abandonado.

Propostas similares, no entanto, voltaram a ser aprovadas pelo Congresso em 2009 e em 2015, mas nas duas vezes foram barradas pelo Supremo Tribunal Federal, que as considerou inconstitucionais.

11 thoughts on “Voto impresso de Bolsonaro tem maioria folgada na comissão e vai avançar na Câmara

  1. Deveriam adotar a máquina de escrever, pois é mais é mais adequada ao terraplanismo, embora mais avançada que o locus desta gente: a Idade Média – sendo muito condescendente.

    De qualquer forma pra votar em condutopatas, que vão conduzir o Estado Clepto-patrimonialista “qualquer forma de voto não vale a pena”.

    Genocida ou gângster? Qual sua preferência?

  2. As atuais Urnas de Votação Eletrônicas utilizadas no Brasil, defendidas pelos Ministros do STE, sem os registros impresso dos votos , individualizadamente, que possibilitem a “auditagem”, são coisas para trouxas! que num português vulgar: devem ser qualificados como ” OTÁRIOS”.

  3. Esse negócio de voto impresso tem uma finalidade óbvia: complicar o processo. E quanto mais complicado, mais fácil de fraudar. É exatamente isso o que o boçal quer, para se perpetuar no poder. Ele vai provocar uma guerra civil no Brasil. Ele e os filhos, deveriam morrer de covid 19 para deixar o povo em paz.

  4. Jornalistas trapaceiros do Estadinho omitem trecho da fala do sinistro Barroso, um petralha que chegou ao stf por ser parte da quadrilha. Na verdade o incompetente e arrogante ministro disse que “se o Congresso aprovar e o STF validar” o voto impresso será adotado. O facínora está avisando que a questão será judicializada e essa norma terá o mesmo destino da lei aprovada pelo Congresso em 2016 determinando a adoção do voto auditável, a lata do lixo. Há muito tempo o STF (supremo tribunal de facínoras) sequestrou as prerrogativas do Legislativo e do Executivo, cagando e andando para as leis, virou um escritório do crime organizado, por isso precisa ser demolido para reforma. Urgente!

  5. Será que ninguém percebe que, com ou sem, o demônio não vai aceitar a derrota.

    VÃO JOGAR NO LIXO DOIS BILHÕES DE REAIS!

    Está chegando o dia da guerra, porque o maluco já se encastelou no poder e não vai sair de jeito nenhum.
    Sabe que se perder as eleições, ele e a sua família serão presos.
    Portanto, vai pro tudo ou nada!

    Prevejo um momento inimaginável para o país, mas talvez seja necessário.
    Muitas mortes ocorrerão, lembremos que não há liberdade sem sofrimento… sem guerra. Utopia pura!
    O povo vem passando panos quentes há trinta anos sem o resultado esperado.
    O poder se aboletou e sapateia na cabeça do povo, chegaram ao ponto de nos ignorar e desprezar ao máximo como seres humanos que somos, essa é a verdade máxima.
    Afirmo que hoje somos um ZERO À ESQUERDA!

    Como diz o ditado: Há males que vem pra bem…

    O que estamos precisando é de uma REVOLUÇÃO!
    Do jeito que está, não dá mais pra continuar…

    Talvez seja a nossa grande chance, uma revolta popular sem precedentes.
    Talvez a dor, nos traga um novo país, mas continuar vivendo num despaís se tornou inviável.
    Só eles vivem e nós ficamos com o sofrimento.

    PAGAMOS TUDO PRA ELES E FICAMOS IGUAIS A FRANGOS DEPENADOS!

    A miséria está nos corroendo numa celeridade assustadora!

    Tá chegando a hora da libertação!
    Talvez em 2022, seja a nossa hora, a hora do levante de toda uma nação.
    Só assim nos livraremos dos lulas e bolsonaros.

    Eu não vejo nenhuma outra solução.

    JL

  6. Injustificável não aprovar o voto impresso auditável. Qual o problema de termos mais transparência no sistema? É melhor para todo mundo, exceto para os fraudadores.

  7. Caro Espectro,

    Lamento informar, mas o povo brasileiro não tem tradição alguma de se levantar contra os opressores!

    Permitimos, aceitamos, admitimos, concordamos, que as autoridades façam conosco o que quiser, pois entendemos que só nos resta obedecer e outorgar poderes cada vez mais,
    Digo mais:
    em qualquer outro País deste planeta, a população já teria se insurgido contra tantos desmandos e descalabros.
    No Brasil, sequer sabemos até onde vai o nosso limite.

    O governo tem consciência do que somos neste aspecto.
    Sabe que não faremos nada porque existe dentro de cada pessoa um aviso, dizendo que “Deus quis assim”.
    Essa resignação, esse acatamento de situações que nos exploram, manipulam e roubam, têm sido o nó górdio brasileiro.

    Por que não reagimos como se deveria?
    Por que nada fazemos em nossa defesa? Por que nós mesmos nos abandonamos à própria sorte?

    Questões que permanecem em aberto há décadas, que explicam a falta de categoria do povo – lamento profundamente esta constatação.
    E não vejo a menor chance de lutarmos contra esta peculiaridade nossa, de omissão e covardia, diante dos males que temos sido vítimas!

    Abração.
    Saúde e paz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *