Voto impresso é ‘retrocesso’ e levaria à judicialização das eleições, diz presidente do TSE

Barroso contesta Bolsonaro e diz que urna é confiável

Rosanne D’Agostino
G1 — Brasília

A Câmara dos Deputados instalou nesta quinta-feira (13) uma comissão especial para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que obriga a impressão de votos em eleições, plebiscitos e referendos.

O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou nesta sexta-feira (14) que a introdução do voto impresso seria um “retrocesso” capaz de provocar a judicialização” das eleições.

PODE SER ADOTADO – O ministro afirmou que, se aprovado, o voto impresso será implementado pelo TSE. Mas argumentou que impressão tem “inconveniências”, entre as quais o custo, de mais de R$ 2 bilhões, e a própria declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo, pela quebra de sigilo do voto.

“Isto é um retrocesso no sentido de que piora o sistema. Em 2002, foi feita uma tentativa de voto impresso em cerca de 6% das urnas. Não funcionou bem. Houve filas, atrasos, aumento de votos brancos e nulos, emperramento das impressoras. Simplesmente não foi uma boa experiência”, disse Barroso durante o lançamento de campanha do TSE sobre a segurança do voto.

Para o ministro, também “há um risco de judicialização das eleições”. “Imagine se um percentual pequeno resolver impugnar o resultado, pedir recontagem, contratar os melhores advogados eleitorais para achar alguma incongruência e ir ao Poder Judiciário para pedir suspensão, anulação, sustação de posse? Esse é o risco que nós vamos introduzir”, declarou.

DISCURSO DA FRAUDE – “Por último, acho que seria inútil relativamente ao discurso da fraude. Porque esse é um discurso político”, declarou Barroso.

Em junho de 2018, o STF decidiu de forma liminar (provisória) barrar a medida e confirmou o entendimento em 2020, em julgamento no plenário virtual, quando considerou o voto impresso inconstitucional. Para o plenário, o sistema trazia risco ao sigilo do voto.

A impressão do voto é propalada pelo presidente Jair Bolsonaro, que costuma lançar suspeitas de fraude em relação ao voto eletrônico.

SEM POLÊMICA – Barroso afirmou que não é papel ele “polemizar com o presidente” e que o TSE cumpre a Constituição, a lei e as decisões do Supremo.

“Neste momento, no Brasil, inexiste voto impresso. Meu papel é demonstrar como o sistema funciona”, afirmou.

Para o ministro, “não há possibilidade de se desrespeitar o resultado das eleições”. “As instituições brasileiras são consolidadas”, afirmou, ao afastar a possibilidade de haver fraudes, contestando a tese defendida por Bolsonaro.

6 thoughts on “Voto impresso é ‘retrocesso’ e levaria à judicialização das eleições, diz presidente do TSE

  1. O problema da certificação da segurança da urna é que não é aberta, e sim fechada. Ter acesso e participar somente candidatando-se. Ora, os maiores cérebros na questão de hackeamento não estão aqui no Brasil.
    Alguém já leu, ouviu falar de algum vírus de computador brasileiro que tenha espalhado pelo mundo? Ou ataque partindo de brasileiros que não de negação de serviço simples?
    Se fosse um teste aberto como muitas empresas fazem, premiando quem invadisse e demonstrasse falhas, certamente seria um russo, chinês, coreano ou, talvez, norte-americano o autor da façanha.

  2. Seja com voto impresso ou urna eletrônica, tanto faz: o boçalnato vai querer fazer o mesmo que Trump. Provocar uma insurreição e dizer que não entrega o comando do país a ninguém, tornando-se um DITADOR !!!

  3. DIARIO DO PODER – 15/05/2021
    Brasil é o único país que utiliza urnas eletrônicas sem voto impresso
    Mais de trinta países adotaram diversas versões de urna eletrônica, todas com voto impresso
    Redação Redação 15/05/2021 às 00:01 | Atualizado às 09:19
    Eleição 2020
    Hoje, três dezenas de países adotaram diversas versões de urna eletrônica, todas com voto impresso. Foto: José Cruz/Agência Brasil

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    O Brasil já perdeu há muito tempo o direito ao ufanismo pela criação da urna eletrônica, em 1996.

    Além de usar equipamentos anacrônicos, de 1ª geração, o Brasil é o único País do mundo a não adotar o voto impresso, entre os que têm sistema eletrônico de votação.

    Hoje, três dezenas de países adotaram diversas versões de urna eletrônica, todas com voto impresso. Enquanto isso, a urna brasileira perde espaço.

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    Só no Brasil urna eletrônica não tem voto impresso
    Evolução necessária
    O Equador, que a utilizou em 2004, optou pelas urnas de segunda e terceira gerações. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

    Já há 13 anos, 39 estados dos EUA, 3 do México e várias províncias do Canadá passaram a exigir voto impresso em urnas eletrônicas.

    Até o Paraguai desconfia na urna eletrônica brasileira: após testá-la entre 2003 e 2006, proibiu sua utilização desde 2008.

    Em 2009, a Alemanha proibiu urna eletrônica sem voto impresso para garantir ao eleitor o direito de conferir o destino do seu voto.

    Em 2011, a Argentina iniciou a implantação de equipamentos eletrônicos de 3ª geração, com registros simultâneos de voto impresso e digital.

    QUEM NÃO DEVE NÃO TEME

  4. Algumas observações
    O ministro Luis Roberto Barroso está equivocado, o maior problema não é a judicialização do resultado do pleito, mas sim a dúvida quanto a lisura do mesmo.
    A argumentação do “PERGUNTAR NÃO OFENDE” é muito boa e tem todo sentido.
    Não podemos nos esquecer do que aconteceu no pleito da Dilma X Aécio, quando o ministro Tofoli ficou algumas horas trancado com os técnicos do TSE esperando o resultado do Acre (a razão alegada à época foi o fuso horário) retardando o resultado de Minas Gerais.
    A possibilidade de auditagem é que é a garantia da lisura das eleições.

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