Hélio Schwartsman
Folha
Mesmo que o presidente Emmanuel Macron consiga evitar que o Rassemblement National (RN) saia com um primeiro-ministro das eleições legislativas que começam no próximo domingo (30), é líquido e certo que esse grupo da ultradireita avançará várias casas. E, a crer nas pesquisas, os jovens são em grande medida responsáveis pelo crescimento do partido comandado por Marine Le Pen.
Boa parte da imprensa se pergunta como jovens, cujos avós deflagraram a revolução sexual e cujos pais asseguravam boas votações a partidos de esquerda, puderam ir tão para a direita. Sabe-se que a orientação política tem forte componente hereditário.
QUEBRA-CABEÇAS – Para tornar o quebra-cabeças ainda mais intrigante, um elemento recorrente nos fenômenos de radicalização política, a deterioração das condições econômicas, não está no momento muito presente.
Ao contrário, os ventos são favoráveis: a pandemia passou, a inflação vai sendo controlada e o desemprego, problema crônico na França, anda bem-comportado.
Uma hipótese que merece consideração é a levantada por Peter Turchin no livro “End Times”, que já comentei aqui. Para Turchin, um dos fatores que explicam períodos de turbulência é a superprodução de elites. Quando tudo vai bem, as pessoas se preparam para um futuro melhor. Estudam mais na esperança de encontrar empregos que paguem bem e tragam satisfação pessoal.
VOTOS RADICAIS – Só que, quando tudo vai realmente bem, temos a superprodução de elites: muito mais gente se preparando para assumir bons postos do que vagas disponíveis. Em algum momento, esses jovens percebem que o futuro pode não ser tão bom, o que se traduz em votos radicais, às vezes até antissistema.
Para Turchin, a superprodução de elites é um fenômeno cíclico que se repete a cada 100 ou 200 anos.
Se é mesmo isso que está por trás da ascensão da ultradireita nos países ricos, então lidamos com um problema muito mais estrutural e difícil de resolver do que se imaginava.
Esse cara é aquele que desejou a morte do Bolsonaro. Esta tudo explicado. Será que o pcc francês vai apoiar o Macron
Eu já fico cabreiro com jornalista que adjetiva a direita.
Não fico desacorçoado de meter a ripa na cacunda desses entojados.
O elemento não treme a cara ao afirmar que mais jovens estão embarcando na ‘ultradireita’.
Fica difícil pra quem quer saber das noticias do cotidiano e só encontra opiniões dos coveiros ideológicos.
Para esses oráculos empedernidos vindo de madraças esquerdistas o que não se ajusta na informação fazem crer que a montanha não pariu um rato ou uma narrativa.
É nessa hora que penso em Marx e Lenin e seus discípulos carniceiros e a mortandade deixada como herança.
Minha frase favorita fica dançando na cabeça, entonces lá vai, “Devemos a Karl Marx o fantástico despertar dos idiotas.”
E não é esquerda adjetivada, tipo extrema esquerda ou esquerda limpinha. Entenda-se por esquerda limpinha aquela onde não tem ladrão. Hehehe.
Então é só esquerda mesmo, sem adjetivos qualificativos ou depreciativos. Ela já trás essa carga embutida.
O quadro de horror são os conservadores existindo na velha Europa.