Flávio cogitou auditoria das urnas, mas aliados frearam ofensiva

Senador foi aconselhado a não repetir erros do pai

Rafael Moraes Moura
O Globo

Após se recusar a reconhecer o resultado das urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado por aliados a calibrar o discurso, mudar de estratégia e não repetir os erros de seu pai. A guinada no discurso nesta segunda-feira (26), em que adotou um tom menos beligerante, anunciando que vai pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin sem falar em anular as eleições, foi interpretada nos bastidores como uma vitória da ala pragmática da campanha do PL, que pretende agora concentrar na arena política a artilharia contra o presidente Lula.

Ainda contrariado com a derrota para Lula, Flávio almoçou na segunda-feira (26) em Brasília para definir os rumos da oposição com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP), além dos advogados Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet.

AUDITORIA – Uma das propostas cogitadas por Flávio foi a de pedir uma auditoria nas urnas, como tentaram Aécio Neves (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2014 e 2022, respectivamente. Mas ele foi aconselhado a não seguir adiante com nenhuma ofensiva contra o sistema eletrônico de votação, utilizado pela população brasileira desde 1996 e sem nenhuma acusação de fraude comprovada até hoje.

Um dos argumentos usados por participantes do almoço para implodir a ideia foi a de que o PL pagou um preço caro ao contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022, com a imposição de uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé (acionar a Justiça de forma irresponsável), por decisão do então presidente do TSE, Alexandre de Moraes. Ou seja, qualquer tentativa de reeditar a estratégia de 2022 não só seria condenada ao fracasso, como poderia custar caro aos cofres do partido, mais uma vez.

CASSAÇÃO DA CHAPA – “Flávio foi aconselhado a reconhecer o resultado e a não cometer os mesmos erros lá atrás do pai. E por isso mesmo questionar o abuso de poder político e econômico e buscar a cassação da chapa de Lula e Alckmin, ao invés de buscar a anulação do processo eleitoral”, relata um aliado.

Em 2023, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação por utilizar uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar o sistema eletrônico de votação.

CAMINHO ALTERNATIVO –  Para não repetir os passos de Jair, o PL optou então pelo caminho de entrar com uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) para cassar Lula e apurar eventuais abusos de poder político e econômico do presidente reeleito.

Assim, ao invés de colocar em xeque a lisura do processo eleitoral, o partido de Flávio decidiu contestar o uso da máquina pública para favorecer Lula, um caminho de menos confronto com o Judiciário, mas que ainda serve para marcar oposição ao PT e manter uma espécie de “faca no pescoço” do presidente ao longo de seu quarto mandato.

“Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil”, disse Flávio em vídeo postado nas redes sociais.

PROCESSO ARQUIVADO – Foi esse tipo de ação que assombrou Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) no segundo mandato da petista. O processo acabou arquivado pelo TSE pelo placar apertado de 4 a 3, quando Dilma já tinha sido alvo de impeachment.

No entorno de Flávio, a leitura é a de que o atual TSE tem composição mais pró-Lula, o que afasta os riscos de condenação do presidente da República, pelo menos na atual conjuntura política e jurídica.

Cheio de problemas, novo governo de Lula tem tudo para ser decepcionante

PF ameaça rebelião caso Lula escolha por “militares traidores” para sua defesa - Estadão

Lula agora tem de aturar mais quatro anos de governo

Carlos Newton

Quando acordar e cair na realidade, Lula da Silva vai se olhar no espelho do Palácio da Alvorada e indagar: “O que estou fazendo aqui?”. O espelho lhe responderá mostrando seu ar de infinito cansaço, evidenciado pelo enrugamento do pescoço, que os cirurgiões plásticos não conseguiram remover na caprichada harmonização feita no ano passado.

Só então o presidente brasileiro lembrará que esta terça-feira é dia de seu 81º aniversário e será uma chatice, tendo de aceitar cumprimentos sem parar. Talvez seja melhor nem aparecer no Planalto e descansar mais um pouco, apesar da empolgação de dona Janja da Silva, que só quer saber de festejar.

CONFINAMENTO – Ao contrário da mulher, Lula sabe que o poder é ilusório e essa derradeira eleição o condenou a passar mais quatro anos confinado em Brasília, enquanto ainda tiver saúde para governar, pois o vice Geraldo Alckmin é como um urubu, eternamente pousado no ombro do presidente, esperando apenas o tempo passar.

Após a espetacular vitória contra um adversário estreante e de poucas chances, Lula se aborreceu logo de cara, ao tomar conhecimento de que as ações brasileiras despencaram no exterior, com queda de até 27%, enquanto o dólar comercial subia de R$ 4,99 para R$ 5,55. Papéis de XP, Santander e Itaú negociados nos EUA e na Europa desabaram.

Lula não sabe o motivo. Julga que está sendo perseguido. Estava sonhando com a queda dos juros, prometeu isso na campanha, mas a vida não é bem assim. Agora não caem, mesmo.

METAS FISCAIS – Após a vitória, Lula terá de convencer o mercado de que vai mirar a meta fiscal para conter gastos. Por causa do saco de bondades, terá que enviar ao Congresso um ajuste inicial  no Orçamento de 2027, a regulamentação da PEC 6×1 e parte da Reforma Tributária.

Para se manter no terceiro mandato, o governo Lula teve de  recriar a velha dívida externa, que já tinha caído no esquecimento. Com a volta de derrotados à equipe do governo, como Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta, Marina Silva, Simone Tebet, Renan pai e filho, Manuela D’Ávila e outros mais, ficará tudo no mesmo.

E assim vamos acompanhar quanto tempo Lula resiste no velho novo governo, que começa com prazo de validade já vencido.

Dino e Gilmar defendem respeito às urnas e à democracia após vitória de Lula

Dino e Gilmar destacam força das instituições

Luiz Felipe Barbiéri
G1

Os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fizeram manifestações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25).

Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e conquistou seu quarto mandato. O resultado, com 100% das urnas apuradas, foi confirmado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, pouco antes das 22h.

RESPEITO AO RESULTADO – Nas mensagens, os dois ministros do Supremo ressaltaram a importância do respeito ao resultado das urnas e às instituições democráticas. Dino desejou sucesso a todos os eleitos e afirmou que a “persistência democrática deve sempre ser enaltecida”. Gilmar declarou que “o respeito à vontade popular é o alicerce do Estado Democrático de Direito” (leia mais abaixo).

Gilmar também defendeu união, responsabilidade e diálogo entre forças políticas depois do fim da disputa eleitoral. Em publicação nas redes sociais, o ministro disse que a eleição evidenciou a “vitalidade, a força e a maturidade da democracia brasileira”.

“DIRETAS JÁ” –  Em sua manifestação, Flávio Dino fez referência à campanha das “Diretas Já”, da qual disse ter participado em 1984, e afirmou que o país chega ao fim de mais uma eleição presidencial com a certeza da realização de novos pleitos.

“Constato, mais uma vez, que tal campanha se revelou vitoriosa, pois chegamos ao final de uma eleição presidencial com a certeza de que outras virão. Em um país marcado por tantas rupturas institucionais desastrosas, essa persistência democrática deve sempre ser enaltecida”, afirmou.

O ministro também citou o pluralismo político previsto na Constituição e defendeu respeito entre os brasileiros. “Pedradas, tiros, chicotes e pessoas acorrentadas, símbolos nazistas e coações nunca mais devem fazer parte de um processo eleitoral no nosso país, já que são condutas ilegais”, declarou.

BONS CAMINHOS – Dino afirmou ainda esperar que os agentes políticos encontrem “bons caminhos de governança” e destacou a necessidade de políticas públicas, especialmente para os mais pobres.

Pediu, ainda, que sociedade civil, agentes do mercado, trabalhadores, empresas de mídia e líderes religiosos, entre outros setores, transmitam “mensagens de paz e ponderação”. “O Constitucionalismo Social e Liberal, consagrado pela Carta de 1988, deve seguir como o nosso mapa do caminho para um futuro melhor”, afirmou.

ALICERCE DA DEMOCRACIA –  Gilmar Mendes destacou a rapidez da apuração dos votos e afirmou que o resultado das urnas demonstrou a força da democracia brasileira. “O respeito à vontade popular é o alicerce do Estado Democrático de Direito. Em um pleito marcado por disputas acirradas, o protagonismo foi inteiramente do eleitor”, afirmou.

Segundo Gilmar, encerrada a disputa político-eleitoral, “é tempo de união, responsabilidade e compromisso institucional”. O ministro defendeu o fortalecimento das instituições, a independência e a harmonia entre os Poderes e o diálogo entre forças políticas adversárias.

Gilmar também cumprimentou servidores da Justiça Eleitoral, mesários voluntários e demais pessoas que trabalharam na realização das eleições. O ministro manifestou reconhecimento aos candidatos eleitos e respeito aos que disputaram o pleito “dentro das regras do jogo democrático”

PF apreende R$ 51,9 milhões em operações ligadas às eleições em 2026

PF combate dinheiro ilegal, facções e violência política

Patrik Camporez
O Globo

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou neste domingo que a corporação apreendeu R$ 51,9 milhões em dinheiro e bens ao longo de 2026, durante operações relacionadas ao período eleitoral. Desse total, R$ 31,7 milhões foram apreendidos em espécie.

Segundo Andrei, a PF realizou 97 operações em todo o país neste ano e contabilizou 6.610 inquéritos policiais instaurados, dos quais mais de 2.400 tratam de questões eleitorais. A corporação também mobilizou 5,9 mil policiais, com atuação direta em quase mil municípios.

AUTORIA E MATERIALIDADE – “O índice de solução das nossas investigações de crimes eleitorais é superior a 92%. Em 92% dos inquéritos de crimes eleitorais que a polícia investiga, encontramos autoria e materialidade ou constatamos que não houve delito”, afirmou Andrei.

O diretor-geral acrescentou que a PF realizou 12 operações de combate à atuação de facções criminosas no contexto eleitoral e contabilizou 104 inquéritos relacionados à violência política de gênero.

Flávio Bolsonaro é intimado a entregar passaportes em meio a investigações no STF

Reeleição de Lula derrete o Ibovespa e dólar tem a maior alta desde 1999

Lula e a economia: boca fechada, dólar cai; boca aberta, dólar sobe |  Jornal de Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Deu no Estadão

Reação negativa à reeleição petista levou a Bolsa de Valores a acionar o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia da covid-19, e os papéis mais sensíveis à política econômica caíram mais de 50%.

Após a retomada dos negócios, por volta das 10h48, o Ibovespa chegou a recuar 16,8%, aos 170,4 mil pontos, antes de reduzir parte das perdas até o encerramento.

TERMÔMETROS – Entre as ações que compõem o Ibovespa – o principal indicador de desempenho dos papéis negociados na B3, termômetro para o mercado de capitais brasileiro –, as maiores baixas foram registradas para Magazine Luiza (-58,23%), Vamos (56,79%), Hapvida (-54,93%) e C&A (-47,47%). Em comum, essas empresas têm forte relação com o desempenho da economia.

Os papéis da própria B3 também encostaram em 50% de queda na abertura do pregão e reduziram as perdas no início da tarde; ainda assim, afundaram 36,28%. Já as ações da Petrobras apresentam retração de 8,18%.

De acordo com levantamento feito pelo Broadcast (serviço de informações financeiras do Grupo Estado), os bancos perderam R$ 249 bilhões em valor de mercado somente na primeira hora do pregão desta segunda. No início da tarde, as maiores desvalorizações entre as grandes instituições eram de BTG (24,83%), Banco do Brasil (29,33%) e Bradesco (21,7%). Os papéis do Itaú caíram 13,66%; e os do Santander, 4,47%.

PRESSÃO DO DÓLAR – Só oito ações tiveram alta no pregão, todas de empresas exportadoras cujas receitas são atreladas ao dólar. Suzano (SZUB3) liderou os ganhos com alta de 10,08%, seguida de Embraer (EMBJ3), que subiu 8,89%, e Weg (WEGE3), com alta de 4,21%.

Em Nova York, as ações da XP caíram 48,36% na Nasdaq. Já a Nu Holding, listada na NYSE, recuou 16,95%.

O dólar também abriu em forte alta. Por volta das 10h30, a moeda estava cotada a R$ 5,60, com uma valorização de 12%. Logo depois, o movimento arrefeceu.

DOLAR EM ALTA – No fechamento, a cotação ficou em R$ 5,40, uma alta de 8,21% contra o real. Segundo o Broadcast, é a maior oscilação na cotação à vista desde 13 de janeiro de 1999. Naquela ocasião, o País encerrou o regime de bandas cambiais e adotou o câmbio flutuante, em meio à moratória do governo de Minas Gerais e à saída de Gustavo Franco da presidência do Banco Central, lembra o estrategista da Sincra, Gustavo Cruz.

Segundo ele, o mercado está precificando incertezas sobre a condução da política fiscal pelo governo reeleito, pois o resultado das urnas, na sua avaliação, chancelou as medidas de gastos adotadas na gestão Lula.

Os investidores já esperavam que Flávio Bolsonaro não promovesse um ajuste fiscal profundo, mas contavam com a estabilização da dívida pública. Agora, a percepção é de que a relação entre dívida e PIB poderá voltar a crescer. Cruz ressalva que essa é uma percepção inicial, que pode piorar ou se reverter conforme as medidas fiscais anunciadas por Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Só existe uma explicação: o mercado não confia mais em Lula, cujo governo atua disseminando insegurança jurídica. Ou seja, o presidente é irresponsável e faz o que bem entende com a economia. Por isso, até um estreante como Flávio Bolsonaro é mais confiável do que Lula. Pense sobre isso. (C.N.)

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Caso Master acumula adiamentos e empurra conclusão de inquéritos para novembro

PF remarca oitiva de Fabiano Zettel pela segunda vez

Deu na CNN

A PF (Polícia Federal) remarcou para esta semana o depoimento de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Daniel Vorcaro e investigado no âmbito do caso Master. O interrogatório, que estava agendado para ocorrer por videoconferência a partir do presídio em Potim, interior de São Paulo, foi cancelado pela segunda vez.

Segundo o analista de Segurança Pública da CNN, Elijonas Maia, ao CNN Novo Dia, o episódio não é isolado. Uma série de depoimentos relacionados ao caso Master foram agendados e posteriormente cancelados ou adiados, transformando os atrasos em uma característica marcante da investigação.

DEPOIMENTOS –  Entre os investigados que tiveram depoimentos cancelados estão o próprio ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o empresário Augusto Lima, o senador Jaques Wagner (PT-BA), o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto — ouvido na condição de testemunha —, e André Esteves, do BTG Pactual, também como testemunha.

O depoimento de Fabiano Zettel, que seria realizado por uma equipe da PF de Minas Gerais, trataria sobre o grupo denominado “A Turma”, descrito como um grupo armado que, segundo consta na Polícia Federal, teria sido organizado para ameaçar e intimidar adversários de Daniel Vorcaro, incluindo jornalistas, adversários políticos e empresariais.

O interrogatório estava previsto para começar às 14h. Por volta das 14h20, a equipe de investigação recebeu um telefonema comunicando o cancelamento. O argumento foi que o presídio não dispunha de conexão à internet para a realização da oitiva por videoconferência. A Polícia Federal confirmou o cancelamento, mas não informou oficialmente o motivo do adiamento.

MUDANÇA DE ADVOGADOS –  De acordo com Elijonas Maia, fontes com acesso ao caso apontam que um dos fatores que explicam a grande quantidade de adiamentos é a troca frequente de advogados pelos investigados. “Todos os principais investigados nesse caso mudaram de advogados e mais de uma vez”, afirmou o analista. Cada nova troca implica um novo pedido de acesso integral aos autos do processo, o que acaba por postergar os depoimentos.

Os sucessivos atrasos também têm impacto direto no prazo para a conclusão do inquérito. A previsão inicial da Polícia Federal era de que pelo menos um dos inquéritos fosse finalizado e relatado ao STF (Supremo Tribunal Federal) em julho, antes do início da campanha eleitoral.

Com os adiamentos, a data foi postergada para agosto, depois para setembro, outubro, e agora a nova estimativa aponta para novembro. Dois inquéritos estão mais adiantados: o referente a “A Turma”, que aguarda um ou dois depoimentos, incluindo o de Fabiano Zettel, e o que investiga a suposta atuação de servidores do Banco Central em favor de Daniel Vorcaro.

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Minoria no Congresso não será obstáculo intransponível para Lula, que já se acostumou

Tamanho de bancada não assegura hegemonia no Congresso

Dora Kramer
Folha

Um clima de alarmismo ronda as expectativas a respeito do que será o Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027. Antes de nos entregarmos ao catastrofismo por causa do tamanho das bancadas conquistadas pelo PL, convém lembrar de como as coisas funcionam naquele chão de fábrica.

Sem alianças não se dá um passo no universo de 594 parlamentares; nem quando se tem 28 senadores e 121 deputados, insuficientes para formar maioria absoluta, incertos em votações de maioria simples e distantes do quórum qualificado para aprovar emendas constitucionais.

APETITE DO CENTRÃO – A direita bolsonarista cresceu, a esquerda ficou do mesmo tamanho, e o chamado conservadorismo continuou majoritário com um pequeno acréscimo de 57% para 59%. O centrão encolheu, mas seu apetite e expertise não diminuíram.

Portanto, são precipitadas as conclusões de que Luiz Inácio da Silva (PT) acumulará derrotas de de goleada no Parlamento, sem conseguir governar. Vida fácil ele não terá, de forma alguma. 

A maioria não garantirá  hegemonia a Lula. Mas o petista é muito experiente e sabe como adestrar as onças. 

ACOMODAÇÃO – Passado o entusiasmo inicial das eleições, a tendência do Congresso é a de acomodação das forças. Nem todo direitista é bolsonarista, nem todos babam na gravata, e a estridência dos cristãos-novos tende a sucumbir à experiência dos colegas velhos de guerra no trato dos acordos decisivos e na defesa da hipertrofia de poder do Legislativo.

Desse conhecimento de como as pedras rolam dão notícia Davi Alcolumbre (União Brasil) e Hugo Motta (Republicanos), que não esperaram acabar o pleito para cuidar das próprias reeleições e tratar que as mudanças deixem tudo como está. Afinal de contas, é como se diz por aí: camarão que dorme, a onda leva.

Espera-se que os políticos esqueçam as divergências e trabalhem pelo país

Democracia neste sete de abril - Rede Humaniza SUSRede Humaniza SUS - O SUS  QUE DÁ CERTO

Charge do Solda (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

O Brasil venceu. A escória do mal, da arrogância, da petulância, do deboche, do rancor e da vingança foi derrotada pela fibra do ex-torneiro mecânico, de 80 anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva, que amanhã completa 81 anos.

Bravo e simples cidadão que perdeu um dedo trabalhando, insultado no debate pelo tosco e boçal Flávio Bolsonaro, Lula cavou seu destino com as próprias mãos. Destemido, de peito aberto, e respeitado no exterior.

QUARTA VITÓRIA – Foi a sétima disputa presidencial de Lula. Agora carrega no peito, com orgulho, a quarta vitória.  A disputa presidencial foi árdua. Marcada por intrigas torpes, deboches e covardias. Campanha difícil.

Do princípio ao fim. Lula enfrentou adversários fortes, como governadores, senadores, deputados, donos da Fiesp, o ex-presidente golpista e presidiário, Jair Bolsonaro, deputados e ministros bolsonaristas do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça e Nunes Marques. Togados desprezíveis, serviçais do imundo bolsonarismo.

Lula mais uma vez saberá usar sua vasta experiência pessoal e profissional, em ações que engrandeçam a Nação, procurando acabar com desavenças políticas que deslustram a saudável atividade política.

DIFICULDADES – Lula sabe que terá dificuldades com o futuro Congresso Nacional. Sabe também que estará lidando e convivendo com senadores e deputados que precisam colocar os interesses coletivos em primeiro lugar.

Lula nunca deixou de dialogar com ninguém. Não é à toa que foi eleito para o quarto mandato presidencial. Foi reeleito agora com perto de 5 milhões de votos de diferença do adversário.

Todos precisam colaborar para o Brasil continuar crescendo. Lula estará com o espírito aberto. O povo deseja que os homens públicos juntem os cascos do embate político e trabalhem para melhorar a qualidade de vida dos brasileiros mais necessitados.

A letra era do Vinicius, mas Tom Jobim preferiu a versão de Dolores Duran

Dores que duram -

Dolores sabia cantar o amor e a saudade

Paulo Peres
Poemas & Canções

A cantora e compositora carioca Adiléa da Silva Rosa (1930-1959), a saudosa Dolores Duran, foi uma das maiores representantes do samba-canção, gênero musical onde prevaleciam a “fossa e a dor de cotovelo” nos anos 50, conforme a letra de “Por Causa de Você”, em parceria com o mestre Tom Jobim,  que retrata a tristeza de uma pessoa e do ambiente em que ela mora pela perda de um amor. A música foi gravada por Dolores Duran, em 1958, pela Copacabana.

A detalhe: a letra original foi feita por Vinicius, mas Tom Jobim gostou mais da versão de Dolores Duran.

POR CAUSA DE VOCÊ
Tom Jobim e Dolores Duran

Ah, você está vendo só
Do jeito que eu fiquei
E que tudo ficou
Uma tristeza tão grande
Nas coisas mais simples
Que você tocou

A nossa casa, querido
Já estava acostumada
Aguardando você
As flores na janela sorriam, cantavam
Por causa de você

Olhe, meu bem
Nunca mais nos deixe, por favor
Somos a vida, o sonho
Nós somos o amor

Entre, meu bem, por favor
Não deixe o mundo mau
Lhe levar outra vez
Me abrace simplesmente
Não fale, não lembre
Não chore, meu bem.

R$ 2 bilhões em recursos públicos: Bancada do PL pode turbinar fundos do partido

Lula recebe apoio internacional e vira símbolo de resistência à onda conservadora

Vitória de Lula reforça aposta no multilateralismo

Deu no O Globo

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições brasileiras como um triunfo para “a democracia e o multilateralismo”. A manifestação ocorreu após o presidente brasileiro derrotar o conservador Flávio Bolsonaro no segundo turno, com 51,7% dos votos, e garantir um novo mandato.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também parabenizou Lula e o incentivou a trabalhar em conjunto por “um mundo mais justo”. As declarações se somaram às de líderes de diferentes continentes que reconheceram a vitória do brasileiro e defenderam a continuidade da cooperação com o Brasil.

GRANDE VITÓRIA – O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, classificou o resultado como uma “virada do progressismo global”. “Grande vitória para Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A virada do progressismo global acaba de começar”, escreveu na rede social X.

Na América Latina, a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, celebrou a vitória brasileira. “Viva a democracia, o povo do Brasil venceu. Parabéns, presidente Lula!”, escreveu no X. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, chamou Lula de “irmão” e classificou o resultado como uma “vitória histórica”, que, segundo ele, garante a continuidade do caminho da paz, da soberania e da justiça social.

COOPERAÇÃO – A ex-presidente argentina Cristina Kirchner também comemorou o resultado. Segundo ela, Lula “soube despertar em seus compatriotas sentimento e sentido para vencer esta batalha” eleitoral. Outros líderes da região, como o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, e o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, manifestaram interesse em manter e ampliar a cooperação com o governo brasileiro.

As manifestações internacionais ocorreram após uma disputa eleitoral acirrada. O resultado mantém o Brasil entre os principais governos progressistas da América Latina, em uma região onde países como Argentina, Chile e Colômbia passaram por uma guinada à direita.

FORTALECIMENTO –  Fora das Américas, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, destacou que a relação bilateral “floresceu” sob a liderança de Lula. “Vamos aproveitar esta oportunidade para torná-la ainda mais forte, juntos”, afirmou.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também felicitou o brasileiro, a quem chamou de “estimado amigo”. “Juntos, continuaremos reforçando nossa cooperação em diferentes setores, fazendo avançar as prioridades comuns do Sul”, escreveu.

FELICITAÇÕES CHINESAS – A China também felicitou Lula pela reeleição e declarou disposição para aprofundar a cooperação com o Brasil. “A China tomou conhecimento de que o Tribunal Superior Eleitoral do Brasil anunciou que o presidente Lula venceu o segundo turno das eleições gerais brasileiras e expressa suas felicitações”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun.

Pequim está “disposta a trabalhar com o Brasil para continuar avançando na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre China e Brasil”, acrescentou o representante.

REPRESENTANTES DA DIREITA –  Apesar de terem posições políticas diferentes das de Lula, representantes da direita latino-americana também reconheceram sua vitória. A peruana Keiko Fujimori felicitou o presidente brasileiro e defendeu o fortalecimento da integração e da cooperação entre os dois países.

“Reafirmo nossa vontade de fortalecer nossa aliança estratégica, a integração, cooperação e o desenvolvimento sustentável da Amazônia que compartilhamos, em benefício de ambos os povos”, publicou Keiko no X.

O presidente chileno, José Antonio Kast, afirmou ter conversado com Lula e transmitido suas felicitações. “Chile e Brasil têm muito futuro em comum”, declarou, ao defender uma agenda de integração econômica e combate ao crime organizado. O presidente equatoriano, Daniel Noboa, também defendeu a cooperação regional. “Nossa região tem inimigos comuns, desafios compartilhados e muito a ganhar quando trabalhamos juntos”, escreveu no X.

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