PT assina pedido de CPMI sobre Lulinha e cobra Flávio por comissão que mira senador

PT pressiona Flávio a apoiar investigação sobre INSS e Master

Bela Megale
O Globo

Lideranças do PT assinaram o pedido de abertura de uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para investigar a lobista Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, conhecido como Lulinha.

Entre os signatários do documento estão o ex-ministro da Educação e líder do PT no Senado, Camilo Santana, a líder do governo no Senado, Tereza Leitão, e o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai.

DESAFIO – Em contrapartida, parlamentares do PT e ministros do governo lançaram o desafio a Flávio Bolsonaro e a aliados do senador para assinarem o pedido de CPMI que apura a ligação do presidenciável com os desvios do INSS e o escândalo do Banco Master, envolvendo Daniel Vorcaro.

A comissão tem como foco apurar o pagamento de US$ 24 milhões por Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro para o filme “Dark Horse”, além das relações do senador com o advogado Willer Tomaz, alvo de investigação da Polícia Federal. Nem Flávio, nem seus aliados assinaram o pedido de abertura da CPMI que mira o senador.

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Coordenador da campanha de Lula diz que Lulinha vive na Espanha com padrão de classe média

Lulinha vive na Espanha de forma “modesta”, diz advogado

Poliana Santos
CNN

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou em entrevista exclusiva à CNN nesta segunda-feira (19) que o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, vive na Espanha de “forma modesta”, com um padrão de vida de classe média.

“Ele vive na Espanha, onde cria e educa seus filhos de forma digna, embora modesta. Uma vida de classe média, como resultado do seu trabalho”, disse o advogado.

PLANEJAMENTO – Marco Aurélio rebateu a possibilidade de Lulinha ter se mudado para a Europa como forma de fugir das investigações. Segundo ele, o planejamento da mudança para a Espanha começou antes, com o objetivo de “criar seus filhos na tranquilidade”.

“Ele achou que poderia criar os filhos com certa tranquilidade na Espanha, que ali não iria carregar o peso do sobrenome, de ser filho do presidente Lula, e que não iria sofrer as perseguições que costumeiramente sofre, em especial no período das eleições”, disse.

“Então, em 2024, ele começou a fazer a mudança, a matrícula, a escola. Em 2025, ele foi para a Espanha, onde vive de forma absolutamente compatível com o que recebe”, concluiu.

ÁREA PRIVADA – O coordenador explicou que Lulinha atua na área privada, com prestação de consultoria em ESG (ambiental, social e governança), sem relação “direta ou indireta com o governo brasileiro”.

O filho mais velho do presidente Lula é investigado em três inquéritos. As apurações miram suspeitas de tráfico de influência e corrupção em benefício de empresas junto ao governo federal. Lulinha nega irregularidades em sua atuação.

Ele entrou na mira das investigações após a divulgação de sua proximidade com a lobista Roberta Luchsinger, que foi alvo, em dezembro do ano passado, da Operação Sem Desconto, que apura fraudes em benefícios do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

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Lula ganha munição eleitoral com plano de Flávio para o Bolsa Família

Fala de Daniella Marques foi descrita como “ouro puro”

Bela Megale
O Globo

A campanha de Lula vai explorar o plano de Flávio Bolsonaro de implementar uma “regra de transição de dois anos” do programa Bolsa Família. Segundo entrevista da coordenadora do núcleo econômico da campanha do senador, Daniella Marques, à CBN Bahia, esse período servirá para que os beneficiários abram seus negócios ou aceitem empregos de carteira assinada. Caso não consigam nenhuma dessas oportunidades, teriam o benefício renovado de maneira automática.

A fala de Daniella Marques foi descrita como “ouro puro” por membros da campanha de Lula, que têm explorado que Flávio Bolsonaro acabará com o Bolsa Família e outros programas sociais, o que o senador nega.

 REGRA DE TRANSIÇÃO – “Vai ter regra de transição de dois anos [no Bolsa Família] para que possa abrir seu negócio, ou aceitar emprego de carteira assinada. E um retorno automático caso dê errado. As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é o início de uma jornada. Todo mundo merece sonhar com algo com mais oportunidade, dignidade”, disse Marques, em entrevista à CBN Bahia.

Danielle Marques disse que já existe a regra de transição e que o plano de Flávio é dobrar o período: “Existe uma regra hoje de um ano e nós vamos dobrar. Nosso objetivo é incentivar a pessoa a melhorar de vida, buscar um emprego ou abrir um negócio e mesmo assim ter a proteção do Bolsa Família, para poder dar o próximo passo sem medo. Não há desligamento algum. Quem diz isso está mentindo. É má-fé com quem mais precisa do apoio do Estado”. A fala da coordenadora da equipe econômica de Flávio será usada pelos petistas na busca de reforçar o discurso do medo com a eleição do candidato do PL.

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No Dia do Poeta, uma mensagem de quem sente o significado da poesia

Efigenia Coutinho Mallemont (@efigenia.coutinho.5) • Facebook

Efigênia Coutinho: poeta, sempre poeta

Paulo Peres
Poemas & Canções

Hoje é o Dia do Poeta e, neste sentido, publicamos a definição de “Ser Poeta”, na visão da artista plástica e poeta Efigênia Coutinho, nascida em Petrópolis (RJ). A seu ver, a poesia será sempre um meio de comunicação de sentimentos na escrita. “Tenho um ritmo pessoal, operando desvios de ângulos, mas sem perder de vista a tradição, procurando atingir o núcleo da ideia essencial, a imagem mais direta possível, abolindo as passagens intermediárias”, revela.

SER POETA
Efigênia Coutinho

A noite sempre cálida me espera,
Tenho em versos a recente emoção
Da inquietude que abraça a quimera,
Enquanto no meu peito pulsa a oração.

A noite ouve o acalanto, esta voz
Que brada a rima solta, e então viajo;
E busco o sopro terno do ninar em nós,
Onde se farta o frêmito voraz, que trajo.

Lá , ao vento espalhado, e envolto,
Meu verso solto, que diz: mortal, eu sou,
Na arte que te fecunda e faz envolto…

Porque ser poeta é ser alguém que embelezou
A prosa e o lado vil do caso vário,
E deu-se a Deus que equilibra este rosário.

Flávio promete governo próprio, mas mantém Bolsonaro como principal conselheiro

Cariocas e vítimas da violência, vejam só o que Lula realmente pensa de vocês

Band vence Globo com debate Lula x Flávio Bolsonaro - 18/10/2026 - Outro  Canal - F5

Lula deu bobeira e chamou os cariocas de “malandros”

Rogério Pires
Revista TimeLine

Faltavam poucos minutos para o fim do primeiro bloco quando o presidente da República resolveu explicar ao Brasil o que pensa de quem nasceu no Rio de Janeiro. Diante das câmeras da Band, no primeiro encontro com Flávio Bolsonaro em toda a campanha, Lula chamou o adversário de “malandro carioca”.

Não foi escorregão de botequim. Foi escolha de palavra, em horário nobre, a uma semana do segundo turno. Eu estudei na Escola Técnica Visconde de Mauá, em Marechal Hermes. Saí de lá técnico em eletrônica e passei mais de vinte anos no serviço público ao lado de gente que pega trem lotado antes de o sol nascer e só volta para casa à noite. Professores, enfermeiras, vigilantes, estudantes que conciliam emprego e curso noturno. Conheço o carioca de perto. Malandro não é a palavra que me vem à cabeça.

DEFORMAÇÃO – Para o presidente, porém, o lugar de nascimento parece bastar como acusação. Ele colou a origem a um defeito de caráter, como quem repete piada velha em mesa de bar. Flávio abriu o bloco seguinte prestando solidariedade aos moradores do Rio. Fez o que qualquer representante do estado deveria fazer.

A segunda cena foi ainda mais reveladora. Ao falar de Dani Marques, coordenadora do programa econômico da campanha adversária, Lula não disse o nome dela. Chamou-a de “sua mulher da economia”.

Pense no peso dessa expressão. Daniella Marques nasceu em Barra Mansa, é economista formada pela PUC-Rio e presidiu a Caixa Econômica Federal, um dos maiores bancos públicos do país. Foi demitida pelo próprio Lula em janeiro de 2023. Ele conhece bem a trajetória dela. Escolheu apagar o nome e reduzi-la a um pronome possessivo, como se ela pertencesse a alguém.

“TOMAR TOQUE” – Flávio chamou a fala de machista e definiu Dani como uma profissional capacitada e gabaritada. E não é a primeira vez. No fim de setembro, a própria Dani classificou como abjeta outra declaração do presidente, aquela em que ele disse que as mulheres se acostumam a “tomar toque” desde pequenas.

Quantas vezes uma mulher competente precisa ouvir isso até alguém dizer basta? Não é deslize. É padrão. Quem acha que a noite de domingo foi um acidente não acompanhou os últimos 26 anos.

Em 2000, enquanto ajeitava a gravata do candidato do PT à prefeitura de Pelotas antes de uma gravação, Lula perguntou se aquela era uma “cidade-polo, exportadora de veados”. A piada virou capítulo obrigatório no catálogo de falas preconceituosas da política brasileira.

GRELO DURO – Em 2016, um grampo da Lava Jato registrou o então ex-presidente cobrando do aliado Paulo Vannuchi uma reação das deputadas do partido: “Cadê as mulheres de grelo duro do nosso partido?”

Em julho de 2023, em Cabo Verde, disse ter profunda gratidão à África por tudo o que foi produzido em 350 anos de escravidão no Brasil. Até a própria ministra da Cultura na época, Margareth Menezes, condenou e admitiu que a frase foi “mal colocada”.

Em fevereiro de 2024, numa fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, havia uma jovem negra no palco. Chamava-se Luiza Eduarda Leôncio, tinha 20 anos, estudava engenharia na Universidade Federal do ABC e acabara de ser eleita a melhor aprendiz da montadora, com direito a representar o Brasil num evento na Alemanha.

MÉRITO E COR – Lula olhou para ela e imaginou que fosse cantora. Depois explicou ao público por que pensou assim: “uma afrodescendente assim gosta de um batuque, de um tambor”. Luiza estava ali pelo mérito. O presidente só enxergou a cor.

Em julho de 2024, no Palácio do Planalto, comentou uma pesquisa que mostra o aumento da violência contra a mulher depois dos jogos de futebol. E soltou: “Se o cara é corintiano, tudo bem, como eu”. Quem respondeu à altura foi a ministra das Mulheres do governo dele, Cida Gonçalves, ao dizer que não aceita piadinha nem de presidente da República.

Em agosto de 2025, em Sorocaba, ao lançar unidades do Brasil Sorridente, Lula contou que mandou arrancar de uma revista oficial a foto de um senhor negro que sorria. A intenção declarada era condenar o preconceito da imagem. A frase que ele escolheu para isso foi “um cara sem dente e ainda negro”. Rendeu notícia-crime na PGR, protocolada pelo deputado Helio Lopes.

PRECONCEITUOSO -Seis episódios. Gays, mulheres, negros, vítimas da violência doméstica. Em todos, a mesma defesa: brincadeira, frase tirada de contexto, má vontade de quem ouviu.

E então veio o momento que vai ficar. No debate, pouco antes, Flávio havia citado casos de pessoas assassinadas por condenados que estavam fora da cadeia. Lula respondeu defendendo os bandidos condenados, sem a menor cerimônia ou qualquer sentimento ou ainda, preocupação com as vítimas.

Aí veio a pergunta que ele não queria ouvir. Por que quase três em cada quatro presos votaram nele no primeiro turno? O número é do TSE: 72,6% dos votos válidos nas seções dos presídios. Lula não explicou. Dobrou a aposta. “Eu quero que vote cem por cento.”

Em tom de deboche. E parte da plateia riu junto. Flávio, não. “Você foi eleito por aclamação nos presídios, você representa eles”, devolveu.

AULA DE CIVILIDADE – Na mesma noite em que defendeu quem cumpre pena, o presidente transformou o voto da cadeia em piada de palco. Duvido que as famílias das vítimas citadas minutos antes tenham achado graça.

Ao chegar à Band, Lula disse esperar que o debate fosse uma aula de civilidade. Saiu de lá tendo chamado o adversário de miliciano, de malandro carioca e de mentiroso contumaz. O clima esquentou tanto que, nas considerações finais, o debate precisou ser interrompido em meio aos gritos.

Propaganda eleitoral tem edição, trilha sonora e luz bonita. Debate ao vivo não tem. Por isso ele importa tanto. É ali que o candidato aparece sem filtro. E o Brasil viu, numa só noite, o que o presidente pensa do Rio de Janeiro, das mulheres que discordam dele e das vítimas da violência.

HAVERÁ REAÇÕES – Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. A disputa segue aberta e se decide no próximo domingo, 25 de outubro.

Até lá, cada carioca que já foi tratado como suspeito por causa do CEP, cada mulher que já foi apresentada como “a mulher de alguém” numa reunião, cada jovem negro que já teve o mérito confundido com estereótipo e cada família que ainda espera justiça terá uma semana para pensar no que ouviu. Eu já pensei. E não vou esquecer.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente artigo, enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas. Mostra que o maior inimigo de Lula chama-se Luiz Inácio. Cada vez que ele fala, o petista perde votos. (C.N.)

Flávio apaga posts em que atacava Bolsa Família e chamava benefício de “bolsa-farelo”

Quando o debate político se radicaliza, perde de vista o verdadeiro Brasil

PGR barra investigação pedida por Moraes contra Mendonça

Vorcaro ordenou ataque para “moer” diretor do BC que defendia liquidação do Master

Ao evitar que surgissem novos líderes, Lula acabou liquidando o futuro do PT

Dá pra apontar um vencedor do debate com presidenciáveis na Band?

Lula se atrapalhou todo e facilitou a vida de Flávio

Carlos Newton

Desde a primeira disputa da redemocratização, entre Lula da Silva e Fernando Collor, na eleição de 1989, jamais ocorreu um debate tão importante quanto o realizado neste domingo pela Band.

Naquela época colorida, o jovem político alagoano destruiu o sindicalista com a maior facilidade, simplesmente exibindo uma pasta na qual dizia haver documentos e fotos mostrando que Lula nada tinha de operário, vivia no maior conforto numa casa própria de dois andares sem pagar aluguel, tinha automóvel e até um aparelho 3 em 1, o eletrodoméstico sonho de consumo da classe média, com rádio, vitrola e televisão no mesmo móvel.

ERA TUDO VERDADE – Lula ficou encagaçado, Collor nem chegou a exibir os documentos e apenas mencionou que na sala de Lula havia o aparelho 3 em 1. Foi o que bastou para emparedar o criador do PT.

O debate foi favorável a Collor, e os jornais deram grande destaque ao eletrodoméstico. Porém, para garantir a eleição, o jornalista Alberico Souza Cruz, a pedido da direção da TV Globo, conduziu a famosa edição do vídeo para destacar o desempenho do político alagoano.

Naquela época, Lula tinha fortes motivos para temer as informações de Collor, porque ainda recebia pagamento para atuar como agente infiltrado pelo regime militar entre os sindicalistas, seu protetor Romeu Tuma era diretor-geral da PF e já tinha sido  convidado a integrar a equipe do governo Collor, acumulando a direção da Receita Federal.

INFERIORIDADE – Quase quarenta anos depois, Lula volta a participar de debate, novamente em situação de inferioridade. Antes, perdera pela inexperiência, mas agora foi a idade que pesou, na condição de mais velho presidente eleito no mundo.  

Apesar da idade, a arrogância de Lula não tem limites, ele julgou que Flávio Bolsonaro seria presa fácil, mas o debate não funcionou assim. Pelo contrário, o candidato do PL se preparou, estudou o que dizer e ensaiou até mesma a postura no estúdio.

Há quem ache que Lula se saiu bem no debate, mas minha ironia não chega a tanto. Foi o último debate presidencial de sua vida e talvez o último também do PT, porque o velho sindicalista não permitiu que surgisse nenhuma liderança alternativa, e hoje o PT ficou tão envelhecido e envilecido quanto Lula, que já não consegue presidir os próprios passos.

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P.S. 1 – Citei a expressão “envilecido” em homenagem a Rubem Braga, com quem eu e Paulo Peres trabalhamos alguns anos, na revista Nacional.  Na época, Braga era o rei dos cronistas, mas também fazia versos geniais, como em “Ao Espelho”, quando acordou de ressaca e se sentiu não apenas “envelhecido”, mas também “envilecido”, que é justamente o caso de Lula. (C.N.)

Ensinamento da Bíblia demonstra que não existe a “fraqueza” do liberalismo

Templo azul com cruz no topo, segurando balanças em cada lado, sobre ondas azuis. Sol amarelo ao fundo e olhos brancos conectados entre nuvens azuis no céu rosa.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

A relação entre a política e as religiões nem sempre significa apenas um fato negativo. Essa relação pode vir como parte de uma rica erudição bíblica, por exemplo. Sempre digo aos alunos que nunca falem frases do tipo “a Bíblia não está com nada” porque frases como essas revelam uma enorme ignorância acerca da literatura hebraica. Como dizem grandes autores como Roberto Calasso e Northrop Frye, a Bíblia é o clássico dos clássicos.

Mas, hoje, quero falar de um outro grande autor. Quero discutir algumas das ideias do cientista político e jurista americano Stephen Holmes, nascido em 21 de fevereiro de 1948. Sim, para quem tem boa memória, reconhecerá o nome que foi citado pelo ministro Edson Fachin, naquela terça-feira, 15 de setembro.

FREIOS E CONTRAPESOS – Até onde sei, apenas uma das suas obras está traduzida no Brasil, “O Custo dos Direitos: Por que a Liberdade Depende dos Impostos”, pela editora WMF Martins Fontes. Nesta obra, o autor defende a ideia de que direitos como propriedade privada e liberdade individual dependem de um Estado financiado pelos impostos que pagamos. Logo, como se sabe muito bem, direitos custam muito dinheiro.

Já o ministro Edson Fachin falava de Stephen Holmes e sua conhecida concepção de que quanto mais um poder é dotado de freios e contrapesos constitucionais, mais legítimo ele é. Portanto, os limites do poder, em vez de torná-lo fraco, tornam-no mais forte, devido à legitimidade que brota da constitucionalidade da sua ação institucional.

Esta ideia está presente em outras das suas obras, notadamente, “Passions and Constraint: On the Theory of Liberal Democracy”, de 1995.

LIMITES DA LEI – O ministro Edson Fachin buscava apontar para o fato de que o Supremo Tribunal Federal, e seus membros, deveriam se manter dentro dos limites da lei e da constitucionalidade, o que, infelizmente, até onde vemos, não tem acontecido, para o azar do Brasil e do seu Estado Democrático de Direito.

 

Uma das obras mais importantes de Holmes é “The Anatomy of Antiliberalism”, de 1993. Nesta obra, ele descreve várias críticas feitas pela tradição antiliberal não marxista, constituída por autores importantes como Joseph de Maistre, que viveu entre os séculos 18 e 19 —e que, portanto, foi testemunha da Revolução Francesa.

O alemão Carl Schmitt, o judeu alemão Leo Strauss, radicado nos Estados Unidos, o americano Christopher Lasch — famoso pelo seu “Cultura do Narcisismo” — são todos do século 20. O escocês radicado no Estado Unidos Alasdair MacIntyre e o brasileiro, também radicado nos Estado Unidos, Roberto Mangabeira Unger, estão entre os séculos 20 e 21.

CONTRADIÇÕES – Todos eles partilham da ideia, de um modo ou de outro, de que a democracia liberal e sua “gêmea”, a modernidade, sofrem de patologias políticas, morais e espirituais, causadas pelo seu individualismo exacerbado ou, o que parece essencialmente contraditório, pelo seu excesso de normas e controles burocráticos. Ou pelo seu consumismo e decorrente relativismo, ceticismo e niilismo.

Holmes discutirá cada um desses autores e suas críticas, apontando seus erros filosóficos e históricos, deixando claro que a fraqueza do liberalismo, na realidade, é falsa. O liberalismo tem demonstrado grande resiliência diante de seus inimigos, graças ao seu princípio de que a sociedade deve ser regida a partir das leis e não da vontade dos homens.

Mas voltemos ao parágrafo inicial acima. Uma obra de Holmes menos conhecida, escrita em parceria com Moshe Halbertal, é “The Beginning of Politics, Power in the Biblical Book of Samuel”. Na obra, a dupla mostra como o autor do livro de Samuel —ou os autores— anuncia uma “ciência política” que é “avant la lettre”, em que há um entendimento cristalino da natureza da monarquia e, portanto, do poder enquanto tal.

PEDIDO A DEUS – Quando Israel pede ao profeta Samuel que Deus lhes dê um rei para defendê-los das ameaças dos inimigos externos e do risco de escravização do povo —Israel era, até então, uma nação dividida em tribos que entravam em conflito entre si, tornando-os uma presa fácil para os inimigos externos, sendo Deus “seu único Rei”, mas ineficaz militarmente—, Deus cede ao pedido, concedendo-lhes um espaço de poder fruto de decisões unicamente humanas.

E aí virão Saul, Davi e seus descendentes. Os reis de Israel não serão reis-deuses como era o caso nos outros povos antigos.

Mas Deus avisa ao seu povo: o mesmo rei que os defenderá dos inimigos externos tomará seus filhos como soldados, suas filhas como servas sexuais, sua terra como impostos e, portanto, esse soberano que salva também oprimirá vocês. Assim foi escrito e assim será.

Por que a direita não está representada no segundo turno desta eleição

Muitos ataques, poucas ideias: o retrato do debate entre Lula e Flávio

Faltou conteúdo e sobrou despreparo no debate

Dora Kramer
Folha

Se era para fornecer ao país um show de grosserias e despreparo no trato de questões substantivas, teria sido melhor que Luiz Inácio da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) mais uma vez fugissem de um confronto de ideias. No debate deste domingo (18), mostraram que lhes falta exatamente essa matéria-prima.

Nenhum dos dois compareceu munido de argumentos para discorrer sobre temas do interesse coletivo e cobrar do adversário provas de conhecimento e capacidade para presidir o Brasil. Foram pintados para uma guerra de insultos mútuos que resultou em lamentável empate no quesito ausência de conteúdo.

DESEMPATE – O encontro da Band seria até mais importante que o da Globo, previsto para a próxima sexta-feira (23), porque em tese pautaria a última semana de campanha, poderia balizar um desempate e finalmente introduzir na cena as afamadas e tão sumidas propostas.

Os moderadores levantaram assuntos importantes e objetivos, tais como saúde, segurança pública, produtividade e equilíbrio de contas, mas os oponentes não pareciam interessados nessas miudezas. Queriam mesmo é explorar a rejeição do outro aos socos e pontapés retóricos, com muito exagero, nenhuma sutileza, pouca inteligência e déficit de criatividade.

EXALTAÇÃO – As torcidas sempre acharão uma maneira de exaltar o desempenho do predileto. Os fãs de Flávio Bolsonaro dirão que estava desenvolto e mais bem treinado; esquecerão o ar de deboche e o jeito moleque. Os entusiastas de Lula apontarão seus lances de bom rebate e dedo posto nas feridas certas; não falarão sobre o desacerto em cena e as falhas de raciocínio.

Nada disso vai tirar de casa aquele contingente que faltou no primeiro turno e dificilmente animará o pessoal dos votos nulos e brancos a fazer uma opção. Os indecisos que acharem por bem se decidir pelo que viram na TV, já terão virado torcida. Os dois finalistas frustraram as expectativas de um embate produtivo e, assim, na base da inércia caminham para o debate final, de onde não sairá nada melhor.

Supremo manda recado a Flávio Bolsonaro sobre impeachment de Moraes

Tribunal só rifaria Moraes se Marques deixar a corte

Bela Megale
O Globo

A troca de recados e gestos entre interlocutores de Flávio Bolsonaro com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) se intensificou após o candidato do PL ser o primeiro colocado no primeiro turno das eleições.

Nesse cenário, ministros que publicamente ainda se mostram resistentes a um governo Flávio já têm mantido conversas mais frequentes com o grupo do senador e mandado recados sobre temas que consideram caros ao Supremo.

IMPEACHMENTE DE MORAES – Entre eles está o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, bandeira de boa parte dos senadores de extrema-direita eleitos e também da campanha de Flávio.

O sinal dado até o momento é que o tribunal só aceitaria rifar Moraes se o ministro Kassio Nunes Marques também deixar a corte. Nunes Marques foi indicado ao STF por Jair Bolsonaro e aparece ao lado de Moraes como um dos nomes do Supremo mais implicados nas relações com Daniel Vorcaro.

Na campanha, vale até mudar de ideia; porém, depois da eleição, vem a conta…

Lula rompe com Nunes Marques e acusa ministro de favorecer Flávio Bolsonaro