STF dá prazo à PGR sobre novo pedido de Bolsonaro para anular condenação

Nunes Marques dá 10 dias para PGR se manifestar

Márcio Falcão
G1

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriu prazo nesta quarta-feira (28) para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste em 10 dias sobre um segundo pedido apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para anular a condenação de 27 anos e três meses na trama golpista.

O novo pedido da chamada revisão criminal foi apresentado na semana passada com base em novos argumentos, como um parecer técnico que teria identificado problemas na cadeia de custódia de provas (mecanismos para proteger o material) e limitações para verificar parte das provas digitais utilizadas no processo.

CASO MASTER –  Também há menções à crise do caso Master, como declarações do ministro Alexandre de Moraes sobre o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro. A Procuradoria vai avaliar se as questões levantadas pela defesa justificam ou não uma reavaliação do caso.

Em junho, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, defendeu que o STF rejeite o primeiro pedido de revisão da condenação por entender que não foram apresentadas questões ou fatos novos que justifiquem derrubar a condenação.

CONTESTAÇÃO – A revisão criminal é uma ação que permite contestar uma condenação que já se tornou definitiva, em situações previstas em lei, como diante do surgimento de novas provas.

A medida não representa um novo julgamento e é considerada excepcional. O objetivo do instrumento é corrigir erros judiciários e precisa apresentar novos elementos de provas que possam comprovar a inocência como: comprovar que a sentença foi contrária à lei penal ou às provas do processo; comprovar que a sentença que se baseou em depoimentos, exames ou documentos falsos

Expectativa de guinada liberal frustrada põe mercado em alerta após vitória de Lula

Celso de Mello reage a Flávio: “Ninguém adquire mandato presidencial por autoproclamação”

Os pobres reelegeram Lula e agora serão chamados para pagar essa conta

A taxa de juros no governo Lula 3 é uma das mais altas do século… mas a  culpa é sempre dos outros e nunca da irresponsabilidade do atual governo.  Enquanto a imprensa

Taxa de juros de Lula é mais alta desde o governo FHC

Diogo Pasuch
O Observador

Escrevo já do Brasil. A passagem por Portugal foi curta, mas das que deixam marca, e trouxe-me de volta com a mala cheia de conversas e de saudades. Aterrei a tempo de ver meu país escolher, pela quarta vez, Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado foi apertado. Lula teve 51,8% dos votos e Flávio Bolsonaro 48,2%, com a contagem praticamente concluída. Quase metade do país votou contra o presidente eleito.

Na manhã seguinte, votou o mercado. E o veredicto foi imediato. Na segunda-feira, o dólar subiu mais de 12% numa única sessão e passou de R$ 4,99 para R$ 5,40. A bolsa de São Paulo caiu cerca de 16% e acionou o circuit breaker, o mecanismo que suspende as negociações quando a queda é excessiva, coisa que não acontecia desde março de 2020, em plena pandemia. Os juros de longo prazo subiram quase dois pontos percentuais de uma assentada, de cerca de 12,6% para perto de 14,5%.

FALA O DINHEIRO – Um contabilista lê estes números como quem lê um balanço. Não são opiniões, são preços. E o que os preços dizem é que quem empresta dinheiro ao Estado brasileiro passou a exigir mais para fazê-lo, porque deixou de acreditar que o receberá de volta sem sobressaltos.

A desconfiança tem fundamento. No discurso de vitória, segundo a imprensa brasileira, Lula não disse uma palavra sobre contas públicas. Também não era preciso, porque já o tinha dito durante a campanha. No fim de agosto, numa entrevista televisiva, afirmou: «A mim não preocupa a dívida pública». Duas semanas depois, num comício em Curitiba, foi mais longe: «É preciso parar com essa babaquice de fazer superávit». Para o leitor português, babaquice é disparate, e superávit é o excedente orçamental.

TUDO MUDOU – Há uma ironia nisto. O Lula do primeiro mandato, com Antonio Palocci nas Finanças, surpreendeu os mercados precisamente com excedentes orçamentais robustos, e foi assim que conquistou a confiança dos investidores.

O Lula do terceiro mandato foi outro. E o candidato ao quarto conseguiu prometer, na mesma campanha, um excedente de 1,3% do PIB até 2030 e o fim da babaquice de atingir a meta. O mercado escolheu acreditar no Lula de Curitiba.

As contas não são pequenas. Um levantamento da imprensa brasileira, que acompanha desde agosto as medidas lançadas pelo Governo em ano eleitoral, chegou a uma conclusão sem rodeios: Lula gastou R$ 405 mil milhões, aproximadamente € 67 mil milhões, para se reeleger.

MUITO DINHEIRO -Para se ter uma ideia da escala, é mais de um quinto de tudo o que Portugal produz num ano. O Palácio do Planalto garante que não se trata de gastos eleitorais, mas de ações indispensáveis. Curiosamente, muitas tornaram-se indispensáveis a poucos dias da eleição.

Esse dinheiro não cai do céu. Ou vem de dívida, que se paga com juros, ou vem de impostos. E aqui o histórico é conhecido. Pelas minhas contas, o terceiro mandato de Lula somou 36 medidas que criaram ou aumentaram impostos, uma a cada 27 dias. Foi o suficiente para que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ganhasse nas redes sociais a alcunha de Taxad. Quem promete dar tudo a todos acaba sempre por ir buscar a alguém.

Quem paga a conta? O contribuinte, como sempre. Quem acompanha esta coluna sabe que não consigo olhar para um número público sem desconfiar dele, e este não é exceção. Mas há uma parte da fatura que não aparece em nenhum orçamento, e essa é a mais injusta.

INFLAÇÃO INEVITÁVEL – O dólar mais caro chega aos preços. Encarece o combustível, os fertilizantes, o trigo, os medicamentos, tudo o que o Brasil importa ou que é cotado em dólares. A inflação que daí resulta não pesa da mesma forma em todos os bolsos. Pesa mais em quem gasta quase todo o rendimento em comida e transporte, que é precisamente quem deu a Lula a vitória.

E pesa sobre famílias que já não têm folga. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, 81,7% das famílias brasileiras estavam endividadas em setembro, perto do máximo da série, e quase três em cada dez tinham contas em atraso. Para estas famílias, juros altos não são uma notícia de economia. São a prestação do cartão, do crediário, do empréstimo que nunca acaba.

E há o outro lado. Com a taxa Selic em 13,75% e o mercado a apostar agora que dificilmente descerá depressa, o Brasil continuará a pagar aquilo a que já chamei aqui a bolsa milionário.

DINHEIRO FÁCIL – Quem tem R$ 1 milhão, aproximadamente € 167 mil, aplicado em títulos do Tesouro, recebe cerca de R$ 10 mil por mês, aproximadamente € 1.670, já líquidos de impostos. São perto de R$ 120 mil por ano, aproximadamente € 20 mil, sem trabalhar, sem arriscar, sem sair de casa.

Para um leitor português, o número diz muito. Num país a atravessar uma crise de habitação, em que a renda média em Lisboa já ultrapassa o salário mínimo, € 1.670 por mês chegam para pagar uma casa na capital.

No Brasil, recebe-os quem já tem dinheiro, enquanto quem não tem paga juros para comprar uma geladeira.

PARECE FICÇÃO – Para um leitor europeu, habituado a juros de referência à volta de 2% ao ano, isto parece ficção. No Brasil é rotina. O Estado paga juros altos porque não inspira confiança, e quem tem dinheiro para lhe emprestar é recompensado por essa desconfiança.

O resultado é um paradoxo que nenhum discurso de vitória explica. O governo que se apresenta como o dos pobres financia-se a pagar juros aos ricos. E cada babaquice dita num comício faz subir o prémio. Assim, o pobre votou na promessa, enquanto o rico vai receber os juros.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente artigo, enviado por Mário Assis Causanilhas. O autor, Diogo Pasuch, é um dos maiores especialistas em tributos. Seu texto explica por que no Brasil quem paga mais impostos são os pobres, que nem sonham em fazer investimentos financeiros, enquanto os ricos são beneficiados pelos altos juros. É uma política injusta e essencialmente brasileira, porque todos os países do mundo sonham em praticar juros baixos, menos o Brasil. Mas quem se interessa? (C.N.)

Aliado de Lula defende anistia que beneficiaria Bolsonaro e abre debate no Senado

Lula aposta em Motta e Alcolumbre para conter avanço da direita no Congresso

Ex-candidatos que apoiaram Flávio se dividem após saída do senador do Brasil

Um oceano de amor, que marcou a inspirada canção de Djavan

Djavan - OCEANO (Djavan) // Atendendo aos pedidos dos fãs, #Djavan incluiu  o clássico #Oceano em sua #TurnêVidasPraContar. Dedique esta música para o  seu grande amor e declare-se! Ouça: https://youtu.be/2kqdlAYNEzk | FacebookPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, compositor e produtor musical alagoano Djavan Caetano Viana, na letra de “Oceano”, mostra um amor que se encontra num estágio extremo de uma paixão parcialmente não correspondida, que, metaforicamente, associa às águas revoltas do alto-mar as incertezas e as dores emocionais.

Esta beíssima canção de amor foi gravada no CD Djavan, em 1989, pela CBS

OCEANO
Djvan

Assim
Que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim

Enfim
De tudo que há na terra
Não há nada em lugar nenhum
Que vá crescer sem você chegar
Longe de ti tudo parou
Ninguém sabe o que eu sofri

Amar é um deserto
E seus temores
Vida que vai na sela
Dessas dores
Não sabe voltar
Me dá teu calor

Vem me fazer feliz
Porque eu te amo
Você deságua em mim
E eu oceano
Esqueço que amar
É quase uma dor
Só sei
Viver
Se for
Por você

A fuga de Flávio desmonta o discurso de moderação do bolsonarismo

Tarcísio se fortalece e até admite que pode disputar a Presidência em 2030

Tarcísio de Freitas é eleito governador de São Paulo

Tarcísio critica os excessos de Moraes contra Flávio

Rebecca Macedo
CNN Brasil

O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (28) que pode disputar a Presidência nas próximas eleições em 2030.

“Terminando bem o segundo mandato, obviamente abre uma possibilidade. Mas isso é uma coisa que você avalia em grupo, não sozinho”, disse o governador em entrevista ao Estadão.

SEGUNDO MANDATO – Tarcísio declarou que no momento a prioridade é a gestão do estado de São Paulo em seu segundo mandato. Na entrevista, Tarcísio destacou que pretende finalizar obras, investir em uma aproximação de periferias, e dar atenção à questões como saúde e segurança pública, além de um investimento em infraestrutura.

Ainda segundo o governador, o presidente reeleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve enfrentar desafios na economia, e espera que ele realize reajustes fiscais em seu quarto mandato.

Também questionou como Lula vai cumprir com as promessas de benefícios que fez durante o período eleitoral.

FALTA DINHEIRO – “Você tem uma quantidade de gastos contratados enorme. De onde você vai tirar? E quem tem que responder isso é o próprio governo do PT. Qual é o ajuste que eles estão fazendo? Ninguém sabe, porque hoje a gente vive um cenário de incoerência fiscal”, questionou o governador paulista.

Como mostrou a CNN, com a saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil, Tarcísio já havia começado a reforçar um discurso com tom nacional e pregar a unidade entre a oposição do governo Lula, com destaque para um discurso sobre responsabilidade fiscal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – É uma grande notícia. Tarcísio respeita as urnas, mas não aceita os exageros de Moraes contra Flávio Bolsonaro. O governador já é favorito para 2030, o nome ideal para pacificar o país. É candidato para vencer logo no primeiro turno, sem mentiras ou promessas vãs. (C.N.)

PF indicia Vorcaro e mais 14 pela fraude bilionária envolvendo Banco Master e BRB

A fuga de Flávio expõe a gravidade da crise do bolsonarismo

Flávio pensa ter virado um estadista, mas se tornou apenas um medroso fujão

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto

Imaginem um treinador de uma equipe rebelde e perdedora. Que não respeita mais as ordens do fraco, petulante, confuso e enganador técnico, já rouco e cansado de tanto berrar e ser xingado pela furiosa torcida. A saída do treinador de meia pataca para tirar o time da zona do rebaixamento é passar a usar um possante megafone. É a última tentativa para tentar ganhar de volta o respeito do time, mas a paciência já é nenhuma.
Será mais ou menos este o patético discurso do fujão Flávio Miliciano, agora na bela Flórida e encantadora Miami, na tentativa de recuperar a confiança de aliados que deixou no Brasil.

FUGA COVARDE – Todos chupando o dedo, perplexos com a fuga covarde de um moleque ainda senador que permanece se arvorando de líder da extrema-direita. Mas está de longe, sem o carisma de um autêntico estadista, apenas com a capa de um covarde derrotado fujão.

Assim,  será difícil que parte influente de senadores e deputados se unam em torno das bainhas das calças do desprezível Flavinho Miliciano. Além de tudo, Flávio foi burro e açodado. Ficando no Brasil como verdadeiro democrata e correto homem público que sabe reconhecer a vontade das urnas, seria mais fácil para juntar os cacos da fragorosa e feia derrota e unir forças com a bandeira de uma verdadeira e necessária oposição.

Mas o menino que não cresceu, esperança do Partido Liberal do agora decepcionado Valdemar Costa Neto,  preferiu fugir para as barras das calças do maluco e estúpido Donald Trump. Se dão bem. São todos da mesma laia podre e imunda. Os fujões do clã Bolsonaro estão juntos. Vão jogar golpe e debochar dos brasileiros. Nadando em boa grana do filme de terror do pai Jair. Vorcaro, bandido abonado do time estará por perto.

MENSAGEM DO IGNÁCIO – Recebi mais uma imagem do grande escritor e jornalistas Ignácio de Loyola Brandão, da Academia Brasileira de Letras.

Diz ele:

Vicente,

De minha infância em Araraquara, ainda guardo um provérbio, hoje mais do que adequado, justo, perfeito: “Fugiu de medo, cagou no dedo”.
Saudações,

Ignácio

Deputado italiano cobra explicações sobre cidadania de Flávio Bolsonaro

Angelo Bonelli apresenta pedido formal ao governo Meloni

Michele Oliveira
Folha

O deputado italiano Angelo Bonelli apresentou um pedido formal de respostas ao governo italiano sobre o modo com que o senador Flávio Bolsonaro (PL) e os irmãos obtiveram a cidadania italiana. O senador usou o passaporte italiano para entrar na Argentina, uma das etapas de sua fuga até os Estados Unidos.

Entre parlamentares de oposição ao governo de Giorgia Meloni, existe há anos a suspeita de que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) possam ter tido tratamento privilegiado na tramitação do pedido de reconhecimento da cidadania por descendência na Embaixada da Itália em Brasília.

DESTAQUE NA IMPRENSA – O uso do passaporte italiano no roteiro de fuga de Flávio ganhou destaque na imprensa italiana, em um momento em que são debatidos os efeitos da lei que, no ano passado, restringiu o acesso à cidadania para descendentes nascidos fora do país europeu.

No documento apresentado na tarde desta quarta-feira (28), Bonelli pede explicações aos ministérios de Relações Exteriores e do Interior sobre as datas e a modalidade com que os irmãos Bolsonaro obtiveram a cidadania. Ainda não há prazo para a resposta do governo, que ocorrerá no plenário da Câmara.

Segundo informações fornecidas anteriormente pelo governo Meloni, Flávio e Eduardo fizeram pedido para entrar na lista de espera para o reconhecimento da cidadania em Brasília em 2020. Em 2022, nove dias depois das eleições em que Jair saiu derrotado, eles estiveram na embaixada italiana para dar início à tramitação do pedido.

PEDIDO DE RESPOSTAS – No ano passado, em outro pedido de respostas apresentado por Bonelli, dessa vez no âmbito da fuga da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), a subsecretária do Interior, Wanda Ferro, confirmou que Flávio e Eduardo obtiveram a cidadania em 2023, enquanto o documento de Carlos foi liberado em 2024. Jair Bolsonaro não tinha até aquele momento a cidadania. Com a cidadania certificada, é possível fazer o pedido de documentos de identificação, incluindo o passaporte.

Bonelli menciona na sua interpelação que, no período em que Flávio fez o pedido de cidadania, as solicitações apresentadas nos consulados italianos do Brasil chegavam a demorar cerca de dez anos para serem processadas. Isso devido ao grande volume de descendentes italianos no país e à alta no interesse em obter o documento.

“Parece necessário verificar se os filhos do ex-presidente Bolsonaro foram convocados respeitando a ordem cronológica da lista de espera ou se foram beneficiados por tratamento preferencial em relação aos demais requerentes”, escreve Bonelli.

LISTA DE PERGUNTAS – Ele faz uma lista de perguntas aos ministérios, que inclui datas exatas de inscrição na lista de espera, de convocação e apresentação de documentos, além da posição dos irmãos Bolsonaro em comparação a outros requerentes. O deputado questiona se o governo pretende abrir uma investigação para apurar o caso.

Bonelli cita que Flávio é alvo de investigações no Brasil e lembra que Zambelli também usou o passaporte italiano em sua fuga. “O caso da ex-deputada, que depois da sua condenação no Brasil declarou que se sentia ‘intocável’ na Itália graças ao passaporte italiano, demonstra o risco de a cidadania italiana ser usada para subtrair-se da justiça do próprio país”, diz.

Entre os líderes da coalizão de direita no poder, o vice-premiê Matteo Salvini é o mais próximo da família Bolsonaro. Ele havia parabenizado o senador pelo primeiro lugar no primeiro turno. Na segunda-feira (26), Meloni parabenizou em nota o presidente Lula (PT) pela reeleição.

Confiante na impunidade, Moraes agiu de forma ilegal contra Flávio Bolsonaro

Alexandre de Moraes e o golpe, Leite interrompe as férias e outras frases  da semana | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Newton

Já escrevi aqui, diversas vezes, que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, tem demonstrado enfrentar problemas sérios de equilíbrio emocional, que exigem tratamento e reabilitação, o mais rápido possível. Nem é preciso convocar junta médica, fazer exames e discutir diagnóstico. Basta analisar seu comportamento e as decisões que toma, solitariamente ou em conjunto com seus apaniguados, especialmente o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A jornalista Malu Gaspar, por exemplo, publicou uma notícia gravíssima, que revela a que ponto de descaramento chegamos, ao informar que o diretor do PF pediu a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro apenas sete minutos depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter anunciado o resultado das eleições. Jamais poderia fazer isso, porque Flávio ainda é senador da República.

PERSEGUIÇÃO? – Em tradução simultânea, isso significa que o diretor Andrei Rodrigues, no domingo da eleição, colocou de plantão um alto servidor da PF com a única e exclusiva incumbência de pedir ao STF a retenção dos passaportes.

E o ministro Alexandre de Moraes também ficou de plantão no domingo, para emitir a tempo e a hora essa ordem de apreensão.  Assim, foi um conluio feito às claras, como se a Justiça pudesse funcionar à la carte, ao gosto do freguês, em acordo entre os dirigentes dos poderes da República.

E o pior é saber que a decisão era totalmente ilegal, não importava quem vencesse a eleição, porque Flávio Bolsonaro ainda é senador da República e ainda nem foi incriminado, existe apenas investigação em andamento, ainda não foi feita denúncia. Portanto, não é réu nem pode se defender, porque sequer há acusação.

RESULTADO SABIDO – O esquema funcionou como se a dupla Andrei/Moraes já soubesse de véspera que Flávio perderia e aqueles votos de Caiado, Cury, Renan e Zema tivessem passado totalmente para Lula. Aliás, podia-se acreditar em tudo, depois daquele estranhíssimo apagão do primeiro turno, quando Flávio ameaçava vencer direto e Lula se recuperou no final.

De toda forma, era como se a apreensão dos passaportes tivesse sido preparada e emitida confiante na derrota de Flávio. Se ele ganhasse, é claro que Andrei e Moraes não teriam coragem de descumprir a Constituição, que protege os presidentes eleitos.

“O Presidente da República, na vigência de seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções” (Artigo 186, § 4º). Além do mais, processos por crimes comuns, como é o caso, só ocorrem com autorização de 2/3 da Câmara dos Deputados e julgamento pelo STF.

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P. S. 1 –
Na avaliação do ministro aposentado Marco Aurélio Mello, ex-presidente do STF, a retenção dos passaportes restringe a liberdade de ir e vir de um senador, representante do povo. ‘Portanto, vejo como uma extravagância essa medida tomada em etapa inicial da apuração, em relação a um ex-candidato à Presidência da República, que teve o nome sufragado por milhões de eleitores”.

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P.S. 2
– Posso estar enganado, mas acho que Flávio deveria ter ficado no país, para mostrar que seu mandato de senador tinha de ser respeitado, para provar que é inocente e para lutar de peito aberto contra quem o persegue. A inocência é uma arma poderosa e invencível na democracia, mas é preciso muita coragem para defendê-la. (C.N.)  

Fuga de Flávio Bolsonaro pode abrir caminho para prisão preventiva, avalia PF

Jair Bolsonaro pede um encontro com Valdemar após fuga de Flávio

Listas de boicote a empresários expõem nova frente da guerra política após eleição

Empresários relatam ameaças e temem prejuízos

Gabriela Cecchin
Cristiane Gercina
Catarina Scortecci
Folha

Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição deste domingo (25), empresários que teriam apoiado a reeleição do presidente passaram a ser expostos em listas que incentivam boicotes e circulam nas redes sociais e em grupos de apoiadores do candidato derrotado, o senador Flávio Bolsonaro (PL).

A Folha viu listas do tipo em capitais como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, além de cidades do interior de São Paulo e de Minas Gerais. Empresários ouvidos pela reportagem relatam desde ameaças e mensagens hostis até o receio de perder clientes. Alguns afirmam ter sido incluídos mesmo sem declarar publicamente seu voto. Em certos casos, a circulação das mensagens também motivou manifestações de apoio.

LIVRE MANIFESTAÇÃO – A livraria Martins Fontes, em São Paulo, foi incluída em uma delas. O dono da empresa, Alexandre Martins Fontes, 65, afirma que continuará manifestando publicamente seu apoio a candidatos nas eleições, apesar das ameaças de boicote. A empresa declarou voto em Lula em 2022 e neste ano.

“Eu respeito totalmente a decisão dos nossos clientes de votarem em quem eles quiserem, como eu gostaria que eles respeitassem a nossa decisão de publicamente dizer quem é o nosso candidato”, afirma.

Segundo o empresário, nas duas eleições houve pessoas que disseram que deixariam de comprar na livraria devido ao posicionamento político. Mas ele afirma não se arrepender e considera que a decisão de apoiar um candidato faz parte da liberdade de expressão.

DIFERENTES CORRENTES – Fontes diz que a escolha está relacionada à defesa dos livros, da educação, da leitura e da cultura. Ele ressalta que a livraria comercializa obras de diferentes correntes ideológicas, inclusive de autores de direita e de pessoas que apoiam Jair e Flávio Bolsonaro. “Acredito que o papel da livraria é justamente expor tudo que se produz de cultura e de pensamento”, diz.

O empresário afirma não estar preocupado com os possíveis efeitos do boicote e diz que a livraria cresceu nos últimos quatro anos. Para ele, clientes que valorizam o trabalho da empresa continuarão frequentando o estabelecimento, independentemente de suas preferências políticas.

LISTA DE BOICOTE – O empresário Rodrigo Oliveira, proprietário e chef do restaurante Mocotó, também incluído na lista de estabelecimentos que deveriam ser boicotados, segundo bolsonaristas, diz que irá atender todos os clientes bem, independentemente de seus posicionamentos políticos ou de qualquer lista de boicote.””Acolher bem, sem olhar a quem” é nosso valor mais importante. Assim, até mesmo boicotadores serão muito bem recebidos quando sentirem saudades.”

A situação é diferente para pequenos empresários de cidades menores que dizem ter sido incluídos nas listas sem terem declarado publicamente suas preferências eleitorais. Paula Ramos, 38, empresária do ramo de beleza em Ourinhos (SP), soube por uma cliente que seu nome havia sido incluído em uma lista de estabelecimentos que deveriam ser boicotados. Ela afirma que nunca manifestou publicamente seu posicionamento político justamente para respeitar clientes de diferentes ideologias.

“As pessoas estão deduzindo que sou de esquerda, que votei no PT [Partido dos Trabalhadores], simplesmente por eu não ter me manifestado. E, mesmo que eu tivesse me manifestado, não poderia ser assim”, afirma.

REPERCUSSÃO – Flávio Bolsonaro recebeu 61,82% dos votos válidos no segundo turno em Ourinhos, contra 38,18% de Lula. “É muito triste você ver seu nome numa lista como se fôssemos criminosos. Criminosos são essas pessoas que querem rebaixar o trabalho de outras”, diz. Segundo ela, a repercussão teve um efeito diferente do boicote pretendido: passou a receber mensagens de apoio e carinho, além de contatos de novas clientes interessadas em agendar procedimentos.

“O respeito precisa ser mantido, porque senão a gente vai terminar numa guerra”, afirma. A empresária diz que conversou com um advogado sobre possíveis medidas legais.

POSICIONAMENTO – Em Serrana, no interior de São Paulo, Francisco Meghelli, 34, dono do grupo Meghelli, afirma que já esperava que a imobiliária da família fosse incluída em uma lista de boicote porque havia manifestado publicamente seu posicionamento político.

Na cidade, Flávio recebeu 54,69% dos votos válidos no segundo turno, ante 45,31% de Lula. Depois de publicar um vídeo sobre o caso nas redes sociais, Meghelli diz ter recebido relatos de pessoas que deixariam de comprar imóveis com a empresa, embora ainda não tenha identificado prejuízos financeiros concretos.

O empresário também relata que familiares de uma pessoa que compartilhou a lista foram até ele para pedir que retirasse a publicação. Segundo ele, a abordagem teve tom ameaçador. Meghelli afirma que pretende registrar um boletim de ocorrência e buscar indenização, assim como outros comerciantes citados nas listas.

REFLEXOS – Para ele, os efeitos da campanha podem ser mais graves para pequenos negócios, que dependem diretamente do movimento de clientes. Meghelli cita o caso de uma cabeleireira que, segundo ele, teve três clientes desmarcando procedimentos após a circulação da lista. Também relata que funcionários de um ponto de venda de açaí foram xingados.

O empresário diz que a reação pública às listas pode ajudar a conter a intimidação. Depois de publicar o vídeo, afirma que um dos grupos em que as mensagens circulavam foi excluído.

Em outros casos, a preocupação envolve mensagens que mencionam possíveis ataques físicos. Um estabelecimento vegano de Curitiba, que pediu para não ser identificado, afirma que já havia aparecido em listas semelhantes. O espaço tem decoração com referências políticas e, por isso, os responsáveis dizem que o boicote em si não costuma afetar tanto o negócio.

ONDA DE AVALIAÇÕES – Em ocasiões anteriores, porém, o estabelecimento foi alvo de uma onda de avaliações negativas na internet. Os responsáveis afirmam que não receberam ameaças diretamente, mas foram alertados por pessoas com acesso aos grupos em que as conversas circulavam.

Em capturas de tela de um grupo da capital paranaense há mensagens de hostilidade contra consumidores de esquerda. Um dos participantes afirma que aumentaria em 30% o preço cobrado de clientes petistas e que eles não seriam bem-vindos no estabelecimento.

Em Curitiba, Flávio recebeu 62,29% dos votos válidos, contra 37,71% de Lula. Os responsáveis pelo estabelecimento afirmam que, por enquanto, não pretendem tomar providências judiciais, mas poderão reavaliar caso ocorra algum ataque direcionado ao negócio.

PELA SEGUNDA VEZ – A proprietária de uma farmácia no interior de Mato Grosso, que também não quis ser identificada, afirma ter sido incluída pela segunda vez em listas que incentivam consumidores a boicotar estabelecimentos associados à esquerda.

Ela diz que evitava se manifestar publicamente sobre política por atender clientes com diferentes posicionamentos e por respeitar as opiniões dos funcionários. Mesmo assim, passou a ser alvo de comentários negativos e de mensagens que incentivavam as pessoas a não frequentar seu estabelecimento.

A comerciante, que se emocionou ao falar sobre o caso, teme que a campanha prejudique o negócio e os trabalhadores. Para ela, o boicote cria um ambiente em que as pessoas precisam esconder suas opiniões para serem aceitas na cidade.

MENSAGENS OFENSIVAS – Ela também relata a circulação de mensagens ofensivas contra nordestinos e afirma que pessoas atingidas pelas publicações estão reunindo capturas de tela, vídeos e números de telefone para documentar as mensagens.

O grupo pretende encaminhar uma denúncia ao Ministério Público e estuda medidas individuais contra participantes das conversas, por mensagens que considera homofóbicas e xenofóbicas.

A comerciante diz que um dos grupos usados para organizar as listas foi excluído depois que seus integrantes souberam que estavam sendo tomadas providências, mas que parte das conversas já havia sido salva. Em Mato Grosso, Flávio recebeu 66,06% dos votos válidos no segundo turno, contra 33,94% de Lula.

CONDENAÇÃO – Em julho de 2025, o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) condenou em segunda instância dois homens acusados de elaborar e divulgar uma relação de comerciantes considerados apoiadores da esquerda em Cafelândia, no interior paulista, após a eleição de 2022.

Os dois foram condenados pelo crime de perseguição, com penas em regime aberto e suspensão condicional da pena. Também tiveram de pagar indenização individual equivalente a dois salários mínimos para cada uma das sete pessoas citadas na lista que formalizaram reclamações.

Segundo a denúncia do Ministério Público, os comerciantes foram alvo de constrangimentos, perturbações no trabalho e prejuízos financeiros. O nome de uma lanchonete incluída na relação chegou a ser associado a um ataque com uma pequena bomba contra o estabelecimento.

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