Uma desesperada canção de amor mostra a desilução do poeta Augusto Meyer

E O POETA NÃO TEM MAIS PALAVRAS, PORQUE O AMOR ESTÁ LEVANDO TUDO, INCLUSIVE O SEU ORGULHO - Cariri é IssoPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, folclorista, ensaísta e poeta gaúcho Augusto Meyer (1902-1970), da Academia Brasileira de Letras, no poema “Gaita”, confessa que não tem mais palavras, porque seu amor não correspondido está levando sua vida, inclusive, seu orgulho.

GAITA
Augusto Meyer

Eu não tinha mais palavras,
Vida minha,
Palavras de bem-querer;
Eu tinha um campo de mágoas,
Vida minha,
Para colher.

Eu era uma sombra longa,
Vida minha,
Sem cantigas de embalar;
Tu passavas, tu sorrias,
Vida minha,
Sem me olhar.

Vida minha, tem pena,
Tem pena da minha vida!
Eu bem sei que vou passando
Como a tua sombra longa;
Eu bem sei que vou sonhar
Sem colher a tua vida,

Vida minha,
Sem ter mãos para acenar,
Eu bem sei que vais levando
Toda, toda a minha vida,
Vida minha, e o meu orgulho
Não tem voz para chamar.

Aos trancos, os Bolsonaros corroem o robusto capital político da família

Charge do J. Bosco (O Liberal)

Dora Kramer
O Globo

Os quase 60 milhões de brasileiros que optaram pelo candidato derrotado na eleição à Presidência tiveram seus votos inutilizados por ele. Em suma, foram feitos de palhaços.

No lance da fuga, de uma tacada, Flávio Bolsonaro (PL) revelou sua face golpista e mostrou-se um colosso em matéria de autodestruição. Virou as costas para o eleitorado, deixou no “ora, veja” os políticos aliados, provou-se inabilitado para liderar a oposição e lustrou de razão o equívoco tático de Alexandre de Moraes de retomar a ofensiva judicial na base da afobação.

FORAGIDOS – O senador em fim de mandato junta-se ao irmão deputado cassado e demais foragidos da Justiça homiziados nos Estados Unidos, para de lá viver a ilusão de ser “o verdadeiro presidente eleito”, o “líder do Brasil” ao molde de um perseguido político que, na realidade, é um investigado por crimes comuns.

A direita que foi até a boca da urna não chorou no velório. Todos os partidos, inclusive o PL do senador ora iludido, deixaram-no berrando sozinho. Ao autoproclamado líder da oposição, no momento faltam liderados. A conferir se o campo que o quase ex-senador pretende representar vai rever a posição e continuar prisioneiro de uma gente que desrespeita as regras ou se aproveita o ensejo para se libertar da política de arreganhos radicais.

A julgar pelo padrão de covardia na adversidade, lícito supor que o evadido em questão tremeria na base ante a enormidade e a gravidade dos problemas que teria de enfrentar caso tivesse alcançado o cargo que, vê-se, em boa hora a maioria lhe negou.

NOMES A ZELAR – Há, no campo que se aliou ao Bolsonaro da vez, políticos com nomes a zelar. Há também os oportunistas, o pessoal da arruaça digital e o contingente de reacionários. A uni-los, a sociedade no vexame.

No meio do desacerto, o certo é que mais um Bolsonaro sai da cena nacional. Ficam no Congresso Nacional os herdeiros: Carlos (PL-SC), Renato (PL-SP), Jair Renan (PL-SC) e Michelle (PL-DF) —dos quatro, a mais (única?) esperta.

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Gen. Villas Boas causou essa grave crise, ao “inventar” Jair Bolsonaro em 2018

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Sonho do general com a volta dos militares era pesadelo

Carlos Newton

Os militares adoram o poder, mas se recolheram aos quartéis e sumiram do mapa político devido ao fracasso da ditadura de 1964, que começou bem, ao fomentar o chamado “milagre brasileiro”, que transformou o Brasil no país de maior desenvolvimento econômico no século 20, mas depois se tornou um retumbante fracasso, com inflação descontrolada e moratória na dívida externa.

Essa passividade militar durou até 2015, no governo Dilma Rousseff, quando a então presidente nomeou o general Eduardo Villas Boas para o comando do Exército.

LINHA DURA – Villas Boas era um dos oficiais que jamais se conformaram com a devolução do poder aos civis, e decidiu assumir uma posição pró-ativa. O primeiro passo foi mandar a inteligência do Exército pesquisar se havia brasileiros saudosos do regime militar. E o resultado foi positivo.

A pesquisa mostrou que expressiva parcela de cidadãos estava disposta a votar num candidato militar que pudesse colocar ordem na atividade política, diminuir a corrupção etc. e tal.

De posse dessas informações, o comandante do Exército chegou à conclusão de que poderia utilizar a experiência de um militar na política, o capitão Jair Bolsonaro, que já estava no quinto mandato de deputado federal. Villas Boas convocou uma reunião com ele e o instruiu a lançar sua candidatura à Presidência, dizendo que as Forças Armadas iriam apoiá-lo com força total.

AVALIAÇÃO CORRETA – O general Villas Boas acertara em cheio a sua avaliação. Estávamos no apogeu da Lava Jato e a candidatura de Bolsonaro para pôr fim à corrupção logo ganhou apoio. Contraditoriamente, a corrupção era justamente uma especialidade secreta do deputado, já enriquecido ilicitamente com as rachadinhas e os negócios imobiliários em dinheiro vivo, mas o comandante do Exército não sabia nada disso, nem dava importância.

Quando essas peculiaridades vieram a público, mesmo assim Villas Boas não esmoreceu e continuou incentivando Bolsonaro. Houve então o atentado a faca, até hoje muito mal explicado, e Bolsonaro chegou ao poder nas urnas.

Simultaneamente, Villas Boas limpara o nome de Bolsonaro, dando por concluído o curso dele na Academia Militar das Agulhas Negras, e ainda lhe concedeu a Medalha do Pacificador, maior honraria do Exército, vejam bem a que ponto de desfaçatez a política pode levar.

CONTRATAÇÃO – A essa altura, o general já estava com a gravíssima doença Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Mesmo assim, Bolsonaro o contratou para supostamente trabalhar no Gabinete de Segurança Institucional, mas o objetivo era que o general continuasse morando no Comando Militar, onde recebia assistência médica permanente e gratuita.

A doença do general e as maluquices de Bolsonaro e dos filhos na trama do golpe jogaram no lixo o sonho militar de voltar ao poder, e assim Lula conseguiu se reeleger, apesar da rejeição cada vez maior a ele e ao PT.  

Flávio Bolsonaro perdeu a eleição, mas nada mudou. A família é tão despreparada e alucinada que continua acreditando em golpe militar, com ajuda de Donald Trump, Tio Patinhas, Homem-Aranha e Mulher-Maravilha, sem que nenhum parente ou amigo chame a ambulância psiquiátrica para internar essa gente.

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P.S.
– Em meio ao festival de besteiras que hoje caracteriza o noticiário político, surge a informação de que Lula vai substituir os comandantes militares. Para quê? Ora, para nada… Na verdade, Lula é tão despreparado quanto Bolsonaro. Até hoje, aos 81 anos, o petista ainda não descobriu que não se mexe em time que está ganhando. É desanimador. (C.N.)

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Omar Aziz volta a governar o Amazonas e refaz sua vitoriosa parceria com Lula

Omar Aziz se reúne com Lula para alinhar prioridades do Amazonas - A Crítica

Aziz fez campanha para Lula no segundo turno

Vicente Limongi Netto

O engenheiro civil e senador Omar Aziz (PSD), 68 anos de idade, volta a governar o Amazonas. Pertence ao primeiro time de confiança e lealdade ao presidente Lula da Silva. Homem de brio, direto, simples, positivo, diz na lata verdades que precisam ser ditas.

Foi secretário de Obras de Manaus e Secretário de Segurança do Amazonas, quando criou o vitorioso programa ronda dos bairros. Desportista, frequentador dos estádios de futebol, foi presidente e campeão pelo Nacional de Manaus. Os 3 estádios utilizados em Manaus foram construídos por Omar Aziz.

REGIME 6 POR 1 – Omar Aziz foi o relator no Senado da PEC que acabou com o regime 6 por 1. Presidiu com rigor a CPI da Covid, encarando, encurralando e desmascarando bolsonaristas.

A começar pelo filhinho 01 do mito de barro,  senador Flávio Miliciano, que achava que ia se criar, vociferando nas sessões contra  Omar Aziz e contra Renan Calheiros, firme relator da CPI.

Lembremos que o relatório de Calheiros revelou ao mundo os destrambelhos do presidente Jair Bolsonaro causando a morte de mais de 500 mil brasileiros, por falta da vacina.

GARRA E CONFIANÇA – Omar começou cedo na vida pública. Foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito e vice-governador.  Encontrará o Amazonas com problemas administrativos e financeiros, mas tem garra e forças suficientes para enfrentar desafios e dificuldades, além de ter o apreço e estímulo de Lula.

Omar é incentivador e apoiador da política cultural, executada com competência na primeira gestão pelo secretário, jornalista, historiador e acadêmico, Robério Braga.

Omar atuou firme na restauração do Centro Histórico de Manaus. Criou e vai recriar a Clínica para deficientes químicos.

OUTRAS METAS – Da mesma forma vai  recriar a Secretaria para atender pessoas deficientes e especiais. Deu continuidade  aos festivais internacionais de Opera, criados pelo governador Amazonino Mendes, e torce pelo Boi Garantido, rival do Boi Caprichoso, atrações do Festival de Parintins, que está na agenda cultural do mundo inteiro. Em Parintins, ele criou o Liceus de Artes para Jovens.

Assume o Senado, na vaga de Omar, a pedagoga Cheila Moreira, do PT. O segundo suplente de Omar no senado, João Pedro, também é do PT. João foi senador durante 7 anos, na vaga de Alfredo Nascimento, indicado para Ministros dos Transportes nos governos Lula e Dilma. Alfredo foi eleito agora deputado federal, pelo PL.

Janones recusa ministério e escolhe ser a linha de frente digital do governo Lula

PEC da Segurança volta à pauta, e governo tenta evitar impasse sobre maioridade penal

Alcolumbre pauta PEC da Segurança para terça-feira

Luísa Marzullo
O Globo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pautou para a próxima terça-feira a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, após adiar a análise do texto às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. Até lá, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tenta construir um acordo para deixar a redução da maioridade penal fora da proposta, tema que provocou divergências entre integrantes da base governista e impediu o avanço da votação antes da eleição.

A intenção do Planalto é aprovar a PEC sem alterações, para evitar que o texto tenha de retornar à Câmara dos Deputados. A orientação é que a discussão sobre a redução da maioridade penal seja feita separadamente, sem comprometer a votação da proposta, considerada uma das prioridades de Lula na área da segurança pública.

PRIORIDADE – Na última terça-feira, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), reforçou a posição do governo ao lado do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães. Segundo o deputado, a prioridade é garantir a aprovação da PEC para viabilizar a criação do Ministério da Segurança Pública, prometido por Lula durante a campanha presidencial.

— A PEC da Segurança Pública é prioridade para nós e queremos excluir o tema da maioridade penal nessa PEC para dar condições de o presidente Lula criar um ministério. Maioridade penal é um debate específico, não tem que ser na PEC da Segurança Pública — afirmou Uczai.

Antes do adiamento, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma emenda para reduzir a maioridade penal para 16 anos como regra geral e para 14 anos em determinados crimes graves, como tráfico de drogas e participação em organizações criminosas. Em resposta, o líder do PT, Camilo Santana (CE), apresentou uma proposta para permitir a responsabilização penal a partir dos 16 anos apenas em casos de crimes hediondos.

DIVISÃO – A iniciativa de Camilo, no entanto, dividiu a base governista. Parte dos senadores petistas se posicionou contra a redução da maioridade penal, enquanto outros, embora favoráveis à discussão, defenderam que o assunto fosse tratado separadamente, sem alterar a PEC da Segurança.

Na ocasião, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que já havia um entendimento para aprovar a proposta sem emendas, firmado ainda durante a tramitação na Câmara dos Deputados. Segundo ela, a apresentação de novas propostas sobre a maioridade penal não deveria comprometer o acordo.

— O acordo para que a PEC fosse aprovada, e será, sem emendas, precede a apresentação da emenda do senador Camilo Santana — afirmou Teresa, acrescentando que a redução da maioridade penal seria discutida em outra PEC.

PROPOSTAS INDEPENDENTES – O relator da proposta no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), também anunciou que pediria a tramitação autônoma das emendas apresentadas por Camilo e Marinho, transformando-as em propostas independentes. A medida permitiria que a PEC da Segurança fosse aprovada sem alterações e seguisse diretamente para promulgação.

O tema também provocou uma mudança de posição pública de Lula. Em entrevista ao Jornal Nacional, na reta final da campanha presidencial, o petista afirmou ser favorável à redução da maioridade penal em casos de crimes hediondos, mas defendeu que a discussão ocorresse separadamente.

— Eu sou favorável a reduzir para 16 anos, mas não nessa PEC. Aprova a PEC e aí discute isso — disse o presidente.

MUDANÇAS – A PEC prevê mudanças na organização da segurança pública do país, na divisão de competências entre União, estados e municípios e no enfrentamento às facções criminosas. Lula condicionou a recriação do Ministério da Segurança Pública à aprovação da proposta.

A votação estava prevista inicialmente para ocorrer antes do segundo turno, mas Alcolumbre decidiu adiá-la diante das divergências sobre a maioridade penal. Na ocasião, aliados do presidente do Senado avaliaram que a decisão também evitava expor o governo a um novo desgaste eleitoral, em meio à disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro (PL).

Lula prepara convite a Trump e Milei para posse apesar de tensões diplomáticas

Alcolumbre tenta atrair oposição, enquanto PL prepara ofensiva para tomar o Senado

PL deve anunciar Rogério Marinho como candidato

Caetano Tonet
Sara Curcino
G1

Apesar das tratativas do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), com senadores de todos os partidos, o PL deve anunciar, na próxima quarta-feira (4), Rogério Marinho (RN) como candidato à presidência do Senado em fevereiro de 2027.

O partido terá a maior bancada do Senado a partir dos novos senadores, eleitos em outubro. Serão 28 parlamentares. Alcolumbre tenta se reeleger ao cargo. A estratégia do amapaense passa por conseguir votos mesmo de senadores de partidos da oposição, como PL, PP e Republicanos.

ANISTIA – Na última semana, Alcolumbre tem discutido com parlamentares a possibilidade de pautar um projeto para anistiar os condenados pelo 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Desta forma, o presidente do Senado poderia angariar apoio da oposição para uma eventual reeleição e ainda conter a pressão por impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

O último levantamento do STF, de abril, informa que, dos condenados pela tentativa de golpe, há ainda 190 presos. Desses, 70 estão em prisão domiciliar. Em abril desde ano, o Congresso deu aval a uma proposta que permite a redução das penas, que será avaliada caso a caso pelo STF.

Uma liderança importante do PL dentro do Senado afirmou, nos bastidores, que essa tese da anistia poderia servir tanto para os condenados quanto para quem os julgou, em referência ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. Desta forma, uma apuração relativa à conduta do ministro na condução do processo não seria aberta pelo Senado.

DESGASTE – Esse senador também afirmou que defendeu, para os colegas de partido, que talvez não valha para o PL o “desgaste” de apostar numa candidatura própria para disputar a presidência do Senado e, em caso de derrota, a legenda ficar sem o comando de comissões importantes. A exemplo do que aconteceu em 2023, quando Rogério Marinho, candidato pelo PL, foi derrotado por Rodrigo Pacheco.

O parlamentar do PL argumenta ser contrário a uma “radicalização” na eleição da Mesa, ou seja, que o PL lance candidato sem antes tentar compor um acordo com Alcolumbre.

Mesmo com a tentativa de aproximação, o PL, de forma majoritária, não aceitou um acordo com o presidente do Senado e pretende colocar Marinho em campanha a partir da próxima semana. “A candidatura com mais força e votos hoje é a de Rogério Marinho”, afirmou o senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ).

NA DISPUTA – Além de Marinho, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) é outro quadro da oposição que deseja disputar o comando da Casa. Mesmo com o PL lançando Rogério Marinho, Tereza mantém o desejo de concorrer à presidência do Senado. “Eu mantenho meu desejo de concorrer, de ser a primeira mulher presidente do Senado. Temos 90 dias até a eleição. Tem muita água pra rolar”, declarou Tereza ao G1.

Entre os parlamentares de oposição, há uma avaliação de que a carta escrita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em que se autodeclarou “presidente eleito” e depois mudou para líder do Brasil, enfraqueceu a candidatura de Rogério Marinho.

Senadores acreditam que Marinho, que foi coordenador da campanha de Flávio à presidência da República, comandaria o Senado sem autoridade e “precisando ligar para os Estados Unidos” para definir o rumo da Casa.

CANDIDATURA – Na quarta-feira (28), Marinho confirmou que deverá ser o candidato da legenda. Neste mesmo dia, quando questionado sobre a carta redigida por Flávio Bolsonaro, Alcolumbre sinalizou esta aproximação que tenta com o grupo de oposicionistas: “Eu estou falando todo dia de pacificação do Brasil. Tudo que eu comentar para vocês pode ser contrário à minha tese”, disse.

Um interlocutor do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliou que o amapaense já reúne os votos suficientes para sua reeleição, ou seja, ao menos 41 e que, diante da fuga de Flávio Bolsonaro do país, Marinho virou o candidato ideal para enfrentar em fevereiro.

VOTOS – Esse interlocutor confirmou que ele já possui votos dentro do próprio PL, mas ponderou que o presidente do Senado ainda não dialogou com a ala dita mais “radical” do bolsonarismo, composta pelos senadores eleitos como Guilherme Derrite (PP-SP) e Carol de Toni (PL-SC).

Além disso, afirmou que Alcolumbre ainda espera conversar nas próximas semanas com a senadora eleita pelo Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL), que hoje apoia a candidatura de Tereza Cristina. Apesar de alguns governistas, como o senador Otto Alencar (PSD-BA), defenderem o projeto de anistia, siglas como o MDB já estão se posicionando contra essa possibilidade.

TSE decide que condenação por agressão contra mulher pode tornar candidato inelegível

Condenação por violência de gênero pode impedir candidatura

Mariana Muniz
O Globo

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que condenações por lesão corporal contra a mulher em razão do gênero podem tornar candidatos inelegíveis, mesmo que o crime não esteja expressamente previsto entre as hipóteses da Lei da Ficha Limpa. Por unanimidade, os ministros entenderam que esse tipo de violência pode ser enquadrado na categoria de crimes contra a vida, que impedem a candidatura de pessoas condenadas por decisão judicial colegiada.

O entendimento foi firmado durante o julgamento de um recurso apresentado por João Francisco de Assis Neto (Solidariedade), conhecido como Dr. João Neto, que pretendia disputar uma vaga de deputado federal por Alagoas nas eleições deste ano. O político teve o registro de candidatura negado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) após ser condenado por agredir a esposa. A decisão foi mantida pelo TSE.

APELO AO CONGRESSO – Além de confirmar a inelegibilidade, os ministros decidiram encaminhar um apelo ao Congresso Nacional para que a legislação passe a prever expressamente a proibição de candidaturas de pessoas condenadas por crimes de violência contra a mulher.

Relator do caso, o ministro Dias Toffoli argumentou que a decisão não representa a criação de uma nova hipótese de inelegibilidade, mas uma interpretação das regras já previstas na legislação eleitoral. Segundo ele, as alterações introduzidas pela Lei do Feminicídio, em 2024, aproximaram juridicamente os crimes de feminicídio e de lesão corporal praticada contra mulheres por razões de gênero.

A Lei da Ficha Limpa estabelece restrições à candidatura de pessoas condenadas por determinados crimes, entre eles aqueles cometidos contra a vida e a dignidade sexual. Para Toffoli, a proteção à integridade física das mulheres deve ser considerada na interpretação dessas hipóteses, independentemente da classificação formal do delito no Código Penal.

FEMINICÍDIO – A posição foi acompanhada pelos demais integrantes da Corte. Durante o julgamento, ministros destacaram que episódios de agressão física frequentemente antecedem casos mais graves de violência contra mulheres, incluindo o feminicídio.

O presidente do TSE, Nunes Marques, classificou a decisão como um momento histórico para a Justiça Eleitoral e ressaltou que o tribunal não estava assumindo uma função legislativa, mas interpretando as normas em vigor.

— Esse é um momento histórico para o TSE. Mas o que estamos a fazer nada mais é do que sempre ocorreu: a jurisprudência chegando à frente da norma — afirmou.

CONDENAÇÃO – João Neto foi condenado em 2025 pela Justiça de Alagoas a quatro anos e dois meses de prisão por lesão corporal contra a esposa. Segundo o processo, ele empurrou a mulher dentro de casa, quando ela estava descalça sobre um piso escorregadio. A vítima caiu, bateu o queixo no chão e sofreu um ferimento que exigiu intervenção cirúrgica.

A condenação foi confirmada por unanimidade pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas. Embora ainda existam recursos pendentes de julgamento, os ministros do TSE destacaram que a Lei da Ficha Limpa não exige uma condenação definitiva para a aplicação da inelegibilidade, sendo suficiente uma decisão de órgão colegiado.

A defesa sustentou que o crime de lesão corporal não está expressamente incluído entre as hipóteses de inelegibilidade discutidas no processo e que a legislação eleitoral não poderia ser interpretada de forma ampliativa para restringir direitos políticos. O argumento foi rejeitado pelo relator e pelos demais ministros, que mantiveram a decisão do tribunal regional.

MANIFESTAÇÃO – Durante o julgamento, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva propôs que o TSE encaminhasse uma manifestação formal às presidências da Câmara dos Deputados e do Senado para defender uma atualização da Lei de Inelegibilidades.

A proposta é incluir expressamente entre as causas de inelegibilidade as condenações por crimes praticados com violência contra mulheres, independentemente da classificação do delito no Código Penal. A sugestão foi acolhida por unanimidade.

Uma proposta de lei complementar com esse objetivo já tramita no Senado, mas está parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) desde maio de 2025. O texto prevê a inelegibilidade de pessoas condenadas por violência doméstica e familiar contra a mulher, por decisão definitiva ou colegiada, pelo período de oito anos após o cumprimento da pena.

Ex-agente do Mossad aparece em operação que levou Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos

“Maringá” – uma música de sucesso que virou nome de cidade no Paraná

Maringá - PR - Guia do Turismo Brasil

Maringá tornou-se a terceira maior cidade do Paraná

Paulo Peres
Poemas & Canções

O médico e compositor mineiro Joubert Gontijo de Carvalho (1900-1977) compôs a canção “Maringá”, que foi gravada em 1932 por Gastão Formenti, pela RCA Victor, tornando-se logo um grande sucesso, sendo cantada até hoje.

O nome e o tema da música surgiram quando Joubert de Carvalho visitava o Ministro da Viação José Américo. Conversando com o oficial do gabinete Rui Carneiro, este sugeriu que fizesse uma música abordando o tema da seca no Nordeste.

O compositor pediu a Rui que lhe desse uma lista de pequenas cidades assoladas pela seca. Entre elas estava Ingá, para a qual o compositor imaginou uma cabocla, Maria, que seria a Maria do Ingá, que acabou por tornar-se “Maringá”.

É comum nome de cidades inspirarem canções, mas neste caso, surpreendentemente, a canção originou o nome de uma cidade. “Maringá” era muito cantada pelos operários que desbravavam a mata virgem para construir uma nova cidade no Paraná, e quando a Companhia de Melhoramentos do Norte reuniu-se para definir o nome que seria dado à cidade, a Sra. Elisabeth Thomas, esposa do presidente Henry Thomas, sugeriu que a composição “Maringá” desse nome à cidade, fundada em 1947.

MARINGÁ
Joubert de Carvalho

Foi numa léva
Que a cabocla Maringá
Ficou sendo a retirante
Que mais dava o que falá.

E junto dela
Veio alguem que suplicou
Prá que nunca se esquecesse
De um caboclo que ficou

Antigamente
Uma alegria sem igual
Dominava aquela gente
Da cidade de Pombal.

Mas veio a seca
Toda chuva foi-se embora
Só restando então as água
Dos meus óio quando chóra.

Maringá, Maringá,
Depois que tu partiste,
Tudo aqui ficou tão triste,
Que eu garrei a maginá:

Maringá, Maringá,
Para havê felicidade,
É preciso que a saudade
Vá batê noutro lugá.

Maringá, Maringá,
Volta aqui pro meu sertão
Pra de novo o coração
De um caboclo assossegá.

Abandono do Dia dos Mortos exibe a decadência da sociedade moderna

Ilustração de Ricardo Cammarota, realizada em técnica pastel oleoso sobre papel, na proporção 13,9 × 9,1 cm, horizontal. A imagem figurativa apresenta, ao centro, uma caveira estilizada, com grandes cavidades oculares em preto, dentes aparentes e um pequeno coração vermelho na testa. A caveira segura, com as duas mãos, uma vela acesa, de cuja chama partem raios e nuances de cores em diferentes direções, formando uma composição multicolorida. Ao redor da figura central, distribuem-se círculos coloridos em diferentes tamanhos, em tons de vermelho, laranja, amarelo, rosa, azul e verde. O fundo é predominantemente verde-escuro e preto, com pequenos pontos e traços claros. Linhas finas e curvas em preto atravessam a composição.

Ilustração de Ricardo Cammarota (Folha)

Luiz Felipe Pondé
Folha

Lembro-me de que, há anos, no Dia de Finados —2 de novembro—, a Avenida Dr. Arnaldo, aqui na zona oeste de São Paulo, nas imediações do cemitério do Araçá, nas bancas de flores, o trânsito era bem intenso. Essa intensidade arrefeceu. A redução da intensidade é indicativa da perda de lugar dos mortos em nossas vidas, nossas famílias e nossas cidades.

Já não se celebram os mortos. Já não se pensa neles como alguém a quem devemos o mundo e a vida, pelo contrário, muitos discursos atuais falam deles como culpados por tudo de ruim que existe, e que, portanto, não merecem qualquer respeito de nossa parte.

ESTUPIDEZ MODERNA – Esse é um dos inúmeros exemplos da estupidez arrogante e ruidosa da nossa modernidade. Um exemplo crasso dessa estupidez ruidosa é o fato de que muitos daqueles que praticam esse desprezo nunca passaram por nem um décimo pelo que nossos ancestrais passaram, mas a soberba é o pecado máximo dos modernos.

O culto dos ancestrais, traço presente em muitas religiões tradicionais, às vezes associadas aos povos ditos “primitivos”, é combatido pela moçadinha politicamente correta condena essa expressão. Mas toda pessoa politicamente correta é mentirosa. Portanto, essa moçadinha nega a expressão, mas acredita nela no fundo do seu coração falso, por ser um indicativo de respeito e gratidão aos que nos legaram a vida e o mundo. Cultuar esse legado é uma forma de amor à vida e ao mundo.

Aliás, vale lembrar que hoje a palavra “legado” está na moda. Tem até gente de 15 anos mandando a IA escrever um livro sobre o legado desses 15 anos de vida dela.

SÉCULO RIDÍCULO – O século 21 é mais ridículo da História até aqui, por isso mesmo, condenado à lata de lixo dos historiadores do futuro, a menos que algo de significativo aconteça até o final dele.

A importância dos ancestrais nessas formas de cultos tradicionais não fala só da gratidão que os vivos devem aos mortos. Fala, antes de tudo, da potência deles, justamente porque estão mortos. Essa potência demanda dos seus descendentes vivos atenção, sacrifícios, orações, liturgias, alimentos oferecidos nos locais em que eles descansam, ou seja, nos locais onde estão seus túmulos. Esses locais são, portanto, espaços sagrados de culto. Os antigos praticavam essa forma de culto.

Esses cultos eram formas de gratidão, eram práticas de homenagem e pedidos de ajuda aos ancestrais para que eles ajudassem os seus descendentes vivos a enfrentar os desafios da vida. Mas (e isso é fundamental) caso os espíritos dos ancestrais não recebessem essas honrarias, eles poderiam se transformar em demônios ou espíritos malignos que atormentariam seus descendentes ingratos, causando-lhes sofrimentos e desventuras.

DESPREZO AOS MORTOS – Se voltarmos ao desprezo que a sociedade moderna tem pelos seus mortos, se esses cultos estivessem certos na sua hipótese, podemos imaginar quantos milhões de demônios existem por aí a nos espreitar. Mas, na verdade, não há qualquer risco, porque esses demônios não passam de representações e imagens que criamos na nossa cabeça. Ou, se existem, são obrigados a serem nossos servos para nos fazer ter sucesso sempre.

O mundo espiritual hoje é visto pela maioria dos vivos como mero auxiliar, sem nenhum respeito. Fato evidente. O mundo espiritual, hoje, é pleno de escravos — ou escravizados, como reza a cartilha do politicamente correto.

A famosa citação do filósofo britânico Edmund Burke no seu clássico “Considerações Sobre a Revolução na França” é emblemática dessa discussão. Eis a citação: “A sociedade é um contrato (…) não apenas entre os vivos, mas entre os mortos, os vivos e os que ainda estão por nascer”. A sociedade é uma comunidade moral entre as gerações.

ETERNO PRESENTE – Burke não está fazendo referência aos cultos dos túmulos dos nossos mortos, ele está criticando a tendência moderna, presente de forma radical nos revolucionários franceses, de acreditar que a sociedade é feita apenas de vivos, presa num eterno presente cego.

Os mortos dos quais Burke fala aqui são todas as pessoas que viveram antes de nós e que construíram toda uma cultura —ideias, práticas, leis, valores, crenças, instituições, vínculos— graças às quais temos um lugar para nascermos e crescermos. Essa cultura permanece conosco, nos nutre, criamos a partir dela, nos desenvolvemos a partir dela. Não há como zerar o tempo. O mundo não começou quando nascemos e não acabará quando morrermos.

Quem acredita que o tempo existe para nos trazer ao mundo —ou seja, que o nosso ego, e nossas manias e ideiazinhas desprovidas de substância são o que há de mais sublime—, não entendeu nada.

Entre a euforia eleitoral e o grave risco fiscal, Lula precisa definir a estratégia