Fachin leva à PGR pedidos que atingem Moraes e investigação do caso Master

Mendonça atribui abuso de autoridade a Moraes

Mariana Muniz
Pepita Ortega
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para que avalie uma série de pedidos apresentados no âmbito da investigação relacionada ao caso do Banco Master. A Procuradoria terá cinco dias para se manifestar.

A determinação alcança requerimentos apresentados por Henrique Moura Vorcaro, Fabiano Campos Zettel, Felipe Cançado Vorcaro e Daniel Lopes Monteiro, além de uma manifestação do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de um memorial apresentado por um advogado.

ABUSO DE AUTORIDADE – Entre as peças que serão submetidas à análise da PGR também está uma manifestação do ministro André Mendonça na qual ele atribui ao ministro Alexandre de Moraes a prática de abuso de autoridade.

No despacho assinado nesta sexta-feira, Fachin afirmou que a PGR deverá analisar todas as providências pendentes no processo, considerando a pertinência, a necessidade e a adequação das medidas solicitadas. O presidente do Supremo também quer que a Procuradoria avalie eventual repercussão desses pedidos sobre procedimentos investigativos que já estejam em andamento.

“Considerando os requerimentos pendentes, entendo necessária a oitiva da Procuradoria-Geral da República acerca de todas as providências postuladas”, escreveu Fachin.

Lula deu uma grande mancada ao dizer que pastor evangélico tem “cara de 171”

lula artistas evangélicos

Lula e Janja no evento no Rio, quando chamou o pastor de 171

Jean Marques Regina e Thiago Rafael Vieira
Gazeta do Povo

“Olha a cara dele. Cara de 171.” A frase foi pronunciada nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, ao se referir ao pastor André Valadão, quando falava sobre um vídeo de Fábio Porchat envolvendo o Banco Master, políticos e a Igreja Batista da Lagoinha. Na sequência, vieram referências aos que pregam “em nome de Deus” e as expressões “lavador de dinheiro” e “bandido contumaz”.

Não se trata de conceder a André Valadão, ou a qualquer liderança religiosa, proteção contra crítica ou investigação. Pastor algum possui imunidade penal e igreja alguma está acima da lei. Havendo crime, deve haver investigação, prova, processo e responsabilização. O problema começa justamente quando esse caminho é encurtado e a suspeita passa a ser construída por imagens, associações e impressões.

DIZEM AS LEIS – O Estado de Direito existe para que ninguém responda pela cara que tem, pela igreja que frequenta ou pela impressão que uma autoridade pública forma a seu respeito.

A fala política, porém, não funciona como uma conversa comum. Ela é, por natureza, uma linguagem de projeção. Simplifica ideias complexas, acentua contrastes, cria antagonismos e frequentemente recorre à hipérbole para fixar uma imagem. Quem vive profissionalmente da política conhece esse código e sabe operar suas categorias. O cidadão que recebe a mensagem, no entanto, não necessariamente refaz esse percurso intelectual. Entre a intenção do emissor e a compreensão do receptor existe uma diferença decisiva. Portanto, muitas vezes, o que permanece não é o argumento, mas a imagem.

DISSE LULA – “Cara de 171”, como disse Lula, é particularmente expressivo. Não oferece fatos para serem examinados, documentos para serem confrontados ou argumentos para serem refutados. Convida o público a reconhecer um tipo. A suspeita deixa de decorrer da conduta e parece aderir à própria pessoa.

E quando, na mesma construção, aparecem igreja, pastor, pregação em nome de Deus, lavagem de dinheiro e criminalidade, as palavras então passam a produzir associações que podem sobreviver muito além do palanque em que foram pronunciadas.

Justamente por isso, há uma crescente disponibilidade da identidade evangélica como categoria útil para interpretar negativamente pessoas, relações e comportamentos públicos

RELATÓRIO DA PF – Outro exemplo é o relatório apócrifo da Polícia Federal utilizado por Alexandre de Moraes na controvérsia com André Mendonça. O material, de baixa confiança e sem valor probatório, chegou a utilizar a existência de uma “matriz religiosa comum” entre Mendonça e Jorge Messias para formular hipóteses sobre a atuação de ambos.

Poucos dias depois, no duro embate ocorrido dentro do Supremo, a religiosidade de Mendonça voltou a circundar o conflito. Assim, a questão aqui não é somar episódios diferentes para fabricar uma teoria de perseguição coordenada. Não há elementos para isso. O que merece atenção é outra coisa: a crescente disponibilidade da identidade evangélica como categoria útil para interpretar negativamente pessoas, relações e comportamentos públicos.

NOSSA SENHORA – Nesta mesma semana, outro episódio revelou a operação em sentido inverso. Circulou nas redes a afirmação de que Flávio Bolsonaro, caso eleito presidente, pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida a condição de padroeira do Brasil. Não havia declaração ou proposta do candidato nesse sentido, e ele veio a público negar a informação.

O caso é especialmente interessante porque desloca a perspectiva. Já não se trata de apresentar o evangélico como alguém de quem se deve suspeitar, mas de apresentá-lo como alguém de quem outro grupo religioso deveria ter medo. A mensagem implícita é simples e emocionalmente eficiente: se eles chegarem ao poder, aquilo que é sagrado para você estará ameaçado.

A informação pode ser desmentida depois. O problema é que imagens políticas têm uma velocidade que a correção factual raramente acompanha. A mentira não precisa sobreviver intelectualmente para produzir efeito; às vezes basta deixar uma impressão.

E é justamente aí que “cara de 171” e a falsa ameaça a Nossa Senhora Aparecida, embora completamente diferentes em origem e conteúdo, revelam algo semelhante sobre o momento político: primeiro instala-se uma associação emocional, depois os fatos precisam correr atrás dela.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Excelente matéria enviada por Mario Assis Causanilhas. Com a frase de Lula sobre evangélicos e o episódio de Nossa Senhora, o PT ultrapassou todos os limites éticos que devem nortear uma campanha eleitoral. Além disso, confirmou aquela confissão pública feita pela então presidente Dilma Rousseff em 2013, ao admitir que o PT “faz o diabo” para ganhar uma eleição. Sinceramente, chega ser constrangedor esse tipo de campanha política. E a Justiça Eleitoral deixa rolar. (C.N.)

TSE derruba veto e libera imagem de Bolsonaro na campanha de candidato do PL

Brasil precisa se livrar de indesejáveis, como a família Bolsonaro e Ancelotti

Ancelotti fala de limite de estrangeiros e viraliza

Se Carlo Ancelotti ficar, a torcida irá vaiá-lo junto com a seleção

Vicente Limongi Netto

Eleger Flavio Bolsonaro é viver sob ameaça o tempo inteiro. Não basta o rachadista-miliciano-amigo de Vorcaro ser contra o aumento progressivo do salário mínimo.  Não basta ser contra uma jornada digna de trabalho para os trabalhadores. Não basta ser contra acabar com as bets que estão adoecendo e empobrecendo ainda mais o povo simples do Brasil.

Não basta mentir o tempo todo. Não basta ser um hipócrita. Agora um dos  assessores dele e do pai dele, golpista, condenado e preso, é acusado de tentar acabar com a tradição católica. Ora, se não respeitam a religião dos outros, o que esperar desse tipo de gente?

INDESEJÁVEIS – O El Nino vem com tudo. Para varrer indesejáveis. Como a família Bolsonaro e o treineiro Carlo Ancelotti. Os donos da Confederação Brasileira de Futebol precisam ter coragem para mandar logo embora o farsante Ancelotti. Ele é cabeça dura e mostra que não aprendeu nada com o vexame da Copa. Temos técnicos competentes e respeitados pelos torcedores e pela imprensa.

Lamentável que cretinos ex-jogadores brasileiros, todos famosos, tenham convencido a CBF para contratar Ancelotti. A peso de ouro. Correu muito caroço de angu debaixo desse pirão de ex-jogadores que trabalharam com Ancelotti na Europa.

Nem português o mafioso Ancelotti fala. A CBF precisa deixar de ser burra. Os torcedores não engolem nem querem mais Ancelotti na seleção pentacampeã do mundo.  Seleção maravilhosa e vencedora com craques eternos como Pelé, Gerson, Tostão, Rivelino, Garrincha, Nilton Santos, logo começará a ser vaiada, sem trégua, pela torcida.

De repente, Zé Kéti descobriu que ele era a voz do morro, sim senhor

Zé Keti, um dos principais compositores da música brasileira

Zé Kéti, grande sambista carioca

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), sentiu a sua carreira começar a deslanchar em 1955, quando o seu samba “A voz do morro”, gravado por Jorge Goulart, pela Continental, fez enorme sucesso na trilha do filme “Rio 40 graus”, de Nelson Pereira dos Santos.

“A Voz do Morro” mostra em sua letra que o samba era a única voz valorizada na favela, transformada em um condutor de alegria do Rio de Janeiro para o resto do país.

A VOZ DO MORRO
Zé Kéti

Eu sou o samba
A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei dos terreiros

Eu sou o samba
Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões
De corações brasileiros

Mais um samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo do país
Viva o samba, vamos cantando
Essa melodia do Brasil feliz

Governo anuncia novo Desenrola para renegociar até R$ 150 bilhões em dívidas

Zuenir Ventura, o jornalista que deu lições de vida no exercício da espinhosa profissão

Flávio deve ir ao debate da Globo após Lula mudar estratégia na reta final

Suspensão da jogatina das bets é a aposta de Lula na reta final da eleição

New York Times: Crise envolvendo Moraes chega à eleição e fortalece discurso de Flávio

A crise institucional do Supremo se apresenta também como absurda falta de ética

Ameaças de Trump ao Brasil devem ser levadas a sério pelo próximo presidente

Só vamos dar dinheiro a quem for nosso amigo, diz Trump na ONU - 25/09/2018 - Mundo - Folha

Na ONU, Trump ameaçou usar o poder militar na América Latina

Carlos Newton

Como dizia o Barão de Itararé (Apparicio Torelly), “era só o que falta!”. Vivemos hoje uma campanha eleitoral atípica, que não discute os problemas da nação nem examina planos para resolvê-los. O único assunto que interessa às duas principais facções são os crimes cometidos por elas. Portanto, deixaram de ser facções políticas para se exibirem como facções criminosas.

O pior é que esse vexaminoso fenômeno ocorre justamente quando o presidente da maior potência – cujo poderio econômico e militar é verdadeiramente hegemônico – resolve liderar uma guerra mundial contra o narcotráfico, cujo envolvimento na política brasileira já se tornou mais público e notório do que o saber dos ministros da Suprema Corte.

INSANO, MAS… – Qualquer analista internacional minimamente perspicaz consegue constatar que Donald Trump é cada vez mais insano, mas tem vislumbres de completa sanidade, como essa ofensiva iniciada contra as facções criminosas, numa guerra sem fronteiras, em seu modo de ver. Ou seja, ele simplesmente mandará invadir ou bombardear, como fez na Venezuela e no Irã, embora a antiga Pérsia condene à morte os narcotraficantes.

É óbvio que na vida tudo tem limites. Ele gostaria, mas não pode mandar invadir a China, maior produtora da droga fentanil, um opioide sintético 50 vezes mais forte que a heroína e 100 vezes mais potente que a morfina, já sendo responsável por dezenas de milhares de mortes por overdose nos Estados Unidos.

Também não pode invadir a Rússia e outros países europeus que têm arsenais nucleares. Mas o Brasil é alvo fácil, pois não tem praticamente armas de guerra, embora cultive algumas das maiores facções criminosas do mundo, já com ramificações em países desenvolvidos.

PÉS NA ISLÃNDIA – Com muita ousadia, Trump ofereceu-se para comprar a Groenlândia. Houve protestos no mundo interior, a Dinamarca recusou-se a vender, mas o presidente americano já conseguiu o que queria – instalar mais duas bases militares e ter o direito de garantir a segurança da ilha, sem pagar um centavo ao governo dinamarquês., pois levou sem comprar.

Felizmente, Trump só tem mais dois anos de mandato e não pode se candidatar de novo. Mas nada impede que seja sucedido por algum radical, como Marco Rubio, que pretenda dar seguimento à obra dele. Outro candidato, o vice J.D. Vance, é menos radical, mas tem aprendido muita maldade com Trump.

Em tradução simultânea, Lula tem sido inábil ao enfrentar Trump para ganhar votos aqui. Ele deveria ter dado uma volta nele, aceitando mudar a legislação para tratar facções como organizações terroristas, pois de fato são, e assim teria negociado melhor os tarifaços.

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P.S. –
Agora chegamos a uma encruzilhada que leva a duas armadilhas. Se Lula ganhar a eleição, será ruím, porque as relações com Trump tendem a se esfarelar. E se Flávio Bolsonaro vencer, também será ruim, porque não tem a menor condição de enfrentar Trump, caso o imperador americano tente passar dos limites em relação ao Brasil.  Assim, estamos vivendo uma eleição altamente negativa, tipo perde-perde, sem a sábia opção do menos ruim. Mesmo assim, sou otimista com relação ao Brasil. Acho que o país seguirá crescendo, não importa quem ganhe as eleições, porque o Brasil é um gigante governado por anões.. (C.N.)

Celular de Vorcaro põe gabinetes do STF para vasculhar 37,5 mil arquivos de mensagens

Charge do Ismecio (Arquivo Google)

Pepita Ortega
O Globo

O acesso à íntegra dos dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez alguns dos gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal dedicarem equipes, ainda que reduzidas, para analisar as mensagens trocadas pelo ex-dono do Master com autoridades.

Um desafio, no entanto, tem sido levantado por interlocutores de ministros: o tamanho e volume dos diálogos a serem revisados. São cerca de 510 GB que reúnem 32,7 mil arquivos, entre chats, áudios e registros de chamadas telefônicas.

RESTRIÇÃO – Como mostrou O Globo, a primeira medida adotada pelos gabinetes que receberam acesso ao celular do ex-banqueiro foi restringir o acesso ao material, em razão de um grande volume de informações de caráter pessoal e relacionadas à intimidade.

Esta restrição, em alguns dos gabinetes, também tem relação com o tamanho da equipe. Há indicações de que a “falta de braço” nos times impede a escalação de um grupo maior para analisar diálogos, sem prejuízo das demais funções internas.

De outro lado há uma alerta sobre o tamanho dos dados remetidos aos ministros que solicitaram o material: Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Assim, cada equipe tem avaliado diferentes métodos e abordagens para buscar as referências nos diálogos do ex-dono do Master.

CAUTELA – Dentre os ministros que tiveram acesso ao celular de Vorcaro, o mais novo na Corte, Zanin, tem ressaltado a cautela na análise do material e defendido que seja usado somente de acordo com o que foi solicitado: a análise sobre os argumentos levantados pela Procuradoria-Geral da República no pedido de declaração de nulidade do relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.

Antes de entrar na Corte, Zanin foi responsável pelo pedido de acesso às provas da Operação Spoofing, quando era advogado de Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação tratava sobre o hackeamento de autoridades, entre elas o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro. Com base nos diálogos, a defesa de Lula requereu a anulação de condenações impostas ao petista. A autorização foi deferida por Ricardo Lewandowski, o qual acabou sucedido por Zanin no STF.

CÓPIAS DAS PERÍCIAS – Em abril de 2021, por exemplo, Lewandowski pediu que fosse enviado a seu gabinete cópias das perícias realizadas em cada uma das mídias apreendidas na Operação, assim como o relatório final da investigação. As mídias foram entregues ao gabinete em um CD.

O material apreendido na Operação Spoofing tinha cerca de 7 TB, mas a defesa de Lula teve acesso somente a mensagens que lhe dissessem respeito, direta ou indiretamente, e as que tivessem relação com investigações e ações penais contra ele movidas.

Com base nos diálogos, Zanin apresentou ao STF mais de 15 relatórios, elaborados por peritos, citando diálogos entre Moro e ex-integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.

Piada do Ano! Conselho considera que Gonet não é “suspeito” para julgar Vorcaro

Quatro homens vestidos formalmente estão sentados ao redor de uma mesa redonda com copos e garrafas, em ambiente interno com iluminação baixa e luzes decorativas. Ao fundo, outras pessoas estão em pé, em área pouco iluminada.

A foto leviana com Vorcaro pagando tudo nada significou…

Isadora Albernaz, Anna Júlia Lopes e Ana Pompeu
Folha

O Conselho Superior do MPF (Ministério Público Federal) negou nesta sexta-feira (25) a abertura de uma investigação contra Paulo Gonet pela atuação no caso do Banco Master. O órgão também manteve o procurador-geral à frente das investigações envolvendo a instituição de Daniel Vorcaro, após a revelação de elo entre o ex-banqueiro e o PGR.

O placar em relação à instaurar uma apuração foi de 5 votos contrários e 4 favoráveis. Durante a sessão extraordinária, realizada na sede do MPF, em Brasília, os nove conselheiros foram unânimes para defender que Gonet não deve ser afastado dos processos por não ser competência do órgão analisar essa medida.

CORPORATIVISMO – Houve críticas em relação à postura de Gonet, com parte dos subprocuradores entendendo que ele deveria ter se afastado do caso pela mera existência de citação ao seu nome envolvendo Vorcaro. Mas prevaleceu uma argumentação que minimizou os elementos sob a alegação de que os fatos não são suficientes para indicar sequer proximidade ou favorecimento ao ex-banqueiro.

Gonet é o presidente do Conselho Superior do MPF, mas, por ser o alvo da análise, a sessão foi presidida pelo vice-presidente do órgão, subprocurador-geral da República Nicolao Dino – que é irmão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino.

Nicolao foi o último a se manifestar e desempatou a votação pró-Gonet. Ele afirmou que não há nada que “permita extrair uma possível prática que leve à satisfação de interesse ou sentimento pessoal” do procurador-geral na condução do caso Master.

PLENÁRIO DIVIDIDO – O relator do procedimento no órgão, subprocurador-geral Francisco Sanseverino, foi o primeiro a votar, sendo contra a abertura de uma apuração. Ele foi seguido por Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho de Assis e pelo vice-PGR, Hindenburgo Chateaubriand.

A subprocuradora Janice Agostinho Barreto Ascari abriu uma divergência e foi acompanhada por Samantha Chantal Dobrowolski, José Adônis Callou de Araujo Sá e Ana Borges Coelho Santos para instaurar uma apuração preliminar.

O procedimento envolvendo Paulo Gonet foi aberto no início de setembro pelo Conselho Superior do Ministério Público Federal para apurar menções ao PGR em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro.

DIZ O RELATOR – Em seu voto, o relator afirmou que não foram encontradas mensagens diretas ou contato do PGR na lista telefônica do ex-banqueiro e que os registros envolvendo terceiros não podem ser analisados “de forma isolada e ou descontextualizada para não criar uma situação artificial que não corresponda à realidade”.

Segundo o subprocurador, isso já enfraqueceria a tese de que existiria uma “amizade íntima” com o dono do Master.

 

Próximo de Gonet, o vice-PGR reiterou o argumento: “Nunca vi amizade íntima de alguém que nem tem meu telefone”.

O entendimento foi compartilhado por Alexandre Camanho. “Se o conselho numericamente entender que o procurador-geral da República oficiou no caso que ele está suspeito, o conselho, sem ter atribuição para esse julgamento, está dizendo para o Senado: ‘Sim, o procurador-geral da República [atuou] em um caso que ele estava suspeito’. Estamos dizendo que se cometeu um crime de responsabilidade. Estamos dando o pressuposto para a abertura de um processo por crime de responsabilidade”, disse Camanho.

Gonet foi citado em relatório da Polícia Federal. No documento, há mensagens que o advogado Ciro Soares encaminha ao ex-banqueiro que supostamente seriam de Gonet. “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma. Manda essa mensagem para ele”, diz um dos trechos.

A investigação também revelou que o filho do procurador-geral teria pedido ao dono do Master para ir a um evento em Londres, com as despesas pagas, e que Vorcaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes que acionasse Gonet e o chefe da PF, Andrei Rodrigues, para barrar uma operação contra a instituição financeira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Mais uma decisão corporativa e vergonhosa. Gonet foi flagrado bebendo uísque e fumando charutos com o dono do Master no clube privado George Club, em Londres. E Vorcaro bancou também a viagem do filho de Gonet, o que já bastaria para haver suspeição. Por isso, a subprocuradora Janice Ascari disse ser necessário esclarecer se houve reservas ou pagamentos, qual o conteúdo da ligação entre eles, se houve outras conversas e se os pedidos de Vorcaro chegaram ao procurador Gonet. Mas ninguém se interessou em apurar, e assim o Conselho se desmoraliza junto com o STF. (C.N.)

Às vésperas da eleição, Lula proíbe bets e abre nova frente na disputa pelo eleitor

Lula mantém vantagem sobre Flávio na última semana antes da eleição, aponta Datafolha

Supremo resolveu acumular poder demais e agora paga o preço da própria crise

O que Flávio Bolsonaro não conta sobre as apostas online

Lula mira os votos de 2022, enquanto Flávio intensifica sua ofensiva pelo voto útil

Flávio pede a Fachin suspensão de investigações e questiona escolha de relator no STF

Flávio alega tentativa de “instrumentalizar” o STF

Bela Megale
O Globo

A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL) pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a suspensão do andamento de investigações e pedidos de investigação que, segundo os advogados, teriam sido protocolados em processos sem relação com os fatos narrados com o objetivo de direcionar a relatoria dos casos.

Na petição, protocolada nesta quinta-feira (24), a defesa sustenta que o expediente permitiria às partes escolherem, indiretamente, o ministro responsável pelo caso. O documento chama a prática de escolha de “envelope” e afirma que, ao selecionar os autos em que uma petição é apresentada, o requerente acaba escolhendo também o relator.

DARK HORSE – O texto cita como exemplo a investigação sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a defesa, pedidos apresentados por parlamentares e pelo PT nos autos da ADPF 854, relatada por Flávio Dino, acabaram levando o caso ao gabinete do ministro, embora fatos relacionados ao financiamento já fossem objeto de apuração sob relatoria de André Mendonça. A defesa afirma que, quando um pedido semelhante foi protocolado de forma a passar pelo sistema de distribuição, o caso foi encaminhado a Mendonça.

O episódio mais recente citado pelos advogados envolve uma ação que trata de casos envolvendo municípios em tribunais estrangeiros relacionados aos desastres de Mariana e Brumadinho. Em 23 de setembro, o PT pediu para ingressar como amicus curiae no processo e requereu investigação pela Polícia Federal de suposta existência de financiamento, apoio ou influência estrangeira na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). O partido solicita a quebra de sigilos e buscas e apreensões, inclusive no comitê eleitoral de Flávio Bolsonaro e na sede nacional do PL. A defesa da campanha de Flávio aponta que o pedido foi feito a 11 dias do primeiro turno.

AMICUS CURIAE – Os advogados também argumentam que os fatos apontados pelo PT já são discutidos na Justiça Eleitoral e que a ação no STF na qual o pedido foi protocolado não teria relação com o conteúdo dos pedidos de investigação. A defesa sustenta ainda que o partido não poderia, na condição de amicus curiae, ampliar o objeto da ação nem formular pedidos de natureza criminal.

Ao final, a defesa pede a Fachin a suspensão do trâmite dos pedidos de investigação relacionados ao financiamento de Dark Horse e de suposta ajuda estrangeira para a candidatura de Flávio. Solicita ainda que a suspensão alcance outros eventuais pedidos criminais protocolados em ações de controle concentrado ou processos sem relação com os fatos, quando não submetidos às regras de distribuição e prevenção do STF.

A defesa pede também a suspensão dos efeitos dos atos já praticados e dos que venham a ser realizados nesses processos, sob o argumento de que eles poderiam “instrumentalizar” o STF para atuar nas eleições de 2026.