As eleições americanas e o impacto sobre a ordem internacional

Trump poderá ter que rever prioridades e métodos

Pedro do Coutto

As eleições legislativas nos Estados Unidos não colocam em discussão apenas o equilíbrio político interno entre democratas e republicanos. O resultado também terá implicações para a política internacional e para a forma como Washington se relaciona com os seus aliados, adversários e parceiros comerciais.

Num cenário marcado por tensões geopolíticas, disputas económicas e incertezas diplomáticas, a composição do Congresso americano tornou-se um elemento importante para compreender os possíveis rumos da política externa do país. Os efeitos dessa disputa ultrapassam as fronteiras americanas e alcançam diretamente países como o Brasil.

DESAFIO PARA TRUMP – Uma eventual perda de espaço dos republicanos no Congresso representaria um desafio político para Donald Trump e poderia obrigar a Casa Branca a rever prioridades, métodos e estratégias. Não significaria, necessariamente, uma mudança imediata na orientação internacional dos Estados Unidos, uma vez que o presidente conserva importantes instrumentos de decisão em matéria de política externa. Entretanto, uma Câmara dos Representantes controlada pela oposição teria condições de ampliar a fiscalização sobre o Executivo, dificultar a aprovação de determinadas iniciativas e aumentar o custo político de decisões controversas.

A questão central, portanto, não está apenas na possibilidade de os democratas conquistarem a maioria parlamentar, mas na capacidade de essa mudança alterar a margem de atuação do governo. A política externa americana não é uma dimensão isolada da disputa doméstica. Decisões sobre tarifas comerciais, sanções económicas, compromissos militares, relações diplomáticas e acordos internacionais produzem consequências que repercutem sobre mercados, governos e instituições em diferentes regiões do mundo.

O levantamento Reuters/Ipsos divulgado às vésperas da votação oferece uma indicação da dimensão do desgaste político enfrentado pelo presidente. A aprovação de Trump estava em 32%, enquanto os democratas apareciam com 46% das preferências na consulta sobre qual partido deveria controlar o Congresso, contra 38% dos republicanos. Os números, contudo, precisam ser interpretados com cautela: a votação para a Câmara é nacional, mas as disputas são decididas distrito a distrito. No Senado, a distribuição das cadeiras e as particularidades de cada estado tornam o cenário ainda mais complexo.

AMBIENTE POLÍTICO – Uma eventual vitória democrata na Câmara já seria suficiente para modificar o ambiente político em Washington. O partido passaria a controlar as comissões, ampliar sua capacidade de investigação e convocar integrantes do governo para prestar esclarecimentos. Isso imporia maior escrutínio às decisões presidenciais e reduziria a liberdade política de Trump para conduzir sua agenda sem enfrentar resistência institucional. Se também conquistasse o Senado, a oposição ampliaria sua influência sobre indicações para cargos estratégicos e sobre a tramitação de matérias de interesse do Executivo.

É importante, entretanto, não confundir maior fiscalização parlamentar com uma mudança automática na política externa. O presidente americano mantém poderes significativos para conduzir relações diplomáticas, determinar medidas comerciais e orientar decisões de segurança nacional. Mesmo diante de um Congresso controlado pelos democratas, Trump conservaria instrumentos para dar continuidade a parte substancial de sua agenda. O que mudaria seria o custo político e institucional dessas iniciativas, além da capacidade de a oposição expor contradições, questionar decisões e construir obstáculos legislativos.

O comércio internacional oferece um exemplo concreto dessa possibilidade. A política tarifária adotada por Trump, que tem provocado atritos com parceiros comerciais e incertezas nos mercados, estaria sujeita a uma fiscalização parlamentar mais intensa. Reportagem da Reuters publicada em 1º de novembro apontou que uma eventual maioria democrata poderia promover audiências, investigações e votações para contestar tarifas, embora a possibilidade de reverter medidas presidenciais esbarrasse no poder de veto do presidente. Portanto, o efeito mais imediato seria ampliar a pressão sobre o governo, e não necessariamente desfazer suas decisões.

REFLEXOS NO BRASIL – Para o Brasil, as consequências também merecem atenção. A relação com os Estados Unidos envolve interesses comerciais, diplomáticos e estratégicos que não podem ser tratados como uma questão secundária. As decisões de Washington afetam exportações brasileiras, investimentos, negociações tarifárias e a própria capacidade de o país manter uma política externa independente. A disputa entre os dois países não se limita às relações entre seus presidentes: envolve interesses económicos e geopolíticos que permanecem mesmo quando mudam os governos.

Uma mudança na composição do Congresso americano poderia abrir espaço para questionamentos sobre medidas comerciais, ampliar o debate sobre a relação com a América Latina e reduzir a margem política para iniciativas que aprofundem conflitos diplomáticos. Isso não significa que os democratas adotariam necessariamente uma postura mais favorável ao Brasil. Há interesses estratégicos americanos que atravessam governos e partidos, especialmente nas relações com a China, no acesso a minerais críticos e na disputa por influência internacional. O que poderia mudar seria a forma de administrar essas divergências e o grau de resistência institucional a decisões unilaterais.

O alcance da eleição também precisa ser observado em relação aos conflitos internacionais. A condução da guerra com o Irã, as relações com a Rússia e a China, o apoio aos aliados e os compromissos militares americanos estão entre os temas que podem ganhar maior fiscalização parlamentar. A Reuters identificou justamente a política externa como um dos elementos que passaram a repercutir diretamente no cotidiano dos eleitores, sobretudo pelo impacto das tarifas e do conflito no Oriente Médio sobre os preços e os custos de vida. Uma alteração no equilíbrio do Congresso poderia, assim, aumentar a pressão por justificativas, transparência e limites para determinadas decisões do Executivo.

DIMENSÃO INTERNACIONAL – É nesse contexto que a disputa americana ganha dimensão internacional. Uma eventual derrota republicana não produziria, por si só, uma reforma da política externa dos Estados Unidos, tampouco garantiria o desaparecimento das tensões atuais. Mas poderia alterar os mecanismos de decisão, elevar o custo de iniciativas controversas e estimular uma reavaliação de métodos que têm provocado atritos com aliados e parceiros comerciais. Mesmo quando a orientação estratégica permanece, a forma de executá-la pode sofrer mudanças relevantes.

O resultado, portanto, não será importante apenas pelo que representa para democratas e republicanos. Estará em jogo também a capacidade das instituições americanas de estabelecer limites ao Executivo e de preservar algum equilíbrio entre os interesses nacionais e as responsabilidades internacionais do país. Para o Brasil, compreender essa dinâmica é fundamental. Washington continua a exercer influência decisiva sobre a economia e a geopolítica mundiais, e qualquer alteração significativa no seu comportamento repercute muito além das fronteiras americanas. A eleição não decidirá sozinha os rumos da política internacional, mas poderá redefinir as condições em que os Estados Unidos exercerão sua influência nos próximos anos.

Tarcísio é “líder inconteste” da direita, afirma ex-líder do governo Bolsonaro

Senador Eduardo Gomes evita falar sobre futuro de Flávio

Letícia Pille
Luísa Marzullo
Bruno Góes
O Globo

O senador Eduardo Gomes (PL-TO), vice-presidente do Senado e ex-líder do governo Jair Bolsonaro no Congresso, destacou o papel dos governadores na reorganização da direita após a derrota de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Em entrevista ao O Globo, apontou Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador reeleito de São Paulo, como uma das principais lideranças do campo político e evitou garantir que Flávio conseguirá comandar a oposição dos Estados Unidos.

DEBATE – “Temos um número muito grande de senadores, de deputados federais. Isso vai ser processado dentro do partido, dentro da capacidade de trabalho de cada um, também com os governadores. Os governadores são fundamentais nesse debate”, afirmou Gomes.

Para o senador, os governadores, principalmente os seis eleitos pelo PL, terão papel central na articulação da oposição. Gomes destacou a força política de Tarcísio, que já admitiu a possibilidade de disputar a Presidência em 2030, mas evitou avaliar uma eventual nova candidatura de Flávio, afirmando que ainda é necessário ouvi-lo sobre seus próximos passos.

Flávio Bolsonaro está nos Estados Unidos, enquanto o PL precisa se reorganizar no Brasil. O senhor acha que ele conseguirá liderar a oposição à distância?
É como se a gente estivesse preparado para ter uma discussão sobre uma dinâmica que não foi colocada em prática. Não sabemos o que vai acontecer. Temos um número muito grande de senadores e deputados federais. Isso será processado dentro do partido, dentro da capacidade de trabalho de cada um, também com os governadores, que são fundamentais.

Quem pode assumir esse protagonismo na oposição?
Desde o primeiro turno, desde o final do mandato passado, há um líder nessas discussões, nas escolhas, no trabalho e no legado do governo, que é o presidente Jair Messias Bolsonaro. Ele não está na atividade política, mas o presidente Valdemar, os presidentes dos partidos, os parlamentares, inclusive de outras legendas, e os governadores têm papéis de liderança muito significativos.

Hoje temos governadores de grandes estados, como Tarcísio, reeleito em primeiro turno, Sérgio Moro (Paraná), Jorginho Mello (Santa Catarina) e Cleitinho (Minas Gerais), que apoiou Flávio. Tem uma ansiedade muito grande por entender como é que vai ser o processo de acomodação das forças políticas depois de uma eleição tão disputada, mas há coisas que só vão ficar mais claras quando todos conversarem.

Tarcísio afirmou que pode colocar seu nome à disposição para disputar a Presidência em 2030. Como o senhor vê essa possibilidade?
Ele é um líder inconteste nesse campo político no Brasil. Governa o maior estado do país, chegou à reeleição, elegeu os dois senadores da sua chapa e a grande maioria das bancadas federal e estadual de São Paulo. É um político de perfil diferente, mas que tem o respeito das forças políticas, assim como outros governadores que tiveram a sua reeleição consagrada que vão ter um novo passo político.

E Flávio? O senhor acha que ele pode voltar a disputar a Presidência em 2030?
É um julgamento que quase ninguém consegue fazer, porque houve uma saída dele do país e ainda não houve uma fala dele sobre esse assunto. Acho que o momento está muito mais dramático. Todo mundo está analisando com muita tristeza tudo o que aconteceu no segundo turno, as brigas que ocorreram. Isso ele vai dizer. Tem que dizer.

O senhor conseguiu identificar os erros que levaram à derrota de Flávio? Houve falta de mobilização ou salto alto no segundo turno?
Acho que ainda não conseguimos fazer uma autocrítica, a não ser sobre aquilo que as pessoas estão vivendo do questionamento da pauta da eleição no segundo turno, que foi muito para a questão econômica, as promessas e os compromissos de mudança dos programas de governo. Ainda está muito cedo para discutirmos onde erramos.

Como o senhor recebeu a carta em que Flávio se declarou presidente eleito e levantou suspeitas de fraude? O partido ainda pretende discutir o resultado eleitoral?
O que se sabe até agora é que, na própria confecção da carta, os erros ocorridos foram corrigidos pelo próprio autor. E o que se viu de fraude, uso do poder econômico ou qualquer outra coisa, será fruto de debate ainda. Houve, ao mesmo tempo, o reconhecimento do resultado da eleição do ponto de vista do resultado final.

Acho que esse debate está acontecendo agora e vai acontecer nos próximos dias. Mas há também uma consciência de que é preciso reconhecer o momento, tomar posse nos mandatos que a população designou à bancada da centro-direita e pensar também na governabilidade.

O PL elegeu uma bancada expressiva no Congresso, mas partidos que apoiaram Flávio podem negociar espaço no governo Lula. Será possível manter essa aliança na oposição?
Acho que existe, sim, uma sintonia. Mas também existem parlamentares desses grupos políticos que tiveram apoio do presidente Lula. É o caso, por exemplo, do MDB, que teve 17 diretórios apoiando Flávio e dez apoiando Lula.

Como será a disputa pela presidência do Senado? O PL poderá apoiar Davi Alcolumbre ou deve escolher entre Rogério Marinho e Tereza Cristina?
Estamos conhecendo a bancada que será apresentada agora. Na próxima semana, teremos uma reunião. O senador Rogério colocou sua candidatura, assim como a senadora Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra do presidente Bolsonaro e revelou o desejo de disputar a presidência do Senado.

Ainda está muito cedo. Acho que, a partir da próxima semana, as articulações vão acontecer, assim como no campo do governo, com a candidatura de Davi Alcolumbre.

O PL poderia eventualmente apoiar a reeleição de Davi Alcolumbre?
Não, isso não foi discutido. O primeiro passo será uma reunião interna do PL na próxima quarta-feira. Mas não será apenas do PL. É uma reunião que também contará com senadores de outros partidos.

Como será a relação do PL com o novo governo Lula? Haverá espaço para diálogo?
O PL é o partido que atua no campo da oposição. Fez isso durante os últimos quatro anos. Mas, em alguns momentos importantes, como na Lei Geral do Saneamento, não houve oposição de lado a lado, o Arcabouço Fiscal acabou tendo boa parte de sua aprovação com apoio das bancadas.

Existe espaço no Parlamento para matérias de Estado que nem sempre refletem a divisão existente no campo político.

Existe espaço para uma revisão das regras das emendas parlamentares no governo Lula?
Acho que tem, porque foram feitas algumas modificações no semestre passado e não foram suficientes. Isso será discutido com certeza. Não apenas isso, mas outras matérias também devem sofrer revisão.

Democratas conquistam as duas Casas e impõem derrota histórica a Trump

Sem saída, o Brasil tem de aturar essa inútil polarização entre Lula e Bolsonaro

Arquivos #PolarizaçãoPolítica - Blog do Ari Cunha

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Carlos Newton

Acredita-se que a política brasileira esteja hoje polarizada em 70%, com cerca de 35% de lulistas e 35% de bolsonaristas. Dos 30% restantes, uns 20% seriam cidadãos independentes, que abominam os mitos polarizadores, por considerar que tanto Lula da Silva quanto Jair Bolsonaro são absolutamente despreparados para atuar na vida pública.

E os outros 10% seriam de pessoas egocêntricas, excessivamente religiosas ou imbecis, sem o menor interesse em política, que estão pouco se incomodando com o que acontece ao país

“A MANHA” E “O PASQUIM” – A esculhambação que caracteriza a política brasileira faz lembrar os dois jornais humorísticos que marcaram época no país: “A Manhã”, editado de 1926 a 1959 por Apparício Torelli, que se dizia Barão de Itararé; e “O Pasquim”, de 1969 a 1991, que teve como idealizadores Tarso de Castro, Jaguar, Sérgio Cabral, Carlos Prósperi e Claudius Ceccon.

O autodenominado Barão – (Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895–1971) – morava na Rua Conde de Baipendi, em Laranjeiras, pertinho da casa de meus pais, e sinto muita falta dos três livros publicados por ele (“Almanhaques”) , que meu amigo Rogério Carneiro,  excelente fotógrafo da Ultima Hora e da IstoÉ, me fez o favor de levar e jamais devolver.

Considerado o pai do humorismo político e do jornalismo alternativo no Brasil, chamado de Apporelly pelos amigos, o Barão foi o grande inspirador do “Pasquim”. Gaúcho de Rio Grande, ele usou a sátira, a ironia e o deboche como armas afiadas contra o autoritarismo, a censura e as elites brasileiras.

PÚBLICA E PRIVADA – Apporelly gostava de política e chegou a ser vereador pelo Partido Comunista Brasileiro, eleito em 1947, com um slogan de campanha que ficou famoso no Rio de Janeiro – “Mais leite! Mais água! Mas menos água no leite!“.

Foi cassado dois meses depois, em janeiro de 1948, quando o governo Dutra cancelou o registro do PCB. Ao deixar o cargo, fez o discurso em que lançou sua famosa frase: “Saio da vida pública para entrar na privada”.

Outra frase muito conhecida do Barão estava afixada na porta de seu jornal e era dirigida aos policiais que frequentemente invadiam a redação. “Entre Sem Bater”, dizia a placa na porta, pedindo que os policiais não espancassem os funcionários do jornal.

Entre sem bater” na vida e obra do genial Barão de Itararé – Matéria IncógnitaNA PORTA DO PASQUIM – Quarenta anos depois, quando fui convidado a escrever no “Pasquim”, que era então dirigido por Jaguar e César Tartaglia, a placa criada pelo Barão estava afixada na porta de entrada. Ou seja, o tempo passara, mas a política brasileira continuava a mesma esculhambação. A diferença hoje é que não mais existem “A Manha” e o “Pasquim” para desmascarar os detentores do poder.

Hoje a política está polarizada entre dois farsantes, um de direita e o outro de esquerda. Tanto Jair Bolsonaro quanto Lula da Silva são dois grandes aproveitadores. Vejam o exemplo do capitão que virou mito: Bolsonaro fez carreira tipo samba de uma nota só, apenas defendendo aumento salarial para os militares, sem fazer nada que prestasse. Com isso, acabou enfiando a família inteira na política, fazendo fortuna com rachadinhas e negócios imobiliários em dinheiro vivo.

Quanto a Lula, segundo o Google ele só trabalhou até os 19 anos, quando perdeu o dedo mínimo e se aposentou precocemente. Depois, virou sindicalista e descolava um dinheiro extra como informante do regime militar, sob codinome “Barba”, subordinado ao delegado Romeu Tuma, então superintendente da Polícia Federal em São Paulo. Mesmo assim, também virou mito.

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P.S. 1
– A política brasileira é um enredo totalmente surrealista. Nenhum cientista político consegue entender como Lula e Bolsonaro, dois líderes desqualificadas e execráveis, podem ser apoiados por tantas pessoas sabidamente esclarecidas e bem informadas, como se não existissem outros políticos no país. Parece um filme de terror, exibido ininterruptamente.

P.S. 2 – É claro que um dia isso vai acabar, porque tudo tem limites e a vida sempre se renova. Hão de surgir outros líderes, que sejam menos irracionais e patéticos. Mas até lá, teremos de aturar, pacientemente, essa absurda polarização. (C.N.)

Governo Lula tenta aprovar regulação das big techs antes de novo Congresso

Congresso mais à direita no ano que vem pode travar projeto

Guilherme Pimenta
Raphael Di Cunto
Folha

Integrantes do governo Lula (PT) e parlamentares pretendem correr para votar até dezembro o projeto de lei da regulamentação concorrencial das big techs. A percepção é a de que há uma janela favorável para aprovação agora, que ficará mais estreita no próximo ano, quando o novo Congresso Nacional tomará posse.

Um dos impulsos são as investigações de possíveis inteferências no processo eleitoral. As denúncias levaram Lula a defender a regulação das big techs logo em seu discurso de vitória, no último dia 25. Só por este sinal, acreditam auxiliares do presidente, o assunto ganhará tração.

DISCUSSÃO – Relator do projeto na Câmara, o deputado Aliel Machado (PV-PR), conversou com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e levará a proposta para discussão com os líderes dos partidos em reunião na terça (3) para tentar chegar a um consenso sobre o texto. “Se não aprovar agora, depois é que não aprova. Temos que votar na Câmara e no Senado até o final do ano”, diz o deputado.

Na próxima legislatura, a bancada de direita crescerá na Câmara e no Senado, o que dificulta ainda mais a votação deste tipo de projeto. Nos últimos dois mandatos, o Congresso tentou avançar com assuntos como o combate a fake news, maior transparência dos algorítmos das redes e regulação das big techs, mas todas as propostas travaram diante da pressão da direita nas redes sociais.

CONCENTRAÇÃO DO MERCADO – O projeto de lei em discussão agora trata exclusivamente do combate à concentração de mercado no ambiente digital, sem avançar sobre o conteúdo. Ele cria poderes para o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) regular e fiscalizar as grandes empresas de tecnologia, em modelo semelhante ao realizado na União Europeia, que impõe uma regulamentação econômica prévia às empresas.

A proposta estabelece obrigações para empresas classificadas como de relevância sistêmica, buscando reduzir barreiras à concorrência antes que práticas monopolistas produzam efeitos anticompetitivos sobre o mercado. O texto tem como alvo companhias como Google, Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), Microsoft, Uber, iFood, 99 e Amazon, entre outras.

Uma das principais críticas é que o projeto do governo estava com a redação muito aberta e poderia afetar empresas que não têm relação com as big techs. O relator apresentou um parecer para restringir as empresas que podem ser alvo do Cade, principalmente para reduzir a resistência de empresas fora do setor da tecnologia, mas as companhias consideraram as alterações como insuficientes.

FISCALIZAÇÃO – O projeto também cria no Cade uma Superintendência de Mercados Digitais, à parte da Superintendência-Geral, a quem hoje compete fiscalizar e abrir processos contra as big techs.

Embora o governo queira avançar com o texto este ano, ainda não houve conversa entre o Ministério da Fazenda e Aliel Machado depois das eleições. Partiu do relator a iniciativa de procurar Motta para pedir a votação. O presidente da Câmara disse à Folha que deseja votar o projeto, mas que não fará isso com pressa e que é preciso negociar com os líderes um texto que seja possível aprovar.

EXPECTATIVA – Havia expectativa de que o texto fosse levado à votação na Câmara antes das eleições, mas, como faltou consenso no Congresso, o projeto ficou paralisado. Parlamentares ligados ao setor produtivo criticaram a possibilidade de que empresas de fora do setor de tecnologia fossem afetadas. Além disso, o próprio governo colocou o pé no freio, já que a diplomacia americana entrou em campo para atuar contra o texto.

Logo no seu primeiro discurso após derrotar Flávio Bolsonaro (PL), Lula disse que regulará as big techs. “Tivemos que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais”, afirmou.

Os partidos do centrão também desejam tratar do tema, após perderem espaço no Congresso para a direita, com forte atuação nas redes sociais. Motta já anunciou a discussão de um projeto de lei para regular a propaganda eleitoral na internet e evitar o impulsionamento de candidatos pelas empresas. Por outro lado, a “bancada digital” eleita este ano quer reverter parte da regulação das big techs e atuar contra qualquer tipo de controle

Gilmar dispara contra Nunes Marques: “Silêncios e hesitações não são neutros”

Gilmar Mendes dá indireta a Nunes Marques

Sarah Teófilo
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou a rede social X para publicar uma indireta ao colega de Corte, o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Gilmar afirmou que espera-se uma postura de “árbitro” do presidente do TSE e ressaltou que quem assegurou uma eleição dentro das regras foi o colegiado da Corte.

“Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. (…) De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, escreveu.

SILÊNCIOS E HESITAÇÕES – O ministro ainda afirmou que “na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros”. “Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável. Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, disse.

A postura de Nunes Marques como presidente do TSE foi criticada por colegas das duas Cortes. Entre os episódios citados, está a tentativa de derrubar o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, que alcançou mais de 10 milhões de seguidores. O corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva suspendeu preliminarmente a ordem de Nunes Marques e depois o ministro Floriano de Azevedo Marques decidiu que o canal não poderia ser suspenso por decisão administrativa.

QUEIXAS – Também houve queixas por ele não ter tomado um posição diante dos relatos de falta de ônibus em cidades do Nordeste, reduto eleitoral de Lula, o que levou o ministro Cristiano Zanin, do STF, a decidir estender a votação em todo o país por mais duas horas.

A decisão ocorreu quando as urnas em alguns locais já haviam sido lacradas. No fim, apenas 35 mil votos foram registrados após às 17h, mas a ação foi o suficiente para fomentar críticas e teorias de fraude eleitoral por parte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi candidato à Presidência, e seus aliados.

Lula vence queda de braço no Senado e aprova PEC da Segurança sem redução da maioridade

Lideranças evangélicas se afastam de Flávio Bolsonaro após derrota e reação golpista

Igrejas criticaram postura do candidato do PL

Bernardo Mello
Fernanda Alves
O Globo

Depois de ensaiarem uma neutralidade na eleição presidencial e terem aderido com mais vigor à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, lideranças evangélicas de igrejas como a Universal e as Assembleias de Deus passaram a adotar um distanciamento estratégico do grupo político do senador, em especial após a tentativa do candidato derrotado ao Planalto de contestar o resultado das urnas e a fuga para os Estados Unidos.

O vaivém de pastores em relação a Flávio ocorre em meio ao desempenho abaixo do esperado, em outubro, de políticos ligados ao segmento: enquanto nomes do bolsonarismo aumentaram suas votações com acenos aos fiéis, parlamentares apoiados por igrejas perderam espaço e acabaram não se reelegendo.

AFAGOS NOS EUA – Nesta segunda-feira, em mais um momento simbólico da busca bolsonarista por apoio no meio evangélico, Flávio recebeu afagos ao participar de um culto organizado por pastores brasileiros na Flórida. Ao lado do irmão Eduardo e das respectivas esposas, o senador escolheu a agenda religiosa como primeira aparição pública após deixar o Brasil.

Lideranças das maiores igrejas do Brasil, porém, têm procurado demarcar distância de Flávio desde a derrota eleitoral e da publicação de uma carta com teor golpista após a chegada aos EUA, na semana passada. No dia seguinte à eleição, o bispo Alessandro Paschoall, uma espécie de porta-voz de assuntos políticos da Universal, republicou o trecho de um culto no qual o bispo Edir Macedo, líder da igreja, afirma não concordar com o lema “Deus, pátria e família”, usado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

— Na Universal, nós priorizamos essa hierarquia: primeiro Deus, depois família, e depois o resto. Não concordo com essa teoria “Deus, pátria e família”. Porque se não houver família, vai haver pátria? Impossível. Só há pátria se vier da família, que vem de Deus — discorreu Macedo na ocasião.

POSTURA DÚBIA – A fala do bispo ocorreu na manhã da votação do segundo turno, após uma postura dúbia da Universal na campanha: políticos ligados à igreja, como o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, apoiaram Flávio no embate direto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas pastores próximos a Macedo ficaram em cima do muro.

Paschoall, por exemplo, publicou vídeos afirmando que seu espectro político “não é de direita ou de esquerda, e sim do reino de Deus”. Ele também lamentou derrotas de candidatos da Universal ao Legislativo: como mostrou O GLOBO no mês passado, metade dos 12 deputados federais da igreja fracassou nas tentativas de recondução à Câmara.

O cenário destoa do adotado pela Universal nas eleições de 2018 e 2022, quando Macedo declarou apoio a Bolsonaro, e líderes da igreja alegaram que cristãos não poderiam votar na esquerda. Reservadamente, pessoas próximas à igreja fazem a avaliação de que a adesão à direita beneficiou mais o bolsonarismo do que a própria congregação, que perdeu espaços.

CAUTELA – Já o bispo Inaldo Silva, vereador pelo Republicanos no Rio, considera a declaração de Macedo neste ano não uma represália a Flávio, mas sim uma tentativa de evitar atritos internos.

— Não podemos subestimar alguém que teve mais de 60 milhões de votos. A neutralidade veio porque a gente acaba escolhendo um lado e perdendo muito, na nossa comunidade há pessoas da direita e da esquerda — diz.

Na Assembleia de Deus de Madureira, que apoiou Flávio no segundo turno após seus candidatos ao Legislativo também terem amargado derrotas em estados como São Paulo e Rio, o bispo Abner Ferreira reconheceu a vitória de Lula já no dia seguinte à eleição. Antes, ele chegou a participar de um culto em outubro, no Rio, no qual seu irmão, o bispo Samuel Ferreira, recomendou voto em Flávio. Na última segunda-feira, porém, Abner publicou um longo texto nas redes sociais afirmando que a democracia “exige maturidade, equilíbrio e respeito às decisões populares, independentemente das convicções e preferências individuais”.

SEM TERCEIRO TURNO – Outros pastores que apoiavam Flávio seguiram a mesma linha. O bispo JB Carvalho, responsável pela Comunidade das Nações, igreja de Brasília onde Flávio foi batizado em 2024, se manifestou na última quarta-feira dizendo que “as eleições terminaram” e que “não há terceiro turno”. Sem se referir a um interlocutor específico, ele também orientou que “pare de profetizar o caos”. No mesmo dia, o candidato derrotado do PL publicou uma carta, após fugir do Brasil, na qual se declarou “verdadeiro presidente eleito” e, em uma segunda versão, “líder” do país.

Líder da Igreja Fonte da Vida e também aliado de Flávio, o Apóstolo César Augusto afirmou, no dia seguinte à publicação da mensagem golpista, que não se arrependeu de seu voto, mas reprovou a reação do candidato do PL ao resultado:

— Numa derrota, você fica extremamente decepcionado. Nesse momento, o conselheiro tem que ter a sensatez de ajudar, equilibrar. Acho que ele foi muito mal orientado. Não concordo, mas não vejo como um problema de ele se achar ditador, não. Isso foi no calor da derrota. As eleições ocorreram, segundo a Justiça, de maneira legal, então vira-se a chave para olhar o futuro do país.

“PERSEGUIÇÃO” – “Outro que avaliou negativamente a postura de Flávio foi o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Em conversa reservada após a publicação da carta de Flávio, revelada pelo blog da colunista do O Globo Malu Gaspar, ele referiu-se aos “filhos de Bolsonaro” como “jumentos”. Publicamente, porém, o pastor argumentou que concordava com a fuga de Flávio do país, por considerá-lo um “perseguido político”.

Ex-presidente da bancada evangélica na Câmara e pastor da Assembleia de Deus, o deputado Eli Borges (Republicanos-TO) também afirmou ao O Globo concordar com a saída de Flávio do país, mas disse não ter lido a carta. Outros pastores que apoiavam Flávio, como José Wellington Jr., líder da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), também silenciaram sobre a mensagem golpista.

TEOR TEOLÓGICO – Segundo Borges, declarações como a do bispo Edir Macedo mostram que o “teor teológico” se sobrepõe a eventuais desavenças políticas:

— Vejo ele (Macedo) como um teólogo querendo colocar as palavras de forma hierárquica, mas sem negar a essência do lema usado pelo bolsonarismo.

Por outro lado, em um sinal de que mantém apoio no meio evangélico, Flávio esteve ontem em um culto do Ministério Celeiro, nos EUA, ao lado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e das respectivas esposas. No culto, embora sem citar de forma explícita as eleições, o pastor José Maurício falou diretamente ao presidenciável derrotado do PL e e lhe fez um afago:

— Com Jesus você não perde. E, se perder, você está ganhando — disse no culto.

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Sérgio Roxo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só deve, segundo aliados, começar a definir os ministros que vão compor o seu quarto mandato depois de voltar da viagem que fará à Turquia e às Filipinas, entre 9 e 16 de novembro.

De acordo com pessoas próximas, o presidente não tem tratado da escolha dos nomes que vão ocupar por enquanto, mas isso não impede que ocorram movimentações de bastidores de quadros que tentam se cacifar.

EXPECTATIVA – A tendência é que Lula comece as escolhas pelos titulares da Casa Civil e da Fazenda. Para o primeiro posto, os mais cotados são Fernando Haddad e Camilo Santana. Para o comando da equipe econômica, o vice Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, aparecem como os mais citados.

Uma das preocupações de Lula no momento tem sido manter a mobilização de eleitores que saíram às ruas no segundo turno. Nesta quinta-feira, o presidente recebeu o deputado André Janones (Rede-MG), que criou o canal de Whatsapp “Exército do Lula”, para um almoço no Alvorada. O petista anunciou em um áudio enviado no canal que na próxima semana fará um pronunciamento à nação e uma live nas redes sociais.

Janones é citado como um nome para comandar um possível ministério de Comunicação Digital. Durante o discurso da vitória no domingo na Paulista, o presidente disse que avalia a criação da pasta.

NOMES CERTOS – Também são considerados nomes certos, entre outros, no ministério do novo mandato o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, da Saúde, Alexandre Padilha, do Planejamento, Bruno Moretti, além da ex-ministra Gleisi Hoffmann.

Lula deve embarcar no dia 9 de novembro para a cidade de Antália, na Turquia, onde será realizada a COP 31. Em seguida, fará uma visita de estado às Filipinas no dia 13. Nos dias 14 e 15, está prevista a participação do presidente brasileiro na Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que ocorrerá nas Filipinas.

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E O POETA NÃO TEM MAIS PALAVRAS, PORQUE O AMOR ESTÁ LEVANDO TUDO, INCLUSIVE O SEU ORGULHO - Cariri é IssoPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, folclorista, ensaísta e poeta gaúcho Augusto Meyer (1902-1970), da Academia Brasileira de Letras, no poema “Gaita”, confessa que não tem mais palavras, porque seu amor não correspondido está levando sua vida, inclusive, seu orgulho.

GAITA
Augusto Meyer

Eu não tinha mais palavras,
Vida minha,
Palavras de bem-querer;
Eu tinha um campo de mágoas,
Vida minha,
Para colher.

Eu era uma sombra longa,
Vida minha,
Sem cantigas de embalar;
Tu passavas, tu sorrias,
Vida minha,
Sem me olhar.

Vida minha, tem pena,
Tem pena da minha vida!
Eu bem sei que vou passando
Como a tua sombra longa;
Eu bem sei que vou sonhar
Sem colher a tua vida,

Vida minha,
Sem ter mãos para acenar,
Eu bem sei que vais levando
Toda, toda a minha vida,
Vida minha, e o meu orgulho
Não tem voz para chamar.

Aos trancos, os Bolsonaros corroem o robusto capital político da família

Charge do J. Bosco (O Liberal)

Dora Kramer
O Globo

Os quase 60 milhões de brasileiros que optaram pelo candidato derrotado na eleição à Presidência tiveram seus votos inutilizados por ele. Em suma, foram feitos de palhaços.

No lance da fuga, de uma tacada, Flávio Bolsonaro (PL) revelou sua face golpista e mostrou-se um colosso em matéria de autodestruição. Virou as costas para o eleitorado, deixou no “ora, veja” os políticos aliados, provou-se inabilitado para liderar a oposição e lustrou de razão o equívoco tático de Alexandre de Moraes de retomar a ofensiva judicial na base da afobação.

FORAGIDOS – O senador em fim de mandato junta-se ao irmão deputado cassado e demais foragidos da Justiça homiziados nos Estados Unidos, para de lá viver a ilusão de ser “o verdadeiro presidente eleito”, o “líder do Brasil” ao molde de um perseguido político que, na realidade, é um investigado por crimes comuns.

A direita que foi até a boca da urna não chorou no velório. Todos os partidos, inclusive o PL do senador ora iludido, deixaram-no berrando sozinho. Ao autoproclamado líder da oposição, no momento faltam liderados. A conferir se o campo que o quase ex-senador pretende representar vai rever a posição e continuar prisioneiro de uma gente que desrespeita as regras ou se aproveita o ensejo para se libertar da política de arreganhos radicais.

A julgar pelo padrão de covardia na adversidade, lícito supor que o evadido em questão tremeria na base ante a enormidade e a gravidade dos problemas que teria de enfrentar caso tivesse alcançado o cargo que, vê-se, em boa hora a maioria lhe negou.

NOMES A ZELAR – Há, no campo que se aliou ao Bolsonaro da vez, políticos com nomes a zelar. Há também os oportunistas, o pessoal da arruaça digital e o contingente de reacionários. A uni-los, a sociedade no vexame.

No meio do desacerto, o certo é que mais um Bolsonaro sai da cena nacional. Ficam no Congresso Nacional os herdeiros: Carlos (PL-SC), Renato (PL-SP), Jair Renan (PL-SC) e Michelle (PL-DF) —dos quatro, a mais (única?) esperta.

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