Charge do Spacca (Arquivo Google)
Deu em O Globo
Alvo de investigações da Polícia Federal (PF) por suspeita de tráfico de influência, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a lobista Roberta Luchsinger utilizavam uma casa no Lago Sul, região nobre de Brasília, durante suas visitas à capital federal. O imóvel era alugado pela lobista, que costumava realizar reuniões discretas no local.
A casa, localizada em um condomínio fechado, com acesso apenas a pessoas autorizadas, possui características de alto padrão. Com uma área de 2.110 metros quadrados, o imóvel tem três quartos, piscina, jardim, churrasqueira e um cômodo para escritório onde ocorriam os encontros. O aluguel na região custa, em média, R$ 240 mil ao ano, conforme informações de imobiliárias.
MANSÃO ALUGADA – De acordo com registros em cartório, o imóvel no Lago Sul pertence a um empresário que atua na área de mineração de calcário e mora fora do país. A residência em Brasília foi alugada por Roberta Luchsinger em 2024.
Segundo funcionários do local, Lulinha e a amiga estão há sete meses sem aparecer na casa. Eles evitaram frequentar o imóvel após virem à tona as investigações que apontaram o envolvimento da lobista e Lulinha com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, pivô dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões.
Roberta publicou em uma rede social uma foto na casa do Lago Sul em 18 de dezembro do ano passado, mesmo dia em que foi alvo de operação da PF. Na ocasião, agentes cumpriram mandados de buscas e apreensões em seu endereço em São Paulo, mas não em Brasília. “Aos mentirosos, apenas a justiça”, escreveu.
LULINHA FICAVA LÁ – Filho mais velho do casamento de Lula com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, morta em 2017, Lulinha preferia ficar no imóvel alugado pela lobista quando estava em Brasília por não manter uma relação de proximidade com Rosângela Silva, a Janja, sua madrasta. Ele evitava se hospedar no Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.
As informações foram relatadas ao Globo por três pessoas que trabalharam no imóvel durante o período em que ele era utilizado pelos dois. Uma delas é a empregada doméstica Zildeni Souza, que acompanhou a rotina na casa durante sete meses, entre 2024 e 2025.
— Não era (casa) de morar. Era uma casa alugada, que quem fica mais tempo eram os funcionários. Era realmente uma casa de reunião. Geralmente, às 9h, vinha uma ou duas pessoas. Eu não ouvia as conversas, só servia café e era isso. Minha função era de doméstica. Não tinha envolvimento — disse Zildeni.
SEU FÁBIO – Ela afirmou que era responsável por relatar a Roberta Luchsinger o que ocorria no imóvel quando a empresária estava fora de Brasília. De acordo com o relato, a lobista e Lulinha frequentavam o imóvel ao menos duas vezes por mês.
Em algumas ocasiões, segundo a empregada doméstica, o filho do presidente aparecia sozinho, e a empresária a avisava que “o seu Fábio está indo”, conforme áudio incluído em um processo trabalhista que a funcionária apresentou contra Luchsinger após sua demissão.
“Semana que vem o seu Fábio está indo. E aí vai com visita, vai ficar no quarto das kids (crianças). Aí você arruma as camas de criança para os adultos que vão ficar”, diz um áudio enviado por Roberta Luchsinger à empregada. A gravação foi revelada pelo Metrópoles e confirmada pelo Globo.
CUIDAR DO FÁBIO — “Às vezes ela (Roberta) me dizia: ‘Olha, o Fábio está indo’. Inclusive, a Renata (esposa de Lulinha) falou para eu cuidar do Fábio” — disse a empregada. “(Ele) Ficava sentado na beira da piscina fumando o cigarrinho dele. Ficava dois dias e ia embora. Vinha sempre segunda-feira, quarta…” — descreveu ela.
Uma das pessoas que visitaram a casa, segundo a ex-funcionária de Roberta Luchsinger, foi Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula. Ela disse se recordar da imagem dele em uma reunião ocorrida no imóvel. Procurado diretamente e por meio da sua defesa, Marcola não se manifestou.
A relação entre Marcola, Lulinha e Roberta é citada em um dos inquéritos da Polícia Federal abertos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em mensagem enviada ao filho do presidente, Roberta cita um incômodo de Marcola com “Fernando”, que, de acordo com as investigações, é Fernando Bittar, ex-sócio do filho do presidente. “Marcola não quer. Ele tá incomodado. Falou para gente almoçar com Berger e ele sem Fefe. Porque ele não quer mesmo”, escreve Roberta, ao que Lulinha responde: “Isso…. Já é o terceiro almoço que eu tenho com ele e ele pede pra ser só entre nós.”
MODELO DE CONTRATO – Em outra mensagem encontrada pela PF e revelada pelo Globo, Marcola recebeu um modelo de contrato para venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com dispensa de licitação. O documento foi enviado por Roberta, que tentava intermediar um negócio com a pasta, o que não ocorreu, em meio à eclosão do escândalo dos descontos indevidos no INSS. Marcola confirmou a interlocutores que recebeu o material, mas disse que não o encaminhou.
A PF também descobriu que Roberta comprou duas joias que Marcola pediu para presentear familiares no Dia das Mães de 2024, conforme revelou o colunista Lauro Jardim, do GLOBO.
A investigação aponta que o ex-assessor enviou por WhatsApp a foto do modelo das peças, e Roberta pagou a fatura de R$ 9,2 mil. Ao longo de 2024, segundo o colunista, a empresária repassou a ele um total de R$ 217 mil entre transferências bancárias, pagamentos de boletos e presentes.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Não é à toa que Lulinha está foragido na Espanha desde dezembro, quando foi descoberta sua ligação com a lobista. E Lula está sobressaltado, com medo de a Polícia Federal incriminar Lulinha e algum juiz pedir a extradição dele antes das eleições presidenciais. (C.N.)






/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/7/a/UHS8MHQyG6JDp7x0ZGAA/112628955-pa-brasilia-df-07-10-2025-manifestacao-bolsonarista-na-esplanada-dos-ministerios-em-bras.jpg)
