
Charge do João Bosco (O Liberal)
Vicente Limongi Netto

Charge do João Bosco (O Liberal)
Vicente Limongi Netto

Paula atuou como secretária parlamentar no gabinete de Frias
Luciana Casemiro
O Globo
A leitura das 150 páginas da decisão do ministro Flávio Dino que autorizou a operação da Polícia Federal, nesta quinta-feira, para investigar desvios de emendas, é desafiadora.
Os nomes se repetem, sem a magia da escrita fantástica de Gabriel García Márquez, em Cem Anos de Solidão. Um dos nomes que aparece no relatório desempenhando diferentes papéis – de secretária parlamentar a empresária, passando por beneficiária de programa social – é o de Paula de Oliveira Lima.
AGÊNCIA LOOP – Entre fevereiro e abril de 2024, Paula atuou como secretária parlamentar no gabinete do deputado federal Mario Frias, que é um dos parlamentares alvo da ação da PF. Dois dias após sua exoneração, segundo o relatório, ela abriu a Agência Loop, contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama – que também é responsável pela produção do filme Dark Horse, sobre a vida de Jair Bolsonaro – para a prestação de serviços pelo período de seis meses, no valor de R$ 311.350,00. O contrato estava vinculado a termos de fomento custeados por emendas parlamentares.
A empresa de Paula foi aberta em 4 de abril de 2024 e, no mesmo mês, apresentou proposta comercial ao ICB. Encerrou as atividades em 17 de fevereiro de 2025. O relatório divulgado por Dino destaca que “Agência Loop” não constava como nome fantasia no CNPJ e que o endereço registrado em Pirassununga, no interior de São Paulo, corresponde a um imóvel com características residenciais.
A investigação aponta ainda que Paula Lima foi responsável por outra empresa de mesmo nome, sediada em Brasília, aberta em 2023 e baixada em 2024. Paula também foi beneficiária do Auxílio Emergencial, programa de governo de Jair Bolsonaro, entre maio de 2020 e maio de 2021, mantendo registros de endereço em Rio Branco, no Acre. Mais tarde, entre março e outubro de 2025, trabalhou como supervisora de digitação e operação na Mult Graf Indústria Gráfica, empresa sediada na capital acreana.

Ofício a Fachin relata divulgação parcial dos autos
Ana Pompeu
Folha
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou nesta sexta-feira (11) ao presidente Luiz Edson Fachin que André Mendonça não cumpriu o pedido feito a ele de retirada do sigilo do caso do Banco Master. Segundo Moraes, o relator da investigação fez uma “escolha seletiva”.
“Ao cumprir parcialmente a decisão de Vossa Excelência, o Ministro André Mendonça, diretamente interessado no julgamento de ambas as PETs 16.704 e 16.662, selecionou subjetivamente o levantamento do sigilo, tornando público somente o que entendeu conveniente”, disse.
LISTA DE CASOS – No ofício a Fachin, Moraes apresentou uma lista de casos e afirmou que o relator deixou de apresentar 180 documentos. Mendonça levantou o sigilo de parte dos processos do caso Master em resposta a pedido do presidente da corte na quinta-feira (10). O despacho inclui a petição que é a base da investigação na corte e procedimentos derivados dela.
Fachin demarcou como exceção apenas o material que diga “respeito a diligências cujo sigilo seja imprescindível à realização da medida”. Isso se refere a informações cujo sigilo ainda é importante para não atrapalhar o andamento das próximas etapas do caso. Na resposta, Mendonça retirou o sigilo de 14 procedimentos, além do principal, que deu origem aos demais.

Charge do Gilmar Fraga (Zero Hora)
Pepita Ortega
O Globo
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, pediu que o ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero, indique se há disponibilidade de compartilhar, com os colegas da Corte, a íntegra do conteúdo do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
O pedido se dá na esteira da solicitação do ministro Cristiano Zanin, para que os ministros tenham acesso a todas as mensagens de Vorcaro antes de julgar, na próxima terça-feira, o relatório que identificou Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-dono do Banco Master em diálogos identificados pela Polícia Federal.
ÍNTEGRA DE DADOS – Zanin requereu acesso à íntegra dos dados que foram extraídos de um iPhone 17 Pro apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. Segundo o documento, o material encontra-se à disposição do gabinete do ministro André Mendonça.
Zanin avaliou que os dados do celular de Vorcaro tem de ser compartilhados porque já estão abrangidos pela derrubada do sigilo dos procedimentos que estão relacionados, de alguma forma, à petição que será analisada na próxima terça-feira, no plenário do STF. Este procedimento foi aberto por Mendonça justamente a partir das mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro.
Segundo o ministro, a obtenção da íntegra do celular de Vorcaro visa permitir a “apreciação completa e necessária” do parecer emitido pela Procuradoria-Geral da República sobre o relatório que identificou Moraes como interlocutor de Vorcaro. O chefe do Ministério Púlico Federal, Paulo Gonet, defendeu a anulação do documento, sob o argumento de que Mendonça não poderia ter determinado, sozinho, a elaboração do mesmo.
PRAZO – Em outro despacho, Fachin deu prazo de 24 horas para que Mendonça encaminhe à Presidência da Corte e aos gabinetes dos demais ministros todos os procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas envolvendo o Banco Master. O material deverá ser remetido em um HD próprio.
O presidente também determinou o levantamento do sigilo de um dos principais braços da Operação Compliance Zero, ressalvando apenas diligências em andamento ou ainda a serem realizadas cuja divulgação possa prejudicar sua efetividade. A decisão acolhe pedido do vice-procurador-geral da República, que havia apontado que parte dos procedimentos não estava incluída na relação de processos cujo sigilo já havia sido retirado por Mendonça.
Ex-chefe do BC que recebia R$ 760 mil por mês de Vorcaro
Sérgio Quintella
O Globo
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro simulou contratos de prestação de serviços fraudulentos para justificar o pagamento de propinas a Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, segundo relatório da Polícia Federal (PF), obtido pelo O Globo.
Santana teria criado um grupo de WhatsApp com Vorcaro para prestar uma espécie de consultoria especializada ao banqueiro. A ligação de ambos começou em 2023 e durou até o fim de 2025, quando a relação de ambos foi tornada pública.
SIGILO RETIRADO – Na noite de quinta-feira (10), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo dessa e de outras investigações relacionadas ao Banco Master, após solicitação do presidente da corte, Edson Fachin.
Nas conversas extraídas do celular de Vorcaro pela PF, o servidor afastado e o empresário trocam diversas mensagens. Inicialmente, os diálogos eram mais simples e rápidos. “Bom dia. Preciso falar com você”, disse o ex-diretor ao então dono do Master. Na sequência, os investigadores observaram registros de ligações por telefone. Porém, com o passar do tempo, as relações foram se tornando maiores e as conversas foram aumentando, ao ponto de Belline criar o grupo com o “chefe”.
A atuação do servidor, ainda segundo os investigadores, era de aconselhamento, revisão de documentos e de resoluções de questões que seriam de sua alçada. Em abril de 2024, Santana agendou uma reunião presencial com Vorcaro para tratar de “visão prospectiva e estratégica”. A escolha do local ficou a cargo do banqueiro, podendo ser na sede do BC em Brasília ou no Banco Master, na mesma localidade.
ENVIO DE MINUTA – Em mensagem enviada em 15 de abril de 2025, Santana pergunta a Vorcaro se ele conseguiu “enviar a minuta”. Como resposta, o banqueiro diz que “sim” e que “estamos mexendo números”. Na sequência, o servidor responde: “Ok, estou por aqui”. Às 16h daquele dia, Daniel Vorcaro envia um documento a Santana, intitulado “Ofício Banco Master ao diretor de Organização do BC”.
Para a Polícia Federal, a relação de ambos foi aumentando, ao ponto de, em outubro de 2025, na ocasião em que Vorcaro tentava negociar o Banco Master para escapar de uma liquidação que ocorreria no mês seguinte, Santana informar que criara um grupo para “facilitar nossa interlocução”.
“Muitas vezes, a comunicação é aprofundada com chamadas de voz entre os participantes. Porém, as mensagens de texto associadas, via de regra, indicam a atuação conjunta na defesa de interesses do Banco Master”, diz o relatório da PF sobre a atuação de ambos.
PAGAMENTOS MILIONÁRIOS – A forma como Belline Santana recebia seus “vencimentos” do Banco Master também ocorria por meio de ilegalidades, segundo a PF. Em outubro de 2024, o servidor recebeu R$ 760 mil após simular a prestação de serviços para uma entidade de fachada.
“Para “esquentar” os pagamentos, simulam uma prestação de serviços, em que Belline é contratado pela Varajo Consultores para compor o grupo de desenvolvimento, voltado a desenvolver “estudo técnico, econômico e social focado na inserção de jovens no mercado financeiro”, diz o relatório da Polícia Federal. Outros pagamentos, de R$ 1 milhão, R$ 750 mil, entre outros, também constam como executados nas planilhas apreendidas pelos investigadores.
Além de receber propina em dinheiro, o ex-servidor do Banco Central também era agraciado com outras formas de remuneração, como o custeio de viagens ao exterior. Em setembro do ano passado, ele e a mulher embarcaram para Paris, com tudo pago pelo Master, incluindo jantares em restaurantes caros.
EXPLICAÇÕES – Quando o escândalo do Master tornou-se público e Belline foi implicado juntamente com Daniel Vorcaro, o ex-servidor foi chamado para prestar esclarecimentos no BC. No início deste ano, ele esteve na Procuradoria-Geral do Banco Central e tentou se explicar. Afirmou que os valores recebidos a partir de 2023 foram oriundos da elaboração de projetos sociais, mas que não sabia que os montantes vieram de um banco, no caso o Master.
Em março deste ano, no mesmo processo que determinou a prisão de Vorcaro, a Justiça estabeleceu diversas medidas cautelares contra Belline Santana: Proibição de acesso às dependências do Banco Central; proibição de manter contato com as pessoas investigadas na Operação Compliance Zero; proibição de se ausentar da comarca onde reside; suspensão do exercício de função pública exercida junto ao Banco Central e monitoração eletrônica. Procurado por meio de seus advogados, Belline não respondeu.

Moraes diz que 180 documentos não foram disponibilizados
Mariana Muniz
O Globo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu nesta sexta-feira ao presidente da Corte, Edson Fachin, que o plenário analise de forma conjunta, na sessão extraordinária marcada para terça-feira, as suspeitas levantadas contra ele e os questionamentos sobre a atuação do ministro André Mendonça nas investigações relacionadas ao Banco Master.
No documento enviado a Fachin, Moraes ainda acusa Mendonça de ter feito uma seleção do material que teve o sigilo retirado na noite de quinta-feira e afirma que 180 documentos relacionados às investigações cujo sigilo caiu permaneceram sem publicidade.
CONEXÃO – Moraes sustenta que o próprio Fachin já reconheceu a existência de conexão entre os procedimentos. Ele cita decisão do presidente do STF segundo a qual a tramitação separada dos casos poderia provocar “risco concreto de decisões contraditórias e de tumulto processual”, porque as medidas têm bases fáticas e probatórias que se sobrepõem.
O pedido reforça a pressão sobre o formato da sessão de terça-feira. Como O Globo mostrou, uma ala do Supremo já vinha defendendo nos bastidores que os dois capítulos da crise fossem analisados conjuntamente e alertou Fachin para a possibilidade de um pedido de vista caso o julgamento se limite ao relatório que contém mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e referências a Moraes.
A sessão de terça-feira foi inicialmente convocada por Fachin para analisar a Petição 16.662, que reúne o relatório produzido pela Polícia Federal, por determinação de Mendonça, com mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e que identificou Alexandre de Moraes como um de seus interlocutores. Já os questionamentos sobre a atuação de Mendonça estão reunidos na Petição 16.704 e ainda não haviam sido incluídos no calendário do plenário.
CONTRADIÇÃO – Na avaliação de Moraes, há uma contradição entre esse entendimento e a decisão de colocar em pauta, até agora, apenas a Petição 16.662, formada a partir de elementos da investigação da Operação Compliance Zero e que contém o relatório da PF com mensagens atribuídas a Vorcaro e referências a Moraes. O ministro afirma que a análise separada prejudicaria o exame do conjunto dos fatos pelos integrantes da Corte.
No ofício, Moraes também retoma as acusações que apresentou contra Mendonça no início da crise. Segundo ele, há indícios de que o ministro teria usurpado a direção das investigações, conduzido irregularmente tratativas de eventual colaboração premiada e direcionado alvos para investigação por razões pessoais e políticas. Moraes cita, nesse ponto, ele próprio e o senador Davi Alcolumbre. As acusações são contestadas por Mendonça.
Lula transforma investigação em munição eleitoral
Valdo Cruz
G1
O comando da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai explorar, no horário eleitoral de TV e rádio e também nas redes sociais, a divulgação nesta sexta-feira (11) de informações sobre a investigação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no caso do financiamento do filme “Dark Horse”.
Uma das peças já prontas para divulgação afirma: “Justiça confirma: Flávio Bolsonaro é investigado por corrupção e lavagem de dinheiro no Dark Horse”. Outras estão sendo produzidas com o objetivo de reforçar que o candidato do PL é investigado pessoalmente no caso, segundo integrantes da campanha petista.
PARECER FAVORÁVEL – O inquérito foi solicitado pela Polícia Federal (PF), teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR) e foi autorizado pelo ministro André Mendonça, do STF, em julho.
A investigação apura a obtenção de recursos para a produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo informações reunidas no inquérito, Flávio Bolsonaro atuou para conseguir junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do extinto Banco Master, cerca de R$ 70 milhões para financiar o projeto.
A campanha de Lula vinha buscando uma forma de se contrapor ao desgaste provocado pela crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Banco Master, tema que vinha atingindo politicamente o governo.
PROXIMIDADE COM MORAES – Integrantes da equipe petista avaliam que a proximidade política de Lula com o ministro Alexandre de Moraes, um dos principais nomes do tribunal, acabou arrastando o presidente para o debate público em torno da crise.
Nos bastidores, a leitura da campanha é que a divulgação da investigação contra Flávio Bolsonaro oferece uma oportunidade para deslocar parte do foco político do assunto e atingir diretamente o principal adversário de Lula.
A avaliação dos coordenadores da campanha é que, ao contrário do presidente, Flávio Bolsonaro aparece formalmente na condição de investigado no caso relacionado ao financiamento do filme. “O Lula não é investigado. O Flávio Bolsonaro é investigado. Vamos bater nesta tecla para mostrar a diferença entre os dois candidatos nesta crise do Banco Master”, afirmou ao blog um dos coordenadores da campanha presidencial.
SIGILO DERRUBADO – A investigação sobre o financiamento de “Dark Horse” faz parte das apurações relacionadas ao extinto Banco Master e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A PF pediu a abertura do inquérito para aprofundar suspeitas envolvendo a origem e a movimentação de recursos destinados à produção do filme sobre Jair Bolsonaro.
O pedido recebeu aval da PGR antes de ser autorizado pelo ministro André Mendonça. A divulgação de trechos da investigação nesta sexta-feira (11) reabriu o embate político entre petistas e bolsonaristas e passou a ser vista pelo comando da campanha de Lula como um dos principais argumentos para tentar neutralizar os ataques da oposição relacionados à crise envolvendo o STF e o Banco Master.

Charge do Cláudio (Folha)
Sarah Teófilo
O Globo
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou um inquérito para investigar a atuação do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, no financiamento do filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação apura os supostos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. A apuração sobre o filme era conhecida, mas o foco na participação de Flávio veio à tona com a queda do sigilo do caso Master. O presidenciável nega irregularidades e diz que todos os recursos do filme foram privados.
SOB SIGILO – A decisão foi tomada em julho e veio à tona agora após o STF tornar pública a documentação do caso. O despacho de Mendonça está disponível porque foi incluído no inquérito principal do caso Master, mas a investigação focada em Flávio segue sob sigilo, o que significa que ainda há diligências da PF em curso.
Mensagens reveladas pelo portal ‘Intercept Brasil’ mostram que Flávio pediu ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para a produção da obra, dos quais R$ 60 milhões foram pagos, de acordo com planilhas apreendidas pela PF.
A investigação sobre Flávio foi pedida pela Polícia Federal (PF) e teve o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). “A Polícia Federal requer a instauração de PET sigilosa em apartado, vinculada ao INQ 5026, para apurar a possível prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos correlatos, que teriam sido praticados, em tese, pelo Senador da República Flávio Nantes Bolsonaro, no contexto de financiamento para a produção de obra cinematográfica denominada Dark Horse junto ao Banco Master do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro (…) Autorizo, nos termos do artigo 21, inciso XV, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, a instauração de procedimento investigatório vinculado ao INQ 5026 para apuração da hipótese criminal delineada pela autoridade policial”, escreveu Mendonça.
“NENHUM CENTAVO” – Flávio vem negando qualquer participação em possíveis irregularidades envolvendo o filme, tom que voltou a adotar na quinta-feira, em agenda de campanha em Roraima. “Não há um centavo de dinheiro público. Pode revirar do avesso”, disse Flávio.
A prestação de contas completa do filme nunca foi apresentada. A produtora responsável apresentou à Justiça os gastos, mas ainda são desconhecidos os detalhes do financiamento, feito por meio do fundo Heavengate, sediado nos Estados Unidos.
O CASO – Há no STF apurações distintas sobre o financiamento ao filme. Sob a relatoria de Mendonça está o desdobramento do caso Master, que começou após a revelação de conversas em que Flávio cobra repasses de Vorcaro.
Essa linha de investigação mira o financiamento e analisa se o dinheiro de Vorcaro, envolvido em fraudes milionárias com o Master, foi encaminhado para a produtora do filme, via um fundo sediado nos Estados Unidos. Há ainda a suspeita de que as verbas tenham bancado gastos no exterior do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos.
Nesta semana, Mendonça homologou a delação premiada do operador do mercado financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro. O empresário é dono da Entre Investimentos e Participações, usada para repasses de dinheiro entre o banqueiro Daniel Vorcaro e a produção de “Dark Horse”.
TRANSFERÊNCIAS – Como mostrou a colunista Malu Gaspar, do O Globo, ‘Mineiro’ confirmou à PGR ter realizado ao longo do ano passado sete transferências bancárias para o fundo Havengate que totalizam US$ 12,3 milhões (cerca de R$ 69 milhões no câmbio da época) a pedido de Vorcaro.
Há ainda um outro braço da investigação sobre o ‘Dark Horse’ envolvendo o suposto repasse irregular de emendas parlamentares. Na quinta-feira, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou uma operação que mirou o deputado Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, da produtora Go Up, responsável pelo filme.
Frias destinou R$ 2 milhões em emendas em 2024 ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina. Os valores foram pagos em fevereiro e outubro de 2025. A suspeita da Polícia Federal é que as emendas, após passar por um circuito de empresas, tenham sido usadas na produção do filme.
ORGANIZAÇÃO – A PF afirma que este inquérito aponta a existência de uma organização criminosa formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar as verbas recebidas para empresas subcontratadas de forma irregular, “sem comprovação efetiva dos serviços prestados”. O suposto esquema teria ficado em vigor até julho deste ano. A Polícia Federal apura os supostos crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
“Levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”, escreveu a PF em nota.
‘A Turma’ intimidava adversários, aponta PF
Luísa Marzullo
O Globo
Mensagens de Daniel Vorcaro obtidas pela Polícia Federal detalham uma série de episódios em que o dono do Banco Master acionou “A Turma”, grupo ligado a policiais, para agir contra pessoas que considerava adversárias. Nos diálogos, o banqueiro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, discutem a adoção de uma “medida mais drástica”, falam em dar um “sacode” e avaliam se um dos alvos deveria receber “apenas um susto ou outra ação”.
A existência de “A Turma” foi revelada em março, quando a PF apontou que o grupo era usado para vigilância, coleta de informações e intimidação de pessoas que contrariavam interesses de Vorcaro. Um relatório da investigação com a análise das mensagens extraídas do celular do banqueiro traz detalhes de diferentes ações discutidas pelos investigados.
LEVANTAMENTOS – Segundo a PF, o grupo era formado por seis integrantes e liderado pelo policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Os investigadores afirmam que a estrutura levantava informações sobre pessoas, processos e inquéritos, inclusive sigilosos, e realizava ações de intimidação. “A Turma” recebia cerca de R$ 400 mil por mês, de acordo com o relatório.
Em um dos casos, em agosto de 2024, Mourão afirmou que iria se reunir com “A Turma” e disse que seria preciso tomar uma “medida mais drástica” contra o fundador e gestor da Esh Capital, Vladimir Joelsas Timerman, que fez diversas denúncias públicas contra o banqueiro. Vorcaro respondeu: “E contra o advogado tb”.
No dia seguinte, Mourão perguntou se Vorcaro poderia conversar com integrantes do grupo para ajustar a forma como deveriam agir. O banqueiro respondeu que teria de mandar “A Turma” para São Paulo para “matar esses negócios”. O relatório não informa se alguma ação foi realizada depois da conversa.
“DEPRAVADO” – Meses antes, Vorcaro já havia acionado o grupo após receber uma decisão judicial referente a um pedido de busca e apreensão e quebra de sigilos que incluía o Banco Master. “Esse depravado do Vladimir pede busca e apreensão e a Justiça deu ouvidos”, escreveu Vorcaro. Mourão respondeu que já havia conversado com “A Turma” e que os integrantes aguardavam apenas o aval do banqueiro.
Outro diálogo citado pela PF ocorreu após postagens relacionadas a um pedido de falência do Master. Mourão informou a Vorcaro que o telefone ligado às publicações estava registrado em nome de Daniel Marinelli Meira e perguntou se queria que “A Turma” “fosse pra cima” dele. Vorcaro concordou.
Na sequência, Mourão perguntou o que deveria ser feito com Marinelli e se seria para dar “apenas um susto ou outra ação”. As mensagens também mostram Vorcaro recorrendo ao grupo por causa de notícias sobre o Banco Master. Em outubro de 2024, ele encaminhou uma reportagem e escreveu: “Esse tem que derrubar”.
“OS MENINOS” – Logo depois, acrescentou: “E mandar a turma PF atrás”. Mourão respondeu que já havia acionado “Os Meninos”, grupo que a investigação associa a hackers, e que estava indo encontrar “A Turma”.
Um dos episódios de intimidação envolvendo “A Turma” já havia sido revelado pelo O Globo em março. Ao discutir uma abordagem a dois ex-funcionários em Angra dos Reis, Vorcaro avaliou com Mourão se deveria enviar policiais ou “bicheiros”. “Polícia às vezes não vai intimidar tanto”, disse o banqueiro.
Mourão afirmou que iria com Fabiano Zettel e levaria policiais federais, mas disse que também poderia chamar “o pessoal do Rio”. Vorcaro respondeu que deveriam levar os dois e afirmou que seria bom dar um “sacode” primeiro em Leandro Garcia para assustar Luis Felipe Woyceichoski.
PRONTIDÃO – Em outra mensagem reproduzida pela PF, um integrante do grupo de policiais do Rio afirmou que estava de prontidão: “Sabe que com a gente não tem moleza”. Além das ações contra desafetos, o relatório aponta que “A Turma” era acionada por Vorcaro para obter informações sobre investigações e procedimentos envolvendo ele, seus familiares ou seus negócios. Os diálogos citam casos em tramitação na PF, no Ministério Público Federal e na Polícia Civil de São Paulo.
Em fevereiro de 2024, por exemplo, Vorcaro encaminhou a Mourão uma certidão da Delegacia de Repressão à Corrupção da PF no Rio (Delecor) que cobrava de Henrique Vorcaro uma resposta a um ofício. Mourão afirmou que já havia pedido para “A Turma” verificar o caso.
Na sequência das conversas, Marilson afirmou que o procedimento havia se originado no MPF do Rio e orientou como deveria ser elaborada a resposta. Segundo o relatório, ele disse que, como o caso havia vindo do Ministério Público, “não tinha como bloquear” e que haviam feito “aquilo que deu pra fazer”. Também alertou para que uma determinada certidão não fosse mencionada na resposta por se tratar de “documento interno”.
INTIMAÇÃO – A Polícia Civil de São Paulo também aparece nos diálogos. Em setembro de 2024, Vorcaro perguntou a Mourão: “Temos civil SP?”. Mourão respondeu que sim. Os dois conversaram por telefone por cerca de três minutos e, na sequência, Vorcaro encaminhou uma intimação expedida pelo 15º Distrito Policial de São Paulo.
Quatro dias depois, Mourão afirmou que “A Turma” havia conseguido acesso à origem do primeiro mandado de intimação enviado pelo banqueiro e que um advogado ligado ao grupo já havia “resolvido” a questão.
DISCUSSÃO – Em outro episódio, após uma convocação para prestar depoimento, houve uma discussão sobre adiar o comparecimento para descobrir antes do que se tratava. Depois que Vorcaro informou que seus advogados já haviam pedido o adiamento, Mourão disse que iria se reunir com “A Turma” e que os integrantes “já haviam pego tudo”.
Para a PF, os episódios fazem parte da atuação atribuída à estrutura coordenada por Mourão. O relatório afirma que “A Turma” tinha entre suas funções levantar informações sobre inquéritos policiais e processos em andamento, inclusive sigilosos, mapear dados de pessoas e empresas em sistemas oficiais restritos e realizar ações de intimidação contra pessoas que desagradavam Vorcaro.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Não pode haver contemplação. Daniel Vorcaro liderava uma máfia poderosíssima. A única dúvida é saber se ele era o chefe ou apenas recebia ordens do pai, Henrique Vorcaro, que pode ser libertado a qualquer momento, se o ministro André Mendonça vacilar. (C.N.)
Manuel Bandeira sabia o que significa o amor
Paulo Peres
Poemas e Canções
O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1886-1968), conhecido como Manuel Bandeira, no soneto “Desencanto”, estava na pior fase de sua vida, enfrentando a tuberculose e desencantado com a vida, que depois lhe sorriria, porque ele só viria a morrer muito depois, com mais de 80 anos.
DESENCANTO
Manuel Bandeira
Eu faço versos como quem chora
De desalento , de desencanto
Fecha meu livro se por agora
Não tens motivo algum de pranto
Meu verso é sangue , volúpia ardente
Tristeza esparsa , remorso vão
Dói-me nas veias amargo e quente
Cai gota à gota do coração.
E nesses versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.
Contrato mostra um campo de conflito de interesses
Míriam Leitão
O Globo
A íntegra do contrato entre o escritório Barci de Moraes e Daniel Vorcaro, cuja existência foi revelada pela jornalista Malu Gaspar, levanta ainda mais dúvidas. O texto foi tornado público na noite desta quinta-feira noite e ficou disponível pela Folha online. O contrato fala em consultoria estratégica junto a órgãos sensíveis como a Polícia Federal, Policias Civis, Banco Central e Receita. Mesmo o ministro Alexandre de Moraes não estando com nenhuma matéria de Master, há um potencial conflito de interesses com o ministro Alexandre de Moraes.
O valor de R$ 3 milhões por mês era líquido. O bruto era R$ 3.646.529, 77. Os impostos cobertos também pelo banco e recolhido pelo escritório. Estava previsto que se o Master quisesse rescindir o contrato tinha que pagar “o valor integral do pro labore em 15 dias”. O valor bruto total ultrapassa R$ 131 milhões.
ÍNTEGRA DO CONTRATO
CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
Pelo presente instrumento particular, as partes, de um lado, BARCI DE MORAES SOCIEDADE DE ADVOGADOS, sociedade de advogados inscrita no CNPJ/MF sob o n° sediada na Capital do Estado de São Paulo, neste ato, representada por seu administrador GUILHERME DE TOLEDO BENAZZI, brasileiro, portador da cédula de identidade RG nº inscrito no CPF/MF sob o nº que, doravante, será denominada CONTRATADA e, de outro lado, BANCO MASTER S.A., sociedade por ações, inscrita no CNPJ/ME sob o nº 33.923.798/0001-00, com sede na cidade do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, na Praia de Botafogo, nº 228, sala 1702, Botafogo, CEP 22250-906, por sua filial situada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 3.477, 5º andar, Torre B, Itaim Bibi, na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, CEP 04538-133 (“Banco Master”), doravante denominado CONTRATANTE que, neste ato, se faz representar por seu representante legal (doc. 01), celebram o presente contrato de prestação de serviços advocatícios e respectivos honorários, nos termos seguintes:
I – OBJETO
1. O CONTRATANTE firma com a CONTRATADA o presente contrato de prestação de serviços e de honorários advocatícios para que realize, em defesa de seus interesses: (a) implantação, acompanhamento e aprimoramento constante e continuado de programa de integridade (compliance); (b) consultoria estratégica e jurídica em procedimentos/inquéritos policiais nas Polícias Federal e Civis e procedimentos administrativos, inclusive perante o Banco Central, a Receita Federal e CADE; (d) processos judiciais em todas as instâncias do Poder Judiciário.
2. Para a EXECUÇÃO DO OBJETO do presente contrato, a CONTRATADA realizará:
2.1 A organização e coordenação de CINCO NÚCLEOS de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa – perante o JUDICIÁRIO, MINISTÉRIO PÚBLICO, POLÍCIA JUDICIÁRIA, ÓRGÃOS DO EXECUTIVO (Banco Central, Receita Federal, PGFN, CADE) e LEGISLATIVO (acompanhamento de projetos de lei de interesse do CONTRATANTE);
2.2 As atividades necessárias para a implantação e prestação de serviços de integridade (compliance) a serem executados pela CONTRATADA, consistirão em (a) diagnóstico das rotinas e do sistema organizacional, coleta de Informações, mapeamento das áreas de riscos em potencial, planejamento estratégico e desenvolvimento do programa de integridade (compliance); (b) realização de procedimento de diligência prévia para análise da conformidade da empresa com as normas e regulamentações vigentes (due diligence); (c) identificação dos setores e mapeamento das áreas com risco em potencial; (e) elaboração e implementação de um Código de Ética e Programa de Integridade; (f) elaboração de padrões de conduta, políticas e procedimentos relacionados ao Programa de Integridade, para prevenir fraudes e ilícitos; (g) identificação da política, rotina e apresentação das demonstrações contábeis; (h) identificação dos controles internos; (i) composição do Comitê de Compliance; (j) desenvolvimento de canais de denúncias; (K) interação com os escritórios de Compliance e Ouvidorias do Poder Público relacionados à atividade da CONTRATANTE; (l) implementação do Compliance, com apresentação e conscientização acerca do Programa de Integridade a todas diretorias e superintendências da CONTRATANTE; (m) treinamento do pessoal integrante do Comitê; (n) execução de melhorias nos controles internos; (o) implementação de procedimentos que assegurem a imediata interrupção de irregularidades ou infrações ao Programa de Compliance; (p) implementação e execução das medidas disciplinares para as hipóteses de violação do Programa de Integridade; (q) acompanhamento das atividades indicadas com análise dos resultados, riscos permanecentes e efetividade do Programa de Integridade; (r) constante atualização e aprimoramento do Compliance implementado: adaptações em relação às áreas de risco; revisão do Código de Ética; revisão dos protocolos, políticas e procedimentos; adaptações necessárias ao Programa de Integridade;
2.3 Ampla atividade jurídica, mediante a apresentação das peças processuais pertinentes, seja mediante o ajuizamento das medidas judiciais cabíveis e necessárias, seja mediante o exercício da ampla defesa e contraditório, com a interposição dos recursos previstos em lei, e demais atividades processuais típicas de assessoria jurídica prestada no contencioso administrativo e judicial.
3. O OBJETO do presente contrato será também estendido aos sócios e acionistas controladores do CONTRATANTE, submetidos às mesmas regras do presente instrumento.
II – ATIVIDADES QUE SERÃO DESENVOLVIDAS PELA CONTRATANTE
4. O CONTRATANTE se compromete a enviar e disponibilizar à CONTRATADA, sempre de forma tempestiva a ensejar a eficaz atuação, todos os elementos de que dispuser necessários à realização das atividades descritas no objeto do presente contrato, outorgando-lhe, conforme o caso, o necessário instrumento de mandato, com os poderes inerentes à necessidade específica de atuação, ou substabelecimento que mencione a outorga desses mesmos e essenciais poderes.
5. O CONTRATANTE se compromete a enviar à CONTRATADA, se for o caso, imediatamente ao seu recebimento, todas as citações, intimações, notificações judiciais ou extrajudiciais, ou quaisquer outras formas de comunicação oficial previstas em lei, relativas às hipóteses de atuação do presente contrato, para a adoção das medidas cabíveis nos prazos previstos em lei.
6. O CONTRATANTE se compromete a apresentar toda documentação necessária para oportunizar a defesa técnica da CONTRATANTE e as demais atividades para a efetiva prestação dos serviços jurídicos prestados. As consequências da não apresentação da aludida documentação, de modo a prejudicar a atuação jurídica objeto deste contrato, recairá sobre a responsabilidade da CONTRATANTE.
7. O CONTRATANTE e a CONTRATADA obrigam-se a manter completo SIGILO sobre quaisquer informações, documentos, materiais e dados cujo conhecimento e/ou acesso decorram do objeto do presente contrato, inclusive após o término do mesmo, salvo nas hipóteses constitucional e legalmente exigíveis ou se houver plena concordância das partes.
8. Para instrumentalizar o aludido sigilo disposto na cláusula 6, a CONTRATANTE se compromete a enviar a aludida documentação contida nas cláusulas 4 e 5 exclusivamente pelos canais oficiais e institucionais informados pela CONTRATADA.
Caso não o faça, qualquer envio promovido por outro meio de comunicação não autorizado será de responsabilidade da CONTRATANTE.
9. O presente instrumento de contrato não estabelece entre o CONTRATANTE e a CONTRATADA qualquer espécie de exclusividade ou vínculo trabalhista.
III – PRAZO, HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E FORMA DE PAGAMENTO
10. Para o cumprimento do objeto do presente contrato, cujo prazo de vigência será de 3 (três) anos, são estipulados os honorários advocatícios devidos ao escritório BARCI DE MORAES SOCIEDADE DE ADVOGADOS da seguinte forma:
(a) O pagamento a título de pró-labore de 36 (trinta e seis) parcelas mensais e sucessivas no valor fixo de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) líquidos.
11. Os valores descritos na cláusula 10 “a” são líquidos, sendo descontados os tributos incidentes, em um total de 17,73%, sendo que o desconto de 6,15% (IRPJ 1,5%, PIS 0,65%, CSLL 1%, COFINS 3%) já incidem diretamente na nota fiscal e o restante de 11,58% (IRPJ 9,70%, CSLL 1,88%) será recolhido pela CONTRATADA conforme determinado pela legislação. Desta forma, os valores mensais de pró-labore mencionados no Item (a) da Clausula 10ª acima terão valor bruto de R$ 3.646.529,77 (três milhões, seiscentos e quarenta e seis mil, quinhentos e vinte e nove reais e setenta e sete centavos), a serem depositados pelo CONTRATANTE até o dia 5º (quinto) dia útil de cada mês.
12. Todos os honorários e custas previstos neste pacto serão pagos mediante Transferência Eletrônica Disponível (TED) para crédito na conta corrente que a CONTRATADA mantém junto ao Banco Itaú S.A, nº da agência São Paulo, SP, mediante a apresentação da Nota Fiscal de Serviços aos respectivos contratantes, cujos valores serão os fixados na cláusula 10ª .
13. As despesas operacionais de quaisquer espécies para a realização do objeto ora contratado, tais como taxas e emolumentos cobrados pelos órgãos públicos, custas judiciais de quaisquer espécies, despesas de deslocamento (inclusive passagens aéreas), fotocópias, hospedagem e refeições, não se incluem na remuneração devida no presente contrato, e serão integralmente reembolsadas pelo CONTRATANTE mediante a simples apresentação dos respectivos comprovantes de desembolso pelo escritório. Referidas custas podem ser recolhidas pela CONTRATADA até o montante de R$1.0000,00 (mil reais). O
recolhimento de valores superiores ao indicado deverão ser custeados pelo CONTRATANTE mediante o envio das respectivas guias/custas para pagamento num prazo de 5 dias úteis.
14. Na hipótese de atraso superior a (15) quinze dias para o pagamento de quaisquer das custas referidas (cláusulas 10 a 13), incidirá multa moratória de 10 % (dez por cento) sobre o valor da fatura e juros moratórios calculados “pro rata” de 1% (um por cento) ao mês.
IV – DAS HIPÓTESES DE EVENTUAL RESCISÃO CONTRATUAL
15. Na hipótese do CONTRATANTE, por sua conveniência e unilateralmente, rescindir o contrato, será devido o valor integral do PROLABORE à CONTRATADA. O valor integral do PROLABORE deverá ser pago em até 15 (quinze) dias da data da rescisão contratual pelo CONTRATANTE.
16. Na hipótese de atraso superior a (15) quinze dias para o pagamento de quaisquer das parcelas referidas (cláusulas 10 a 13), incidirá multa moratória de 10 % (dez por cento) sobre o valor da fatura e juros moratórios calculados “pro rata” de 1% (um por cento) ao mês.
17. Considerando a natureza alimentar da remuneração avençada, a ocorrência de inadimplemento superior a 90 (noventa) dias a contar da notificação com A.R. (aviso de recebimento), acarretará a automática rescisão do presente contrato com justa causa imputada ao CONTRATANTE, aplicando-se a cláusula 15.
18. Deste modo, a CONTRATADA, por consequência lógica decorrente da rescisão irá renunciar a representação jurídica em relação a todos os processos judiciais e/ou administrativos objeto da presente contratação. Sempre respeitando o disposto no § 1º do Art. 112 do CPC.
19. Caso o CONTRATANTE e a CONTRATADA tenham firmado outros instrumentos cujo objeto seja a prestação de serviços jurídicos, em havendo a rescisão do presente instrumento, por inadimplência e quebra de confiança por parte do CONTRATANTE será facultado à CONTRATADA, de modo potestativo, promover a rescisão motivada e a renúncia de representação em relação aos demais contratos firmados, nesse caso, com a remuneração vinculada a fase processual, administrativa em que atuou nos termos do Art. 112 do CPС.
V – DISPOSIÇÕES FINAIS
20. Fica eleito o Foro Central de São Paulo para dirimir quaisquer litígios decorrentes do cumprimento deste contrato.
21. Por estarem justos e contratados, assinam o presente instrumento, lavrado em duas vias de igual teor e forma.
São Paulo, 16 de janeiro de 2024.
BARCI DE MORAES SOCIEDADE DE ADVOGADOS
GUILHERME DE TOLEDO BENAZZI
Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)
Deu no MSN
Um relatório da Polícia Federal levanta suspeitas graves sobre o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, apontando-o como possível “beneficiário final” ou “proprietário de fato” do fundo de investimento Arleen, que recebeu ao menos R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo apuração exclusiva da revista Piauí, os recursos foram transferidos para uma holding registrada nas Ilhas Virgens Britânicas ao longo de 2025, por meio de um empresário descrito como amigo do ministro. O documento está há sete meses sob análise do ministro André Mendonça, também do STF, sem que haja qualquer posição pública sobre o caso.
AFIRMA A PF – Um relatório da Polícia Federal apresenta o que descreve como “elementos de informação que, analisados de forma conjunta, apontam no sentido de que o ministro José Antonio Dias Toffoli possa ter figurado como beneficiário final ou proprietário de fato do FIP Arleen, bem como de seus ativos”.
O documento, ao qual a revista Piauí teve acesso, coloca o ministro no centro de uma investigação que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e ao menos R$ 35 milhões aportados no fundo Arleen.
O mesmo relatório aponta, segundo a Piauí, que “documentos e comunicação sugerem uso de interpostas pessoas e estruturas no exterior, incluindo movimentações envolvendo a Egide I Holding nas Ilhas Virgens Britânicas”.
SÓCIO DO RESORT – O fundo Arleen era sócio do Tayayá, resort localizado em Ribeirão Claro, no interior do Paraná, que pertence a Toffoli e sua família, o que, segundo a apuração, reforça a suspeita de proximidade entre o ministro e os ativos investigados.
Toda a operação descrita no relatório da PF se deu ao longo de 2025, segundo a Piauí. Em fevereiro daquele ano, o empresário Alberto Leite, descrito como amigo de Toffoli e dono da empresa de segurança FS Security, adquiriu o fundo Arleen. No mês seguinte, Leite registrou a holding Egide I nas Ilhas Virgens Britânicas e, no mesmo período, alterou o regulamento do Arleen para autorizar investimentos no exterior, abrindo o caminho legal para a remessa dos recursos.
A etapa final da operação ocorreu em dezembro de 2025: o Arleen transferiu cerca de R$ 34 milhões para a Egide I Holding, liquidando seus ativos.
TRANSFERÊNCIA – “Deste modo”, afirma o relatório da PF conforme reproduzido pela Piauí, “pode-se afirmar que todo o ativo do Arleen é transferido para a Egide I Holding na liquidação do fundo”. A sequência, compra do fundo, abertura da holding no exterior, alteração regulatória e transferência final, ocorreu em menos de um ano.
Além da questão financeira, o relatório da PF levanta uma segunda linha de suspeita: a de que o banqueiro Daniel Vorcaro possa ter influenciado um voto de Toffoli em uma causa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro, de acordo com a Piauí. O caso em questão envolve a destilaria Alcídia, do grupo Atvos, e teria impacto direto sobre a carteira de precatórios do Banco Master, que somava mais de R$ 10 bilhões.
O elemento que sustenta a suspeita, segundo a apuração da Piauí, é uma mudança de posicionamento do próprio Toffoli. O ministro, que historicamente votava a favor das usinas em disputas sobre precatórios, teria “virado voto” em uma ação similar dias antes do julgamento do caso Alcídia, passando a decidir a favor da União.
“PARADIGMA” – A reportagem também relata que André Kruschewsky, diretor jurídico do Banco Master, enviou mensagem a Vorcaro descrevendo o caso Alcídia como “paradigma para nossos casos”, o que, segundo o relatório da PF, reforça a suspeita de interesse direto do banco no desfecho do julgamento.
Consultado pela Piauí sobre as suspeitas, o gabinete do ministro Dias Toffoli enviou nota afirmando que “o ministro jamais manteve ou teve direta ou indiretamente recursos no exterior” e que “o ministro jamais realizou qualquer operação direta ou indiretamente nas Ilhas Virgens Britânicas”. A defesa não aborda especificamente a relação com Alberto Leite, com o fundo Arleen ou com a holding Egide I.
O relatório da Polícia Federal está há sete meses nas mãos do ministro André Mendonça, do STF, sem que haja qualquer manifestação pública sobre o caso, segundo a Piauí. A inércia chama atenção pela gravidade das suspeitas descritas no documento: um ministro da mais alta corte do país apontado como possível beneficiário oculto de um fundo alimentado por um banqueiro com causas em julgamento no próprio tribunal.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Não pode haver nenhuma suspeita sobre Mendonça, porque o caso Master esteve sob sigilo até agora. Logo se saberá se ele engavetou uma acusação tão séria. Pessoalmente, não acredito nisso. Mendonça jamais iria se sujar para proteger o imundo Toffoli. (C.N.)
Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)
Duarte Bertolini
Algum brasileiro com mais de dois neurônios ainda perde tempo ouvindo estas bazofias do velho canastrão do PT? Como se sabe, Lula foi o líder encarregado por muitos sonhadores (inclusive eu) de provar que o Brasil tinha outro jeito e um futuro melhor.
Por mais de 40 anos ele monopoliza este sonho com discursos rasos, para plateias de analfabetos políticos ou fanáticos que ficam entusiasmados por suas palavras, as mesmas de sempre, enquanto seus parceiros de assalto arrombam os cofres públicos.
EU ACREDITEI… – Confesso que fui ingênuo em acreditar que um personagem com essas péssimas características pudesse nos conduzir a qualquer futuro razoável. Mas os anos passaram, fiquei de cabelos brancos, agora tenho netos, e a promessa de futuro tornou-se mais velha e esfarrapada do que minha aparência.
Em poucos dias, decidiremos entre os candidatos que representam a farsa anunciada e a tragédia consolidada, com expectativas de um tenebroso futuro de ignorância, truculência e corrupção, não importa qual seja a escolha do eleitorado, estaremos sendo governados pelos mais piores.
O mais incrível é a troca de acusações. Da parte desse governo que nos explora há 24 anos, constatamos a eterna falta de ética. Agora, a imprensa venal está atulhada de acusações sobre o filme “Dark House”, com denúncias que deixam em segundo plano a imundície do rastro do ministro Alexandre de Moraes e seus colegas do Supremo.
EXPLICAÇÕES – Sei que tenho algumas deficiências intelectuais e certas dificuldades para entender o que parece claro para todos. Por isso recorro a vocês para me ajudarem a entender um pouco mais. Então, pergunto: Ressalvadas todas as práticas anteriores, de rachadinhas e outras experiências tenebrosas etc., etc., de qual crime estão realmente acusando Flávio Bolsonaro no financiamento do filme?
O senador Flávio há quatro anos não está no governo. Portanto, não poderia beneficiar Vorcaro de forma impactante, porque está sem a caneta lulista usada por gente esperta como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Rui Costa, Jaques Wagner, Lulinha e Lulão.
Sinceramente, não entendo qual é a vantagem que Vorcaro teria ao financiar um filme produzido pela oposição, que não tem de onde tirar dinheiro. Por favor, me ajudem a entender. Será que o banqueiro apenas estava investindo no futuro? Talvez seja a única explicação, mas fico em dúvida.
Autonomia dos ministros produziu decisões conflitantes
Pedro do Coutto
A intervenção de Edson Fachin tenta conter o confronto entre Alexandre de Moraes, André Mendonça e Flávio Dino, mas a sessão do dia 15 colocará o próprio Supremo diante de uma questão central: quais são os limites dos ministros quando a crise nasce dentro da própria Corte
O Supremo Tribunal Federal chegou a um ponto em que já não basta administrar divergências entre ministros. O conflito envolvendo Alexandre de Moraes, André Mendonça e Flávio Dino expôs uma questão institucional mais ampla: como deve agir uma Corte quando seus próprios integrantes passam a ocupar posições conflitantes em casos que envolvem autoridades e interesses próximos ao tribunal?
INTERVENÇÃO – É esse o problema que Edson Fachin terá de enfrentar na sessão plenária marcada para a próxima semana. Presidente do STF, Fachin interveio depois que decisões de Mendonça e Dino sobre o comando da Polícia Federal passaram a se chocar e depois que o nome de Moraes apareceu em um relatório da PF relacionado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Fachin suspendeu as decisões conflitantes sobre a direção da PF, manteve provisoriamente Andrei Rodrigues no cargo e retirou de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News, que estava sob seu comando havia mais de sete anos. A medida procura impedir que uma crise envolvendo integrantes da própria Corte continue sendo conduzida por decisões individuais. O conflito, porém, será levado ao plenário.
RELATÓRIO – No centro da discussão está o relatório produzido pela Polícia Federal a partir de dados encontrados no celular de Daniel Vorcaro. Segundo informações divulgadas pela imprensa, foram identificadas 52 mensagens atribuídas ao banqueiro e destinadas a um número associado a Moraes. As comunicações ocorreram sobretudo nos dias que antecederam a prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, quando ele procurava o ministro para tratar do avanço das investigações contra o Banco Master.
A existência do contato, isoladamente, não caracteriza irregularidade. O que exige esclarecimento é o conteúdo das mensagens e o contexto em que foram produzidas. Vorcaro teria procurado Moraes para discutir o avanço das investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República. Em mensagens reveladas, perguntou se seria possível conter ou retardar medidas contra o Banco Master e mencionou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, além do procurador-geral Paulo Gonet. Às vésperas da prisão, também perguntou ao ministro se deveria deixar o país.
As mensagens não comprovam, por si só, corrupção, obstrução de Justiça ou qualquer outro crime. Mas também não podem ser consideradas irrelevantes pelo fato de envolverem um ministro do Supremo. Se há suspeitas, elas precisam ser examinadas pelos mesmos critérios aplicados a qualquer outra autoridade.
APURAÇÃO – A situação ganhou outra dimensão com as informações sobre encontros pessoais entre Vorcaro e Moraes e sobre um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. Reportagens apontaram encontros entre os dois a partir de 2023 e mencionaram o contrato no contexto dessa relação. Esses elementos não estabelecem, por si, uma irregularidade, mas reforçam a necessidade de uma apuração independente e transparente.
Foi nesse ambiente que André Mendonça entrou em choque com Moraes. Como relator de medidas relacionadas ao caso, Mendonça adotou decisões que atingiram diretamente a esfera de atuação de Moraes, ampliando uma divergência que passou a envolver os próprios ministros.
O episódio envolvendo Andrei Rodrigues tornou o problema mais evidente. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal; Dino decidiu reintegrá-lo; e Fachin suspendeu as duas decisões, mantendo Rodrigues provisoriamente no cargo e pedindo esclarecimentos aos envolvidos. O resultado foi uma sequência de decisões contraditórias dentro da mesma Corte sobre o comando de uma das principais instituições de investigação do país.
CONFLITOS – Divergências são naturais em uma Corte constitucional. O problema surge quando a autonomia dos ministros, necessária para garantir sua independência, passa a produzir decisões conflitantes sem mecanismos suficientemente claros para resolver a disputa. O Supremo possui enorme poder institucional, e justamente por isso precisa demonstrar que suas decisões são submetidas a procedimentos capazes de funcionar também quando o conflito está dentro do próprio tribunal.
Essa questão ganhou importância nos últimos anos, quando o STF assumiu papel central na defesa das instituições democráticas após os ataques de 8 de janeiro e na contenção de ameaças ao regime constitucional. Moraes tornou-se o principal rosto dessa atuação e, por isso mesmo, acumulou adversários políticos e críticas sobre a extensão de seus poderes.
O atual episódio coloca a Corte diante de outro teste: demonstrar que os padrões de legalidade que aplica aos demais também valem para seus integrantes. A independência judicial não significa ausência de controle, assim como uma investigação contra um ministro não pode ser confundida automaticamente com perseguição política.
SEPARAÇÃO INSTITUCIONAL – A decisão de Fachin de retirar Moraes da relatoria do Inquérito das Fake News deve ser lida nesse contexto. O presidente do STF não declarou Moraes culpado de qualquer irregularidade. Ao assumir a relatoria e estabelecer limites para novas investigações envolvendo ministros, procurou criar uma separação institucional entre o tribunal e uma controvérsia que atingiu diretamente um de seus integrantes.
A sessão do dia 15 não resolverá necessariamente todas as questões. O plenário poderá analisar o relatório da PF, as medidas adotadas e os pedidos relacionados ao documento. Mais importante, porém, será definir parâmetros para evitar que futuras controvérsias envolvendo ministros sejam conduzidas de maneira semelhante.
A resposta não pode depender apenas da prudência individual de Fachin, Mendonça, Dino ou Moraes. Instituições fortes precisam de regras e procedimentos que funcionem independentemente de quem esteja envolvido. É essa estrutura que permite investigar suspeitas sem transformar o tribunal em instrumento de disputas políticas ou corporativas.
ERROS OPOSTOS – Também será necessário evitar dois erros opostos. A oposição não pode transformar suspeitas em prova automática de uma conspiração contra Moraes, enquanto aliados do Supremo não podem tratar qualquer questionamento ao ministro como ataque às instituições. A própria Corte, por sua vez, precisa demonstrar que independência judicial não significa proteção corporativa.
A crise, portanto, ultrapassou a disputa entre quatro ministros. Ela envolve os limites do poder judicial e a capacidade do STF de estabelecer mecanismos de controle para seus próprios integrantes. Isso ganha peso adicional em um momento de forte polarização política e de aproximação das eleições presidenciais.
CRITÉRIOS – Na sessão de 15 de setembro, o plenário estará diante de mensagens, decisões conflitantes, um relatório policial e diferentes interpretações sobre a atuação dos ministros. Mas a questão central será institucional: se o Supremo exige transparência, controle e responsabilidade dos demais Poderes, precisa demonstrar que aceita os mesmos critérios quando a controvérsia chega à sua porta.
Fachin tentou interromper a escalada ao retirar decisões conflitantes da esfera individual e levá-las ao colegiado. Caberá agora ao plenário mostrar que a força de uma Corte não está apenas na extensão de seus poderes, mas também na capacidade de estabelecer limites para eles. Um Supremo submetido a regras é mais forte do que um Supremo dependente da autoridade individual de seus ministros.

Charge do Nanquim (nanquim.com.br)
Roberto Nascimento
A crise do Supremo Tribunal Federal é cada vez mais complicada e ameaça arrastar os poderes Executivo e Legislativo, contaminando e radicalizando o clima pré-eleitoral, que pode até mergulhar a nação rumo ao desconhecido.
A caserna está em silêncio, como determina a Constituição, nem mesmo os clubes militares resolveram fazer as pressões de sempre. Mas é preciso lembrar que as Forças Armadas no Brasil têm o péssimo costume de desrespeitar a regra constitucional de não se intrometerem na política. Portanto, quando começam a ouvir o clamor nacional, com a voz do povo nas ruas, aí é que mora o perigo de uma nova intervenção militar.
ANAIS DA HISTÓRIA – Como todos sabem, assim aconteceu na derrubada do Império, no movimento Tenentista, na Revolução de 30, na presidência do general Eurico Gaspar Dutra em 1945, com Getúlio Varga voltando para São Borja. Depois, no suicídio dele no Palácio do Catete, em 1954, no final do governo eleito de Vargas nas urnas, e por fim na derrubada de Jango pelos generais em 1964.
Esses confrontos políticos, em síntese, compõem a história das intervenções militares no Brasil desde o nascimento da República.
O fato concreto é que as Forças Armadas estão sempre de olho na política, esperando uma oportunidade de voltarem ao poder, o que quase aconteceu no final do governo de Jair Bolsonaro.
QUADRO DE RISCO – Desta vez, a crise institucional ocorre num quadro de risco, com vários generais cumprindo pena de prisão e agora ameaçados de perderem as patentes, desta vez no julgamento pelo Superior Tribunal Militar.
Essa situação recomenda que o presidente do Supremo, Édson Fachin, conduza com o máximo de zelo as articulações de bastidores, para esfriar o clima até o julgamento da próxima terça-feira.
Ninguém tem obrigação de defender a impunidade de quem quer que seja. Porém, ao mesmo tempo, ninguém tem direito de ameaçar a estabilidade democrática do país. É tempo de cautela.
Rede de investigações atinge o núcleo político de Flávio
Marcelo Copelli
Revista Fórum
O problema de Flávio Bolsonaro deixou de caber dentro de um filme. A operação deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, somada à homologação da delação de um operador de Daniel Vorcaro, tirou o caso Dark Horse do terreno estreito do financiamento de uma cinebiografia e o colocou no centro de uma investigação sobre recursos privados, emendas parlamentares, contratos públicos e uma cadeia de intermediários ainda em apuração. O que era uma pergunta sobre dinheiro de um empresário virou uma pergunta sobre uma estrutura.
A negociação original é conhecida: Flávio tratou diretamente com Vorcaro o financiamento da produção sobre a vida de Jair Bolsonaro, orçado em R$ 134 milhões, dos quais ao menos R$ 63,7 milhões já teriam sido pagos, parte por meio do Havengate Development Fund, nos Estados Unidos.
REPASSE ADICIONAL – Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou, nos últimos dias, um repasse adicional de cerca de R$ 8,5 milhões ao fundo — valor que não constava nas movimentações conhecidas até então. Questionado, Flávio disse não ter como saber os detalhes e remeteu as perguntas à produtora.
Essa explicação passou a enfrentar um problema maior na quarta-feira, quando foi homologada a colaboração de Antônio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, apontado como operador financeiro de Vorcaro. Freixo relatou transferências ligadas ao Havengate e movimentações em espécie — informações que a Justiça ainda precisa confrontar com documentos, mas que já deslocam o centro de gravidade do caso: não se trata mais de um pagamento isolado, e sim de um fluxo com vários pontos de passagem.
Logo em seguida, a Operação Make Up cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, tendo como alvos o deputado Mario Frias — produtor-executivo e roteirista de Dark Horse — e Karina Ferreira da Gama, à frente da produtora Go Up Entertainment. A apuração investiga desvio de emendas parlamentares e contratos municipais, entre eles R$ 1 milhão destinado por Frias ao Instituto Conhecer Brasil para um projeto de empreendedorismo que, segundo a investigação, não chegou a ser executado, além de contratos do instituto com a Prefeitura de São Paulo.
TAMANHO DO TABULEIRO – Nada disso prova, até aqui, que dinheiro público tenha financiado o filme; essa ligação cabe à apuração demonstrar, e Flávio não foi alvo da operação desta quinta-feira. O que já mudou é o tamanho do tabuleiro: onde antes havia uma relação entre dois nomes, agora há uma rede de empresas, agentes públicos e movimentações que orbitam a mesma produção — e que atingem diretamente o entorno político do senador.
É essa mudança de escala, e não a existência da investigação em si, que fragiliza politicamente Flávio Bolsonaro. Contestar decisões judiciais e denunciar motivação política são prerrogativas legítimas. Mas cada novo operador e cada novo repasse tornam mais custosa a tentativa de desvincular-se da execução financeira de um projeto cujo financiamento ele mesmo negociou com Vorcaro — uma distância que deixou de ser apenas uma questão de comunicação e passou a ser uma questão de credibilidade.
Há, além disso, um problema de coerência: Flávio cobrou publicamente esclarecimentos rigorosos de outros nomes ligados a Vorcaro. Aplicar padrão diferente quando a mesma rede alcança um projeto da própria família esvazia o discurso que ele mesmo construiu.
RESPOSTA AUTOMÁTICA – É nesse contexto — não como capítulo à parte — que a pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta semana, ganha peso: Lula e Flávio aparecem empatados em 41% num eventual segundo turno, em levantamento feito entre 3 e 6 de setembro, antes da operação policial. O empate não decorre do caso Dark Horse, mas explica por que o caso importa: Flávio deixou de ser apenas um filho de Bolsonaro disputando espaço na direita e passou a ser candidato que precisa de eleitores fora do núcleo bolsonarista mais fiel — um público para o qual a resposta automática de “perseguição” pode não ser suficiente.
É justamente esse eleitorado, mais sensível a temas de gestão e transparência do que à disputa entre bolsonarismo e antibolsonarismo, que cobra de Flávio algo além de reafirmar lealdade à família: uma explicação que resista ao escrutínio fora da bolha que hoje sustenta sua candidatura.
CONVERGÊNCIA – A investigação segue aberta. A delação de Freixo terá de ser confrontada com provas; as suspeitas sobre emendas e contratos públicos precisam de comprovação; as conexões entre as diferentes frentes ainda serão estabelecidas. Mas Dark Horse já não é apenas um filme com financiamento controverso: tornou-se um ponto de convergência de investigações que envolvem dinheiro privado, recursos públicos e uma cadeia de operadores hoje sob exame da Polícia Federal.
Flávio Bolsonaro pode continuar contestando a investigação. O que mudou nesta semana é que Dark Horse deixou de ser apenas um problema de financiamento. Para um candidato à Presidência, passou a ser também um problema de credibilidade política.

Cármen Lúcia e Fachin devem garantir a maioria de 4 a 3
Carlos Newton
Está agendado para a próxima terça-feira, dia 15, o julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal para decidir se o ministro Alexandre de Moraes será investigado por suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, que propiciaram o enriquecimento ilícito do integrante do STF. A suspeita surgiu a partir de um relatório da Polícia Federal que revelou uma estarrecedora troca de mensagens entre Moraes e Vorcaro.
No entanto, para colocar em julgamento a investigação do ministro, o presidente do Supremo, Édson Fachin, terá de contornar um delicado impedimento processual, apontado pelo jurista carioca Jorge Béja aqui na Tribuna da Internet.
O artigo publicado por Béja explica que o Regimento do STF exige quórum de oito ministros para decidir assunto constitucional ou de seis ministros caso se trate de questão criminal.
DIZ O REGIMENTO – Como Alexandre de Moraes e André Mendonça estão suspeitos e não podem participar, por estarem diretamente envolvidos na questão, e Dias Toffoli foi impedido de julgar o caso Master pelo mesmo motivo, só restarão 7 ministros aptos a votar. Nessa hipótese, se Fachin considerar que o assunto é constitucional, o julgamento não poderá ser realizado, conforme Béja advertiu.
A única saída para Fachin será considerar que a questão não é constitucional, embora na verdade o tema “investigação de ministro” seja absolutamente constitucional (artigo 102, inciso I, alínea “b”).
Somente nesta hipótese escorregadia, Fachin poderá ir em frente e fazer o julgamento com apenas sete ministros em condições de votar. Assim, a questão será decidida por Luiz Fux, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Edson Fachin, Nunes Marques, Flávio Dino e Cristiano Zanin.
PERDE E GANHA – Sabe-se, sem medo de errar, que Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zani votarão contra a investigação de Alexandre de Moraes, enquanto Luiz Fux e Nunes Marques se manifestarão pela abertura do inquérito, formando o placar de 3 a 2.
Como serão necessários quatro votos para decidir a questão, a definição do julgamento dependerá das manifestações de Cármen Lúcia e Edson Fachin, criando um suspense de matar o Hitchcock.
Aqui em nossa trincheira da Tribuna, eu aposto que Fachin e Cármen serão favoráveis à abertura do inquérito contra Moraes e Andrei Rodrigues. Tanto Fachin quanto Cármen já passaram da chamada Idade da Razão que Jean-Paul Sastre celebrizou. Além disso, têm um nome a zelar e não vão se sujar para acudir um falso jurista emporcalhado como Alexandre de Moraes.
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P.S. 1 – As biografias de Fachin e Cármen, porém, mostram alguns deslizes. Foi Fachin quem inventou a “incompetência territorial absoluta”, para limpar a ficha suja de Lula, enquanto Cármen foi contra a censura a biografias (“Cala a boca já morreu…”), mas depois aplaudiu a censura nas redes sociais, criada por Moraes. Bem, a gente sabe que na vida todo mundo erra. Porém, no julgamento de terça-feira não se pode admitir que haja erros.
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P.S. 2 – Já ia esquecendo. Caso o plenário aprove, além de Moraes, também serão investigados Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República, porque é tríplice o efeito do pedido que o Partido Novo fez ao Supremo. (C.N.)

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)
Luiz Felipe Pondé
Folha
Lembro-me de que, nas eleições de 2022, muitos que apoiavam Lula falavam em defesa do projeto civilizador. Fato era que a figura de Bolsonaro, com seu comportamento vil, parecia dar lugar à ideia de que as boas maneiras, o respeito às pessoas que morriam de Covid —”não sou coveiro”, lembra?—, o comer com garfo e faca, enfim, Bolsonaro parecia uma ameaça de retrocesso ao neolítico — com todo o respeito ao neolítico.
Mas daí achar que o PT representa um Brasil mais civilizado é outra história. O PT é uma gangue, responsável, em grande parte — uma vez que tem estado no poder federal por quase 18 anos —, pela desgraça moral, econômica e política que se abate sobre o país.
TUDO PODRE – O PT não é uma força civilizadora no Brasil, aliás, diga-se de passagem, tampouco é o centrão, a direita, o STF —todos delinquentes. Todos eles se reúnem num grande abraço de afogado. Sugam o país como sanguessugas letais.
Um país em que os líderes dos três Poderes se reúnem para ferir a lei, traficar influência e faturar alta grana a favor dos seus, não pode deixar de ver um esgarçamento do contrato social. E, quando ocorre esse tipo de fenômeno, torna-se inevitável o crescimento da desconfiança entre os cidadãos.
Esse esgarçamento aparece nos espancamentos que vimos nas últimas semanas. Aparece no modo como motociclistas, ciclistas e motoristas se comportam nas vias públicas. Um monte de gente não respeita nem mais farol vermelho.
ATÉ NA MÚSICA – Aparece no fato de muita gente ouvir música alta nas suas casas, obrigando os vizinhos a aguentar a música lixo que essa gente gosta.
Aparece também no modo dramático como cada vez mais sentimos que qualquer estabelecimento comercial ou empresa pode ser lavador de dinheiro. Aparece na violência da especulação imobiliária em cidades como São Paulo, que constroem torres imensas, despejando milhares de carros, destruindo a qualidade do convívio nos bairros. Um grande “foda-se” percorre nossas vidas no Brasil.
A ideia de que nossos líderes deveriam servir de exemplo é letra morta. Durante o período das eleições, como agora, essa gente vem atrás de nós para votarmos neles. Mas, para quem tem mais de dois neurônios, é óbvio que mentem e riem da nossa cara. Lula, ao prometer projetos, deveria responder, afinal, por que, depois de tanto tempo no poder, qual foi a razão de não ter realizado esses “projetos” até agora.
EXPERIÊNCIA ZERO -Por outro lado, como confiar num candidato — Flávio Bolsonaro — com experiência zero de gestão pública, erguido à condição de candidato só porque tem o sangue do pai?
Esse critério de indicação de sucessor para o cargo maior da República replica modos de transmissão do poder característicos das máfias. Segundo Joseph Schumpeter, na democracia, o soberano se estabelece por meio de uma competição por votos —conhecida como eleições. Logo, o que importa é ganhar essa competição por votos, o resto é blá-blá-blá.
E, na medida em que essa competição por votos se acirra entre grupos que se odeiam, a tendência é que cada vez mais esses candidatos deem menos bola para “projetos” e discursos racionais. O objetivo único é ganhar a competição por votos e que se foda.
SEM QUALIDADE – Por outro lado, as pessoas polarizadas e militantes estão na mesma “vibe” que seus candidatos preferidos. Nem candidatos, nem eleitores estão preocupados com a “qualidade dos políticos”.
Preocupam-se que os seus políticos vençam e ponham a mão na grana do Estado. Mas, apesar de falarmos de política, a questão é pré-política. O que isso quer dizer? Isso quer dizer que o problema do Brasil é, em grande parte, moral, e a moral é mais difícil de manipular do que a política.
Os costumes, os hábitos, os sentimentos morais, como dizia Adam Smith no século 18, os comportamentos espontâneos entre nós estão em franca desagregação. A cultura brasileira hoje pertence ao “sem noção”, a própria alegria brasileira hoje não passa de signo de atraso e falta de civilização. A bandidagem adora gente alegre.
FALTA EDUCAÇÃO – Talvez a dura verdade seja que não há como manter certos cuidados morais básicos quando se é ruidosamente alegre como muitos brasileiros são, e mal educados, que escondem essa má educação sob o manto da alegria festiva.
Assim como há a esquerda festiva, há o mal educado festivo. Não se trata de aliviar a barra dos políticos e ministros corruptos, mas, sim, de dizer que a corrupção brasileira é moral, antes de ser política. Não dá para ser civilizado e sujar ruas com seus maus hábitos e garrafas de Macallan.
Não há civilização sem contenção moral. Sei, os inteligentinhos vão às raias da loucura com isso, mas que fiquem, hoje, brincando no parquinho.

Aliados de Moraes devem usar trecho de decisão de Fachin
Mariana Muniz
O Globo
As decisões tomadas na última quarta-feira pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, impuseram um revés a Alexandre de Moraes ao retirar de suas mãos a condução do inquérito das fake news, mas também ofereceram argumentos para que aliados do magistrado tentem barrar investigação em sessão da próxima terça-feira.
O plenário analisará o processo que reúne o relatório da Polícia Federal com informações sobre a relação de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ao centralizar na presidência as diferentes frentes abertas durante a crise, Fachin determinou a suspensão de “todo e qualquer procedimento” que envolva uma potencial investigação contra integrantes do STF e estabeleceu que casos dessa natureza devem ser previamente submetidos à presidência da Corte.
ARGUMENTO – A determinação cria, para investigações envolvendo ministros, uma etapa anterior à abertura ou ao prosseguimento das apurações. O entendimento coincide com um dos principais argumentos apresentados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para pedir a anulação do relatório produzido pela PF e encaminhado a André Mendonça.
Segundo a PGR, ao determinar a identificação dos interlocutores de Vorcaro e requisitar informações sobre sua rede de influência, Mendonça teria buscado elementos contra outro integrante do Supremo sem comunicar previamente a Presidência e sem submeter a medida ao plenário.
Esse ponto deverá estar no centro da discussão marcada para terça-feira. Antes mesmo de avaliar o conteúdo das informações reunidas pela PF sobre Moraes, os ministros poderão ter de decidir se o procedimento que deu origem ao relatório respeitou as regras aplicáveis à investigação de integrantes da própria Corte.
VÍCIO NA ORIGEM – Se prevalecer o entendimento de que houve um vício na origem, ou seja, que a forma como Mendonça determinou a produção do relatório não cumpriu o rito necessário, abre-se espaço para que o plenário invalide o relatório sem avançar sobre o mérito de informações relacionadas a Moraes.
Fachin não antecipou qual posição adotará no julgamento. Desde o início da crise, porém, o presidente tem colocado o respeito ao rito e às garantias processuais no centro de suas manifestações.
Ao abrir um procedimento para centralizar na presidência do STF as apurações e decisões relacionadas à crise envolvendo Moraes, Mendonça e a Polícia Federal, o presidente da Corte afirmou ser de sua responsabilidade garantir o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a competência do plenário para deliberar sobre atos de ministros do Supremo.
NOVAS APURAÇÕES – A construção adotada nesta quarta-feira também altera o procedimento para eventuais novas apurações contra integrantes da Corte. Fachin estabeleceu que potenciais investigações deverão passar inicialmente pela presidência, concentrando em seu gabinete a análise sobre o encaminhamento desses casos.
O movimento ocorre ao mesmo tempo em que Fachin tomou uma medida de forte impacto sobre Moraes. O presidente revogou a delegação dada ao ministro em 2019 para conduzir o inquérito das fake news e determinou que investigações preliminares ainda vinculadas ao procedimento retornem à presidência para uma análise antes de serem encaminhadas à autoridade policial e, posteriormente, à PGR.
A sessão extraordinária foi convocada para terça-feira, dia 15, às 10h. Formalmente, o plenário analisará o processo da relatoria de Mendonça em que consta relatório da Polícia Federal que aponta Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro. Fachin suspendeu nesta quarta-feira a tramitação do processo até nova deliberação, mas manteve sua apreciação pelo colegiado, uma vez que o próprio relator já havia indicado o caso para julgamento.

Charge do Izanio (Coluna Esplanada)
Lorenzo Santiago
CNN
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes acumula agora 55 pedidos de impeachment no Senado. O número de ações contra o magistrado cresceu depois que o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) entrou com mais uma solicitação.
O congressista pede que Moraes perca o cargo e seja inelegível por 8 anos. A nova ação foi assinada por ao menos 21 senadores e entra em uma lista de pedidos que se arrastam desde 2021. As petições foram feitas por deputados, senadores, associações, organizações e até cidadãos comuns.
INDEFERIMENTO – O único pedido indeferido até agora foi feito pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em 2021. O ex-mandatário formalizou o pedido em 24 de agosto e, três dias depois, o ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), negou a ação. Na ocasião, o congressista afirmou ter submetido a denúncia à Advocacia do Senado, que deu parecer afirmando que a peça não tinha “adequação legal”.
“Há também o lado político de uma oportunidade dada para que possamos restabelecer as boas relações entre os Poderes. Quero crer que esta decisão possa constituir um marco de pacificação e união nacional, que tanto pedimos, e é fundamental para o bem-estar da população e para a possibilidade de progresso e ordem no nosso país”, afirmou Pacheco.
O aumento no número de pedidos ocorre em meio à uma nova crise no Supremo. O ministro André Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, e do delegado Leandro Almada do cargo de diretor de Inteligência Policial da PF.
RELATÓRIOS DE INTELIGÊNCIA – A decisão foi tomada depois de o ministro Alexandre de Moraes ter utilizado relatórios de inteligência da Polícia Federal para apontar possíveis crimes de abuso de autoridade atribuídos a Mendonça na condução da relatoria do Banco Master e das fraudes do INSS.
Segundo Mendonça, os relatórios revelam um “monitoramento sistemático e ilegal”, realizado por mais de 30 dias, sobre sua atuação e a de outras autoridades, como o advogado-geral da União, Jorge Messias. O andamento desses pedidos dependeria do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Até agora, no entanto, ele não sinalizou qualquer movimento neste sentido.