Dino manda investigar suspeita de financiamento estrangeiro à campanha de Flávio

A democracia brasileira mudou de palco: das elites políticas às redes e às ruas

Redes sociais abriram espaço para novas formas de mobilização

George Avelino
Folha

Mundo afora, a democracia é um sistema político que sempre funcionou bem enquanto o debate público foi regulado com a participação limitada a líderes partidários, políticos, jornalistas, intelectuais, sindicalistas etc, o que permitia a agregação da diversidade natural de interesses em sociedades complexas.

Nas eleições, cidadãos escolhiam suas elites políticas dentro do menu proporcionado. Essas, por sua vez, competiam dentro das regras do jogo, que garantiam um Estado limitado, de forma a reduzir os custos da derrota eleitoral, garantindo a possível alternância de poder e o processamento pacífico dos conflitos.

DESAFIO – O surgimento das redes sociais desafiou esse alicerce tradicional da democracia e permitiu que vozes antes com espaço bastante limitado no debate público pudessem ecoar. No passado, os partidos ofereciam o menu de propostas e candidatos; agora, as redes abriram espaço para novos grupos, cuja participação ainda é desorganizada e, muitas vezes, sem objetivos claros. Em alguns casos, eles se limitam apenas à destruição das instituições que fracassaram em incluí-los.

Como se adaptar a esse novo cenário foi o desafio das lideranças políticas que sustentaram a democracia brasileira desde 1985 e, sem conseguir se atualizar às novas formas de fazer campanha, aparentemente envelheceram. Assim, a vitória do presidente Lula pode ser explicada menos pelas lideranças tradicionais e mais pela intensa mobilização popular da última semana de campanha, só comparável à das Diretas Já, fundamental para a democratização do país há mais de 40 anos.

EXÉRCITO DIGITAL – A mobilização iniciada pelo movimento estudantil rejuvenesceu a campanha. André Janones (Rede-MG), outra liderança nova, comandou seu “exército” digital, consagrando as redes como recurso eleitoral relevante. O desafio agora é manter essa mobilização e adaptar a linguagem das redes –ainda simplória e virulenta– à proposição de políticas públicas. De qualquer forma, abriu-se uma janela para o uso delas a favor do campo democrático.

Também existem dilemas para o campo perdedor, que representa a outra metade do país. O primeiro é transformar o poder adquirido nas eleições para o Legislativo em algo menos rancoroso e mais propositivo. O segundo, relacionado ao primeiro, será substituir a liderança da família Bolsonaro em prol de uma ainda incipiente proposta de organização do campo conservador em moldes mais democráticos, algo inovador na história política do país.

Em suma, o resultado das eleições foi fruto sobretudo de um trabalho corpo a corpo, de quem saiu à busca de votos para defender a sua democracia. Oxalá as futuras disputas eleitorais possam ocorrer em ambiente mais construtivo, retomando o padrão clássico democrático em que a alternância de poder é vista como algo natural.

Fuga para os EUA enfatiza que o clã Bolsonaro realmente é patético e irrecuperável

Veja memes sobre a fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil - 27/10/2026 - Flavio  Bolsonaro - Fotografia - Folha de S.Paulo

Reprodução do Arquivo Google

Vicente Limongi Netto

Derrotado as urnas por Lula,  Flávio Bolsonaro perde também como homem, como cidadão, como homem público. Jogou no lixo os votos que recebeu no pleito presidencial. Envergonhou e humilhou todos que votaram nele.

Foi torpe e irresponsável com milhões de brasileiros que acreditaram no ue dizia. Brasileiros que julgavam que Flávio era candidato sério, a esperança da extrema direita.

ESTÁ FORAGIDO – Fugiu para os Estados Unidos, deixando perplexos os próprios aliados. Todos na televisão com cara de idiotas. Perdidos, sem saber o que dizer aos jornalistas. Desmoralizados pelo petulante e podre Flávio Bolsonaro.

Deixou claro que não tem condições morais nem profissionais para exercer a chefia da nação. Precisa estudar muito, conhecer realmente os problemas brasileiros, debater os temas sem debochar dos adversários.

Mentiu afirmando que não pretendia sair do Brasil. Mentiu na campanha toda,  debochando e ameaçando Lula e ministros do Supremo Tribunal Federal(STF). Cantou vitória antes do tempo.

FORAGIDO – Agora, fugindo para os braços de outro desequilibrado, Donald Trump, mas não escapará dos processos que correm contra ele na Suprema Corte. Não vai apequenar as instituições nem a democracia brasileira.

Só mesmo aliados sabujos e desprezíveis, a começar pelo próprio Trump,  têm o descaramento de defender a fuga indecorosa, covarde e irresponsável do ainda melancólico senador.

Flávio  não tem estatura nem compostura para insistir em ser respeitado exilado político. Lula foi condenado, preso e não fugiu. Cumpriu pena no Brasil. A nova fuga para os Estados Unidos  enfatiza que o clã Bolsonaro realmente é patético e irrecuperável.

Após a derrota, Flávio busca culpados enquanto aliados evitam rever os próprios erros

Idosos foram às urnas, reduziram abstenção e ajudaram Lula a virar a eleição

Derrota eleitoral deixa Flávio Bolsonaro diante de investigações e restrições judiciais

Governo Trump acompanha saída de Flávio do Brasil e deve conceder asilo, dizem aliados

Avião retido na Argentina, passaportes não entregues: o que se sabe sobre Flávio Bolsonaro

Incomunicável, Flávio Bolsonaro não entrega passaportes e alimenta suspeitas de fuga

Flávio não entregou os passaportes no prazo determinado 

Bela Megale
O Globo

Procurado por amigos e aliados desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira (27), Flávio Bolsonaro está incomunicável. O celular do senador nem chega a receber as mensagens e ninguém consegue falar com ele.

Um dos poucos que afirmou ter conversado com Flávio nas primeiras horas da manhã foi o coordenador de sua campanha, Rogério Marinho, que disse que o ex-candidato afirmou “estar espairecendo”. Nos bastidores, porém, o próprio Marinho reconhece que não sabe o paradeiro do senador desde que passou a circular a possibilidade de que ele teria fugido.

IRRITAÇÃO – Na reunião que teve com amigos, integrantes de sua campanha e seu time de advogados ontem, o senador estava possesso e deixou claro seu medo de ser preso. A irritação maior não era com a vitória, mas com o fato de o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter determinado a apreensão de seu passaporte.

Flávio repetia que não existia justiça no Brasil e que não tinha condições dele ser julgado pelo STF e ser absolvido. O senador é alvo de duas investigações que tramitam junto à corte. Para os presentes ficou claro que ele cogitava deixar o país.

O cenário foi debatido com aliados como Marinho, o governador Tarcísio de Freitas e o senador Guilherme Derrite, que fizeram parte da reunião. Flávio foi fortemente aconselhado a baixar a tensão, não entrar com qualquer medida para tentar anular a eleição e não fazer qualquer movimento de fuga, segundo presentes.

REFLEXOS – O senador mostrava medo de prisão ou dos reflexos que qualquer medida poderia ter para sua família, mas a leitura feita era a de que o STF não iria por esse caminho para não deixar o cenário ainda mais tenso.

Flávio estava tão nervoso que precisou gravar diversas vezes o vídeo que divulgou na tarde desta segunda-feira (26), até que os presentes consideraram que ele adotou o tom adequado. No PL, seu partido, o que impera na bolsa de apostas é que Flávio teria fugido para os Estados Unidos. Todos estão às cegas e não há confirmação do que houve até o momento, nem para a alta cúpula do partido.

A Polícia Federal deu 24 horas para Flávio entregar seus passaportes. O prazo já expirou e o senador não cumpriu a medida, mesmo tendo combinado com seus advogados que iria fazê-lo. O combinado era que ele ficaria no Brasil para capitalizar o movimento como principal herdeiro do bolsonarismo. Até o momento, Flávio sinaliza ter fugido, ao menos desta missão.

Um sonho inesquecível de Délcio Carvalho e Dona Ivone Lara

Compositor de 'Sonho Meu', Delcio Carvalho ganha musical sobre sua  trajetória

Ivone e Délcio, grandes parceiros

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor Délcio Carvalho (1939-2013), natural de Campos dos Goitacazes (RJ), na letra de “Sonho Meu”, em parceria com Dona Ivone Lara (1921-2018), pede à imaginação para ir buscar o seu amor. Este samba foi gravado por Maria Bethânia e Gal Costa no LP “Álibi”, de Maria Bethânia, em 1978, lançado pela gravadora PolyGram.

SONHO MEU
Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho

Sonho meu,
Sonho meu,
Vai buscar quem mora longe,
Sonho meu

Vai mostrar esta saudade,
Sonho meu
Com a sua liberdade,
Sonho meu
No meu céu
A estrela guia se perdeu
A madrugada fria
Só me traz melancolia,
Sonho meu

Eu sinto o canto da noite
Na boca do vento
Fazer a dança das flores
No meu pensamento
Traz a pureza de um samba
Sentido marcado
De mágoa de amor
O samba que mexe
O corpo da gente
E o vento vadio
Embalando a flor,
Sonho meu.

STF torna réu aliado de Bolsonaro por articulação contra a democracia

Vantagem de Lula foi 125 vezes maior que votos registrados após prorrogação da eleição

Zanin prorrogou eleição até as 19h no último domingo

Deu no O Globo

A prorrogação do horário de votação por duas horas no último domingo, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), teve um efeito irrisório. Embora tenha sido apontada pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) como uma mudança indevida nas regras da eleição, a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o adversário no segundo turno foi 125 vezes maior do que os votos registrados entre 17h e 19h.

Um levantamento feito pelo portal G1 indica que apenas 35.521 votos foram registrados após as 17h de domingo. Mesmo esse número ainda pode levar em conta eleitores que estavam na fila de votação antes das 17h mas que registraram seus votos após o período. O presidente Lula venceu a eleição com 64,2 milhões de votos. Sua diferença em relação a Flávio Bolsonaro foi superior a 4 milhões de votos. Os 35 mil votos representam 0,8% dessa diferença.

LOGS DE URNA – Os dados estão disponíveis nos chamados logs de urna, arquivos que registram todos os eventos das urnas durante a votação, como a abertura da votação e o seu fechamento. Ele não permite saber em quem os eleitores votaram, mas é possível identificar o horário em que cada evento aconteceu. São esses mesmos arquivos que permitem identificar, por exemplo, os números digitados nas urnas para saber como cada eleitor votou nulo, por exemplo.

A prorrogação foi determinada pelo ministro Cristiano Zanin após as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro apresentarem pedidos ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal para estender a votação, seja em municípios afetados por problemas no transporte público, seja por municípios atingidos por fortes chuvas. A campanha de Lula acusou prefeitos de capitais como São Paulo e Salvador de diminuírem a frota disponível para a população.

Zanin determinou a extensão até as 19h em todo o país. Posteriormente, esclareceu que a decisão se aplicava às urnas que ainda estavam abertas no momento da decisão. Às 19h, a votação foi finalizada e a apuração dos votos pelo TSE se iniciou.

CONTESTAÇÃO – Após a divulgação do resultado, mostrando a vitória de Lula, Flávio não reconheceu o resultado, acusando o Supremo de interferir nas eleições. “O ministro Zanin atropelou a Justiça especializada prorrogando as eleições por duas horas. Houve uma quebra total de isonomia entre brasileiros de diversos estados. Tem muita coisa que precisa ser feita antes de reconhecer esta sacanagem que ocorreu agora”, disse Flávio.

Os presidentes do STF, Edson Fachin, do Tribunal Superior Eleitoral, Nunes Marques, do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reconheceram o resultado. Além disso, presidentes de outros países também reconheceram o resultado e parabenizaram Lula pela vitória.

PL reconhece vitória de Lula, mas mantém dúvidas; Flávio insiste em anular eleição

Lula e a vitória de uma geração política que atravessou o tempo

Única diferença entre Flávio e Lula é o tipo de degradação a que levam o país

Três dias depois, Lula ainda procura culpados enquanto Flávio assume  postura de presidente | Sobral em Revista

Charge reproduzida do Sobral em Revista

Luiz Felipe Pondé
Folha

A eleição foi um surto. A política sempre foi um lugar da psicopatia coletiva. Se os Bolsonaros carregam uma tradição de desprezo pelo caráter constitucional da democracia, os lulistas revelaram sua natureza autoritária óbvia: “Vote em Lula, vida ou morte!”.

O exército de Lula foi uma milícia. Uma forma de assédio moral. Entre  Flávio ou Lula, a única diferença é o tipo de degradação do país. Essa degradação se dá pela miséria moral dos nossos líderes, materializada na delinquência da cultura política e no descuido com a sociedade.

DIFERENÇAS – Se Flávio tivesse vencido, haveria uma mudança de guarda nas gangues de Brasília. Como Lula foi para o quarto mandato, o PT aprofundará ainda mais seus tentáculos no poder corrompido do país.

Diante de um candidato com ares de perdido, obrigado a viver num mundo de adultos, permeado por escândalos, com histórico de vínculo com a milícia carioca e cercado por uma turba de furiosos nada inteligentes, ou, por outro lado, de um candidato e seu partido-gangue, que tem mantido o país sob sua tutela corrompida há quase 20 anos, as lágrimas deveriam ser a resposta mais justa para o funeral do Brasil que está diante de nossos olhos.

Falar em reeleger Lula depois de tantos anos era recusar ver como qualquer candidato ou partido no poder, por tanto tempo, terá necessariamente aparelhado a máquina do Estado quase ao ponto de não retorno.

MAIS CORRUPÇÃO – Num país corrupto como o Brasil, reeleição é incentivo à corrupção. O estrago que o PT vai fazer, em mais quatro anos de poder federal, será gigantesco. Lula enlouqueceu para se manter no poder, não apenas vendendo sua alma ao Diabo, mas entregando a alma do país ao anjo caído. Nesse clima, seu surto de que uma vitória de Flávio levaria o Brasil de volta a 1964 ganhou o Oscar de ridículo.

Por outro lado, imaginar que a vitória de Flávio tiraria o país das malhas da corrupção sistêmica era humilhante e sinal de inteligência mínima. Se os Bolsonaros flertaram com a intentona cafona de um golpe militar em 2022 e 2023, o PT pretende destruir a democracia através de seus equipamentos culturais e educacionais dispersos pela malha social, além da própria máquina colonizada do Estado.

Qualquer voz contrária ao PT correrá o risco de perder seu espaço a cada minuto. O projeto autoritário do PT é muito mais sofisticado do que o dos Bolsonaros.

Apontando o risco real de o mais corrupto dos Bolsonaros vir a ganhar as eleições, carregando consigo sua tradição de desprezo pela constitucionalidade do regime democrático, os petistas de todos os matizes da sociedade fingiram não perceber que o PT é um partido em busca da eternidade.

DUAS QUESTÕES – Essas eleições indicam duas questões importantes para a esquerda e para a direita. Para a esquerda, que a era Lula acabou, e não o Brasil, como ele disse no debate da Band. Para a direita, está posto o desafio: se ela conseguirá ou não superar o trauma paralisante do bolsonarismo como o ocaso da sua racionalidade.

Independentemente do vencedor dessas eleições, o Judiciário continuará perdido. Ministros do Supremo Tribunal Federal continuarão a trabalhar por seus políticos de estimação.

Magistrados continuarão a destruir vidas, patrimônios e carreiras, ao sabor do seu gosto ideológico ou dos seus interesses pecuniários. Porque, quando uma democracia perde a imparcialidade do Judiciário, ela já perdeu tudo.

NOSSA REALIDADE – Só iludidos não sabem disso. A ideia de que Lula salvaria a democracia em 2022 do outro desvairado Bolsonaro, o pai, revelou-se uma farsa. O que o Lula, e o PT, queriam mesmo era avançar na sua formação de uma gangue federal plena. E agora o PT continuará na sua marcha para a barbárie, sob as palmas dos intelectuais e jornalistas vendidos.

Muitas são as formas de escolher a estupidez como modo de vida. As eleições têm se tornado um dos momentos em que revelamos nossa vocação para a estupidez de forma mais clara.

E a democracia liberal, tal como a conhecemos, poderá ser vítima, justamente, do seu modo de estabelecer sua soberania, via competição por votos, como dizia o economista austríaco Joseph Schumpeter. Nada indica que haverá melhora significativa no procedimento dos candidatos e eleitores nas próximas eleições. Existem indícios sutis de que uma sociedade se perdeu. Um deles é a falta de educação doméstica. O Brasil, e seus poderosos da República, perderam a vergonha na cara e passaram a comer de boca aberta. O país optou pela lama e pela barbárie.

Flávio cogitou auditoria das urnas, mas aliados frearam ofensiva

Senador foi aconselhado a não repetir erros do pai

Rafael Moraes Moura
O Globo

Após se recusar a reconhecer o resultado das urnas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi aconselhado por aliados a calibrar o discurso, mudar de estratégia e não repetir os erros de seu pai. A guinada no discurso nesta segunda-feira (26), em que adotou um tom menos beligerante, anunciando que vai pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin sem falar em anular as eleições, foi interpretada nos bastidores como uma vitória da ala pragmática da campanha do PL, que pretende agora concentrar na arena política a artilharia contra o presidente Lula.

Ainda contrariado com a derrota para Lula, Flávio almoçou na segunda-feira (26) em Brasília para definir os rumos da oposição com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o coordenador da campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), e o senador eleito Guilherme Derrite (PP), além dos advogados Maria Claudia Bucchianeri e Tracy Reinaldet.

AUDITORIA – Uma das propostas cogitadas por Flávio foi a de pedir uma auditoria nas urnas, como tentaram Aécio Neves (PSDB) e Jair Bolsonaro (PL) nas eleições de 2014 e 2022, respectivamente. Mas ele foi aconselhado a não seguir adiante com nenhuma ofensiva contra o sistema eletrônico de votação, utilizado pela população brasileira desde 1996 e sem nenhuma acusação de fraude comprovada até hoje.

Um dos argumentos usados por participantes do almoço para implodir a ideia foi a de que o PL pagou um preço caro ao contestar o resultado das eleições presidenciais de 2022, com a imposição de uma multa de R$ 22,9 milhões por litigância de má-fé (acionar a Justiça de forma irresponsável), por decisão do então presidente do TSE, Alexandre de Moraes. Ou seja, qualquer tentativa de reeditar a estratégia de 2022 não só seria condenada ao fracasso, como poderia custar caro aos cofres do partido, mais uma vez.

CASSAÇÃO DA CHAPA – “Flávio foi aconselhado a reconhecer o resultado e a não cometer os mesmos erros lá atrás do pai. E por isso mesmo questionar o abuso de poder político e econômico e buscar a cassação da chapa de Lula e Alckmin, ao invés de buscar a anulação do processo eleitoral”, relata um aliado.

Em 2023, Jair Bolsonaro foi condenado pelo TSE por abuso do poder político e uso indevido dos meios de comunicação por utilizar uma reunião com embaixadores no Palácio da Alvorada para atacar o sistema eletrônico de votação.

CAMINHO ALTERNATIVO –  Para não repetir os passos de Jair, o PL optou então pelo caminho de entrar com uma ação de investigação judicial eleitoral (Aije) para cassar Lula e apurar eventuais abusos de poder político e econômico do presidente reeleito.

Assim, ao invés de colocar em xeque a lisura do processo eleitoral, o partido de Flávio decidiu contestar o uso da máquina pública para favorecer Lula, um caminho de menos confronto com o Judiciário, mas que ainda serve para marcar oposição ao PT e manter uma espécie de “faca no pescoço” do presidente ao longo de seu quarto mandato.

“Eu vou pedir, sim, a cassação da chapa do Lula por todos os abusos que ele cometeu. A lei tem que valer para todo mundo. A competição tem que ser justa e igual, o que não aconteceu. O Lula injetou quase meio trilhão de reais de dinheiro público para fazer a maior compra de votos da história das eleições no Brasil”, disse Flávio em vídeo postado nas redes sociais.

PROCESSO ARQUIVADO – Foi esse tipo de ação que assombrou Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB) no segundo mandato da petista. O processo acabou arquivado pelo TSE pelo placar apertado de 4 a 3, quando Dilma já tinha sido alvo de impeachment.

No entorno de Flávio, a leitura é a de que o atual TSE tem composição mais pró-Lula, o que afasta os riscos de condenação do presidente da República, pelo menos na atual conjuntura política e jurídica.

Cheio de problemas, novo governo de Lula tem tudo para ser decepcionante

PF ameaça rebelião caso Lula escolha por “militares traidores” para sua defesa - Estadão

Lula agora tem de aturar mais quatro anos de governo

Carlos Newton

Quando acordar e cair na realidade, Lula da Silva vai se olhar no espelho do Palácio da Alvorada e indagar: “O que estou fazendo aqui?”. O espelho lhe responderá mostrando seu ar de infinito cansaço, evidenciado pelo enrugamento do pescoço, que os cirurgiões plásticos não conseguiram remover na caprichada harmonização feita no ano passado.

Só então o presidente brasileiro lembrará que esta terça-feira é dia de seu 81º aniversário e será uma chatice, tendo de aceitar cumprimentos sem parar. Talvez seja melhor nem aparecer no Planalto e descansar mais um pouco, apesar da empolgação de dona Janja da Silva, que só quer saber de festejar.

CONFINAMENTO – Ao contrário da mulher, Lula sabe que o poder é ilusório e essa derradeira eleição o condenou a passar mais quatro anos confinado em Brasília, enquanto ainda tiver saúde para governar, pois o vice Geraldo Alckmin é como um urubu, eternamente pousado no ombro do presidente, esperando apenas o tempo passar.

Após a espetacular vitória contra um adversário estreante e de poucas chances, Lula se aborreceu logo de cara, ao tomar conhecimento de que as ações brasileiras despencaram no exterior, com queda de até 27%, enquanto o dólar comercial subia de R$ 4,99 para R$ 5,40. Papéis de XP, Santander, Bradesco. Banco do Brasil e Itaú, negociados nos EUA e na Europa, desabaram.

Lula não sabe o motivo. Julga que está sendo perseguido. Estava sonhando com a queda dos juros, prometeu isso na campanha, mas a vida não é bem assim. Agora não caem, mesmo.

METAS FISCAIS – Após a vitória, Lula terá de convencer o mercado de que vai mirar a meta fiscal para conter gastos. Por causa do saco de bondades, terá que enviar ao Congresso um ajuste inicial  no Orçamento de 2027, a regulamentação da PEC 6×1 e parte da Reforma Tributária.

Para se manter no terceiro mandato, o governo Lula teve de  recriar a velha dívida externa, que já tinha caído no esquecimento. Com a volta de derrotados à equipe do governo, como Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, Paulo Pimenta, Marina Silva, Simone Tebet, Renan pai e filho, Manuela D’Ávila e outros mais, ficará tudo no mesmo.

E assim vamos acompanhar quanto tempo Lula resiste no velho novo governo, que começa com prazo de validade já vencido.

Dino e Gilmar defendem respeito às urnas e à democracia após vitória de Lula

Dino e Gilmar destacam força das instituições

Luiz Felipe Barbiéri
G1

Os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fizeram manifestações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25).

Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno e conquistou seu quarto mandato. O resultado, com 100% das urnas apuradas, foi confirmado pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, pouco antes das 22h.

RESPEITO AO RESULTADO – Nas mensagens, os dois ministros do Supremo ressaltaram a importância do respeito ao resultado das urnas e às instituições democráticas. Dino desejou sucesso a todos os eleitos e afirmou que a “persistência democrática deve sempre ser enaltecida”. Gilmar declarou que “o respeito à vontade popular é o alicerce do Estado Democrático de Direito” (leia mais abaixo).

Gilmar também defendeu união, responsabilidade e diálogo entre forças políticas depois do fim da disputa eleitoral. Em publicação nas redes sociais, o ministro disse que a eleição evidenciou a “vitalidade, a força e a maturidade da democracia brasileira”.

“DIRETAS JÁ” –  Em sua manifestação, Flávio Dino fez referência à campanha das “Diretas Já”, da qual disse ter participado em 1984, e afirmou que o país chega ao fim de mais uma eleição presidencial com a certeza da realização de novos pleitos.

“Constato, mais uma vez, que tal campanha se revelou vitoriosa, pois chegamos ao final de uma eleição presidencial com a certeza de que outras virão. Em um país marcado por tantas rupturas institucionais desastrosas, essa persistência democrática deve sempre ser enaltecida”, afirmou.

O ministro também citou o pluralismo político previsto na Constituição e defendeu respeito entre os brasileiros. “Pedradas, tiros, chicotes e pessoas acorrentadas, símbolos nazistas e coações nunca mais devem fazer parte de um processo eleitoral no nosso país, já que são condutas ilegais”, declarou.

BONS CAMINHOS – Dino afirmou ainda esperar que os agentes políticos encontrem “bons caminhos de governança” e destacou a necessidade de políticas públicas, especialmente para os mais pobres.

Pediu, ainda, que sociedade civil, agentes do mercado, trabalhadores, empresas de mídia e líderes religiosos, entre outros setores, transmitam “mensagens de paz e ponderação”. “O Constitucionalismo Social e Liberal, consagrado pela Carta de 1988, deve seguir como o nosso mapa do caminho para um futuro melhor”, afirmou.

ALICERCE DA DEMOCRACIA –  Gilmar Mendes destacou a rapidez da apuração dos votos e afirmou que o resultado das urnas demonstrou a força da democracia brasileira. “O respeito à vontade popular é o alicerce do Estado Democrático de Direito. Em um pleito marcado por disputas acirradas, o protagonismo foi inteiramente do eleitor”, afirmou.

Segundo Gilmar, encerrada a disputa político-eleitoral, “é tempo de união, responsabilidade e compromisso institucional”. O ministro defendeu o fortalecimento das instituições, a independência e a harmonia entre os Poderes e o diálogo entre forças políticas adversárias.

Gilmar também cumprimentou servidores da Justiça Eleitoral, mesários voluntários e demais pessoas que trabalharam na realização das eleições. O ministro manifestou reconhecimento aos candidatos eleitos e respeito aos que disputaram o pleito “dentro das regras do jogo democrático”

PF apreende R$ 51,9 milhões em operações ligadas às eleições em 2026

PF combate dinheiro ilegal, facções e violência política

Patrik Camporez
O Globo

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, afirmou neste domingo que a corporação apreendeu R$ 51,9 milhões em dinheiro e bens ao longo de 2026, durante operações relacionadas ao período eleitoral. Desse total, R$ 31,7 milhões foram apreendidos em espécie.

Segundo Andrei, a PF realizou 97 operações em todo o país neste ano e contabilizou 6.610 inquéritos policiais instaurados, dos quais mais de 2.400 tratam de questões eleitorais. A corporação também mobilizou 5,9 mil policiais, com atuação direta em quase mil municípios.

AUTORIA E MATERIALIDADE – “O índice de solução das nossas investigações de crimes eleitorais é superior a 92%. Em 92% dos inquéritos de crimes eleitorais que a polícia investiga, encontramos autoria e materialidade ou constatamos que não houve delito”, afirmou Andrei.

O diretor-geral acrescentou que a PF realizou 12 operações de combate à atuação de facções criminosas no contexto eleitoral e contabilizou 104 inquéritos relacionados à violência política de gênero.

Flávio Bolsonaro é intimado a entregar passaportes em meio a investigações no STF