Centrão prepara ofensiva no Congresso para reabrir o mercado das bets

Fachin impõe etapas antes de liberar inquérito das fake news a Fux

Flávio Bolsonaro segura disputa por ministérios para evitar desgaste antes da eleição

Eduardo Bolsonaro entra no banco de mandados de prisão após condenação definitiva

Não conte para ninguém os recônditos segredos poéticos de Cora Coralina

Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida,...Paulo Peres
Poemas & Canções

A poeta goianiense Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), conhecida como Cora Coralina, mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano, conforme o belo poema “Não Conte Pra Ninguém”, no qual solicita que seus segredos não sejam revelados.

NÃO CONTE PRA NINGUÉM
Cora Coralina

Eu sou a velha
mais bonita de Goiás.
Namoro a lua.
Namoro as estrelas.
Me dou bem
com o Rio Vermelho.
Tenho segredos
como os morros
que não é de advinhá.

Sou do beco do Mingu
sou do larguinho
do Rintintim.

Tenho um amor
que me espera
na rua da Machorra,
outro no Campo da Forca.
Gosto dessa rua
desde o tempo do bioco
e do batuque.

Já andei no Chupa Osso.
Saí lá no Zé Mole.
Procuro enterro de ouro.
Vou subir o Canta Galo
com dez roteiros na mão.

Se você quiser, moço,
vem comigo:
Vamos caçar esse ouro,
vamos fazer água… loucos
no Poço da Carioca,
sair debaixo das pontes,
dar que falar
às bocas de Goiás.

Já bebi água de rio
na concha de minha mão.
Fui velha quando era moça.
Tenho a idade de meus versos.
Acho que assim fica bem.
Sou velha namoradeira,
lancei a rede na lua,
ando catando estrelas.

Folha anuncia suposto “plano” de Flávio para reduzir aposentadoria, saúde e educação

PSOL fica a apenas 185 votos da cláusula de barreira e vai recorrer à Justiça

Partido ficará sem acesso ao fundo eleitoral no próximo pleito

Rafaela Gama
O Globo

A federação formada pelo PSOL e pela Rede Sustentabilidade entrará na Justiça para contestar a avaliação de que não cumpriu a cláusula de barreira após a votação no final de semana. Em nota, publicada nas redes sociais, as siglas afirmaram que buscarão “provar que algumas dezenas de votos não são justificáveis para retirar os direitos de funcionamento de dois dos principais partidos da política brasileira”.

“Elegemos uma senadora no estado do Ceará e alcançamos 5% dos votos nacionais para deputado federal, o dobro exigido pela famigerada lei da ‘cláusula de barreira’, e agora convocamos nossas lideranças a dedicarem esforço máximo pela vitória de Lula”, disse o comunicado.

EXIGÊNCIA – No texto, a sigla faz referência a uma das normas da legislação eleitoral, que exige que os partidos tenham ao menos 2,5% dos votos válidos nacionais para a Câmara para atingirem a meta. A regra, no entanto, também determina que as siglas alcancem um percentual mínimo de votos (1,5%) em ao menos nove estados. Neste ano, a federação alcançou esse percentual em oito estados, ficando a 185 votos de atingir a meta no Espírito Santo.

Nas redes sociais, o resultado nas urnas gerou cobranças de filiados do PSOL e de apoiadores a alas que foram contrárias à proposta de federação do partido ao PT no início deste ano. Na época, puxadores de voto da sigla em São Paulo, como a deputada Erika Hilton e o ministro Guilherme Boulos, argumentaram que a fusão seria uma estratégia para evitar a desidratação da bancada após as eleições deste ano. A medida, no entanto, foi recusada pela maioria dos integrantes da executiva nacional.

DIVERGÊNCIAS INTERNAS –  Cobrada por ser contrária à federação e reeleita por São Paulo no domingo, a deputada federal Sâmia Bomfim atribuiu o mau desempenho da sigla no ES a uma “fraude na chapa eleitoral” provocada por “candidatas laranja”. “Vamos acionar a Justiça para derrubar essa fraude armada contra as mulheres e contra o PSOL”, disse em um post. A parlamentar também afirmou que a legenda tem “um papel importante na luta para derrotar a extrema-direita” e disse que está “pronta para arregaçar as mangas”.

Já Erika Hilton admitiu erros na estratégia do partido ao concentrar recursos em candidaturas com menor potencial eleitoral e deixar de investir em estados onde, segundo ela, maiores investimentos poderiam ter ajudado a sigla a superar a cláusula de barreira. Na pré-campanha, a parlamentar chegou a acusar a direção da legenda de descumprir um acordo firmado com ela sobre a divisão do fundo eleitoral.

— A minha situação naquele momento era uma tentativa de buscar o cumprimento dos acordos, porque eu acredito que política é feita com acordos. Os acordos devem ser cumpridos — disse em entrevista à GloboNews. — Eu acho que há, sim, um erro. Houve uma concentração em candidaturas com pouco potencial, inclusive, de serem eleitas.

Enxurrada de ações eleitorais força TSE a ampliar equipe e expõe crise na Corte

Flávio Bolsonaro ganha terreno, mas a eleição continua em aberto

No Rio, Eduardo Paes traiu Lula e perdeu pela segunda vez o governo do Estado

Antes de braços dados com Lula, Paes agora tenta se distanciar da campanha  nacional - Estadão

Lula e Paes ganham nas pesquisas mas perdem no voto

Roberto Nascimento

A campanha de Lula foi um fracasso, porque faltou o contato direto com o povo nas ruas. O presidente precisava ter sentido os problemas que mais afligem a população, especialmente no que concerne aos preços no supermercado e feiras-livres, o  atendimento nos hospitais e postos de saúde, a educação carente nas escolas públicas e, com toda certeza, a questão da segurança.

Também observei os erros nas alianças estaduais. O principal, ao meu juízo, ocorreu no Rio de Janeiro.
Lula cedeu a todos os pedidos do prefeito Eduardo Paes e até entregou os hospitais federais do Rio para o prefeito privatista. Hospitais de referência, como Andaraí, Cardoso Fontes e Bonsucesso, só para ficar nesses três.

APENAS ILUSÃO – Eduardo Paes é um demagogo enganador. Reformou os hospitais por fora, mas deixou por dentro a mesma situação – falta de remédio, demora nos atendimentos, banheiros imundos. Então, o que mudou de fato?

O povo associou a Lula esse engodo do Paes. Outra coisa grave: os funcionários federais foram desconsiderados e humilhados com a nova administração privatista, que foi contratada pela Prefeitura. Na hora da eleição, as comunidades deram o troco, votando no Flávio e no Ruas.

Trata-se de um retrato fático do erro de avaliação do Lula e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que substituiu a ministra Nisia Trindade, que também não soube administrar a maior rede de hospitais federais do Brasil, um precioso legado da antiga capital.

TRAIÇÃO DE PAES – Agora vem o pior dessa ópera do desastre, que foi a traição de Eduardo Paes , a facada que o perdedor para Ruas deu no Lula: Peguei nas ruas diversos santinhos da campanha do Paes, que é filiado ao PSD do Kassab, e em 90 por cento deles estava em branco o espaço da Benedita (131) e de Lula o (13).

O candidato derrotado, Eduardo Paes fez péssimas escolhas, principalmente na Baixada Fluminense. Ele indicou para vice na sua chapa a irmã de um cacique bolsonarista de Caxias, Washington Reis, o ex-secretário dos Transportes do governador Cláudio Castro, o senhor Reis. Não adiantou essa manobra eleitoreira, porque Paes só venceu de Ruas na Capital, e em São Gonçalo levou uma derrota estarrecedora.

Agora vem uma pergunta. O que deveria ser feito? Bem, está muito claro que Paes deveria apostar em um candidato a vice no petismo, além de costurar um apoio amplo da esquerda.

AMPLA ALIANÇA – Por exemplo, Pedro Paulo deveria se candidatar à reeleição a deputado federal, logo, Paes poderia fazer uma ampla aliança com o PT e o PSOL, apostando em duas candidatas mulheres: Benedita e Monica Benício para fazer frente aos dois varões do Flávio, Portinho e Jordy, que foram eleitos.

Uma aliança PT & PSD, na qual a única concessão do Paes foi a candidata Benedita, configura uma submissão avassaladora a um candidato fraco como Paes, que pela segunda vez mostrou ser um cavalo paraguaio, ou seja, muito bem nas pesquisas e um derrotado nas urnas.

Que sirva de lição para o campo progressista, não só no Rio, mas nos demais Estados também.  

A “redemocratização” de Flávio Bolsonaro e a ameaça de uma nova ruptura

Ingrato, Lula culpa o PT, tira Edinho Silva da campanha, mas mantém dona Janja

A primeira-dama Janja tem se posicionado com firmeza por um ambiente digital mais seguro, especialmente para mulheres, crianças e adolescentes, as maiores vítimas dos crimes virtuais. ✓ #EstouComJanja #BomDiaPT #PTBrasil

Excesso de exposição de Janja prejudica Lula e o PT

Carlos Newton

Lula da Silva é um político sem escrúpulos. Tenho essa certeza desde 1º de fevereiro de 1987, quando foi instalada a Assembleia Nacional Constituinte. Eu era repórter da Manchete, estava conversando com Delfim Neto na entrada do Anexo 1, quando Lula de aproximou com dois assessores. Aproveitei a ocasião, chamei o petista e o apresentei ao ex-ministro, porque os dois não se conheciam.

“Vocês estiveram em oposição um ao outro durante anos, agora estão aqui, eleitos deputados, cada um vale apenas um voto, a mesma coisa que o outro” – disse, e os convidei para fazer uma entrevista conjunta. Delfim aceitou na hora, todo animado, mas Lula, do alto de sua imponência, disse: “Ainda vou decidir, procure minha assessoria no gabinete.

DECEPÇÃO – No dia seguinte, lá estava eu no gabinete do deputado petista, onde tive uma grande decepção. O assessor me informou que deveria estar havendo algum engano, porque a entrevista junto com Delfim fora marcada, mas seria feita pela repórter Sônia Carneiro, da Rádio Jornal do Brasil, que era conhecido no Congresso por ser militante petista.

Eleito pela primeira vez, Lula estreou seu primeiro dia como parlamentar fazendo uma presepada desse naipe, ao manipular uma reportagem para ser feita por uma jornalista a ele ligada, que continuou na JB, mas ganhou emprego do PT e ficou 15 anos no gabinete de Jaques Wagner, onde recebia sem trabalhar. 

Jamais dirigi novamente a palavra a Lula e nunca votei nele, que ficou grande amigo de Delfim Netto e até pedia conselhos econômicos ao ex-ministro. Mas o que eu podia esperar de Lula, conhecido frequentador do almoço de domingo na casa  do delegado Romeu Tuma, sob o codinome de “Barba”? 

“DUAS-CARAS” –Ele sempre foi assim, um homem de “Duas-Caras”, como o promotor maligno que era amigo de Batman e depois caiu na criminalidade. Quase 40 anos depois, o mesmo Lula, aquele agente que o regime militar infiltrara no sindicalismo, volta a mostrar sua falta de caráter.

Enquanto Flávio Bolsonaro fazia uma campanha produtiva, anunciando projetos e planos, Lula nem se preocupava em gravar para a TV, mandava aproveitar suas falas nas entrevistas e pronunciamentos, em trechos escolhidos por dona Janja.

Depois que as pesquisas manipuladas se revelaram inúteis, o  presidente Lula volta à cena para apontar “os culpados”, dizendo que seu desempenho nas urnas foi causado pelo próprio PT.

DISSE LULA – Em reunião com parlamentares aliados, o candidato petista alegou que sua campanha foi “a menos organizada” de que participou desde 1989 e anunciou que afastaria do comitê o próprio presidente do PT, Edinho Silva, um velho amigo que sempre deu certo antes, nas eleições passada, porém não é páreo para a competência de Janja da Silva.

A ex-senadora Kátia Abreu, que coordenou a campanha petista em Tocantins, saiu em defesa de Edinho e do partido, propondo: “Mais Alckmin, menos Janja”.

Em declarações a O Globo, Kátia criticou a excessiva exposição da primeira-dama Janja da Silva nos palanques, deixando à margem o vice Geraldo Alckmin, que poderia e deveria ser utilizado para atrair votos do centro e da direita.

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P. S.
– Assim, Lula vai saindo de cena da pior forma possível, sem grandeza e culpando os amigos. Antes do primeiro turno, Edinho Silva já tinha convocado Aloizio Mercadante para elevar o nível da campanha e apresentar planos administrativos e econômicos. No entanto, Lula detesta Mercadante e vai ignorá-lo. E nesse ritmo, a trajetória do PT na política brasileira vai caminhando para um final decepcionante, a não ser que dona Janja, com sua invulgar destaçatez,  dê um jeito na situação, dizendo “Fuck You, Flávio Bolsonaro!”. (C.N.)

PF pede ajuda dos EUA para rastrear dinheiro que financiou filme sobre Bolsonaro

Lula ameaça expurgar aliados do Centrão que aderiram a Flávio Bolsonaro

José Guimarãe mapeia cargos e propõe ‘limpa’

Victoria Azevedo
O Globo

Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se irritaram com a adesão dos partidos do chamado Centrão que têm assento na Esplanada petista à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), principal adversário do petista no segundo turno. Nos últimos dias, o senador amarrou apoio de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos.

Ele também deverá contar com apoio da maioria dos diretórios do MDB. O Podemos não têm ministros no governo, mas ocupa comando de autarquias e têm indicações na máquina federal, considerando cargos nos estados.  

LEVANTAMENTO – O ministro José Guimarães (Secretaria de Relações Institucionais) diz ao O Globo que está fazendo um levantamento das indicações dessas legendas em cargos da administração federal e que defenderá no Palácio do Planalto que essas pessoas sejam exoneradas.

— Se depender de mim, vamos fazer uma limpa geral nos cargos e indicações. Quem está com Lula tem que estar com Lula— afirmou o ministro.

Responsável pela articulação política do Executivo com o Legislativo, Guimarães atuou proximamente de lideranças dos partidos de centro no primeiro turno para garantir a neutralidade deles. Antes do primeiro turno, o próprio Lula conversou com dirigentes partidários do Republicanos, do Podemos e da federação União-PP para garantir essa neutralidade.

NEGOCIAÇÕES – Ele pediu às lideranças que as siglas não tomassem nenhuma decisão num eventual segundo turno sem conversar com ele, indicando estar aberto a definir espaços na Esplanada em caso de vitória nas eleições.  

Desde o resultado das urnas no domingo, integrantes da campanha de Lula reforçaram o contato com os partidos para buscar essa neutralidade, apesar das sinalizações das siglas de que elas deveriam caminhar com Flávio. Na federação União-PP houve queixas sobre o comportamento do PT nos estados durante o primeiro turno.

No caso do Piauí houve queixas pelo de uma suposta quebra de acordo de “não agressão” firmado no estado, para evitar comprometer a eleição do senador Ciro Nogueira, presidente do PP. Em agenda no estado, Lula falou em “vira-lata” num momento que tratava das candidaturas ao Senado, o que foi interpretado como uma indireta a Ciro.

APOIO – O presidente do PT e coordenador-geral da campanha de Lula, Edinho Silva, afirmou na terça que tinha buscado contato com integrantes do PSD, Republicanos e integrantes do PP para buscar apoio ao petista. O PSD já havia declarado neutralidade no próprio domingo.

Havia também expectativa de neutralidade ou eventual apoio de Augusto Cury (Avante) à candidatura petista. O escritor, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, no entanto, declarou apoio a Flávio nesta quinta-feira.

EQUÍVOCO – Segundo um auxiliar do presidente, os partidos cometeram um equívoco ao declarar apoio tão rapidamente à candidatura adversária. Ele diz que as siglas fizeram esse movimento “sem dar nenhuma satisfação” ao governo.

Agora, diante da série de reveses, aliados do presidente cobram uma postura mais dura com os partidos. Guimarães afirmou que a campanha passará a explorar essa relação para atacar Flávio.

— Vamos radicalizar o discurso contra Flávio Bolsonaro e mostrar que ele é o candidato do sistema porque agregou as velhas práticas políticas e as velhas lideranças do Centrão.

AMEAÇA – Mais cedo, nesta quinta-feira, Guimarães também se manifestou nas redes sociais. “É a máfia do poder querendo o controle total da máquina pública. Essa união representa um perigo real e imediato para os direitos sociais e trabalhistas, preparando o terreno para uma reforma da Constituição e um ataque fatal aos direitos do povo brasileiro. Com essa gente colocando as mãos na máquina pública, vamos assistir à volta de um modelo apodrecido, em que o Congresso funciona como um balcão de negócios alimentado por emendas bilionárias e pela compra de votos (…) o Brasil dirá não às velhas raposas que querem tomar conta do galinheiro”, escreveu Guimarães.

DIÁLOGO – Com esse cenário, integrantes da equipe do presidente dizem que é preciso manter o diálogo com segmentos desses partidos, para ter apoio em estados estratégicos. O entorno de Lula diz contar com o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O primeiro declarou publicamente apoio ao presidente no primeiro turno, participou de atos eleitorais a favor de Lula na Paraíba, seu reduto eleitoral, e posou para fotos usando um boné com o nome do chefe do Executivo e fazendo o “L” com os dedos —gesto da militância petista.

O segundo fez um gesto considerado importante para a campanha ao destravar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1, considerado um trunfo eleitoral do petista. A proposta deverá ser votada ao menos em primeiro turno na próxima semana. Além disso, tanto Motta quanto Alcolumbre não participaram dos anúncios de seus respectivos partidos ao senador.

Nesta quinta, pela manhã, Motta se reuniu com Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília. Questionado pela imprensa sobre o encontro, à tarde, o presidente respondeu: “Ele vai me ajudar a ganhar as eleições”.

Pedido de Fux para acessar investigações de Moraes amplia divisão no Supremo

PF, PGR e defesa de Vorcaro negam depoimento sobre financiamento de filme de Lula

“Massacre” da esquerda nas urnas acende o sinal de alerta na cúpula do Judiciário

Onda bolsonarista chegou ao Senado e assustou o STF

Rafael Moraes Moura
O Globo

O resultado do primeiro turno das eleições foi considerado um “massacre”, por integrantes da cúpula do Poder Judiciário. O avanço da bancada bolsonarista no Senado deixou integrantes do Supremo Tribunal Federal e de tribunais superiores em alerta com o risco de avanço dos mais de 100 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo e materializou o maior receio do presidente do STF, Edson Fachin, com as investigações do caso Banco Master: o de que, sem autocontenção, o Judiciário acabaria sendo contido por algum “poder externo”.

A eleição de 33 novos senadores que defendem abertamente o impeachment de ministros do STF, levando a “bancada pró-impeachment” a 49 integrantes, também foi um resultado mais pessimista do que o projetado internamente pelo próprio STF em julho, a partir das pesquisas eleitorais da época.

“BANCADA DO IMPEACHMENT” – Há três meses, integrantes da Corte estimavam que a “bancada do impeachment” chegaria a 40 senadores – um patamar alto, mas ainda aquém dos 54 votos estabelecidos no ano passado por Gilmar Mendes como o quórum necessário para afastar um ministro do STF. Embora tenha sido dada em dezembro de 2025, a liminar de Gilmar até hoje não foi submetida para referendo do plenário.

A onda conservadora derrotou candidatos do campo progressista como Leila do Vôlei (PSB-DF), Benedita da Silva (PT-RJ), Randolfe Rodrigues (PT-AP) e Manuela d’Ávila (PSOL-RS). “O resultado do Senado foi um massacre. Foi uma revolta contra o sistema”, afirma um interlocutor próximo do ministro Alexandre de Moraes.

Nas palavras de um ministro de tribunal superior, o “eleitor puniu o presidente Lula pela crise ética do STF”, em referência à guerra na Corte agravada com as investigações do caso Master, que trouxeram à tona as conexões pessoais e financeiras do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques.

INDICAÇÃO – Dos três, só Toffoli foi indicado por Lula, mas como o presidente da República conta com a boa vontade do STF para manter a governabilidade e se tornou aliado de Moraes e Gilmar, o escândalo também respingou na administração petista. “O STF foi derrotado, mas o PT foi humilhado”, resumiu um ministro com bom trânsito no Palácio do Planalto.

Ao defender a adoção de um Código de Ética, Fachin costumava dizer que se o Supremo não fizesse uma reforma por iniciativa própria ela acabaria vindo de fora. O resultado das urnas aponta nessa direção.

O principal alvo dos pedidos de impeachment é Moraes, por conta de seu papel como relator das principais investigações que fecharam o cerco contra Jair Bolsonaro e aliados, além das suas conexões pessoais e de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, com Vorcaro.

PANOS QUENTES – Em entrevista à Globonews, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, tentou colocar panos quentes, sinalizando que há espaço para uma acomodação nos bastidores. “Eles [senadores] têm que conduzir isso com sabedoria e inteligência, porque não adianta pôr fogo no país”, afirmou.

“Essa discussão de impeachment vai depender do Senado. Cada senador pensa de um jeito, e os senadores têm muita força, têm muita independência, e eles vão se entender para que façam o melhor para o país. Não interessa pôr fogo no país. O que nós precisamos agora é tocar o país para frente.”

REFORMA DO JUDICIÁRIO –  Mesmo sendo ele mesmo algo de um inquérito no STF aberto por conta dos US$ 12,3 milhões recebidos de Daniel Vorcaro para supostamente financiar um filme sobre a vida do pai, Jair Bolsonaro, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, surfou na rejeição ao Supremo.

Enquanto Lula ainda busca uma proposta de reforma do Judiciário, o programa de governo de Flávio, intitulado “Para o Brasil Vencer o Atraso”, defende uma série de medidas na arena jurídica, como impor um limite às decisões monocráticas dos ministros e o fim das chamadas competências criminais originárias do STF. “No segundo turno é de esperar um tom mais duro do atual governo em favor de mudanças profundas na cúpula do Judiciário”, prevê um ministro de tribunal superior.

Nesta semana, Lula já deu o tom do discurso do segundo turno, ao dizer que está “carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte brasileira depois das denúncias”. O petista também disse ser preciso “definir concretamente” os critérios para a escolha de um ministro da Suprema Corte – ainda que tenha indicado neste terceiro mandato um ex-advogado pessoal (Cristiano Zanin) e um ex-ministro da Justiça de seu governo (Flávio Dino).

INSTÂNCIAS INFERIORES – Pela proposta de Flávio, parlamentares e outras autoridades da República passariam a ser julgados por instâncias inferiores, como os Tribunais Regionais Federais e o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os detalhes da proposta de Flávio, no entanto, não foram divulgados até hoje.

Flávio tem afirmado que vai indicar homens e mulheres conservadores para o STF, “que sejam contra o aborto, contra as drogas, que respeitem a Constituição acima de tudo e que estejam lá pra obedecer à Constituição e não pra ficar defendendo interesses pessoais como o que está acontecendo hoje lá no Supremo”.

Fux abre nova tensão no STF ao pedir acesso integral ao Inquérito das Fake News

Eleita senadora, Bia Kicis delira e até sonha em substituir Moraes na Suprema Corte

Bia Kicis: CCJ deve analisar reformas política e administrativa semana que  vem

Bia Kicis está se achando e já faz planos mirabolantes

Vicente Limongi Netto

No primeiro turno, Bia Kicis era puro amor no coração. Macarronada com a família, preces na refeição. Agora, com o enfraquecimento da esquerda, a postura mudou. É sarrafo na virilha dos adversários. Coisa medonha. Quem quiser que compre gente como Bia Kicis.

Quem acompanha minhas redes sabe – frisei aqui na Tribuna que esta é a eleição do ódio, do rancor, da canalhice explícita. Com ar de dona da verdade e chicote no coração, Bia Kicis mostra-se por inteiro no Correio Braziliense, exigindo o couro de Alexandre de Moraes. Intolerante, em outra coluna a nova senadora de Brasília – credo, Santo Deus! – já planta nota apregoando que é candidata ao Supremo Tribunal Federal.

Cinismo é pouco, oportunismo total. Mostra desrespeito ao coitado do incauto eleitor que votou nela. Nem assumiu, e já sonha com a toga da Suprema Corte.

CRIANÇAS NO PODER – Sonho com crianças governando o mundo. O ar seria infinitamente mais puro. As pessoas seriam mais felizes. O amor cantaria as belezas do mundo em todas as janelas. Ruas estariam tomadas por poetas. Maldades e infâmias seriam incineradas.

A vida transcorreria bela, com saúde e alegrias, a paz moraria em todos os corações. Canalhas, intolerantes e covardes seriam execrados. Proibidos de chegar perto das crianças.

Por fim, em meio à minha felicidade, a atuação estupenda do Fluminense. Bola redondinha de pé em pé.  Sem pressa. Ganso cadenciando o jogo. Elenco está unido e jogando com alegria. Estamos na terceira colocação. Com méritos.  Flamengo e Palmeiras que fiquem espertos.

Moraes manda intimar Bolsonaro por cobrança fiscal no caso das joias sauditas

Charge do Amarildo (agazeta.com.br)

Helena Prestes
CNN

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), atendeu a um pedido da Receita Federal e determinou, nesta quarta-feira (7), que o ex-presidente Jair Bolsonaro seja intimado sobre uma cobrança por infração fiscal no caso das joias sauditas que recebeu durante seu mandato.

Moraes autorizou a intimação de Bolsonaro, que está preso em regime domiciliar há pouco mais de um ano por determinação do ministro. O ex-presidente foi preso após ser condenado por tentativa de abolição do Estado democrático de direito e outros cinco crimes.

CUSTÓDIA – Em julho deste ano, Moraes determinou a transferência da custódia das joias sauditas dadas de presente pela Arábia Saudita ao ex-presidente e à ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

O ministro atendeu a um pedido da Receita e acatou a um parecer favorável da PGR (Procuradoria-Geral da República), decidindo arbitrar pelo envio dos itens de uma agência da Caixa Econômica Federal para a Alfândega do Aeroporto de São Paulo.

O CASO –  A Polícia Federal indiciou Bolsonaro, em 2024, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos por tentar vender as joias sauditas dadas ao governo brasileiro nos Estados Unidos. Segundo o relatório da corporação, a venda dos itens teria como objetivo o enriquecimento ilícito do ex-presidente. O valor da operação é estimado em cerca de R$ 6,8 milhões.

Em março, porém, a PGR pediu o arquivamento da investigação, argumentando que não há uma legislação clara que regulamente esse tipo de situação. Para o órgão, não é possível responsabilizar criminalmente alguém com base em cenários marcados por lacunas legislativas ou por forte divergência interpretativa sobre o que é lícito ou ilícito.

Gonet ressaltou, no entanto, que sua análise se limita à esfera penal e não impede a apuração de eventuais responsabilidades em outras áreas, como na esfera civil ou administrativa. Ainda no mesmo mês, o TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu que presentes de uso pessoal, recebidos por presidentes e vice-presidentes, não são patrimônios públicos e podem continuar com os políticos ao saírem do cargo.