Caiado admite aliança com Zema e tenta construir terceira via competitiva para 2026

Caiado diz que ‘existe o sentimento’ para uma aliança

Rafaela Gama
O Globo

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que “existe o sentimento” para a construção de uma aliança com o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), como uma alternativa para a eleição polarizada. A declaração foi dada por ele em uma entrevista nesta quarta-feira para a rádio Nova Difusora, em São Paulo, após o pré-candidato mineiro relatar ontem que não descarta a hipótese de uma composição entre os dois.

Caiado também descreveu que a união seria um “atestado de credibilidade política” e um “respiro para a população que quer ver uma alternativa para romper com a polarização”. O ex-mandatário goiano também disse que se reuniu com Zema nesta terça-feira para uma conversa “muito produtiva” sobre a necessidade de ambos terem “cada vez mais encontros”.

“SENTIMENTO” – “Com a última pesquisa, nós conversamos e existe esse sentimento [de união no primeiro turno]. Ele é uma pessoa aberta e nós estamos realmente olhando”, disse Caiado. “Neste momento, as candidaturas estão numa posição, temos que ter humildade para reconhecer, acima de nós. No momento em que nós unirmos todas as forças, elas poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão ainda chegar competitivas no primeiro turno. É muito emblemático as forças dos governadores bem avaliados, todos juntos no primeiro momento”, acrescentou.

O comentário veio na sequência de uma fala de Zema que, durante um encontro com investidores também na quarta-feira, deixou em aberto a chance de construção de uma aliança entre os dois. Na ocasião, ao ser questionado sobre a possibilidade, o ex-governador mineiro disse que “se dá bem” com o goiano e que “gosta dele”, mas afirmou que as definições devem ser deixadas mais para frente, no prazo-limite estabelecido pelo calendário eleitoral.

“Essas conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data-limite. Porque, na política, é na meia-noite da data-limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse o mineiro na ocasião.

INTENÇÕES DE VOTO – Na última rodada da pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, o ex-governador mineiro contabilizou 3% das intenções de voto e Caiado teve 4%, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve 40% e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou 31%.

No passado, Zema chegou a ser cotado por integrantes do PL como um possível vice para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas a relação dele com o bolsonarismo se deteriorou nas últimas semanas. Os atritos tiveram início após as críticas proferidas pelo mineiro contra Flávio depois da revelação dos áudios enviados a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Rogério Marinho entra em campo para conter crise de Flávio Bolsonaro na Faria Lima

Donald Trump, Flávio Bolsonaro e o sinal político vindo de Washington

Flávio chegou a Washington carregando desgaste crescente

Pedro do Coutto

A reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, não foi apenas um encontro protocolar ou uma agenda internacional comum. Pelo contrário. O episódio produziu perplexidade em setores da diplomacia, da política brasileira e até mesmo entre aliados do próprio bolsonarismo, sobretudo pelo contexto em que ocorreu e pelas circunstâncias que cercaram sua realização.

Segundo reportagem de Luísa Marzullo, publicada por O Globo, o encontro durou cerca de uma hora e quarenta minutos e só foi confirmado praticamente na última hora, após intensa articulação de interlocutores ligados ao secretário de Estado Marco Rubio e ao entorno republicano próximo do trumpismo.

TEMOR – Até poucas horas antes da reunião, nem mesmo integrantes do grupo de Flávio tratavam a agenda como garantida. O temor era evidente: uma frustração pública da viagem teria enorme custo político para o senador em um momento particularmente delicado de sua trajetória. E é justamente esse contexto que torna o episódio politicamente tão significativo.

Flávio Bolsonaro chega a Washington carregando desgaste crescente após a divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso e alvo de investigações que passaram a contaminar o ambiente político da pré-campanha presidencial do senador.

O caso atingiu não apenas o PL, mas também setores do Centrão que discutiam aproximação com a candidatura bolsonarista para 2026. União Brasil e PP, que vinham ensaiando uma convergência, começaram a recalcular riscos diante do temor de novos desdobramentos do escândalo. Nesse cenário, a imagem internacional passou a ter valor estratégico.

RECONSTRUÇÃO SIMBÓLICA – O encontro com Trump serviu como tentativa clara de reconstrução simbólica da autoridade política de Flávio Bolsonaro. A fotografia dentro da Casa Branca, o tratamento protocolar reservado ao senador e até mesmo a entrega da tradicional “challenge coin” americana foram utilizados como elementos de uma narrativa cuidadosamente construída para reforçar sua condição de liderança internacional da direita brasileira.

Mas há um aspecto que chama atenção: os temas oficialmente apresentados para justificar a reunião dificilmente explicam, por si só, uma agenda desse porte. Flávio afirmou ter tratado do combate ao Comando Vermelho e ao Primeiro Comando da Capital, defendendo que as facções sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Trata-se de uma pauta relevante, sem dúvida. Contudo, iniciativas desse nível normalmente transitam por canais diplomáticos formais entre governos, ministérios da Justiça, departamentos de Estado e serviços de inteligência. Não é comum que um presidente americano reserve quase duas horas para discutir esse tipo de assunto diretamente com um senador estrangeiro e um ex-deputado sem mandato. É exatamente aí que o encontro ganha dimensão política muito mais ampla do que a explicação oficial sugere.

ATIVO POLÍTICO – Donald Trump não é um ator político convencional. Sua atuação internacional frequentemente rompe protocolos diplomáticos clássicos e privilegia relações ideológicas, lideranças alinhadas e construção de redes conservadoras globais. Nesse contexto, o bolsonarismo continua sendo visto pelo trumpismo como um ativo político estratégico na América Latina.

A presença de Eduardo Bolsonaro reforça ainda mais essa leitura. Mesmo após perder o mandato parlamentar ao transferir residência para os Estados Unidos, Eduardo manteve e aprofundou sua rede de contatos dentro do universo trumpista. Sua ligação com estrategistas republicanos, influenciadores conservadores e operadores políticos próximos de Trump tornou-se uma das principais pontes internacionais do bolsonarismo.

A própria logística da viagem revela isso. Flávio, Eduardo e o influenciador Paulo Figueiredo permaneceram concentrados no hotel Willard, endereço historicamente associado ao trumpismo em Washington e frequentado por aliados republicanos. Antes da confirmação do encontro, a agenda da Casa Branca sequer mencionava oficialmente o senador brasileiro. O improviso de última hora, longe de reduzir o peso político da reunião, talvez revele justamente o contrário: a existência de uma articulação paralela, menos institucional e mais ideológica.

REFLEXOS – O problema é que essa aproximação produz inevitáveis consequências diplomáticas. O governo Lula rejeita a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por entender que elas operam dentro da lógica do crime organizado e do narcotráfico, sem motivação política típica do terrorismo internacional. Ao levar essa pauta diretamente a Trump, Flávio Bolsonaro cria um contraponto explícito à política externa e à estratégia de segurança pública do atual governo brasileiro.

Na prática, o encontro transforma uma divergência doméstica em tema de interlocução internacional. Mais do que isso: ao receber um pré-candidato da oposição brasileira em meio a tensões políticas internas, Trump envia um gesto claro de reconhecimento político. Flávio Bolsonaro percebeu isso imediatamente. Não por acaso, tratou o encontro como demonstração de força internacional e sinalização de legitimidade para sua eventual candidatura presidencial.

Há ainda outro elemento simbólico relevante. A gravata verde e amarela usada por Flávio durante o encontro não foi casual. Assim como a tentativa de presentear Trump com uma camisa da seleção brasileira, o gesto procurava reforçar a associação visual entre bolsonarismo, nacionalismo brasileiro e trumpismo americano. Trata-se de uma construção política cuidadosamente planejada para consumo interno no Brasil.

QUESTÕES NO AR – Ainda assim, o episódio deixa perguntas difíceis. Por que Donald Trump decidiu investir capital político em um senador brasileiro fragilizado por denúncias e investigações? Qual o interesse estratégico americano em elevar a exposição internacional de Flávio Bolsonaro neste momento? E até que ponto essa aproximação interfere no delicado equilíbrio diplomático entre Brasília e Washington?

Talvez a resposta esteja menos nos temas discutidos oficialmente e mais no simbolismo político do encontro. Trump parece ter identificado no bolsonarismo uma peça importante para a reorganização internacional da direita conservadora nos próximos anos. E Flávio Bolsonaro, pressionado internamente por crises políticas, precisava desesperadamente de uma imagem capaz de recolocá-lo no centro do jogo. Nesse sentido, a reunião cumpriu sua função.

Mas o fato de ter funcionado politicamente não elimina o caráter extraordinário — e até desconcertante — do episódio. Porque encontros desse porte normalmente obedecem a racionalidades diplomáticas muito claras. Desta vez, porém, a lógica parece ter sido substituída por algo mais amplo: a construção de uma aliança política transnacional baseada em identidade ideológica, disputa narrativa e interesses eleitorais futuros. E é exatamente isso que transforma a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca em um dos acontecimentos políticos mais intrigantes do cenário pré-eleitoral brasileiro até aqui.

Lula busca reaproximação com Alcolumbre para acelerar PEC do fim da escala 6×1

Estadão confirma: Bolsonaro será julgado pela 2ª Turma, na qual dispõe de maioria

Saiba quem é Kassio Nunes Marques, que assume hoje na presidência do TSE |  CNN Brasil

Marques deu 20 dias para a Procuradoria se manifestar

Raisa Toledo
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques concedeu nesta quarta-feira, 27, prazo de 20 dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o pedido de revisão criminal apresentado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo da tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar por motivos de saúde.

A ação foi protocolada pelos advogados do ex-presidente no dia 8 de maio e busca reverter a condenação. Relator do caso, Nunes Marques dobrou o prazo previsto no Código de Processo Penal para o parecer da PGR – de 10 dias. “Diante da complexidade do feito, que envolve o julgamento de ex-presidente da República, entendo necessário estender o prazo previsto para manifestação do Ministério Público Federal”, escreveu.

COMPETÊNCIA – No pedido apresentado ao STF, a defesa questiona a competência da Primeira Turma da Corte para conduzir o julgamento e alega que o caso deveria ter sido analisado pelo plenário do Supremo.

Entre os pedidos feitos ao STF, estão a anulação integral do processo e a absolvição de Bolsonaro de todos os crimes pelos quais foi condenado: organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado contra o patrimônio da União.

Segundo a defesa, não houve demonstração concreta de participação individual de Bolsonaro nem atos executórios que comprovassem tentativa de depor o governo democraticamente eleito com o uso de violência ou grave ameaça.

8 DE JANEIRO – Os defensores também argumentam que não há provas de autoria, participação, instigação ou vínculo subjetivo de Bolsonaro com os executores dos ataques às sedes dos Três Poderes nos atos de 8 de janeiro de 2023.

A revisão criminal é um instrumento jurídico usado para contestar condenações já transitadas em julgado, quando não há mais possibilidade de recurso. A medida é considerada excepcional e depende da demonstração de erro judiciário no julgamento original.

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma da Corte, formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Conforme determina o regimento interno do Supremo, a revisão criminal deverá ser julgada pela Segunda Turma, composta por André Mendonça e Nunes Marques, ambos indicados por Bolsonaro, além de Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Luiz Fux.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Aleluia, irmão! Depois da Carta Capital e da Agência Brasil, surge o Estadão concordando com a tese da Tribuna da Internet, de que o novo julgamento de Bolsonaro será na Segunda Turma do STF, onde ele tem maioria (Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça) e será inocentado. Agora, só falta a Ouvidoria do Supremo mandar retirar do site da instituição a matéria com a informação falsa de que Bolsonaro será julgado agora pelo Plenário. (C.N.)

Lula finge “defender” Moraes na ação que Trump move contra o ministro do STF

Moraes pede resposta política de Lula às sanções de Trump e freia ação judicial nos EUA | Brasil 247

Para acalmar Moraes, Lula teve de criar uma força-tarefa…

Carlos Newton

No serviço público há grande número de funcionários e autoridades que não têm mais o que fazer, especialmente depois da pandemia, quando se generalizou o chamado home office, que agora está muito difícil de desfazer. Ao invés de arranjar trabalho efetivo para justificar os altos salários pagos com dinheiro dos impostos cobrados ao cidadão-contribuinte-eleitor, como dizia Helio Fernandes, essas autoridades preferem fingir que estão presentes, positivas e atuantes.

É nesse clima que surge a curiosa informação de que o Supremo Tribunal Federal, a Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça criaram uma força-tarefa para encontrar a melhor maneira de dar uma resposta institucional do governo da filial Brazil à decisão da matriz USA, que está movendo um processo judicial contra o ministro Alexandre de Moraes.

PIADA DO ANO – O assunto realmente é grave, mas também parece Piada do Ano. Porém, ninguém deve se preocupar nem pegar em armas contra os marines, que já estão bastante ocupados com a dissimulada ocupação da Venezuela.

O problema não afeta o governo nem a população em geral, o único atingido é o ministro Moraes, além de sua família, é claro, que não pode mais visitar a Disney nem curtir a ansiada mansão em Miami, que seria comprada com parte daqueles R$ 129 milhões da venda de proteção ao banqueiro Vorcaro, dos quais só embolsaram R$ 81 milhões, uma quantia que já daria para sustentar a família até o fim de seus dias, seja em Miami ou em qualquer outra cidade do mundo, digamos assim. Mas ambição é um sentimento que sempre aumenta, jamais diminui.

Além do mais, o cofrinho da família continua enchendo com ajuda dos milionários que recorrem à assessoria especializada que a família oferece àqueles que têm altas contas a pagar nos tribunais.

MORAES PEDIU… – Apesar de a imagem de salvador da pátria estar totalmente destruída, o ministro Moraes ainda manda muito em Brasília. Pediu que o governo da filial tomasse uma atitude de enfrentamento à matriz USA, e o presidente Lula mandou reunir os suspeitos de sempre, como dizia o chefe de polícia no filme “Casablanca”.

Assim, na tentativa de acalmar Moraes, que é uma meta praticamente impossível, a força-tarefa  do Supremo, da AGU e  da Justiça já fez a primeira reunião, mas os integrantes não conseguiram nada, porque a missão é praticamente impossível

Motivo: quem está processando Moraes é a plataforma de vídeos Rumble e a Trump Media & Technology Group, uma empresa que pertence ao presidente da matriz, Donald Trump, que o governante da filial tenta agradar ao máximo e até pede que ele sorria nas fotos, para o PT usá-las na campanha eleitoral.

PRIMEIRA EMENDA – O problema de Moraes é que ele não sabe medir sua força e resolveu investir contra a famosa Primeira Emenda da Constituição da matriz, justamente aquela que protege as liberdades dos cidadãos.

De uma só tacada, falando em nome da filial, Moraes pensou que podia dar ordens à Justiça da matriz, mandar retirar isso ou aquilo nas redes sociais, prender e extraditar oposicionistas e até estabelecer censura prévia.

Os governantes da matriz, membros dos três Poderes de lá, não entendem por que Moraes ainda não internado. O próprio Trump, que é dono de uma rede social, ficou com medo das insanidades de Moraes e resolveu entrar na Justiça, para se proteger.

CITAÇÃO POR E-MAIL – Para fugir da Justiça americana, Moraes se escondeu atrás da burocracia diplomática. Durante meses se escondeu dos oficiais de justiça, a tal ponto que a matriz USA decidiu citá-lo por e-mail, para se defender no processo.

Agora, o processo vai tramitar rapidamente, com péssimo resultado. Quando o réu tenta fugir da Justiça e não se defende, como Moraes está fazendo, é julgado à revelia e rapidamente condenado.

Na reunião que teve com Trump, no último dia 7, Lula entregou-lhe um papel contendo a lista de nomes de autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar na matriz, com Moraes encabeçando a relação. Trump recebeu o pedido e guardou na gaveta. Pode até liberar a lista, mas não adiantará nada, porque o processo contra Moraes vai continuar tramitando até a condenação, porque desde 1791 a matriz USA não aceita que ninguém descumpra a Primeira Emenda. Nem mesmo o poderosíssimo Moraes.

###
P.S. –
Lula vai ficar embromando Moraes com a força-tarefa, porque é tudo uma Piada do Ano. O presidente petista não tem a menor intenção de brigar com Trump, porque sabe que ele pode atrapalhar sua reeleição. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

Petistas classificam agenda de Flávio com Trump como operação de marketing

Preso e isolado, Bolsonaro prepara lista para tentar manter controle da direita

Corrupção lidera os temas nas redes após revelação sobre ligação entre Flávio e Vorcaro

Trump teve de mandar higienizar a Sala Oval, depois de tirar a foto com Flávio Bolsonaro & Cia.

25/05/2026 -

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Vicente Limongi Netto

A visita-relâmpago do rachadinha Flávio Bolsonaro à Casa Branca foi patética. Seria até hilariante e mirabolante, se não tivesse sido vazia, inútil e rigorosamente cretina. No gabinete de Donald Trump, sempre perfumado, ficou um cheiro ruim. Algo podre havia passado na Sala Oval.

Seguranças foram acionados para descobrir quem entrou na sala do presidente mais poderoso do mundo e deixou no ar um odor de gambá. A Sala foi evacuada para higienização. Médicos informaram que o perfume da Praça Mauá que o senador usava foi a causa das tonturas do anfitrião.

FICOU SENTADO – Durante o encontro vapt vupt com o farsante Flavio Bolsonaro, Trump não conseguiu se levantar para cumprimentar o importuno visitante. Teve de ficar sentado, porque sentiu tremores e calafrios pelo corpo.

Quando os dois serviçais de Flávio, Paulo Figueiredo e Eduardo Bolsonaro, entraram no gabinete, as mãos de Trump tremeram. O presidente percebeu ser mais cômodo e seguro conversar com representantes do Irã, da Rússia ou da Ucrânia.

Segundo o rachadinha achocolatado, o fofo e topetudo Trump perguntou sobre a saúde do pai dele, aquele golpista condenado e preso. Flávio ficou mudo, sem palavras, mas Eduardo socorreu o irmão mais velho e disse: “Fala a verdade, cara, diga que papai está preso e não pode sair de casa”. Mas Flávio ficou com vergonha e não falou a cruel verdade.

GUERREIRA – Impressionam até mesmo aos mais incrédulos a fibra e a obstinação da ex-governadora Roseana Sarney. Lutando e vencendo obstáculos duros de sucessivas doenças graves, Roseana tem aparecido nas propagandas eleitorais do MDB, com voz forte, articulada, os olhos saudando a vida.

Roseana lidera as pesquisas para eleição do Senado no Maranhão. O qualificado cientista político Paulo Kramer tem razão, quando compartilha e destaca o orgulho que o ex-presidente José Sarney tem da briosa filha.

STF enterra aposentadoria como punição para juízes e endurece combate a desvios

Decisão da Primeira Turma foi unânime nesta terça-feira

Ana Pompeu
Folha

A Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) manteve nesta terça-feira (26) o entendimento do ministro Flávio Dino pelo fim da aposentadoria compulsória com afastamento remunerado e para que infrações graves de juízes sejam punidas com a perda do cargo. O colegiado foi unânime nesse sentido. Pelo voto do relator, que foi acompanhado por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, a punição com manutenção de recebimentos significaria impunidade.

A perda do cargo, pela decisão, fica condicionada a uma ação perante o próprio Supremo, depois de processo administrativo nesse sentido. Segundo o CNJ (Conselho Nacional de Justiça), foram aplicadas 126 sanções desse tipo desde 2006 —data da criação do órgão—, mas há casos de um mesmo juiz punido mais de uma vez com a mesma pena.

APOSENTADORIA COMPULSÓRIA – Os processos administrativos tinham, até aqui, como consequência mais grave a aposentadoria compulsória. Em seguida, vem a disponibilidade do magistrado com vencimentos proporcionais ao tempo de serviço. O tempo afastado conta apenas para aposentadoria, o que pode adiar o direito a licenças e o avanço na carreira.

Abaixo disso, as punições podem ser advertência ou censura, caso seja entendido que a postura foi menos grave. Até aqui, a perda de cargo seria possível em decorrência de julgamentos pelo cometimento de crimes. “A aposentadoria compulsória, materializada na inatividade remunerada do magistrado que comete infração, era uma exceção à regra da moralidade administrativa e à regra da perda do cargo. Contudo, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 103/2019, não mais subsiste no sistema constitucional a aposentadoria compulsória com caráter punitivo”, disse Dino.

De acordo com Dino, a responsabilização por meio de um afastamento com remuneração significa uma assimetria entre os Poderes. “No Poder Executivo, há possibilidade de impeachment e no Poder Legislativo há possibilidade de cassação de mandato, isto é, sanções compatíveis com ilícitos graves que impedem o recebimento de remuneração por parte do agente público”, comparou. “Só seria possível tal absurda assimetria se fosse vontade expressa da Constituição. Era. Não é mais.”

DESEQUILÍBRIO – Ainda segundo o ministro, esse modelo transfere o ônus da punição à sociedade, como um todo, já que a aposentadoria precoce desequilibra ainda mais o sistema previdenciário. “Após o fim do vínculo do magistrado com o Poder Judiciário em razão do cometimento de infração grave, não há como se reconhecer a existência de direito adquirido à permanência do pagamento de qualquer verba relacionada com a atividade jurisdicional, mesmo que transmutada por meio da (inconstitucional) conversão para um vínculo de natureza jurídica previdenciária”, disse.

De acordo com a decisão, se a perda do cargo for aprovada pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), a ação deve ser ajuizada diretamente no STF pela AGU (Advocacia-Geral da União). Caso a conclusão administrativa pela perda do cargo do magistrado for de um tribunal, o processo deve ser enviado ao CNJ, e depois ir ao STF.

A turma debateu um recurso apresentado pela defesa da ação originária e pelo MPF (Ministério Público Federal). Ambos pediam que o tema fosse levado ao plenário completo da corte, apontando a relevância jurídica da matéria, que atinge toda a magistratura e integrantes do Ministério Público, além do risco de divergência de decisões das duas turmas.

ARGUMENTOS RECUSADOS – Os ministros, no entanto, recusaram os argumentos nesse sentido. Dino afirmou que o debate se dá sobre a Lei Orgânica da Magistratura, que é anterior à Constituição de 1988, e sobre a emenda de 2019 que fez uma alteração nesse texto. Dessa forma, o tema poderia ser analisado pela Primeira Turma.

Na sessão, Dino afirmou que a vitaliciedade é uma garantia que não pressupõe impossibilidade de rompimento do vínculo diante de condutas incompatíveis com a função. “Não havendo exceção expressa, inviável a manutenção remunerada do vínculo de um agente público que comete conduta reprovável em grau máximo, muitos menos chamar tal manutenção de aposentadoria”, disse. A decisão de Dino no caso tinha sido expedida em 16 de março.

Dino também oficiou o ministro Edson Fachin, que preside o Supremo e também o CNJ, “para —caso considerar cabível— rever o sistema de responsabilidade disciplinar no âmbito do Poder Judiciário” e substituir a aposentadoria compulsória “por instrumentos efetivos para a perda do cargo de magistrados que cometem crimes e infrações graves”.

CUMPRIMENTO À DECISÃO – O presidente da corte e do CNJ já entrou em contato com o corregedor-nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, para definir os encaminhamentos no conselho para dar cumprimento à decisão. A Corregedoria Nacional de Justiça é a instância responsável pela orientação, coordenação e execução da correicional da atividade judiciária dos tribunais.

A interlocutores, Fachin avaliou, na época, que a decisão está de acordo com outras individuais que vinham sendo dadas desde 2019 e já era, portanto, um tema em debate. O relator da ação deu a decisão de forma individual em uma ação que analisa o afastamento de um juiz da Comarca de Mangaratiba (RJ), que acionou o Supremo para anular decisão do CNJ que resultou em sua aposentadoria compulsória.

Há três semanas, a AGU defendeu à corte que a decisão de Dino não poderia ser estendida a outros magistrados e que é atribuição do CNJ, e não do STF, exercer controle ético-disciplinar sobre os juízes.

Caiado e Zema discutem uma aliança para formar uma terceira via competitiva

Homem de cabelos grisalhos e terno azul fala segurando microfone, gesticulando com a mão direita. Outro homem de cabelos escuros e óculos observa atentamente, sentado ao lado, com crachá pendurado no pescoço. Fundo branco com logotipos desfocados.

Caiado e Zema estão acertando uma chapa competitiva

Bruno Ribeiro e João Pedro Abdo
Folha

Os ex-governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ambos pré-candidatos à Presidência, encontraram-se nesta terça-feira (26) e discutiram uma aliança já no primeiro turno das eleições.

Ao tratar do encontro nesta quarta-feira (27) em entrevista à rádio Nova Difusora, em São Paulo, Caiado foi questionado sobre o assunto e sobre a disposição de Zema em fazer a aliança sem abandonar a cabeça da chapa. “Nós conversamos, existe esse sentimento. E ele é uma pessoa aberta. Então nós estamos somente avaliando”, respondeu o pré-candidato do PSD.

NA DATA-LIMITE – Já Zema, durante um evento com agentes do mercado financeiro na terça-feira (26), manteve o tema em aberto. “Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse em referência ao dia 15 de agosto, fim do prazo para inscrição de chapas na Justiça Eleitoral para o pleito de 2026.

Zema esteve no escritório de campanha de Caiado, em São Paulo, para a reunião que tratou da aliança no primeiro turno. O ex-governador de Goiás havia dito, em outras ocasiões, que o grupo estaria unido de qualquer forma no segundo turno, quando é esperado que um nome do campo da direita se mantenha na disputa contra Lula, da esquerda.

No entorno dos dois candidatos, contudo, a avaliação é que uma eventual união dos dois, se ocorrer, só será definida perto das convenções e do registro das candidaturas.

HUMILDADE – Em sua entrevista, Caiado disse que era preciso ter humildade para reconhecer que tanto sua pré-campanha quanto a de Zema estão em um patamar abaixo das do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). “No momento em que nós unirmos um pouco nossos esforços, elas [as pré-campanhas] poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão chegar competitivas ainda no primeiro turno”, afirmou.

Já Zema afirmou “se dar bem” com Caiado e, quando questionado se aceitaria ser vice na chapa com o ex-governador de Goiás, brincou: “Não poderia ser ao contrário?”.

O mineiro, que também havia feito visitas e aberto canais de diálogo com Flávio Bolsonaro, virou alvo de ataques de bolsonaristas diante da postura após a revelação da associação do senador com Daniel Vorcaro, do banco Master.

TAPA NA CARA – Zema disse que era “imperdoável, um tapa na cara nos brasileiros de bem” ouvir o senador cobrando dinheiro de Vorcaro. A atitude foi interpretada como uma traição pelos aliados de Flávio, dificultando a busca do ex-governador por palanques entre políticos da direita.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em maio, após o escândalo, Lula (40%) ampliou de 3 para 9 pontos percentuais a diferença para Flávio (31%) na simulação de primeiro turno. Caiado e Zema marcam, respectivamente, 4% e 3% no levantamento.

Zema repetiu na terça as críticas que tem feito a Flávio após a divulgação dos áudios. “Foi dito para nós, meses atrás, que ele não tinha nenhum envolvimento [Flávio] com o banqueiro bandido [Vorcaro] Quem foi traído? Nós ou eles? Me parece que nós”, disse.

INDIGNAÇÃO – Ele afirmou estar “realmente indignado” e que quem votar em Flávio estaria “entregando a eleição para o Lula, já que a rejeição dele ficou maior do que a do presidente”. O filho do ex-presidente marcou 46% e superou o petista (45%) entre os eleitores que dizem não votar em algum dos candidatos perguntados.

Mesmo assim, o ex-governador mineiro disse que apoiaria Flávio em um segundo turno contra um candidato de esquerda. Segundo Zema, combater esse espectro político é seu “grande objetivo”.

O pré-candidato também voltou a fazer críticas aos programas sociais: “O que tem de marmanjão de 20, 30 anos recebendo Bolsa Família e complementando esse Bolsa Família com bicos eventuais, não tá escrito”, afirma. O tema é recorrente nas falas do ex-governador mineiro e já foi rebatido pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.

###
NOTA DA REDAÇÃO D0 BLOG
Ao que parece, Caiado e Zema tiveram uma crise de bom-senso e estão caindo na realidade. Se os dois não se unirem para criar uma terceira via de verdade, a família Bolsonaro, que só se preocupa com ela e não com o país, vai entregar novamente o governo nas mãos de Lula e do PT, que já provaram que não sabem administrar. (C.N.)

Centro político tenta ressuscitar candidatura de Aécio Neves após crise no bolsonarismo

Empresários veem desgaste de Flávio Bolsonaro após áudios com Daniel Vorcaro

“Quando olhaste bem nos olhos meus, e o teu olhar era de adeus…”

Serenata Do Vadinho - Francis Hime — Chico Buarque & Francis Hime | Last.fm

Chico e Hime, uma parceira realmente notável

Paulo Peres
Poemas & Canções

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, em parceria com Francis Hime, deixou sua genialidade invocar inspiração para fazer a letra de “Atrás da Porta”, que confessa a dor de uma mulher por seu amor perdido, da humilhação de ser abandonada, da aflição surpreendente do final de uma paixão e de um amor.

Hime deu a música a Chico para fazer a letra em 1966 e ele demorou mais de seis meses para concluí-la. O resultado é que tudo é perfeito nesta canção. Desde o desespero até a vontade de se vingar e a decepção de saber que depois de ser apagada de um coração, nada mais surte efeito para trazer de volta este amor. A música faz parte do álbum Elis, gravado por Elis Regina, em 1972, pela Phonogram.

ATRÁS DA PORTA
Francis Hime e Chico Buarque

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra provar que inda sou tua

Coordenador de Flávio pede investigação sobre vazamento de conversas com Vorcaro

Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)

Gabriela Echenique
Folha

O coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), pediu que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça apure o que chamou de vazamento seletivo, após a divulgação de conversas entre o presidenciável e Daniel Vorcaro.

Ele cobrou uma apuração rigorosa sobre o vazamento de informações sigilosas do inquérito do Banco Master na corte. E quer que o ministro investigue a origem do material divulgado, onde ficou guardado e quais agentes tiveram acesso aos dados.

COBRANÇA – A representação é feita semanas após o site The Intercept Brasil divulgar trechos de conversas entre Flávio e o ex-banqueiro. Nelas, o presidenciável cobra recursos que seriam destinados a financiar um filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os áudios provocaram uma crise na campanha e aumentaram o clima de desconfiança no PL e no mercado financeiro. Em um deles, Flávio chama Vorcaro de “meu irmão” e diz que estará sempre com ele. No pedido ao STF, Marinho diz que não quer questionar a liberdade de imprensa, mas identificar os responsáveis pela divulgação de um material sigiloso. “A liberdade de imprensa não elimina o dever estatal de apurar a origem de vazamentos de autos sigilosos”, diz o senador.

O documento pede a instauração de procedimento próprio para investigar o vazamento das informações, além de apurar eventual violação de sigilo funcional. “O que se pretende é a apuração da origem do vazamento, da cadeia de custódia do material divulgado, dos agentes que tiveram acesso aos elementos sigilosos e da eventual utilização indevida de informações protegidas por sigilo para fins de constrangimento público, interferência política ou desequilíbrio do devido processo legal”, diz um trecho da representação.

Encontro de Flávio Bolsonaro com Trump reduz pressão interna sobre sucessão da direita

Congresso “claudicou” ao enfraquecer Lei da Ficha Limpa, diz Marco Aurélio Mello

Redução da jornada de trabalho e o novo desafio político do governo Lula

Proposta permitirá mais qualidade de vida ao trabalhador

Pedro do Coutto

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate nacional e, desta vez, com forte potencial de impacto político, econômico e social. A proposta de emenda constitucional que prevê a diminuição da carga semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, representa uma das medidas de maior apelo popular em análise no Congresso Nacional nos últimos anos.

Em um ambiente pré-eleitoral, o tema oferece ao governo do presidente Lula da Silva uma bandeira social poderosa, capaz de dialogar diretamente com milhões de trabalhadores submetidos a jornadas extensas, especialmente em setores de comércio, serviços e indústria.

PERÍODO DE TRANSIÇÃO – A proposta relatada na Câmara estabelece um período de transição de 14 meses para adaptação das empresas e fixa prazo de 60 dias para regulamentação após eventual promulgação da PEC. O texto também mantém os salários integrais, evitando perda de renda dos trabalhadores e reforçando o caráter social da medida.

Politicamente, poucos temas conseguem reunir simultaneamente forte aderência popular, discurso social e simbolismo trabalhista como a redução da jornada. O governo percebe isso claramente. Desde 2025, o Palácio do Planalto vem sinalizando apoio gradual à revisão do atual modelo de trabalho, inclusive reduzindo para 40 horas semanais a carga de milhares de trabalhadores terceirizados da administração federal.

A medida dialoga com uma transformação silenciosa do mercado de trabalho global. Em diversos países, governos e empresas passaram a discutir produtividade associada à qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Testes realizados na Europa e em partes da Ásia indicaram que jornadas menores não significam necessariamente queda de produtividade. Em muitos casos, houve aumento de eficiência, redução de afastamentos e melhora nos índices de satisfação dos funcionários.

COMPLEXIDADES – No Brasil, porém, o debate possui complexidades próprias. Especialistas em relações trabalhistas avaliam positivamente a existência de um período de transição justamente para evitar impactos abruptos sobre pequenas e médias empresas, especialmente aquelas intensivas em mão de obra. O texto busca criar uma implementação escalonada, permitindo reorganização operacional, revisão de escalas e adaptação contratual.

Há também preocupação legítima de setores empresariais com aumento de custos. Segmentos ligados ao varejo, alimentação, logística e serviços sustentam que a redução da jornada poderá exigir contratação adicional de pessoal ou ampliação de turnos. Em contrapartida, sindicatos argumentam que o modelo atual, especialmente em regimes próximos da escala 6×1, tornou-se socialmente desgastante e incompatível com padrões modernos de qualidade de vida.

Outro fator importante é que a proposta atinge majoritariamente trabalhadores de renda média e baixa. A ressalva prevista para salários acima de R$ 21 mil mensais alcança parcela muito pequena do mercado formal — algo inferior a 3% dos assalariados brasileiros, segundo estimativas discutidas durante a tramitação da matéria. Isso amplia ainda mais o alcance popular da medida e reduz resistências políticas mais amplas.

ANÁLISE PELO SENADO – Mesmo com ambiente favorável, o Senado ainda precisará analisar a PEC. A tendência predominante, contudo, é de aprovação, ainda que com possíveis ajustes de redação e negociação sobre regras de implementação. Nenhum grupo político deseja assumir o custo de se posicionar frontalmente contra uma proposta percebida por grande parte da população como melhoria direta das condições de vida.

O tema também produz um reposicionamento ideológico relevante. Durante décadas, reformas trabalhistas no Brasil estiveram associadas sobretudo à flexibilização de direitos e ampliação de mecanismos de adaptação empresarial. Agora, pela primeira vez em muitos anos, o centro da discussão passa a ser a redução efetiva da jornada sem perda salarial — uma inversão simbólica importante no debate econômico nacional.

Há ainda um componente eleitoral impossível de ignorar. Em um cenário de disputa polarizada, a pauta oferece ao governo um discurso concreto, de fácil compreensão popular e com forte capacidade de mobilização social. Diferentemente de debates técnicos sobre arcabouço fiscal, juros ou reforma tributária, a redução da jornada toca diretamente o cotidiano do trabalhador comum. É um tema que entra na casa das pessoas, altera rotinas familiares e produz identificação imediata.

SEGURANÇA ECONÔMICA – O desafio do governo será transformar o ganho político inicial em segurança econômica e previsibilidade regulatória. Caso consiga equilibrar proteção ao trabalhador e adaptação empresarial, a proposta poderá se tornar uma das marcas sociais mais relevantes do atual mandato presidencial.

Mais do que uma simples alteração na legislação trabalhista, a discussão revela uma mudança mais profunda no imaginário político brasileiro: a ideia de que desenvolvimento econômico não pode mais ser medido apenas pelo crescimento do PIB, mas também pela capacidade de oferecer tempo, qualidade de vida e dignidade ao trabalhador.

Crise com Vorcaro afasta União Brasil e PP de aliança com Flávio Bolsonaro

Tendência hoje é de neutralidade dos partidos

Fábio Zanini
Folha

Dirigentes da federação formada por União Brasil e PP consideram improvável o apoio formal à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), após a divulgação de detalhes sobre a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo um cacique, a tendência hoje é a federação ficar neutra na disputa, mas o martelo só será batido mais próximo do prazo de convenções, que se inicia em 20 de julho. Muito dependerá do surgimento de novos fatos que aumentem o desgaste do senador.

FORÇA DE LULA – Contribui também para isso a força de Lula em estados do Norte e Nordeste, que prejudicaria candidatos dos dois partidos nessas regiões em caso de coligação. Antes do vazamento das mensagens, União e PP estavam próximos de fechar apoio a Flávio, inclusive com a discussão sobre nomes para vice. Eram mencionados, por exemplo, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).

Dentro da federação, há muito incômodo com a postura de Flávio, que não revelou a existência de conversas com o banqueiro e ainda criticou quem tinha relação com ele. Se União e PP desistirem da aliança com Flávio, a tendência é que ele saia candidato apenas com apoio do PL, uma vez que Republicanos e MDB também devem ficar neutros.