TSE encerra disputa sobre sigilos e deixa desafio eleitoral sem resposta

A promessa dos sigilos ficou pelo caminho

Rafaela Gama
O Globo

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), extinguiu o processo que representava o desafio fixado durante a campanha entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para a abertura de seus sigilos bancários e telefônicos.

Na decisão, publicada na última quarta-feira, o magistrado seguiu parecer apresentado pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que foi favorável ao encerramento da ação ao argumentar que não é papel da Justiça decidir o que os candidatos escolhem divulgar ou não.

EXTINÇÃO – Mendonça julgou “extinta a petição sem resolução do mérito” por considerar que não haveria motivos para submeter “desafio” à análise da Corte. Na semana do segundo turno, o magistrado chegou a autorizar a divulgação dos sigilos ao afirmar que a divulgação espontânea dos dados não enfrentava nenhum impedimento legal. Na época, as duas campanhas chegaram a assinar petições que autorizavam o levantamento imediato dos seus dados e dos seus familiares.

No caso de Flávio, as autorizações alcançaram todas as contas bancárias, no Brasil e no exterior, além de uma offshore ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador. A equipe jurídica do senador, no entanto, disse que só entregaria o material apresentado pelo petista. Coordenador de campanha de Lula, o senador Camilo Santana (PT-CE) também foi ao TSE para protocolar um documento que afirmava que Lula havia aceitado as condições impostas pelo adversário.

FUGA – Até a data da votação, no entanto, as informações de ambos não foram tornadas públicas. O petista venceu o pleito com 51,79% dos votos válidos, enquanto o senador teve 48,21%. Após a derrota, Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, de onde chegou a se autoproclamar “o verdadeiro presidente eleito” em uma carta publicada nas redes sociais.

Ele, no entanto, voltou atrás e editou o texto, colocando-se como “líder do Brasil”, com o objetivo de liderar a oposição do exterior. O resultado nas urnas foi reconhecido na semana seguinte pelo seu entorno, que passou a focar na candidatura do senador Rogério Marinho (PL-RN) para a presidência do Senado.

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Quando a insatisfação popular chega ao poder

Pressionado, Santiago Peña anunciou sua renúncia

Pedro do Coutto

A insatisfação popular voltou a demonstrar que nenhum governo está imune às consequências de decisões que se afastam das expectativas da sociedade. Em diferentes países, o descontentamento com a economia, a falta de transparência e a incapacidade de responder aos problemas concretos da população começa a produzir mudanças políticas de grande alcance. O Paraguai e os Estados Unidos oferecem exemplos dessa dinâmica, enquanto o Brasil enfrenta o desafio de conciliar responsabilidade fiscal e justiça social.

No Paraguai, a pressão política e popular levou o presidente Santiago Peña a anunciar sua renúncia, em meio à crise provocada pelo colapso do banco digital Ueno. A instituição administrava recursos públicos, e sua expansão levantou questionamentos sobre possíveis conflitos de interesses, utilização de fundos previdenciários e omissões das autoridades.

CREDIBILIDADE – As denúncias, negadas pelo presidente, ampliaram a crise e atingiram a credibilidade do governo. A oposição passou a articular um processo de impeachment, enquanto a perda de apoio dentro do próprio Partido Colorado tornou insustentável sua permanência no cargo.

O episódio mostra como problemas econômicos podem rapidamente transformar-se em crises institucionais. Quando a população sente que suas economias e sua segurança financeira estão ameaçadas, a cobrança por transparência e responsabilização deixa de ser apenas uma reivindicação política. A saída do presidente, por si só, não resolve as questões sobre a recuperação dos recursos e a apuração das responsabilidades.

Nos Estados Unidos, a insatisfação assumiu outra dimensão. Nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, os democratas conquistaram o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, impondo uma derrota expressiva ao Partido Republicano e a Donald Trump. A chamada onda azul representou uma reação à orientação do governo e uma exigência de maior fiscalização sobre o Executivo.

CONFRONTO – Trump não perdeu a Presidência nem está obrigado a renunciar. Mas, a partir de janeiro de 2027, terá de enfrentar um Congresso controlado pelos adversários. Os democratas poderão bloquear iniciativas, ampliar investigações e exercer maior controlo sobre as decisões governamentais. O resultado também abre uma disputa sobre a liderança e o futuro do Partido Republicano.

O custo de vida, a inflação e a insatisfação com a condução da economia estiveram entre os fatores que influenciaram o voto. A eleição reforça uma constatação importante: a popularidade de um governante não é suficiente para neutralizar dificuldades cotidianas. Quando a população deixa de perceber respostas concretas, a identificação política pode dar lugar à cobrança por resultados.

No Brasil, os acontecimentos reforçam a importância da discussão sobre responsabilidade fiscal. Lula reconheceu, em 5 de novembro, a necessidade de organizar as contas públicas e assegurar maior previsibilidade econômica. O assunto também esteve na pauta de uma reunião com ministros, ex-ministros e economistas, no Palácio da Alvorada.

AJUSTE – O equilíbrio fiscal, entretanto, não pode ser alcançado à custa de quem já suporta a maior parcela dos encargos. O ajuste precisa enfrentar a sonegação, rever privilégios e melhorar a eficiência dos gastos públicos, sem transferir automaticamente os custos para assalariados e consumidores. A reforma tributária também deve ser orientada por um princípio de justiça: quem tem maior capacidade contributiva precisa assumir uma parcela proporcionalmente maior do esforço.

Outra prioridade é o combate ao crime organizado, cuja expansão e infiltração em atividades econômicas exigem respostas que ultrapassem as operações policiais. Investigações financeiras, fiscalização e cooperação entre instituições são fundamentais para atingir as estruturas que sustentam essas organizações.

Os acontecimentos no Paraguai e nos Estados Unidos têm origens distintas, mas revelam um ponto em comum: a legitimidade política não é um património permanente de quem governa. Vitórias eleitorais não representam autorização para ignorar os limites institucionais, assim como maiorias parlamentares não garantem, por si mesmas, soluções para os problemas nacionais.

RESPONSABILIDADE FISCAL – No Brasil, Lula terá de demonstrar que responsabilidade fiscal e compromisso social podem caminhar juntos. A população não espera apenas indicadores econômicos favoráveis, mas resultados que se traduzam em melhores condições de vida, segurança e oportunidades.

A insatisfação popular pode derrubar governos e alterar maiorias parlamentares. Mas a verdadeira transformação depende de algo mais difícil: converter a pressão das ruas e das urnas em instituições responsáveis e políticas públicas capazes de responder às necessidades da sociedade. Sem isso, muda quem ocupa o poder, mas permanecem as razões do descontentamento.

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Democracia é desmoralizada no Brasil pela impunidade de Toffoli e Moraes

CPI mira Toffoli, Moraes e familiares em investigação sobre o Banco Master

Toffoli e Moraes são dois ministros que emporcalham o STF

Carlos Newton

Já houve época em que os brasileiros faziam troças de outros latino-americanos, especialmente do Paraguai e da Bolívia, devido ao envolvimento de importantes autoridades locais com o crime organizado. Mas agora a realidade se modificou e o Brasil é que passa a sofrer chacotas, devido ao grau de esculhambação reinante no país, que parece não ter limites, em comparação a outras nações.

Aqui no Brasil, as irregularidades são até denunciadas, sofrem investigação rigorosa, mas as acusações acabam sendo retiradas, sob os mais ridículos argumentos.

TECNICALIDADES – No atual Supremo brasileiro, qualquer tecnicalidade jurídico-processual é mais importante do que provas robustas apreendidas, depoimentos espontâneos e até delações premiadas.

Os criminosos são soltos pelo Supremo e o dinheiro fruto da corrupção lhes é imediatamente “devolvido”, como registra a comédia hollywoodiana “A Lavanderia” (The Laundromat, 2019), sobre o caso Odebrecht, com  Meryl Streep, Gary Oldman e Antonio Banderas.

Para inocentar criminosos de alto coturno, pode-se alegar que houve um vazamento aqui, o sigilo foi quebrado ali, o ministério público teve contato com o juiz, a ordem para renovar a prisão preventiva deixou de ser expedida etc. e tal. E foi assim que acabou em pizza a Lava Jato, a maior operação contra corrupção já feita no mundo.

TOFFOLI IMPUNE – Os ministros Dias Toffoli, indicado pelo presidente Lula da Silva, e Alexandre de Moraes, nomeado pelo presidente Michel Temer, tornaram-se exemplos ambulantes da impunidade brasileira.

As denúncias contra Toffoli se acumulam desde 2019, quando abriu ilegalmente o Inquérito das Fake News, para resolver as pendências tributárias de sua esposa, a advogada Roberta Rangel, e da mulher de Gilmar Mendes, a também advogada Guiomar Feitosa, com quem os ministros eram casados à época.

Depois, soube-se que Toffoli recebia mesada de R$ 100 mil da mulher, ele saiu soltando lavajatistas e devolvendo dinheiro da corrupção, virou dono de resort/cassino de luxo. E nada lhe aconteceu, rigorosamente nada.

MORAES, TAMBÉM – O ministro Alexandre de Moraes é um exemplo ainda pior do que Toffoli, porque usou o próprio cargo na Suprema Corte para enriquecer ilicitamente, vendendo “proteção” ao banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, pela módica quantia de R$ 3,6 milhões mensais, através do escritório de advocacia de sua mulher e filhos.

As provas são abundantes e irrefutáveis, mas não acontece nada a Moraes, sequer foi aberta investigação contra ele.  É um escândalo em sessão permanente, uma novela inacabável.

O celular de Vorcaro registra 316 mensagens entre ele e Moraes, nos dois meses que antecederam a prisão do dono do Banco Master, revela levantamento feito pelo UOL. Até então, só havia conhecimento de 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes por meio de prints de textos escritos no bloco de notas. Mas nada disso tem a menor importância no Brasil de hoje.

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P.S. 1
– O material mostra a relação de intimidade cultivada pelo magistrado com o banqueiro. “Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”, escreveu Moraes em uma legenda de imagem enviada a Vorcaro em 24 de outubro de 2025. E não acontece nada a Moraes, que continua impune e enlameando o manto sagrado da toga do STF.

P.S. 2 – Enquanto isso, o presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, fugiu do país após ser alvo de um mandado de prisão por organização criminosa e tráfico de substâncias controladas. No Paraguai, o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia ao cargo, em meio a uma grave crise política e financeira desencadeada pela liquidação do Ueno Bank, uma espécie de escândalo do Banco Master, em menores proporções, é claro. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

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Lula autoriza discussão de reforma do Judiciário e das regras do STF

Planalto discute formato, mas fará consultas ao Supremo

Tainá Falcão
CNN

O presidente Lula autorizou o início das discussões sobre uma reforma do Judiciário, propostas durante o período de campanha. A apresentação de uma proposta ao Congresso ficaria para 2027.

A intenção é formar uma comissão ou grupo de trabalho com juristas e representantes da sociedade civil, ainda neste ano, para construir um texto que altere principalmente as regras de funcionamento do STF (Supremo Tribunal Federal).

MANDATOS – Entre as mudanças em análise estão a criação de mandatos para ministros do Supremo, o aumento da idade mínima para ocupar uma cadeira na Corte e a revisão das regras de indicação.

Atualmente, os ministros são escolhidos pelo presidente da República, precisam ter entre 35 e 65 anos no momento da nomeação e podem permanecer no cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos.

O governo também avalia limitar decisões individuais dos magistrados e estabelecer regras mais rígidas para evitar conflitos de interesses, incluindo restrições a negócios de familiares de juízes com partes envolvidas em processos.

TRANSFERÊNCIA – Outra possibilidade em discussão é transferir para o STJ (Superior Tribunal de Justiça) parte da competência criminal hoje atribuída ao STF. Ainda em campanha, Lula defendeu uma reforma para recuperar a credibilidade do Judiciário, abalada pela crise entre ministros do Supremo.

A viabilidade da reforma, no entanto, dependerá de uma negociação com o Congresso e com o próprio Supremo. Já existem propostas apresentadas por parlamentares com mudanças nas regras do STF, mas não há consenso sobre a duração dos mandatos, nem sobre modelo de indicação ou limites à atuação dos ministros.

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Eduardo Bolsonaro pode deixar o Texas após avanço democrata nos Estados Unidos

Aliados defendem que Eduardo se mude para a Flórida

Bela Megale
O Globo

Aliados de Eduardo Bolsonaro têm defendido que o ex-deputado se mude para a Flórida. O estado do Texas, onde ele vive desde o ano passado com sua família, foi um dos que passaram pela chamada “onda azul”, com a eleição da governadora Gina Hinojosa e do senador James Talarico, ambos democratas.

Braço-direito de Eduardo nos Estados Unidos, o ex-comentarista da Jovem Pan Paulo Figueiredo disse que defende há tempos a mudança do ex-deputado para a Flórida e que isso não tem relação com as eleições de meio de mandato.

INDECISÃO – “Flávio (Bolsonaro) ainda não decidiu onde vai ficar aqui nos EUA, mas tinha que vir para a Flórida. O Eduardo tinha que vir para a Flórida também porque não tem nada o que fazer no Texas. O Texas é muito isolado da comunidade brasileira. Eu tô insistindo com ele há anos para ele vir pra cá. Agora eu sacaneio o Eduardo dizendo que ele vai viver num estado governado por democrata”, disse Figueiredo, que mora na Flórida.

O ex-apresentador questionou a avaliação feita pelo professor Lucas Souza Martins, que leciona história dos EUA na Temple University, na Filadélfia. O professor avalia que a vitória democrata nos EUA pode fragilizar a presença de Eduardo e Flávio nos EUA e fazer com que o ex-deputado se mude para a Flórida.

Figueiredo nega que a eleição tenha reflexo na permanência de Eduardo nos EUA ou no Texas. “Não tem mais nada que nenhuma autoridade possa fazer sobre a residência do Eduardo nos EUA. Ele é hoje uma pessoa que tem todos os direitos que qualquer americano, só não pode votar ou ser votado. A vitória dos democratas no Texas também não muda em nada a articulação política que a gente faz, pois elas não ocorrem em nível estadual. Acho que o Eduardo nunca nem teve contato com o governador atual, que é republicano. Agora, sou da opinião que é muito mais conveniente estar aqui, porque todos os parlamentares com quem somos próximos estão aqui e não fazemos nada na esfera estadual no Texas. Eduardo mora no Texas porque as casas lá são muito mais baratas e porque ele gosta da região”, disse Figueiredo.

Zettel confirma pagamentos a mando de Vorcaro, mas nega ligação com grupo armado

Empresário negou envolvimento com a ‘Turma’

Pepita Ortega
O Globo

O empresário Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, prestou depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira no âmbito da investigação envolvendo as fraudes financeiras do Banco Master.

Homem de confiança do ex-dono do Master, Zettel confirmou que fazia pagamentos por ordem de Vorcaro, mas sem questioná-los. De outro lado, o empresário negou envolvimento com a ‘Turma’, grupo apontado pela Polícia Federal como o braço armado da organização criminosa supostamente liderada por Vorcaro.

REVOGAÇÃO – O depoimento foi marcado inicialmente para o último dia 21, mas acabou cancelado. O procedimento realizado durou cerca de 50 minutos, segundo interlocutores. Durante o depoimento, Zettel ainda reforçou o pedido para que sua prisão preventiva fosse revogada.

No entanto, no final da tarde, o presidente do STF, Edson Fachin, negou revogar a prisão preventiva. Segundo o ministro, a prisão do advogado, apontado como suposto operador de Vorcaro, segue “adequada e indispensável à aplicação da lei penal, à manutenção da ordem pública e à conveniência da instrução criminal”.

O presidente do STF acolheu parecer da Procuradoria-Geral da República. O órgão argumentou que, se colocado em liberdade, o cunhado de Vorcaro poderia comprometer a colheita de provas e voltar a praticar crimes.

POSIÇÃO DE DESTAQUE – Ao analisar o caso, Fachin destacou os indícios concretos sobre a “posição de destaque” de Zettel no grupo investigado na Operação Compliance Zero. “Os fundamentos são coesos e específicos quando delimitam, com base em evidências indiciárias, os atos de gestão atribuídos a Fabiano Zettel”, afirmou o ministro.

Como O Globo mostrou em março, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontou que Zettel movimentou em sete meses R$ 99,2 milhões, montante “incompatível com a capacidade financeira”. O volume representa, em média, R$ 14,1 milhões em transações a cada 30 dias, valor mais de duzentas vezes superior à renda de R$ 66 mil mensais declarada por ele.

O relatório mapeou R$ 49,9 milhões que entraram na conta e R$ 49,3 milhões em débitos entre junho de 2021 e janeiro de 2022. O órgão afirma ainda que o perfil da movimentação indica que a conta “aparentemente” foi usada para o “trânsito de recursos de terceiros”. O mecanismo reforça, segundo investigadores, a suspeita sobre a atuação de Zettel como operador financeiro de Vorcaro.

Com Flávio nos EUA, Bolsonaro entra em campo para decidir o futuro da oposição no Senado

A conexão Milei na controversa viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos

Fuga de Flávio teve ajuda de assessor de Milei, diz NYT

Deu no O Globo

Quando Flávio Bolsonaro fugiu do Brasil dois dias após perder a eleição presidencial do mês passado e chegou a um aeroporto na Argentina, um alto assessor do presidente argentino o esperava na pista.

O assessor, Santiago Caputo, membro do círculo íntimo do presidente Javier Milei, encontrou-se com Bolsonaro no aeroporto de Puerto Iguazú em 27 de outubro, onde ele embarcou em um jato que finalmente o levou e sua família para Miami, nos Estados Unidos, segundo três pessoas envolvidas na operação.

COORDENAÇÃO – Caputo havia viajado cerca de 1.290 quilômetros de Buenos Aires, a capital da Argentina, para a região no dia anterior, e ajudou a coordenar a saída de Flávio Bolsonaro do aeroporto, incluindo o auxílio para agilizar o processamento de passaportes da família e a documentação do voo, disseram as pessoas ouvidas pela reportagem.

Flávio Bolsonaro enfrenta várias investigações criminais no Brasil e, segundo as autoridades brasileiras, não havia cumprido uma ordem para entregar seus documentos de viagem.

Assim como outras pessoas entrevistadas para este artigo, as três pessoas familiarizadas com o esforço para ajudar Flávio Bolsonaro a chegar aos Estados Unidos solicitaram anonimato para discutir assuntos diplomáticos sensíveis.

“NÃO CONHECIA” – Em uma entrevista na quarta-feira, Flávio Bolsonaro não reconheceu ter recebido qualquer ajuda do governo Milei ou de qualquer outra autoridade. Ele disse que não conhecia Caputo e que, no aeroporto, “vários argentinos estavam ao meu lado, não sei se um deles era esse cara”.

Flávio Bolsonaro não explicou como conseguiu viajar internacionalmente, dizendo apenas que foi para os Estados Unidos por conta própria. Mas os passaportes brasileiros do bolsonarista haviam sido cancelados, e o presidente Donald Trump disse que os Estados Unidos lhe deram “um salvo-conduto” para entrar no país. O The New York Times também noticiou que um oficial da Casa Branca providenciou o avião que o Flávio Bolsonaro pegou para Miami.

Caputo, em uma mensagem de WhatsApp, disse que “não desempenhou nenhum papel” nas viagens do Sr. Bolsonaro e não respondeu a perguntas sobre sua presença no aeroporto. O Ministério das Relações Exteriores da Argentina disse que o governo argentino “não teve absolutamente nenhum envolvimento” na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil. No entanto, o Sr. Bolsonaro agradeceu publicamente ao governo Milei logo após chegar a Miami.

COMUNICADO – “Gostaria de agradecer ao presidente Milei por sua coragem, senso de justiça e legalidade”, escreveu Flávio Bolsonaro em um comunicado. Da mesma forma, os aliados de Milei também comemoraram a fuga de Flávio Bolsonaro e sugeriram que seu governo desempenhou um papel nela. “O governo de Milei é o mais corajoso da história”, escreveu Juan Carreira, que supervisiona as comunicações digitais de Milei, nas redes sociais, acrescentando: “Flávio Bolsonaro está a salvo das garras do comunismo.”

Caputo não ocupa nenhum cargo oficial no governo, mas, junto com a irmã de Milei, é um dos conselheiros mais próximos do presidente e exerce considerável influência sobre a política externa e questões de inteligência. Milei, aliado político de Flávio Bolsonaro e um dos poucos líderes mundiais que não reconheceram a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não respondeu a um pedido de comentário.

ALIANÇAS PESSOAIS – O papel de Caputo na fuga de Flávio Bolsonaro é mais um exemplo de como alianças pessoais e partidárias estão remodelando a política latino-americana. Uma vitória do bolsonarista na eleição presidencial teria dado à direita ascendente sua maior vitória na América Latina.

Antes da eleição, Milei havia participado de um evento de campanha com Flávio Bolsonaro em São Paulo e insultado Lula, bem como um ministro do Supremo Tribunal Federal brasileiro que tem sido alvo da direita no Brasil. Lula acusou Milei de interferir nos assuntos internos de seu país, chamou de volta o embaixador do Brasil na Argentina e pediu que o embaixador argentino deixasse o país.

PARCERIA – O Brasil é vizinho e o maior parceiro comercial da Argentina, e especialistas alertaram que uma deterioração nas relações entre os dois países pode ter graves consequências econômicas para a Argentina.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil convocou na semana passada o encarregado de negócios da Argentina, o representante argentino de maior patente ainda em Brasília, a capital, para pedir explicações sobre a fuga de Flávio Bolsonaro, segundo dois diplomatas brasileiros. Pablo Quirno, ministro das Relações Exteriores da Argentina, negou em uma postagem no X que tal pedido tenha sido feito.

A jornada de Flávio Bolsonaro alimentou inúmeros relatos conflitantes e gerou muitas perguntas sem resposta. Embora as autoridades brasileiras tenham proibido Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil, sua passagem pela Argentina não parece ter violado nenhuma lei argentina. Flávio Bolsonaro não foi acusado de nenhum crime.

ORDEM JUDICIAL – Apesar de uma ordem judicial que proibia Flávop Bolsonaro de viajar devido a investigações que o ligam a um esquema de lavagem de dinheiro, não havia mandado de prisão quando Flávio Bolsonaro cruzou do Brasil para a Argentina na noite de 27 de outubro com sua esposa e duas filhas.

Caputo chegou a Iguazú em um jato particular na noite de 26 de outubro, o dia após a eleição do Brasil, disseram duas das pessoas envolvidas na transferência do Sr. Bolsonaro pela Argentina. Ele passou boa parte de terça-feira esperando pelo bolsonarista na cidade fronteiriça, inclusive em um café dentro de um posto de gasolina, disse uma das pessoas.

Um jato particular separado que transportaria Flávio Bolsonaro também estava aguardando no aeroporto local. O avião pertence a uma empresa argentina, a Baires Fly, cujo proprietário, Luis Grande, disse ter sido contratado por um corretor que alugou a aeronave por US$ 150.000.

PROBLEMAS – Grande disse que havia usado o mesmo jato para transportar Lula duas vezes, uma para visitar um ex-presidente argentino e em outra ocasião para viajar a Havana, Cuba. O avião havia sido fretado em 26 de outubro e inicialmente deveria partir da Argentina na mesma noite, disse Grande. Mas foi atrasado porque os passageiros “tiveram problemas para chegar”, afirmou ele.

Flávio Bolsonaro acabou cruzando a fronteira argentina na noite seguinte e, em seguida, entrou no aeroporto de Iguazú em uma van cinza, disseram duas das pessoas. Uma vez lá, Flávio Bolsonaro teve sua documentação para embarcar no avião agilizada na alfândega por Caputo e seus assessores, de acordo com as três pessoas que disseram ter testemunhado a interação. O grupo com Caputo incluía dois agentes de um órgão público conjunto argentino-paraguaio que gerencia um complexo hidrelétrico em outro ponto ao longo da fronteira (Iguazú também fica na fronteira da Argentina com o Paraguai).

O avião de Flávio Bolsonaro finalmente decolou logo após a meia-noite de quarta-feira. Após a decolagem do avião, Caputo foi procurar um policial júnior que estava gravando vídeos da cena na pista. Duas das pessoas envolvidas na operação disseram que,Caputo mandou que ele apagasse os vídeos.

A dor e o sofrimento que marcaram a inovadora poesia de Ana Cristina Cesar

Tribuna da Internet | Uma desesperada canção de amor, na poesia realista de Ana  Cristina CesarPaulo Peres
Poemas & Canções

A professora, tradutora e poeta carioca Ana Cristina Cruz Cesar (1952-1983) é considerada um dos principais nomes da geração mimeógrafo (ou poesia marginal) da década de 1970.

Em sua poesia, Ana Cristina Cesar mostra que seu sofrimento não era causado apenas pela dor em sua fisionomia.

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FISIONOMIA
Ana Cristina Cesar

Não é mentira;
é outra
a dor que dói
em mim.
É um projeto
de passeio
em círculo,
um malogro
do objeto
em foco.

A intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra,
outra a dor que dói.

Lula insiste em Messias para o STF e coloca Alcolumbre diante de novo impasse

Nos EUA, Flávio Bolsonaro mantém gabinete, assessores e mandato no Senado

Flávio nomeou dois assessores para gabinete no Senado

Luísa Marzullo
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nomeou dois assessores para seu gabinete no Senado após deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos, onde permanece desde o fim de outubro, depois da derrota na eleição presidencial. Entre os contratados está um ex-funcionário de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que perdeu o mandato de deputado federal por excesso de faltas. As nomeações foram oficializadas na quarta-feira, quando Flávio já estava há uma semana em território americano.

Um dos nomeados é Fabiano Augusto de Souza Araújo, que trabalhou no gabinete de Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados até dezembro, quando foi exonerado após a cassação do mandato do então parlamentar. Ele foi contratado para o cargo de auxiliar parlamentar pleno, com remuneração de R$ 7.642,84.

RECONDUÇÃO – Flávio também reconduziu ao gabinete Maria Carolina Albuquerque e Silva, que havia deixado o cargo em junho para trabalhar em sua campanha à Presidência da República. Ela ocupa o cargo de auxiliar parlamentar sênior, com remuneração de R$ 9.203,20 e jornada de 40 horas semanais.

Apesar da saída do país, a Secretaria-Geral da Mesa (SGM) do Senado sustenta que o mandato de Flávio segue normalmente, uma vez que não há decisão judicial ou procedimento de perda de mandato que impeça o parlamentar de exercer suas funções. O entendimento é que ele pode continuar participando das atividades legislativas, observadas as regras de funcionamento das sessões. Procurado, o gabinete do senador não se manifestou.

O senador deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio descumpriu o prazo estabelecido pela Justiça e seguiu para Miami, nos Estados Unidos.

SEM PREVISÃO – Desde então, o senador não apresentou previsão de retorno ao Brasil. Em uma carta divulgada já em território americano, afirmou que pretende liderar a oposição ao governo Lula mesmo à distância. Flávio também passou a articular encontros com integrantes do governo de Donald Trump e lideranças conservadoras americanas, enquanto aliados no Brasil discutem os efeitos de sua ausência sobre a reorganização da oposição.

Na terça-feira, Flávio registrou presença remotamente e participou da votação da PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado em dois turnos. O parlamentar votou a favor da proposta, mas se posicionou contra a retirada das emendas que tratavam da redução da maioridade penal. A participação ocorreu em uma sessão semipresencial, modalidade que permite o registro de votos a distância.

O episódio, no entanto, provocou questionamentos no Senado. Na quarta-feira, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) apresentou duas questões de ordem para cobrar esclarecimentos sobre a ausência de comunicação oficial da viagem e pedir a anulação do voto de Flávio. O Regimento Interno determina que parlamentares informem à presidência da Casa quando se ausentarem do território nacional.

ANÁLISE – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que analisará os questionamentos com a Mesa Diretora. Ele ressaltou que a participação de Flávio na votação foi possível porque a sessão havia sido convocada em formato semipresencial.

A permanência nos Estados Unidos também levanta dúvidas sobre a presença do senador nas próximas sessões. Pelas regras do Senado, ausências injustificadas em sessões deliberativas podem resultar em descontos na remuneração, enquanto a perda do mandato por faltas depende do cumprimento dos requisitos constitucionais. Flávio recebe subsídio mensal bruto de R$ 46.366,19 e mantém a estrutura de seu gabinete parlamentar.

Alcolumbre luta pelo apoio de Lula, para continuar presidindo o Senado

Charge: Acordo entre Acolumbre e oposição - Blog do AFTM

Charge: do Cazo (Blog do AFTM)

Vicente Limongi Netto

Davi Alcolumbre é tinhoso. Não vai entregar fácil a rapadura. Presidente do Congresso tem oceânico poder de barganha. Davi segue trabalhando, sem estardalhaço. Oposição assanhada, com sangue nos olhos e sede de vingança, lançou Rogerio Marinho para presidir o Senado. 

Enlutado senador, Marinho é chefe da campanha fracassada do Flávio Miliciano. O PL, mais raivoso do que nunca, vem para lacrar o senado. Seus inacreditáveis parlamentares não querem acordo com ninguém. Mas a senadora Tereza Cristina também não abre mão da candidatura.

AGRESSÕES PESSOAIS – A rinha está animada.  Carlos Portinho, senador reeleito pelo Rio de Janeiro, que se diz jurista, retornou mais petulante do que nunca, jogou as patas em Alcolumbre, que reagiu firme, lamentando agressões pessoais contra o presidente do legislativo.

Escória do Partido Liberal, Portinho se julga o último biscoito do pacote. Depois da derrota histórica para Lula, quer ganhar alguma coisa. Nem que seja no jogo do bicho ou na raspadinha da Caixa Econômica. 

Soltam foguete antes do tempo. Marinho mandou fazer o terno de posse.  Não é bem assim. Lula tem interesse em manter Alcolumbre no cargo. Sabe jogar. Tem a caneta cheia de tinta.

ALIADOS FORTES – Raramente o Palácio do Planalto mete o bedelho nas eleições para as duas casas do congresso.  Alcolumbre tem suas armas e mumunhas. Na hora certa saberá tirar o escorpião do bolso.

Não subestimem o poder de convencimento do judeu do Amapá.  Davi não está sozinho no jogo. Tem aliados fortes. O Senado não é apenas de bolsonaristas. 

Como as eleições serão  com votação secreta, conforme manda o regimento do Senado,  crescem as chances de Alcolumbre. 

GUERREIRO –  Político ganha e perde eleições. Eleitor acerta, mas também erra muito nas escolhas. O arrependimento vem tarde. O mal foi feito. Faz parte do jogo democrático.

Balas de festim não abalam a fibra de Renan Calheiros. Seu destemor pelo Brasil, pela governabilidade e o carinho por Alagoas continuam inalteráveis e inabaláveis. 

Ex-Ministro da Justiça, 4 vezes presidente do senado e do congresso, o imenso legado político e profissional do advogado e senador Calheiros é fruto de muito trabalho.  Homens de bem não temem Renan Calheiros, só os outros. 

COMIDA BOA – O presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Roberto Tadros, de descendência árabe, reuniu grandes figuras árabes para almoço e boa prosa, em São Paulo.

Presentes, Michel Temer, Gilberto Kassab, Guilherme Afif Domingos e Alfredo Cutai Neto. “Foi um encontro enriquecedor, em que foram trocadas opiniões sobre o futuro do Brasil”, definiu Tadros, muito elogiado pelo trabalho à frente da poderosa CNC.