Reunião de Bolsonaro e Moraes demonstra que este país é uma incrível esculhambação

Ⓜ️arcel Lavajatista🔰#BrasilConsciente's tweet - "Michel Temer mandou Bolsonaro ligar para o Alexandre de Moraes e pedir desculpas. E o gado ainda defende esse traidor arregão. 🤡 #BolsonaroTraidor " - Trendsmap

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Newton

O Brasil é um país tão apodrecido institucionalmente que em Brasília foi considerado normal que o presidente da Câmara dos Deputados (Arthur Lira), tenha convidado o presidente da República (Jair Bolsonaro) para homenagear um ministro do Supremo (Gilmar Mendes). e neste festivo jantar o chefe do governo tenha aceitado manter uma reunião a portas fechadas com outro ministro do STF (Alexandre de Moraes), para juntos discutirem importantíssimos processos judiciais em fase de pré-julgamento.

Em qualquer outro país, isso significaria uma promiscuidade absolutamente inaceitável, mas aqui no Brasil ninguém critica o apodrecimento das instituições, e tudo passa a ser considerado “novo normal”.

ENTENDIMENTO? – No domingo, dia 26, Bolsonaro deu entrevista e até tocou no assunto. Disse que o ministro Moraes “falou 90% do tempo” e ele, apenas 10%. “Mais ou menos cinco minutos de conversa. Falei para ele: vamos conversar na próxima semana com mais tempo. E pode ser em qualquer lugar”, afirmou. O objetivo, segundo o chefe do Executivo, é que cheguem a um “entendimento”.

Mas como? Entendimento sobre processos judiciais? Mas o que é isso, companheiro?, perguntaria Fernando Gabeira. Como admitir que presidente da República e ministro do Supremo se reúnam a porta fechadas para chegar a entendimento sobre processos judiciais?

E o pior de tudo foi a informação do próprio presidente sobre o objetivo da conversa: “É para ver se consigo entendê-lo e ele me entender também, porque, pelo que ele falou ali, não me entende. Falou certas coisas que não procediam, não vou revelar o que é. Eu fiquei mais quieto, ouvindo ele falar. E pretendo conversar com ele sim, pretendo ver o que está acontecendo, porque no fundo eu quero diálogo e respeito à Constituição”, disse.

EXEMPLO DINAMARQUÊS – Essa esculhambação não é comum a todos os países, é claro, como se pode perceber ao assistir na TV â extraordinária série política “Borgen”, criada pelo  produtor e roteirista dinamarquês Adam Price.

O enredo dá uma inveja danada aos brasileiros. Os ministros dinamarqueses, inclusive o premier, só têm direito de contratar exclusivamente um assessor de imprensa. Os demais auxiliares, que são poucos (chefe de gabinete e três ou quatro assessores, são todos servidores públicos, que permanecem no cargo quando muda o governo, uma prática que proporciona equilíbrio administrativo e respeito à ética política.

Em outros países europeus é a mesma realidade, que possibilitou à Bélgica ficar sem governo por 650 dias, entre 2018 e 2020, sem atravessar maiores crises, porque nos países mais evoluídos não existe essa prática de os três poderes maquinarem entendimentos espúrios, como se vê no Brasil.

###
P.S.
O magnífico Olavo Bilac, criador do serviço militar obrigatório, inicia seu famoso poema “A Pátria”, com esta firmada convicção: “Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! Não verás nenhum país como este!”. O poeta realmente tinha razão: não há país como este. No entanto, não custava nada organizar um pouquinho essa absurda esculhambação… (C.N.)

Em ano eleitoral, é fundamental formar uma brigada jurídica para combater as fake news

Charge "Fake News", por Daniel Paz - Dados do próprio Ministério da Economia desmentem Paulo Guedes - Como na previdência, Guedes abandona ao Congresso reforma tributária - Lei de Responsabilidade Previdenciária prevê

Charge do Daniel Paz (Arquivo Google)

João Gabriel de Lima
Estadão

Uma pesquisa mostrou que a média de QI (Quociente de Inteligência) vem caindo na França. O grupo extremista português O Bom Europeu usou essa notícia real para cunhar uma fake news racista, xenófoba e ultrajante: a média estaria sendo puxada para baixo por imigrantes africanos.

Segundo o sociólogo político Gabriel Guimarães, estudioso do fenômeno, O Bom Europeu se inspira em Jared Taylor, guru da extrema direita americana. Banido do Facebook, o grupo foi parar no Telegram – que, no Velho Continente, tornou-se latrina de fake news e discursos de ódio.

DESAFIO JURÍDICO – Como lidar juridicamente com os que espalham mentiras nas redes sociais? A era digital criou desafios para o mundo do Direito, e alguns desses desafios serão discutidos no Fórum Jurídico de Lisboa, que começa na segunda-feira 27.

“É preciso enfrentar essas questões e, ao mesmo tempo, manter a liberdade e a vitalidade da internet”, diz o ministro Gilmar Mendes, um dos participantes do fórum.

O debate sobre o direito digital vem avançando na Europa, puxado pela Alemanha, país onde as plataformas digitais já são responsabilizadas pelos conteúdos que publicam. Na área da desinformação, infelizmente, o Brasil ainda está bastante atrasado. O Marco Civil aprovado em 2014 ficou obsoleto diante da evolução tecnológica.

ALEMANHA NA FRENTE – “No Brasil, a plataforma digital só é responsabilizada após descumprimento de decisão judicial – e a Justiça, como sabemos, é lenta”, diz Ricardo Campos, professor da Universidade Goethe, de Frankfurt, e um dos maiores especialistas brasileiros na área.

“A lei alemã (NetzDG) e o novo regulamento europeu Digital Services Act (DSA) preveem mecanismos mais modernos e eficientes para o combate de discurso de ódio e fake news.”

Os desafios do Direito na era digital se estendem também à proteção de dados, de maneira, por exemplo, a evitar a discriminação dos cidadãos.

INFORMAÇÕES PESSOAIS – Ricardo Campos cita um caso hipotético em que convênios médicos rejeitariam pacientes ao ter acesso indiscriminado a seus prontuários – que são informações privadas. Nesta área, felizmente, o Brasil está mais avançado. O regulamento europeu que entrou em vigor em 2018 inspirou fortemente a lei brasileira de 2019.

A programação do Fórum Jurídico de Lisboa terá vários brasileiros, incluindo cinco integrantes do Supremo Tribunal Federal. Além de Gilmar Mendes, Luís Roberto Barroso, Ricardo Lewandowski, André Mendonça e Alexandre de Moraes.

Que das discussões resulte uma brigada jurídica para combater as fake news – essencial para que, em ano eleitoral, os brasileiros decidam com base em informações e não em mentiras. 

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGInteressante notar que as fake news na política são um fenômeno global, que atinge nações de todos os tipos. Mas não é impossível combater essas distorções. Basta seguir o exemplo da Alemanha, que está bem à frente dos outros países. (C.N.)

Braga Netto faz sua primeira viagem com Bolsonaro após ser anunciado como “vice” 

Ridicularizado por erro, Carlos Bolsonaro culpa 'geração Paulo Freire'

Carluxo, que se julga um gênio da política, apoia a escolha

Igor Gadelha
Metrópoles

O general Braga Netto faz, nesta quinta-feira (30/6), sua primeira viagem ao lado de Jair Bolsonaro após ser confirmado pelo presidente como seu candidato a vice nas eleições deste ano. Assessor especial no Palácio do Planalto, o militar acompanha o chefe durante viagem a Campo Grande (MS), onde participam de cerimônia de entrega de residências populares.

A viagem será a última de Braga Netto como integrante do governo. O general deixará o cargo de assessor nesta sexta-feira (1º/7), como exige a legislação eleitoral para assessores que disputarão o pleito de outubro.

Na semana passada, como noticiou a coluna, Bolsonaro enviou Braga Netto ao Rio de Janeiro para conversar e ouvir demandas de empresários e representantes do setor produtivo.

CARLUXO APOIA – Filho 02 do atual presidente da República, o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) discorda dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro sobre o vice ideal para o pai nas eleições de 2022.

Enquanto o senador e o deputado federal preferiam a deputada federal Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura, Carluxo defendia o nome do general Braga Netto como companheiro de chapa do pai no pleito deste ano.

Segundo aliados, Carluxo até tem restrições com alguns integrantes da ala militar. Mas acredita que Braga Netto será mais leal ao pai e funcionará melhor como “seguro contra impeachment” num eventual segundo governo. No fim das contas, o vereador parece ter levado a melhor. No domingo Bolsonaro anunciou que deve confirmar ainda nesta semana o nome de Braga Netto como seu vice. E isso pode acontecer hoje.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A insistência do Centrão para que Bolsonaro escolhesse Tereza Cristina era eleitoral, uma forma inteligente de reduzir a rejeição das mulheres ao nome dele. Decidir por Braga Netto é um tiro no pé, porque ele não agrega novos eleitores a Bolsonaro, que jamais perderá um só voto da extrema direita, onde o general se posiciona com bravura. (C.N.)

Guimarães “demite-se” e Bolsonaro nomeia Daniella Consentino para presidir a Caixa

Daniella Marques é a mais cotada para assumir a presidência da Caixa

Daniella Consentino é da equipe do ministro Paulo Guedes

Deu em O Tempo

O presidente Jair Bolsonaro oficializou na noite desta quarta-feira (29) a nomeação de Daniella Marques Consentino para o cargo de presidente da Caixa, ficando exonerada da função de Secretária Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade do Ministério da Economia.

A nomeação saiu em Diário Oficial da União (DOU) Extra que também trouxe a exoneração de Pedro Duarte Guimarães, que se demitiu após acusação de assédio sexual. O DOU traz a exoneração de Guimarães como “a pedido”.

LIGADA A GUEDES – A escolhida por Bolsonaro era braço direito de Paulo Guedes e tem grande experiência no setor financeiro. Ela é sócia-fundadora de fundos de investimentos e foi diretora de alguns deles antes de ingressar no governo.

Ela é formada em administração pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e tem MBA em Finanças pelo Ibmec. Antes de migrar para um cargo público trabalhou por 20 anos no mercado financeiro, como gestora independente de fundos.

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Duarte Guimarães, oficializou o pedido de demissão do cargo, nesta quarta-feira (29), por causa das denúncias de assédio sexual feitas por funcionárias do banco estatal.

MUITAS ACUSAÇÕES – As denúncias se referem a situações no dia-a-dia da instituição ou em viagens pelo programa Caixa Mais Brasil, no qual Pedro Guimarães vai a diferentes regiões do país, realizando eventos e confraternizações.

Todas as denunciantes trabalham ou trabalharam em equipes que lidam diretamente com o gabinete da presidência da Caixa ou acompanharam o presidente nessas viagens. Elas se dizem assediadas e abusadas por Guimarães em diferentes situações.

O Ministério Público Federal, sob sigilo, abriu uma investigação para apurar os relatos. O Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) também vão apurar o caso.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO  BLOG
Em sua carta de demissão, o novo mito sexual negou a prática de assédio e afirmou que vive uma “situação cruel, injusta, desigual e que será corrigida na hora certa com a força da verdade”. O Diário Oficial diz que o sensual Guimarães foi exonerado “a pedido”. Mas faltou revelar: “a pedido de quem?”. Na verdade, a demissão foi a pedido dos milhões de brasileiros e brasileiras que não aceitam mais esse tipo de administrador público com problemas mentais. Bolsonaro vai perder muitos votos por causa desse inbecil. (C.N.)

Simone faz reforma tributária “em seis meses” e Ciro quer recriar o Ministério da Indústria 

Para industriais, Tebet promete reforma tributária 'em seis meses' e Ciro Gomes recriar ministério do setor

Simone Tebet disse a empresários o que eles queriam ouvir

Camila Zarur e Eduardo Gonçalves
O Globo

Os pré-candidatos à Presidência da República Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT) fizeram nesta quarta-feira um aceno a empresários da indústria brasileira em evento organizado pela confederação nacional do segmento (CNI), em Brasília. Os outros pré-candidatos principais ao Palácio do Planalto foram convidados, mas, além de Ciro e Tebet, apenas o presidente Jair Bolsonaro (PL) confirmou presença.

A senadora do MDB, prometeu que, se eleita, aprovará a reforma tributária “em até seis meses”. E o ex-ministro do PDT anunciou que pretende recriar o Ministério da Indústria e Comércio.

PRIORIDADE – “A reforma tributária é uma questão prioritária. Sou liberal na economia e na iniciativa privada somos parceiros. É um compromisso meu” — declarou Simone Tebet.

A senadora se referia à PEC 110-2019, que está com a tramitação paralisada no Senado. A proposta cria um modelo duplo de tributação, com dois impostos sobre valor agregado (IVA), um de competência dos estados e municípios e outro da União. Segundo Tebet, a PEC não é a “ideal”, mas “já está pronta” e “simplifica” o sistema tributário brasileiro.

Se vencer as eleições, Ciro Gomes afirma que seu governo traçará estratégias nacionais de desenvolvimento - Agência de Notícias da Indústria

Ciro mostrou que ele e Simone já falam a mesma língua

Já Ciro prometeu reinstituir o ministério, que foi extinto em janeiro de 2019 pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) assim que tomou posse. “Eu vou recriar o Ministério da Indústria e Comércio. Vou criar um grande aforamento ao redor do presidente da República para discutir, acompanhar, supervisionar, criticar e substituir prioridades do próprio projeto nacional de desenvolvimento” — disse ele.

CRESCIMENTO SUSTENTÁVEL – Diante dos empresários, Tebet frisou que o Brasil “precisa provar” que prioriza o crescimento socioambiental e “parar” de se portar como um “pária internacional”.

“Nós temos o que o mundo não tem: uma floresta amazônica, com condições de fazer dinheiro com crédito de carbono e de atrair os fundos de investimentos privados” — disse.

Ela ainda prometeu reduzir o chamado “custo Brasil”, preservar o sistema tributário na Zona Franca de Manaus e transformar o país num “grande parque de obras públicas”. Ela lembrou que só chegou ao Senado por causa da indústria, a quem disse ser muito grata. “O que a indústria precisa agora é um governo que a proteja” — acrescentou.

CIRO QUER INVESTIR – Já o pré-candidato do PDT anunciou que pretende criar um conselho para atuar em paralelo à nova pasta para coordenar propostas destinadas ao setor de indústrias e comércio. Segundo ele, a ideia é hierarquizar investimentos em tempos de crise econômica.

Ciro Gomes usou como exemplo a medida que fez durante sua gestão no governo do Ceará em que estabeleceu um pacto de cooperação entre gestão pública e empresários.

“Eu preciso estabelecer um coletivo que dê conforto para que a gente possa, em tempos de escassez de recursos, hierarquizar os investimentos que vão ser feitos primeiro” — disse ele, que completou: “No meu governo, eu criei um pacto de cooperação governo-empresários. E foi fecundíssimo. Eu pretendo fazer isso também no Brasil”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
–  Como dizem no turfe, foi dada a partida! Se Ciro Gomes e Simone Tebet fizerem campanha juntos, ninguém segura a terceira via. Como diria Helio Fernandes, o cidadão-contribuinte-eleitor, que paga as contas  públicas, percebe quando o candidato tem competência e quando é apenas enrolação. E vamos em frente. (C.N.)

Servidoras mudaram o modo de se vestir para escapar dos “assédios” do presidente da Caixa

Quem é Pedro Guimarães, investigado por assédio sexual no comando da Caixa  | InvestNews

Certo da impunidade, Pedro Guimarães se julga irresistível

Andréia Sadi
G1 Brasília

Mais uma vítima de assédio sexual pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, falou ao blog. Em condição de anonimato, contou que ele pedia para ir na sala dele, como se fosse mostrar alguma coisa, e abraçava e pegava na cintura. Em seguida, começava a perguntar sobre a carreira da servidora. Inclusive, ela conta que as mulheres mudaram a maneira como se vestiam para evitar que o corpo aparecesse para Guimarães.

“É onde ele começa essas perguntas. Qual o nosso interesse em relação à carreira e onde que a gente pretende chegar. Ele sempre vinha na abordagem de trabalho para ver se colava. Ao ponto de você ficar sem saber com sair daquela situação. Porque você precisava fazer o seu trabalho e precisava ter um jogo de cintura para não desagradá-lo. Porque, uma vez que ele não gostasse da sua resposta, vinham cortes, perda de função e, em alguns casos, ameaças”, disse a funcionária.

MUDANÇA DE HÁBITO – Sobre a mudança na vestimenta, assinalou: “Inclusive, nós [servidoras da Caixa] mudamos a nossa forma de se vestir, evitando que o nosso corpo aparecesse, evitando que nossa beleza se sobressaísse para que tivéssemos menos em evidência nesses momentos em que tivéssemos que participar com ele.”

A servidora complementa dizendo que não se sente segura para falar com o assunto nem com um colega, porque, por conta disso, muitas pessoas foram tiradas da função no banco estatal.

“Quem participava começou a subir para o alto estalão, eram pessoas da confiança dele. Não tínhamos para quem recorrer.”

LIGADO A BOLSONARO – Guimarães é investigado pelo Ministério Público Federal (MPF), com base em denúncias feitas por funcionárias do banco. Ele é um dos nomes mais próximos do presidente Jair Bolsonaro, a quem costuma acompanhar em viagens e em “lives” na internet. Ele está na presidência da Caixa desde o início do governo.

À TV Globo, funcionárias da Caixa que preferem não se identificar, relataram o comportamento de Guimarães.

Ao site “Metrópoles”, a Caixa disse que “não tem conhecimento das denúncias apresentadas, que adota medidas de eliminação de condutas relacionadas a qualquer tipo de assédio e que possui canal de denúncias por meio do qual são apuradas quaisquer supostas irregularidades atribuídas à conduta de qualquer empregado, independente da função hierárquica, que garante o anonimato, o sigilo e o correto processamento das denúncias”.

DESDE 2019 – Segundo relato de três ex-integrantes de conselhos da Caixa ao Blog da Ana Flor, o comando do banco sabia dos casos de assédio envolvendo Pedro Guimarães e acobertou as denúncias, inclusive com promoções.

Os primeiros casos chegaram aos canais de denúncia do banco ainda em 2019, quando Pedro Guimarães assumiu a presidência.

Segundo os relatos ouvidos pelo blog nesta quarta-feira (29), mulheres vítimas do assédio de Guimarães que aceitavam não levar adiante as denúncias foram transferidas, receberam cargos em outras instituições públicas ou ficavam temporadas no exterior, em cursos. Já quem ajudava Guimarães a acobertar os casos chegou a receber promoção.

ELOGIO À MULHER –  Acusado de assédio sexual, presidente da Caixa ignora denúncias e diz ter ‘vida ética’. Sob pressão para renunciar, Pedro Guimarães falou em evento do banco, não mencionou relatos de funcionárias e agradeceu à sua mulher.

Guimarães chegou ao governo por ser próximo tanto de Bolsonaro como do ministro da Economia, Paulo Guedes. Antes de aceitar o cargo, era um dos sócios do banco de investimentos Brasil Plural. Também entrou na administração Bolsonaro creditado por ter um perfil liberal. Assessorou, por exemplo, a privatização do Banespa, antigo banco estadual do estado de São Paulo.

Antes da campanha presidencial de 2018, ficou próximo de Bolsonaro ao levá-lo para um giro pelos Estados Unidos para conversas com investidores estrangeiros em outubro de 2017 e por ser um dos primeiros integrantes do mercado financeiro a apostar na candidatura do então deputado federal, como mostrou o blog da Julia Duailibi.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O pior disso tudo é a demora da demissão desse psicopata. Era só o que faltava nesse governo para prejudicar a eleição de Bolsonaro, que sofre alta rejeição das mulheres. Quem planta, colhe, diz o ditado. (C.N.)

Milton Ribeiro ignorou os alertas sobre ‘comportamento estranho’ de pastores 

Membros de gabinete paralelo, pastores foram 127 vezes ao MEC e ao FNDE no  governo Bolsonaro - Brasil 247

No MEC, Ribeiro se comportou como um completo idiota

Julia Affonso, Pepita Ortega, Rayssa Motta e Fausto Macedo
Estadão

Servidores do Ministério da Educação relataram à Controladoria-Geral da União (CGU) “desconforto” com a atuação dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura na pasta e um “comportamento estranho” dos religiosos. Disseram ter alertado o então ministro Milton Ribeiro, diversas vezes, no ano passado, sobre o “perigo” que a dupla poderia representar para o MEC. Mesmo assim, Ribeiro manteve encontros com os pastores.

A chefe da assessoria de agenda do gabinete do ministro da Educação, Mychelle Braga, contou que “nenhuma pessoa ou outra autoridade esteve naquelas dependências com a frequência do pastor Arilton”.

DENTRO DE CASA – Segundo o ex-assessor do MEC Albério Júnior Rodrigues de Lima, a partir de maio de 2021, Milton Ribeiro “concedeu espaço ainda mais privilegiado à dupla, quando passou a recebê-los em sua própria residência”.

“Sua presença (Arilton) no gabinete era tão frequente que chegava ao ponto de atrapalhar os assessores em despachar assuntos técnicos com o ministro (Milton Ribeiro)”, registra o relatório.

A CGU ouviu sete servidores e ex-funcionários da Educação na apuração que o órgão abriu após o Estadão revelar a instalação de um “gabinete paralelo” no MEC. Um dos relatos narra que, em maio do ano passado, um homem identificado como “Evilásio” ligou para o gabinete de Ribeiro e pediu para falar com o “assessor do ministro da Educação Arilton Moura”.

EM NOME DO MEC – O ex-assessor Albério Júnior Rodrigues de Lima contou que, na ocasião, decidiu ligar para “Evilásio” e descobriu que Arilton Moura havia entrado em contato com ele, propondo a construção de uma escola em um assentamento na periferia do Distrito Federal.

“A questão foi então levada ao ministro Milton Ribeiro, que foi alertado pelos assessores que os pastores poderiam estar utilizando seu nome e falando em nome do MEC.

“A partir dessa conversa, o sr. Arilton deixou de comparecer ao gabinete do ministro, trazendo alívio a ele e aos demais assessores, que compartilhavam das mesmas impressões e angústias quanto à atuação duvidosa dos pastores.”

NADA MUDOU – De acordo com o ex-assessor, “logo em seguida”, os servidores do MEC souberam que Milton Ribeiro passou a recebê-los em sua própria casa, em Brasília. Depois de dois meses, disse, os religiosos voltaram a frequentar o gabinete do então ministro, o que o levou a pedir sua exoneração.

O ex-ministro foi preso preventivamente na última quarta-feira, A defesa do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro sustenta que nem o aliado do presidente Jair Bolsonaro, ‘nem ninguém tinha e ou tem poder para favorecer pessoas, cidades ou Estados’ dentro do MEC.

A alegação se choca com a Operação Acesso Fácil, da Polícia Federal, que indica que Ribeiro deu “prestígio” à atuação dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura. Segundo prefeitos, os religiosos pediam propina em dinheiro, bíblia e até em barra de ouro para liberar verbas da pasta – como revelou o Estadão.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOB
Em qualquer país minimamente civilizado, o presidente Bolsonaro estaria decididamente liquidado, poderia dar adeus à política. Mas aqui no Brasil é diferente e está garantida a impunidade desse pessoal. E temos de nos acostumar a isso. O escritor russo Fiodor Dostoieviski, em  “Irmãos Karamazov”, cunhou uma frase que ficou na História: “Se Deus não existe, tudo é permitido”. E como no Brasil um criminoso condenado como Lula existe é endeusado por grande parte da população e pode até ser eleito presidente de novo, com certeza tudo é permitido. (C.N.)

Em ano eleitoral, o céu é o limite, a dívida pública sobe 2,46% e vai a R$ 5,7 trilhões

Secretário do Tesouro não vê risco de calote da dívida, mas quem acredita?  - Flávio Chaves

Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Jamile Racanicci
TV Globo — Brasília

O Tesouro Nacional informou nesta terça-feira (28) que a dívida pública subiu 2,46% em dois meses e atingiu R$ 5,702 trilhões em maio. Os dados da dívida pública são divulgados mês a mês, mas, como houve greve de servidores no início deste mês, o Tesouro divulgou nesta terça os dados de abril e maio.

Conforme o órgão, o aumento da dívida, em termos nominais (sem considerar a inflação), foi de 0,45% em abril e de 2,01% em maio.

GASTOS EXTRAS – A dívida pública federal é a contraída pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal, ou seja, pagar os gastos extras – as despesas do governo acima da arrecadação com impostos e contribuições.

De acordo com os últimos divulgados pelo Tesouro até então, a dívida pública em março estava em R$ 5,65 trilhões. O governo espera que a dívida continue crescendo nos próximos meses, chegando a um valor entre R$ 6 trilhões e R$ 6,4 trilhões no fim de 2022.

Em 2021, a dívida pública federal subiu 12% em relação ao ano anterior e atingiu R$ 5,613 trilhões.

GASTO COM JUROS – O aumento da dívida pública eleva os gastos do governo com os juros. Nos dois últimos meses, o valor desembolsado pelos cofres públicos apenas para pagar juros chegou a R$ 109,4 bilhões. De janeiro a maio deste ano, esse tipo de gasto atingiu R$ 217,57 bilhões.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Luís Felipe Vital, explicou que, com a piora na inflação e na atividade econômica ao redor do mundo, os investidores passaram a avaliar que há um risco ainda maior em investir em países emergentes, como o Brasil.

Outro fator que leva a dívida a custar mais caro para o governo são os saltos sucessivos da taxa Selic pelo Banco Central. Com o décimo primeiro aumento seguido em junho, a taxa Selic chegou a 13,25% ao ano.

CUSTOS MAIS ALTOS – “As emissões [de títulos] estão sendo realizadas com custo médio mais alto em função das condições de mercado e do nível mais alto de taxas de juros”, afirmou.

O custo médio das emissões internas do Tesouro também vem subindo e, em maio, chegou a 11,7% ao ano (maior valor desde maio de 2017).

Para tentar amenizar as consequências dessa piora, o Tesouro tem reduzido as emissões de títulos em momentos de maior incerteza e volatilidade nos mercados. Essa estratégia é possível devido ao colchão de liquidez — uma reserva de dinheiro que em maio era suficiente para cobrir mais de 9 meses de vencimentos da dívida à frente;

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse tipo de matéria, da maior importância, necessita de tradução simultânea. O governo está gastando o que tem e o que não tem para vencer a eleição. A prioridade agora é evitar a CPI do MEC, e a torneira está aberta para o orçamento secreto, que está liquidando com o chamado colchão de liquidez do Tesouro. Mas quem se interessa? Bolsonaro usou a pandemia para liquidar o teto de gastos, e Lula dá a maior força, anunciando que vai acabar com todas as salvaguardas financeiras. Ou seja, a irresponsabilidade abunda. (C.N.)

Bolsonaristas já se sentem estigmatizados, numa eleição marcada pelo extremismo político

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Duke (O Tempo)

Flavio Gordon
Gazeta do Povo

Os gregos criaram o termo estigma para se referirem a sinais corporais indicativos de algo mau ou extraordinário no estatuto moral de uma pessoa. Impressos na pele mediante cortes ou queimaduras, os sinais apontavam o estigmatizado como uma pessoa de má reputação – escravo, criminoso ou traidor. O portador do estigma, ritualmente poluído, era assim fisicamente marcado para que os demais membros da comunidade fossem capazes de evitar a sua presença contagiosa.

Originalmente relativa a esses sinais corporais exteriores, infligidos ou inatos (a exemplo de deformações físicas e defeitos congênitos), a noção de estigma foi progressivamente ampliada para denotar falhas individuais relativas a hábitos, vícios, gostos e comportamentos particulares. Mais tarde, passou a abranger também culpas coletivas, associadas ao pertencimento a determinada nação, religião, “raça”, família, tribo ou corporação de ofício.

IDENTIDADE DETERIORADA – Num livro clássico, o sociólogo canadense Erving Goffman definiu estigma como um símbolo da “identidade deteriorada” de indivíduos ou grupos objeto de um processo de desumanização.

O estigma torna-se particularmente devastador ao se transformar naquilo que Goffman chamou de “status dominante”, quando passa a englobar toda a identidade social de um indivíduo ou grupo, independentemente de quaisquer outros de seus traços distintivos. Nos casos extremos, o processo de estigmatização pode culminar no assassinato em massa, como ocorreu nas situações emblemáticas do Holocausto e do genocídio ruandês.

Como se sabe, o extermínio nazista dos judeus foi precedido por uma vasta campanha de desumanização antissemita veiculada pelo Ministério da Propaganda de Goebbels, que controlava a imprensa e as editoras, representando as futuras vítimas do massacre em termos tais como “vermes”, “ratos” e “porcos”.

ALEMANHA E RUANDA – No livro A Linguagem do Terceiro Reich, de 1947, o filólogo judeu Victor Klemperer, na condição simultânea de estudioso e vítima, registrou a corrupção da língua alemã promovida pelo regime nazista: as palavras podiam ser “como minúsculas doses de arsênico” que, engolidas de maneira despercebida, aparentavam ser inofensivas até que, tempos depois, o efeito do veneno se fizesse sentir. Na Alemanha, a dessensibilização moral provocada pela linguagem nazista foi a antessala do genocídio.

No caso de Ruanda, é bem conhecido o papel desempenhado por veículos de imprensa como a Radio Télévision Libre des Mille Collines no fomento à carnificina, mediante a estigmatização reiterada dos tutsis, sistematicamente desumanizados e apelidados de “baratas”.

Em Ruanda, a selvageria da matança começou na selvageria da linguagem radiofônica. Naquele pequeno país africano, entre abril e julho de 1994, aproximadamente 800 mil tutsis foram retalhados até a morte por seus vizinhos hutus.

ESTIGMAÇÃO NO BRASIL – Por aqui, não existe obviamente algo similar a esses casos extremos de violência política. No entanto, na esfera da linguagem, já se observa há algum tempo um mecanismo cada vez mais virulento de estigmatização, processo que tem como alvos o presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores.

São recorrentes os exemplos de linguagem estigmatizadora e desumanizadora, utilizada com cada vez menos cerimônia. Um ex-jogador de futebol chama o governo de “covarde, mentiroso, perverso e muito cruel”. Um comediante define o presidente como “um cara abjeto, que não tem humanidade… Isso não é gente, é rato, é verme”. Uma atriz manifesta livremente seu desejo de esfregar a cara de Bolsonaro no asfalto.

Um ministro do Supremo chama os bolsonaristas de “imbecis”. Um outro os acusa de integrar “guetos pré-iluministas”. Um terceiro reproduz a linguagem militante que caracteriza Bolsonaro como genocida.

TUDO É PERMITIDO – Fulano é bolsonarista, logo, contra ele tudo é permitido – eis o silogismo consagrado nas redações, nos estúdios, nos palcos e nos tribunais do Brasil de nossos dias

Na grande imprensa, o estigma bolsonarista – estampado em pessoas como o cantor Sérgio Reis, a médica Nise Yamaguchi, o empresário Luciano Hang, o jornalista Allan dos Santos e de tantos outros – serve para definir os alvos da perseguição estatal e, em seguida, para legitimar essa perseguição.

Vitimados por uma lógica tipicamente stalinista – “deem-me um nome que eu arrumo um caso” –, os estigmatizados são previamente culpados do crime de… bolsonarismo. Sim, um jornalista chegou a descrever uma participante do BBB como “suspeita de bolsonarismo”.

JÁ PRODUZ EFEITO – Se a selvagem retórica antibolsonarista da imprensa, de personalidades do show business, de parlamentares e de ministros da suprema corte ainda não desaguou em violência física em larga escala, o fato é que ela já produz efeitos em termos de uma identidade deteriorada e perda de status social, uma vez que, no âmbito de inquéritos inconstitucionais que lembram os famigerados Processos de Moscou, os assim chamados “bolsonaristas” viraram alvo de uma série de perseguições político-jurídicas e sofrem toda sorte de violação a direitos individuais elementares.

Na realidade social criada por essa espécie de adelismo linguístico, tudo se passa como se o estigma bolsonarista indicasse a presença de uma impureza ou pecado irredimível, bastando para que o seu portador seja ostracizado, tratado como pária, e privado das garantias formalmente previstas num estado de direito.

Fulano é bolsonarista, logo, contra ele tudo é permitido – eis, enfim, o silogismo consagrado nas redações, nos estúdios, nos palcos e nos tribunais do Brasil de nossos dias.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Merece muita reflexão este artigo, enviado por Mário Assis Causanilhas. Resumimos um pouco, porque o texto estava muito extenso. Concordamos que a estigmatização e o radicalismo político não interessam a ninguém. Mas gostaríamos de lembrar que o próprio Bolsonaro e seus apoiadores incentivam essa radicalização, ao considerar como “comunistas” todos os adversários políticos e também ao investir contra o estado laico. Assim, é preciso que todos evitem o extremismo e que todos façam o “mea culpa”, pedido de perdão na missa da Igreja Católica, com a prece “Confiteor” (“Eu confesso”). Porque, no caso, todos estamos errados. (C.N.)

Por 4 votos a 1, TJ-SP mantém condenação a Bolsonaro por ofensas a repórter da Folha

Jair Bolsonaro se filia ao PL: 'Seja bem-vindo, Presidente' - Super Rádio Tupi

Jair Bolsonaro fez piada de mau gosto e acabou processado

Géssica Brandino
Folha

A 8ª Câmara de Direito Privado do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) decidiu manter a condenação do presidente Jair Bolsonaro (PL) e elevar a indenização a ser paga por ele por ofender a honra da jornalista Patrícia Campos Mello, repórter da Folha. O placar final ficou em 4 votos a 1 a favor da jornalista, com aumento do valor a ser pago para R$ 35 mil.

Votaram nesse sentido a relatora Clara Maria Araújo Xavier e os desembargadores Pedro de Alcântara, Silvério da Silva e Theodureto Camargo. O desembargador Salles Rossi foi o único a acolher a tese da defesa do presidente.

FURO DA REPÓRTER – Bolsonaro havia sido condenado em primeira instância por fazer uma insinuação sexual contra Patrícia, em fevereiro de 2020, usando para isso o termo “furo” para se referir ao orifício do corpo da repórter. A palavra “furo” é um jargão jornalístico para se referir a uma informação exclusiva.

“Não consigo me convencer que houve apenas exercício da liberdade de expressão. Do mesmo modo, no meu entendimento, é perfeitamente aceitável a versão constante no pedido de ofensa à dignidade e menoscabo ao apreço moral e social. Por isso, eu acompanho o voto da relatora”, declarou o desembargador Silvério da Silva.

Último a votar, o desembargador Theodureto Camargo disse que entendeu que a conotação usada por Bolsonaro foi debochada e irônica quando ele declarou que Patrícia queria “dar o furo”.

FALA OFENSIVA – “Destaco trecho do voto da senhora relatora, um voto brilhante, e observo que, a rigor, não se tratou de uma fala inofensiva. Houve manifesto propósito de menosprezar ou desacreditar a autora”, disse o magistrado.

A advogada da Folha, Taís Gasparian, que defende a jornalista, comemorou a decisão a favor de Patrícia e destacou que o placar final traduz o entendimento do colegiado. “O Tribunal de Justiça deu um passo na restituição da dignidade da Patrícia, das jornalistas e das mulheres deste país. A decisão foi técnica e justa, capitaneada pela relatora Clara Maria Araújo Xavier.”

Em suas redes sociais, Patrícia disse que a decisão do TJ é também uma vitória das mulheres. “Por 4×1, o TJ de SP decidiu que não é aceitável um presidente da República ofender, usando insinuação sexual, uma jornalista. Uma vitória de todas nós mulheres.”

###
RELEMBRE COMO O CASO ACONTECEU
 

Na ocasião da ofensa, em entrevista diante de apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro citou o depoimento do ex-funcionário de uma agência de disparo de mensagens em massa por WhatsApp, Hans River do Nascimento, que mentiu à CPMI das Fake News dizendo que a jornalista queria “um determinado tipo de matéria a troco de sexo”.

“Olha a jornalista da Folha de S.Paulo. Tem mais um vídeo dela aí. Não vou falar aqui porque tem senhoras aqui do lado. Ela falando: ‘Eu sou (…) do PT’, certo? O depoimento do Hans River foi final de 2018 para o Ministério Público, ele diz do assédio da jornalista em cima dele”, disse o presidente, para em seguida, aos risos, fazer o insulto com insinuação sexual.

“Ela [repórter] queria um furo.” Na sequência, Bolsonaro muda de tom e arregala os olhos e diz: “Ela queria dar o furo [risos dele e dos demais]”. Após uma pausa durante os risos, Bolsonaro concluiu: “A qualquer preço contra mim”.

DISPAROS EM MASSA – Patrícia é autora de uma série de reportagens que revelou um esquema de contratação de empresas para realizar disparos em massa para favorecer Bolsonaro durante as eleições de 2018, que fizeram dela alvo preferencial dos bolsonaristas nas redes sociais.

​Após a declaração do presidente, esses ataques se intensificaram novamente, com postagens, memes e vídeos associando a repórter à prática de sexo anal e prostituição, ofensas que se repetem a cada reportagem assinada por ela.

Na decisão de primeira instância, em março de 2021, a juíza Inah de Lemos e Silva Machado, da 19ª Vara Civil de São Paulo, havia condenado o presidente a indenizar a repórter em R$ 20 mil por danos morais, afirmando que Bolsonaro usou a palavra “furo” de forma dúbia, expondo a jornalista e lhe causando danos.

DEFESA E ATAQUE – A defesa do presidente, feita pela advogada Karina Kufa, recorreu pedindo a absolvição do chefe do Executivo, enquanto a defesa de Patrícia, representada pela advogada da Folha, Taís Gasparian, apresentou recurso pedindo que o valor da indenização fosse elevado.

A tese da defesa foi acolhida na última semana pelo desembargador Salles Rossi, o que levou à ampliação do número de julgadores. Para ele, o presidente não usou a expressão “furo” no sentido sexual.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O juiz é meio distraído, não percebe bem as coisas, parece precisar sempre de tradução simultânea. É óbvio que Bolsonaro estava tentando fazer piada de mau gosto com assunto sério. O julgamento foi justo, mas a indenização deveria ser maior, porque o réu tem condição de pagar. (C.N,)

Bolsonaro está quebrando as finanças para se reeleger e governar eternamente em crise

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Merval Pereira
O Globo

Há um quê de paradoxal nas atitudes do presidente Jair Bolsonaro em busca dos votos que lhe faltam para ser reeleito. Está criando uma crise econômica e institucional que tornará ingovernável o país que pretende manter sob seu controle. Parece até que a intenção inconsciente é quebrar o Brasil caso tenha de entregar a faixa presidencial a um sucessor.

Figura de linguagem, claro, porque tudo indica que Bolsonaro não entregará a faixa a ninguém, como fez o general João Figueiredo, muito menos ao ex-presidente Lula.

TERRA ARRASADA – Está aí o paradoxo: ganhar pelas próprias mãos um país em crise institucional e econômica ou perder e deixar para o sucessor uma terra arrasada. Essa mesma terra arrasada que caberá a ele governar se conseguir reverter o quadro eleitoral. Semelhante ao que aconteceu com Lula, que tomou medidas temerárias para eleger Dilma Rousseff sua sucessora e iniciou a crise econômica em que estamos até hoje.

Na encarnação anterior à Lei de Responsabilidade Fiscal, esse paradoxo era muito corriqueiro. O incumbente deixava dívidas para trás, em situações mais radicais até os móveis dos palácios eram estragados propositalmente.

Há casos famosos, como o governador alagoano Silvestre Péricles, que sujou as paredes do Palácio Floriano Peixoto com excrementos para recepcionar o adversário que ocuparia seu lugar, Arnon de Mello, pai do ex-presidente da República Fernando Collor de Mello.

EXEMPLO DE QUÉRCIA – Ficou para a História a frase do então governador de São Paulo, Orestes Quércia, ao eleger Luiz Antônio Fleury como seu sucessor no governo do estado: “Quebrei o Banespa, mas elegi meu candidato”. Por essas e por outras, o país quebrou várias vezes e sofreu com uma hiperinflação, situação que havíamos superado com o Plano Real.

Já não temos mais tantos bancos regionais que possam financiar campanhas políticas, mas ainda há alguns, como o Banco de Brasília, que financia mansões no Lago Sul a juros módicos para políticos influentes.

Há muito tempo não se via no país um governo tão disfuncional quanto este, que utiliza métodos regressores de fazer política, assim como leva setores fundamentais do país a retrocessos inimagináveis. Bolsonaro dedica-se diuturnamente a implodir nossas estruturas institucionais e agora, em busca de uma reeleição a cada dia mais improvável, demole a frágil construção montada para garantir o equilíbrio fiscal.

ROMBOS PROPOSITAIS – O teto de gastos já foi para o buraco, os favores populistas em busca de votos já fizeram rombos contabilizados: ampliação do Auxílio Brasil — aumento de R$ 56 bilhões em relação ao orçamento do Bolsa Família; auxílio-gás — R$ 1,9 bilhão; renúncia fiscal com isenção dos tributos federais do diesel, gás e redução linear do IPI — R$ 43,3 bilhões; novo pacote de redução tributária sobre combustíveis (compensação de ICMS dos estados e zerar tributos federais sobre etanol e gasolina até o fim do ano) —até R$ 50 bilhões.

Como muitos desses gastos são inconstitucionais, pois estamos às vésperas das eleições de outubro, o presidente editou mais uma gambiarra, um decreto que dá poderes à Advocacia-Geral da União (AGU) para opinar, ainda durante a elaboração, se atos do governo ferem a legislação eleitoral.

Em outras palavras, a AGU orientará o governo e os políticos sobre como adotar medidas escapando da legislação eleitoral que proíbe criar e ampliar benefícios sociais no ano da eleição — medidas como a criação do auxílio para caminhoneiros ou a ampliação do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600, em discussão no Congresso.

GULA ELEITORAL – Como sempre, usando emenda à Constituição, o governo quer utilizar R$ 22 bilhões para o aumento do Auxílio Brasil e para viabilizar o pagamento de um vale-diesel de R$ 1.000 a 900 mil caminhoneiros. Sempre mais gulosos à medida que a campanha sai diferente do que planejavam, os políticos do Centrão buscam novas medidas, como estender o vale-diesel aos carros que circulem nas cidades movidos a diesel.

A esta altura, o Centrão está mais dedicado a aumentar suas bancadas do que propriamente a eleger Bolsonaro. Tanto que, em alguns estados, já começam a aparecer coligações informais de partidos do Centrão com o PT de Lula.

Técnicos do Senado montam parecer para orientar o relator da PEC, senador Fernando Bezerra, a superar os obstáculos legais às medidas, agora auxiliado pela AGU. O uso de PECs para tentar superar a inconstitucionalidade de certas medidas é um hábito de Bolsonaro, o que acaba tornando o Supremo Tribunal Federal (STF) a última barreira às pretensões do governo.

Preços sobem livremente, salários congelados e 25% dos brasileiros sentem falta de comida

Charge do Brum (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

A pesquisa é do Datafolha, objeto de reportagem de Douglas Gavras, edição desta terça-feira da Folha de S. Paulo, revelando que para cada quatro brasileiros, um homem ou uma mulher reconhecem faltar comida em suas casas. É o resultado da política econômica do ministro Paulo Guedes encapada pelo presidente Jair Bolsonaro.

A inflação avança, os salários estacionam  e como consequência  as famílias têm que cortar despesas. Mas como o problema se prolonga e ameaça atingir as urnas de outubro, a solução é cortar despesas. Há os que podem e os que não podem.

SEM SOLUÇÃO – Os 25% apontados pela Folha que revelam não ter comida em casa, só podem cortar da própria alimentação. Logo, não há solução para o problema e o quadro se desenha de forma tão dramática que promete se prolongar para o sacrifício de milhares de seres humanos.

Moradores de favelas e casebres, sem saneamento e água potável, expostos à violência do narcotráfico e das milícias, agora, ainda por cima, sem alimentos suficientes. É a tragédia da fome que, para citar o brasileiro Josué de Castro, adquire uma nova geografia.

Não é mais somente no interior ou nas áreas rurais que a fome aparece. Ela está agora nos centros urbanos das maiores cidades do país. Tudo isso destaca que a população mais uma vez dependerá das urnas para tentar sair deste quadro dramático. O déficit de alimentação não está estacionado na extrema pobreza. Ele está avançando por todas as classes sociais.

CPI DO MEC –  Reportagem de Camila Zarur e Jussara Soares, O Globo de ontem, destaca os esforços do governo no Senado para impedir a instalação da CPI proposta pelo senador Rodolfo Rodrigues para investigar (e revelar) a ação escandalosa de pastores evangélicos, utilizando verbas do FNDE para negociar comissões com prefeitos.

O senador Flávio Bolsonaro entrou em campo e passou praticamente a liderar um esforço para bloquear a CPI. A preocupação do governo é grande, pois caso contrário, não haveria a necessidade de desenvolver esforços para obstruir as investigações.

VÍDEOS – O problema aumentou para o governo, sobretudo após a divulgação dos vídeos dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos sobre as acusações que pesam sobre eles. A informação que sustentou o surgimento dos vídeos na TV Globo e na GloboNews foi a de que a iniciativa foi da Polícia Federal com autorização da Justiça.

Tenho a impressão de que os vídeos divulgados, no fundo, foram à tona por iniciativa dos próprios pastores e dessa forma conseguiram ameaçar o Planalto, principalmente Arilton Moura e Gilmar Santos, quando deixou no  ar a ameaça de revelar tudo.

NOVO PRESIDENTE –  Aprovado na tarde de segunda-feira pelo Conselho de Administração da Petrobras,  o economista Caio Paes de Andrade tem a missão inegável de  atuar para conter novos aumentos da gasolina, no óleo diesel e no gás, pelo menos até o mês de outubro, quando se desenrolam as eleições.

Não fosse esse o caminho que foi traçado para ele pelo Planalto, não faria sentido Paes de Andrade ter assumido o cargo. Só pode ser esse o objetivo, já que os aumentos de preços dos combustíveis foram o motivo comum da demissão de presidentes anteriores. Mas a questão do petróleo tem outro aspecto que não deve ser ignorado.  Esse novo aspecto refere-se às importações de diesel e gasolina.

IMPORTAÇÕES – Uma excelente reportagem de Gabriel Vasconcelos, edição de segunda-feira de O Estado de S. Paulo, revela que três grandes empresas particulares são responsáveis por 81,5% das importações de gasolina e óleo diesel. Entre elas, não figura a Petrobras. As três grandes são as seguintes: Vibra, antiga BR3, Raizen e Ipiranga.

A Ipiranga, que também atua no varejo, é responsável pela importação de 32,7%. A Raízen por 25,6%. Já a Vibra por 18,2%. Enquanto isso, a Petrobras, que é a maior interessada na escala dos preços, é responsável apenas pela importação de 11,9%. As parcelas restantes são ocupadas por mais duas empresas de menor porte.

De acordo com reportagem de Manuel Ventura, Bruno Rosa, Malu Gaspar e Vitor da Costa, O Globo, a Petrobras pretende vender as refinarias de Abreu Lima, no Nordeste, Presidente Getúlio Vargas, no Paraná, e Alberto Pasqualini, no Rio Grande do Sul. Quando se verifica que as importações de refino são fator de desequilíbrio nas contas de receber e a pagar da Petrobras, causa espanto a iniciativa de vender três unidades importantes para a economia do país ao invés de partir para a instalação de novas refinarias.

Funcionário do FNDE foi afastado por ganhar uma motocicleta presenteada pelos pastores

Victor Godoy Veiga: quem é o novo ministro interino da Educação

A informação foi dada pelo atual ministro, Victor Godoy

Julia Affonso, Rayssa Motta, Pepita Ortega e Fausto Macedo
Estadão

Com poder sob a agenda do então ministro Milton Ribeiro, os pastores Gilmar dos Santos e Arilton Moura também cooptaram um servidor do Fundo Nacional de Desenvolvimento Nacional da Educação (FNDE) para agilizar a liberação de recursos. Além de cobrar propina de prefeitos até em ouro, os religiosos teriam subornado como uma motocicleta um servidor do fundo que concentra a maior parte da verba da Educação.

O relato do suposto suborno foi narrado pelo atual ministro, Victor Godoy, e está registrado no inquérito aberto para investigar corrupção na gestão de Milton Ribeiro no MEC.

COTA DE CIRO NOGUEIRA – O FNDE concentra a maior fatia de recursos destinados a investimentos em educação e é presidido por Marcelo Ponte. Ele chegou ao cargo por indicação do ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, de quem foi chefe de gabinete. Relatório da CGU registra relato de Ponte ao atual ministro da Educação, Victor Godoy.

Segundo o parecer, um servidor do FNDE identificado como “João” ganhou uma motocicleta do pastor Moura. O funcionário foi exonerado e o caso é investigado pela CGU.

Os pastores não tinham vínculos com a administração pública nem com o setor de ensino e facilitavam o acesso de prefeitos ao então ministro. A dupla participava de agendas fechadas para discutir o uso de recursos destinados à educação.

NOMEAÇÃO FRUSTRADA – A relação de Ribeiro com os religiosos era tão próxima que, no ano passado, o então ministro quis nomear Arilton Moura em um cargo no MEC.

A ideia inicial era que o religioso ocupasse um posto no gabinete de Ribeiro. Como não havia vaga, Victor Godoy – à época, secretário executivo da pasta – ofereceu uma posição em sua área com salário de R$ 10.373,30. Moura ficou “descontente com a remuneração”, externou sua insatisfação na frente de servidores e solicitou posto “com melhor vencimento”.

A nomeação do pastor Arilton Moura foi barrada pela Casa Civil. Relatório da CGU não esclarece o motivo do impedimento. A solução encontrada pelos pastores foi a nomeação do advogado Luciano Musse. O chefe de gabinete do ministro da Educação, Djaci Vieira de Sousa, relatou que já se sabia internamente que Musse tinha feito parte da comitiva dos pastores.

VELHOS PARCEIROS – Antes de ocupar o cargo no MEC, Musse acompanhava os religiosos em agendas no gabinete de Ribeiro. No dia 6 de janeiro de 2021, os registros oficiais da pasta mostram uma “visita de cortesia” de Moura em que ele estava acompanhado pelo advogado. Em ao menos outras quatro agendas oficiais, a presença de Musse como integrante da comitiva dos pastores também foi registrada.

Sem vínculos com o setor de ensino e sem possuir cargo público, o grupo de pastores passou a comandar a agenda do ex-ministro Milton Ribeiro, da Educação

Servidores do gabinete do ministro afirmaram à CGU que alertaram Ribeiro sobre o “comportamento estranho” dos religiosos e relataram “desconforto” com as idas frequentes da dupla à pasta. A chefe da assessoria de agenda do gabinete do ministro da Educação, Mychelle Braga, disse que “nenhuma pessoa ou outra autoridade esteve naquelas dependências com a frequência do pastor Arilton”. Outra servidora listou eventos oficiais em que os pastores eram os “protagonistas”, já que eram eles que marcavam os compromissos e intermediavam o contato com prefeitos.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais incrível nisso tudo é que os pastores evangélicos se julgavam acima da lei e da ordem, pensavam (?) que jamais seriam desmascarados. E agora eles estão tirando votos de Bolsonaro na reta final da campanha. E como dizia o escritor e estadista alemão Johan Goethe, “dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és”. Como se sabe, Goethe era cristão, mas abominava a exploração da fé, e, mais especificamente, da cruz. (C.N.)

O amor de Noel Rosa pela jovem que trabalhava na fábrica de tecidos deu um belo samba

780 ideias de Música | musica, cantores, fotografia musicalPaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, músico e compositor carioca Noel de Medeiros Rosa (1910-1937) compôs “Três Apitos”, em 1933, samba que traz no título o espaço social da época, no qual se desenvolve a emergente sociedade industrial brasileira, que originava duas classes sociais nascentes: a burguesia industrial e o proletariado tipicamente urbano, que começa a surgir com o início do desaparecimento das oligarquias agrícolas. Tanto que a letra do samba-canção relata a paixão de Noel Rosa por uma moça que trabalha em uma fábrica de tecidos, portanto, no novo espaço criado pela industrialização no pais. “Três Apitos” foi gravado por Aracy de Almeida, em 1951, pela Continental.

TRÊS APITOS
Noel Rosa

Quando o apito da fábrica de tecidos
Vem ferir os meus ouvidos
Eu me lembro de você
Mas você anda
Sem dúvida bem zangada
E está interessada
Em fingir que não me vê

Você que atende ao apito
De uma chaminé de barro
Por que não atende ao grito tão aflito
Da buzina do meu carro?

Você no inverno
Sem meias vai pro trabalho
Não faz fé com agasalho
Nem no frio você crê
Mas você é mesmo
Artigo que não se imita
Quando a fábrica apita
Faz reclame de você

Sou do sereno
Poeta muito soturno
Vou virar guarda noturno
E você sabe porque
Mas você não sabe
Que enquanto você faz pano
Faço junto do piano
Estes versos prá você

Nos meus olhos você vê
Que eu sofro cruelmente
Com ciúmes do gerente impertinente
Que dá ordens a você

Pesquisas são animadoras para Bolsonaro e também para a 3ª via. Acredite se quiser.

Se você confia em pesquisa eleitoral, não perca tempo por aqui, estamos  ocupados demais… - Flávio Chaves

Charge do Tiago Recchia (Arquivo Google)

Carlos Newton

Qualquer um pode criar um “instituto de pesquisa”, dizer que foram ouvidas duas mil pessoas (ou até menos, às vezes apenas mil pessoas), num universo de 150 milhões de eleitores, espalhados neste país-continente, o que significa ouvir quatro pessoas em cada município, e estamos conversados. Com dizia o ator Jack Palance na TV: “Acredite se quiser”.

A imprensa e os analistas então divulgam e comentam esses números como se fossem mensagens divinas, insuscetíveis de erro, embora não signifiquem nada, absolutamente nada.

Mas o bom senso indica que também não é conveniente desprezar inteiramente o teor das pesquisas. Aqui na filial Brazil, são menos confiáveis do que na matriz U.S.A., é claro. Mas é sempre bom dar uma conferida nos números, que às vezes revelam surpreendentes perspectivas.

PESQUISA ESPONTÂNEA – Aqui na Tribuna da Internet, sempre recomendamos o quesito principal, chamado de pesquisa espontânea, quando o entrevistador não apresenta os nomes dos candidatos e faz uma pergunta direta, que tem de ser a primeira no questionário, para não possibilitar induções – “Em quem você vai votar?”.

As duas últimas pesquisas do Datafolha e do BTG-FSB dão resultados semelhantes, mostrando que Bolsonaro está subindo e Lula descendo. Os resultados, respectivamente, foram: Lula 37% e Bolsonaro 25%, com 12 pontos de frente; e Lula 39%, com Bolsonaro 31%, com apenas 8 pontos de diferença.

Epa! Caramba, amigo! Na pesquisa BTG-PSB, que é a mais recente, na margem de erro dela a diferença seria de apenas 4 pontos? Assim, Bolsonaro já estaria resfolegando no cangote de Lula.

REJEIÇÃO ALTA – Estas pesquisas também são animadoras para a terceira via, porque confirmam o grande número de eleitores que não votam em Lula ou Bolsonaro, nem que a vaca tussa, como se dizia antigamente.

Em comparação com a pesquisa divulgada pela BTG/FSB em 13 de junho, Bolsonaro diminuiu a rejeição, de 59% para 57%, enquanto Lula se manteve com rejeição de 44% da rejeição dos eleitores.

Isso indica que a eleição continua totalmente indefinida e as possibilidades da terceira via, com a chapa Ciro Gomes/Simone Tebet, ou vice-versa, não devem ser descartadas. Muito pelo contrário.

###
P.S. –
Nas próximas pesquisas, não perca tempo com bobagens, tipo quem vence quem no segundo turno. Mantenha seu foco na pesquisa espontânea e também dê uma olhada na rejeição, no percentual dos que não aceitam votar em Lula e Bolsonaro, assim como no número de eleitores que podem mudar o voto que declaram nas pesquisas. Segundo o Datafolha, juntando com os indecisos, este número chega a 37% dos eleitores. Nada mal para a terceira via, não é mesmo? (C.N.)

Ao vir ao Brasil, o presidente de Portugal deixa claro que não apoiará nem rejeitará candidatos

Eliane: 'Marcelo Rebelo de Sousa deixou claro que não se mete em questões internas e não apoia nem rejeita candidatos.'

Rebelo de Sousa virá ao Brasil duas vezes antes das eleições

Eliane Cantanhêde
Estadão

Ao vir ao Brasil duas vezes no mesmo semestre, às vésperas das eleições, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa, de Portugal, um país invadido por brasileiros, cria uma situação ruim, desconfortável, e outra boa, neutralizante. A ruim é que as visitas e fotos podem ser interpretadas como apoio à reeleição de Jair Bolsonaro. A boa é que, com ele e outros estrangeiros, Bolsonaro vai pensar duas vezes antes de repetir nos 200 anos da Independência as ameaças à democracia do ano passado.

No último encontro, Rebelo de Sousa ficou chocado com Bolsonaro, que, isolado no mundo, sem entender de geopolítica internacional nem de questões bilaterais, saiu contando piadas de péssimo gosto.

DEU SEU RECADO – Então, por que se dispõe a vir novamente ao Brasil duas vezes, em julho e em setembro, com o risco de Bolsonaro ameaçar descumprir ordem judicial e dar golpes? Porque ele não tinha como negar o convite feito aos líderes dos nove países de língua portuguesa e porque, com convidados internacionais, Bolsonaro terá coragem de ameaçar eleições, Supremo, democracia?

Rebelo de Sousa deu seu recado na conferência “Brasil-Portugal: perspectivas de futuro”, da Fundação Calouste Gulbenkian: governos vêm e vão, o que importa é o povo.

E, sem citar Bolsonaro, disse que viria ao Brasil a convite do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco – que estava presente, ao contrário de Arthur Lira, da Câmara, e do chanceler Carlos França, que não apareceram. O governo só foi representado pela embaixada.

UMA BOA RESPOSTA – Pacheco também deu seu recado. Fez uma lista de avanços do Brasil nos últimos governos, como Plano Real, Bolsa Família e reforma da Previdência e, sem citar Bolsonaro, disse o que brasileiros e portugueses queriam ouvir: as instituições brasileiras, a começar pelo Senado, estão prontas para defender as eleições e a democracia.

Rebelo de Sousa também tratou carinhosamente Marina Silva no seu discurso e ao se apresentar a ela: “Então, é a senhora que tanto encanta os portugueses?”.

Em jantar em Queluz, onde d. Pedro I nasceu e morreu, o presidente conduziu Pacheco e Marina para conhecer os salões impregnados de história.

TOM DE DESAGRAVO – A deferência com a ex-ministra teve um tom de desagravo, após resistências brasileiras a ela na conferência, em meio a desastre ambiental, Amazônia, reservas indígenas e o assassinato brutal de Bruno Pereira e Dom Phillips.

Ou seja: o presidente português deixou claro lá e deixará claro cá que não se mete em questões internas e não apoia nem rejeita candidatos nas eleições brasileiras.

 Ah! Para enterrar qualquer dúvida, Rebelo de Sousa também deverá se encontrar com Lula.

Relatório enviado ao Supremo denuncia como atuava o gabinete paralelo no MEC

Charge O TEMPO 29-03-2022 | O TEMPO

Charge do Duke (O Tempo)

Luana Patriolino
Correio Braziliense

No relatório que remeteu ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Procuradoria-Geral da República (PGR) descreve que havia, dentro do Ministério da Educação (MEC), uma estrutura para a “cooptação de prefeitos” por meio de liberação de verbas, que envolveria o gabinete paralelo formado pelos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura.

O documento, ao qual o Correio teve acesso, mostra também que o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro teria se reunido 18 vezes com os dois religiosos que estão sendo apontados como operadores do esquema irregular.

COOPTAÇÃO DE PREFEITOS – Segundo o documento da PGR, “de tudo o que foi apurado até o momento, percebemos que Arilton tinha, sim, participação ativa junto a prefeitos no que diz respeito a assuntos relacionados ao Ministério da Educação. Foi citado pelos prefeitos de Jaupaci-GO, Jandira-SP e Luis Gonzaga-MA, em algo que chamamos de ‘cooptação de prefeitos’, sendo uma de muitas outras participações dessa personagem no contexto dos crimes aqui investigados”.

O material encaminhado ao Supremo tem 398 páginas. A PGR apontou, ainda, que Ribeiro se reuniu 18 vezes com Gilmar e Arilton em um período de 15 meses.

“Gilmar Silva dos Santos e Arilton Moura teriam se reunido com o ministro da Educação por 18 vezes nos últimos 15 meses, além de haver menção de viagens domésticas na companhia do ministro”, diz o relatório.

DIVERSOS CRIMES – Ribeiro foi preso em uma investigação que apura o envolvimento nos crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência em um suposto esquema para liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) com base em documentos, depoimentos e um relatório da Controladoria-Geral da União (CGU). O caso foi descoberto em março passado.

Em áudios divulgados pela imprensa, o ex-ministro afirmou priorizar pastores aliados na liberação de recursos e ainda citou que o favorecimento era um pedido expresso do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Porém, em depoimento, Ribeiro disse que as palavras foram colocadas fora de contexto e que usou o termo apenas para prestigiar os religiosos, sem intenção de favorecer alguém.

“Aquela afirmação, a da gravação, foi feita como forma de prestigiar o pastor Gilmar, na condição de líder religioso nacional, não tendo qualquer conotação de enfatizar que os amigos do pastor Gilmar teriam privilégio junto ao FNDE ou ao Ministério da Educação”, observa a PGR.

UM QUILO DE OURO – No relatório, é destacado o trecho no qual prefeitos teriam confirmado a influência de Gilmar e Arilton junto ao MEC. “Menciona, ainda, que ‘o prefeito de Luis Domingues (MA) teria sido recebido pelo ministro de Estado da Educação no próprio Ministério em abril de 2021 e, após a reunião, em um almoço em restaurante em Brasília, Gilmar Silva dos Santos cobrou-lhe uma soma em dinheiro para protocolar no MEC seus pedidos. E que após a liberação dos recursos pelo Ministério deveria pagar-lhe ‘1 quilo de ouro'”.

De acordo com o documento, Arilton teria ficado em silêncio durante o depoimento à Polícia Federal. Já Gilmar disse que mantinha relações com Ribeiro apenas por questões religiosas — além de negar todas as acusações.

“Que tem um relacionamento eclesiástico com Milton Ribeiro, ex-ministro da educação e com o pastor Arilton; que não atuou em nome do ex-ministro da educação Milton Ribeiro na tratativa com prefeitos municipais ou governadores ou qualquer outra autoridade; que não atuou na arregimentação de prefeitos municipais ou governadores ou qualquer outra autoridade para favorecimento ou facilitação em processos”, salienta o relatório.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais incrível é que o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da bancada evangélica, avalia que a prisão do ex-ministro foi juridicamente errada. “Não quero acreditar que tenha sido prisão política. Mas, até agora, prova nenhuma foi colocada”, disse o parlamentar, correligionário e apoiador do presidente Jair Bolsonaro. Nenhuma prova? Deve ser Piada do Ano. (C.N.)

PT pede quebra de sigilo de dados e telemático de Castello Branco, ex-presidente da Petrobras

Ex-presidente da Petrobras diz que celular tinha mensagens que incriminam  Bolsonaro - Antropofagista

Castello Branco aproveitou e chamou Bolsonaro de psicopata

Malu Gaspar e Johanns Eller
O Globo

Senadores de oposição protocolaram nesta terça-feira (28) uma notícia-crime no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a quebra de sigilo de dados e telemático de Roberto Castello Branco, que presidiu a Petrobras entre 2019 e 2021, e do celular funcional de Jair Bolsonaro.

No último sábado, o site Metrópoles divulgou uma troca de mensagens entre o executivo e o ex-presidente do Banco do Brasil Rubem Novaes, em uma lista de economistas do WhatsApp, na qual Castello Branco, demitido após intensa fritura pública instigada por Bolsonaro, declarou ter devolvido seu celular corporativo à estatal com conteúdos que incriminariam o presidente.

CELULAR INTACTO – No diálogo, o ex-presidente da Petrobras não detalha que tipo de crimes seriam comprovados pelo histórico do dispositivo, mas assegura ter devolvido o aparelho “intacto”, com mensagens e áudios que comprometeriam o presidente da República.

Na mensagem, Castello Branco chega a chamar Bolsonaro de “psicopata” por alimentar teorias conspiratórias sobre o setor energético brasileiro.

A notícia-crime contra Castelto Branco e Bolsonaro é assinada pelos senadores petistas Paulo Rocha (PA), Humberto Costa (PE), Fabiano Contarato (ES), Jaques Wagner (BA), Jean Paul Prates (RN), Paulo Paim (RS) e Rogério Carvalho (SE).

GRAVES FATOS – A notícia-crime solicita a quebra do sigilo “para fins de apuração de graves fatos que indiciam, em tese, incursão em crimes de responsabilidade e possíveis crimes contra a administração pública”.

Os senadores afirmam ainda que o conteúdo das conversas coloca em xeque a governança interna e o compliance da Petrobras. A peça também pede que a Procuradoria-Geral da República (PGR) seja intimada a oferecer denúncia contra Bolsonaro, que detém foro privilegiado.

Procurado, o economista Roberto Castello Branco disse que não faria comentários sobre o caso.