Decisão de Zanin sobre horário da votação foi referendada por Nunes Marques após conversa

Lula vira sobre Flávio, derrota o bolsonarismo e conquista o quarto mandato

Reeleição de Lula pode abrir nova crise no Supremo com rejeição de ministros

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio.  #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc  #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolu

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Roseann Kennedy
Estadão

O resultado da disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo, 25, era aguardado com ansiedade nos bastidores do Supremo Tribunal Federal (STF). O principal interessado no desfecho era, sem dúvidas, Alexandre de Moraes; afinal, seu futuro e seu poder estão diretamente atrelados a quem assumirá a Presidência da República.

A eventual vitória de Lula era vista nos bastidores da Corte como a salvação de Moraes e para garantir o empoderamento de seu grupo, chamado nos corredores da magistratura de “o quarteto”.

FIM DO CICLO – Já a vitória de Flávio apontava para o fim do ciclo de poder daquele que era considerado por sua corrente política como único “carrasco do bolsonarismo”, cuja vitória daria mais força para o possível impeachment de Moraes.

Logo após o primeiro turno, com a expectativa de vitória de Flávio, Moraes adotou uma mansidão repentina. Na linha do “salve-se quem puder”, agradou o “filho Zero Um” de Jair Bolsonaro, autorizando-o a voltar a visitar o pai.

Nos bastidores, entretanto, o ministro avançava em outra estratégia de salvamento, fazendo uma reunião secreta em seu gabinete com a cúpula da Polícia Federal.

POR SORTEIO? – Quinze dias depois desse encontro, a PF avançou em novas frentes de investigação contra Flávio e pediu a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. Por sorteio, o caso ficou sob relatoria de Moraes.

Com Alexandre de Moraes de volta à cena política, caiu por terra a tentativa de apaziguamento feita ao final do primeiro turno com integrantes da campanha bolsonarista.

Na noite da sexta-feira, 23, o magistrado determinou o bloqueio de bens móveis e imóveis e o sequestro de R$ 6 bilhões das contas de Willer Tomaz. O alvo tem um amplo espectro de relações políticas em Brasília. A defesa diz que se trata de uma “pescaria probatória” para “fabricar falsos escândalos com fins político-eleitorais”.

LULA REINA – Agora, Lula indicará mais quatro ministros para o STF. Como a Corte é formada por 11 ministros, isso será definitivo para estabelecer o jogo de forças internamente.

Hoje, a ala de Moraes vota de forma coesa e reúne Cristiano Zanin — que foi advogado do petista —, Flávio Dino — ex-ministro do governo Lula —. Dias Toffoli – ex-advogado do PT,  e Gilmar Mendes.

Juntos, eles já conseguiram, por exemplo, frear o pedido de abertura de investigações contra Moraes sobre o contrato de R$ 131 milhões do escritório de sua esposa, Viviane Barci, com o Banco Master, além de outras suspeitas de sociedade com o banqueiro Daniel Vorcaro.

DOMÍNIO TOTAL – Com Lula reeleito, esse bloco dobrará de tamanho. Um reforço já será imediato para a vaga aberta de Luís Roberto Barroso. Isso aumenta o poder de Moraes, que deve assumir a presidência do STF em setembro de 2027.

Os demais integrantes do Supremo não votam necessariamente alinhados, pois têm perfis, interesses e exposições públicas variados.

Para completar esse cenário, o Supremo Tribunal Federal continua vivendo a maior crise reputacional de sua história, com pedidos de investigação sobre seis de seus atuais 10 ministros.

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Com um cenário de maioria bolsonarista, tudo pode acontecer – de bom e de ruim. Vários ministros lulistas podem sofrer impeachment e as novas indicações de Lula podem ser rejeitadas, provocando uma crise monumental. (C.N.)

Donald Trump dá o tom, e a bancada da bala aplaude a pena de morte

Os vitoriosos são Lula, Alckmin e Tarcísio, que será imbatível em 2030

Lula pede para Zé Dirceu se candidatar a deputado federal nas eleições de 2026 - Estadão

Lula e José Dirceu fingiram que voltaram a ser amigos

Carlos Newton

Em junho de 2005, o deputado José Dirceu (PT-SP) era o político mais importante do Brasil, comandando com mão de ferro a Casa Civil do primeiro governo de Lula da Silva. Todos sabiam que era ele quem mandava no país. Mas veio o desentendimento com Roberto Jefferson, que comandava o PTB e denunciou o escândalo do mensalão, Dirceu pediu demissão.

A compra de votos de parlamentares atingia frontalmente o PT e o presidente Lula, que se viu ameaçado de impeachment. Mas Dirceu teve uma atitude nobre, assumiu a inteira responsabilidade pelo mensalão, dizendo que Lula não tinha conhecimento de nada.

PREOCUPAÇÃO – Na época, o Mensalão estarreceu a todos, não se falava em outra coisa. Dois dias depois da demissão, o jornalista esteve no coquetel de inauguração do escritório de consultoria de Darc Costa, vice-presidente do BNDES e professor da Escola Superior de Guerra, considerado o mais estrategista brasileiro.

No evento, conversando com amigos, o general Leônidas Pires Gonçalves, ex-ministro do Exército no governo José Sarney, manifestou sua preocupação.

“A situação é gravíssima. José Dirceu tinha preparo e firmeza para conduzir o governo, mas Lula prefere nomear essa Dilma Rousseff, que ninguém conhece, pode haver o caos no país e afetar o desenvolvimento” – alertou o ex-ministro. Mas eu cuidei de acalmá-lo, dizendo:

“Desculpe, general, mas o senhor pode ficar tranquilo, não haverá crise alguma, porque o país cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar…”. Foi um sucesso. A piada era velha, mas ninguém conhecia e todos caíram na gargalhada.

OUTRA REALIDADE – Se Dirceu tivesse contado a verdade, Lula teria sofrido impeachment e a realidade do país seria outra. Mas o ex-guerrilheiro fez o chamado “beau geste” e inocentou Lula. Logo em seguida, abriu uma empresa de lobby e rapidamente enriqueceu, antes de cumprir pena.

Lula virou as costas a Dirceu, embora o amigo tivesse tenha atendido a segunda-dama Rosemary Noronha, acusada de corrupção. Dirceu coordenou a defesa dela, que foi inocentada. Mesmo assim, Lula nunca mais quis conversa com ele, não mais se falaram, nem mesmo por telefone. Só voltaram a se encontrar no início deste ano, quando Lula gravou um vídeo apoiando a campanha de Dirceu a deputado federal e pediu votos para o ex-ministro.

Na mensagem, Lula afirmou que a eleição de Dirceu representaria uma “reparação histórica”, que acabou não ocorrendo.

OS VITORIOSOS – O grande vitorioso desta eleição é próprio Lula, é claro, que fez um esforço sobre-humano para tocar sua campanha pelo país, mostrando-se incansável. Outro vencedor é  Geraldo Alckmin, que não vê a hora de tomar posse, assim que Lula não tiver mais condições de governar, pois é o mais velho presidente eleito da História, ninguém chegou ao poder pelo voto com 80 anos, em nenhum país minimamente civilizado.

Lula completa 81 nesta terça-feira, e o tempo  trabalha a favor de Alckmin, que se transformou num urubu pousado no ombro do petista.

Por sim,  o terceiro vitorioso é Tarcísio de Freitas, que em 2030 não terá adversários à Presidência e vai destruir quem estiver pela frente.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O grande perdedor não é Flávio Bolsonaro, que fez o que pôde contra um adversário portentoso e com a chave do cofre nas mãos. Quem realmente perdeu foi seu pai, Jair Bolsonaro, que inventou a candidatura do Zero Um, ao invés de apoiar Tarcísio de Freitas, um político que realmente poderia melhorar muito a situação deste país. Assim, Jair Bolsonaro perdeu a oportunidade de demonstrar grandeza e amor ao país indicando Tarcísio, ao invés de querer transformar a política em questão de família. Esse erro, pelo menos, Lula jamais cometeu. (C.N.)

A herança política de Bolsonaro e o risco de uma democracia sob cerco

Lula ou Flávio Bolsonaro preparam-se para aplicar um tremendo estelionato eleitoral

X-এ Folha de S.Paulo: "#charge Cláudio Hebdô | Lula e Flávio a ouvirem a palavra debate https://t.co/7cBIOvPC1p" / X

Charge do Cláudio Oliveira (Folha)

Raquel Landim
Estadão

Seja qual for o resultado das eleições de domingo, preparam-se para um estelionato eleitoral ou para uma crise econômica em 2027. Não é catastrofismo. O fato é que nem o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, nem o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, apresentaram até agora propostas concretas para lidar com a economia.

Flávio negou todos os ajustes necessários para reduzir a dívida pública: desindexação do salário mínimo, mudança nos pisos de saúde e educação, uma reforma da previdência, entre outras medidas. Chegou até a se comprometer com a escala 6 por 1, que, num primeiro momento, vai afetar a produtividade da economia.

PROMESSAS VÃS – No debate promovido pela Band e Estadão, o candidato do PL disse que só o fato de se tornar presidente vai liberar recursos porque os juros de longo prazo vão cair. Flávio disso que vai combater a corrupção para conseguir mais recursos – uma promessa insólita dado o seu histórico. Prometeu um ministério da Prosperidade sem dizer quanto ia custar. Pode até ser que sua eleição provoque um alívio nos mercados, mas será temporário. Logo a conta vai chegar.

Lula estabeleceu um ritmo desenfreado de gastos para tentar vencer, já que está atrás nas pesquisas eleitorais: aumento de 15% do Bolsa Família, renovações sucessivas da subvenção à importação de combustíveis, compra de dívidas por meio do novo Desenrola, dinheiro para os microempreendedores e até mesmo a distribuição de canetas emagrecedoras pelo SUS, entre muitas outras.

Prometeu até uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) para garantir Passe Livre aos fins de semana, que quer pagar com o dinheiro das emendas parlamentares. Faltou combinar com o Congresso, que dificilmente vai querer abrir mão desses recursos. Muitas das emendas são carimbadas.

MANO A MANO – A ausência de propostas de austeridade fiscal por ambos os candidatos explica-se pela disputa mais acirrada da história do país. A diferença é de um a dois pontos percentuais dependendo da pesquisa. Ninguém quer correr risco de desagradar o eleitor e perder votos.

O que nos leva a um impasse. As equipes econômicas de Flávio e Lula não são ingênuas e sabem o que precisa ser feito para conter a dívida pública e evitar seu efeito deletério nos juros, no câmbio e na inflação. O Brasil precisa de um novo ajuste fiscal logo no início do novo mandato.

Os técnicos já estão preparando pacotes para soltar assim que vencerem o pleito, o que configurará um estelionato eleitoral dado o que os candidatos prometeram ou esconderam do eleitor. Ou pretendem deixar tudo como está, com ajustes graduais e cosméticos, que não vão resolver o problema do país. Se prevalecer a segunda alternativa, quem vai pagar a conta de uma dívida pública explosiva é, principalmente, o povo mais pobre com mais inflação.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– A ausência de propostas de austeridade fiscal explica-se pela disputa acirrada; ninguém quer correr risco de desagradar o eleitor e perder votos Apenas isso. Lula e Flávio têm algo em comum — a preocupação deles com o povo é zero.  (C.N.)

Na eleição de um novo presidente, a percepção fiscal pesa mais que os fatos

Flávio desfila propostas sem cobrança sobre os números

Míriam Leitão
O Globo

Algumas vezes, há um divórcio entre fato e percepção, e observamos isso neste processo eleitoral. O importante na eleição é a percepção, e não o fato. O fato é que foi o PT que criou o MEI, e não há nenhuma informação concreta sobre algo que Bolsonaro tenha feito para favorecer os microempreendedores. Mas fica a ideia de que o candidato do PT, que tem sua origem no movimento sindical do ABC, fala apenas com o trabalhador formal e não fez esforços concretos para o resto da economia.

Os economistas, inclusive aqueles especializados em contas públicas, classificam o governo do PT como gastador e o de Jair Bolsonaro como austero. No entanto, Lula reduziu o déficit primário, e Bolsonaro não foi austero. Além disso, o que Flávio tem proposto agora são absurdos fiscais, como ressuscitar o Perse sem informar de onde viriam os recursos para um programa que foi interrompido após registrar gastos bilionários, em torno de R$ 60 bilhões, e irregularidades.

DESFILE DE PROPOSTAS – O candidato do PL vem desfilando propostas com impacto fiscal, sem nenhuma cobrança sobre os números. Até agora, Flávio não apresentou nenhum programa de ajuste fiscal que indique a possibilidade de um corte de 1,5% do PIB, os tais R$ 200 bilhões, que se compromete a fazer, caso eleito, no primeiro ano de mandato.

Até aqui, no entanto, Lula também não fez nada em seu discurso para melhorar essa percepção de gastador, especialmente, quando afirma que a solução para a dívida é crescer mais a economia.

O debate na TV Globo é desenhado para ter mais discussão de propostas, o que o torna ainda mais importante nessa reta final em que a pesquisa ainda mostra um percentual significativo de indecisos. O ponto é que o debate econômico nessa eleição, até aqui, tem fugido dos fatos.

Bastidores de Brasília já redesenham o poder após a eleição presidencial

Aliados discutem Alcolumbre no TCU e Pacheco no STF

Andréia Sadi
O Globo

Os cenários para o dia seguinte à eleição, que acontece neste domingo (25), já começaram a ser discutidos nos bastidores de Brasília. Uma das possibilidades colocadas na mesa, em caso de derrota do presidente Lula (PT), é a indicação do ex-senador Rodrigo Pacheco, hoje no TCU, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mas há outra hipótese que passou a circular nas conversas políticas: uma eventual ida do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para o Tribunal de Contas da União (TCU). A avaliação de interlocutores envolvidos nessas discussões é que Alcolumbre enfrentaria um cenário mais difícil para permanecer no comando do Senado, especialmente em caso de vitória de Flávio Bolsonaro.

DISPUTA DE FORÇAS –  Embora tenha interesse em continuar à frente da Casa, Alcolumbre teria de lidar com a força de nomes como Rogério Marinho (PL-RN), atual coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), e Tereza Cristina (PP-MS), que circulam nas articulações para o comando do Senado em um eventual governo do candidato do PL.

Mesmo se Lula for reeleito, o cenário não é simples. A composição do Senado, com forte presença de parlamentares de direita, pode dificultar a permanência de Alcolumbre na presidência.

Há ainda um componente político e institucional importante nessa equação. Alcolumbre mantém uma relação de proximidade com ministros do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes, e não é visto por seus interlocutores como alguém disposto a dar andamento a pautas de impeachment de integrantes da Corte.

INDICAÇÃO AO TCU – É nesse contexto que começou a ser discutida a possibilidade de uma indicação ao TCU. Segundo relatos, a hipótese é considerada também sob a perspectiva da proteção institucional que o cargo oferece. Ministros do TCU têm foro por prerrogativa de função no STF, o que, na avaliação de interlocutores que discutem o cenário, poderia representar uma forma de blindagem jurídica.

A discussão ainda é preliminar. Não há decisão tomada nem indicação formal encaminhada. Mas a hipótese revela como os movimentos de bastidores já levam em conta não apenas o resultado da eleição presidencial, mas também a disputa pelo controle do Senado e o futuro da relação entre Congresso e Supremo.

Flávio Bolsonaro busca no Planalto o escudo contra os próprios escândalos

Ministro alerta para risco de retrocesso nas demarcações com avanço do bolsonarismo

Não importa o vencedor, o Brasil espera que trabalhe pelo povo e pela nação

Eleições 2026: qual o horário da votação no 2º turno? - PontoPoder - Diário do Nordeste

Votar é oportunidade única que não se deve desperdiçar

Vicente Limongi Netto

A jornalista Ana Dubeux (Correio Braziliense – 25/10) pede coragem a todos na hora do voto. Não se trata de um voto qualquer. A seu ver, “o voto hoje é o voto pelo futuro”. Enfática, a diretora de redação do Correio Braziliense afirma “que hoje e sempre , farei a opção pela verdade”.

Alimento no coração as exortações de Dubeux. Que o vencedor para Presidente da República respeite o povo. Que saia do palavreado e dos ranços do ódio e do rancor e seja capaz de atitudes e gestos grandiosos que dignifiquem e melhorem a qualidade de vida dos cidadãos.

TUDO MELHOR – Que o medonho novo Congresso pense no povo e no Brasil. Que não seja torpe, covarde e leviano, com planos mesquinhos contra adversários e, sobretudo, contra instituições.

Que as promessas sejam transformadas em mais empregos, mais segurança e mais comida na mesa Epara os mais necessitados.

E que o vencedor, seja Lula ou Flávio, proteja e cuide de verdade das crianças, nosso maior legado para um Brasil justo e feliz.

O que os “nove dedos” revelam sobre Flávio Bolsonaro

A frustrada busca pela felicidade, na poesia de Vicente de Carvalho

Tribuna da Internet | Na poesia de Vicente de Carvalho, a busca da felicidade que jamais é encontrada…Paulo Peres
Poemas & Canções

O advogado, jornalista, político, abolicionista, fazendeiro, magistrado, contista e poeta paulista Vicente Augusto de Carvalho (1866-1924), membro da Academia Brasileira de Letras, no soneto ‘Velho Tema”, um dos mais conhecidos de sua obra,  com uma sensibilidade muito profunda, penetra com agudeza na busca pela felicidade, que jamais é encontrada. Mas tudo isso sem decorrer a devaneios e com apuro de forma, de acordo com os moldes do Parnasianismo, esses sentimentos subiam à tona com objetividade e realismo, “às claras”, como ele mesmo preconizava no “Velho Tema”.

VELHO TEMA
Vicente de Carvalho

Só a leve esperança em toda a vida,
Disfarça a pena de viver, mais nada,
Nem é mais a existência, resumida,
Que uma grande esperança malograda.

O eterno sonho da alma desterrada,
Sonho que a traz ansiosa e embevecida,
É uma hora feliz, sempre adiada,
E que não chega nunca em toda a vida.

Essa felicidade que supomos,
Árvore milagrosa que sonhamos,
Toda arreada de dourados pomos,

Existe, sim, mas nós não a alcançamos,
Por que está sempre apenas onde a pomos,
E nunca a pomos onde nós estamos.

Eleitores chegam às urnas, pautados pelas disputas entre cansaço e medo

Confira a #CHARGE de hoje ! #novembro #charge

Charge do Tim Cotrim (Arquivo Google)

Ricardo Corrêa
Estadão

Eleitores de todo o País que vão às urnas neste domingo, 25, para decidir entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro estarão com as mentes povoadas de sentimentos que podem ser resumidos em uma disputa do cansaço contra o medo. Essa sensação atinge, em especial, os independentes e indecisos que estão fora da polarização.

Considerando os resultados das pesquisas, o nível de mobilização dos indecisos na reta final terá papel decisivo para o resultado.

CANSAÇO DO PT – De um lado, os que agora pendem para Flávio Bolsonaro estão cansados dos mesmos personagens e discursos para enfrentar os problemas do País. Consideram que Lula, após três mandatos, pouco tem a acrescentar nas batalhas difíceis de vencer para garantir um crescimento sustentável do Brasil.

Acham que o País gasta mal e demais e dão ao governo parcela de responsabilidade até pelos erros que veem nos outros Poderes, em especial um Judiciário sem controle.

Por essas e outras, muitos independentes preferem dar mais quatro anos ao bolsonarismo, com a esperança de que algo novo seja entregue. Eles veem o Brasil estagnado ou caminhando lentamente na direção da melhora de suas condições de vida. E querem algum tipo de ruptura com a ordem que está hoje estabelecida.

MEDO DO MITO – De outro lado, os que preferem ir com Lula têm medo do que pode se transformar um novo mandato para o bolsonarismo. Preocupam-se com o risco de uma nova aventura antidemocrática como a que levou à tentativa de golpe de 8 de Janeiro. E temem o excesso de poder que pode advir do controle simultâneo do Executivo e das Casas do Congresso.

Esses eleitores preocupam-se com eventual perda de direitos a partir de um discurso de redução da máquina pública e de menor regulamentação. Acham que a postura pode afetar a educação e a saúde públicas. Temem que o negacionismo que se espalhou na pandemia volte a ser alimentado. E se assustam com os efeitos da pregação a favor de mais armamento nas mãos da população.

DESCONFIANÇA – Com o abismo entre esses sentimentos, qualquer resultado levará a uma forte desconfiança de parte expressiva da população. E não há no horizonte qualquer sinalização de que haverá trégua ou pacificação.

Com tantas promessas difíceis de cumprir feitas ao longo da campanha, um novo sentimento tende a crescer durante no próximo governo: a desilusão em relação aos partidos políticos.

Abstenção entre brasileiros no exterior chega a 62,7%, quase o triplo da registrada no Brasil

Mais de 574 mil brasileiros no exterior não votaram

Mayara Paixão
Folha

A distância do centro de votação é um dos principais fatores que afastam o eleitor brasileiro no exterior das urnas para a votação para presidente, a única da qual se pode participar fora do Brasil.

No primeiro turno destas eleições, no último dia 4, 62,7% dos aptos a votar no exterior se ausentaram das urnas, um aumento de seis pontos percentuais em relação a 2022. São mais de 574 mil pessoas. O número é quase o triplo do da abstenção em território brasileiro —21%.

DISTÂNCIA DAS URNAS – Apatia com a política e esquecer de transferir o título de eleitor também são ingredientes importantes para esse resultado. Mas funcionários consulares, especialistas e, em especial, os próprios eleitores, elencam a distância das urnas como o fator preponderante.

O Brasil organiza votações para presidente no exterior desde 1989, ano em que ao redor de 18,5 mil brasileiros estavam aptos a votar fora do país. Hoje esse número chega a 916,5 mil. As eleições são organizadas por 146 postos (consulados, embaixadas) em 167 locais de votação. Mas muitas vezes acessar a urna se torna uma tarefa custosa, em tempo e em dinheiro. A escritora e professora universitária Bruna Dantas Lobato, 35, natural de Natal (RN), vive nos Estados Unidos desde 2011. Hoje, está radicada no estado de Iowa.

Para votar, Bruna precisa ir ao estado vizinho de Illinois, na cidade de Chicago. São ao redor de dez horas de carro na estrada, ida e volta, além dos custos com pedágio, gasolina, alimentação e eventual hospedagem. Ela desembolsou US$ 400, mais de R$ 2.000. Votar para ela é uma maneira de exercer a cidadania e de se conectar com a nacionalidade. “Como imigrante, já me sinto muito de fora, ações como essa são a minha chance de fazer parte do meu povo, reafirmar e exercitar meus valores políticos é muito importante”, diz.

PLATAFORMA – Mas Bruna sabe que essa possibilidade, de empregar tempo e dinheiro, não é uma realidade para todos. Compartilhando desse sentimento, o brasileiro Pedro Morel Rosa, 27, carioca que vive em Paris, criou uma plataforma pública chamada “Voto Lá Fora”.

Trata-se de um site que conecta pessoas que querem oferecer caronas para ir ao centro de votação e mesmo hospedagem em suas casas para aqueles que vêm de longe votar. Até a última quarta-feira (14), quando ele falou com a reportagem, mais de 900 pessoas já haviam se cadastrado.

MOTIVAÇÃO – Pedro diz que foi motivado pelo que viu na hora de votar: pessoas chegando com malas, porque haviam acabado de sair da estação de trem, vindo de longe, e amigos oferecendo suas casas para que brasileiros possam se hospedar no segundo turno.

E mais: “Muitos que eu conheço, infelizmente, não transferiram o título e não vão poder votar no exterior. Pensei que oferecer uma carona ou um lugar para dormir era uma forma de mobilizar essas pessoas, permitindo que participassem desse momento tão importante da democracia brasileira.”

A plataforma, explica, não está ligada a partidos políticos. Brasileiros na Europa têm sido os que mais participam, com a França à frente. Os dados mais recentes do Itamaraty mostram que a maior parte da comunidade brasileira no exterior está nos EUA (mais de 2 milhões de pessoas), com Portugal na sequência (628 mil).

SITUAÇÃO IRREGULAR – No caso dos EUA, um fator adicional se somou à abstenção: o medo de alguns brasileiros que, vivendo no país em situação irregular, poderiam encontrar o ICE, a polícia migratória, no caminho. Brasileiros, mesmo sem status imigratório regular, podem votar para presidente do Brasil. No primeiro turno, não houve nenhum relato de ação do ICE contra brasileiros.

Se para a potiguar Bruna a distância da urna foi feita de carro, há quem tenha de pegar avião. O pesquisador Matheus Gadelha, natural da Paraíba, vive em Seattle, no estado de Washington, na Costa Oeste dos EUA. Mas o local mais próximo para votar é San Francisco, na Califórnia, a 14 horas de carro, ou duas horas de avião.

Ele e a esposa não conseguiram se planejar para votar no primeiro turno, mas irão no segundo. As passagens ida e volta saem por ao redor de US$ 500, em torno de R$ 2.500, para cada um, além da reserva de um hotel para pernoitar. “Essa eleição me parece crucial para a existência de outras eleições e para o bem-estar de diversas minorias, que está em jogo”, diz. “Sei que meu voto sozinho não faz diferença, mas me sentirei mal se no futuro disser que não fiz nada.”

PRAZO – Muitos brasileiros no exterior também perdem o prazo para transferir seu título de eleitor para um novo posto de votação, onde moram. A escritora Ananda Lima, 47, natural de Brasília mas há 20 anos nos EUA, morava em Chicago, mas se mudou para a cidade de Nova York, a um voo de duas horas de distância, no início deste ano e perdeu o prazo.

Ainda assim, foi votar. Ananda comprou passagens, chegou a Chicago no dia 4 e retornou no mesmo dia. Fará o mesmo no segundo turno, desembolsando, no total, ao redor de US$ 600, ou R$ 3.000. “Não voto somente porque isso me afeta. Voto por todo mundo. Minha família, por exemplo, está toda no Brasil.”

Um último fator se soma à alta abstenção. O número de eleitores registrados para votar no exterior cresceu em torno de 30%. Em parte, a alta é relacionada ao fato de que houve uma grande leva de renovação de passaportes brasileiros no exterior no último ano.

JUSTIÇA ELEITORAL – Para renovar o documento, o cidadão precisa estar em dia com a Justiça Eleitoral, e havia muitos no exterior que não tinham transferido seus títulos ainda. Assim, o número cresceu, mas a abstenção não se manteve proporcional à anterior porque o alargamento se deu com cidadãos que já não tinham o costume de ir às urnas.

O presidente Lula (PT) foi quem recebeu mais votos no exterior, com 47,57%, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 43,49%.

Ministros do STF querem eleger Lula e depois abafar o escândalo do Master

Master: Toffoli e Moraes enfrentam isolamento no STF e silêncio de colegas após queda de credibilidade

Os corruptos Moraes e Toffoli podem dormir sossegados

Wálter Maierovitch
UOL

A fúria contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) perdeu força entre os eleitores neste segundo turno eleitoral. Depois da primeira etapa, os supremos ministros que são os principais alvos das indignações submergiram assustados, com Flávio Bolsonaro (PL) na liderança. Por enquanto, nenhum é investigado.

Conforme noticiado, coube ao decano, ministro Gilmar Mendes, a iniciativa de construir pontes com os bolsonaristas de alto coturno.

UMA PINGUELA – Se Lula for reeleito, o acerto, por meio dos ministros Flávio Dino e Cristiano Zanin, não será complicado. Nenhuma grande obra de engenharia precisará ser realizada, uma pinguela resolverá.

A meta buscada por Gilmar Mendes seria evitar processos de impeachment por crimes de responsabilidade.

Gilmar tem força política. Como se diz no popular, ele “melou de vez” a apuração das rachadinhas, crime de peculato no gabinete do então deputado estadual do Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro. Fora isso, num passado próximo, quando se cogitava impeachment do ministro, Jair Bolsonaro (PL) mandou as lideranças políticas não mexerem com ele.

FORA DO DEBATE – O escândalo do STF foi jogado para escanteio e não apareceu nos debates. Ninguém se lembrou do ministro Alexandre Moraes e da suspeita de que ele tenha sujado a toga no caso Master.

André Mendonça e Nunes Marques foram mencionados de passagem por Lula, como amigos de Flávio no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Dias antes, indagado pela jornalista Renata Lo Prete em entrevista na TV Globo, o presidente Lula falou da necessidade de investigações e, além de Moraes, incluiu Dias Toffoli, como a chutar cachorro morto.

TUDO CERTO – Pelo andar da carruagem, antes da posse do presidente eleito —seja qual for—, o presidente Edson Fachin estará com a briga interna entre Moraes e Mendonça resolvida.

A representação de Moraes contra Mendonça é inepta, sem apoio em prova. Moraes sabe disso. Usou-a para fazer fogo de encontro, criar fato novo, dada a sua posição de inferioridade.

O relatório no qual se baseou não vale nada, nem como início de prova. Trata-se de relatório apócrifo de inteligência da Polícia Federal, com ilações que o próprio texto diz ser imprestáveis para formulações de juízos.

ARQUIVAMENTO – Quatro procuradores, por determinação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, analisaram a representação de Moraes contra Mendonça e opinaram pelo arquivamento.

Fachin mandará a representação a exame em sessão Plenária, e o arquivamento é o única via a ser percorrida.

Também poderá haver arquivamento da representação contra Moraes, na qual foram comprovadas trocas de mensagens do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro via WhatsApp.

PASSANDO A BORRACHA – Tudo em nome da pacificação interna e do receio de demonstrações de divisões e fraquezas. E foi a união que, tempos atrás, sob a presidência de Luís Roberto Barroso, garantiu a democracia e a força do STF.

Enfim, internamente, a previsão é de que, fingindo nunca tendo ouvido falar do filósofo Baruk Espinosa, o pai da ética, Fachin aquivará e impedirá a investigação contra Moraes, depois de deliberação unânime dos supremos ministros.

Para isso, o STF contará com parecer costurado pelo enrolado e interessado Gonet. E os impeachments, caso vença Flávio, serão esquecidos, com cachimbo da paz fumado para garantir um governo sem judicializações. Com Lula, a negociação será acordada, e até o desafeto Toffoli terá saída honrosa.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O pior de tudo é ver um jurista importante, como Wálter Maierovitch, escrevendo sobre o escândalo com tamanha placidez, sem nenhum resquício de revolta, como se os brasileiros tivessem de aceitar inertes esses conluios dos detentores do poder. É decepcionante. (C.N.)

Entre o debate e as urnas, uma eleição sem desfecho previsível

Debate na TV não foi evento decisivo, determinante, do que sairá hoje das urnas

Tribuna da Internet | Pesquisas caem na real e já trazem Flávio à ...

Flávio Bolsonaro tem mais chances de vencer do que Lula

William Waack
Estadão

Três perguntas deveriam ter sido respondidas no debate da TV Globo. Alguém conseguiu virar o voto de alguém? Alguém sentiu ter cometido um erro ao ter escolhido no primeiro turno o candidato que escolheu? Alguém se sentiu mais motivado a comparecer às urnas no domingo?

A resposta às três perguntas é “não”. A impressão produzida pelo debate é a de que não foi o evento decisivo, determinante, do que sairá das urnas neste domingo.

POR PONTOS – É óbvio que cada lado dirá que seu candidato foi excelente, ótimo e massacrou o oponente. E somará pontinhos nesta resposta ou naquela pergunta. Ocorre que esse tipo de acontecimento político não é decidido por pontos, como numa luta de boxe. Ele é decidido pelas emoções − ou impressões − que acaba deixando nos dois lados.

inguém saiu nocauteado, o que era exatamente a proposta da campanha de Flávio Bolsonaro. Como ele entrou no palco em vantagem (apertada, mas em vantagem) segurar esse tipo de “empate” significa segurar a dianteira em relação ao oponente. Essa é a única acepção de “ganhador” que se poderia tirar do evento.

A aposta da campanha de Flávio foi cumprida à risca: falar para frente, falar de segurança e custo de vida. Nesse sentido, ficou para Lula o papel do “ideológico”, do “rico” contra “pobre”, do enaltecimento de um passado que o primeiro turno das eleições provou não ser suficiente para fechar a conta da reeleição.

MESMA IMPRESSÃO – Como sempre acontece em situações nas quais as emoções trazidas por imagens se sobrepõem a qualquer “racionalidade” de números e argumentos – e isso é potencializado pela revolução digital – a “impressão” deixada por Flávio e Lula é a mesma desde o começo. Um senador jovem com ar simpático contra um ancião irritadiço e feições idem.

É isto que permite afirmar que as acusações mútuas no bloco derradeiro, o bloco das baixarias, provavelmente está precificado na votação do dia 4 último.O que não significa dizer que ela se repetirá tal e qual neste domingo. São longas horas ainda, mas elas se parecem muito com os últimos dias. A competição parece estabilizada em margem mínima, com Flavio em vantagem.

Dois caminhos para o país, um teste para a democracia