Solidariedade diz ao STF que indicação de emendas ocorreu “sem interferência” de dirigente

Vorcaro depõe à PF nesta quinta sob pressão após fracasso de duas tentativas de delação

Produtora de ‘Dark Horse’ promete entregar documentos à PF e colaborar com investigação

Novo corregedor do CNJ alerta: prevenir desvios não significa tolerar juízes infratores

Lula evita palanques divididos no Nordeste para conter brigas entre seus aliados

Mendonça propõe regra contra deepfakes e mira uso eleitoral de IA em 2026

Flávio Bolsonaro é apagado de campanhas do PL, enquanto Nikolas e Michelle ganham espaço

Indicado por Trump, novo embaixador dos EUA diz que ficará fora da eleição brasileira

Missão Impossível! Janja entra em campo para aproximar Lula dos evangélicos

Janja gravou mensagem em lançamento de comitê 

Victoria Azevedo
O Globo

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, gravou um vídeo para evangélicos em que fala dos valores da solidariedade e da igualdade que guiaram a vida e os governos do presidente presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) num momento em que o petista aparece atrás de Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário nas eleições, nas pesquisas de intenção de voto nesse segmento.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada na semana passada, entre evangélicos, Flávio atinge a marca de 62%, enquanto Lula fica em 29%. Em julho, o petista tinha 31%, e o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, 60%. Esse é mais um gesto que a campanha do presidente tem adotado nas últimas semanas buscando se aproximar do segmento, seja com lançamento de jingle gospel à carta voltada aos evangélicos. O entorno de Lula também está preparando um ato no Rio de Janeiro com esse público.

REUNIÃO – A primeira-dama gravou o vídeo que foi exibido no lançamento do comitê Evangélicos e Evangélicas com Lula, coordenado pelo PT, nesta segunda-feira. Nele, Janja afirma que viajou pelo país nos últimos anos para se reunir com mulheres evangélicas, foi recebida “de forma muito afetuosa” por elas e presenciou “o importante trabalho de acolhimento e proteção da cidadania realizado por essas mulheres”.

Ela afirma que as igrejas evangélicas cumprem um importante papel de pertencimento e se tornam espaços de referência para milhões de brasileiros. “Os valores da solidariedade e da igualdade, que sempre guiaram a vida e os governos do presidente Lula, são importantes norteadores da nossa fé cristã”, diz a primeira-dama.

Janja também afirma que acompanhou de perto nos últimos anos “o respeito” com que Lula “trata a fé de cada brasileira e brasileiro”. Ela usa o vídeo para falar de atos tomados nas gestões do presidente que foram voltados especificamente aos evangélicos, entre eles a criação do Dia Nacional do Evangélico, a Marcha para Jesus e o Dia Nacional da Música Gospel.

NOVA POSTURA – “O trabalho desse comitê é essencial para o fortalecimento da nossa democracia. Contem comigo na construção desse Brasil mais justo, democrático, solidário e fraterno”, diz Janja. Essa postura da primeira-dama é diferente da adotada por ela na campanha de 2022, quando apresentava resistência para gestos mais enfáticos de Lula ao segmento evangélico.

Entre o primeiro e segundo turno, em outubro de 2022, o petista foi convencido pelo seu entorno e divulgou carta ao público evangélico — Janja, por sua vez, não participou do ato que marcou esse gesto. Além dos encontros com evangélicas, a primeira-dama também passou a cantar um jingle gospel da campanha petista, ao lado do pastor Kleber Lucas, antes de atos eleitorais.

APROXIMAÇÃO – Esse é mais um movimento dentro do PT e da campanha de Lula para buscar se aproximar desse eleitorado. Aliados de Lula dizem que, assim como o presidente reforça em discursos há anos, não deve ocorrer nenhum evento do petista em igrejas ou cultos. Ele já afirmou diversas vezes que é católico, mas que não irá fazer dos púlpitos palanques eleitorais. Apesar disso, diferentemente de 2022, a campanha deste ano tem reforçado as sinalizações mais diretas ao segmento.

Em junho deste ano, o PT divulgou uma carta voltada ao público evangélico. O texto não faz menção às pautas controversas, como o aborto, que é defendida pela esquerda e criticada por esse segmento. Um ato voltado a evangélicos está sendo discutido pela equipe da campanha de Lula para ocorrer no Rio de Janeiro nos próximos dias.

“Opinião”, um samba tão importante que virou nome de um jornal e de um teatro

Notícias FFC - Unesp - Faculdade de Filosofia e Ciências - Câmpus de Marília

João do Vale, Zé Keti e Nara Leão no show

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor carioca Zé Kéti, nome artístico de José Flores de Jesus (1921-1999), compôs em 1964 o samba “Opinião”, cuja letra possui um impacto forte, criado pelo relato  do dia-a-dia na favela.

Alguns historiadores afirmam que a data desta composição é anterior a 1964, porque fora composta em protesto ao governador Carlos Lacerda, do antigo Estado da Guanabara, o qual decidira acabar com as favelas, removendo os seus habitantes para a bairros afastados do centro e da Zona Sul.

Em 1964, com Nara Leão e João do Vale, Zé Kéti participou do show Opinião, um dos primeiros gritos artísticos de protesto contra o regime militar. O roteiro foi feito por  Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes. com direção de Augusto Boal.

O samba “Opinião” inspirou os nomes de um jornal, do grupo que encenou a peça e do segundo LP de cantora, intitulado Opinião de Nara, lançado no final de 1964, pela Philips. O show foi realizado no Teatro de Arena, que daí por diante passou a se chamar Teatro Opinião.

OPINIÃO
Zé Kéti

Podem me prender
Podem me bater
Podem, até deixar-me sem comer
Que eu não mudo de opinião
Daqui do morro
Eu não saio, não

Se não tem água
Eu furo um poço
Se não tem carne
Eu compro um osso
E ponho na sopa
E deixa andar

Fale de mim quem quiser falar
Aqui eu não pago aluguel
Se eu morrer amanhã, seu doutor
Estou pertinho do céu

Flávio Bolsonaro representa uma direita elitista, autoritária e desumana

Tribuna da Internet | Flávio confunde herança política com poder e empurra  a direita para o racha

Charge do Jônatas (Política Dinâmica)

Vicente Limongi Netto

A esquerda de Lula é humanista, progressista e defensora da soberania brasileira. A direita de Bolsonaro é desumana, golpista e elitista. Defende o atraso e a subserviência aos interesses dos Estados Unidos.

São vendilhões da Pátria com as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel. Isso é próprio dos que têm complexo de vira=latas. Não têm noção do valor do Brasil perante o mundo. 

FOCO MAIOR – Pesquisa Quaest em São Paulo aponta ampla vantagem de Tarcisio para Haddad. Até aqui sem novidade. Já era esperado. Tarcisio tem a máquina nas mãos. O poder do cargo.

Mas a força eleitoral do atual governador, aliado de Flávio Bolsonaro, não impede o crescimento de Lula, no momento empatando com Flávio no maior colégio eleitoral do país. O normal seria Lula aparecer apanhando feio de Flávio. Mas não está.

Ou seja, pode acontecer, não é improvável, que Lula derrote, em São Paulo, não apenas Flávio Bolsonaro, mas, também, o governador Tarcísio de Freitas, a máquina do Palácio dos Bandeirantes e a força eleitoral do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

DOIS ASSUNTOS – O florescer dos ipês coloridos deixa Brasília ainda mais bela, alegre, amorosa e  cativante. O ipê branco abranda a alma. O amarelo encanta corações. O roxo alimenta esperança. O ipê lilás exorta a paz. Os pés de ipês são recheados de dignidade. Suas folhagens saúdam o amanhecer. O aroma dos ipês tem a pureza dos sentimentos. Embalam o cotidiano e embelezam o sol. Quando as folhas começam a cair, os ipês partem para nova missão: juntam-se ao barro para arar e semear a vida eterna.

Por fim, um registro – na GloboNews, um casal ruim de serviço, “se achando” na televisão, formado por Andrea Sadi e André Risek. São analistas primários, rasos, repetitivos, sem graça.  Duro para o assinante aguentar dupla tão insignificante e pretenciosa.

Lulinha processa Alfredo Gaspar, vice de Flávio Bolsonaro, por vídeo feito com IA

Perícia aponta que 72% dos gastos para produzir ‘Dark Horse’ ocorreram nos EUA

Braskem: quando uma crise empresarial deixa de ser apenas uma questão de dívida

Empresa protocola pedido de recuperação extrajudicial

Pedro do Coutto

A crise da Braskem chegou a um ponto em que já não pode ser tratada como simples dificuldade de caixa. A maior petroquímica da América Latina apresentou à Justiça de São Paulo um plano de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. O tamanho da cifra impõe uma pergunta que ultrapassa os balanços da companhia: como uma empresa de importância estratégica para a indústria brasileira chegou a esse nível de endividamento?

A resposta, porém, não está necessariamente em uma sucessão de erros administrativos. A crise resulta de uma combinação mais complexa: um ciclo prolongado de baixa da indústria petroquímica mundial, perda de competitividade, pressão sobre margens, estrutura de capital excessivamente alavancada, problemas societários e de governança e os custos decorrentes do desastre ambiental provocado pela exploração de sal-gema em Maceió.

DIMENSÃO DO PROBLEMA – Os próprios resultados da empresa dimensionam o problema. No quarto trimestre de 2025, a Braskem encerrou o período com dívida bruta corporativa de US$ 9,4 bilhões e alavancagem de 14,74 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA. A companhia reconheceu que atravessava um ciclo prolongado de baixa da indústria global.

O dado mais recente revela um paradoxo. No segundo trimestre de 2026, a Braskem registrou EBITDA de US$ 1,043 bilhão e lucro líquido de US$ 664 milhões, impulsionados pela melhora dos spreads petroquímicos. Ainda assim, a dívida líquida ajustada chegou a US$ 9,5 bilhões e a alavancagem permaneceu em 6,74 vezes. A operação pode melhorar, portanto, sem que a estrutura financeira deixe de ser vulnerável.

É aí que a discussão precisa ser aprofundada. Uma empresa pode apresentar recuperação operacional em determinado trimestre e continuar financeiramente fragilizada. Se a geração de caixa não basta para sustentar juros, vencimentos, investimentos e obrigações extraordinárias, uma melhora pontual dos resultados não resolve o problema estrutural.

DESVANTAGEM – Há ainda uma questão industrial. A petroquímica brasileira enfrenta desvantagem diante de produtores estrangeiros com acesso a matérias-primas mais baratas. Nos Estados Unidos, a abundância de gás natural ampliou a disponibilidade de etano, utilizado na produção de etileno. No Brasil, a dependência da nafta impõe custos maiores. Ao mesmo tempo, a desaceleração chinesa e o excesso de oferta internacional pressionaram as margens. A participação da Braskem no mercado brasileiro também caiu significativamente nos últimos anos.

Isso muda a natureza da pergunta. Não basta saber quem errou dentro da Braskem. É preciso compreender se o modelo industrial sobre o qual a companhia construiu sua posição dominante continua sustentável diante das condições atuais do mercado mundial.

Isso, evidentemente, não absolve a administração. Quanto maior a relevância econômica de uma empresa, maior deveria ser sua capacidade de antecipar riscos, controlar o endividamento e responder a mudanças estruturais. A própria governança da companhia merece escrutínio.

QUALIDADE DA GOVERNANÇA – Em junho de 2026, a CVM divulgou decisões envolvendo termos de compromisso relacionados à divulgação de informações ao mercado sobre negociações envolvendo ativos da Braskem. O episódio não explica, por si só, a atual crise financeira, mas reforça a necessidade de examinar a qualidade da governança corporativa.

Outro ponto incontornável é Maceió. A exploração de sal-gema provocou o deslocamento de milhares de pessoas e deixou um passivo socioambiental de enormes proporções. As vítimas já manifestaram preocupação com a possibilidade de que a reestruturação financeira afete obrigações de reparação. A empresa sustenta que o processo é exclusivamente financeiro e não alcança suas obrigações com outras partes interessadas.

Essa distinção será fundamental. Recuperação extrajudicial não pode significar recuperação seletiva. Uma empresa pode renegociar dívidas financeiras; não pode transformar uma crise de liquidez em mecanismo para enfraquecer responsabilidades sociais, ambientais ou jurídicas.

COMPOSIÇÃO DOS CREDORES – Também chama atenção a composição dos credores. Cerca de 92,4% da dívida incluída na reestruturação está vinculada a credores estrangeiros. O maior credor individual é o Bank of New York Mellon, enquanto investidores internacionais também representam parcela expressiva dos créditos. A crise da Braskem, portanto, está diretamente conectada ao mercado internacional de capitais.

Há ainda uma dimensão política. A Petrobras possui participação relevante na estrutura majoritária da  Braskem, junto com a IG4 Capital, controlada e liderada por seu fundador e CEO global, o advogado brasileiro Paulo Todescan Lessa Mattos, e é estruturada globalmente por meio da holding estrangeira IG4 Capital Partners Holding Investments LP. A estatal afirma que qualquer decisão sobre aumento de participação ou eventual operação envolvendo a petroquímica dependerá de estudos técnicos e dos mecanismos internos de governança.

É nesse ponto que a crise empresarial se transforma em questão de política industrial. A Braskem não é uma companhia qualquer. Sua produção está integrada a diversas cadeias industriais brasileiras, e sua situação pode afetar fornecedores, trabalhadores, bancos e setores consumidores de insumos petroquímicos.

COMPETITIVIDADE – Por isso, a solução não pode ser reduzida à pergunta sobre quem colocará dinheiro na empresa. É preciso saber que estrutura de capital, governança e estratégia industrial permitirão à Braskem recuperar competitividade sem simplesmente transferir o custo da crise para credores, acionistas, trabalhadores ou Estado.

O plano apresentado prevê a possibilidade de capitalização de parte da dívida e eventual suporte de liquidez dos principais acionistas. A adesão inicial, contudo, estava em 39,6% dos créditos abrangidos, e a empresa terá 90 dias para alcançar o apoio necessário. Sem acordo, a recuperação judicial poderá entrar no horizonte.

A recuperação extrajudicial pode reorganizar vencimentos e dar tempo para a companhia respirar. Mas não elimina uma estrutura de dívida excessiva nem resolve, por si só, os problemas de competitividade e governança.

ACÚMULO DE SINAIS – Por isso, a pergunta decisiva não é apenas como a Braskem chegou a US$ 10,9 bilhões em dívidas. É por que tantos sinais de deterioração puderam se acumular até que a renegociação se tornasse inevitável.

Será necessária uma investigação econômica profunda da trajetória do endividamento, das decisões de investimento, da política de capital, da evolução das margens, dos passivos de Maceió, da estrutura societária e das escolhas administrativas diante das transformações do mercado internacional.

A Braskem pode sair da crise. Mas não apenas com boa vontade entre credores e devedores. Será necessário capital, governança, transparência, disciplina financeira e uma estratégia industrial compatível com um mercado mundial muito diferente daquele em que a empresa consolidou sua posição.

INSUSTENTABILIDADE –  A dívida é assustadora. Mais preocupante é que uma companhia estratégica tenha chegado a esse ponto depois de anos dispondo de informações suficientes para perceber que sua estrutura financeira estava se tornando insustentável.

A recuperação extrajudicial pode comprar tempo. A verdadeira questão é se a Braskem conseguirá transformar esse tempo em recuperação — e impedir que a crise de uma das maiores companhias industriais do continente se converta em mais uma perda de capacidade produtiva, tecnológica e estratégica do Brasil.

Enfiados na lama até o pescoço, Lula  e Flávio fingem que não é com eles…

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Charge do J.Caesar (Veja)

Dora Kramer
Folha

A autorização para que a Polícia Federal tenha acesso aos dados colhidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme “Dark Horse” provocou tremores de regozijo entre militantes indignados com notícias que transpiram das investigações sobre tráfico de influência envolvendo um filho, uma amiga lobista e o ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio da Silva (PT).

Estaria aí pavimentado o terreno para uma paridade de vazamentos com potencial mútuo de constrangimentos. No caso do filme, a suposição é a de que, a partir da PF, comecem a ser conhecidas as informações que Flávio Bolsonaro (PL) prometeu, mas não forneceu, sobre as andanças dos milhões de Daniel Vorcaro de um fundo no Texas (EUA) até o caixa da Go Up Entertainment — e dali sabe-se lá para onde.

RECEBEU EMENDAS – A dona da produtora, Karina Ferreira da Gama, aparece como destinatária, por intermédio de duas agremiações, de recursos em emendas parlamentares de autoria de cinco deputados federais do campo da direita.

Da investigação compartilhada com a PF consta a suspeita de fraude em licitação da Prefeitura de São Paulo, no valor de R$ 108 milhões, vencida pelo Instituto Conhecer Brasil, também de Karina.

Material para o embate, portanto, não falta. A questão em aberto é a motivação para a guerra entre duas campanhas à Presidência da República. O problema não são os vazamentos, mas o fato de um lado servir de vidraça e o outro ficar livre para atirar as pedras.

NA CORDA BAMBA – Quando ficam os dois candidatos na berlinda, há respiros de alívio pelo equilíbrio restabelecido, como se não houvesse mal algum estarem na corda bamba esticada sobre um pântano, arriscados a enfiarem suas almas na lama.

Os candidatos fogem de cobranças e fazem de conta que não é com eles. Lula dá entrevistas mandando o filho se explicar, mas Lulinha não se explica, só reclama por intermédio da defesa. E Flávio Bolsonaro diz que não lhe cabe prestar contas de uma “página virada”.

É como estamos – sem a menor noção de onde iremos parar.

“A política virou um manicômio”: Augusto Cury se apresenta como alternativa à polarização

‘Nunca encontrei ambiente tão tóxico’, afirma o candidato

Bernardo Mello Franco
O Globo

Acostumado a atender pacientes psiquiátricos, o presidenciável Augusto Cury se diz impressionado com o que já viu em sua primeira campanha. “A política virou um manicômio. Nunca encontrei um ambiente tão tóxico”, diz o candidato do Avante ao Planalto.

No domingo, Cury estreou nos debates de TV. Apesar da experiência como palestrante, ele admite que não teve o desempenho esperado diante das câmeras. “Não conhecia as regras direito. E o clima estava tenso”, justifica-se.

PROTESTO – Antes de entrar no estúdio, o psiquiatra surpreendeu ao ameaçar ir embora em protesto contra as ausências de Lula e Flávio Bolsonaro. Após desistir da desistência, ele afirma que o rebuliço não foi um truque para chamar a atenção. “Não foi nada programado. Fiquei indignado de verdade”, assegura.

O psiquiatra afirma que seu principal obstáculo é o desconhecimento do eleitor. Embora diga ter vendido mais de 42 milhões de livros, ele aparece com apenas 2% das intenções de voto no Datafolha. “Existe uma ditadura do algoritmo. Mais de 80% das pessoas ainda não sabem que eu sou candidato”, desabafa.

No primeiro debate, Cury recitou frases típicas de seus best-sellers de autoajuda, como “a vida é breve e bela como uma gota de orvalho”. Em conversa com a coluna nesta segunda-feira, ele filosofou sobre a corrida eleitoral (“a beleza da democracia está na divergência”) e garantiu ser o único capaz de vencer a polarização. “Sou respeitado pelo Lula e pela direita. Por isso, posso liderar um pacto nacional para recuperar o país”, disse o autor de “Nunca desista de seus sonhos”.

A classe C não vê em Lula nem em Flávio a promessa de um futuro melhor, diz pesquisador

Imprensa tenta reduzir a importância da entrevista de Caiado ao Jornal Nacional

Caiado na TV Globo: como o ex-governador se saiu na entrevista? Veja as  notas e avaliações dos colunistas do GLOBO

Caiado enfrentou os apresentadores e deu show no JN

Carlos Newton

Está sendo comovente a reação da imprensa petista, que tenta desconhecer a importância das declarações de Ronaldo Caiado ao Jornal Nacional. Os portais e sites da imprensa amestrada tentam encontrar erros nas impressionantes afirmações do candidato do PSD, e dizem que ele desrespeitou os entrevistadores César Tralli e Renata Vasconcellos.

Caiado não desperdiçou a oportunidade. E ele próprio conduziu a entrevista, deixando atônitos os dois apresentadores, que se julgam o máximo, mas na verdade não têm gabarito para enfrentar um político de verdade, cuja família governou Goiás em três gerações sucessivas, com o avô, o pai e o próprio Caiado.

ESTRATÉGIA – Caiado adotou uma estratégia que enlouquece os apresentadores, que sempre se julgam mais importantes do que o convidado – ele começou a entrevista lembrando a Lava Jato, em que o Jornal Nacional colocava diariamente o governo Lula numa rede de esgotos, por onde escoavam os recursos públicos desviados.

Elogiar o que a TV Globo fez na Lava Jato mostrou ser uma forma inteligente de criticar o que a Organização dos irmãos Marinho está fazendo agora, pois desde que Lula assumiu o noticiário passou a ser petista, porque quem manda nas notícias das televisões é o cofre do Planalto.

Lula abriu as burras e domou a Globo, cujos donos têm telhado de vidro na Receita Federal e não podem brigar com nenhum governo. Mas quem se interessa por dignidade e espírito público na família de um argentário como Roberto Marinho? Aliás, foi ele que ensinou Silvio Santos e os demais empresários da comunicação a fazer tudo por dinheiro.

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P.S. –
Ronaldo Caiado deu um show de política. Mostrou que é o melhor candidato, disparado. Se os brasileiros tiverem juízo, vão elegê-lo, porque ele pode fazer um governo digno e eficaz como Itamar Franco, um brasileiro que merece ser um nome da História, mas ainda não é reconhecido da forma que deveria ser. (C.N.)

Flávio e Lulinha envolvidos em escândalos que desmoralizam a política nacional

Tanto Flávio quanto Lulinha têm contra si acusações sérias

Celso Rocha de Barros
Folha

Tanto o filho mais velho do Bolsonaro quanto o filho mais velho do Lula têm contra si acusações sérias. Mas os escândalos envolvendo os dois são de tamanhos muito diferentes. E só um dos dois, felizmente, é candidato a presidente.

Lulinha é acusado de ter se associado à lobista Roberta Luchsinger para conseguir que o Ministério da Saúde comprasse remédios à base de canabidiol sem licitação. O negócio não foi fechado porque o lobista chefe de Roberta foi pego antes no escândalo do INSS.

CONTRATO BILIONÁRIO – Segundo as notícias, a lobista enviou uma minuta de contrato ao chefe de gabinete de Lula, com o valor de R$ 626 milhões por 1,2 milhões de frascos (dá R$ 521,67 por frasco). Se o canabidiol for um remédio desnecessário (não tenho ideia se é ou não, não sou médico), o desvio total seria esse. Se é um remédio útil que teria sido superfaturado, o desvio seria o valor (certamente menor) do superfaturamento.

Tentei calcular esse valor, mas o contrato ainda não foi divulgado. Sem ele, não sabemos qual é a concentração do canabidiol ou o volume de cada frasco, e fica difícil comparar os preços com os do mercado. Quem tiver acesso ao contrato pode estimar o superfaturamento utilizando os preços listados no site Fitocanabica.com.br e o desconto padrão do SUS para compras em grande escala. Não sabemos quanto do valor superfaturado teria ido para Lulinha, Roberta ou outros participantes do esquema.

CASO MASTER –  Flávio Bolsonaro recebeu, comprovadamente, R$ 60 milhões (e a promessa de mais R$ 60 milhões) do dono do Master. Se todas as suspeitas contra ele forem verdadeiras, esse dinheiro foi dado a Flávio como recompensa pelos bilhões em dinheiro público que o bolsonarismo deu ao banco: foram R$ 3,6 bilhões dos aposentados do Rio de Janeiro, entregues ao Master pelo governador bolsonarista Cláudio Castro; e cerca de R$ 9 bilhões (a estimativa só cresce) do Banco de Brasília, desaparecidos quando o governador bolsonarista Ibaneis Rocha tentou salvar o Master.

As estimativas do valor total do rombo efetivamente causado pelo banco estão em torno de R$ 60 bilhões, cem vezes mais do que a maior estimativa do valor que teria sido desviado se o lobby de Lulinha tivesse dado certo.

Uma comparação mais apropriada com o caso Lulinha seria a que Flávio Bolsonaro fez quando levou Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, ao BNDES em 2020 para discutir, segundo Flávio, investimentos em conexão para a internet. Também era lobby, como no caso do canabidiol.

SUPERFATURAMENTO – Maximiano depois foi acusado de vender vacinas superfaturadas durante a pandemia. Se foi disso que Flávio tratou no BNDES, estou sendo injusto com Lulinha: pouca coisa é tão ruim quanto lobby por vacina superfaturada em meio a uma pandemia, durante a qual o pai de Flávio foi responsável por, pelo menos, 145 mil mortos —justamente por ter se recusado a comprar vacinas oferecidas a preços normais.

O ministro André Mendonça precisa derrubar o sigilo dos inquéritos do Master, do canabidiol e do INSS. Só isso pode evitar que a eleição seja vencida por quem tiver mais dinheiro e amigos poderosos que lhe permitam planejar vazamentos e modular sua repercussão.

Depois do telefonema com Lula, Trump manda reabrir negociação sobre tarifaço