Governo Lula tenta aprovar regulação das big techs antes de novo Congresso

Congresso mais à direita no ano que vem pode travar projeto

Guilherme Pimenta
Raphael Di Cunto
Folha

Integrantes do governo Lula (PT) e parlamentares pretendem correr para votar até dezembro o projeto de lei da regulamentação concorrencial das big techs. A percepção é a de que há uma janela favorável para aprovação agora, que ficará mais estreita no próximo ano, quando o novo Congresso Nacional tomará posse.

Um dos impulsos são as investigações de possíveis inteferências no processo eleitoral. As denúncias levaram Lula a defender a regulação das big techs logo em seu discurso de vitória, no último dia 25. Só por este sinal, acreditam auxiliares do presidente, o assunto ganhará tração.

DISCUSSÃO – Relator do projeto na Câmara, o deputado Aliel Machado (PV-PR), conversou com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e levará a proposta para discussão com os líderes dos partidos em reunião na terça (3) para tentar chegar a um consenso sobre o texto. “Se não aprovar agora, depois é que não aprova. Temos que votar na Câmara e no Senado até o final do ano”, diz o deputado.

Na próxima legislatura, a bancada de direita crescerá na Câmara e no Senado, o que dificulta ainda mais a votação deste tipo de projeto. Nos últimos dois mandatos, o Congresso tentou avançar com assuntos como o combate a fake news, maior transparência dos algorítmos das redes e regulação das big techs, mas todas as propostas travaram diante da pressão da direita nas redes sociais.

CONCENTRAÇÃO DO MERCADO – O projeto de lei em discussão agora trata exclusivamente do combate à concentração de mercado no ambiente digital, sem avançar sobre o conteúdo. Ele cria poderes para o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) regular e fiscalizar as grandes empresas de tecnologia, em modelo semelhante ao realizado na União Europeia, que impõe uma regulamentação econômica prévia às empresas.

A proposta estabelece obrigações para empresas classificadas como de relevância sistêmica, buscando reduzir barreiras à concorrência antes que práticas monopolistas produzam efeitos anticompetitivos sobre o mercado. O texto tem como alvo companhias como Google, Meta (dona do Facebook, Instagram e WhatsApp), Microsoft, Uber, iFood, 99 e Amazon, entre outras.

Uma das principais críticas é que o projeto do governo estava com a redação muito aberta e poderia afetar empresas que não têm relação com as big techs. O relator apresentou um parecer para restringir as empresas que podem ser alvo do Cade, principalmente para reduzir a resistência de empresas fora do setor da tecnologia, mas as companhias consideraram as alterações como insuficientes.

FISCALIZAÇÃO – O projeto também cria no Cade uma Superintendência de Mercados Digitais, à parte da Superintendência-Geral, a quem hoje compete fiscalizar e abrir processos contra as big techs.

Embora o governo queira avançar com o texto este ano, ainda não houve conversa entre o Ministério da Fazenda e Aliel Machado depois das eleições. Partiu do relator a iniciativa de procurar Motta para pedir a votação. O presidente da Câmara disse à Folha que deseja votar o projeto, mas que não fará isso com pressa e que é preciso negociar com os líderes um texto que seja possível aprovar.

EXPECTATIVA – Havia expectativa de que o texto fosse levado à votação na Câmara antes das eleições, mas, como faltou consenso no Congresso, o projeto ficou paralisado. Parlamentares ligados ao setor produtivo criticaram a possibilidade de que empresas de fora do setor de tecnologia fossem afetadas. Além disso, o próprio governo colocou o pé no freio, já que a diplomacia americana entrou em campo para atuar contra o texto.

Logo no seu primeiro discurso após derrotar Flávio Bolsonaro (PL), Lula disse que regulará as big techs. “Tivemos que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais”, afirmou.

Os partidos do centrão também desejam tratar do tema, após perderem espaço no Congresso para a direita, com forte atuação nas redes sociais. Motta já anunciou a discussão de um projeto de lei para regular a propaganda eleitoral na internet e evitar o impulsionamento de candidatos pelas empresas. Por outro lado, a “bancada digital” eleita este ano quer reverter parte da regulação das big techs e atuar contra qualquer tipo de controle

Gilmar dispara contra Nunes Marques: “Silêncios e hesitações não são neutros”

Gilmar Mendes dá indireta a Nunes Marques

Sarah Teófilo
O Globo

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou a rede social X para publicar uma indireta ao colega de Corte, o ministro Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Gilmar afirmou que espera-se uma postura de “árbitro” do presidente do TSE e ressaltou que quem assegurou uma eleição dentro das regras foi o colegiado da Corte.

“Foi o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral que assegurou que a disputa transcorresse dentro das regras do jogo democrático. (…) De quem está na condução do órgão que organiza o pleito espera-se a postura de árbitro equidistante que a Constituição pressupõe”, escreveu.

SILÊNCIOS E HESITAÇÕES – O ministro ainda afirmou que “na condução de órgãos de elevada importância, um aspecto precisa ficar claro: silêncios e hesitações não são neutros”. “Podem abrir espaço para decisões contraditórias, levar outras instâncias a suprir, pelas vias próprias, o que poderia ter sido resolvido desde a origem e servir de pretexto a quem insiste em atacar um sistema eleitoral íntegro e confiável. Desta vez, a colegialidade cumpriu seu papel. A solidez do processo eleitoral, contudo, não pode depender apenas da força do colegiado”, disse.

A postura de Nunes Marques como presidente do TSE foi criticada por colegas das duas Cortes. Entre os episódios citados, está a tentativa de derrubar o canal de WhatsApp “Exército de Lula”, que alcançou mais de 10 milhões de seguidores. O corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva suspendeu preliminarmente a ordem de Nunes Marques e depois o ministro Floriano de Azevedo Marques decidiu que o canal não poderia ser suspenso por decisão administrativa.

QUEIXAS – Também houve queixas por ele não ter tomado um posição diante dos relatos de falta de ônibus em cidades do Nordeste, reduto eleitoral de Lula, o que levou o ministro Cristiano Zanin, do STF, a decidir estender a votação em todo o país por mais duas horas.

A decisão ocorreu quando as urnas em alguns locais já haviam sido lacradas. No fim, apenas 35 mil votos foram registrados após às 17h, mas a ação foi o suficiente para fomentar críticas e teorias de fraude eleitoral por parte do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi candidato à Presidência, e seus aliados.

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Lideranças evangélicas se afastam de Flávio Bolsonaro após derrota e reação golpista

Igrejas criticaram postura do candidato do PL

Bernardo Mello
Fernanda Alves
O Globo

Depois de ensaiarem uma neutralidade na eleição presidencial e terem aderido com mais vigor à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, lideranças evangélicas de igrejas como a Universal e as Assembleias de Deus passaram a adotar um distanciamento estratégico do grupo político do senador, em especial após a tentativa do candidato derrotado ao Planalto de contestar o resultado das urnas e a fuga para os Estados Unidos.

O vaivém de pastores em relação a Flávio ocorre em meio ao desempenho abaixo do esperado, em outubro, de políticos ligados ao segmento: enquanto nomes do bolsonarismo aumentaram suas votações com acenos aos fiéis, parlamentares apoiados por igrejas perderam espaço e acabaram não se reelegendo.

AFAGOS NOS EUA – Nesta segunda-feira, em mais um momento simbólico da busca bolsonarista por apoio no meio evangélico, Flávio recebeu afagos ao participar de um culto organizado por pastores brasileiros na Flórida. Ao lado do irmão Eduardo e das respectivas esposas, o senador escolheu a agenda religiosa como primeira aparição pública após deixar o Brasil.

Lideranças das maiores igrejas do Brasil, porém, têm procurado demarcar distância de Flávio desde a derrota eleitoral e da publicação de uma carta com teor golpista após a chegada aos EUA, na semana passada. No dia seguinte à eleição, o bispo Alessandro Paschoall, uma espécie de porta-voz de assuntos políticos da Universal, republicou o trecho de um culto no qual o bispo Edir Macedo, líder da igreja, afirma não concordar com o lema “Deus, pátria e família”, usado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

— Na Universal, nós priorizamos essa hierarquia: primeiro Deus, depois família, e depois o resto. Não concordo com essa teoria “Deus, pátria e família”. Porque se não houver família, vai haver pátria? Impossível. Só há pátria se vier da família, que vem de Deus — discorreu Macedo na ocasião.

POSTURA DÚBIA – A fala do bispo ocorreu na manhã da votação do segundo turno, após uma postura dúbia da Universal na campanha: políticos ligados à igreja, como o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, apoiaram Flávio no embate direto contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas pastores próximos a Macedo ficaram em cima do muro.

Paschoall, por exemplo, publicou vídeos afirmando que seu espectro político “não é de direita ou de esquerda, e sim do reino de Deus”. Ele também lamentou derrotas de candidatos da Universal ao Legislativo: como mostrou O GLOBO no mês passado, metade dos 12 deputados federais da igreja fracassou nas tentativas de recondução à Câmara.

O cenário destoa do adotado pela Universal nas eleições de 2018 e 2022, quando Macedo declarou apoio a Bolsonaro, e líderes da igreja alegaram que cristãos não poderiam votar na esquerda. Reservadamente, pessoas próximas à igreja fazem a avaliação de que a adesão à direita beneficiou mais o bolsonarismo do que a própria congregação, que perdeu espaços.

CAUTELA – Já o bispo Inaldo Silva, vereador pelo Republicanos no Rio, considera a declaração de Macedo neste ano não uma represália a Flávio, mas sim uma tentativa de evitar atritos internos.

— Não podemos subestimar alguém que teve mais de 60 milhões de votos. A neutralidade veio porque a gente acaba escolhendo um lado e perdendo muito, na nossa comunidade há pessoas da direita e da esquerda — diz.

Na Assembleia de Deus de Madureira, que apoiou Flávio no segundo turno após seus candidatos ao Legislativo também terem amargado derrotas em estados como São Paulo e Rio, o bispo Abner Ferreira reconheceu a vitória de Lula já no dia seguinte à eleição. Antes, ele chegou a participar de um culto em outubro, no Rio, no qual seu irmão, o bispo Samuel Ferreira, recomendou voto em Flávio. Na última segunda-feira, porém, Abner publicou um longo texto nas redes sociais afirmando que a democracia “exige maturidade, equilíbrio e respeito às decisões populares, independentemente das convicções e preferências individuais”.

SEM TERCEIRO TURNO – Outros pastores que apoiavam Flávio seguiram a mesma linha. O bispo JB Carvalho, responsável pela Comunidade das Nações, igreja de Brasília onde Flávio foi batizado em 2024, se manifestou na última quarta-feira dizendo que “as eleições terminaram” e que “não há terceiro turno”. Sem se referir a um interlocutor específico, ele também orientou que “pare de profetizar o caos”. No mesmo dia, o candidato derrotado do PL publicou uma carta, após fugir do Brasil, na qual se declarou “verdadeiro presidente eleito” e, em uma segunda versão, “líder” do país.

Líder da Igreja Fonte da Vida e também aliado de Flávio, o Apóstolo César Augusto afirmou, no dia seguinte à publicação da mensagem golpista, que não se arrependeu de seu voto, mas reprovou a reação do candidato do PL ao resultado:

— Numa derrota, você fica extremamente decepcionado. Nesse momento, o conselheiro tem que ter a sensatez de ajudar, equilibrar. Acho que ele foi muito mal orientado. Não concordo, mas não vejo como um problema de ele se achar ditador, não. Isso foi no calor da derrota. As eleições ocorreram, segundo a Justiça, de maneira legal, então vira-se a chave para olhar o futuro do país.

“PERSEGUIÇÃO” – “Outro que avaliou negativamente a postura de Flávio foi o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Em conversa reservada após a publicação da carta de Flávio, revelada pelo blog da colunista do O Globo Malu Gaspar, ele referiu-se aos “filhos de Bolsonaro” como “jumentos”. Publicamente, porém, o pastor argumentou que concordava com a fuga de Flávio do país, por considerá-lo um “perseguido político”.

Ex-presidente da bancada evangélica na Câmara e pastor da Assembleia de Deus, o deputado Eli Borges (Republicanos-TO) também afirmou ao O Globo concordar com a saída de Flávio do país, mas disse não ter lido a carta. Outros pastores que apoiavam Flávio, como José Wellington Jr., líder da Convenção Geral das Assembleias de Deus (CGADB), também silenciaram sobre a mensagem golpista.

TEOR TEOLÓGICO – Segundo Borges, declarações como a do bispo Edir Macedo mostram que o “teor teológico” se sobrepõe a eventuais desavenças políticas:

— Vejo ele (Macedo) como um teólogo querendo colocar as palavras de forma hierárquica, mas sem negar a essência do lema usado pelo bolsonarismo.

Por outro lado, em um sinal de que mantém apoio no meio evangélico, Flávio esteve ontem em um culto do Ministério Celeiro, nos EUA, ao lado do irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e das respectivas esposas. No culto, embora sem citar de forma explícita as eleições, o pastor José Maurício falou diretamente ao presidenciável derrotado do PL e e lhe fez um afago:

— Com Jesus você não perde. E, se perder, você está ganhando — disse no culto.

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Presidente ficará fora do país entre 9 e 16 de novembro

Sérgio Roxo
O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só deve, segundo aliados, começar a definir os ministros que vão compor o seu quarto mandato depois de voltar da viagem que fará à Turquia e às Filipinas, entre 9 e 16 de novembro.

De acordo com pessoas próximas, o presidente não tem tratado da escolha dos nomes que vão ocupar por enquanto, mas isso não impede que ocorram movimentações de bastidores de quadros que tentam se cacifar.

EXPECTATIVA – A tendência é que Lula comece as escolhas pelos titulares da Casa Civil e da Fazenda. Para o primeiro posto, os mais cotados são Fernando Haddad e Camilo Santana. Para o comando da equipe econômica, o vice Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, aparecem como os mais citados.

Uma das preocupações de Lula no momento tem sido manter a mobilização de eleitores que saíram às ruas no segundo turno. Nesta quinta-feira, o presidente recebeu o deputado André Janones (Rede-MG), que criou o canal de Whatsapp “Exército do Lula”, para um almoço no Alvorada. O petista anunciou em um áudio enviado no canal que na próxima semana fará um pronunciamento à nação e uma live nas redes sociais.

Janones é citado como um nome para comandar um possível ministério de Comunicação Digital. Durante o discurso da vitória no domingo na Paulista, o presidente disse que avalia a criação da pasta.

NOMES CERTOS – Também são considerados nomes certos, entre outros, no ministério do novo mandato o atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, da Saúde, Alexandre Padilha, do Planejamento, Bruno Moretti, além da ex-ministra Gleisi Hoffmann.

Lula deve embarcar no dia 9 de novembro para a cidade de Antália, na Turquia, onde será realizada a COP 31. Em seguida, fará uma visita de estado às Filipinas no dia 13. Nos dias 14 e 15, está prevista a participação do presidente brasileiro na Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), que ocorrerá nas Filipinas.

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Uma desesperada canção de amor mostra a desilução do poeta Augusto Meyer

E O POETA NÃO TEM MAIS PALAVRAS, PORQUE O AMOR ESTÁ LEVANDO TUDO, INCLUSIVE O SEU ORGULHO - Cariri é IssoPaulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, folclorista, ensaísta e poeta gaúcho Augusto Meyer (1902-1970), da Academia Brasileira de Letras, no poema “Gaita”, confessa que não tem mais palavras, porque seu amor não correspondido está levando sua vida, inclusive, seu orgulho.

GAITA
Augusto Meyer

Eu não tinha mais palavras,
Vida minha,
Palavras de bem-querer;
Eu tinha um campo de mágoas,
Vida minha,
Para colher.

Eu era uma sombra longa,
Vida minha,
Sem cantigas de embalar;
Tu passavas, tu sorrias,
Vida minha,
Sem me olhar.

Vida minha, tem pena,
Tem pena da minha vida!
Eu bem sei que vou passando
Como a tua sombra longa;
Eu bem sei que vou sonhar
Sem colher a tua vida,

Vida minha,
Sem ter mãos para acenar,
Eu bem sei que vais levando
Toda, toda a minha vida,
Vida minha, e o meu orgulho
Não tem voz para chamar.

Aos trancos, os Bolsonaros corroem o robusto capital político da família

Charge do J. Bosco (O Liberal)

Dora Kramer
O Globo

Os quase 60 milhões de brasileiros que optaram pelo candidato derrotado na eleição à Presidência tiveram seus votos inutilizados por ele. Em suma, foram feitos de palhaços.

No lance da fuga, de uma tacada, Flávio Bolsonaro (PL) revelou sua face golpista e mostrou-se um colosso em matéria de autodestruição. Virou as costas para o eleitorado, deixou no “ora, veja” os políticos aliados, provou-se inabilitado para liderar a oposição e lustrou de razão o equívoco tático de Alexandre de Moraes de retomar a ofensiva judicial na base da afobação.

FORAGIDOS – O senador em fim de mandato junta-se ao irmão deputado cassado e demais foragidos da Justiça homiziados nos Estados Unidos, para de lá viver a ilusão de ser “o verdadeiro presidente eleito”, o “líder do Brasil” ao molde de um perseguido político que, na realidade, é um investigado por crimes comuns.

A direita que foi até a boca da urna não chorou no velório. Todos os partidos, inclusive o PL do senador ora iludido, deixaram-no berrando sozinho. Ao autoproclamado líder da oposição, no momento faltam liderados. A conferir se o campo que o quase ex-senador pretende representar vai rever a posição e continuar prisioneiro de uma gente que desrespeita as regras ou se aproveita o ensejo para se libertar da política de arreganhos radicais.

A julgar pelo padrão de covardia na adversidade, lícito supor que o evadido em questão tremeria na base ante a enormidade e a gravidade dos problemas que teria de enfrentar caso tivesse alcançado o cargo que, vê-se, em boa hora a maioria lhe negou.

NOMES A ZELAR – Há, no campo que se aliou ao Bolsonaro da vez, políticos com nomes a zelar. Há também os oportunistas, o pessoal da arruaça digital e o contingente de reacionários. A uni-los, a sociedade no vexame.

No meio do desacerto, o certo é que mais um Bolsonaro sai da cena nacional. Ficam no Congresso Nacional os herdeiros: Carlos (PL-SC), Renato (PL-SP), Jair Renan (PL-SC) e Michelle (PL-DF) —dos quatro, a mais (única?) esperta.

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Sonho do general com a volta dos militares era pesadelo

Carlos Newton

Os militares adoram o poder, mas se recolheram aos quartéis e sumiram do mapa político devido ao fracasso da ditadura de 1964, que começou bem, ao fomentar o chamado “milagre brasileiro”, que transformou o Brasil no país de maior desenvolvimento econômico no século 20, mas depois se tornou um retumbante fracasso, com inflação descontrolada e moratória na dívida externa.

Essa passividade militar durou até 2015, no governo Dilma Rousseff, quando a então presidente nomeou o general Eduardo Villas Boas para o comando do Exército.

LINHA DURA – Villas Boas era um dos oficiais que jamais se conformaram com a devolução do poder aos civis, e decidiu assumir uma posição pró-ativa. O primeiro passo foi mandar a inteligência do Exército pesquisar se havia brasileiros saudosos do regime militar. E o resultado foi positivo.

A pesquisa mostrou que expressiva parcela de cidadãos estava disposta a votar num candidato militar que pudesse colocar ordem na atividade política, diminuir a corrupção etc. e tal.

De posse dessas informações, o comandante do Exército chegou à conclusão de que poderia utilizar a experiência de um militar na política, o capitão Jair Bolsonaro, que já estava no quinto mandato de deputado federal. Villas Boas convocou uma reunião com ele e o instruiu a lançar sua candidatura à Presidência, dizendo que as Forças Armadas iriam apoiá-lo com força total.

AVALIAÇÃO CORRETA – O general Villas Boas acertara em cheio a sua avaliação. Estávamos no apogeu da Lava Jato e a candidatura de Bolsonaro para pôr fim à corrupção logo ganhou apoio. Contraditoriamente, a corrupção era justamente uma especialidade secreta do deputado, já enriquecido ilicitamente com as rachadinhas e os negócios imobiliários em dinheiro vivo, mas o comandante do Exército não sabia nada disso, nem dava importância.

Quando essas peculiaridades vieram a público, mesmo assim Villas Boas não esmoreceu e continuou incentivando Bolsonaro. Houve então o atentado a faca, até hoje muito mal explicado, e Bolsonaro chegou ao poder nas urnas.

Simultaneamente, Villas Boas limpara o nome de Bolsonaro, dando por concluído o curso dele na Academia Militar das Agulhas Negras, e ainda lhe concedeu a Medalha do Pacificador, maior honraria do Exército, vejam bem a que ponto de desfaçatez a política pode levar.

CONTRATAÇÃO – A essa altura, o general já estava com a gravíssima doença Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Mesmo assim, Bolsonaro o contratou para supostamente trabalhar no Gabinete de Segurança Institucional, mas o objetivo era que o general continuasse morando no Comando Militar, onde recebia assistência médica permanente e gratuita.

A doença do general e as maluquices de Bolsonaro e dos filhos na trama do golpe jogaram no lixo o sonho militar de voltar ao poder, e assim Lula conseguiu se reeleger, apesar da rejeição cada vez maior a ele e ao PT.  

Flávio Bolsonaro perdeu a eleição, mas nada mudou. A família é tão despreparada e alucinada que continua acreditando em golpe militar, com ajuda de Donald Trump, Tio Patinhas, Homem-Aranha e Mulher-Maravilha, sem que nenhum parente ou amigo chame a ambulância psiquiátrica para internar essa gente.

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P.S.
– Em meio ao festival de besteiras que hoje caracteriza o noticiário político, surge a informação de que Lula vai substituir os comandantes militares. Para quê? Ora, para nada… Na verdade, Lula é tão despreparado quanto Bolsonaro. Até hoje, aos 81 anos, o petista ainda não descobriu que não se mexe em time que está ganhando. É desanimador. (C.N.)

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Omar Aziz volta a governar o Amazonas e refaz sua vitoriosa parceria com Lula

Omar Aziz se reúne com Lula para alinhar prioridades do Amazonas - A Crítica

Aziz fez campanha para Lula no segundo turno

Vicente Limongi Netto

O engenheiro civil e senador Omar Aziz (PSD), 68 anos de idade, volta a governar o Amazonas. Pertence ao primeiro time de confiança e lealdade ao presidente Lula da Silva. Homem de brio, direto, simples, positivo, diz na lata verdades que precisam ser ditas.

Foi secretário de Obras de Manaus e Secretário de Segurança do Amazonas, quando criou o vitorioso programa ronda dos bairros. Desportista, frequentador dos estádios de futebol, foi presidente e campeão pelo Nacional de Manaus. Os 3 estádios utilizados em Manaus foram construídos por Omar Aziz.

REGIME 6 POR 1 – Omar Aziz foi o relator no Senado da PEC que acabou com o regime 6 por 1. Presidiu com rigor a CPI da Covid, encarando, encurralando e desmascarando bolsonaristas.

A começar pelo filhinho 01 do mito de barro,  senador Flávio Miliciano, que achava que ia se criar, vociferando nas sessões contra  Omar Aziz e contra Renan Calheiros, firme relator da CPI.

Lembremos que o relatório de Calheiros revelou ao mundo os destrambelhos do presidente Jair Bolsonaro causando a morte de mais de 500 mil brasileiros, por falta da vacina.

GARRA E CONFIANÇA – Omar começou cedo na vida pública. Foi vereador, deputado estadual, vice-prefeito e vice-governador.  Encontrará o Amazonas com problemas administrativos e financeiros, mas tem garra e forças suficientes para enfrentar desafios e dificuldades, além de ter o apreço e estímulo de Lula.

Omar é incentivador e apoiador da política cultural, executada com competência na primeira gestão pelo secretário, jornalista, historiador e acadêmico, Robério Braga.

Omar atuou firme na restauração do Centro Histórico de Manaus. Criou e vai recriar a Clínica para deficientes químicos.

OUTRAS METAS – Da mesma forma vai  recriar a Secretaria para atender pessoas deficientes e especiais. Deu continuidade  aos festivais internacionais de Opera, criados pelo governador Amazonino Mendes, e torce pelo Boi Garantido, rival do Boi Caprichoso, atrações do Festival de Parintins, que está na agenda cultural do mundo inteiro. Em Parintins, ele criou o Liceus de Artes para Jovens.

Assume o Senado, na vaga de Omar, a pedagoga Cheila Moreira, do PT. O segundo suplente de Omar no senado, João Pedro, também é do PT. João foi senador durante 7 anos, na vaga de Alfredo Nascimento, indicado para Ministros dos Transportes nos governos Lula e Dilma. Alfredo foi eleito agora deputado federal, pelo PL.