Contra a vacina, Damares Alves assegura a derrota de Bolsonaro nas eleições

Damares atacou passaporte e abriu disque-denúncia a antivacinas

Pedro do Coutto

Damares Alves, ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, assegurou ontem a derrota de Bolsonaro nas eleições de outubro ao divulgar mensagem condenando as medidas a favor da vacinação e atacando a exigência de passaporte já estabelecida por grande número de estados, municípios, empresas privadas e órgãos da administração pública.

Reportagem excelente de Vinicius Sassine, tornou-se a manchete principal da edição de ontem da Folha de S. Paulo. Aconselhando absurdamente as pessoas a recorrerem ao disque-denúncia, a ministra da Mulher e da Família não apenas prejudica a campanha de vacinação, divulgada pelo próprio governo federal, mas também contribuiu para congestionar o acesso ao disque-denúncia, além de com isso bloquear casos urgentes de pedidos de socorro. Entre os pedidos de socorro, claro, os relativos à violência doméstica contra a mulher.

DESASTRE CONTRA BOLSONARO – Sob o ponto de vista eleitoral, Damares  Alves cometeu um desastre contra o presidente Jair Bolsonaro que, como suas atitudes comprovam, não atribui maior importância ao voto dos eleitores e eleitoras que se empenham em se vacinar, bem como seus filhos e netos.

Não se pode compreender o que Damares  Alves pretende com a sua atitude. Já a posição do presidente da República tornou-se conhecida de toda a população. Ocorre que tanto Jair Bolsonaro quanto Damares  Alves não levam em consideração o reflexo nas urnas da nova investida contra as vacinas e a vacinação.

O posicionamento da ministra, divulgado ontem, só pode provocar perplexidade internacional e afastar parcela ainda maior do eleitorado contra a reeleição. Basta ver que de acordo com o Datafolha em pesquisa recente, 81% dos homens e mulheres são totalmente favoráveis, como não poderia deixar de ser, à vacinação.

NA CONTRAMÃO – O mundo inteiro está desenvolvendo campanhas pela vacinação. No Brasil, a ministra da Mulher e da Família coloca-se contra e propõe que as pessoas reajam à exigência de vacinação como devem reagir à violência doméstica e ao machismo. Damares  Alves confirmou com antecedência o resultado das eleições de outubro que se aproxima.

A Organização Mundial de Saúde e o mundo científico brasileiro e mundial certamente ficaram perplexos com a  iniciativa da ministra Damares  Alves.  Quanto a Jair Bolsonaro sua posição já era conhecida, mas não se esperava que uma ministra de seu governo chegasse a tal ponto.

CLOROQUINA – Na mesma edição da Folha de S. Paulo, Matheus Vargas destaca e analisa a nova decisão do ministro Marcelo Queiroga a respeito da cloroquina. Os conselhos dos secretários de Saúde estaduais e municipais manifestaram-se na quinta-feira contra a nota do secretário de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde a favor da hidroxicloroquina.

A nota do secretário foi um desastre absoluto. Apesar disso, o ministro Marcelo Queiroga negou o atendimento imediato à proposta e pediu tempo para analisar o caso, embora o mundo científico já tenha condenado o uso da cloroquina contra a Covid-19. Sem dúvida alguma, existe uma sombra do Ministério da Saúde contra a condenação a um processo médico já amplamente considerado ineficaz.

REFORMA AGRÁRIA – A reforma agrária foi um dos principais temas da sucessão presidencial de 1960 vencida por Jânio Quadros que renunciou em agosto de 1961, criando uma crise política que até hoje não conseguiu ser totalmente superada.

No governo João Goulart, o tema voltou à pauta e o decreto que previa a desapropriação de terras ociosas criou uma tempestade no país pelo exagero das medidas, a principal delas a desapropriação compulsória de terras improdutivas a 10 quilômetros das rodovias, ferrovias, hidrovias e açudes.

FREIO AO PROGRESSO –  Fábio Pupo, também na Folha de S. Paulo de ontem, revela que o governo Bolsonaro pretende acabar com o imposto de 0,2% sobre a folha salarial das empresas para execução da reforma agrária. Inúmeros casos registrados nas áreas rurais dão conta da permanência de regime idêntico ao da escravidão ou então caracterizado por uma semi-escravidão repugnante e que representa um freio ao próprio progresso do país.

Vale lembrar que o ministro Roberto Campos em 1965 criou o Estatuto da Terra para dar curso a um processo capitalista de reforma agrária. Mais de 50 anos depois, a questão não foi enfrentada frontalmente e está longe de ser resolvida. Sem a reforma agrária o Brasil perde uma nova fonte de consumo e um caminho efetivo e legítimo para combater o desemprego.

SELEÇÃO JOGA MAL –  É claro que o juiz tumultuou a partida entre o Brasil e o Equador, quinta-feira, em Quito. Mas vale a pena assinalar que a seleção de Tite não esteve bem na partida. O modo de jogar está muito dependente de um esquema tático a partir da troca de passes curtos no meio de campo.

Esse estilo distancia o ataque brasileiro da área adversária, ao contrário dos lançamentos longos. Faltou também um homem na frente, reduzindo a distância entre o nosso ataque e a área adversária. Veremos agora contra o Paraguai se a seleção de ouro melhora. Vamos torcer e aguardar.

Cidadania pode formar federação com PSDB ou Podemos, para fortalecer a terceira via

 (crédito: Roque de Sá / Agencia Senado)

Alessandro Vieira está confiante nas chances da terceira via

Raphael Felice
Correio Braziliense

O senador Alessandro Vieira, pré-candidato à Presidência pelo Cidadania, publicou em seu Twitter nesta quinta-feira (27/1) a possibilidade de o partido formar federações com o PSDB, de João Doria, e o Podemos, de Sergio Moro. Segundo o parlamentar de Sergipe, uma aliança com qualquer uma das siglas precisa de mais negociações para avançar.

“A possibilidade de federação, seja com PSDB ou Podemos, exige ajuste coerente de programa comum e garantia de mecanismos justos e transparentes de atuação conjunta durante quatro anos, em especial para definição de candidaturas e formação de chapas em todas as esferas, sem imposições”, divulgou nas redes sociais.

ALIANÇAS PARTIDÁRIAS – O senador, que alcançou maior visibilidade por sua atuação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da covid-19, é responsável por coordenar um comitê do Cidadania para firmar alianças partidárias para as eleições em outubro deste ano.

Segundo Vieira, o partido quer fortalecer uma das candidaturas da terceira via para furar a polarização Lula-Bolsonaro, e acertar apoio com partido que demonstrar as ‘melhores ideias e projeto de país’.

 Apesar de pré-candidato, o senador afirma que sua presença como vice em uma eventual federação com Podemos ou PSDB não é considerada determinante para fechar acordo.

 

EM ANDAMENTO – “As conversas com Podemos e PSDB estão em andamento. Os contatos são feitos entre os presidentes do partido e os pré-candidatos. O Cidadania quer buscar um caminho que fortaleça a terceira via, mas que mantenha valores que são essenciais para nosso partido, como fortalecer a educação e o combate à corrupção” disse o senador Alessandro Vieira, acrescentando:

“Nós precisamos de boas ideias no programa de governo e, respeitando esses valores, a gente deve se aproximar de um acordo para fechar a federação de partidos. No caso, a minha presença na chapa presidencial é o menos importante”, concluiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Cidadania é um grande reforço para a candidatura da terceira via, sem a menor dúvida, não interessa se federação for encabeçada pelo PSDB ou pelo Podemos. Os candidatos João Doria e Sérgio Moro já se comprometeram a apoiar o candidato alternativo que tiver mais chance de derrotar Lula e Bolsonaro. Isso significa que a federação e o fortalecimento da terceira visa dependem apenas da proximidade das eleições. Portanto, é só uma questão de tempo. (C.N.)

O lirismo das cirandas encantadas, na visão brasileiríssima de Edu Lobo e Capinam

José Carlos Capinam - Alchetron, The Free Social Encyclopedia

Capinam, um dos maiores letristas da MPB

Paulo Peres
Poemas & Canções

O médico, publicitário, poeta e letrista baiano José Carlos Capinam, nos versos de “Cirandeiro”,  em parceria com Edu Lobo, invoca o lirismo das estórias encantadas que lembram as brincadeiras da infância no sertão nas cidades do interior. A música foi gravada no LP Edu e Bethânia, em 1967, pela Elenco.

CIRANDEIRO
Edu Lobo e Capinam

Ó cirandeiro, ó cirandeiro, ó
A pedra do teu anel
Brilha mais do que o sol
A ciranda de estrelas
Caminhando pelo céu
É o luar da lua cheia
É o farol de Santarém
Não é lua nem estrela
É saudade clareando
Nos olhinhos de meu bem

A ciranda de sereno
Visitando a madrugada
O espanto achei dormindo
Nos sonhos da namorada
Que serena dorme e sonha
Carregada pelo vento
Num andor de nuvem clara

São sete estrelas correndo
Sete juras a jurar
Três Marias, Três Marias
Se cuidem de bom cuidar
No amor e o juramento
Que a estrela D’alva chora

Para garantir a vitória, Lula tenta unir Kassab e Alckmin, mas ainda está muito difícil

Como é o sítio de Alckmin no interior de SP, aonde ele vai em vôos oficiais  com a mulher fazer marketing

Alckmin preferiu ir para seu sitio e sumiu de circulação

Vera Rosa
Estadão

Disposto a formar uma frente ampla contra o bolsonarismo ainda no primeiro turno da eleição, Luiz Inácio Lula da Silva terá uma reunião com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, nos próximos dias, e vai insistir no pedido de apoio à sua campanha. Em conversa com aliados, Lula dá como certa a aliança com o ex-governador Geraldo Alckmin para vice na chapa à Presidência, mas está à procura de um partido que possa ajudar nessa empreitada, caso as negociações com o PSB emperrem.

Kassab ainda diz que pretende lançar o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), ao Palácio do Planalto. Pacheco, porém, aparece com apenas 1% na maioria das pesquisas de intenção de voto e “mergulhou” durante o recesso parlamentar. Na prática, embora tenha se filiado ao PSD há exatos três meses, em cerimônia na qual vestiu o figurino de “novo JK”, o senador mineiro não assumiu a campanha.

AVALIAÇÃO – “Nós combinamos de fazer uma avaliação final em março”, disse Kassab ao Estadão, numa referência ao cenário eleitoral. “Mas tenho certeza de que Pacheco será candidato.”

Com o discurso de que é preciso união nacional para derrotar o presidente Jair Bolsonaro e, depois, um “mutirão” para conseguir governar, Lula vê na apatia de Pacheco a nova oportunidade para atrair Kassab, ex-ministro das Cidades no governo Dilma Rousseff.

Kassab deixou a gestão petista em abril de 2016, após o PSD ter decidido apoiar o impeachment de Dilma, e em seguida comandou o Ministério das Comunicações no governo de Michel Temer. No fim do ano passado, diante da falta de acordo com o PSB sobre candidaturas e palanques estaduais, Lula chegou a sugerir que o ex-ministro convidasse Alckmin, mais uma vez, para se filiar ao PSD. Kassab não gostou e respondeu que o ex-tucano não se decidia nunca.

ESPERANDO ALCKMIN – Apesar de resistências no próprio PT, a dobradinha entre Lula e Alckmin é vista como favas contadas pela cúpula do partido, mesmo que esse casamento seja selado por outra legenda. “Espero que o Alckmin escolha o partido político adequado, que faça aliança com o PT”, disse Lula, nesta quarta-feira, dia 26, em entrevista à rádio CBN Vale, de São José dos Campos. “Espero que o PT compreenda a necessidade de fazer aliança.”

São Paulo é, hoje, o principal entrave nas negociações, uma vez que o PT não abre mão da candidatura do ex-prefeito Fernando Haddad ao Palácio dos Bandeirantes.

Alckmin prefere ser vice de Lula pelo PSB, mas tem convites de outros partidos, como o Solidariedade e o PV. As duas siglas, porém, são pequenas e não contam com a estrutura considerada necessária para a campanha.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Conforme a Tribuna da Internet tem informado, Alckmin já percebeu que estava sendo usado por personagens como Lula e Kassab. Preferiu submergir e aguardar os acontecimentos. Ser vice de Lula pode ser um bom negócio, mas acontece que Alckmin é líder nas pesquisas para o governo de São Paulo, mesmo tendo abandonado o PSDB. E Kassab também quer ser vice de Lula. Nada está definido. Alckmin tem cara de otário, porém é muito mais esperto do que se pensa. (C.N.)

Objetivo de Putin não é tomar a Ucrânia: ele quer limitar a interferência dos EUA na Europa 

Joe Biden and Vladimir Putin to hold talks amid Ukraine tensions, issues  settled - The Post Reader

A nova “guerra-fria” avança, devido ao problema da Ucrânia

Fiona Hill
The New York Times

“George, você precisa entender que a Ucrânia não é um país.” Estas foram as palavras de Vladimir Putin ao presidente George W. Bush em Bucareste, na cúpula da Otan, em 2008. Ele estava furioso. A Otan havia anunciado que Ucrânia e Geórgia seriam aceitas na aliança – uma promessa explícita, mas sem cronograma específico.

Na época, eu era oficial de inteligência e alertei que Putin veria o fato como provocação. Mas os avisos foram em vão. Quatro meses depois, a Rússia invadiu a Geórgia – e a Ucrânia recuou da adesão à Otan. Mas, em 2014, os ucranianos quiseram assinar um acordo com a União Europeia e Moscou atacou de novo. Acusando Kiev de querer entrar na Otan pela porta dos fundos, os russos anexaram a Crimeia e promoveram uma guerra na região de Donbas, leste da Ucrânia.

OBJETIVO MAIOR – As reações silenciosas encorajaram Putin. Agora, seu objetivo é maior – ele quer expulsar os EUA da Europa. Após mais de duas décadas analisando Putin, está claro que suas ações são intencionais. Ele quer dar aos EUA o mesmo remédio que a Rússia teve de engolir após o colapso da União Soviética. Putin acredita que os americanos estejam na mesma situação: enfraquecidos internamente e em retirada no exterior.

A Ucrânia é alvo da Rússia e fonte de influência sobre os EUA. Nos últimos meses, Putin colocou o presidente Joe Biden na defensiva: moveu forças para a fronteira, lançou jogos de guerra e agravou a crise.

Ele exigiu garantias de que a Ucrânia e outras ex-repúblicas da URSS nunca se tornarão membros da Otan e quer a retirada de suas forças das posições ocupadas após 1997.

NOVA CRISE DOS MÍSSEIS – Durante semanas, os americanos tentaram entender essas exigências. A Rússia estava não só desafiando a posição dos EUA na Europa, mas levantando questões sobre as bases do país no Japão e seu papel no Pacífico. Moscou deu a entender que poderia enviar mísseis para Cuba e Venezuela, revivendo a crise dos mísseis dos anos 60.

Putin é um mestre da indução coercitiva. Ele fabrica uma crise para vencer, não importa o que os outros façam. Ameaças e promessas são a mesma coisa.

Ele pode invadir a Ucrânia, deixar as coisas como estão ou apenas consolidar o território que já controla na Crimeia. Ele pode causar problemas no Japão e enviar mísseis a Cuba, dependendo do que acontecer na Europa.

XEQUE-MATE – Putin tem os EUA onde queria. Ao contrário de Biden, ele não precisa se preocupar com eleições, com a reação de seu partido, da oposição, com imprensa ou pesquisas. Ele faz o que quer, quando quer. Salvo problemas de saúde, os EUA terão de lidar com ele nos próximos anos.

Sair da crise atual requer ação, não reação. Os EUA precisam moldar a resposta diplomática e ditar os seus termos. É preciso mostrar a Putin que ele enfrentará resistência e riscos. Ao contrário da premissa de que a Ucrânia “não é um país de verdade”, ela é membro da ONU desde 1991.

Um ataque russo desafiaria o sistema internacional e colocaria em risco os arranjos que garantiram a soberania dos Estados desde a 2ª Guerra – como a invasão do Kuwait pelo Iraque, em 1990.

FRENTE AMPLA –  Os EUA devem levar a questão às Nações Unidas e colocá-la perante a Assembleia-Geral e o Conselho de Segurança. Mesmo que a Rússia bloqueie uma resolução, o futuro da Ucrânia merece uma resposta global. Os EUA também deveriam recorrer a outras instituições regionais. Por que a Rússia tenta levar suas disputas na Europa para a Ásia e as Américas? O que a Ucrânia tem a ver com Japão, Cuba e Venezuela?

Biden prometeu que a Rússia “pagará um alto preço” se invadir a Ucrânia. Se não houver punição, o ataque abrirá um precedente para outros países. Forjar uma frente ampla com aliados europeus e apoio internacional deve ser a resposta certa. Caso contrário, esta saga poderia de fato marcar o fim da presença militar dos EUA na Europa.

(Fiona Hill é ex-analista de inteligência dos EUA especializada em Rússia)

Bolsonaro chama cerco ao Telegram de “covardia” e indica que estuda medidas acautelatórias

Telegram to pay USD18.5 million, return investor money to settle SEC charges  - DTNext.in

Telegram funciona no Brasil totalmente à margem das leis

Marianna Holanda
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta quinta-feira (27) que o governo está tratando sobre o caso do Telegram, aplicativo de mensagens que entrou na mira do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada pela manhã, um apoiador o questionou: “E o Telegram?”.

Bolsonaro respondeu, sem entrar em detalhes sobre o que seria a covardia e quais seriam os seus autores: “É uma covardia o que estão querendo fazer com o Brasil”. Uma apoiadora completou a frase: “[É uma covardia] cortar a nossa comunicação”. O chefe do Executivo diz que não vai responder ao comentário. “A gente está tratando disso”, encerrou o assunto.

NA MIRA DO TSE – O aplicativo é alvo do TSE e está na mira de ao menos duas apurações, uma na Polícia Federal e outra no Ministério Público Federal. Como a coluna Painel da Folha mostrou, investigadores na esfera cível e criminal que atuam em apurações sobre disseminação de fake news, discurso de ódio e desinformação não veem muita saída além do bloqueio do Telegram no Brasil.

As autoridades vêm tentando contato com a empresa, sem sucesso, o que torna inviável aplicar multas ou fazer recomendações. Com pouca moderação e uma estrutura propícia à viralização, o Telegram é uma das preocupações do TSE para as eleições de 2022. Entretanto, ao tentar contato com a empresa, o órgão não obteve resposta.

A dificuldade de alcançar o Telegram, que não tem sede nem representante legal no país, está inserida em um debate maior sobre os desafios de tornar legislações nacionais efetivas em um mercado de serviços na internet cada vez mais globalizado.

DUAS OPÇÕES – Nesse cenário, as opções seriam: aceitar o crescimento desenfreado de uma plataforma que não atende aos contatos do Judiciário brasileiro ou bloquear o Telegram até que a empresa passe a dialogar.

A possibilidade do bloqueio do Telegram, como mostrou a Folha em recente reportagem, gera preocupação de parte dos especialistas na área, dadas as possíveis consequências da medida, que está inserida em um complexo debate não só da perspectiva legal como técnica. Por outro lado, o Telegram não responde às autoridades, tampouco a pedidos da imprensa.

De acordo com nota do TSE, o presidente do tribunal, ministro Luís Roberto Barroso, “entende que nenhum ator relevante no processo eleitoral de 2022 pode operar no Brasil sem representação jurídica adequada, responsável pelo cumprimento da legislação nacional e das decisões judiciais.”

VOLTA DO RECESSO – A nota diz ainda que “na volta do recesso, o presidente irá discutir internamente com os ministros as providências possíveis. O TSE já celebrou parcerias com quase todas as principais plataformas tecnológicas e não é desejável que haja exceções.”

Em 16 de dezembro, Barroso enviou um ofício ao Telegram, direcionado ao diretor executivo do aplicativo, Pavel Durov. Na comunicação, o ministro solicitou uma reunião para discutir possíveis formas de cooperação sobre o combate à desinformação.

Até o momento, porém, o tribunal não teria tido resposta ao email e tampouco o documento físico enviado foi recebido pela empresa, uma vez que as tentativas de entrega da carta na sede da empresa em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, não foram bem-sucedidas, aponta registro de rastreamento dos Correios.

SEM RESPOSTAS – Esta não foi a primeira tentativa do tribunal de contatar a plataforma. Em entrevista à Folha em junho do ano passado, a secretária-geral do TSE, Aline Osorio, já mencionava a dificuldade de alcançar a plataforma e definia o Telegram como um grande desafio para 2022.

Osorio comanda o Programa de Enfrentamento à Desinformação do TSE, por meio do qual foram firmadas parcerias com as principais plataformas, como Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp e Tik Tok, nas eleições de 2020. O objetivo do tribunal era que o Telegram integrasse o programa.

Criado no início de 2021, o canal de Bolsonaro no Telegram ultrapassou a marca simbólica de 1 milhão de inscritos em outubro, o que fez do atual presidente e candidato à reeleição líder absoluto no uso dessa ferramenta de comunicação. Em comparação, o líder nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tinha na ocasião menos de 36 mil usuários em seu canal, criado em junho de 2021.

 

Moro mostra que recebeu R$ 242,5 mil por mês e desafia Bolsonaro e Lula a abrirem as contas

Moro diz que recibos de Lula “não são materialmente falsos" | Agência Brasil

Moro guarda seus recibos, enquanto Lula e Bolsonaro…

Julia Lindner
O Globo

O ex-ministro e ex-juiz federal Sergio Moro revelou, durante transmissão ao vivo nas redes sociais, nesta sexta-feira, que recebeu US$ 45 mil por mês — o equivalente a R$ 242,5 mil, na cotação atual — pelo trabalho prestado para a consultoria internacional Alvarez & Marsal, onde trabalhou durante um ano, entre 2020 e 2021, nos Estados Unidos.

Na live, Moro contou ainda que ganhou, além dos US$ 45 mil por mês, um bônus de US$ 150 mil, o que equivale a cerca de R$ 800 mil. Dessa quantia, ele disse que devolveu R$ 67 mil em outubro do ano passado por ter encerrado o trabalho antes do tempo por sua pré-candidatura à presidência no Brasil.

MOSTROU RECIBOS – Ele expôs recibos com os valores que recebeu e disse que todas as quantias foram declaradas. Os valores foram pagos ao ex-ministro através de uma empresa em seu nome, a Moro Consultoria.

— Não tem nada de errado no que eu fiz no passado, mas vamos ser transparentes para iniciar uma nova era para que todos revelem os fatos. Esse processo do TCU é um abuso — afirmou, antes de revelar as quantias.

Ele fez menção do processo no Tribunal de Contas que apura se houve conflito de interesse na sua contratação pela empresa, que atuou na recuperação judicial do grupo Odebrecht e da OAS, alvos da Operação Lava Jato.

PALESTRAS DE LULA – Em outros momentos, Moro provocou adversários políticos. Ele disse que o ex-presidente Lula deveria expor os valores recebidos por palestras feitas pelo petista no passado.

Também afirmou que o presidente Jair Bolsonaro deve abrir as “contas da rachadinha” do período em que atuou como deputado federal e também de seus filhos.

— Se exigiram de mim ser transparente, que o Lula e o Bolsonaro sejam transparentes também, em rachadinha, em gabinete, em conta do sítio de Atibaia e as contas das palestras recebidas pelo Lula. Vamos abrir a campanha ‘abre as contas Bolso-Lula — declarou Moro.

SEM ENRIQUECER – Moro reconheceu que recebeu um “salário bom” para os padrões dos Estados Unidos e para função que ocupava, mas disse que está “longe de ter enriquecido” com o trabalho.

— Para evitar qualquer confusão eu pedi para colocar uma cláusula dizendo especificamente que eu não prestaria nenhum serviço para empresa envolvida na Lava Jato. Está no Congresso, dito expressamente — disse Moro.

O trecho mencionado por ele e lido em voz alta pelo deputado Kim Kataguiri, que acompanhou Moro durante a transmissão, cita nominalmente a Odebrecht como uma das empresas. Os documentos apresentados por Moro foram disponibilizados por ele nas redes sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG Realmente, seria interessante se Lula da Silva revelasse como poupou mais de R$ 12 milhões, em valores de 2017, sem falar no sítio enorme na beira da represa Billings, nos carros de luxo, nos cinco apartamentos – na verdade, seis, contando com a cobertura vizinha que “alugou” do amigo Costa Marques e juntou a seu apartamento, derrubando a parede divisória da sala. Quando a Polícia Federal chegou, os agentes se surpreenderam e viram que a cobertura de Lula estava duplicada… Bolsonaro também pode explicar seu império imobiliário, adquirido em diversas ocasiões com dinheiro vivo, como se tornou praxe na família. Vai ser divertido. Querem mostrar que Moro é corrupto, mas o ex-juiz tem provas e recibos. Quanto a Lula, fez dezenas de palestras a R$ 200 mil e R$ 300 mil, sempre andou acompanhado de seu fotógrafo pessoal Ricardo Stuckert, mas não existe um só registro dessas palestras, nem mesmo selfies feitas pelos patrocinadores… Essa campanha vai ser mesmo divertida. (C.N.)

Moraes nega recurso, reitera que Bolsonaro tem de depor, mas não acontecerá nada

Charge do Zé Dassilva: o depoimento do presidente | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Rosanne D’Agostino
G1 Brasília

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou na tarde desta sexta-feira (28) o pedido do presidente Jair Bolsonaro para não depor presencialmente à Polícia Federal. Moraes havia determinado nesta quinta (27) que Bolsonaro deveria prestar depoimento presencialmente nesta sexta, às 14h, em investigação que apura se o presidente vazou informações sigilosas em uma “live”.

No início da tarde desta sexta, porém, a Advocacia-Geral da União (AGU) entrou com o recurso no STF para que Bolsonaro não fosse obrigado a comparecer ao depoimento. Minutos depois, Moraes negou o pedido.

VEIO O ADVOGADO – Por volta de 14h, hora marcada para o depoimento, quem compareceu à sede da Polícia Federal, em Brasília, foi o advogado-geral da União, Bruno Bianco. Nesse horário, Bolsonaro continuava no Palácio do Planalto.

Moraes apontou, na decisão desta sexta, que o recurso foi apresentado fora do prazo pela AGU. O prazo para recorrer da tomada do depoimento, apontou ele, se encerrou no dia 6 de dezembro.

Além disso, o ministro afirmou que, diferentemente do que diz o recurso, Bolsonaro “concordou expressamente com seu depoimento pessoal”. E concluiu que a mudança de posição configura “preclusão lógica”, que ocorre uma parte em um processo ou investigação adota comportamentos que se contradizem.

DISSE MORAES – “Comportamentos processuais contraditórios são inadmissíveis e se sujeitam à preclusão lógica”, afirmou Moraes na decisão. “A alteração de posicionamento do investigado – que, expressamente assentiu em depor pessoalmente ‘em homenagem aos princípios da cooperação e boa-fé processuais’ – não afasta a preclusão já ocorrida”, escreveu.

No recurso, a AGU pediu a reconsideração da decisão de Moraes ou, caso não fosse aceito, que o recurso fosse submetido ao plenário do STF, a fim de que fosse reformada a decisão do ministro, “explicitando-se que ao agente político é garantida a escolha constitucional e convencional de não comparecimento em depoimento em seara investigativa”.

Em decisão de 2021, o ministro do STF já havia estabelecido que a PF tinha até esta sexta-feira para ouvir Jair Bolsonaro no inquérito. Até a tarde desta quinta – penúltimo dia do prazo –, no entanto, o depoimento ainda não tinha sido agendado.

VAZAMANTO ILEGAL – O inquérito foi aberto para investigar a divulgação feita por Jair Bolsonaro, em redes sociais, de dados e documentos sigilosos de um inquérito não concluído sobre ataques ao sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As informações da apuração foram distorcidas na “live” e tratadas como definitivas, mesmo sem a conclusão do inquérito pela polícia. A divulgação do inquérito sigiloso ocorreu em meio a uma série de ataques de Bolsonaro para colocar em dúvida a segurança das urnas eletrônicas.

O presidente da República chegou a publicar um link com a íntegra do inquérito sigiloso, que a PF não tinha sequer concluído. O inquérito vazado diz que um hacker teve acesso ao código-fonte da urnas eletrônicas em 2018 – o que não gerou qualquer consequência, porque não possibilitou alterar a votação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Bem, Moraes recusou o recurso. Até aí, morreu o Neves, como se dizia antigamente. Agora, o povo quer saber o que Moraes fará ou faria. Afinal, por que não remarcou o depoimento para segunda-feira? Ou, pior, por que deixou em aberto? Ora, ora, conforme adiantamos aqui na Tribuna, o presidente não prestaria o depoimento e nada aconteceria, rigorosamente nada, porque Bolsonaro se julga acima da lei e da ordem, na condição de comandante-em-chefe das Forças Armadas, uma situação que só existe quando o país está em guerra declarada. (C.N.)

Em plena crise, FAB quer comprar dois Airbus de longo alcance para substituir o Aerolula

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Os jatos A-330 da Airbus deixam no chinelo o famoso Aerolula

Igor Gielow
Folha

A Força Aérea Brasileira lançou nesta quinta-feira (27) um edital para a compra de dois aviões de transporte de longo alcance Airbus A330, prevendo gastar US$ 80,63 milhões (R$ 437,7 milhões hoje) no negócio. A compra vem na esteira da polêmica revisão do contrato de compra dos modelos KC-390 da Embraer.

Num acordo fechado em 2014, a Força gastaria R$ 11 bilhões (em valores corrigidos) para adquirir 28 cargueiros brasileiros, mas no ano passado exigiu um negócio para metade dessa frota.

RENEGOCIAÇÃO – “Estamos perto de finalizar os detalhes da renegociação, que é sempre um processo de atrito”, afirma o comandante da FAB, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior. Na mesa está a redução do pedido para talvez 14 aeronaves e também do preço final, devido a restrições orçamentárias. Questionado, ele dissocia os dois processos de compra.

O KC-390, sustenta, é um avião de uso pontual, tático. Carrega até 26 toneladas de carga e é multimissão, servindo de reabastecedor aéreo e para diversas funções. Vazio, percorre mais de 6.000 km. O A330 em modo militar transporta grande quantidade de passageiros e até 45 toneladas de carga, e voa 14,8 mil km vazio.

Essencialmente, são aviões para missões diferentes. Baptista Junior cita o envio de dois aviões Embraer-190 para resgatar brasileiros em Wuhan (China), no início da pandemia. Aquela viagem demandou quatro paradas, quando o uso de um A330 a faria com uma só escala.

EDITAL NO EUA – Buscando reduzir custos, a FAB lançou o edital na Comissão Aeronáutica de Washington, que cuida de negócios internacionais, requisitando dois A330 de uso civil fabricados a partir de 2014, com no máximo 28 mil horas de voo e capacidade operacional até 2054.

Os aparelhos, contudo, têm de ser adaptáveis ao padrão MRTT da Airbus, que prevê capacidade de reabastecimento aéreo.

Um MRTT zero quilômetro é caríssimo, de € 150 milhões (R$ 900 milhões) até o dobro disso. Uma conversão semelhante de A330 civis da Iberia, encomendada pelo governo da Espanha no ano passado, previa um custo unitário de R$ 225 milhões por avião, em linha do negócio proposto pelo Brasil.

REFORMA NA ESPANHA – A transformação deve ocorrer na Espanha, que tem a oficina da Airbus credenciada para o serviço. É possível executá-la na IAI israelense, mas aí pesou a mesma consideração que tirou da competição converter um Boeing-767.

A IAI é conhecida por serviços de excelência, mas não é a fabricante do avião. E a Boeing hoje não adapta seus 767, preferindo vender o novo KC-46, que é baseado naquele modelo civil. Um A330 convertido pela própria Airbus vem com garantias adicionais, na visão da FAB.

O novo avião, caso seja comprado, terá de ser entregue entre 90 dias (primeira unidade) e 150 dias (segunda). Ele suprirá uma lacuna aberta desde 2013, quando foi aposentado o último Boeing KC-137, o famoso Sucatão baseado no venerando 707, e desde 2019, quando um Boeing-767 alugado foi devolvido.

NA ERA DILMA – Em 2010, a Folha mostrou que o governo Dilma Rousseff (PT) queria comprar o mesmo modelo. Uma das unidades deveria ter a tal área VIP, substituindo assim o Airbus A319ACJ usado pela Presidência —o famoso Aerolula, comprado pelo antecessor da presidente.

O negócio não foi em frente, mas presidentes sempre se queixaram da autonomia menor do Aerolula, que obriga duas ou três paradas numa ida à Europa a partir de Brasília. Se Bolsonaro ou quem vier a sucedê-lo tiverem o A330 à mão, isso vira um voo direto.

Mas comprar um avião que pudesse virar o AeroBolsonaro ou alguma outra corruptela pior a esta altura, em ano eleitoral, seria um tiro no pé considerável.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem fala em dois “cargueiros”, mas isso “non ecziste”, diria espiritualmente o saudoso Padre Quevedo. O objetivo real do ectoplasma da negociação é comprar dois novos Aerolulas, de maior autonomia de voo, para facilitar as viagens do futuro governante, seja lá quem for. Como se trata de recursos públicos, pagos pelo povo, quem se interessa? (C.N.)

Bolsonaro falta a depoimento na PF e desmoraliza a ordem judicial do ministro Moraes

Obrigada, Bolsonaro

Jair Bolsonaro simplesmente desconheceu a ordem judicial

Julia Chaib, Marianna Holanda e José Marques
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (PL) decidiu não prestar depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (28) e irá recorrer, no Supremo Tribunal Federal, da decisão do ministro Alexandre de Moraes. O depoimento do presidente estava marcado para as 14h. Em seu lugar, compareceu o advogado-geral da União, Bruno Bianco, que apresentou um documento alegando o direito de ausência de Bolsonaro no interrogatório.

Segundo auxiliares palacianos, prevaleceu o entendimento da AGU de que ele não é obrigado a comparecer à PF, como determinou o ministro do STF na véspera. A AGU irá agora recorrer da decisão.

VAZAMENTO – A intimação para que o presidente falasse com os investigadores ocorre no âmbito do inquérito que apura vazamento de investigação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre ataque hacker às urnas.

Na manhã desta sexta-feira, interlocutores da AGU mantinham em conversas o mesmo posicionamento apresentado a Moraes em uma petição dois dias antes.

A avaliação de que Bolsonaro não é obrigado a depor se baseia em julgamentos do STF de duas ações (ADPF) sobre condução coercitiva. Em 2018, por maioria, o STF decidiu que o instrumento, que ganhou notoriedade em casos da Lava Jato, é inconstitucional e fere o direito do investigado de ficar em silêncio e não produzir provas contra si mesmo.

“INTERFERÊNCIAS” – ​Nesta sexta, mais cedo, mas sem citar o STF, Bolsonaro falou em “interferências” no Poder Executivo. “[Em 2021] enfrentamos também outras atribulações. Interferências no Executivo, as mais variadas possíveis”, disse.

“Sempre, da nossa parte, jogando com aquilo que nós temos e aquilo que nós juramos respeitar por ocasião da nossa posse, a nossa Constituição”, completou Bolsonaro.

Na manhã de hoje, durante o evento com a presença de Bolsonaro, a Secretaria de Comunicação não quis comentar a decisão de Moraes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
E agora, Moraes, vai encaminhar à Câmara pedido de impeachment de Jair Bolsonaro por crime de responsabilidade (descumprimento de ordem judicial)? Conforme antecipamos aqui na Tribuna, sua ordem judicial foi completamente desmoralizada pelo presidente Bolsonaro e não vai acontecer nada, rigorosamente nada. (C.N.)

Para reduzir fake news e ofensas na campanha, a suspensão do Telegram será inevitável

Charge O Tempo 17/06/2019 | O TEMPO

Charge do Duke (O Tempo)

Pablo Ortellado

O principal desafio para a regulação da campanha eleitoral é o que fazer com o Telegram. A empresa que opera o aplicativo — instalado em metade dos smartphones no Brasil — não tem representantes no país e não atende a determinações judiciais. Por isso, as obrigações e normas para as campanhas não seriam impostas a ele. O problema não é apenas brasileiro. A empresa também não responde a solicitações de governos europeus.

Com a migração de atores políticos para o Telegram e a aproximação da campanha no Brasil, é questão de tempo até que se evidencie a necessidade de suspendê-lo por descumprimento de suas obrigações legais.

VONTADE POLÍTICA – Haverá determinação política para suspender um aplicativo usado por milhões de brasileiros e meio de comunicação predileto do presidente da República?

O Telegram tem ampliado sua base de usuários desde 2021. Em janeiro daquele ano, seu principal concorrente, o WhatsApp, mudou a política de privacidade, e difundiu-se então o boato (infundado) de que passaria a compartilhar dados privados com o Facebook. No mesmo mês, após a invasão do Congresso americano, Trump foi banido do Twitter e do Facebook, e o Parler derrubado dos servidores da Amazon, gerando a busca por um aplicativo que não banisse o ativismo radical de direita.

Entre uma coisa e outra, o Telegram ganhou mais de 25 milhões de usuários em todo o mundo. No Brasil, sua base saltou de 19% da população com smartphone em agosto de 2019 para 53% em agosto de 2021. Há motivo para acreditar que esse número hoje seja maior, já que houve outra explosão de novos usuários depois do apagão no WhatsApp em outubro de 2021 (foram 70 milhões de novos usuários do Telegram em todo o mundo).

GUARDIÃO DA LIBERDADE? – O principal atrativo do aplicativo é a imagem de guardião da liberdade de expressão e da privacidade (ainda que, tecnicamente, sua criptografia ponta a ponta seja menos robusta que as do WhatsApp ou do Signal e não venha ativada por padrão como nos concorrentes).

STF, Ministério Público e TSE vêm tentando sem sucesso que o Telegram colabore com a Justiça brasileira. O TSE enviou dois e-mails à empresa pedindo uma reunião para definir estratégias de combate à desinformação nas eleições de outubro e não obteve resposta. Um ofício físico enviado à sede da companhia em Dubai nem sequer foi recebido. STF e Ministério Público também não conseguem contato.

O Telegram diz que cumpre ordens judiciais relativas a suas funcionalidades públicas, como canais e bots. Esse cumprimento se dá em temas como terrorismo ou violações de direitos autorais, mas, segundo o blog da empresa, não se aplica “a restrições locais sobre liberdade de expressão”, nem a funcionalidades privadas, o que seria contrário às convicções libertárias do fundador da empresa, Pavel Durov.

ACIMA DA LEI… – Em outras palavras, o Telegram escolhe as determinações judiciais que cumprirá: “Enquanto bloqueamos bots e canais terroristas, não bloquearemos ninguém que expresse pacificamente opiniões alternativas”.

Nos anos 2010, o Telegram chegou a colaborar com a Europol derrubando canais que promoviam o terrorismo islâmico. Mas a empresa vem deixando claro que a postura excepcional que adotou nos casos de terrorismo não se estende a outros temas. Em agosto de 2021, um grupo de ativistas contra as medidas sanitárias  tentou invadir o Parlamento alemão após boatos difundidos no Telegram, que não colaborou com as investigações.

Em janeiro deste ano, a primeira-ministra do estado de Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, na Alemanha, recebeu uma ameaça de morte no Telegram, semanas depois de uma multidão se dirigir à sua casa para protestar. O Telegram também não colaborou com as investigações. A ministra do Interior da Alemanha, Nancy Faeser, disse que, se o Telegram continuar não cooperando com a Justiça alemã, como um último recurso, será banido.

UMA BASE IMENSA – No Brasil, o Telegram tem uma base de usuários muito maior que a alemã, e o chefe do Executivo tem incentivado o uso do aplicativo para escapar das políticas de moderação das plataformas de mídia social.

Como o Telegram usa todo tipo de artifício para fugir da alçada da Justiça, e seu uso nas próximas eleições é potencialmente explosivo, a suspensão do aplicativo no Brasil parece inevitável.

A medida é drástica e será impopular. Banir o aplicativo no meio da disputa seria insensato. Então, é preciso amadurecer a ideia desde já e, se for o caso, suspendê-lo antes de a campanha começar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO Telegram é considerado fundamental para a campanha de Bolsonaro, que está enlouquecido com a possibilidade de o aplicativo ser banido na campanha eleitoral. (C.N.)

Governo desiste de propor a criação de fundo para estabilizar os preços dos combustíveis

Iotti: novo aumento da gasolina | GZH

Charge do Iotti (Gaúcha/ZeroHora)

Ana Flor
G1 Brasília

Em uma reunião tensa no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira (27), o governo federal desistiu da ideia de criar um fundo de estabilização para o preço dos combustíveis. A avaliação é de que não há recursos no caixa suficientes para amenizar a alta que já vem sendo registrada no preço do petróleo – e nem para frear o possível impacto adicional dos próximos meses.

O fundo de estabilização era o eixo central de uma proposta de Emenda à Constituição (PEC) que o governo queria enviar ao Congresso já na semana que vem. A intenção é tentar conter a alta dos combustíveis, que pode prejudicar a avaliação do governo Jair Bolsonaro em pleno ano eleitoral.

AMORTECER AUMENTOS? – Pela proposta desenhada inicialmente, o governo usaria parte da arrecadação com royalties de petróleo para abastecer esse fundo. Quando uma alta do petróleo no mercado internacional pressionasse os preços no Brasil, a Petrobras e outras importadoras de óleo poderiam recorrer ao fundo para “amortecer” o repasse aos consumidores.

Com a retirada do fundo, a PEC deve chegar ao Congresso contendo apenas a autorização para que o governo reduza – a zero, se necessário – tributos federais sobre o diesel e o gás de cozinha. Nesse formato, o governo pode decidir até enviar uma lei complementar, de tramitação mais simples.

O futuro senador e líder do governo no Senado, Alexandre Silveira (PSD-MG), estava na reunião. Suplente de Antonio Anastasia e ainda não empossado no mandato, Silveira deve ser o relator do projeto.

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PEC DOS COMBUSTÍVEIS DIVIDE OPINIÕES NO GOVERNO
Valdo Cruz      
G1 Brasília

A PEC dos Combustíveis, com a qual o presidente Jair Bolsonaro espera conter a alta da gasolina, do diesel e do gás de cozinha, sofre resistência dentro do próprio governo.

A proposta, que pode zerar ou reduzir tributos cobrados sobre combustíveis, deve ser enviada ao Congresso Nacional na semana que vem, quando os parlamentares retomarão os trabalhos.

Segundo apurou o blog, a área econômica avalia que o efeito esperado com a proposta pode ser anulado ou até mesmo ir no sentido contrário, contribuindo para a alta dos combustíveis no país. A principal crítica é a possibilidade de zerar ou reduzir tributos federais sem uma compensação com a criação de uma nova receita ou corte de despesas.

Se aceitar depor, Bolsonaro se desmoraliza; se não for, o desmoralizado será o ministro do STF

TRIBUNA DA INTERNET | Bolsonaro volta a criticar decisão que impediu posse  de Ramagem: “Brutal interferência do STF no Executivo”

Charge do Milton Cesar (midiamax)

Carlos Newton

Reportagem de Dimitrius Dantas, em O Globo, mostra que horas depois de o relator Alexandre de Moraes determinar que o presidente Jair Bolsonaro preste depoimento na sede da Polícia Federal em Brasília nesta sexta-feira, o Planalto publicou a agenda presidencial com apenas dois compromissos, um deles uma hora depois do horário previsto pelo ministro do Supremo (14 horas).

Como se sabe, Moraes determinou que o presidente Jair Bolsonaro compareça “pessoalmente” à Polícia Federal no Distrito para prestar depoimento sobre suspeita de vazamento de documentos sigilosos de uma investigação da PF.

NEM TE LIGO – Em tradução simultânea, isso significa que Bolsonaro não está dando a menor importância à ordem judicial de Moraes, irá depor apenas se quiser, e estamos conversados.

Na agenda pública, divulgada no final da noite desta quinta-feira, a Presidência incluiu apenas uma solenidade às 9 horas no Palácio do Planalto e despachos com o Subchefe de Assuntos Jurídicos da Presidência, Pedro Cesar Sousa, às 15 horas. no Palácio da Alvorada, mostrando que Bolsonaro decidiu antecipar o final de semana..

Diz o jornalista que Bolsonaro não é obrigado a incluir na sua agenda o depoimento à Polícia Federal, por não se tratar de um evento de caráter público, apenas pessoal, porém há controvérsias, porque ser convocado a depor significa ato obrigatório.

OUTRO DEPOIMENTO – Em novembro do ano passado, o presidente já prestou um depoimento no Palácio do Planalto. Na ocasião, respondeu a 13 perguntas dos investigadores, sobre acusação de interferir na própria Polícia Federal.

Desta vez, entretanto, Bolsonaro tem buscado adiar o depoimento. A decisão de Alexandre de Moraes, nesta quinta-feira, foi em resposta a um pedido da Advocacia-Geral da União para que Bolsonaro não comparecesse ao depoimento, cujo prazo vence nesta sexta-feira.

E à noite a Advocacia-Geral da União avisou que iria recorrer da decisão de Moraes que determinou o comparecimento pessoal à PF para depor.

NA FORMA DA LEI – A reportagem de O Globo assinala também que, como é investigado, Bolsonaro pode decidir se manter em silêncio durante o depoimento ou não comparecer. Motivo: prestar depoimento como investigado é um ato de defesa e, portanto, a pessoa se defende se quiser, explica o jornalista.

Em suma, Bolsonaro pode faltar ao compromisso judicial, tranquilamente, desmoralizando a ordem judicial de Moraes, que nada poderá fazer. Ou pode ir à PF e dar um rápido depoimento, respondendo às perguntas que bem entender. Neste caso, o próprio Bolsonaro é que estará sendo desmoralizado por Moraes.

Façam suas apostas.

Inflação não desacelera; ela acrescenta a si mesma e isso reduz os salários

Charge do Nef (Jornal de Brasília)

Pedro do Coutto

Na edição de ontem de O Globo, Julia Noia publicou matéria focalizando que o índice inflacionário previsto para janeiro, da ordem de 0,58%, será maior do que o esperado pelo governo, embora técnicos em matéria financeira considerem que o índice significa uma desaceleração porque o de dezembro de 2021 foi de 0,98%.

É a oportunidade que aparece para acentuar o fato de a espiral inflacionária na realidade não desacelerar, como os conservadores identificam, mas qualquer índice mensal verificado acima de zero significa uma adição à escalada inflacionária que o antecedeu.

ADITIVO – O processo inflacionário, de fato, não é substitutivo, é aditivo. Portanto, se a inflação de 2021, segundo o IBGE, fechou em 10,6%, a taxa de 0,58% em janeiro deste ano se adiciona ao resultado do exercício passado. Só poderia haver desaceleração quando o índice de um novo mês compensasse a inflação dos meses anteriores e incidisse sobre os números absolutos em relação aos quais a pesquisa anterior foi produzida.

Não ocorrendo isso, é claro, está havendo um acúmulo de índices mensais inflacionários, uns sobre os outros, não se calculando nesse caso o montante em consequência de uma inflação sobre as anteriores. Isso de um lado.

De outro, o processo inflacionário obviamente atinge os salários dos trabalhadores regidos pela CLT dos servidores das empresas estatais, também regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, e em relação ao funcionalismo público. Além disso, quando são liberados reajustes, eles sucedem a escalada inflacionária, e portanto voltam a perder a corrida a partir do mês seguinte ao do reajuste.

SEM REAJUSTE – No caso dos funcionários públicos, eles não têm reajuste desde 2017. Os reflexos se generalizam no poder de consumo, atingindo até os supermercados, o que revela que o processo social brasileiro está diminuindo e abalando seriamente a renda do trabalho.

Uma consequência clara da desvalorização salarial, decorrente da própria inflação não recomposta, é o endividamento das famílias que chega até a atingir  o pagamento das contas de energia elétrica e de gás. No O Globo de ontem, Bruno Góis, Vítor da Costa e Amanda Scatolini, publicaram excelente reportagem, destacando inclusive que a Light, fornecedora de energia, está oferecendo descontos em média de 80% nos parcelamentos mensais para enfrentar a inadimplência que já atinge um aumento de 2,6 milhões de pessoas em relação a 2020.

Rodney Argolo, gerente da cobrança da Light, destaca o objetivo de enfrentar a inadimplência. Na opinião de Izis Ferreira, economista da Confederação Nacional do Comércio, a inflação e os juros altos do mercado estão causando uma situação que ameaça o fornecimento de energia, sobretudo no Rio de Janeiro.

DÍVIDA PÚBLICA – O Tesouro Nacional divulgou na tarde de quarta-feira, e O Globo publicou em sua edição de ontem,  que a dívida pública do país avançou 12% em 2021 em relação a 2020, alcançando assim R$ 5,6 trilhões. Recentemente, escrevi que a dívida pública era de R$ 5,9 trilhões.

Fica aí, portanto, a retificação. Sobre o total de 5,6 trilhões incide os juros anuais de 9,25%, atual taxa Selic, o que faz com que as despesas só com os juros fiquem em torno de R$ 550 bilhões a cada 12 meses.

Não tendo recursos para pagar os juros, o Tesouro Nacional emite novos títulos, absorvido pelos bancos, fundos de investimentos, fundos de pensões das estatais, que significa uma capitalização dos próprios juros e um aumento do volume de papéis colocados no mercado. As despesas com os juros não são consideradas absurdamente no total dos gastos públicos.

DOSES PARADAS – Em sua edição de ontem, O Globo em matéria não assinada, revela que cerca de 31 milhões de doses da vacina Jansen contra a Covid-19 estão paradas há alguns meses em um galpão do Ministério da Saúde na cidade de Guarulhos. Eram 41 milhões de doses e só foram distribuídas 10 milhões a estados e municípios. Parte das vacinas estocadas para nada resultam de doação feita pelos Estados Unidos.

É incrível que tal fato possa ter acontecido exatamente num momento em que a ômicron se acrescenta como fator de transmissão de vírus a milhões de pessoas no país. A surpresa é maior ainda quando, como assinala  O Globo, parte do total armazenado resulta de doações, o que leva à contradição de por qual motivo as vacinas não foram distribuídas e aplicadas. A atuação do Ministério da Saúde é incompreensível.

IMPORTÂNCIA DOS MUSEUS – Numa excelente entrevista a Nelson Gobbi, O Globo de quarta-feira, a museóloga Vera de Alencar, há 27 anos diretora da Fundação Castro Maya, fala da importância dos museus e sobre o fato de eles, efetivamente no Brasil, serem mantidos  por apaixonados pela arte e pela importância da museologia. Não existe, disse a jovem de 77 anos, nenhum estímulo que parta dos governos. No próximo domingo, quando completa 27 anos à frente da Fundação Castro Maya, Vera de Alencar deixará o cargo por iniciativa própria.

A importância dos museus, no Brasil e no mundo, é enorme para a cultura. Inclusive vale destacar que as obras de arte não se substituem umas pelas outras, ao contrário, se adicionam nesse processo eterno do patrimônio do ser humano e de sua passagem pelo tempo, pela vida e pela produção ou admiração pela arte.

Moro aposta no MBL e no Vem pra Rua para turbinar a campanha digital nas redes sociais

Aliança. O deputado estadual Arthur do Val e Moro no evento de filiação de integrantes do MBL: impulso digital

O deputado Arthur do Val e Moro no evento de filiação do MBL

Lucas Mathias
O Globo

Atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do atual ocupante do posto, Jair Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto e no alcance nas redes sociais, o presidenciável Sergio Moro (Podemos) aposta no Movimento Brasil Livre (MBL) e no Vem pra Rua para alavancar sua campanha digital.

Integrantes do grupo MBL formalizaram nesta quarta-feira a entrada no partido do ex-ministro, mas a aliança já é anterior, com publicações coordenadas a favor de Moro e críticas aos principais adversários dele na disputa. A primeira ação mais explícita ocorreu há uma semana, após a entrevista em que Lula chamou o ex-juiz da Lava-Jato de “canalha”.

#LULACANALHA – Em poucas horas, o perfil oficial do MBL e políticos como o deputado federal Kim Kataguiri (SP), de saída do DEM para o Podemos, e Adelaide Oliveira, uma das coordenadoras do movimento, impulsionaram a tag #LulaCanalha.

O termo somou mais de 30 mil menções e chegou aos assuntos mais comentados do Twitter. No dia seguinte, foi a vez de #BolsonaroCovarde, novamente com o endosso de integrantes do grupo, como o deputado estadual de São Paulo Arthur do Val, que está deixando o Patriota e deve concorrer ao governo estadual.

Também com o apoio do MBL, na quarta-feira foi a vez de #LulaArregou alcançar a lista de temas mais populares. A hashtag fez referência ao post em que Moro usou a expressão ao replicar uma notícia dizendo que o ex-presidente havia mandado o PT desistir da CPI para investigar a relação do ex-ministro com a consultoria Alvarez & Marsal.

MAIS ADESÃO – Na quarta-feira, Moro recebeu o apoio de outro grupo envolvido nos atos a favor da saída da petista do cargo, o Vem pra Rua, com grande poder de mobilizaç.

Assim como o Vem pra Rua, o MBL ganhou tração nas redes sociais no curso do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, quando organizou manifestações pelo país. O movimento se notabilizou por uma linguagem irônica, por vezes agressiva, com expressões curtas e memes com potencial de rápida disseminação.

Na noite de segunda-feira, Moro foi o convidado do podcast Flow, que tem grande popularidade entre os jovens. Até ontem, o episódio somava mais de 1,3 milhão de visualizações. Nas redes sociais, o bate-papo e sua repercussão foram amplamente divulgados pelo ex-juiz, com vídeos, imagens e trechos de frases ditas por ele. Mais uma vez, o MBL auxiliou compartilhando o link da transmissão ao vivo e com análise do que foi dito no canal de lives do movimento.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moro largou com atraso na campanha virtual, porque Lula e Bolsonaro estão ativos nas redes sociais há muitos anos. Agora, Moro começou a correr atrás do prejuízo e já ganhou dois expressivos apoios, do MBL e do Vem pra Rua. A tendência é de fortalecimento de sua campanha virtual, não há dúvida, devido ao grande número de eleitores que não aceitam votar em Lula ou Bolsonaro e exigem mudanças. (C.N.)

Na poesia de Pedro Nava, um noturno de Chopin na calma da noite de Belo Horizonte

Letras in.verso e re.verso - [Raridades] Um conjunto de documentos  considerado secretos sobre a vida de Pedro Nava, mais de trinta anos depois  de sua morte, está agora aberto à consulta dos

Pedro Nava tinha saudades de Belo Horizonte

Paulo Peres
Poemas & Canções

O médico, escritor, memorialista e poeta mineiro Pedro da Silva Nava (1903-1984), no poema “Noturno de Chopin”, descortina o sentimento pelo  seu grande amor.

NOTURNO DE CHOPIN
Pedro Nava

Eu fico todo bestificado olhando a lua
enquanto as mãos brasileiras de você
fazem fandango no Chopin

Tem uma voz gritando lá na rua:
Amendoim torrado
tá cabano tá no fim…
Coitado do Chopin! Tá acabando tá no fim…

Amor: a lua tá doce lá fora
o vento tá doce bulindo nas bananeiras
tá doce esse aroma das noites mineiras:
cheiro de gigilim manga-rosa jasmim.

Os olhos de você, amor…
O Chopin derretido tá maxixe
meloso
gostoso
(os olhos de você, amor…)
correndo que nem caldo
na calma da noite belo horizonte.

No Holocausto, os nazistas perseguiam e matavam outros grupos sociais, além dos judeus

Crianças ciganas também iam para os campos de concentração

Celso Serra

Ainda a propósito do 27 de janeiro, Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, criado pelas Nações Unidas para que jamais sejam esquecidos os genocídios praticados pelos nazista alemães, devemos lembrar que, além dos judeus, os historiadores também incluem como vítimas do nazismo no conceito de Holocausto os opositores políticos na Alemanha, sobretudo social-democratas e comunistas, assim como os prisioneiros de guerra russos, sérvios, ciganos, poloneses, deficientes físicos e mentais, negros e outras minorias.

Até o transporte dos presos para os campos de extermínio era feito em situações sub-humanas em vagões ferroviários de carga pouco arejados. Muitos presos morriam dentro desses vagões.

TRABALHOS FORÇADOS – O assassinato através de trabalhos forçados também fazia parte política de extermínio sistemático – os presos eram obrigados a trabalhar até a morte ou a exaustão corporal e daí colocados nas câmaras de gás, nos caminhões de gás ou fuzilados.

Os maçons também se tornarem alvos e, consequentemente, vítimas do violento regime instaurado por Adolf Hitler na Alemanha durante a Segunda Guerra, por dar abrigo a judeus e os ajudar a fugir para locais distantes do controle alemão, preservando suas vidas.

Os arquivos preservados do principal escritório de Segurança do Reich revelam a perseguição aos maçons na Alemanha. Estima-se que cerva de 200 mil maçons tenham sido exterminados sob o regime nazista.

REGISTRO FOTOGRÁFICO – O general Eisenhower, ao constatar pessoalmente o massacre realizado pelos nazistas, ordenou o registro fotográfico amplo e cuidadoso do caos encontrado por suas tropas, o que muito veio a ajudar a Justiça e a tornar o holocausto inesquecível.

O chefe do nazismo, Adolf Hitler, jamais escondeu seu ódio aos judeus. No livro que escreveu, “Minha Luta” (Mein Kampf), ele foi comedido, apenas avisou sobre seu propósito de expulsá-los da vida política, intelectual e cultural da Alemanha. Não registrou sua intenção de exterminá-los. Porém, há assentamentos de que ele teria sido mais direto e inequívoco em seus pronunciamentos reservados. Há registros de que, em 1922, ele teria dito ao major Joseph Hell, na época um jornalista:

“Assim que eu realmente estiver no poder, minha primeira e mais importante tarefa será a aniquilação dos judeus. Tão logo eu tenha o poder de fazer isso, eu terei forças construídas em fileiras – na Marienplatz em Munique, por exemplo, tantas quantas o tráfego permitir. Então, os judeus serão enforcados indiscriminadamente, e eles continuarão pendurados até federem; eles ficarão pendurados lá tanto tempo quanto os princípios da higiene permitirem. Assim que eles tiverem sido desamarrados, o próximo lote será enforcado, e assim por diante da mesma maneira, até que o último judeu em Munique tiver sido exterminado. Outras cidades farão o mesmo, precisamente dessa maneira, até que toda a Alemanha tenha sido completamente limpa de judeus.”

LOUCO ASSASSINO – O expressivo número de vítimas do nazismo é prova incontestável de que Adolf Hitler era um desequilibrado emocional, um desmedido e louco assassino.

O importante pesquisador, investigador e escritor judeu Simon Wiesenthal – nascido em Buczacz, Polônia, em 31 de dezembro de 1908 e falecido em Viena, Áustria em 20 de setembro de 2005 – foi também o mais importante caçador de nazistas.

Em junho de 1941 a Alemanha nazista invadiu a União Soviética, sendo Wiesenthal e sua família feitos prisioneiros. Passou quatro anos e meio em cativeiro passando por vários campos de concentração e sendo obrigado a realizar trabalhos forçados como escravo. No último campo, em Mauthausen, foi libertado pelas tropas americanas em maio de 1945.

CAÇADOR DE NAZISTAS -Wiesenthal era um sobrevivente do Holocausto que ficou mundialmente conhecido depois da Segunda Guerra Mundial pelo seu trabalho na localização, perseguição e captura de nazistas.

Uma vez em liberdade, dedicou a maior parte da sua vida a recolher informações sobre criminosos de guerra nazistas em fuga, espalhados por todo o planeta, de forma a que pudessem ser levados a julgamento em tribunal.

Simon Wiesenthal jamais matou os criminosos nazistas, sempre os levou para serem julgados pela Justiça. E foi o instituidor, em 1947, de um centro de documentação sobre as vítimas do Holocausto.

COMPARAÇÃO NECESSÁRIA – Simon Wiesenthal foi o responsável pela prisão de mais de 1,1 mil criminosos, dentre eles, o célebre Adolf Eichmann, que tinha se refugiado na Argentina com identidade falsa.

Seu lema e regra única de atuação era “Justiça, não Vingança”, tendo, inclusive, em 1989, editado um livro com esse título.

Eis a comparação necessária:  Adolf Hitler mandava assassinar inocentes, mas Simon Wiesenthal jamais executava os criminosos nazistas. Simplesmente, capturava os assassinos e os enviava para serem processados e julgados pela Justiça, sempre com amplo direito de defesa.

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(PS)  –  Lembro que no dia  14 de dezembro de 2020 foi inaugurado o Monumento em Memória às Vítimas do Holocausto no Morro do Pasmado, em Botafogo, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro, RJ. Ao visitarmos esse justo e importante memorial podemos testemunhar e sentir na alma o martírio das inocentes vítimas dos nazistas e também aprender a lição de que na vida é sempre preciso vigiar o passado, porque ele pode voltar se não estivermos alertas.

(Celso Serra é advogado e economista, fundador da Academia Maçônica de Artes, Ciências e Letras do Rio de Janeiro)

Lula também busca apoio do Centrão, para tentar vencer esta eleição logo no primeiro turno

Centrão reafirma apoio a Temer no Congresso para aprovar medidas econômicas  | ASMETRO-SI

Charge do Nani (nanihumor.com)

Vicente Limongi Netto

Admitindo dialogar com o Centrão (Correio Braziliense – 27/01), Lula da Silva amplia, a meu ver, as chances de liquidar a fatura no primeiro turno das eleições presidenciais. Nunca votei nele, nem pretendo votar. Lido com fatos. Não torço nem distorço. O pragmatismo político do ex-presidente é abrangente. Sabe que para governar precisa contar com aliados. Procura cativar e atrair quem tem fôlego e cintura política.

Como observou o experiente senador Renan Calheiros, “Lula tem capacidade de articular diferentes forças políticas a seu favor”. Lula dorme e acorda fazendo política. Cresce e avança diante do estarrecedor paludismo político-eleitoral dos adversários.

Valdemar Costa Neto e Ciro Nogueira, detentores das maiores fatias do bolo e das riquezas do Centrão, aguardam, de braços abertos, conversar com o sedutor Lula. São do ramo. Ambos já foram aliados declarados de Lula.

Na quadra atual, os tinhosos comandantes do Centrão estão casados, de papel passado, com Bolsonaro, no Orçamento e no Fundo Eleitoral. Conversar não tira pedaços.

OLAVO E APOSENTADOS – Quando Olavo de Carvalho escrevia no O Globo e na Folha de São Paulo, era lindo e maravilhoso. Leitura obrigatória. Um sábio. Bastou apoiar Bolsonaro para cair em desgraça e tornar-se indesejável.  É a melancólica constatação da vitória do oportunismo, do cinismo, da calhordice e da hipocrisia. Tenho ânsia de vômito.

Por fim, vamos receber parabéns pelo Dia dos Aposentados. Classe operosa e digna. Merecedora de respeito. Trabalharam com dedicação, esmero e espírito público. Deram sangue, suor e lágrimas pelo Brasil. Vencem injustiças, má-fé e mesquinharia de boçais e maus brasileiros.

Muitos insensatos permanecem encastelados em funções relevantes. Tripudiam nos idosos. São insensíveis aos direitos dos que trabalharam a vida inteira. Esquecem, por ignorância, que um dia também serão idosos e aposentados.