Piada do Ano! Golpista clona celular de Mucio e pede R$ 5 a contatos do ministro

A aposta do PT em Moraes pode ter sido um grave erro e custar caro a Lula nas urnas

Trump exigiu que Brasil garantisse participação de “dissidentes políticos” na eleição de 2026

OAB reage a Dino e critica generalização sobre advogados em sua fala no Supremo

TV Globo DF continua a ser provinciana, pueril, tola, preconceituosa e antiquada 

Charge Globo – Bem Blogado

Charge do Latuff (Arquivo Glooge)

Vicente Limongi Netto

Prossegue a bobagem oceânica, na TV Globo de Brasília, em cujo noticiário informou-se que “o candidato fulano depois deu entrevista num canal de televisão…”. Céus! O canal não tem nome? É uma emissora fantasma?

Acabei de ouvir, nessa linha, na CNN, num telejornal transmitido de São Paulo, a informação de que   “fulano depois foi dar entrevista no SBT”. Perfeito, sem drama, demissão ou histerismo. 

Cai um pedaço do repórter ou do editor da TV Globo DF registrar o nome do canal ou do jornal onde o candidato vai cumprir agenda? 

Isso não é jornalismo. Pelo contrário, é um provincialismo doentio, estúpido, tolo e antiquado. 

Produtora de documentário sobre Bolsonaro recebeu recursos de empresa ligada a ‘Dark Horse’

Após confrontos no STF, Nunes Marques diz que não é preciso aumentar o tom para ser ouvido

Lula ultrapassa Flávio Bolsonaro nas redes e PT acha que ganha força na reta final

Perfis de Lula crescem e lideram em números de interações

Gabriela Echenique
Folha

Um levantamento feito pelo núcleo de comunicação da campanha de Lula (PT) aponta que os perfis oficiais do presidente e do PT cresceram na última semana e passaram a liderar as interações nas redes sociais.

No Instagram, por exemplo, Lula alcançou 5,7 milhões de interações, enquanto o principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), registrou 5 milhões. O levantamento mostra ainda que o Partido dos Trabalhadores teve 3,2 milhões, contra menos de 1 milhão de interações do Partido Liberal.

VISIBILIDADE – O partido de Flávio costuma atrair mais eleitores nas redes sociais e os bolsonaristas costumam ter mais visibilidade nos conteúdos postados. Tanto Lula quanto Flávio têm apostado na estratégia de transmissão de lives. No último domingo (13), dia em que o PT promoveu uma mobilização de atos de rua, o presidente conseguiu um alcance de 270 mil visualizações durante uma transmissão ao vivo.

Na semana anterior, em alusão ao Dia da Independência, Flávio Bolsonaro (PL) registrou 180 mil views. O PT aposta na crescente nas redes para impulsionar a campanha nos últimos dias antes do primeiro turno. As últimas pesquisas têm mostrado uma aproximação do bolsonarista e até empate técnico num eventual segundo turno.

Brigas no Supremo ameaçam paralisar julgamentos e deixam Fachin sob pressão

Vorcaro procurou filho de Fux antes de julgamento de precatório de R$ 5 bilhões no STF

Rodrigo Fux disse que não advogou no caso

Bela Megale
O Globo

O então banqueiro Daniel Vorcaro procurou Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, em novembro de 2024, para tratar de um recurso que tentava mudar uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) e abrir caminho para o pagamento de um precatório bilionário. O caso envolvia créditos da Agro Industrial Tabu adquiridos por fundos de investimento e que eram de interesse do Banco Master.

As mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que, em 6 de novembro de 2024, Vorcaro enviou a Rodrigo um arquivo identificado como “SLAT TABU”. Tratava-se de um processo da Agro Industrial Tabu, sobre embargos de declaração. Os embargos de declaração servem para corrigir erros, contradições ou omissões, mas com o propósito de tentar reverter o resultado do caso.

“FECHADO” – Esse julgamento entraria no plenário virtual do STF dois dias depois de Vorcaro acionar o filho de Fux. “Vou ler”, respondeu Rodrigo. Na manhã seguinte, o advogado avisou: “Só conseguirei ver no detalhe no final de semana. Ok? Te aviso.” Vorcaro concordou: “Fechado!”

Em 9 de novembro, com o julgamento já aberto, Rodrigo voltou a procurar o banqueiro. “Fala amigo”, escreveu. Depois perguntou: “Você estará pelo RJ essa semana?” O filho do ministro explicou que viajaria na quarta-feira e teria um julgamento na terça, por isso não conseguiria estar em São Paulo nem em Brasília. “De qualquer forma, temos tempo”, acrescentou.

Rodrigo Fux disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que “o escritório foi procurado, mas não advogou no caso”. Afirmou ainda que “jamais celebrou qualquer contrato sobre qualquer matéria com o Banco Master ou com Daniel Vorcaro”.  

ANÁLISE – As mensagens que constam no telefone de Vorcaro apreendido pela Polícia Federal mostram que o ex-banqueiro encaminhou um documento sobre o caso a Rodrigo, que se comprometeu a analisá-lo e, pelo menos, cogitou encontrar o banqueiro.

O caso envolvia uma disputa iniciada ainda em 1990, quando 27 empresas do setor sucroalcooleiro processaram a União por prejuízos provocados pelo tabelamento dos preços do açúcar e do álcool, na década anterior. Segundo as empresas, o governo teria fixado os preços abaixo dos custos.

A Justiça reconheceu o direito genérico à indenização, mas determinou que o prejuízo de cada empresa fosse calculado depois. Como existiam 27 autoras, a execução foi dividida. O caso tratado por Vorcaro envolvia a parcela cobrada pela Agro Industrial Tabu.

PAGAMENTO SUSPENSO – Em setembro de 2023, a então presidente do STF, Rosa Weber, suspendeu o pagamento. A ministra considerou a emissão do precatório prematura, o qual chegaria a cerca de R$ 5 bilhões, em valores atualizados. A Advocacia-Geral da União (AGU) estimava que as outras 26 execuções poderiam ter impacto potencial de R$ 80 bilhões.

Naquela ocasião, o plenário confirmou a decisão por unanimidade. Luiz Fux participou daquele julgamento de 2023 e acompanhou Rosa Weber, votando contra a liberação do precatório. Naquele momento, não havia registro de pedido de Vorcaro.

O ex-banqueiro só surgiria no caso mais de um ano depois, em novembro de 2024, ao pedir ajuda do filho de Luiz Fux tratasse dos embargos, para tentar rever a decisão anterior. O julgamento desses embargos começou em 8 de novembro de 2024, dois dias depois de Vorcaro enviar o arquivo a Rodrigo.

PEDIDO DE VISTA – O relator dos embargos, o então ministro Luís Roberto Barroso, aceitou apenas corrigir o número de um processo citado de forma errada no caso, mas manteve o precatório suspenso. Após o voto de Barroso, Alexandre de Moraes pediu vista e interrompeu a análise. Naquele momento, o processo continha apenas o voto do relator.  

O caso voltaria ao plenário virtual só neste ano, entre 27 de fevereiro e 6 de março de 2026. Moraes acompanhou Barroso em seu voto, assim como Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Flávio Dino também seguiu o relator, com ressalvas. Naquele momento, porém, Fux não votou. Nunes Marques, então, pediu nova vista.

O julgamento só seria concluído na sessão virtual de 19 a 26 de junho de 2026. Como já havia sinalizado, o STF acolheu os embargos somente para corrigir o número do processo. A suspensão do precatório foi mantida, contrariando os interesses de Vorcaro.

DECISÃO UNÂNIME – Foi só nesta votação de junho deste ano que Luiz Fux votou sobre o assunto, acompanhando os demais ministros, em decisão unânime. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso oito meses antes, em 17 de novembro de 2025, na véspera da Operação Compliance Zero e da liquidação do Master. Solto ainda naquele mês com tornozeleira eletrônica, voltou a ser preso em 4 de março deste ano, sob suspeita de interferir nas investigações, ocultar patrimônio e financiar ações de intimidação.

Procurado, o escritório de Rodrigo Fux ainda disse que “não apresentou proposta de trabalho ou celebrou qualquer contrato; não engajou seus profissionais no feito; e não recebeu qualquer pagamento” referente ao caso. Afirmou ainda que “jamais foi contratado para atuar em processos que se encontrassem em vias de remessa ao STF, muito menos para atuar em processos que já se encontrassem em trâmite na corte”.

SENTIDO CONTRÁRIO – Questionado se Rodrigo Fux chegou a falar com o ministro Luiz Fux sobre o caso, disse que “não dialogou com o ministro sobre a STP 976/DF, como de resto não o fez ou faz acerca de quaisquer processos patrocinados pelo Escritório”. Afirmou também que “em todas as oportunidades em que o caso foi submetido a julgamento, o ministro Luiz Fux sempre julgou em sentido contrário aos interesses de Daniel Vorcaro e do Banco Master”.

O ministro Fux, disse, por meio de nota, que “em todas as ocasiões em que participou do julgamento, foi contra a pretensão”. Afirmou ainda que nunca foi abordado sobre esse tema e que “a decisão unânime do tribunal, com o voto do ministro Fux”, foi contra a pretensão que beneficiaria Vorcaro. A defesa de Vorcaro disse que não iria comentar o assunto.

Atire a primeira pedra, uma parceria genial de Mário Lago e Ataulfo Alves

Ataulfo Alves (1909-1969) e Mario Lago (1911-2002) conheceram-se no  lendário Café Nice, o qual situava-se na Avenida Rio Branco, no Rio de  Janeiro, e que se tornou célebre na Música Popular ...

Lago e Ataulfo, parceiros e amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções 

O advogado, ator, radialista, poeta e compositor carioca Mário Lago (1911-2002) é autor de alguns clássicos da MPB, entre eles, “Atire a Primeira Pedra”, em parceria com Ataulfo Alves.

A letra versa sobre o grande desejo de um homem de se reconciliar com a mulher amada, a despeito do que os demais e até a própria amada, pensem a respeito. O título faz referência às palavras de Jesus Cristo em João 8:7.

O samba Atire a Primeira Pedra foi gravado por Orlando Silva, em 1943, pela Odeon.

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA
Ataulfo Alves e Mário Lago

Covarde sei que me podem chamar,
porque não calo no peito essa dor,
Atire a primeira pedra, ai, ai, ai,
aquele que não sofreu por amor.

Eu sei que vão censurar meu proceder.
Eu sei, mulher,
Que você mesma vai dizer
Que eu voltei pra me humilhar.
É, mas não faz mal,
Você pode até sorrir,
Perdão foi feito pra gente pedir.    

Flávio prepara reação no TSE contra reajuste do Bolsa Família na reta final da eleição

Campanha diz que reajuste é medida eleitoreira

Luísa Marzullo
O Globo

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) deve acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar a decisão do governo de Luiz Inácio Lula da Silva de reajustar o Bolsa Família a 17 dias do primeiro turno. A equipe jurídica do candidato de oposição pretende argumentar que a medida configura abuso de poder político e econômico,

Integrantes da campanha classificam o anúncio como “eleitoreiro” e consideram grave a decisão de elevar o benefício na reta final da disputa presidencial. A tese em análise é que, embora o Bolsa Família seja um programa anterior à eleição, o momento escolhido para o reajuste pode ter impacto sobre a disputa e deve ser submetido à Justiça Eleitoral.

REAÇÃO NO CONGRESSO – Em outra frente, o coordenador da campanha e líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), deve capitanear a reação no Congresso. Uma das alternativas em avaliação é a apresentação de um projeto de decreto legislativo (PDL) para tentar sustar o ato presidencial, mas enfrenta resistência entre parlamentares.

Lula anunciou um reajuste de 15,04% no Bolsa Família. O piso do programa, atualmente em R$ 600, passará para R$ 691. Segundo o governo, o percentual corresponde à inflação acumulada desde a reformulação do programa, em 2023. O custo adicional estimado é de R$ 5,8 bilhões neste ano e de R$ 22 bilhões em 2027, caso o novo valor seja mantido.

PREVISÃO LEGAL – O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, afirmou que o reajuste segue uma previsão legal que permite ao presidente recompor por decreto as perdas provocadas pela inflação e disse que a decisão foi tomada com “responsabilidade”.

— Estamos aqui cumprindo uma regra legal. A lei autoriza o presidente, qualquer que seja, por decreto, a recompor a inflação. Também é bom lembrar que foi feito com muita responsabilidade — disse.

A reação coloca a campanha de Flávio diante de um precedente do próprio governo de Jair Bolsonaro. Em 2022, quando disputava a reeleição, o então presidente elevou o Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600. O novo valor começou a ser pago em agosto, menos de dois meses antes do primeiro turno.

ESTADO DE EMERGÊNCIA – O caminho legal adotado na ocasião, no entanto, foi diferente. O Congresso aprovou em julho a Emenda Constitucional 123, que reconheceu estado de emergência até o fim daquele ano e autorizou cerca de R$ 41 bilhões em despesas extraordinárias. Além dos R$ 200 adicionais para o Auxílio Brasil, o pacote ampliou o Auxílio Gás e criou benefícios para caminhoneiros e taxistas.

As medidas também foram alvo, à época, de questionamentos sobre eventual uso eleitoral da máquina pública, inclusive sob a alegação de abuso de poder político e econômico.

Há, porém, diferenças entre os dois casos. Em 2022, a ampliação dos benefícios foi autorizada por uma emenda constitucional que reconheceu o estado de emergência. Agora, o governo reajusta um programa social permanente e já existente antes do ano eleitoral, circunstância que deverá entrar na discussão sobre a aplicação das restrições previstas na legislação eleitoral.

PROIBIÇÃO – A Lei das Eleições proíbe, durante o ano eleitoral, a distribuição gratuita de bens, valores ou benefícios pela administração pública, mas abre exceção para programas sociais autorizados em lei e já em execução orçamentária no ano anterior. A existência prévia do programa, porém, não afasta por si só a possibilidade de a Justiça Eleitoral analisar eventual abuso de poder a partir da forma, da dimensão e da finalidade de uma ampliação.

Em abril deste ano, por exemplo, o TSE manteve a condenação de um ex-prefeito de Minas Gerais que aumentou em quase 400% os gastos com benefícios assistenciais em 2024. Embora o programa já tivesse previsão legal, a Corte considerou que a distribuição ocorreu sem observância dos critérios exigidos e identificou desvio de finalidade. A campanha pretende recorrer a casos como esse para sustentar que a existência anterior do Bolsa Família não impediria, por si só, uma análise sobre eventual uso eleitoral do reajuste.

STF vira notícia na imprensa internacional após sessão marcada por confrontos entre ministros

“Importante para o futuro”: cunhado de Gilmar Mendes orientou Vorcaro a se aproximar do ministro

Cunhado de Gilmar chamou Vorcaro de “irmão”

Rafael Moraes Moura
Johanns Eller
O Globo

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no bojo das investigações do caso do Banco Master mostram que Daniel Vorcaro foi aconselhado em abril de 2024 pelo empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes, a se aproximar do ministro, sob a alegação de que seria “importante para o futuro”. Nas conversas obtidas, Chiquinho se refere ao dono do Banco Master como “irmão” e se apresenta como uma ponte entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pelas conversas, fica claro que Chiquinho tinha um contrato de consultoria com Vorcaro. Procurado, ele disse que teve um contrato de “curto período” com a Super Empreendimentos, do ecossistema do Master, mas não esclareceu o período de vigência, o valor nem o escopo de atuação (leia a íntegra da nota ao final da matéria). Segundo a Folha de S. Paulo, o montante era de R$ 500 mil mensais.

RELAÇÃO DIRETA – “Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro! Ele é um grande sujeito com grande caráter e um grande amigo”, escreveu Feitosa para Vorcaro em 19 de abril de 2024, ao sugerir a aproximação do banqueiro com o decano do STF.

Chiquinho é ex-senador, ex-deputado federal e presidente do Republicanos no Ceará, com atuação no setor de transportes. Na época da troca das mensagens, ele ainda era cunhado de Gilmar. O ministro se divorciou da advogada Guiomar Feitosa, irmã de Chiquinho, em novembro de 2025, ou seja, um ano e meio após o empresário sugerir a aproximação entre o banqueiro e Gilmar.

Em abril de 2024, quando Chiquinho encorajou Vorcaro a buscar o magistrado, o dono do Banco Master buscava interlocução com o ministro do Supremo em função de um julgamento sobre precatórios judiciais do setor sucroalcooleiro na Segunda Turma do STF, mesmo colegiado que dois anos depois se debruçaria sobre as investigações do Master. A análise do caso sobre os precatórios tinha sido interrompida um mês antes por um pedido de destaque de Gilmar.

RECURSO DA UNIÃO – O processo tratava de um recurso da União contra a destilaria Alcídia, que cobrava a reparação de prejuízos provocados pela política de fixação de preços do governo na década de 1980. A ação envolvia pagamentos entre R$ 350 milhões e R$ 500 milhões e interessava a Vorcaro, já que o resultado do julgamento poderia produzir uma tese que teria impacto direto nos negócios do Master.

No período de expansão meteórica do Master, o modelo de negócios do banco era em boa parte sustentado por precatórios – ordens de pagamento determinadas pela Justiça a municípios, estados ou da União que costumam demorar anos para serem liberados. O banco comprava esses papéis a um preço baixo e não só inflacionava os valores no balanço, como também os considerava créditos de recebimento garantido. Naquele ano, 47% da carteira era composta por precatórios e direitos creditórios comprados pelo Master.

Em nota, Gilmar disse que não teve conhecimento de “qualquer tratativa” entre Vorcaro e o ex-cunhado e alegou que não foi procurado por Chiquinho para tratar de assuntos do Master. O ministro informou que no dia 11 de abril de 2024, às 18h, recebeu Vorcaro em seu gabinete para uma audiência na sede do tribunal, “em ambiente institucional e não em espaço privado”, para tratar do processo da Destilaria Alcídia. Ao contrário do presidente da Corte, Edson Fachin, Gilmar não tem o hábito de divulgar sua agenda de audiências no gabinete.

PEDIDO DE DESTAQUE –  Em mensagens obtidas, o banqueiro encaminha a um de seus advogados, Ciro Rocha Soares, uma mensagem de WhatsApp enviada por um interlocutor não identificado na manhã de 15 de março de 2024: “Gilmar pediu destaque, usou o ‘poder de veto’ para zerar a votação e enviar o processo julgamento presencial [sic].”

Na sequência, Vorcaro escreveu: “Cara, urgente isso pra mim, preciso sua ajuda [sic]. Gilmar esta contra mim num caso que estao usando pra ferrar todos meus precatorios”.

“Pqp”, respondeu Soares. “Vou falar com ele agora. Peraí”. Soares atuava para aproximar Vorcaro de autoridades do Judiciário como o também ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Três horas mais tarde, o advogado volta a mandar mensagens para o banqueiro. “Irmão, preciso saber quem está contra vc nesse assunto”, perguntou.

“MESSIAS” – “Messias”, respondeu o dono do Master, em referência ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que defende no caso a União, autor do recurso cujo julgamento tinha sido interrompido por Gilmar.

“Ele quer usar disso pra exemplo. [André] Esteves nao sei a posiçao”, complementou em relação ao dono do BTG Pactual, que Vorcaro tinha como desafeto pessoal e nos negócios e concorrente no ramo dos precatórios.

O processo sobre a Alcídia foi alvo de uma série de interrupções. Em 25 de março de 2024, quando a análise do caso foi retomada, Gilmar pediu um novo destaque, interrompendo mais uma vez a discussão. Em 26 de agosto de 2024, o decano voltou a agir: cancelou o pedido de destaque. Quando o processo retornou à pauta, em 18 de setembro, foi a vez de Kassio Nunes Marques pedir vista.

MENDES E MENDONÇA – O processo foi finalmente julgado em outubro de 2024, quando a usina derrotou a União por 3 a 2. Os dois votos que ficaram do lado da União vieram de Gilmar Mendes e de André Mendonça, com quem o ministro tem travado atualmente uma guerra pública por conta da condução das investigações do caso Master.

Questionado, o ministro frisou que votou contra os interesses da destilaria e de Vorcaro, como se posicionou em “todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma”.

CONTRAPARTIDA – Os três ministros que votaram a favor da tese que interessava a Vorcaro foram Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. No relatório que a PF entregou ao STF sobre a relação de Toffoli com o dono do Master, a posição do ministro no julgamento da Alcídia aparece como um possível motivo de contrapartida na compra de uma fatia do Tayayá pelo grupo de Vorcaro por R$ 35 milhões.

Nas mensagens em que o ex-banqueiro discute com o diretor jurídico do Master um pagamento mensal de R$ 500 mil ao filho de Kassio Nunes Marques, o advogado Kevin, de 25 anos, os valores também aparecem associados ao caso da Alcídia.

REUNIÃO – Em outro diálogo ocorrido um mês antes da retomada do julgamento dos precatórios, em 4 de setembro de 2024, Chiquinho Feitosa intermedia uma reunião entre Daniel Vorcaro e sua irmã, Guiomar Mendes, à época casada com Gilmar, no mesmo dia. “Posso marcar nossa reunião com a Guiomar às 15h ou 16h? O que você acha?”, pergunta Chiquinho.

Mais tarde, no horário combinado de 15h, Vorcaro volta a mandar mensagem confirmando o número da casa do encontro, ao que o cunhado de Gilmar responde com um emoji de polegar. Sócia do escritório Bermudes Advogados, um dos mais influentes em Brasília, Guiomar já atuou em processos relacionados a precatórios.

A advogada confirmou ter recebido Vorcaro no escritório junto com o irmão, que disse que o banqueiro tinha interesse em contratá-la. Mas segundo ela, na reunião Vorcaro não apresentou nenhum processo específico. “Eu pedi que mandasse as causas que iria avaliar, mas ressaltei que não prometia resultado. Ele disse que ia mandar, mas não mandou e não voltou mais”, afirmou Guiomar.

AUTOR DE PROJETO – Então primeiro suplente de Tasso Jereissati (PSDB-CE), Chiquinho Feitosa tomou posse no Senado Federal em 2021, quando o tucano se licenciou para participar da articulação das prévias do partido para a corrida presidencial de 2022. No período em que atuou como titular, foi autor de um projeto de lei que também entrou na mira dos interesses de Vorcaro.

O banqueiro trocava envelopes com minutas de proposições do Congresso com o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Entre os textos que iam e voltavam estava o que pretendia instituir o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa, assinado pelo então cunhado de Gilmar.

ÍNTEGRA DA NOTA DO GABINETE DO MINISTRO GILMAR MENDES

Chiquinho Feitosa é ex-cunhado do Ministro. O Ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente.

A audiência ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do Ministro, no Supremo Tribunal Federal, e contou com a presença dos advogados do Banco Master. Foi realizada na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado. O recebimento de advogados em audiência é prerrogativa assegurada pelo art. 7º, VIII, da Lei 8.906/1994. Na ocasião, tratou-se de causa do setor sucroalcooleiro — ARE 1327995, de relatoria do Ministro Edson Fachin, em que figura como recorrida a Destilaria Alcídia S/A.

Nesse processo, julgado pela Segunda Turma em 3 de junho de 2025, o Ministro Gilmar Mendes votou contra os interesses do Banco Master. O voto foi contra o pagamento do precatório, no sentido defendido pela União. Ficou vencido, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. Prevaleceu a posição dos Ministros Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli, favorável à empresa.

O voto foi o mesmo em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma. No ARE 1312127 (Raízen), relatado pelo Ministro, ele votou contra o pagamento do precatório, e a União saiu vitoriosa em 16 de setembro de 2024, vencidos os Ministros Edson Fachin e Nunes Marques. No ARE 1392660 (Jalles Machado), votou duas vezes contra o pagamento à usina — em 6 de agosto de 2024 e em 19 de agosto de 2025 —, ficando vencido nas duas ocasiões, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. No ARE 1500251 (Raízen), pediu destaque em 15 de agosto de 2025 e interrompeu julgamento que se encaminhava em favor da usina. Na STP 976-ED, votou em todas as sessões contra a liberação do precatório de mais de R$ 5 bilhões.

Em nenhum desses processos o Ministro votou em sentido favorável aos interesses apontados pela reportagem — inclusive após a audiência mencionada.

ÍNTEGRA DA MANIFESTAÇÃO DE CHIQUINHO FEITOSA

1. Quando me reportei a ele sugerindo que se aproximasse do Ministro, fiz isso de forma despretensiosa, sem nenhuma outra intenção.

2. ⁠A maneira que me referi a ele, é uma forma que adoto com todas as pessoas com quem me relaciono.

3. ⁠Nunca fui ponte entre o Vorcaro e o Ministro Gilmar. Ele era um banqueiro bem sucedido e que mantinha relacionamentos com várias pessoas.

4. ⁠Tive um contrato de consultoria com a Super Empreendimentos durante um curto período. À época uma empresa idônea que atuava em diversos segmentos, e despertava interesse no mercado.

5. ⁠Afirmo com certeza que nunca me referi ao Daniel sobre esse jantar, que nunca existiu.

6. ⁠Marquei com minha irmã Guiomar, uma reunião a pedido do Daniel. Ele ficou de trazer para ela números de processos, coisa que nunca aconteceu.

Juros caem minimamente e a política continua pressionando a economia

Nunes Marques barra busca contra ACM Neto a duas semanas da eleição na Bahia

Operação investiga desvios de recursos e fraudes em licitações

Deu no O Globo

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), negou um pedido da Polícia Federal para realizar busca e apreensão contra ACM Neto (União Brasil), candidato ao governo da Bahia. A medida foi solicitada no âmbito da décima fase da Operação Overclean, que investiga desvios de recursos e fraudes em licitações financiadas por emendas parlamentares.

ACM Neto é investigado sob a suspeita de ter indicado um secretário para a prefeitura de Belo Horizonte com o objetivo de beneficiar empresários previamente selecionados em licitações públicas. Segundo a apuração, parte dos valores contratados retornaria ao grupo na forma de propina.

AFASTAMENTO – O secretário citado pela PF seria Bruno Barral, ex-titular da Educação de Belo Horizonte. Ele foi afastado na terceira fase da Overclean, sob a suspeita de atuar em conjunto com a organização criminosa investigada. A PF investiga a influência do União Brasil, partido do qual ACM Neto é vice-presidente nacional, sobre nomeações na administração pública que teriam como contrapartida retornos ilícitos em contratos.

O pedido de busca contra o ex-prefeito de Salvador foi apresentado antes do período eleitoral e recebeu parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). Nunes Marques, porém, considerou que não havia base legal suficiente para autorizar a medida.

INTERFERÊNCIA – Procurado pelo O Globo, ACM Neto afirmou, em nota, que o pedido de busca e apreensão apresentado pela PF seria uma “tentativa de interferir no processo eleitoral por meio da criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas, com vazamentos seletivos”. Segundo ele, o objetivo seria associar seu nome a situações com as quais diz não ter envolvimento.

“Na semana passada, convoquei uma coletiva de imprensa para denunciar esse tipo de ataque à nossa candidatura. Agora, faltando apenas duas semanas para a eleição, isso se mostra ainda mais evidente. Trata-se de uma nova tentativa de influenciar na eleição da Bahia”, afirmou ACM.

NOVA FASE –  A décima fase da operação foi deflagrada nesta quinta-feira, 17 de setembro, para apurar possíveis fraudes em contratos da área de educação firmados pela Prefeitura de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Os acordos, relacionados à prestação de serviços e ao fornecimento de materiais didáticos, somam mais de R$ 80 milhões.

A PF cumpriu 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantis, Paraná e Espírito Santo. Entre os alvos estão o empresário José Marcos de Moura, conhecido como “Rei do Lixo”; os irmãos Fábio e Alex Parente; e o ex-secretário Bruno Barral.

“CARDÁPIO” – Segundo a investigação, empresários já apurados em fases anteriores da Overclean teriam oferecido a políticos um “cardápio” de empresas previamente selecionadas para disputar contratos públicos financiados por emendas parlamentares. Após o direcionamento das licitações, parte dos recursos seria desviada.

A PF apura possíveis crimes contra a administração pública, fraude em licitações e contratos, corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Os empresários foram presos em dezembro de 2024, no início da Overclean, mas acabaram soltos e passaram a cumprir medidas cautelares, como bloqueio de bens.

Flávio Bolsonaro cresceu e o PT tenta acordar, mas faz uma campanha errada

Lula: Brasil pode se unir aos EUA por minerais críticos | G1

Lula pensou (?) que já tinha vencido, mas se enganou

Elio Gaspari
O Globo

As pesquisas Quaest de segunda-feira e Atlas de quarta-feira caíram como uma bomba na campanha de Lula. Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro ultrapassou-o na simulação de um segundo turno (42% a 40% e 47,2% a 46,8%).

A seco, esses números querem dizer pouca coisa. Estão dentro da margem de erro e eleição se ganha na urna. Mas Flávio Bolsonaro cresceu, absorvendo o apoio de eleitores que, há tempo, avaliavam negativamente Lula 3.0.

CAMPANHA CHIQUE – Era inevitável que a avaliação negativa migrasse para um adversário. Lula faz uma campanha chique, fala em terras raras, soberania e escala 5×2. Ulysses Guimarães dizia que política externa só dá votos no Burundi. Quanto à escala, é uma promessa de uma vida melhor, mas é promessa.

A mesma pesquisa Quaest tentou saber para onde iriam os votos de quem preferia Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury ou Romeu Zema. Juntos, eles somam 16% dos entrevistados. Num segundo turno, a maior fatia iria para Flávio Bolsonaro.

Como era de se esperar, na busca de responsáveis apontou-se para o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira. Contem outra, companheiros. Desde a fundação do PT, em 1980, o maestro dessa orquestra chama-se Lula.

FORA DA BRIGA – Com o Supremo Tribunal em chamas, Lula decidiu ficar fora das brigas e limitou-se a falar da necessidade de reformas na política e no Judiciário, o que não quer dizer coisa nenhuma.

Não se diga que Flávio Bolsonaro eleva o nível do debate. Seu único capital é o sobrenome, encrencado por um filme milionário bafejado pelo dinheiro de Daniel Vorcaro. A abulia de Lula alimenta o antipetismo.

O historiador francês Claude Manceron (1923-1999) escreveu cinco magníficos volumes sobre a Revolução Francesa. No primeiro tratou do ocaso do reino de Luís 15. Tendo reinado de 1715 a 1774, ele morreu de varíola, quando, segundo Manceron, havia saído de moda. Aquele Lula que passeia pelos palanques dominando plateias saiu de moda.

MUITOS PROBLEMAS – Lula 1.0 ou 2.0 poderia ter aberto as portas do Brasil para a jogatina (para arrecadar) mas, colocado diante das consequências, enfrentaria os problemas. No seu desenho original, o Bolsa Família era um monstrengo burocrático. Em poucas semanas, Lula 1.0 deu-lhe uma nova cara, que está aí até hoje. Lula 3.0 limita-se a condenar a facilidade para quem aposta, e mais nada.

Isso não quer dizer que colocarão coisa melhor no lugar dele. A melhor previsão do resultado da próxima eleição presidencial veio do banqueiro André (BTG Pactual) Esteves: “A eleição será 51% a 49%, só não sabemos para quem”.

A ideia de que Lula passaria um trator em Flávio virou fumaça, e ele está diante de um adversário favorecido pela indefinição.

POUCA DIFERENÇA – A volta de Lula ao Planalto foi uma coisa tão espetacular que a aritmética ficou esquecida. Ele ganhou a eleição por uma margem de 1,8 ponto percentual (pouco mais de 2 milhões de votos de diferença).

Dois anos depois, o candidato apoiado pelo PT à Prefeitura de São Paulo foi batido por uma margem de mais de 1 milhão de votos.

O eleitor mandava sinais, mas os poderosos de Brasília não ouviam.

Dino, falso “herdeiro” de Lula, vai adiar até novembro o julgamento de Moraes

O que é pedido de vista, solicitado por Dino no STF? Entenda

Dino assume seu lado político, para substituir Lula no PT

Carlos Newton

No julgamento que não acabou e fez a ministra Cármen Lúcia ter enorme constrangimento e até pedir desculpas aos brasileiros, o histriônico e espaçoso Flávio Dino confirmou o que publicamos sobre ele aqui na Tribuna da Internet, pois já começou a fazer o possível e o impossível para agradar ao PT, movido por ambições políticas, porque pretende se tornar “herdeiro” de Lula na eleição de 2030.

Na avaliação de Dino, não importa se Lula vai ganhar ou perder esta eleição, porque daqui a quatro anos o PT ainda será um grande partido, com chances de vencer a disputa presidencial, mas não terá candidato definido, porque Lula estará velho demais, com 85 anos, e sem condições de encarar a dureza de mais uma campanha nacional.

OPORTUNISTA – Dino é um enorme oportunista e enxerga longe. Não pode se filiar a partido nem se manifestar politicamente, devido à proibição regimental do STF, mas quem sabe faz a hora e não espera acontecer.

Na sua opinião, o vice Geraldo Alckmin jamais se filiará ao PT e permanecerá sob o guarda-chuva protetor do PSB. Assim, se Lula ganhar agora e ficar no poder até 2030, Alckmin terá de se candidatar pelo PSB e não poderá aproveitar a máquina política do PT, que precisará ter candidato próprio para não se desintegrar como partido sem ter um líder que o conduza.

Assim, Dino aproveitou o festival desta terça-feira para se exibir para a plateia petista e dar seu show particular, de uma forma meio cafajeste, recostando-se na poltrona, ao invés de adotar uma posição mais condizente com o cargo de ministro do Supremo.

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P.S. –
Dino certamente será recebido de braços abertos pelos petistas, porque Lula não permitiu que surgisse nenhuma liderança capaz de substituí-lo no PT. O volumoso ministro vai preencher a lacuna e tentar se eleger. Mas precisa combinar com os russos, como ensinava Garrincha, que nem queria saber quais eram os adversários, porque os destruía, um a um. (C.N.)

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