Lula tem medo de que a PF incrimine Lulinha antes de ocorrerem as eleições

Juiz britânico humilha Toffoli: Decisão dele a favor de corrupto é “altamente incomum”

Toffoli diz que relatório da CPI é “aventureiro” e visa “obter votos”

Toffoli tentou devolver ao corrupto o dinheiro desviado

Carlos Newton

O desempenho da Justiça brasileira é vergonhoso e está sendo cada vez mais questionado no exterior. O processo contra o ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos, movido pela plataforma de vídeos Rumble e pela empresa Trump Media, que pertence ao presidente americano, já está em fase final e a sentença de primeira instância deve sair nos próximos dias.

Tudo indica que ele será condenado por haver emitido aqui no Brasil antidemocráticas ordens judiciais a serem cumpridas pela Justiça americana, vejam bem até onde vai a prepotência desse magistrado brasileiro, que jamais tinha julgado nada até se nomeado ministro do Supremo.

MAIS UM VEXAME – Nesta semana, mais um vexame, ao ser divulgada uma decisão da Justiça britânica que envergonha o país. O processo, movido no Tribunal da Coroa Britânica em Southwark, foi anunciado pela organização não-governamental Spotlight on Corruption (Holofote da Corrupção), que distribuiu a matéria à imprensa londrina nesta segunda-feira.

 

A ação judicial é vergonhosa, porque foi apresentada à Justiça do Reino Unido por um ex-executivo da Petrobrás processado por corrupção na Lava Jato e que pretendia liberar suas contas bancárias bloqueadas, no valor de teve 7,6 milhões de dólares e 698 mil euros.

Na Lava Jato, ficou comprovado que Miranda atuou como operador de propina para partidos políticos entre 2010 e 2012. Ele foi condenado em 2019, mas, em 2023, a sentença foi anulada por Toffoli. Assim como aconteceu na descondenação de Lula da Silva em 2021, o ministro entendeu que a Justiça do Paraná não tinha competência para julgar o caso.

PROVAS NULAS? – Com a mesma irresponsabilidade que caracteriza Alexandre de Moraes, o ministro Toffoli determinou a nulidade do compartilhamento de provas com as autoridades britânicas. Com isso, o funcionário corrupto resolveu recuperar o dinheiro desviado da Petrobras e pediu à Justiça britânica a liberação de suas contas bancárias.

Acontece que o Reino Unido não é Brasil, provas cabais não são jogadas no lixo e criminosos não são descondensados por terem sido julgados na Vara de uma cidade ou de outra, um absurdo jurídico que só existe no Brasil e não tem aceitação em nenhum outro país da ONU.

 

A Justiça britânica, no entanto, não acolheu os argumentos dos advogados de Miranda. Na decisão, o juiz Mark Weekes afirma que as provas foram recebidas pelo SFO em “boa fé” e em conformidade com os acordos internacionais. Ele também destaca que a Justiça do país não está subordinada ou vinculada a decisões de tribunais estrangeiros.

 

Em outro trecho, Weekes classificou a decisão de Toffoli que anulou o compartilhamento de provas como “altamente incomum”. Leia abaixo o trecho:

 

“Vale observar que esta situação — uma autoridade judicial no Estado requerido revogando, em momento posterior, a base legal doméstica para o compartilhamento de material de assistência jurídica mútua que, na época, havia sido legalmente compartilhado com o órgão de acusação no Reino Unido, é, na experiência deste tribunal, dos advogados que atuam no caso e daqueles que os instruem, no mínimo, altamente incomum”

PF abre investigação sobre filiação irregular de Flávio Bolsonaro ao Missão

Petistas veem como improvável que Mendonça deixe inquéritos contra Lulinha

Mendonça NÃO abrirá mão dos casos de Lulinha

Bela Megale
O Globo

Petistas e aliados de primeira hora do presidente Lula não acreditam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, acatará o pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) para que os inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, sejam retirados da corte.

O órgão defendeu junto a Mendonça, que é o relator de dois casos envolvendo o filho do presidente, que as investigações sejam remetidas à primeira instância. O argumento da PGR é o de que não há elementos que indiquem o envolvimento de pessoas com prerrogativa de foro nas duas investigações que tramitam com o magistrado.

CONEXÃO – Para o órgão, também não existe conexão entre os fatos investigados nesses procedimentos e aqueles apurados na Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Diante disso, o órgão se posicionou pela remessa dos dois inquéritos para a Justiça de primeiro grau. O caso do INSS está no Supremo por envolver parlamentares, que possuem prerrogativa de foro.

A chance de Mendonça atender ao pedido, no entanto, é tida como improvável pelos petistas. Em conversas com o magistrado, pessoas ligadas ao presidente e à defesa de Lulinha não veem qualquer disposição do ministro em abrir mão dos casos que envolvem Fábio Luís.

A leitura dos petistas, inclusive, é a de que o ministro terá uma ação ativa nos inquéritos e que vai impor um ritmo intenso nessas investigações, mesmo em meio à campanha eleitoral.

Flávio Bolsonaro e o paradoxo da direita: votos sem aliados

Golpe pode custar a patente: presidente do STM sinaliza punição a Bolsonaro e generais

Maria Elizabeth Rocha diz que anistia não é esquecimento

Mariana Muniz
O Globo

Presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha afirmou considerar “muito difícil” que oficiais condenados por participação em uma tentativa de golpe de Estado mantenham seus postos e patentes das Forças Armadas.

Em entrevista ao O Globo, a magistrada disse considerar um crime de “lesa-pátria” incompatível com os deveres assumidos pelos militares.

EXPULSÃO – A Corte deverá julgar nos próximos meses a possibilidade de expulsão das Forças Armadas do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército, dos generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, e do almirante Almir Garnier.

Primeira mulher a presidir a Corte, e segunda a integrar o tribunal, Maria Elizabeth também defendeu que uma eventual anistia aos condenados pelos atos golpistas não impediria o julgamento das ações de perda de patente no STM. Segundo ela, a anistia extingue a pena, mas não elimina a conduta praticada.

Qual a previsão de julgamento sobre a perda de patente de militares condenados por participação na trama golpista?
Os processos estão seguindo o trâmite normal. Ainda há diligências pendentes, votos de relatores e revisores que precisam ser concluídos. Quero que o devido processo legal seja rigorosamente observado, até para evitar qualquer tipo de crítica à atuação da Justiça Militar. Acredito que esses casos só deverão ir a julgamento após as eleições. E mesmo depois do julgamento, não acredito que haverá uma decisão definitiva neste ano, porque caberão recursos dentro do próprio STM. Não acho que teremos um desfecho definitivo antes de 2027.

Como vê a possibilidade de um oficial condenado por tentativa de golpe de Estado continuar ostentando a patente militar?
Em tese, considero muito difícil. Se realmente ficar comprovado que houve atentado contra o Estado Democrático de Direito, um crime de lesa-pátria, trata-se de uma situação especialmente grave para um militar, que jurou defender a Constituição e a Pátria. É um ônus muito pesado que recai sobre os militares.

O julgamento no Supremo Tribunal Federal considerou que houve tentativa de golpe. O STM irá reavaliar essas condutas?
Não se trata de rediscutir o mérito do julgamento do Supremo, mas de formar convicção sobre a gravidade da conduta. Não considero que o julgamento de perda de patente seja uma simples consequência automática da condenação criminal. O exercício da magistratura exige uma análise mais profunda dessas questões, e estamos falando da vida de uma pessoa e de uma sanção extremamente grave.

Uma eventual anistia aos condenados do 8 de Janeiro pode afetar os julgamentos de perda de patente?
Eu entendo que não, porque são processos distintos. A anistia extingue a punibilidade, ou seja, extingue a pena imposta. Ela não extingue o crime que foi cometido e, menos ainda, a conduta desonrosa. Então, se houve, segundo o entendimento do STM, uma conduta incompatível com a farda, com o melhor agir de um oficial, ela será mantida. Anistia é perdão, anistia não é esquecimento.

Depois do 8 de Janeiro, o que mudou na relação entre as Forças Armadas e as demais instituições?
Acho que o Brasil precisa se reconstruir permanentemente. Se não houve golpe consumado, foi porque as Forças Armadas acabaram se mantendo fiéis à legalidade. Isso foi muito importante para a democracia. Confesso que nunca imaginei viver algo como o 8 de Janeiro. O episódio mostrou que a democracia é um projeto permanentemente inacabado. Ela precisa ser constantemente reconstruída, fortalecida e protegida.

Episódios como a absolvição dos militares no caso do músico Evaldo Rosa, morto a tiros no Rio, geraram críticas de corporativismo da Justiça Militar. Como a senhora vê essas críticas?
Eu não vou defender o resultado, porque fui voto vencido. Mas, na minha visão pessoal, aquela decisão fragilizou a imagem da Justiça Militar. Não sei se a palavra correta é corporativismo. O que acho é que a pergunta que deveria ser feita é por que as Forças Armadas vêm sendo chamadas com tanta frequência para atuar em operações de Garantia da Lei e da Ordem. O papel constitucional das Forças Armadas não é o de polícia, é o de defesa da Pátria.

A senhora defende limitar os salários acima do teto no Judiciário?
A Justiça Militar da União nunca recebeu acima do teto constitucional. Nós somos o menor orçamento do Poder Judiciário e, efetivamente, nunca tivemos recursos para pagar verbas extras aos magistrados. Acho que a solução apresentada pelo ministro Edson Fachin é a mais adequada: uma lei federal, e não apenas uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), disciplinando de forma uniforme os subsídios e os contracheques da magistratura. Isso tende a acabar com os abusos e excessos, que, a meu ver, não vinham da Justiça Federal, mas principalmente da Justiça estadual.

A senhora é a primeira presidente mulher do STM. Que marca pretende deixar?
Quando assumi a presidência, disse que minha gestão seria fundada em um tripé: defesa do Estado Democrático de Direito, transparência e inclusão. Acho que esses três pilares dialogam diretamente com os direitos humanos e é essa a marca que eu pretendo deixar. Tenho procurado transformar esse discurso em ações concretas.

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Dark Horse vira munição contra Flávio após promessa de transparência não cumprida

Charge do Orlando (Instagram)

Leticia Fernandes
Estadão

A demora do senador Flávio Bolsonaro (PL) em prestar contas sobre o filme “Dark Horse”, que retrata parte da trajetória política de Jair Bolsonaro, virou munição de campanha para o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O partido cobrou nas redes sociais o candidato do PL, principal adversário de Lula nas urnas, sobre os três meses que se passaram desde que Flávio disse que apresentaria publicamente um relatório detalhado sobre o financiamento do longa-metragem, que contou com verba de Daniel Vorcaro, do Banco Master.

GASTOS COM O FILME – Procurada, a assessoria do senador afirmou que a produtora já prestou contas à Justiça dentro do prazo. Flávio, porém, não voltou a se pronunciar publicamente sobre os gastos com o filme. O Estadão teve acesso aos dados encaminhados à Justiça e comprovou que o material enviado pela Go Up não detalha quem foram os financiadores do projeto, como prometeu o senador.

Em vídeo nas redes sociais, o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, cobrou nesta quarta-feira, 19, os “90 dias sem explicações sobre o dinheiro recebido do Vorcaro”.

PROMESSA –  O filho 01 de Jair Bolsonaro afirmou a jornalistas em 19 de maio que havia pedido à produtora Go Up, responsável pelo longa, para prestar contas detalhadas do financiamento da produção em até 30 dias.

A relação de proximidade de Flávio com Daniel Vorcaro, após se tornarem públicas informações de que o candidato pediu dinheiro ao banqueiro para financiar o “Dark Horse”, desgastou a reputação de Flávio.

“Meus pedidos, tanto à produtora quanto ao fundo, (foram) que eles se organizassem para fazer uma prestação de contas a todo mundo das despesas que foram feitas em função desse investimento no filme, de forma transparente, em até 30 dias. Foi o que eu pedi”, afirmou na ocasião.

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Uma cadeira vazia aguarda que a mulher se arrependa da traição amorosa…

O compositor Lupicínio Rodrigues — Foto: Reprodução Um dos maiores  embaixadores dos amores mal resolvidos, Lupicínio Rodrigues nascia há 110  anos, em 16 de setembro de 1914, colocando em definitivo seu município

Lupicínio, o rei da fossa e da dor de cotovelo

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor e compositor gaúcho Alcides Gonçalves (1908-1987), na letra de “Cadeira Vazia”, em parceria com Lupicínio Rodrigues, conta a estória da vítima da mulher traidora, volúvel, sempre disposta à traição que, ao voltar arrependida, encontra, senão amor, pelo menos compaixão, uma vez que perdoá-la é impossível. Este samba-canção foi gravado por Francisco Alves, em 1950, pela Odeon.

CADEIRA VAZIA
Lupicínio Rodrigues e Alcides Gonçalves

Entra meu amor fique a vontade
E diz com sinceridade o que desejas de mim
Entra podes entrar a casa é tua
Já que cansaste de viver na rua
E os teus sonhos chegaram ao fim

Eu sofri demais quando partiste
Passei tantas horas tristes
Que não gosto de lembrar esse dia
Mas de uma coisa pode ter certeza
Teu lugar aqui na minha mesa
Tua cadeira ainda está vazia

Tu es a filha pródiga que volta
Procurando em minha porta
O que o mundo não te deu
E faz de conta que eu sou o teu paizinho
Que há tanto tempo aqui ficou sozinho
A esperar por um carinho teu

Voltaste estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente

Vou te falar de todo coração
Não te darei carinho nem afeto
Mas pra te abrigar podes ocupar meu teto
Pra te alimentar podes comer meu pão

Voltaste estás bem, estou contente
Só me encontraste um pouco diferente

Polícia Federal entra em cena para evitar a desmoralização de Moraes e Dino

Moraes, o sigilo da fonte e o limite do poder – O BOLETIM

Charge reproduzida de O Boletim

Vicente Limongi Netto

A Polícia Federal evitou um absurdo maior ao dar por concluídas as investigações, apontando falta de provas para processar o jornalista maranhense Luis Pablo, acusado de perseguir o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que ficou muito mal no filme.

Também se vê em péssima situação o colega Alexandre de Moraes, parceiro para o que der e vier, carne e unha, com Dino, que decidira conduzir as investigações contra o jornalista, quebrando ilegalmente o sigilo da fonte e tudo o mais. Amizade comovente é isso.

SIGILO MANTIDO – O detalhe mais grave da pantomima, que deixou Ruy Barbosa aflito e indignado no túmulo, foi justamente essa estranhíssima quebra do sigilo da fonte do repórter.

A inacreditável decisão de Moraes, que Dino festejou, descrumpre a Constituição, atinge a democracia e insulta a liberdade de imprensa. Estarrecedor papelão da dupla Dino & Moraes, que gosta de elogios e detesta críticas.

É um melancólico exemplo do comportamento antiético de dois expoentes da Suprema Corte, antigamente chamada, com méritos, de guardiã da Constituição e da soberania.  Francamente, tenho ânsia de vômito.

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Moraes e Dino tentaram reviver uma regra do regime militar para calar a imprensa

Dois homens conversam frente a frente em ambiente interno. Um deles usa terno escuro, camisa branca e gravata vermelha listrada, com óculos. O outro veste traje preto formal, com gola branca, e é calvo. Fundo desfocado com outras pessoas presentes.

Dino e Moraes sonham (?) em amordaçar a imprensa

Glenn Greenwald
Folha

Sempre que alguém pensa já ter visto de tudo na política brasileira, logo se prova o contrário. Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes induziram na terça-feira (18) a esquerda a defender e torcer abertamente pelo retorno de uma restrição à liberdade de imprensa imposta pela ditadura militar em 1969.

Essa restrição, o decreto-lei nº 972/1969, foi anulada pelo STF em 2009 por 8 votos a 1, por ser incompatível com direitos constitucionais fundamentais, não tendo sido recepcionada pela Constituição Federal de 1988. O relator foi o ministro Gilmar Mendes. A ministra Cármen Lúcia e o então ministro Ricardo Lewandowski votaram com ele.

APÓS O AI-5 – A norma que Dino e Moraes sugeriram reimpor foi baixada “com fundamento no AI-5 e AI-16”, como lembrou Rafael Kriek, presidente da Comissão da Advocacia Pública da OAB-MA. O regime militar buscou limitar quem podia usar a imprensa para denunciar os abusos do Estado ao inventar uma exigência acadêmica inédita para atuar como “jornalista”: a exigência de diploma em jornalismo. Assim o regime excluiu –deliberadamente – milhões de brasileiros que vinham utilizando a imprensa para denunciá-los.

É impossível não notar o contexto similar em que Dino e Moraes tentam reviver este esquema de controle. Moraes enfrenta um dos piores escândalos da história recente do STF devido aos R$ 80 milhões recebidos pelo escritório de sua esposa do Banco Master: riqueza geracional para sua família cujo valor deixou especialistas estarrecidos.

Dino irritou-se com reportagens sobre o uso de carros oficiais, a ponto de Moraes provocar alarme e revolta ao determinar busca e apreensão contra o jornalista responsável, descobrindo sua fonte.

IGUAL À DITADURA – A resposta da dupla a esse desgaste é empurrar ainda mais os ataques à liberdade de imprensa, replicando a lógica de controle do jornalismo da ditadura de 1969.

Algumas profissões exigem conhecimentos hiperespecializados para serem praticadas com segurança e competência (cirurgiões, arquitetos de grandes edifícios, advogados em processos para defender a liberdade de outros).

Para outros trabalhos, nenhum diploma específico é necessário porque suas competências centrais podem ser obtidas por outras vias (chef, engenheiro de software, mecânico, governador, senador ou ministro do STF).

EXEMPLOS CLAROS – Para determinar a categoria do jornalismo, pergunto: William Bonner, Ricardo Boechat e Cid Moreira são jornalistas “de verdade”? E o histórico editor da Folha, Otavio Frias Filho, ou Elio Gaspari, colunista deste jornal, ou Merval Pereira, do jornal O Globo? E Bob Woodward e Carl Bernstein, responsáveis pela icônica cobertura do caso Watergate, ou Seymour Hersh, talvez o repórter investigativo mais consequente do último meio século?

Se a tese de Dino e Moraes prevalecer, todos esses gigantes seriam excluídos do “verdadeiro” jornalismo. Nenhum deles tem diploma em jornalismo e, portanto, no raciocínio deles, são incapazes de exercer as competências básicas da profissão.

Até recentemente, em 2019, na Vaza Jato, Mendes alinhou-se à sua decisão do 2009: proibiu investigações sobre minhas reportagens, inclusive tentativas de quebrar o sigilo de fontes, por fundamentos constitucionais.

DECISÃO FESTEJADA – A esquerda celebrou, assim como entidades de imprensa e a OAB, apesar de minha formação ser em direito, e não em jornalismo.

 

Muitos jornalistas gostam de se imaginar como cirurgiões cerebrais ou cientistas de foguetes quanto à complexidade da profissão. Essa visão é lisonjeira, mas bem anti-histórica.

A melhor analogia para a liberdade de imprensa não é a neurocirurgia, mas a liberdade de expressão. Ambas são direitos garantidos a todos os cidadãos, não a um sacerdócio privilegiado chamado “jornalistas”.

De fato, o conceito de “imprensa livre” surgiu pela primeira vez com a popularização da invenção da imprensa. Isso permitiu que todos os cidadãos a usassem para denunciar autoridades e serem ouvidos.

IMPRENSA LIVRE – O direito a uma imprensa livre existe para proteger essa atividade para todos. Um bom jornalismo exige competências básicas que qualquer cidadão pode dominar sem um canudo. Como explicou Lewandowski em 2009:

“O jornalismo prescinde de diploma”, pois simplesmente requer “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”.

Afirmar que essas competências só se obtêm com um diploma em jornalismo é pomposo, insultuoso e falso. Pior ainda: como a ditadura demonstrou, o objetivo real nunca foi garantir o bom jornalismo (vide quantos diplomados apoiaram o golpe de 1964), mas sim controlar uma imprensa livre.

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Consolidação da “ditadura” que Moraes quer impor no STF só dependeria de Zanin

Cristiano Zanin | CNN Brasil

Zanin iriai decidir os rumos da democracia brasileira

Carlos Newton

Se você tem alguma dúvida se o Supremo está realmente implantando uma Ditadura do Judiciário, pode passar a ter certeza. O ministro Alexandre de Moraes (ele, sempre ele) pretendia colocar em julgamento na Primeira Turma sua autoritária decisão de descumprir o texto constitucional e abolir o direito ao sigilo de fonte dos jornalistas.

Em sua ânsia de poder, Moraes já demonstrou abertamente que sua prepotência não conhece limites, a ponto de receber duras reações de outros países, como Itália, Espanha e Estados Unidos, que têm rejeitado pedidos de extradição do STF contra adversários do governo Lula. As decisões no exterior citam preocupações com a imparcialidade judicial, o devido processo legal e a proteção à liberdade de expressão, desmoralizando a imagem da Justiça brasileira no exterior.

PEDIDOS NEGADOS – A Corte de Cassação da Itália anulou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) e determinou sua libertação. Motivo: no processo, Moraes atuou simultaneamente como vítima, investigador e julgador, algo inaceitável em qualquer país da ONU.

Na Espanha, outra derrota. Foi rejeitado em definitivo o pedido de extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio. A justiça acolheu pareceres que indicaram haver perseguição política ao jornalista brasileiro. Por isso, desconheceu as justificativas enviadas pelo Supremo e mandou arquivar o caso,

Nos Estados Unidos a reação tem sido ainda maior. A Justiça negou as extradições do jornalista Allan dos Santos e do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Além disso, o Congresso americano abriu investigação sobre outros procedimentos autoritários de Moraes, que está sendo processado pela plataforma de vídeos Rumble e pela empresa Trump Media, pertencente ao presidente Donald Trump.

DESEMBESTADO – Apesar da forte reação externa e interna contra seus atos, o ministro Moraes não recua e segue desembestado em sua voragem persecutória. Seu mais recente absurdo constitucional foi investir contra a liberdade de expressão e abolir o sigilo de fonte da imprensa, ao determinar busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luis Pablo.

O tal “crime” do repórter foi ter denunciado que o ministro Flávio Dino e sua família, quando se encontram no Maranhão, utilizam um carro blindado da Justiça estadual, com motorista e combustível pagos pelo poder público.   

Moraes autorizou apreensão do pendrive e do celular do jornalista, e assim foi possível identificar como fonte o ex-secretário estadual de Assuntos Legislativos, Raimundo Cotrim, delegado aposentado.

Esse processo já levou à prisão domiciliar de Cutrim e ao afastamento do presidente do Tribunal de Contas do Maranhão pelo período de 180 dias por decisão de Flávio Dino, que também apoiou a quebra do sigilo da fonte, vejam a que ponto de inconstitucionalidades já chegamos..

AMEAÇA AO SIGILO – A ofensiva de Moraes e Dino representava uma ameaça concreta a um direito  garantido à imprensa na Constituição. O presidente Edson Fachin chegou a ler uma nota afirmando que o caso deveria ser submetido ao Plenário. No entanto, Moraes desprezou a recomendação e anunciou que o assunto era da Primeira Turma, que só tem quatro ministros, devido à aposentadoria de Luís Roberto Barroso Flávio Dino, presidente, Cármen Lúcia, Moraes e Cristiano Zanin.

Dino, é claro, não poderia votar de julgamento em assunto de seu interesse direto, e a defesa do delegado Raimundo Cotrim pediu ao STF que o ministro seja impedido de participar. Assim, a votação seria presidida por Carmén Lúcia e teria a participação apenas de Moraes e Zanin.

Sabe-se que o voto de Cármen defenderia a manutenção do sigilo de fonte, enquanto Moraes, por óbvio, seria contrário. Portanto, caberia a Zanin decidir uma votação histórica, de apenas três votos, porque dela dependeria diretamente a implantação da Ditadura do Supremo, que é ansiada por outros ministros além de Morais, como Flávio Dino, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, mas têm oposição de Luiz Fux, André Mendonça, Édson Fachin e Cármen Lúcia. É nessa divisão que mora o perigo da implantação definitiva da Ditadura do Supremo, que fica dependendo da dignidade de Zanin

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P.S. –
O caso é de tamanha gravidade que vamos falar em português claro. Os ministros golpistas (vamos chamá-los da forma mais precisa e apropriada) estavam se aproveitando de uma brecha no Regimento para amordaçar a imprensa e evitar divulgações de contratos como aquele de R$ 129 milhões. Como se sabe, tolher a liberdade de expressão não é possível em democracia, apenas em ditadura. Não importa se é controlada pelo Supremo, pelo Planalto ou pelo Congresso, toda ditadura é nefasta e precisa ser combatida por todas as forças democráticas da sociedade. Justamente por isso, a Polícia Federal entrou em cena e inviabilizou a decisão de Moraes processar o repórter maranhense. Com isso, podemos ficar aliviados, até a próxima tentativa dos “golpistas” do Supremo. (C.N.)

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