O testamento poético da criança que existe em nós, segundo Hilda Hist

Obsceno Hilda HilstPaulo Peres
Poemas & Canções

A ficcionista, dramaturga, cronista e poeta paulista Hilda Hilst (1930-2004), no poema “Testamento Lírico”, faz um lírico balanço sobre o que pediu e o que recebeu durante a vida.

TESTAMENTO LÍRICO
Hilda Hilst

Se quiserem saber se pedi muito
Ou se nada pedi, nesta minha vida,
Saiba, senhor, que sempre me perdi
Na criança que fui, tão confundida.
À noite ouvia vozes e regressos.
A noite me falava sempre sempre
Do possível de fábulas. De fadas.
O mundo na varanda. Céu aberto.
Castanheiras douradas. Meu espanto
Diante das muitas falas, das risadas.
Eu era uma criança delirante.
Nem soube defender-me das palavras.
Nem soube dizer das aflições, da mágoa
De não saber dizer coisas amantes.
O que vivia em mim, sempre calava.

E não sou mais que a infância. Nem pretendo
Ser outra, comedida. Ah, se soubésseis!
Ter escolhido um mundo, este em que vivo,
Ter rituais e gestos e lembranças.
Viver secretamente. Em sigilo.
Permanecer aquela, esquiva e dócil.
Querer deixar um testamento lírico
E escutar (apesar) entre as paredes
Um ruído inquietante de sorrisos
Uma boca de plumas, murmurante.

Nem sempre há de falar-vos um poeta.
E ainda que minha voz não seja ouvida
Um dentre vós, resguardará (por certo)
A criança que foi. Tão confundida.           

“Merecia o benefício da dúvida”: Flávio tenta conter desgaste após ataque de Zema

Crise de Flávio Bolsonaro transforma CPI do Master em nova guerra política no Congresso

Aliados de Alcolumbre descartam destravar comissão

Luísa Marzullo
O Globo

A crise provocada pela revelação das negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro uniu governistas e oposicionistas no Congresso na defesa pública da criação de uma CPI para investigar o Banco Master.

Nos bastidores do Senado, porém, aliados do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmam que a ofensiva é vista mais como instrumento de disputa política e comunicação pública do que como uma articulação real para instalar uma comissão investigativa e, por isso, descartam destratar a criação do colegiado.

NEGOCIAÇÕES – A nova onda de pressão ocorre após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de mensagens, áudios e documentos que apontam negociações entre Flávio e Vorcaro para financiar “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a publicação, a negociação previa aportes de US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — para a produção cinematográfica.

Depois da repercussão do caso, Flávio decidiu transformar a defesa da CPI numa das principais linhas de reação política da pré-campanha presidencial. Em nota divulgada após uma reunião de emergência com integrantes do núcleo político e jurídico do PL, o senador afirmou que buscava apenas “patrocínio privado para um filme privado” sobre a história do pai e voltou a cobrar a instalação da comissão parlamentar. “Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero: CPI do Master já”, afirmou.

Nos bastidores da campanha, a avaliação é que a defesa da investigação parlamentar pode ajudar Flávio a tentar se dissociar politicamente do escândalo e deslocar parte do desgaste para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No campo governista, a reação caminhou na mesma direção, ainda que com objetivo oposto.

“BOLSO MASTER” – Integrantes da base passaram a intensificar a tentativa de associar o escândalo do Banco Master ao bolsonarismo, numa ofensiva apelidada de “Bolso Master”. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) afirmou que o caso reforçou a necessidade de instalação imediata da comissão. “Agora está claro o acordão no Congresso para aliviar corruptos do Centrão e da extrema-direita”, disse.

Apesar do endurecimento do discurso público dos dois lados, lideranças do Congresso avaliam que o tema se transformou sobretudo numa disputa sobre quem ficará politicamente associado ao escândalo do Banco Master às vésperas da corrida presidencial de 2026.

A resistência de Alcolumbre em relação à CPI do Banco Master antecede a crise envolvendo Flávio Bolsonaro e segue, até agora, inalterada. Na última sessão conjunta do Congresso, realizada há duas semanas, o presidente da Casa optou por não fazer a leitura do requerimento de criação da comissão, passo necessário para oficializar a instalação do colegiado.

TENSÃO – Nos bastidores, a decisão foi interpretada como um movimento para evitar a abertura de uma nova frente de instabilidade política num momento em que o Congresso já enfrentava tensão com o avanço de investigações relacionadas ao sistema financeiro. Na semana seguinte, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de primeira hora de Alcolumbre, se tornou alvo de um mandado de busca e apreensão, esfriando ainda mais qualquer chance de instalação.

Ao não ler o requerimento, Alcolumbre criou também um precedente político importante: mostrou que, mesmo diante de pressão pública e de assinaturas suficientes, a instalação de uma CPI pode continuar dependendo da conveniência política da presidência do Congresso.

Segundo interlocutores próximos ao senador, o cenário permanece o mesmo mesmo após a explosão do caso envolvendo Flávio e Vorcaro. Aliados afirmam que não existe previsão de nova sessão conjunta do Congresso no curto prazo e tampouco disposição política de Alcolumbre para destravar a comissão neste momento.

DESGASTE – Esses aliados afirmam que há receio de que uma CPI do Master produza desgaste transversal sobre lideranças do Centrão, contaminando as eleições deste ano. A avaliação no entorno do presidente do Senado é que tanto governistas quanto oposicionistas passaram a defender a CPI mais como ferramenta de discurso político do que como prioridade institucional real.

Interlocutores afirmam que nenhum senador procurou diretamente Alcolumbre nas últimas 24 horas para fazer um pedido efetivo de instalação da comissão, apesar da escalada pública das cobranças após a divulgação da reportagem do Intercept.

Aliados do presidente do Congresso também lembram que, nas semanas anteriores, a própria oposição havia concordado reservadamente em não pressionar pela leitura imediata do requerimento durante negociações internas no Senado. Houve um acordo para que o veto da dosimetria aos envolvidos no 8 de janeiro de 2023 pudesse ser votado sem a deliberação do colegiado.

Bolsonaro dobra a aposta em Flávio mesmo diante de revelações envolvendo Vorcaro

A bomba que abalou a candidatura de Flávio Bolsonaro

Flávio cobrou repasses milionários de Vorcaro

Pedro do Coutto

A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro entrou abruptamente em sua fase mais delicada. Em poucas horas, a divulgação de áudios, mensagens e documentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro transformou o ambiente político da direita brasileira e produziu um dos maiores abalos da corrida eleitoral até agora.

As revelações publicadas pelo Intercept Brasil, repercutidas por veículos como O Globo, Folha de S.Paulo, Reuters e Associated Press, mostram diálogos em que Flávio cobra repasses milionários para a produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo as reportagens, pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido transferidos ao projeto, embora o valor negociado pudesse chegar a R$ 134 milhões.

REFLEXO – O impacto foi imediato porque a crise atingiu justamente o principal esforço político da pré-campanha bolsonarista: transformar Flávio em um candidato mais moderado, menos ideológico e mais aceitável para setores empresariais, financeiros e do centro político.

Nos últimos meses, aliados trabalhavam intensamente para afastá-lo da imagem mais radical associada ao pai. A estratégia buscava vender a ideia de um político mais pragmático, capaz de dialogar com o mercado e ampliar alianças. Mas os áudios revelados desmontaram parte dessa construção.

Mais do que o pedido de recursos para o filme, chamou atenção o grau de proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em uma das mensagens divulgadas, o senador chama o banqueiro de “irmão” e afirma que estaria “sempre” ao lado dele. O problema político é evidente: Vorcaro tornou-se o epicentro de uma das maiores investigações financeiras recentes do país, envolvendo suspeitas de fraude bilionária, corrupção, lavagem de dinheiro e relações obscuras entre empresários, agentes públicos e operadores políticos.

COBRANÇAS – A situação ganhou dimensão ainda maior porque não se trata apenas de uma relação pessoal ou informal. Os diálogos revelam cobranças financeiras diretas, preocupação com pagamentos atrasados e tentativas de garantir continuidade ao projeto cinematográfico justamente em meio ao avanço das investigações contra o antigo controlador do Banco Master.

O dano político não decorre apenas da existência do filme. Em campanhas eleitorais, produções audiovisuais, documentários e estratégias de comunicação são comuns. O problema está no contexto. O financiamento teria ocorrido por meio de um banqueiro posteriormente preso pela Polícia Federal e investigado em um esquema que já alcança integrantes do sistema financeiro, operadores políticos e até agentes públicos. Isso muda completamente a percepção pública do episódio.

A repercussão explodiu dentro da própria direita. Governadores como Romeu Zema e Ronaldo Caiado, ambos presidenciáveis, passaram imediatamente a avaliar os efeitos da crise sobre o tabuleiro eleitoral. Nos bastidores, aliados enxergam uma oportunidade rara de enfraquecimento do favoritismo interno de Flávio Bolsonaro dentro do campo conservador.

JOGO VIROU – O timing da crise também foi devastador. Poucas horas antes da explosão do caso, pesquisas mostravam recuperação do presidente Lula da Silva e manutenção de um cenário de empate técnico com Flávio em projeções de segundo turno. O escândalo deslocou o centro do debate político e alterou completamente o ambiente da campanha.

No mercado financeiro, a reação foi instantânea. O dólar disparou e a Bolsa brasileira caiu fortemente após a divulgação das reportagens, num movimento interpretado por analistas como demonstração de nervosismo diante da possibilidade de desorganização do principal projeto eleitoral da direita.

Há outro aspecto importante. Durante anos, o bolsonarismo construiu parte de sua identidade política em torno do discurso anticorrupção e da crítica às relações entre empresários, bancos e poder político. A revelação de negociações milionárias envolvendo um banqueiro investigado produz um desgaste simbólico profundo justamente porque atinge um dos pilares narrativos mais importantes do grupo político.

DUAS VERSÕES – A reação inicial de Flávio agravou o problema. Antes da divulgação completa das mensagens, o senador negou a existência dos contatos. Depois, diante da publicação dos áudios e documentos, passou a admitir que buscava “patrocínio privado” para um filme privado sobre o pai, negando ilegalidades. A mudança de versão produziu desconforto até entre aliados próximos, que passaram a considerar a condução inicial da crise um erro político relevante.

A grande questão agora é saber até onde essa crise irá. Em campanhas presidenciais, escândalos podem perder força rapidamente ou produzir efeitos acumulativos devastadores. Tudo dependerá da existência — ou não — de novos vazamentos, do avanço das investigações da Polícia Federal e da capacidade da oposição de manter o tema vivo no debate público.

ALÍVIO POLÍTICO – Por enquanto, o episódio produziu algo raro na política brasileira recente: abalou simultaneamente a estabilidade da candidatura bolsonarista, abriu espaço para adversários internos da direita e ofereceu ao governo Lula um inesperado alívio político num momento em que o Planalto enfrentava desgaste crescente.

A eleição ainda está distante. Mas algumas crises possuem capacidade de alterar permanentemente a percepção pública sobre um candidato. E é exatamente isso que preocupa hoje os aliados de Flávio Bolsonaro.

Partidos torram bilhões do Fundão e entram no vermelho às vésperas de nova eleição

O que irá acontecer com Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro, amigões de Vorcaro?

Vice dos sonhos” de Flávio Bolsonaro, Ciro Nogueira é alvo da PF por  suspeita de propina ligada ao Banco Master - Fundação Perseu Abramo

Nogueira e Flávio também cobravam por protegerem Vorcaro

Vicente Limongi Netto

Quando a Polícia Federal flagrou o senador socialista Chico Rodrigues (PSB-RR) com míseros dólares na cueca, foi um Deus nos acuda. Tiraram o couro do destrambelhado parlamentar. Inclusive este repórter, aqui na Tribuna da Internet. Tiveram de desinfetar cômodos do Senado.

E agora, com os dois sujos, emporcalhados e farsantes senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desmascarados como amigões do meliante Daniel Vorgaro? O que acontecerá?

PROVIDÊNCIAS? – O perfumado Davi Alcolumbre (União-AP) não vai tomar providências enérgicas em benefício da higiene e bem estar dos servidores e parlamentares? Não vai mandar tirar a sujeira dos carpetes, tapetes, cadeiras, garagem, plenário e banheiros por onde passam Flávio e Ciro? Nem desavisados sentam nas poltronas dos dois. Mas certamente não lhes acontecerá nada…

Os turistas estão espantados. Não voltam tão cedo ao Senado. O fedor nos rastros de Ciro e Flávio faz mal aos pulmões. Quando os desprezíveis e fedorentos senadores Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira entram no plenário, o busto de Ruy Barbosa tapa o nariz.

Falando de imundície, a Policia Federal prendeu o pai do meliante ex-banqueiro. Só escapou a mãe. Resta saber quanto tempo ficarão presos. Leis frouxas humilham e debocham do cidadão de bem. Políticos como Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, envolvidos com o ex-banqueiro facínora, estão sangrando, caminhando a jato para a desmoralização. E o Brasil apodrecendo.

CANHOTINHA – O colunista Severino Francisco (Correio Braziliense- 12/05) traçou com irretocável precisão as características marcantes do cerebral meia Gerson Nunes, o notável e inigualável canhotinha de ouro do tri no México. Com invejável e apurada técnica, Gerson encantou estádios do mundo inteiro.

O botafoguense Severino Francisco recordou os lançamentos precisos de Gerson, na copa de 70, que consagraram Pelé e Jairzinho. Gerson foi eleito pela Fifa, depois de Pelé, o melhor jogador daquela copa. Até hoje, passados mais de 60 anos, a seleção brasileira não tem meia com as qualidades e a personalidade de Gerson. Triste constatação.

“Quando Gerson recebia passes de virada pelo alto, a matada de bola no peito valia o ingresso. A bola vinha torta, era amortecida e morria lentamente na ponta da chuteira”. Recorda Severino com justificável emoção.

É triste ver o STF manipular o Regimento para impedir a absolvição de Bolsonaro

Tribuna da Internet | Depois de superado o golpismo, é preciso impor limites severos ao Supremo

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

O jurista Jorge Béja recentemente citou aqui na Tribuna da Internet a “anarquia jurídica” que reina no país. Realmente, nunca se viu nada igual. Além das tais “reinterpretações” das leis pelo Supremo, um fenômeno recente que envergonha a Justiça do Brasil perante o resto do mundo, a esculhambação chega a tal ponto que o Supremo cometer erros propositais ao informar sobre seu Regimento Interno no caso de Jair Bolsonaro.

No dia 15 de maio, quando os novos advogados do ex-presidente deram entrada à ação de revisão criminal, o próprio site da Suprema Corte divulgou uma explicação oficial sobre o processo, citando dispositivos do Regimento Interno que absolutamente não se aplicam à questão, vejam até onde vai a desfaçatez. E o objetivo claro é afastar de imediato qualquer possibilidade de absolvição de Bolsonaro.

MANIPULAÇÃO – A matéria teve o título “Ex-presidente Bolsonaro apresenta revisão criminal contra condenação por tentativa de golpe de Estado, acrescido do ardiloso subtítulo que já induz a manipulação, ao destacar: “Instrumento processual é utilizado contra condenações definitivas, e competência para julgamento é do Plenário.

No texto, é equivocamente citado o artigo 6º do Regimento, inciso I, alínea c, determinando que compete ao Plenário “julgar a revisão criminal de Julgado do Plenário”.

A que ponto chegamos… É óbvio que os responsáveis pelo site do STF jamais tomariam a iniciativa de cometer erros propositais, em assunto de tal magnitude, porque poderiam ser demitidos. Portanto, algum ministro encarregou sua equipe de manipular as informações e passá-las aos editores do portal.

“REINTERPRETAÇÃO” – Fica claro que o grupo de ministros ligados a Lula deu início à “reinterpretação” do Regimento, para evitar a correção dos erros judiciários e processuais cometidos pelo relator Alexandre de Moraes e pela Primeira Turma, que os consagrou.

Esses ministros de forjado saber e reputação nebulosa tentam fingir que o artigo 6º se aplica ao caso, mas é grotesco fazê-lo, pois Bolsonaro não foi julgado pelo Plenário, até porque foi processado muito depois de ser presidente.

Eles procuram esconder também que em 7 de dezembro de 2023 aprovaram, por 10 votos a 1, a competência das Turmas para processar e julgar ações penais. As alterações no Regimento, que racionalizaram a distribuição dos processos criminais e reduziram a sobrecarga do Plenário, também acabaram com a figura do revisor nessas ações.

NOVA REALIDADE – Originalmente, a competência para julgar ações penais era do Plenário. O congestionamento da pauta no “Mensalão” motivou em 2014 o deslocamento para as Turmas, para acelerar a resolução das ações criminais no menor tempo possível.

Em 2020, o STF restaurou a competência do Plenário, que retomou a atribuição de processar e julgar, nos crimes comuns, o presidente e o vice-presidente da República, os presidentes do Senado e da Câmara, os ministros do STF e o procurador-geral da República, mas exclusivamente em relação aos crimes praticados no exercício e em razão da função pública.

Justamente por isso, Bolsonaro foi julgado pela Primeira Turma, sem possibilidade de recorrer ao Plenário, o que seus advogados até tentaram fazer, sem êxito. Mas agora os ministros (aqueles de sempre) querem melar o jogo e fazer Bolsonaro ser julgado no Plenário, onde a derrota dele é certa. Na Segunda Turma, porém, a absolvição tem chances de prevalecer, com o voto que Fux já deu, somados aos de Nunes Marques e André Mendonça, deixando Gilmar Mendes e Dias Toffoli como votos vencidos, conforme há meses temos afirmado aqui na Tribuna, com absoluta exclusividade.

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P.S. 1
Cabe aqui uma ressalva importantíssima. Ao trazer a debate esses erros propositais do site da Suprema Corte, o editor da Tribuna da Internet não tem a menor intenção de defender Jair Bolsonaro, a quem conhece pessoalmente e sempre o considerou um completo idiota, comparável a Lula da Silva, um político enganador de renome internacional. O que importa, no caso, é revelar como as leis podem ser manipuladas à vista de todos, como ocorreu em 2019, na libertação ilegal de Lula, e em 2021, na limpeza também ilegal de sua ficha, para que pudesse se candidatar.

P.S. 2Amanhã, vamos analisar a conturbada campanha eleitoral entre dois políticos de ficha suja – Lula da Silva, condenado sempre por unanimidade até no STJ, e Flávio Bolsonaro, o rachadista que só comprava imóveis com dinheiro vivo, para esconder a origem criminosa. Mas depois a gente volta a falar do Supremo e seu mar de lama, é claro. (C.N.) 

Um em cada cinco brasileiros diz já ter recebido oferta para vender o voto

Charge do Bennett (Instagram)

Maria Magnabosco
Estadão

Um em cada cinco brasileiros (22%) afirma já ter recebido oferta para vender o voto em alguma eleição, segundo pesquisa Ipsos-Ipec realizada em conjunto com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e divulgada nesta semana.

O levantamento faz parte da campanha “Voto não tem preço, tem consequências” e mostrou que a maioria dos entrevistados, ou seja, 62% da população, não se sente segura para denunciar o crime eleitoral, tampouco sabe como fazê-lo.

COMPRA DE VOTOS – A pesquisa mostra que três quartos da população consideram a oferta de dinheiro uma forma de compra de votos. Segundo a socióloga Adélia Franceschini, consultora do levantamento, porém, essa não é a única maneira de abordar os eleitores. “Há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar o acesso a benefícios sociais, oferecer churrasco ou festa, entre outras”, explica.

“Temos dois problemas: um é a compra de votos em si, porque 22% já é muita gente. O outro é que cerca de 70% não entendem muitas moedas de troca como compra de voto, mas sim como um ‘favorzinho’”, afirma a socióloga.

A pesquisa também mostra que candidatos a cargos municipais são os que mais motivam tentativas de coação de eleitores. Os vereadores correspondem a 59% dos relatos de pessoas que afirmam já terem sido abordadas por candidatos ou cabos eleitorais com esse tipo de proposta. Os prefeitos aparecem em seguida, com 43%. Além disso, mesmo entre os que não foram diretamente abordados para vender o voto, 39% relatam que essa prática ocorre “sempre” onde moram. A soma dos que dizem que isso acontece “frequentemente” ou “às vezes” chega a 30%.

MAIOR INCIDÊNCIA – O levantamento mostra que o Nordeste é a região com maior incidência de entrevistados que apontaram ter recebido abordagens para vender o voto: 32%, dez pontos a mais que a média nacional e bem acima dos 18% do Sudeste, a mais populosa do país.

“Quanto menor a cidade, mais compra de votos. Mais gente depende de emprego na prefeitura, por exemplo. O dinheiro também é mais ‘útil’, ao permitir mais facilmente a satisfação de necessidades. Já nas cidades maiores, as cestas básicas são mais ‘práticas’ para os candidatos”, diz o cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, Chico Whitaker.

COMO DENUNCIAR –  Um dos objetivos da campanha do MCCE é incentivar denúncias de compra de votos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral. A pesquisa mostra, porém, que 62% dos brasileiros não sabem como denunciar o crime, enquanto 52% afirmam não se sentir seguros para fazer a denúncia.

A compra de votos, chamada pela legislação de “captação ilícita de sufrágio”, pode ser denunciada por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público, além de delegacias, promotorias, e-mails e ouvidorias. O crime inclui oferecer dinheiro, benefícios ou vantagens em troca de votos e pode levar a até quatro anos de prisão.

A pesquisa foi feita pelo Ipsos-Ipec entre 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2000 entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95%. A margem de erro para as perguntas que englobam toda a amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

PL já admite risco de Eduardo Bolsonaro ficar fora das urnas após ação no STF

Copa de 1970 tem muitas narrativas e há versões que nada têm de realidade

Entenda o papel de Neymar na contratação de Ancelotti

Carlo Ancelotti enfim está admitindo convocar Neymar

Tostão
Folha

Na lista final dos convocados para a Copa do Mundo, Ancelotti ainda deve ter algumas dúvidas, especialmente do meio para frente, com quatro jogadores (Andrey, Paquetá, Rayan e Neymar) para duas vagas. A polarização sobre Neymar, se ele deve ou não ir ao Mundial, está tão radical quanto à da política brasileira.

Carlo Ancelotti será o juiz e espero que tenha sabedoria para decidir. Ou a melhor solução seria jogar a moeda para cima e ver se dá cara ou coroa?

MUITA TENSÃO – Os jogadores que ainda não estão certos na Copa certamente estão tensos. Nos dois Mundiais em que atuei, 1966 e 1970, corri risco de ficar de fora por motivos diferentes. Em 1966, foram convocados 44 jogadores e apenas 22 estariam na Inglaterra.

Alguns foram cortados durante treinos e amistosos. Passamos 20 dias na Suécia e a lista final só ia sair dias antes da ida para a Inglaterra. Eu tinha 19 anos, era reserva de Pelé, e havia outros concorrentes.

Na véspera do anúncio dos 22 que iriam para o Mundial, encontrei no hall do hotel o supervisor Carlos Nascimento, um homem austero e de poucas palavras. Eu, por distração, convicção ou prepotência, perguntei a ele sobre o horário da viagem para a Inglaterra. Ele me olhou duramente e não disse nada. Não dormi, com medo de ser cortado por causa da gafe cometida. No outro dia, felizmente, estava na lista para a Copa.

MAIS PROBLEMAS – Em 1970, corri risco de não ir ao Mundial porque tinha sido operado de descolamento da retina e teria de ficar seis meses em completo repouso. Havia uma discussão nacional se eu poderia ou não jogar a Copa. Eu tinha sido artilheiro das Eliminatórias.

Fui convocado por João Saldanha, mas só me apresentei depois dos outros jogadores e fazia treinamento separado. Com a liberação médica, demonstrei que tinha condições de jogar.

Faltava convencer Zagallo de que eu deveria ser o titular, ao lado de Pelé. O time do Mundial foi escalado após um jogo-treino em Guanajuato, no México.

TIME ESCALADO – Pela primeira vez, Zagallo escalou o time com o volante Piazza de zagueiro, o meia Rivellino mais recuado e pela esquerda, formando um trio no meio-campo com Gerson e Clodoaldo, e eu de centroavante, ao lado de Pelé e Jairzinho.

Quando acabou o jogo-treino, Zagallo entrou no campo todo sorridente e disse, pelo olhar, que aquele time seria o da Copa.

A história, com o tempo, é contada de maneiras diferentes. Muitas pessoas deturpam a realidade e narram as coisas como elas gostariam que tivessem ocorrido. As versões costumam ser mais interessantes que as verdades.

MUITOS CRAQUES – A seleção brasileira de 70 encantou o mundo porque tinha muitos craques, era muito coletiva, organizada, equilibrada, com um trio no meio-campo e outro no ataque. Era uma equipe revolucionária para a época, pois marcava e atacava com muitos jogadores.

Porém, o que mais se diz e se repete é que era uma seleção extremamente ousada, ofensiva, que tinha cinco meias-atacantes (camisas 10) e que os jogadores tinham liberdade para fazer em campo o que queriam.

Logo após o título, mesmo os ativistas políticos que diziam que não iriam torcer pela seleção por causa da nefasta ditadura, e até os corruptos que roubavam dinheiro público, saíram pelas ruas comemorando, enrolados na bandeira nacional.

Áudio de Flávio Bolsonaro provoca terremoto político na direita e alivia Lula

Lula prepara retaliação silenciosa contra aliados do centrão após derrotas no Congresso

Investigação revela grupo hacker usado por Daniel Vorcaro para espionagem e ataques digitais

Filme sobre Bolsonaro custaria quase cinco vezes mais que “O Agente Secreto”

Repasses foram interrompidos após a prisão de Vorcaro

Filipe Vidon
O Globo

O montante transferido pelo banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do longa-metragem “Dark Horse”, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, já ultrapassa o orçamento de dois dos maiores sucessos recentes do cinema brasileiro.

Segundo a coluna da jornalista Malu Gaspar, Vorcaro repassou R$ 62 milhões entre fevereiro e maio de 2025, valor que supera os R$ 28 milhões gastos em “O Agente Secreto” e os R$ 45 milhões de “Ainda Estou Aqui”, filme premiado no Oscar. O caso foi revelado nesta quarta-feira pelo The Intercept Brasil e confirmado pelo O Globo.

REPASSES – O acordo teria sido intermediado pelo publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, que confirmou ter apresentado o projeto ao banqueiro a pedido do deputado federal Mário Frias (PL-SP). De acordo com Miranda, o total originalmente previsto era de R$ 134 milhões (o equivalente a quase cinco vezes o custo de O Agente Secreto), mas os repasses foram interrompidos após a prisão de Vorcaro e os escândalos de fraude envolvendo o Banco Master.

No caso de Agente Secreto, longa estrelado por Wagner Moura, o valor total da produção foi dividido entre Brasil, França, Alemanha e Holanda. Segundo dados da Ancine, a fatia brasileira foi de R$ 13,5 milhões, divididos em R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), fundo ligado ao Ministério da Cultura e operacionalizado pelo BNDES, e a diferença vêm da iniciativa privada.

Além disso, a comercialização do filme custou R$ 4 milhões, sendo R$ 750 mil do FSA. Outros R$ 3 milhões para comercialização foram bancados por meio da Lei do Audiovisual, que permite a pessoas físicas e jurídicas destinarem parte do Imposto de Renda a obras audiovisuais, selecionadas pela Ancine, por meio de patrocínio.

DISPARIDADE – A disparidade fica ainda mais evidente quando comparada a produções estrangeiras da última temporada do Oscar que custaram menos do que o valor repassado por Vorcaro. “Sonhos de Trem”, produção original da Netflix dirigida por Clint Bentley e estrelada por Joel Edgerton, Felicity Jones e William H. Macy, foi filmado por US$ 10 milhões. O norueguês “Valor Sentimental”, de Joachim Trier, concorreu diretamente com O Agente Secreto na disputa por melhor filme internacional com orçamento de US$ 7,8 milhões.

Para efeito de comparação, “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou o prêmio de melhor direção e melhor ator (Wagner Moura) no Festival de Cannes, além de indicações ao Oscar. “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, levou o Oscar de melhor filme internacional e o Globo de Ouro de melhor atriz para Fernanda Torres.

“Dark Horse” é dirigido por Cyrus Nowrasteh e tem Jim Caviezel, conhecido pelo papel de Jesus Cristo em “A Paixão de Cristo”, no papel de Jair Bolsonaro. O filme acompanha os bastidores da campanha presidencial de 2018, incluindo o atentado sofrido pelo então candidato em Juiz de Fora, Minas Gerais. A estreia era prevista para setembro de 2026, antes da eleição para o Planalto.

O CASO –  A reportagem do Intercept reproduz mensagens trocadas entre o senador Flávio Bolsonaro e o empresário, além de registros de transferências financeiras. Entre os documentos divulgados está um áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro na véspera da primeira prisão do banqueiro, no dia 16 de novembro, cobrando repasses em atraso. Em nota, o senador confirmou os contatos, mas afirmou ter conhecido Vorcaro apenas em dezembro de 2024, após o encerramento do governo de seu pai, e classificou o aporte como financiamento privado.

A cobrança dos recursos feita por Flávio Bolsonaro ocorreu em 8 de setembro de 2025 no momento em que os envolvidos na produção tinham dificuldades para honrar compromissos da montagem. “Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme”, diz o senador, em áudio enviado ao banqueiro.

ESQUEMA DE FRAUDES – Outro contato também foi feito dois meses depois, um dia antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes bilionárias, corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”, diz Flávio.

Segundo Miranda, o projeto chegou até ele por meio de Frias, que relatou dificuldades para captar recursos para a produção. O publicitário disse ter apresentado a proposta a Vorcaro, que teria concordado em entrar não como patrocinador, mas como investidor, com perspectiva de retorno financeiro após o lançamento.

O mesmo intermediário afirmou que a participação do banqueiro foi deliberadamente mantida fora do conhecimento público. Após a interrupção dos aportes, Frias teria captado novos investidores para concluir as filmagens, cujas identidades Miranda disse desconhecer.

Justiça Federal retém ação popular que requer a proibição da jogatina nas bets

Charges: Entra no ar hoje o maior sistema de pilantragem que uma nação pode  adotar!

Charge do Genildo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Uma ação popular protocolada na 18ª Vara Federal Cível do Distrito Federal há 45 dias poderá ser transferida para a Justiça Federal de São Paulo pelo fato de até hoje o processo não ter recebido nenhum despacho ou decisão por parte do juiz titular, que alega excesso de pendências em tramitação sob sua responsabilidade.

Segundo entendimento jurisprudencial, o autor da ação popular pode requerer a transferência do processo popular contra a União para outra unidade jurisdicional da Federação, antes da citação do réu.

JOGO LIBERADO – A transferência será proposta pelo advogado e jornalista Afanasio Jazadji, ex-deputado paulista, que ajuizou a ação popular contra a União por conta da autorização dada para a operação de jogo de azar no Brasil.

Os gestores das bets alegam que se trata de uma forma de diversão popular. Com isso, estão captando mensalmente bilhões de reais de apostadores que não estão jogando com responsabilidade e nem se divertindo. Inclusive, muitos usam o dinheiro do Bolsa Família, que deveria ser destinado a alimentar pessoas carentes.

O atraso no andamento da ação popular já foi comunicado à presidência do Tribunal Regional Federal do

DIZ O PEDIDO – A manifestação do advogado Luiz Nogueira, encaminhada à desembargadora federal Maria do Carmo Cardoso, presidente do Tribunal Regional Federal da 1a. Região, diz que as bets têm sido incentivadas por “intensa e duvidosa propaganda, por meio de emissoras de televisão, serviço público, com fulcro na liberalizante Portaria SPA no.1231/2024”.

Assinala que “mensalmente, as bets  têm retirado de circulação cerca de R$ 20 bilhões, dinheiro reservado para gastos com supermercados, remédios, pagamento de taxas de água, luz e crescente endividamento de milhões de famílias”.

Em revela que cerca de 25 milhões de brasileiros estão apostando via sites de apostas, cujos controladores são de origem estrangeira, em sua maioria.

PROVIDÊNCIAS – Diante do atraso no exame da questão, o advogado Luiz Nogueira requer ”providências para sensibilizar o juiz da 18ª Vara Federal Cível do DF, Arthur Pinheiro Chaves, a proferir despacho de citação ou decisão cautelar de urgência, como seguidamente reiterado nas últimas semanas no feito acima”.

Desde a apresentação do processo, 45 dias já se passaram e nenhum andamento verificou-se no citado processo. “A explicação para essa preocupante morosidade é a sobrecarga de trabalho decorrente de a 18ª Vara só contar com a atuação de um único magistrado”.

TRANSFERÊNCIA – “Se assim é e como a ação popular tem como ré a União, nada impede que o feito seja transferido para a unidade jurisdicional da residência do Autor, ou seja, o Tribunal Regional Federal de São Paulo – 3ª. Região”, afirma Luiz Nogueira, argumentando que ainda nem houve citação dos réus. E acentua:

“Há alguns meses, o conceituado jornal “O Estado de S. Paulo” publicou artigo do professor e médico psiquiatra da Faculdade de Medicina da USP, doutor Rodolfo Damiano, salientando que ‘o que começou como entretenimento legalizou-se como tragédia Sanitária’. Em menos de dois anos, desde a regulamentação pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, assistimos a um experimento social em tempo real – e os resultados são alarmantes”.

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P.S.
O assunto é extremamente grave, porque as bets aumentaram de forma expressiva o endividamento dos brasileiros, que está batendo recordes históricos em 2026, e cerca de 80,9% das famílias relataram dívidas em abril. Justamente por isso, é preciso acabar logo com as bets. (C.N.)

Virou música a paixão de Caetano pela menina do outro lado da rua

JOVEM GUARDA - Muito mais que um site oficial! :::

O jovem Caetano estava apaixonado

Paulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, músico, produtor, escritor, poeta e compositor baiano Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, o genial Caetano Veloso, explica que fez a música “Você é Linda” para uma menina chamada Cristina, “de quem eu gostei intensamente na Bahia, e que morava em frente a minha casa, do outro lado da rua, em Ondina.” A música foi gravada por Caetano Veloso no LP Uns, em 1983, pela Philips.

VOCÊ É LINDA
Caetano Veloso

Fonte de mel
Nos olhos de gueixa
Kabuki, máscara
Choque entre o azul
E o cacho de acácias
Luz das acácias
Você é mãe do sol

A sua coisa é toda tão certa
Beleza esperta
Você me deixa a rua deserta
Quando atravessa
E não olha pra trás

Linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz

Você é linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim

Você é forte
Dentes e músculos
Peitos e lábios
Você é forte
Letras e músicas
Todas as músicas
Que ainda hei de ouvir

No Abaeté
Areias e estrelas
Não são mais belas
Do que você
Mulher das estrelas
Mina de estrelas
Diga o que você quer

Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz

Você é linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim

Gosto de ver
Você no seu ritmo
Dona do carnaval
Gosto de ter
Sentir seu estilo
Ir no seu íntimo
Nunca me faça mal

Linda
Mais que demais
Você é linda sim
Onda do mar do amor
Que bateu em mim

Você é linda
E sabe viver
Você me faz feliz
Esta canção é só pra dizer
E diz

Áudio sobre filme de Bolsonaro provoca caos e crise no núcleo da campanha de Flávio

O herdeiro e o banqueiro podem causar o colapso de um projeto de poder

Revelações atingem o centro da crise sucessória bolsonarista

Marcelo Copelli
Revista Fórum

As conversas entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro atingem o centro da tentativa de reorganização da direita conservadora para 2026.

Em um momento no qual o senador buscava consolidar-se como herdeiro viável desse campo político, a revelação de negociações milionárias com um empresário preso e ligado a um banco sob investigação o devolve ao ambiente que mais corroeu sua credibilidade pública nos últimos anos: investigações, suspeitas financeiras, operadores controversos e relações recorrentes com personagens posteriormente alcançados por operações policiais.

DESMONTE DA ESTRATÉGIA – O impacto do caso vai muito além do constrangimento provocado pelos diálogos divulgados. O episódio desmonta parte importante da estratégia conduzida silenciosamente desde a derrota eleitoral de 2022: reconstruir a imagem do grupo político ligado ao ex-presidente sem romper com os mecanismos de influência, financiamento e articulação que produziram desgaste crescente durante sua passagem pelo Palácio do Planalto.

O problema para Flávio não está apenas na proximidade com Daniel Vorcaro. Está na natureza dessa relação e no momento em que ela vem à tona. O senador não ocupa posição periférica dentro da direita brasileira. Hoje, é tratado por aliados como potencial presidenciável, participa diretamente das articulações nacionais do campo conservador e tenta apresentar-se ao mercado e aos setores empresariais como uma versão mais previsível e institucionalmente aceitável do que a liderança original desse grupo político. As revelações divulgadas agora produzem exatamente o efeito contrário.

Ao aparecer negociando cifras milionárias com um banqueiro associado ao Banco Master — instituição cercada por investigações e suspeitas de irregularidades financeiras —, Flávio retorna justamente ao terreno que sua articulação política tentava abandonar: o universo das suspeitas financeiras, das relações pouco transparentes e das conexões permanentes com personagens envolvidos em controvérsias judiciais.

DESGASTE POLÍTICO – A tentativa do senador de reduzir o episódio ao argumento de que se tratava de “dinheiro privado” dificilmente elimina o desgaste político. Flávio não atua como empresário particular. Trata-se de um senador da República, potencial candidato presidencial e integrante do núcleo político que governou o país nos últimos anos. Quando um agente público com esse peso negocia recursos milionários com um banqueiro posteriormente preso e ligado a uma instituição sob investigação, o episódio inevitavelmente ultrapassa a esfera privada.

A contradição torna-se ainda mais delicada porque o próprio Flávio passou a defender investigações sobre o Banco Master enquanto aparecem diálogos que revelam sua proximidade política e financeira com Daniel Vorcaro. A coexistência entre o discurso público de fiscalização e a manutenção de relações privadas dessa dimensão aprofunda questionamentos sobre a credibilidade de sua atuação política e amplia o desgaste de sua tentativa de consolidar-se como alternativa viável para eleição de outubro.

O dano político torna-se ainda maior porque o caso atinge diretamente sua principal fragilidade eleitoral: a dificuldade de ampliar aceitação para além do núcleo mais radicalizado da direita. Nos bastidores, existe há meses um movimento para construir uma alternativa conservadora capaz de preservar parte da agenda econômica e ideológica desse campo sem carregar o passivo político, judicial e reputacional acumulado ao longo dos últimos anos.

CRISES SUCESSIVAS – O episódio envolvendo Daniel Vorcaro amplia justamente a percepção, dentro da própria direita, de que a sucessão conservadora dificilmente conseguirá avançar enquanto permanecer associada ao desgaste institucional, às controvérsias financeiras e às sucessivas crises que passaram a acompanhar esse grupo político.

Parte importante do empresariado, lideranças partidárias, governadores e setores do mercado financeiro já demonstrava desconforto crescente com o ambiente permanente de crise, radicalização e desgaste institucional associado a esse campo político. Agora, as conversas divulgadas oferecem mais um elemento para aprofundar a percepção de que o mesmo padrão continua presente: relações nebulosas, conexões de bastidor e proximidade recorrente com personagens envolvidos em investigações e suspeitas financeiras.

O silêncio de parte relevante da direita diante do episódio talvez seja tão revelador quanto as próprias gravações. Diferentemente de outros momentos de crise, já não existe mobilização automática e homogênea em defesa do grupo político ligado ao ex-presidente.

IMPACTO – Isso ocorre porque muitos setores que antes orbitavam esse campo passaram a enxergá-lo mais como fonte permanente de desgaste do que como ativo eleitoral seguro para 2026. Esse processo ajuda a explicar por que o caso possui impacto que ultrapassa o noticiário imediato.

O episódio revela uma mudança estrutural no funcionamento desse movimento político após a perda do poder federal. O grupo deixou de depender exclusivamente das estruturas formais do Estado e passou a operar através de redes privadas de financiamento, influência econômica, comunicação digital e produção contínua de narrativa política. Sua sobrevivência tornou-se cada vez mais associada à capacidade de manter mobilização ideológica permanente enquanto enfrenta avanço de investigações, desgaste judicial e erosão progressiva de credibilidade pública.

É nesse contexto que o projeto audiovisual mencionado nas conversas assume relevância estratégica. A tentativa de financiar um filme sobre Jair Bolsonaro não deve ser interpretada apenas como iniciativa cultural ou gesto de lealdade pessoal. O objetivo central parece ser preservar simbolicamente uma liderança em processo acelerado de desgaste político e institucional. Em tempos de polarização digital permanente, a disputa pela memória pública tornou-se peça central da sobrevivência de movimentos políticos radicalizados.

NARRATIVA EM CONTRADIÇÃO – O problema é que a tentativa de preservar essa imagem ocorre justamente enquanto se acumulam episódios que corroem sua narrativa original. O grupo que chegou ao poder prometendo combate à corrupção, ruptura moral e enfrentamento das práticas tradicionais da política tornou-se progressivamente associado a investigações, suspeitas financeiras, operadores controversos e relações de bastidor semelhantes às que dizia combater. O caso envolvendo Daniel Vorcaro aprofunda exatamente essa percepção pública.

Mais do que um escândalo episódico, as conversas divulgadas ajudam a revelar o estágio atual da crise enfrentada por esse campo político: uma estrutura cada vez mais dependente de redes privadas de sustentação, cercada por desgaste judicial e pressionada pelo avanço de setores da própria direita interessados em acelerar a construção de uma nova liderança conservadora sem o passivo acumulado nos últimos anos.

LIGAÇÕES PERIGOSAS – O episódio talvez seja lembrado menos pelo conteúdo específico dos diálogos e mais pelo retrato político que acabou produzindo. O de um grupo que chegou ao poder prometendo ruptura moral, combate à corrupção e enfrentamento das velhas estruturas da política brasileira, mas que hoje se vê novamente cercado por investigações, suspeitas financeiras, relações opacas e articulações de bastidor.

A principal ameaça à tentativa de sobrevivência desse projeto político já não parece vir apenas das investigações, das disputas eleitorais ou do avanço de adversários externos. Ela começa a surgir dentro da própria direita, onde cresce a percepção de que o custo político de permanecer associado a esse legado pode ter se tornado alto demais até mesmo para setores da direita que, até pouco tempo atrás, apostavam em sua sobrevivência política.

Veto europeu à carne brasileira expõe disputa comercial por trás do discurso sanitário

Veto não é imediato e ainda pode ser revertido

Pedro do Coutto

O possível veto da União Europeia à importação de carne bovina e outros produtos de origem animal do Brasil acendeu um alerta que vai além do agronegócio.

O impacto econômico estimado — próximo de US$ 1,8 bilhão na balança comercial brasileira — representa apenas a camada mais visível de uma disputa que mistura interesses sanitários, geopolítica comercial, pressão ambiental e proteção de mercado.

IMPORTANTE MERCADO – Nos bastidores, diplomatas, produtores rurais e integrantes do governo federal já tratam o tema como uma das crises comerciais mais delicadas enfrentadas pelo Brasil nos últimos anos. A preocupação não é exagerada. A União Europeia continua sendo um dos mercados mais relevantes e estratégicos para produtos brasileiros de alto valor agregado, especialmente proteínas animais. Um bloqueio prolongado teria efeitos econômicos, políticos e simbólicos importantes.

A justificativa europeia gira em torno de questionamentos sanitários ligados ao uso de antibióticos na cadeia pecuária brasileira. Autoridades do bloco alegam preocupação com padrões de rastreabilidade, controle sanitário e riscos potenciais associados ao consumo de carne produzida fora das normas regulatórias europeias. O argumento encontra respaldo em discussões que já ocorrem há anos dentro da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos e em setores ambientalistas do continente.

O problema é que, no Brasil, cresce a percepção de que a questão sanitária funciona também como instrumento de proteção econômica. Essa leitura ganhou força porque o endurecimento europeu ocorre justamente em um momento de forte pressão inflacionária sobre alimentos em diversos países do continente, além do avanço político de movimentos agrícolas nacionais contrários à ampliação de importações externas.

PROTESTOS – Nos últimos meses, agricultores franceses, espanhóis, belgas e holandeses realizaram grandes protestos contra políticas ambientais da União Europeia e contra acordos comerciais considerados ameaçadores para a competitividade local. Entre os principais alvos esteve justamente o acordo entre Mercosul e União Europeia, que enfrenta resistência crescente dentro do bloco europeu.

Na prática, muitos produtores europeus argumentam que o agronegócio sul-americano opera com custos menores, exigências ambientais diferentes e capacidade de produção mais competitiva. O resultado é uma pressão política para limitar a entrada de produtos estrangeiros, sobretudo carnes e grãos.

Esse contexto ajuda a explicar por que parte do setor produtivo brasileiro vê o possível veto menos como uma disputa sanitária e mais como um movimento de defesa econômica disfarçado de preocupação técnica. A avaliação, compartilhada reservadamente por integrantes do agronegócio e setores diplomáticos, é que o endurecimento europeu busca criar barreiras indiretas para proteger produtores locais em um ambiente de desaceleração econômica.

DESAFIOS – Isso não significa, contudo, que o Brasil esteja completamente livre de problemas internos. Há desafios históricos relacionados à fiscalização sanitária, rastreabilidade animal e padronização de controles entre estados e frigoríficos. Em mercados internacionais altamente regulados, qualquer fragilidade operacional pode rapidamente se transformar em argumento político contra exportadores brasileiros.

O governo Lula acompanha a situação com cautela porque o tema atinge uma das áreas mais sensíveis da economia nacional. O agronegócio permanece como um dos principais sustentáculos do superávit comercial brasileiro e exerce enorme influência política no Congresso Nacional. Uma perda bilionária nas exportações ampliaria tensões com o setor ruralista justamente em um momento de negociações delicadas envolvendo reforma tributária, crédito agrícola e política ambiental.

Além disso, existe um componente diplomático relevante. O Brasil tenta reconstruir sua imagem internacional após anos de desgaste ambiental e busca fortalecer relações com parceiros europeus. Um conflito comercial aberto poderia enfraquecer negociações estratégicas mais amplas, inclusive o próprio acordo Mercosul-União Europeia, tratado há décadas como prioridade econômica por diferentes governos brasileiros.

EFEITOS INTERNOS – Outro fator pouco debatido publicamente envolve os efeitos internos de uma eventual redução das exportações. Caso parte significativa da produção deixe de ser absorvida pelo mercado europeu, haverá pressão para redirecionamento ao mercado doméstico. Isso poderia provocar redução pontual de preços em alguns segmentos de proteína animal no Brasil, hipótese já observada por analistas do setor.

Entretanto, o cenário é mais complexo do que parece. Uma eventual queda de preços ao consumidor poderia vir acompanhada de desaceleração produtiva, perda de receita cambial, redução de investimentos e impactos sobre cadeias inteiras ligadas à exportação. Em outras palavras: ganhos imediatos para consumo interno poderiam coexistir com perdas econômicas estruturais mais amplas.

NEGOCIAÇÕES – O prazo até setembro abriu espaço para intensas negociações diplomáticas e comerciais. O governo brasileiro aposta na apresentação de garantias técnicas, ampliação de mecanismos de rastreamento sanitário e diálogo político para evitar um rompimento mais duro. A expectativa é que haja margem para uma solução intermediária antes da implementação definitiva de restrições mais severas.

Mas o episódio revela algo maior. O comércio internacional entrou definitivamente em uma era em que barreiras sanitárias, ambientais e regulatórias passaram a funcionar também como instrumentos de competição geopolítica. Não se trata apenas de qualidade do produto ou saúde pública. Trata-se de disputa por mercados, influência econômica e proteção de interesses nacionais.

Nesse novo ambiente global, o Brasil enfrenta um desafio delicado: preservar sua competitividade agroexportadora sem ignorar que exigências internacionais tendem a se tornar cada vez mais rígidas e politizadas. O caso da carne brasileira mostra que, no século XXI, guerras comerciais raramente começam com tarifas explícitas. Muitas vezes, elas começam nos detalhes técnicos, nos certificados sanitários e nas disputas silenciosas por espaço econômico.