MPT processa Havan e Luciano Hang por assédio eleitoral e pede R$ 30 milhões

Gilmar diz que ministro do TSE que agir com partidarismo deveria deixar a Corte

Michelle assume espaço de Bolsonaro e grava para candidatos aliados em todo o país

Candidatos fazem romaria até Brasília por vídeo

Thaísa Oliveira
Folha

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem atuado para compensar a ausência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está preso, na campanha eleitoral de aliados e gravado vídeos para candidatos de diferentes regiões.

A demanda levou a ex-primeira-dama a reservar um dia da semana apenas para candidatos de fora do Distrito Federal e a produzir peças para cerca de 20 pessoas por dia, em média, no começo da propaganda eleitoral obrigatória. Outros três dias da semana passaram a ser usados para filmagens da campanha dela própria ao Senado e de candidatos que integram a chapa da governadora de Brasília, Celina Leão (PP), de quem é amiga.

POPULARIDADE – De olho na popularidade de Michelle, o candidato do PL ao Governo do Rio de Janeiro, Douglas Ruas, foi a Brasília exclusivamente para a gravação, no começo do mês, com a candidata dele a vice, a vereadora de Niterói Fernanda Louback (PL).

O material foi usado no programa eleitoral obrigatório de rádio e TV da última quarta-feira (16), em um esforço para atrair o voto de mulheres cristãs e conservadoras, segundo um integrante da campanha de Ruas. “A Fernanda cuida de quem cuida”, disse Michelle.

REGIME DOMICILIAR – Condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro está preso em regime domiciliar desde março e proibido de usar as redes sociais dele ou de outras pessoas.

Pessoas próximas a Michelle afirmam que ela tem dado prioridade para candidatos para quem Bolsonaro faria campanha, se estivesse solto. Um dos nomes citados é o do vereador de Porto Alegre (RS) coronel Ustra (PL), candidato a deputado federal.

Ustra é sobrinho do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, herói de Bolsonaro que comandou um dos principais centros de tortura na Ditadura Militar. O vereador é tenente-coronel da reserva do Exército e chefiou a equipe de segurança do ex-presidente no GSI (Gabinete de Segurança Institucional).

“CONFIANÇA” – “Esse é o coronel Ustra e eu sei da confiança que o presidente Bolsonaro sempre teve nele. É alguém que esteve ao lado do Jair e compartilha os mesmos valores que nós”, disse Michelle no vídeo ao lado de Ustra. O vereador de Belo Horizonte (MG) Vile Santos (PL) contou à Folha que foi para Brasília apenas para a filmagem com Michelle. O vídeo dos dois juntos está sendo distribuído pela campanha de Vile por WhatsApp.

“Sou amigo da família há muito tempo. Michelle é uma grande amiga. Me ajuda muito com o público feminino e com cristão”, disse o vereador, que se apresenta como “candidato a deputado federal do Bolsonaro em Minas Gerais”. Na gravação, Vile diz que estava com “a nossa eterna primeira-dama Michelle Bolsonaro” porque “o nosso presidente Jair Bolsonaro não pode estar aqui conosco”.

ASSESSOR DE BOLSONARO – A ex-primeira-dama também produziu materiais para Mosart Aragão (PL), candidato a deputado estadual por São Paulo. Mosart foi um dos assessores mais próximos de Bolsonaro na Presidência e o acompanhou em uma série de agendas.

Em 2022, Bolsonaro designou o irmão Renato Bolsonaro (PL) para coordenar a campanha dele a deputado federal. O ex-presidente queria que o capitão fosse um dos candidatos mais votados de São Paulo, mas ele não foi eleito.

A ex-primeira-dama também gravou para o ex-ministro do Turismo Gilson Machado (Podemos) e para o filho dele, Gilson Machado Filho (Podemos), candidatos respectivamente a deputado federal e deputado estadual por Pernambuco. Gilson é amigo de Bolsonaro, mas acabou trocando o PL pelo Podemos alegando falta de apoio do partido para lançar o nome dele ao Senado.

“CANDIDATOS DO JAIR” – Na lista de “candidatos do Jair”, aparece ainda o deputado federal Hélio Lopes (PL-RJ), apelidado por Bolsonaro de Hélio Negão. Hélio transferiu o domicílio eleitoral do Rio de Janeiro para Roraima para aumentar as chances de ser eleito senador e adotou o sobrenome Bolsonaro nas urnas.

Em 2022, Michelle viajou pelo país para pedir votos para Bolsonaro. A ex-primeira-dama tem dito que não poderá repetir o esforço neste ano em prol da candidatura à Presidência do enteado mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PL), por causa das condições de saúde do marido.

Após semanas de mal-estar público, a ex-primeira-dama gravou um vídeo curto com Flávio em que um pede votos para o outro. Michelle também tem falado do senador nas agendas de campanha dela em Brasília.

AUTORIZAÇÕES – No último dia 8, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes ampliou a lista de visitantes e autorizou a entrada do pai, da madrasta e de duas irmãs de Michelle, além de Renato Bolsonaro.

A defesa do ex-presidente afirma, porém, que Michelle queria autorização permanente do ministro para que eles pudessem acessar a casa a qualquer momento —e não por apenas duas horas, dois dias da semana, como visitantes.

“Com essa decisão, também os atos de campanha da candidata ao Senado Federal —Michelle Bolsonaro—continuam restringidos e prejudicados”, afirmou a assessoria de imprensa de Michelle.

Celular de Vorcaro trava no STF: Mendonça e Fux pedem ajuda à PF para acessar dados

Uma modinha genial, de Sergio Bittencourt, que venceu um festival da canção no Rio

Sérgio Bittencourt – Wikipédia, a enciclopédia livre

Sérgio, grande jornalista e compositor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista e compositor carioca Sérgio Freitas Bittencourt (1941-1979) revela, na letra de “Modinha”, o seu lírico e belíssimo sonho. Esta música foi vencedora do festival O Brasil Canta no Rio, em 1968, interpretada e, posteriormente, gravada por Taiguara.

MODINHA
Sérgio Bittencourt

Olho a rosa na janela,
sonho um sonho pequenino…
Se eu pudesse ser menino
eu roubava essa rosa
e ofertava, todo prosa,
à primeira namorada,
e nesse pouco ou quase nada
eu dizia o meu amor,
o meu amor…

Olho o sol findando lento,
sonho um sonho de adulto…
Minha voz, na voz do vento,
indo em busca do teu vulto,
e o meu verso em pedaços,
só querendo o teu perdão…
Eu me perco nos teus passos
e me encontro na canção…

Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
Ai, amor, eu vou morrer
buscando o teu amor…
(Eu vou morrer de muito amor)

Ninguém mais tem ideia de em que país vive, como vive, do que vive…

Pôr do Sol visto do setor hoteleiro norte, em Brasília-DF, em foto de 14 de setembro de 2022.

Foto de Wilton Júnior (Estadão)

Vicente Limongi Netto

Craque do jornalismo e da literatura, Ignácio de Loyola Brandão não esmorece. Não verga corpo nem refuta o combate. Com texto sublime e irretocável, mostra sua indignação com o atual e podre Brasil. É um privilégio e uma honra, antecipar aqui na nossa tribuna da internet sua bela crônica de domingo, publicada hoje no Estadão.

Ao enviar o texto, o mestre da Academia Brasileira de Letras anexou um bilhete: “ Vicente, para que leias antes, aqui vai minha crônica do próximo domingo, em primeira mão. Não é distopia nem ficção cientifica, apenas pura realidade…”

Para Mary Del Priore, em solidariedade

Estou ficando apavorado. Não me assusto mais com guerras, bombas nucleares, tufões, enchentes, El Niño, prédios desmoronando, vulcões explodindo, calor tremendo, tornados. Nem com aquele sujeito que comprou milhares de parlamentares e homens de governo.

Nas ruas, hábitos normais. Autos com vidros destruídos e milhões de celulares levados. Rios sobem e ocupam praças, ruas, becos, porões, terraços, templos, derrubando viadutos. Ventanias quebram vidraças; vidros caem sobre a população, que não consegue se abrigar.

PARALISADO – Os altíssimos mega-arranha-céus que nos permitiriam entrar direto no paraíso desmoronam ao toque de um polegar. E os metrôs inúteis pela queda dos túneis? As avenidas ficam paralisadas por bilhões de autos enquanto um milhão de veículos entra em circulação a cada dia em São Paulo. Paralisados, também, pela falta de gasolina, álcool e eletricidade nos postos e refinarias.

Problemas de licitação, propinas, guerra entre fornecedores. Os vagões ferroviários descarrilados, trilhos surripiados. Pessoas correndo por becos em busca de apenas um orelhão que tenha resistido por milagre. Porque quatrilhões de celulares brotam a cada momento – até crianças de peito estão com eles nas mãos, mamam na telinha, esquecem os seios das mães. Concessionárias não conseguem fornecer “linha”; a atmosfera está contaminada.

Mais do que isso: aviltada por ladrões de energia e de fiações, além do fim das terras com minérios. E os extratores se abrigam em edifícios de concreto monumentais, com medo dos meliantes.

EM CASERNAS – Faz 50 anos que os Eternos Ministros Fundamentais, EMF, estão encerrados em casernas superprotegidas, construídas com o dinheiro de emendas parlamentares – facção de mais de mil membros infiltrados na União, Estados, municípios, mansões e casas de praia defendidas por aço e concreto, mas também sem comunicação, uma vez que a energia foi totalmente tomada por influencers assustadores, sem que se saiba por quê.

Ninguém mais tem ideia de em que país vive, como vive, do que viver. E, principalmente, para que viver? Esperamos que um dia cheguem a uma conclusão nos encontros iniciados há décadas para tomar a decisão final. Mas ela – na verdade, uma espécie de facção – não sabe o que decidir.

Todos sabem que estão ocupados e, assim, pedem vista e mais vista. Alguns morrem lá dentro e são colocados nos porões, substituídos por filhos, netos, concubinas e bisnetos. Só que ninguém sabe quem é, o que faz. Ou de onde vem o fedor mefítico que contamina a nação.

SÓ A POESIA – Diante desse quadro pintado pelo mestre Loyola, só temos salvação na poesia. A que segue abaixo é de minha autoria, e enviei ao meu grande amigo;

BACIA FLORIDA

O frescor do sol
Lava os olhos do encantamento
O verde eleva o sabor da alma
Que divide as honras do amor
Com temperos fortes
Que salvarão o mundo

Moraes e Viviane foram flagrados ao usar jatinho de Vorcaro para viajar até o Rio

Presidente do PT admite desgaste de Lula com crise no STF: “Atingiu a nossa campanha”

Edinho reconhece efeito eleitoral da crise

Deu no G1

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, reconheceu nesta sexta-feira (18) que a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) provocou desgaste na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Claro que vínhamos em uma situação muito favorável eleitoralmente. Veio essa crise institucional. É inegável que ela atingiu a nossa campanha, desgastou a nossa campanha”, afirmou em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews.

SEM DISTINÇÃO – Segundo Edinho, o conflito acaba atingindo quem está à frente do governo porque, no senso comum, parte da população não distingue claramente os Três Poderes. “A sociedade traduz todo o sentimento de mudança, o sentimento antissistema, em quem é governo”, declarou.

Em outro momento da entrevista, o dirigente petista afirmou que a crise “assola todo o ambiente político brasileiro” e “penaliza efetivamente o incumbente, aquele que está no poder, aquele que está à frente do governo”.

Apesar de admitir o impacto na campanha, Edinho afirmou que Lula tem respondido à crise de forma coerente com posições que já defendia. Ele citou a reforma do Judiciário e a responsabilização dos envolvidos em eventuais irregularidades.

REFORMA DO JUDICIÁRIO – “É inegável o desgaste, mas estamos respondendo com decisões coerentes com aquilo que nós sempre defendemos. Tem que haver reforma do Judiciário, e os responsáveis têm que ser penalizados”, declarou.

O presidente do PT afirmou ainda que o questionamento da sociedade ao Judiciário é legítimo e mencionou mudanças que podem ser debatidas, como a definição de idade mínima para integrar as cortes superiores, a adoção de mandatos para ministros e o aumento da participação da sociedade civil no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Ele também rejeitou uma relação direta entre o desgaste do Supremo e o fato de seis dos atuais dez ministros terem sido indicados durante governos petistas — quatro por Lula e dois pela ex-presidente Dilma Rousseff. “Não consigo fazer esse vínculo tão direto entre as indicações dos governos Lula e Dilma e o desgaste que a Suprema Corte enfrenta. Seria, na minha avaliação, forçar demais a mão”, afirmou.

AGENDA DE MUDANÇAS – Para Edinho, a resposta eleitoral da campanha deverá passar pela apresentação de Lula como representante de uma agenda de mudanças. Ele citou, além da reforma do Judiciário, a defesa de uma reforma política e eleitoral.

“O sistema hoje, como está organizado, não responde aos anseios da sociedade. Como tem dito o presidente Lula, o sistema apodreceu. Ele precisa ser reformado, precisa ser alterado para que a gente dê conta dos anseios da sociedade”, disse.

Não é aumento, o Bolsa Família estava sem reajuiste há quatro anos

ilmar Mendes diz que reajuste não fere regras eleitorais

Pedro do Coutto

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de considerar legal o reajuste do Bolsa Família recoloca no centro do debate eleitoral uma questão que vai muito além da disputa entre governo e oposição: afinal, quando uma política pública apenas recompõe o valor perdido pela inflação, estamos diante de um aumento de benefício ou da preservação de seu poder de compra?

O governo Lula anunciou uma atualização de 15,04% no Bolsa Família, elevando o piso de R$ 600 para R$ 691. A correção considera a variação acumulada do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre março de 2023 e agosto de 2026. O benefício médio deverá passar de R$ 675 para R$ 777, com os novos valores previstos na folha de outubro.

IMPACTO DIRETO – O momento político, evidentemente, chama atenção. O primeiro pagamento ocorrerá em 19 de outubro, entre os dois turnos da eleição presidencial. É legítimo, portanto, que a oposição questione se uma medida com impacto direto sobre milhões de famílias pode produzir efeitos eleitorais. Mas uma coisa é discutir a oportunidade política da decisão; outra, bastante diferente, é definir sua natureza jurídica.

Foi justamente nessa distinção que Gilmar Mendes fundamentou sua decisão. Para o ministro, não houve criação de um novo benefício, mudança nos critérios de elegibilidade ou ampliação do universo de beneficiários. O que ocorreu foi a atualização monetária de um programa social já existente, mediante um critério objetivo de correção pela inflação.

A diferença não é meramente semântica. Em termos econômicos, deixar durante anos um benefício nominalmente congelado significa permitir que a inflação reduza progressivamente aquilo que ele efetivamente compra. Se uma família recebia R$ 600 e os preços subiram, manter o mesmo valor nominal não significa preservar a mesma proteção social. Significa, na prática, reduzir o poder de compra do benefício.

LÓGICA – É nesse ponto que a decisão do ministro apresenta uma lógica que pode ser aplicada a outras políticas de renda. Se a administração pública reconhece previamente que determinado valor precisa ser atualizado para acompanhar a inflação, a correção monetária não deveria ser confundida automaticamente com aumento real. A primeira busca preservar uma referência econômica; o segundo representa ganho efetivo acima da inflação.

Essa distinção também ajuda a compreender por que a comparação com outros reajustes precisa ser feita com cautela. O salário mínimo, por exemplo, possui uma metodologia própria e, para 2027, a proposta apresentada pelo governo prevê um aumento nominal superior à inflação projetada, o que caracteriza uma perspectiva de ganho real, ainda sujeita ao processo orçamental. Já o reajuste do Bolsa Família foi calculado a partir da inflação acumulada desde a última atualização, segundo o governo.

Há, portanto, uma questão de princípio que ultrapassa a eleição de 2026. Se a inflação corrói o valor de uma prestação social, de uma aposentadoria, de um salário ou de qualquer outra obrigação expressa em moeda, a recomposição destinada simplesmente a preservar seu valor real não deveria ser analisada da mesma maneira que uma concessão de vantagem econômica.

RESTRIÇÕES – Isso não significa que toda correção anunciada em ano eleitoral esteja automaticamente protegida. A legislação eleitoral estabelece restrições específicas à distribuição gratuita de bens, valores e benefícios pela administração pública, justamente para evitar que a máquina estatal seja utilizada para interferir na igualdade da disputa. O contexto, a base legal, a existência prévia do programa, os critérios utilizados e os efeitos concretos da medida continuam sendo elementos relevantes para a análise.

O caso do Bolsa Família é particularmente sensível porque envolve uma política pública de grande alcance social e ocorre em período eleitoral. Mas a discussão jurídica proposta por Gilmar Mendes permite deslocar o debate da intenção presumida dos governantes para um critério mais objetivo: houve efetivamente uma ampliação real do benefício ou apenas uma reposição daquilo que a inflação retirou?

Essa diferença é importante para a própria segurança jurídica. Se toda recomposição inflacionária realizada em ano eleitoral fosse tratada como aumento real, governos poderiam ser impedidos de preservar o valor de políticas públicas permanentes justamente quando a inflação acumulada tornasse essa atualização necessária. O resultado seria paradoxal: a regra criada para impedir vantagens eleitorais poderia acabar produzindo uma perda econômica para quem depende do benefício.

INTERPRETAÇÃO – A decisão de Gilmar Mendes, portanto, não precisa ser lida apenas como uma vitória jurídica do governo Lula ou como uma derrota da oposição. Ela estabelece uma interpretação sobre a natureza da correção monetária e sobre os limites da legislação eleitoral diante de políticas públicas permanentes. O debate político continuará — e é saudável que continue —, mas ele precisa separar duas perguntas diferentes: se uma medida é politicamente conveniente ao governo e se ela é juridicamente caracterizada como aumento real de benefício.

No caso concreto, o ministro entendeu que prevalece a segunda hipótese: não houve ganho real, mas recomposição inflacionária. A conclusão pode ser discutida por aqueles que enxergam riscos eleitorais na proximidade entre o anúncio e a votação, mas ela apresenta um critério objetivo que merece ser considerado para além do calendário eleitoral.

A inflação não desaparece porque há eleições. E um valor que permanece nominalmente congelado enquanto os preços sobem não permanece economicamente igual. Preservar o valor real de uma política pública é diferente de ampliar sua generosidade. É essa distinção que torna o debate sobre o Bolsa Família maior do que o próprio Bolsa Família.

Alckmin defende mandato para ministros do STF: “Nada deve ser vitalício”

Para se limpar, Lula entrega as cabeças dos amigos Moraes e Toffoli

Na Rádio Tupi, Lula fala contra feminicídio, defende fim da escala 6x1 e  apoia divisão de tarefas em casa - Super Rádio Tupi

Na Tupi, Lula disse que os ministros têm de ser punidos

Diógenes Freire Feitosa
Gazeta do Povo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (18) que cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm ligação “direta ou indireta” com o caso do Banco Master. Ele não citou os nomes dos magistrados. A declaração ocorreu durante entrevista à Super Rádio Tupi, no Rio de Janeiro.

Ao defender uma reforma do Judiciário, Lula afirmou que o caso precisa ser resolvido antes de qualquer mudança. “Mas, antes de fazer essa reforma, nós temos que resolver esse problema. Está todo mundo ali. Ali você tem 5 ministros que estão ligados direto ou indiretamente”, declarou.

MORAES E FOFFOLI – O presidente também criticou as relações atribuídas aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli com o Banco Master. “Ninguém está defendendo o contrato que o Alexandre Moraes fez com o Banco Master. Ninguém está defendendo o Toffoli, que fez acordo com o Banco Master”, afirmou.

O petista também disse que “quem quiser ir para a Suprema Corte não pode querer ser rico” e afirmou que ainda existem informações do caso que não vieram a público.

Embora Lula tenha mencionado cinco ministros, ele não informou a quais magistrados se referia. A investigação e documentos relacionados ao caso já citaram Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques. As situações envolvendo cada um são diferentes.

ENVOLVIMENTOS – Moraes aparece em grande número de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso também envolve contratos do escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com o banco. O ministro contesta as acusações e afirma que os contratos são legais.

Toffoli deixou a relatoria do caso em fevereiro. Entre os pontos levantados estão relações envolvendo um resort ligado a empresas da família do ministro e pessoas relacionadas a Vorcaro. Toffoli se declarou suspeito no julgamento sobre Moraes.

André Mendonça assumiu a relatoria do caso e confirmou ter se encontrado com Vorcaro em março de 2025. O ministro afirma que tratou com o banqueiro de um processo sobre precatórios de interesse do Master.

OUTROS MINISTROS – Luiz Fux apareceu em mensagens que envolvem seu filho, o advogado Rodrigo Fux, e Vorcaro. O ministro nega qualquer relação com o banqueiro.

Já Kassio Nunes Marques foi citado em mensagens sobre pagamentos ao seu filho, Kevin Marques. O ministro afirmou que o filho nunca prestou serviços ao Banco Master. Kevin disse que recebeu R$ 281,6 mil de uma consultoria por serviços tributários, sem relação com o STF.

Nos últimos dias, Gilmar Mendes também passou a aparecer nas informações relacionadas ao caso. Mensagens extraídas do celular de Vorcaro indicam que Francisco Feitosa, ex-cunhado do ministro, mantinha negócios com o banqueiro e ajudou a aproximá-lo de Gilmar. Feitosa teria recebido R$ 500 mil mensais de uma empresa ligada a Vorcaro.

NÃO SABIA? – Gilmar confirmou ter recebido Vorcaro em seu gabinete no STF, em abril de 2024, para tratar de uma causa do setor sucroalcooleiro. O ministro afirmou que desconhecia a relação profissional entre o banqueiro e seu ex-cunhado e que votou contra os interesses do Banco Master no processo discutido no encontro.

Durante a entrevista, Lula também atribuiu parte da responsabilidade pelo caso ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo o petista, Daniel Vorcaro se tornou banqueiro durante o governo Bolsonaro.

O presidente afirmou ainda que o caso envolve autoridades de diferentes setores e voltou a defender a divulgação de informações da investigação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Lula é esperto e tenta escapar de fininho. Um de seus maiores erros foi ter ido jantar na casa de Moraes, recentemente, quando o ministro já estava mais do que imundo. Foi jantar com ele para fazer conluio com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta. Agora, Lula está correndo do prejuízo, tentando se descolar de Moraes, mas sua credibilidade é zero. (C.N.)  

Protegidos de Gilmar Mendes, quem diria?, também faturaram alto com Banco Master

Arquivos STF - Página 6 de 11 - Blog do Ari Cunha

Charge do Cláudio Aleixo (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Desde os velhos tempos de Helio Fernandes, que inventou o termo “imprensa amestrada”, a gente explica que não pode haver generalização, porque existem várias situações diferentes. Por exemplo, há os veículos de informação que negociam sua linha editorial e assim se tornam amestrados, porque se vendem, literalmente, e obrigam os jornalistas a defenderam essa ou aquela tese.

Existe também o caso de jornalistas que se colocam a serviço dos interesses políticos que eles próprios passam a defender, infiltrados nos órgãos de comunicação. Alguns faturam por esses serviços, mas a maioria atua voluntariamente, seguindo algum ideal político.

Por fim, há os profissionais de imprensa que conseguem resistir à tentação e não se deixam dominar por interesses políticos ou econômicos.  São em menor número, porém muito atuantes e respeitados.

EDITORIAIS – Na crise atual do Supremo, é preciso reconhecer que não está havendo amestragem direta das direções dos órgãos de imprensa, que em seus editoriais castigam Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Gilmar Mendes etc. Nesse particular, destacam-se o Estadão, que condena diariamente o STF, e a Folha, que também têm batido forte, enquanto O Globo fica mais contido no jornal e no portal, porém deixa mais  livre suas TVs.

A amestragem voluntária ocorre mais entre os próprios jornalistas (repórteres, redatores e editores), cuja maioria é absolutamente petista. Tentam proteger Moraes, Gilmar, Dino e quem mais se alie a Lula, e simultaneamente se dedicam a bater pesado em Mendonça, Fux, Marques e Fachin, sempre procurando encontrar algo que os desabone..

Chega a ser comovente esse esforço de repórteres, redatores e editores petistas para eleger Lula, porque desta vez a amestragem não está funcionando a contento, porque sofre resistência da ala independente dos jornalistas, especialmente os mais maduros, que já não suportam mais as presepadas e enganações de Lula.

CODINOME BARBA – Os jornalistas mais experientes, principalmente de São Paulo, conhecem Lula dos velhos carnavais, sabem o que ele fez no verão passado e nos outros, estão convictos de que ele é corrupto e não merece confiança desde o regime militar, quando atuava como agente infiltrado no sindicalismo, sob codinome de “Barba”, obedecendo ordens diretas do então delegado federal Romeu Tuma, que era superintendente da PF em São Paulo.

Muitos jornalistas não acreditam que Lula tivesse agido assim, mas isso está mais do que provado, com grande número de livros publicados a respeito, entre eles “Assassinatos de Reputações”, de Romeu Tuma Júnior, que também era delegado da Polícia Federal e até participou da farsa da prisão de Lula, executada para que os sindicalistas de esquerda confiassem cegamente nele – aliás, uma manobra muito inteligente e que realmente deu certo.

Mas a vontade de acreditar em Lula é tamanha que ainda há jornalistas que insistem em criar explicações. Alegam, por exemplo, que Lula traiu os sindicalistas com objetivo de se fortalecer e depois comandar o movimento contra os militares, para vencê-los nas urnas, coisas imaginosas assim.

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P.S. 1
O fato concreto é que, na reta de chegada, a campanha de Lula está sangrando, devido às notícias de que diversos personagens altamente ligados a Gilmar Mendes também estão envolvidos como Daniel Vorcaro, entre eles o procurador-geral Paulo Gonet, ex-sócio de Gilmar no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), assim como a advogada Dalide Alves Corrêa, que foi diretora-geral do IDP, onde ficou por sete anos, e consta da lista de pagamentos do Master como “sócia” de Gilmar.

P.S. 2 – Essa ilustre desconhecida advogada Dalide Corrêa recebeu R$ 33 milhões de Vorcaro apenas em 2024, fazendo frente à mulher de Moraes, Viviane Barci, que levou R$ 40 milhões no mesmo ano. Outro personagem medíocre, Chico Feitosa, que era cunhado de Gilmar, levava mais R$ 500 mil por mês como “consultor” de Vorcaro, mas o ministro do STF insiste em dizer que não tem nada a ver com isso, acredite, se quiser. (C.N.)

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Mensagens de Vorcaro revelam proximidade com Gonet: charuto, uísque e viagem a Londres

Gonet classificou relação com Vorcaro como ‘brevíssima’

Eduardo Gonçalves
Thiago Bronzatto
O Globo

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal (PF) mostram uma imagem do procurador-geral da República, Paulo Gonet, em uma confraternização ao lado do dono do Banco Master em Londres, no Reino Unido. Na foto, Vorcaro aparece sentado próximo a Gonet, que exibe um charuto nas mãos e em frente a uma mesa com copos de uísque.

A imagem foi enviada pelo advogado Ciro Soares, ex-defensor do Banco Master, em 19 de junho de 2025, seguida da mensagem: “PG me mandou”. PG são as iniciais de Paulo Gonet. Procurada, a assessoria de imprensa da Procuradoria-Geral da República confirma a autenticidade da foto e diz que não vai comentar. A pessoas próximas, Gonet afirma que a foto foi tirada em abril de 2024, mas que não revela nenhuma intimidade com Vorcaro.

MENSAGENS REVELADAS – As mensagens de Soares e Vorcaro que citam Gonet foram reveladas há duas semanas, quando o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, tornou público um relatório da PF que também inclui citações ao ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, Mendonça pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, que o caso fosse levado ao plenário da Corte, o que ocorreu na terça-feira passada. A discussão, porém, foi interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Citado no relatório, Gonet defendeu a nulidade do documento da PF, sob o argumento de que foi produzido por solicitação de Mendonça, sem um pedido prévio do Ministério Público ou da Polícia Federal. Além disso, o procurador-geral pontua que a lei prevê a necessidade de autorização do plenário do STF para que um integrante da Corte seja investigado.

OBSERVAÇÃO – Durante o julgamento, Mendonça chegou a fazer uma observação sobre as mensagens encontradas pela PF sobre o procurador-geral e as diferenciou dos diálogos de Vorcaro com outras autoridades.

— Aqui não estou fazendo juízo de valor em relação ao procurador-geral, até porque as informações que vieram são informações, na minha avaliação, de outra densidade — disse o ministro, durante o julgamento no STF na terça-feira passada.

ENCONTRO BANAL – Na mesma sessão, Gonet também se manifestou para dizer que o único encontro que teve com Vorcaro, em abril de 2024, se deu com a presença de várias autoridades e foi “banal”.

— Não tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que eu tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação intermediada por advogado foi brevíssima e banal. A atuação do Ministério Público Federal em primeiro grau e no Supremo Tribunal Federal (STF) sempre foi pelo total esclarecimento dos fatos e pelo sucesso da persecução penal — disse Gonet.

A Procuradoria-Geral da República, chefiada por Gonet, deverá se manifestar nos próximos dias sobre um pedido apresentado nesta sexta-feira pela defesa de Vorcaro para que a prisão do banqueiro seja revogada.

CHARUTO E UÍSQUE – Nas mensagens tornadas públicas por Mendonça, Gonet falou sobre a intenção de fumar charuto e beber uísque Macallan com o banqueiro em Londres. O encontro seria na segunda edição de um Fórum Jurídico patrocinado pelo Master na Inglaterra, em 2025, que acabou sendo cancelado.

No ano anterior, Gonet esteve na primeira degustação bancada por Vorcaro, quando foi feita a imagem fumando charuto. Como mostrou a colunista Malu Gaspar, do O Globo, naquela época Vorcaro desembolsou R$ 3,2 milhões para promover um evento privado de degustação de Macallan no George Club, em Londres.

Em outro trecho da conversa, Soares envia mensagens a Vorcaro que diz terem sido enviadas por Gonet, em que diz “estar com saudade” do banqueiro. “Agradece muito o carinho. Saudades dele, vamos marcar de estar juntos”, responde Vorcaro a Soares, falando sobre a relação com Gonet. Depois, Soares confirma a Vorcaro que Gonet vai a Londres com eles, e encaminha a mensagem em que o procurador aborda a degustação: “Oba! Tomara que tenha charuto e Macallan”.

CARONA PARA O FILHO –  As mensagens também mostram que Soares atuou para que Vorcaro bancasse uma viagem do filho de Gonet para Londres. Nas conversas apreendidas pela PF, o advogado chegou a enviar uma fotografia, em março de 2025, na qual aparecia ao lado de Gonet, e, na sequência, afirmou que o chefe da PGR queria falar com o então dono do Master. Depois das mensagens, foram registradas quatro ligações entre Vorcaro e o telefone de Ciro.

Duas semanas depois, o advogado encaminhou a Vorcaro outras três mensagens e afirmou que elas haviam sido enviadas por Gonet. Entre os textos estavam “Que bom! Estou na torcida por vocês!” e “Já estou com saudades de você! Estou embarcando para Roma”.

Vorcaro agradeceu pelas mensagens. Na sequência, Ciro afirmou que o procurador-geral “lhe adora” e que iria a Londres com o grupo. No dia seguinte, o advogado perguntou ao banqueiro se o filho de Gonet poderia acompanhá-los na viagem. Vorcaro respondeu: “Óbvio, né”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA promiscuidade desses homens públicos. a venalidade desses homens públicos e a pusilanimidade desses públicos são estarrecedoras. Trata-se de pessoas minúsculas, sem nenhuma vergonha na cara. Parecem casos patológicos, é possível que sejam doentes mentais. (C.N.)

Dino usa método de Lênin para acusar André Mendonça e prejudicar sua imagem

Ninguém acusou André Mendonça de nada. E é justamente esse o problema

Dino era militante comunista e conhece a obra de Lênin

Rogério Pires
Revista Timeline

Você desliza o dedo pela tela e a manchete passa de relance: “Flávio Dino proíbe a Polícia Federal de investigar André Mendonça.” Meio segundo de leitura, talvez menos. E, sem perceber, você já escolheu um dos dois caminhos.

O primeiro é o caminho gentil. Que colega solidário. Dino protegeu Mendonça de um constrangimento. O segundo é o caminho que interessa. Espera aí: por que a Polícia Federal estaria investigando um ministro do Supremo? Pronto. Ninguém acusou ninguém de nada. Mas a suspeita já está de pé, andando sozinha pela cabeça do leitor.

ARDIL DE DINO – Vamos aos fatos, que são poucos e simples. Dino determinou nesta quinta-feira que a Polícia Federal e a CVM investiguem a suposta relação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com as concessionárias que administram o serviço funerário de São Paulo, depois que reportagens revelaram um encontro entre Vorcaro e André Mendonça em março de 2025.

Na mesma decisão, ele escreveu que “é vedado qualquer ato investigativo que possa atingir o ministro André Mendonça”, porque isso compete ao presidente do STF. Tecnicamente, está correto. Juridicamente, está correto. E é exatamente por isso que o detalhe importa.

Em 1917, Lênin escreveu um artigo curto chamado “Political Blackmail” (Chantagem política). A definição dele é cirúrgica: expor, ou ameaçar expor, histórias verdadeiras e mais frequentemente inventadas, com o objetivo de causar dano político ao adversário.

TUDO COMO ANTES – Cento e nove anos depois, o mecanismo continua intacto, e o método de Lênin nunca precisou de uma acusação para funcionar. Precisa de três coisas apenas: um nome, uma palavra pesada ao lado desse nome, e um jornal para carregar os dois juntos até a mesa do café da manhã do país inteiro.

Agora preste atenção no que me chamou a atenção. Dino não precisava fazer aquele alerta. A Polícia Federal sabe perfeitamente que não pode investigar um ministro do Supremo por conta própria, ignorando as regras de competência. Isso é o abecedário do processo penal brasileiro. Não é notícia, não é novidade, não é risco iminente.

Mas o nome foi escrito. Por extenso. André Mendonça. Não houve acusação. Não houve denúncia. Não houve condenação. Houve apenas a proximidade tipográfica entre um nome e um conjunto de palavras: Polícia Federal, investigação, banqueiro preso, cemitérios, dinheiro. Quando a imprensa embrulha tudo isso numa manchete de seis palavras, o serviço está completo, e ninguém precisou sujar as mãos.

COMO DE HÁBITO – Eu já vi esse filme antes. Vimos esse mecanismo de associação rodar durante anos contra Bolsonaro, e contra tanta gente que nunca se sentou no banco dos réus, mas que passou a carregar uma dúvida permanente colada ao sobrenome. A dúvida é mais barata que a prova e dura muito mais tempo.

O ponto não é decidir aqui se Mendonça errou ou acertou ao receber quem recebeu. Isso será apurado, e deve ser apurado, e eu quero ver apurado. O ponto é entender como a sua opinião sobre ele foi formada antes de qualquer apuração existir.

Portanto, constata-se que existe uma forma muito eficiente de destruir a reputação de um homem público, e ela não exige provas. Não é preciso nem dizer que ele é acusado, muito menos culpado. Basta fazer o público se perguntar se ele é.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente texto de Rogerio Pires, que é jornalista, professor e gestor público com atuação na área de educação tecnológica e políticas de inovação no Estado do Rio de Janeiro. O artigo foi enviado por Carlos Vincente e mostra como se pratica o chamado “assassinato de reputações”. (C.N.)

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Lula acusa Flávio de ligação com milicianos e diz que Bolsonaro fez Master virar banco

Defesa de Vorcaro pede a Fachin fim da prisão após 198 dias e cita crise no STF

Advogados invocam prazo vencido da prisão

Esther Gama
O Globo

 A defesa do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, pediu, nesta sexta-feira (18), ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a revogação da prisão preventiva do banqueiro. Vorcaro foi preso pela Polícia Federal (PF) no dia 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero. A ação investiga crimes de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos ligados ao Master.

Os advogados de Vorcaro justificam o excesso de prazo de 90 dias para reavaliação dos elementos para a prisão. Segundo a defesa, o prazo venceu no fim de agosto e o STF não revisou os critérios para a manutenção da prisão, que permanecem válidos. O banqueiro está há 198 dias detido, contando o dia 4 de março até esta sexta-feira, 18 de setembro.

“A TURMA” – Agentes da PF prenderam o banqueiro por determinação do ministro do STF, André Mendonça, após trocas de mensagens encontradas no celular de Vorcaro que indicaram que ele integrava um grupo chamado de “A turma”, em que eram planejadas ações violentas contra pessoas que ele considerava adversários.

Preso pela segunda vez há seis meses, Vorcaro está em uma cela no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, prisão conhecida como Papudinha, onde já passaram políticos e ex-integrantes de órgãos públicos, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, detido por tentativa de golpe de Estado.

PRIMEIRA PRISÃO –  Em 17 de novembro de 2025, Vorcaro foi preso pela primeira vez pela PF no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Segundo a Polícia, o banqueiro soube que poderia ser preso e teria preparado a fuga para Dubai, com escala em Malta. No mesmo momento, ele anunciou a venda do Master para o grupo Fictor.

Na ocasião, Vorcaro não chegou a embarcar em seu jato particular, os agentes da PF o prenderam na área interna do aeroporto. Em 29 de novembro, o dono do Master foi solto após passar 12 dias detido de forma preventiva. A medida foi substituída pelo uso de tornozeleira eletrônica. A decisão também abarcou o sócio de Vorcaro, Augusto Lima, e os diretores do Master, Luiz Antonio Bull e Alberto Oliveira, que foram presos na operação.

Durante a investigação, o banqueiro já passou por diferentes tipos de prisão desde novembro, incluindo prisão domiciliar, penitenciária estadual, unidade federal de segurança máxima e a carceragem da Superintendência da PF em Brasília.