Conheça os conselhos de Lula a Moraes para que o ministro consiga se limpar…

Um poema cristão de Rubem Braga, apimentado pelo Velho Testamento

Sentiu uma coisa boa dentro de si, uma... Rubem Braga - PensadorPaulo Peres
Poemas & Canções

Considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, o capixaba Rubem Braga (1913-1990), sempre afirmou que a poesia é necessária, tanto que escreveu vários poemas, entre eles, esse bem-humorado “Poeta Cristão”.

POETA CRISTÃO
Rubem Braga

A poesia anda mofina,
Mofina, mas não morreu.
Foi o anjo que morreu:
Anjo não se usa mais.
Ainda se usa estrela
Se usa estrela demais.

Poeta religioso
Mocinha não pode ler:
Pecará em pensamento,
Que o poeta gosta do Novo,
Mas pilha seus amoricos
É no Velho Testamento.

Ai, o Velho Testamento!
Eu também faço poema,
Ora essa, quem não faz:
Boto uma estrela na frente
E um pouco de mar atrás.

Boto Jesus de permeio
Que Deus, nos pratos de amor,
É um excelente recheio.
E isso bem posto e disposto
Me vou aos peitos da Amada:
Sulamita, Sulamita,
Por ti eu me rompo todo,
Sou cavalheiro cristão.
Minh’alma está garantida
Num rodapé do Tristão
E o corpo? O corpo é miséria,
Peguei doença, mas Jorge
de Lima dá injeção!

O badalo está chamando,
Bão-ba-la-lão.

Amada, não vai lá não!
Eu também tenho badalos –
Bão-ba-la-lão
Eu sou poeta cristão!

Piada do Ano! Fachin lidera rebelião de juízes e do MP para manter os penduricalhos

Vai vendo. Série : DESTRUIDORES DO BRASIL EDSON FACHIN Advogado das trincheiras petista que incansavelmente lutou pela retirada da cadeia do maior corrupto do Brasil. E vc? O que acha? Compartilhem e

Charge do Schmock (Arquivo Google)

Deu no Infomoney

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) formaram maioria, nesta quarta-feira, para aprovar as novas regras que limitam o pagamento de verbas extras. Mas, ao regulamentar essas normas, ambos os conselhos acabaram, na prática, criando novos “penduricalhos”.

No mês passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) fixou normas para o teto remuneratório, hoje em R$ 46.366,19, para membros do Judiciário e do Ministério Público. Ficou determinado também que caberia ao CNJ e ao CNMP regulamentar o assunto, em resolução conjunta. Isso vale até o Congresso Nacional editar lei nacional sobre o tema.

RÉPLICA AO STF – No julgamento cuja apreciação teve início nesta quarta-feira, o CNJ e o CNMP mantiveram o auxílio-moradia, que tinha sido parcialmente vetado pelo STF, e criaram uma gratificação à primeira infância.

O principal ponto aprovado pelo STF tinha sido o escalonamento das verbas que podem ser pagas acima do subsídio mensal. O Tribunal definiu que a soma de todas as vantagens não pode exceder 70% do valor do teto. Esse limite foi dividido em dois blocos de 35%:

Antiguidade (35%): Parcela de valorização por tempo na carreira (5% a cada cinco anos), limitada ao teto de 35 anos de exercício.

Verbas indenizatórias (35%): Soma de diárias, ajuda de custo para remoção, gratificação de magistério, comarca de difícil provimento, férias não gozadas e acúmulo de jurisdição.

ATROPELANDO O STF – A resolução feita em conjunto pelo CNJ e pelo CNMP atropelam a decisão do Supremo e estabelecem nove verbas indenizatórias possíveis, que podem ser pagas fora do teto, a saber:.

Gratificação pelo exercício em comarca, sede, função, ofício ou unidade de difícil provimento; Gratificação por exercício cumulativo de jurisdição, atribuição ou ofício; Indenização de férias não gozadas de 30 dias por exercício; Auxílio-saúde, mediante comprovação do valor efetivamente pago;

E mais: Gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade (que será 3% do subsídio por dependente de até 6 anos); Diárias; Ajuda de custo em caso de remoção, promoção ou nomeação que importe em alteração do domicílio legal; Auxílio-moradia; e Abono de permanência de caráter previdenciário.

CONTRADIÇÕES CLARAS – A decisão do STF determinava a suspensão doS pagamentos de parcelas indenizatórias ou auxílios previstos em decisões administrativas, resoluções e leis estaduais. E citou expressamente auxílios natalinos, auxílio combustível, auxílio moradia, entre outros. A gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade, por sua vez, não estava prevista na decisão do STF entre aquelas verbas que poderiam ser pagas fora do teto.

– O STF decidiu que auxílio-moradia era inconstitucional. O CNJ votou a resolução e o auxílio-moradia voltou. Isso diz muito sobre como funciona a lógica dos penduricalhos no Brasil: cada vez que uma brecha fecha, outra abre. A nossa preocupação agora é que isso sirva de precedente para outras carreiras do funcionalismo exigirem os mesmos benefícios. A decisão do STF foi categórica. Não podemos deixar que uma regulamentação administrativa distorça o que a Corte decidiu – afirma Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente.

ALEGOU FACHIN – Segundo o relator da proposta, ministro Edson Fachin (presidente do STF e do CNJ), o objetivo é dar mais clareza e uniformidade às regras, sem criar novos benefícios. No voto, ele afirmou que a resolução apenas traduz em normas práticas o que já foi decidido pelo STF, garantindo previsibilidade, transparência e respeito ao teto salarial.

“O trabalho técnico consistiu, primordialmente, em traduzir em linguagem normativa os parâmetros constitucionais definidos pela Corte, compatibilizando-os com a realidade funcional das carreiras da Magistratura e do Ministério Público, de modo a conferir clareza, previsibilidade e uniformidade ao novo regime remuneratório”, diz Fachin.

Além disso, Fachin destacou que não importa o nome dado às verbas: o que define se elas são legais é a situação concreta em que são pagas, evitando-se pagamentos automáticos ou sem justificativa específica.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É o fim da picada! O presidente do Supremo não respeita nem mesmo o que a instituição decidiu. E foi rápido no gatilho, pois não permitiu que entrasse em vigor a decisão do plenário, relatada pelo ministro Flávio Dino, que ainda dependia de regulamentação. Ou seja, nada de novo no front ocidental. A esculhambação salarial na Justiça brasileira continua preservada, fabricando enriquecimentos ilícitos em série, às custas do cidadão-eleitor-contribuinte. (C.N.)

Distanciamento de Michelle já ameaça o projeto presidencial de Flávio Bolsonaro

Resistência de Michelle tem irritado aliados de Flávio

Malu Gaspar
Rafael Moraes Moura
O Globo

A resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a se engajar na campanha à Presidência da República de Flávio Bolsonaro tem irritado e preocupado aliados do senador e integrantes do PL diretamente envolvidos nas articulações pela sua candidatura ao Palácio do Planalto.

Desde que Flávio se lançou candidato, Michelle tem se recusado a participar de eventos públicos com o enteado ou mesmo a divulgar os atos de campanha. Interlocutores da ex-primeira-dama alegam que ela está priorizando os cuidados médicos do marido, mas na equipe da candidatura a ausência dela tem sido vista como uma lacuna a ser sanada.

TRAÇÃO – Para os interlocutores de Flávio, o engajamento de Michelle poderia ajudar a candidatura a ganhar tração entre mulheres e evangélicos, segmentos do eleitorado que devem ser decisivos e também estão na mira do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), com quem Flávio vai disputar os votos no campo da direita.

Por isso, vários aliados do senador têm procurado Michelle para tentar convencê-la a se envolver mais. Mas ela até agora não cedeu, pelo contrário. Nas conversas com os mais próximos, sobram queixas sobre o comportamento dos enteados.

Com isso, passou a crescer também o receio de que o distanciamento da primeira-dama chame a atenção para as fraturas familiares do ex-clã presidencial numa eleição que tende a ser muito polarizada entre lulistas e bolsonaristas e decidida por uma margem pequena de vantagem.

MÁGOA – Na opinião de uma influente liderança evangélica que pediu para não ser identificada, Michelle tem “mágoa por não ter sido escolhida vice” do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), numa dobradinha de chapa presidencial que chegou a ser ventilada nos bastidores para disputar as próximas eleições.

Tarcísio vai disputar a reeleição no Palácio dos Bandeirantes, e a ex-primeira-dama pretende concorrer a uma vaga no Senado Federal pelo Distrito Federal. “A relação de Michelle com os filhos sempre foi difícil. Eles se odeiam. É a disputa pelo espólio político de alguém que ainda não morreu”, resumiu um integrante da tropa de choque bolsonarista no Congresso.

ATRITOS –  Uma série de episódios recentes escancararam os atritos entre Michelle e os filhos de Bolsonaro. No início deste mês, Michelle repostou no Instagram um vídeo do senador Esperidião Amin (PP-SC) em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, o que foi interpretado nos bastidores como uma alfinetada ao ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), adversário de Amin na corrida pelo Senado Federal.

Também não ajudou a acalmar os ânimos o fato de um assessor de Michelle, André Costa, repostar em seu perfil no Instagram, em dezembro do ano passado, o post de uma matéria do Metrópoles com o resultado de uma pesquisa Quaest que trazia a informação de que 62% dos entrevistados diziam não votar em Flávio. Costa já havia publicado anteriormente um vídeo do pastor Silas Malafaia defendendo a candidatura de Tarcísio ao Palácio do Planalto.

“Alguém que faz tantas menções a Deus e tem tantas pautas religiosas deveria abraçar a todos, mas não é o que Michelle faz. Ela não abraça a candidatura do Flávio, não congrega, em pleno momento de fragilidade do marido”, alfinetou um integrante do PL ouvido em caráter reservado.

BATE-BOCA – A tensão entre os dois lados já resultou num tiroteio verbal, tendo como pano de fundo a aproximação entre o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PSDB) e o diretório do PL no Ceará. Tradicional reduto petista, o Estado é um dos maiores colégios eleitorais do Nordeste, com 6,9 milhões de eleitores aptos a votar.

Em novembro do ano passado, Michelle criticou publicamente a aliança de correligionários com Ciro Gomes, costurada pelo deputado federal André Fernandes (PL-CE). Ao participar do lançamento da pré-candidatura ao governo do Ceará do senador Eduardo Girão (Novo), ela chamou de precipitada a aliança em torno da candidatura de Gomes.

“Adoro o André, passei em todos os estados falando dele, do [deputado estadual] Carmelo Neto e da esposa dele, que foi eleita. Tenho orgulho de vocês, mas fazer aliança com o homem que é contra o maior líder da direita, isso não dá. Nós vamos nos levantar e trabalhar para eleger o Girão”, discursou Michelle na ocasião. “Essa aliança vocês se precipitaram em fazer.”.

AÇÃO NO TSE – Michelle tem mágoa de Ciro Gomes, porque o ex-governador, na época em que estava filiado ao PDT, apoiou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que levou Bolsonaro a ser condenado e declarado inelegível por oito anos. A ação girava em torno de uma reunião do então presidente com embaixadores, marcada por críticas às urnas eletrônicas.

Após o mal-estar provocado pela declaração de Michelle, Flávio Bolsonaro disse que a madrasta foi “autoritária”, escancarando o desconforto na sigla com a postura da ex-primeira-dama. “A Michelle atropelou o próprio presidente Bolsonaro, que havia autorizado o movimento do deputado André Fernandes no Ceará. E a forma com que ela se dirigiu a ele, que talvez seja nossa maior liderança local, foi autoritária e constrangedora”, disse Flávio.

Flávio se desculpou depois com Michelle, mas ela ainda guarda mágoas com o episódio – e não abre mão de um pedido público de desculpas. Apesar das críticas da ex-primeira-dama, o PL decidiu apoiar a candidatura de Ciro Gomes, como forma de garantir um forte palanque para Flávio Bolsonaro no Ceará.

CUIDADOS MÉDICOS –  Em meio ao fogo cruzado entre a madrasta e os filhos do presidente, interlocutores da primeira-dama tentam colocar panos quentes. Afirmam que o foco de Michelle neste momento é cuidar da saúde de Bolsonaro, que foi para a prisão domiciliar no mês passado por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, após uma intensa articulação nos bastidores que reuniu Tarcísio, Michelle e integrantes do próprio STF.

Com o quadro de saúde debilitado, Bolsonaro necessita de supervisão por 24 horas. Michelle tem assumido essa responsabilidade e aprendeu inclusive a fazer uma manobra no corpo do ex-presidente para ajudá-lo a superar as frequentes crises de soluço. “Ela prometeu ao Moraes que cuidaria do Bolsonaro. Ela não vai fazer nada para o Flávio nessa pré-campanha”, disse ao blog uma amiga da primeira-dama.

Escritório de Viviane Moraes recebeu valor dez vezes maior que outras bancas de advogados

Da tensão global ao bolso do brasileiro: recuos, crises e os limites do poder

Trump recua e aceita cessar-fogo com Irã

Pedro do Coutto

O cenário internacional e doméstico atravessa um momento de sobreposição de tensões, onde decisões políticas tomadas a milhares de quilômetros de distância reverberam diretamente na vida cotidiana — especialmente no bolso das populações. O recente recuo de Donald Trump em relação ao prazo imposto ao Irã é um exemplo claro de como a pressão internacional ainda funciona como freio, ainda que parcial, para movimentos considerados arriscados ou desproporcionais.

A ameaça inicial, que envolvia exigências duras e um ultimato de curto prazo, foi recebida com preocupação por aliados históricos dos Estados Unidos e duramente criticada por organismos multilaterais como a Organização das Nações Unidas. A leitura predominante foi a de que o gesto extrapolava os limites da diplomacia tradicional, flertando com um tipo de retórica que amplia riscos sistêmicos — não apenas para a região do Oriente Médio, mas para o equilíbrio global como um todo.

REFLEXOS – O recuo, ainda que parcial, foi interpretado como um sinal de contenção. Não necessariamente uma mudança estrutural de estratégia, mas um reconhecimento tácito de que a escalada poderia gerar consequências imprevisíveis. Em um mundo interdependente, ameaças dirigidas a uma nação produtora de petróleo, como o Irã, rapidamente se convertem em instabilidade econômica global.

E foi exatamente isso que se viu. A crise elevou o preço do barril de petróleo a patamares próximos de US$ 210, uma alta expressiva que pressiona cadeias produtivas, encarece combustíveis e impacta diretamente economias emergentes. Países como o Brasil, embora não totalmente dependentes da importação, sofrem com o efeito cascata nos preços internos, com reflexos imediatos no custo de vida e na inflação.

SUBIDA DOS PREÇOS – O aumento dos combustíveis, por exemplo, encarece o transporte de mercadorias, pressiona o preço dos alimentos e reduz o poder de compra da população, criando um ciclo de desgaste econômico difícil de conter no curto prazo. Além disso, o encarecimento da energia e dos insumos básicos tende a forçar respostas de política econômica, como a manutenção de juros elevados ou medidas emergenciais para conter a inflação.

Esse cenário coloca governos diante de um dilema: equilibrar responsabilidade fiscal com a necessidade de aliviar a pressão sobre a população. No caso brasileiro, esse desafio se torna ainda mais sensível diante de um ambiente já marcado por alto endividamento das famílias e crédito caro, ampliando a percepção de que crises globais, mesmo distantes, têm efeitos diretos e profundos na vida cotidiana.

Apanhado em flagrante, Moraes derrete como picolé exposto ao sol do meio-dia

Tribuna da Internet | Alexandre de Moraes tornou-se campeão de pedidos de impeachment no Senado

Charge reproduzida da revista Fórum

Josias de Souza
UOL

Um antigo magistrado da Suprema Corte dos Estados Unidos ensinou que “a luz do sol é o melhor detergente”. No Brasil, a blindagem fornecida a juízes com pouco juízo retarda a eventual higienização. Mas não impede a liquefação. Alexandre de Moraes, por exemplo, derrete como picolé exposto ao sol do meio-dia.

Não é um colapso súbito. A imagem de xerife supremo escoa lentamente, gota a gota. A documentação da Receita que indica o pagamento de R$ 80 milhões do Master para a banca de advocacia da família Moraes é o penúltimo pingo.

RASTRO PEGAJOSO – Compõe um vestígio pegajoso. Um rastro que inclui o contrato de R$ 129 milhões, o salto de 266% do patrimônio familiar, os voos em jatinhos da empresa de Daniel Vorcaro, a degustação de uísque Macallan em Londres, a troca de mensagens no escurinho do Zap…

O sol é inclemente e indiferente. É severo. Mas não julga. Apenas incide. O que leva ao derretimento é a exposição contínua de fatos tão extraordinários que têm potencial para transformar seres hipoteticamente especiais em pessoas ordinárias, às vezes em todos os sentidos.

Empresário “condenado a 14 anos” por Pix de R$ 500 exibe o descalabro do STF

Alcides Hahn, condenado pelo STF nos atos de 8 de Janeiro

Este é Hahn, vítima de grotesco erro judiciário do STF

Fernando Schüler
Estadão

R$ 500 , via Pix. Foi a ajuda do Alcides Hahn para a vaquinha do ônibus que levou um grupo de manifestantes para Brasília, dias antes do 8 de Janeiro. Da turma do ônibus, consta que ao menos um teria depredado alguma coisa, em Brasília. Hahn tem 71 anos e é um desses pequenos empresários de descendência alemã que fizeram a força comunitária do interior de Santa Catarina.

Alguém pode sugerir que ele “sabia de tudo”. Sabia que aquelas pessoas iriam ocupar a Esplanada, que uma parte iria sair do controle, invadir os prédios, pintar aquela estátua com o batom vermelho e tudo mais. Porém, não é verdade.

PATÉTICO CINISMO – Dizer isso não passa de um patético cinismo. Ele contribuiu porque alguém pediu, porque era da comunidade e manifestações são legítimas, em uma democracia. Contribuiu porque era seu direito. E por aí daria para encerrar a questão.

O fato é que ele foi condenado a 14 anos de prisão. Para uma parte das pessoas, está tudo ok. 14 anos até é pouco. O certo seria prisão perpétua, ou coisa pior, para essa gente fascista, e ainda mais de Santa Catarina, que passou Pix para financiar o “golpe” naquele domingo ensolarado, em Brasília.

Só um País domesticado, que perdeu completamente o senso republicano, é incapaz de perceber o elemento absurdo em tudo isso. Alcides Hahn, assim como outros pequenos empresários, condenados do mesmo jeito, não cometeu crime nenhum. Não foi a Brasília, não quebrou nada, não tentou dar nenhum golpe. Ele é apenas parte de uma multidão amarrada por um conceito. O crime-conceito.

CRIME SEM LEI – É um delito que não precisa de objetividade ou enquadramento a nenhum tipo penal específico. Precisa apenas de uma fundamentação. De um “entendimento” bem-amarrado. E está tudo ok.

“Individualmente”, leio em uma matéria, “Hahn não cometeu nenhum delito”, mas fazia parte da “multidão”. A multidão criminosa, autora da “trama golpista”, o grande crime “multitudinário”. A gordura parece escorrer de cada uma dessas palavras. E me faz lembrar da frase que um dia escutei de um velho professor: nada é mais difícil de refutar do que uma ideia absurda. E aqui, diria: um processo absurdo.

Alcides não tem foro privilegiado, deveria ser julgado na primeira instância, com direito a recursos? Irrelevante. Não teve sua conduta individualizada? Irrelevante. Não tinha a intenção de dar golpe nenhum? Irrelevante.

ESTADO DE EXCEÇÃO – Uma vez dado o conceito, mesmo um pequeno comerciante de uma cidade pacata do interior e seu Pix de 500 reais ganham status de “associação criminosa armada”, um dos crimes pelo qual foi condenado. Simplesmente, não há como refutar uma coisa dessas.

A história toda me lembrou do filósofo italiano Giorgio Agamben e sua tese sobre o “estado de exceção”. Muito do que se passa no Brasil refere-se exatamente a isto. A esta zona cinzenta entre o que é legal e o que é meramente político. Ou ainda: entre o que é “ilegal”, mas que por efeito de alguma necessidade ou razão de Estado, definida pelo próprio poder, se converte em “perfeitamente jurídico e constitucional”.

É tudo que vivemos, no Brasil dos últimos anos. Um inquérito que nasce de modo “heterodoxo”, em 2019, e se desdobra, indefinidamente. O universo dos direitos individuais não mais delimitados pela regra escrita, mas oscilando, ao gosto do poder, sobre camadas opacas de “interpretações” e “entendimentos”.

VIDA QUE SEGUE – Na prática, vamos convir, ninguém dá bola. Diante do absurdo, observamos alguma indignação, por aí. E a vida segue. O Sr. Hahn é apenas o exemplo bem-acabado de um tipo que criamos, no País dos anos recentes: os brasileiros irrelevantes.

São brasileiros sem pedigree, sem história, sem “retórica”. E por óbvio, sem poder algum. Pessoas que têm seus direitos claramente violados, mas que desaparecem em meio à guerra política e nossa mais completa falta de empatia.

Muitos enxergam seu drama como uma vitória da democracia. Meu velho professor tinha razão. É realmente difícil, se não impossível, refutar uma ideia como esta.

Brasil cresce à noite, quando a classe dirigente dorme e não consegue atrapalhar…

Tribuna da Internet | Bolsonarismo e corrupção ameaçam a solidez da democracia no Brasil

Charge do Bira (Arquivo Google)

Carlos Newton

O Brasil não caminha para o abismo, porque é um país muito grande, não cabe dentro do buraco e consegue crescer um pouco à noite, quando os dirigentes dos Três Poderes estão dormindo e não atrapalham. O maior problema é a classe dirigente, com uma elite ignorante, gananciosa e insaciável, que apodrece os três poderes e aumenta cada vez mais a desigualdade social, sem que ocorra uma necessária e vigorosa reação a essa disparidade.

Basta citar o espantoso fato de que não há protestos realmente incisivos contra os penduricalhos ilegais nem contra o sistema desumano de reajuste, que confere o mesmo percentual a quem ganha um salário mínimo ou recebe o teto, algo inacreditável, inviável e inaceitável.

REAJUSTE PERVERSO– Os números não mentem e exibem às escâncaras o progressivo aumento da desigualdade social. Os reajustes têm o mesmo percentual para todas as categorias, acertados entre patrões e empregados, via negociação sindical, e o mesmo sistema vigora no serviço público.

Assim, quando há um aumento de 10%, por exemplo, o funcionário de salário mínimo (R$ 1.621,00) passa a ganhar mais R$ 162,10, ao receber R$ 1783,10 mensais. Já o servidor que recebe o teto (R$ 46.366,19) sem penduricalhos, que é coisa rara), tem reajuste de R$ 4.636,20, e sobe para R$ 51.002,38.

É um sistema nada republicano ou democrático, absolutamente perverso, impiedoso e desumano, porém não se vê nenhuma reação contra isso.

PRECISA MUDAR – É óbvio que a situação tem de mudar. O distanciamento entre ricos e pobres precisa diminuir. Os reajustes salariais têm de ser maiores para quem ganha o mínimo e menores para quem recebe o máximo – é uma necessidade lógica, óbvia e gritante.

A sistemática de reajustes iguais para todos é idiota, cruel e suicida. Estamos criando uma sociedade em que a riqueza absoluta tenta conviver com a miséria absoluta, mas isso “non ecziste”, diria o piedoso Padre Quevedo, não se misturam, são como água e óleo.

A desigualdade social crescente e irrefreável gera consequências funestas, como o aumento da criminalidade, movido pela corrupção e pela revolta dos desvalidos. Por isso, vivemos num clima de total insegurança. As pessoas têm medo de sair às ruas; preferem uma vida desprezível, agarram-se aos celulares e computadores como se fossem boias salvadoras.

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P.S.
Desculpem a exasperação. Esse assunto é tabu, ninguém ousa criticar a desumanidade com que os pobres são tratados pela sociedade dominante, digamos assim. Agora mesmo, saiu a notícia de que a 
Câmara de SP gasta R$ 14,3 milhões com ‘benefício nutricional’ para servidores aposentados. Enquanto isso a patuleia ganha alguns benefícios sociais, para não morrer à míngua, mas está impedidos de evoluir socialmente, porque falta o essencial – salário digno, educação de qualidade e assistência médica eficaz. A imprensa não toca no assunto, é como se a desigualdade ainda não tivesse fugido ao controle, embora já esteja completamente descontrolada. Mas quem se interessa? (C.N.) 

Irmão de Ciro Gomes ganha cargo de R$ 52 mil no BNDES e incomoda o PT

Justiça consome R$ 181 bilhões e expõe peso crescente do Judiciário nas contas públicas

Batalha pelo horário eleitoral expõe uma disputa pesada entre Lula e Flávio Bolsonaro

Kassab aposta em terceira via e diz que 15% de Caiado já mudam totalmente o jogo eleitoral

Kassab diz que Caiado é alternativa à polarização

Mariana Grasso
Folha

O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, afirmou nesta semana que, se a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado atingir 15% das intenções de voto, “está ótimo”. A declaração foi feita durante um evento de investimentos do Bradesco BBI, em São Paulo.

Segundo Kassab, existe uma polarização entre o petismo e o bolsonarismo, que não está consolidada, e Caiado é uma alternativa. “Acho que é muito importante que tenha essa alternativa, nem que fosse para perder. Os brasileiros precisam mostrar que existe outro caminho”, disse.

ESPERANÇA – Kassab afirmou que, mesmo se Caiado não chegar ao segundo turno, ter 15% dos votos é uma esperança. “São 15% com os quais nós vamos chamar alguém e dizer: ‘vamos apoiá-lo porque queremos isso e aquilo’.”

O dirigente do PSD destacou que tanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto Flávio Bolsonaro (PL) possuem rejeições acima de 40%. “O voto do Lula não é consolidado. Dos 40% e poucos que ele tem, metade é fluido. Com o Flávio é a mesma coisa”, avaliou.

INDULTO – Caiado foi confirmado pré-candidato do partido na semana passada. Na ocasião, prometeu conceder indulto a Jair Bolsonaro (PL), mas fez críticas a Flávio, questionando a sua experiência para governar o país.

Em pesquisa Datafolha divulgada há um mês, o presidenciável do PSD marcou 4% das intenções de voto em cenário com Lula, que aparecia com 39%, e Flávio, que tinha 33%.

No desespero, Moraes quer aprovar uma ação do PT que limita a delação premiada

Gilmar Fraga: o protetor | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Arquivo do Google)

Malu Gaspar
O Globo

Em meio ao avanço das tratativas para uma delação premiada de Daniel Vorcaro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes resolveu tirar da gaveta uma ação apresentada em 2021 por advogados do PT que questiona a validade e os limites constitucionais das colaborações premiadas.

Na segunda-feira, ele pediu a inclusão na pauta de uma ação movida pelos advogados do PT: Lenio Streck, André Trindade e Fabiano Santos, que foi presidente dos Correios neste terceiro mandato de Lula.

FIXAR “CRITÉRIOS” – A movimentação indica que o ministro, potencial alvo das revelações do dono do Master, pretende tentar restringir a validade da delação, como já fez há duas semanas, quando deu uma liminar restringindo o uso dos relatórios de inteligência financeira do Coaf.

A ação em questão é a ADPF 919. Nela, o PT pede que o STF fixe critérios para impedir o uso arbitrário de delações premiadas e “coibir interpretações que violem garantias fundamentais”.

Em dezembro de 2021, Moraes já havia solicitado informações ao então presidente Jair Bolsonaro e ao Congresso sobre o tema, para instruir essa mesma ação, mas não tomou decisão a respeito.

Dois anos depois, em setembro de 2023, ele homologou a delação do ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, no processo em que o ex-presidente terminou condenado a 27 anos de prisão por planejar um golpe de estado junto com ex-ministros e generais que compunham seu governo.

ALVO EM POTENCIAL – A Procuradoria-Geral da República chegou a ser contra a delação de Mauro Cid, mas ele foi fechado diretamente com a Polícia Federal e com o aval de Moraes.

Hoje, junto com Dias Toffoli, o ministro Moraes é um potencial alvo da delação premiada de Vorcaro, que está em negociação tanto com a PGR como com a PF, e já enviou um recado aos investigadores de que pretende fazer uma “delação séria” e não poupar ninguém. O relator do caso Master no Supremo é o ministro André Mendonça.

Um dos pontos a ser esclarecido na delação é o contrato que o banco fechou em 2024 com o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prevendo o pagamento de R$ 129 milhões de reais em três anos para a prestação de serviços junto ao Executivo e ao Legislativo em Brasília.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mais uma grande matéria de Malu Gaspar, que está trabalhando pesado na cobertura do caso do Banco Master. Ela confere pessoalmente todos os atos de Moraes no Supremo, para conferir se ele está tentado se livrar das investigações, e não dá outra – ele está sempre tentando tirar o corpo fora, porque não tem como se defender. (C.N.)

Direção do PL tenta apagar incêndio entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira

Motta adia eleição no TCU e articulação expõe a disputa de poder na Câmara

“O brasileiro convive bem com o escândalo moral”, dizia o poeta Thiago de Mello

Tribuna da Internet | Thiago de Mello, um poeta que não aprendeu a lição de  que é melhor ser acomodadoPaulo Peres
Poemas & Canções

O poeta amazonense Thiago de Mello (1926-2022), sempre atento à realidade de seu país, analisou em versos as agruras da política nacional, ao compor “Diário de um Brasileiro”, um poema que mostra a realidade de nosso dia a dia.

DIÁRIO DE UM BRASILEIRO
Thiago de Mello

O brasileiro convive bem com o escândalo moral.
Os ladrões infestam os salões de luxo,
os Bancos estouram, os banqueiros
são cumprimentados com reverência,
o Presidente do Congresso chama o senador
de bandido, sim senhor, vossa excelência.

O Presidente diz pela televisão
que “é preciso acabar com a roubalheira
nos dinheiros públicos”.
As pessoas das cidades grandes
vivem amedrontadas, qualquer
transeunte pode ser um assaltante.
As meninas cheiram cola. Depois
vão dar o que têm de mais precioso
ao preço de um soco na cara desdentada.

O brasileiro convive com o escândalo
como se fosse o seu pão de cada dia,
com uma indiferença letal.

Como se dormir na casa com um rinoceronte,
mas rinoceronte mesmo,
fosse a coisa mais natural do mundo,
chegando a cheirar a camélias.

O povo, um dia…
Do povo vai depender
a vida que vai viver,
quando um dia merecer.
Vai doer, vai aprender.

Flávio admite que Tarcísio é mais preparado: ‘Preferiria votar em você do que em mim’

Patrimônio da família Moraes já está atingindo R$ 100 milhões, pelo menos

Família de Alexandre de Moraes compra R$ 23,4 milhões em imóveis em cinco anos | Portal Aqui Vale

Patrimônio da família Moraes tem espantoso crescimento

Thaísa Oliveira, Carolina Linhares e Mateus Vargas
Folha

Documentos da Receita Federal enviados à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Senado que investiga o crime organizado indicam que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, pagou R$ 40,11 milhões ao escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, em 2024. Em 2005, pagou outro tanto, perfazendo R$ 80 milhões em menos de dois anos.

Procurado, o Barci de Moraes disse que “não confirma essas informações incorretas e vazadas ilicitamente, lembrando que todos os dados fiscais são sigilosos”. O escritório não quis informar qual seria o valor correto dos pagamentos. Moraes foi procurado, mas não se manifestou até a publicação deste texto.

IMPOSTO DO MASTER – Os pagamentos aparecem em uma declaração de Imposto de Renda do Master, que teve seu sigilo fiscal quebrado pela CPI do Crime Organizado.

O contrato do Master com o escritório Barci de Moraes foi assinado em 2024. Previa o pagamento mensal de R$ 3,5 milhões, num total de R$ 129 milhões em três anos, segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo.

Os dados da Receita obtidos pela Folha mostram que o banco declarou 11 pagamentos mensais de R$ 3.646.529,72 ao escritório em 2024, totalizando R$ 40.111.826,92. Sobre esses pagamentos, o Master informou ter recolhido R$ 2.466.877,38 em impostos na fonte.

DIZ O RELATOR – Nesta terça-feira (7), durante a sessão plenária do Senado, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), anunciou que os dados haviam sido entregues à comissão.

Ele afirmou que a Receita Federal teria enviado dados incompletos sobre o banco e que a complementação das informações chegou apenas na segunda (6).

“Mesmo com a quebra de sigilo aprovada pela Comissão Parlamentar de Inquérito e não suspensa pela Justiça, a Receita Federal do Brasil mandou os dados incompletos. Foi preciso solicitar a reiteração, a complementação, para que chegasse o dado bancário que comprova o recebimento e a dedução de impostos pelo escritório da doutora Viviane Barci. Só em um ano, R$ 40 milhões recebidos. Contraprestação de serviço? A própria doutora Viviane já publicizou: nada que justifique esse valor”, disse o senador.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Só o patrimônio imobiliário da família Moraes chega a R$ 37 milhões, sem correção monetária. O banco Master pagou, pelo menos, mais R$ 36,6 milhões em 2025. Assim, o patrimônio total da família, na verdade, deve chegar a R$ 100 milhões. Com tantas provas notórias, já divulgadas pela imprensa, que incluem plágios de trabalhos de outros escritórios de advocacia, para justificar os R$ 3,6 milhões mensais, somente num país esculhambado como o Brasil o ministro Alexandre de Moraes pode continuar no Supremo, julgando processos de criminosos menos prejudiciais do que ele próprio. E ainda é chamado de “Excelência”. É o fim da picada. (C.N.)

Subsídios aos combustíveis: o governo Lula tenta conter a crise e proteger o consumo

Lula tenta evitar uma crise de consumo com efeitos em cadeia

Pedro do Coutto

O governo do presidente Lula da Silva anunciou um pacote de medidas voltado à contenção dos preços dos combustíveis, com foco no gás de cozinha, no diesel e no querosene de aviação, em uma tentativa clara de evitar uma crise de consumo com efeitos em cadeia sobre a economia brasileira.

A decisão ocorre em um cenário internacional pressionado pela alta do petróleo, que tende a impactar diretamente os custos logísticos, a inflação e o cotidiano da população. Ao optar por subsidiar esses insumos, o Planalto busca frear o repasse de preços e impedir que setores estratégicos — como o transporte rodoviário e a aviação — sofram impactos mais severos, o que poderia comprometer desde o abastecimento até o turismo e os negócios.

EFEITOS IMEDIATOS – No caso do diesel, a preocupação é evidente: trata-se do principal combustível da matriz de transporte do país, e qualquer elevação significativa tem potencial de desencadear efeitos imediatos sobre alimentos, produtos industriais e serviços.

Já o gás de cozinha possui um peso social ainda mais sensível, pois afeta diretamente milhões de famílias, especialmente as de baixa renda, tornando-se também um fator de pressão política. No setor aéreo, o subsídio ao querosene busca evitar aumentos abruptos nas passagens, preservando a atividade econômica e reduzindo o risco de retração no fluxo de viagens.

MÉDIO E LONGO PRAZO – Embora as medidas tragam alívio imediato, elas levantam questionamentos sobre seus efeitos no médio e longo prazo. Subsídios, historicamente, funcionam como instrumentos de contenção emergencial, mas também podem gerar distorções de mercado, aumentar o peso fiscal e criar dependência de políticas públicas.

Além disso, há o desafio de financiamento: a estratégia do governo se apoia, em parte, na expectativa de aumento de receitas com royalties do petróleo, o que introduz um elemento de incerteza, já que tais receitas são voláteis e dependem do cenário internacional.

ESTABILIDADE ECONÔMICA – Do ponto de vista político, o movimento é calculado. Em um ambiente sensível, com inflação ainda no radar e memória recente de crises envolvendo combustíveis, o governo busca evitar desgastes e preservar a estabilidade econômica. A escolha por intervir nos preços revela uma prioridade clara: proteger o consumo e conter tensões sociais no curto prazo, mesmo diante dos riscos estruturais que a medida pode carregar.

Assim, o Brasil retorna a um dilema recorrente de sua trajetória econômica — entre a necessidade de intervenção estatal e os limites dessa estratégia — enquanto o governo aposta que o controle imediato dos preços será suficiente para evitar uma crise maior.