Lula insiste em Messias para o STF e coloca Alcolumbre diante de novo impasse

Nos EUA, Flávio Bolsonaro mantém gabinete, assessores e mandato no Senado

Flávio nomeou dois assessores para gabinete no Senado

Luísa Marzullo
O Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nomeou dois assessores para seu gabinete no Senado após deixar o Brasil e seguir para os Estados Unidos, onde permanece desde o fim de outubro, depois da derrota na eleição presidencial. Entre os contratados está um ex-funcionário de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, que perdeu o mandato de deputado federal por excesso de faltas. As nomeações foram oficializadas na quarta-feira, quando Flávio já estava há uma semana em território americano.

Um dos nomeados é Fabiano Augusto de Souza Araújo, que trabalhou no gabinete de Eduardo Bolsonaro na Câmara dos Deputados até dezembro, quando foi exonerado após a cassação do mandato do então parlamentar. Ele foi contratado para o cargo de auxiliar parlamentar pleno, com remuneração de R$ 7.642,84.

RECONDUÇÃO – Flávio também reconduziu ao gabinete Maria Carolina Albuquerque e Silva, que havia deixado o cargo em junho para trabalhar em sua campanha à Presidência da República. Ela ocupa o cargo de auxiliar parlamentar sênior, com remuneração de R$ 9.203,20 e jornada de 40 horas semanais.

Apesar da saída do país, a Secretaria-Geral da Mesa (SGM) do Senado sustenta que o mandato de Flávio segue normalmente, uma vez que não há decisão judicial ou procedimento de perda de mandato que impeça o parlamentar de exercer suas funções. O entendimento é que ele pode continuar participando das atividades legislativas, observadas as regras de funcionamento das sessões. Procurado, o gabinete do senador não se manifestou.

O senador deixou o Brasil em 27 de outubro, dois dias depois de ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. A saída ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Flávio descumpriu o prazo estabelecido pela Justiça e seguiu para Miami, nos Estados Unidos.

SEM PREVISÃO – Desde então, o senador não apresentou previsão de retorno ao Brasil. Em uma carta divulgada já em território americano, afirmou que pretende liderar a oposição ao governo Lula mesmo à distância. Flávio também passou a articular encontros com integrantes do governo de Donald Trump e lideranças conservadoras americanas, enquanto aliados no Brasil discutem os efeitos de sua ausência sobre a reorganização da oposição.

Na terça-feira, Flávio registrou presença remotamente e participou da votação da PEC da Segurança Pública, aprovada pelo Senado em dois turnos. O parlamentar votou a favor da proposta, mas se posicionou contra a retirada das emendas que tratavam da redução da maioridade penal. A participação ocorreu em uma sessão semipresencial, modalidade que permite o registro de votos a distância.

O episódio, no entanto, provocou questionamentos no Senado. Na quarta-feira, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) apresentou duas questões de ordem para cobrar esclarecimentos sobre a ausência de comunicação oficial da viagem e pedir a anulação do voto de Flávio. O Regimento Interno determina que parlamentares informem à presidência da Casa quando se ausentarem do território nacional.

ANÁLISE – O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que analisará os questionamentos com a Mesa Diretora. Ele ressaltou que a participação de Flávio na votação foi possível porque a sessão havia sido convocada em formato semipresencial.

A permanência nos Estados Unidos também levanta dúvidas sobre a presença do senador nas próximas sessões. Pelas regras do Senado, ausências injustificadas em sessões deliberativas podem resultar em descontos na remuneração, enquanto a perda do mandato por faltas depende do cumprimento dos requisitos constitucionais. Flávio recebe subsídio mensal bruto de R$ 46.366,19 e mantém a estrutura de seu gabinete parlamentar.

Alcolumbre luta pelo apoio de Lula, para continuar presidindo o Senado

Charge: Acordo entre Acolumbre e oposição - Blog do AFTM

Charge: do Cazo (Blog do AFTM)

Vicente Limongi Netto

Davi Alcolumbre é tinhoso. Não vai entregar fácil a rapadura. Presidente do Congresso tem oceânico poder de barganha. Davi segue trabalhando, sem estardalhaço. Oposição assanhada, com sangue nos olhos e sede de vingança, lançou Rogerio Marinho para presidir o Senado. 

Enlutado senador, Marinho é chefe da campanha fracassada do Flávio Miliciano. O PL, mais raivoso do que nunca, vem para lacrar o senado. Seus inacreditáveis parlamentares não querem acordo com ninguém. Mas a senadora Tereza Cristina também não abre mão da candidatura.

AGRESSÕES PESSOAIS – A rinha está animada.  Carlos Portinho, senador reeleito pelo Rio de Janeiro, que se diz jurista, retornou mais petulante do que nunca, jogou as patas em Alcolumbre, que reagiu firme, lamentando agressões pessoais contra o presidente do legislativo.

Escória do Partido Liberal, Portinho se julga o último biscoito do pacote. Depois da derrota histórica para Lula, quer ganhar alguma coisa. Nem que seja no jogo do bicho ou na raspadinha da Caixa Econômica. 

Soltam foguete antes do tempo. Marinho mandou fazer o terno de posse.  Não é bem assim. Lula tem interesse em manter Alcolumbre no cargo. Sabe jogar. Tem a caneta cheia de tinta.

ALIADOS FORTES – Raramente o Palácio do Planalto mete o bedelho nas eleições para as duas casas do congresso.  Alcolumbre tem suas armas e mumunhas. Na hora certa saberá tirar o escorpião do bolso.

Não subestimem o poder de convencimento do judeu do Amapá.  Davi não está sozinho no jogo. Tem aliados fortes. O Senado não é apenas de bolsonaristas. 

Como as eleições serão  com votação secreta, conforme manda o regimento do Senado,  crescem as chances de Alcolumbre. 

GUERREIRO –  Político ganha e perde eleições. Eleitor acerta, mas também erra muito nas escolhas. O arrependimento vem tarde. O mal foi feito. Faz parte do jogo democrático.

Balas de festim não abalam a fibra de Renan Calheiros. Seu destemor pelo Brasil, pela governabilidade e o carinho por Alagoas continuam inalteráveis e inabaláveis. 

Ex-Ministro da Justiça, 4 vezes presidente do senado e do congresso, o imenso legado político e profissional do advogado e senador Calheiros é fruto de muito trabalho.  Homens de bem não temem Renan Calheiros, só os outros. 

COMIDA BOA – O presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Roberto Tadros, de descendência árabe, reuniu grandes figuras árabes para almoço e boa prosa, em São Paulo.

Presentes, Michel Temer, Gilberto Kassab, Guilherme Afif Domingos e Alfredo Cutai Neto. “Foi um encontro enriquecedor, em que foram trocadas opiniões sobre o futuro do Brasil”, definiu Tadros, muito elogiado pelo trabalho à frente da poderosa CNC. 

Segurança pública exige uma resposta nacional, muito acima da política

Segurança tornou-se uma das principais demandas 

Pedro do Coutto

A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública pelo Senado Federal, em 3 de novembro, representa uma mudança importante na organização institucional do combate à criminalidade no Brasil. Mais do que redefinir atribuições policiais, a proposta estabelece as bases para uma cooperação mais efetiva entre União, estados, Distrito Federal e municípios, reconhecendo que a dimensão dos desafios enfrentados pelo país já não permite respostas fragmentadas, limitadas às fronteiras administrativas de cada ente federativo.

A medida chega num momento em que a segurança pública deixou de ser apenas uma preocupação localizada para se tornar uma das principais demandas da sociedade brasileira. O avanço das organizações criminosas, a expansão das facções para diferentes territórios, a atuação das milícias, a violência urbana e o crescimento dos crimes digitais demonstram que a criminalidade adquiriu uma complexidade que ultrapassa a capacidade de atuação isolada das estruturas tradicionais de segurança. O enfrentamento desse cenário exige planejamento, inteligência, integração de informações e, sobretudo, continuidade das políticas públicas.

ATUAÇÃO COOPERATIVA – É nesse contexto que a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) ganha relevância. Criado pela Lei nº 13.675, de 2018, o sistema já previa a atuação cooperativa entre os diferentes níveis de governo. A PEC, entretanto, eleva esse princípio ao texto constitucional, conferindo maior estabilidade ao modelo e estabelecendo diretrizes para o compartilhamento de informações, a interoperabilidade dos sistemas e a realização de operações conjuntas. Na prática, significa reconhecer que o combate ao crime organizado depende de uma estrutura capaz de articular instituições que, embora tenham competências distintas, enfrentam problemas cada vez mais interligados.

A aprovação também amplia a discussão sobre o papel da União na coordenação dessa política. A possibilidade de criação de um Ministério da Segurança Pública, separado da atual estrutura do Ministério da Justiça, representa um desdobramento administrativo que poderá dar maior centralidade à agenda. A PEC não cria diretamente essa pasta, mas estabelece um ambiente institucional que permite avançar nessa direção. Uma estrutura ministerial própria poderá favorecer a definição de prioridades, a articulação com os governos estaduais e municipais e o acompanhamento de metas nacionais, desde que venha acompanhada de capacidade técnica, recursos e responsabilidades claramente delimitadas.

PARTICIPAÇÃO DOS MUNICÍPIOS –  Outro aspecto relevante é o reconhecimento de que os municípios precisam participar de maneira mais estruturada das políticas de segurança. É nas cidades que a população experimenta diretamente os efeitos da violência, mas também onde podem ser desenvolvidas ações preventivas, políticas de ordenamento urbano, proteção de espaços públicos e iniciativas comunitárias.

A previsão de polícias municipais, observados os requisitos constitucionais e legais, amplia essa discussão. Isso não significa substituir as polícias estaduais ou transferir integralmente aos municípios uma responsabilidade que exige recursos e capacidade operacional. Significa incorporar o poder público local a uma estratégia mais abrangente, respeitando as competências de cada instituição.

A importância dessa reorganização também precisa ser compreendida à luz dos indicadores de violência. O 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública em 2026, identificou uma redução de 8,2% nas mortes violentas intencionais em 2025, em comparação com o ano anterior.

ESTATÍSTICAS – A taxa chegou a 19,1 mortes por 100 mil habitantes, a menor da série histórica iniciada em 2012. Esse resultado demonstra que políticas de segurança podem produzir avanços. Entretanto, o mesmo levantamento aponta o crescimento dos feminicídios, da violência doméstica e dos crimes digitais, além de registrar um recorde de letalidade policial. Os números mostram que não existe uma única realidade da violência no país e que a redução de determinados indicadores não elimina a necessidade de enfrentar outras formas de criminalidade e vulnerabilidade.

A proposta também procura responder a um problema estrutural: a insuficiência de recursos e a descontinuidade das políticas de segurança. Ao constitucionalizar os fundos nacionais de Segurança Pública e Penitenciário e estabelecer mecanismos de proteção orçamentária, o texto busca conferir maior previsibilidade ao financiamento do setor. Sem recursos permanentes, formação profissional, equipamentos, tecnologia e valorização dos agentes públicos, qualquer mudança institucional corre o risco de permanecer apenas no plano normativo. Segurança pública não se constrói exclusivamente com operações policiais ou medidas repressivas, mas com capacidade de investigação, prevenção, inteligência, controle e presença efetiva do Estado.

A integração, contudo, não pode ser confundida com a simples ampliação da estrutura policial. É indispensável estabelecer mecanismos de fiscalização, transparência e responsabilização, além de assegurar que o compartilhamento de informações respeite os direitos fundamentais e a proteção de dados pessoais. A atuação coordenada precisa ser acompanhada de critérios objetivos, avaliação de resultados e controle institucional. Sem essas garantias, a expansão de competências poderá produzir sobreposições, conflitos operacionais e dificuldades de responsabilização, justamente o contrário do que se pretende alcançar.

PRIORIDADE NACIONAL – A segurança pública precisa ocupar, definitivamente, o lugar de prioridade nacional que a dimensão do problema exige, ao lado de áreas essenciais como a saúde. Não se trata de estabelecer uma competição entre políticas públicas, mas de reconhecer que o direito à vida, à liberdade e à circulação segura é condição indispensável para o exercício dos demais direitos. Quando a violência limita o acesso ao trabalho, à educação, aos serviços públicos e à convivência comunitária, seus efeitos deixam de ser exclusivamente criminais e passam a comprometer o próprio funcionamento da sociedade.

O desafio que começa agora é transformar a aprovação constitucional em resultados concretos. A mudança exige compromisso federativo, capacidade de gestão, financiamento contínuo e políticas orientadas por evidências, sem soluções improvisadas ou disputas institucionais. A criminalidade organizada opera em redes, atravessa fronteiras e se adapta rapidamente às fragilidades do Estado. A resposta pública precisa ter a mesma capacidade de articulação.

O Brasil não precisa apenas de mais estruturas de segurança, mas de instituições que consigam trabalhar juntas, compartilhar responsabilidades e prestar contas à população. A aprovação da PEC abre uma oportunidade para essa transformação. Seu verdadeiro alcance, porém, será medido menos pelo texto incorporado à Constituição do que pela capacidade de fazer com que o Estado esteja presente onde a população mais precisa dele.

Aliados de Tarcísio apostam no desgaste do bolsonarismo para vencer a eleição em 2030

Eleição mostrou que a força popular de Lula já não cabe no PT, diz historiador

O lulismo já ultrapassou o PT , aponta Lincoln Secco

Caio Sartori
O Globo

Professor da USP e autor de “História do PT”, Lincoln Secco afirma que o fim da escala 6×1, pauta que surgiu de fora do governo antes de ser encampada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ilustra como o partido estava desconectado de demandas da sociedade. O mesmo vale, diz, para o “exército” do deputado André Janones (Rede-MG), figura alheia à sigla e que foi responsável por mobilizar a campanha digital no segundo turno.

No novo mandato, aponta o historiador, Lula terá o desafio de conciliar demandas das ruas com a realidade política de Brasília. Enquanto isso, Secco já vê o lulismo como uma cultura política semelhante ao peronismo argentino, repleto de correntes que passeiam pela esquerda e o centro.

Quando Lula foi preso, em 2018, falou-se muito na necessidade de produzir novos nomes. O lulismo ainda é muito refém de seu grande líder?
Mais do que um movimento, o lulismo já se trata de uma cultura política. Embora tenha origem na trajetória do Lula, é muito provável que sobreviva ao fim biológico dele, de uma forma talvez parecida com a do peronismo na Argentina. Quando olhamos para as experiências latino-americanas, e o peronismo é a mais importante delas nesse sentido, dá para projetar que já existe um lulismo de centro, outro de direita, um de esquerda mais radicalizado. O peronismo teve essa característica. Dentro do governo atual e do PT, há alas mais liberais, e ao mesmo tempo Lula fez uma radicalização à esquerda do programa no segundo turno.

Foi a campanha petista mais mobilizada que o senhor já viu?
Em 1989, a campanha de Lula teve uma grande adesão espontânea e massiva no segundo turno, mas naquela época as pessoas tinham uma relação mais orgânica com os partidos, sobretudo o PT.

Na de agora, a participação massiva veio de pessoas que têm relação menos orgânica com partidos, milhões de jovens que provavelmente participaram de sua primeira campanha eleitoral. Pegavam a bandeira do PT porque era a que estava à disposição, não significa que tinham uma identificação natural com o partido. Mas, ao mesmo tempo, o partido foi o único instrumento possível para nuclear essa participação popular, que se deu em torno do PT e de Lula. Dificilmente aconteceria com outro partido hoje.

Na Nova República, vê algum movimento de rua tão forte quanto esse tendo como objetivo algo institucional? É diferente de junho de 2013, por exemplo.
Se pensarmos nos grandes movimentos de massa da Nova República, teve o de agora, o de junho de 2013, que foi muito ambíguo do ponto de vista político, as manifestações pelo impeachment de Fernando Collor e a maior de todas, que foram as Diretas Já. As Diretas tinham um objetivo institucional também. Desse ponto de vista, pensando em ter um objetivo central, o que aconteceu agora é mais parecido com as Diretas Já.

Como conhecedor do partido, o que imagina que ficará de legado dessa mobilização?
Veja o que aconteceu do primeiro para o segundo turno. Quase não teve gente importante da burocracia do partido com relevância nessas manifestações. Daqui para frente, o que se desenha é um governo de bastante instabilidade e confronto por causa da composição do Congresso. Apesar da crise do bolsonarismo com a fuga de Flávio, eles têm uma bancada ideológica que é a maior da Nova República. As ruas esperam que o governo mantenha seus compromissos do segundo turno, mas como fará isso mantendo a mesma composição de centro e até centro-direita que tem o atual governo? Lula tem capacidade de mobilizar as pessoas, mas esse não é o padrão do PT enquanto governo desde 2003.

Qual é o tamanho do fim da escala 6×1, que originalmente não era uma pauta do governo, à luz da história do PT no mundo trabalhista?
Essa pauta ajuda a mostrar como a direção do PT estava desconectada da sua base social histórica. O mesmo vale para o exército digital do Janones. Foi preciso que um deputado que não é do PT, com estrutura mais precária, criasse algo que podia ter nascido da estrutura do partido, que tem muito mais recursos para isso. No caso da 6×1, a defesa da diminuição da jornada de trabalho é uma pauta clássica dos trabalhadores desde o século XIX, mas isso precisou vir de um influenciador do Rio de Janeiro (Rick Azevedo), depois eleito, que iniciou um movimento que não veio das centrais sindicais. Há uma desconexão com a demanda dos trabalhadores.

O fim da 6×1 ainda é uma pauta muito focada no trabalho formal. As mudanças no mundo do trabalho são o principal desafio do partido?
Esse assunto é mal compreendido pela direção do PT. Falam como se a classe trabalhadora como um todo agora fosse de aplicativos. Quando olhamos os números, é uma categoria relevante e multifacetada, não uma coisa única. Ao mesmo tempo, não é dominante. Por incrível que pareça, ainda temos mais trabalhadores da indústria do que de aplicativos, além de categorias mobilizadas com as quais o partido não fala mais.

É um desafio, mas o governo e o PT não podem responder só com discurso de ideologia do empreendedorismo, que tem sido a resposta. Uma coisa é reconhecer que existe um discurso de autonomia e liberdade desses trabalhadores, mas sem esquecer que trabalham para aplicativos que são grandes empresas. Vale lembrar também que um dos motes do do atual mandato era reindustrializar o país.

Escolha de ministros dá início a novas embromações do último governo Lula

Isenção do IR injeta R$ 28 bilhões na economia, diz Lula

Lula mais uma vez atrasa a formação do seu Ministério

Carlos Newton

O presidente Lula da Silva deu início nesta quinta-feira, dia 5, a mais uma fase de embromações governamentais, em que se tornou mestre nos seus governos anteriores, sempre embromando e adiando a indicação dos ministros, que é o principal assunto do noticiário político em todo começo de gestão.

O PT e a base aliada espalham que a meta é concluir a equipe da Esplanada dos Ministérios até 20 de dezembro, 56 dias após a eleição. Sonhar ainda não é proibido, mas o passado de Lula nos traz uma indicação bem diferente. Muitas águas vão rolar até esse Ministério ser formado.

Sempre atenta no lance, a repórter Luana Lisboa, da Folha, resolveu conferir o comportamento de Lula e ficou espantada.

Na primeira eleição (2002), o Ministério só começou a se formado 44 dias depois do segundo turno. Na reeleição de  2006, a reforma ministerial só começou a ser efetivada mais de 130 dias após a votação, em março de 2007. Por fim, em 2022, somente saiu 40 dias depois do segundo turno. Portanto, agora podemos esperar sentados, é claro.

PASTA DA FAZENDA – O maior problema é indicar o ministro da Fazenda que será encarregado de fingir que busca o equilíbrio fiscal, nos termos da famosa teoria econômica de Lula – “O dinheiro vai sair de onde está para ser usado onde deveria estar”, disse o presidente petista no início do atual mandato, ao fazer reparos às atuais teorias da Ciência Econômica.

O primeiro encontro, nesta quinta, dia 5, ocorreu com nomes mais próximos de Lula. O presidente recebeu o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad; o vice-presidente Geraldo Alckmin; o ministro do Planejamento Bruno Moretti; o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; a ministra da Gestão e Inovação Esther Dweck; o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho; e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

Também participam os economistas Laura Carvalho, professora da USP (Universidade de São Paulo), Eduardo Moreira, fundador do portal de notícias ICL, Guilherme Mello, secretário-executivo do Ministério do Planejamento, e Miriam Belchior, ministra da Casa Civil;

SEM DIALOGO – Eram 12 à mesa dessa Santa Ceia que nada teve de conciliação, porque não existe diálogo em governo de Lula, e ninguém pode discordar dele, que tem horror a intelectuais, porque despertam todos os complexos e recalques que acumulou durante sua extraordinária trajetória política.

Assim, nada ficou decidido na reunião. Como não houve discussões, tudo parecia acertado, menos a indicação do novo ministro. E ficou claro que o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), que chegou a ser mencionado duas vezes pelo próprio Lula, desta vez nem foi convidado, ficando explícito que seu nome já está mais do que fora de cogitação.

O Planalto divulga que, nas próximas semanas, Lula pretende escutar outros economistas, tanto ortodoxos como heterodoxos, sobre o cenário econômico. O noticiário oficial diz que a sugestão de ampliar o processo de escuta partiu do próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas é conversa fiada. Ele deveria ser um dos cotados, mas sequer recebeu convite para participar da reunião.

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P.S.
– Entre os 13 nomes citados acima, apenas um possui os requisitos necessários para assumir a Fazenda – Aloizio Mercadante, que está trabalhando no BNDES para fomentar o desenvolvimento, injetando em média R$ 1 bilhão por mês na economia, para garantir que o Produto Interno Bruto continue aumentando. O problema é que Lula detesta Mercadante, porque o economista é altamente qualificado e nada tem de bajulador. (C.N.)

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Herivelto Martins, 110 anos: as crônicas de morro e dores-de-cotovelo da  versatilidade em pessoa | Discografia Brasileira

Herivelto Martins, grande compositor

Paulo Peres
Poemas& Canções

O cantor, músico, ator e compositor Herivelto de Oliveira Martins (1912-1992), nascido em Vila Rodeio (atual Engenheiro Paulo de Frontin, RJ), na letra de “Caminhemos”, retrata o sofrimento que a separação da pessoa amada pode trazer. Este samba-canção teve sua primeira gravação feita por Francisco Alves, em 1947, pela Odeon.

CAMINHEMOS
Herivelto Martins

Não, eu não posso lembrar que te amei.
Não, eu preciso esquecer que sofri.
Faça de conta que o tempo passou
E que tudo entre nós terminou
E que a vida não continuou pra nós dois.
Caminhemos, talvez nos vejamos depois

Vida comprida, estrada alongada.
Parto à procura de alguém
Ou à procura de nada…
Vou indo, caminhando
Sem saber onde chegar.
Talvez que na volta
Te encontre no mesmo lugar

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