Crise nos três Poderes exige que Lula troque o palanque pela Presidência

Pesquisas caem na real e já trazem Flávio à frente de Lula no 2º turno

Ilustração reproduzida de Sobral em Revista

Carlos Newton

Já era esperado. Conforme temos afirmado aqui na Tribuna da Internet, as pesquisas mudam muito com a proximidade das eleições, porque diminuem as manipulações. Assim, as pesquisas divulgadas em setembro pela Quaest, pela BTG/Nexus, pela Palver e pela Meio/Ideia, que mediram a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial de 2026, com simulações de primeiro e segundo turno, já trazem um forte crescimento do filho do ex-presidente Bolsonaro.

Os resultados mostram que Flávio já ultrapassa Lula no segundo turno na Quaest (42% a 4o%) e na Nexus (46% a 45%), enquanto a Meio/Ideia registra empate de (46% a 46%).

NOVA REALIDADE – Na pesquisa anterior, a Quaest á tinha apontado Lula (PT) à frente de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno, mas pela primeira vez Flávio ultrapassara no segundo turno, com 46% a 44%, em empate técnico, e agira os dois cairam, mas o candidato do PL se manteve à frente.

Também na BTG/Nexus Flávio encosta em Lula no primeiro turno e passa à frente numericamente no segundo. O senador avança de 33% para 35% no 1º turno e chega a 46% a 45% na simulação contra o presidente.

A 13ª rodada da pesquisa BTG/Nexus, divulgada semana passada, mostrava a recuperação de Flávio Bolsonaro (PL) após uma semana marcada pelo noticiário envolvendo o STF. O senador crescera no primeiro turno e, pela primeira vez na série, superara numericamente Lula (PT) em uma simulação de segundo turno – embora os dois permaneçam tecnicamente empatados.

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P.S.
Infelizmente, a polarização continua e o Brasil vai continuar tendo presidentes despreparados, como vem acontecendo desde o governo de Itamar Franco, com Fernando Henrique Cardoso, Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro. Mesmo assim, o país cresce à noite, quando os presidentes estão dormindo e não conseguem atrapalhar. (C.N.)

PL usa confrontos no Supremo para tentar derrubar Alcolumbre no Senado em 2027

Os novos tempos que desmontaram o Supremo são estranhos e ameaçadores

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Dora Kramer
Folha

Os ministros aposentados que em abaixo-assinado pediram ao presidente Edson Fachin manifestação rigorosa e transparente sobre as suspeições que assombram o Supremo Tribunal Federal (STF) pertenceram a outros tempos da corte.

Tempos em que as indicações não eram pautadas pela fidelidade ao presidente da República e magistrados não se conduziam ao sabor de proximidades estratégicas, alianças táticas e afinidades políticas com atores da vida pública e personagens do mundo privado —devedores, como qualquer cidadão, de obediência aos ditames da Justiça.

INDIVIDUALISMO – Tempos que ficaram para trás, perdidos no desprezo à colegialidade e substituídos por um individualismo transmutado em coleguismo nos piores momentos. Época em que magistrados não se viam como mestres do Universo.

O que se mostrou como hesitação de Fachin, até que ele chamasse a si a responsabilidade de estabelecer a ordem no tribunal, era a referência de um presidente do STF que ainda se pautava pelos critérios do tempo antigo. A realidade mostrou que cautela, discrição, racionalidade, ponderação e avaliação das consequências antes de ceder à precipitação não são atributos que se coadunam com as urgências dos novos tempos.

O termo “tempos estranhos” ao qual se referiu o então ministro Marco Aurélio Mello, em 2006, ao assumir a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no ambiente conturbado do escândalo do mensalão, pode ser replicado à inimaginável situação em que aquelas palavras se aplicariam à corte suprema.

AFRONTA – “A rotina de desfaçatez e indignidade parece não ter limites, numa mistura de escárnio e afronta”, disse ele no memorável discurso que se revelou premonitório. Primeiro, pela ideia de que juízes teriam um papel a encarnar além da guarda da Constituição; depois, por condutas pessoais permeáveis a companhias e ambientes impróprios ao exercício da nobilíssima função.

Óbvio que não estão acima da lei da qual são guardiões. Indispensável atenção da cidadania a que estejam também, e sobretudo, acima de qualquer suspeita.

Dark Horse: Produtora pagou R$ 102 mil por SUV em dinheiro vivo e chamou atenção do Coaf

Lula sobe o tom e mira André Mendonça em meio à crise no Supremo

STF terá sessão sob segurança reforçada que pode abrir investigação contra Moraes

Corte monta esquema especial para análise de procedimento

Pepita Ortega
O Globo

Inédita, a sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) prevista para amanhã será marcada por um esquema de segurança reforçado, acesso restrito ao plenário e telões para que jornalistas possam acompanhar as discussões. No centro do julgamento, estará o relatório com mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes às vésperas da prisão do dono do Banco Master.

O julgamento está marcado para 10h, mas seu rito ainda segue sob indefinição. Normalmente, os debates no plenário do STF têm início com a manifestação de defesas e da Procuradoria-Geral da República, seguidas da leitura do voto pelo relator e, em seguida, há o debate pelos demais ministros do STF.

CREDENCIAMENTO PRÉVIO – As sessões do STF também são, via de regra, abertas ao público, com acesso ao plenário. Para terça-feira, no entanto, foi exigido um credenciamento prévio, similar ao que ocorreu, por exemplo, no julgamento sobre os atos golpistas de oito de janeiro.

Para jornalistas será montado um esquema para acompanhamento da sessão na marquise do prédio principal do STF. A Corte montará telões no local para que os repórteres possam acompanhar o julgamento. Os debates serão transmitidos pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube.

Na pauta da sessão de terça está o procedimento que foi aberto pelo ministro André Mendonça para a identificação de interlocutores de Vorcaro nas mensagens identificadas no celular do ex-banqueiro. A partir desta decisão, a Polícia Federal elaborou um relatório apontando Moraes como o destinatário dos textos do dono do Master.

CRISE – Mendonça tornou o relatório público e submeteu para a análise do plenário do Supremo, inaugurando uma crise sem precedentes na Corte. Como mostrou O Globo, o documento levanta a suspeita de que Vorcaro recebeu orientações de Moraes no auge da crise da instituição financeira.

Durante um período de 13 dias, mensagens extraídas do celular do banqueiro mostram que ele pediu a intervenção do magistrado para impedir a liquidação do banco e o avanço das investigações. Nas conversas, Vorcaro faz apelos para “sensibilizar” autoridades e pergunta sobre como deveria proceder para “desarmar” e “reverter” a situação.

Cármen Lúcia vira fiel da balança no julgamento que pode afastar Moraes do Supremo

Lula e Flávio empatam na rejeição e travam disputa por 2026

Candidatos chegam a 55% de rejeição em eleição polarizada

Deu no O Globo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão empatados como os candidatos à Presidência mais rejeitados pelos eleitores, mostra a nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira. Segundo o levantamento, 55% afirmam que não votariam de jeito nenhum em nenhum dos dois postulantes ao Palácio do Planalto.

A rejeição de Lula oscilou dois pontos percentuais para cima na comparação com a pesquisa divulgada há uma semana, passando de 53% para 55%. No mesmo período, o percentual dos que afirmam que poderiam votar no petista foi de 44% para 45%. Por ser conhecido por todos os entrevistados, o presidente não registra percentual de desconhecimento.

OSCILAÇÃO – Flávio manteve os mesmos 55% de rejeição registrados nas duas rodadas anteriores. O potencial de voto do candidato do PL, porém, oscilou de 40% para 43%. Outros 2% disseram não conhecer o senador, ante 5% nas pesquisas anteriores. Os dois líderes da corrida presidencial têm rejeição superior à dos demais candidatos. Ronaldo Caiado (PSD) aparece na sequência, com 42%, seguido por Romeu Zema (Novo), com 40%; Renan Santos (Missão), com 30%; e Augusto Cury (Avante), com 26%.

Entre os candidatos mais bem posicionados, Cury apresenta o menor nível de rejeição, mas também é desconhecido por metade do eleitorado. O escritor tem potencial de voto de 24%. Caiado poderia receber o voto de 22% e é desconhecido por 36%, enquanto Zema tem potencial de 21% e não é conhecido por 39%. Renan poderia ser escolhido por 16%, mas 54% ainda dizem não conhecê-lo.

Rui Costa Pimenta (PCO) é rejeitado por 24%; Samara Martins (UP), por 13%; Edmilson Costa (PCB), por 12%; Hertz Dias (PSTU) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata), por 11% cada; e Clariana Barão (DC), por 8%. Todos são desconhecidos por mais de 70% dos entrevistados.

VARIAÇÃO ENTRE SEGUMENTOS –  A resistência a Lula chega a 63% entre os eleitores com Ensino Superior e a 62% entre aqueles com renda familiar superior a cinco salários mínimos. O índice também é de 69% entre os evangélicos, ante 47% entre os católicos. Flávio, por sua vez, é rejeitado por 60% dos eleitores com 60 anos ou mais e por 59% dos católicos. Entre os evangélicos, o índice cai para 44%, enquanto 53% afirmam que poderiam votar no candidato do PL.

No recorte regional, Lula enfrenta maior rejeição no Sul, onde 63% dizem que não votariam nele, e no Sudeste, com 60%. No Nordeste, o percentual cai para 40%, e 60% afirmam que poderiam votar no presidente. A rejeição de Flávio chega a 60% no Nordeste, 54% no Centro-Oeste e no Norte e 53% no Sudeste. No Sul, 49% rejeitam o senador e outros 49% dizem que poderiam votar nele.

Entre os eleitores independentes, Lula e Flávio voltam a empatar: 63% rejeitam cada um. O potencial de voto é de 37% para o petista e de 33% para o candidato do PL, que ainda é desconhecido por 4% desse grupo.

LIDERANÇA E REJEIÇÃO –  Os altos índices de rejeição contrastam com a concentração das intenções de voto nos dois candidatos. Lula lidera o primeiro turno com 36%, seguido por Flávio, com 31%. Augusto Cury aparece com 7%, enquanto Caiado e Renan têm 4% cada. Zema registra 1%. Indecisos somam 10%, e 7% pretendem votar em branco, anular ou não comparecer.

Em relação à rodada anterior, Lula permaneceu com 36%, enquanto Flávio oscilou de 29% para 31%. Cury passou de 8% para 7%. Caiado e Renan foram de 3% para 4%, e Zema oscilou de 2% para 1%. Na simulação de segundo turno, Flávio aparece numericamente à frente, com 42%, contra 40% de Lula. Os dois estão tecnicamente empatados. Na rodada anterior, ambos tinham 41%.

O quadro indica uma disputa concentrada nos dois candidatos que possuem, ao mesmo tempo, os maiores contingentes de apoiadores e de eleitores resistentes às suas candidaturas. A rejeição pode ganhar peso especialmente em um eventual segundo turno, quando ambos precisarão conquistar eleitores que escolheram outros nomes na primeira etapa.

CASOS POLÍTICOS –  A pesquisa foi realizada em meio aos novos desdobramentos do caso Dark Horse e ao agravamento da crise no Supremo Tribunal Federal. Documentos divulgados nos últimos dias mostram que Flávio é formalmente investigado desde julho pela negociação de recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

Segundo a Polícia Federal, Flávio pediu R$ 131 milhões para a produção, dos quais cerca de R$ 60 milhões teriam sido pagos. A corporação busca esclarecer a origem, o caminho e o destino final dos recursos. O senador nega irregularidades e defende a divulgação integral dos documentos.

INTERVENÇÃO – O período também foi marcado pela intervenção do presidente do STF, Edson Fachin, na disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno das investigações do Banco Master. Fachin suspendeu as decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, manteve Andrei Rodrigues no cargo e retirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news.

A Quaest, contratada pela Globo e pelo jornal O GLOBO, ouviu presencialmente 2.004 eleitores com 16 anos ou mais entre os dias 10 e 13 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-03607/2026.

Uma fração ordinária, na genial poesia matemática de Millôr Fernandes

Millôr, eternamente atual | Millôr Fernandes - Seguinte

Charge de Millôr Fernandes (Arquivo Google)

Paulo Peres

O desenhista, humorista, dramaturgo, tradutor, escritor, jornalista e poeta carioca Millôr Viola Fernandes (1923-2012), em “Poesia Matemática” usou a sua genialidade para através de metáforas contar uma estória de amor.

POESIA MATEMÁTICA
Millôr Fernandes

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.

“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E ao falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.

Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.

Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade,
como aliás em qualquer
sociedade.

“O que está acontecendo na Corte não pode continuar”, diz ex-ministro da Justiça

Celular de Vorcaro vira novo foco da crise no STF antes da sessão sobre Moraes

A guerra dentro do Supremo é a conta por ter assumido um poder sem limites

Enfim, chegou a hora de o STF conter a esculhambação, a qualquer custo

Juízes auxiliares do STF ganham mais que os ministros da corte - Espaço  Vital

Charge do Alpino (Yahoo Noticias)

Vicente Limongi Netto

Será uma terça-feira calorenta e diferente, com Fla/Flu na Praça dos Três Poderes. Aplicativos afiados. Palpites de todos os tamanhos, serenos, raivosos, cabeludos e absurdos. Ópera bufa, pegadinha, conversa fiada, pizza gigante ou jogo duro, para valer. Algo precisa ser feito. Do infinito, Ruy Barbosa não esmorece.  

Na fezinha do bicho, dia 15 é jacaré. Apropriado para os figurinos dos ministros da Suprema Corte.  Será que sairão fumaças dos telhados do STF anunciando que a histórica sessão plenária chegou a uma decisão final e fulminante, como ocorre no Vaticano, anunciando que o novo Papa foi escolhido?

HORA DA VERDADE – Togas serão rasgadas e expostas a degradação pública? Finalmente a esculhambação será contida? Cabeças rolarão, aposentadorias à vista? A nação exige bons e firmes esclarecimentos. Não vale passar a mão na careca de nenhum togado. Quem não deve, não teme.

Nada de joguinho de compadre com cartas marcadas.  Um anjo bom me segredou que Alexandre de Moraes breve anuncia aposentadoria e será ministro da Justiça no novo governo Lula. Ansiedade geral. A compostura precisa voltar.

Sofá pronto, pipocas e geladinhas nos trinques. Compondo a coreografia da verdade ou da farsa. 

O filme que não estreia, mas já virou um espelho da política brasileira

Ala de Moraes aposta em falhas processuais para barrar investigação contra ministro

Aliados apontam irregularidades em relatório de Mendonça

Márcio Falcão
O Globo

A ala de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal (STF) tem defendido que a análise do relatório da Polícia Federal sobre a suposta relação entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro comece por questões processuais, as chamadas “preliminares”, que têm o condão, inclusive, de barrar a abertura de uma investigação.

Entre os pontos que poderão ser alegados com essa finalidade na sessão marcada para a próxima terça-feira (15), está uma eventual nulidade do relatório feito pelo ministro André Mendonça sobre o caso e, até mesmo, a falta de acesso a todo conteúdo extraído do celular de Vorcaro pela PF.

RELATORIA – Neste sábado (12), o presidente da Corte, Luiz Edson Fachin, assumiu a relatoria da discussão sobre a situação de Moraes. A Procuradoria-Geral da República já se manifestou, no Supremo, a favor de que o relatório produzido por Mendonça seja arquivado sob o argumento de que a sua produção foi irregular.

Isso porque, conforme a PGR, a elaboração foi determinada pelo ministro, dentro das investigações do caso Master, sem comunicação prévia à Presidência, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.

Um vício, ou seja, uma falha na origem do relatório, poderia fazer com que os ministros sequer discutissem se as mensagens justificam a abertura de uma investigação, ou se seria necessário ter acesso às mensagens de Moraes em resposta a Vorcaro para a apuração ser aberta.

52 MENSAGENS – Ao longo das investigações, a PF localizou 52 mensagens de 21 de dezembro de 2023 a 17 de novembro de 2025 – data em que o banqueiro Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez. O relatório da PF afirma que o ministro atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões, assinado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro.

Segundo a Polícia Federal, em uma mensagem enviada dois dias antes de ser preso, o dono do Master perguntou ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes se tinha que deixar o Brasil. Ainda de acordo com a PF, Daniel Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter ações da PF e do Ministério Público Federal contra o banco. O relatório afirma que Vorcaro e Moraes se encontraram oito vezes.

Nesta segunda-feira (14), termina o prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem sobre a produção do relatório.

CELULAR DE VORCARO –  Outra discussão que se tornou central às vésperas da sessão é o acesso a todo material extraído do celular de Vorcaro. Os ministros Cristiano Zanin, Moraes e Gilmar Mendes defendem que a análise do material é fundamental para uma ampla avaliação do caso de Moraes pelo plenário.

A PGR também reforçou que o acesso à integralidade dos dados é necessário “para a formação de juízo sobre o tema posto em debate”. O presidente do STF, Edson Fachin, deu prazo de 24 horas para a PF prestar informações sobre o celular. O eventual acesso ao aparelho poderia adiar a sessão até que os gabinetes possam fazer uma varredura.

André Mendonça, por sua vez, Mendonça afirma que a cópia repassada pela PF segue lacrada em seu gabinete. Fachin ainda não anunciou o rito da sessão da próxima terça-feira (15). O caso é inédito no Supremo. Há dúvidas, por exemplo, se o próprio Moraes e a Procuradoria-Geral da República vão se manifestar na sessão.

SESSÃO ABERTA – Há a expectativa de que a sessão seja aberta, com alguma restrição de acesso do público ao plenário. Não está descartada a hipótese de algum ministro apresentar uma questão de ordem para que o julgamento seja fechado. Até agora, seis votos são considerados mais prováveis. Os ministros Gilmar Mendes, Flávio Dino, e Cristiano Zanin são apontados como alinhados com Moraes.

André Mendonça contaria com o apoio de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Nos bastidores, há incerteza sobre os votos de Fachin e Cármen Lúcia, que estão recebendo acenos e pressões dos dois lados.

O ministro Dias Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é a de ele não participar, já que o caso é desdobramento do caso Master, do qual deixou a relatoria no início do ano após revelações de possível relação com Vorcaro.

Supremo já perdeu a fronteira entre crise institucional e disputa eleitoral da Presidência

Guerra no STF suplanta esforço de acomodação de Fachin

Igor Gielow
Folha

O conflito entre ministros do Supremo Tribunal Federal já não se distingue da disputa eleitoral entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). A ação da Polícia Federal sobre o caso “Dark Horse”, autorizada por Flávio Dino, por óbvio tem vida própria em termos de relevância, mas se encaixa na ordem de batalha político-judicial em curso.

Ela foi definida por André Mendonça ao revelar o relatório com suspeitas sobre Alexandre de Moraes na relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, após saber que o colega tinha tido acesso ao documento sigiloso.

“TIMING” – Se o que está colocado é gravíssimo para o agora ex-relator do inquérito das fake news, o “timing” favoreceu diretamente Flávio, filho do ex-chefe e responsável pela indicação de Mendonça à corte.

Ato contínuo, o presidenciável politizou o caso e mirou a associação política entre Lula e Moraes, esquecendo de forma conveniente a relação de seu grupo com Mendonça e, principalmente, o fato de que ele próprio é objeto de suspeita no caso Master.

Nenhum de seus argumentos sobre a relação com o “meu irmão” Vorcaro até aqui parou de pé: Flávio nunca apresentou a contabilidade do apoio alegado ao filme e sim, havia dinheiro público na empreitada.

CERCO – Talvez antecipando o que o próprio presidenciável vendeu a apoiadores como uma “facada” no 7 de Setembro na Avenida Paulista, a produtora do filme procurou Mendonça para tentar levar ao STF o cerco que a polícia paulista fazia sobre o caso.

Acabou vendo Dino, que associou o episódio com a investigação sobre emendas parlamentares sob sua guarda, tomar a frente. Com isso, a tática bolsonarista poderá acabar expondo o candidato a mais revelações, com impacto eleitoral ainda a ser definido. Isso dito, o PT já calcula o dano da crise.

Do ponto de vista de foco político, a ofensiva autorizada por Dino vem em socorro de Moraes em um momento delicado para o aliado. O ministro que conduziu a condenação de Jair Bolsonaro vinha trocando fogo de artilharia pesado com Mendonça.

FREIO DE ARRUMAÇÃO – Após a revelação de suas relações com Vorcaro, ele buscou enquadrar o colega, que reagiu mandando afastar do cargo o diretor-geral da PF e o chefe de inteligência do órgão, segundo ele mancomunados com Moraes. O presidente do Supremo, Edson Fachin, buscou sair da catatonia institucional em que se encontrava e apresentou um freio de arrumação na quarta-feira (9): suspendeu todas as medidas dos dois ministros rivais.

Ao mesmo tempo, emasculou Moraes ao removê-lo da relatoria do inquérito das fake news, ainda que tenha mantido todas as decisões tomadas até aqui. E marcou para terça (15) uma sessão do Supremo para discutir se ele será objeto de investigação.

EXPOSIÇÃO – Moraes está exposto como nunca esteve, e é sintomático que tenha cancelado o pronunciamento que faria nesta quinta apenas uma hora após anunciá-lo. Foi um raro sinal público de indecisão do combativo ministro. Um conhecido seu dos tempos de Secretaria de Segurança de São Paulo diz que nunca o viu tão pressionado, mas que isso não deve antecipar uma capitulação.

Ele lembra que Mendonça ainda terá a regularidade de suas decisões discutida, e que na disputa maior, Flávio tem mais a perder do que Lula no caso Vorcaro. Por um caminho diverso, independentemente de mérito ou premência, Dino acabou por recolocar o caso “Dark Horse” no topo do noticiário. A “Pax Fachini” proposta pelo presidente do Supremo durou poucas horas.

Moraes fez mal a muita gente e agora está pagando pelos crimes cometidos

O domínio de Moraes vai ruir

Ilustração em IA, reproduzida da Gazeta do Povo

Carlos Newton

A extraordinária crise que o Supremo Tribunal Federal está passando foi causada pelos próprios ministros, que jamais poderiam ter admitido que houvesse descumprimento e manipulação de leis em seus julgamentos, e por motivos meramente político-partidários – esta é a verdade dos fatos, que ficará registrada na História Republicana.

As leis existem para que a sociedade possa funcionar em harmonia, sem elas não há regime democrático nem respeito mútuo entre os cidadãos-contribuintes-eleitores, como dizia o jornalista Helio Fernandes, perseguido por sucessivos governos e submetido a censura prévia por dez anos no regime militar, a partir do Ato Institucional nº 5, de 1968, e sendo levantada somente em 1978.

TOFFOLI EM CENA – A manipulação das leis começou em 1964, quando Dias Toffoli presidia o STF e deu um jeito de colocar em votação o cumprimento de pena após julgamento em segunda instância, que é uma espécie de cláusula pétrea do Direito Criminal, adotada por todos os 193 países da ONU, dos quais apenas 75 são considerados democráticos ou semidemocráticos.

Para libertar Lula, Toffoli pós em julgamento essa aberração e seis ministros se manifestaram a favor da estranha tese do trânsito em julgado: Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Rosa Weber, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Dias Toffoli.

E a impunidade então passou a ser institucionalizada, porque os criminosos da elite conseguem estender os processos até a prescrição do crime ou da pena.

FICHA LIMPA – No mesmo 2019, as mulheres de dois ministros (Toffoli e Gilmar) caíram na malha da Receita. Toffoli ilegalmente então criou o inquérito das fake news, nomeou Moras para relator, sem sorteio eletrônico, e nunca mais a Justiça brasileira foi a mesma, com a existência desse inquérito do fim do mundo, que Moraes usa para perseguir quem bem entende.

Dois anos depois, em 2021, para que Lula pudesse se candidatar, o relator da Lava Jato, Edson Fachin, colocou em votação a “incompetência territorial absoluta”, uma excrescência jurídica que também não existe em nenhum dos países da ONU.

Votaram a favor  Edson Fachin, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Dias Toffoli, Gilmar Mendes. Ricardo Lewandowski, Cármen Lúcia e Luís Roberto Barroso, numa maioria mais que absoluta, pois apenas três ministros foram contrários: Nunes Marques, Marco Aurélio Mello e Luiz Fux.

VINGANÇA PURA – No comando do ilegal inquérito do fim do mundo, que não acaba nunca, Moraes tornou-se um ditador jurídico a serviço do governo Lula. Passou a perseguir oposicionistas e exagerou tanto que  tentou dar ordens a serem cumpridas pela Justiça dos EUA, e somente a partir daí começou sua ruína.

Em 2023 houve o golpe que nem se concretizou, não teve um só tiro nem mortes, mas os supostos golpistas foram julgados com um rigor absurdo e ilegal pelo Supremo.

Com sangue nos olhos e a faca entre os dentes, o relator Moraes conseguiu convencer oito ministros a apoiar suas sandices. Assim, mais de 1,5 mil réus foram considerado “terroristas” e pseudos integrantes de uma quadrilha armada, embora nem se conhecessem entre si nem estivesse empunhando nenhuma arma quando foram presos, a não ser um batom, que mereceu 14 anos de cadeia.

FORA-DA-LEI – Com inaudita soberba, o ditador Moraes foi julgando os golpistas inteiramente à margem da lei. Para elevar as penas, duplicou crimes que são excludentes entre si, como Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (Art. 359-L) e Golpe de Estado (Art. 359-M), assim como Dano qualificado (Art. 163, parágrafo único) e Deterioração de patrimônio tombado (Lei 9.605/98).

Além dessa absurda duplicação de leis, para aumentar as penas, Moraes conseguiu condenar todos os incriminados, sem exceção, por crime de associação criminosa armada, sem que ficasse provado o uso de arma por qualquer um dos réus.

O fato concreto é que Moraes conseguiu aprovar essas excrescências jurídicas por unanimidade na Primeira Turma, formada por Cármen Lúcia, Flávio Dino, Cristiano Zanin e Luís Roberto Barroso. Mas quem se interessa?

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P.S. 1 –
Nos julgamentos, Moraes levou o Supremo a cometer esses crimes horrendos e não está respondendo por nenhum deles. Todos ficarão impunes, sem afetar em nada o ministro, simplesmente porque ele não tem consciência. Nesta terça-feira, o STF vai decidir se ele será investigado, mas por outros crimes, e o principal é de advocacia administrativa, por vender proteção a um banqueiro criminoso e usar mulher e filhos para serem seus cúmplices.

P.S. 2 – O pior é saber que há outros ministros que são solidários a Moraes e lutam desesperadamente para que ele não seja afastado do Supremo e continue a cometer crimes impunemente. Falta a eles o que sobrava ao historiador Capistrano de Abreu – ter vergonha na cara. Apenas isso. (C.N.)

Defesa de Vorcaro tenta barrar divulgação de dados privados do banqueiro

Charge do Spacca (Instagram)

Fernanda Fonseca
CNN

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que informações privadas e sem relação com as investigações sejam retiradas dos materiais antes de eventual divulgação pública.

O pedido foi apresentado neste sábado (12), após a retirada do sigilo de dezenas de procedimentos ligados ao Banco Master. Os advogados dizem que não querem impedir a publicidade das investigações, mas defendem uma filtragem prévia para preservar conteúdos protegidos pela intimidade, pela vida privada ou por sigilo legal.

MENSAGENS ÍNTIMAS – A defesa cita imagens e informações de familiares de Vorcaro, inclusive dos filhos, e comunicações protegidas por sigilo profissional, como conversas com advogados. O documento também menciona a divulgação de mensagens íntimas trocadas entre Vorcaro e sua então namorada durante a Operação Compliance Zero. A ex-noiva e ex-namorada do banqueiro é a empresária, modelo e influenciadora digital Martha Graeff.

Conversas privadas entre os dois vieram a público após vazamentos de dados apreendidos em celulares de Vorcaro. Segundo a defesa, o episódio mostra que há risco de exposição de informações sem relação com os fatos investigados.

DISPUTA NO STF – O pedido ocorre em meio à disputa no Supremo sobre o acesso aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Ministros da Corte pediram acesso à íntegra do material antes da sessão de terça-feira (15).

Neste sábado, o presidente do STF, Edson Fachin, deu 24 horas para que a Polícia Federal informe sobre a custódia e o estado desse material antes de decidir sobre os pedidos de acesso.

Fachin também assumiu a relatoria do procedimento sobre as mensagens envolvendo Vorcaro e Alexandre de Moraes e determinou a remessa à Presidência dos processos relacionados às investigações do Banco Master e das fraudes do INSS.

Dark Horse: produtor nos EUA exige ordem da Justiça americana para entregar documentos à PF