Próximo presidente terá um trabalho enorme para refazer a imagem do Brasil no exterior

Iotti / Iotti

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Deu no Estadão

O cientista político Joseph Nye conceituou como soft power a capacidade de determinados países de influenciar e seduzir outros por meio da inspiração evocada por seus valores, ideologias e modos de vida. Nye contrapôs esse tipo de poder, mais brando, ao poder bruto, coercitivo, tradicionalmente advindo da força militar e da pujança econômica.

Bem antes da conceituação do chamado soft power, José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, já o tinha como a espinha dorsal do que viria a ser a doutrina diplomática brasileira.

LUGAR NO MUNDO – Ao mesmo tempo experiente e visionário, arguto observador da construção das relações de poder entre as nações, Rio Branco sabia que o lugar do Brasil no mundo não seria definido por seu poderio bélico nem por sua potência econômica, ambos muito aquém dos de países mais desenvolvidos.

Em grande medida, portanto, o Brasil é o que é hoje – um país de dimensões continentais que garantiu suas fronteiras quase sempre por meio de negociação e que é pacífico na relação com todo o mundo – graças à sua diplomacia.

Uma das razões pelas quais o chefe de Estado brasileiro tem a honra de abrir a Assembleia-Geral da ONU é o reconhecimento aos esforços do País para a criação da própria organização e, sobretudo, por seu histórico empenho em solucionar conflitos de forma pacífica.

ENVERGONHOU O PAÍS – Ao realizar o mais indigno discurso que um chefe de Estado brasileiro já ousou pronunciar da tribuna da ONU, o presidente Jair Bolsonaro, na terça-feira passada, não apenas envergonhou os concidadãos que deveria representar com honradez, como minou esse longo e profícuo trabalho da diplomacia brasileira na construção da imagem do Brasil no exterior, e que tantas conquistas legou ao País.

Hoje, o Brasil de Bolsonaro, que abandonou o poder brando em favor do poder truculento, na verdade é miseravelmente impotente.

A despeito das significativas mudanças de orientação política no curso da história republicana, jamais o País havia perdido de vista os pilares da doutrina diplomática consagrada em todas as Constituições desde 1891 – nem mesmo nos duros tempos da ditadura militar.

SERVIR AO PAÍS – “Um diplomata não serve a um regime, e sim a um país”, escreveu certa vez Rio Branco, ele mesmo um monarquista convicto que serviu brilhantemente a quatro presidentes da República entre 1902 e sua morte, em 1912.

Consta que Bolsonaro praticamente rasgou o discurso “moderado” redigido pelo chanceler Carlos França e pelo secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, almirante Flávio Rocha, e escreveu outro com auxílio do filho deputado, Eduardo Bolsonaro – que o pai queria ver embaixador nos Estados Unidos tendo como qualificação a experiência de ter “fritado hambúrguer” em uma lanchonete americana. De forma livre e consciente, o presidente decidiu ignorar sua responsabilidade como chefe de Estado e falar da tribuna da ONU diretamente a seus apoiadores mais amalucados.

MONTE DE BOBAGENS – A versão final do discurso, como o mundo inteiro teve o desprazer de ouvir, é um amontoado de mentiras, distorções da realidade e teorias conspiratórias.

Ao mesmo tempo que nega peremptoriamente a realidade que o cerca, Bolsonaro não propõe nada em troca. Não é possível nem sequer afirmar que seu governo sugere uma nova política externa para o Brasil. Seu discurso “sem alma”, como bem classificou a colunista Rosângela Bittar, do Estado, foi tão desértico como sua agenda para o País.

Sob Bolsonaro, o Brasil foi de um importante interlocutor em questões de interesse global a pária internacional, a motivo de chacota. Isso nada tem de trivial. A faina do próximo presidente da República, seja quem for, para reconstruir a reputação internacional do País será árdua, tarefa que dará trabalho dobrado aos genuínos herdeiros de Rio Branco. É essa a dimensão dos estragos provocados pela pequenez daquele a quem, desafortunadamente, coube conduzir o País num dos momentos mais desafiadores da história.

Condenado na Espanha, sargento da FAB preso com 39kg de cocaína ainda recebe salário

O segundo-sargento da Aeronáutica, Manoel Silva Rodrigues, foi preso em 2019 transportando cocaína em voo presidencial Foto: Reproduçao

Sargento Rodrigues já recebeu a gratificação de Natal

Eduardo Gonçalves
O Globo

Preso há mais de dois anos na Espanha, o segundo-sargento Manoel Silva Rodrigues continua recebendo normalmente os seus honorários como militar da ativa da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele foi detido em junho de 2019, transportando 39 kg de cocaína na bagagem em um dos aviões da FAB que dava apoio à  comitiva do presidente Jair Bolsonaro.

Condenado a seis anos de prisão pelo Superior Tribunal da Andaluzia, na Espanha, Rodrigues consta ainda como militar da ativa no Brasil e é renumerado com um salário mensal na faixa dos 7.000 reais brutos.

GRATIFICAÇÃO – Segundo informações do Portal da Transparência, ele recebeu em junho deste ano – quando completou dois anos da prisão – R$ 9.975 líquidos. O salário foi acrescido com uma gratificação natalina de 3.000 reais. De junho de 2019 até agosto de 2021, ele ganhou pelo menos R$ 180 mil dos cofres públicos.

A Força Aérea Brasileira afirmou ao O Globo que o militar só será expulso e terá os honorários anulados quando houver uma condenação definitiva contra ele, de acordo com o Estatuto dos Militares.

“A exclusão do militar a bem da disciplina só será aplicada ao militar após ter sido condenado à pena restritiva de liberdade individual a 2 anos, em sentença transitada em julgada, conforme determina o Estatuto dos Militares (Lei 6880)”, diz a nota enviada pelo Centro de Comunicação Social da Aeronáutica.

É TUDO LEGAL – Juristas consultados pela reportagem dizem que não há nenhuma irregularidade no fato de o militar continuar recebendo renumeração, mesmo que ele esteja afastado da função por razões óbvias.

– Antes do trânsito em julgado, nenhuma condenação ou pena pode ser antecipada. É uma norma constitucional e processual, que faz parte do nosso cenário jurídico. É a garantia do princípio da presunção de inocência – diz o advogado criminalista Daniel Gerber.

Conforme o Código Penal, a senteça no exterior ainda precisa ser confirmada em outro julgamento no Brasil, o que não aconteceu ainda no caso do sargento Rodrigues.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Esse tipo de impunidade só acontece na filial Brazil. Na matriz USA, o sargento já teria sido julgado por Corte Marcial e sua expulsão seria formalizada a toque de caixa, como se dizia antigamente. Mas aqui na filial, se até Geddel Vieira Lima já foi solto, por que o sargento Rodrigues mereceria tratamento diferente? (C.N.)

Como ministro da Saúde, Ricardo Barros pagou R$ 20 milhões por remédios jamais recebidos 

Quem é Ricardo Barros, líder do governo citado em 'rolo' da Covaxin -  Notícias - R7 Brasil

Barros montou um esquema de corrução no setor da Saúde

Márcio Falcão e Fernanda Vivas
TV Globo — Brasília

Polícia Federal afirmou à Justiça Federal ter reunido elementos que indicam ter havido “pressão” de integrantes do Ministério da Saúde durante a gestão do deputado Ricardo Barros (PP-PR) para o pagamento antecipado de quase R$ 20 milhões à empresa Global Saúde pela compra de remédios para doenças raras que nunca foram entregues.

Representação da PF obtida pela TV Globo reúne depoimentos de servidores do ministério que atribuem a liberação da verba a cobranças do próprio Ricardo Barros e de pessoas ligadas ao gabinete dele, além de mudanças, introduzidas durante a gestão do então ministro nos processos de aquisição de medicamentos comprados por decisão judicial.

PÉS DE BARRO – O material reunido pela Polícia Federal foi a base da Operação Pés de Barro (vídeo abaixo), realizada na última terça-feira (21). A operação apura fraudes na aquisição de medicamentos de alto custo pelo Ministério da Saúde, entre maio de 2016 e março de 2018, período em que Barros — atual líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara dos Deputados — comandava a pasta, durante o governo do então presidente Michel Temer.

Na operação, a PF cumpriu mandados de busca e apreensão em quatro estados (Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo) e no Distrito Federal.

DISSE A PF – A contratação irregular envolve a empresa Global Saúde, sócia da Precisa Medicamentos – arrastada para o centro das investigações da CPI da Covid após suspeitas de irregularidades nas tratativas de compra da vacina indiana Covaxin.

A Polícia Federal informou à Justiça que não estava investigando o caso Covaxin, mas que os fatos revelados pela CPI mostram que o mesmo grupo investigado na Operação Pés de Barro pode ter perpetuado outro esquema para desviar dinheiro público.

Segundo a PF, as medidas de busca e apreensão eram necessárias diante da exposição dos alvos pela CPI, que poderiam agir para destruir provas, e de indícios dos crimes de estelionato, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, prevaricação, advocacia administrativa e organização criminosa.

INFLUÊNCIA POLÍTICA – Sem citar o nome de Barros, o delegado José Augusto Versiani afirmou que o esquema não seria comandando por Francisco Maximiano, dono da Global e da Precisa, mas por alguém com “influência política”.

O depoimento do servidor Victor Lahud cita diretamente a suposta interferência de Barros. Ele afirmou aos investigadores que antes do pagamento houve muita pressão dos superiores para a liberação dos valores e que se recusou por entender que não estavam preenchidos os requisitos para justificar a antecipação do pagamento.

Segundo relata a representação da PF, “as cobranças partiram do Sr. Alexandre Lages, bem como de outras pessoas ligadas ao gabinete, alegando sempre que o Diretor, Davidson Tolentino, e o próprio Ministro, Ricardo Barros, estavam cobrando que fosse feito esse pagamento”.

Luiz Fux marca para 25 e 26 de outubro a audiência pública sobre o juiz de garantias

TRIBUNA DA INTERNET | Juiz de garantias é tendência mundial e pode ser  importante evolução também no BrasilJosé Carlos Werneck

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux, marcou para os dias 25 e 26 de outubro a audiência pública que irá debater a implementação da figura do juiz de garantias, o acordo de não-persecução penal e os procedimentos de arquivamento de investigações criminais previstos no Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019).

A audiência, que será realizada por videoconferência, terá a participação de membros do poder público e da sociedade civil com conhecimento sobre os temas, que são objeto das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) 6298, 6299, 6300 e 6305.

ATUA NA INVESTIGAÇÃO – Na prática, os processos penais passam a ter um acompanhamento por dois juízes. O juiz de garantias se responsabilizará na parte investigativa, enquanto a análise, o julgamento e as sentenças permanecem sob a responsabilidade de outro magistrado.

O resultado será uma seleção das funções jurisdicionais, na investigação e no julgamento. Faz parte do dever do juiz de garantias, por exemplo, decidir sobre prisão provisória, sobre assuntos como os que envolvem impostos, bancos, dados telefônicos, e também sobre fases de busca e apreensão.

A operação Lava-Jato serve de exemplo dessa divisão de tarefas, porque à época foi criado um grupo de trabalho para ajudar nas investigações, com membros do Ministério Público Federal.

ADIAMENTO – A audiência, inicialmente agendada para março de 2020, foi adiada por causa da pandemia da covid-19 e da necessidade de readequação dos trabalhos do STF, sendo os debates suspensos. No despacho, que trata do assunto, o ministro explica que os 66 participantes já habilitados devem confirmar o interesse na participação nas audiências públicas até o dia 3 de outubro e que a não confirmação acarretará a exclusão do interessado.

Outras entidades públicas e privadas ainda não habilitadas, especialmente instituições acadêmicas e grupos representativos da sociedade civil, igualmente terão até 3/10 para pleitear participação nas audiências públicas.

SELEÇÃO – Os novos participantes serão selecionados segundo os critérios de representatividade, especialização técnica, expertise e diversidade de opiniões, com paridade de pontos de vista a serem defendidos.

A relação final dos inscritos habilitados estará disponível no portal eletrônico do Supremo Tribunal Federal a partir de 8 de outubro.

A audiência pública será transmitida pela TV Justiça e pela Rádio Justiça.

Boçalidade oficial registrada em Nova York é muito constrangedora para nossas elites

Radical": imprensa estrangeira repercute discurso de Bolsonaro na ONU

Jair Bolsonaro fala sobre coisas nas quais só ele acredita

William Waack
Estadão

As peripécias envolvendo a comitiva presidencial para participar da Assembleia-Geral da ONU em Nova York demonstram que boçalidade é contagiante. É até possível por hipótese admitir que um político disputando votos, como é o caso de Jair Bolsonaro, calcule ganhar vantagem eleitoral com comportamentos boçais em público. Faz tempo que “tosco” virou “autêntico” (Collor dizia ter aquilo roxo).

Também por hipótese pode-se admitir que ministros de Estado que fazem gestos obscenos para manifestantes (o da Saúde) ou macaqueiam símbolos usados em campanha política pelo presidente (o das Relações Exteriores) – como aconteceu em Nova York – jogaram fora compostura e decoro para agradar ao chefe. Puxa-saquismo e apego ao cargo são reconhecidamente parte da condição humana. Talvez imperdoável, mas compreensível.

CULTURA CORPORATIVA – Não é por acaso que o mundo empresarial adaptou da política a expressão “cultura corporativa” para descrever como uma figura de comando (um CEO, por exemplo) é capaz de moldar estruturas hierárquicas ao seu estilo e, o que é mais importante, seu modo de pensar.

Basta constatar que não só ministros forçosamente metidos na política, como Paulo Guedes, mas também alguns considerados “técnicos”, abraçaram teorias boçais de conspiração que sustentam o universo paralelo de Bolsonaro.

Na verdade, o fenômeno da boçalidade contagiante é muito mais amplo e profundo. Já foi tratado na ciência política como “princípio da comunicabilidade”, e o que aconteceu em Nova York é parte dele: são processos pelos quais elites sociais deixam corroer seus valores e acabam vencidas pelo “simples” (no caso, boçal) na conformação do seu universo de pensamentos. Numa imortal passagem literária, é a exclamação de Euclides da Cunha de que “Canudos não se rendeu!”

SEM COMPARAÇÕES – Em outras palavras, é a admissão quase impossível de ser feita em público por elites (na época de Euclides, as tais “classes letradas”) da falência de suas maçarocas ideológicas e a vigência das crenças (teorias conspiratórias) e o modo bronco e rude de dizer “as verdades”.

Não, não se trata de forma alguma de comparar Bolsonaro a Antonio Conselheiro, e muito menos o arraial de Canudos às redes sociais bolsonaristas. Seria uma injustiça com Conselheiro e Canudos.

Mas, sim, de registrar o fato de que o modo de pensar de elites foi vencido pela boçalidade que elas julgaram poder comandar. Provocou em muita gente um sentimento de “vergonha alheia” a boçalidade da comitiva presidencial em Nova York – que abrange dos comportamentos descritos acima à ideia profundamente boçal de que algo mudaria na péssima imagem externa do Brasil a partir de um discurso na Assembleia-Geral da ONU inconsequente, dirigido em primeira linha aos convertidos do bolsonarismo.

DESONESTIDADE INTELETUAL – Boa parte das elites sociais brasileiras repudia o que viu e ouviu em Nova York e se sente ofendida diante da, no mínimo, reiterada desonestidade intelectual dos que falaram pelo Brasil. Esse sentimento de “aquilo não somos nós” foi aprofundado pela noção do ridículo de ver o País virar piada pronta – a de ter na comitiva presidencial um ministro da Saúde transformado em potencial “super spreader” do vírus que o chefe minimizou, e a delegação brasileira em risco para o resto do mundo na sede da ONU.

A vergonha é genuína. Em parte ela surge de uma constatação profundamente desagradável: a de que nossa sociedade nem de longe venceu desigualdade, miséria e injustiça social em todas as suas formas. Ao contrário do que possa parecer, porém, a frase “Canudos não se rendeu” não é a descrição do triunfo da ignorância, ou uma denúncia do atraso social.

Era um duríssimo recado de Euclides da Cunha (que alguns descreveram como um “conservador lúcido”) às elites da sua época: vocês não conseguiram derrotar um universo de pensamentos, vocês são parte dele, com suas ideias pretensamente científicas e populares. Nesse sentido, Canudos vive.

 

Veja o que está por trás da fusão PSL-DEM para criar o maior partido do Congresso

Fusão do PSL e DEM começa dia 21 e novo partido lançará candidato à  Presidência

ACM Neto e Luciano Bivar podem fortalecer a terceira via

Wesley Oliveira
Gazeta do Povo

Líderes do DEM e do PSL pretendem bater o martelo nos próximos dias sobre a fusão entre as duas legendas. O presidente nacional do DEM, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, desembarco nesta terça-feira (21) em Brasília para se reunir com a bancada do Congresso Nacional e definir os critérios para criação do novo partido.

No PSL, as negociações acontecem com a ala do partido ligada ao presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE). A legenda abriga ainda alguns deputados próximos ao presidente Jair Bolsonaro, que se desfiliou em 2019. A expectativa é de que parte desses parlamentares deixe o PSL na janela partidária do ano que vem.

DIVISÃO DE CARGOS – Caso se concretize, o novo partido será presidido por Bivar, enquanto a secretaria-geral ficará com ACM Neto. Integrantes do DEM deverão controlar dez diretórios estaduais, enquanto o PSL ficará com 14. Até o momento, os diretórios de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, considerados os mais estratégicos, ainda não tiveram seus dirigentes definidos.

Pesquisas internas estão sendo feitas para definição de um novo nome e da nova identidade da sigla. Parte dos envolvidos nas negociações defende que o número 25 do DEM seja mantido na urna ao invés do 17 do PSL.

O novo partido, que já irá nascer grande, poderá ter cerca de R$ 1 bilhão para o próximo ano dos fundo eleitoral e partidário, e quase dois minutos do tempo da propaganda eleitoral de rádio e TV.

A MAIOR BANCADA – Além do caixa, o novo partido reforçará a sua representatividade dentro do Congresso Nacional, com 81 deputados na Câmara e sete senadores no Senado. “Estamos trabalhando para que o processo avance. Isso significa que nós chegaremos com muita força em 2022 como a maior bancada federal”, afirma o líder do DEM na Câmara, deputado Efraim Filho (PB).

Nos bastidores, integrantes dos dois partidos admitem que o assunto já está “pacificado”, entre os membros das duas executivas. No entanto, existem resistências em alguns diretórios estaduais, principalmente no DEM.

O entorno de ACM Neto admite que ele desembarcou em Brasília com a missão de convencer os parlamentares do DEM a trabalharem pela fusão junto a prefeitos, vereadores e comandantes de diretórios estaduais. Tradicionalmente esses parlamentares são próximos desses políticos e exercem influência em seus redutos eleitorais.

SOLUÇÃO HÁBIL – Integrantes do DEM e do PSL veem na fusão entre os dois grupos uma forma de ampliar o poder dentro do Congresso Nacional e de se distanciar da cláusula de barreira nos próximos anos.

No PSL, Luciano Bivar temia que, com a saída de deputados bolsonaristas do partido e sem um presidenciável para 2022, o partido voltasse a ser nanico na Câmara. No DEM, a debandada de nomes como do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia; do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que migrou para o PSD; e de Rodrigo Garcia, vice-governador de São Paulo que foi para o PSDB, também acendeu o alerta na cúpula do partido. O ninho democrata pode perder ainda o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), para o PSD de Gilberto Kassab.

Nos cálculos dos líderes envolvidos nas negociações para a fusão, a expectativa é eleger 80 deputados e pelo menos dez senadores em 2022. Com a maior fatia do fundo eleitoral, o novo partido deverá atrair nomes de legendas como PSD, MDB e PSDB.

JANELA PARTIDÁRIA – Para atrair novos filiados, assessores do DEM e do PSL trabalham em conjunto na criação de um novo estatuto para ser homologado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda nas primeiras semanas de outubro. Os dirigentes do novo partido acreditam que a Justiça Eleitoral levará cerca de quatro meses para homologar a fusão, portanto, em fevereiro de 2022. A estratégia é dar segurança para os novos filiados que poderão ser atraídos durante a janela partidária, que será em março do ano que vem.

Com tempo de TV e com o caixa reforçado para as eleições do ano que vem, líderes do PSL e do DEM defendem que o novo partido encampe o discurso da construção de uma candidatura terceira via para a disputa presidencial do ano que vem.

TERCEIRA VIA – Até o momento, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta é apontado como pré-candidato pelo DEM, enquanto o PSL testa o nome do apresentador José Luiz Datena.

Ao lado de ACM Neto, Mandetta pretende mensurar junto aos integrantes do PSL o apoio à sua candidatura para 2022. O ex-ministro da Saúde tem admitido aos seus interlocutores que a fusão poderia lhe beneficiar eleitoralmente, mas que tem compromisso em abrir mão de sua candidatura, caso outro nome da terceira via cresça nas pesquisas de intenção de voto.

Em outra frente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, acompanha o desenrolar das negociações sobre a fusão para definir se irá migrar para o PSD. Cortejado pelo presidente da sigla, Gilberto Kassab, o senador tem sinalizado aos seus aliados que a criação de um novo partido poderia beneficiar sua candidatura ao Planalto.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Enviada por Mário Assis Causanilhas, a matéria é importante, porque tudo o que beneficia a terceira via será positivo para o país. Não interessa se o candidato da terceira via será Henrique Mandetta, José Luiz Datena, Rodrigo Pacheco, Ciro Gomes, Simone Tebet, Alessandro Vieira ou um dos quatro do PSDB (João Doria, Eduardo Leite, Tasso Jereissati e Arthur Virgilio), qualquer um deles é melhor do que Bolsonaro e Lula. Pense nisso e amadureça essa ideia. (C.N.)

Empresa da mulher 02 de Bolsonaro fez 1.185 saques bancários entre 2008 e 2014

Os planos da ex-mulher de Bolsonaro, que promete livro polêmico | VEJA

Ana Cristina fazia o mesmo trabalho de Fabricio Queiroz

Bernardo Mello e Thiago Prado
O Globo

Uma empresa aberta em 2007 por Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do então deputado federal Jair Bolsonaro, registrou na conta bancária um total de 1.185 saques que somaram R$ 1,15 milhão em espécie. É o que atesta um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em mãos do Ministério Público do Rio (MP-RJ), que investiga a prática de rachadinha no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro.

Os saques em espécie correspondem à metade do valor retirado da Valle Ana Consultoria e Serviços de Seguros no período analisado, entre 2008 e 2014.

LAVAGEM DE DINHEIRO – Para o Ministério Público do Rio (MP-RJ), as “movimentações financeiras atípicas” de Ana Cristina são indícios de que empresas vinculadas a ela “possam ter sido utilizadas para ocultação de desvio de recursos públicos oriundos do esquema de ‘rachadinha’ na Câmara de Vereadores”.

O maior volume de saques em espécie registrados pela empresa de Ana Cristina ocorreu em 2008, no seu primeiro ano de funcionamento, quando R$ 274 mil deixaram a conta em 215 saques. No ano seguinte, foram 168 saques totalizando R$ 194,2 mil. Até 2011, houve mais 350 saques, em um total de cerca de R$ 352 mil retirados da conta da empresa em dinheiro vivo, de acordo com relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

No total, foram retirados R$ 1.151.730,00 em dinheiro vivo, usado inclusive para compra de imóveis à vista.

QUEBRA DE SIGILO – Por conta da movimentação da empresa, o MP-RJ incluiu na quebra de sigilo contra ex-funcionários do vereador Carlos Bolsonaro, incluindo Ana Cristina, que foi sua chefe de gabinete entre 2001 e 2008, duas pessoas ligadas à Valle Ana Consultoria: Adriana Teixeira Machado, sócia minoritária de Ana Cristina, com 10% da empresa, e Luci Teixeira, sua mãe.

Luci, que mora em Resende, assim como a filha, ficou nomeada como funcionária de Carlos na Câmara do Rio entre outubro de 2005 e 1º de agosto de 2007. A empresa de Ana Cristina e Adriana foi aberta no dia 7 de agosto de 2007, segundo cadastro da Receita Federal.

Além da mãe, o irmão de Adriana, o bombeiro militar Luiz Gustavo Teixeira, ficou nomeado como funcionário do então deputado estadual Flávio Bolsonaro de fevereiro de 2003 até 14 de agosto de 2007.

FUNCIONÁRIOS FANTASMAS – “Tais vínculos, associados à expressiva movimentação de dinheiro em espécie na conta da Valle Ana Consultoria, sugerem a possibilidade de que Ana Cristina Siqueira Valle possa ter indicado parentes de sua sócia para atuarem como ‘funcionários fantasmas’, de modo a viabilizar o desvio de recursos públicos destinados à sua remuneração”, alegaram os promotores ao pedirem a quebra dos sigilos fiscal e bancário de Adriana e de Luci.

Apesar de citado na investigação, Luiz Gustavo, que atuaria como segurança da família Bolsonaro à época, não teve o sigilo quebrado.

Procurada, a defesa de Ana Cristina disse ao GLOBO que não vai se manifestar sobre a investigação.

 

Alexandre Garcia é demitido da CNN após defender tratamento precoce para Covid-19

Após demissão da CNN Brasil, Alexandre Garcia manda recado para seguidores  | RD1

CNN alega que Garcia defendeu um tratamento que é ineficaz

José Carlos Werneck

O jornalista Alexandre Garcia foi demitido da CNN Brasil nesta sexta-feira, logo após ter defendido, no quadro Liberdade de Opinião, medicamentos considerados ineficazes no tratamento contra a Covid-19.

Ele disse que esses medicamentos “salvaram milhares de vidas”, e a emissora desmentiu sua opinião logo em seguida, informando que não existe nenhum tipo de tratamento precoce cientificamente comprovado contra a covid-19 e que a opinião do comentarista não refletia necessariamente a da CNN.

DEFENDE TUDO – Alexandre Garcia, igualmente, havia defendido a Prevent Senior, empresa investigada pela CPI da Covid-19, acusada de adulterar registros de prontuários de pacientes, e de realizar testes com medicamentos ineficazes sem comunicar os participantes dos estudos.

Poucas horas após o ocorrido, a emissora divulgou um comunicado informando a demissão do comentarista. O quadro Liberdade de Opinião será mantido no jornal Novo Dia.

É erradíssimo defender medicamentos que não têm comprovação científica para tratar doenças, mas a CNN deveria mudar o nome do quadro de sua programação, pois pega mal chamar de “Liberdade de Opinião” um programa no qual o participante não pode dar sua opinião…

Os precatórios e a provável novidade do  pagamento parcelado, que será ilegal

Resultado de imagem para precatórios charges

Charge reproduzida do Arquivo Google

Jorge Béja

Precatórios são requisições de pagamento expedidas pelo Judiciário para cobrar de municípios, estados ou da União, assim como de autarquias e fundações, valores devidos após condenação judicial definitiva.

Todo dinheiro de Precatório tem dono. E dono dele é a pessoa, natural ou jurídica, que venceu a ação judicial contra o Poder Público.

DIREITO GARANTIDO – Se o dinheiro já estiver depositado no Tribunal de Justiça que o requisitou, este é mero depositário-guardião do dinheiro até ser entregue ao credor. Se o dinheiro ainda não foi depositado, ainda assim, por força da requisição-condenatória, a quantia já saiu do patrimônio do devedor e apenas aguarda seu depósito junto ao tribunal que expediu a requisição. Questão de tempo, portanto. O Direito já está garantido.

Precatórios que deram entrada nos tribunais até 1º de julho devem ser pagos, impreterivelmente, até o último dia do ano seguinte, quando terão seus valores atualizados monetariamente.

Pagamento de Precatório não se fraciona. É para ser pago de uma só vez. A autoridade pública que não paga o Precatório incorre no crime de responsabilidade. Tudo isso, e algo mais, está no artigo 100 da Constituição Federal.

SEM DISCUSSÃO – A causa que a justiça decidiu e que deu origem ao precatório não pode ser mais discutida. A expedição do Precatório é o ato que sepulta de vez o motivo que deu origem à requisição. Ninguém, rigorosamente ninguém – nem o STF, o STJ, o Conselho Nacional de Justiça, os governos e seja lá quem mais for, mesmo juntos e acordados –, ninguém pode fazer a mínima alteração nestes princípios constitucionais básicos a respeito da expedição e pagamento de Precatório.

Portanto, o que se ouve vez ou outra, de que em Brasília estão arrumando um jeito de apanhar o dinheiro dos Precatórios para o governo federal saldar suas dívidas, é arranjo inconstitucional. É barbaridade jurídica.

EM PRESTAÇÕES – Ouve-se dizer na possibilidade do pagamento dos Precatórios de forma parcelada. É até possível que isso venha acontecer, mas só por meio de PEC (Projeto de Emenda à Constituição). Fora de PEC, ou por convenção entre as cúpulas dos poderes, jamais. Seria barbaridade jurídica, repita-se.

Só através de PEC e, mesmo assim, para ter validade só para o futuro. Ou seja, a partir de quando a tal PEC venha ser votada e aprovada pelo Congresso e a Constituição Federal venha ser emendada. Ou remendada, como dizem, por causa das muitas emendas que a Carta de 1988 já sofreu.

E deixa-se aqui uma questão para reflexão e debate. Considerando que todos são iguais perante a lei, no caso da aprovação de PEC que permita o pagamento parcelado dos Precatórios, as dívidas dos particulares (pessoas físicas e/ou jurídicas) com os poderes públicos também não poderiam ser pagas parceladamente? A reciprocidade – e o consequente tratamento recíproco – são princípios e institutos que se encontram presentes no âmbito nacional e internacional, tanto no Direito Público quanto no Direito Privado.

Aviso aos comentaristas: não se metam com robôs, porque eles nos sujam de óleo e graxa

7 Vantagens da Automação de Processos Através de Robôs – RPA. – Rumo  Soluções

Charge do Adão (site Um Brasil)

Carlos Newton

Lamento informar que não é possível eliminar robôs, androides, replicantes e humanoides que infestam as redes sociais e a internet, como um todo, sendo bem remunerados para fazer o trabalho sujo de defender os supostos erros de A ou B, ao mesmo tempo enaltecendo os também supostos acertos de C ou D.

Já expliquei aqui, diversas vezes, que não adianta eliminar esses elementos do Blog, porque eles voltam com outros nomes e endereços (IPs), mas parece que não consigo me fazer entender, agora estou repetindo tudo de novo, porque não tenho mais o que fazer.

UM IMPEDIDO – Este blog só tem um participante impedido de comentar. Chama-se José Guilherme Schossland, é ex-vereador em Santa Catarina. Muito inteligente e capaz, no entanto é adepto de teorias conspiratórias.

Nada contra, desde que não passe a tentar doutrinar os demais comentaristas com as ameaças da Nova Ordem Mundial, dos Iluminatti, dos Templários ou dos Infiltrados na Maçonaria, por exemplo.

Consigo impedir que ele participe porque utiliza sempre o mesmo IP. No caso dos robôs, eles usam uma série de IPs, você bloqueia de um lado, eles voltam com outros nomes, é perda de tempo combatê-los.

UMA ADVERTÊNCIA – Desde sempre, tenho pedido a todos os amigos que acompanham esse Blog: a melhor e única solução é ignorar os robôs, jamais travar diálogos ou tentar convencê-los disso ou daquilo. Mas não adianta. Mesmo quando eu digo “não se metam com J.Rubens, é um robô”, há quem continue interagindo com ele.

No caso desse modelo J.Rubens, que me parece já estar fora de linha, Bendl o acusou de ser o Schossland disfarçado, e eu imediatamente postei um comentário dizendo que não era, porém meu amigo não acreditou na informação.

E agora vem esse uso do nome do Bendl por um IP desconhecido, que é muito difícil localizar ou evitar, e tenho mais o que fazer.

POR FIM – Volto a pedir que não se metam com robôs, simplesmente os ignorem. Isso os leva à loucura. Quando ninguém se preocupa com o que escrevem, os robôs entram em desespero, se sentem obsoletos e ultrapassados.

Quanto a Schossland, que manda diariamente entre 20 e 30 comentários que não aparecem ou são por mim deletados, poderia muito bem voltar ao nosso convívio, desde que parasse de difundir as teorias conspiratórias e deixasse de ofender ao Bendl, ao Jorge Béja e a mim mesmo, pois já desejou até a minha morte, mas ainda estou firme por aqui, enquanto deixarem, é claro.

###
P.S. – Editar o Blog é um trabalho permanente e desgastante. Fico sem tempo para escrever meus artigos, responder a e-mails (recebo um número enorme) e moderar comentários. Desculpem, mas essa é a minha realidade 365 dia ao ano. Mas tenho certeza de que seguirei em frente, com robôs ou não. (C.N.)

Previdência e salários não podem perder para a inflação, como ocorre no governo Bolsonaro

Charge do Aroeira (brasil247.com)

Pedro do Coutto

Em artigo publicado na edição de ontem, sexta-feira, de O Globo, o professor  Fabio Giambiagi coloca o tema da Previdência Social e indaga, afinal de contas, o que significa previdência justa. Transmito a ele uma informação cordial: previdência justa é aquela cujo valor, através do tempo, não perde para a inflação, exatamente ao contrário do que está acontecendo no governo Jair Bolsonaro também com os salários e as pensões.

A Constituição brasileira define que os salários não podem ser diminuídos, mas o termo não pode ser aplicado apenas aos valores nominais porque sua forma de reduzi-los é não reajustá-los ao nível da inflação oficial, como é o caso do índice do IBGE.

Agora mesmo verificamos que o INPC e também o IPCA, calculados pelo IBGE, apontam o primeiro em 10% do período de agosto de 2020 a agosto de 2021. Para o segundo, uma diferença mínima: 9,6% para o mesmo período. Pergunto, os salários, as aposentadorias e as pensões, sejam eles os pagos pelo Tesouro Nacional, sejam eles custeados pelo INSS, foram reajustados na escala de 10% nos últimos 12 meses? Negativo.

“CONGELAMENTO” – ortanto, estão sendo diminuídos, embora o governo use o termo congelados, expressão do ministro Paulo Guedes. Congelados não, reduzidos, porque o congelamento seria o resultado da aplicação do índice inflacionário. Deixaria o confronto em 0 x 0. Mas não é isso que acontece. Portanto, o governo está reduzindo os valores do trabalho no país que se depara também com o desemprego de quase 15 milhões de homens e mulheres.

Além do desemprego, faço uma observação para Fabio Giambiagi; é preciso considerar o não emprego também, caso dos jovens que chegam à idade de trabalhar e não conseguem uma colocação. Pois se o mercado está dispensando mão-de-obra, é claro que não está proporcionando postos de emprego. O problema é gravíssimo e terrivelmente injusto para com aqueles que trabalham.

REPOSIÇÃO INFLACIONÁRIA – Agora mesmo, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro aprovou uma reposição inflacionária de 12% para cobrir perdas dos vencimentos dos funcionários públicos registradas a partir de 2017. Setores se surpreenderam na medida em que a iniciativa representa um acréscimo para os gastos públicos. Mas os mesmos setores, reportagem de Fernanda Trisotto e Stephanie Tondo, O Globo de ontem, registram com destaque que o Banco Central elevou em 1% a taxa Selic. No período de cinco meses, a Selic subiu 250%, passando de 2,7% para 6,25% ao ano.

Como a dívida interna do país é de R$ 6 trilhões, cada acréscimo de 1%, corresponde uma despesa de mais R$ 60 bilhões. Portanto, em cinco meses o custo da rolagem da dívida foi acrescido em R$ 300 bilhões. É muito dinheiro para pagar juros aos bancos, aos fundos de investimentos, aos fundos de pensão, todos os três setores credores da dívida do governo. Às vezes existem matérias publicadas em jornais que confundem a questão. Os bancos não são devedores da Selic. São credores junto ao Tesouro, com os papéis reajustados exatamente pela Selic.

SEGUNDO TURNO – Reportagem de Carolina Linhares e Joelmir Tavares, Folha de S. Paulo, com base em nova pesquisa do Datafolha, revela que aqueles que estão dispostos a votar em Ciro Gomes, João Doria ou Eduardo Leite na sucessão de 2022, caso tenha um segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro, votariam no ex-presidente. Essa é a tendência de 56% dos eleitores de Ciro contra 17% que disseram que eventualmente votariam em Bolsonaro. Relativamente aos eleitores de João Doria, 42% votariam em Lula e 23% em Bolsonaro. Dos eleitores que estão com Eduardo Leite, 41% passariam para Lula e 27% para Bolsonaro.

A reportagem confirma o ponto de vista que assinalei no artigo de ontem, especificamente em relação a Ciro Gomes, frisando que o ex-governador do Ceará comete erro dirigindo os seus ataques a Lula e não a Bolsonaro. Ciro Gomes esquece que a sua única possibilidade de subir no Datafolha ou no Ipec é a de apresentar-se mais contra Bolsonaro do que contra o ex-presidente. Compreende-se o silêncio de Lula da Silva, bem à frente nas pesquisas, pois ele não deseja atritos. Pelo contrário. Com os processos contra si anulados pelo Supremo Tribunal Federal, ele navega nos mares da democracia contra as ameaças bolsonaristas, entre elas a de suspender as eleições no próximo ano.

Numa entrevista a Gustavo Schmitt, O Globo, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende a criação de uma frente ampla do país pela democracia, inclusive com a participação do PT, pois Lula, acentuou, não é ameaça ao regime democrativo. FHC destacou pessoalmente preferir mais João Doria do que Eduardo Leite como candidato do PSDB e não citou Ciro Gomes como alternativa  a uma terceira opção fora do confronto entre Lula e Bolsonaro. Porém deixou claro, no fundo, que entre Lula e Bolsonaro, ele  prefere o ex-presidente da República.

O JORNALISMO E A HISTÓRIA –  Camila Zarur, O Globo de ontem, assinala que a partir do próximo dia primeiro estará nas livrarias, numa edição do TopBooks, o livro de Merval Pereira, “Desafios da democarcia”. Na obra, o excelente analista vai focalizar como testemunha o que transcorreu no país entre 2003 e 2020.

Como sempre digo, a história de um país se escreve com base no jornalismo, que é sempre a visão urgente do que está se passando, suas mudanças, seus rumos  e suas tendências que se modificam a cada lance do tempo. Merval Pereira é uma grande testemunha e um ótimo analista da história moderna do nosso país.

Caso Prevent na CPI pode atingir o governo e traz gabinete paralelo de volta ao foco

Tratamento precoce | 'Kit covid é kit ilusão': os dados que apontam riscos  e falta de eficácia do suposto tratamento - BBC News Brasil

Jair Bolsonaro exaltava a cloroquina e o tratamento precoce

Renato Machado, Constança Rezende e Julia Chaib
Folha

Os senadores do grupo majoritário da CPI da Covid já trabalham internamente com a possibilidade de adiar por mais tempo a conclusão das atividades da comissão, em previsões que variam do meio ao fim de outubro. O principal motivo é a evolução da apuração envolvendo a operadora Prevent Senior.

Integrantes da CPI dizem acreditar que merece atenção a possível relação da Prevent com o governo Jair Bolsonaro, principalmente pela suspeita de o Ministério da Saúde ter usado um protocolo da operadora para incentivar a utilização do chamado “kit Covid”, com remédios ineficazes contra a doença.

GABINETE PARALELO – Também afirmam que os novos fatos trazem mais uma vez para o foco a atuação do gabinete paralelo da pasta, grupo de médicos que assessorava informalmente o presidente da República a favor de tratamentos sem eficácia contra a Covid-19.

O ponto de ligação entre a Prevent e o gabinete paralelo estaria principalmente na médica Nise Yamaguchi e no virologista Paolo Zanotto.

Nesta quinta-feira (23), foram aprovados requerimentos para a convocação da advogada Bruna Morato, representante dos médicos da Prevent que realizaram denúncias contra a empresa, e do empresário bolsonarista Luciano Hang, cuja mãe, Regina Hang, morreu após ser vítima da Covid —o prontuário dela feito em unidade da operadora omitiu a menção à doença.

CONVOCAÇÃO DE HANG – Bruna Morato Luciano e Hang irão depor, respectivamente, na terça (28) e na quarta-feira (29) da semana que vem. A convocação de Hang não foi consenso nos bastidores do grupo majoritário da CPI. Alguns parlamentares avaliam que o empresário tem pouco a acrescentar na apuração e que a sessão pode virar só um palco para que ele defenda o que chama de tratamento precoce.

Por outro lado, há a percepção de que os depoimentos da próxima semana voltarão a colocar em evidência o gabinete paralelo, estrutura de aconselhamento para temas da pandemia do presidente Jair Bolsonaro, fora da estrutura do Ministério da Saúde.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da comissão, os depoimentos serão decisivos para entender a participação do grupo e da relação da Prevent com o governo Bolsonaro.

Senadores governistas minimizam os achados da comissão na reta final dos trabalhos e dizem que os fatos sobre a Prevent estariam requentados, por isso não atingiriam mais o presidente.

VÍDEO REVELADOR – Em sessão da CPI, os senadores transmitiram um vídeo em que o virologista Paolo Zanotto, apontado como um elo entre a Prevent e o gabinete paralelo, afirma estar desenvolvendo um protocolo para a operadora de saúde, baseado nos medicamentos sem eficácia comprovada.

“Eu não sei qual protocolo que ele redigiu”, disse Pedro Batista Júnior, diretor-executivo da Prevent Senior, durante depoimento à CPI, sendo questionado posteriormente que ele estava na mesma transmissão e não rebateu a informação de Zanotto.

Segundo um dossiê dos médicos da Prevent, após as declarações do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta criticando as subnotificações e o atendimento da empresa aos idosos, a diretoria da operadora, em especial o diretor-executivo, fez um pacto com o gabinete paralelo para livrar a empresa das críticas.

ESQUEMA CLANDESTINO – O gabinete paralelo funcionaria da seguinte forma, segundo a avaliação do grupo majoritário da CPI: influenciadores como Nise Yamaguchi e Paolo Zanotto disseminavam o chamado tratamento precoce junto com o governo Bolsonaro, enquanto a Prevent Senior seria a instituição médica que validaria por estudos a eficiência do tratamento.

Outra possível conexão da Prevent com o gabinete paralelo é o empresário Carlos Wizard. Durante a sessão da CPI na quarta-feira, Batista Júnior foi questionado se fazia parte de um grupo de WhatsApp criado por Wizard, no qual se discutiriam formas de enfrentamento da pandemia. O diretor-executivo confirmou a existência do grupo e que foi adicionado, mas afirmou em seguida que se retirou rapidamente.

O relator Renan Calheiros (MDB-AL) já avalia sugerir o indiciamento do diretor-executivo da Prevent em seu relatório final sob a acusação de fraude documental. Um dos motivos seria a omissão da Covid no prontuário do óbito do médico negacionista Anthony Wong, que também é apontado como integrante do gabinete paralelo e defensor do “kit Covid”.

Um prelúdio de Luiz Vieira, que sintetiza, em poucas palavras, a força de um grande amor

Morre o radialista, cantor e compositor Luiz Vieira, aos 91 anos | RCIA Araraquara

Luiz Vieira, um músico que deixou muita saudade

Paulo Peres
Poemas & Canções


A letra de “Paz do meu amor (Prelúdio nº 2)” idolatra de uma forma poética a conquista do amor infindo pelo radialista, cantor e compositor pernambucano Luiz Rattes Vieira Filho. Um dos maiores sucessos de Luiz Vieira, que ele próprio gravou, em 1963, pela Copacabana. O grande músico morreu em 2020, aos 91 anos.

PAZ DO MEU AMOR (Prelúdio nº 2)
Luiz Vieira

 

Você é isso: Uma beleza imensa,
Toda recompensa de um amor sem fim.
Você é isso: Uma nuvem calma
No céu de minh’alma; é ternura em mim.

Você é isso: Estrela matutina,
Luz que descortina um mundo encantador.
Você é isso: É parto de ternura,
Lágrima que é pura, paz do meu amor

Incerteza sobre partido prejudica Bolsonaro e parlamentares que o apoiam na eleição 

Há 4 dias sem reconhecer Biden, Bolsonaro diz que precisa 'ter pólvora'  contra sanção por causa da Amazônia - 10/11/2020 - Mundo - Folha

Bolsonaro precisa urgentemente de um novo partido

Bruno Boghossian
Folha

Os deputados que se elegeram de carona com Jair Bolsonaro brigaram com a cúpula do PSL há quase dois anos, mas foram forçados a ficar no partido para não correr o risco de perder o mandato. Agora, a fusão da sigla com o DEM, prevista para outubro, deve abrir uma janela para que eles sejam felizes em outra legenda. O problema é que boa parte dessa turma não sabe para onde ir.

Uma ala dos parlamentares negocia se filiar ao PP, que se tornou um representante institucional do bolsonarismo desde a eleição de Arthur Lira para a presidência da Câmara e a nomeação de Ciro Nogueira para a chefia da Casa Civil. Mas outro grupo faz conversas no varejo com partidos que flertam com o presidente, como PTB, PSC e PRTB.

JUNTO COM BOLSONARO – Esses deputados querem estar na mesma sigla de Bolsonaro na campanha de 2022 para tentar aproveitar a popularidade que ainda resta a ele e descolar alguns votos por tabela. A pouco mais de um ano das eleições, porém, o presidente ainda não tem uma legenda para a disputa.

Assim que saiu do PSL, no fim de 2019, Bolsonaro anunciou a criação de um partido de ultradireita para chamar de seu. Passados dois anos, ele não conseguiu nem 30% das assinaturas necessárias para tirar do papel a Aliança pelo Brasil.

O presidente ainda tentou convencer o nanico Patriota a ceder o controle do partido a seu clã. O senador Flávio Bolsonaro chegou a assinar sua ficha de filiação, mas a ala que defendia a entrada da família foi derrubada do comando da legenda.

PP ERA ALTERNATIVA – O PP já foi o destino quase certo de Bolsonaro. Havia resistências em alguns estados, mas Ciro Nogueira trabalhava para selar a filiação. A oposição interna ao plano cresceu com a insistência do presidente na agenda golpista e a percepção de integrantes da sigla de que as chances de reeleição diminuem com o tempo.

Um presidente com recall nas alturas e o controle da máquina pública não deveria sofrer para encontrar um partido político. A incerteza sugere que pouca gente confia em Bolsonaro e aposta fichas em sua vitória.

Bolsonaro tenta distender a política, até elogia Barroso, mas continua negacionista

Exclusivo: “A chance de um golpe é zero”, diz Bolsonaro em entrevista a VEJA  | VEJA

De repente, Bolsonaro mudou em tudo, exceto sobre a Covid

Merval Pereira
O Globo

O presidente Bolsonaro deu duas entrevistas esta semana, para a revista Veja e para um site alemão. Na Veja, fez afirmações para tentar distender o ambiente, porque viu que esticando a corda como fez, ia criar uma situação difícil para ele.

É preciso saber se é verdade e quem é o pessoal ao qual ele se referiu como querendo jogar fora das quatro linhas. Se for das Forças Armadas, é grave; mas pode ser a turma de aloprados que querem invadir o Supremo Tribunal Federal cassar os juízes.

ELOGIOU BARROSO – O problema é que ele fala irresponsavelmente sem ver a dimensão do que falou, e quando vê, joga com dúvidas e ações que poderiam ter acontecido, e nunca se sabe se são coisas da fantasia dele ou da realidade que usa para ameaçar a democracia.

No entanto, elogiou o ministro Luis Roberto Barroso, que incluiu o Exército na comissão que irá verificar a idoneidade das urnas eletrônicas.

Não deveria ter falado sobre isso, porque acredito que o Exército ou outros órgãos relevantes participam desse processo desde o início. É que ele sempre fica querendo acertar depois o que fez. Por isso o “fato ou fake” é bom, porque se prova claramente o que está sendo distorcido nas palavras dele.

SEMPRE NEGACIONISTA – Voltou a atacar as vacinas, o que é extremamente irresponsável, pois qualquer um sabe que vacina não evita, apenas reduz a possibilidade de contaminação e a letalidade da doença. Mas o que fazer com uma pessoa que quer colocar em dúvida na cabeça de milhões de pessoas a questão da vacina?

Ficou também muito ruim para ele afirmar – para o site alemão negacionista – que a Covid só antecipou a morte de pessoas que tinham doenças e morreriam em semanas. A Covid foi uma tragédia como o mundo não vê há um século.

É uma pena que estejamos sendo governados por uma pessoa negacionista como Bolsonaro.

Criminalidade digital avança de forma descontrolada, numa economia paralela

 Charge do Iotti para Pioneiro de 30/08/2019

Charge do Iotti (Gaúcha/zero Hora)

Luiz Roberto Nascimento Silva
O Globo

A criminalidade financeira foi tema de minha dissertação de mestrado na UFRJ. Qual seria a diferença entre o crime praticado por alguém que assalta o caixa de uma mercearia e o praticado por outro, que, com o uso hábil de uma caneta, assalta igualmente o bolso de vários incautos investidores? De forma reduzida e simplificada, vemos assim a diferença entre o crime do colarinho branco e o blue collar.

Isso retorna à minha mente com a história recente do ex-garçom de vida simples que em seis anos movimentou 38 bilhões de reais num esquema de pirâmide com criptomoedas, deixando um rastro de lesados desesperados. É enredo para a Netflix.

DE UM PARA OUTRO – Pirâmide financeira não é novidade. Sua lógica é simples. Monta-se um esquema artificioso pelo qual o dinheiro de Pedro é usado para pagar juros maiores a Paulo, capta-se mais dinheiro com Maria, que será emprestado para Antônia, e assim segue até quando as pessoas desconfiam, e a roda da fortuna desmonta. Os exemplos mais famosos são de Ponzi na década de 20 e recentemente de Maddoff, ambos nos EUA.

O crime faz parte da natureza humana. Assim, ele se adapta às novas realidades. Nesse episódio de Cabo Frio, a novidade é a criptomoeda. A moeda sempre foi uma ficção. O homem atribuiu valor de troca para as mais diferentes coisas. No início, era o gado. Depois, essa função foi transferida para as moedas cunhadas em prata e ouro. A emissão do papel moeda por um governo foi invenção americana surgida na dramaticidade da Guerra Civil.

As criptomoedas são digitais num mundo crescentemente digital. Foi gigantesco o crescimento dos bancos digitais, sem agências físicas, nos quais o cliente comunica-se remotamente com seus gestores. Denominou-se “desbancarização” a esse processo, através do qual algumas dessas instituições tornaram-se maiores do que bancos tradicionais. Os governos de todo o mundo adotam moedas digitais, como fizemos com o recente Pix. Não há caminho de volta.

FORA DE CONTROLE – O problema com as criptomoedas não é serem digitais. Até aí, tudo bem. A questão fica complicada quando se sabe que elas funcionam fora do radar do controle das autoridades monetárias. Operam no anonimato.

Transitam no mundo bilhões de recursos sobre os quais não se sabe a origem e que muitas vezes ingressam depois no mundo formal, adquirindo bens e negócios concretos, concorrendo de forma desleal com os segmentos econômicos tributados. Economias mundiais de regimes fiscais rígidos com enorme pressão fiscal, como é o nosso caso, possuem paradoxalmente rios de liquidez correndo ao lado da formalidade.

O crime cibernético, subproduto da revolução digital, consome bilhões de dólares das empresas para sua proteção. São recentes e conhecidos os resgates pagos em criptomoedas em todo o mundo, como o que ocorreu com uma brasileira líder mundial no setor de alimentos.

HACKERS EM AÇÃO – Um grande grupo de medicina diagnóstica teve seu sistema invadido, e o tempo que ficou sem funcionar impactou seu balanço. Uma poderosa varejista passou por intenso ataque.

Os hackers evoluíram na pandemia. O crime compensa até agora porque ninguém é preso, rastreado ou perseguido pelos governos, também não há imposto, pois o resgate é pago em bitcoins.

Para enfrentar essa nova criminalidade, precisamos de uma polícia especializada, cujos integrantes sejam uma mistura de Sherlock Holmes com Alan Turing.

Na reta final, surgem provas importantes para fortalecer o relatório da CPI

Aziz e Renan serão processados por violência contra Dra. Nise | Brasil | Pleno.News

Renan e Aziz vão incriminar Bolsonaro por prevaricação

Vicente Limongi Netto

Para desespero do governo e do balaio de áulicos do mito de araque, o relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL) anunciou que novos detalhes, importantes e fundamentais, adiam o relatório.

Essa decisão significa que aumentarão as dores de cabeça dos envolvidos em prevaricação, corrupção, improbidade e outros crimes, nas denúncias cabeludas investigadas e comprovadas pelo colegiado, especialmente na compra e uso de vacinas.

BOLSONARO – Nesse sentido, o presidente Omar Aziz (PSD-AM) e o relator Renan Calheiros já informaram que pretendem indiciar o presidente Jair Bolsonaro por prevaricação. No entender dos senadores, o presidente foi culpado por não ter pedido uma investigação sobre o escândalo envolvendo a compra da vacina Covaxin.

Espera-se que o relatório final possa servir de base para um pedido de impeachment contra Bolsonaro. Na opinião do relator, o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, não pode se omitir com relação ao tema.

“Que seja contra ou a favor, mas precisa deixar que o plenário vote e decida sobre o impeachment”, salienta Renan Calheiros.

NOVO DEPOIMENTO – A CPI também aguarda que volte dos Estados Unidos o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para novos esclarecimentos ao colegiado. O capacho de jaleco infectou-se com a Covid e outros inúteis membros da comitiva também foram passear e se contaminaram.

Queiroga cumprirá quarentena em Nova Iorque e seguirá recomendações médicas do curandeiro do Palácio do Planalto:  chá com cloroquina e salada de alfafa.

As despesas do hotel e tratamento irão para o educado ministro da Controladoria Geral da União (CGU). Não digo o nome dele para não emporcalhar o texto.

DEDÃO ENGESSADO – Os senadores esperam que Queiroga tenha bons modos e compostura, comparecendo à CPI com o dedão engessado ou com a mão dentro do bolso. Refiro-me ao tal dedão que envergonhou o Brasil e os brasileiros nos Estados Unidos. Como já não bastassem as sandices e mentiras do patrão dele, na ONU, Queiroga arrematou a triste cena, mostrando que já não se fazem mais ministros da Saúde competentes e educados como antigamente.

“A hora é de salvar vidas” – eis a candente exortação mais pronunciada nessa quadra aflita, em que o bom senso divino faz das tripas coração para cativar os bem intencionados de espírito.   Assim, insistir é preciso. Apesar de termos um ministro da Saúde tão capacho, precisamos manter a fé e a esperança, para que gestos de grandeza finalmente batam na porta e na cachola do inquilino do atual Palácio do Planalto.

CONVITE HONROSO – Recebi um oficio do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, convidando para um evento muito especial – “A Defesa da Constituição: Homenagem ao Relator Bernardo Cabral”.

“Cumprimentando-o cordialmente, levamos ao conhecimento de V.Sa. que o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil por sua Comissão Nacional de Estudos Constitucionais, promoverá no dia 5 de outubro, a partir das 11 horas, o evento virtual “A Defesa da Constituição: Homenagem ao Relator Bernardo Cabral”, alusivo à data de promulgação da Carta Magna. O evento ocorrerá em plataforma digital e será transmitido em tempo real para o Canal da OAB Nacional no Youtube.

Nesse sentido, honra-nos convidar V. Sa. para participar do referido evento, compondo a Mesa de Honra na Abertura.”

Projeto atribuído ao filho 04 de Bolsonaro leva 4,6 milhões da Secretaria de Cultura

Jair Renan: as permutas de ternos, a carreira de influencer e o reality show do filho 04

Jair Renan imitou o filho de Lula e também virou fenômeno

Ricardo Chapola
IstoÉ

As iniciativas da área de cultura do governo Bolsonaro são escassas, mas já renderam pelo menos um thriller recheado de mistério. Trata-se da Casinha Games, nome de um suposto projeto que vai receber R$ 4,6 milhões do Fundo Nacional de Cultura (FNC). A transferência desse valor foi publicada na edição do dia 9 de setembro do Diário Oficial da União (DOU) e autorizada pela Secretaria Especial de Cultura, chefiada por Mario Frias e ligada ao Ministério do Turismo, do sanfoneiro Gilson Machado.

O valor é espantoso, praticamente igual a tudo o que esse fundo executou de seu orçamento no ano passado. A responsável pela execução do projeto é a Secretaria de Fomento, comandada pelo PM André Porciuncula, um bolsonarista de carteirinha. Como é comum, a publicação desrespeita as normas de transparência. No texto, não há nenhuma informação adicional sobre a tal Casinha Games.

SIGILO ABSOLUTO – A reportagem buscou referências sobre o tal projeto. No Portal da Transparência, não há qualquer tipo de informação, como, por exemplo, a pessoa ou empresa responsável por essa iniciativa. Vários empresários do segmento de games ouvidos por IstoÉ admitiram total desconhecimento sobre a proposta.

“Nunca ouvimos falar de Casinha Games. Não fazemos a mínima ideia do que isso seja”, afirmou Eliana Russi, gerente executiva da Associação Brasileira das Desenvolvedoras de Jogos Digitais (Abragames). Não existe ainda qualquer tipo de registro de empresas com esse nome em lugar algum do Brasil, assim como um CNPJ, ou sequer um endereço.

COISA DO FILHO 04 –  O assunto “games”, no entanto, é algo muito caro ao filho 04 do presidente, Jair Renan, dono da Bolsonaro Jr Eventos e Mídia, localizada nas galerias do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Renan tem usado a condição de filho do mandatário para ter acesso livre pela Esplanada dos Ministérios. Tanto que, em agosto do ano passado, ele conseguiu realizar uma reunião com Frias exatamente para tratar de jogos eletrônicos. Jair Renan é, inclusive, investigado pela Polícia Federal pela suspeita de praticar tráfico de influência. O secretário fez questão de publicar uma foto desse encontro em suas redes sociais: “Reunião com Jair

SEM JUSTIFICATIVAS – Desde que a informação sobre a Casinha Games foi publicada no Diário Oficial da União, Frias não deu nenhuma explicação consistente sobre o projeto.

Em entrevista a um jornalista bolsonariano, recentemente, o secretário chegou a ser perguntado sobre o tema e apresentou uma série de argumentos sem fundamento. Afirmou que se trata de uma iniciativa da própria Secretaria, baseada na “capacitação técnica e profissionalizante de jovens de baixa renda”.

“O projeto da Casinha Games nada mais é do que a vontade que a gente tem, porque ele ainda é um projeto, essa destinação de 4,6 milhões é algo que está previsto no nosso orçamento, como temos outros diversos projetos nesse mesmo orçamento”, afirmou Frias, sem dar, mais uma vez, detalhes de como ou quem vai desenvolver essa iniciativa. Questionada por IstoÉ sobre isso, a pasta não se manifestou.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGSe o filhos de Lula (Lulinha e Luís Cláudio) puderam virar fenômenos empresariais, porque Jair Renan também não poderia? Afinal, como diz Matheus na Bíblia, o Sol nasce para todos, embora Jair Renan nem seja terrivelmente evangélico. (C.N.)