Lula pede ao TSE que suspensão de serviços dos EUA entre em ação sobre interferência eleitoral

Ordem teria partido diretamente de Marco Rubio

Bela Megale
O Globo

A campanha de Lula apresentou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma petição para incluir novos fatos em uma ação de investigação eleitoral que apura suposta interferência externa nas eleições brasileiras. A manifestação cita a suspensão dos serviços consulares dos Estados Unidos no Brasil, anunciada na noite de 1º de outubro, a dois dias do primeiro turno, e pede que o episódio seja considerado no julgamento do caso.

Na petição encaminhada ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Sebastião Reis Júnior, a coligação afirma que a medida, justificada pela Embaixada americana com base em preocupações de segurança, projeta instabilidade sobre o ambiente eleitoral.

DESDOBRAMENTO – O documento também menciona que a ordem para o fechamento das representações teria partido diretamente do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que é próximo a Eduardo Bolsonaro. “Estes fatos apenas são mais um desdobramento gravíssimo da interferência nas eleições brasileiras pelo governo norteamericano, articulada, ao que tudo indica, diretamente pelos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro”, escreveu a defesa da campanha de Lula.

A ação sustenta que os episódios são desdobramentos de uma operação de interferência externa em favor da candidatura de Flávio, envolvendo frentes comunicacional, institucional e diplomática.

CARTA – Os advogados também anexaram uma carta enviada por três senadores americanos a Rubio, na qual os parlamentares manifestam preocupação com possíveis tentativas do governo Donald Trump de influenciar as eleições brasileiras.

No documento, os senadores Jeanne Shaheen, Tim Kaine e Peter Welch citam tarifas comerciais, sanções e a reunião de Flávio Bolsonaro com Trump na Casa Branca como elementos que, na avaliação deles, indicariam disposição do governo americano de interferir na disputa brasileira. A campanha de Lula pede que os novos fatos e documentos sejam considerados na instrução e no julgamento da ação, sem alteração do objeto original do processo.

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Um desesperado poema de Manuel Bandeira mostra o que significa um amor verdadeiro

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Poemas & Canções

O crítico literário e de arte, professor de literatura, tradutor e poeta Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho (1866-1968), conhecido como Manuel Bandeira, no poema “Boda Espiritual”, mostra toda a intensidade do amor verdadeiro. 

BODA ESPIRITUAL
Manuel Bandeira

Tu não estás comigo em momentos escassos:
No pensamento meu, amor, tu vives nua
– Toda nua, pudica e bela, nos meus braços.

O teu ombro no meu, ávido, se insinua.
Pende a tua cabeça. Eu amacio-a…afago-a
Ah, como a minha mão treme…Como ela é tua…

Põe no teu rosto o gozo uma expressão de mágoa.
O teu corpo crispado alucina. De escorço
O vejo estremecer como uma sombra nágua.

Gemes quase a chorar. Súplicas com esforço.
E para amortecer teu ardente desejo
Estendo longamente a mão pelo teu dorso…

Tua boca sem voz implora em um arquejo.
Eu te estreito cada vez mais, e espio absorto
A maravilha astral dessa nudez sem pejo…

E te amo como se ama um passarinho morto.

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Apertem os cintos! Os marqueteiros estão loucos e a eleição se tornou uma comédia

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Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Aqui na Tribuna da Internet, havíamos afirmado que esta eleição seria eletrizante, mas estávamos enganados. Na verdade, é muito mais do que isso, porque os dirigentes das campanhas eleitorais e os marqueteiros perderam completamente o rumo e não sabem mais o que fazer. Assim, pode-se dizer que já se tornou uma eleição alucinante, porque são tantas fakes news e/ou notícias pré-fabricadas que essa disputa eleitoral virou uma tremenda comédia.

Ao contrário do que todos os supostos especialistas esperavam, mais uma vez não houve lugar para uma terceira via. A polarização mostrou-se de tal forma resistente, que ainda não é desta vez que haverá uma verdadeira possibilidade de escolha para o cidadão-contribuinte-eleitor, como dizia Helio Fernandes, e ficou tudo resumido à antiga disputa entre nós e eles.

POBRES MARQUETEIROS – Antigamente, as eleições eram decididas pelos famosos marqueteiros, como Nizan Guanaes, Duda Mendonça, João Santana, Marcelo Vitorino, Duda Lima e Sidônio Palmeira, que reinavam absolutos e exibiam formidáveis planos de governo, que logo após a eleição iam direto para cesta do lixo.

“Oh, coitados!” – diria a humorista Gorete Milagres sobre a situação atual dos marqueteiros, que antigamente encontravam formas de enaltecer os políticos que os contratavam, mas hoje não apitam mais nada, estão completamente desprestigiados. De uns anos para cá, o marketing eleitoral se limita às redes sociais, onde estranhos personagens se dedicam a inventar narrativas depreciativas sobre os adversários.

E assim aumenta ainda mais a eterna dúvida se a vida imita a arte ou é o contrário, com a arte imitando a vida. O que vale agora é inventar notícias para desabonar o concorrente, apenas isso.

PIADA DO ANO – A transformação política chegou a tal ponto que a Tribuna da Internet está pensando em acabar com o consagrado concurso da Piada do Ano, porque talvez seja melhor tentar a premiação da melhor Narrativa do Ano, mas será dificílimo chegar a um resultado justo e perfeito, como dizem os maçons.

Ficou tudo muito complicado, porque as autoridades entraram nessa disputa, que passou a ser importantíssima, porque envolve até entidades outrora respeitáveis, como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Advocacia-Geral da União.

Os bispos católicos, com as igrejas entregues às moscas, saíram em defesa de Nossa Senhora Aparecida, a única santinha verdadeiramente brasileira, de pele morena e que é cultuada exclusivamente aqui, enquanto o ministro da AGU, chamado Jorge Messias ou Bessias, nem mesmo ele sabe de quem se trata, decidiu denunciar uma trama internacional contra Lula da Silva, liderada pelo presidente americano Donald Trump, um verdadeiro filme de cowboy.

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P.S.
–  Para dar seriedade à sua Piada do Ano, Bessias (ou “aquela besta do Messias”, no dizer de Dilma Rousseff) escreveu na quinta-feira uma queixa-crime e entregou cópias à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, para que iniciem as investigações. Com isso, acabou provocou uma brigalhada enorme, porque todos os policiais federais e os procuradores querem ir aos Estados Unidos, com tudo pago e ganhando diárias em dólar. Todos sabem que não será nada fácil investigar o presidente Trump e o secretário de Estado Marco Rúbio, que são os suspeitos de sempre. E assim, se é para não fazer nada, é melhor ficar lá na matriz do que aqui na filial. Podem perguntar ao Eduardo Bolsonaro. (C.N.)

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Para não “prejudicar” Lula, a Rede Globo cancelou seu debate entre os candidatos

Ainda sobre o Powerpoint da Globo… #globo #powerpoint #bancomaster #charge  #desenholadino

Charge do Bruno (Arquivo Google)

Pedro Grigori
Metrópoles

A Rede Globo decidiu cancelar o debate entre candidatos para presidente, marcado para a noite desta quinta-feira (1º/10). Menos de uma hora antes da realização do programa, a emissora informou ter recebido duas intimações judiciais relacionadas ao evento que causam “insegurança jurídica” e representam uma “interferência indevida na liberdade” dos veículos de imprensa.

Uma das decisões, assinada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a TV Globo permita a participação do candidato Renan Santos (Missão) no debate.

CADEIRA VAZIA – Já uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), assinada pela ministra Estela Aranha, impediu que a emissora exibisse o púlpito vazio destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Lula (PT), que decidiu não comparecer ao debate.

Em nota, a emissora informou ter cancelado o debate após “sucessivas decisões judiciais tomadas momentos antes da realização do debate”.

De acordo com a Globo, as decisões de ministros do STF e do TSE causam “insegurança jurídica e representam uma interferência indevida na liberdade que os veículos de imprensa tem de organizar os debates eleitorais”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Oportuna matéria enviada por José Perez, sempre de olho no lance. Mais uma vez, a direção da Globo (leia-se Irmãos Marinho) se curva diante de Lula, para evitar o constrangimento de mostrar a cadeira vazia de seu maior patrocinador e protetor, que tem impedido que a Receita Federal e outros órgãos investiguem as maracutaias da família Marinho. Apenas isso. (C.N.)

Datafolha: Lula tem 48% no 2º turno; Flávio, 45%

O Globo diz que Flávio Bolsonaro também desistiu do debate da TV Globo

Decisões de TSE e STF alteram dinâmica do debate

Mariana Muniz
Letícia Pille
O Globo

A menos de três horas do debate presidencial da TV Globo, duas decisões de ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) alteraram a dinâmica do confronto de ideias entre os candidatos. A primeira liminar, da ministra Estela Aranha, proibiu a emissora de exibir de forma destacada a cadeira vazia de Luiz Inácio Lula da Silva, após o petista decidir faltar ao encontro. A segunda, do ministro Gilmar Mendes, determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) como um dos convidados do embate.

Logo depois dos despachos, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou a sua desistência de participar do embate, denunciado que houve censura do TSE no caso da cadeira vazia de Lula. 

PODCAST – Em decisão do TSE relacionada à ausência de Lula, a magistrada também proibiu que os demais concorrentes façam perguntas dirigidas ao candidato do PT. Lula comunicou na quarta-feira que não participará no debate. Nesta quinta-feira, no mesmo horário do encontro, o candidato à reeleição será entrevistado por um podcast.

A previsão de púlpito vazio é uma das regras acordadas com representantes das campanhas, incluindo a do PT, sobre a realização do debate, além de uma tradição no país para este tipo de evento eleitoral.

Nesta semana, por exemplo, o púlpito reservado a Jerônimo Rodrigues (PT), candidato à reeleição na Bahia, ficou vazio após ele faltar ao debate transmitido na terça-feira. O mesmo ocorreu no Distrito Federal, em que a governadora Celina Leão (PP) também optou por não comparecer.

AUSÊNCIAS – No primeiro debate presidencial do atual ciclo eleitoral, na Band, em agosto, três dos candidatos que haviam sido convidados preferiram não debater com seus concorrentes: Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). Os três púlpitos a eles reservados ficaram vazios durante todo o confronto, sem que tenha havido contestação.

Em 2006, quando Lula tentava a reeleição pela primeira vez e também optou por não participar do debate da Globo no 1º turno, a cadeira destinada ao petista ficou vazia no palco durante todo o programa e foi mostrada mais de uma vez aos telespectadores, principalmente nos encerramentos de cada bloco.

A ausência foi tema do encontro, que reuniu os então presidenciáveis Geraldo Alckmin, do PSDB, Heloísa Helena, do PSOL, e Cristovam Buarque, do PDT, que chegaram a fazer perguntas que endereçariam a Lula.

FACULTATIVO – Ao conceder a liminar, Estela afirmou que a participação de candidatos em debates eleitorais é facultativa e que o compromisso prévio com as regras do encontro não torna obrigatório o comparecimento. Segundo a ministra, a legislação permite que o debate seja realizado mesmo sem um candidato regularmente convidado, desde que o convite tenha sido feito com pelo menos 72 horas de antecedência.

A decisão foi tomada em uma ação apresentada pela coligação Brasil Pronto Pra Mais, da qual o PT faz parte, contra uma regra prevista para o debate. Na avaliação de Estela, permitir manifestações dirigidas especificamente a um candidato ausente, sem que ele tenha a possibilidade de responder ou se contrapor no próprio debate, pode gerar desequilíbrio entre os concorrentes.

“A cláusula impugnada, ao reservar momento específico da transmissão para que candidatos presentes formulem manifestações dirigidas à candidatura ausente, sem possibilidade de resposta simultânea ou contraposição no próprio ambiente do debate, aparenta ultrapassar o campo meramente organizacional do evento”, escreveu a ministra.

REFERÊNCIAS – Para a ministra, a regra pode dar aos participantes um espaço específico para fazer referências ao candidato ausente sem a dinâmica de contraditório característica de um debate eleitoral. Ela também questionou a exposição reiterada da cadeira vazia, acompanhada da identificação nominal do candidato. “A exposição reiterada da cadeira vazia, associada à identificação nominal do candidato e ao destaque específico de sua ausência durante a transmissão, pode produzir efeitos que transcendem a simples informação ao eleitorado acerca do não comparecimento”, disse.

Já Gilmar Mendes atendeu a um pedido apresentado pelo Solidariedade para estender a Renan os efeitos de uma decisão anterior do ministro sobre liberdade de expressão no período eleitoral. O partido pediu que fosse cassada a decisão do presidente do TSE, Nunes Marques, que havia rejeitado a inclusão do candidato, e que a Globo fosse obrigada a assegurar sua participação na vaga aberta após a desistência de Lula.

EXPECTATIVA – Gilmar também afirmou que a Globo criou uma “legítima expectativa” de participação de Renan ao incluí-lo anteriormente em entrevistas e sabatinas de sua cobertura eleitoral, inclusive no Jornal Nacional. Para o ministro, houve “comportamento contraditório da emissora responsável pela organização do debate”, em violação ao princípio da boa-fé objetiva.

O pedido foi apresentado em uma ação na qual Gilmar havia derrubado, em maio, uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que determinou a retirada de uma manifestação política sobre a inelegibilidade de Deltan Dallagnol. A defesa do Solidariedade argumentou que o caso de Renan também envolve os limites da intervenção estatal no debate eleitoral e princípios como liberdade de expressão, pluralismo político e direito à informação.

Na decisão, o ministro destacou que a Globo estabeleceu como regra que, em caso de desistência, poderia convidar o candidato mais bem colocado na pesquisa Quaest de 28 de setembro entre aqueles que não tinham participação assegurada pela legislação. Renan aparece com 3% e é o primeiro colocado entre os candidatos nessa situação.

DERROTAS – A ofensiva no Supremo ocorreu depois de Renan sofrer derrotas em outras duas frentes nesta quinta-feira. Mais cedo, Nunes Marques havia mantido o candidato fora do debate ao negar uma tutela de urgência apresentada pelo Missão e por Renan no TSE. Depois, a ministra Cármen Lúcia também rejeitou uma tentativa de levar a discussão ao STF.

Já Flávio desistiu de participar do debate presidencial depois que o TSE proibiu a emissora de exibir o púlpito vazio. Desde que a decisão veio a público, aliados de Flávio passaram a defender que o candidato desistisse. “Acabo de tomar a decisão de não ir ao debate da Globo em função da censura imposta ao evento pelo TSE. A imprensa tem que ser livre e as eleições limpas. Em breve mais detalhes”, escreveu no X.  

Pesquisas eleitorais entram em choque com o TSE na reta final da eleição

Pressão do gabinete de Zanin faz Nunes Marques reconduzir ministro ao TSE

A três dias da eleição, Zanin volta ao TSE

Bela Megale
O Globo

Depois de ser pressionado pelo gabinete do ministro Cristiano Zanin, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, reconduziu o magistrado ao cargo de ministro substituto da corte eleitoral. Zanin assinou o termo de posse na manhã desta quinta-feira (1º), a apenas três dias do primeiro turno das eleições presidenciais.

A recondução, que já estava prevista desde que o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o elegeu ministro substituto novamente, em 3 de setembro, só ocorreu depois da cobrança formal feita pelo gabinete do ministro.

DESCONFORTO – A demora havia gerado desconforto e chamado atenção de ministros do STF, que consideram normal e automática a recondução dos magistrados indicados pelo Supremo ao TSE.

Como revelou a coluna, a cadeira destinada a Zanin foi mantida oficialmente vaga no site do TSE durante semanas, mesmo após a eleição interna do STF confirmar o nome do magistrado. A assessoria do tribunal chegou a justificar a demora afirmando que estavam ocorrendo uma “sequência de posses”, mas integrantes do STF contestaram essa versão, ressaltando que a cadeira é restrita a membros do Supremo e a posse poderia acontecer a qualquer momento.

A demora na recondução de Zanin assumiu destaque no meio político porque teria reflexos se a ação apresentada pelo partido Solidariedade ao STF prosperar. O partido pede a substituição dos ministros responsáveis pela fiscalização da propaganda eleitoral — entre eles Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

RESPONSÁVEIS – Caso o pedido seja acatado, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin assumirão o papel de responsáveis pelo tema no TSE. Para isso, porém, a posse de Zanin no tribunal eleitoral precisava ser oficializada.

A posse de Zanin ocorre em um momento estratégico, a poucos dias do início da votação no primeiro turno, e encerra um novo foco de tensão institucional entre o STF e o TSE.

Vorcaro pediu ajuda para “frear” Joesley e “blindar” Lula