Contador preso é acusado por esquema de acesso a dados fiscais de 1.819 contribuintes

Moraes determinou a prisão de Washington Travassos 

Deu no O Globo

O contador Washington Travassos de Azevedo, preso no Rio por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), foi apontado, pela Procuradoria-Geral da República (PGR), como um dos responsáveis pelo esquema de acesso de “dados constantes de DIRPF (Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Física) de 1.819 contribuintes, incluindo pessoas vinculadas a ministros do STF, ministros do TCU, deputados federais, ex-senadores da República, ex-governador, dirigentes de agências reguladoras, empresários e outras personalidades de notoriedade pública”. A informação consta do despacho que embasou a prisão.

Em nota, o STF afirmou que Washington foi apontado pela Polícia Federal como “um dos mandantes na cadeia de obtenção de dados fiscais protegidos por sigilo funcional”. A Corte disse ainda que o esquema envolveu “download das declarações” de Imposto de Renda dessas pessoas, que são informações protegidas por sigilo fiscal.

REGISTRO ATIVO – Washington está inscrito como contador no Rio, com registro ativo, de acordo com o Conselho Federal de Contabilidade. Além de uma firma de contabilidade na capital fluminense aberta em 2015, ele também abriu recentemente uma empresa em São Paulo.

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a prisão dele, por suspeita de participar do vazamento de dados sigilosos envolvendo membros da Corte e outras autoridades. A prisão foi noticiada primeiro pela Folha de S. Paulo, neste sábado, e confirmada pelo O Globo.

Documentos do governo do Rio levantados pelo O Globo mostram que Washington foi preso no último dia 13, no presídio José Frederico Marques, em Benfica, Zona Norte da capital fluminense. Na quinta-feira, dia 19, a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária comunicou que o contador estava apto a ser transferido para o Complexo Penitenciário de Gericinó (Bangu), na Zona Oeste. A transferência, de acordo com a secretaria, ocorreu por abertura de vagas em Bangu. Procurada, a defesa de Washington não quis se manifestar neste sábado.

SIGILO VIOLADO – A PF já havia deflagrado operação, no início de março, que cumpriu quatro mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão temporária contra suspeitos de vazamentos de dados. Uma das linhas de investigação é de que funcionários da Receita Federal teriam violado ilegalmente o sigilo fiscal do ministro do STF e seus parentes.

Já a prisão de Washington ocorreu uma semana depois dessa operação, e também foi realizada pela PF, que o conduziu para o sistema prisional do Rio. Segundo a Folha de S. Paulo, o contador admitiu ter acessado dados fiscais de forma ilegal.

Em nota, o STF afirmou que a prisão de Washington ocorreu no dia 14 — embora os documentos do governo do Rio apontem sua entrada no sistema prisional no dia 13 — e disse que a “audiência de custódia foi regularmente realizada no mesmo dia”.

Desesperado com demissão de Kent, agora Trump já fala em terminar a guerra

Counterterrorism official Joe Kent resigns over war: 'Iran posed no  imminent threat'

Joe Kent mostrou que a guerra é inútil e pediu demissão

Roberto Nascimento

Como se sabe, Joe Kent, ex-chefe da Agência de Antiterrorismo dos EUA, é um respeitado herói de guerra, que perdeu a esposa num atentado terrorista no exterior e hoje integra o movimento MAGA (Make American Great Again, ou Faca a América Grande de Novo), que Donald Trump usou para conquistar votos e se eleger presidente.

Ao pedir demissão do cargo, Joe Kent, que tinha sido nomeado pelo próprio Trump, expôs sua contrariedade com a guerra contra o Irã, que a seu ver não ameaçava os EUA.

GUERRA INÚTIL – Kent garante que o Irã não domina a tecnologia para fabricação de bombas nucleares, até porque as instalações de enriquecimento de urânio foram destruídas pelos EUA, com bombas que entraram pela rocha até a profundidade de 60 metros.

Portanto, Kent deduziu que essa guerra inútil para os EUA quebrou uma promessa de campanha de Donald Trump ao movimento de direita MAGA, de não entrar em conflitos desnecessários.

Assim como outros expoentes do importante grupo republicano, Joe Kent acha que Donald Trump está a reboque de Israel, o maior interessado na destruição do inimigo Irã e que precisa de permanente apoio dos Estados Unidos.

ISRAEL À FRENTE – No raciocínio do estrategista Kent, se o maior interessado na guerra é Israel, então, o presidente Donald Trump, não coloca os EUA em primeiro lugar, porque nesse conflito é o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que comanda o teatro de operações, como o ator que dita os rumos da guerra, até pela proximidade geográfica, não deixando alternativas a Trump.

Depois desse repto de Kent, o presidente Trump passar a deixar claro que deseja o fim da guerra, mas, não sabe como fazê-lo, porque não interessa a Israel uma trégua antes da queda do regime clerical do Irã.

Donald Trump demonstra estar a beira de um ataque de nervos, não diz coisa com coisa e nesta sexta-feira, dia 20, chegou a anunciar que a guerra está em fase final, mas o fato concreto é que o Irã está reagindo com extrema violência, ameaçando os países da região.

Isso significa que Trump enfim entendeu o recado de Joe Kent e certamente lamenta ter entrado nessa arapuca de Nethanyahu, um radical que se mantém no poder defendendo um permanente clima de guerra, .

ALTA DO PETRÓLEO – O resultado tem sido cada vez mais preocupante, porque o barril de petróleo já chegou aos 120 dólares pressionando os preços de combustíveis no mundo inteiro, com reflexos na inflação em geral, devido à falta dos derivados, que incluem importantes insumos industriais e agrícolas.

A paz é absolutamente necessária, porque se trata de uma guerra que só serve para Israel destruir seu principal inimigo no Oriente Médio. Entretanto, em contrapartida, vem causando uma desordem mundial, modificando para pior a vida dos cidadãos de todas as partes do mundo.

Para Trump, o pior é que este ano teremos as eleições de meio de mandato nos EUA, e os prognósticos, por causa da guerra, indicam derrota do Partido Republicano e a consequente perda da maioria parlamentar na Câmara dos Deputados e no Senado, o que tornará a vida de Trump num novo inferno de Dante. Trump está perdido, igual biruta de aeroporto, sem saber o que fazer para sair dessa armadilha na qual foi colocado por seu amigo da onça Benjamin Netanyahu. E a máxima do repertório popular nunca falha: “Aqui se faz, aqui se paga”.

“Ah, se eu te pudesse fazer entender, sem teu amor eu não posso viver…”

Meu irmão Paulo Sergio chegando aos 85, cercado pelo amor de sua eterna  companheira Malena, de poesia, letras e livros. Mais um ano para comemorar,  e para isso, vai aqui uma parceria

Paulo Sérgio e Marcos, compositores da pesada

Paulo Peres
Poemas & Canções

Os irmãos cantores e compositores cariocas Paulo Sérgio  Valle e Marcos  Valle fizeram em parceria “Eu Preciso Aprender a Ser Só”, cuja melancólica letra expressa o sofrimento causado pelo desamor e, consequentemente, a necessidade de se aprender a viver sozinho. Essa música faz parte do LP O Compositor e o Cantor Marcos Valle lançado, em 1965, pela Odeon.

EU PRECISO APRENDER A SER SÓ
Paulo Sérgio  e Marcos Valle

Ah, se eu te pudesse fazer entender
Sem teu amor eu não posso viver
E sem nós dois o que resta sou eu
Eu assim tão só
E eu preciso aprender a ser só
Poder dormir sem sentir teu calor
E ver que foi só um sonho e passou

Ah, o amor
Quando é demais ao findar leva a paz
Me entreguei sem pensar
Que a saudade existe e se vem
É tão triste, vê
Meus olhos choram a falta dos teus
Esses olhos que foram tão meus
Por Deus entenda que assim eu não vivo
Eu morro pensando no nosso amor

Amigos preparam uma grande festa para homenagear Bernardo Cabral

Griselda no palco do Municipal | Hildegard Angel

Bernardo Cabral e Zuleide moram no Rio

Vicente Limongi Netto 

Nesta sexta-feira, dia 27, os deuses do amor e da amizade acordarão o Rio de Janeiro para saudar os 94 anos de idade do patriota Bernardo Cabral, ex-deputado estadual e federal, ex-senador, ex-presidente da OAB e relator da Assembleia Constituinte. Quem não gosta de Bernardo é doente da cabeça ou do pé, diria o sábio Ataulfo Alves.

Está sendo preparada uma comemoração à altura. O reitor Paulo Alonso, grande figura humana e profissional,  coordenando tudo. Não faz outra coisa há semanas. Com um timaço de amigos dedicados, como Roberto Tadros, Alexandre Farah, Aziz Ahmed,  Aristoteles Drummond e Sergio Costa e Silva.

NINGUÉM PODE FALTAR – Mestres Hélio Fernandes e Marcos Vilaça não perderiam o marcante regabofe.  Sairiam da dieta. Com permissão de donas Rosinha e Maria do Carmo. Seriam os primeiros a chegar. Beijam Bernardo do céu. Eu e Carlos Newton já compramos champanhes.

Advogado e jornalista José Carlos Werneck vai presentear Bernardo com livro da maravilhosa Adélia Prado. Bom gosto. Não quer aborrecer Cabral com destrambelhados togados, humilhando o judiciário. Jurista Jorge Béja confirmou presença. 

Avião fretado decola cedo de Brasília,  com amigos de fé, de toda uma vida, como os juristas Estenio Campelo e Inocencio Martires Coelho, Paulo Octávio, ministro aposentado do Tribunal de Contas da União (TCU), Valmir Campelo; senador Renan Calheiros; cientista politico Paulo Kramer, um dos melhores do ramo.

E MAIS – Os jornalistas e escritores Pedro Rogério e Silvestre Gorgulho e Marlene Galeazzi; e o ministro do STJ, Mauro Campbell.

A bela Manaus de Bernardo estará presente com o historiador, escritor, imortal e jornalista Robério Braga e o colunista Pedrinho Aguiar. Na bagagem, tucumã, pupunha,  tapioca e açai. 

A serena dama Zuleide Cabral, filho Júlio, netas, noras, genros e bisnetos, também orgulhosos e felizes com as homenagens ao patriarca do clã. O Cristo Redentor exclamará radiante, “Bernardo, amamos você”. 

Gilmar Mendes faz o possível e o impossível para manter a impunidade de Toffoli

Blindagem do Supremo. Charge de Marcelo Martinez para a newsletter desta sexta-feira (5). #meio #charge #stf #blindagem

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/zero Hora)

Gustavo Côrtes
Folha

Relator da CPI do Crime Organizado, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou nesta quinta-feira, 19, a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que anulou a quebra de sigilo do fundo Arleen, aprovada pela comissão. O parlamentar afirmou que o magistrado tem atuado para proteger Dias Toffoli, também integrante do STF, cujos negócios receberam aporte do Banco Master, de Daniel Vorcaro.

“Infelizmente, não é surpresa. Ainda ontem (quarta-feira, 18) alertei no plenário do Senado para essa ação articulada por alguns ministros com o objetivo expresso de travar investigações e garantir a impunidade de poderosos. Para contemplar seus interesses não têm nenhum constrangimento em rasgar a Constituição e atropelar outro Poder da República. Reitero o alerta: o abuso constante está destruindo a credibilidade da Justiça”, escreveu o senador no X.

PERANTE A LEI – “Vamos resistir em todas as frentes, seja através de recursos ao presidente do STF ou na luta pela CPI específica para investigar os ministros supostamente envolvidos no escândalo. Essa é a verdadeira defesa da democracia, que só existe com todos iguais perante a lei”, completou.

Conforme revelou o Estadão, o Arleen tinha como único cotista Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, e comprou cotas do resort Tayaya, no interior do Paraná, do qual Toffoli, seus irmãos e um de seus primos eram sócios. No total, o empreendimento recebeu R$ 20 milhões. Gilmar já havia anulado a quebra de sigilo da Maridt, empresa dos Toffoli que foi beneficiada pelos aportes.

Desta vez, o ministro considerou que o requerimento de autoria do senador Sérgio Moro (União-PR) e aprovado nesta quarta-feira, 18, não é válido, porque foi aprovado em bloco. Ele citou decisão do ministro Flávio Dino, que anulou quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pela CPI do INSS. “Nesse ponto, sem me alongar de forma excessiva, relembro que o Ministro Flávio Dino (…) registrou que a votação em bloco (ou em globo) de requerimentos de quebra de sigilo ‘parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais’”, escreveu.

CPI VAI RECORRER – O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou, que vai recorrer da decisão. “O respeito às decisões judiciais não se confunde com concordância passiva diante de atos que afrontam a Constituição e limitam o dever desta Comissão de apurar fatos de inequívoco interesse público. A definição do rito de votação de requerimentos constitui matéria interna do Parlamento, não sujeita à ingerência de outro Poder”, disse.

Autor do requerimento anulado, Moro também criticou Gilmar, com quem tem desentendimentos desde quando era juiz federal e coordenava a Operação Lava Jato, da qual o ministro era crítico.

“Atualmente, as CPIs do Congresso fazem o seu trabalho e tentam investigar crimes graves, enquanto alguns Ministros do STF atuam para impedir as investigações”, escreveu o senador no X.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É triste constatar as seguidas iniciativas que visam a dificultar o combate ao crime. E Gilmar Mendes citou justamente a frase mais deplorável do ministro Flávio Dino, ao repetir que a votação em bloco de requerimentos “parece não se compatibilizar com as exigências constitucionais e legais”.
Sinceramente, membro do Supremo não pode basear sua determinação em “parece não se compatibilizar”. Decisão judicial tem de dizer que “segundo o artigo tal, não se compatibiliza”.  Assim, parece que o Supremo não está cumprindo corretamente sua função, e parece que os ministros não se preocupam com o texto da lei, mas apenas com o que parece que a lei determina. Sinceramente…
(C.N.)

Crise global, tensão institucional e disputas eleitorais expõem fragilidade política

Entrada de óleo diesel no país caiu cerca de 60%

Pedro do Coutto

A política brasileira voltou a operar sob múltiplas pressões simultâneas — externas e internas — em um cenário que mistura instabilidade internacional, ruídos institucionais e rearranjos eleitorais. O resultado é um ambiente de incerteza crescente, no qual decisões econômicas, jurídicas e políticas passam a se influenciar de forma direta e acelerada.

No plano externo, o impacto mais imediato vem da escalada no preço do petróleo, impulsionada por tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. Em poucos dias, o mercado internacional registrou alta próxima de 40%, refletindo o temor de desorganização nas cadeias globais de energia. Para o Brasil, altamente dependente de importações em determinados momentos, o efeito foi imediato: a entrada de óleo diesel no país caiu cerca de 60% nas primeiras semanas da crise.

O alerta acendeu rapidamente dentro da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que passou a monitorar o risco de desabastecimento. Ainda que não haja colapso iminente, o movimento evidencia uma vulnerabilidade estrutural: o país, mesmo sendo produtor relevante, não é imune às oscilações externas e segue exposto a choques geopolíticos. Na prática, isso significa pressão inflacionária, impacto direto no transporte e, inevitavelmente, desgaste político para o governo federal.

TENSÃO INTERNA – Mas se a economia sofre com fatores externos, o ambiente institucional também dá sinais de tensão interna. Divergências entre a Procuradoria-Geral da República e a Polícia Federal voltaram a emergir, especialmente em torno de acordos de colaboração e condução de investigações sensíveis. Esses atritos, frequentemente silenciosos, ganharam visibilidade por meio de vazamentos e disputas narrativas, ampliando a percepção de descoordenação dentro do próprio aparato de Estado.

No centro desse turbilhão está o Supremo Tribunal Federal, mais uma vez chamado a arbitrar conflitos que extrapolam o campo jurídico e avançam sobre o terreno político. O ministro Gilmar Mendes, voz influente na Corte, tem defendido a possibilidade de prisão domiciliar em determinados casos, ao mesmo tempo em que critica a condução de investigações marcadas por vazamentos e excessos. Sua posição reflete um desconforto crescente dentro do próprio Judiciário com a forma como certos processos vêm sendo conduzidos — um sinal de que o debate institucional está longe de ser consensual.

Enquanto isso, no tabuleiro político, movimentações estratégicas começam a redesenhar o cenário eleitoral. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes articula sua saída para disputar o governo estadual, ao mesmo tempo em que busca garantir a continuidade administrativa na capital. Em paralelo, o governador Cláudio Castro sinaliza renúncia para entrar na corrida ao Senado, abrindo uma nova frente de disputa e reorganizando forças locais.

ERRO ESTRATÉGICO – No plano nacional, o presidente Lula da Silva também se movimenta, ainda que nem sempre com precisão cirúrgica. A sugestão de lançar Geraldo Alckmin ao Senado é vista por parte de aliados como um erro estratégico. Alckmin, que tem demonstrado lealdade política consistente desde o início do governo, ocupa hoje uma posição de equilíbrio dentro da coalizão. Retirá-lo desse papel pode significar abrir uma lacuna difícil de preencher — especialmente em um momento em que a base governista já enfrenta desafios de coesão.

Esses movimentos ocorrem em paralelo à reorganização da direita, que também busca recompor forças após anos de fragmentação. O jogo político, portanto, não se limita a disputas eleitorais pontuais, mas envolve uma reconfiguração mais ampla de alianças, lideranças e estratégias.

INSTABILIDADE – O que se observa, ao final, é um país atravessado por múltiplas camadas de instabilidade. A pressão externa sobre energia e preços, as fissuras internas entre instituições e os cálculos eleitorais em curso formam um quadro complexo, no qual cada decisão carrega efeitos em cadeia.

Não se trata de uma crise isolada, mas de um momento de transição. E, como toda transição, ele exige mais do que respostas imediatas: exige coordenação, leitura estratégica e, sobretudo, capacidade política de antecipar riscos antes que eles se transformem em crises abertas.

Fragmentação mundial: ameaças em escalada e uma ordem que entrou em colapso

O mundo entrou numa tensão permanente

Marcelo Copelli
Revista Visão (Portugal)

Durante décadas, a ideia de uma guerra global pertenceu ao passado ou à ficção estratégica. Era evocada em relatórios acadêmicos, exercícios militares e análises de risco, mas raramente assumida como hipótese concreta no plano político.

Essa distância desapareceu — e o que hoje se observa não é a antecâmara de um confronto — é a sua manifestação, ainda sem reconhecimento formal. A guerra começou antes de ser declarada, dissolvendo a fronteira tradicional entre paz e antagonismo e impondo uma nova condição: a de um sistema internacional em tensão permanente.

A escalada recente no Oriente Médio tornou essa transformação impossível de ignorar. A relação entre Estados Unidos, Israel e Irã ultrapassou o registro da dissuasão para entrar em um ciclo ativo de ação e retaliação, marcado por operações coordenadas, ataques seletivos a alvos estratégicos e ameaças concretas a infraestruturas críticas.

INSTABILIDADE – Esses movimentos não são episódicos nem reativos — integram uma lógica contínua de enfrentamento que já não depende de rituais diplomáticos para se legitimar. A dinâmica bélica deixou de precisar ser anunciada para existir.O impacto dessa evolução rapidamente ultrapassou o plano militar.

A instabilidade no Estreito de Ormuz reintroduziu o petróleo como instrumento direto de poder geopolítico, em um retorno a lógicas que muitos julgavam superadas. Bastou o risco de bloqueio para provocar oscilações significativas nos mercados, pressionar economias e forçar reposicionamentos estratégicos em escala global.

A energia deixou de ser apenas um recurso — tornou-se um vetor de influência e uma alavanca de coerção com efeitos imediatos.

FERIDA ABERTA – Mais reveladora ainda é a simultaneidade das tensões. A guerra na Ucrânia permanece como uma ferida aberta no coração da Europa, sem solução visível. A rivalidade entre Estados Unidos e China se intensifica e avança para domínios cada vez mais sensíveis, da tecnologia à segurança.

No Indo-Pacífico, os equilíbrios tornam-se progressivamente mais frágeis, enquanto no Oriente Médio o risco de expansão regional da guerra cresce a cada novo episódio. O que emerge desse quadro não é uma sucessão de crises isoladas, mas um ambiente em transformação, onde diferentes focos de instabilidade se reforçam mutuamente.

Nesse cenário, uma das premissas centrais da globalização — a de que a interdependência econômica funcionaria como freio à escalada — revela-se cada vez mais frágil. As mesmas redes que sustentaram décadas de integração estão agora sendo instrumentalizadas como mecanismos de pressão estratégica. Cadeias de abastecimento, fluxos energéticos, tecnologia e dados passaram a integrar o campo de disputa, diluindo ainda mais a distinção entre paz e hostilidade. O embate deixou de ser um evento delimitado para se tornar um estado contínuo de competição.

PREVISIBILIDADE – A fragmentação do bloco ocidental acentua essa tendência. Apesar da retórica de unidade, as divergências estratégicas entre aliados tornam-se mais visíveis, condicionadas por pressões internas, ciclos eleitorais e interesses nacionais divergentes. Essa erosão da coesão não é um detalhe — é um fator estrutural que reduz a previsibilidade das respostas e prolonga a instabilidade. A história mostra que cenários sem alinhamento claro tendem a ser mais longos, mais difusos e mais difíceis de encerrar.

Paralelamente, a natureza do próprio embate está passando por uma mutação profunda. A disseminação de tecnologias — de drones a operações cibernéticas — reduziu o custo de entrada e ampliou exponencialmente a imprevisibilidade. Pequenos atores, com recursos limitados, mas bem posicionados, conseguem hoje produzir impactos desproporcionais, multiplicando pontos de tensão e tornando o ambiente global estruturalmente instável. A guerra se descentralizou — e, com isso, perdeu fronteiras nítidas.

Tudo isso ocorre em um momento em que os pilares tradicionais da ordem internacional apresentam sinais claros de desgaste. O direito internacional continua a ser invocado, mas é cada vez mais frequentemente contornado ou reinterpretado. As instituições multilaterais mantêm relevância simbólica, mas revelam limitações crescentes na capacidade de impor soluções. A norma cede espaço à força — não apenas à força militar clássica, mas à capacidade de influenciar, condicionar e desestabilizar em múltiplas dimensões.

ESTADO DE CONFRONTO – É nesse contexto que a conclusão se impõe com clareza: os fatos já configuram um estado de confronto sistêmico, ainda que sem reconhecimento formal. Não se trata de uma guerra tradicional, com início definido e fim previsível, mas de uma condição prolongada, em que diferentes formas de poder são mobilizadas de forma contínua.

Para países como Portugal, essa conjuntura se traduz em desafios concretos. Em um mundo mais fragmentado, a margem de manobra dos Estados médios tende a diminuir, marcada por choques energéticos, dependência de cadeias globais e pressões externas crescentes. A política externa deixa de poder se apoiar em pressupostos de estabilidade e exige uma capacidade ampliada de adaptação estratégica.

Mas o desafio não é apenas externo. As sociedades europeias se acostumaram a décadas de relativa previsibilidade, internalizando a ideia de que a guerra pertence a outros espaços geográficos. Essa percepção está se tornando obsoleta. Mesmo sem confronto direto, os efeitos já são visíveis no cotidiano: inflação persistente, volatilidade energética, tensões sociais e polarização política. A distância encurtou — e continua encurtando.

COMPLEXA GESTÃO – Diante desse cenário, a expectativa de um momento de clareza pode se revelar ilusória. A ambiguidade não é transitória; é estrutural. A guerra contemporânea não começa com uma declaração formal nem termina com um tratado inequívoco. Desenvolve-se de forma gradual, difusa e muitas vezes silenciosa, tornando mais difícil sua identificação — e, consequentemente, sua gestão.

Reconhecer essa transformação não implica alarmismo, mas lucidez. Significa aceitar que a estabilidade deixou de ser o estado natural das relações internacionais e passou a ser uma construção frágil, sujeita a pressão constante. Significa compreender que os instrumentos do passado são insuficientes para responder aos desafios do presente. E, sobretudo, abandonar a ilusão de que ainda estamos fora de um embate global.

O mundo pode não ter declarado formalmente a entrada em uma nova era de guerra, nem traçado as linhas claras que, no passado, delimitavam o início dos grandes confrontos. Mas os sinais acumulados já não permitem ambiguidades. E, como tantas vezes na história, o maior risco não está apenas no que está acontecendo — está na persistência em interpretar o presente com categorias do passado, ignorando que o conflito, em sua forma contemporânea, já está plenamente em curso.

Entre traição e aliança: Bolsonarismo resgata Moro para reorganizar a direita

Ao atacar o “JN”, advogado de Lulinha deixou Lula em uma péssima situação

César Tralli decide ir a evento na hora do JN e Globo teve que tomar atitude

Tralli foi o principal alvo dos ataques do advogado de Lulinha

Carlos Newton

Uma das organizações mais negativas, deploráveis, abjetas e repugnantes já criadas no Brasil, sem a menor dúvida, é o Grupo Prerrogativas, fundado em 2014 a pretexto de se tornar um “coletivo de advogados, juristas e acadêmicos progressistas”, que inicialmente se dizia focado na defesa das prerrogativas profissionais dos advogados.

Carinhosamente passou a ser chamado pelos mais íntimos de “Prerrô”, nome usado em seu site na internet – “https://prerro.com.br” – que divulga artigos, análises e editoriais de integrantes do grupo.

PODIA DAR CERTO – À primeira vista, a iniciativa tinha tudo para dar certo, caso cumprisse sua finalidade “progressista”, que indica um compromisso com um futuro melhor, mais justo e menos desigual.

Além disso, diz atuar “na defesa do Estado Democrático de Direito, da democracia, das instituições e do direito de defesa”. Mas todos esses ideais meritórios “non eczistem”, diria Padre Quevedo, que se orgulhava de ser desmistificador, um mestre em denunciar e desmascarar tudo o que é falso, enganoso ou ilusório.   

Na verdade, o Grupo Prerrogativas foi criado exclusivamente para defender os ardilosos direitos dos políticos e empresários corruptos, que foram apanhados em flagrante delito pela Operação Lava Jato e até confessaram seus crimes e devolveram bilhões de reais surripiados aos cofres públicos.

PRÓ-CORRUPÇÃO – Ainda não satisfeitos pela iniciativa de defender abertamente a corrupção, esses advogados do Prerrô passaram também a defender a libertação de Lula.

Com esse objetivo político, agiam como se aquelas condenações unânimes, decididas por magistrados diferentes, tivessem sido erros judiciários inaceitáveis, cometidos por dois juízes, três desembargadores do TRF e cinco ministros do STJ.

Assim, ficou comprovado que os integrantes do Prerrô jamais se empenharam no aprimoramento da Justiça; muito pelo contrário, eram meros defensores da corrupção como todo, para garantir polpudos honorários aos escritórios de advocacia.

IRONIA DO DESTINO – Lula ficou devedor desses enganadores que compõem o Grupo Prerrogativas e os ajudou como pôde, inclusive costuma recebê-los com toda honra e mordomia no Planalto e no Alvorada.

É claro que o presidente jamais poderia imaginar que fosse ser traído pelo insensatez do próprio líder do grupo de advogados, Marco Aurélio de Carvalho, que se ofereceu para defender Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na CPI do INSS.

Na semana passada, o ilustre causídico deu entrevista à revista petista Fórum e desancou a TV Globo, afirmando que a emissora está retomando os velhos métodos da Lava Jato e usa a imagem do filho para desgastar o presidente Lula e evitar sua reeleição.

ATAQUE AO JN – Carvalho desancou o Jornal Nacional, por ter exibido uma reportagem baseada a partir de “uma coincidência entre repasses de Antônio Carlos Camilo Antunes, o ‘Careca do INSS’, à empresa de uma amiga de Lulinha e pagamentos feitos por ela para uma agência de viagens”.

O advogado acusou a emissora de se associar ao bolsonarismo para repetir os tempos ‘tenebrosos’ da Lava Jato: “A Globo está tentando desgastar o governo atingindo a imagem do filho do presidente para novamente, de uma forma absolutamente inadequada, retomar o tema da corrupção”, afirmou Carvalho.

O resultado? É claro que Lula ficou furioso e obrigou o advogado a dar outra entrevista, no dia seguinte, para tentar diminuir o estrago provado pelo ataque gratuito à maior rede de comunicação do país. Porém, o mal já estava feito.

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P.S. – Já dissemos aqui que o falso defensor de prerrogativas mostra ser irresponsável e inconsequente, não tem a menor noção de política. Se tivesse um mínimo de discernimento, não compraria uma briga aberta contra a Organização Globo em pleno ano eleitoral. Com isso, vai dar uma ajuda formidável a Flávio Bolsonaro, do PL, e a Ratinho Júnior, do PSD, que devem ser os principais adversários de Lula. Comprem pipocas. (C.N.)

PGR denuncia Silvio Almeida ao STF por importunação sexual contra Anielle Franco

Processo está sob sigilo e tem Mendonça como relator 

Jeniffer Gularte
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou o ex-ministro dos Direitos Humanos do governo Lula, Silvio Almeida, ao Supremo Tribunal Federal (STF) por importunação sexual à ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. O processo está sob sigilo na Corte e tem como relator o ministro André Mendonça. Assinada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, a denúncia foi apresentada em 4 de março. Silvio Almeida nega as acusações.

Em novembro do ano passado, a Polícia Federal indiciou o ex-ministro por importunação sexual. Quando o caso foi divulgado, em 2024, Almeida negou qualquer acusação. A defesa de Almeida foi procurada e optou por não se manifestar.

“INSUSTENTÁVEL” – Almeida é investigado em um inquérito que apura se ele cometeu o crime contra algumas mulheres, entre as quais ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. À época, o presidente considerou “insustentável” a permanência do ministro diante da gravidade das denúncias e o demitiu do cargo.

Em depoimento à PF na condição de vítima, Anielle relatou aos investigadores que foi alvo de atitudes desrespeitosas e importunações desde a época da transição de governo, no fim de 2022. O ato mais ousado teria ocorrido em uma reunião oficial ocorrida em maio de 2023 na qual Almeida se sentou ao lado de Anielle.

POR BAIXO DA MESA – Ela afirmou que o então ministro colocou a mão nas suas pernas por baixo da mesa. O encontro contou com a participação de pelo menos outras onze pessoas, entre elas o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil, Tiago Pereira. O depoimento de Anielle ocorreu em outubro de 2024.

Em setembro de 2024, a organização Me Too Brasil divulgou um texto, confirmando ter recebido denúncias de mulheres contra Almeida. Elas não quiseram se identificar. “Elas foram atendidas por meio dos canais de atendimento da organização e receberam acolhimento psicológico e jurídico”, dizia a nota da entidade.

Bolsonaro segue na UTI sem previsão de alta e defesa pede prisão domiciliar

Bolsonaro tem evolução clínica favorável

Deu no G1

O ex-presidente Jair Bolsonaro apresenta evolução clínica favorável, sem intercorrências, mas segue sem previsão de alta hospitalar. A informação consta no boletim médico divulgado neste sábado (21) pelo hospital DF Star, em Brasília, onde o ex-presidente está internado desde o início da semana.

Segundo o documento, Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração.

TRATAMENTO ODONTOLÓGICO – Diz ainda que o ex-presidente iniciou tratamento odontológico devido a dor na região mandibular direita. “Segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora”, informa o hospital.

O ex-presidente, que cumpre prisão no 19º Batalhão da Polícia Militar no Distrito Federal, conhecido como Papudinha, por tentativa de golpe de Estado, passou mal e precisou ser levado ao hospital.

Após a internação do ex-presidente no hospital, a defesa dele apresentou novo pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de concessão de prisão domiciliar para Bolsonaro. No pedido, os advogados solicitaram que Moraes reconsiderasse a decisão anterior que rejeitou a prisão domiciliar para o ex-presidente.

SAÚDE DE BOLSONARO – Essa não é a primeira vez que Bolsonaro passa mal desde que foi preso. Em setembro do ano passado, por exemplo, quando ainda estava em prisão domiciliar, ele precisou de atendimento médico. Na época, ele apresentou quadro de vômitos, tontura e queda da pressão arterial.

Já em janeiro deste ano, quando estava detido na Superintendência da Polícia Federal, o ex-presidente precisou ser internado depois de passar mal e bater a cabeça em um móvel da cela.

Nesse mesmo mês, o ex-presidente foi transferido para a Papudinha, a pedido dos advogados dele. A unidade conta, entre outras coisas, com apoio de fisioterapia e de médicos 24 horas, barra de apoio na cama e cozinha.

ÍNTEGRA DO BOLETIM MÉDICO

“O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva do hospital DF Star em tratamento de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de episódio de broncoaspiração. Apresenta evolução clínica favorável, sem intercorrências. Iniciou tratamento odontológico devido a dor na região mandibular direita. Segue com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora. No momento, sem previsão de alta hospitalar”.

Gilmar exige respostas sobre pagamentos milionários no Ministério Público do RJ

Gilmar dá ultimato a procurador-geral do Rio

Felipe de Paula
Estadão

O ministro Gilmar Mendes cobrou novamente, o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, para que explique a liberação de pagamentos que chegaram a R$ 270 mil a promotores e procuradores do Ministério Público fluminense, ao arrepio de decisão do próprio decano do Supremo Tribunal Federal que, em 23 de fevereiro, suspendeu novos repasses de vantagens e benefícios não autorizados em lei federal, em ofensiva contra os penduricalhos no funcionalismo. Essa é a terceira vez, em três semanas, que Gilmar exige informações do chefe do Ministério Público do Rio sobre desembolsos excepcionais.

O Ministério Público do Rio pagou, nos dois primeiros meses do ano, R$ 289 milhões a procuradores e promotores a título de indenizações por licença não gozada, penduricalho apontado como uma das principais alavancas dos contracheques milionários no Judiciário e nas procuradorias. Em janeiro, foram liberados R$ 65 milhões, e, em fevereiro, o valor saltou para R$ 223 milhões – aumento de 243% de um mês para o outro.

AUTORIZAÇÃO – No despacho, Gilmar atestou que “em um dos documentos apresentados nestes autos, consta autorização para pagamento de ‘indenização por licença não usufruída por acumulação de acervo’, assinada pelo procurador-geral de Justiça às 20h27min do dia 25 de fevereiro de 2026, posteriormente, à decisão por mim proferida em 23 de fevereiro de 2026 e antes da decisão que, em 26 de fevereiro, harmonizou os prazos anteriormente assinalados”.

“A última página desse mesmo documento consubstancia o demonstrativo de pagamento emitido pelo Banco Itaú, no qual consta o creditamento, em 25 de fevereiro, do valor de R$ 188.629,17 na conta de um único membro”, assinala o ministro, acrescentando que “o pagamento de tal montante chama atenção, notadamente diante da ausência de especificação dos valores.”

A terceira determinação de Gilmar ao chefe do Ministério Público no espaço de apenas três semanas exige “informações complementares, a serem prestadas no prazo de 72 horas, as quais deverão ser apresentadas de forma completa, clara e adequadamente fundamentada, com a exposição precisa dos elementos fáticos pertinentes”.

RESPOSTAS EVASIVAS – O decano proibiu “respostas evasivas, formulações ambíguas ou qualquer expediente que dificulte a exata compreensão da realidade examinada, tudo em estrita observância aos deveres de lealdade, boa-fé e cooperação processual”.

O ministro já havia advertido que uma eventual violação de sua determinação, autorizando novos contracheques acima do limite constitucional, ficará passível de sanções disciplinares e até criminais, além da obrigação de devolução do montante pago.

Em 8 de março, Gilmar determinou que o Ministério Público do Rio apresentasse dados detalhados sobre os penduricalhos de integrantes do órgão nos primeiros meses de 2026, sob pena de punição disciplinar. O ministro também deu prazo de 72 horas para o envio das informações. Segundo ele, as justificativas preliminares encaminhadas ao Supremo no dia 27 de fevereiro eram insuficientes para comprovar o cumprimento de decisões anteriores da Corte.

“MIXÓRDIA” – No dia 26 de fevereiro, a sessão no Plenário do STF debatia a ‘mixórdia’ de penduricalhos, segundo palavras do ministro Flávio Dino. Nessa sessão, o próprio ministro declarou ter recebido mensagens relatando suposto pagamento fora do teto constitucional que teria sido autorizado pelo procurador-geral de Justiça do Rio. Dino observou que ‘não sabia se era verdade’.

Na ocasião, a Procuradoria fluminense informou ao Estadão que “jamais autorizou qualquer pagamento com inobservância do teto remuneratório constitucional”. “Nossas práticas e rotinas administrativas, particularmente no que concerne à despesa pública, são pautadas pela absoluta observância à legalidade e à transparência.”

Metade do STF vê Fachin isolado e crise de credibilidade se aprofunda no tribunal

Saúde de Bolsonaro pressiona STF e abre caminho para prisão domiciliar

Falsa delação de Vorcaro serve para pedir ao Vaticano a “canonização” de Moraes

Charge do Kleber Sales (Correio Braziliense)

Vicente Limongi Netto

Coelho da Páscoa é mais verdadeiro do que a apregoada e badalada delação premiada do facínora Daniel Vorcaro. Ano eleitoral não aguentaria ver jogados às feras tantos pedaços de impolutos homens públicos e togados. E bem expostos em praças públicas. Como restos de comida dado aos porcos. Seria teste duríssimo para a democracia.

O novo, tinhoso e famoso advogado de Vorcaro já foi ao Supremo conversar com o presidente Edson Fachin, para ajeitar as coisas. Foi logo tranquilizando Fachin, ao dizer que os aguardados escândalos que sairão da boca suja de Vorcaro não atingirão ministros da Suprema Corte. Mas será mesmo?

SEM PUDOR – Reforçando o amor profundo que os ministros do Supremo nutrem entre si, ninguém é deixado no desvio, a complacência é ampla e absoluta.

A propósito, Fachin e Gilmar aproveitaram os 9 anos de Moraes no STF para comovente festival de imerecidos elogios ao polêmico e puro Xandão. Ninguém no plenário ficou corado nem contestou. Foi marcante e exemplar amor entre togados de bem.

Recados dados, Fachin e o decano Gilmar Mendes preparam documento para enviar ao Vaticano para canonizar Alexandre de Moraes. O imaculado Xandão corre o risco de virar altar nas igrejas. E o próximo nome da lista para virar santo é Dias Toffoli. 

Uma canção de amor e protesto, feita para o filme Dona Flor e “Seus Dois Maridos”

Tribuna da Internet | O homem de amanhã inspira o Primeiro de Maio de Chico e Milton

Milton e Chico gravaram em dueto esta música

Paulo Peres
Poemas & Canções

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, na música “O Que Será (À Flor da Pele)”, usou temas diferentes para fazer uma letra rebuscadíssima. Na primeira estrofe, “O Que Será”, refere-se ao período da ditadura militar,  quando tudo era censurado e vivia-se um clima de repressão. 

Já a segunda estrofe “O que será (À Flor da Pele)”, foi feita para o filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, razão pela qual fala de sexo, mas de forma sensível e romântica, ou seja, mostra o desejo e a necessidade do amor literalmente à flor da pele. A música foi gravada por Chico Buarque, cantada em dueto com Milton Nascimento, no LP Meus Caros Amigos em 1976, pela Phonogram.

O QUE SERÁ (À Flor da Pele)
Chico Buarque

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho…

O que será, que será?
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos…

Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido…

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo…

II

O que será que me dá
Que me bole por dentro, será que me dá
Que brota à flor da pele, será que me dá
E que me sobe às faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atraiçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
E que nem é direito ninguém recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e que não devia
Que desacata a gente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os unguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
E nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus órgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem juízo     

Em alta nas pesquisas, Flávio Bolsonaro adia divulgação de plano de governo

Estratégia eleitoral foi revista para evitar ataques

Raphael Di Cunto
Thaísa Oliveira
Carolina Linhares
Folha

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adiou a divulgação de seu plano de governo para a Presidência. A campanha planejava anunciar as linhas gerais do programa no próximo dia 30, durante um evento em São Paulo, mas a estratégia foi reavaliada, segundo aliados, diante do crescimento dele nas pesquisas e para evitar que as propostas sejam usadas para atacá-lo.

O documento terá diretrizes para economia (sobretudo a área fiscal), educação, segurança hídrica e terras indígenas. Aliados defendem, no entanto, que a divulgação ocorra apenas no período de escolha e registro das candidaturas, entre 20 de julho a 5 de agosto, mas esse prazo ainda pode ser revisto se surgirem novos fatos na pré-campanha que justifiquem o lançamento do programa.

ALTA NAS PESQUISAS – Na visão de integrantes da campanha, Flávio vive um bom momento, com alta nas pesquisas e lançamento de candidatos aliados nos estados, e que não há a necessidade de um fato novo, como a divulgação das diretrizes do programa —que poderia atrair apoio do mercado, mas também causar ruídos.

A mais recente pesquisa do Datafolha, divulgada em 7 de março, mostrou Flávio empatado tecnicamente com Lula (PT) em simulação de segundo turno: o presidente tem 46% ante 43% do rival. Inicialmente, a oposição planejava usar o plano de governo para mostrar que Flávio é um candidato consistente e que chegaria ao poder mais preparado do que o pai, com um programa claro do que seria feito nos primeiros dias. O exemplo usado na campanha é a gestão de Javier Milei na Presidência da Argentina, mas com um plano menos radical.

TRAÇÃO – O plano de governo serviria, na visão inicial do PL, para dar tração à pré-candidatura do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi escolhido pelo pai como sucessor apesar da resistência do centrão, do agronegócio e do mercado financeiro, que preferiam que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), fosse o candidato da direita.

O documento está sendo desenhado há cinco meses, com consulta a especialistas e formatação pela consultoria GO Associados. O grupo é liderado pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), com coordenação do ex-deputado tucano e engenheiro Eduardo Cury, pré-candidato a deputado federal pelo PL. O cardápio elenca medidas com apelo popular e outras com diagnóstico sobre problemas a serem enfrentados.

A ideia original do plano, além de fazer promessas de cunho eleitoral, é tratar de temas difíceis, como o déficit da Previdência, deficiências na reforma tributária e a legislação trabalhista, para que a campanha receba um aval da população para propor reformas nessas áreas caso Flávio seja eleito.

CRESCIMENTO – A avaliação, no entanto, é de que Flávio já cresceu nas pesquisas o suficiente para tornar sua candidatura um fato consumado, o que demoveu apoiadores de Tarcísio da ideia de que o governador ainda pudesse se candidatar à Presidência —o prazo para que renuncie ao cargo com este objetivo acaba em 4 de abril.

Apresentar o plano de governo neste cenário, afirmam dois interlocutores da campanha, só servirá para que o pré-candidato seja atacado pelo PT. Um dos exemplos foi a exploração pela esquerda de declarações do coordenador da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), sobre a necessidade de revisitar as reformas da Previdência e trabalhista.

“O modelo está estourando. Só posso dizer que a gente vai ter que revisitar a Previdência. A trabalhista tem que ser revisitada, porque a reforma de 2017 foi mitigada por várias decisões judiciais. Ao mesmo tempo, ela precisa ser atualizada pelas inovações tecnológicas, pelas novas formas de trabalho que estão crescendo”, afirmou, em entrevista à Folha há duas semanas.

ATAQUES – As falas foram usadas por nomes de esquerda para se contratar à pré-candidatura da oposição. “O plano de governo de Flávio Bolsonaro é atacar trabalhador e aposentado”, diz um dos vice-líderes do governo Lula na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), em vídeo divulgado nas redes sociais.

Para evitar dar munição a Lula, a coordenação da campanha decidiu postergar a divulgação do programa. Marinho afirma que Lula ainda não apresentou seu plano para um novo mandato. “A ministra [do Planejamento] Simone Tebet disse em 2025, quando da apresentação da LDO [Lei de Diretrizes Orçamentárias], que o arcabouço fiscal aprovado em 2023 já estava falido e que o governo só divulgaria um novo regime depois da eleição. Por que temos que apresentar o nosso agora?”, questiona. “Um plano de governo precisa ser confrontado com o outro.”

PALANQUES REGIONAIS -. Além disso, de acordo com interlocutores da campanha, o pré-candidato do PL ainda não tomou conhecimento de todas as propostas e teve a primeira reunião para discutir o plano de governo apenas na segunda-feira (16). O esforço no momento é a construção dos palanques regionais, com o fim da janela para escolha de partido no próximo dia 4.

O crescimento do senador nas pesquisas também fez com que especialistas e políticos antes “em cima do muro” já demonstrassem mais disposição para apoiá-lo. Essas contribuições também devem ser incorporadas ao plano de governo, o que demandará mais tempo para discussão.

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