Lula jamais dirá “esqueçam o que falei”, porque ele é como o Papa e nunca erra

JOSÉ PEDRIALI: Lula é um homem honesto

Charge do Mariano (Charge Online)

Demétrio Magnoli
Folha

“Esqueçam o que escrevi”. A suposta frase de FHC, parte do folclore político nacional, ganha agora uma versão lulista implícita. “Esqueçam o que falei” —eis a mensagem veiculada por Lula em eventos de campanha de seus aliados na frente amplíssima contra Bolsonaro. A militância de esquerda resiste a ela, pois aprendeu uma lição diferente.

Alckmin já se acostumou às vaias da galera, que só cessam quando Lula começa a discursar. Danilo Cabral (PSB), candidato ao governo de Pernambuco, ouviu os apupos, até ser resgatado por um abraço do candidato presidencial. A hostilidade estende-se a diversos estados, notadamente o Amazonas, onde o PT apoia Eduardo Braga (MDB) e Omar Aziz (PSD), respectivamente para o governo e o Senado, e o Mato Grosso, onde o PT alinhou-se ao ruralista Neri Geller (PP), que almeja o Senado.

MALVADOS NEOLIBERAIS – Num passado mais remoto, antes e durante seus governos, Lula ensinou à militância que a corrente de centro-esquerda do PSDB (isso existiu!), organizada ao redor de FHC e Serra, reunia malvados “neoliberais”. A lição era o alicerce da estratégia de poder lulista, na qual também cabia a formação de uma base parlamentar fisiológica com a centro-direita.

Num passado mais recente, marcado pelo impeachment de Dilma Rousseff, Lula ensinou que todos, exceto o PT e seus satélites, deviam ser classificados como “golpistas” e (claro!) “neoliberais”.

O discurso adaptava-se à estratégia de resistência destinada a agrupar as tropas da esquerda num bastião ideológico inexpugnável.

MUDANDO DE IDEIA – Hoje, Lula deve lançar tudo o que disse à proverbial “lata de lixo da História” – sem, contudo, incorrer no pecado de uma revisão explícita. Na estratégia da frente amplíssima, cabe todo mundo, exceto os fieis bolsonaristas dos dias derradeiros.

O inimigo do passado converte-se no camarada de campanha do presente. A militância precisa desistir de seus candidatos do coração e distribuir o panfleto do aliado “golpista”. Queima o que adoraste, adora o que queimaste!

A costura da frente sem limites é um gesto de sabedoria política. Seu objetivo inicial é encerrar a fatura no primeiro turno, evitando a disputa binária, com seus (mínimos) riscos eleitorais e suas (perigosas) ameaças institucionais. O objetivo mais amplo é construir uma maioria governista capaz de restaurar a normalidade democrática.

NO TAPETE MÁGICO – Há 20 anos, Lula chegou ao Planalto no tapete mágico de uma democracia funcional. O cenário atual é diametralmente oposto. Para governar, será indispensável cumprir três tarefas prévias: a) secar as fontes da anarquia bolsonarista nos quartéis, indicando um civil para o Ministério da Defesa; b) recuperar a prerrogativa do Executivo de gerir o orçamento público, dissolvendo o “orçamento secreto”; c) redirecionar a atividade política para o Congresso, despolitizando o STF, a PGR e o Ministério Público.

Nada disso será possível com o suporte exclusivo da frente de esquerda – ou seja, por meio da aliança exclusivista PT-PSOL-PCdoB. O tríplice trabalho de Hércules exige um extenso consenso nacional: o pacto “com o diabo e a avó do diabo”, na frase célebre do socialista alemão August Bebel. A militância, porém, insiste nas narrativas da caverna, que assimilou como artigos sagrados de fé ideológica.

NAS REDES SOCIAIS – A desconexão entre os atos (de Lula) e as palavras (da militância) esparrama-se pelas inquietas redes sociais.

Nelas, o militante típico insulta eleitores indecisos e oscilantes seguidores de Ciro Gomes, responsabilizando-os por “crimes” inafiançáveis como o impeachment de Dilma ou o triunfo de Bolsonaro. Por essa via, desenrola-se uma campanha eleitoral paralela que, sabotando a campanha oficial, realimenta o antipetismo.

“Esqueçam o que falei”. Lula não dirá a frase proibida, pois o papa jamais se equivoca. A campanha dúplice seguirá até o final. Para sorte do PT, o adversário é Bolsonaro.

 

Marcha para Jesus no Rio de Janeiro vira comício de Bolsonaro e seus candidatos 

Bolsonaro diz em evento que Brasil está "condenado a ser cristão"

Bolsonaro disse que o Brasil está “condenado a ser cristão”

Bruna Lima
Metrópoles

A Marcha para Jesus, que acontece na tarde desde sábado (13/8) no Rio de Janeiro, se tornou um comício de Jair Bolsonaro e seus candidatos no estado. Os pastores organizadores, entre outros, foram Silas Malafaia e Cláudio Duarte.

O trio elétrico principal, que transporta seis pastores do Conselho de Pastores do Rio de Janeiro (Comerj) é o trio de Bolsonaro, Cláudio Castro e seus candidatos. Antes da fala do presidente, um dos pastores puxou “mito”.

EM PLENA CAMPANHA – Entre os candidatos, estavam presentes Max Guilherme, Hélio Negão, Thiago Gagliasso, Sóstenes Cavalcante, Major Fabiana e Waldir Ferraz. Clarissa Garotinho, candidata ao Senado pelo União Brasil, também estava no trio, sem se desgrudar da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Durante a marcha, Malafaia e Duarte oraram quatro vezes por Bolsonaro e Castro. Michelle orou uma vez pelo “avivamento” da nação. O trio estava cercado de bandeiras do Brasil.

O público presente carregava bandeiras do Brasil, algumas pessoas usavam blusas de Bolsonaro e santinhos de candidatos bolsonaristas estavam sendo distribuídos.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Já era esperado que os evangélicos pentecostais evoluíssem para chegar ao poder ao Brasil. O escolhido foi o bispo Marcelo Crivella, mas fracassou redondamente. Bolsonaro então sacou o lance e foi em frente. Em 2016, viajou com os filhos para Israel, para ser batizado pelo pastor Everaldo Pereira nas águas turvas do Rio Jordão. O pastor era criador e dono do PSC, ao qual Bolsonaro se filiou, mas percebeu o oportunismo do capitão e lhe negou a legenda para a candidatura a presidente em 2018. Bolsonaro saiu atrás de um partido, tentou o Patriota, não deu certo, na undécima hora arranjou o esquálido PSL, levou a facada e se tornou o primeiro pentecostal a ser presidente, tipo Viúva Porcina, pois nunca foi evangélico nem aqui nem na China. E vida que segue, diria João Saldanha. (C.N.)

Bolsonaro não revela se fez rachadinhas, mas alega: “É uma prática meio comum”

Bolsonaro se esquiva de responder se fez 'rachadinha': 'É uma prática meio comum'

Bolsonaro admite que “sobram poucos” que não fizeram

Daniel Gullino e Jeniffer Gularte
O Globo

Menos de uma semana após dar uma entrevista de mais de cinco horas ao podcast Flow, o presidente Jair Bolsonaro repetiu a estratégia ontem, ao participar por quase três horas de uma entrevista com o jornalista Rica Perrone, do canal de Youtube Cara a Tapa. Apesar da conversa ter ocorrido em tom amigável, também houve questionamentos mais duros.

Bolsonaro inclusive evitou responder um deles: se já praticou a “rachadinha”, como é chamado o esquema de obrigar os servidores a devolver parte do salário.

HOUVE PIADAS – Durante a conversa, entre perguntas sobre a eleição e a pandemia de Covid-19, houve espaço para piadas entre os dois, muitas delas homofóbicas ou gordofóbicas.

O tema da “rachadinha” foi levantado já no fim da entrevista. Bolsonaro disse que a “prática é meio comum” em gabinetes de políticos, mas afirmou que não iria falar do seu próprio caso. O esquema consiste em obrigar os seus funcionários a devolver parte do seu salário.

— É uma prática meio comum, concordo contigo. É meio comum. Não só no Legislativo, não. Também no Executivo. Até no outro Poder também. Cargo de comissão, você pode colocar quem você bem entender.

SOBRA POUCA GENTE – Perrone perguntou se “sobraria” alguém na política que não cometeu a “rachadinha”, e o presidente disse: — Sobra pouca gente.

O entrevistador, então, questionou diretamente se o presidente iria “sobrar”. — Não vou falar de mim. Sou suspeito para falar de mim. Você não tem servidor meu falando que, denunciando…

Um dos filhos, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), é investigado por essa suspeita e chegou a ser denunciado, mas o caso teve que ser reiniciado. O Ministério Público também já disse ter visto “indícios suficientes” de um esquema de de “rachadinha” no gabinete do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Além disso, como o GLOBO revelou, alguns dos servidores suspeitos de serem fantasmas no gabinete de Flávio e de Carlos também trabalharam para Bolsonaro quando ele era deputado federal.

ALEGAÇÃO DE QUEIROZ – Na entrevista, Bolsonaro também disse que muitos políticos realizam a prática para poder contratar mais pessoas. Essa foi uma das justificativas apresentadas por Fabrício Queiroz, suspeito de operar o esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio, ao Ministério Público.

— Muitas vezes o cara faz isso para poder pagar mais gente. Você pode ver… Quando cheguei em Brasília, você podia botar até 15 assessores, mais ou menos. O tempo foi passando, até eu sair em 2018, eram 25. Qual a intenção? Evitar isso daí.

Na entrevista, Bolsonaro não admitiu nenhum erro de sua administração. Disse que o governo enfrentou pandemia, guerra e seca, mas citou “possíveis falhas” entre as quais a negociação com o Congresso, que, segundo ele, poderia ter sido melhor.

POSSÍVEIS FALHAS – Disse Bolsonaro: — Não vejo erro, mas possíveis falhas. Os ministros são muito técnicos, maioria com experiência zero na política. Negociação com parlamento poderia ter sido melhor. Já melhorou bastante, coloquei o Ciro (Nogueira, ministro da Casa Civil), melhorou bastante a conversa com o parlamento, pessoa que tem dado conta do recado.

Em outro momento, Bolsonaro foi questionado sobre a operação do FBI na mansão do ex-presidente americano Donald Trump, seu aliado. Trump é suspeito de ter descumprido a Lei de Espionagem, por ter levado para casa documentos confidenciais.

Bolsonaro disse que não conversou com Trump e minimizou a suspeita: — Tenho liberdade de conversar com Trump, mas não liguei para ele. Teve uma busca e apreensão, essa? Foram buscar papeis lá, secretos, sigilosos, que teria sido guardado com ele. Agora, um presidente, você não precisa de papéis. Eu tenho informações privilegiadas, vão fazer o que? Vão me prender agora? — disse o presidente.

SEM CORRUPÇÃO – Bolsonaro voltou a dizer que não há corrupção em seu governo e citou que a investigação sobre os pastores que atuavam como lobistas no Ministério da Educação tinha como objetivo atingir os evangélicos, base eleitoral do presidente.

— Quantos casos tivemos em nosso governo? Nada. Ah, um pastor queria fazer não sei o que lá. É um pastor, para atingir os pastores, para atingir os evangélicos. Tem alguma mala de dinheiro? Teve alguma coisa? Se aparecer algo errado a gente colabora com a investigação. Até o momento não tem. Pode aparecer? Pode aparecer. Não tem corrupção, fechamos a torneira.

Durante a transmissão, Bolsonaro recebeu uma bola de futebol do ator Thiago Gagliasso, irmão do ator Bruno Gagliasso, e candidato a deputado estadual pelo PL no Rio de Janeiro. Segundo o ator, o presente foi autografado por Neymar.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Um dos personagens criados por Jô Soares dizia: “Tem pai que é cego”. No caso da corrupção no governo de Bolsonaro, podemos parodiar, dizendo: “Tem presidente que é cego”. Desse jeito, Bolsonaro vai ganhar o troféu Óleo de Peroba. (C.N.)

Ministério da Defesa afirma que supersalários “apresentam incorreções” no portal do governo

Charge: supersalários na Administração Pública | Blog do Tarso

Charge do Jean Galvão (Arquivo Google)

Taísa Medeiros
Correio Braziliense

Em resposta ao pedido de posicionamento enviado pelo Correio acerca do levantamento divulgado na quinta-feira pelo deputado federal Elias Vaz (PSB-GO), o Ministério da Defesa informou, em nota, que os “totais dos valores individuais, mencionados nas matérias, apresentam incorreções, pois somaram informações simultâneas de contracheque e de Ordem Bancária lançadas no Portal da Transparência”, explicaram os militares.

Além disso, o órgão detalhou que os valores divulgados “referem-se à remuneração mensal e a indenizações pontuais e a atrasados. Essas indenizações são relativas ao recebimento de férias não usufruídas ao longo da carreira, ou a outros direitos, que são calculados na ocasião da passagem dos militares para a reserva”, diz a nota.

SUPERSALÁRIOS – O levantamento realizado pelo deputado apontou que militares da ativa, inativos e pensionistas receberam, no ano de 2020, pagamento de supersalários na forma de remunerações extraordinárias — alguns chegando a ser superiores a R$ 1 milhão.

O grupo das Forças Armadas inclui aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL), como o candidato a vice na chapa de reeleição e ex-ministro da Defesa, Walter Braga Netto; o ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque; e o atual ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos.

O Ministério da Defesa ainda ressaltou, na nota, que “as Forças Armadas cumprem, rigorosamente, a legislação que rege o pagamento de seus militares e servidores civis. Os valores são lançados no Portal da Transparência e são submetidos à fiscalização dos órgãos de controle”.

PEDINDO EXPLICAÇÕES – Devido aos valores revelados, o deputado Elias Vaz também apresentou na quinta (11/8) um requerimento ao ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, pedindo explicações sobre os pagamentos.

No requerimento, o parlamentar pede o detalhamento dos pagamentos extraordinários, feitos em quatro frentes: remuneração básica bruta, férias, outras remunerações eventuais e verbas indenizatórias registradas no sistema de pessoal militar.

As parcelas foram pagas de duas formas ao longo de 2020: pagamentos integrais em um único mês ou divididos em duas ou três parcelas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Está difícil explicar essa libertinagem com recursos públicos para oficiais generais. A farra do boi fardado atingiu as três Armas. E o recordista é um ex-comandante da Aeronáutica, o brigadeiro Juniti Saito, que emboldou R$ 1,4 milhão. Vamos voltar ao assunto, com mais detalhes. (C.N.)

Piada do Ano! Roberto Jefferson pede ao TSE registro de candidatura à Presidência

Jefferson, no vídeo em que apareceu na convenção do PTB

Kevin Lima
g1 — Brasília

O PTB apresentou nesta sexta-feira (12) ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o pedido de candidatura do ex-deputado federal Roberto Jefferson à Presidência da República. A chapa tem Padre Kelmon (PTB) como candidato a vice-presidente. O relator do processo no TSE será o ministro Carlos Horbach. O ex-deputado declarou ao tribunal ter R$ 745.323,41 em bens.

Jefferson foi anunciado pela sigla como candidato no último dia 1º após convenção nacional, em um hotel de Brasília. O político não compareceu ao evento porque está em prisão domiciliar.

NA CADEIA – O ex-deputado foi detido pela Polícia Federal em agosto de 2021 por ordem do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito sobre suposta organização criminosa atuando nas redes sociais para atacar a democracia. Em janeiro, Moraes permitiu a ele o cumprimento da prisão domiciliar.

Em vídeo gravado, Roberto Jefferson defendeu a candidatura como uma forma de preencher alguns nichos de opções ao eleitorado direitista”. No entanto, ele disse não “inibir” que filiados ao PTB apoiem Bolsonaro.

“Sou fã das ideias de Bolsonaro. Ele defende os mesmos valores e bandeiras do nosso PTB […] Nossa ação não se opõe a Bolsonaro, confronta a abstenção […] Não desejo inibir nenhum companheiro que deseja apoiar, no partido, o Presidente à sua reeleição. Apoie. Ao final, estaremos juntos”, disse.

INELEGIBILIDADE – O registro no TSE é o último passo para a oficialização de uma candidatura – o prazo se encerra na próxima segunda (15). Com a apresentação do registro, a Receita Federal ficará apta a fornecer um número de CNPJ à chapa, que poderá arrecadar recursos e pagar despesas necessárias à campanha eleitoral.

Apesar da iniciativa, membros do partido admitem que há chance de a candidatura de Jefferson não prosperar. Segundo especialistas em direito eleitoral consultados pelo g1, em teoria, Roberto Jefferson poderia disputar as eleições mesmo cumprindo prisão domiciliar, uma vez que ele não foi condenado.

Há, no entanto, divergência quanto a uma condenação sofrida por ele em 2012. Naquele ano, o agora candidato do PTB ao Planalto foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do mensalão. Ele havia delatado o esquema em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” em 2005.

SAIU NO INDULTO – O ex-deputado foi preso em fevereiro de 2014 para cumprimento de uma pena de 7 anos e 14 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Com base em um indulto natalino editado pela então presidente Dilma Rousseff (PT) no final de 2015, a defesa do ex-deputado solicitou o perdão da pena ao STF em 2016. O perdão foi concedido em março pelo ministro Luís Roberto Barroso.

Na avaliação de alguns especialistas, apesar de a condenação ter sido perdoada, a inelegibilidade continuaria valendo, com base na Lei da Ficha Limpa.

NA FORMA A LEI – A norma estabelece que candidatos condenados em ações criminais — por decisão colegiada de um grupo de juízes ou por decisão sem mais direito a recurso (transitada em julgado) — devem ser considerados inelegíveis. Ou seja, estão impedidos de participar de eleições.

Segundo a lei, candidatos condenados ficam inelegíveis a partir da data da condenação pelo colegiado, mesmo podendo recorrer da decisão. Após o cumprimento da pena, a inelegibilidade se estende por mais oito anos.

O entendimento do Tribunal Superior Eleitoral é no sentido de que o indulto não afasta os efeitos da inelegibilidade”, explicou o advogado Bruno Rangel, Avelino ex-presidente da comissão de Direito Eleitoral da OAB-DF.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Roberto Jefferson é como Bolsonaro e gosta de fazer piadas. Desta vez, não tem nenhuma graça. (C.N.)

Bolsonaro, Moraes e os militares armam um faroeste caboclo na véspera da eleição

Arquivo para Charges - Página 12 de 135 - Sindicato dos Bancários de Porto  Alegre e RegiãoMalu Gaspar
O Globo

Os gabinetes de Brasília andam agitados com a possibilidade de uma trégua na guerra pública entre Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes em torno da segurança das urnas eletrônicas. Os líderes do Centrão dizem que a negociação é promissora. Moraes colocou assessores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que ele passará a presidir na semana que vem, para avaliar como atender a um ou outro pedido das Forças Armadas e tentar desanuviar o ambiente.

Os militares já cantam vitória nos bastidores. “Quando um não quer, dois não brigam”, me disse ontem um empolgado auxiliar militar do presidente a quem questionei sobre o assunto.

FILME DE CAUBÓI – Na superfície, a situação parece bem encaminhada. Nas internas, porém, é como se estivéssemos assistindo a uma cena de duelo em filme de caubói.

Só que, neste caso, os protagonistas mantêm uma das mãos com a arma engatilhada, enquanto a outra fica desimpedida, para o caso de um acordo. O desfecho ninguém é capaz de prever, mas nem o contexto e nem o histórico dos envolvidos autorizam otimismo.

Um dos políticos que mais conhecem Jair Bolsonaro, o filho e senador Flávio (PL-RJ), já disse aos mais chegados que não acredita em acordo porque não confia em Moraes.

COINCIDÊNCIA – Versado em análises de pesquisas, ele sabe que o eleitor médio não quer saber de ataques às urnas e ameaças golpistas, e sim de ter mais emprego, pagar as dívidas e colocar comida na mesa da família.

Mas acha coincidência demais que o sorteio do TSE tenha delegado o processo de registro da candidatura do presidente justamente a Moraes, que também comanda o inquérito das fake news e das milícias digitais no Supremo Tribunal Federal (STF).

É como se Flávio e outros bolsonaristas vissem nesse movimento um sinal de que, em vez de acordo, os “surdos de capa preta” estão na verdade preparando uma cilada para o presidente da República.

SETE DE SETEMBRO – Também existe no núcleo ideológico do governo um profundo incômodo com a ideia do armistício com seu inimigo público número um. Não tanto pela possível reação dos seguidores do presidente, que já aceitaram outras guinadas igualmente estranhas no passado.

O que eles não querem é desmobilizar a tração golpista que alimenta o bolsonarismo e certas alas das Forças Armadas às vésperas dos atos de 7 de setembro.

A esta altura, não dá mais para comprar sem um belo desconto o repisado discurso de que os militares são majoritariamente antigolpe e, se necessário, conteriam os impulsos autoritários de Bolsonaro.

EFEITO SANT’ANNA – Não é desprezível a parcela dos fardados que realmente acredita que as urnas eletrônicas estão sujeitas a fraudes e considera que Supremo e TSE fazem parte de um grande conluio para facilitar a volta de Lula ao poder.

O coronel Ricardo Sant’Anna, que integrava o grupo do Exército que fiscalizou o código-fonte das urnas, ao mesmo tempo que disseminava fake news grosseiras contra o sistema, representa o arquétipo desse tipo de militar.

É por isso que, há algumas semanas, quando Moraes topou conversar com os emissários de Bolsonaro — incluindo o ministro da Defesa —, a apreensão maior do Centrão e de figurões do meio jurídico já nem era só que o presidente da República arquitetasse um golpe. Para defender a necessidade de buscar um consenso, falou-se muito naqueles dias no risco de que os próprios militares tentassem assumir o poder por conta própria, deixando Bolsonaro para trás, a pretexto de “limpar” um processo eleitoral contaminado por fraudes.

VENDO ASSOMBRAÇÃO – Pode ser que o pessoal esteja vendo assombração demais no Planalto, mas o fato de esse argumento ter se repetido várias vezes em jantares e conversas reservadas já mostra com que tipo de situação estamos lidando.

Tudo isso só complica ainda mais o cálculo de Moraes. Primeiro, porque não há garantia de que fazer novas concessões realmente desanuviará o clima político.

Afinal, foi uma concessão feita lá atrás — o convite às Forças Armadas para participar da comissão sobre a segurança do sistema — que fez com que eles se sentissem empoderados para levantar infindáveis questionamentos e firulas técnicas que não levam a lugar algum, mas alimentam a narrativa do golpe.

HÁ DÚVIDAS – Entre os interlocutores de Moraes, prospera a versão de que ele atenderia a um ou outro pedido banal para não parecer inflexível e conceder argumento para um recuo dos militares.

Mas quem pode afiançar que, mesmo depois de seus pedidos serem atendidos, eles não encontrarão novos motivos para questionar o sistema eleitoral?

Até agora, o TSE informou publicamente que todos os pleitos que poderiam ter sido atendidos já o foram. Sendo assim, não haveria mais o que ceder. É por isso que também há quem esteja soprando aos ouvidos de Moraes que abrir novos flancos agora seria cometer a distração que falta para o adversário sacar a arma e puxar o gatilho.

Justiça podre! Três dos quatro ministros do TCU que condenaram Deltan foram alvos da Lava Jato

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Nani (nanihumor.com)

Felipe Bächtold e Constança Rezende
Folha

Três dos quatro ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) que votaram por punição ao ex-procurador Deltan Dallagnol e do ex-procurador geral Rodrigo Janot na última terça (9) foram atingidos pela Lava Jato e seus desdobramentos e delações, embora as investigações tenham resultado em escassas consequências contra eles até agora.

Deltan, Janot e o ex-chefe do Ministério Público Federal no Paraná João Vicente Romão foram condenados nesta semana a devolver R$ 2,8 milhões em diárias e passagens pagas à força-tarefa da operação a partir de 2014, quando uma equipe de procuradores foi fixada em Curitiba para se dedicar com exclusividade aos casos da Lava Jato. A decisão, que ainda será objeto de recurso, pode provocar a inelegibilidade dos ex-procuradores.

PERSEGUIÇÃO CLARA – O ex-procurador paranaense, que chefiou a força-tarefa de 2014 a 2020, vem afirmando que o TCU faz perseguição política e tem questionado a credibilidade dos ministros para julgá-lo.

Nas redes sociais, Deltan disse que foi condenado por “delatados na Lava Jato”. Especificamente sobre o relator do caso no TCU, ministro Bruno Dantas, o ex-procurador questionou sua ligação com o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e o acusou de acelerar a tramitação por causa da eleição.

Os outros três ministros que compõem a câmara que expediu a decisão contrária aos ex-procuradores foram investigados em inquéritos relacionados à Lava Jato. Os três têm trajetórias políticas, inclusive com mandatos no Congresso antes da indicação para a corte de contas.

PAI E FILHO – O elo mais direto com apurações da Lava Jato paranaense, de atribuição de Deltan, era do ministro Aroldo Cedraz, cujo filho, o advogado Tiago, chegou a ser alvo de buscas decretadas pelo então juiz Sergio Moro em 2017.

A apuração tratava de suposto recebimento de propina do advogado no exterior em um negócio da Petrobras com a americana Sargeant Marine. Cedraz, porém, não chegou a ser denunciado em Curitiba. Ele e o pai foram formalmente acusados, em 2018, de tráfico de influência pela sucessora de Janot no comando da Procuradoria-Geral, Raquel Dodge.

A denúncia partiu da delação do empresário Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC. Investigadores da Lava Jato chegaram a suspeitar que o ministro havia repassado informações sobre processo de interesse da UTC. No ano seguinte, porém, o STF (Supremo Tribunal Federal) rejeitou a acusação.

NOVA DENÚNCIA – O filho de Cedraz voltou a ser denunciado em 2020, desta vez pela chamada Lava Jato fluminense, que mirava pagamentos feitos por um ex-presidente da federação do comércio do Rio de Janeiro, Orlando Diniz.

A acusação a respeito, com menções também a Aroldo, chegou a ser recebida pelo juiz federal Marcelo Bretas, mas o Supremo anulou as decisões dele, sob a justificativa de que o caso era de atribuição da Justiça estadual, não da federal.

Os procuradores afirmavam que houve desvio de R$ 13,7 milhões de verbas do Sesc-RJ e Senac-RJ para tentar influenciar decisões do TCU. Em abril deste ano, um juiz estadual anulou a colaboração de Diniz.

NA LISTA DE JANOT – Outro dos ministros que votaram no caso e que esteve às voltas com inquéritos da Operação Lava Jato foi Antonio Anastasia, ex-governador de Minas pelo PSDB.

Seu nome constou nas chamadas “listas de Janot”, como foram apelidados os pedidos em série de investigações feitos ao Supremo pelo então procurador-geral, no auge da Lava Jato. Anastasia conseguiu o arquivamento dos três inquéritos públicos no qual tinha sido incluído. O primeiro foi ainda no início da Lava Jato e havia partido de depoimento de um ex-policial que atuava transportando dinheiro para o doleiro Alberto Youssef.

Nesse caso, o próprio Janot acabou considerando que não havia provas e posteriormente solicitou o arquivamento, chancelado pelo STF. Os outros casos eram desdobramentos da delação da Odebrecht, a maior da Lava Jato, que miravam também seu antigo padrinho político, o hoje deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG).

CAIXA DOIS – Relatório da PF de 2021, que indiciou Aécio por suposto caixa dois da empreiteira baiana no pleito de 2014, citava suspeita de financiamento ilegal também à campanha de Anastasia ao Senado. Porém concluiu que não há indícios de “ciência ou participação direta” do hoje ministro do TCU no caso.

Em relação a Augusto Nardes, que também votou pela condenação das ex-autoridades da Lava Jato, também houve inquérito aberto em decorrência de depoimentos de delação.

Em 2018, Nardes foi alvo de um pedido de busca e apreensão da Polícia Federal, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, do STF.

OUTRAS DELAÇÕES – A polícia apreendeu documentos e celulares na casa do ministro do TCU, depois de ele ter sido citado na delação premiada de Luiz Carlos Velloso, ex-subsecretário de Transportes do Rio.

Também houve menções a ele em outros em depoimentos de colaboradores da Lava Jato, que até hoje não se tornaram públicos, como o do ex-deputado federal Pedro Corrêa e o ex-diretor da Petrobras Renato Duque.

Fora da Lava Jato, Nardes foi investigado na Operação Zelotes, sobre suposto esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). O caso ficou sob relatoria do ministro Ricardo Lewandowski no STF, que arquivou inquérito em 2019.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O outro ministro que condenou Dallagnol foi denunciado na delação de Sérgio Cabral de receber R$ 100 mil mensais. Tudo isso demonstra a podridão que envolve a Justiça brasileira, no caso, o TCU, que se transformou em claro instrumento de perseguição política. Os ministros do TCU não conhecem o que significa pudor. Deviam fazer como Lula e tomar aulas de português. (C.N.)

Ao lembrar a importância da Constituição, é preciso enaltecer o relator Bernardo Cabral

Livro em homenagem ao ex-senador Bernardo Cabral é lançado, no AM |  Amazonas | G1

Cabral lutou como um gigante pela democracia

Vicente Limongi Netto

Ventos democráticos do histórico 11 de agosto fortalecem o sol, estimulam a luta por um futuro melhor para todos e iluminam corações. Nesta hora de louvores à Constituição, mãe da democracia e das liberdades, e de cartas defendendo eleições limpas e democráticas, vale a pena recordar e salientar quem se dedicou integralmente de corpo e alma, a elaboração da Carta Magna:  o então deputado federal pelo Amazonas, Bernardo Cabral.

Cabral merece elogios e aplausos dos patriotas autênticos. O parlamentar trabalhou como um mouro, como relator-geral da Constituinte. Bernardo disputou o cargo, em eleições diretas, com o então senador Fernando Henrique Cardoso e com o deputado mineiro Pimenta da Veiga.

MOTIVO DE ORGULHO – A Constituição enche de orgulho os brasileiros. Defende direitos trabalhistas, direitos sociais, individuais e direitos humanos. A carta magna existe para ser cumprida e não mutilada. Cabral foi presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), é membro vitalício do Instituto dos Advogados Brasileiros. Foi senador, por dois mandatos e ministro da Justiça no governo Collor.  Há meses Bernardo Cabral foi homenageado pela OAB Nacional, com discursos de expoentes da magistratura, como o ministro do STF, Luiz Fux e o ministro do STJ, Mauro Campbell.

Membro de diversas entidades culturais, Cabral completou 90 anos e mora no Rio de Janeiro. Feliz e realizado.  Com Zuleide, amor e companheira de uma vida inteira, netos e bisnetos. O filho, Júlio, mora em Manaus, é conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Amazonas.

DEU NA VEJA – Tenho o saudável costume de filtrar e comparar textos meus com textos de colegas. Muitos deles coincidem, na boa apuração, na necessária checagem e na isenta conclusão das personagens ou fatos envolvidos. Nesse sentido, a “Veja” de 10 de agosto traçou o perfil do candidato Ciro Gomes. Com direito a foto na capa. Escreveu a revista, entre outras fraquezas ou qualidades de Ciro: “De temperamento mercurial e conhecido por atirar no próprio pé com suas falas iracundas”.

Mais adiante, a “Veja” salienta: “Muitas vezes deixa-se levar pelo fígado. Em sua quarta tentativa de chegar ao Planalto, o irascível Ciro Gomes corre sério risco de fracassar novamente”. Nessa linha, recordo o que escrevi sobre Ciro Gomes, 31 de julho, aqui na Tribuna da Internet”. O título do artigo, magnífica sacada do editor Carlos Newton, já seria suficiente: “Ciro Gomes gasta energia distribuindo insultos e sempre se julgando melhor do que os outros”.

Contudo, destaco um trecho da minha análise: “O esporte de Ciro Gomes é o insulto. Tem tutano, mas amesquinha-se com achincalhes, ameaças e deboches. Tem hora que parece que vai implodir, de tanta ira e rancor. Ciro cultiva desgastes e infantilmente bate em alvos errados”.

MAIS UM ANO – Saúde para o senador Fernando Collor, que acaba de completar 74 anos de idade nesta sexta-feira, dia 12. 

Com saúde, firmeza, coerência e determinação, Collor continua trabalhando pelos mais necessitados, lutando por uma Alagoas grandiosa e feliz e um Brasil radiante, com oportunidades para todos. E ainda esbanjando otimismo e fé em um futuro melhor para os brasileiros.    

11 de agosto: no combate pela democracia, um histórico encontro de gerações

Ato marca passo significativo de união social em prol da da democracia

Pedro do Coutto

O 11 de agosto de 2022 ficará na história brasileira como um marco eterno da luta pela democracia contra as investidas do governo Jair Bolsonaro, que ameaçam o processo eleitoral e tentam inserir pontos de contestação sobre o que as urnas eletrônicas revelarão em 2 de outubro.

A repercussão, como se esperava, foi imensa, não apenas pelos jornais brasileiros, mas também por publicações internacionais americanas e europeias que deram grande destaque e ressaltaram o conteúdo da iniciativa.

DIRETAS JÁ – Afirmo que o conteúdo da iniciativa somou-se à blindagem pelo regime, podendo ser comparado com a manifestação pelas Diretas Já que reuniram um milhão de pessoas na Avenida Presidente Vargas e também na Avenida Paulista.

Na tarde de quinta-feira, na GloboNews, Fernando Gabeira comentou os dois episódios e assinalou objetivamente a diferença entre ambos: a luta pelas eleições diretas era uma reivindicação social e a defesa da democracia significa um esforço para preservar uma conquista já incorporada pelo povo ao patrimônio nacional e que se encontra sob ameaça.

DERROTA – A ameaça, digo, sofreu esta semana uma derrota colossal. Mas não acabou. Tanto que o ministro da Defesa agora deseja adicionar nove representantes das Forças Armadas a um processo de fiscalização eleitoral. A manifestação e sua expansão pelas emissoras de tv e jornais encurralaram o governo a partir do 11 de agosto no Largo de São Francisco, tradicional reduto de resistência democrática.

Tanto assim, que setores governamentais, inclusive o próprio presidente da República, voltaram-se para tentar minimizar os seus efeitos, expondo assim ao país a sua face nada democrática. Aguardemos, agora, os reflexos em matéria de voto a serem verificados pelo Datafolha.

COBRANÇA – Termelétricas contratadas apressadamente iam causando cobrança extra de R$ 10 milhões por ano nas contas de energia. A denúncia foi da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais  e de Consumidores Livres. Imaginem os leitores que o Ministério de Energia,  através da Eletrobras, ia contratando o fornecimento de energia a 17 usinas térmicas para combater a crise hídrica de um ano atrás.  

Mas as chuvas entraram em ação e tornaram desnecessário o recurso às termelétricas. Os contratos iriam até 2025. Porém, revela Manoel Ventura, O Globo, que apenas seis das 17 usinas entraram em operação.

Isso tornou necessário o contrato que atingiria em cheio os consumidores domiciliares, industriais, comerciais e de serviços, e proporcionaria lucros muito altos às térmicas programadas. Nesse lance de dados, a sequência da privatização da Petrobras, somente agora com a  denúncia da Associação feita pelo seu diretor Vítor Iocca, foi cancelada.

Processo contra Dallagnol mostra Lei da Ficha Limpa sendo usada para perseguição política

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Zappa (Arquivo Google)

Leandro Narloch
Folha

Quase todos nós comemoramos a aprovação da Lei da Ficha Limpa, em 2010. Amparada por um projeto de iniciativa popular, a lei anticorrupção foi aprovada na Câmara por 388 votos a favor e apenas um contra (de um deputado que se confundiu na hora de apertar o botão).

Mas veja a situação hoje. Lula e Eduardo Cunha, condenados na Lava Jato por escândalos bilionários de corrupção, estão soltos e livres para concorrer, enquanto o ex-procurador Deltan Dallagnol pode ficar inelegível. Foi condenado esta semana pelo Tribunal de Contas da União por ter “participado da concepção do modelo escolhido pela força-tarefa” em relação ao pagamento de diárias e passagens a procuradores.

JUDICIALIZAÇÃO – Nunca ficou tão claro que a Lei da Ficha Limpa teve a consequência bastante nefasta de judicializar o processo eleitoral. Agora juízes podem decidir quem entra e quem fica de fora de uma eleição.

A lei deixou o processo eleitoral à mercê do ativismo judicial, do contorcionismo interpretativo, do privilégio a poderosos e outros males da Justiça brasileira.

Pior, a Ficha Limpa deu mais poder não só a juízes, mas ao Tribunal de Contas, órgão frequentemente considerado um antro de gastança, corrupção e politicagem.

CONTRA O PARECER – O ministro Bruno Dantas, relator do processo no TCU contra a Lava Jato, foi indicado para o cargo por uma figura de reputação ilibadíssima como Renan Calheiros. Sua decisão pela condenação de Deltan, Rodrigo Janot e João Vicente Romão contrariou o parecer da área técnica do TCU.

É difícil evitar a sensação de que a lei da Ficha Limpa foi usada nesse caso como ferramenta de perseguição. E que o processo do TCU sequer existiria se não pudesse resultar em inelegibilidade. Para piorar só mais um pouco, talvez a lei tenha ajudado a deteriorar o próprio Judiciário brasileiro. Se o poder político dos juízes aumenta, também aumenta a demanda para corrompê-los.

Em 2010, ainda achávamos que o Judiciário era um poder mais nobre que os outros, com superioridade moral suficiente para conter abusos do Legislativo e do Executivo.

ERA UMA ILUSÃO – Acreditávamos que interferências imparciais das cortes poderiam nos livrar de ervas daninhas do processo democrático. Cada vez mais percebemos que isso era uma ilusão.

Houve alertas na época. “Não possuir condenações não significa em absoluto que o sujeito não seja um bandido”, escreveu o colega Hélio Schwartsman aqui na Folha. “Nosso sistema judicial é compatível com inúmeros adjetivos, mas não com termos como ‘eficiente’ ou ‘certeiro’, em especial quando lida com acusados poderosos.”

De todos os defeitos do processo do TCU que condenou Deltan e Rodrigo Janot a devolver R$ 2,8 milhões gastos em diárias na Lava Jato, há um atenuante. O relator Bruno Dantas gastou, só nos últimos doze meses, R$ 547 mil com suas viagens “a trabalho” para França, Arábia Saudita, Áustria, Egito, Portugal e Estados Unidos, entre outros países. Quando o assunto é despesa com passagens e diárias de viagens, Bruno Dantas é especialista.

Se o poeta fosse menino, daria tudo para brincar do mesmo jeito do que Pedro Nava

Exposio homenageia 115 anos do nascimento de Pedro Nava - Tribuna de Minas

Pedro Nava em seu escritrio no bairro da Glria, no RIo

Paulo Peres
Poemas & Canes

O mdico, escritor e poeta mineiro Pedro da Silva Nava (1903-1984), no poema Se eu soubesse brincar, mostra como a brincadeira das crianas revela o seu infindo potencial imaginrio. Segundo os educadores, brincar uma linguagem natural e importante que a criana esteja presente na escola desde a educao infantil para que possa se colocar e se expressar atravs de atividades ldicas, considerando-se como ldicas as brincadeiras, os jogos, a msica, a arte, a expresso corporal, ou seja, atividades que mantenham a espontaneidade das crianas.

SE EU SOUBESSE BRINCAR
Pedro Nava

Si eu tivesse seis anos si soubesse brincar
pedia ao Menino Jesus que viesse me dar
seus brinquedos coloridos

E ele dava mesmo dava tudo
dava brinquedos variados de todas as cores
brinquedos sortidos
dava bolas lustrosas pra mim soltar de noite e
mandar todas pro cu com minha reza

Dava bolas dava quitanda dava balas
e havia de ficar melado, todo doce de minha baba.

E dava homenzinhos, arvinhas, bichinhos, casinhas e
em minhas mos ingnuas eu tirava o mundo novinho,
cheiroso de cola e verniz, das caixas nurembergue
pra recomear deslumbrando a brincadeira da vida

O Menino Jesus dava tudo si eu fosse menino
si soubesse brincar pra brincar com ele.POET

Cai a distância de Lula para Bolsonaro, que já poderia até estar na dianteira em São Paulo

Babu charge da semana

Charge do Babu (A Estância de Guarujá)

Carlos Newton

Desculpem, amigas e amigos, a gente sempre reluta mas acaba tendo de publicar as pesquisas eleitorais, que comprovadamente não dizem nada, mas a imprensa acredita nessas embromações e dá um tremendo destaque. Esta semana, por exemplo, houve um estardalhaço com uma das pesquisas, por indicar que o presidente Jair Bolsonaro (PL) avançou e reduziu a distância para Lula da Silva (PT) em São Paulo e em Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do País.

O levantamento, feito pelo Instituto Quaest, indica que a disputa pelo eleitorado paulista estaria em empate técnico, com 37% a 35%, e pela margem de erro, Bolsonaro já poderia até estar na frente de Lula, vejam só a situação a que chegamos.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Bem, qualquer um fica impressionado com esse tipo de notícia, que na verdade pouco significa. Em Minas Gerais, a diferença teria caído nove pontos em apenas um mês, mas a distância ainda é grande, porque Lula teria agora 42%, ante 33% de Bolsonaro. A pesquisa anterior apontava Lula com 46% e Bolsonaro, com apenas 28%.

Em tradução simultânea, esses números, se estiverem corretos, apenas significariam que vai haver segundo turno, apesar do desesperado esforço da mídia para eleger Lula, que chefiou o maior esquema de corrupção do mundo, mas era compreensivo e generoso em matéria de verbas publicitárias para divulgar o governo.

E daí? Esse segundo turno sempre foi mais do que previsto, devido à existência da maioria silenciosa, formada pelos 27% de eleitores que não querem votar nem em Lula nem em Bolsonaro, segundo pesquisa interna encomendada pelo PT.

LULA ESTAGNADO? – Em meio a essa xaropada, enfim surge uma luz, porque o repórter Edoardo Ghirotto, do portal Metrópoles, descobriu que as pesquisas eleitorais produzidas pelo Datafolha e pelo Quaest mostram que o percentual de intenções de voto em Lula estaria estagnado desde o fim de 2021.

Ou seja, confirma-se que a faixa de eleitores de Lula não cresceu, conforme sempre afirmamos aqui na Tribuna da Internet. Justamente por isso, o PT precisa desesperadamente arranjar votos da maioria silenciosa, que a princípio deveria votar na terceira via.

Em suma, vai se intensificar o massacre à terceira via e os votos de Ciro Gomes e Simone Tebet continuarão escondidos a sete chaves. Lembram-se dos votos de Sérgio Moro, que eram 10% e sumiram?

###
P.S.
Reparem a cobertura da chamada grande mídia e notem que raramente abrem espaço para Ciro Gomes e Simone Tebet, porque a missão é fortalecer a polarização entre Lula e Bolsonaro. O resto é folclore, como diz Sebastião Nery. (C.N.)

Lula se sente desprezado pela elite e promete “volta à normalidade” se derrotar Bolsonaro

Lula pisca para a elite

Na Fiesp, Lula disse que foi alvo de “mentiras” da Lava Jato

Bernardo Mello Franco
O Globo

O ex-presidente Lula está em campanha para se reaproximar da elite econômica. Quer reconstruir pontes com os donos do dinheiro, que dão sinais de cansaço com as presepadas de Jair Bolsonaro.

Terça-feira, o petista foi recebido na sede da Fiesp, quartel-general do empresariado paulista. Seu discurso de uma hora e meia pode ser resumido numa frase: “O Brasil precisa voltar à normalidade”.

TRÊS PALAVRAS – Em tom conciliador, Lula prometeu restaurar a calmaria depois de quatro anos de tormenta bolsonarista. “Vou repetir três palavras que fazem parte do meu dicionário: credibilidade, estabilidade e previsibilidade”, recitou.

O ex-presidente evitou detalhar seus planos, mas disse que ouvirá empresários e trabalhadores antes de tomar decisões na economia. E garantiu que seu governo não baixará pacotes da noite para o dia. “Nada será feito de surpresa”, resumiu.

No dia em que o governo começou a pagar o Auxílio Brasil turbinado, Lula acusou Bolsonaro de promover a “maior distribuição de dinheiro que uma campanha política já viu”. Ele ainda prometeu fazer uma reforma administrativa, antiga reivindicação do patronato.

SENTE-SE OFENDIDO – Apesar do empenho para agradar a plateia endinheirada, o petista reclamou do tratamento que julga receber da elite. Disse se sentir “ofendido” com as cobranças para que fale mais em responsabilidade fiscal. E se queixou de setores do agronegócio que insistiriam em pintá-lo como um “monstro”. “Nós queremos apenas a chance de conversar”, afirmou. “Aqueles mais raivosos, só precisa ver se não estão armados…”

Em outro momento, Lula admitiu que “muita gente ficou assustada” com sua promessa de revogar a reforma trabalhista. E se irritou ao lembrar o apoio empresarial à Lava-Jato. “Um fedelho chamado Dallagnol encheu a cabeça de vocês de mentiras”, esbravejou.

MUDANÇA DE RUMO – No auge da operação Lava Jato, a Fiesp abraçou o antipetismo e se engajou na campanha pelo impeachment de Dilma Rousseff. Seis anos depois, a entidade é comandada pelo herdeiro de José Alencar, vice-presidente nos mandatos lulistas.

Nesta terça-feira, na Fiesp, o líder das pesquisas elogiou o pai para amolecer o coração do filho. E ainda piscou para os industriais que desistiram de Bolsonaro, mas flertam com a candidatura claudicante de Simone Tebet.

“Na história da humanidade não existe terceira via. Deus e o diabo polarizam há quantos anos?”, ironizou.

E lembrar que a urna eletrônica foi criada para emancipar o eleitor pobre e analfabeto…

Charge do Duke (O Tempo)

Marcus André Melo
Folha

“Estão falsificando a Acta”, gritaram apoiadores de Joaquim Nabuco na Igreja Matriz de São José, onde se realizava a votação em 1884. Ato contínuo a multidão chacinou o fiscal do Partido Conservador e seu sobrinho; o abolicionista José Mariano saiu ferido do episódio.

A repercussão foi tamanha que o imperador escreveu 13 cartas a respeito do “affair” em três semanas. As atas registraram a vitória, por um voto, do Conselheiro Portella, adversário de Nabuco, tendo a Justiça determinado um segundo escrutínio. Nele, Nabuco triunfa. No entanto, foi “degolado” a bico de pena no processo parlamentar de reconhecimento.

MOÇÃO DE DESCONFIANÇA – Na sequência, o gabinete Dantas, que propunha a abolição da escravidão sem indenização, foi derrubado por uma moção de desconfiança por apenas dois votos. Novas eleições e uma solução: o partido oferece a vaga de deputado do 5º Distrito (agreste de Pernambuco) a Nabuco, que concorre e é eleito. O episódio é descrito por Carolina Nabuco em “A Vida de Joaquim Nabuco”.

Sim, no Império e na República Velha as eleições eram marcadas por violência e fraudes diversas: eleitores fantasmas (“fósforos”), cédulas (“chapa de caixão”) e envelopes (“sobrecartas”) falsos; idem atas eleitorais. Mas, ao contrário do que o regime varguista propagandeou, não era muito diferente nas atuais democracias no século 19.

A independência dos eleitores aumentou após o Código Eleitoral (1932), com o voto secreto (cabine eleitoral) e a gestão das eleições para a Justiça Eleitoral. O alistamento tornou-se obrigatório, mas não o voto, o que só aconteceu com o Código de 1965.

VOTO DO ANALFABETO – Paradoxalmente, a medida reforçou a manipulação do eleitorado analfabeto (majoritariamente rural até a década de 70), que votava a despeito da proibição formal.

Isso explica porque, ao contrário do que ocorreu nos EUA no período das leis “Jim Crow”, as oligarquias nunca se opuseram à inclusão da massa da população no sistema eleitoral; afinal, podiam manipulá-la.

A mudança crucial ocorreu a partir de 1955, com a introdução da cédula oficial substituindo a fornecida pelos partidos. A nova cédula exigia que os eleitores escrevessem o nome dos candidatos.

VEIO A SALVAÇÃO – O impacto foi avassalador para o eleitorado analfabeto: os votos inválidos para deputado federal chegaram a 41% em 1990. Entre 1980 e 2000, o Brasil ostentava o título do campeão de votos inválidos na América Latina.

A introdução da urna eletrônica muda radicalmente as coisas: em 2000, os votos inválidos caíram de 41% para 7,6%, um recuo de 82%.

A PEC 25/85, que garantiu o voto dos analfabetos foi simbólica; a urna foi um instrumento que emancipou “de facto” o eleitorado pobre.

Segurança faz Lula usar colete à prova de bala e limitar comida para evitar envenenamento

Lula entre militantes no acampamento

Agente de segurança manda o fotógrafo se afastar de Lula 

Guilherme Amado e Eduardo Barretto
Metrópoles

Lula está usando colete à prova de balas em todo evento público de que participa, como maneira de se proteger de algum atentado. Esta não é a única medida do petista para aumentar sua proteção. Lula também não tem aceitado comida cuja procedência não foi checada antes pela segurança.

O temor é que ele seja envenenado. Assim, a regra é, fora de casa, só se alimentar com o que passar pelo crivo da segurança.

MAIOR SEGURANÇA – Às vésperas da campanha oficial, a segurança de Lula tem intensificado o contato com as secretarias de Segurança dos estados, em meio à agenda movimentada do ex-presidente.

A segurança do petista, embora já esteja sob a responsabilidade da Polícia Federal (PF), pretende contar com a atuação das polícias estaduais, principalmente as Polícias Militares.

Um auxiliar de Lula avalia que a formalização da comunicação entre a PF e os estados, que começou no mês passado, pode até ser usada para embasar uma possível responsabilização criminal da administração estadual no caso de algum incidente.

RISCO MÁXIMO – Desde o último dia 22, a Polícia Federal já é responsável pela segurança de Lula, que foi definida pela corporação como de risco máximo.

Antes disso, houve dois incidentes – um evento do petista no Rio de Janeiro teve uma bomba caseira explodida e, em São Paulo, o carro do ex-presidente foi cercado por bolsonaristas.

Um dos integrantes da equipe da segurança de Lula é o delegado Andrei Rodrigues, que chefiou a segurança de Dilma Rousseff na campanha de 2010 e coordenou a segurança da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Rio.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Quanto a Bolsonaro, já faz tempo que se protege e sempre usa colete à prova de balas quando sai às ruas, inclusive nas motociatas, cavalgadas e jeguiatas. Para o presidente, o uso de colete tem dupla função, porque faz ele manter a postura ereta e evita forçar o abdômen, onde tem problemas de aderência que exigem nova cirurgia reparadora, mas ele vem adiando há tempos. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

Trégua entre Bolsonaro e Ibama favoreceria a disseminação da energia eólica no Brasil

Por que a energia eólica é tão importante para o Brasil? - Full Energy

Brasil tem enorme potencial para produzir energia eólica

Elio Gaspari
Folha/O Globo

Jair Bolsonaro gosta de soluções criativas. Já se apaixonou pelo nióbio e pelo grafeno. No campo da ficção, com a cloroquina. Na vida real ele se orgulhou porque o Brasil tem potencial para produzir o equivalente a 50 usinas de Itaipu aproveitando a energia eólica dos ventos.

É verdade, mas o repórter Robson Rodrigues mostrou que 55 processos para instalação de parques eólicos no mar estão presos na burocracia federal. Eles tramitam no Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A experiência ensina que é melhor respeitar o Ibama.

MELHOR SOLUÇÃO – Como o instituto passa por um período de falta de quadros e a energia eólica depende de detalhes na sua regulamentação, o melhor a fazer seria decretar uma trégua para o bem de todos.

Respeitando-se o meio ambiente e barrando projetos de picaretas, pode-se prestigiar o Ibama e acelerar o ritmo da burocracia, estimulando a apresentação de projetos.

O Brasil já produz mais que duas Itaipus aproveitando a energia do Sol e dos ventos. E Bolsonaro cortou o caminho dos maganos que queriam taxar a luz do Sol.

No exterior, a imprensa divulga os manifestos e diz que a democracia corre perigo no Brasil

A Imprensa Internacional no Brasil – Imprensa Internacional

Jornais estrangeiros preocupados com a politica no Brasil

Nelson de Sá
Folha

Nos EUA, a cobertura do ato pela democracia se concentrou nas agências Associated Press e Reuters, ambas destacando que “Manifestos visam conter ameaças de Bolsonaro”. Por Washington Post e outros, a AP mobilizou três correspondentes e descreve:

“Brasileiros lotaram a Faculdade de Direito da USP para ouvir um manifesto denunciando a brutal ditadura militar. Isso foi em 1977. 45 anos depois, milhares se reuniram no local para defender as instituições democráticas e o sistema de votação, que o presidente de extrema-direita ataca repetidamente.”

DIZ O LIBÉRATION – Na manchete do francês Libération, já com a capa abaixo no início da noite, “A democracia está em jogo”. Publica textos como “Encarando Lula, Bolsonaro está pronto para quebrar as urnas?” e “Para controlar o debate, Bolsonaro faz entrar o Exército na escola”. Ressalta que a multidão na São Francisco cantava “A democracia é nossa!”.

O jornal publica ainda o editorial “No Brasil, uma eleição de alto risco”, afirmando que “desde Trump sabemos que nossas democracias não estão imunes a um golpe ou loucura” e que Bolsonaro, “populista de extrema-direita”, pode usar o 7 de Setembro para “uma demonstração de força militar”. Já Lula “quer ser um unificador onde o atual presidente fez de tudo para dividir”.

“IMENSO PERIGO” – Na chamada do inglês The Guardian, “Manifesto dos cidadãos declara que a democracia brasileira enfrenta ‘imenso perigo'”.

No texto, anota que, além de São Paulo, “leituras simultâneas ocorreram em cidades de todo o país, incluindo Rio, bem como em universidades estrangeiras, como o King’s College”, de Londres.

Na América Latina, a atenção inicial ao ato pela democracia foi maior em veículos à esquerda, como o argentino Página/12 ou o mexicano La Jornada, este com o enunciado “Protestam no Brasil ‘em defesa da democracia’ pouco antes das eleições”.

DISSE SANDERS – Presidente da Comissão de Orçamento do Senado americano, Bernie Sanders “teme pela democracia do Brasil”, noticia o site Politico, e distribuiu entre seus colegas um rascunho de resolução defendendo eleições “livres e justas” —e o rompimento de relações, em caso de “governo ilegítimo”.

“É importante para o povo do Brasil saber que nós estamos do lado deles, do lado da democracia, e podemos ir além.”

Veículos financeiros como a americana Bloomberg, com o título “Bolsonaro apaga liderança de Lula no Estado mais populoso do Brasil” (acima), se voltaram para sua reação na intenção de voto “após uma enxurrada de medidas para aliviar as dificuldades econômicas”.

Ciro adota programa de renda mínima de R$ 1 mil que o PT sempre negou a Suplicy

Ciro Gomes defende Suplicy e renda básica: 'Você merecia um tratamento  melhor' - YouTubeBruno Luiz
UOL Bahia

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, propôe um programa de renda mínima no valor de R$ 1 mil por domicílio vulnerável. Batizado de “Renda Mínima Universal Eduardo Suplicy”, o benefício deve gerar impacto fiscal de R$ 170 bilhões, nos cálculos do pedetista.

O recurso para bancar o auxílio virá de duas fontes. Uma delas é unificação das dotações orçamentárias de benefícios existentes, como Auxílio Brasil, seguro-desemprego, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e aposentadoria rural. Suplicy, que sempre foi ligado ao PT, é criador e histórico defensor da implementação do programa de renda mínima.

GRANDES FORTUNAS – A outra parte dos recursos viria do imposto sobre grandes fortunas, alíquota de 0,5% a 1,5% que seria cobrada sobre patrimônios a partir de R$ 20 milhões. O tributo geraria arrecadação de R$ 70 bilhões.

“O benefício é uma das três pernas do novo modelo previdenciário que o programa de governo de Ciro propõe. Será um programa de estado, vinculado ao processo de seguridade social”, explicou a candidata a vice-presidente na sua chapa, Ana Paula Matos (PDT), atual vice-prefeita da capital baiana.

Ciro Gomes já registrou seu programa de governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O documento tem 26 páginas e apresenta as principais metas, como o investimento na educação pública, a retomada do Plano Nacional de Imunizações e o fim do Preço de Paridade Internacional (PPI) da Petrobras.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Ciro Gomes é o melhor candidato. Tem propostas sólidas e sabe aproveitar boas sugestões de outros políticos, como o programa de renda militar que Suplicy tanto defende e sempre foi desprezado pelo PT. (C.N.)

Ministério Público aciona TCU para barrar os salários de até R$ 1 milhão de militares

Discreto, Braga Netto atua como bombeiro e gestor | Política | Valor  Econômico

Tudo indica que Braga Netto fraudou a declaração de bens

Deu na IstoÉ

O Ministério Público acionou o Tribunal de Contas da União(TCU) para barrar o pagamento de contracheques turbinados a militares ligados ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). Conforme o Estadão revelou, os benefícios chegaram a R$ 926 mil para o general Walter Braga Netto, candidato a vice na chapada de Bolsonaro, em dois meses em 2020, no auge da pandemia de covid-19. Só de férias, foram R$ 120 mil pagos ao general em um único mês.

Outros militares do governo tiveram a folha de pagamento turbinada naquele ano. Estão na lista o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Eduardo Ramos, e o ex-ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque.

IMORALIDADE – Para Ministério Público junto ao TCU, os pagamentos afrontam princípios da administração pública, mesmo que estejam respaldados legalmente.

“Ainda que fosse possível argumentar, de alguma maneira insondável, a compatibilidade dos pagamentos feitos com o princípio da legalidade, os pagamentos em questão permaneceriam incabíveis dada a total insensatez do período em que foi realizado (pandemia em que a população brasileira sofreu elevadas perdas econômicas), sendo completamente contrário às boas práticas administrativas, ao princípio da eficiência e ao interesse público”, escreveu o procurador Lucas Furtado, autor da representação.

O TCU é responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos da União. No caso dos militares, os benefícios pagos pelo governo levaram oficiais e pensionistas a ganhar até R$ 1 milhão na folha de pagamento em um único mês, conforme dados do Portal da Transparência. O deputado Elias Vaz (PSB-GO), autor do levantamento, protocolou um requerimento na Câmara, direcionado ao Ministério da Defesa, pedindo explicações sobre o que classifica como “supersalários” pagos aos militares.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Diante dos números, fica colocada em dúvida a declaração de bens do general Braga Netto à Justiça Federal. Candidato à vice-presidência ele declarou patrimônio de apenas R$ 1,6 milhão ao Tribunal Superior Eleitoral. Não é possível acreditar nisso, se ganhou quase R$ 1 milhão em apenas dois meses, e desde 2019 recebe salários em dobro (Exército e Planalto). É mais um mentiroso apanhado em flagrante. (C.N.)