Caiado e Zema discutem uma aliança para formar uma terceira via competitiva

Homem de cabelos grisalhos e terno azul fala segurando microfone, gesticulando com a mão direita. Outro homem de cabelos escuros e óculos observa atentamente, sentado ao lado, com crachá pendurado no pescoço. Fundo branco com logotipos desfocados.

Caiado e Zema estão acertando uma chapa competitiva

Bruno Ribeiro e João Pedro Abdo
Folha

Os ex-governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), e de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), ambos pré-candidatos à Presidência, encontraram-se nesta terça-feira (26) e discutiram uma aliança já no primeiro turno das eleições.

Ao tratar do encontro nesta quarta-feira (27) em entrevista à rádio Nova Difusora, em São Paulo, Caiado foi questionado sobre o assunto e sobre a disposição de Zema em fazer a aliança sem abandonar a cabeça da chapa. “Nós conversamos, existe esse sentimento. E ele é uma pessoa aberta. Então nós estamos somente avaliando”, respondeu o pré-candidato do PSD.

NA DATA-LIMITE – Já Zema, durante um evento com agentes do mercado financeiro na terça-feira (26), manteve o tema em aberto. “Conversas sempre ocorrem e, com toda certeza, o desfecho disso vai ser lá na data limite. Porque, na política, é na meia-noite da data limite que as coisas costumam ser definidas, infelizmente”, disse em referência ao dia 15 de agosto, fim do prazo para inscrição de chapas na Justiça Eleitoral para o pleito de 2026.

Zema esteve no escritório de campanha de Caiado, em São Paulo, para a reunião que tratou da aliança no primeiro turno. O ex-governador de Goiás havia dito, em outras ocasiões, que o grupo estaria unido de qualquer forma no segundo turno, quando é esperado que um nome do campo da direita se mantenha na disputa contra Lula, da esquerda.

No entorno dos dois candidatos, contudo, a avaliação é que uma eventual união dos dois, se ocorrer, só será definida perto das convenções e do registro das candidaturas.

HUMILDADE – Em sua entrevista, Caiado disse que era preciso ter humildade para reconhecer que tanto sua pré-campanha quanto a de Zema estão em um patamar abaixo das do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL). “No momento em que nós unirmos um pouco nossos esforços, elas [as pré-campanhas] poderão chegar fortes só no segundo turno ou poderão chegar competitivas ainda no primeiro turno”, afirmou.

Já Zema afirmou “se dar bem” com Caiado e, quando questionado se aceitaria ser vice na chapa com o ex-governador de Goiás, brincou: “Não poderia ser ao contrário?”.

O mineiro, que também havia feito visitas e aberto canais de diálogo com Flávio Bolsonaro, virou alvo de ataques de bolsonaristas diante da postura após a revelação da associação do senador com Daniel Vorcaro, do banco Master.

TAPA NA CARA – Zema disse que era “imperdoável, um tapa na cara nos brasileiros de bem” ouvir o senador cobrando dinheiro de Vorcaro. A atitude foi interpretada como uma traição pelos aliados de Flávio, dificultando a busca do ex-governador por palanques entre políticos da direita.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada em maio, após o escândalo, Lula (40%) ampliou de 3 para 9 pontos percentuais a diferença para Flávio (31%) na simulação de primeiro turno. Caiado e Zema marcam, respectivamente, 4% e 3% no levantamento.

Zema repetiu na terça as críticas que tem feito a Flávio após a divulgação dos áudios. “Foi dito para nós, meses atrás, que ele não tinha nenhum envolvimento [Flávio] com o banqueiro bandido [Vorcaro] Quem foi traído? Nós ou eles? Me parece que nós”, disse.

INDIGNAÇÃO – Ele afirmou estar “realmente indignado” e que quem votar em Flávio estaria “entregando a eleição para o Lula, já que a rejeição dele ficou maior do que a do presidente”. O filho do ex-presidente marcou 46% e superou o petista (45%) entre os eleitores que dizem não votar em algum dos candidatos perguntados.

Mesmo assim, o ex-governador mineiro disse que apoiaria Flávio em um segundo turno contra um candidato de esquerda. Segundo Zema, combater esse espectro político é seu “grande objetivo”.

O pré-candidato também voltou a fazer críticas aos programas sociais: “O que tem de marmanjão de 20, 30 anos recebendo Bolsa Família e complementando esse Bolsa Família com bicos eventuais, não tá escrito”, afirma. O tema é recorrente nas falas do ex-governador mineiro e já foi rebatido pelo ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.

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NOTA DA REDAÇÃO D0 BLOG
Ao que parece, Caiado e Zema tiveram uma crise de bom-senso e estão caindo na realidade. Se os dois não se unirem para criar uma terceira via de verdade, a família Bolsonaro, que só se preocupa com ela e não com o país, vai entregar novamente o governo nas mãos de Lula e do PT, que já provaram que não sabem administrar. (C.N.)

Centro político tenta ressuscitar candidatura de Aécio Neves após crise no bolsonarismo

Empresários veem desgaste de Flávio Bolsonaro após áudios com Daniel Vorcaro

“Quando olhaste bem nos olhos meus, e o teu olhar era de adeus…”

Serenata Do Vadinho - Francis Hime — Chico Buarque & Francis Hime | Last.fm

Chico e Hime, uma parceira realmente notável

Paulo Peres
Poemas & Canções

O  cantor, escritor, poeta e compositor carioca Chico Buarque de Holanda, em parceria com Francis Hime, deixou sua genialidade invocar inspiração para fazer a letra de “Atrás da Porta”, que confessa a dor de uma mulher por seu amor perdido, da humilhação de ser abandonada, da aflição surpreendente do final de uma paixão e de um amor.

Hime deu a música a Chico para fazer a letra em 1966 e ele demorou mais de seis meses para concluí-la. O resultado é que tudo é perfeito nesta canção. Desde o desespero até a vontade de se vingar e a decepção de saber que depois de ser apagada de um coração, nada mais surte efeito para trazer de volta este amor. A música faz parte do álbum Elis, gravado por Elis Regina, em 1972, pela Phonogram.

ATRÁS DA PORTA
Francis Hime e Chico Buarque

Quando olhaste bem nos olhos meus
E o teu olhar era de adeus
Juro que não acreditei, eu te estranhei
Me debrucei sobre teu corpo e duvidei
E me arrastei e te arranhei
E me agarrei nos teus cabelos
Nos teus pelos, teu pijama
Nos teus pés ao pé da cama
Sem carinho, sem coberta
No tapete atrás da porta
Reclamei baixinho
Dei pra maldizer o nosso lar
Pra sujar teu nome, te humilhar
E me vingar a qualquer preço
Te adorando pelo avesso
Pra mostrar que inda sou tua
Só pra provar que inda sou tua

Coordenador de Flávio pede investigação sobre vazamento de conversas com Vorcaro

Charge do Miguel Paiva (Brasil 247)

Gabriela Echenique
Folha

O coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL), senador Rogério Marinho (PL-RN), pediu que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça apure o que chamou de vazamento seletivo, após a divulgação de conversas entre o presidenciável e Daniel Vorcaro.

Ele cobrou uma apuração rigorosa sobre o vazamento de informações sigilosas do inquérito do Banco Master na corte. E quer que o ministro investigue a origem do material divulgado, onde ficou guardado e quais agentes tiveram acesso aos dados.

COBRANÇA – A representação é feita semanas após o site The Intercept Brasil divulgar trechos de conversas entre Flávio e o ex-banqueiro. Nelas, o presidenciável cobra recursos que seriam destinados a financiar um filme que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Os áudios provocaram uma crise na campanha e aumentaram o clima de desconfiança no PL e no mercado financeiro. Em um deles, Flávio chama Vorcaro de “meu irmão” e diz que estará sempre com ele. No pedido ao STF, Marinho diz que não quer questionar a liberdade de imprensa, mas identificar os responsáveis pela divulgação de um material sigiloso. “A liberdade de imprensa não elimina o dever estatal de apurar a origem de vazamentos de autos sigilosos”, diz o senador.

O documento pede a instauração de procedimento próprio para investigar o vazamento das informações, além de apurar eventual violação de sigilo funcional. “O que se pretende é a apuração da origem do vazamento, da cadeia de custódia do material divulgado, dos agentes que tiveram acesso aos elementos sigilosos e da eventual utilização indevida de informações protegidas por sigilo para fins de constrangimento público, interferência política ou desequilíbrio do devido processo legal”, diz um trecho da representação.

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Redução da jornada de trabalho e o novo desafio político do governo Lula

Proposta permitirá mais qualidade de vida ao trabalhador

Pedro do Coutto

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho voltou ao centro do debate nacional e, desta vez, com forte potencial de impacto político, econômico e social. A proposta de emenda constitucional que prevê a diminuição da carga semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial, representa uma das medidas de maior apelo popular em análise no Congresso Nacional nos últimos anos.

Em um ambiente pré-eleitoral, o tema oferece ao governo do presidente Lula da Silva uma bandeira social poderosa, capaz de dialogar diretamente com milhões de trabalhadores submetidos a jornadas extensas, especialmente em setores de comércio, serviços e indústria.

PERÍODO DE TRANSIÇÃO – A proposta relatada na Câmara estabelece um período de transição de 14 meses para adaptação das empresas e fixa prazo de 60 dias para regulamentação após eventual promulgação da PEC. O texto também mantém os salários integrais, evitando perda de renda dos trabalhadores e reforçando o caráter social da medida.

Politicamente, poucos temas conseguem reunir simultaneamente forte aderência popular, discurso social e simbolismo trabalhista como a redução da jornada. O governo percebe isso claramente. Desde 2025, o Palácio do Planalto vem sinalizando apoio gradual à revisão do atual modelo de trabalho, inclusive reduzindo para 40 horas semanais a carga de milhares de trabalhadores terceirizados da administração federal.

A medida dialoga com uma transformação silenciosa do mercado de trabalho global. Em diversos países, governos e empresas passaram a discutir produtividade associada à qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Testes realizados na Europa e em partes da Ásia indicaram que jornadas menores não significam necessariamente queda de produtividade. Em muitos casos, houve aumento de eficiência, redução de afastamentos e melhora nos índices de satisfação dos funcionários.

COMPLEXIDADES – No Brasil, porém, o debate possui complexidades próprias. Especialistas em relações trabalhistas avaliam positivamente a existência de um período de transição justamente para evitar impactos abruptos sobre pequenas e médias empresas, especialmente aquelas intensivas em mão de obra. O texto busca criar uma implementação escalonada, permitindo reorganização operacional, revisão de escalas e adaptação contratual.

Há também preocupação legítima de setores empresariais com aumento de custos. Segmentos ligados ao varejo, alimentação, logística e serviços sustentam que a redução da jornada poderá exigir contratação adicional de pessoal ou ampliação de turnos. Em contrapartida, sindicatos argumentam que o modelo atual, especialmente em regimes próximos da escala 6×1, tornou-se socialmente desgastante e incompatível com padrões modernos de qualidade de vida.

Outro fator importante é que a proposta atinge majoritariamente trabalhadores de renda média e baixa. A ressalva prevista para salários acima de R$ 21 mil mensais alcança parcela muito pequena do mercado formal — algo inferior a 3% dos assalariados brasileiros, segundo estimativas discutidas durante a tramitação da matéria. Isso amplia ainda mais o alcance popular da medida e reduz resistências políticas mais amplas.

ANÁLISE PELO SENADO – Mesmo com ambiente favorável, o Senado ainda precisará analisar a PEC. A tendência predominante, contudo, é de aprovação, ainda que com possíveis ajustes de redação e negociação sobre regras de implementação. Nenhum grupo político deseja assumir o custo de se posicionar frontalmente contra uma proposta percebida por grande parte da população como melhoria direta das condições de vida.

O tema também produz um reposicionamento ideológico relevante. Durante décadas, reformas trabalhistas no Brasil estiveram associadas sobretudo à flexibilização de direitos e ampliação de mecanismos de adaptação empresarial. Agora, pela primeira vez em muitos anos, o centro da discussão passa a ser a redução efetiva da jornada sem perda salarial — uma inversão simbólica importante no debate econômico nacional.

Há ainda um componente eleitoral impossível de ignorar. Em um cenário de disputa polarizada, a pauta oferece ao governo um discurso concreto, de fácil compreensão popular e com forte capacidade de mobilização social. Diferentemente de debates técnicos sobre arcabouço fiscal, juros ou reforma tributária, a redução da jornada toca diretamente o cotidiano do trabalhador comum. É um tema que entra na casa das pessoas, altera rotinas familiares e produz identificação imediata.

SEGURANÇA ECONÔMICA – O desafio do governo será transformar o ganho político inicial em segurança econômica e previsibilidade regulatória. Caso consiga equilibrar proteção ao trabalhador e adaptação empresarial, a proposta poderá se tornar uma das marcas sociais mais relevantes do atual mandato presidencial.

Mais do que uma simples alteração na legislação trabalhista, a discussão revela uma mudança mais profunda no imaginário político brasileiro: a ideia de que desenvolvimento econômico não pode mais ser medido apenas pelo crescimento do PIB, mas também pela capacidade de oferecer tempo, qualidade de vida e dignidade ao trabalhador.

Crise com Vorcaro afasta União Brasil e PP de aliança com Flávio Bolsonaro

Tendência hoje é de neutralidade dos partidos

Fábio Zanini
Folha

Dirigentes da federação formada por União Brasil e PP consideram improvável o apoio formal à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), após a divulgação de detalhes sobre a relação dele com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo um cacique, a tendência hoje é a federação ficar neutra na disputa, mas o martelo só será batido mais próximo do prazo de convenções, que se inicia em 20 de julho. Muito dependerá do surgimento de novos fatos que aumentem o desgaste do senador.

FORÇA DE LULA – Contribui também para isso a força de Lula em estados do Norte e Nordeste, que prejudicaria candidatos dos dois partidos nessas regiões em caso de coligação. Antes do vazamento das mensagens, União e PP estavam próximos de fechar apoio a Flávio, inclusive com a discussão sobre nomes para vice. Eram mencionados, por exemplo, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP).

Dentro da federação, há muito incômodo com a postura de Flávio, que não revelou a existência de conversas com o banqueiro e ainda criticou quem tinha relação com ele. Se União e PP desistirem da aliança com Flávio, a tendência é que ele saia candidato apenas com apoio do PL, uma vez que Republicanos e MDB também devem ficar neutros.

Governantes prostituem o Brasil, um país que doa as terras raras e outras riquezas

Charge mostra Luiz Inácio como cão submisso oferecendo “terras raras do Brasil” a Trump, caricaturado como criança mimada, que exige: “Eu querou seus riqueizas”.

Charge do Artie (Arquivo Google)

Ronaldo Lemos
Folha

Nosso país dá aulas para o mundo sobre como abrir mão do desenvolvimento. O caso dos minerais críticos é um exemplo. Em 1940, chegou ao Brasil o russo Boris Davidovitch. Seu objetivo era explorar monazita nas areias de Guarapari (ES). Em um ano ele dominaria completamente esse mercado de forma predatória, deixando um rastro de destruição.

Davidovitch destruiu cerca de 70 km de praias, incluindo restingas. Montou uma operação de evasão fiscal em que vendia para si mesmo, jogando o preço e os impostos para valores irrisórios. Foi acusado de subornar juízes e desembargadores, de usar trabalho escravo e de continuar exportando clandestinamente mesmo quando suas atividades foram proibidas.

US$ 227 BILHÕES – Em 1954 o prefeito de Guarapari lhe deu uma bofetada na cara. Seu sucessor declarou: “Nasci e me criei aqui. Nunca vi esse homem fazer qualquer coisa em benefício dessa terra”. Em 1956, foi aberta uma CPI onde ele foi intimado a depor.

Tudo isso não serviu para nada. A predação ao Brasil lhe rendeu US$ 227 bilhões. Ele morreu bilionário em Paris em 1960. Após sua morte, seus funcionários enterraram o maquinário da empresa na areia e queimaram todos os documentos.

O que sobrou de monazita extraída em Guarapari foi levado para o bairro do Brooklin em São Paulo, processado pela Orquima e, depois de 1966, pela estatal Nuclemon. Depois da vergonha da monazita, o Brasil finalmente conseguiu dominar boa parte da cadeia de separação das terras raras. Era uma capacidade estratégica rara no mundo naquele momento. Essa capacidade foi desmantelada a partir de 1990 e o que sobrou para o país foram 11 toneladas de resíduo radioativo, apelidado de “Torta 2”. Essa “torta” foi enviada para Caldas (MG). E lá se encontra até hoje.

TERRAS RARAS – A monazita é uma das principais fontes de terras raras do planeta, incluindo o elemento radioativo tório, usado para fazer urânio-233. O problema é que ao ser exportada de forma bruta, seu valor é de banana: menos de US$ 10 por quilo. Com um mínimo de processamento, que o país não consegue mais fazer, o valor aumenta dez vezes: US$ 100 o quilo. Na sua forma final (óxido de térbio) o valor aumenta para US$ 1.000 o quilo.

Analisar a história da exploração da monazita no Brasil revela o tamanho do descaso do país com o desenvolvimento. A monazita brasileira é hoje cobiçada no mundo todo por causa das terras raras. Só que, como toda a capacidade de processamento local foi perdida, o valor agregado é todo gerado no exterior.

TUDO DE NOVO – E o mais irônico: após décadas sem vender monazita bruta por conta da vergonha do passado, o Brasil voltar a exportar monazita bruta nesse ano a partir do Rio de Janeiro, repetindo mais uma vez a história.

O país fica com os buracos, e quem a compra e processa fica com os bilhões de valor agregado. Tudo isso poderia não ser assim. O país teve vozes na história que buscaram refundar nossa política mineral, como o almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, o próprio Juscelino Kubitschek ou o professor Diógenes Moura Breda, da Universidade Federal de Uberlândia.

Seus artigos recentes demolem a lei sobre terras raras em tramitação no Congresso Nacional, que ele chama de “erro estratégico”. Seus escritos merecem atenção.

Possibilidade de “absolver” Bolsonaro gera mais uma crise entre ministros do STF

Discreto sem ser omisso: o estilo de Fachin no julgamento da tentativa de golpe - PlatôBR

Edson Fachin reagiu contra o lobby do grupo de Moraes e Gilmar

Carlos Newton

Desta vez, a crise que atinge o Supremo Tribunal Federal é tão grave que nenhum dos ministros faz comentários. O  desentendimento ocorre exclusivamente nos bastidores e seu desfecho será importantíssimo na política brasileira, porque pode ocorrer exatamente às vésperas das eleições presidenciais, devendo influir em seu resultado.

O motivo da cisão é o próximo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja defesa apresentou um processo de revisão criminal que pode absolvê-lo, embora a maioria absoluta dos ministros do STF não aceite essa possibilidade.

7 VOTOS A 3 – Liderado por Alexandre de Moraes, o grupo de partidários da condenação de Bolsonaro era integrado por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin, que enfrentaram Luiz Fux, Nunes Marques e André Mendonça. Assim, até agora a condenação do 8 de Janeiro no Plenário teve o placar de 7 votos a 3 no Plenário e de 4 a 1 na Primeira Turma.

Essa situação ocorre porque os réus processados em 2023, antes da mudança nas regras regimentais, são julgados pelo Plenário, enquanto os demais estão sendo julgados na Primeira Turma, como aconteceu com Bolsonaro.

Mas agora houve uma dissidência, e placar no Plenário pode passar a 6 a 4, porque o presidente Edson Fachin decidiu obedecer às novas regras do Regimento e determinou que o novo processo de Bolsonaro tramite na Segunda Turma.

REGRAS ATUAIS – Fachin agiu corretamente. As normas antigas atribuíam ao Plenário a competência para julgar presidente, ministros, parlamentares etc., mas as regras atuais só preveem julgamento no Plenário quando eles ainda estão no exercício do cargo. Justamente por isso, Bolsonaro foi julgado pela Primeira Turma e não pelo Plenário. E a revisão, portanto, agora tem de ser feita pela Segunda Turma.

Diz o artigo 263: “Será admitida a revisão, pelo Tribunal, dos processos criminais findos, em que a condenação tiver sido por ele proferida ou mantida no julgamento de ação penal originária ou recurso criminal ordinário”.

Notem que o Regimento,  quando cita “Tribunal”, o Regimento está se referindo a “Plenário”, conforme fica bem claro neste artigo, que a facção de Moraes e Gilmar tenta desconhecer.

ERRO NO SITE DO STF – Exatamente por isso, quando foi apresentada a revisão criminal, o grupo a favor da condenação de Bolsonaro “plantou” no site do Supremo a informação de que o julgamento do ex-presidente ocorreria no Plenário, onde ele seria inevitavelmente derrotado.

Como toda informação publicada pelo site do STF é considerada “oficial”, a imprensa praticamente inteira repetiu a informação falsa e anunciou que Bolsonaro agora será julgado no Plenário.

Apenas a Tribuna da Internet, a Carta Capital, em matéria de Leonardo Miazzo, e a Agência Brasil, em reportagem de André Richter, informaram corretamente que a análise da revisão criminal caberá à Segunda Turma, da qual fazem parte os ministros Luiz Fux, Nunes Marques, André Mendonça, Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Ou seja, o placar previsto é de 3 a 2 a favor de Bolsonaro, e não cabe recurso ao plenário. 

OUVIDORIA DO STF = Diante dessa grotesca manipulação das normas regimentais no site do STF, no último dia 16 a Tribuna da Internet tomou a iniciativa de denunciar o caso à Ouvidoria do Supremo,  pedindo que a informação falsa seja retirada do site da instituição.

Como até hoje isso não aconteceu, os repórteres e analistas da grande imprensa continuam achando que Bolsonaro será julgado no Plenário. Mas isso não acontecerá, porque o presidente Edson Fachin, ao reagir contra a manobra do grupo de Moraes e Gilmar, determinou o sorteio eletrônico entre os ministros da Segunda Turma, e Nunes Marques foi escolhido relator.

Essa decisão de Fachin confirma que o julgamento não será no Plenário, porque não houve sorteio de ministro-revisor. Em todo julgamento do Plenário é obrigatório haver revisor, uma função que não existe na Segunda Turma nem na Primeira. Por isso, a crise está em curso nas entranhas do Supremo, e Moraes, Gilmar & Cia. vão reagir duramente contra Fachin.

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P.S.
1 A evolução desse racha institucional vai depender da resposta da Ouvidoria. Caso seja confirmada a informação falsa, será sinal de que Fachin fraquejou e está aceitando descumprir as regras em vigor, para garantir a condenação ilegal de Bolsonaro no Plenário.

P.S. 2Cabe aqui uma observação. A Tribuna da Internet não está a serviço de Bolsonaro, Lula ou qualquer outro político. Apenas fazemos questão de defender que todo cidadão seja processado e julgado na forma da lei, sem haver perseguição ou favorecimento, como é exigido pelas normas da democracia. (C.N.)

CGU convoca informante da PF em investigação que envolve Lulinha e Careca do INSS

De aposta presidencial a risco político: Flávio Bolsonaro vira foco de tensão no PL

Moraes quer incluir Flávio e Bolsonaro em investigação ligada a “Dark Horse”

Afinal, o que significa o fato de Flávio ter sido recebido por Donald Trump?

Flávio Bolsonaro se encontra com Trump na Casa Branca - 26/05/2026 -  Política - Folha

Flávio Bolsonaro imitou Lula e foi tirar fotos com Trump

Vicente Limongi Netto

Meus botões perguntam: qual a importância de Flávio Bolsonaro se por acaso foi recebido por Donald Trump? Rigorosamente nenhuma. Trump não vota no Brasil e já percebeu que Jair Bolsonaro e o filho fujão, Eduardo, são cartas fora do baralho, assim como o pai deles, golpista condenado e preso

O candidato ao Senado, em São Paulo, de quem Eduardo pretende ser suplente, está longe dos primeiros colocados nas pesquisas. De mais a mais, a vigilante embaixada dos Estados Unidos certamente já mandou para Trump os áudios nada republicanos do candidato Flávio Bolsonaro com o meliante do Master, Daniel Vorcaro. E todos os dias aparece mais lama ligando o rachadinha ao fraudador Vorcaro.

ALTOS INTERESSES – Tolice achar que Trump tratou bem Lula por causa da tal “boa química” entre eles. Os interesses de Trump estão acima de qualquer coisa. O presidente norte-americano sabe que só com a eleição de um extremista da direita ele poderá dominar e fazer do Brasil um país subserviente.

Todos os elogios a Lula são porque Trump precisa do Brasil. E, na marra, viu que não conseguiria nada. Aos poucos o Brasil está se reabilitando das destruições que Bolsonaro fez ao Brasil e aos brasileiros. 

Mensagens no celular de Vorcaro colocam Cláudio Castro no centro de operação da PF

PF fala em indícios de ‘coautoria’ de Castro em crimes

Deu no G1

A Polícia Federal (PF) chegou ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, a partir de mensagens extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso na “Operação Compliance Zero” e dono de um aparelho celular com conteúdo que tem rendido seguidas operações sobre o caso Master.

No caso desta terça-feira (26) em que Castro foi alvo de buscas, a PF encontrou mensagens que permitiam confirmar encontros entre os dois. Além disso, a condição principal que levou à operação desta manhã: a necessidade de alinhamento político com Castro para concretizar uma interferência indevida no Rioprevidência e, assim, viabilizar um repasse de mais de R$ 3 bilhões ao Master.

INDÍCIOS – A PF encontrou indícios contra o ex-governador quando procurava provas de outros assuntos, ou seja, foi um encontro fortuito, como se chama tecnicamente. “A autoridade policial informa que a presente investigação decorre de encontro fortuito de prova obtido a partir da análise do aparelho celular apreendido com Daniel Vorcaro, no bojo da Operação Compliance Zero”, diz a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que reproduz trechos da investigação da Polícia Federal.

“E que, a partir desse material, teriam emergido indícios de crimes praticados em coautoria com o ex-governador do Rio de Janeiro e outros agentes públicos e privados”, completa Mendonça. As investigações apontaram que Castro e Vorcaro se encontravam e, em seguida, havia indícios de ordem de liberação de dinheiro para o Master.

“A representação aponta sincronismo entre encontros mantidos entre ambos e os aportes financeiros subsequentes do RPPS [Regime Próprio de Previdência Social], além de conversas encontradas no celular de Vorcaro indicando que a liberação de determinados investimentos dependia de alinhamento político com o ex-chefe do Executivo estadual”, diz o documento.

CRONOLOGIA –  A decisão aponta que as mensagens permitiram a fazer a cronologia das suspeitas e a relação entre os encontros de Castro com Vorcaro e os aportes no Master. “O fumus commissi delicti [a fumaça da prática de um crime] está presente. Segundo a Polícia Federal, o acervo até aqui reunido inclui mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, a reconstituição da cronologia de encontros e aportes, os documentos administrativos do RioPrevidência, os registros de credenciamento”, elenca o ministro.

E prossegue: “as referências de auditorias do TCE/RJ [Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro] e da Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social, além de elementos que indicam decisões sucessivas em desconformidade com a política de investimentos, com a regulação prudencial e com os deveres de diligência dos gestores. No presente estágio das investigações, tais dados superam largamente a mera conjectura.”

Governo e STF discutem resposta à ofensiva judicial americana contra Moraes

Crise “Dark Horse” força Flávio Bolsonaro a mudar comunicação da pré-campanha

Pré-campanha de Flávio escolhe marqueteiro de Tebet

Luísa Marzullo
O Globo

Após semanas de desgaste provocadas pela crise envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o filme “Dark Horse”, a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) escolheu o jornalista e marqueteiro Alexandre Oltramari para assumir o comando da comunicação e do marketing político do senador. A definição ocorreu nesta segunda-feira, em Brasília, durante reunião da cúpula da campanha coordenada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN).

Flávio não participou das tratativas porque viajou aos Estados Unidos. Ele tenta se encontrar nesta terça-feira com o presidente norte-americano Donald Trump. O encontro marcou a primeira reunião formal do novo núcleo de comunicação após a saída do publicitário Marcello Lopes, o Marcelão, do comando da estratégia eleitoral do senador. Flávio não participou porque está nos Estados Unidos.

NOVA EQUIPE – Além de Oltramari, a campanha também oficializou a entrada do publicitário Eduardo Fischer como consultor estratégico da comunicação da pré-candidatura. Fischer ficará responsável pelas diretrizes políticas, posicionamento público e estratégia macro da campanha, enquanto Oltramari comandará a operação diária de comunicação e marketing eleitoral.

Nos bastidores do PL, a reformulação é tratada como uma tentativa de “tirar Flávio das cordas” após semanas de desgaste provocadas pelo caso Vorcaro. Integrantes da campanha admitem reservadamente que a sucessão de revelações sobre a relação do senador com o fundador do Banco Master produziu danos políticos mais profundos do que o inicialmente previsto e obrigou a pré-campanha a rever sua estratégia de comunicação.

A avaliação interna é que o episódio atingiu justamente um dos pilares que o entorno de Flávio tentava consolidar para 2026: a imagem de estabilidade, previsibilidade e capacidade de diálogo político do senador. O temor hoje dentro do PL é que a crise passe a contaminar a percepção de competitividade eleitoral da candidatura, especialmente junto a setores do mercado financeiro e empresários que vinham sendo cortejados pela campanha.

NOVA ROTA – A reunião desta segunda-feira teve justamente o objetivo de começar a desenhar uma nova rota para a pré-campanha. Segundo interlocutores ouvidos reservadamente, o grupo discutiu mudanças na estratégia de exposição pública de Flávio, reforço da comunicação digital, reorganização do discurso político e formas de reagir ao impacto causado pela crise do “Dark Horse”.

Oltramari chega à campanha carregando um perfil considerado valioso por aliados de Flávio: reúne experiência em jornalismo político investigativo e marketing eleitoral. Antes de atuar em campanhas, construiu carreira em Brasília como repórter especial da Folha de S.Paulo e do Correio Braziliense e passou mais de uma década como editor de Política da revista Veja.

USO POLÍTICO – Ele ganhou projeção especialmente após a reportagem publicada em 2006 sobre o enriquecimento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Este conhecimento sobre Lulinha deve ser usado na campanha.

Depois de deixar o jornalismo, Oltramari migrou para o marketing político. Sua estreia ocorreu em 2010, na campanha vitoriosa de Marconi Perillo ao governo de Goiás. Posteriormente, participou da pré-campanha presidencial de Aécio Neves e acumulou campanhas consideradas bem-sucedidas eleitoralmente.

Entre os trabalhos mais citados por aliados do PL estão a campanha de Simone Tebet ao Senado em 2014 e as duas campanhas vitoriosas de Wilson Lima ao governo do Amazonas, em 2018 e 2022. Oltramari também mantém relação próxima com Eduardo Fischer, novo consultor estratégico da campanha de Flávio. Os dois trabalham juntos desde 2018, quando integraram a campanha presidencial de Álvaro Dias.

Escândalo do filme sobre Bolsonaro amplia o cerco contra Mário Frias

O significado dúbio das palavras, na visão poética de Malú Mourão

Ilustração reproduzida no Arquivo Google

Paulo Peres
Poemas & Canções

A professora e poeta cearense Maria Luíza Mourão, conhecida como Malú Mourão, explora poeticamente o significado dúbio das palavras que norteiam o destino de cada um de nós,

PALAVRAS
Malú Mourão

Ah, palavras!…
Palavras de amor,
Palavras de dor…

Ah, palavras!…
Palavras de encanto,
Palavras de espanto…

Ah, palavras!…
Palavras de paixão,
Palavras de traição…

Ah, palavras!…
Palavras escritas,
Palavras ditas…

Ah, palavras!..
De amor?
Ou dor?
De encanto?
Ou espanto?
De paixão?
Ou traição?
Escritas?
Ou ditas?

Palavras surgidas
Que revelam o saber,
De almas incontidas
Buscando viver!…