Aliados históricos de FHC declaram apoio a Lula e apontam riscos em projeto de Flávio Bolsonaro

Amigo de Flávio Bolsonaro é suspeito de receber decisões sigilosas do STJ antes da publicação

Lula e Flávio ampliam espaço para os vices na tentativa de conquistar novos votos

Donald Trump delira e ainda sonha em se intrometer nestas eleições do Brasil

Tribuna da Internet | Processo contra Eduardo Bolsonaro pode mesmo resultar  em extradição?

Charge do Nando Motta (Charges Brasil)

Vicente Limongi Netto

Eleição é exercer cidadania. Abrir a alma para acolher esperanças. Não deveria ter espaços para intolerância e covardia. Lamentavelmente ações rasteiras saem das entranhas de pessoas decaídas.  Nesta linha, personagens desprezíveis aparecem atolados na lama.

Puxando a grotesca fila, o presidente Donald Trump, mostrando as garras imundas para se intrometer nas eleições democráticas do Brasil, seguido pelo aliado serviçal e fujão, Eduardo Bolsonaro, que insultou servidores do Itamaraty, com ameaças de acabar com a “despetização” no Ministério das Relações Exteriores.

Por fim, há os valentões de barro, como o deputado federal eleito do PL, sargento Salazar, e Kidson Maia, derrotado para deputado estadual, proibidos pela justiça de se aproximar da candidata a vice governadora, Alessandra Campelo, do PSD do Amazonas, na chapa de Omar Aziz.  Deus tenha piedade de todos eles.

NOVA CARTA? – Flávio Bolsonaro vai alterar a Constituição ou fazer uma nova, para democratizar o país?  O Brasil não é um país democrata? Se não fosse, Flávio não estaria aí mentindo descaradamente.

O pior, vai convidar os Estados Unidos para fazer parte da transição do governo. Isto é, vai entregar o Brasil de mão beijada aos norte-americanos.

Sabemos que Flávio Bolsonaro está mentindo, ele sabe que está mentindo, ele sabe que nós sabemos que ele está mentindo, sabemos que ele sabe que sabemos que está mentindo, mas ainda assim continua mentindo.

Vorcaro encomendou vídeos para atacar jornalistas de O Globo, revelam mensagens

Esquerda reage no 2º turno e supera direita em engajamento nas redes

A virada expõe nova força de Lula no 2º turno

Bruno Romani
O Globo

Apesar das reclamações da campanha de Lula (PT) a respeito de interferência de big techs no processo eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL), o campo da esquerda superou a direita em engajamento nas redes sociais na primeira semana da campanha do 2º turno, refletindo a mobilização de apoiadores do candidato que busca a reeleição.

Segundo dados da empresa de análise Bites, obtidos com exclusividade pelo O Globo, influenciadores de esquerda subiram o engajamento nas redes da Meta em 783% entre 4 e 11 de outubro, contra 162% de influenciadores da direita. No Instagram sozinho — ou seja, sem o Facebook —, a esquerda subiu 1.195%, e a direita, 241%.

INTERAÇÕES ORGÂNICAS – O estudo não mede alcance ou impressões brutas — dados restritos às próprias plataformas. O levantamento acompanha as interações orgânicas públicas (curtidas, comentários e compartilhamentos) e mostra a mobilização da esquerda após a derrota no 1º turno da votação presidencial.

A falha técnica reconhecida pela Meta nesta sexta (16), que bloqueou temporariamente a conta de anúncios pagos de Lula por algumas horas, ocorreu no sistema de impulsionamento pago. Por isso, ela não afetou os dados do estudo, que monitorou apenas o engajamento orgânico do feed público.

A medição foi feita semanalmente ao longo de três períodos: pré-campanha (1º/6 a 15/8), campanha do 1º turno (16/8 a 3/10) e 2º turno (4/10 a 11/10). Antes da campanha, os perfis de direita somavam 11 milhões de interações por semana, contra 4,6 milhões da esquerda. Durante a campanha do 1º turno, a direita saltou para 25 milhões, contra 11,5 milhões da esquerda. Na semana seguinte ao 1º turno, a esquerda virou: 49 milhões, contra 45 milhões da direita. Essa é a única semana da série em que a esquerda superou a direita em interações.

TRAÇÃO EM MASSA – Somente os deputados federais André Janones e Erika Hilton tiveram, respectivamente, 24,7 milhões e 21,6 milhões de interações. Segundo André Eler, diretor técnico da Bites, a utilização de grandes comunidades organizadas no Telegram e no WhatsApp (grupos com até 2 milhões de pessoas convocadas para interagir simultaneamente) gerou tração orgânica em massa sem ferir as regras das plataformas.

Na esquerda, três perfis somam 76% das interações do campo no segundo turno: Janones (33%), Erika Hilton (29%) e Jones Manoel (15%). Na direita, Nikolas Ferreira sozinho responde por 49% das interações do campo, tanto no 1º quanto no 2º turno.

A medição olhou para 13 nomes da direita (André Fernandes, Bia Kicis, Carlos Bolsonaro, Damares Alves, Deltan Dallagnol, Gustavo Gayer, Jeffrey Chiquini, Julia Zanatta, Kim Kataguiri, Lucas Pavanato, Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Pr. Marco Feliciano) e 9 da esquerda (Ana Elisa, André Janones, Erika Hilton, Guilherme Boulos, Jones Manoel, Pedro Rousseff, Rick Azevedo, Sâmia Bomfim e Tabata Amaral).

EMPATE –  No 1º turno, influenciadores tanto de esquerda quanto de direita tiveram queda no engajamento nas redes da Meta, de 17% e 35%, respectivamente. Embora numericamente a queda na esquerda seja menor, a Bites considera o resultado um “empate”.

A queda generalizada é considerada normal. Com as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proibiam a distribuição algorítmica de conteúdos de candidatos durante o período de campanha, o algoritmo deixou de levar esses conteúdos aos feeds de não seguidores (a aba “Para Você” ou as sugestões), restringindo a entrega à própria bolha de seguidores. Com o fim das restrições, os números explodiram na disputa do 2º turno, com a ajuda de influenciadores que também eram candidatos.

LULA TAMBÉM SOBE –  Além dos influenciadores, o perfil de Lula também superou o engajamento do de Bolsonaro na primeira semana do 2º turno. O petista teve aumento de 298%, contra 110% de seu adversário, nas redes da Meta, no TikTok e no X. Na campanha do 1º turno, ambos tinham caído: Flávio, 16%, e Lula, 27%.

Impulsionado pela proximidade da aprovação da escala 6×1 e pela movimentação que resultou nos grandes atos do fim de semana, Lula teve um aumento muito expressivo no engajamento do Instagram na primeira semana do 2º turno: alta de 1.789%. Flávio cresceu 694%.

Lula mudou de estratégia ainda na campanha do 1º turno, passando de 110 para 300 posts por semana. Flávio manteve o ritmo e, depois do 1º turno, até reduziu para 56 posts. Assim, o petista ultrapassou o rival em interações na semana de 31/8 e ficou à frente até o fim da série.

Flávio Bolsonaro muda de discurso, mas deixa a economia sob suspeita

Lula nega acusações de Roberta Luchsinger e questiona timing de denúncia antes do 2º turno

Lobista Luchsinger exige delação, chama Lula de ‘mentiroso’ e Lulinha de ‘covarde’

A lobista Roberta Luchsinger concedeu entrevista à TV CNN, na noite deste  sábado (17), na qual chamou Lula (PT) de mau-caráter a afirmou que, na sua  visão, ela não era sócia doAna Pompeu
Folha

A lobista Roberta Luchsinger afirmou neste sábado (17) que pretende firmar um acordo de delação premiada. As declarações foram dadas em entrevista à CNN Brasil. Ela disse optar pela colaboração para não responder sozinha por todos os atos investigados.

Roberta é investigada em conjunto com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente da República, Lula da Silva (PT), em três inquéritos sob suspeita de corrupção e tráfico de influência.

NÃO VAI POUPAR – “Eu não vou poupar ninguém, porque o que está em questão é a verdade, doa a quem doer”, disse. “Não vou poupar o filho do presidente, não vou poupar o presidente.”

Por meio de nota, o presidente afirmou desconhecer “inteiramente os fatos relatados”. “Como já esclareceu em outras ocasiões, jamais manteve qualquer interlocução com ela, nunca recebeu suas demandas e tampouco tem conhecimento de supostas tratativas como as mencionadas. Importante ressaltar que não existe nenhum contrato do governo federal com a Roberta.”

Lula também afirmou estranhar o fato de a entrevista ser concedida, nesses termos, na semana anterior ao segundo turno das eleições.

USO ELEITORAL – “Causa estranheza que essas declarações sejam lançadas justamente às vésperas do segundo turno da eleição. O Brasil já assistiu, em outros processos eleitorais, à divulgação de denúncias sem comprovação, usadas como instrumento de manipulação da opinião pública. A repetição desse expediente representa uma tentativa irresponsável de tumultuar o processo democrático e interferir na livre escolha dos eleitores.”

Na entrevista, questionada sobre que informações ela poderia entregar, Roberta disse estar proibida de entrar em detalhes, afirmando que sua vida “é um livro aberto”.

Uma colaboração premiada precisa ser de interesse das autoridades para ser confirmada. Para ter benefícios em eventual condenação, Roberta precisará confessar crimes e entregar informações com as respectivas provas à Polícia Federal e/ou ao Ministério Público Federal.

COMPROVAÇÃO – Além dos elementos de corroboração para que a delação não se torne apenas um meio de reduzir penas e acusar outras pessoas, as equipes responsáveis pelos casos exigem dados inéditos e ainda não alcançados de forma independente.

Ao longo da entrevista, Roberta fez várias queixas sobre Lula, referindo-se ao fato de o presidente ter dito à TV Globo que a lobista é uma “pilantra muito grande” e teria enganado muitas pessoas. Ela chamou o presidente de senil e mau caráter e fez diversas críticas a ele.

Disse ainda que “um homem desse não pode continuar na Presidência do país” e que ele, pelo cargo que ocupa, deveria saber de tudo o que acontece na antessala de seu gabinete. Apesar disso, ela não apresentou informações novas sobre as investigações em curso.

ESCLEROSADO – “Eu acho que um presidente da República que não sabe o que tá acontecendo na antessala dele, ou ele é um mentiroso de dizer que não sabe, ou ele tá senil, esclerosado, como disse o [senador] Ciro Nogueira outro dia. A obrigação do presidente da República é cuidar do país, é cuidar da própria agenda”, disse.

As investigações envolvendo Lulinha, Roberta Luchsinger e também o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, são uma das principais fontes de desgaste para a campanha de reeleição do presidente Lula.

Os três inquéritos envolvendo Lulinha e Luchsinger tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal) e foram abertos a partir de elementos encontrados nas buscas e quebras de sigilo da Operação Sem Desconto, sobre as fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

SOCIEDADE OCULTA – Um dos pontos apurados pela Polícia Federal é a suspeita de que Roberta e Lulinha mantiveram uma “sociedade oculta” em negócios. A defesa dos dois nega que eles tenham cometido irregularidades. Na entrevista, Roberta voltou a negar.

“Eu não tenho atuação profissional com Lulinha. Isso a mídia fala muito, ou criou-se em volta de mim essa história: ‘Roberta tem acesso, tem poder, Roberta tem isso porque ela é sócia do Lulinha’.”

Nas declarações, ela também afirmou que o filho do presidente esteve várias vezes com ministros do governo federal. Ela também chamou o amigo de ingrato e “covarde como o pai” por não ter saído em sua defesa. A lobista não detalhou o contexto dos encontros mencionados, apenas afirmou que existiram.

GRANDE MENTIROSO – “É público, é notório que o Fábio Luis inúmeras vezes esteve com ministros, inclusive viajou pra casa de ministro, do ministro Camilo, no Ceará, inclusive. Então o Lula é um grande mentiroso quando ele fala: ‘Ela é uma pilantra, mas meu filho não. Meu filho jamais sentou com algum ministro.’ O filho dele sentava semanalmente com ministro, seja pra trocar figurinha, seja pra trocar qualquer outro tipo de diálogo. Eu sentava com ministros pra discutir. Pautas relativas à política pública”, disse.

Depois da conclusão da transmissão, a CNN reproduziu resposta do senador Camilo Santana (PT-CE) sobre as falas de Roberta. Ele afirmou jamais ter tratado de qualquer assunto de governo ou de qualquer tipo de negócio e que não tem qualquer relação alguma com a empresária.

Logo depois da entrevista, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) comentou as declarações nas redes sociais e chamou de “bomba” na família Lula. “Fala tudo, Roberta.”

CASO DO INSS  – Os inquéritos foram abertos a partir de elementos encontrados nas buscas e quebras de sigilo da operação que mira suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões do INSS –outro caso que respinga na avaliação presidencial.

Como a Folha mostrou, investigação da PF aponta que a lobista ordenou ao seu motorista pagamentos a integrantes da cúpula do Ministério do Desenvolvimento Social e que ela guardava dinheiro vivo em malas na sua residência.

Mensagens trocadas por Roberta com Ulisses Barbosa, seu auxiliar pessoal e motorista, apontam pagamentos em espécie para as contas de Ranniêr Costa Ciríaco, secretário-executivo adjunto do ministério comandado por Wellington Dias, e para José Martinho Ferreira de Araújo, atual coordenador do cerimonial da pasta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Roberta Luchsinger é nitroglicerina pura e se transforma na maior atração desta reta final da campanha. É claro que Flávio Bolsonaro vai usar a farta munição contra Lula e Lulinha no debate desta noite. Vou sair para comprar pipocas. Será uma noite longa e excitante.  (C.N.)

Quando a falha da Meta deixa de ser apenas técnica e passa a ter influência

Emendas parlamentares turbinam votos e transformam dinheiro público em força eleitoral

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Dimitrius Dantas
Lauriberto Pompeu
O Globo

Na cidade de Várzea, município de 2,7 mil habitantes no Sertão da Paraíba, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), recebeu 253 votos para deputado federal em 2022. No último dia 4, superou em quatro vezes esse desempenho e foi escolhido por 1.067 eleitores, a maior votação da cidade. Entre uma eleição e outra, a prefeitura recebeu R$ 1,73 milhão em emendas destinadas pelo parlamentar, o equivalente a 43% de todos os recursos desse tipo destinados à localidade no período.

A 68 quilômetros dali, em Condado (PB), o cenário foi parecido. Motta obteve 1.834 votos, o que representou 44,7% do total, o maior índice entre os demais candidatos, e 656 a mais do que há quatro anos. Nesse intervalo, enviou R$ 2,08 milhões em emendas ao município, 80% de tudo o que a prefeitura da cidade recebeu nessa modalidade.

INFLUÊNCIA DAS VERBAS – Os dois casos são exemplos da influência das verbas federais no resultado eleitoral. Um levantamento feito pelo O Globo mostra que a cada R$ 10 enviados em emendas nos últimos três anos, R$ 7 foram para o grupo de municípios em que os deputados tiveram suas maiores votações proporcionais.

Os dados indicam que em 90% das cidades em que um único deputado respondeu por mais da metade das emendas, o parlamentar terminou entre os três candidatos mais votados. Em 70%, foi o primeiro colocado.

Motta admite que seu desempenho nas urnas é fruto das verbas enviadas nos últimos anos e defende a utilização do instrumento por parlamentares para abastecer seus redutos eleitorais. Em sua gestão à frente da Câmara, o valor reservado no Orçamento para este tipo de recurso bateu recorde, com R$ 50,4 bilhões em 2025 e R$ 49,9 bilhões reservados neste ano.

NOTA – “A votação é consequência dessa minha atuação e revela a importância das emendas parlamentares. São os parlamentares que conhecem as necessidades de sua região”, afirmou Motta, em nota enviada por sua assessoria.

Mas a relação das emendas com o resultado eleitoral não se restringiu à disputa pela Câmara. O deputado federal Arthur Lira (PP-AL), por exemplo, foi o candidato a senador mais votado em três de cada quatro cidades de Alagoas que receberam emendas de sua autoria nos últimos três anos. Em 52 dos 55 municípios contemplados, terminou entre os dois primeiros colocados.

No município de Girau do Ponciano (AL), por exemplo, Lira havia recebido 221 votos e ficado em 14º lugar entre os candidatos a deputado federal em 2022. Nos três anos seguintes, destinou R$ 3,15 milhões apenas em emendas individuais ao município, o equivalente a 78% de toda a verba do tipo recebida pela cidade. Foi o mais votado, sendo escolhido por 14,6 mil eleitores. Procurado, ele não respondeu.

VOTO TURBINADO –   Os dados mostram ainda que o desempenho eleitoral dos parlamentares melhora quanto maior é o peso das suas emendas no orçamento municipal. Nos casos em que um único deputado foi responsável por mais de 75% dos recursos enviados à prefeitura, oito de cada dez foram os candidatos mais votados da localidade.

Ao comparar os dados de 2026 com os de 2022, os números indicam que o envio das emendas ajudou a turbinar a votação de deputados que disputaram a reeleição. É o caso, por exemplo, de Felipe Carreras (PSB-PE), que em 2022 obteve 83 votos em Santa Cruz do Capibaribe, município de 98 mil habitantes no Agreste pernambucano. Na ocasião, foi apenas o 33º entre os mais votados na cidade.

Quando o resultado da eleição à Câmara foi divulgado, o cenário já era outro. Carreras foi o mais votado no município, com 22,3 mil eleitores o escolhendo como o candidato a deputado. Entre uma eleição e outra, foi quem mais destinou emendas individuais para a cidade, com R$ 7,9 milhões.

COMEMORAÇÃO – O salto foi comemorado por Carreras em suas redes sociais: “O federal campeão em recursos é também o federal campeão de votos da cidade!”. Durante a campanha, o parlamentar também publicou diversos vídeos destacando as obras realizadas na cidade. “Santa Cruz virou um verdadeiro canteiro de obras, e por trás de cada avanço tem uma palavra que faz toda a diferença: parceria”, escreveu o deputado em uma das publicações. Procurado, ele não respondeu.

A relação entre voto e emenda também é observada em cidades maiores. Em Marabá, município de 267 mil habitantes no Pará, o deputado Delegado Caveira (PL-PA) saiu do oitavo lugar, com 4,3 mil votos em 2022, para o primeiro, com 35,4 mil neste ano. Entre as duas eleições, enviou R$ 17,9 milhões em emendas individuais para a cidade, o equivalente a 82% de todos os recursos desse tipo recebidos pelo município. Questionado sobre as verbas, não se manifestou.

Em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, Luciano Vieira (PSDB-RJ) passou do terceiro para o primeiro lugar entre uma eleição e outra, passando de 10,5 mil para 50,4 mil votos. No período, ele foi o principal autor das emendas individuais destinadas ao município, com R$ 51,1 milhões. O parlamentar não comentou.

PRESENÇA – Para o deputado Danilo Forte (PP-CE), que relatou a Lei de Diretrizes Orçamentárias em 2024, é natural que deputados sejam mais votados em municípios para os quais enviam mais recursos, pois é onde se fazem mais presentes.

— As minhas emendas são em cima das demandas, então é lógico que eu vou enviar para os municípios nos quais eu ando e tenho parceria — disse Forte.

Em 2022, Forte recebeu 74 votos em Uruburetama, no interior do Ceará, o equivalente a 0,54% dos votos válidos para deputado federal no município. No dia 4 deste mês, o cenário foi outro: o parlamentar recebeu 6.065 votos na cidade e alcançou 42,13% da votação local. Entre uma eleição e outra, Uruburetama foi destino de R$ 7,76 milhões em emendas individuais empenhadas pelo parlamentar.

Eleitores condenam a corrupção, porém ainda elegem seus corruptos preferidos

O jeito PT de combater a corrupção – PSDB – PE

Charge do Fred (Arquivo Google)

Hélio Schwartsman
Folha

Faz todo o sentido que o eleitorado rejeite a corrupção. Até algumas décadas atrás, ainda havia uma corrente de economistas que descrevia o fenômeno em termos mais benignos, como uma “graxa” que lubrificaria engrenagens travadas por instituições disfuncionais ou por excesso de regulação.

Mas essas ideias, que já caíram em descrédito na academia, nunca fizeram muito sentido quando consideradas do ponto de vista do cidadão, que é a parte prejudicada pelos desvios, seja pela subtração direta de recursos públicos, seja pela perda de eficiência em sua alocação.

CASOS DO PT – Não sou eu, portanto, quem vai condenar a revolta de segmentos da população com os escândalos do mensalão e do petrolão ocorridos sob a égide do PT. Algo parecido vale para Lula. Ainda que suas condenações criminais pelo caso do tríplex e pelo sítio tenham sido anuladas, o problema ético subsiste.

Lula colocou-se num relacionamento com empresários que não passa nem no mais grosseiro teste de integridade republicana. No mínimo, ele recebeu tratamento especial e benesses que jamais poderia ter aceitado.

Assim, o que se esperaria de um eleitor racional e justo é que aplicasse a todos os partidos e políticos aquilo que exige do PT e de Lula. Não parece ser isso, porém, o que estamos presenciando. É verdade que Ciro Nogueira e ACM Neto, flagrados em relações incestuosas com o irmão Vorcaro, foram gongados pelo eleitor. Esse não deve ter sido o único fator, mas quero crer que foi um deles.

E OS OUTROS – Mas vários outros políticos metidos no escândalo ganharam novos mandatos. É o caso de Mario Frias, Hugo Motta e Antônio Rueda. Pela esquerda, Jaques Wagner cai nessa categoria.

A situação mais escandalosa, contudo, é a de Flávio Bolsonaro. Ele pediu ao ex-banqueiro R$ 134 milhões e recebeu mais ou menos a metade disso. Traz ainda em seu currículo suspeitas nunca explicadas envolvendo rachadinhas, lavagem de dinheiro e patrimônio maior que a renda.

Inconsistências desse calibre só se explicam por uma perversa combinação de hipocrisia com autoengano.

Quem venceu as entrevistas com Lula e Flávio foram os donos da TV Globo

Doses de esperança – Cedhor

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Carlos Newton

Como todos sabem, a TV Globo realizou, quinta e sexta-feira, entrevistas com os dois candidatos à Presidência da República que disputam o segundo turno. Transmitidas ao vivo após a exibição do Jornal Nacional, as entrevistas com Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) foram feitas por Renata Lo Prete, apresentadora do Jornal da Globo.

O mais interessante, após as entrevistas, foi O Globo ter publicado as opiniões de seus principais colunistas políticos, para que proclamassem “quem venceu as entrevistas”.

TUDO ARRANJADO – Como acontece na Organização Globo desde os tempos pioneiros de Roberto Marinho, não é o interesse nacional que aparece em primeiro lugar no jornalismo. Tudo parece que está sendo arranjado nos bastidores.

O que mais importa são as finanças do conglomerado e os entendimentos com o poder público para garantir a despropositada hegemonia global no recebimento de recursos públicos, especialmente agora, numa fase em que a TV aberta significa cada vez menos em termos de audiência e importância na mídia como um todo.

Essa hegemonia dos Marinho só deixou de existir uma vez, no mandato do presidente Jair Bolsonaro (2019-2022), mas a volta de Lula ao poder, em 2023, imediatamente devolveu os privilégios aos cofres dos empresários globais , que dizem atuar em jornalismo, mas na verdade estão em outro ramo de negócios.

ANTIJORNALISMO – Desde cedo, os irmãos Marinho foram o contrário do pai, jamais trabalharam como jornalistas. O único que tentou alguma coisa foi João Roberto. O pai o colocou de castigo na Editoria de Educação, como diagramador. Ficou algumas semanas. Eu lembro bem dele lá, pobre menino rico, todo receoso, com medo de se relacionar com os empregados.

Mais de 50 anos depois, os três irmãos Marinho continuam a ter pavor de jornalistas. Ficaram a apavorados com o fato de o caso Master ter sido revelado por colunistas do jornal (Lauro Jardim e Malu Gaspar), e passaram a esconder o trabalho dos jornalistas de política, que deveriam ser o maior orgulho do jornal.

Hoje, as preciosas colunas de Lauro Jardim, Malu Gaspar, Merval Pereira, Bela Megale, Bernardo Mello Franco, Elio Gaspari etc. estão escondidas entre mais de sessenta outras, quase todas sem a menor expressão, e tudo isso é uma vergonha para os jornalistas de verdade.

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P.S. 1 – Agora, a verdade vem à tona. A Organização Globo teve de demitir Frederic Kachar do cargo de diretor-geral de Mídia Impressa e Rádio.  O executivo global era íntimo de Daniel Vorcaro e com ele negociava  patrocínios em eventos do grupo, fazia pedidos de reportagens de interesse do banqueiro, debatia matérias feitas por jornalistas do Globo e tecia comentários sobre festas com prostitutas estrangeiras.

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P.S. 2 – Há também o envolvimento entre Vorcaro e  Luciano Huck, o apresentador argentário que defende o meio ambiente, mas invade reserva ambiental em benefício próprio. Aliás, no golpe do Familhão, que explora os mais pobres, Huck é o dono da ideia e presidente da empresa, na qual Paulo Marinho, presidente da Rede Globo, aparece apenas como mero sócio do apresentador. Como dizia Ibrahim Sued, em sociedade tudo se sabe. (C.N.)

TSE prepara novas regras para canais de WhatsApp e tenta destravar acordo entre Lula e Flávio

Resolução deve ser votada na tarde desta sexta-feira

Mariana Muniz
O Globo

Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reuniram nesta sexta-feira para definir critérios para o funcionamento de canais de WhatsApp veiculados às campanhas eleitorais. Uma resolução deve  tentar solucionar um dos principais impasses nas negociações conduzidas pelo presidente da Corte, Kássio Nunes Marques, com as equipes jurídicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), que disputam o Palácio do Planalto.

Segundo O Globo apurou, a reunião contou com a participação de todos os integrantes do tribunal e a resolução foi redigida em comum acordo pelos ministros. Os magistrados discutiram alterações na resolução que disciplina a propaganda eleitoral, com o objetivo de estabelecer parâmetros para diferenciar canais oficiais das campanhas daqueles mantidos de forma independente por apoiadores de candidatos.

PLENÁRIO – Entre as situações discutidas pelos ministros está a utilização de recursos financeiros de campanha em canais de WhatsApp. Nesse caso, o emprego de dinheiro da campanha seria um dos critérios para caracterizar o vínculo do canal com a candidatura. A resolução deverá estabelecer outras hipóteses para orientar essa diferenciação.

A definição desses parâmetros era uma das principais demandas da equipe jurídica de Lula nas negociações com o TSE. Os advogados da campanha petista defendiam que a Justiça Eleitoral estabelecesse uma distinção clara entre os canais mantidos oficialmente pelas candidaturas e aqueles administrados de forma autônoma por apoiadores, sem vinculação direta com a estrutura eleitoral.

ACORDO – Como mostrou O Globo, a ausência dessa diferenciação vinha dificultando a construção de um acordo entre as campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro, iniciativa defendida por Nunes Marques para reduzir a judicialização da disputa presidencial.

Nos bastidores, integrantes da equipe jurídica petista afirmavam que a falta de uma solução para o funcionamento dos canais tornava difícil a assinatura de qualquer entendimento. A avaliação era de que não haveria condições de avançar nas negociações sem uma definição sobre quais canais estariam sujeitos às obrigações impostas às campanhas.

“EXÉRCITO DE LULA” –  A discussão ganhou força após uma sucessão de decisões conflitantes entre o presidente do TSE, Nunes Marques, e o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, envolvendo o canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, mantido por apoiadores do presidente. A disputa entre os ministros provocou uma crise interna no tribunal e expôs divergências sobre as regras aplicáveis aos canais de comunicação durante a campanha eleitoral.

No domingo passado, Nunes Marques determinou a censura do canal, utilizando a ausência de registro na Justiça Eleitoral como um dos fundamentos para a medida. Relator do processo, Cueva posteriormente restabeleceu o funcionamento do “Exército do Lula” e determinou que o caso fosse submetido a julgamento no plenário virtual da Corte.

Na terça-feira, porém, Nunes Marques voltou a intervir no processo e, por meio de uma decisão monocrática, suspendeu a determinação de Cueva, impondo novamente a censura ao canal. A medida provocou críticas de outros integrantes do TSE, tanto pela restrição ao funcionamento do canal quanto pela decisão do presidente de impedir que o caso fosse analisado pelo colegiado.

IMPASSE – O canal acabou sendo liberado após o cumprimento do prazo de 48 horas estabelecido por Nunes Marques, mas a sequência de decisões aprofundou o impasse sobre a necessidade de registro de canais mantidos por apoiadores dos candidatos.

Como mostrou O Globo, uma ala de ministros do TSE avalia que as regras eleitorais não exigem o registro de canais mantidos de forma independente por apoiadores, mas apenas daqueles oficialmente vinculados às campanhas. Esse entendimento contraria a interpretação adotada por Nunes Marques no episódio.

Chico Alencar aponta para a “mediocrização da política”, após avanço da direita

Ao se fazer de vítima, Flávio acabou mostrando que apenas imita seu pai

Flávio Bolsonaro em sabatina da Globo.

Flávio Bolsonaro revelou que o pai será seu maior conselheiro

Vicente Limongi Netto

Flávio Bolsonaro começou entrevista na Globo tentando se fantasiar de vítima. É mesmo descarado, um candidato sem argumentos, mas sabidão em lorotas e arrogância.

Falando pelos cotovelos, insistiu em mostrar dados do pai, Jair Bolsonaro. A tática é tentar convencer os incautos sobre supostos motivos que impediram de atingir conquistas sociais e econômicas dos brasileiros.

DESPREPARADO – Nessa linha, tentou colocar a capa de bonzinho, alegando que os mais pobres poderão dormir em paz. E insistiu em botar banca, dizendo que é preparado para o cargo.

Na realidade, é um candidato que tem todas as condições de tentar destruir o Brasil mais rapidamente do que os estragos feitos pelos destrambelhos do pai golpista e presidiário.

Na entrevista, aproveitou para mostrar todo o ódio aos ministros do Supremo Tribunal Federal. O rancor e a fúria por vingança eram impressionantes.  Quer ser presidente para punir e ameaçar ministros do STF.

“MELHOR PRESIDENTE” – Hilário e patético, Flávio teve o descaramento de dizer que o pai dele foi o melhor presidente do Brasil. Credo, blasfêmia oceânica.

Gaguejou nas perguntas da isenta e competente Renata Lo Prete sobre os milhões que recebeu do bandido Vorcaro. Nervoso, insistiu em misturar as estacoes, tentando envolver os abusos dele e do pai dele com a demissão do diretor da Globo que tinha relações com Vorcaro.

A esta altura, Flávio já começou a mostrar impaciência com perguntas da entrevistadora. Ao final, mostrou que a família não tem solução, pois anunciou que o pai presidiário será seu principal conselheiro. Cruzes. Estamos perdidos.

O que pode explicar esta aproximação dos jovens com a direita radical ?

Lula prepara ofensiva contra Flávio e promete confronto de projetos

Lula prepara contra-ataque a Flávio no debate da Band

Sérgio Roxo
O Globo

O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou neste sábado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva buscará o confronto direto com Flávio Bolsonaro (PL) no debate da Band na noite de domingo. O petista, que disputa a reeleição, passará o sábado no Palácio da Alvorada para se preparar para o encontro.

“O que nós mais queremos é o confronto direto. Nós queremos que o povo brasileiro possa saber o que representa o Flávio Bolsonaro, que mente o tempo todo”, afirmou Edinho, que é coordenador-geral da campanha de Lula.

O presidente do PT ainda disse que Lula representa o projeto que garante direito aos trabalhadores e o adversário o que tira direitos. “Esses projetos têm que ser confrontados amanhã”, afirmou.

DEBATE NA GLOBO – Edinho ainda destacou que Lula também irá ao debate da Globo na próxima sexta-feira. “Vai participar do debate da Globo e nós queremos confrontar o projeto que o Flávio Bolsonaro defende de perda dos direitos. Nós vamos desmascarar todas as mentiras do Flávio Bolsonaro e queremos que ele se explique”, disse.

Na manhã deste sábado, estiveram com Lula no Alvorada, além de Edinho, o ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, o governador do Piauí, Rafael Fonteles, e o senador Camilo Santana (PT-CE).

O comando da preparação caberá a Sidônio. A estratégia do ministro é preparar Lula para discutir propostas e apresentar um presidente propositivo ao público. Interlocutores de Sidônio afirmam que Lula vai evitar ataques pessoais e centrar o embate nos riscos de cortes de programas sociais diante do “tesouraço” proposto por Flávio.

COMPARAÇÃO – Também será feita a comparação com entregas do governo de Jair Bolsonaro. Lula deve falar de novas propostas, como o perdão de dívidas para MEIs e as promessas do programa Pé-de-Meia Universitários para estudantes de universidades públicas e de passe livre no transporte público aos finais de semana.

Lula contará mais uma vez no treinamento para os debates com o auxílio da jornalista Olga Curado, preparadora de candidatos que mistura princípios do aikido (arte marcial japonesa), psicologia, budismo e meditação.

A consultora já havia auxiliado o petista nas eleições de 2006 e 2022. Na disputa de 20 anos atrás, antes de um debate com Geraldo Alckmin, então candidato a presidente pelo PSDB, Olga deu uma chave de braço e tentou enforcar o então presidente da República no treino para o encontro. Em 2018, Olga Curado ajudou o então candidato do PT, Fernando Haddad, na preparação para debates, entrevistas e discursos

Canais de apoiadores dividem ministros do TSE após caso Exército do Lula

Nunes Marques já não esconde parcialidade em suas decisões

Mariana Muniz
O Globo

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) avaliam que canais de WhatsApp mantidos por apoiadores de candidatos à Presidência da República não precisam de registro na Justiça Eleitoral para funcionar. O entendimento contraria a interpretação adotada pelo presidente da Corte, Nunes Marques, que utilizou a ausência de registro como um dos fundamentos para determinar a suspensão do canal “Exército do Lula”, ligado a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na última quarta-feira, Nunes Marques determinou o restabelecimento imediato do canal, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), e derrubou o prazo de 48 horas que havia estabelecido para seu retorno. A nova decisão, porém, não alterou a exigência de registro na Justiça Eleitoral, ponto central das críticas feitas por integrantes do tribunal à condução do episódio.

APENAS CANAIS OFICIAIS – Nos bastidores do TSE, a avaliação é que as regras eleitorais estabelecem a obrigatoriedade de registro apenas para canais oficiais das campanhas, sem alcançar iniciativas autônomas de apoiadores, parlamentares ou integrantes da sociedade civil. Para esses ministros, ampliar a exigência significaria submeter manifestações espontâneas de apoio político ao controle dos partidos e das campanhas eleitorais.

O entendimento foi discutido internamente na Corte em meio à controvérsia sobre o funcionamento do “Exército do Lula”, que teve suas atividades suspensas por determinação de Nunes Marques no último domingo. A interpretação defendida por integrantes do tribunal é de que não há previsão nas normas eleitorais para exigir que canais independentes sejam formalmente vinculados a uma candidatura.

RESTRIÇÃO – A avaliação é de que a exigência de registro deve ficar restrita aos canais administrados oficialmente pelas campanhas eleitorais, que estão sujeitos às regras específicas estabelecidas pelo TSE. Já os espaços criados por apoiadores, mesmo quando utilizados para divulgar conteúdos favoráveis a determinado candidato, não estariam automaticamente submetidos à mesma obrigação.

Como exemplo, integrantes da Corte mencionam canais vinculados a parlamentares e políticos que não integram formalmente as estruturas das campanhas presidenciais. Esses espaços, segundo essa interpretação, não precisam de registro prévio para continuar funcionando.

EXEMPLO – O caso do deputado federal André Janones, aliado de Lula, é citado como exemplo dessa distinção. A avaliação é de que o parlamentar, por não integrar formalmente a campanha petista, não poderia ser obrigado a registrar seu canal como se fosse um instrumento oficial da candidatura.

Ministros também apontam que canais ligados a outros políticos, como Carlos Bolsonaro, Pablo Marçal e Nikolas Ferreira, funcionam sem registro específico como canais oficiais de campanha. Para essa ala do tribunal, a exigência não poderia ser aplicada de maneira distinta a espaços de mobilização política semelhantes.

A divergência ocorre em meio a críticas internas à condução do episódio por Nunes Marques. Integrantes do TSE defendem que a controvérsia seja resolvida de acordo com os limites estabelecidos pela própria regulamentação eleitoral, sem a criação de novas exigências para a atuação de apoiadores nas redes sociais.

URGÊNCIA – Há ainda um incômodo com a ausência de uma deliberação colegiada sobre o tema. Embora ministros defendam uma interpretação mais restrita da obrigatoriedade de registro, a definição sobre a inclusão do assunto na pauta do plenário depende do presidente da Corte. Na terça-feira, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva pediu que o caso fosse analisado com urgência pelo plenário.

Nos bastidores, a avaliação é de que a discussão poderia ser resolvida pelo conjunto dos ministros, estabelecendo uma orientação uniforme para as campanhas de Lula e do senador Flávio Bolsonaro (PL). Até o momento, porém, Nunes Marques não submeteu a controvérsia sobre a obrigatoriedade de registro ao colegiado.

MUDANÇA NA REGRA –  Na decisão desta quarta-feira, Nunes Marques alterou a regra que previa um intervalo de 48 horas para a utilização de endereços eletrônicos registrados na Justiça Eleitoral entre o primeiro e o segundo turno. A mudança, feita por decisão da Presidência e sujeita à confirmação pelo plenário, permite que esses canais sejam utilizados imediatamente após a comunicação ao tribunal.

O ministro justificou a alteração pelas particularidades do segundo turno, que tem um período de campanha mais curto. A decisão também levou em consideração informações prestadas pelas áreas técnicas do TSE sobre o registro de outros canais de comunicação.

REGISTRO DOS CANAIS – A mudança, no entanto, não afastou a necessidade de registro dos canais considerados oficiais de campanha. No caso do “Exército do Lula”, Nunes Marques considerou suficiente a comunicação do endereço feita pela campanha petista e autorizou o restabelecimento imediato de seu funcionamento.

O presidente do TSE também estabeleceu que, enquanto não forem definidos critérios para identificar quando um canal deve ser considerado oficialmente vinculado a uma candidatura, a campanha de Lula poderá supervisionar o funcionamento do espaço administrado por Janones.

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