Defesa de Vorcaro tenta barrar divulgação de dados privados do banqueiro

Charge do Spacca (Instagram)

Fernanda Fonseca
CNN

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) que informações privadas e sem relação com as investigações sejam retiradas dos materiais antes de eventual divulgação pública.

O pedido foi apresentado neste sábado (12), após a retirada do sigilo de dezenas de procedimentos ligados ao Banco Master. Os advogados dizem que não querem impedir a publicidade das investigações, mas defendem uma filtragem prévia para preservar conteúdos protegidos pela intimidade, pela vida privada ou por sigilo legal.

MENSAGENS ÍNTIMAS – A defesa cita imagens e informações de familiares de Vorcaro, inclusive dos filhos, e comunicações protegidas por sigilo profissional, como conversas com advogados. O documento também menciona a divulgação de mensagens íntimas trocadas entre Vorcaro e sua então namorada durante a Operação Compliance Zero. A ex-noiva e ex-namorada do banqueiro é a empresária, modelo e influenciadora digital Martha Graeff.

Conversas privadas entre os dois vieram a público após vazamentos de dados apreendidos em celulares de Vorcaro. Segundo a defesa, o episódio mostra que há risco de exposição de informações sem relação com os fatos investigados.

DISPUTA NO STF – O pedido ocorre em meio à disputa no Supremo sobre o acesso aos dados extraídos do celular de Vorcaro. Ministros da Corte pediram acesso à íntegra do material antes da sessão de terça-feira (15).

Neste sábado, o presidente do STF, Edson Fachin, deu 24 horas para que a Polícia Federal informe sobre a custódia e o estado desse material antes de decidir sobre os pedidos de acesso.

Fachin também assumiu a relatoria do procedimento sobre as mensagens envolvendo Vorcaro e Alexandre de Moraes e determinou a remessa à Presidência dos processos relacionados às investigações do Banco Master e das fraudes do INSS.

Dark Horse: produtor nos EUA exige ordem da Justiça americana para entregar documentos à PF

Crise no STF ainda não muda a eleição: 85% dizem manter voto após caso Vorcaro

Petrus, espumantes e relógios: o rastro de luxo encontrado pela PF em endereço ligado a Vorcaro

Bebida encontrada pode chegar a R$ 95 mil por unidade

Paulo Assad
O Globo

Ao cumprir mandados de busca e apreensão no início de julho em um endereço do publicitário Thiago Miranda, vinculado ao banqueiro Daniel Vorcaro, a Polícia Federal encontrou caixas de espumantes e vinhos de alto valor, no que foi descrito como um “padrão financeiro” até o momento desconhecido.

A informação consta nos novos documentos que tiveram o sigilo levantado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça na última sexta-feira. A PF diz ter identificado dez garrafas do vinho Petrus. A corporação destaca que, a depender da safra e das condições de conservação, a bebida pode chegar a R$ 95 mil por unidade. As bebidas estavam na residência de Miranda em Brasília.

LARANJA – Segundo a PF, algumas caixas de espumante estariam “em tese” direcionadas a Fernando Cavalcanti, alvo da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes no INSS. Questionado, o marido de Miranda disse ter comprado as bebidas de Cavalcanti. Ele é ex-sócio de outro investigado, o advogado Nelson Wilians e já negou ser “laranja” no esquema contra a previdência pública

Em uma decisão posterior sobre o caso, ao mencionar as bebidas encontradas na residência de Miranda, o ministro André Mendonça elencou elas entre “achados que demandam maior aprofundamento instrutório com vistas a sua adequada compreensão”.

Em um relatório, a PF chama atenção para o fato de ter encontrado no endereço “casa de alto valor recentemente construída, carros importados na garagem, relógios de luxo”, mas afirma não ter encontrado “até o momento” vínculos com o caso Master.

Fachin exige respostas imediatas da PF sobre material do celular de Vorcaro

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Patrik Camporez
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou neste sábado que a Polícia Federal informe, em até 24 horas, quem mantém a custódia e qual é o estado do material extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada após os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes solicitarem cópia integral da mídia extraída do aparelho ou, alternativamente, que o conteúdo seja requisitado à PF.

André Mendonça informou que a cópia existente em seu gabinete é apenas um backup, permanece lacrada e nunca foi manuseada por ele, enquanto o material original está sob custódia da Polícia Federal.

ACESSO AO MATERIAL – Os pedidos foram apresentados separadamente pelos três ministros. Zanin, Moraes e Gilmar solicitaram acesso à cópia integral da mídia extraída do celular de Vorcaro. Como alternativa, pediram que o próprio STF requisitasse à Polícia Federal o fornecimento do material.

Ao prestar esclarecimentos sobre o conteúdo, Mendonça afirmou que a cópia mantida em seu gabinete é apenas de segurança e permanece lacrada. Segundo o ministro, ele nunca manuseou o material, que serviria como contraprova apenas em caso de perda ou extravio do original.

SOB CUSTÓDIA – Mendonça informou ainda que o material original continua sob a custódia da PF e dentro da cadeia de custódia. Diante disso, Fachin deu 24 horas para que a corporação informe onde o material está custodiado e em que estado se encontra.

Ainda neste sábado, a Procuradoria-Geral da República (PGR) reforçou o pedido para que todos os ministros do STF tenham acesso à íntegra dos dados relacionados ao caso Master antes de analisar o tema. A nova manifestação foi encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, no âmbito do procedimento que discute a divulgação do conteúdo extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

CONHECIMENTO PRÉVIO – No documento, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, reitera uma manifestação apresentada na sexta-feira e afirma que, diante das “peculiaridades da causa”, é necessário que todos os integrantes da Corte tenham conhecimento prévio da integralidade das informações. “Parece-nos relevante, sobretudo e especialmente dadas as peculiaridades da causa, que todos Ministros tenham conhecimento prévio da integralidade dos dados necessários para a formação de juízo sobre o tema posto em debate”, diz a PGR.

A manifestação é assinada, além de Gonet, pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand Filho, e pelos subprocuradores-gerais Antônio Edílio Magalhães Teixeira e André de Carvalho Ramos. O documento foi apresentado um dia depois de a PGR defender a retirada ampla do sigilo das peças e procedimentos relacionados ao caso Master, sob o argumento de que a relação inicialmente encaminhada ao STF não contemplava parte dos procedimentos correlatos à investigação principal.

Mensagens mostram contato de Mendonça com Cláudio Castro sobre processo de Cabral

É melhor perguntar “por quem eu voto?”, ao invés de indagar “em quem eu voto?”

Você vai votar em quem para presidente? 🎨 @tomcotrim_ #chargepolítica  #eleições #eleições2026 #votoconsciente

Charge do Tom Cotrim (Charge Política)

Vicente Limongi Netto

O artigo de Ana Dubeux (Correio Braziliense – 13/09), sob o título “Carta a Liz, Felipe e a quem merece seu voto”, respira indignação, esperança emoção ,e patriotismo. A jornalista sonha com um Brasil mais saudável e digno para os netos, Liz e, agora, Felipe.

“Olhar para ele me dá uma força tremenda para defender a democracia”, ela revela, referindo-se ao novo neto.  A seu ver, os resultados das urnas de outubro precisam simbolizar avanços coletivos, com fortes lições de cidadania para futuras gerações. 

FÉ E EMOÇÃO – Cultivando o trigo e jogando o joio no lixo. Dubeux exorta, de cabeça erguida e coração com fé: “Vamos eleger pessoas sérias e comprometidas, eu ainda acredito”. E acrescenta, com firmeza e emoção:

“Preciso acreditar por Liz, por Felipe, pelas crianças, pelos famintos, pelas minorias, por quem luta dia e noite pelo país soberano que habitamos.

A pergunta mais essencial a se fazer nem é necessariamente “em quem eu voto?”, mas “por quem eu voto?”

PGR aponta atuação de Eduardo Bolsonaro em remessas para financiar “Dark Horse”

‘Ideal seria haver recursos já nos EUA’, disse Eduardo

Márcio Falcão
Ana Flávia Castro
Mariana Laboissière
Reynaldo Turollo Jr
G1

Um documento da Procuradoria-Geral da República (PGR), elaborado com base em investigações da Polícia Federal (PF), aponta que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro orientou a gestão e a remessa de recursos nos Estados Unidos para o financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O parecer, assinado em julho de 2026 pelo procurador-geral Paulo Gonet, deu aval à abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar o financiamento transnacional da produção cinematográfica.

ORIENTAÇÕES – Investigadores obtiveram a captura de tela de uma conversa atribuída a Eduardo Bolsonaro com orientações sobre como operacionalizar o envio dos valores ao exterior. O documento da PGR não especifica quem era o destinatário direto da mensagem.

No texto, o ex-parlamentar sugere enviar o máximo possível pelo sistema já utilizado — que não fica claro qual era — e coloca um operador à disposição para reuniões. “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos”, diz o trecho atribuído a Eduardo Bolsonaro.

RECEIO – “Meu receio é que você seja solícito, bom coração, mas tenha essa dificuldade. Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, como o remetente atual e etc. Será que conseguimos? Nos dá amanhã um feedback desta sua reunião de hoje a noite, por favor? O Altieris Santana está à disposição, inclusive voa para fazer reunião pessoal com quem quer que seja”, conclui a mensagem.

Altieris Santana, citado no diálogo, é identificado na apuração como diretor do Havengate Development Fund, fundo de investimento sediado no Texas (EUA) responsável por administrar os valores e repassá-los à produtora Go Up Entertainment.

REPASSES ILÍCITOS –  A apuração aponta indícios de que empresas foram utilizadas para operacionalizar repasses ilícitos para a produção cinematográfica. Em dezembro de 2024, o publicitário Thiago Miranda enviou ao banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta intitulada “Acordo de Financiamento de Produção ‘Capitão do Povo'” (nome anterior do filme “Dark Horse”), prevendo um investimento total de US$ 24 milhões em 14 parcelas.

As remessas internacionais, que somaram US$ 12,3 milhões em 2025, foram realizadas pela empresa Entre Investimentos, pertencente a Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.

“Mineiro” firmou um acordo de delação premiada com a PGR, homologado na última quarta (9) pelo ministro do STF André Mendonça. Em seus depoimentos, o empresário listou pagamentos ao fundo que financiou o filme, o uso de uma empresa nas Bahamas para repasses a mando de Vorcaro e a compra de malas destinadas exclusivamente à entrega de dinheiro vivo.

VALORES DESTOANTES –  Na representação enviada ao STF, a Polícia Federal ressaltou que o montante previsto para o filme era desproporcional e levantava suspeitas de que os recursos pudessem ter outras finalidades além da produção cinematográfica: “A magnitude dos valores identificados […] permanece significativamente destoante dos referenciais disponíveis do mercado audiovisual nacional e, somada às demais circunstâncias descritas, reforça a necessidade investigativa de verificar a compatibilidade econômica e a efetiva destinação dos recursos”, registrou a PF.

“A discrepância entre as projeções do plano de negócios e qualquer parâmetro realista do mercado cinematográfico nacional constitui elemento que reforça a necessidade de apuração quanto à viabilidade econômica e à verdadeira finalidade da operação”, aponta outro trecho do relatório.

TRATATIVAS –  O parecer da PGR indica que a articulação contava também com a participação do senador Flávio Bolsonaro, que manteve tratativas diretas com Daniel Vorcaro sobre cobranças de repasses, reuniões e o acompanhamento das gravações.

Em setembro de 2025, Thiago Miranda comunicou a Vorcaro que Flávio Bolsonaro desejava encontrá-lo pessoalmente para mostrar trechos do que estava sendo gravado, sugerindo um encontro na residência do banqueiro. No dia seguinte, registros mostram uma ligação entre Vorcaro e Flávio, coincidindo com a realização de uma das remessas da Entre Investimentos para o fundo nos EUA.

Na representação ao STF, a polícia diz quais pontos precisam ser esclarecidos na investigação: “a origem dos recursos destinados ao financiamento do filme”; “a razão da utilização da Entre Investimentos como intermediária dos pagamentos”; “a função desempenhada pela Havengate Development Fund LP”; “os beneficiários finais dos valores remetidos ao exterior”; “o papel efetivamente exercido por Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro” e dos demais envolvidos na “estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes”.

O QUE DIZEM OS CITADOS –  Em entrevista à GloboNews em maio, o senador Flávio Bolsonaro negou que os recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro, afirmando que o dinheiro foi aplicado integralmente na produção do filme:

“Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”, declarou Flávio. A TV Globo tenta contato com Eduardo Bolsonaro. Já a defesa de Flávio Bolsonaro não tinha enviado resposta até a última atualização desta reportagem.

Moraes devia renunciar ao STF, antes de haver a investigação que irá condená-lo

Alexandre de Moraes e o golpe, Leite interrompe as férias e outras frases  da semana | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Eliane Cantanhêde
Estadão

A decisão que o Supremo Tribunal Federal está prestes a tomar, na próxima terça-feira, é doída, sim, mas de uma simplicidade desconcertante: se, em tese, qualquer cidadão pode ser investigado por suspeita de ter cometido desvios, por que não Sua Excelência Alexandre de Moraes? Se julgado culpado, que seja condenado. Se não, inocentado. Pelo menos, deve, ou deveria, ser assim…

O que, definitivamente, os ministros da corte não podem fazer é ignorar os 134 milhões de motivos para uma investigação. Para tentar salvar Moraes, um caso perdido, ao custo de esgarçar sem conserto a credibilidade do Supremo, desmoralizar as instituições e, tudo junto e combinado, impactar a eleição presidencial sem retorno?

DESMORONAMENTO – Se for nessa direção, o plenário vai concluir o desmoronamento do Supremo sem conseguir salvar a pele, a reputação e o destino de Alexandre de Moraes. Em vez de desmoronar um, desmontaria a corte com todos dentro.

Moraes insiste em fazer pronunciamento na terça-feira, mas o que tem o que dizer? Não tem como explicar o valor do contrato com o escritório da família, negar as 51 mensagens de Daniel Vorcaro e que usou “visualização única” nas suas respostas para não deixar rastros. Sabia o que estava fazendo e quais as consequências.

A única saída para Alexandre de Moraes é renunciar à toga, antes que seja obrigado a despi-la. Como esse ato, estaria dando uma trégua à divisão – ou polarização? – no STF e livrando seus pares, sobretudo os paus para toda obra, do profundo incômodo de ter de defendê-lo sem argumentos. O mais provável, porém, é que ele saia com quatro pedras e mais um rascunho da PF para tentar puxar André Mendonça para o seu próprio buraco. Só vai piorar as coisas para ele, para o Supremo e para a eleição.

FACHIN REINA – O ministro Edson Fachin demorou a engrenar, até o empurrão de ex-presidentes do STF, empresários, entidades e líderes, mas começa a ser saudado por fazer a coisa certa, como desconsiderar o mau conselho de juntar o caso de Moraes e as críticas processuais contra Mendonça no mesmo saco e na mesma sessão.

Ok, Mendonça deve explicações, inclusive sobre a demora em investigar o escândalo “Dark Horse”, que envolve Flávio Bolsonaro e valores iguais aos do contrato do Barci Advogados. Mas uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

O problema de Moraes é muito mais grave, desvia o foco da eleição para o Supremo e pode deixar cicatrizes indeléveis. Aliás, que mal lhes pergunte: se a cabeleireira Débora pegou 14 anos de prisão por escrever na estátua da Justiça com batom, qual a pena para quem joga lama na Justiça?

Na criativa poesia de Jorge de Lima, “O relógio trabalha… e um sorri e o outro chora”

A fantástica história do alagoano que quase ganhou um prêmio Nobel de  Literatura – culturaeviagem

Jorge de Lima, retratado por Portinari

Paulo Peres
Poemas & Canções

O político, médico, pintor, tradutor, biógrafo, ensaísta, romancista e poeta alagoano Jorge Mateus de Lima (1893-1953) teve importância fundamental para o modernismo brasileiro, com verdadeiras obras-primas como “Invenção de Orfeu”. Neste soneto, Jorge de Lima mostra que o relógio é a vida em segundos, igual no tempo para todos, mas diferente para cada um de nós.

O RELÓGIO 
Jorge de Lima

Relógio, meu amigo, és a Vida em Segundos…
Consulto-te: um segundo! E quem sabe se agora,
Como eu próprio, a pensar, pensará doutros mundos
Alma que filosofa e investiga e labora?

Há a morte de ceifar somas de moribundos.
O relógio trabalha…E um sorri e outro chora,
Nas cavernas, no mar ou nos antros profundos
Ou no abismo que assombra e que assusta e apavora…

Relógio, meu amigo, és o meu companheiro,
Que aos vencidos, aos réus, aos párias e ao morfético
Tem posturas de algoz e gestos de coveiro…

Relógio, meu amigo, as blasfêmias e a prece,
Tudo encerra o segundo, insólito – sintético.
A volúpia do beijo e a mágoa que enlouquece.

Dark Horse: Dino aponta Mário Frias como possível líder de suposto esquema com dinheiro público

Fachin se acertou com Mendonça antes de assumir os casos de Moraes, do Master e do INSS

Fachin tenta estancar crise no STF e leva caso Moraes a plenário #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Ana Pompeu e Luísa Martins
Folha

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, tirou o ministro André Mendonça da relatoria do processo que aponta um elo entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O próprio presidente assumiu a condução do caso.

Ele também mandou paralisar temporariamente as investigações do Master e do INSS, ordenando que Mendonça encaminhe os autos desses dois processos à Presidência.

IMPEDIMENTO – Na decisão, ele afirma que a medida se dá diante da possibilidade de o julgamento do caso resultar em situação de impedimento do juiz, ou seja, quando um magistrado não tem condição de julgar um caso.

Nesta sexta (11), Fachin decidiu manter na pauta da sessão marcada para a próxima terça-feira (15) apenas o julgamento sobre o caso do relatório das mensagens de Vorcaro com Alexandre de Moraes.

Com isso, ele negou pedido do decano Gilmar Mendes para que fosse também colocada em discussão a investigação contra o colega André Mendonça, mas marcou a análise desse outro caso para a semana seguinte, no dia 23.

DELIMITAÇÃO – Segundo o presidente, a manutenção apenas do julgamento contra Moraes “assegura a precisa delimitação do objeto da deliberação deste tribunal, viabilizando a apreciação de matéria cujo contraditório e elucidação preliminar já se terá aperfeiçoado”.

Moraes e Mendonça são atualmente os pivôs da maior crise da história recente do Supremo. Como mostrou a Folha, Fachin chegou a avaliar tirar de Mendonça a relatoria dos casos Master e INSS para tentar conter a crise instalada na corte.

Fachin reuniu auxiliares na tarde de domingo (6) para tratar da disputa entre Mendonça e Alexandre de Moraes. O encontro com assessores mais próximos foi chamado para articular o caminho e a forma com a qual o presidente do Supremo deverá dirigir o momento inédito.

JULGAMENTO – Essa discussão teve início antes da ordem de Mendonça desta terça-feira (8) de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A determinação foi a julgamento na Segunda Turma da corte e chegou a formar maioria, porém o julgamento foi suspenso após pedido de vista (mais tempo para analisar a matéria) de Gilmar Mendes.

Por fim, na quarta (9), o presidente tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news, controlado por ele durante mais de sete anos, e suspendeu as decisões conflitantes de André Mendonça e Flávio Dino sobre o comando da Polícia Federal, mantendo Andrei Rodrigues no cargo de diretor-geral.

Até a sessão de terça já ficaria suspenso o trâmite da investigação conduzida por Mendonça envolvendo Moraes. O presidente do STF também proibiu qualquer procedimento que trate de potencial apuração contra integrantes da corte e determinou que qualquer medida nesse sentido seja submetida a ele antes.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Fachin agiu corretamente, embora o Regimento do Supremo não lhe dê tantos poderes, porque seus dispositivos não preveem tamanha esculhambação. Antes de anunciar a decisão, conversou com Mendonça e explicou que precisava preservá-lo dos ataques que está recebendo na mídia amestrada. Terça-feira, o espetáculo do afastamento de Moraes será imperdível. (C.N.)

Supremo monitora redes sociais e oposição denuncia risco de perseguição política

Será uma eleição presidencial eletrizante, que pode ser decidida por poucos votos

Presidenciáveis fingem atacar poder do Congresso sobre emendas e evitam detalhar reformas

Todos criticam as emendas, poucos apresentam solução

Isadora Albernaz
Folha

A maioria dos principais candidatos à Presidência em 2026 tem convergido ao defender, durante a campanha eleitoral, a necessidade de uma reforma no sistema de emendas parlamentares. Parte deles acusa o Congresso Nacional de “sequestrar” o orçamento público e se posiciona a favor de dar mais transparência aos recursos, mas sem detalhar como isso seria feito.

O presidente Lula (PT), os ex-governadores Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Renan Santos (Missão) têm questionado em discursos o poder de senadores e deputados sobre essas verbas e apontado que o chefe do Executivo perdeu protagonismo sobre o montante.

PROPOSTAS GENÉRICAS – Em geral, os programas dos presidenciáveis, porém, apresentam propostas genéricas e não destrincham medidas objetivas que poderiam ser implementadas em um eventual governo para mudar o que criticam no atual modelo de distribuição das emendas.

Criadas pela Constituição, as emendas são um instrumento que permite que congressistas enviem dinheiro para suas bases para bancar obras e investimentos de seu interesse e, com isso, ampliem o capital político.

O Orçamento deste ano prevê cerca de R$ 61 bilhões em recursos do tipo, dos quais R$ 37,8 bilhões são emendas impositivas —quando o Executivo é obrigado a pagar. Na prática, os recursos viram moeda de troca entre a Presidência e o Congresso para angariar apoio aos interesses de cada Poder.

“VAI TER BRIGA” – Lula, que tem a intenção de retomar o controle de ao menos parte dessa verba em um quarto mandato, prometeu durante o ato que oficializou sua candidatura que, se for reeleito, “vai ter briga com a emenda parlamentar” e “com o papel que hoje tem o Legislativo”.

O petista afirmou que não pode permitir que o presidente da República perca prerrogativas. Ele mencionou como exemplo a indicação de nomes para a diretoria de agências reguladoras e para o STF (Supremo Tribunal Federal), que precisam ser aprovados pelo Senado e também se tornam alvo de negociação.

Neste ano, a rejeição do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a Suprema Corte representou uma derrota histórica para Lula, que só nas últimas semanas se reaproximou do chefe da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), após meses de relação estremecida.

REVISÃO DO MODELO – O PT reproduziu em seu plano de governo a posição de Lula e defendeu uma revisão do atual modelo, mas se limitou a dizer que o tema das emendas precisa ser debatido com a sociedade. Segundo o partido, as emendas impositivas “sequestram o orçamento público, dispersam os recursos e reduzem a eficiência alocativa”.

Apesar das críticas, Lula recorreu à liberação de emendas em diversos momentos desde que voltou à Presidência, em 2023, para tentar aprovar projetos prioritários da gestão. Foram pagos quase R$ 32,5 bilhões em emendas de janeiro a junho de 2026. O valor representa alta de mais de 30% em relação ao mesmo período de 2022, no último ano do governo de Jair Bolsonaro, quando esses recursos estavam no auge.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) já afirmou que as emendas estão em “valores estratosféricos” e podem ser reduzidas, mas não tem adotado o mesmo tom de embate com o Congresso que seus adversários.

PROMESSAS – Em seu plano, ele disse que, se for eleito, vai focar a alocação das verbas em políticas prioritárias do Plano Plurianual, elaborado pelo governo federal e que deve passar pelo crivo dos parlamentares. Também prometeu dar mais transparência, controle e rastreabilidade aos recursos, sem elencar ações objetivas para isso.

“Tem que haver um esforço dos três Poderes para redução de gastos tanto do Legislativo, com relação às emendas parlamentares, por exemplo, que acho que estão em valores estratosféricos, podem ser reduzidas, mas os custos operacionais dentro do Legislativo, dentro do Judiciário e também dentro do Executivo, isso tem que alvo de um grande acordo, para que haja essa redução de despesas”, disse em sabatina no início de agosto.

DESTINO DAS EMENDAS – Caiado, candidato do PSD, tem repetido que o presidencialismo não convive com 594 planos de governos, em referência aos 513 deputados federais e 81 senadores, e defendido que cabe ao presidente da República decidir o destino das emendas. Se for eleito, disse que vai “direcionar 100% [das verbas] nas obras do governo”.

Menos amplo do que outros candidatos, o ex-governador propôs “reorganizar a relação orçamentária com o Congresso” por meio de critérios de “planejamento, transparência, manutenção, custo total e resultado”. Ainda defendeu a criação de painel único com autoria, objeto, município, convenente, beneficiário final, licitação, execução física e resultado de cada emenda.

O objetivo, segundo ele, é reduzir a pulverização e impedir que o dinheiro seja usado para investimentos sem capacidade de operação, além de “integrar prioridades parlamentares ao planejamento nacional”.

TOMA LÁ DA CÁ – Já Zema quer reduzir o valor das emendas por considerar que estão “muito acima de qualquer necessidade de um parlamentar”. Em entrevistas, ele disse ser contra o que chama de um “toma lá dá cá” para negociar os repasses, mas defendeu estratégia de sua gestão em Minas Gerais de enviar R$ 2 a cada R$ 1 de emenda destinado por deputados estaduais às obras do governo.

Ele sugeriu limitar as verbas a um percentual reduzido do orçamento discricionário, que não está carimbado por obrigações, como pagamento de salários. Também propôs condicionar a destinação ao cumprimento de “critérios objetivos de interesse público e transparência, evitando a fragmentação do orçamento em projetos de baixo impacto ou com finalidade meramente eleitoral” —sem detalhar quais seriam eles.

PODER DESPROPORCIONAL – O candidato do Missão à Presidência, Renan Santos, faz as críticas mais duras ao modelo. Em seu plano, ele afirma que “oligarquias regionais poderosas acumulam poder desproporcional no Congresso” e defende reduzir o número de municípios como parte da solução.

“A Grande Consolidação Municipal é a condição material para que o federalismo brasileiro faça sentido fiscal. Sem entes municipais viáveis, a população local continua refém de forças políticas externas, nesse caso, via clientelismo de emendas e transferências federais”, diz.

APERTO – Em evento em Brasília no último dia 18, Renan ainda disse a uma plateia de representantes dos setores de comércio e serviços que os empresários brasileiros “escravos do Alcolumbre” e defendeu “apertar todos os deputados” para aprovar reformas em um eventual governo.

“Vamos aceitar ser governados pelo centrão, lá com Alcolumbre, do Amapá, ou o rapaz da Câmara, o Hugo Motta [Republicanos-PB], até quando? Tem que botar isso na mesa, porque são estados que não são bem conduzidos. A vida no Amapá e na Paraíba não está boa, e os políticos de lá estão mandando em todo o resto do Brasil”, declarou.

A Folha procurou as assessorias de Alcolumbre e de Motta por meio de mensagem do WhatsApp e ligação para pedir um posicionamento a respeito das falas. Não houve resposta.

Terça-feira é o Dia D para Vorcaro e sua aposta na sobrevivência do sistema

Charge do Caio Gomez (Correio Braziliense)

Andréia Sadi
G1

A defesa de Daniel Vorcaro está em compasso de espera. A avaliação é que não adianta definir agora os próximos movimentos sem saber como ficará o tabuleiro no Supremo depois da sessão da próxima terça-feira.

O resultado pode ser decisivo inclusive para definir — ou mudar — os rumos de uma eventual delação. Vorcaro sempre admitiu que buscava proteção e interlocução em Brasília — inclusive por meio do contrato com Viviane —, mas até aqui nunca se dispôs a delatar grandes figuras. Sua linha sempre foi a de relatar os fatos sob sua ótica, sustentar que não cometeu ilegalidades e evitar acusações que atingissem personagens poderosos.

APOSTA – Na avaliação de pessoas que conhecem e acompanham as investigações, isso não acontece por acaso. Vorcaro ainda aposta na sobrevivência do grupo com o qual construiu relações e espera colher, no futuro, o retorno dos ativos políticos que acumulou. A expectativa é de que o sistema encontre uma forma de sobreviver à crise e, inclusive, preservar o futuro presidente do STF.

É por isso, segundo essas fontes, que Vorcaro continua dizendo não ter nada a revelar sobre essas grandes figuras. Ele ainda aposta na sobrevivência desse grupo. Essa estratégia, porém, esbarra hoje em André Mendonça e no grupo que começa a se formar em torno da reação ao caso, sobretudo depois da retirada do sigilo dos documentos. Por isso, terça-feira virou o Dia D.

INCÓGNITAS – É quando começará a ficar mais claro para onde caminham as investigações e qual será a correlação de forças no tribunal. Há várias incógnitas: se haverá pedido de vista; se a sessão será aberta ou fechada — Fachin resiste ao fechamento —; e até que ponto ministros poderão antecipar seus votos e posições mesmo que o julgamento não termine.

O que acontecer no plenário não definirá apenas o rito do caso Master. Na avaliação de quem acompanha as investigações e os movimentos da defesa, poderá também definir a estratégia de Vorcaro daqui para frente — inclusive se ele mantém a aposta de que o sistema sobreviverá ou se chega a hora de mudar de jogo.

Piada do Ano! Contrato mandava mulher de Moraes “impedir” qualquer ilegalidade no Master…

Reprodução de A Voz da Rua

Carlos Newton

Este ano, excepcionalmente, não será realizado o tradicional Concurso de Piada do Ano, porque surgiu antecipadamente uma forte candidata à Piada do Século, criada pela inspiração do ainda ministro Alexandre de Moraes, que desponta como o maior humorista da História do Supremo Tribunal Federal, pois jamais houve nada igual nos 135 anos de funcionamento da mais importante corte de justiça do país.

Ao ser revelada pela jornalista Malu Gaspar a íntegra do contrato entre o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e o Banco Master S.A., ficou patente que o ministro Moraes iria vencer, antecipadamente, o Concurso Piada do Ano, porque o contrato redigido pelo outrora respeitado jurista não era de R$ 3 milhões mensais por três anos de serviço.

LIQUIDO E BRUTO – Na verdade, os R$ 3 milhões mensais eram líquidos, porque o compreensivo banqueiro Daniel Vorcaro aceitara pagar também os impostos. Assim, o valor mensal passara para R$ 3.646.529,77, elevando para R$ 131.275.071,72 o total a receber.

Porém, não ficou apenas nisso, porque o mais que compreensivo banqueiro aceitou pagar também “as despesas operacionais de quaisquer espécies para a realização do objeto ora contratado, tais como taxas e emolumentos cobrados pelos órgãos públicos, custas judiciais de quaisquer espécies, despesas de deslocamento (inclusive passagens aéreas), fotocópias, hospedagem e refeições”.

Caramba! vejam que Moraes foi implacável, pois não aceitou pagar nem mesmo as fotocópias, certamente isso mereceria ser a Piada do Século, mas acontece que ele conseguiu criar outra anedota ainda mais sensacional.

MISSÃO DA MULHER – A maior piada do repertório de Moraes é justamente a missão que estava destinada em contrato à advogada Viviane Barci, sua mulher. Além de cuidar de todas as questões jurídicas, ela teria de organizar e coordenar “cinco núcleos de atuação conjunta e complementar – estratégica, consultiva e contenciosa – perante o Judiciário, Ministério Público, Polícia Judiciária, Órgãos Do Executivo (Banco Central, Receita Federal, PGFN, CADE) e Legislativo”.

Mas ainda era pouco, e Moraes previu que o escritório da mulher e dos filhos cuidasse de muitas outras atividades necessárias para evitar que o Master cometesse qualquer ilegalidade em suas operações.

Mas essa infinidade de missões foi o grande erro do criador do contrato. Era humanamente impossível que a mulher e os filhos de Moraes cuidassem de tanta coisa ao mesmo tempo. Como obviamente não conseguiriam, o emergente Banco Mater então desandou e passou a cometer as maiores falcatruas, comprometendo simultaneamente os três poderes da República, sem que a mulher e os filhos do ministro, responsáveis oficiais pela lisura dos negócios do banco, pudessem evitar as maracutaias, como dizem os petistas.

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P.S. 1 – Portanto, pela leitura atenta do contrato, pode-se extrair que a culpa da derrocada do Master pode ser atribuída exclusivamente a Moraes. Nada de errado teria acontecido, se ele não tivesse redigido um contrato tão draconiano, explorando de uma forma massacrante o talento e o vigor da própria esposa e dos filhos, ao lhes atribuir tarefas que nenhum escritório de advocacia do mundo conseguiria realizar, Afinal, o Master tinha mais de 500 empregados e colaboradores, que facilmente poderiam ter evitado essas ilegalidades, porém Moraes preferiu passar a responsabilidade integral para a mulher e os filhos, o que causou todos esses escândalos.

P.S. 2 – Na forma da lei, o Banco Master e Daniel Vorcaro agora têm todo direito de processar a família Moraes para reparação de danos. Diz o artigo 186 do Código Civil: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”. E o artigo 927 completa: “Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”. (C.N.)   

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