Lula admite rever chapa de 2026 e coloca Alckmin em xeque para atrair MDB

Esquerda está avançando na definição de nomes para disputar o Senado em 2026

Um recado a senadores e deputados, numa bem-humorada canção de protesto

Tribuna da Internet | Sob o signo da Liberdade

Paulo Peres, no estúdio de gravação

Carlos Newton

O advogado, jornalista, analista judiciário aposentado do Tribunal de Justiça (RJ), compositor e poeta carioca Paulo Roberto Peres, na letra de “Senador e Deputado”, manda um recado para os péssimos políticos brasileiros. Esta música foi gravada por Johnny do Matto no CD Parcerias, em 2009, produção independente.

SENADOR E DEPUTADO
Johnny do Matto e Paulo Peres

Senador e deputado
Eis aqui o meu recado
Cansei de ficar calado
Ser roubado e humilhado
Visto que sou homem honrado
Veja o calo do roçado
Trago na mão avantajado
Pois minha família é um tratado
Na Igreja assinado
A qual faço o sustentado
Cotidiano suado
Coração alimentado
E por Deus abençoado

Lira prepara reação ao STF após Dino determinar acareação sobre emendas

Processo apura irregularidades na distribição de emendas 

Caio Junqueira
CNN

O deputado federal Arthur Lira prepara uma reação ao Supremo Tribunal Federal após o ministro Flávio Dino determinar uma acareação entre ele e o deputado José Rocha (PL-BA) em um processo que apura irregularidades na distribuição de emendas parlamentares.

A ideia, por ora, é apresentar uma petição à corte apontando que a acareação é descabida por diversos motivos. Primeiro, porque Lira não foi sequer ouvido neste processo e não caberia de acordo com a legislação uma acareação entre uma testemunha que já foi ouvida, como José Rocha, e outra que não.

CONTESTAÇÃO – Segundo, porque a avaliação no entorno do ex-presidente da Câmara é de que o depoimento de José Rocha, no qual aponta irregularidades na distribuição de emendas parlamentares, foi contestado pelos outros depoentes que prestaram informações no processo, caso por exemplo do deputado Marangoni (União-SP).

A leitura no entorno de Lira é também de que o critério de distribuição das emendas nas bancadas é político e obedece portanto a uma série de critérios políticos, em especial a posição do parlamentar na estrutura interna da Câmara. Assim, líderes e presidentes de comissão por exemplo têm, segundo esses critérios, direito a mais recursos.

INTERFERÊNCIA – O entendimento é de que Dino tenta com o processo no STF interferir em questões políticas internas da Câmara e que baseia essa apuração em um único depoimento de um parlamentar, José Rocha, que por sua posição na hierarquia da Cãmara tinha direito a menos recursos, o que o teria levado a reclamar ao STF.

Esses entendimentos foram manifestados já pela Advocacia-Geral da Câmara em dezembro após uma operação de busca e apreensão contra Mariângela Fialek, a Tuca, ex-assessora do gabinete de Lira. Mas deverão ser reforçados em nova manifestação a ser apresentada pelo deputado.

Tebet aumenta pressão e diz que Haddad “não pode fugir” da disputa em São Paulo

Ministra  deve concorrer ao Senado no estado

Sérgio Roxo
O Globo

Depois de Camilo Santana (Educação) e Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais), agora foi a vez da ministra do Planejamento, Simone Tebet, cobrar a entrada do colega da Fazenda, Fernando Haddad, na eleição de São Paulo.

Nesta semana, Tebet, ao comentar o cenário da eleição no estado, disse que Haddad não tem como fugir da missão. “Não tem como o ministro Haddad fugir dessa missão. Não dá. O quadro não fecha sem ele. E ele precisa ter essa consciência e acho que tem”, afirmou.

DOMICÍLIO ELEITORAL – A ministra do Planejamento já definiu com Lula que concorrerá ao Senado por São Paulo. Publicamente, porém, Tebet tem dito que se colocou à disposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para concorrer tanto no estado como no Mato Grosso do Sul. Ela tem até 4 de abril para transferir o seu domicílio eleitoral.

Para a ministra, na eleição são necessários pelo menos dois nomes de peso. Outra possibilidade, segundo Tebet, seria o vice-presidente Geraldo Alckmin concorrer no estado. “Não há possibilidade de ter pelo menos uma dupla em São Paulo. Uma andorinha não faz verão”, disse.

Indagada se poderia concorrer ao governo de São Paulo, a ministra respondeu: “Os melhores nomes para o governo de São Paulo, por toda história, por conhecerem, por estarem mais atrelados à própria figura do presidente Lula, são o Haddad, por ser do PT, e o Alckmin, por ser vice. Se estamos falando em angariar votos para a majoritária federal, esses dois no governo do estado puxam mais votos”, afirmou.

NOVAS CONVERSA – Tebet deve ter uma nova conversa com Lula sobre a eleição antes do carnaval. Ainda de acordo com a ministra, neste momento o presidente tem discutido o tema com Alckmin e Haddad.

Para disputar o Senado nem São Paulo, a ministra do Planejamento pode ser obrigado a mudar de partido. Ela recebeu convite do PSB. Lideranças petistas, porém, alimentam a expectativa de que ela possa permanecer no MDB.

Redes sociais, ética e poder: o recado de Moraes à magistratura

Moraes disse que magistratura é a que mais tem vedações

Pedro do Coutto

No julgamento desta semana no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre limites ao uso de redes sociais por magistrados, o ministro Alexandre de Moraes lançou um recado claro sobre a relação entre liberdade de expressão, ética judicial e as responsabilidades do poder judiciário no Brasil contemporâneo.

Ao votar pela manutenção das restrições editadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Moraes afirmou que “não há nenhuma carreira pública com tantas vedações quanto a magistratura”, lembrando que juízes já estão sujeitos a um conjunto substancial de restrições constitucionais e legais que visam proteger a imparcialidade e a legitimidade do sistema judicial.

DUAS AÇÕES – No centro do debate estão duas ações propostas por associações de magistrados que questionam a constitucionalidade de uma resolução do CNJ de 2019 que define parâmetros para a conduta de juízes em plataformas digitais — especialmente no que toca a manifestações político-partidárias ou ao uso da função para influenciar o processo eleitoral.

Para Moraes, a norma não cria proibições inéditas, mas confere segurança jurídica a vedações já previstas na Constituição e na Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), reconhecendo que o que é vedado no mundo físico deve igualmente ser vedado no virtual.

A postura de Moraes reflete uma preocupação que vai além de uma mera disputa técnica sobre liberdade de expressão: trata-se de evitar que juízes utilizem sua visibilidade institucional para influenciar debates eleitorais ou político-partidários, algo que, na visão dele, compromete a confiança pública no Judiciário.

DISCURSO DO ÓDIO – Ao reafirmar a validade das normas do CNJ, o ministro citou exemplos — inclusive de comportamentos que caracterizam “discurso de ódio” e uso político das redes — e apontou para a necessidade de preservar a imparcialidade como um pilar da magistratura.

Moraes também enfrentou críticas e desinformações sobre supostos privilégios ou liberdades exageradas concedidas à magistratura, esclarecendo que as restrições não atingem o direito de opinião pessoal ou conversas privadas, mas se concentram em condutas públicas que possam interferir na credibilidade das decisões judiciais.

Esse posicionamento surge enquanto o STF analisa, paralelamente, a construção de um Código de Ética próprio para os ministros da Corte, impulsionado pelo presidente Edson Fachin, o que amplia a discussão sobre os limites e deveres éticos de quem ocupa os mais altos escalões do Judiciário.

DESAFIOS – No debate em curso, a visão de Moraes dialoga com um contexto mais amplo de tentativas globais de regulamentar o uso de redes sociais por atores públicos, considerando desafios como a polarização, a propagação de desinformação e a necessidade de proteção da integridade das instituições democráticas. Limitar a atuação público-virtual de juízes é, para ele, uma forma de fortalecer a confiança na imparcialidade judicial e resguardar a própria democracia contra excessos que possam surgir quando poderosos atores públicos usam plataformas digitais para fins políticos ou eleitorais — um tema que ganha cada vez mais destaque nas cortes e parlamentos ao redor do mundo.

A posição de Alexandre de Moraes evidencia a tensão entre a liberdade de expressão individual e a exigência de neutralidade e decoro da magistratura, particularmente num momento em que as redes sociais se tornaram arenas centrais do debate público. A decisão do STF sobre o caso — e, mais adiante, o eventual código de ética — pode estabelecer precedentes importantes sobre como o Judiciário brasileiro navega essas fronteiras em uma era digital cada vez mais complexa e exigente.

Entre Bolsonaro e o Planalto, Tarcísio perde o bonde e fica refém em São Paulo

Antecedentes e ataques à democracia pesam contra Bolsonaro e Braga Netto no STM

Bolsonaro e Braga Netto enfrentam cenário mais adverso

Ana Flor
G1

Dentro do Superior Tribunal Militar (STM), o julgamento dos condenados por tentativa de golpe no STF é considerado imprevisível, mas dois dos réus que podem ter a perda de patente por indignidade determinada pelos ministros têm situação considerada mais grave: o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Casa Civil e da Defesa, Walter Braga Netto.

Na análise do caso de Bolsonaro, segundo ministros, ex-ministros da Corte e especialistas na Justiça Militar afirmaram que pesará o antecedente de já ter sido julgado no STM por conduta irregular. Entre 1987 e 1988, Bolsonaro foi julgado duas vezes, por diferentes Conselhos de Justificação. Condenado por unanimidade na primeira instância, foi considerado não culpado em 1988 por maioria do STM.

SEGUNDA VEZ – “Antecedentes pesam na análise dos ministros militares”, afirmou o professor da UFRJ e historiador Carlos Fico. “Sempre existe a aura de ser ‘uma segunda vez’”, diz ele. No caso de Braga Netto, a imagem chamuscada dentro das Forças Armadas se dá pelos ataques orquestrados a militares do alto comando, na tentativa de mobilizar apoio para a tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022, segundo mensagens e documentos encontrados pelos investigadores.

Em tese, a decisão do STM é apenas dizer se pessoas que foram condenadas em última instância por ataque à democracia e tentativa de golpe de Estado não são dignas do oficialato. Uma reação aos crimes graves a que os cinco, agora réus no STM, foram condenados. Além deles, Mauro Cid foi condenado, mas a uma pena de até dois anos, que não leva o caso à análise do STM. A pena do tenente-coronel foi diminuída pelo acordo de colaboração.

COM CAUTELA – No tribunal, entretanto, o caso de Augusto Heleno e até de Almir Garnier será visto com cuidado por ministros militares. Heleno, pela saúde e idade, mas sobretudo por ser admirado dentro do tribunal. Já Garnier, lembra um analista que acompanha o tribunal, tem entre ministros ex-colegas de almirantado.

“De qualquer forma, um ministro terá que buscar muitos argumentos para dizer que não concorda que aquelas pessoas são indignas para o oficialato mesmo com uma condenação porque conspiraram contra a democracia”, pondera.

Moraes e Toffoli desmoralizam Fachin e querem sepultar o Código de Ética

Moraes e Toffoli defendem direito de juízes serem acionistas

Moraes, Toffoli e Gilmar se acham (?) donos do Supremo

Carlos Newton

Na abertura do Ano Judiciário, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, declarou que seu compromisso maior é viabilizar a aprovação de um Código de Ética que regule as ações de todos os membros do STF.

Muito comedido, Fachin não mencionou os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ambos acusados de desvios de conduta por suas atuações no caso do banco Master.

FATOS CONCRETOS – Como se sabe, houve viagens de Toffoli em jatinhos ao lado de advogados de envolvidos no escândalo e ocorreu intensa utilização de resort administrado por seus parentes próximos e sem condições financeiras, enquanto no caso de Moraes houve prestação de milionária assessoria jurídica e de gestão, mensalmente paga a esposa de ministro.

Fachin desconheceu tudo isso em seu pronunciamento na segunda-feira, mas também foi cirúrgico e surpreendeu:

“Nos processos, as dúvidas sobre conflitos de interesses devem ser tratadas sempre com transparência. E ninguém cogite que possa ser diferente numa sociedade republicana como a nossa”… – destacou, aduzindo: “Temos que ser rigorosos e intransigentes com qualquer tipo de desvio ético, pelo que devemos evitá-los”.

ALGO ERRADO – O presidente do STF mostrou que há algo de muito errado, porque nenhum ministro entrou pela porta dos fundos. Todos foram indicados por presidente da República e aprovados pela maioria dos senadores por “supostamente” terem notório saber jurídico e reputação ilibada. Ou isso não passa de mera teatralização?

O fato é que todos os ministros devem obediência aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e transparência.

Mas este cenário só existe na teoria, porque na prática a coisa é muito diferente. O Supremo tem donos e hoje a instituição pertence a Gilmar Mendes, secundado por Dias Toffoli e Moraes. São os três ministros de personalidade mais forte e que se impõem perante os demais.

DESMORALIZAÇÃO – A estratégia de Fachin só durou 48 horas. Nesta quarta-feira, dia 4, o presidente do STF (foi obrigado a cancelar o almoço que convocara para o dia 12, quando os ministros discutiriam um cronograma para a implantação do Código de Ética.

O cancelamento ocorreu horas depois de Fachin ser inteiramente desmoralizado por Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, na sessão que julgava regras para manifestações de juízes nas redes sociais.

Moraes era o relator e foi implacável ao proferir seu voto. Disse que a Constituição e a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman) são suficientes para manter a ética. “Se a Constituição não solucionou e a Loman não solucionou, o Código Penal vai solucionar. É simples, basta aplicar”, disse o ministro, desafiadoramente.

ABRINDO O JOGO – Moraes aproveitou para criticar as restrições sobre atuação dos ministros em outras atividades. “O magistrado não pode fazer mais nada na vida, só o magistério. Pode dar aulas, dar palestras. E como o magistrado só pode dar aulas e palestras, passaram a demonizar as palestras. Por falta do que criticar, daqui a pouco a má-fé vai para quem dá aula nas universidades”, disse o ministro, e era tudo o que Gilmar Mendes queria ouvir.

Moraes, que criticou a imprensa, afirmou que as regras de impedimento e suspeição também são claras no âmbito do Supremo e que o magistrado “está impedido de julgar qualquer caso que tenha como partes ou como advogados seus parentes”.

Estrategicamente, porém, não mencionou o fato de o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci Moraes, ter firmado um contrato de R$ 129,6 milhões com o Banco Master para representá-lo nos três Poderes.

TOFFOLI APOIA – Também envolvido no favorecimento aos criminosos do Master, Dias Toffoli, fez questão de se pronunciar, defendendo as posições tomadas por Moraes contra o Código de Ética que Fachin pretende (ou pretendia) criar, com ajuda da relatora Cármen Lúcia e da OAB paulista.

Na sessão desta quarta-feira, Toffoli defendeu que juízes possam ser sócios de empresas, desde que não sejam dirigentes. “Vários magistrados são fazendeiros, donos de empresas. E eles, não excedendo a administração, têm todo o direito aos seus dividendos”, disse ele ao apoiar Moraes, que tinha se manifestado nesse sentido, ao destacar que a Loman só proíbe que juízes sejam sócios-dirigentes.

“Se assim não fosse, nenhum magistrado poderia, por exemplo, ter uma aplicação no banco, ter ações no banco. Ah, é acionista do banco, então não vai poder julgar ninguém do sistema financeiro…”, ironizou.

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P.S. –
Como se vê, chegamos ao fundo do poço do Supremo, mergulhando numa água fétida e nauseabunda. De uma forma ou de outra, está se formando uma divisão. Ao que parece, três estão de um lado (Mendes, Toffoli e Moraes), e outros três do lado oposto (Fachin, Cármen e Fux). Os outros quatro ainda não se meteram, mas é óbvio que Nunes Marques e André Mendonça podem apoiar Fachin. Os outros dois (Flávio Dino e Cristiano Zani) são incógnitas. Por enquanto, o quadro é esse. Depois a gente volta ao assunto. (C.N.)

Dino dá uma “aula” aos ministros do STF e suspende penduricalhos em todo o país

Dino suspende “penduricalhos” do serviço público nos Três Poderes

Dino mostra que ainda há ministros que merecem respeito

Samantha Klein
CNN Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar para suspender os chamados “penduricalhos” do serviço público nos Três Poderes da República, no país inteiro.

A decisão dele vem no bojo da aprovação, nesta semana, do projeto da Mesa Diretora que abre brecha para o pagamento de verbas indenizatórias acima do teto do funcionalismo para alguns cargos.

PRAZO PARA REVER – A cautelar determina que, em até 60 dias, órgãos de todos os níveis da Federação revisem as verbas pagas e suspendam aquelas que não possuam base legal. Além disso, cobra do Congresso Nacional a edição da lei que regulamente quais verbas indenizatórias são efetivamente admissíveis como exceção ao teto.

A decisão será submetida ao Plenário, em data ainda a ser definida pela Presidência do STF.

Na decisão, o ministro alerta para o uso indevido de verbas “indenizatórias” que, na prática, servem para turbinar salários e ultrapassar o limite previsto na Constituição. Apenas parcelas indenizatórias expressamente previstas em lei podem ficar fora do teto, conforme entendimento já consolidado pelo STF.

TETO CONSTITUCIONAL – Segundo Dino, a medida, baseada em decisão da Corte de fevereiro do ano passado, reforça o cumprimento do teto constitucional de remuneração.

O ministro também citou o presidente Lula, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, para dar ciência da decisão com o objetivo de que sejam adotadas medidas políticas e legislativas para cumprir a determinação.

Na prática, todos os penduricalhos ilegais, sem previsão legal, precisam ser suspensos. Segundo líderes da Câmara ouvidos pela reportagem da CBN, além de derrubar os “penduricalhos”, uma das metas é rediscutir uma revisão do teto constitucional, evitando que valores sejam pagos fora da legislação. Ou seja, trata-se de um repasse, já que esses auxílios não sofrem desconto de imposto de renda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Flávio Dino elaborou um voto histórico. Está tentando eliminar um dos maiores problemas do país, que é a exploração do Estado pelo homem. O serviço público não pode nem deve ser fator de enriquecimento ilícito de servidores. O jovem que pretende ser rico deve disputar no mundo dos negócios. Tentar ficar rico como funcionário público é uma distorção escatológica, digamos assim, algo verdadeiramente repugnante. Vamos apoiar Flávio Dino, que pode se transformar num exemplo para o STF. (C.N.)

Lula diz que cobrou explicações de Lulinha após citação em CPI do INSS

Cresce o clamor por providências enérgicas contra os envolvidos no caso do Master

Gilmar Fraga: Toffoli e o Banco Master... | GZH

Charge do Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Vicente Limongi Netto

Basta de safados engomados impunes. Ou mudam-se as precárias e frouxas leis ou o Brasil afunda de vez na impunidade. Na teoria a lei é para todos. Na prática, só vão presos coitados que roubam pedaço de carne ou leite para os filhos. Geralmente acabam presos e surrados por estúpidos seguranças. Com sorte não morrem.

Ruy Barbosa treme-se no túmulo. A canalhice e o cinismo dos poderosos abonados assusta cidadãos honestos, chefes de família, pagadores dos impostos que sustentam esses exploradores dos recursos públicos.

São patifes que contam com advogados famosos nos tribunais e também ricos. Alguns passam pela patética audiência de custódia, pagam fiança e são liberados. Raramente são punidos, mas o máximo é a tornozeleira eletrônica. O poder econômico destrói a confiança e as esperanças dos homens de bem.

GATUNOS NA CADEIA – Agora a nação, esfacelada e perdendo os brios, tem boa chance de ver gatunos abonados na cadeia. Cresce o clamor por providências enérgicas contra a cachorrada envolvida nos rombos do BRB e Master.

No Congresso, o senador Renan Calheiros, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), já declarou e enfatizou que jogará pesado contra vigaristas. Não importa que sejam políticos importantes ou autoridades relevantes. Os envolvidos serão ouvidos.

Também será forte a atuação das CPIs do INSS e do Crime Organizado. Isso significa que, quanto maior o poderoso, maior será a queda, se tiver culpa.

CHEGA DE APEDEUTAS – Renan Calheiros foi presidente do Senado e do Congresso por quatro mandatos. Ninguém precisa ensinar o político alagoano do MDB a trabalhar. Muito menos alterar o tom das suas declarações. Claras e enfáticas.

Não serão apedeutas da Globonews como Valdo Cruz e Miriam Leitão, que mostrarão os dentes para intimidar Renan Calheiros. Era só o que faltava. Francamente. Se enxerguem.

Antes da liquidação e da prisão, Daniel Vorcaro esteve 17 vezes no Banco Central

Após recados de Moraes, Fachin cancela encontro sobre Código de Ética no STF

Lula escala ministros e arma palanques para evitar perder eleitores nos maiores estados

Haddad é pressionado para disputar o governo de SP

Jeniffer Gularte
Victoria Azevedo
Sérgio Roxo
O Globo

Com dificuldade para montar palanques competitivos em estados estratégicos, o governo intensificou a pressão para que o ministro Fernando Haddad dispute o governo de São Paulo e já consolidou a candidatura da ministra do Planejamento, Simone Tebet, ao Senado no estado. A movimentação faz parte de uma estratégia do Palácio do Planalto para evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegue à eleição com apoios frágeis nos maiores colégios eleitorais do país.

A preocupação do Planalto é que Lula fique com alianças frágeis em estados com grande densidade eleitoral, o que poderia comprometer o desempenho da campanha à reeleição. Auxiliares avaliam que é necessário atuar localmente para impedir que partidos de centro hoje presentes na Esplanada se alinhem às candidaturas bolsonaristas. Diante da dificuldade de atrair essas legendas formalmente, a estratégia tem sido dialogar com setores dessas siglas e evitar que fechem alianças estruturadas com o campo adversário.

MISSÕES REGIONAIS – Um interlocutor de Lula afirma, sob reserva, que o presidente não quer correr riscos e deverá escalar ministros com força política para missões regionais, sobretudo em áreas consideradas estratégicas. A ideia, diz esse aliado, é manter um “banco de reservas” com nomes competitivos à disposição.

Em entrevista ao O Globo, o ministro Camilo Santana (Educação) elevou o tom da cobrança e afirmou que Haddad não pode se dar ao “luxo” de tomar uma decisão individual. Mesmo com a resistência do titular da Fazenda, que já disse mais de uma vez que não deseja se candidatar, o PT mantém Haddad como plano A ao governo paulista e avalia que Lula avançou no processo de convencimento.

Haddad tem afirmado que deseja participar da coordenação da campanha e da formulação do programa de governo. Petistas próximos ao presidente dizem que Lula não pretende impor uma decisão, mas atua diretamente na construção de consensos.

DISPUTA PELO SENADO – A definição mais concreta até o momento em São Paulo, segundo auxiliares, envolve Simone Tebet. Após conversas recentes com Lula, ela aceitou disputar o Senado pelo estado e deve deixar o ministério até o fim de março para viabilizar a mudança de domicílio eleitoral. No entorno do presidente, a avaliação é que a presença de Tebet amplia o alcance do palanque lulista, sobretudo junto ao eleitorado de centro.

Tebet passou a ser tratada no Planalto como peça estruturante da chapa majoritária em São Paulo, num cenário em que Haddad segue como principal nome ao governo. Ainda não está definido se ela permanecerá no MDB ou migrará para outra legenda da base.

O vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, também é citado como alternativa para reforçar o palanque paulista. Parte dos aliados defende que ele concorra ao governo caso Haddad dispute o Senado.

CONVERSA COM PARTIDOS – Alckmin, no entanto, tem dito a interlocutores que não pretende disputar cargos eletivos. Já a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, passou a se movimentar para ocupar uma das vagas ao Senado por São Paulo. Ela conversa com partidos da base e de fora dela e indicou estar disposta a participar da construção eleitoral no estado, o que pode ampliar a disputa interna no campo lulista.

No Nordeste, Camilo Santana anunciou que deixará o MEC para ajudar na articulação de alianças e na reeleição do governador Elmano Freitas (PT), que enfrenta a ameaça de Ciro Gomes (PSDB). Camilo é visto como plano B ao governo estadual caso Elmano não avance nas pesquisas — Lula já disse a assessores que não “aceita” perder o Ceará.

Em 2024, Fortaleza foi a única capital conquistada pelo PT, com a vitória de Evandro Leitão sobre o bolsonarista André Fernandes (PL). Camilo é apontado como um dos responsáveis pela articulação que garantiu o resultado. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) terá o ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) como principal adversário. O ministro Rui Costa (Casa Civil) deve deixar o cargo em abril e, a princípio, disputar o Senado, mas há discussões sobre a possibilidade de concorrer ao governo caso Jerônimo enfrente dificuldades.

REDUÇÃO DA DIFERENÇA – Aliados destacam que o Nordeste foi a única região em que Lula superou Bolsonaro em 2022 e consideram essencial repetir o desempenho. Já no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, a avaliação é que a esquerda dificilmente terá maioria, mas deve buscar reduzir a diferença.

No Paraná, Lula escalou a ministra Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais) para disputar o Senado. O plano inicial era a reeleição à Câmara, mas, a pedido do presidente, ela deve tentar a Casa Alta para fortalecer a chapa em um estado considerado difícil.

Desde que assumiu o ministério, Gleisi intensificou o diálogo com lideranças regionais para aproximar o governo de partidos estratégicos. Sua equipe prepara um mapa das candidaturas competitivas e das possíveis alianças. Um aliado resume que o plano de Lula é escalar o melhor time possível nos estados e até reabilitar nomes que estavam fora da política, desde que tenham potencial eleitoral.

Uma bela sertaneja que ficou imortalizada na voz de Orlando Silva

Casa do Choro

René Bittencourt, grande compositor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O empresário artístico, jornalista e compositor carioca René Bittencourt Costa (1917-1979) utiliza hipérboles somente para fazer a “Sertaneja” feliz, nesta belíssima, romântica e bucólica letra. Essa canção foi gravada por Orlando Silva, em 1939, pela RCA Victor, e fez enorme sucesso.

SERTANEJA
René Bittencourt

Sertaneja, se eu pudesse
se papai do céu me desse
o espaço pra voar,
eu corria a natureza
acabava com a tristeza
só pra não te ver chorar.

Na ilusão desse poema
eu roubava um diadema
lá no céu pra te ofertar,
e onde a fonte rumoreja
eu erguia a tua igreja
e dentro dela o teu altar.

Sertaneja, por que choras
quando eu canto,
Sertaneja, se este canto é todo teu.
Sertaneja, pra secar os teus olhinhos
vai ouvir os passarinhos
que cantam mais do que eu.

A tristeza do teu pranto
é mais triste quando eu canto
a canção que te escrevi,
e os teus olhos neste instante
brilham mais que a mais brilhante
das estrelas que eu já vi.
Sertaneja, eu vou embora
a saudade vem agora
alegria vem depois.
Vou subir por estas serras,
construir lá n’outras terras
um ranchinho pra nós dois.

Acordo nos bastidores blinda Vorcaro e esvazia alcance da CPI do INSS

“Saiu da costela do Bolsonaro”, diz Flávio, defendendo apoio à reeleição de Tarcísio

Flávio diz que Tarcísio foi a maior revelação política

Deu no O Globo

O pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) voltou a defender a união da direita em torno de um projeto nacional, seja no primeiro ou no segundo turno das eleições. Em entrevista ao blogueiro Paulo Figueiredo Filho, o senador ressaltou o alinhamento do clã com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), depois de um mal-estar recente gerado a partir de declarações suas sobre os planos eleitorais do chefe do Executivo paulista.

“O Tarcísio talvez seja a maior revelação política dos últimos anos. É do grupo do Bolsonaro. Saiu da costela do Bolsonaro”, disse Flávio.

PESSOA SÉRIA – O senador avaliou que o pai, Jair Bolsonaro, que está preso sob acusação de tramar um golpe de Estado, “enxergou na figura do Tarcísio uma pessoa séria, gestor competente e inteligente, e que é a cara que o eleitor de São Paulo escolhe”.

Flávio rejeitou alegações de que a pulverização de candidaturas direitistas possa enfraquecer as chances da oposição em 2026. 

“Estou feliz com o caminho que as coisas estão seguindo. Estão nos integrando. Respeito o tempo de cada um, mas sempre vou buscar unidade, seja agora, no meio da eleição ou no segundo turno, se houver”, destacou.

LONGO PRAZO – Cotado por figuras do espectro da direita e por parte do empresariado como um adversário mais competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador de São Paulo afirmou, na quinta-feira, após visitar o ex-presidente na prisão, que mantém um “projeto de longo prazo” no estado e que seu papel no grupo político é disputar a reeleição — também para ajudar Flávio na corrida ao Planalto.

Segundo Tarcísio, a visita teve como objetivo prestar solidariedade ao ex-presidente e levar manifestações de apoiadores. Ao ser questionado sobre 2026, o governador voltou a afastar uma candidatura presidencial e afirmou que sua prioridade é o estado.

“O meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma. A gente tem um projeto de longo prazo e quer ver esses projetos se materializando. Apoio Flávio, sem dúvidas. Como eu tenho afirmado constantemente, vamos entrar muito fortes, muito unidos, agregando mais pessoas e falando de projeto para o país”, afirmou.

CUIDAR DO ESTADO -Tarcísio afirmou que sua atuação será em um arranjo mais amplo da direita e defendeu a unidade do campo conservador.

“Eu tenho um papel importante dentro do time, que é cuidar do estado, que é o maior colégio eleitoral do Brasil. O grupo tem uma tarefa importante, que é proporcionar para o Brasil um projeto diferente”,  declarou, ao mencionar que o país enfrenta, em sua avaliação, uma crise fiscal e moral.

A visita de Tarcísio a Jair Bolsonaro ocorreu após o cancelamento de um primeiro encontro, na semana anterior, quando uma declaração de Flávio Bolsonaro antecipando o teor da conversa gerou mal-estar no entorno do governador. Na ocasião, o senador afirmou que Bolsonaro diria ao chefe do Executivo paulista que sua prioridade deveria ser a reeleição em São Paulo e que uma candidatura presidencial estaria “descartada” para ele.

ENQUADRAMENTO – Aliados do governador interpretaram a fala como tentativa de enquadramento público. Horas depois, Tarcísio desmarcou a visita sob justificativa formal de compromissos no estado, mas interlocutores relataram incômodo com a repercussão.

Nos bastidores, a avaliação é que a visita funcionou como gesto de distensão após o ruído, mas não encerrou a disputa sobre o papel de Tarcísio no arranjo de 2026. Publicamente, ele mantém a posição de que é candidato à reeleição em São Paulo.

Bolsonaro, mesmo preso, segue como ponto de convergência do campo conservador. No PL, Valdemar Costa Neto defende que decisões eleitorais passem pelo crivo do ex-presidente.

Mensagem de Lula ao Congresso e o novo tabuleiro da política em 2026

Charge do Aroeira (Diário do Centro do Mundo)

Pedro do Coutto

A política brasileira entra em um ano decisivo, não apenas por marcar o início de um novo ciclo legislativo, mas por revelar de forma explícita como o governo federal e os principais protagonistas da oposição estão reposicionando suas estratégias diante das eleições presidenciais de 2026.

Nesta semana, o presidente Lula da Silva entregou ao Congresso Nacional uma longa mensagem — com cerca de 600 páginas segundo colunistas — que, na análise de Elio Gaspari, no O Globo e na Folha, acabou assumindo mais o tom de um palanque político do que de um discurso técnico de governo.

NÚMEROS POSITIVOS – No texto, que percorre dados econômicos, sociais e prioridades legislativas, Lula se empenha em destacar os números positivos de 2025 — redução da taxa de desemprego, crescimento do Produto Interno Bruto e avanços em programas sociais — e aponta diretrizes para 2026, como a pauta trabalhista e a segurança pública. Essas escolhas têm uma leitura clara para muitos analistas: ao comunicar avanços concretos e metas a serem alcançadas, o presidente constrói uma narrativa de continuidade que dialoga diretamente com o eleitorado em ano eleitoral.

Para além do conteúdo, a forma e o timing dessa mensagem reacendem o debate sobre o papel do Executivo ao usar ocasiões institucionais para reforçar sua imagem pública. Gaspari — em sua coluna no jornal Folha de S.Paulo — criticou essa prolixidade e o caráter quase eleitoral do discurso, apontando que uma mensagem de tamanho e foco assim “pedia palanque” mais do que explicou planos de governo.

No cenário oposicionista, a sucessão presidencial toma contornos cada vez mais complexos. Com a inelegibilidade do ex-presidente Jair Bolsonaro confirmada até 2030, seu grupo político passou a articular alternativas, das quais Flávio Bolsonaro, seu filho e senador, surge como nome competitivo. Ao mesmo tempo, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, anunciou que deixará o comando do estado — previsto para 22 de março — para dedicar-se integralmente à campanha presidencial. Zema mantém sua pré-candidatura pelo Partido Novo, rejeitando a ideia de compor chapa com Flávio Bolsonaro e buscando espaço próprio no tabuleiro político.

NOVA DINÂMICA – Esse movimento confirma uma nova dinâmica dentro do eleitorado de direita ou de centro-direita: a presença de múltiplos nomes disputando espaço no mesmo campo ideológico, o que pode fragmentar votos que, em outras circunstâncias, convergiriam para um único candidato mais consolidado. Além de Zema e Flávio, outros governadores e líderes regionais, como Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, têm aparecido como potenciais concorrentes ou figuras influentes nas discussões de alianças, ampliando a diversidade de opções no centro e na direita do espectro político.

Essa fragmentação da oposição pode representar, a princípio, uma vantagem estrutural para Lula, cuja candidatura tende a se beneficiar de um bloco menos coeso de adversários. Em termos práticos, quando uma força política dominante enfrenta adversários dispersos, a possibilidade de vitória no primeiro ou segundo turno aumenta, especialmente se o candidato governista conseguir manter sua base e ampliar apoio entre independentes, como sugerem algumas análises do processo eleitoral brasileiro de 2026.

GOVERNO E CAMPANHA – Por outro lado, o uso do discurso institucional como estratégia de campanha — como criticado por Gaspari — levanta questões importantes sobre o equilíbrio entre governar e fazer campanha. Em sociedades democráticas, a linha entre prestar contas de gestão e promover candidaturas é delicada, exigindo cuidado institucional para não diluir as funções do Estado com interesses eleitorais. A mensagem de Lula ao Congresso se insere exatamente nessa tensão, espelhando um momento em que governar, comunicar e disputar votos se sobrepõem de maneira cada vez mais explícita no debate público brasileiro.

Em suma, o início de 2026 revela um xadrez político vibrante e incerto, no qual incumbentes e desafiantes moldam estratégias, articulam alianças e tentam se destacar em meio a uma sociedade polarizada e exigente. As próximas semanas — com renúncias, definições de candidaturas e debates sobre políticas públicas — prometem consolidar as peças desse jogo que, certamente, decidirá o futuro político do Brasil.

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