Fake news sobre fraude nas urnas vira arma de mobilização de apoiadores de Flávio

Senador eleito usa desinformação para convocar apoiadores

Bela Megale
O Globo

O senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO) usou uma fake news para convocar apoiadores de Flávio Bolsonaro a serem fiscais de urna na eleição de domingo. Gayer enviou um áudio para o grupo de WhatsApp “Tropa do Flávio” afirmando que receberam denúncias de que mesários estariam computando votos de pessoas que não compareceram às urnas, especialmente no Nordeste.

A região é a única em que Lula teve uma ampla maioria dos votos. O senador eleito não fundamenta de onde vieram as denúncias e nem diz ter feito qualquer comunicação às autoridades responsáveis para que o caso fosse investigado.

“DENÚNCIAS” – “Recebemos aí várias denúncias de mesários espalhados por todo o Brasil, principalmente ali na região do Nordeste, que estão votando por pessoas que não foram. Ou seja, pessoas que se ausentaram, que se abstiveram, olharam lá depois e parece que tiveram o voto dela computado na zona. Há uma denúncia séria de que mesários estão fazendo isso. Qual é a única solução para a gente impedir que isso aconteça no segundo turno? Nós precisamos ter fiscais de urna”, disse Gayer na gravação.

Segundo a pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21), Lula segue com 61% das intenções de voto no Nordeste, enquanto Flávio oscilou para baixo de 32% para 31%. O senador eleito disse que é necessário ter 2 milhões de fiscais espalhados pelo Brasil para “garantir que não vai ter mesário votando no Lula depois das 5h00, que é o que muitas denúncias estão nos dizendo”.

A campanha de Flávio intensificou os pedidos para que seus apoiadores atuem como fiscais de urna, representantes credenciados pelos partidos políticos para acompanhar e fiscalizar a votação e a apuração dos votos. Segundo um integrante da cúpula do PL, no primeiro turno a sigla teve cerca de 50 mil fiscais e planeja ter cerca de 150 mil no segundo turno.

Preso por tentativa de golpe, Silvinei Vasques indica nomes para eventual governo Flávio

Silvinei Vasques monta lista para a PRF

Bela Megale
O Globo

Preso na Papudinha desde dezembro, em Brasília, o ex-chefe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques encaminhou à família Bolsonaro uma lista com a indicação de nomes para ocupar a chefia da corporação, caso Flávio Bolsonaro seja eleito.

A lista teve como destinatário o senador eleito por Santa Catarina, Carlos Bolsonaro (PL). Os nomes sugeridos pelo ex-diretor tiveram posições de destaque na gestão de Jair Bolsonaro. Um deles é Wilmen Silva Vieira, que foi diretor de Administração e Logística quando a corporação estava sob o comando de Vasques.

EXONERAÇÃO – O outro é Jean Coelho, que foi diretor-executivo e acabou exonerado em 2022 para atuar em Washington. O afastamento ocorreu após a comoção pública com o assassinato de Genivaldo de Jesus Santos, morto por asfixia em uma abordagem de policiais rodoviários federais em Sergipe.

O terceiro nome é Fábio Elissandro Cassimiro Ramos, que foi diretor do Comando de Operações Especializadas e de Fronteira (COE) da PRF na gestão Bolsonaro e cotado para comandar o órgão antes de Vasques assumir o posto.

Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos de prisão por tentativa de golpe e cumpre pena em Brasília. No início do ano, depois de fazer uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, que na ocasião estava preso na Papudinha com o ex-chefe da PRF, Carlos Bolsonaro criticou a prisão de Vasques e do ex-ministro da Justiça Anderson Torres.

Constitucionalistas questionam plano de Flávio para ampliar o próprio mandato

Da fraude nas urnas à fabricação de popularidade: a nova desinformação eleitoral

Charge de Jean Galvão (Folha)

João Pedro Abdo
Folha

A desinformação eleitoral pode ter mudado de alvo no primeiro turno de 2026. Conteúdos que lançam suspeitas sobre as urnas perderam espaço, e cresceram os que fabricam sinais de apoio, rejeição ou vantagem de candidatos, aponta relatório da agência Lupa.

Falsos sinais de força política, como pesquisas inventadas e apoios que nunca existiram, apareceram em 17 das 80 frases verificadas em 2026 (21,3%). Em 2022, eram 14,9%; em 2018, 15,4%. No sentido inverso, alegações falsas sobre regras e procedimentos de votação caíram de 21,3% em 2022 para 3,8% neste ano. As que atacam a integridade do sistema eleitoral recuaram de 23,4% para 7,5%.

CHECAGENS E VERIFICAÇÕES – O estudo reúne 310 frases analisadas pela Lupa de 16 de agosto a 4 de outubro, dia do primeiro turno. São 230 em checagens e 80 em verificações. Em 2022, foram 367 registros; em 2018, 581, em períodos equivalentes.

Entre as verificações deste ano, 15 (18,8%) envolveram material produzido ou alterado por IA, o que não foi identificado em 2018 e 2022. Há falas falsamente atribuídas a candidatos, fotos manipuladas e multidões inexistentes.

Os casos incluem uma pesquisa inventada que dava vitória a Flávio Bolsonaro (PL) já no primeiro turno e imagens criadas por IA de uma multidão em ato pró-Lula (PT) no 7 de Setembro. “Nas checagens, a gente sabe quem é que está falando. A gente vai num debate ou numa sabatina e tenta analisar o que é possível checar”, afirma Maiquel Rosauro, pesquisador da Lupa.

DÚVIDAS – Já as verificações partem de dúvidas de leitores enviadas ao WhatsApp da agência. “É geralmente aquele conteúdo que está viralizando nas redes sociais”, diz Rosauro. Segundo ele, a origem costuma ser anônima e difícil de rastrear.

A base para comparar as narrativas são as verificações: 26 em 2018, 47 em 2022 e 80 em 2026. Para Rosauro, o recorte permite identificar mecanismos recorrentes de desinformação.

As checagens incluem as declarações de políticos em debates e sabatinas. Elas são analisadas pelas etiquetas e pelos temas das afirmações. A Lupa ressalta que os dados descrevem o conteúdo que selecionou, e não toda a desinformação que circulou nas campanhas.

NA BOCA DOS CANDIDATOS – Nas checagens, 24,3% das frases checadas em 2026 receberam a etiqueta “Falta contexto”, praticamente o mesmo patamar das classificadas como falsas (24,8%). Em 2022, eram 12,5%; em 2018, 10,8%.

A informação “Falsa” é comprovadamente incorreta. A que recebe “Falta contexto” pode trazer dados verdadeiros, mas omite detalhes necessários para interpretá-los e leva o eleitor a conclusões equivocadas.

MENTIRA TRABALHADA – A Lupa usa ainda “Verdadeiro” (informação comprovadamente correta), “Exagerado” (dados inflados), “Subestimado” (dados minimizados), “Contraditório” (contradiz o que a mesma fonte já disse) e “Insustentável” (sem dados públicos que a comprovem). “Antes, a gente tinha uma mentira mais pura dos candidatos. Agora, a gente tem uma mentira um pouco mais trabalhada”, diz Rosauro. “Isso é baseado em alguma verdade. A partir disso, eles mudam completamente o contexto.”

Flávio atribuiu a queda da violência em Alagoas à chegada de Alfredo Gaspar (PL) à Secretaria de Segurança, mas os homicídios já caíam antes. Lula comparou a inflação de seu governo à de Jair Bolsonaro (PL) sem citar o impacto da pandemia Entre os cinco candidatos com frases checadas, Renan Santos (Missão) teve a maior proporção de falsas: 36,7% (11 de 30). Depois vêm Flávio, com 33,3% (12 de 36), e Ronaldo Caiado (PSD), com 24,3% (9 de 37).

Augusto Cury (Avante) teve 21,2% (7 de 33), e Lula, 21,1% (8 de 38). No mesmo recorte, Fernando Haddad (PT) liderou em 2018, com 31,7%, e Jair Bolsonaro, em 2022, com 59,1%. Os índices valem só para as falas checadas.

Povo brasileiro têm muito a perder com a eleição de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro

Charge reproduzida do Correio Braziliense

Vicente Limongi Netto

Eleição de Flávio Bolsonaro custará caro ao povo e ao Brasil. O candidato do PL repete promessas absurdas e mirabolantes. É arrogante e debochado. O Brasil vai retroagir, perderá o respeito internacional, enquanto os trabalhadores perderão seus direitos sociais e econômicos.

Os brasileiros enfrentarão tempos de ódio, vingança e intolerância. Se o leitor tivesse uma empresa precisando contratar um gerente honesto, que não seja mentiroso, contrataria Flávio Miliciano? Pense nisso.

NOVO SENADO – Concordo com o jornalista da Folha de São Paulo, Reinaldo Azevedo, quando diz que o novo Senado será medonho, imundo, incompetente, horroroso, ordinário, medíocre, rancoroso e desprezível.

E quem está muito preocupado com a eleição deste domingo é o consagrado jornalista e escritor paulista Ignácio de Loyola Brandão, integrante da Academia Brasileira de Letras, que nos mandou a seguinte mensagem:

Limongi,

Acredito na virada amanhã, Se não, como sobreviver? O que virá desta raça nojenta, agressiva, estúpida, chamada Bolsonaro?

Abraços

Ignácio

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Sucessão de Gonet na PGR entra no radar de Flávio Bolsonaro após primeiro turno

Brasil registra 35 denúncias de assédio eleitoral no trabalho por dia em outubro

Assédio eleitoral dispara na reta final da eleição

Amanda Lüder
Norma Odara
G1

O Brasil registrou uma média de 35 denúncias de assédio público eleitoral por dia, em outubro, de acordo com dados do Ministério Público do Trabalho. O levantamento foi feito até o dia 19, quando 663 denúncias já haviam sido registradas.

Assédio eleitoral no trabalho é quando o empregador tenta interferir na escolha do voto do empregado. Por exemplo, com ameaças de perda de emprego, rebaixamento de cargo ou de salário caso vote em determinado candidato. Ou ainda quando é feita entrega de santinhos ou quando são realizados eventos políticos dentro do ambiente do trabalho.

AUMENTO EXPRESSIVO – Em setembro deste ano, o MPT já havia registrado um aumento expressivo de 713% nas denúncias desse tipo em relação ao mesmo mês das eleições anteriores, de 2022. Enquanto naquele ano foram registradas 68 denúncias, em setembro de 2026 foram 553.

As principais vítimas, de acordo com a Pasta, são trabalhadores da iniciativa privada. Geralmente, pessoas de menor renda, que são mais vulneráveis ao poder econômico do empregador.

No caso dos servidores públicos, são afetados especialmente os que ocupam cargos comissionados e podem ser pressionados pelos gestores. O crescimento de denúncias, no entanto, não reflete, necessariamente, um aumento de casos. Há cada vez mais uma conscientização da sociedade de que assédio eleitoral é crime, o que estimula as denúncias.

PLANTÕES ELEITORAIS – Algumas ações do MPT também ajudam a explicar a alta nos registros. Entre elas, plantões eleitorais que passaram a ser feitos nos finais de semana. Também foram firmados acordos de cooperação técnica para troca mais rápida de informações entre a Pasta e outros órgãos, como o Tribunal Superior Eleitoral e o Ministério Público Eleitoral.

Outra novidade deste ano é o uso de inteligência artificial para classificar e organizar as denúncias de forma automática. A tecnologia identifica, por exemplo, se denúncias diferentes foram feitas sobre uma mesma empresa e classifica qual o tipo de irregularidade cometida. Ou seja, é possível mapear a situação de maneira mais ágil.

ANONIMATO –  As denúncias podem ser feitas de maneira anônima no site do Ministério Público do Trabalho. Uma vez feita a denúncia, o MPT investiga os fatos e entra em contato com a empresa.

Neste ano, 36 termos de ajustamento de conduta já foram firmados entre o MPT e empresas. Em caso de resistência, essas denúncias podem virar ações civis públicas. Até o momento, em 2026, 25 ações já foram ajuizadas. Destas, 24 tiveram liminares concedidas. Em caso de descumprimento da liminar, a empresa paga multa e indenização por dano moral coletivo.

O procurador-geral do trabalho, Gláucio Araújo Oliveira, afirma que o assédio eleitoral no trabalho representa um risco à democracia. “Se nós não frearmos essas condutas, ditadas pelo poder econômico ou pelo domínio na administração pública, isso representa um grave risco à nossa democracia porque é uma das formas de interferência na vontade popular que se manifesta na hora do voto, nas urnas.”

Os inesquecíveis olhos da amada do poetinha Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes: Onde mora o amor #versos #poemas #poesia #literatura #artePaulo Peres
Poemas & Canções

O diplomata, advogado, jornalista, dramaturgo, compositor e poeta, Vinícius de Moraes (1913-1980), escreveu o “Poema dos Olhos da Amada”, para a amada daquele momento, na década de 60. Depois, musicou o poema. No filme “Garota de Ipanema”, ele aparece cantando e acompanhando ao violão este belíssimo poema.

POEMA DOS OLHOS DA AMADA
Vinícius de Moraes

Ó minha amada
Que os olhos teus
São cais noturnos
Cheios de adeus
São docas mansas
Trilhando luzes
Que brilham longe
Longe nos breus …

Ó minha amada
Que olhos os teus
Quanto mistério
Nos olhos teus
Quantos saveiros
Quantos navios
Quantos naufrágios
Nos olhos teus…

Ó minha amada
Que olhos os teus
Se Deus houvera
Fizera-os Deus
Pois não os fizera
Quem não soubera
Que há muitas eras
Nos olhos teus,

Ah, minha amada
De olhos ateus
Cria a esperança
Nos olhos meus
De verem um dia
O olhar mendigo
Da poesia
Nos olhos teus.

Debate não convenceu ninguém e tudo vai se resolver nas urnas, como deve ser

Lula y Bolsonaro se enfrentan en su último debate cara a cara antes del balotaje en Brasil - LA NACION

Flávio e Lula são dois perdidos numa política suja…

Carlos Newton

Foi bem melhor esse debate, em relação à sabatina no primeiro turno e ao debate na Band. Desta vez, os operadores de áudio da Vênus Platinada capricharam na captação das vozes e os próprios candidatos também se esforçaram.

Nas sabatinas com Renata Lo Prete, foi uma chatice. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) falava baixo e rápido demais, era difícil entendê-lo, enquanto Lula da Silva (PT), com aquela voz roufenha de homem das cavernas, também era um problema para o telespectador.

DESPREPARO – Nesta sexta-feira foi possível ouvir melhor os candidatos e se confirmou a impressão de que ambos são despreparados – Lula e Flávio realmente não chegam aos pés de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que seria o candidato ideal para passar este país a limpo.

De qualquer forma, é preciso reconhecer que Flávio é muito melhor do que o pais Jair Bolsonaro, que pouco evoluiu nos 27 anos de atuação que teve como deputado federal, antes de chegar à Presidência.

Flávio teve melhores condições de vida do que, formou-se em Direito, elegeu-se deputado estadual aos 21 anos, fez carreira na Assembleia do Estado do Rio e está em seu oitavo ano como senador, é claro que aprendeu muita coisa.

BEM NO DEBATE – Flávio estava se saindo bem no debate, mas  depois vacilou. Um exemplo: deixou de atacar Lula sobre a situação do Nordeste, mostrando desconhecer que a Bahia é o Estado mais violento do país, com Jequié liderando o ranking de assassinatos.

Também bobeou no caso do jogador Richarlinson, que foi passado para trás ao comprar uma posse em Angra, sem pesquisar se o posseiro tinha papéis válidos. Flávio, absurdamente, não soube responder e se perdeu no lance.

Além disso, em nenhum momento lembrou o fato de Lula ter sido informante do regime militar, sob codinome de Barba, também não disse nada sobre o menino do MEP, que Lula tentou estuprar na cadeia. Ou seja, Flávio estava realmente despreparado para debater.

NADA MUDOU – Quanto a Lula, nada mudou, apenas a idade. Apesar da harmonização facial que Janja mandou fazer, implantando também cabelos no alto da cabeça e aproximando mais as antigas orelhas de abano, as rugas no pescoço mostram que o tempo dele já passou.

Será uma benção se perder a eleição. No debate, estava visivelmente cansado, se perdia na contagem de tempo, e Cesar Trallia estava sempre a lhe ajudar.  Se Lula vencer a reeleição, o grande vitorioso será Geraldo Alckmin, que não vê a hora de assumir como titular.

Por fim, ninguém ganhou o debate, e o final é realmente imprevisível. Como eu não acredito nas pesquisas, acho que Flávio vai vencer, até porque Lula está precisando de um pijama de bolinhas, desculpem a franqueza.

Um ano sem Barroso: STF acumula 47 julgamentos parados à espera de novo ministro

STF perde um ministro e acumula processos

Teo Cury
CNN

A ausência de um ministro no STF (Supremo Tribunal Federal) tem paralisado, no último ano, julgamentos no plenário e na Primeira Turma do Tribunal e sobrecarregado os gabinetes dos magistrados.

O tribunal, composto por 11 ministros, está com dez magistrados desde 18 de outubro de 2025, quando Luís Roberto Barroso antecipou sua aposentadoria. Jorge Messias foi indicado para a corte, mas o Senado barrou seu nome. Até hoje a vaga não foi preenchida.

JULGAMENTOS SUSPENSOS – Em um ano, 47 julgamentos foram suspensos para aguardar a chegada do novo ministro – 20 análises foram adiadas no plenário e outras 27 na Primeira Turma do STF.

O plenário é o maior colegiado do tribunal e onde atuam todos os ministros. A Primeira Turma é um dos dois colegiados formados por cinco ministros. Com a saída de Barroso, que integrava a Segunda Turma, Luiz Fux pediu a Edson Fachin para mudar de colegiado e deixar a Primeira Turma, que desde então tem apenas quatro ministros.

Os julgamentos cujas conclusões foram adiadas para aguardar a chegada do novo ministro tratam de processos sobre matéria penal, tributos e regime tributário, meio ambiente, conflito de competência, matéria orçamentária e direito administrativo.

INTERRUPÇÃO – A distribuição de processos a Barroso foi interrompida um dia depois do anúncio de sua aposentadoria. Com a ausência de um ministro no STF, os demais viram seu acervo de processos aumentar.

Sem um novo colega e sem que o presidente do STF participe dos sorteios dos casos que chegam ao tribunal, cada um dos nove ministros recebeu 546 processos a mais neste período.

O próximo indicado para a vaga aberta em decorrência da aposentadoria de Barroso assumirá 667 processos deixados pelo magistrado. O acervo inclui processos sobre direito administrativo e direito público, penal, trabalhista, tributário e casos da área da saúde.

NO RADAR – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda avalia com seus auxiliares se indicará um novo nome ainda este ano ao tribunal. A possibilidade está no radar mesmo que Lula não seja reeleito no próximo domingo (25).

Aliados do presidente e ministros do STF que mantêm relação mais próxima com Lula defendem que ele indique um novo nome para não deixar uma quarta indicação para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que lidera as intenções de voto.

Nesse cenário, o nome de Rodrigo Pacheco, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), é um dos mais cotados. O ex-senador foi preterido há um ano para essa mesma vaga.

Às vésperas da eleição, governo Lula volta a enviar mensagem sobre voto a beneficiários do INSS

Iniciativa já havia sido adotada no primeiro turno das eleições

Deu no O Globo

Idosos que recebem benefícios previdenciários receberam mensagens pelo WhatsApp, enviadas pela conta Gov.br, informando que o voto nas eleições pode ser utilizado como prova de vida. A iniciativa foi realizada em massa pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia adotado a estratégia no primeiro turno para incentivar os eleitores a comparecer às urnas. O segundo turno será realizado neste domingo (25).

Uma das mensagens, recebida por usuários na noite de quarta-feira (21), informa que votar nas eleições também pode ser utilizado como prova de vida para o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O texto lembra que o procedimento tem validade de 12 meses e orienta os beneficiários a consultar o aplicativo Meu INSS para obter informações sobre o benefício e a comprovação de vida. Ao final, pergunta se o usuário deseja continuar recebendo mensagens sobre o tema.

SELO AZUL – A autenticidade da informação é garantida pelo selo azul de conta verificada da conta do Governo do Brasil no WhatsApp e, também, pelo recebimento da mesma mensagem diretamente na caixa postal do aplicativo gov.br.

Na terça-feira (20), a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pediu a cassação da chapa de Lula por causa do envio em massa de mensagens pelo WhatsApp.

A defesa alega que a prática viola a legislação eleitoral, que proíbe, desde 4 de julho, a publicidade institucional de atos, programas, obras e serviços públicos nos três meses anteriores ao pleito, ressalvadas as exceções previstas em lei.

B –  O governo Lula já havia adotado essa estratégia no primeiro turno das eleições deste ano, realizado no dia 4. O comparecimento às urnas foi utilizado para validar a prova de vida de aposentados, pensionistas e demais beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Naquela semana, os segurados também receberam alertas pelo WhatsApp e pela caixa postal do gov.br com orientações sobre como regularizar a comprovação. As mensagens foram enviadas a todos os cidadãos cuja prova de vida estava vencida ou prestes a vencer.

O procedimento de revisão anual tem como objetivo verificar se o titular de um benefício previdenciário ou assistencial continua vivo, a fim de garantir a regularidade dos pagamentos. Atualmente, cerca de 40 milhões de beneficiários ativos estão sujeitos à verificação.

PROVA DE VIDA – O cruzamento de dados é realizado automaticamente, sem necessidade de solicitação do segurado e sem custos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envia ao INSS informações sobre o comparecimento às urnas, e o instituto registra a prova de vida dos beneficiários que votaram.

A prova de vida passou por mudanças para reduzir filas, custos e transtornos provocados pelo antigo modelo presencial, especialmente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.

A Lei nº 13.846/2019 alterou as regras do procedimento, enquanto a Portaria INSS nº 1.408/2022 incluiu a votação nas eleições entre os meios de comprovação de vida. A sistemática prevê que o poder público busque, de forma proativa, informações que permitam confirmar que o beneficiário continua vivo.

VAIDAÇÃO – Assim, quem vota pode ter a prova de vida validada automaticamente, sem precisar recorrer a outro procedimento, desde que o comparecimento seja identificado e registrado pelo INSS.

A regra também se aplica aos eleitores com mais de 70 anos, para os quais o voto é facultativo. Nesse caso, o comparecimento à seção eleitoral é opcional, mas quem votar também poderá ter a comprovação de vida registrada.

GOLPES –  Em hipótese alguma será pedido algum dado do cidadão ou enviado link direcionando para uma suposta regularização da prova de vida. É preciso desconfiar de qualquer mensagem recebida fora dos canais oficiais do Governo ou do INSS que solicite acesso para verificar saldos ou atualizar dados, por exemplo. O governo não realiza atendimentos, solicita dados pessoais (como CPF e endereço) nem realiza cobranças ou pedidos de pagamento via WhatsApp. É preciso ficar atento.

Para os casos em que o cidadão não comparecer ao pleito eleitoral, o INSS continua utilizando o sistema SIRIS, que coleta diversas fontes de dados do governo em busca de outros eventos comprobatórios, como a emissão de documentos, movimentações registradas em cadastros oficiais ou atendimentos realizados em serviços públicos. Encontrado qualquer um desses registros, a Prova de Vida é atualizada sem que o segurado precise agir.

CONSULTA – O aposentado ou pensionista só é convocado a regularizar a situação quando nenhuma dessas fontes confirma que ele está vivo. Para saber se a comprovação já foi feita, basta consultar o aplicativo ou o site Meu INSS, ou ligar para a Central 135.

A base de dados do TSE teve contribuição significativa para a prova de vida em 2024. Naquele ano, cinco milhões de beneficiários tiveram a prova de vida feita por meio da ida às urnas.

Campanha de Flávio vê erro em vídeos de Nikolas no Nordeste e teme efeito contrário

E a eleição presidencial realmente chegou ao limite da imprevisibilidade

Mourão acredita em anistia geral a golpistas em troca de trégua do Senado com o STF

Mourão vê anistia geral como saída para conter disputa

Fabio Victor
Folha

O senador e ex-vice-presidente da República Hamilton Mourão (Republicanos-RS) afirma acreditar que haverá no país uma anistia geral pela qual todos os presos por tentativa de golpe sejam soltos e, em contrapartida, o Senado não busque o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

“Eu acho que nós vamos conceder uma anistia, vai todo mundo anistiado. Solta todo mundo, está todo mundo livre e segue o baile. É óbvio que isso vai pegar muito mal, vai gerar uma certa revolta na população que elegeu gente aí para botar essa turma [ministros do STF] para fora”, disse Mourão ao Painel.

“MUITO COMUM” – Segundo o senador, uma anistia do tipo –semelhante, guardadas as proporções, à de 1979, que libertou presos políticos e ao mesmo tempo livrou de punição militares que cometeram crimes na ditadura– faz parte da cultura brasileira. “Isso é muito comum na nossa história, né, é só analisar. A gente sempre procura uma saída para que ninguém mate ninguém.”

O cenário descrito por Mourão, general de quatro estrelas da reserva do Exército, é o mesmo defendido pelo deputado federal reeleito Eduardo Pazuello (PL-RJ) em entrevista à Folha. Ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, Pazuello também é general da reserva (de três estrelas, um degrau abaixo de Mourão). Apesar das declarações, Mourão disse que não pretende apresentar um projeto de anistia no Senado e que não o apoiaria.

A eleição do precariado: a nova força que pode mudar a política brasileira

Insegurança virou força política no Brasil, diz economista britânico

Alexa Salomão
Folha

Há 15 anos, o economista britânico Guy Standing lançou o livro “O Precariado: A Nova Classe Perigosa”, popularizando o conceito de um novo segmento social que ganhava força com o avanço da flexibilização das relações de trabalho.

Como diz o nome, esse “proletariado precário” viveria sob constante insegurança econômica, com direitos trabalhistas e previdenciários frágeis e poucas perspectivas de futuro. Standing também alertou no livro que o crescimento dessa nova classe nos anos seguintes poderia provocar profundas mudanças políticas, inclusive apoiar a ascensão de movimentos extremistas.

ALERTA – “Infelizmente, meu alerta, ou previsão, se concretizou”, afirmou Standing à Folha, tomando como exemplo dessa tendência política a eleição de Donald Trump em 2016. Na avaliação do pesquisador, a atuação do precariado se globaliza e mostra sua força também nas eleições brasileiras deste ano.

“O Brasil é um caso extraordinário. Infelizmente, eu chamaria a sua atual eleição presidencial de a primeira eleição do precariado, porque ela está sendo decidida por essa nova estrutura de classes.” Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

No Brasil, tentamos entender se há alguma relação entre as mudanças sociais e a ascensão da direita. Mas, antes de discutirmos isso, até para o leitor compreender o conceito, quais transformações levaram o sr. a identificar, lá atrás, o surgimento do precariado?
A percepção de que o precariado estava surgindo como a nova classe de massa veio quando a revolução econômica neoliberal dos anos 1980 começou a produzir muito mais desigualdade e insegurança, especialmente quando a direita política e os economistas convencionais passaram a defender o que se chamava de flexibilidade do mercado de trabalho, revertendo as proteções aos trabalhadores e tornando a política social menos universalista.

O que me deixava triste e indignado naquela época era que a velha esquerda, incluindo os partidos social-democratas e trabalhistas, não compreendia nem se importava com o precariado emergente. Não conseguira perceber que ele era potencialmente uma classe transformadora. Escolheram seguir o que se chamava de terceira via. Aceitaram o modelo econômico neoliberal, enquanto esperavam atenuar seus efeitos negativos com mais políticas de bem-estar social baseadas no Estado.

Como era previsível, o neoliberalismo produziu o que chamei de capitalismo rentista, no qual uma parcela cada vez maior da renda, do status e do poder vai para os proprietários de bens —propriedade financeira, intelectual e física—, enquanto uma parcela cada vez menor da renda vai para aqueles que dependem do trabalho. Assim, o precariado foi perdendo renda real.

Infelizmente, esse caminho também foi seguido no Brasil, assim como nos Estados Unidos, pelos democratas, e no Reino Unido, pelo Novo Trabalhismo.

Passados 15 anos, o conceito não mudou?
Desde a publicação da primeira edição do meu livro, em 2011, o precariado passou de uma classe em formação para uma classe mais consciente de si mesma, e deve ser visto dentro de uma estrutura fragmentada: todas as classes situadas acima dele são rentistas, beneficiando-se da propriedade privada e desvinculadas do Estado social.

Mas o que é o precariado? Ele pode ser compreendido em três dimensões. Primeiro, possui relações de produção distintas —padrões de trabalho e emprego. Está sendo habituado a aceitar trabalho instável e inseguro, mesmo sendo, de maneira inédita, a primeira classe trabalhadora de massa cujo nível médio de escolaridade é superior ao exigido pelos empregos que ocupam.

Além disso, precisa realizar tarefas não remuneradas impostas pelo Estado, o que é uma fonte de ressentimento [literalmente, trabalhar para o Estado, como perder tempo em filas, com formulários e outras exigências para obter benefícios ou serviços públicos].

Segundo, o precariado precisa depender quase inteiramente de salários em dinheiro, sem acesso a benefícios não salariais ou estatais garantidos por direitos. Como argumentei em meus livros recentes, o precariado perdeu o acesso aos bens comuns, que historicamente foram dos pobres. Essa é mais uma fonte de ressentimento contra o Estado.

Esta também é a primeira classe de massa a ser sistematicamente explorada pelo endividamento, refletindo a financeirização da sociedade e a estagnação dos salários reais. O endividamento crônico também é uma fonte de ressentimento contra a velha esquerda, porque, sob a gestão de governos de esquerda, a financeirização se tornou dominante. A dívida sufoca a esperança de que a vida vá melhorar sob o atual regime político.

Terceiro, o precariado experimenta uma sensação de perda de segurança e de direitos oferecidos pelo Estado. Isso nos leva ao verdadeiro significado da precariedade: os membros dessa classe se sentem quase como mendigos, tendo de pedir favores a proprietários de imóveis, empregadores, escolas, pais e burocratas. A esquerda política oferece uma saída para tudo isso? Na verdade, não.

Mas o precariado ainda é uma classe em formação, dividido internamente. A parcela menos escolarizada, eu chamei de atavistas. Eles olham para trás ou imaginam que o passado era melhor do que o presente e, por isso, dão ouvidos aos populistas que prometem trazer de volta a “grandeza”, em torno de noções de família, religião e ultranacionalismo.

Em contraste, a parcela mais escolarizada do precariado, eu chamo de progressistas. Eles foram incentivados a cursar uma faculdade ou universidade com a promessa de um futuro seguro, mas esse futuro não existe. Eles não votarão na extrema direita, mas também não querem preservar o antigo Estado burocrático. Estão procurando uma nova política do paraíso e não a encontram no espectro político.

A disseminação do trabalho por aplicativos faz parte do conceito de precariado?
Os observadores da sociedade, incluindo economistas e jornalistas, precisam ir além da superfície da uberização e das plataformas digitais. Elas fazem parte da história do precariado, mas são apenas parte.

No seu livro, em 2011, o sr. já falava do potencial político do precariado. Há evidências de que tenha contribuído com a ascensão da direita, como estamos vendo recentemente?
Infelizmente, meu alerta, ou previsão, se concretizou. Na página um do livro, alertei que, a menos que as inseguranças e aspirações do precariado fossem compreendidas e traduzidas em uma nova política, veríamos o surgimento de um monstro político. Infelizmente, ele surgiu em 2016, para ser imitado por outros monstros desde então.

O sr. fala de Trump?
Sim. Os ativistas foram mobilizados ali. Clinton [Hillary, candidata do Partido Democrata à Presidência em 2016] chamou os atavistas de deploráveis, e você não conquista “corações e almas” criticando pessoas que, na realidade, foram abandonadas pelo sistema educacional que as formou. Tentei explicar isso no meu novo livro, “Human Capital: The Tragedy of the Education Commons” [Capital Humano: A Tragédia dos Bens Comuns da Educação”, livro mais recente que é uma crítica à transformação da educação em instrumento de formação para o mercado de trabalho, em detrimento da formação intelectual, cultural e política dos indivíduos].

O sr. argumenta que endividamento crônico é fonte de ressentimento do precariado, e o endividamento das famílias atingiu níveis recordes no Brasil. Exatamente como isso afeta o comportamento político?
A parte do precariado endividada sabe que um acidente, uma doença ou um erro podem levá-la à miséria e à perda da moradia. A insegurança crônica torna as pessoas intolerantes, desprovidas de empatia. Como destaquei em meu livro “The Politics of Time” [“A Política do Tempo”, que discute a desigualdade na gestão do tempo], Aristóteles foi o primeiro a afirmar que a combinação de elevada desigualdade e endividamento generalizado levará a uma tirania.

Em países emergentes como o Brasil, condições precárias e informalidade são características históricas do mercado de trabalho. O conceito de precariado pode ser aplicado no Brasil da mesma forma que aos países desenvolvidos?
Há muito tempo argumento contra a noção de trabalho ou emprego informal. Ela mistura coisas diferentes. Eu gosto de ser informal! Mas, deixando isso de lado, alguém que realiza uma pequena produção ou exerce atividades por conta própria não faz realmente parte do precariado, que se caracteriza pela necessidade de depender do trabalho assalariado.

Em certo sentido, o precariado é o sucessor do antigo proletariado. O precariado experimenta uma perda de direitos sociais —o que os franceses chamam de les droits acquis [direitos adquiridos]— que o proletariado havia conquistado. Mas isso não significa que seus integrantes queiram o antigo modelo.

Constatei que o precariado existe no mundo inteiro. Meu livro foi traduzido para 25 idiomas, e pessoas de todo o mundo me escrevem contando como pertencem a essa classe.

O Brasil é um caso extraordinário. Infelizmente, eu chamaria a sua atual eleição presidencial de a primeira eleição do precariado, porque ela está sendo decidida por essa nova estrutura de classes.

Devido ao capitalismo rentista e à financeirização, as classes superiores —a plutocracia [dos extremamente ricos], a elite [pessoas em cargos de poder] e o salariado [com trabalho seguro]— estão desvinculadas do Estado de bem-estar social baseado no trabalho assalariado e tenderão a apoiar a extrema direita, mesmo que alguns detestem sua vulgaridade e seu núcleo antidemocrático.

No Brasil, vocês têm voto obrigatório, então, a parcela progressista do precariado está ficando em casa.

É uma afirmação contundente descrever a eleição presidencial brasileira de 2026 como a primeira eleição do precariado no país. Por que não 2018, quando o Brasil elegeu Jair Bolsonaro, pai do atual candidato?
Acho que 2018 foi, em parte, um reflexo da ascensão do precariado, mas foi dominado principalmente pela indignação com a criminalidade e a corrupção. Em contraste, embora a economia esteja apresentando um desempenho bastante bom, Lula agora está enfrentando dificuldades.

A Grã-Bretanha teve sua primeira eleição desse tipo em maio deste ano, quando os atavistas votaram na extrema direita e os progressistas votaram contra o Partido Trabalhista, principalmente nos Verdes.

Receio que outra presidência de Bolsonaro seguiria, de fato, o modelo de Trump, como eles estão prometendo abertamente.

Nenhuma pessoa sensata pode ser enganada pelo presidente perturbado que está na Casa Branca, que ameaça países com genocídio, apoia o genocídio em curso em Gaza e nos territórios ocupados, supervisiona assassinatos ilegais, captura ilegalmente o presidente de outro país, deleita-se com o espetáculo da transmissão ao vivo de uma execução pública e vulgariza a linguagem com desinformação agressiva quase todos os dias.

A tragédia que está se desenrolando foi ajudada pelo fato de a esquerda da política brasileira ter ficado no passado. Ela não tem conseguido alcançar o precariado. O Bolsa Família foi um grande avanço lá em 2003. Mas era essencial que marcasse um movimento em direção a uma nova sociedade universalista, em vez de consolidar um Estado burocrático e paternalista.

Embora tenha havido experiências fascinantes, a esquerda não avançou no sentido de oferecer segurança básica universal, por meio de uma renda básica. Fez pouco para recuperar os bens comuns, muito menos para introduzir gradualmente a democracia deliberativa ou resgatar o sistema educacional disfuncional que está alimentando a extrema direita, um argumento central do meu livro “Human Capital”.

Receio que uma nova guinada para a extrema direita cause danos terríveis aos jovens do precariado. Mas o velho PT não deveria ser responsabilizado por permitir que isso aconteça. Meu bom amigo Eduardo Suplicy, o presidente Lula e seus colegas daquela geração abriram o caminho para sair da escuridão da última onda de ditaduras. Parece injusto culpá-los por não serem a voz do precariado de hoje. Essa voz terá de surgir de dentro das fileiras dos progressistas do próprio precariado. A luta continua.

RAIO-X / Guy Standing

1948, Londres 

Nascido na Inglaterra, é economista com doutorado na área pela Universidade de Cambridge. Trabalhou por cerca de 30 anos na OIT (Organização Internacional do Trabalho). É cofundador da Rede Mundial de Renda Básica e foi professor da Escola de Estudos Orientais e Africanos, vinculada à Universidade de Londres, onde hoje atua como pesquisador associado. Autor de ampla pesquisa sobre relações trabalhistas, assina mais de 30 livros, entre eles “O precariado: A Nova Classe Perigosa” (2011), “The Corruption of Capitalism” (2016), “Basic Income” (2017), “The Politics of Time” (2023) e “Human Capital” (2026).

Maior ameaça ao Brasil é o retrocesso em sua política externa democrática

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Charge do Zappa (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Entre todos os problemas que podem se agravar com a eleição de Flávio Bolsonaro, o mais grave deles será a submissão do Brasil à polícia externa dos Estados Unidos. O próprio candidato do PL fez questão de deixar bem clara essa questão, ao informar que o Brasil vai aderir ao chamado Escudo das Américas, de maneira incondicional.

Omo se sabe, esse Escudo das Américas é formado pelos países que apoiam a política externa americana de maneira submissa e serviçal, sem possibilidade de qualquer contestação a decisões de Washington que sejam equivocadas e possam prejudicar o Brasil.

POLÍTICA ANTINACIONAL – Nem Flávio Bolsonaro nem qualquer outro brasileiro tem o direito de adotar essa postura antinacional, em obediência a interesses externos.

Desde sua Independência e até os dias de hoje, nenhum governo brasileiro aceitou e ousou se submeter aos interesses de outros países, com o Itamatary mantendo uma política diplomática sempre livre, altiva e voltada às defesas dos interesses nacionais.

Mas tudo pode mudar, porque a falta de conhecimento diplomático da família Bolsonaro mostra ser uma armadilha contra o país. Nenhum governante tem o direito de atrelar nosso país aos interesses de outra nação. Não importa quão importante ou hegemônica demonstre ser.

SEM LIMITES – Donald Trump já mostrou ser uma ameaça ao Brasil e ao próprio mundo. A invasão à Venezuela e a intervenção na política local, com o país sendo tratado como mais uma colônia norte-americana, demonstram que sua ambição não tem limites.
O mais impressionante é que muitos brasileiros não temem que nosso país possa se transformar numa  Venezuela em versão continental.

Não adianta Flávio Bolsonaro calçar agora as sandálias da humildade, porque o estrago das suas declarações já produziu efeitos altamente negativos. As mudanças propostas por Flávio são tão impopulares que é melhor a continuidade com Lula.
Quem vai querer mudanças para pior?

Ministro do TSE impede nova suspensão do canal ‘Exército do Lula’ até decisão do plenário

Nunes Marques concentra 43% das ações de Lula contra Flávio e não decide nenhuma

Tramitação em gabinete de Marques destoa dos demais

Rodrigo Castro
O Globo

O gabinete de Nunes Marques concentra quase metade das ações movidas pela campanha de Lula contra Flávio Bolsonaro no segundo turno. São 42 de um total de 97 processos registrados na plataforma do TSE até o último dia 16, o equivalente a 43,3%. Desses, nenhum teve decisão no período.

Por outro lado, o gabinete do presidente do TSE recebeu apenas 21 das 125 ações de Flávio contra Lula (16,8%). Nesse conjunto, proferiu uma decisão no mesmo intervalo. A realidade destoa do observado nos demais gabinetes, nos quais, dentre as ações com ao menos três dias de tramitação, 22 das 43 demandas de Lula (51,2%) e 38 das 98 de Flávio (38,8%) já haviam sido decididas.

LETARGIA – Em outras palavras, se o gabinete da Presidência tivesse decidido as ações de Lula na mesma proporção dos demais, seriam esperadas cerca de 19 decisões. O levantamento é de um estudo inédito do professor de Direito Celso de Oliveira Santos, pesquisador da UERJ. A pesquisa é intitulada “Como explicar a letargia do TSE nas eleições mais judicializadas da história do Brasil?”.

A análise aponta que a falta de andamento não deve a uma paralisação do gabinete. Entre 5 e 18 de outubro, o sistema do TSE registrou 100 atos de autoria de Nunes Marques (56 acórdãos, 39 decisões, três despachos e duas resoluções), inclusive nove decisões em outros processos autuados no segundo turno e 40 atos em ações entre as campanhas ajuizadas no primeiro turno. A inércia, segundo a pesquisa, recai sobre as ações do segundo turno que envolvem a disputa presidencial.

ACÚMULO DE AÇÕES – De acordo com os dados, no gabinete de André Mendonça, ocorreu o inverso: 48 ações de Flávio e 12 de Lula. Elas representam, respectivamente, 38,4% e 12,4% das demandas ajuizadas por cada candidato. O acúmulo de ações nos gabinetes do presidente e do vice do TSE difere das eleições passadas.

No segundo turno de 2022, o gabinete do presidente Alexandre de Moraes recebeu 24 das 133 ações de Bolsonaro (18%) e 20 das 110 de Lula (18,2%); em 2018, a presidente Rosa Weber não relatou nenhuma.

O estudo conclui que: “O gabinete do atual presidente do TSE, tornou-se, portanto, no período mais sensível do calendário eleitoral, o ponto de retenção das ações movidas contra uma das campanhas, em contradição com a distribuição equitativa prevista na regulamentação e com os prazos e a prioridade fixados na Lei das Eleições”. Segundo a pesquisa, a perspectiva na demora é que o pleito passe e as ações sejam extintas por perda de objeto, eliminando riscos jurídicos e reputacionais para a campanha ré.

Jogadores do Flamengo não fazem jus aos salários milionários que recebem

Paquetá lamenta pênalti perdido e pede desculpas à torcida do Flamengo:  “Falhei quando não podia” | Goal.com Brasil

Flamengo virou depósito de craques sem garra

Vicente Limongi Netto

Indolência, falta de inspiração, jogando com um atleta a mais, fiquei na dúvida se estava em campo o medíocre Flamengo ou a medonha seleção do mafioso Carlo Ancelotti. O futebol brasileiro cai pelas tabelas. Os três jogadores do flamengo que perderam pênaltis, somados, ganham mais de R$ 3 milhões mensais.

É uma mediocridade oceânica. Com elenco milionário e cheio de estrelas, todos se achando, o Flamengo dá vexame com o Maracanã lotado. Nao jogam, fingem que jogam, diria Vampeta. Perder três pênaltis numa série de cinco cobranças é deplorável. Ruindade avassaladora.

SEM NOVELA – Sem novela nesta sexta-feira, por causa do debate. Tomara que valha a pena a troca, porque Lula disse que iria provar que Flavinho Rachadinha matou Arthur. Há-há-há.

A escória bolsonarista realmente é desprezível. Antevendo a derrota para Lula, o golpista fujão ordinário Eduardo Bolsonaro declara que urnas poderão ser fraudadas.

O canalhão Eduardo segue a linha imunda e irresponsável do pai dele, o golpista presidiário Jair, que fez idêntica molecagem nas eleições passadas.