No desespero, Moraes tenta acusar Mendonça por “abuso de autoridade”

Moraes admite erro e autoriza parte de campanha do governo - Revista Oeste

Apanhado em flagrante, Moraes não sabe mais o que fazer

Luísa Martins e Ana Pompeu
Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, “com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos”.

MOTIVOS PESSOAIS – De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação “por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares” a serem apresentadas pela Polícia Federal. Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

 

A medida é tomada por Moraes dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta o colega como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar Moraes.

Procurado após o pedido de Moraes a Fachin, Mendonça ainda não se manifestou.

NULIDADES – Fachin decidiu abrir um procedimento para esclarecer as nulidades alegadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República), solicitando a todos os envolvidos, inclusive a Moraes e Mendonça, manifestações em até cinco dias úteis.

Segundo Moraes, há por parte de Mendonça “indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto a linha investigativa determinada”, além de “quebra da cadeia de custódia das provas apreendidas”.

Moraes afirmou que, no curso da investigação, Mendonça ameaçou afastar do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet — este último por “proximidade com o ministro Gilmar Mendes que o tornaria indigno de confiança”.

 

DIZ MORAES – Para justificar a decisão no âmbito do inquérito das fake news, Moraes diz que constatou “a existência de notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças e infrações que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo, de seus membros e familiares”.

O ministro diz que relatórios de inteligência registrados nos sistemas da PF apontam para a imputação falsa de crimes em relação a Rodrigues, Gonet, Moraes e Gilmar, com citações também aos ministros Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

Os relatórios de inteligência, de acordo com Moraes, dizem que Mendonça teria determinado medidas que prejudicaram a cadeia de custódia das provas, atropelando as competências das autoridades policiais, o que acabou gerando tratamento assimétrico entre investigados, com prazos variados a depender do alvo.

RELATÓRIO DA PF – “O juízo relator vem exercendo poderes típicos de presidência da investigação, e não de supervisão judicial”, diz o relatório da PF, citando como exemplo a ordem de Mendonça para ter acesso ao material bruto da investigação.

A PF conclui que o resultado prático da atuação de Mendonça “é a atuação do julgador como investigador”, pois o ministro estava apto a explorar direta e irrestritamente todo o acervo de provas, algo que não é franqueado, por exemplo, às defesas dos investigados.

“O formato exigido é, em si, um indicativo: destina-se a consulta e análise de teor”, diz a PF, sinalizando que a partir disso Mendonça poderia selecionar, suprimir ou manipular as documentações que embasam os inquéritos.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moraes está completamente desesperado, porque as mensagens entre ele e o banqueiro Vorcaro falam por si, nem é preciso acusá-lo de nada, porque o próprio ministro se incriminou por advocacia administrativa e outras graves infrações, emporcalhando a toga do Supremo, que é o manto sagrado da magistratura. Agora, na undécima hora, Moraes tenta transformar Mendonça em criminoso e ele próprio em vítima. Mas a verdade está tão clara e cristalina que não dá mais para ocultá-la. Moraes já era. Apenas isso. (C.N.)

PGR fecha delação de operador que detalhou repasses de Vorcaro para filme sobre Bolsonaro

André Mendonça agiria com igual rigor se os investigados fossem bolsonaristas?

Nani Humor: ANDRÉ MENDONÇA

Charge do Nani (nanihumor.com)

Vicente Limongi Netto

A pena brilhante do jornalista Cláudio Magnavita (Correio da Manhã de 03/09) abriu as portas do céu para o imaculado ministro André Mendonça. O próximo passo seria junto ao Vaticano, para canonizar o santo Mendonça e mandar Alexandre de Moraes arder no inferno. Porém, Mendonça não é católico e, portanto, não pode ser santificado

Santificado ou não, de qualquer forma, o Judiciário brasileiro estará finalmente salvo do mar de injúrias e infâmias. Fica a pergunta, azucrinando os ouvidos, a paciência e corações dos patriotas brasileiros:

André Mendonça agiria da mesma forma, autorizando vazamentos de inquéritos sigilosos, se tivesse sido nomeado para o STF por Lula e não pelo golpista, condenado e preso, Jair Bolsonaro, que por acaso tem um filho disputando a Presidência da República? 

HORÁRIO ELEITORAL – A maioria esmagadora dos candidatos bem situados nas pesquisas em Brasília para deputado distrital e federal, estranhamente, aparecem pouco ou raramente na propaganda eleitoral na televisão.

Candidatos bem avaliados para as duas casas legislativas, como mostra o Correio Braziliense do dia 3, estão disputando a reeleição. Nomes que o eleitor conhece bem e confia neles. Como Alberto Fraga, Rodrigo Rolemberg, Chico Vigilante e Fábio Linhares, indicando que vai retribuir, nas urnas de outubro, o trabalho e os esforços que dedicam a população.

Na propaganda na televisão, porém, desfila um monte de candidatos exóticos, berrando, com promessas mirabolantes, que não atraem nem cativam o eleitorado. Fiquei espantado e triste, vendo na televisão um eterno craque, da seleção e do Fluminense, Washington  “Coração de Leão”, pedindo votos para deputado federal. Ao que tudo indica, sem êxito.

Chamada de pilantra por Lula, lobista amiga de Lulinha vira ameaça de curto-circuito

Roberta não gostou de Lula dizer que não a conhecia

Malu Gaspar
O Globo

Desde que o presidente Lula (PT) chamou a lobista Roberta Luchsinger de pilantra durante a sabatina da TV Globo, na semana passada, o clima nos bastidores da campanha petista é de tensão. Como informou a colunista Bela Megale, aliados do presidente têm procurado contê-la para que não revide o ataque publicamente, especialmente dando entrevistas.

Mas segundo pessoas próximas da lobista, a principal razão pela qual ela ficou possessa não foi ser chamada de “pilantra”. O que mais causou indignação e mágoa foi Lula ter dito que não a conhecia e que não eram próximos. “Eu não conheço essa moça (Roberta Luchsinger), nunca vi essa moça na minha vida, nunca conversei com essa moça, ela nunca esteve próxima de mim”, afirmou ele.

“ROLEZEIRA” – “Estão querendo dar a impressão de que ela era uma rolezeira em Brasília, se infiltrando nos bastidores do poder, mas ela era do convívio dessas pessoas – e isso não é de agora. Mais do que rifar ela, Lula a menosprezou”, diz uma fonte que acompanha de perto os desdobramentos da crise.

Sobre a proximidade com Roberta, Lula foi desmentido quase em tempo real. Minutos após a fala, espalharam-se pelas redes sociais fotos de Lula com Roberta em diferentes situações, inclusive beijando a mão dele e o abraçando junto com a primeira-dama Janja.

Nas mensagens de Roberta captadas pela Polícia Federal no celular apreendido em dezembro de 2025, a lobista diz: “eles sabem o que eu sou. Eu sou o Fábio”. De acordo com as investigações, a frase demonstra que ela tinha “aparente autorização” para atuar em nome de Lulinha.

SOCIEDADE INFORMAL – As suspeitas da PF, descritas nas representações que baseiam os inquéritos já abertos no Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar tráfico de influência e corrupção, é de que Roberta tivesse uma sociedade informal com Lulinha e o ex-chefe de gabinete do presidente da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, para trabalhar pelos interesses de empresas e governos junto ao Palácio do Planalto, vendendo acesso e fechando contratos.

Um desses contratos é o do canabidiol, com a empresa World Cannabis. Outro, da 3Sytructre. Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, ela também atuou com Lulinha para marcar reuniões para o governador do Maranhão, Carlos Brandão, com o presidente Lula no Planalto.

Só pelo o que já se sabe até agora, portanto, Roberta tem material para causar bastante estrago na campanha de Lula. Por enquanto, ao que parece, ela ainda não decidiu se dará esse passo. Mas a mera ameaça já provoca curto circuito no lulismo.

Uma piada, uma foto e uma crise: os bastidores do dia de tensão no STF

Cury dispara nas redes, acirra disputa pelo terceiro lugar e vira alvo dos adversários

Vorcaro quer “falar muito mais”, porém a dercrença nele envazia nova tentativa de delação

Vorcaro diz a Mendonça que criou ‘sistema’ de proteção, mas que tudo se virou contra ele

Gilmar pede que Lula bloqueie Mendonça e manipule a apuração da Polícia Federal

Lula se encontra com Gilmar em meio à crise envolvendo Moraes

Gilmar tenta convencer Lula a intervir na Polícia Federal

Roseann Kennedy
Estadão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para orientá-lo sobre a crise entre a Corte e a Polícia Federal (PF). No encontro, segundo apurou a Coluna do Estadão, ele defendeu que a corporação reaja a determinações do ministro André Mendonça quando as considerar excessivas ou ilegais.

O magistrado traçou caminhos para os passos futuros do governo diante das decisões do relator dos casos Master e do INSS, que envolve investigações sobre um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha).

FREAR MENDONÇA – Na avaliação de Gilmar Mendes, compartilhada com Lula, o governo falhou ao não cobrar um freio nas medidas de André Mendonça desde o início. A mesma crítica foi dirigida ao Ministério da Justiça e à própria Polícia Federal.

O magistrado citou episódios específicos para ilustrar a situação. Um deles foi a decisão que impediu o acesso de investigadores da PF a parte do material apurado. O outro foi a ordem que determinou a remessa de todas as ações e processos para o gabinete do relator.

O impasse envolve também episódios anteriores de bastidores. Em julho, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, chegou a solicitar ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que questionasse essas decisões de André Mendonça.

MESSIAS RECUOU – No entanto, Messias se recusou a adotar qualquer medida, argumentando que a atuação da AGU em uma causa criminal seria inédita e poderia suscitar acusação de tentativa de obstrução de justiça.

Diante desse cenário, Gilmar sustentou uma posição firme para a direção da Polícia Federal. Para ele, o diretor-geral pode declarar que ordens ilegais não serão cumpridas, recorrendo diretamente ao próprio Judiciário para que haja uma suspensão sobre a determinação.

O ministro ponderou que, em uma situação extrema, caberia até impetrar um mandado de segurança contra as decisões de André Mendonça. No entanto, ele indicou não acreditar que seja necessário chegar a esse ponto.

DENTRO DA LEI – A recomendação principal é buscar uma solução por vias institucionais. Para fundamentar essa reação, o magistrado indicou pontos já levantados no caso.

Um deles envolve os novos relatórios da PF, que foram rejeitados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O outro diz respeito ao depoimento do empresário Daniel Vorcaro prestado a Mendonça, no qual o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, é citado.

A articulação proposta prevê uma ação institucional conjunta. Ela pode ocorrer por meio do ministro da Justiça com o presidente do STF, Edson Fachin, ou em um diálogo direto entre Andrei e Fachin.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Gilmar Mendes simplesmente propôs que o presidente Lula e apoie a consolidação definitiva da Ditadura do Supremo, que já vinha sendo emboçada por Alexandre de Moraes desde a criação ilegal do Inquérito do Fim do Mundo, aquele que não acaba nunca. Como Lula é analfabeto trilateral (de pai, mãe e vizinhança), não entendeu nada que Gilmar dizia e deu uma desculpa, dizendo que ia pensar no assunto. No desespero, Gilmar vazou a conversa para a imprensa, tentando sensibilizar Lula e levá-lo para o caminho de um golpe branco, pior do que o aquele que Bolsonaro não conseguiu dar. (C.N.)

Áudios revelam que Nikolas Ferreira buscou Vorcaro para ajuda em liberação de minério

Uma desesperada canção de amor, bem ao estilo do genial Antonio Maria 

Antônio Maria | Autores | Portal da Crônica Brasileira

Antonio Maria era um poeta extraordinário

Paulo Peres
Poemas & Canções

O jornalista, cronista e compositor pernambucano Antonio Maria Araújo de Morais (1921-1964), em parceria com o cantor e compositor paraense Ismael de Araújo Silva Netto (1925-1956), escreveu um clássico do repertório da MPB: “Canção da Volta”, que retrata o arrependimento de quem tenta retomar um amor que abandonou.

Este samba-canção foi gravado por Dolores Duran, em 1954, pela Copacabana, e fez grande sucesso.

CANÇÃO DA VOLTA!
Antonio Maria e Ismael Netto

Nunca mais vou fazer
O que o meu coração pedir.
Nunca mais vou ouvir
O que o meu coração mandar.
O coração fala muito
E não sabe ajudar.
Sem refletir,
Qualquer um vai errar, penar,

Eu fiz mal em fugir,
Eu fiz mal em sair
Do que eu tinha em você.
E errei em dizer
Que não voltava mais, 
Nunca mais

Hoje eu volto vencida
A pedir pra ficar aqui.
Meu lugar é aqui,
Faz de conta que eu não saí

Depoimento de Vorcaro fora da PF levanta suspeitas e aumenta pressão sobre Mendonça

Investigadores questionam oitiva de Vorcaro

Bela Megale
O Globo

Não foi só para a Polícia Federal que Daniel Vorcaro prestou depoimento na semana passada. O banqueiro, que está preso desde março, também foi ouvido pelo gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso que investiga as fraudes do Banco Master.

O depoimento do banqueiro foi colhido por um juiz auxiliar do gabinete, sem a participação da Polícia Federal. Um representante do Ministério Público Federal participou da oitiva. Entre os nomes citados no depoimento, estava o do chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

SUSPEITAS – O fato de o depoimento ter sido realizado sem a presença da PF, que preside o inquérito sobre as fraudes do Master, levantou suspeitas entre investigadores. Há a desconfiança de que Mendonça poderia estar negociando diretamente com Vorcaro uma nova tentativa de delação premiada.

Procurado, o advogado Daniel Bialski, que é um dos representantes de Vorcaro, não respondeu aos contatos da coluna. O gabinete de Mendonça disse que “o depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa” de Vorcaro e que os advogados pediram a oitiva sob o argumento de que o banqueiro “relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência”. O gabinete do ministro afirmou que não comentaria o conteúdo da audiência, que “é resguardado por sigilo legal”.

“A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido. Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, diz a nota do gabinete de Mendonça.

Após ser preterido para o STF, Pacheco conquista vaga vitalícia no TCU com aval do Congresso

Lula prepara fala sobre Moraes para impedir que crise no STF contamine sua campanha

O escândalo que o Supremo não pode esconder

Mensagens expõem suposta interferência de Paulo Gonet em eleição no Ministério Público

STF ignora crise envolvendo Moraes em primeira sessão após revelação de relatório da PF

Moraes se autodestruiu no Supremo por absoluta falta de honestidade e de caráter

Charge de @schmock_art

Charge do Schmock (@schmock_art)

Carlos Newton

Aos 57 anos, Alexandre de Moraes torna-se o maior fracasso da longa trajetória do Supremo, com um desfecho verdadeiramente inesperado, porque ele exibia uma sólida formação acadêmica e ostentava um currículo de rara qualidade, só comparável ao do ministro Luiz Fux na formação atual da corte.

Além de ter publicado dois importantes livros sobre Direito Constitucional, Moraes era professor titular de Direito Eleitoral da famosa Faculdade do Largo de São Francisco (USP), instituição pela qual se graduou e fez doutorado em Direito do Estado, sob a orientação do renomado professor Dalmo Dallari, apresentando uma tese sobre jurisdição constitucional.

BELO CURRÍCULO – Na USP, ele obteve em 2001 a livre-docência com uma tese sobre Direito Constitucional Administrativo. E no ano seguinte ingressou no corpo docente da universidade, como professor do Departamento de Direito do Estado. Além disso, exercia o magistério também na Universidade Presbiteriana Mackenzie, na Escola Superior do Ministério Público de São Paulo e na Escola Paulista da Magistratura. Nada mal, portanto.

Outro diferencial de Moraes era a experiência administrativa. Foi integrante do Ministério Público de São Paulo de 1991 até 2002, quando pediu exoneração para assumir o cargo de secretário estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania, no governo de Geraldo Alckmin, função que exerceu até 2005. Depois, foi secretário municipal de Transportes de São Paulo na gestão de Gilberto Kassab, de 2007 a 2010, e secretário municipal de Serviços, cumulativamente, de 2009 a 2010. Em seguida, Alckmin o nomeou secretário estadual de Segurança Pública, onde ficou até maio de 2016, quando se tornou ministro da Justiça no governo de Michel Temer.

BELA VIOLA… –  Como diz o velho ditado, “por fora, bela viola; por dentro, pão bolorento”. Ao percorrer essa trajetória de vida, Moraes foi sendo alvo de diversas acusações sobre seus procedimentos, mas conseguia escapar delas.

Em fevereiro de 2005, quando era secretário estadual de Justiça, após ser pressionado por diversas denúncias de tortura e rebeliões, Moraes demitiu de uma vez só 1.761 funcionários dos presídios, alegando estar afastando a “banda podre” da instituição. A demissão em massa gerou uma ação trabalhista coletiva que obrigou o governo a pagar 38 milhões de reais em indenizações. Moraes foi investigado pelo Ministério Público, mas o caso acabou arquivado.

Como secretário de segurança, um desastre, porque primou pela violência extrema, fazendo em 2015 a Polícia Militar ser responsável pela morte de uma em cada quatro pessoas assassinadas no estado de São Paulo, algo estarrecedor e jamais visto.

JUNTO AO PCC – Ainda em 2015, reportagem do Estadão revelou que o escritório de Moraes defendia pelo menos 123 processos da cooperativa Transcooper, uma das cinco empresas e associações que lavavam dinheiro para a facção criminosa do PCC.

Como ex-secretário de Transportes, Moraes tinha obrigação de saber quem controlava a cooperativa, mas se fingiu de desentendido e apenas disse, por meio de nota, que “renunciou a todos os processos que atuava como um dos sócios do escritório de advocacia” e alegou que estava de licença na Ordem dos Advogados do Brasil durante o período investigado. Quer dizer, explicou, mas não justificou, como é seu hábito.

Agora, no auge da carreira, o pirotécnico ministro do Supremo novamente não tem como se justificar, devido à constatação de que vendeu “proteção” a um banqueiro fraudador que se acostumara a comprar autoridades em série. É um final grotesco de uma carreira que parecia magnífica.

###
P.S. 1
Esse surpreendente caso criminal é apenas mais um episódio bizarro em um país onde o próprio presidente da República já cumpriu pena por corrupção e lavagem de dinheiro, sendo julgado por dez juízes diferentes, em três instâncias, e condenado sempre por unanimidade.

P.S. 2O mais incrível é que o soberbo Alexandre de Moraes foi destruído por um ministro que não dispõe de currículo portentoso e tem pequena experiência jurídica. Em compensação, André Mendonça desponta como um homem digno e corajoso, que sabe como enfrentar os poderosos e vencê-los no bom combate. (C.N.)  

Sem ter mais o que fazer, Moraes manda destruir ou doar as armas de Jair Bolsonaro

Medida se dá na esteira da revogação do porte de Bolsonaro

Deu no O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Polícia Federal encaminhe as armas do ex-presidente Jair Bolsonaro, apreendidas quando sua prisão domiciliar foi mantida, para o Exército, para “destruição ou doação a órgãos de segurança pública ou às Forças Armadas”. A única arma que escapou da ordem foi a pistola apreendida durante blitz da Polícia Militar no Distrito Federal.

Em julho, o ministro determinou que o Comando do Batalhão de Polícia do Exército em Brasília entregue à Polícia Federal um conjunto de seis armas, entre pistolas e espingardas, do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida se dá na esteira da revogação do porte de arma do ex-chefe do Executivo, determinada quando Moraes prorrogou a prisão domiciliar humanitária de Bolsonaro.

ENTREGA DAS ARMAS – O ministro do STF também havia determinado que a defesa do ex-chefe do Executivo entregasse todas as armas registradas em seu nome. Depois da ordem, os advogados de Bolsonaro informaram que seis das oito armas estão no Batalhão de Polícia do Exército. Já as outras duas — uma carabina/fuzil Caracal calibre 5,56 e uma pistola Caracal calibre 9 mm — já haviam sido entregues à Polícia Federal em 24 de abril de 2023, diz a defesa.

Os advogados pediram que o ministro do STF indicasse se seria necessária uma autorização específica para transportar os armamentos atualmente sob custódia do Exército até a Superintendência Regional da PF no Distrito Federal. A defesa sugeriu que um dos representantes da equipe jurídica, acompanhado de um segurança, ficasse responsável por retirar o armamento e fazer a entrega à PF.

Moraes, no entanto, determinou que o Exército entregue diretamente as armas à PF. Ainda determinou que a corporação certifique-se de que está com a carabina e a pistola indicadas pela defesa do ex-presidente.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Moraes finge que ainda manda neste país, mas seu tempo já acabou. O destino que o aguarda já está traçado: ele acabará sendo afastado do Supremo e depois condenado por corrupção e outros crimes. Como se dizia antigamente, Moraes já era… (C.N.)

Em meio à crise no STF, Mendonça defende código de conduta para ministros

‘Forma de preservar relação de confiança’, diz ministro

Maria Eduarda Caldo
G1

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (1º) a elaboração de um código de conduta para magistrados. Mendonça fez a defesa do código de conduta durante um seminário, realizado no Supremo Tribunal Federal, com o tema “Poder Judiciário e Inteligência Artificial”.

O magistrado disse que a adoção de um código é uma “forma de preservar a relação de confiança” nos tribunais. “Toda vez que há um rompimento efetivo dessa relação de confiança é preciso haver o devido tratamento da questão”, disse.

MODULAÇÃO – “Desde o primeiro momento, me manifestei ao presidente Luiz Edson Fachin ser a favor daquilo que ele propôs, de termos um código de conduta. Um código de conduta é uma forma de nós expressarmos para sociedade os padrões que nós devemos ter como magistrados. Podemos discutir um pouco a modulação, mas precisamos ter um código de conduta”, declarou Mendonça.

Presidente do STF, Edson Fachin tem colocado a criação de um código de conduta e ética como uma das principais prioridades institucionais da Corte e dos tribunais superiores. A iniciativa visa estabelecer parâmetros objetivos e transparentes para a atuação dos magistrados, abrangendo temas sensíveis como hipóteses de suspeição, limites para manifestações públicas e regras de participação em eventos patrocinados por agentes privados. E busca reforçar a autocontenção do Poder Judiciário, prevenir conflitos de interesse e assegurar a confiança da sociedade nas instituições republicanas

“Tentemos ser justos, na medida das nossas limitações, que nós estudemos nossos processos, que nós ouçamos as partes, que nós sejamos honestos. E toda vez que há um risco de rompimento dessa relação de confiança nós precisamos ter padrões de prevenção, código de conduta é um exemplo disso. É uma forma de se preservar a relação de confiança”, declarou Mendonça nesta terça.