Lula fará mesmo a irresponsabilidade de seguir elevando o déficit público?

Tribuna da Internet | Omissão política do governo causa decepção em setores da economia

Charge do Cícero (Arquivo Google)

Fernando Schüler
Estadão

“O tesouraço foi derrotado nas urnas”, disse o ministro Boulos. Seu ponto: a agenda econômica é de quem ganhou, não a de quem perdeu. E quem insiste no tema do “ajuste fiscal” não teria entendido “nada do que foi essa eleição”. Boulos acrescenta um detalhe: ajuste fiscal cortando “gastos em políticas sociais”.

É um pouco vago definir o que está incluído nisso. Gasto previdenciário seria “política social?”. E os R$ 17 bilhões em prejuízos dos Correios, desde 2023? E as vinculações constitucionais da saúde e educação? É tudo “incortável”, como diria o antigo filósofo Antônio Magri?

NADA DE REFORMAS – Daria para ir longe, aqui. O que o governo de fato não prometeu, na campanha, e, logo, não está obrigado a fazer, são reformas estruturais. Reformas que mexam com interesses bem enraizados na estrutura do Estado. Lula não prometeu nada disso em 2022, e não fez. Muita gente à época não quis escutar o que Lula dizia (um velho hábito brasileiro).

Ainda lembro da curiosa carta telepática enviada a Lula por Armínio Fraga pedindo reformas. A intenção de Armínio era boa, mas a mensagem ficou pelo caminho.

Agora, o fenômeno se repete. Mesmo o governo praticamente gritando que um ajuste não está na agenda, e nada disso tendo sido discutido na campanha, muita gente parece imaginar que alguma “racionalidade” autoevidente se imporá sobre a vontade política, e um Lula “reformador” surgirá, perto do Natal. De minha parte, torço para que isto aconteça. Apenas não acho prudente confundir desejo com realidade.

SINAIS DE ALARME – Ainda esta semana, a IFI, Instituição Fiscal Independente, do Senado, apresentou duas projeções inquietantes: um déficit potencial de R$ 145 bilhões em 2027 e a necessidade de um superávit de até 2,1% do PIB para estabilizar a dívida pública. Isto significa um ajuste superior a R$ 400 bilhões, praticamente o déficit anual da Previdência Social, juntando o regime geral e setor público.

Os números podem variar um pouco e a própria IFI reconhece que há promessas não contabilizadas aí, como o ônibus gratuito nos fins de semana e o “Pé-de-Meia Universitário”, entre outros.

Diante desses números, o ministro José Guimarães diz que ajuste fiscal “não está nas prioridades”, e muita gente fica nervosa com isso. Digo que não deveria. Da mesma forma que digo que Boulos não está errado. Isto foi uma escolha da sociedade nas eleições. E é preciso respeitar.

NÃO APRENDEMOS – Já passamos por dez eleições presidenciais, e quem sabe deveríamos ter aprendido. A democracia nos dá o direito de escolher. Só não nos dá o de escolher as consequências de nossas escolhas.

É evidente que governo pode mudar o rumo. Tem capital político e o diagnóstico é bastante claro. Em 2003, na gestão Palocci, o País gerou um superávit de 4,3% do PIB no primeiro ano do governo. O País vinha de uma fase de reformas, o contexto global era outro, mas houve decisões em um sentido diferente. Foi feita uma reforma na Previdência do setor público.

Por estas semanas, entre o primeiro e o segundo turno, demos marcha ré. Recriamos a “paridade” e a “integralidade” para agentes de saúde. Ao invés de andar para frente em uma reforma da Previdência, andamos para trás.

CARTAS NA MESA – No fundo, as cartas estão na mesa do governo. Boulos acerta quando diz que ninguém prometeu e ninguém votou por “reformas” ou para recolocar o País no trilho da responsabilidade fiscal.

Mas a matemática, por vezes, pode ser cruel com a imaginação política. Weber insistiu que as convicções, na vida política, deveriam ser temperadas com um sentido de responsabilidade. E isto significava, entre muitas coisas, em ajustar a rota e rever escolhas quando os fatos se impõem. Mesmo quando alguma coisa não tenha sido prometida em uma campanha. Porque isto é um gesto de grandeza.

Confesso não enxergar, nos vencedores do dia, muita disposição, nesta direção. Mas espero estar enganado.

A derrota de Flávio revelou o que o Brasil teria enfrentado com sua vitória

Missão Impossível! PT marca debate para saber como sobreviverá sem Lula

O Fim do Encanto: Lula e o Crepúsculo do PT – Por Paula Sousa | Brasilagro

Charge do Sponholz (Arquivo Google)

Carlos Newton

Lula ganhou a eleição, mas a vitória não garante a sobrevivência do partido que ele criou em fevereiro de 1980, com apoio entusiástico do regime militar, para enfraquecer o PTB de Leonel Brizola, que acabara de voltar ao Brasil e era franco favorito em qualquer eleição.

A manobra de criação do Partido dos Trabalhadores  foi planejada pelo general Golbery do Coutto e Silva, ideólogo do regime militar e diretor do Serviço Nacional de Informações (SNI). E assim o PT  já surgiu fortalecido pelas greves de metalúrgicos do ABC paulista, apoiado por sindicalistas, intelectuais, artistas, religiosos e movimentos sociais.

Naquela época, Lula já se tornara o maior líder contra o governo militar, porque ainda não se sabia que na verdade ele atuava como agente infiltrado pelo SNI no sindicalismo.

FALSO SINDICALISTA – O envolvimento de Lula com o regime militar somente viria a ser conhecido em 1988, com o lançamento do livro “Jogo Duro”, do empresário paulista Mário Garnero, que relatava seu relacionamento com Lula desde que o jovem metalúrgico se tornara sindicalista para ajudar o patrão, Paulo Villares, no relacionamento com os trabalhadores.

A partir da página 130, pode-se saber quem era Lula e o que fazia, segundo o relato de Garnero, que está vivo, tem 89 anos e naquela época representava as empresas automobilísticas nas reuniões com o falso sindicalista.

Ele conta tudo sobre os serviços prestados por Lula ao regime militar e aos empresários. Cita até a encenada prisão de Lula pelo filho do delegado federal Romeu Tuma, que era seu mentor e costumava convidar o jovem Lula a frequentar sua casa nos almoços de domingo .

TUDO VERDADE – Lula jamais tentou desmentir Garnero, até porque as revelações do empresário paulista foram inteiramente confirmadas pelo delegado Romeu Tuma Júnior, autor dos livros “Assassinato de Reputações” (2013) e “Assassinato de Reputações II” (2016).

Foi Tuma Júnior quem prendeu Lula, em abril de 1980, numa farsa para fortalecer o petista como ídolo antiditadura, após a volta de Brizola.

No Google, há grande dificuldade para conseguir essas informações, mas com paciência é possível até ler os livros de Garnero e Tuma Jr. Nada disso, porém, atrapalhou a carreira de Lula, que está entrando na História pela porta da frente, quando deveria fazê-lo pela porta dos fundos.

SEM SUCESSOR – Agora, Lula ganhou sua última eleição, já com data de validade vencida. Como o presidente não tem herdeiros políticos e não permitiu que surgisse uma nova liderança, o clima no partido é de pânico.

No próximo dia 13, o Diretório Nacional se reúne para debater como garantir a sobrevivência do PT  após Lula deixar o governo. Bem, os petistas podem se reunir à vontade, porém jamais chegarão a nenhum consenso. Não há como salvar o PT.  

Nesta eleição, já saíram derrotados Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann, José Dirceu, Delúbio Soares, Marina Silva, Simone Tebet, Rui Falcão, Paulo Teixeira, Jorge Viana, Vicentinho, Benedita da Silva, Paulo Pimenta e Jean Wyllys. Ou seja, o povo adora Lula, mas detesta o PT.

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P.S. 1 – No próximo dia 13, o PT reúne o Diretório Nacional para discutir a sobrevivência sem Lula. O objetivo é fazer uma avaliação da inquietante questão e organizar a realização de um congresso no ano que vem sobre renovação partidária e outros temas.

P.S. 2 – Será um esforço inútil, igual ao desafio da Esfinge: “Decifra-me ou te devoro”. O fato concreto é que o PT se tornou um paciente em estado terminal, que ameaça o país. Como não conseguirão sobreviver na política sem a presença de Lula, os petistas certamente vão aproveitar seu último governo para roubar até a rampa do Planalto, sob proteção do Supremo. (C.N.)

As redes sociais que ampliam a voz estão corroendo a confiança na democracia

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Lívia Nani
O Globo

No Brasil, três em cada dez pessoas (29%) afirmam que as redes sociais representam mais um obstáculo do que um benefício para a democracia. Além disso, 78% dizem que a internet facilitou a manipulação de pessoas por meio de informações falsas e boatos.

Os dados são de uma pesquisa do Pew Research Center, que ouviu 45.658 pessoas em 37 países entre fevereiro e maio deste ano e identificou um aumento, em relação a 2022, na parcela de entrevistados que veem as plataformas digitais como prejudiciais à democracia.

IMPACTO – O levantamento mostra que a percepção sobre o impacto das redes sociais na democracia varia bastante entre os países. Na média das 37 nações pesquisadas, 35% dos entrevistados afirmam que as plataformas são prejudiciais à democracia, enquanto 55% avaliam que elas trazem benefícios. Em comparação com 2022, houve aumento na parcela dos que consideram as redes sociais um prejuízo ao sistema democrático.

A percepção negativa é mais frequente em países de alta renda. Na Holanda, 70% dizem que as redes sociais têm efeito negativo sobre a democracia, seguida por França (65%), Estados Unidos (64%), Alemanha (61%), Reino Unido (56%), Canadá (55%) e Austrália (52%). Israel e Singapura aparecem como exceções nesse grupo, com 22% dos entrevistados em cada país considerando as redes prejudiciais.

Em países como Gana, Quênia, Nigéria, Filipinas e Tailândia, a parcela que vê as redes sociais como prejudiciais é menor: 21%, 24%, 11%, 23% e 21%, respectivamente. Nesses países, a avaliação positiva das plataformas é majoritária.

DESINFORMAÇÃO –  Apesar de a maioria dos brasileiros avaliar positivamente o papel das redes sociais para a democracia, os entrevistados também apontam os efeitos negativos da internet. Além dos 78% que dizem que ela facilitou a manipulação por meio de informações falsas e boatos, 64% afirmam que contribuiu para dividir as pessoas em suas opiniões políticas.

Por outro lado, 73% dizem que a internet facilita o acesso a informações sobre acontecimentos atuais, e 60% afirmam que ela ampliou a possibilidade de ter voz ativa na política.

Na mediana dos 36 países considerados nesse recorte da pesquisa, 77% dos entrevistados dizem que a internet facilita o acesso a informações sobre acontecimentos atuais; 60% afirmam que ela ampliou a possibilidade de ter voz ativa na política; 79% avaliam que facilitou a manipulação por meio de informações falsas e boatos; e 68% dizem que contribuiu para dividir as pessoas em suas opiniões políticas.

DIVISÕES POLÍTICAS – A percepção de que as redes sociais ampliaram as divisões políticas também se tornou mais comum em diversos países. Segundo o Pew Research Center, houve aumentos de dois dígitos na parcela que compartilha essa avaliação na Polônia, Alemanha, França, Japão, Espanha, Reino Unido, Hungria e Malásia.

Além do levantamento internacional, o Pew Research Center realizou uma pesquisa específica sobre o uso de plataformas de mídia social entre adultos americanos. Foram ouvidas 5.511 pessoas entre 30 de janeiro e 18 de junho de 2026. Entre os entrevistados, 69% afirmaram usar o Facebook, 51% disseram usar o Instagram, 40% o TikTok, 18% o X (antigo Twitter) e 18% o Snapchat.

O levantamento internacional mostra que o uso das plataformas varia entre os países. Entre as cinco redes analisadas, o Facebook tende a ser a mais utilizada, seguido pelo Instagram. O TikTok também tem presença relevante, especialmente entre os mais jovens, enquanto parcelas menores da população afirmam usar o X ou o Snapchat.

Analistas do mercado erram quando confundem risco com vontade popular

Luiz Fux marca audiência no STF para discutir impactos da proibição das bets

Novo transforma contestação à vitória de Lula em estratégia para atrair filiados

Ribeiro atribui aumento à repercussão do posicionamento

Carlos Petrocilo
Folha

O partido Novo afirmou, na noite deste sábado (31), ter conquistado 2,2 mil novos filiados em 24 horas após se tornar, segundo a própria legenda, a única a declarar publicamente que não reconhece a vitória do presidente Lula (PT).

O aumento, diz o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, é resultado da repercussão do posicionamento adotado pelo partido, que move três Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) no Tribunal Superior Eleitoral e pede a cassação da chapa formada por Lula e Geraldo Alckmin (PSB).

LEGITIMIDADE – O partido diz não questionar a legitimidade das urnas eletrônicas. “Não estamos questionando as urnas nem a vontade dos eleitores. Estamos questionando os meios utilizados para chegar ao resultado”, afirmou Ribeiro. “Uma eleição não pode ser considerada justa quando há suspeitas de uso da máquina pública para favorecer quem está no poder”, prosseguiu o dirigente.

O Novo questiona na Justiça episódios e medidas adotadas ao longo do ano eleitoral que, na avaliação da legenda, indicariam o uso da estrutura do Estado e de recursos públicos para favorecer os candidatos à reeleição. As três ações seguem sob análise do TSE.

Um dado positivo é que no Brasil nunca se debateu tanto a política

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Reforma  Política

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Vicente Limongi Netto

Um domingo ensolarado deu maior destaque ao artigo de Ana Dubeux, “O levante democrático e o que vem depois”, no Correio Braziliense (01/11).  O texto da diretora de Redação do CB ilumina os corações dos leitores, ao acentuar, com marcas de emoções e alegrias, a importância da última eleição:

“Nunca se falou tanto em política, nunca se debateu tanto. Isso é extraordinário e mostra o tamanho e a força do Brasil, um país que não se curva e serve de exemplo ao mundo”.

VIRADA HISTÓRICA – Realmente, é hora de parar de falar do fujão golpista, filho 01 do mito de barro. Melhor destacar a notável mobilização popular que resultou na virada histórica de Lula. Mais saudável recordar cadeirantes e idosos, amparados por netos, indo votar.

Esqueçamos o desprezível Flávio Bolsonaro. Não vale a pena perder tempo com ele nem com o falastrão Donald Trump, que  também é personagem menor em nossas vidas. Flávio Insiste em bobagens oceânicas sobre a lisura das eleições, mas Trump nem deu boa.

Concentremos nossas energias nas sábias  recomendações  de Ana Dubeux: “Sabemos que será um mandato regido por Lula, mas orquestrado por uma massa sedenta por mudanças, sobretudo no jeito de fazer política”. É isso mesmo: estamos esperando mudar, para melhor.

Ataques, agressões e mortes: governo acompanha 45 casos de violência política

Nos dois turnos, os eleitores deram um recado duplo – à Lula e à oposição

Sólido enquanto dure – Junião

Charge do Junião (Arquivo Gooigle)

Dora Kramer
Estadão

A cena eleitoral de 2026 desenhou com nitidez a escrita de que o segundo turno é uma outra eleição. O primeiro foi um aviso de insatisfação do eleitorado ao presidente Lula (PT); o segundo enviou à direita um recado sobre os malefícios de se manter agarrada ao pé da mesa da família Bolsonaro.

Se o campo que se fortaleceu nos governos estaduais e no Legislativo insistir em lançar desconfiança sobre o resultado das urnas e ficar preso a anistias de golpistas, pode perder o bonde, o controle da agenda e desperdiçar a vantagem no Congresso.

CERTO E DUVIDOSO – Não houve derrota do fascismo nem vitória do comunismo. Tais antiguidades não estiveram em disputa na cabeça de um eleitorado que escolheu não trocar o certo —no sentido de conhecido, não necessariamente de correto— pelo altamente duvidoso, notadamente no quesito garantias democráticas.

Ainda assim, dois chavões que descrevem nossa realidade perduram: a polarização entre as forças políticas predominantes não cede e a pacificação do país não acontece.

Se o Brasil seguirá preso a essa dinâmica ou se escapará da armadilha, vai depender da compreensão sobre a profundidade do abismo adiante e do empenho na reconstrução da normalidade institucional.

DESTINOS DA NAÇÃO – Ao presidente reeleito cabe mostrar disposição para liderar a reorganização dos Poderes, mas ao campo escolhido para ficar na oposição não é dada a prerrogativa de se eximir das responsabilidades quanto aos destinos da nação. É o que diz o preceito da alternância de poder.

Saber ganhar e perder é exigência primordial, sem a qual só se constroem impasses impossíveis de serem ultrapassados pela recusa de validação dos eleitores do adversário. O momento da vitória ou da derrota é fortuito. O prazer e o desprazer passam, e o país segue com suas necessidades e urgências.

O engajamento na disputa vale muito, mas só contribui de fato se for acompanhado de vigilâncias e cobranças constantes ao bom exercício das funções de governo e oposição.

Peritos federais contestam tese de Vorcaro sobre adulteração no celular dele

Lula quer um político à frente do novo Ministério da Segurança Pública

Lula cogita Haddad e Camilo Santana para comandar ministério

Danilo Moliterno
CNN

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sinalizou a aliados a preferência por indicar um político para comandar o Ministério da Segurança Pública. O petista promete criar a pasta após a aprovação pelo Congresso Nacional da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que expande a atribuição federal na área e a integração entre os entes.

Segundo interlocutores do presidente, os nomes dos ex-ministros Camilo Santana (PT-CE) e Fernando Haddad (PT-SP) estão na mesa do mandatário como possibilidades para chefiar a pasta no próximo governo.

ATUAÇÃO NA FAZENDA – O nome de Haddad passou a ser cogitado, junto ao de Camilo, devido à sua atuação do Ministério da Fazenda no combate ao crime organizado “no andar de cima”. Lula elogia nos bastidores a ação da Receita Federal em operações como a “Carbono Oculto” – a maior da história do país nessa frente.

A avaliação é de que a chefia da pasta poderia dar protagonismo aos petistas, sem necessariamente soar como uma “unção” de um sucessor de Lula, apontam fontes próximas ao presidente. O mandatário tem dito a interlocutores que a esquerda precisa ganhar espaço na discussão do tema – atualmente capitaneado pela direita – e que deseja ter o Ministério como carro-chefe de seu quarto mandato.

Com isso, perde força o nome do promotor de Justiça do MPSP (Ministério Público de São Paulo) Lincoln Gakiya. O técnico é tido como a personificação do combate ao PCC (Primeiro Comando da Capital) no estado e chegou a dizer publicamente que aceitaria chefiar a pasta caso fosse convidado.

PEC DA SEGURANÇA – Articuladores do governo preveem que a PEC da Segurança Pública seja votada no Congresso Nacional na segunda semana de novembro. Até lá, tentam costurar um acordo para que a redução da maioridade penal seja discutida em uma proposta de emenda à Constituição à parte.

Em 15 de outubro, a PEC foi retirada de pauta no plenário do Senado após impasse envolvendo emendas sobre a inclusão da mudança na maioridade.

Um amor sincero e definitivo, nas palavras de Aurélio Buarque de Holanda

Tribuna da Internet | Um soneto romântico de Aurélio Buarque de Holanda,  que entendia de palavrasPaulo Peres
Poemas & Canções

O crítico literário, lexicógrafo, filólogo, professor, tradutor e ensaísta alagoano Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989), criador do mais conhecido dicionário brasileiro, também usou as palavras para nos brindar com este belo soneto “Amar-te”.

AMAR-TE
Aurélio Buarque de Holanda

Amar-te – não por gozo da vaidade,
Não movido de orgulho ou de ambição,
Não a procura da felicidade,
Não por divertimento à solidão.

Amar-te – não por tua mocidade
– Risos, cores e luzes de verão –
E menos por fugir à ociosidade,
Como exercício para o coração.

Amar-te por amar-te: sem agora,
Sem amanhã, sem ontem, sem mesquinha
Esperança de amor, sem causa ou rumo.

Trazer-te incorporada vida fora,
Carne de minha carne, filha minha,
Viver do fogo em que ardo e me consumo.

Rubio nega envolvimento do governo dos EUA na fuga de Flávio Bolsonaro

Para salvar o PT, a direção do partido já começa a discutir sucessão de Lula

Depois da festa. Charge de João Spacca para a newsletter desta  segunda-feira (26). #meio #charge #lula #eleições2026

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Catia Seabra e Caio Spechoto
Folha

A cúpula do PT enfrenta uma disputa interna motivada por insatisfações acumuladas ao longo da eleição e agora debate sobre o futuro do partido após a aposentadoria do presidente Lula. Diante de críticas à condução da campanha, petistas se articularam, na última semana, pela convocação de uma reunião presencial do Diretório Nacional, instância máxima do partido.

O objetivo é fazer uma avaliação da disputa e organizar a realização de um congresso no ano que vem sobre renovação partidária e outros temas.

COMEÇA A BRIGA – Na quinta-feira (29), uma ala do partido chegou a boicotar uma reunião da Executiva Nacional do PT, instância decisória mais restrita, sob o argumento de que aquele não era o fórum adequado para avaliação da campanha.

O presidente do partido, Edinho Silva, convocou então um encontro do diretório para o dia 13 de novembro. No PT, a expectativa é que ele ouça críticas à condução da campanha eleitoral, da qual foi coordenador.

Dirigentes do partido se queixam de concentração de decisões nas mãos de Edinho. Líderes estaduais cobram mais autonomia para decidir sobre o destino de recursos da legenda.

INSATISFAÇÃO – Aliados de Edinho, por sua vez, afirmam que a rebelião não tem relação com a condução da campanha de Lula. Eles atribuem a disputa interna à insatisfação de um grupo de petistas com um processo de esvaziamento de seu poder e uma proposta de intervenção no diretório do PT no Rio de Janeiro.

O assunto foi levado a Lula. Na quarta-feira (28), o presidente publicou uma mensagem no X em que faz um reconhecimento público do trabalho de Edinho na coordenação de sua campanha vitoriosa.

Durante a disputa, especialmente após o resultado do primeiro turno que mostrou Lula atrás de Flávio Bolsonaro (PL), o próprio Lula chegou a externar uma crítica em um discurso direcionado ao presidente do partido.

PIOR CAMPANHA – “Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Acho que a gente poderia ter feito mais. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989. E normalmente a gente colhe aquilo que a gente planta”, declarou, em fala à militância divulgada acidentalmente em canal da sigla.

Edinho também contrariou aliados ao se lançar à Câmara dos Deputados, valendo-se do protagonismo à frente do partido para atrair eleitores em detrimento de candidatos de São Paulo.

Auxiliares do presidente do PT rechaçam a queixa e destacam que ele obteve a maioria de seus votos para deputado na região de Araraquara (SP), onde foi prefeito. Segundo esses petistas, essa seria uma evidência de que o papel de dirigente partidário teve pouco peso sobre seu desempenho nas urnas.

GASTOS ELEITORAIS – A discussão sobre o funcionamento da sigla poderá influenciar no médio prazo a ascensão de novos nomes. Um dos argumentos usados pelos dirigentes locais para cobrar mais poder sobre os recursos da sigla é que são eles que conhecem as conjunturas estaduais. Por isso, teriam mais condições para identificar candidatos com potencial que devem receber mais dinheiro para fazer campanha.

Um exemplo seria a campanha de Cadu de Lula ao governo do Rio Grande do Norte. Ele era um candidato forte e foi eleito, mas teve apenas R$ 1,5 milhão do Diretório Nacional do partido para fazer campanha nos dois turnos. Diversos candidatos a deputado federal receberam da direção nacional do PT mais recursos de campanha que Cadu.

Mesmo que haja uma alteração na forma como o partido planeja suas candidaturas para a maioria dos cargos, é consenso que Lula é quem conduzirá sua própria sucessão.

CAMILO E FONTELES – Aliados do presidente listam o senador Camilo Santana (PT-CE), o governador Rafael Fonteles (PT-PI) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT-SP) como possíveis herdeiros do chefe do governo.

Camilo e Fonteles fizeram suas carreiras no Nordeste. Caso um dos dois seja escolhido, a região ganhará poder dentro do PT. Lula nasceu em Pernambuco, mas entrou na política em São Paulo.

O atual chefe de governo foi o candidato petista em 7 das 10 eleições presidenciais disputadas pelo partido e participou das articulações das outras 3. Ele terá 85 anos quando seu próximo mandato, que começa em 5 de janeiro, acabar. Não deverá mais disputar eleições.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Não se trata apenas da sucessão de Lula em 2030. O problema dos petistas e assegurar a sobrevivência do partido depois da inevitável aposentadoria de Lula. Não adianta tentar substitui-lo por Camilo, Fonteles e Haddad. É preciso escolher um político petista que tenha alguma coisa na cabeça, e está difícil encontrar. O prazo de validade do PT vai terminar na mesma data da aposentadoria de Lula. Apenas isso. (C.N.)

Flávio Bolsonaro corre o risco de se tornar o Daniel Vorcaro da política

Fuga de Flávio Bolsonaro expõe o isolamento político e o dilema do Brasil

Tarcísio antecipa disputa por 2030 e provoca reação da ala bolsonarista

Tarcísio entra na mira de aliados de Flávio Bolsonaro

Bela Megale
O Globo

Tarcísio de Freitas tem recebido críticas de bolsonaristas pela postura que adotou após a fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA. O maior incômodo veio com a entrevista concedida pelo governador ao jornal “O Estado de S.Paulo”, nesta quarta-feira (28). Nela, Tarcísio mencionou a possibilidade de concorrer à Presidência em 2030 e disse que aconselhou Flávio a permanecer no Brasil.

A avaliação de aliados de Flávio que atuaram como coordenadores da campanha presidencial é que Tarcísio já se lançou candidato. Para eles, a postura provoca a indisposição da ala mais radical do bolsonarismo com o governador, que passou a imagem de ingrato e traidor.

“LARGADA QUEIMADA” –  “Tarcísio queimou a largada. Foi muito ruim em sua posição. Vamos ter que trabalhar parte da militância mais radical para contornar a resistência contra ele. Conseguiu irritar esse grupo do nosso campo, e espero que ele corrija sua rota”, resumiu um interlocutor direto de Flávio, que tem mantido conversas com o senador mesmo após sua fuga.

Tarcísio é alvo constante de Eduardo Bolsonaro, outro expoente da ala radical que trabalha para que o governador não seja o herdeiro do bolsonarismo. Mesmo no exterior, o ex-deputado chegou a ameaçar se lançar candidato à Presidência se Tarcísio entrasse na disputa pelo Palácio do Planalto.

Senadora democrata acusa Trump de usar governo dos EUA para proteger Flávio

Um mistério… Por que Lula e Bolsonaro são idolatrados por tantos brasileiros?

Eleições 2026: quando a política vira um grande stand-up | Jornal de  Brasília

Charge do Baggi (Jornal de Brasília)

Carlos Newton

Já abordamos diversas vezes aqui na Tribuna da Internet o surrealismo da política brasileira, que hoje sofre essa inacreditável e inaceitável polarização entre dois políticos demagogos de baixíssimo nível, ambos sem o menor preparo intelectual para administrar um país problemático como o Brasil.

A realidade brasileira mostra que a política é uma ciência social estranha, porque sua prática é tumultuada e não segue a menor lógica, tornando-se um desafio sua análise por filósofos, antropólogos e cientistas sociais. Tanto Lula quanto Bolsonaro são exemplos dessas inexplicáveis contradições.

VÃS IDOLATRIAS – Vejam o caso específico de Lula. Seria até normal que os beneficiados pelo Bolsa Família o idolatrassem, embora o programa tenha sido criado pela mulher de Fernando Henrique Cardoso, a antropóloga e cientista social Ruth Cardoso. Mas Lula se apropriou da autoria, a imprensa amestrada o aplaude pelo programa, e estamos conversados.

No entanto, não existem explicações para a idolatria que o petista conquistou em outras camadas sociais de maior preparo, que têm conhecimento do escabroso painel de corrupção e baixarias nos governos do PT, iniciado no mensalão e parece não ter mais fim, porque seguiu na Lava Jato e agora se encadeou ao Banco Master e outros casos envolvendo os petistas Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Jaques Wagner, Rui Costa e até o velho mochileiro João Vaccari, sem falar nas performances pessoais dos filho de Lula, verdadeiros fenômenos que orgulham demais esse ramo da família Silva.

E BOLSONARO? – Do outro lado da moeda, a efígie de Jair Bolsonaro mereceria idêntico desprezo. Ele se tornou famoso quando era capitão e publicou um artigo na Veja, no final da ditadura militar, reivindicando maiores salários para as Forças Armadas. Depois, planejou atentados a bomba.

A esse respeito, o presidente Ernesto Geisel disse ao jornalista Elio Gaspari que Bolsonaro era “um mau militar”. Mesmo assim, ele não foi punido, pediu licença para se candidatar a vereador em 1988, foi eleito e reformado, ganhando de presente a aposentadoria como capitão aos 33 anos de idade, que maravilha viver, como dizia Vinicius de Moraes.

Seus sucessivos mandatos políticos foram decepcionantes. Bolsonaro não discursava, não apresentava projetos e colocou um capitão como chefe de gabinete, para organizar a rachadinha dos funcionários, que passou a ser tradição política do enriquecimento de sua família, ao lado da compra de imóveis em dinheiro vivo.

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P.S.
– Como se vê, as vidas públicas de Lula e de Bolsonaro não podem servir de exemplo para ninguém. Mas o fato concreto é que eles são idolatrados pela ampla maioria dos eleitores brasileiros, de forma incondicional. A meu ver, essa situação é insustentável e perigosa, porque estimula uma radicalização política cada vez maior, dividindo parentes e amigos, que deveriam raciocinar sobre o que está acontecendo na política brasileira, com graves efeitos nas relações sociais e familiares. Pensem sobre isso. (C.N.)