Para desvendar o caso Master, a PF tem de aprofundar a investigação sobre o BC

Tribuna da Internet | BC identifica fraudes do Master em fundo investigado junto com o PCC

Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Carlos Newton

Chega de embromação! Vamos direto do produtor ao consumidor ou do criador à criatura. Para apurar realmente o escândalo do Banco Master, a Polícia Federal terá de investigar profundamente também o Banco Central, que em 2019, na gestão de Ilan Goldfajn se recusou a aceitar a compra do então Banco Máxima por Daniel Vorcaro e oito meses depois aprovou o mesmo negócio.

A aceitação ocorreu no início da gestão de Roberto Campos Neto, em função da reconhecida “capacidade econômica” do comprador, que na verdade era apenas um audacioso fraudador. Detalhe importante: em ambos os casos, as decisões foram tomadas por unanimidade pela diretoria colegiada.

ASSESSORAMENTO – Excelente reportagem de Nathalia Garcia, na Folha, mostra que Vorcaro contou com assessoramento jurídico de Isaac Sidney, ex-diretor do BC, hoje presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), reapresentou documentos e passou a contar com apoio do Banco Central .

De 2017 a 2019, Vorcaro apresentou ao menos duas vezes a chamada “declaração de propósito” para a compra do Máxima, com mudanças na proposta de controle da instituição. Na época, ele era participante qualificado do banco, com ao menos 15% do capital total.

Outro detalhe importante: depois de pedir exoneração do BC e cumprir quarentena, Isaac Sidney passou a integrar o escritório de advocacia liderado por Valdrido Warde que tinha o Banco Máxima como cliente e c continuou trabalhando para o Master e para Vorcaro.

FALHAS NO PROCESSO – A repórter Nathalia Garcia relata que o BC identificou falhas no processo, em que Vorcaro apresentou, entre outros elementos, a distribuição de resultados da Viking Participações, firma que ficou conhecida por ser dona de três aeronaves que o banqueiro costumava usar, além de imóveis e fundos de investimento.

Mas havia dúvidas sobre a origem dos recursos, que parecia nebulosa. Os técnicos do BC suspeitaram de “circularização” de recursos, ou seja, que o próprio Banco Máxima estivesse financiando a operação.

Como Vorcaro não cumpria os requisitos econômicos, a autoridade monetária não chegou a analisar a condição de “reputação ilibada”. E a recusa foi fundamentada pelo relator Sidnei Corrêa Marques, na época diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do BC.

APOIO INTERNO – É óbvio que Vorcaro contou com forte apoio interno de técnicos e também de diretores do Banco Central na gestão de Campos Neto.

Seguindo as pistas, a Polícia Federal está investigando diversos dirigentes do BC. Um deles é Paulo Sérgio Neves de Souza, diretor de Fiscalização entre 2017 e 2023, suspeito de ter prestado consultoria informal a Vorcaro.

Como mostrou a Folha, a investigação interna da autoridade monetária apontou indícios de que esse diretor do BC simulou a venda de um sítio em Minas Gerais para ocultar o recebimento de propina do Master.

CELULAR DE VORCARO – Em mensagem no celular, Vorcaro diz a um destinatário identificado como Paulo que estava havia dois anos sendo “rechaçado” e “humilhado”. A comunicação é do início de fevereiro de 2019, dias antes de a operação ser rejeitada.

“Eu fiz todas as mudanças e concessões. Até hoje não consegui iniciar o trabalho efetivamente por conta do imbroglio do capital. Precisamos resolver isso, precisamos de sua ajuda para que o Sidnei aprove agora, antes da sua saída”, escreveu.

Está claro que o banqueiro se refere Paulo Sérgio e a Sidnei Corrêa Marques, diretor encarregado pelo voto levado à diretoria.

DIZ A DEFESA – A jornalista procurou a defesa de Paulo Sérgio Neves de Souza, que disse, em nota, que ele “não se recorda do que se trata [a mensagem] e em que contexto, mas lembra que, com relação à operação do Máxima, havia problema relacionado à comprovação de capacidade econômica.”

“É usual em toda transferência de controle que a área de supervisão, ocupada por Paulo Souza, subsidie a área de Organização. Mas a decisão de encaminhamento de voto para deliberação da diretoria colegiada é sempre da Diorf [Diretoria de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução], que tem o poder sobre tais atos”, acrescentou, dizendo também que a equipe técnica de servidores do departamento permanece a mesma.

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P.S.
Tom Jobim tinha razão: “É a lama, é a lama..”. Está inteiramente claro que, no caso Master, houve conivência do Banco Central antes, durante e depois da queda.  Se Vorcaro fizer delação sem envolver os dirigentes do BC, seus depoimentos não terão valor algum, serão iguais aos CDBs que ele inundou no mercado com juros totalmente irreais, impagáveis, e o BC não fez nada, absolutamente nada. O risco é haver uma delação meia-sola ou meia-bomba, que está parecendo com o inquérito do fim do mundo criado ilegalmente pelo ministro Moraes, pois o tempo passa e a delação não sai nunca. (C.N.)

Desmoralização de Moraes nos EUA facilitará o asilo político para Ramagem

Ordem de intimar Moraes amplia indisposição entre Brasil e EUA | WW

Justiça americana intimou Moraes, que está se esquivando…

Carlos Newton

No Brasil e no mundo, em muitos casos o noticiário da imprensa é tão sensacionalista que deveria passar por uma filtragem antes de ser levado ao conhecimento público. É exatamente o que ocorreu com a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem na Flórida, equivocadamente atribuída à Interpol, que estaria atendendo a um pedido da Polícia Federal brasileira.

Ficou confirmado que o ex-parlamentar foi detido ao cometer uma infração de trânsito, por estar com o visto de permanência vencido, e não houve a menor interferência da Interpol. Portanto, a primeira explicação a ser feita é de que “detido” não significa “preso”, porque não se tratava de ordem judicial, mas de prisão preventiva necessária a averiguações.

DIREITO DE DEFESA – Isso significa que Ramagem, ao exercer seu direito de defesa, teve respeitado o pedido de asilo político feito ao governo norte-americano e ainda não examinado.

Em tradução simultânea, o ex-deputado jamais será extraditado antes que a solicitação de asilo seja decidida. Somente em caso de indeferimento é que poderá ser expulso do país, mas essa hipótese é remotíssima e tudo indica que sua permanência na matriz USA será aceita e legalizada, em função da imagem altamente deteriorada do ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos.

Como se sabe, o ministro do STF está sendo processado na matriz por duas empresas controladas pelo presidente Donald Trump, sob acusação de emitir decisões judiciais extravagantes e nada razoáveis, ao determinar que a Justiça americana cumpra suas ordens de remoção de conteúdos em redes sociais dos EUA.

FUGINDO DA INTIMAÇÃO – Essas ordens esdrúxulas e equivocadas causaram diversos protestos na matriz USA, inclusive de Elon Musk, controlador da rede social X (ex-Twitter).

O presidente Donald Trump sentiu-se pessoalmente atingido e mandou que duas de suas empresas abrissem processo contra Moraes lá nos Estados Unidos. A ação foi recebida, está tramitando e foi pedida a citação de Moraes, mas ele está fugindo desse processo e se recusa a receber a intimação. Isso significa que será condenado à revelia, sem apresentar defesa.

Essas iniciativas ditas judiciais do ministro Moraes causaram espanto inclusive ao Congresso americano, que também está investigando as atitudes dele.

ACUSAÇÕES DIRETAS – Divulgado recentemente, o relatório inicial do Comitê Judiciário da Câmara dos EUA veio logo acusando diretamente Alexandre de Moraes de violar liberdade de expressão em solo americano.

E mais: o relatório aponta que as estranhas decisões de Moraes promovem “uma campanha de censura e lawfare”, que “atinge o cerne da democracia brasileira” e pode até afetar as eleições de 2026.

Para o Comitê Judiciário, comandado atualmente pelo Partido Republicano, “a campanha de censura e lawfare do ministro Moraes atinge o cerne da democracia brasileira e ameaça a liberdade de expressão nos Estados Unidos”.

REGIME DE CENSURA – Por meio de intimações na Justiça dos EUA, o Comitê Judiciário obteve cópias de ordens de Alexandre de Moraes às redes sociais dos EUA, determinando a remoção de postagens e a suspensão de contas.

O relatório é acompanhado de 85 anexos. A maioria deles consiste em decisões de Moraes ordenando a suspensão de contas e a remoção de postagens. Há, por exemplo, quatro diferentes ordens para a plataforma de áudio Spotify remover conteúdos do youtuber Bruno Aiub, o Monark.

“Baseado em novos documentos obtidos pelo Comitê, este relatório fornece evidências adicionais de como o regime de censura do Brasil mina a liberdade de expressão nos Estados Unidos, por meio da edição de ordens de remoção de conteúdo com efeitos globais, parcerias com censores em outros países e pela remoção de proteções legais das plataformas de redes sociais”, diz um trecho.

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P.S. – Moraes não tem a menor chance de escapar da condenação pela Justiça americana e já se desfez de todos os bens que possuía nos Estados Unidos. Não aceita ser intimado e tenta atrasar o processo, mas logo ele estará concluído. Quanto ao ex-deputado Alexandre Ramagem, está tranquilo, porque até agora Moraes não conseguiu extraditar nenhum bolsonarista exilado nos EUA ou na Europa. Assim, Ramagem está aguardando o pedido de asilo político, que logo lhe será deferido. E o resto é silêncio, como disse Hamlet, em sua frase final. (C.N.)

“Bets” de Haddad são um escândalo que poderá prejudicar a reeleição de Lula

Charge do Orlando (Arquivo Google)

Carlos Newton

Não bastassem as preocupações dos principais assessores do presidente Lula da Silva com a ligação entre o governo  e alguns ministros do STF, em meio às denúncias de corrupção e de fraudes no INSS e na derrocada do Banco Master, surgiu agora um novo alerta: a regulamentação das bets, promovida pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Essa iniciativa, realizada a pretexto de turbinar a arrecadação federal em alguns bilhões de reais com o produto da jogatina, vem sendo interpretada pela população como apoio da administração pública a jogos de azar. 

DINHEIRO DO POBRE – Nessa operação de apostas descontroladas, com a expressiva participação de grupos e cassinos estrangeiros, não há diversão nem responsabilidade social, resultando apenas na perda de dinheiro do programa Bolsa Família, que reduz as compras de alimentos e remédios, sem esquecer a ludopatia, o devastador vício que arruína a saúde dos apostadores e a convivência familiar, com endividamento definitivo, sem recuperação judicial.

Lula já sentiu que nada tem a ganhar com essa liberalidade da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, e já externou  desconforto com a enrascada em que se meteu ao sancionar a Lei 14.790/2023, fazendo pouco da ainda vigente Lei das Contravenções Penais.

Em entrevista no último dia 8, Lula defendeu a proibição dos jogos de apostas online. Mas, para escusar-se de responsabilidade, disse que a decisão depende também do Congresso. E frisou que, se pudesse agir sozinho, sem depender dos deputados e senadores, “as bets seriam banidas. Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada no Brasil”.

“INVESTIMENTOS” – A solução, porém, não é tão simples como imaginado por Lula. Para operar essa modalidade de aposta fixa, grupos internacionais que mantêm sites de jogos e cassinos na Europa, América e África pagaram à Receita Federal R$ 30 milhões por cada outorga recebida e para tanto se coligaram com empresas brasileiras de jogos. Só neste item, o fisco nacional faturou perto de R$ 3 bilhões.

Caso as bets sejam banidas, quem devolverá essa fortuna aos investidores que aqui desembarcaram e estão devastando as economias de mais de 30 milhões de apostadores que só perdem?

Dados oficiais apontam que em 2024 as bets tomaram cerca de R$ 200 bilhões dos brasileiros, capturados por insistente e pouco ética propaganda na TV, especialmente na Globo.

BOLSA FAMÍLIA – Oportuno artigo do jornalista Fernando Castilho, no UOL, revela que o Ministério do Desenvolvimento Social identificou não só a transferência de quantias bilionárias do Bolsa Família para as bets, mas também que as mulheres que têm o controle do recebimento do Bolsa Família passaram a representar 37% do total de apostadores no país, considerando-se apenas as casas esportivas legalizadas.

Lula prometeu agir rápido, pois acredita que o dito endividamento das famílias (80,45%), que em março tinham alguma dívida a vencer ou já estavam inadimplentes, é reflexo da decisão de apostar.

Para o candidato à reeleição que está com os concorrentes nos calcanhares, o cenário mudou radicalmente com a popularização das apostas online. “O cassino entrou dentro de casa da gente, para crianças de 10 anos pegar o telefone do pai e jogar com essa quantidade de bets que foram criadas aí, que estão tomando conta do futebol, tomando conta da publicidade e tomando conta da corrupção desse país”.

TRATAMENTO NO SUS – A situação é tão grave – epidêmica, mesmo – que o Ministério da Saúde lançou o Guia de Cuidados para Pessoas com Problemas Relacionados a jogos de Apostas, programa que orienta profissionais do SUS no acolhimento e tratamento das pessoas afetadas pela ludopatia, conforme esclarecimento prestado pelo Setor de Comunicação do próprio PT.

O fato concreto é que a publicidade intensa, que enriquece as TVs, especialmente a Globo, estimula o consumo contínuo do produto destruidor de famílias e causador de endividamento irreversível. Porém, o então ministro Haddad não pensou nisso quando abriu a guarda para viciar o povo, em troca de um punhado de dólares.

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P.S –
O arrependido Lula é o principal culpado. Foi ele quem sancionou a lei das bets e deu vida a uma legislação que dificulta ações de restrição e de impedimento de apostas.  O faturamento das bets é tão atraente que a Organização Globo, maior grupo de comunicação do Brasil, já se associou nessa empreitada a um dos maiores exploradores de cassino dos Estados Unidos e juntos operam a Bet MGM. Os filhos de Roberto Marinho não têm escrúpulos e são viciados em ganhar dinheiro, não importa a origem. (C.N.)

Moraes perseguiu e destruiu Ramagem, sem encontrar provas concretas contra ele

Alexandre Ramagem recebe primeiro voto no STF

Moraes destruiu irresponsavelmente a vida de Ramagen

Carlos Newton

Respeitado como um templo da justiça, que corrigia os erros judiciários cometidos em instâncias inferiores, o Supremo Tribunal Federal acabou se tornando uma instituição desmoralizada, na qual a maioria dos brasileiros não mais acredita.

A mais recente pesquisa AtlasIntel/Estadão, feita em março, indica que a desconfiança no STF atingiu 60%, o pior índice da série histórica, e apenas 34% dos brasileiros ainda demonstram confiar no mais importante tribunal do país.

DECISÃO POLÍTICA – O desgaste começou lá atrás, em 2019, quando a maioria dos membros do Supremo resolveu desprezar as leis e passar a reinterpretá-las, para conseguir soltar um criminoso chamado Lula da Silva.

Foi uma imensa vergonha internacional, pois o Brasil passou a ser o único país da ONU a deixar em liberdade os criminosos condenados em segunda instância colegiada, quando se esgota o exame do mérito da questão. E Lula já estava condenado em três instâncias, sempre por unanimidade.

Dois anos em seguida, outro vexame mundial. Uma nova “reinterpretação” limpou a ficha de Lula, para permitir sua candidatura, com uma justificativa patética, pois tornou o Brasil o único país a anular condenação sob alegação de “incompetência territorial absoluta” (julgamento por tribunal errado), uma possibilidade só existente em ações imobiliárias, jamais em processos criminais.  

EM QUEDA LIVRE – Assim, Lula conseguiu voltar ao poder e a derrocada do Supremo foi ganhando cada vez mais velocidade, como se estivesse em queda livre. Vieram a libertação de narcotraficantes, a proteção a réus amigos, os penduricalhos salariais, um verdadeiro festival.

Depois, ocorreu o inacreditável julgamento do 8 de Janeiro. Para aumentar artificialmente as penas, o relator Alexandre de Moraes duplicou crimes que são excludentes entre si, como “Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito” (art. 359-L) e “Golpe de Estado” (art. 359-M). No caso, seria um crime ou o outro, jamais os dois somados.

Da mesma forma, Moraes duplicou outros d ois crimes – “Dano Qualificado” (art. 163) e “Deterioração de Patrimônio Tombado” (art. 62 da Lei nº 9.605. Também são crimes excludentes, porque só se pratica um deles, jamais os dois ao mesmo tempo.

QUADRILHA ARMADA? – Ainda insatisfeito com as duplicações de crimes, Moraes inventou  aplicar mais dois. Um deles foi “Associação Criminosa Armada” (Art. 288), embora os réus nem se conhecessem entre si, morassem em cidades diferentes etc., além de não ter sido usada ou apreendida nenhuma arma em poder deles.

Por fim, o criativo relator também arrolou “Incitação ao Crime” (Art. 286) para punir os atos realizados em frente ao QG do Exército.

Com isso, conseguiu prender e condenar a penas exageradíssimas cerca de 1,5 mil pessoas comuns, inclusive idosos e idosas, todas sem antecedentes criminais e sem haver provas individuais de terem cometido os delitos mencionados e acumulados, inclusive usando armas – à exceção, é claro, daquela bela cabeleireira que sacou o batom da bolsa para escrever “Perdeu, Mané!”.

CASO RAMAGEM – Agora, surge a notícia da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem  nos Estados Unidos, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Na matriz USA, eles não sabem que na filial Brazil o ex-parlamentar foi vítima de um dos maiores erros judiciários do Supremo, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição do estado de direito e organização criminosa armada.

Provas contra ele? Nenhuma, porque o então presidente da Abin (Associação Brasileira de Inteligência), uma espécie de CIA tropical, não participou da trama golpista. Motivo: em março de 2022 Ramagem pediu demissão do governo e se desligou, para ser candidato a deputado federal.

Durante as articulações do golpe, estava a mil quilômetros de distância de Brasília, porque voltara a morar no Rio, para dedicar-se à campanha eleitoral. Portanto, só poderia ter participado do golpe por telefone, e-mail ou sessão espírita, e isso nunca ficou provado.

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P.S. 1
– Algum fã de Moraes pode alegar que Ramagem foi condenado a 16 anos por formar uma Abin Paralela. Mas isso é uma farsa, uma indiscutível Piada do Ano. Por que ele criaria uma Abin Paralela, se podia usar a Abin verdadeira? Onde estão as provas? Padre Quevedo encerraria a questão, dizendo: “Esse crime non ecziste”.

P.S. 2 – Realmente, não existe, porém Moraes o inventou. Com isso, destruiu irresponsavelmente a vida de Ramagem, tirou-lhe o mandato popular conquistado nas urnas, jogou no lixo sua impecável carreira de delegado federal, sem jamais receber sequer advertência, transformou num inferno a vida da família dele.

P.S. 3 – É um problema que deixa terríveis sequelas, especialmente nos filhos. Mas tem solução. Se os advogados de Ramagem entrarem com pedido de revisão criminal, último recurso a que ele tem direito, certamente conseguirão absolvê-lo na Segunda Turma do STF, que será encarregada do julgamento revisional, nos termos do Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é entusiástico signatário. Nem é preciso redigir um longo recurso; basta exigir as provas da condenação.

P.S. 4Quanto a Moraes, já está pagando aqui na Terra as perversidades cometidas apenas por vaidade e ambição. Ficou rico e famoso, mas sua vida não vale nada. (C.N.)

Moraes precisa agradecer muito a Galípolo, que mentiu sobre ele ao depor na CPI

Galípolo nega ligações com Moraes e diz que encontros no STF foram  institucionais

Gabriel Galípolo mentiu na CPI “só um pouquinho assim”…

Carlos Newton

Foi constrangedor ver o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao depor quarta-feira, dia 8, perante a CPI do Crime Organizado, quando tentou a missão impossível de proteger a honra de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que já está mais do que desonrado.

Com a maior desfaçatez, o economista negou que tenha tratado com o STF sobre a liquidação do Banco Master, tema central das investigações da CPI. E os senadores, distraídos e despreparados, engoliram a farsa e não criticam a desfaçatez do depoente.

MEIA-VERDADE – Na CPI, o presidente do BC jurou dizer a verdade, mas mentiu, ao buscar criar o que seria uma meia-verdade muito mal engendrada.

Realmente, seria impossível ele ter tratado do assunto com o Supremo, até porque o STF é igual aos três macaquinhos – não fala, não ouve nem vê. É apenas um prédio, uma instituição, eternamente imóvel.

Ele mentiu, porque até as paredes do Senado sabem que Moraes procurou Galípolo diversas vezes para fazer pressão em favor do Master. Segundo a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes chamou Galípolo a seu gabinete no STF para conversar sobre os problemas de Daniel. Vorcaro.

SEIS LIGAÇÕES – David Friedlander e Eliane Cantanhêde, do Estadão, foram muito além e apuraram que Moraes chegou a ligar seis vezes para Galípolo, num só dia…

Apesar desse noticiário, o presidente do Banco Central alegou que as sanções norte-americanas a Moraes, com a Lei Magnitsky) geraram uma crise sistêmica que exigiu “reuniões institucionais”, mas negou que o caso do Master tenha sido abordado nesses encontros.

Ou seja, mesmo jurando dizer a verdade, repetindo o artigo 203 do Código de Processo Penal (“Prometo dizer a verdade, somente a verdade, sobre o que me for perguntado”), o presidente do BC mentiu ostensivamente.

VIROU CÚMPLICE – Ao confirmar a versão fajuta de Moraes, Galípolo demonstra uma cumplicidade altamente suspeita. Em 18 de dezembro, logo após a intervenção no Master, Galípolo tomou a inicialmente de dizer que havia sido pressionado a favor de Vorcaro e estava à disposição para prestar todos os esclarecimentos.

Os jornalistas gravaram sua afirmação: “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado”.

Agora, ele muda a versão, dando um alívio ao amigo Moraes, que ainda tem esperança de colocar a culpa na própria mulher, para manter sua posição no Supremo. Mas é um alívio apenas passageiro.

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P.S.
Se as investigações da Polícia Federal se aprofundarem e o relator André Mendonça não vender a alma, Gabriel Galípolo e seu antecessor no BC, Roberto Campos Neto, podem ser incriminados juntos, porque está mais do que claro o acobertamento conseguido por Vorcaro junto à direção do BC e a pressão feita por Moraes para proteger o amigo fraudador, que enriqueceu ilicitamente a família do ainda ministro do Supremo. Podem aguardar, tudo depende da Polícia Federal. (C.N.)

Tudo indica que Sicário foi morto na cela, como ocorreu em NY no caso de Epstein

Os tentáculos malditos de Jeffrey Epstein - Charge publicada no jornal A Tarde.

Charge do Clériston (A Tarde)

Carlos Newton

Com as devidas proporções, o caso da morte do pistoleiro Luiz Phillipi Mourão, conhecido pelo codinome Sicário, que ocorreu recentemente na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, tem muita semelhança com o suicídio do magnata americano Jeffrey Epstein, ocorrido em 2019 numa prisão federal em Nova York.

Como aconteceu com “a morte e a morte” do célebre personagem Quincas Berro d’Água, de Jorge Amado, tanto Epstein quanto Sicário também tiveram duas mortes, porque teriam tentado o suicídio na cadeia, foram dados como mortos, mas estavam inconscientes, receberam socorro e só morreram muito depois, nos hospitais.

SABIAM DEMAIS – Como no filme de Alfred Hitchcock, Epstein e Sicário eram homens que sabiam demais. Ao morrer, o ricaço americano possuía fortuna equivalente a R$ 2 bilhões, enquanto o pistoleiro brasileiro ganhava RS 1 milhão por mês, que é salário de CEO de grande empresa privada.

Jeffrey Epstein era acusado de exploração sexual de menores, que ele oferecia a milionários e políticos do mundo inteiro, fazendo questão de se tornar íntimo deles e fotografá-los socialmente ou em plena ação, digamos assim, como ocorreu com o ex-príncipe Andrew, que sujou a barra da família real britânica e até perdeu o título de nobreza.  

Mais modesto, Sicário foi operador e pistoleiro do banqueiro Daniel Vorcaro, coordenando as ações de intimidação e segurança do patrão. Antes de sua ligação com o Banco Master, ele já era investigado em Minas Gerais por atuar como agiota e gerenciar um esquema de pirâmide financeira que teria movimentado cerca de R$ 28 milhões.

“SUICIDADOS”? – Tanto no caso do pedófilo americano lá na matriz USA quanto no caso do capanga do banqueiro aqui na sucursal Brazil, tudo indica que ambos foram “suicidados”, naquele antigo e famoso método usado para matar o jornalista Vladimir Herzog, que somente agora foi reconhecido como assassinato.

A autópsia do magnata Epstein revelou que havia vários ossos fraturados no pescoço, como acontece em morte por enforcamento ou estrangulamento. Assim, não teria sido possível identificar se foi suicídio ou homicídio.

Os advogados tinham avisado ao juiz que ele havia recebido ameaças e que temia por sua segurança. Além disso, de acordo com o status especial imposto a Epstein, ele deveria ter um companheiro de cela. Mas no momento da quase morte, o pedófilo estava sozinho, porque o outro preso tinha sido transferido, o que representa uma infração ao regulamento da penitenciária.

CÂMARA NA CELA –  Os dois guardas designados para verificar sua cela à noite, Tova Noel e Michael Thomas, adormeceram em suas mesas por cerca de três horas e depois falsificaram os registros. As duas câmeras que filmavam a cela de Epstein também pararam de funcionar naquela noite, e outra câmera tinha imagens “inutilizáveis”. Aqui na humilde filial Brazil, todo o tempo que Sicário passou na cela foi filmado “sem pontos cegos”, segundo o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo.

Ou seja, existem imagens de Sicário dentro da cela que mostram que ele se suicidou ou foi suicidado, mas a Polícia Federal se recusa a exibi-las, alegando um sigilo que jamais foi decretado.

Na matriz, a morte do milionário está sendo investigada há sete anos pelo FBI e pelo Departamento de Justiça, num procedimento que parece o famoso “inquérito do fim do mundo” que o ministro Alexandre de Moraes inventou. E a morte de Sicário aqui na sucursal também parece que não vai terminar nunca.

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P.S. –
A Polícia Federal já recebeu três pedidos do Congresso para liberar as imagens de Sicário na cela, mas não liberou. Os próprios legislas da PF requisitaram as gravações para concluir o laudo, mas também não foram atendidos. Assim, enquanto as imagens não vierem a público, continuará a surgir todo tipo de especulação sobre “a morte e a morte” de Sicário. E a Tribuna da Internet continuará a cobrar o fim desse sigilo absurdo. (C.N.)

Imprensa destrói blindagem do Supremo e exibe enriquecimento ilícito de Moraes

Laerte: Crise política é culpa da imprensa - O Cafezinho

Charge do Laerte (Folha)

Carlos Newton

Chega a ser constrangedora e revoltante a resistência corporativa do Supremo Tribunal Federal, que faz o possível e o impossível para blindar os ministros envolvidos em corrupção, especialmente Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Mas tudo em vão. Por mais esforços que o STF faça, os resultados são patéticos e depõem contra a honorabilidade da maioria dos ministros, atingidos também pelo enriquecimento antiétic0 de parentes que advogam causas nos Tribunais Superiores, à exceção de André Mendonça e Cármen Lúcia.

Desde o início do caso do Banco Master, as tentativas de blindar Toffoli e Moraes têm fracassado e só serviram para agravar cada vez a situação dos ministros.

BLINDAGEM INÚTIL – Despertados pelas notícias de irregularidades, publicadas em O Globo por Lauro Jardim e Malu Gaspar, deputados e senadores também tentaram investigar o caso em Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI), pedindo quebras de sigilo e convocação de testemunhas e investigados, mas o Supremo derrubava tudo.

Numa perseguição implacável, o Supremo mudou ser entendimento anterior, a prorrogação da CPMI do INSS foi negada e não há motivos para acreditar que a CPI do Crime Organizado, que termina dia 14, consiga ser prorrogada.

Quanto às duas tentativas de CPI do Master, continuam blindadas pelos presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, que são alinhados com o governo Lula e com parte do Supremo.

ATÉ A PROCURADORIA… – Para fortalecer esse festival de blindagem, até a Procuradoria Geral da República mergulhou de cabeça. Os parlamentares fizeram uma série de representações, muito bem fundamentadas, mas o procurador-geral Paulo Gonet alegou que não havia nada a investigar.

Esse esforço impressionante do eixo Planalto-Supremo está sendo jogado fora, porque hoje em dia os jornalistas já conseguem se libertar das pressões dos empresários da comunicação e sempre arranjam como publicar as denúncias, que estão apresentadas de forma avassaladora.

Esse episódio demonstra a crescente importância da imprensa livre, na qual se insere a Tribuna da Internet, que em maio de 2025 enviou dossiês sobre o Banco Master à Comissão de Valores Imobiliários, ao Tribunal de Contas da União e ao Banco Central, alertando as autoridades, que só viriam a intervir em novembro, cinco meses depois, portanto.

BALANÇO DE MARÇO – Como sempre fazemos, vamos agradecer as contribuições feitas no mês passado, para colaborar com a manutenção deste espaço livre na web, que não tem patrocínio político, partidário ou empresarial.

A princípio, os depósitos feitos em nossa conta na Caixa Econômica Federal:

DIA  REGISTRO  OPERAÇÃO          VALOR
02    021542          DEP DIN LOT…………..100,00
03    031546          DEP DIN LOT…………..230,00
06    061302          DEP DIN LOT…………..200,00
14     141312           DEP DIN LOT…………200,00
21     211321           DEP DIN LOT…………200,00
28    281418          DEP DIN LOT…………..100,00

Agora, as contribuições feitas através do Banco Itaú/Unibanco:

02    PIX TRANSF JOSE FR  01/03………. 150,00
02    PIX TRANSF PAULO R 02/03………..100,00
05    TED 001.5977.JOSE A P J……………..355,03
16    TED 001.4416.MARIO A C R…………300,00
30   TED 033.3591.ROBERTO S D………..200,00

Agradecendo mais uma vez as colaborações, vamos em frente, em busca da utopia de uma imprensa verdadeiramente livre.

Brasil cresce à noite, quando a classe dirigente dorme e não consegue atrapalhar…

Tribuna da Internet | Bolsonarismo e corrupção ameaçam a solidez da democracia no Brasil

Charge do Bira (Arquivo Google)

Carlos Newton

O Brasil não caminha para o abismo, porque é um país muito grande, não cabe dentro do buraco e consegue crescer um pouco à noite, quando os dirigentes dos Três Poderes estão dormindo e não atrapalham. O maior problema é a classe dirigente, com uma elite ignorante, gananciosa e insaciável, que apodrece os três poderes e aumenta cada vez mais a desigualdade social, sem que ocorra uma necessária e vigorosa reação a essa disparidade.

Basta citar o espantoso fato de que não há protestos realmente incisivos contra os penduricalhos ilegais nem contra o sistema desumano de reajuste, que confere o mesmo percentual a quem ganha um salário mínimo ou recebe o teto, algo inacreditável, inviável e inaceitável.

REAJUSTE PERVERSO– Os números não mentem e exibem às escâncaras o progressivo aumento da desigualdade social. Os reajustes têm o mesmo percentual para todas as categorias, acertados entre patrões e empregados, via negociação sindical, e o mesmo sistema vigora no serviço público.

Assim, quando há um aumento de 10%, por exemplo, o funcionário de salário mínimo (R$ 1.621,00) passa a ganhar mais R$ 162,10, ao receber R$ 1783,10 mensais. Já o servidor que recebe o teto (R$ 46.366,19) sem penduricalhos, que é coisa rara), tem reajuste de R$ 4.636,20, e sobe para R$ 51.002,38.

É um sistema nada republicano ou democrático, absolutamente perverso, impiedoso e desumano, porém não se vê nenhuma reação contra isso.

PRECISA MUDAR – É óbvio que a situação tem de mudar. O distanciamento entre ricos e pobres precisa diminuir. Os reajustes salariais têm de ser maiores para quem ganha o mínimo e menores para quem recebe o máximo – é uma necessidade lógica, óbvia e gritante.

A sistemática de reajustes iguais para todos é idiota, cruel e suicida. Estamos criando uma sociedade em que a riqueza absoluta tenta conviver com a miséria absoluta, mas isso “non ecziste”, diria o piedoso Padre Quevedo, não se misturam, são como água e óleo.

A desigualdade social crescente e irrefreável gera consequências funestas, como o aumento da criminalidade, movido pela corrupção e pela revolta dos desvalidos. Por isso, vivemos num clima de total insegurança. As pessoas têm medo de sair às ruas; preferem uma vida desprezível, agarram-se aos celulares e computadores como se fossem boias salvadoras.

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P.S.
Desculpem a exasperação. Esse assunto é tabu, ninguém ousa criticar a desumanidade com que os pobres são tratados pela sociedade dominante, digamos assim. Agora mesmo, saiu a notícia de que a 
Câmara de SP gasta R$ 14,3 milhões com ‘benefício nutricional’ para servidores aposentados. Enquanto isso a patuleia ganha alguns benefícios sociais, para não morrer à míngua, mas está impedidos de evoluir socialmente, porque falta o essencial – salário digno, educação de qualidade e assistência médica eficaz. A imprensa não toca no assunto, é como se a desigualdade ainda não tivesse fugido ao controle, embora já esteja completamente descontrolada. Mas quem se interessa? (C.N.) 

Legistas requisitam as imagens do suicídio de “Sicário”, mas a PF se recusa a fornecer

Banco Master: 'Sicário' de Daniel Vorcaro tenta tirar a própria vida dentro  da PF | Rádio Itatiaia

Exibição das imagens esclareceria a morte de Sicário

Carlos Newton

Já comentamos aqui na Tribuna da Internet que o sigilo injustificado é evidência segura de que alguma coisa está errada e não deve ser conhecida. É justamente o caso do suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, capanga do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Existe sigilo sobre o caso Master, mas a morte de um investigado dentro da Superintendência da PF não pode estar sendo guardada a sete chaves, exatamente como ocorreu com a gravação das 80 câmeras do Ministério da Justiça no quebra-quebra do 8 de Janeiro, quando nem havia sigilo, mas o então ministro Flávio Dino alegou não poder exibir, porque teriam sido “apagadas”.

FAKE NEWS DE DINO – Na ocasião, Dino não teve medo do ridículo e caprichou na criação dessa fake news, sem lembrar que hoje as imagens são gravadas em computador e não precisam ser apagadas, como ocorria antigamente quando as gravações eram feitas em fitas reaproveitáveis.

Agora o Congresso está exigindo as imagens da morte do “Sicário”, que o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo, afirmou terem sido feitas “sem pontos cegos”, ou seja, a câmera esteve focalizada no preso o tempo todo, até a chegada do socorro. Portanto, o tal suicídio foi inteiramente filmado.

Em 5 de março, a CPMI do INSS oficiou à PF, solicitando as imagens. Até agora, nada. No dia 24, o senador Magno Malta (PL-ES) apresentou requerimento à CPI do Crime Organizado solicitando o envio da gravação da morte “Sicário”. No mesmo dia, a Comissão de Segurança Pública da Câmara também aprovou requisição das imagens, mas é tudo em vão, a Polícia Federal está sentada em cima.

MÉDICOS LEGISTAS – Segundo a própria PF, os médicos legistas também pediram na semana passada o compartilhamento do circuito de câmeras da carceragem para finalizar o laudo de necropsia, mas ainda não foram atendidos.

A esse respeito, a PF informou ao repórter Eduardo Gonçalves, de O Globo, que só poderá fornecer as imagens se o ministro André Mendonça aprovar. Isso é uma maluquice. O que desgraçadamente está sob sigilo é o caso Master em si, com envolvimento de autoridades, não o suposto suicídio de um investigado.

Sobre as imagens propriamente ditas, a direção da Polícia Federal informou apenas que “é possível ver que ele estava sozinho na cela e foi atendido pelos agentes que acompanhavam a sua custódia”. Ora, isso é Piada do Ano, é preciso mostrar as imagens de “Sicário” se enforcando com a camisa, mas a Polícia Federal estranhamente se recusa.

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P.S. –
Quando não há transparência e o sigilo é decretado, como vem ocorrendo habitualmente no Supremo e no Executivo, há um resultado sempre ruinoso, porque surgem suspeitas e especulações de todo tipo. Esse comportamento estranho e anômalo da PF compromete o diretor-geral Andrei Rodrigues, que até agora vinha atuando com destemor, tendo exigido ao presidente do Supremo, Edson Fachin, o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, e foi atendido. O pior é saber que nem mesmo os legistas podem ter acesso às imagens. É tudo muito estranho e compromete diretamente  a Polícia Federal. (C.N.)

Se o STF ‘inocentar’ Vorcaro, Moraes e Toffoli, a crise poderá ser incontrolável

JUDICIÁRIO REGADO À PRIVILÉGIOS. Dos 82 juízes punidos no Brasil desde 2005, 53 continuam recebendo super-salários

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Carlos Newton

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro completou neste Sábado de Aleluia (dia 4) um mês de prisão, mas continua embromando, na esperança de fazer uma delação do tipo meia-sola ou meia-bomba, sem ter de denunciar nenhum dos membros do Supremo que estão envolvidos (Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Nunes Marques).

Delirante, ele acha que os próprios ministros do STF podem encontrar uma brecha nas leis que consiga anular o processo, o que garantiria também sua libertação com o resto da fortuna ilícita que amealhou dando golpes na praça.

TUDO É POSSÍVEL – Sonhar ainda não é proibido nem paga imposto. Mas Vorcaro tem motivos para alimentar esperanças. Realmente, tudo pode acontecer na Justiça, porque os criminosos da elite sempre conseguem  dar “um jeito lá em cima”, como dizia o empresário e banqueiro Daniel Dantas, que revelava só ter medo dos juízes de primeira instância, por serem menos subornáveis.

Vorcaro se inspira no exemplo da Lava Jato, porque o Supremo conseguiu libertar todos os empresários incriminados e até devolver-lhe as fortunas que confessaram ter amealhado mediante suborno, corrupção e lavagem de dinheiro.

O banqueiro do Master está animado com a repetição da farsa e contratou o advogado Oliveira Lima, que libertou o empresário Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, aquele empreiteiro que causou a condenação e prisão de Lula da Silva por 580 dias.

HÁ CONTROVÉRSIAS… – Vorcaro não percebeu que há muitas diferenças entre as duas situações. Na Lava Jato, o juiz e os procuradores deram bobeira, o Supremo (leia-se: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski & Cia) teve condições de abrir a brecha e anular tudo, inclusive as confissões dos empresários corruptores, vejam a que ponto de desmoralização este país chegou.

Agora, o cenário é outro. Os ministros Gilmar Mendes, Toffoli e Moraes, que integram a nova troika que comanda o Supremo, continuam tentando desesperadamente encontrar algum motivo para anular o inquérito, que nem ainda processo é.

Mas está difícil. Uma coisa é encontrar uma brecha externa, como o suposto conluio entre juiz e procurador na Lava Jato. Outra coisa, muito diferente, é forçar uma brecha dentro da lei e da jurisprudência do Supremo e do Superior Tribunal de Justiça.   

ESTUPRO DA LEI – O que Gilmar, Moraes e Toffoli estão pretendendo é arrombar a lei, cometendo um estupro coletivo à luz do dia, em via pública, sob as vistas da sociedade brasileira.

Vorcaro já completou um mês de prisão, no âmbito da terceira fase da operação Compliance Zero. Deu tanto azar que em seu inquérito foi sorteado para relator justamente o ministro André Mendonça, o único que até agora se revela verdadeiramente ético e incorruptível, na companhia apenas de Cármen Lúcia.

Mendonça é pastor presbiteriano, tem demonstrado que procura sempre fazer o que é certo, recentemente foi ovacionado em evento na Ordem dos Advogados. Não é possível acreditar que ele vá deixar em liberdade esses vendilhões do templo, digamos assim.

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P.S.
É claro que a troika pode conseguir maioria no Supremo, atraindo mais dois ou três votos para fazer a vontade de Vorcaro. Mas o escândalo será tamanho que certamente causaria uma crise institucional com gravíssimas consequências, que é preciso evitar a todo custo. (C.N.) 

Para limpar seu nome, Moraes trava uso do Coaf contra narcotráfico e corrupção

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal

Moraes procura travar as investigações, para sair ileso…

Malu Gaspar
O Globo

Infelizmente, depois do caso do “powerpoint” da jornalista Andréia Sadi na GloboNews, os irmãos Marinho (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto, não necessariamente nesta ordem) determinaram que a Organização Globo evite dar destaque a matérias que possam criar problemas para o governo Lula da Silva, principal financiador do grupo de comunicação.

Um dos resultados dessa ordem dos empresários foi a pequena repercussão de uma sensacional reportagem de Malu Gaspar, denunciando mais uma decisão do ministro Alexandre de Moraes em defesa própria, que revela audácia e desfaçatez jamais vista na Suprema Corte.

GUINADA RADICAL – No último dia 28, a colunista de O Globo noticiou que, além de tentar anular uma importantíssima jurisprudência do STF, que desde 2019 é usada para denunciar narcotraficantes e corruptos, Moraes desconheceu seu próprio voto, que na época permitiu o uso de relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Conselho de Atividades Financeiras (Coaf).

É evidente que Moraes está empreendendo uma desesperada tentativa de evitar sua incriminação, que significará o julgamento pela Justiça e o impeachment pelo Senado, porque há apenas sete meses, em agosto de 2025, nessa mesma ação, ele deu uma liminar em sentido contrário, acredite se quiser.

Na decisão que obedeceu a jurisprudência em 2025, ele afirmou que era permitido pela Constituição o “compartilhamento de RIFs sem autorização judicial, desde que em procedimentos formalmente instaurados e com garantia de sigilo”.

DISSE MORAES – Seis anos antes, na histórica decisão do plenário, Alexandre de Moraes justificou que os tribunais não podiam anular investigações que utilizassem RIFs produzidos antes da instrução penal, porque, conforme apontou o Ministério Público Federal, isso teria “graves consequências à persecução penal”.

Entre essas consequências funestas que hoje não lhe interessam mais, o ministro listou “a anulação de provas, o trancamento de inquéritos, a revogação de prisões, a liberação de bens apreendidos e a invalidação de operações policiais essenciais ao combate ao crime organizado, à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal”.

Malu Gaspar conta ainda que, naquela decisão de 2025, Moraes afirmava estar buscando preservar a eficácia do entendimento do STF em 2019, quando ele liderou a corrente a favor do uso dos RIFs em investigações sem prévia autorização judicial e com procedimento formal.

MUDANÇA RADICAL – Sete meses depois, para brecar as apurações sobre o Banco Master e evitar sua própria incriminação por suas ligações com o banqueiro fraudador, agora o mesmo Moraes alega que os relatórios do Coaf só podem ser usados em inquéritos ou procedimentos criminais.

Ainda não satisfeito com essa autoblindagem, o ministro está tentando impor restrições ao uso dos RIFs, como apresentação de “lastro documental” e  “pertinência temática estrita entre o conteúdo do RIF e o objeto da apuração” – critérios que permitem algum grau de subjetividade e podem levar à anulação das provas, a depender da discricionariedade do juiz.

Os relatórios são preparados pelo Coaf sempre que há movimentações financeiras atípicas de pessoas físicas ou jurídicas, e são encaminhados aos órgãos de investigação. Têm sido largamente utilizados na apuração do caso do Banco Master pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, e também foram compartilhados com as CPIs do INSS e do Crime Organizado mediante autorização judicial. Porém, agora Moraes quer mudar tudo isso. Mas não conseguirá.

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P.S. – Por mais que façam, os irmãos Marinho jamais conseguirão calar os jornalistas da Organização Globo. São seus empregados, mas não são servis à causa da compra e venda de consciências. A imprensa livre é mais forte do que qualquer empresário, por mais rico e poderoso que pense ser, porque na verdade esses supostos homens de negócios não valem nada. (C.N.) 

Participação de Caiado indica que Lula será derrotado no segundo turno

05/04/2025 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

Aqui no Brasil tudo é diferente. As ideologias são tão encobertas que o cantor Cazuza procurava uma para viver. Mas não achou, porque as tendências partidárias mudam e se misturam, de tal forma que conseguiram esculhambar até o marxismo, que no século passado era tido como uma doutrina séria e de fundo científico, a ponto de Luiz Carlos Prestes criticar Lula da Silva por não estudar as bases do comunismo.

Realmente, é uma maluquice. Quem ainda lembra que Roberto Freire, Aldo Rebelo e Flávio Dino eram declaradamente comunistas. Os três militavam em partidos cujos integrantes até hoje são chamados de “camaradas”, porque essa gente não tem medo do ridículo.

SEM DISTINÇÃO – Por isso, convém não fazer distinção entre os políticos brasileiros, porque eles na verdade não integram grupos ideológicos e muitos deles são até eleitos para representar facções criminosas de diferentes espécies.

Portanto, dizer que Lula é de esquerda tornou-se Piada do Ano. Embora o PT costume exaltar os benefícios sociais concedidos, simultaneamente os governantes petistas se especializaram em explorar o povo.

No segundo governo Lula, por exemplo, o ministro Paulo Bernardo, do Planejamento, então marido de Gleisi Hoffmann, foi preso preventivamente pela Operação Custo Brasil, um desdobramento da Lava Jato. Ele era acusado de receber cerca de R$ 7 milhões em propina de um esquema de fraudes em empréstimos consignados no Ministério do Planejamento. Anos depois, os sindicalistas do PT voltariam à ação, para desviar dinheiro de aposentados e pensionistas, atuando como se fossem Robin Hood às avessas.

DIREITA, VOLVER – Se a esquerda no Brasil é assim, a direita não fica atrás. A política tornou-se uma atividade tão criminosa que no Estado do Rio de Janeiro, nos últimos 30 anos todos os governadores eleitos entre 1998 e 2026 foram, presos ou sofreram afastamento/cassação, incluindo Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Wilson Witzel e Cláudio Castro.

Nessa salada mista, encontram-se todas as tendências – direita, esquerda e centro. E pode-se dizer que apenas Leonel Brizola escapou da humilhação, porque Moreira Franco também foi preso em 2019, acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato, vejam a que ponto chegamos.

Bem, voltando à sucessão presidencial deste ano, será mesmo uma disputa eletrizante, especialmente se Ronaldo Caiado tiver um vice de respeito em sua chapa, de preferência uma mulher, como é sua intenção.

TRÊS CANDIDATOS – Não se pode desprezar o olho clinico de Gilberto Kassab, o senhor dos anéis, que achou melhor lançar Caiado (GO) do que os governadores Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS).

Todos sabem que Caiado vai reduzir a votação de Flávio Bolsonaro (PL), que está de bobeira e ainda não convidou a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para vice. Aliás, o candidato do PSD também vai tirar votos de Lula, porque no primeiro turno Caiado pode atrair a preferência de quem não aceita mais voltar em Bolsonaro e acabaria votando no petista.

No meio da confusão, já existem algumas certezas. A primeira delas é que Lula estará no segundo turno. E a segunda é que o petista vai perder a eleição, porque o terceiro colocado (seja Caiado ou Flávio) vai apoiar e garantir a vitória do adversário do PT.

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P.S.
O problema de Lula é a altíssima rejeição a ele, que foi de 61%, acima da rejeição a seu governo, que ficou em 51%. Mesmo assim, é certo que ele terá cerca de 30% dos votos válidos, o que garante lugar no segundo turno. Mas será muito difícil garantir a reeleição, se não houver uma mudança radical na atual situação. (C.N.) 

Para defender Moraes, Fachin esquece a “ética” e usa argumentos fantasiosos

Fachin e Moraes entregam a Lula convite para posse de novo comando do STF | G1

Fachin se compromete ao acobertar os erros de Moraes

Carlos Newton

É muito triste acompanhar o noticiário sobre a progressiva desmoralização do Supremo Tribunal Federal como um todo, devido ao enriquecimento lícito, porém imoral, dos escritórios de advocacia mantidos por parentes dos ministros Dias Toffoli, Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Desta relação argentária, só escapam dois ministros atuais: Cármen Lúcia, uma pessoa simples e ética, que ia trabalhar no Supremo dirigindo um carro antigo; e André Mendonça, que segue na mesma linha e está destinado a fazer uma brilhante carreira.

TREMENDAMENTE – Tentam ridicularizar Mendonça, dizendo que ele é “tremendamente evangélico”, conforme afirmou o então presidente Jair Bolsonaro, em sua santa ignorância, sem perceber que o ministro é pastor presbiteriano, nada tem a ver com as seitas pentecostais que tanto exploram os brasileiros, como os autoproclamados bispos Edir Macedo ou Silas Malafaia.

Mendonça é diferente, tem formação em Teologia e jamais recebeu pagamento por suas atividades pastorais, mas quem se interessa? É mais fácil ridicularizá-lo do que reconhecer suas qualidades.

Bem, o fato é que, em janeiro, esses escritórios de advocacia com sobrenomes supremos já estavam inscritos em 1.921 processos nos tribunais superiores.

NAS MÃOS DE FACHIN – O encarregado de resolver essa bagunça é Edson Fachin, o atual presidente. No entanto, por ter uma personalidade fraca, sem vestígios de liderança, ele nada faz de concreto para tirar o Supremo da lama. Infantilmente, apenas propôs um Código Ética para repetir o que as leis já dizem sobre a conduta dos ministros.

Sua proposta foi estraçalhada em plenário pelos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, justamente os mais antiéticos da instituição, cujo proceder chega a transformar Gilmar Mendes num exemplo de correção, vejam bem a que ponto chegamos.

Apenas Cármen Lúcia e André Mendonça apoiaram o Código de Ética, que foi imediatamente arquivado e já repousa na lata de lixo do STF.

DEFESA DE MORAES – O mais constrangedor é ver Fachin ser humilhado por Moraes e Toffoli, ambos envolvidos em milionárias tramóias de enriquecimento ilícito, e depois vir a público para defendê-los.

Às vésperas do feriadão, por exemplo, Fachin divulgou uma nota para rebater o relatório da Comissão Judiciária da Câmara dos EUA, que acusa Moraes de praticar censura e outras ilegalidades.

Na nota, Fachin não cita diretamente Moraes, mas defende a atuação geral da Corte: “Os Ministros do Supremo Tribunal Federal seguem à risca os preceitos constitucionais, sendo a liberdade de expressão um desses primados fundamentais de nossa República”, afirmou.

MILICIAS DIGITAIS – O ministro também justificou as ordens de remoção de conteúdo em plataformas digitais, em inquéritos relatados por Moraes.

Segundo ele, as medidas “inserem-se no contexto de investigações que têm por objeto a instrumentalização criminosa de redes sociais por milícias digitais, com a finalidade da prática de diversas infrações penais, em especial aos crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e associação criminosa ”.

Não é verdade. Fachin  distorce os fatos, usando argumentos do 8 de Janeiro e do golpe para justificar a censura imposta muito antes por Moraes, que desde 2019 punia blogueiros bolsonaristas em outro inquérito, o das fake news. “No âmbito daqueles inquéritos, foram emitidas medidas cautelares quando presentes indícios robustos da prática daqueles crimes”, justificou Fachin, sem medo do ridículo e misturando chiclete com banana.

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P.S. 1
É inaceitável esse procedimento de Fachin, dando cobertura aos erros e abusos de Moraes. A matriz USA não aceita censura política, de forma alguma. A lei mais famosa do mundo é a Primeira Emenda (1791), que proíbe o Congresso de estabelecer religião oficial, impedir o livre exercício religioso, restringir a liberdade de expressão, de imprensa, de reunião pacífica ou o direito de petição ao governo. A emenda garante liberdades fundamentais contra a interferência do Estado.

P.S. 2Moraes, que não entende o fato de o Brazil ser uma filial, só se deu realmente mal na matriz USA quando “determinou” que a Justiça americana retirasse das redes sociais os blogs bolsonaristas. Foi demais. Só então os americanos perceberam que o ministro brasileiro tem problemas. Por isso, jogaram no lixo todos os pedidos feitos à Interpol pra extradição de brasileiros.

P.S. 3Por fim, a função de Fachin é presidir o Supremo e não cabe a ele funcionar como advogado de defesa de Moraes, inventando argumentos absolutamente ridículos. Se tivesse juízo e obedecesse à ética, Fachin deixaria que Moraes se defendesse sozinho. (C.N.)

PF torna-se suspeita, por se recusar a exibir imagens da morte de “Sicário”

Notícias sobre charge | VEJA

Charge do JCaesar (Revista Veja)

Carlos Newton

Na vida moderna, com a tecnologia avançando em incrível velocidade, a transparência passou a ser uma exigência inafastável. Sempre que há sigilo sobre essa ou aquela situação, é um sinal evidente de que alguma coisa está errada e não pode vir a furo.

É o caso do inquérito aberto sobre fake news há quase sete anos, destinado a sepultar informações sobre sonegação de impostos pelas mulheres de Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ambas advogadas de renome e hoje separadas dos respectivos maridos.

FIM DO MUNDO – O fato concreto é que o inquérito do fim do mundo se multiplicou como criação de coelhos, abrigando apurações de toda sorte, que não acabam nunca, sendo apelidado pelo ministro Marco Aurélio Mello de “Inquérito do Fim do Mundo”.

É uma Piada do Ano que se sustenta indefinidamente, porque os inquéritos são previstos para durar 30 dias e não podem ser prorrogados através dos tempos.

Quando não há transparência e o sigilo é decretado, como vem ocorrendo habitualmente no Supremo e no Executivo, há um resultado sempre ruinoso, porque surgem suspeitas e especulações de todo tipo.

SIGILO INDEVIDO – É justamente o caso do suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, capanga do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Não existe sigilo oficial, mas os dados sobre a estranhíssima morte do criminoso estão guardados a sete chaves pela PF, exatamente como ocorreu com a gravação das 80 câmeras do Ministério da Justiça no quebra-quebra do 8 de Janeiro, quando não havia sigilo, mas o então ministro Flávio Dino alegou não poder exibir, porque teriam sido “apagadas”.

Naquela ocasião, Dino não teve medo do ridículo e caprichou na criação dessa fake news, porque hoje as imagens são gravadas em computador e não precisam ser apagadas, como ocorria antigamente quando as gravações eram feitas em fitas reaproveitáveis.

CHEGA DE SIGILO – Agora o Congresso cansou de esperar e está exigindo as imagens da morte de Sicário, que o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo, afirmou terem sido feitas “sem pontos cegos”, ou seja, a câmera esteve focalizada no preso o tempo todo, até a chegada do socorro, e o tal suicídio foi inteiramente filmado.

Em 5 de março, a CPMI do INSS oficiou ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitando as imagens. O tempo passou e a comissão foi extinta sem haver atendimento.

No último dia 24, o senador Magno Malta (PL-ES) apresentou requerimento à CPI do Crime Organizado solicitando o envio de imagens e documentos sobre a morte do “Sicário”. No mesmo dia, a Comissão de Segurança Pública da Câmara também aprovou requerimentos sobre averiguação das circunstâncias da morte do capanga de Daniel Vorcaro, mas é tudo em vão, a Polícia Federal está sentada em cima.

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P.S.
Esse comportamento estranho e anômalo da PF compromete o diretor-geral Andrei Rodrigues, que até agora vinha atuando com destemor, tendo exigido ao presidente do Supremo, Edson Fachin, o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, e foi atendido. Estranha-se agora que Andrei Rodrigues aceite manchar sua biografia, ao ocultar as circunstâncias da morte de “Sicário”, que era o “Homem que Sabia Demais”, como diria Alfred Hitchcock. Realmente, tratava-se de um arquivo ambulante e se tornou um arquivo morto, logo que foi preso. Vamos aguardar e ficar em cima. (C.N.)

Ao confirmar Alckmin como vice, Lula está contribuindo para extinção do PT

Charge do Zé Dassilva: Lula e Alckmin juntos? - NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Carlos Newton

Já tínhamos abordado na Tribuna da Internet, diversas vezes, a importância da escolha do candidato a vice-presidente na chapa de Lula da Silva. O motivo, é claro, todos sabem. O criador do Partido dos Trabalhadores é muito mais importante do que a sigla, porque jamais permitiu que surgisse um novo líder que pudesse vir a substituí-lo no comando do PT.

Em sua surpreendente trajetória política, Lula sempre fez questão de se isolar no poder. desde os tempos de metalúrgico, quando usava o codinome  “Barba” e prestava serviços ao delegado federal Romeu Tuma, como agente infiltrado no sindicalismo pelo regime militar, fato denunciado por várias fontes e jamais desmentido pelo petista. 

CRIAÇÃO DO PT – É também bastante conhecido o fato de o PT ter sido criado por Lula sob os auspícios do general Golbery do Coutto e Silva, o grande ideólogo do regime militar, que foi ministro-chefe do temido Serviço Nacional de Informações.

Autor de importantes estudos sobre a Geopolítica do Brasil, inicialmente publicados em 1959 como “Aspectos Geopolíticos do Brasil” e depois ampliados sob o título “Conjuntura Política Nacional – O Poder Executivo & Geopolítica Do Brasil”), o general Golbery defendia a ligação do Brasil ao bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos.

Preocupado com o fortalecimento da União Soviética e da China, o criador do SNI mandou Lula fundar o PT para evitar que o PTB ficasse hegemônico no sindicalismo e elegesse Leonel Brizola, cuja candidatura a presidente era então considerada imbatível.

LULA/BARBA – O PT foi criado em 1980 e cumpriu fielmente o objetivo de Golbery. Assim, nove anos depois, o próprio Lula/Barba derrotava Brizola no photochart e ia ao segundo turno contra Fernando Collor, que venceu com inestimável ajuda da Organização Globo, na tristemente famosa edição do debate, feita pelo jornalista Alberico Souza Cruz.

Mas tudo isso é passado distante. Quando chegou ao poder em 2003, Lula da Silva já não era mais Barba, tinha vida própria, comandava o PT com mão de ferro e impedia que qualquer outro petista se destacasse no partido.

Esmagado por um eterno complexo de inferioridade, Lula jamais leu um livro e abominava os intelectuais atuantes no PT, como o sociólogo Francisco Oliveira, o jurista Helio Bicudo, o jornalista e escritor Nilmário Miranda e o economista Aloizio Mercadante, que nunca conseguiram se destacar no partido e dois deles até desistiram de apoiar Lula e o PT (Oliveira e Bicudo). 

ELEIÇÃO DERRADEIRA– Esta é a última eleição a ser disputada por Lula, que já está meio depauperado e não diz mais coisa com coisa. Mesmo assim, corre o risco de se eleger aos 81 anos, e será o mais velho presidente a tomar posse no mundo democrático, eleito pelo povo. Jamais se viu nada igual.

Como a vida média do homem brasileiro é de 74 anos, na eleição Lula estará fazendo hora extra há sete anos. Suas chances de sobrevivência diminuem a cada dia, porque o tempo não para, como lembrava o cantor Cazuza, que procurava uma ideologia para viver e não encontrou.

Se ficar impossibilitado de exercer a presidência em função da idade, o criador do PT será substituído por Geraldo Alckmin, que é sete anos mais jovem, mas nunca foi, não é nem jamais será petista. Isso significa que o partido ficará sem voz, futuro ou destino. Sem Lula, o PT “non ecziste”, diria padre Quevedo, o velho desmistificador de charlatães.

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P.S. –
Perto dos 81 anos, mais cansado de guerra do que a Tereza Batista criada por Jorge Amado, Lula terá de esgotar suas energias em mais uma campanha. Será que vale a pena gastar assim a fase final da vida? É um político milionário, enriquecido ilicitamente e que hoje diz ser “um socialista refinado”, mas não tem como aproveitar o que resta pela frente… E vida que segue, como diria nosso amigo João Saldanha, que faz muita falta, especialmente em ano de Copa. (C.N.)

Com Caiado, Kassab abre o baú de surpresas e mostra que a terceira via é viável

PSD lança Caiado ao Planalto e tenta formar a 'terceira via'... #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Desde a eleição de 2018 já se sabia que a polarização entre Lula e Bolsonaro despertava muita insatisfação. Mesmo assim, acabou prevalecendo, devido às circunstâncias do momento. E o grande filósofo espanhol Ortega y Gasset (1883/1955) já definiu que “o homem é o homem e suas circunstâncias”, pois tudo depende da época e do contexto em que se vive.

Assim, a polarização levou a política brasileira ladeira abaixo, apesar do inconveniente radicalismo de Bolsonaro e da alta rejeição ao PT desde o fracasso de Dilma Rousseff e seu impeachment, em função das pedaladas do irresponsável Guido Mantega.

IMPUNIDADE – Aliás, Mantega foi o ministro que ficou à frente da Fazenda por mais tempo (9 anos), mas escapou ileso e não sofreu a menor punição pelos crimes de responsabilidade cometidos ao maquiar as contas públicas, vejam como a impunidade é uma circunstância do Brasil.

Quanto ao primeiro turno da eleição de 2018, a facada desferida por Adélio Bispo influiu no resultado e Jair Bolsonaro (PSL) liderou com 46,03% dos votos válidos, seguido por Fernando Haddad (PT) com 29,28%, levando a disputa para o segundo turno.

No total, 13 presidenciáveis concorreram, mas a polarização falou mais alto e destruiu a terceira via. Entre os onze candidatos restantes, somente Ciro Gomes (PDT) obteve uma votação razoável, com 12,47%, enquanto o quarto colocado, Geraldo Alckmin (PSDB) não passava de 4,76%.

DESCONTAMENTO – O fato é que realmente a polarização desperta desagrado desde 2018, pois no segundo turno a abstenção surpreendeu, atingindo 21,30% dos eleitores, enquanto os votos nulos foram 7,43% e os brancos, 2,14%. Ou seja, mais de 30% dos eleitores não aceitaram votar em Bolsonaro ou em Lula.

O desagrado com a polarização na verdade deve ser considerado ainda maior, porque muitos descontentes acabaram optando por Bolsonaro ou Haddad, pela circunstância de votar no menos pior, digamos assim.

Com a pandemia e o flagrante despreparo político-administrativo de Bolsonaro, que rivaliza com Lula neste quesito, em 2022 a insatisfação continuava latente, mas não teve força para derrotar a polarização, porque os candidatos da terceira via eram tão fracos que a senadora Simone Tebet (MDB) foi a terceira colocada, com apenas 4,16% dos votos válidos, à frente de Ciro Gomes (PDT), que teve escassos 3,04%.

OUTRA REALIDADE – Quatro anos se passaram e agora é outra realidade. Muitos políticos perceberam que a polarização está enfraquecida. Essa condição animou os governadores Romeu Zema (MG), Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Júnior (PR) e Eduardo Leite (RS) a se apresentarem como pré-candidatos, por entenderem que a terceira via tem chances.

Mas o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também percebeu e usou a força crescente de seu partido para atrair Leite e Caiado para disputar a candidatura com Ratinho. Com isso deu um tranco enorme na política, o PSD ganhou visibilidade jamais imaginada e Caiado já mostra ser um candidato com possibilidade de vitória.

Nessas manobras, Kassab traiu Ratinho e Leite, por saber que ambos são independentes e jamais aceitariam ser conduzidos por ele. É claro que Caiado também não aceita, somente se filiou ao PSD no último dia 14, mas já vai fazer 77 anos, é sua última eleição e, se vencer, não perturbará Kassab de forma alguma, muito pelo contrário.

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P.S. –
Lula e Flávio Bolsonaro estão apavorados com a estratégia de Kassab, o senhor dos anéis, que sabe como o jogo deve ser jogado. O próximo lance é a escolha dos vices. No desespero, Lula se curvou diante de Geraldo Alckmin, sonhando em captar novamente os votos do centro. Quanto a Flávio Bolsonaro, está de bobeira e já deveria ter convidado a senadora Tereza Cristina, líder do PP. Por fim, circulam informações de que Caiado e Kassab vão convidar Romeu Zema, do Novo, para ser vice. Se tiver juízo, Zema deve aceitar. Por enquanto é só isso, mas já dá para sentir um cheiro de queimado lá pelos lados da polarização. (C.N.)

“Collor venceu Lula em 1989 e agora será a vez de Caiado”, afirma Kassab

ronaldocaiado, seja oficialmente muito bem-vindo ao PSD. Sua enorme  experiência na política, e sua gestão como governador, entre as mais bem  avaliadas do Brasil, reforçam nosso compromisso de termos no PSD os

Caiado promete anistiar os golpistas logo no primeiro dia

Carlos Newton

Eufórico durante o evento para lançar a pré-candidatura do governador goiano Ronaldo Caiado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, comentava com membros da Comissão Executiva que o partido tem muita chance de vencer essa eleição. Seu argumento é de que, se em 1989 o então governador alagoano Fernando Collor conseguiu derrotar Lula, sendo candidato por um pequeno partido, o PRN, que nem existe mais, agora será a vez de Caiado, que muito mais conhecido e tem apoio de um dos maiores partidos do país.

Kassab, que se considera dono do PSD e atua como se fosse um senhor dos anéis, despreza a legislação eleitoral e indica candidato a Presidência sem promover prévias nem convocar convenção nacional.  

FALSA COMISSÃO – Desta vez, simplesmente formou uma comissão, integrada por ele, Guilherme Afif Domingos, Jorge Bornhausen e Andrea Matarazzo, e liquidou a fatura, embora houvesse outros dois pré-candidatos muito fortes – os governadores Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, que se tornaram dois perdidos numa política suja, sem saber o que fazer da vida, como diria o dramaturgo e ator Plínio Marcos.

O lançamento de Caiado, que ia disputar de qualquer jeito e somente se filiou ao PSD no dia 14, depois que Kassab lhe garantiu a candidatura, balançou o coreto de outros candidatos, porque é um político experiente e vai tirar votos de todos eles.

Sabe-se que o petista Lula tem, no máximo, 33% dos votos, o que é suficiente para chegar ao segundo turno. Mas depende de quem for o rival, para vencer a eleição. Os adversários mais fortes são Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, que correm na mesma faixa.

CAIADO SURPRENDEU – Logo em seu primeiro discurso, Caiado surpreendeu, ao apresentar um programa e governo consistente e viável, mostrando que não está para brincadeiras.

Sua principal bandeira visa a atrair o voto de bolsonaristas, ao afirmar que seu primeiro ato como presidente seria a concessão de uma anistia, buscando, segundo ele, a pacificação do país.

Na área econômica, defendeu a exploração e processamento de minerais críticos, como as terras raras pesadas. Caiado citou o modelo implementado em Goiás como referência para o país deixar de ser apenas exportador de matéria-prima.

Propôs parcerias com os governos dos Estados Unidos e Japão para promover a indústria de separação desses minerais, essenciais para a fabricação de baterias, imãs e equipamentos de alta tecnologia. E disse mais, muito mais, mostrando que tem bala na agulha também contra a criminalidade.

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P.S. –
Já ia esquecendo. Ao ser aceito por um partido grande, Caiado consolida o apoio do agronegócio, que vai encher de dinheiro sua campanha, deixando Kassab quase desfalecido de tanta felicidade. Como senhor dos anéis e dono do PSD, ele tem a chave do cofre do partido e não empresta para ninguém. (C.N.)

Comportamento do Supremo tornou-se indesculpável, indefensável e intolerável

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio. #DiasToffoli #bancomaster #justiça #master #STF #lula #moraes #chargejc #chargejornaldocommercio #chargethiagojc #chargethiagolucas #chargethiagolucasjc *digital

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

Carlos Newton

Não é segredo nem informação sigilosa, todos sabem que os atuais membros do Supremo Tribunal Federal não ingressaram nessa histórica instituição por seus méritos pessoais, como reputação ilibada e notório saber, pois foram escolhidos  por circunstâncias exclusivamente político-partidárias.

Protegidos pelo manto sagrado da toga, eles se julgam impuníveis, como se a função lhes protegesse das próprias leis que juraram obedecer ao assumir no STF, quando se comprometeram a cumprir a Constituição Federal, exercer com dignidade o cargo de ministro e observar a ética e as leis do país.

FALSO JURAMENTO – Pode-se dizer, sem medo de errar, que a quase totalidade dos ministros incorreu em falso juramento, pois estão se multiplicando cada vez mais os exemplos de decisões e acórdãos que violam as leis e até a Constituição.

Ao agir assim, protegidos pela redoma que criaram e garantidos pelos corpulentos seguranças remunerados com recursos públicos, os ministros estão convictos da impunidade corporativa, que os torna tão inimputáveis quanto as crianças, os desequilibrados mentais ou os indivíduos com desenvolvimento incompleto, como os indígenas ainda não aculturados.

Mas essa impunidade dos ministros do Supremo vai acabar, porque ainda vivemos num país  onde a imprensa é livre e a liberdade de expressão está garantida, circunstâncias que são a base de toda democracia.

ABERRAÇÃO JURÍDICA – Na sexta-feira, dia 27, o Estadão foi veemente, ao denunciar que, a um só tempo, o plenário do Supremo conseguiu a proeza de parir uma aberração jurídica e ofender a inteligência alheia numa única sessão, ao. validar, sob nova roupagem, os chamados penduricalhos, vedados expressamente pela Constituição.

A propósito, a respeito desses supersalários imorais e inconstitucionais que estão passando a ser em parte legalizados, precisa ser esclarecido se os quinquênios garantidos à nomenklatura estatal serão considerados “verba indenizatória”, o que é uma heresia insuportável.

Na verdade, trata-se de “gratificação” e sobre ela tem de incidir Imposto de Renda, que os privilegiados juízes e membros  do Ministério Público não estão acostumados a recolher. São 27,5% que devem incidir sobre essa vantagem adicional. Mas quem se interessa?

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Os atuais membros do Supremo costumam se vangloriar, dizendo que foram salvadores da democracia. Não percebem que, aos poucos, acabaram se tornando os maiores inimigos da democracia. Agora, chegamos a uma deterioração jurídica de tal gravidade que um ministro do STF resolveu impor restrições ao compartilhamento de relatórios de inteligência financeira, produzidos pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Esses relatórios detalham movimentações bancárias suspeitas de pessoas físicas ou jurídicas, fundamentais para indicar lavagem de dinheiro da corrupção e do narcotráfico. As agora informações só poderão ser requisitadas se houver uma investigação formalmente aberta, ou em um processo administrativo e judicial de natureza sancionadora, e o pedido tem que tratar especificamente do alvo da investigação. Surge, então a pergunta que não quer calar: Por que Alexandre de Moraes tomou essa decisão? Ora, como diz o jornalista Mario Sabino, o ministro tem 129 milhões de motivos para se proteger de investigações, porque seus atos são indefensáveis, intoleráveis e indesculpáveis. Apenas isso. (C.N.)

Lula, Planalto e PT temem que ex-sócio de Vorcaro também faça delação premiada

Augusto Lima pode ser obrigado a fazer delação premiada

Carlos Newton

Em meio ao enorme suspense sobre a delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, o Palácio do Planalto agora tem uma preocupação adicional, com a possibilidade de haver também outro acordo de colaboração com o empresário Augusto Ferreira Lima, que era sócio de Vorcaro e é considerado a segunda carta do baralho do banco Master, 

Augusto Lima, conhecido como Guga, contratou o escritório Figueiredo & Velloso Advogados, um dos mais influentes de Brasília, que desde 2010  atende a acusados de corrupção que sofreram operações de busca e apreensão, realizadas pela Polícia Federal.

RELAÇÕES COM O PT – A situação de Guga Lima preocupa demais o Planalto e o PT. De todos os envolvidos no caso Master, ele é o que mais tem relações com os petistas, iniciadas lá atrás, em 2018, quando o atual líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), chefiava a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia,  durante a gestão do então governador Rui Costa (PT), atual ministro-chefe da Casa Civil.

Augusto Lima se ligou aos petistas baianos ao entrar na disputa pelo chamado crédito consignado, para descontar empréstimos diretamente no salário dos servidores públicos e aposentados estaduais. Isso ocorreu ao  vencer uma licitação de venda da Empresa Baiana de Alimentos, quando criou o CredCesta, um cartão de crédito consignado com juros abaixo do mercado.

A iniciativa rendeu frutos e Augusto Lima resolveu implantar o esquema do cartão em outros estados. Foi nessa época, em 2020, que ele se aproximou de Vorcaro, que agredia o mercado pagando altos juros nos CDBs. Assim, Guga Lima entrou, em 2020, na sociedade do Master levando o CredCesta, que virou um dos principais ativos do banco.

FORA DA SOCIEDADE – Agora, Guga Lima está apavorado e tenta escapar das investigações, alegando  que se afastou do Master e de Vorcaro antes da crise, 

O advogado Pedro Ivo Velloso, um dos sócios do escritório que defende Guga Lima, faz o que pode em favor do cliente. Diz que a situação dele é bem diferente do envolvimento de Vorcaro. Açega que a  relação com Vorcaro nunca foi próxima e o próprio Lima pediu para deixar a sociedade no Master, em maio de 2024, porque descobrira irregularidades de Vorcaro.

Bem, tudo isso tem de ser provado, porque Augusto Lima também está na mira da Polícia Federal. Após sair do Master, ele assumiu o controle do banco Voiter, que mudou seu nome para banco Pleno, e também foi liquidado pelo Banco Central.

FAZER DELAÇÃO – Os advogados de Augusto Lima jamais fizeram acordo de delação, mas na situação atual pode ser que não haja alternativa.

Na verdade, o sócio de Daniel Vorcaro é discreto e recolhido. Sentiu o cheiro de queimado e pulou fora antes do barco afundar, mas isso não significa que tenha recebido um alvará antecipado de inocência.

Não se pode esquecer que ele esteve unido a Vorcaro na época em que o Master pagavam juros superfaturados nos CDBs para atrair otários, digo, clientes, e fazia pirâmides colossais com troca-troca de papéis para lavagem de dinheiro. (C.N.)

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P.S. –
Isso significa que Lula, o Planalto e o PT não devem alimentar ilusões sobre a suposta “inocência” de Guga Lima, que pode ficar envolvido de tal forma que somente lhe reste a delação premiada. (C.N.)

Kassab traiu Leite e Ratinho Jr., porque teve “bons motivos” para indicar Caiado 

Por que Caiado deixou o União Brasil e foi para o PSD de Gilberto Kassab

Em janeiro, Kassab fez selfie juntando os três governadores

Carlos Newton

Como diria Ataulo Alves, a maldade dessa gente é uma arte, e por isso não se deve confiar em político. Um bom exemplo dessa realidade é a situação hoje vivida pelos governadores do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e do Paraná, Ratinho Jr., que aspiravam ser candidatos à sucessão de Lula. O problema foi terem confiado no presidente do PSD, Gilberto Kassab, que lhes acenou com a possibilidade de disputar a Presidência.

Uma correção: onde escrevemos que Kassab é “presidente do PSD”, deve-se mudar para “dono do PSD”, porque é isso que acontece. Na verdade, o único objetivo de Kassab era fortalecer o PSD, porque cada líder político que ingressa no partido sempre se filia junto com grande número de aliados e assessores.

PRÓS E CONTRAS – Na verdade, o PSD já tinha um forte pré-candidato – o governador paranaense Ratinho Jr., que está no partido desde 2016 e recebeu com surpresa a filiação de Eduardo Leite em maio de 2025, quando o governador gaúcho deixou o PSDB após nele atuar por 24 anos.

O anúncio ocorreu numa cerimônia festiva em São Paulo, quando Leite assumiu a presidência do diretório estadual do PSD gaúcho e reafirmou sua pré-candidatura à Presidência da República para 2026.

O partido de Kassab então ficou com dois pré-candidatos, Ratinho Jr. e Eduardo Leite, que deveriam disputar a candidatura em prévias ou durante convenção nacional. Porém, na prática, isso não funciona, porque quem faz a escolha é Gilberto Kassab, e estamos conversados.

E SURGE CAIADO… – Em janeiro deste ano, outra surpresa. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, teve sua pré-candidatura recusada pelo União Brasil, deixou o partido e anunciou filiação ao PSD, que assim passou a ter três pretendentes à Presidência da República.   

O governador goiano Caiado aceitou ingressar no PSD, porque houve o compromisso de que não haveria prévias ou convenção, e a escolha do candidato seria feita por uma pequena comissão partidária, integrada por Gilberto Kassab, Jorge Bornhausen, Guilherme Afif Domingos e Andrea Matarazzo.

Reservadamente, Kassab garantiu a Caiado que ele seria o escolhido, mas o governador não acreditou. Participou da festa de filiação, que teve a presença de Ratinho Jr. e Eduardo Leite, tirou fotos com eles e Kassab, mas ficou ressabiado e se recusou a assinar a ficha de ingresso no partido, a ser encaminhada à Justiça Federal.

TRAIÇÃO CONJUNTA – Caiado somente assinou a filiação no dia 16 de março, depois que Kassab novamente lhe garantiu a candidatura. Foi quando Ratinho Jr. percebeu que estava sendo traído por Kassab, ficou furioso e abandonou a pré-candidatura, dizendo que iria se afastar da política para administrar as empresas do pai.

Eduardo Leite, porém, não quis passar recibo. Pegou o avião e foi a São Paulo peitar Kassab, que lhe acalmou, dizendo que o candidato somente será escolhido dia 31 (terça-feira próxima).

Mas era tudo mentira. Em Santa Catarina, o ex-governador Jorge Bornhausen cometeu uma inconfidência e deu declarações dizendo que o candidato já está escolhido por unanimidade e se chama Ronaldo Caiado. Ou seja, Kassab traiu Ratinho Jr. e Eduardo Leite, numa só tacada.

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P.S.
Kassab preferiu Caiado por dois motivos. Primeiro, porque Leite e Ratinho Jr. seriam “jovens e independentes demais”. Ou seja, qualquer um deles, caso se elegesse, poderia se tornar dono do PSD. E o segundo motivo é que Caiado é bem mais velho, vai fazer 77 anos, não ameaça o futuro de Kassab e sua candidatura será patrocinada pelo agronegócio, que vai soltar dinheiro de montão. E o resto é folclore, como dizia nosso amigo Sebastião Nery. (C.N.)