
Charge de Kleber Sales (Correio Braziliense)
Carlos Newton
Se algum escritor genial, como Érico Veríssimo, José Lins do Rego, Jorge Amado ou Guimarães Rosa, tentasse criar um personagem fascinante e altamente prejudicial ao país, jamais atingiria a perfeição alcançada por Alexandre de Moraes, que muitos pensavam fosse uma espécie de salvador da pátria.
Ninguém sabe se a arte imita a realidade ou se é a vida que copia a ficção, mas rapidamente Moraes acabou se revelando um falso jurista, que na verdade sempre buscou o enriquecimento ilícito e agora tem 129 milhões de razões para responder por crimes de responsabilidade e muitos outros mais, como costuma dizer o jornalista Mario Sabino.
RESPEITO ÀS LEIS – O equilíbrio da democracia depende diretamente do respeito às leis, ensinava no Século XVIII o Barão de Montesquieu, ao vislumbrar um futuro político capaz de serenar e estabilizar as relações sociais, para possibilitar o desenvolvimento harmônico das nações.
É claro que o grande gênio da Política não poderia prever detalhes importantes, como essa nefasta influência da polarização entre correntes político-partidárias, que desestabiliza o Brasil, os Estados Unidos e o mundo em pleno Século XXI, quase 300 anos depois da publicação da obra “Do Espírito das Leis”
A deletéria polarização elimina o raciocínio lógico e leva as pessoas à paixão política, não importa o grau de intelectualidade delas. O resultado é que o espírito das leis passa a não importar mais, cada qual busca reinterpretar as leis à sua maneira, como Alexandre de Moraes tem feito incessantemente.
HERÓI NACIONAL – Com essa atuação viciosa e deletéria, o inquieto ministro do Supremo acabou se tornando um herói nacional para os cidadãos-contribuintes-eleitores que rejeitavam os disparates de Jair Bolsonaro na Presidência da República.
Isso significou que Alexandre de Moraes passou a ser imune a erros. Poderia cometer qualquer barbaridade jurídica e estava tudo bem. No entanto, aos poucos começou a haver reação da outra ala da sociedade, que inclui os bolsonaristas e aqueles que simplesmente defendem o primado das leis e abominam a polarização.
Mas o dinheiro sempre fala mais alto. E foi preciso surgir o escândalo do Banco Master, criando inquestionáveis motivos para desmascarar o ministro do Supremo, que agora se exibe como um dos maiores enganadores da História República.
É MAIS UM… – Moraes já chegou a ponto de fazer frente aos gigantes do populismo, como Jânio Quadros, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Lula da Silva, políticos que enganaram durante muito tempo, mas depois apresentaram características pessoais altamente negativas, demonstrando que Montesquieu também não podia prever a existência de demagogos de alta periculosidade e tão grande carisma.
Já caminhando para a desmoralização completa, que deve vir com a revisão criminal das absurdas penas dos “terroristas” do 8 de Janeiro, agora a cargo da Segunda Turma do Supremo, na qual Moraes não atua, finalmente o extravagante ministro apresentou seu canto do cisne, ao suspender a aplicação da Lei da Dosimetria.
Como explicamos aqui na Tribuna, esta legislação foi concebida pelo Congresso justamente para corrigir erros grosseiros praticados por Moraes, inclusive a nova lei foi concebida por relatores de origem conservadora, como o deputado Paulinho da Força e o senador Esperidião Amin.
CRISE GRAVÍSSIMA – Se Moraes conseguir brecar a aplicação da Lei da Dosimetria, provocará uma crise institucional tão grave que pode desestabilizar a democracia brasileira, que já vem funcionando de forma precária, mas ainda está conseguindo se manter.
A partir de hoje, a cúpula do Congresso vai pressionar fortemente o Supremo e levar ao desespero o presidente Edson Fachin, que não tem poderes para refrear os instintos descabidos e autoritários de Moraes. Se essa pressão parlamentar não der resultado, ninguém sabe o que pode acontecer.
Interessante notar que a esquerda ainda idolatra Moraes. Ou seja, é como se o país estivesse de cabeça para baixo, ou ponta-cabeça, como dizem os paulistas. Moraes não é, nunca foi e jamais será de esquerda. Foi inventado por corrupto como Michel Temer, chefe do “quadrilhão do MDB”, e não é preciso dizer mais nada.
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P.S. – Se Montesquieu estivesse vivo, ensinaria a essa gentalha que não existe ditador de esquerda. Todo ditador é de direita, seja em Cuba, na Rússia, na Venezuela ou na Guiné Ocidental. Quem é de esquerda é a democracia. (C.N.)










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