Já passou da hora de o presidente do Banco Central voltar ao mercado financeiro

BC planeja lançar real digital em 2024, diz Campos Neto

Campos Neto diz que juros podem até aumentar em abril

Roberto Nascimento

Se o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, seguisse os princípios éticos de Epicuro e os princípios morais de Kant, já teria pedido para sair do Banco Central. Como se sabe, Campos Neto entrou nomeado pelo então presidente Jair  Bolsonaro e deveria ter saído junto com ele.

É visível o constrangimento do presidente do Banco Central com as pesadas críticas do presidente Lula, de membros do atual governo e até do mercado, principalmente dos líderes empresariais do comércio e da indústria.

NEGÓCIOS TRAVADOS – No entanto, com apoio da maioria dos oito diretores do Banco Central que integram o Comitê de Política Monetária (Copom), o economista Campos Neto insiste em praticar os mais elevados juros reais (descontada a inflação) do planeta.

Sabe-se que juros altos travam os negócios e o crescimento virtuoso do capitalismo. Se ficam estacionados em patamares proibitivos, poucos compram e poucos vendem. Resultado: A arrecadação despenca, aumentando o endividamento público. O melhor exemplo são as recém-iniciadas férias coletivas da indústria automobilística, devido à queda na vendas.

Respaldado no mandato outorgado pelo Congresso, Campos Neto se aferra ao cargo e cumpre as regras que interessam ao mercado financeiro, ao manter a taxa de juros em nível elevado sem que a demanda esteja alta.

RISCO DE ESTAGFLAÇÃO – Como se sabe, demanda reprimida e inflação alta formam a receita infalível para um processo recessivo da economia. Continuando nesse processo, se a inflação não ceder e a demanda seguir contida, atingiremos em pouco tempo a perigosa estagflação, que é a combinação de recessão com inflação.

É isso que deseja o economista Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central? Ninguém sabe, mas sua justificativa da manutenção da taxa básica de 13,75% para a Selic indica que ela está em viés de alta, e não se baixa, e isso parece uma enorme maluquice.

Como quem manda é o Copom e ponto final, temos de esperar o resumo da ata da reunião, que demora alguns dias até ter divulgação. De toda forma, me parece que a política monetária está equivocada, e o presidente do Banco Central deveria pedir demissão e voltar ao mercado, pois os bancos estão de braços abertos para Campos Neto, em função dos serviços a eles prestados, e não ao país.

Depoimento do coronel Naime mostra que militares são blindados e PMs injustiçados

Naime diz que havia “máfia do Pix” e tráfico no acampamento em frente ao QG  | Metrópoles

Coronel Naime liderou a prisão de mais de 400 vândalos

Roberto Nascimento

Impactante o depoimento do coronel Jorge Eduardo Naime, principalmente quando abordou o triste papel desempenhado pelo general Dutra de Menezes, que era comandante militar do Planalto. As Forças Armadas ficaram muito mal no episódio, pois o depoimento do então comandante de Operações da PM do Distrito Federal aponta para as condutas equivocadas do Exército.

O fato concreto é que o Exército se posicionou em defesa dos vândalos que já haviam se revoltado em 12 de dezembro, quando Lula foi diplomado presidente eleito da República.

EXÉRCITO PROTEGEU – Já está mais do que comprovado que os vândalos estavam circulando livremente no acampamento em frente ao Quartel General, conhecido como Forte Apache, onde receberam proteção do efetivo militar do Exército, exposta na foto emblemática dos tanques de guerra direcionados para os soldados da PM, fato que foi abordado no importantíssimo depoimento do coronel Naime, que liderou a prisão de mais de 400 vândalos no dia 8 de janeiro.

Diante dessa realidade inquestionável, advogo a tese de soltura imediata dos policiais militares presos, por questão de justiça e isonomia, porque nenhum integrante das Forças Armadas foi preso, embora se saiba abertamente suas condutas em pró dos vândalos Bolsonaristas.

Por essa razão, a despolitização dos militares, que está sendo conduzida pelo ministro da Defesa, José Múcio, é medida urgente, para a defesa do regime democrático de Direito.

E OS HOTÉIS – Importante destacar, ainda, que a informação do coronel Naime, de que os líderes do movimento golpista fugiram para hotéis, enquanto os manifestantes que os acompanharam no vandalismo do dia 12 de dezembro se refugiavam novamente no acampamento em frente ao QG do Exército.

Assim, os investigadores da Polícia Federal agora têm uma ferramenta para identificar as lideranças pagas para executar a desordem visando um golpe de estado. Precisam requerer aos donos dos hotéis a ficha completa dos hóspedes e as imagens de suas câmeras de vigilância.

Se ainda não tomaram essa providência, estão esperando o quê? Não podemos acreditar que na própria Polícia Federal haja boicote às investigações na

MINISTRO DA MINUTA – O delegado federal Anderson Torres, na condição de ministro da Justiça recebeu a minuta do golpe, conforme foi flagrado pela Polícia Federal, teve assim indicada uma suposta participação nos atos golpistas.

Como se sabe, tudo começou em 12 de dezembro, primeiro com badernas, ataque a posto de gasolina, queima de ônibus e carros em Brasília. Depois, na tentativa de explosão de uma bomba no aeroporto de Brasília visando provocar o caos e uma intervenção militar. E por último, a depredação dos prédios do Congresso, do Supremo e do Planalto.

A participação do ex-ministro da Justiça está sendo investigada pela Polícia Federal. Até agora, o homem da minuta golpista vem matando no peito e não deixou a bola cair no colo daqueles que elaboraram a minuta, dos que a receberam e também de quem mandou produzir o documento golpista.

ARRISCAR A CARREIRA – Será que o delegado Anderson Torres  vai arriscar sua carreira na Polícia Federal e insistir em proteger os golpistas da República?

O depoimento prestado pelo ex-ministro sobre os fatos não exibiu nenhuma relação de causa e efeito. São declarações tão absurdas e sem nexo causal que contribuem para o julgador seguir o caminho da culpabilidade.

Vamos ver se Anderson Torres permanecerá nessa toada ou falará a verdade. Afinal, não está descartada uma delação premiada, que lhe preserve o emprego público e garanta sua aposentadoria, pois ainda não completou tempo de serviço.

Presidentes e autoridades que não cumprem as leis envergonham a todos os brasileiros

Jota Camelo Charges - Uma charge apropriada para o momento. A Constituição  (que exprime a vontade popular) é muito clara sobre o HC, mas a cegueira do  STF é grande. Apoie o

Charge do Jota Camelo (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Acredito que a grande maioria dos brasileiros esteja sentindo uma enorme vergonha, porque a lei tem que ser respeitada, seja quem for o governante. E a regra é clara. Presentes com valor acima de R$ 100,00 devem ser incorporados ao Patrimônio da União.

O mandato outorgado pelo povo, seja para o Executivo ou para o Legislativo, não é um passaporte para a impunidade. Afinal, todos são iguais perante a lei. Ou deveriam ser, claro.

DESFAÇATEZ – Nada se compara à desfaçatez do então presidente Jair Bolsonaro, que proclamava sua honestidade e dizia estar acabando com a corrupção no país. Teve a ousadia de usar um almirante-ministro, um tenente coronel, dois sargentos e um secretário da Receita Federal para tentar se apossar de joias que não lhe pertenciam.

Eram mimos acima de 17 milhões de reais. O valor deve ser até mais, quando forem avaliadas a estatueta equestre de ouro e a outra caixa de joias, que um dos “mulas” de Bolsonaro e do almirante Bento Albuquerque conseguiu passar, burlando a fiscalização da Alfândega.

O ilícito está sendo investigado pela Polícia Federal e as provas são abundantes. Quebraram até as patas da estatueta equestre de ouro, para conseguir colocá-la na mochila, sem ser percebida pelos fiscais.

MINISTRO TRAPALHÃO – Provavelmente, esse sargento-mula-mochileiro, ficou nervoso na hora de passar no canal de inspeção, o fiscal da Aduana percebeu e acionou a luz vermelha, indicando a bancada de inspeção.

Até na escolha do “mula” o então ministro das Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, errou feio e acabou de destruir o que restava da imagem do chefe. Ele sabia que estava infringindo a lei, por isso terceirizou o serviço que ia prestar para Bolsonaro. Depois, mentiu e apresentou três versões diferentes.

Bolsonaro seguiu o mesmo caminho e também mentiu. Como fica agora a sua declaração de que não pediu nem recebeu nenhum presente? Foi pego na mentira pelo recibo da entrega do pacote de joias a ele, no Palácio da Alvorada, a 29 de novembro. Sua narrativa de ser superhonesto então desceu a ladeira velozmente, embora a mentira tenha perna curta.

PAPEL DE MILITAR – Com toda certeza, o almirante Bento Albuquerque não fez papel de militar no governo. Além desse escabroso caso das joias, ele permitiu a venda da refinaria baiana para os árabes e apoiou a privatização da Eletrobras, entre outras decisões antinacionais que tomou no Ministério.

Felizmente, a maioria das Forças Armadas é legalista e impediu a loucura que seria uma intervenção militar, com Bolsonaro no comando e oficiais como Bento Albuquerque ao seu redor.

Bolsonaro não respeita os oficiais superiores. Só vale para ele quem obedece às suas ordens, sem nada questionar. Quem seguiu a cartilha da Ética e da Moral foi demitido sumariamente. Cito o ex-ministro Santos Cruz e o general Rego Barros, do núcleo do Planalto, o ex-ministro da Defesa, Azevedo e Silva, e os três comandantes das Forças Armadas que foram afastados. São militares da mais alta estirpe. Meus parabéns a esses seis valorosos oficiais, que souberam cumprir seu dever.

Grande erro de Bolsonaro foi julgar que uma ditadura poderia ser considerada “liberal”

João Doria on Twitter: "Jornal The New York Times publica charge chamando Bolsonaro de “ditador” e ridicularizando sua micareta de tanques de guerra. Bolsonaro já era uma vergonha nacional. Agora se torna

Charge do Duke (O Tempo)

Roberto Nascimento

Ao contrário do que se apregoa, os valores liberais não são defendidos pela direita extremada que Jair Bolsonaro representa. O liberalismo moderno, ao se opor ao socialismo, nunca se posicionou contra a ciência ou contra a preservação do meio ambiente,  muito menos a favor do culto à personalidade.

O liberalismo sempre é e sempre foi a favor da independência dos Três Poderes. Seus ideais jamais incluíram a tomada do poder pela força das armas, mas sim pelo voto, porque liberalismo não pode ser sinônimo de ditadura oriunda de intervenção militar, como Jair Bolsonaro e os generais do Planalto pensaram implantar no país.

REGIME DE FORÇA – Não existe ditadura de direita ou de esquerda, conservadora ou progressista. Não importa a tendência político-ideológica de seus líderes, no final acaba sendo apenas um regime militar, ou seja, uma ditadura.

Com seu desatinado delírio ideológico, Jair Bolsonaro conseguiu a proeza de reconduzir o PT ao poder. Os eleitores se assustaram com sua incompetência como governante e com seu radicalismo ao desdenhar a gravidade da pandemia, um gravíssimo erro que agora ele até reconhece ter cometido. E assim jogou para perder e conseguiu se tornar ser o primeiro presidente a não ser reeleito, depois a era FHC.

ALTERNÂNCIA NO PODER – As divergências políticas são saudáveis e garantem que ocorra a alternância no poder, uma característica da democracia. Olhem as flores do campo, nenhuma é igual a outra.

O objetivo comum da maioria dos eleitores não foi simplesmente um apoio a Lula e à volta do PT. O que se pretendia era evitar um segundo mandato de Bolsonaro, porque seria um desastre. E a guerra civil estaria no radar dessa turma extremada.

O fato positivo foi saber que a cúpula das Forças Armadas é hoje formada por oficiais legalistas, que não aceitaram descumprir a Constituição e repeliram a “intervenção militar federal”, como foi apelidado o golpe que fracassou. Porém, se dependesse dos generais que cercavam Bolsonaro, estaríamos hoje em novo regime de força. E quem concordaria com isso?

Roberto Campos Neto deveria ter se afastado lá atrás, no escândalo do Pandora Papers

Dados de 15 mil offshores do Pandora Papers são publicados | Metrópoles

Guedes e Campos não gostam de pagar impostos no Brasil

Roberto Nascimento

Em relação à polêmica sobre os juros, entendo que o presidente do Banco Central está equivocado. Não se justifica elevar a taxa de juros ou mesmo mantê-la nesse patamar alto, quando a inflação está pouco acima da meta. Há evidências de que o economista Roberto Campos Neto (sim, ele mesmo, que prefere investir nos paraísos fiscais do que em sua pátria) perdeu as condições de credibilidade para permanecer como comandante da política monetária.

Campos Neto deveria pedir para sair, quando Bolsonaro perdeu as eleições. Mas se aferra ao cargo, está se lixando para os preceitos éticos e morais, já que fez campanha para Bolsonaro, saindo fora da curva da isenção para continuar no novo governo.

AUTONOMIA ACERTADA – Não está em questão a Independência do Banco Central, votada pelos representantes do povo, no Senado e na Câmara, e que, a meu juízo, foi uma decisão acertada.

Deixo aqui, uma sugestão para que seja estipulado um mandato de quatro anos, a partir da eleição do novo presidente a quatro anos. Se o presidente errar na escolha, o problema é dele.

Na verdade, no esquema atual o sistema financeiro manda nos presidentes do Banco Central. Esse Campos Neto só faz obedecer a ciranda financeira, provocada pelos juros altos, que interferem em toda a cadeia produtiva.

SEM DEMANDA – Nada justifica os juros elevados sem que haja o processo de alta demanda no comércio e na indústria. Se poucos brasileiros estão comprando, evidente que a inflação não é o problema.

O então ministro da Economia, Paulo Guedes, e o próprio Campos Neto fizeram campanha para Bolsonaro. Portanto, se fosse um cidadão ético, o presidente do Banco Central deveria pedir demissão do cargo, por incompatibilidade ideológica com o novo governo.

Mas, ele não irá pedir demissão. Deveria ter saído lá atrás, pois fez algo ainda pior e continuou no governo Bolsonaro, e me refiro ao escândalo Pandora Papers, com a descoberta de investimentos de Campos Neto e de Paulo Guedes nas Ilhas Virgens Britânicas, para não pagar impostos no Brasil. A desculpa deles era de que investir lá fora não é crime. Pode até ser legal, mas, seria ético para um servidor público de tamanho destaque e influência na política econômica? Só no Brasil, mesmo…

Não se deve esquecer que o Brasil acaba de se livrar de uma guerra civil, motivada por fake news

Diretor de 'Sinfonia de um homem comum' diz que história de José Maurício Bustani é 'inacreditável' | Cinema | G1

Bustani tentou evitar a invasão do Iraque pelos marines

Roberto Nascimento

Para não dizerem que escrevo somente sobre as flores raras brasileiras, os Estados Unidos viveram também um momento pré-apocalíptico com a invasão do Capitólio, movimento incentivado pelo ogro presidente Donald Trump e seu marqueteiro Steve Bannon, destinado a provocar uma carnificina com morte de senadores e assim, impedir a cerimônia de posse do presidente eleito, Joe Biden. A segurança do Capitólio impediu o massacre, mas cinco pessoas morreram.

Então, a insanidade não é privilégio do Brasil. Relembro esse fato, repontando-me ao belo artigo do jornalista Bernardo Mello Franco, no jornal O Globo deste domingo, dia 12, sob o título: “Tributo à integridade”.

UM HOMEM COMUM – Mello Franco cita cenas do filme: “Sintonia de um homem comum”, baseado na trajetória do embaixador brasileiro José Maurício Bustani, que comandava na ONU a Organização para Proibição de Armas Químicas, no final do governo Fernando Henrique.

O documentário do cineasta José Joffily mostra que Bustani foi afastado do cargo, por se negar a embarcar na mentira americana de que o Iraque possuía armas químicas.

Entrou em rota de colisão com o então presidente George W. Bush, que estava decidido a invadir o Iraque, mas precisava de um pretexto para receber autorização do Congresso e declarar guerra.

ESCUTA TELEFÔNICA – Os arapongas norte-americanos instalaram escuta telefônica no gabinete do embaixador brasileiro em Haia, e Bustani virou alvo de difamação. Ao mesmo tempo, sua mulher foi avisada do perigo da água que ele bebia. E o embaixador americano na ONU, John Bolton, ameaçou o embaixador brasileiro, ao lhe afirmar que sabia onde seus filhos moravam.

Até o então Secretário da Defesa dos EUA, general Colin Powell, entrou nessa onda sobre o inexistente arsenal de armas químicas do Iraque. Quando a farsa foi desmontada, Powell disse que foi induzido a erro. Era um homem digno, foi o único a fazer “mea culpa”.

Resultado das informações mentirosas dos espiões norte-americanos: o país foi arrasado, 300 mil iraquianos mortos e 5 mil americanos também perderam a vida, devido a uma fake news oficial e internacional.

LAVANDO AS MÃOS – O Itamaraty (chanceler Celso Lafer) e o Planalto (presidente FHC) lavaram as mãos, fazendo um acordo com os americanos para a retirada do embaixador brasileiro que comandava a Agência da ONU baseada em Haia. E o sucessor de Bustani fez o jogo sujo dos americanos.

Comparo a informação mentirosa da Casa Branca, forjando a existência de armas químicas do Iraque, com as falsas denúncias de fraudes nas urnas eletrônicas no Brasil.

Cada um dos dois tinha um objetivo. George W. Bush, nos Estados Unidos, conseguiu concretizar seu sinistro propósito, mas Jair Bolsonaro fracassou. No entanto, se aquela bomba no Aeroporto de Brasília tivesse explodido a bordo de um caminhão de combustível, levando pelos ares o Terminal de Passageiros, quantos mortos estaríamos lamentando agora?

REPETIR É PRECISO – Em certos momentos, o leitor da Tribuna pode tender a achar que os comentários sobre os quatro anos de trevas do governo anterior carregam na tinta ou sejam repetitivos.

Muitas vezes, repetir é necessário, para não cair no esquecimento. Se toda a cronologia do golpe tivesse obtido êxito, estaríamos agora vivendo uma guerra civil, com irmãos lutando contra irmãos, Norte contra Sul. E nessa carnificina a infraestrutura nacional retrocederia à época da  República Velha.

Se aquela bomba no Aeroporto explodisse, repita-se, não teríamos a posse do novo presidente eleito, então, o caminho se abriria para uma destruição muito maior. Escapamos por pouco de um estrago de grandes proporções, com milhares de vítimas, na maioria inocentes.

Senador Marcos do Val perde a confiabilidade, porque já começou a dar o dito pelo não dito…

Marcos do Val alterou versão sobre plano para impedir posse de Lula.

Marcos do Val alterou sua narrativa sobre o plano golpista

Roberto Nascimento

O surpreendente senador Marcos do Val (Podemos-ES), depois de aprontar uma crise política gravíssima, deu novas declarações nesta quinta-feira, dia 2, mudando o que tinha anunciado e agora diz aos jornalistas que não vai mais renunciar. Revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o Zero Um, foi ao seu gabinete pedir para ficar.

É muito estranho, porque nas páginas amarelas da Veja ele acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-deputado Daniel Silveira (PL-RJ) de o terem envolvido numa trama golpista que envolvia a gravação clandestina de palavras do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo.

CIA, KGB E ABIN– É muito estranho isso, porque de repente Marcos do Val passou a atacar também ataca o presidente Lula e o atual ministro da Justiça, Flávio Dino.

A confusa narrativa do senador dá a entender que o senador trabalha ora pela CIA, ora pela KGB. E, nas horas vagas, faz bico na ABIN.

Concluo que Marcos do Val não deve ser levado a sério, porque é um personagem pastelão. Ao que parece, essa nova direita extremista quer levar o Brasil para o fundo do poço e quando chegar lá, se lograrem êxito, não volta para a superfície. Mas ainda acredito que os homens de bem não vão deixar o país sair do rumo.

AGENTES DO MAL – Da mesma forma, o presidente do PL, ex-presidiário Valdemar Costa Neto, com suas declarações sobre a existência de várias minutas do golpe contra a democracia, para manter Bolsonaro no poder, tem objetivo de confundir as investigações e desviar o holofote que estava virado para o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, Anderson Torres, que foi nomeado pelo governador do DF, Ibaneis Rocha, para Secretaria de Segurança do DF.

Torres deixou as forças policiais sem eira nem beira, liberou nove comandantes de Batalhões, numa espécie de férias coletivas e viajou para Orlando, às vésperas do caos na Praça dos Três Poderes, com aquele bando de vândalos, quebrando tudo que viam pela frente.

Valdemar Costa Neto, o chefe do PL, também contestou as urnas eletrônicas, sem nenhum fato que corroborasse as suspeitas de fraude. Quando levou uma traulitada do presidente do TSE, que multou o partido e bloqueou as conyas, ele se arrependeu, afirmando que não deveria ter atendido o pedido de Bolsonaro para entrar com a contestação. É sempre assim, com certas figuras, que no sufoco entregam a própria mãe às autoridades.

Precisamos agradecer ao Alto-Comando do Exército por não ter aceitado o golpe

Exército emite nota interna em defesa de generais do Alto Comando chamados  de comunistas - Estadão

General Freire Gomes comandou a rejeição ao golpe

Roberto Nascimento

Tenho repetido à exaustão sobre o perigo que o país correu no final desses quatro anos de tragédia grega. O ápice foi o ato golpista do dia 8 de janeiro, na Praça dos Três Poderes. Porém, duas tentativas anteriores também fracassaram, quando o golpe estava pronto para ser desfechado, mas faltou o principal – o apoio do Alto-Comando do Exército.

O primeiro ato foi o vandalismo em Brasília na noite de 12 de dezembro, quando Lula e Alckmin foram diplomados como presidente e vice, não havia recursos pendentes na Justiça Eleitoral para impedir a posse.

VANDALISMO IMPUNE – Na noite/madrugada de 12 para 13 de dezembro, os manifestantes bolsonaristas incendiaram cinco ônibus, depredaram outros sete, destruíram vários automóveis, saíram arrebentando o que viam pela frente, invadiram um posto de gasolina, roubaram 40 botijões de gás e tentaram incendiar o local.

O vandalismo durou horas, mas ninguém foi preso. A Polícia Militar assistiu a tudo, inerte, como se estivesse protegendo os agitadores bolsonaristas.

No dia 24, véspera de Natal, o vandalismo virou ato terrorista. Colocaram uma bomba-relógio num caminhão de combustível para explodir no estacionamento do Aeroporto de Brasília. A bomba foi ativada, mas, felizmente, falhou. Seria uma tragédia, acompanhada de incêndios e mortes. E esse caos se tornaria a senha para o golpe, através da decretação do Estado de Defesa.

MINUTA DO DECRETO – O documento do decreto já estava redigido, praticamente pronto para ser assinado por Bolsonaro, e foi encontrado em busca e apreensão na casa do ex-ministro da Justiça, o delegado federal Anderson Torres, que já está preso.

As apurações, ainda em sigilo, apontam para um advogado carioca, que teria redigido a minuta  golpista, um jurista melhorou o documento a luz da Constituição e o golpe tinha apoio de parlamentares e do braço militar, a chamada ala frotista, assim chamada por serem herdeiros do radicalismo do general Sylvio Frota.

Na calada da noite, Bolsonaro e a cúpula frotista, formada por seu candidato a vice, general Braga Netto, e pelos ministros da copa e cozinha do Planalto, Luiz Eduardo Ramos e Augusto Heleno, reuniram-se em mais de uma ocasião para discutir a minuta e o momento propício para sua execução, através da decretação do Estado de Defesa. No entanto, a bomba não explodiu no Aeroporto, o plano golpista foi novamente adiado;

ÚLTIMA CHANCE – A invasão da Praça dos Três Poderes foi a tentativa derradeira. A cúpula golpista esperava que o presidente Lula usasse o artigo 142 da Constituição e convocasse as Forças Armadas para restabelecer a ordem pública. Mas Lula não nasceu ontem, e a insurreição morreu ali mesmo.

Só escapamos de um golpe devido ao espírito público de patriotas de verdade, que pensaram no futuro da pátria. Em dezembro, quando o Exército ainda estava sob comando do general Freire Gomes, o Alto-Comando se recusou a aceitar o golpe. Aos generais da cúpula devemos a estabilidade institucional que o país está retomando.

Quanto aos traidores da democracia, um dia eles vão prestar contas e suas consciências irão martelar os neurônios, até o último suspiro de cada personagem. Homens menores, sem sangue nas veias e de almas frígidas, estão destinados a vagar no último girão do Inferno de Dante. São militares de péssima categoria, sem qualquer compromisso com a pátria que juraram defender.

Ao depor, Anderson Torres terá de revelar como a minuta do golpe foi parar na casa dele

Entenda por que Anderson Torres foi preso pela Polícia Federal

Depoimento do ex-ministro é considerado fundamental

Roberto Nascimento

A chamada minuta do golpe, encontrada na casa do delegado Anderson Torres, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, foi elaborada por diversas mãos golpistas. O delegado federal não pode pagar sozinho pela aventura, pois os comparsas antidemocráticos estão entrincheirados no Legislativo, no Executivo e no Judiciário, além dos empresários que financiaram o golpe.

Os brasileiros escaparam de um regime autoritário implacável, porque representantes da onipresente linha dura militar declararam, em várias ocasiões, que o erro do golpe de 1964 foi ter sido benevolente demais, apesar da comprovação de numerosos casos de tortura e assassinato de presos políticos.

VINDO À TONA – Os fatos escabrosos da atual tentativa de golpe começam a vir à tona, clareando a participação dos principais envolvidos, e as investigações já estão chegando aos financiadores desse movimento contra a democracia.

Para sorte do Brasil, os militares fiéis a Constituição ainda são maioria e não aderiram à sede de poder de Bolsonaro e de sua entourage militar e civil.

Ficou claro que o então presidente teve de recuar e não quis assumir sozinho a decretação do “estado de defesa”. Seu objetivo era mesmo a intervenção das Forças Armadas, para anular as eleições e prender meio mundo, de modo a justificar sua eternização no poder.

AMADORISMO GROTESCO – Importante assinalar que parlamentares, empresários, juristas e militares da linha dura estavam mancomunados nessa teia do mal contra a nação, que somente não seguiu adiante devido à discordância do Alto-Comando do Exército.

A minuta do decreto golpista demonstra o amadorismo grotesco de quem elaborou aquela insanidade. Com o depoimento do ex-ministro Anderson Torres, nesta semana, certamente ficaremos sabendo quem foi o autor de uma manobra que tinha tudo para dar errado, porque o estado de defesa ou estado de sítio precisam ser aprovados pelo Congresso, e essa possibilidade era e é inexistente. Liderados por Arthur Lira (Câmara) e Rodrigo Pacheco (Senado), os parlamentares jamais referendariam essas medidas de exceção.

O delegado federal Anderson Torres nega a autoria. Isso significa que terá de apontar quem lhe entregou a minuta, à época em que comandava o Ministério da Justiça. É um capítulo crucial nessa novela do golpe que quase foi cometido contra a democracia.

Atentados do domingo só ocorreram porque todos os setores de segurança fracassaram

Atentado à democracia, associação criminosa e mais: entenda possíveis  acusações judiciais a bolsonaristas por atos em Brasília | Política | O  Globo

Soldado apeado e agredido diante da estátua da Justiça

Roberto Nascimento

Um reparo sobre as saucessivas entrevistas do ministro da Justiça, Flávio Dino, para atualizar as ações do Ministério sobre as prisões dos vândalos. Considero que são didáticas e muito bem conduzidas. Dino passou em primeiro lugar no concurso para juiz federal, do qual Sérgio Moro também passou, logo Flávio Dino tem expertise na Ciência do Direito, foi governador do Maranhão por dois mandatos, enfim, seu protagonismo tem gerado ciúme na ala petista do governo.

Se pudesse, diria para ele tomar cuidado para não repetir o erro do ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Henrique Mandetta, que na pandemia era a voz diária do governo, chegando a atingir 80% de popularidade. Bolsonaro, enciumado, demitiu seu ministro.

ATOS DE VANDALISMO – Quanto aos atos de vandalismo deste domingo, a falha da segurança foi geral, ampla e Irrestrita. Dino errou por ter confiado no governador de Brasília, Ibaneis Rocha, filiado ao MDB, mas fechado até a alma com os objetivos do Bolsonaro.

Ocorreu uma tragédia anunciada, que vinha sendo preparada desde 2018 e o ensaio geral ocorreu no Sete de Setembro de 2021, com o discurso golpista de Bolsonaro na solenidade militar. Tentou novamente um ano depois no Sete de Setembro de 2022, em Copacabana, porque os chefes militares não concordaram com o ato em Brasília.

Já havia tentado em frente ao Forte Apache também em 2021, quando sobrevoou de helicóptero e depois desceu e participou de uma manifestação de apoiadores em frente ao Quartel- General. O ministro da Defesa e o comandante do Exército não concordaram e Bolsonaro os demitiu, nomeando subordinados que pensavam como ele.

SEM JUSTIFICATIVA – As falhas foram tantas, que não têm justificativa. O secretário de segurança nomeado pelo governador, Anderson Torres, (ex-ministro da Justiça de Bolsonaro, viajou de férias para Orlando, nos EUA, para se encontrar com o ex-presidente. Antes, trocou um profissional especialista em sublevação e antiterrorismo.

Comandantes de batalhões da PM do Distrito Federal não estavam em Brasília. O secretário de Segurança substituto, interino de Anderson Torres, disse ao governador que estava tudo tranquilo, numa boa, sem problemas. Não estava.

E o Gabinete de Segurança Institucional no Planalto agiu com leniência diante dos vândalos e policiais mutantes foram filmados guiando os bandidos para áreas sensíveis do Planalto e do Congresso.

VANDALISMO ANTERIOR – Além de tudo isso, não foram levados em conta os atos de vandalismo do dia 12 de dezembro e a tentativa de explodir uma bomba no Aeroporto de Brasília, que só não ocorreu devido à incompetência dos autores e à ação rápida da PM.

Portanto, o ministro Dino é um elo da corrente, que tem a sua cota-parte, porém a tragédia anunciada foi negligenciada por todo o governo Lula, que não teve a malícia suficiente para perceber a armadilha montada contra o Estado de Direito.

Se aquela bomba explodisse no dia 12 de dezembro e o ataque dos vândalos de oito de janeiro resultasse em mortes e feridos, a Primavera brasileira (ou Verão Antidemocracia) seria deflagrada e os esquerdistas, jornalistas, artistas, intelectuais etc… seriam novamente encarcerados nos porões dos quartéis com passagem de ida, sem direito a nada.

SOB AMEAÇA – O perigo ainda existe, é latente e vai durar por muito tempo. Qualquer deslise do novo governo, o Estado será outro, forte, autoritário, mortífero e sem nenhuma possibilidade de reação da sociedade.

No golpe de 1964, as forças democráticas consideravam lunáticos aqueles que diziam da preparação da deposição de João Goulart. Pois bem, em 31 de março, as tropas tomaram as ruas do país e a ditadura furou longos 21 anos.

Todo cuidado ainda é pouco, é preciso cautela e pensar o que podemos fazer para não provocar a fera com vara curta. Por falar nisso, o papel dos militares legalistas que não foram na onda do golpista e não aderiram ao golpe com Bolsonaro no Poder deve ser preservado e enaltecido. Esses militares legalistas estão no controle, mas, podem perde-lo, se as Forças Armadas e o atual ministro da Defesa forem atacadas pelos políticos.

Especialista na arte da traição, o clã Bolsonaro agora colhe o que plantou

Diário Oficial sai sem demissão de Gustavo Bebianno

Primeiro a ser traído foi Gustavo Bebianno, amigo íntimo

Roberto Nascimento

O pronunciamento do general Hamilton Mourão, como presidente interino, foi uma mensagem direta às Forças Armadas, para lembrar aos oficiais mais jovens que o golpismo não é novidade entre os militares e precisa ser mantido sob permanente controle. Fica adormecido, mas pode ser acordado a qualquer momento, como ocorreu no governo do presidente Ernesto Geisel.

Na época, os conspiradores eram liderados pelo próprio ministro do Exército, general Sylvio Frota, e tentaram um golpe de Estado para impedir que houvesse a redemocratização do país.

DEMISSÃO DE FROTA – O serviço de inteligência avisou o presidente sobre a movimentação, e Geisel agiu de imediato. Convocou ao Palácio do Planalto todos os comandantes das unidades do Exército. Levou o general Fernando Belfort Bethlem, que então comandava o III Exército, para uma sala reservada e lhe comunicou que seria ministro do Exército a partir daquele momento.

Geisel então voltou à sala, pediu aos comandantes que esperassem, e seguiu rumo ao Quartel-General, chamado de Forte Apache, e foi sozinho, para comunicar ao general Sylvio Frota a  demissão.

Não por mera coincidência, o atual general Augusto Heleno, ministro no governo Bolsonaro, era na época, o Ajudante de Ordens de Frota. Ou seja, a chamada “linha dura” está viva e atuante. Todo cuidado é ainda pouco.

A FORRA DE MOURÃO – Voltando ao pronunciamento de Mourão, está tudo lá, diretamente ou nas entrelinhas, como uma forra do general-vice, que foi humilhado nos quatro anos de Bolsonaro, mas soube se portar com dignidade. Aguardou o momento certo para ir à forra. Esta foi a lógica de Mourão, que esperou a sua vez e bateu forte em Bolsonaro, sem direito a réplica, pois o ex-presidente estava na Flórida, ainda enfrentando a ressaca da derrota.

Os filhos 02 e 03 então vieram a público falar em máscaras que caem, em traíras e aquelas bobagens que vivem repetindo. Mas todos sabem que o clã Bolsonaro domina a arte da traição. Logo no início do governo, o presidente traiu Gustavo Bebianno, demitindo o ministro palaciano por fofocas dos filhos.

Depois, fez o mesmo com um amigo de 40 anos, o general Santos Cruz, por causa de uma fake news com suposta crítica nas redes sociais. Santos Cruz provou que tudo foi armado, mas Bolsonaro gritou, se exasperou com o amigo e manteve a demissão.

SEM LIBERDADE – No governo Bolsonaro, os ministros não tinham a menor liberdade. Todos sabiam que colocar a cabeça de fora significava ser detonado, como aconteceu com Bebianno, Santos Cruz e Sérgio Moro. O personagem único se chamava Jair Bolsonaro.

Quando o ministro da Saúde, Henrique Mandetta, atingiu 80% de popularidade, por conta da pandemia, porque aparecia todo dia na televisão, o clã Bolsonaro começou a fritura até detonar o competente auxiliar, e com requintes de crueldade.

Então, não assiste razão ao clã para falar em traição agora, pois Bolsonaro e os filhos 01, 02 e 03 foram os primeiros a trair. Mas todas essas ações têm repercussão ao longo do tempo. E o que está acontecendo com Bolsonaro nessa quadra da sua vida é um exemplo do que não se deve fazer para não sofrer depois.