O voto de confiança do Centrão a Lula ao evitar a urgência para anistia

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Lulaa aproveitou a viagem para se aproximar do Centrão

Iander Porcella
Estadão

Um dos motivos que levaram lideranças do Centrão a se negarem a assinar nesta semana o requerimento de urgência para o projeto da anistia ao 8/1 foi a intenção de “dar um voto de confiança” ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com relatos feitos à Coluna do Estadão, os deputados voltaram da viagem ao Japão e ao Vietnã com a impressão de que o petista está mais disposto a fazer política e ainda “está no jogo” para 2026.

O próprio presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que acompanhou Lula na Ásia, atuou para evitar as assinaturas.

TRAVAR A AGENDA – Na avaliação de líderes ouvidos pela Coluna, o avanço da proposta dos bolsonaristas travaria a agenda governista, principalmente a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, prioridade absoluta do Palácio do Planalto para recuperar popularidade.

Isso porque ficaria mais difícil negociar o IR com as atenções concentradas na anistia, inclusive por parte do governo para tentar barrar a medida.

Com os partidos de centro-direita divididos sobre o apoio à anistia aos condenados pela invasão dos prédios dos três Poderes, a assinatura de líderes para levar o texto diretamente ao plenário carimbaria a digital do Centrão no projeto, encorajaria mais deputados a endossar o perdão e deixaria Motta sem alternativa a não ser pautar o pedido.

SEM PRESSIONAR – Por isso, as lideranças das siglas resolveram colocar um freio na pressão do PL, que ameaçou obstruir votações no plenário, mas acabou cedendo em pautas como o PL da Reciprocidade, que permite ao Brasil reagir ao “tarifaço” do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No PT, a avaliação é que a assinatura dos líderes abriria uma crise institucional que o Centrão quer evitar. Apoiar a anistia seria bater de frente com o Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pelas condenações de quem participou dos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

Pelo menos neste momento, as lideranças da Câmara tentam evitar polêmicas, mas também esperam que Lula honre a promessa de se aproximar dos parlamentares, feita na viagem à Ásia na semana passada – o problema é que o presidente já descumpriu esse mesmo compromisso reiteradas vezes desde o início de seu mandato.

OPÇÃO  – O centrão tem a opção de ir para a extrema direita com Bolsonaro ou trafegar entre a direita e centro esquerda.

Quanto a Lula, o chefe do governo quer convidar o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Supremo Tribunal Federal em próximas viagens internacionais, para ampliar a “aliança entre os Poderes”.

4 thoughts on “O voto de confiança do Centrão a Lula ao evitar a urgência para anistia

  1. ‘Ao evitar a urgência para votação do PL da anistia, o Centrão expressa – na verdade – seu voto de confiança no repasse dos R$ 50,4 bilhões em emendas do Orçamento de Lula’.

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