Hugo Motta se antecipa ao PL e sonha costurar sua reeleição na Câmara

Motta  articula reeleição ao comando da Câmara

Victoria Azevedo
O Globo

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), se reuniu na manhã desta quarta-feira com parlamentares para discutir estratégias para garantir sua recondução à frente da Casa, a partir de fevereiro de 2027, diante do aumento expressivo da bancada do PL neste ano.

Motta teve apoio de quase todos os partidos quando foi eleito presidente pela primeira vez, em 2024, mas se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos meses por interesses eleitorais na Paraíba, seu reduto eleitoral, contrariando parlamentares da oposição.

ESTRATÉGIAS – Agora, com o crescimento da bancada do PL (foram eleitos 121 deputados, ante 99 em 2022), aliados de Motta falam em traçar estratégias para evitar uma candidatura adversária competitiva na oposição ou que demais partidos deixem de apoiá-lo.

O presidente da Câmara já tinha designado um grupo pequeno de aliados próximos para ajudá-lo nesse processo, entre eles os líderes do PP, Dr. Luizinho (RJ), e do MDB, Isnaldo Bulhões Jr. (AL). Agora, segundo relatos, a ideia é buscar amarrar o apoio dos partidos enquanto intensifica o diálogo individual com os deputados, sobretudo os que tomarão posse para seus primeiros mandatos no próximo ano.

Foram eleitos 183 novos deputados no domingo —de um total de 513—, numa taxa de renovação de cerca de 35,6%. Desde agosto Motta já vinha afirmando a aliados que buscaria aproximação com os novatos. A avaliação é que é preciso usar as ferramentas que um presidente da Câmara tem a seu dispor para se aproximar dos estreantes: entre elas a distribuição de relatorias de projetos estratégicos, cargos administrativos na Casa, divisão de gabinetes e até mesmo fatia das emendas parlamentares.

REUNIÃO – A estratégia é colocar isso em prática a partir de agora, já com o resultado das urnas. Procurado, Motta não se manifestou. Nesta quarta, o parlamentar se reuniu com alguns deles, como Lucas Reis (PT-BA), ex-chefe de gabinete de Jaques Wagner (PT-BA), que teve 192 mil votos, e Ditinho Avivip (União Brasil-BA), que teve 111 mil votos. O parlamentar também se reuniu com Luizinho, Isnaldo e outros aliados como o líder do PSDB, Adolfo Viana (BA). O recém-eleito senador Guilherme Derrite (PP-SP), que hoje exerce mandato de deputado, também passou na residência oficial da presidência da Câmara.

Outros encontros na próxima semana com deputados também estão sendo discutidos por esse entorno de Motta, além de viagens aos estados para buscar aproximação com os parlamentares. Na primeira eleição à presidência, o parlamentar cumpriu agendas em diversas cidades de diferentes estados.

Um aliado de Motta diz que a recondução ao posto estaria mais bem encaminhada se Lula fosse reeleito presidente no próximo dia 25, diante da força da máquina federal que poderia atuar em favor do deputado. Apesar disso, mesmo com eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL), ele acredita que o parlamentar já larga com uma base de 250 a 300 votos — para ser eleito presidente é preciso ter votos de mais da metade dos 513 votantes, em votação secreta. Isso porque o cenário hoje é que os partidos do chamado centrão apoiem Motta.

APOIO – Nos bastidores, esse grupo entende que Dr. Luizinho deverá ser o candidato de Motta em 2029, o que amarra o partido agora na sua reeleição. Além disso, o presidente da Câmara é próximo de Ciro Nogueira, presidente nacional da legenda. Com o PP numa federação com o União Brasil, a expectativa é que também a sigla apoie Motta. Além disso, o parlamentar conta com sinalizações positivas do PT e de partidos da esquerda como PSB e PDT.

Uma dúvida é o PSD, que em 2023 lançou o líder da bancada, Antonio Brito (BA), à disputa. Brito desistiu depois que Motta conseguiu endosso do PT e do PL. O PL, por sua vez, tem falado do desejo de lançar uma candidatura, e o mais cotado é o líder da sigla, Sóstenes Cavalcante (RJ). A avaliação de integrantes do partido é que Motta perdeu as chances de ter apoio dos deputados da oposição após se aproximar de Lula.

Buscando apoio do presidente para eleger o pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), a uma vaga ao Senado, Motta declarou publicamente apoio à reeleição do petista, participou de atos pró-Lula na Paraíba e posou para fotos usando boné vermelho com o nome do presidente e fazendo o “L” com as mãos, gestos associado a apoiadores do presidente. O pai do deputado, no entanto, não teve apoio formal de Lula na disputa, e ficou em terceiro lugar.

NEGOCIAÇÃO –  O presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), levou o apoio à recondução de Motta à mesa de negociação com o PL para que o partido endossasse a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Apesar disso, não há nenhuma garantia nesse movimento, segundo relatos, e essa discussão ainda será feita.

Aliados de Motta minimizam a possibilidade de o PL lançar um candidato próprio, mas afirmam ser preciso já amarrar apoios agora, evitando que sua candidatura desidrate. Eles dizem que há instrumentos da Presidência da Câmara que podem criar dificuldades para essa iniciativa, como, por exemplo, ameaçar o partido com perda de espaço na Casa e nas comissões temáticas. Além disso, há uma avaliação que o PL tem como prioridade eleger o próximo presidente do Senado, abrindo espaço para uma composição com os partidos do Centrão pela recondução de Motta na Câmara.

Flávio sinaliza retomada da política de armas pretendida por Bolsonaro

Datafolha mostra Flávio com 52% e Lula com 48% dos votos válidos

Nova geração se elegeu e tomou a Câmara usando as redes sociais

As redes sociais mudam o mapa da Câmara

Luis Felipe Azevedo
O Globo

O sucesso nas urnas de nomes como o de Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP) — os candidatos mais votados para a Câmara, com mais de três milhões de votos cada — aponta para uma tendência não só de eleição de candidatos cada vez mais jovens na Casa, mas também para a força de uma nova leva de políticos embalados pelo uso estratégico das redes sociais. O movimento ocorreu ao mesmo tempo em que quadros tradicionais, com longos mandatos no Congresso, não se reelegeram.

O resultado dos dois bolsonaristas superou a votação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em 2018. Com cerca de 1,8 milhão de votos, o agora ex-deputado federal detinha o recorde até então. Nikolas conquistou 3,1 milhões de votos, o dobro do alcançado pelo mineiro em 2022, quando teve quase 1,5 milhão.

MAIS VOTADO – Na ocasião, ele já havia conquistado o título de deputado federal mais votado do país. Já Pavanato é ex-integrante do MBL e ingressou na política após participar de manifestações à favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. No último domingo, ele teve 3 milhões de votos por São Paulo.

Pavanato faz parte de uma nova safra de políticos inspirados na “guerra cultural” proposta pelo guru Olavo de Carvalho. A vertente tem forte presença digital e um empurrão decisivo de Nikolas.

CONFRONTOS – Para alcançar votação expressiva, o vereador adotou as redes e o conflito como principais instrumentos políticos. Abordagens de rua e confrontos com adversários ideológicos em universidades ajudaram a construir a persona “anti-woke” de Pavanato, que se coloca contra pautas identitárias associadas à esquerda. Entre os temas que decidiu levar para o Legislativo estão a proibição do aborto, a restrição de políticas relacionadas à população trans e a revisão da política de cotas raciais.

A tendência de jovens com alta votação na direita também se materializou com a performance do presidente do PL no Ceará, André Fernandes, de 28 anos, que alcançou a marca de 684 mil votos. Ele foi o quarto deputado com maior votação no país este ano.

CONEXÃO – Para a cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a votação expressiva de jovens na direita é fruto do uso do discurso antissistema: “Jovens têm mais pertinência em se apresentar dessa maneira. Esse tipo de candidato tem maior probabilidade de estar mais conectado a novas formas de comunicação e cognição, por meio das redes”.

Também compõem o top cinco de mais votados no país as deputadas Érika Hilton (PSOL-SP), de 33 anos, e Sâmia Bomfim (PSOL-SP), de 37 anos. Reeleitas, elas conquistaram, respectivamente, 1,59 milhão e 583 mil votos. Ambas tiveram alto crescimento na comparação com a votação alcançada em 2022.

Em São Paulo, também chama atenção o fato de que nenhum dos cinco mais votados tem mais de 40 anos. Além de Pavanato, Érika e Sâmia, completam a lista Kim Kataguiri (Missão) e Tabata Amaral (PSB).

DA ESQUERDA À DIREITA –  Na esquerda, entre os eleitos com votação expressiva está Ricardo Cardoso de Azevedo, o Rick Azevedo, de 32 anos. Em meio à discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1, sua principal pauta, o psolista conquistou 191.371 votos, sendo o segundo mais votado da bancada federal do Rio.

O resultado das urnas também levou à Câmara a influenciadora mineira Ana Elisa (PT), de 21 anos, a mulher mais jovem a ser eleita para a Casa. Ela foi a segunda mais votada no estado, atrás somente de Nikolas. Com mais de 2 milhões de seguidores, ela defende que “não existe mais separação de redes e ruas”.

“Gostaria de deixar realmente um apelo para toda a esquerda. É o momento de nós deixarmos realmente a ignorância de lado, calçarmos a sandália da humildade e entendermos que com a rede social a gente precisa sim aprender”, disse a petista sobre a disputa presidencial.

SEGUNDA MAIOR VOTAÇÃO – Também na esquerda, Jones Manoel (PSOL), de 36 anos, chegou ao Congresso com a segunda maior votação do ano em Pernambuco. Na direita, Jeffrey Chiquini (Novo), de 36 anos, alcançou a maior votação da história para deputado federal no Paraná. O bolsonarista Lucas Polese (PL), de 29 anos, conquistou o mesmo feito no Espírito Santo.

Também chega à Casa Alvinho Lira (PP), de 20 anos. O filho do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP) foi o mais votado de Alagoas e será o deputado mais jovem da história.

Para o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), que não conseguiu o sexto mandato na Câmara, um vendaval de extrema direita varreu o país e deixará a política mais medíocre a partir de 2027.

A eleição não acabou: Lula ainda pode virar o jogo

Lula pode virar se mudar a rota e souber jogar

Dora Kramer
Folha

O desempenho da direita impressionou, mas não o suficiente para consolidar a impressão de que a eleição esteja resolvida, Jair Bolsonaro indultado e os golpistas anistiados. É verdade que não há registro de virada do segundo sobre o primeiro colocado de um turno a outro, e é fato também que nunca a distância foi tão estreita.

Foram menos de dois pontos percentuais de diferença. Dianteira que a oposição tem motivo para comemorar, mas que o governo tem condição de inverter nas próximas três semanas se souber disputar com competência os cerca de 8% dados aos demais candidatos.

CAUTELA – Posta a bola no chão, fica a lição de que a subestimação do adversário é péssima conselheira. Isso valeu para Luiz Inácio da Silva (PT), que desde o início menosprezou a oponente, e vale agora para Flávio Bolsonaro (PL), que será imprudente se desdenhar da capacidade de reação de Lula, decorrente do susto.

O choque de realidade ficou evidente no semblante de decepção dos aliados e na aparente calma da manifestação do presidente logo após a confirmação do resultado do primeiro turno. Lula mediu palavras, procurou se ater aos limites da normalidade a fim de ganhar tempo e não se precipitar sobre o que fazer.

SUPERAÇÃO – O petista acostumou-se a colher vitórias em sua trajetória, mas também a enfrentar adversidades e superar obstáculos. Nas piores horas, soube pisar no freio e redirecionar a rota. Daí ter sido eleito depois de três derrotas, reeleito no meio da tempestade do mensalão e voltado à Presidência depois de parecer que a prisão na Lava Jato seria o fim de carreira.

Lula ignorou orientações, deixou-se tomar pelo ressentimento, deu espaço à figura antipatizada de Janja, reduziu os eleitores a devedores de gratidão, ignorou a demanda por progresso e bem-estar, deu prioridade a temas alheios aos reais interesses do país e, diante disso, preferiu o culto à própria personalidade. Pode produzir uma guinada na direção? Pode, resta saber se terá força e discernimento bastantes para dar conta do recado.

Flávio e Lula entram no segundo turno sob pressão para fazer debates na TV

STF traça estratégia para enfrentar Senado que ameaça vários ministros da Corte

STFbuscará diálogo e usará investigações como pressão

Bela Megale
O Globo

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm conversado sobre estratégias a serem adotadas diante da eleição de senadores que formam uma bancada com grandes chances de fazer impeachment de integrantes da corte e tentar esvaziar a atuação do tribunal.

A avaliação feita por quatro magistrados à coluna é que há duas frentes de atuação. Uma delas seria estabelecer diálogo com correligionários do PL que não são considerados da ala radical, que tem o ataque ao STF como bandeira.

ESPAÇO PARA DIÁLOGO – A leitura é que, apesar de todos os senadores eleitos da extrema direita terem feito campanhas com ataques ao tribunal, há espaço para diálogo com uma ala desses parlamentares. Entre os eleitos citados nominalmente por ministros estão Reinaldo Azambuja, do Mato Grosso do Sul, e Eduardo Gomes, do Tocantins.

Outra frente envolve parlamentares que estão na mira de investigações da Polícia Federal sob a relatoria do STF. É o caso do senador do PL eleito pelo Rio de Janeiro, Carlos Jordy, investigado por suposto desvio de cotas parlamentares, e do senador e ex-governador eleito pelo Mato Grosso, Mauro Mendes, que também é investigado por desvios de recursos do seu estado envolvendo uma empresa de telefonia.

Ministros relataram que as investigações em andamento podem ter desdobramentos até mesmo antes dos senadores eleitos assumirem seus cargos. Com os inquéritos sob relatoria do STF, integrantes da corte avaliam que aqueles que têm situação complicada na Justiça não vão querer dobrar a aposta sobre o impeachment de ministros. “A valentia vai até a página dois”, disse um magistrado.

Lula amplia comando da campanha e reduz espaço de Edinho Silva no PT

Edinho tem sido criticado pela forma como conduziu a campanha

Sérgio Roxo
O Globo

O senador Camilo Santana (PT-CE) deve entrar na coordenação-geral da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, com isso, reduzir o poder do presidente do PT, Edinho Silva, que é alvo de críticas.

Ex-governador do Ceará por dois mandatos e ex-ministro da Educação, Camilo atuou nos últimos meses como principal cabo eleitoral para que Elmano de Freitas (PT) fosse reeleito governador de seu estado. A disputa cearense foi acirrada com Ciro Gomes (PSDB), que liderou as pesquisas de intenção de voto até a reta final.

PRESTÍGIO – A vitória de Elmano no primeiro turno aumentou o prestígio do senador junto a Lula e entre as lideranças petistas. Nesta terça-feira, Camilo passou boa parte do dia com o presidente no Palácio da Alvorada. Ele viajou para o Ceará no fim do dia para o aniversário do pai e voltará para Brasília nesta quarta-feira.

Tradicionalmente no PT, é o presidente da legenda que coordena a campanha presidencial. Por causa disso, Edinho desempenha atualmente esse papel. A entrada de Camilo representaria uma inovação . Pessoas que participam da coordenação afirmam que ainda não está claro como deve ser a divisão de papéis entre os dois integrantes da coordenação-geral.

CRÍTICAS – Edinho tem sido criticado pela forma como conduziu a campanha no primeiro turno. Para lideranças do partido e membros do governo, o dirigente teve postura centralizadora e dificuldade para alinhar as posições das diferentes áreas sobre as decisões estratégicas.

No começo da noite de terça-feira, Edinho foi questionado em entrevista, após reunião do comando do PT, se haveria mudanças na coordenação de campanha. “A questão não é troca de nomes, ao contrário: nós queremos agregar novas lideranças à coordenação”, afirmou.

PARTICIPAÇÃO – O presidente do PT disse que Camilo já fazia parte da coordenação da campanha presidencial, mas pediu para se afastar para cuidar da candidatura de Elmano de Freitas e agora será incorporado. Disse também que os senadores eleitos pela Bahia Rui Costa e Jaques Wagner devem participar do núcleo de comando, assim como o vice Geraldo Alckmin.

“Nós temos agora os nossos senadores eleitos: o Rui e o próprio Jaques, que podem fazer parte de um grupo de coordenação. Eu tenho defendido que o vice-presidente Geraldo Alckmin também venha participar de forma mais efetiva da coordenação. Nós temos que ampliar, porque nós temos que percorrer o Brasil em 20 dias. É mais gente ajudando a dar conta dessa missão”, disse.

Moro minimiza caso ‘Dark Horse’, mas diz que Flávio terá de responder se surgirem fatos

Flávio promete a Gilmar evitar revanche contra o Supremo, mas mira Moraes

Flávio acena a Gilmar com trégua no STF

Bela Megale
O Globo

Há cerca de um mês, o senador Flávio Bolsonaro teve uma conversa com o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. No encontro, Flávio se mostrou convicto de que seria o vencedor da eleição presidencial. Além disso, passou boa parte da conversa fazendo críticas ao ministro Alexandre de Moraes.

Entre as medidas criticadas pelo presidenciável estava a proibição feita por Moraes para que se encontrasse com o pai, Jair Bolsonaro. A ordem de Moraes ocorreu em 13 de julho e se estenderia até 11 de outubro.

CARTA – O motivo foi Flávio ter divulgado uma carta do pai. Após o primeiro turno da eleição, a defesa de Bolsonaro pediu que o magistrado liberasse o encontro com o filho. Moraes enviou o pedido para análise da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Além de Flávio, o coordenador de sua campanha, Rogério Marinho, teve uma agenda com Gilmar Mendes. O senador destacou que, caso Flávio vença as eleições, não haverá um “espírito de revanchismo” contra a corte. Sinalizou ainda que mudanças estruturais, como aumento do número de ministros, estão fora dos planos.

Também indicou que considera improvável que, numa eventual vitória de Flávio, Moraes seja preservado de investigações pela relação com Daniel Vorcaro e também de um processo de impeachment.

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Para quem desistiu de acreditar em pesquisas eleitorais, a vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula da Silva no primeiro turno já era esperada, porque se tornara um clamor nacional. Dava para sentir isso nas ruas, conversando com o povo, especialmente os motoristas de táxi e uber, que funcionam como grandes termômetros das tendências políticas, pois cada passageiro com quem eles conversam significa um voto.

Na vida, tudo tem limites, mas o poder embriaga demais, e quem não sabe exercê-lo pode exagerar na dose e se dar mal. Lula, por exemplo, jamais deveria ter feito conluio com os dirigentes do Congresso e com a ala do Supremo liderada por Gilmar Mendes.

DITADURA DO STF – Esse acerto de bastidores multiplicou o poder do presidente e criou uma ditadura estranha, que até parecia uma democracia, porque era exercida pelo Supremo. Os ministros, porém, imitaram Lula e se embriagaram com o poder, e assim a ditadura do STF jamais teve sustentação popular, conforme as urnas acabam de provar.

Agora, os outrora poderosos ministros ligados a Lula estão desorientados e não sabem o que fazer. Alexandre de Moraes, por exemplo, não tem a menor condição de escapar do impeachment, devido à renovação dos dois terços do Senado, que literalmente destruiu a base aliada de Lula.

O ainda presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda tenta um último golpe e vai colocar em pauta a redução da carga de trabalho de 6 por 1. Ele pensa (?) que os senadores derrotados pelas urnas irão garantir essa derradeira arma eleitoral de Lula, cujo saco de bondades se rasgou e não tem mais nada dentro.

NOVA REALIDADE – Alcolumbre que se cuide, porque a batata dele também está assando, já se sente o cheiro de longe. Antes mesmo da eleição interna, que será feita em 1º de fevereiro, já se sabe que o novo presidente do Congresso será o senador Rogério Marinho (PL-RN), atual coordenador da campanha de Bolsonaro.

A diferença entre Alcolumbre e Marinho é abissal.  O atual presidente do Senado é o braço político de uma família mafiosa e ligada ao tráfico internacional de drogas, enquanto o futuro presidente é de uma família nobre da política. Seu avô, Djalma Marinho, foi um dos parlamentares mais importantes do país. Era um jurista de renome e teve coragem de dizer não as militares quando eles exigiram a cassação do deputado Márcio Moreira Alves, em 1968, e depois baixaram o AI-5.

Daqui para frente, tudo vai ser diferente. Nesta terça-feira, dia 6, Rogério Marinho esteve no Supremo, foi recebido pelo presidente do tribunal, Edson Fachin, e avisou que “o Senado não vai se omitir” se enxergar crimes de responsabilidade dos integrantes do STF. O ministro Fachin, é claro, quase morreu de felicidade, porque já não aguenta mais aturar Moraes e o resto dessa gangue de reputação ilibada e notório saber.

ENCAGAÇADOS – Os ministros da ala lulista estão encagaçados, perderam completamente a empáfia e a coragem. Gilmar Mendes tratou logo de arquivar a investigação por estupro contra Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio.

Alexandre de Moraes concedeu regime semiaberto a Débora dos Santos, aquela perigosa terrorista cuja arma era um batom. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, foi favorável ao retorno das visitas de Flávio a Jair Bolsonaro. E  Kassio Nunes Marques já anunciou que após o segundo turno vai levar ao plenário o pedido de liberdade de Jair Bolsonaro.

A repórter Carolina Brígido, do Estadão, anuncia que os aliados de Flávio no Senado querem iniciar os processos de impeachment incriminando logo Moraes. A intenção é evitar que ele seja empossado presidente do Supremo em 2027, pois é o próximo na linha de comando da Corte. “Com isso, a cadeira seria de Nunes Marques, que sucede a Moraes pelo critério de antiguidade”, explica a excelente jornalista.

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P.S.1 
– O ministro Moraes teve um pressentimento de que Lula poderia perder e no dia 10 de setembro, com apoio do procurador Gonet, assinou o arquivamento dos inquéritos contra o senador Marcos do Val e os jornalistas Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio. Guardou na gaveta e, como Lula perdeu, Moraes somente agora confirmou e divulgou essa bondade, depois de os jornalistas terem de mudar de país e se virar para sobreviver no estrangeiro.

P.S. 2 – Provoca repulsa ver esse tipo de gente na hora da verdade. Moraes se comportava como um autêntico ditador, agora virou um ser piedoso que tenta apagar os erros do passado fingindo ter se tornado um homem de caráter. Mas quem pode acreditar num covarde como ele? (C.N.)

Oposição tenta adiar votação do fim da escala 6×1 para depois da eleição

Oposição critica Alcolumbre e tenta adiar votação da PEC

Gabriella Soares
Elisa Clavery
G1

A oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado Federal tenta adiar a votação do fim da escala 6×1, prevista para a próxima semana. Senadores bolsonaristas se reuniram nesta quarta-feira (7) e decidiram pedir ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a votação seja feita somente depois do resultado da eleição presidencial.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que eles não se negam a discutir a jornada de trabalho no Brasil, mas que, neste momento, não é o ideal. Ele evitou dizer, no entanto, como o partido vai votar na proposta. “Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado”, disse Rogério Marinho.

NEGOCIAÇÃO – Para tentar negociar com Alcolumbre, os senadores escolheram a senadora Tereza Cristina (PP-MT) como porta-voz. Segundo eles, Tereza irá tentar conversar com o presidente do Senado ainda nesta quarta-feira (7).

Na terça-feira (6), Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a PEC do governo e, mais uma vez, defendeu a proposta alternativa. O texto da oposição prevê a possibilidade de redução da jornada, com redução proporcional do salário. Entre os pedidos está que, caso ele queira votar, que faça somente a primeira votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do fim da 6×1 e deixe o restante para depois.

Uma PEC precisa ser votada duas vezes antes de ser considerada aprovada. O que abre margem para que, mesmo com a primeira aprovação, a proposta não siga adiante após as eleições.

COMPROMISSO – Alcolumbre rebateu as falar da oposição e disse que seu compromisso era não votar durante as eleições para o Legislativo. A disputa para o Senado não tem segundo turno, então já foi encerrada.

Agora, segundo o presidente do Senado, cada senador pode votar o fim da 6×1 sem pressão de ser a favor ou contra para se reeleger. Disse ainda que pode acelerar a votação, se essa for a decisão do plenário.

“Eu, como presidente do Senado, vou submeter ao voto, porque, do ponto de vista regimental, quando era interessante para uns ou para outros terem um calendário especial para acelerar a votação de uma PEC, eles apresentaram”, disse Alcolumbre.

ASSINATURAS – Em seguida, a líder do Governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PB), disse já estar recolhendo assinaturas para pedir calendário especial e votar o fim da 6×1 antes do segundo turno. “A cara de quem é contra [o fim da 6×1] tem que ser mostrada”, disse a senadora.

Pelas regras do Senado, a proposta precisa ser discutida durante cinco sessões no plenário antes da primeira votação. A primeira sessão de discussão foi feita na terça-feira (6) e a segunda será hoje.

Depois das cinco sessões e da votação em primeiro turno, pelo regimento, deve-se esperar mais 5 dias úteis, ter mais três sessões de discussão e só depois votar o segundo turno.

PRAZO MAIOR – Caso emendas sejam apresentadas, o prazo é maior, para análise das emendas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A oposição já disse que pretende apresentar emendas.

Marinho afirmou que irá pedir que o regimento seja cumprido, e assim deixar a votação para depois do fim de outubro e depois do resultado da disputa pela presidência entre Lula e Flávio. Mas o regimento também permite a quebra dos prazos, desde que aprovada pelo plenário do Senado.

MONENTO DA ELEIÇÃO –  Os senadores da oposição criticaram o presidente do Senado por pautar a PEC que acaba com a escala de trabalho de 44 horas semanais e garante dois dias de descanso remunerados por semana para os trabalhadores em pauta. Apesar disso, reconhecem que o governo já tem os 49 votos favoráveis necessários para aprovar a proposta.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) disse que é a favor da mudança, mas questionou a escolha de Alcolumbre de colocar o tema em votação nos próximos dias. “Jogar entre o primeiro e segundo turno? Eu tenho matérias mais importantes ali na pauta”, disse a senadora. “Essa matéria pautada é para desgastar a imagem do Flávio”, continua.

DOIS TURNOS – Entre os governistas, o clima ainda é de lutar para aprovar o texto em dois turnos antes do segundo turno. Apostam ainda em expor integrantes da oposição que tentem evitar a votação do fim da 6×1.

Se aprovada, a PEC deve seguir a seguinte cronologia: em dois meses, redução da jornada semanal para 42 horas, com dois dias de repouso semanal remunerado;
em um ano após esses dois meses, redução da jornada semanal para 40 horas.

Moraes arquiva investigação contra Marcos do Val e blogueiros após parecer da PGR

PGR avaliou provas como insuficientes para denúncia

Fernanda Fonseca
Elijonas Maia
CNN

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), arquivou em 4 de setembro a investigação contra o senador Marcos do Val (Avante-ES), os blogueiros Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio e o influenciador Ednardo Raposo. A decisão acolheu parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), segundo o qual as provas não sustentam uma denúncia.

A Polícia Federal havia indiciado os quatro por suspeita de obstrução de investigação de organização criminosa e incitação ao crime. A apuração mirava uma campanha de ataques e exposição de agentes públicos envolvidos em investigações conduzidas no STF, sobretudo pelo delegado da PF Fábio Shor.

LIMITE ULTRAPASSADO – Segundo a PGR, a apuração reuniu postagens em redes sociais, registros telefônicos, conversas, dados fiscais e financeiros e depoimentos. O órgão reconheceu que houve ações voltadas a atingir a imagem de agentes da PF e do STF e que, em alguns casos, foi ultrapassado “o limite da tolerância diferenciada imposta àqueles que servem ao público”.

Para a Procuradoria, os elementos revelaram o “evidente desiderato” de Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio e Marcos do Val de ofender os agentes ligados às investigações no STF.

Apesar disso, a PGR concluiu que o material não bastava para uma denúncia pelos crimes apontados pela PF. No parecer, o órgão afirma que as provas “não lograram demonstrar a existência de articulação estruturada” para incitar crimes contra agentes públicos ou obstruir investigações específicas.

COMPROVAÇÃO –  “O farto material probatório, no entanto, não logrou demonstrar a existência de articulação estruturada para dolosamente incitar a prática de crimes contra os agentes públicos ou obstruir, concretamente, investigações específicas”, diz.

Na avaliação do Ministério Público, os fatos se aproximam mais de crimes contra a honra praticados contra servidores públicos. Para que esses delitos fossem processados, seria necessária representação ou queixa dos próprios ofendidos, o que não ocorreu.

Ao acolher o parecer, Moraes afirmou que cabe ao Ministério Público decidir entre oferecer denúncia ou pedir o arquivamento. O ministro determinou o encerramento do caso, com ressalva para a retomada das apurações caso surjam novas provas.

PL de Bolsonaro agora disputa o comando do Congresso e ameaça Alcolumbre e Motta

Nova composição dará governabilidade ‘com folga’ a Flávio

Victoria Azevedo
Lauriberto Pompeu
O Globo

O avanço do PL no Congresso desafia a recondução dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a partir de fevereiro. Nas duas Casas, o partido de Flávio Bolsonaro terá as maiores bancadas: na Câmara, foram eleitos 121 deputados, número que supera os 99 atuais; no Senado, serão 28, quase o dobro dos 15 integrantes de agora.

O principal desafio de Motta e Alcolumbre será buscar apoio na direita bolsonarista para tentar ficar mais dois anos no comando ou ao menos evitar que parlamentares do centro migrem para candidaturas desse campo político. As duas autoridades se aproximaram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos dois anos, contrariando a oposição ao petista. O resultado das urnas no domingo também pode criar mais dificuldades aos dois: Lula ficou atrás de Flávio no primeiro turno, com 45,16% dos votos, e o senador, 47,03%.

APOIO – A tendência, hoje, é que os partidos do Centrão deixem a postura de neutralidade e apoiem a candidatura de Flávio. De acordo com relatos, integrantes do União Brasil querem como contrapartida o apoio do PL à recondução de Alcolumbre, cenário considerado improvável. O Republicanos também tende a apoiar Flávio, mas Motta não deverá seguir o partido, de acordo com um aliado próximo dele. A estratégia da sigla será blindar o deputado dessas críticas e evitar que sua nova candidatura à chefia da Câmara desidrate.

A situação de Alcolumbre, no entanto, é mais delicada. Além de ver seus principais aliados no Amapá, seu reduto eleitoral, serem derrotados no domingo, ele está pressionado por parlamentares da oposição, que defendem um discurso contra o Supremo Tribunal Federal (STF), e por governistas, que ainda apresentam desconfiança com a postura do senador.

Alcolumbre foi um dos principais pontos de governabilidade do Lula 3 no Congresso, mas o parlamentar se afastou do próprio presidente e do Planalto após a rejeição de Jorge Messias para uma vaga ao STF. Ele ficou cerca de três meses sem conversar com o petista, retomando o contato às vésperas da eleição. Apesar disso, o PT não deve lançar candidato próprio e integrantes da sigla apostam no apoio a Alcolumbre. A avaliação é que apesar das desconfianças com o senador, há possibilidade maior de diálogo com ele do que um nome bolsonarista.

ESCALA 6 X 1 – Petistas também reconheceram um gesto de Alcolumbre o anúncio de que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1 será discutida pelo Senado, às vésperas do primeiro turno. A proposta é considerada uma vitrine eleitoral para o petista. Com o resultado das urnas, a avaliação é que Alcolumbre não recuará, mas poderá dar um ritmo menos célere ao avanço do tema, já que Flávio Bolsonaro se colocou contra o fim da escala 6×1.

Por outro lado, o PL já tem claro que lançará um candidato próprio na disputa com Alcolumbre. O nome mais cotado é Rogério Marinho (PL-RN), coordenador-geral da campanha de Flávio. Em entrevista nesta segunda, o presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, voltou a tratar do tema e disse que Marinho “é candidato à presidência do Senado”. Ao longo do processo eleitoral, integrantes do PL fizeram campanha para que os candidatos do partido ao Senado já declarassem de antemão que não votariam em Alcolumbre caso eleitos.

As principais queixas recaem sobre a resistência do parlamentar em pautar temas que miram o Supremo e seus ministros. Principalmente, o impeachment de magistrados. Alcolumbre é próximo de integrantes de tribunais superiores, como o ministro Alexandre de Moraes, do STF, desafeto do bolsonarismo. Além de Rogério Marinho, também se coloca como possível candidata a senadora Tereza Cristina (PP-MS), ex-ministra da Agricultura de Bolsonaro, .

EQUILÍBRIO –  Na Câmara, Motta foi eleito presidente da Casa em 2025 com apoio do PT ao PL e teve de passar os dois anos de seu mandato buscando se equilibrar entre as demandas de cada um dos partidos. O primeiro ano foi marcado por uma relação de altos e baixos com o Palácio do Planalto e Lula, com desconfiança de parte a parte.

Num momento agudo na relação, Motta chegou a romper publicamente com o então líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (RJ). Com a proximidade das eleições, no entanto, passou a fazer mais gestos a Lula, em busca do apoio do presidente à eleição de seu pai, o ex-prefeito Nabor Wanderley (Republicanos) a uma vaga ao Senado pela Paraíba. Wanderley não teve apoio do petista e foi derrotado nas urnas.

Motta também aproveitou o rompimento de Lula e Alcolumbre para se aproximar do presidente da República. Ele aprovou pautas de interesse do Planalto na Câmara, como o fim da escala de trabalho 6×1, e declarou publicamente apoio à reeleição de Lula, além de participar de atos a favor dele na Paraíba. O presidente da Câmara também atuou para evitar que o Republicanos apoiasse formalmente Flávio no primeiro turno.

PRESSÃO INTERNA – Essa aproximação, no entanto, contrariou integrantes do PL, aumentando a pressão interna para que o partido lance um nome para fazer frente a Motta. Um dos lembrados é o líder da sigla, Sóstenes Cavalcante (RJ). Apesar disso, somente a bancada do PL não é suficiente para dar a vitória ao parlamentar, o que indica que outros deputados precisariam acompanhar o nome do PL.

Um aliado próximo de Hugo Motta diz que hoje o cenário mais provável é de partidos do Centrão e da esquerda apoiarem a reeleição dele. Mas ressalta ser importante fazer um trabalho com os novos deputados (são 183 deputados que exercerão mandato pela primeira vez), para amarrar o apoio deles.

Há a avaliação que, estando na cadeira de presidente da Câmara pelo menos até fevereiro de 2027, Motta terá instrumentos à disposição para atrair esses parlamentares novatos. O tamanho da bancada da federação União Brasil-PP e do próprio partido de Motta, o Republicanos, além dos prováveis apoios do PT e do MDB, são usados como estratégia para pressionar o PL na sucessão do comando da Câmara, ainda que o partido de Flávio tenha saído das urnas com uma bancada expressiva.

MESA DIRETORA – A ideia é repetir o que aconteceu na primeira eleição de Motta para comandar a Casa e ameaçar o PL com perda de espaço na Câmara, caso a sigla adote uma posição diferente da maioria dos outros deputados. Nesse cenário, o PL poderia ficar fora da Mesa Diretora, onde ocupa a vice-presidência hoje, e tiraria representantes do partido da divisão do comando de comissões e relatorias de projetos relevantes. Por outro lado, com 121 deputados e na liderança isolada para a bancada da Câmara, o PL vira um dos principais fiéis da balança na eleição para o comando da Câmara.

O cenário no Senado também costuma entrar na contabilidade das articulações dos partidos, e um apoio do PL a outro candidato na Câmara que não o da legenda pode servir para amarrar um acordo para que a legenda de Flávio escolha um representante no Senado. Isso aconteceu, por exemplo, quando o PL apoiou a reeleição de Arthur Lira (PP-AL) para presidente da Câmara em 2023 e, em troca, PP e Republicanos apoiaram Rogério Marinho (PL-RN) para o comando do Senado, eleição que foi vencida por Rodrigo Pacheco.

O processo de sucessão no Congresso também deverá ser afetado pelo diálogo com o governo federal. A expectativa é que, qualquer que seja o presidente eleito, os chefes da Câmara e do Senado irão buscá-lo para um acordo nos próximos dias. Além disso, essa nova configuração do Congresso poderá afetar diretamente a governabilidade do próximo presidente da República: se Flávio for eleito, terá uma base confortável; se Lula for reeleito terá bastante dificuldade em construir maioria para aprovar propostas de interesse.

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Alcolumbre prevê votação da PEC do fim da 6×1 antes do segundo turno

Senado deve votar PEC em meio à disputa eleitoral

Eduarda Teixeira
CNN

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou nesta terça-feira (6) que pretende pautar a votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a 6×1 logo após a Casa finalizar as cinco sessões de discussão da pauta, na semana que vem.

Em conversa com a imprensa, Alcolumbre disse que a proposta vai “cumprir integralmente o rito” de tramitação, “sem atropelos e sem acelerar nada”. O calendário estabelecido pelo senador começa já nesta semana. Serão realizadas sessões nesta terça, quarta e quinta-feira.

DELIBERAÇÃO – Na semana que vem os debates serão na terça e quarta-feira, para que a votação em primeiro turno seja realizada no dia 15 de outubro. Alcolumbre, porém, não cravou que irá votar os 2 turnos necessários para aprovar a proposta. Há chance de que a deliberação seja finalizada somente depois do segundo turno das eleições, em 25 de outubro, para que a PEC não “contamine” o debate eleitoral.

A PEC do fim da 6×1 determina a redução da escala para 5 dias de trabalho e 2 de descanso por semana, além da redução da jornada para 40 horas semanais. O texto foi aprovado em maio na Câmara dos Deputados, mas está travado na Casa Alta depois de uma tensão envolvendo o Executivo e o Legislativo.

CONTATO DE LULA – Alcolumbre chegou a dizer que esperava um contato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para avançar com a PEC, algo que não aconteceu. A rusga entre os dois só foi distensionada depois de um almoço entre eles e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) em 27 de agosto. Naquele momento, eles acordaram que o Congresso votaria a MP do fim da taxa das blusinhas e o PL dos minerais críticos na primeira semana de setembro.

Eles também deixaram clara a intenção de avançar com a PEC do fim da 6×1 na última semana de esforço concentrado antes do primeiro turno. A proposta, no entanto, só foi aprovada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado durante os trabalhos dos senadores.

Ao comentar o cenário eleitoral, Alcolumbre classificou a disputa como “muito importante” e defendeu que os brasileiros escolham, no segundo turno para presidente e nos estados onde haverá nova votação, “com a sua consciência, livre para escolher o que é melhor para o Brasil”. Como presidente do Congresso Nacional, disse que irá respeitar o resultado das urnas e disse esperar que todos os brasileiros façam o mesmo no segundo turno.

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