PF diz não haver prazo para apurar fake news na campanha presidencial

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Elzio Vicente da Silva, da PF, diz como será a investigação

Breno Pires
Estadão

O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, Elzio Vicente da Silva, afirmou neste domingo, 21, que é imprevisível o prazo que vai levar para a conclusão da investigação aberta neste sábado a respeito de pagamentos ilegais de empresas para disseminar notícias falsas envolvendo as campanhas de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad à Presidência da República.

“É imprevisível. Não se trata só de preservar a estratégia, mas seria temerário se falar em um prazo para determinar com clareza (o que houve)”, afirmou Elzio Vicente da Silva, ao ser questionado sobre o andamento do caso, em entrevista coletiva conjunta com demais órgãos envolvidos nas eleições 2018, na sede do Tribunal Superior Eleitoral.

SOB SIGILO – O caso tramitará sob sigilo na Polícia Federal e foi aberto após pedido da Procuradoria-Geral da República. Questionado sobre se a polícia solicitaria as informações do Whatsapp que levaram ao banimento de empresas, ele não respondeu devido ao sigilo, mas disse que, em tese, tudo que diz respeito ao tema da investigação interessa à PF.

“A investigação tramita em sigilo, não só para preservar a estratégia da apuração, mas as pessoas em torno do fato. Em abstrato, falando em termos de doutrina de investigação, interessa à PF obter o maior volume de dados que possam ajudar a trazer informações sobre o caso.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Podemos esperar sentados, porque a investigação vai demorar para dedéu, como se diz antigamente. No manejo do Whatsapp tudo é novo, não há legislação que proíba nada, salvo o abuso de poder econômico, eu ser considerado abusado do poder econômica. É somente aí que por aí que o bicho pega. (C.N.)

Facebook decide remover 68 páginas e 43 contas pró-Bolsonaro, diz Estadão

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Face não excluiu contas pelo conteúdo, mas pela operação

Deu no Estadão

O Facebook removeu nesta segunda-feira, 22, um grupo de 68 páginas e 43 contas da rede social que, juntas, formavam a maior rede pró-Bolsonaro da internet. Segundo a empresa, os donos dessas páginas violaram as políticas de autenticidade e spam ao criar contas falsas e múltiplas contas com os mesmos nomes para administrar essa rede. O conteúdo compartilhado pelas páginas não teve influência sobre a decisão do Facebook.

Juntas, essas páginas, controladas por um grupo chamado Raposo Fernandes Associados (RFA), tinham mais engajamento na internet do que jogadores e artistas mundialmente famosos, como Neymar, Anitta e Madonna.

INVESTIGAÇÃO – O caso veio à tona após reportagem do jornal O Estado de S. Paulo publicar uma investigação sobre a RFA em parceria com a ONG americana Avaaz. A matéria mostrou como um casal – o advogado formado pela USP Ernani Fernandes e sua mulher, Thais Raposo – montou um “império” de páginas e sites com apoio de conhecidas figuras conservadoras no País, como Alexandre Frota e Marcello Reis, do Revoltados Online. O Facebook investigava a rede há meses em sigilo.

No dia 12 deste mês, o Estado revelou que somente nos últimos 30 dias, os endereços dessa rede pró-Bolsonaro alcançaram 12,6 milhões de interações no Facebook – ou seja, o total de reações a postagens, comentários e compartilhamentos. Mais de 16 milhões de pessoas seguem essas páginas. Nos mesmos 30 dias, o jogador Neymar acumulou 1,1 milhão de interações, a cantora Anitta conseguiu 574,8 mil e Madonna, 442,5 mil.

ANONIMATO – “Autenticidade é algo fundamental para o Facebook, porque acreditamos que as pessoas agem com mais responsabilidade quando usam suas identidades reais no mundo online. Por isso, exigimos que as pessoas usem seus nomes reais e também proibimos spam, uma tática geralmente usada por pessoas mal intencionadas para aumentar de maneira artificial a distribuição de conteúdo com o objetivo de conseguir ganhos financeiros”, diz a nota do Facebook.

A empresa que administra o grupo é a Novo Brasil Empreendimentos Digitais Ltda, de propriedade do advogado Ernani Fernandes Barbosa Neto e de Thais Raposo do Amaral Pinto Chaves. As páginas da rede são sempre identificadas com a sigla RFA na descrição.

INDEPENDENTE? – Embora se declarasse como independente, a rede administrava endereços como Apoio a Jair Bolsonaro e, durante a divulgação dos resultados do primeiro turno, comemorou nas páginas vitórias como a dos candidatos Eduardo Bolsonaro e Janaina Paschoal, ambos do PSL.

Procurado pela reportagem, o advogado Ernani Fernandes e sua mulher, Thais Raposo, não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como a própria matéria assinala, a decisão do Facebook nada tem a ver com o conteúdo das mensagens, apenas quanto ao proceder dos administradores. Se é assim, por que o título da matéria diz que são contas pró-Bolsonaro? Eu considero estranha esta informação, até por que estou na listagem da Avaaz e jamais recebi nenhuma mensagem a favor de Bolsonaro. Pelo contrário, as últimas foram a favor de Haddad e Manuela, desfazendo fake news sobre eles. É uma situação confusa e escalafobética, não acham? (C.N.)   

Atacar a Justiça é atacar a democracia’, diz Toffoli, em declaração “burocrática”

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Toffoli resolveu não colocar mais lenha na fogueira

Carolina Brígido
O Globo

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, divulgou nota nesta segunda-feira em defesa da Corte. Para ele, “atacar o Poder Judiciário é atacar a democracia”. Embora não faça menção direta ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ), o texto foi produzido no dia seguinte à divulgação de um vídeo em que o parlamentar fala sobre a possibilidade de fechar o STF.

Na nota, Toffoli afirma que “o STF é uma instituição centenária e essencial ao Estado Democrático de Direito”. E completa: “Não há democracia sem um Poder Judiciário independente e autônomo”. Ainda segundo o presidente do STF, “o país conta com instituições sólidas e todas as autoridades devem respeitar a Constituição”.

EM VENEZA – No domingo, Toffoli estava em viagem a Veneza, na Itália, para representar o STF em um evento. Ouvidos reservadamente pelo GLOBO, ministros da Corte afirmaram que, apesar de serem absurdas, as declarações do parlamentar não os intimidavam. No entanto, não quiseram comentar o assunto publicamente por considerar que, em um momento político conturbado, o presidente do STF deveria falar em nome da instituição.

Também nesta segunda, o ministro Alexandre de Moraes classificou de “inacreditável” a declaração e sugeriu que a Procuradoria-Geral da República (PGR) instaure uma investigação sobre o tema. Já Celso de Mello afirmou que a fala é “inconsequente e golpista”, em nota em nota enviada por escrito ao jornal “Folha de S.Paulo”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A mídia esperava mais de Toffoli, que deu uma declaração burocrática e genérica, sem citar nomes. Mas Toffoli é camaleônico. Para se aproximar do verde oliva, até nomeou um general de quatro estrelas para “assessorá-lo” no Supremo. Toffoli já nem parece petista, seu grande amigo Lula da Silva deve estar decepcionadíssimo. Mas nosso amigo João Saldanha explicaria que é apenas vida que segue. (C.N.)

Analistas questionam a estratégia de Bolsonaro para ter maioria na Câmara

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Pedro Venceslau e Tulio Kruse
Estadão

A ideia de negociar diretamente com frentes parlamentares temáticas, aventada pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), divide especialistas no assunto. Somadas, as bancadas ruralista, evangélica e da bala, com quem o capitão reformado tem afinidade, representam cerca de 200 votos na Câmara. Alguns analistas políticos, no entanto, duvidam que esses grupos formem uma base sólida para votar temas que não sejam de seu interesse.

“Isso é uma furada. Bancada informal se organiza em torno de um interesse muito exclusivo que, em geral, busca se apropriar de recursos do Orçamento”, diz o analista político e diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antônio Augusto Queiroz.

TEMAS ESPECÍFICOS – A professora do departamento de Ciência Política da Unicamp Andrea Freitas concorda. “Pode funcionar para temas específicos, como o tema da redução da maioridade penal. Mas não se tratará só dessas questões no governo todo”, afirma Andrea. “Terá muito mais dificuldade para aprovar uma reforma econômica polêmica.”

A base dos partidos que fazem parte de sua coligação partidária ou demonstraram apoio no segundo turno (PSL, PTB, PSC, PSD, DEM e Podemos) equivale a pouco mais de 140 deputados.

Para Queiroz, será inevitável articular uma coalizão nos moldes tradicionais, especialmente com caciques do chamado Centrão que demonstraram disposição para apoiá-lo na semana passada. “Eles (Centrão) querem declarar o apoio, e ficam utilizando a retórica de que estão independentes, apenas vão liberar as bases, mas, na verdade, estão é temerosos de que, uma vez declarado o apoio, o candidato descarte.”

SEM LIDERANÇAS – Já o cientista político Murillo de Aragão, da Arko Advice, vê um enfraquecimento dos líderes partidários tradicionais, após a renovação de mais da metade da Câmara.

O prestígio do Centrão, diz ele, depende da aprovação de matérias favoráveis ao próximo governo ainda no fim deste ano.

Especialista justifica a ausência de Bolsonaro nos últimos debates pela TV

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Recuperação da colostomia é lenta e constrangedora

João Batista Marchesini

Como  médico e como cristão condoído pelo sofrimento de Jair Messias Bolsonaro gostaria de esclarecer alguns pontos que foram esquecidos nestes últimos dias. Há um mês e meio Jair sofreu um grave ferimento por arma branca que custou-lhe uma severa hemorragia interna, contaminação peritoneal com fezes devido lesão de seus intestinos delgado e grosso e consequente peritonite fecal. Foi realizada uma colostomia temporária que aguarda alguns poucos meses para ser fechada.

No seu pós-operatório imediato teve uma deiscência de sutura bloqueada com oclusão intestinal. Foi novamente operado. Agora se recupera graças aos seus excelentes profissionais e ao bom Deus.

MUITAS MENTIRAS – Neste período tem sido vÍtima de impropérios e acusações tais como: o ferimento não teve gravidade, não compareceu a debates com atestado médico falso, “amarelou”, entre outros adjetivos.  Qualquer trabalhador afastado de suas atividades pelo SUS por tais lesões gozaria de afastamento de suas funções por dois ou três meses.

Para esclarecer ao leitor leigo, seu estado geral ainda é muito precário o que pode ser visto na sua última entrevista em seu domicílio. A colostomia que é uma saída artificial de gases e fezes em uma bolsa plástica, é muito inconveniente. Fezes e gases saem independente da vontade o paciente. Os gases fazem ruídos altos, audíveis no ambiente que está o paciente, e as fezes, exalam um odor desagradável que pode ser sentido por quem está próximo.

O constrangimento de um colostomizado é muito grande. Imaginem num ambiente como os Estúdios da Globo e com um público de milhões de expectadores. Acredito que ninguém gostaria de se expor desta maneira. Acho injusto chama-lo de covarde, que correu do debate, que amarelou, que usou atestado frio, etc. etc. Ignorância extrema e falta de caridade cristã. Fico revoltado com tanta sujeira. Por favor respeitem um ser humano independente de suas convicções políticas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O artigo foi enviado por Jorge Béja, sempre dedicado ao lado humano das notícias. Quando o texto começou a circular na internet, julgou-se que o Dr. Marchesini fosse um dos cirurgiões que operaram o deputado. Mas ele logo esclareceu que não é da equipe, apenas tentou, como especialista, explicar à opinião pública o que realmente está acontecendo. (C.N.)

Prefeito de Belo Horizonte diz que irá ‘de joelhos’ pedir ajuda ao presidente

POLITICA : BELO HORIZONTE - MG - O CANDIDATO A PREFEITURA DE BELO HORIZONTE ALEXANDRE KALIL , TEM SUA PRIMEIRA AGENDA DE CAMPANHA , CONVERSA COM OS ADVOGADOS DA OAB .FOTO : JOAO GODINHO / O TEMPO 16.08.2016

Kalil diz a verdade sobre a ruína de Belo Horizonte

Lucas Henrique Gomes
O Tempo

Durante evento na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte, o prefeito Alexandre Kalil disse que não importa quem ganhe a eleição presidencial, Bolsonaro ou Haddad, irá procurá-lo antes mesmo de tomar posse, e deve ir “de joelhos” para pedir dinheiro. “(Assim que) o presidente da república for eleito, o prefeito vai ter que ir lá e pedir dinheiro para esse povo que está sofrendo. Seja quem for (o presidente eleito), o prefeito vai lá de joelho pedir dinheiro para ajudar o povo que precisa”, repetiu Kalil em um evento voltado para pessoas com deficiência.

Como a atividade aconteceu próximo ao local onde estava agendada uma manifestação de simpatizantes do candidato Jair Bolsonaro (PSL), Kalil se recusou a vestir uma camisa verde da prefeitura para não ser confundido com os manifestantes. “(Não vesti) porque daqui a pouco vão falar que eu estou fazendo campanha para o Bolsonaro, o que não é verdade. Se fosse, eu estaria (com a camisa). Eu peguei o Ciro Gomes que era meu candidato e fui andar com ele em Belo Horizonte. O voto é secreto, vamos esperar, todo mundo é livre”, declarou.

DEBATES CHATÍSSIMOS – Sobre as manifestações, Kalil lembrou os pedidos de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Depuseram a presidente da República, colocaram 10,5 milhões de pessoas nas ruas e a presidente caiu. Foi por isso que ela caiu, não foi por causa de pedalada não. Ontem fizeram um cortejo contra o Bolsonaro, hoje a favor, esse é o país que nós queremos viver”, afirmou.

Perguntado sobre os dois debates entre os candidatos Antonio Anastasia (PSDB) e Romeu Zema (NOVO), o prefeito foi curto na reposta. “Assisti aos dois, são chatíssimos”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se a poderosa Belo Horizonte está nesta situação deplorável, pode-se imaginar o que estará acontecendo na grande maioria das demais prefeituras brasileiros. Políticos irresponsáveis jogaram na lata do lixo o país com maior potencial de crescimento do mundo. E foi tudo por dinheiro, como diria Silvio Santos, que salvou seu grupo da falência fazendo um acordo com o então presidente Lula da Silva, que evitou a falência do Banco PanAmericano, conforme Palocci está denunciando na delação. (C.N.)

Bolsonaro enquadra PSL e faz acenos ao Centrão para formar a base aliada

ONYX LORENZONI

Lorenzoni articula a formação da maioria na Câmara

Pedro Venceslau e Tulio Kruse
Estadão

Depois de começar a campanha sem praticamente nenhum apoio partidário e sob a desconfiança do mundo político, o deputado Jair Bolsonaro , candidato do PSL à Presidência nas eleições 2018, chega à reta final do segundo turno projetando construir uma ampla base parlamentar, na hipótese de ser o eleito no domingo.

Em nome da governabilidade, o capitão reformado tenta agora enquadrar a base do PSL, que conta com 52 deputados eleitos, enquanto faz acenos ao Centrão, que perdeu força, mas segue sendo um bloco com poder de fogo na Câmara. Com 142 deputados eleitos – 22 a menos que na legislatura anterior –, o grupo integrado por DEM, PP, PR, Solidariedade, PRB, PSC e PTB quer manter o controle de postos-chave da Casa, entre eles a presidência.

BASE ALIADA – Para ter um ponto de partida confortável e acalmar o DEM, que elegeu 29 deputados federais, Bolsonaro promoveu a primeira intervenção direta na bancada do PSL ao afirmar, na quinta-feira passada, que o partido não vai disputar o comando da Câmara. Anunciado como chefe da Casa Civil caso Bolsonaro seja eleito, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) tem feito a ponte com o DEM, que articula a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Casa.

O movimento do presidenciável parte de duas constatações. A primeira delas é que, se quiser tirar do papel algumas de suas propostas de campanha, terá de garantir apoio confortável na Câmara. Para uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ser aprovada pelo plenário em dois turnos, por exemplo, são necessários os votos de 3/5 dos deputados (ou 308 votos).

A outra constatação é que, seja quem for o novo presidente, ele terá de lidar com um Congresso mais pulverizado – uma dificuldade extra para costurar apoios.

MINISTÉRIO – Além da sinalização de apoio a Maia, visto pelo presidente do PSL, Gustavo Bebianno, como um “bom nome”, Lorenzoni tem conversado com caciques do DEM sobre eventual participação do partido na Esplanada dos Ministérios.

Derrotado na disputa por uma vaga no Senado por Pernambuco, o ex-ministro da Educação Mendonça Filho (DEM-PE), que é conselheiro da campanha de Bolsonaro, é cotado para reassumir a pasta.

Outro partido que já se aproxima de Bolsonaro é o PSD. A sigla ficou neutra no segundo turno, mas o ministro das Comunicações, Gilberto Kassab, que comanda a legenda, declarou apoio a Bolsonaro. Segundo ele, a maioria do partido segue essa linha e a neutralidade foi declarada a pedido dos diretórios da Bahia e de Sergipe, que apoiam Fernando Haddad (PT).

MAIORIA AMPLA – Com esses dois apoios, Bolsonaro começaria sua eventual gestão com um núcleo duro de 144 deputados governistas: 52 do PSL, 10 do PTB, 8 do PSC, 34 do PSD, 29 do DEM e 11 do Podemos. Tirando o PSD e o DEM, os demais partidos já declararam apoio ao presidenciável do PSL. Quando começou seu mandato em 2003, Lula tinha cerca de 230 deputados na base de apoio.

A projeção do PSL é superar esse número. “Acredito que teremos uma maioria ampla. Bolsonaro não fará braço de ferro pela presidência da Câmara”, disse ao Estado o senador eleito Major Olímpio, presidente do PSL de São Paulo.

Pelas contas dos operadores políticos de Bolsonaro, ele deve contar com uma base superior a 300 deputados, caso seja eleito. Essa projeção foi feita após a formalização do apoio das bancadas evangélica, rural e da segurança.

JOICE CRITICA – Reeleito por São Paulo, o deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidenciável, chegou a ser lançado pela sigla como candidato a presidente da Câmara. Outro nome que foi colocado na bolsa de apostas foi o do fundador do PSL, Luciano Bivar.

“Em função da cláusula de barreira, 31 parlamentares ficarão sem partido. Pelo menos 15 deles devem vir para o PSL. Com isso, seria natural disputar a presidência da Casa. Manter o Rodrigo Maia seria manter o mesmo rosto”, disse a deputada eleita Joice Hasselmann (SP).

Ela defende o próprio nome para a liderança do governo, Luciano Bivar na presidência da Câmara e a procuradora e deputada eleita Beatriz Kicis no comando da comissão mais cobiçada da Casa, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Especialistas criticam os exageros no plano de privatização de Paulo Guedes

Imagem relacionadaTéo Takar  UOL Notícias       ****     (ilustração de Alexandre Beck)

O plano de privatizar todas as estatais brasileiras, proposto por Paulo Guedes, o guru econômico de Jair Bolsonaro (PSL), poderá reduzir a dívida pública e liberar recursos do governo para áreas como saúde e educação. Mas não necessariamente estimulará a concorrência, combaterá a corrupção ou diminuirá custos para o consumidor, caso o presidenciável seja eleito, apontam especialistas.

A primeira questão a ser resolvida em um eventual governo Bolsonaro é o impasse entre o presidenciável e seu economista sobre quais empresas serão incluídas no plano. Enquanto Guedes já declarou que espera arrecadar até R$ 1 trilhão com a venda de todas as estatais, sem exceção, o candidato tem dito que não venderá companhias consideradas “estratégicas”, como Furnas, Caixa e Banco do Brasil, e que vai preservar o “miolo” da Petrobras.

REDUÇÃO DA DÍVIDA – Em seu plano de governo, Bolsonaro prevê “reduzir em 20% o volume da dívida [pública] por meio de privatizações, concessões, venda de propriedades imobiliárias da União e devolução de recursos em instituições financeiras oficiais que hoje são utilizados sem um benefício claro à população brasileira. Algumas estatais serão extintas, outras privatizadas e, em sua minoria, pelo caráter estratégico serão preservadas.”

Para os economistas ouvidos pelo UOL, essa seria a principal vantagem do plano de privatizações de Bolsonaro, visto que a dívida pública já alcança R$ 5,2 trilhões, o equivalente a 77,3% do PIB (Produto Interno Bruto).

“O dinheiro das privatizações ajudaria a abater a dívida pública. Os gastos para subsidiar estatais ineficientes também diminuiriam. Mesmo assim, as privatizações seriam apenas um paliativo. O governo ainda continuaria gastando mais do que arrecada. Por isso a reforma da Previdência é essencial”, diz Marcel Balassiano, pesquisador sênior do Ibre/FGV.

META IRREAL – Os especialistas colocaram em dúvida o valor de R$ 1 trilhão que o economista Paulo Guedes tem citado como valor a arrecadar com a privatização de mais de 140 estatais e a venda de milhares de imóveis da União.

“Mesmo que ele tivesse carta branca de Bolsonaro para vender tudo, inclusive Petrobras e Eletrobras, esse número (R$ 1 trilhão) parece ser o dobro ou triplo do que ele efetivamente vai conseguir”, pondera Ballassiano.

“Privatizar tudo é praticamente impossível. É um processo demorado, que precisa ser bem planejado. Parece muito mais uma retórica para chamar atenção e posar como um grande liberal, do que um projeto econômico bem pensado”, afirma André Diz, professor de economia do Ibmec-SP.

CASO A CASO – “Privatizações tendem a ser positivas. Temos casos de sucesso como Vale e Embraer. Mas não adianta ser radical e colocar todas as empresas dentro de um mesmo saco. É preciso analisar caso a caso”, disse Marcel Balassiano, pesquisador sênior da área de Economia Aplicada do Ibre/FGV, acrescentando:

“É preciso avaliar a conjuntura. Talvez não seja o melhor momento para vender alguns ativos. Além disso, uma privatização em massa pode fazer o preço de venda cair”.

Um exemplo é a intenção do candidato do PSL de vender imóveis públicos. “Aqui no centro do Rio há vários edifícios do governo. Mas o momento é ruim para vendê-los porque há uma superoferta de escritórios novos na região, construídos na época das Olimpíadas. Os preços estão lá embaixo”, disse Balassiano.

LONGO PRAZO – Para André Diz, professor de economia do Ibmec-SP, a equipe de Bolsonaro ainda precisa esclarecer quais serão os objetivos das privatizações. “Vai privatizar por quê? Para reduzir a corrupção? Para melhorar a eficiência? Ou para resolver o problema fiscal? Se a questão for fiscal, então é preciso ter uma agenda de longo prazo para resolver o problema, e não apenas sair privatizando tudo”, afirma André Diz

A falta de um planejamento a longo prazo e de objetivos claros para a economia também preocupa Luiz Pinguelli Rosa, professor de planejamento energético da Coppe/UFRJ, e que foi presidente da Eletrobras em 2003, no primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Privatizar apenas por privatizar não faz nenhum sentido. Eletrobras e Petrobras são instrumentos importantes de política energética”, ressalta o acadêmico.

CONHECIMENTO – Pinguelli Rosa afirma ainda que a Eletrobras é parceira estratégica em diversos projetos de geração e transmissão que a iniciativa privada não conseguiria tocar sozinha. A Petrobras, por sua vez, é referência em tecnologia de extração em águas profundas.

“Quanto vale todo esse conhecimento? Vamos abrir mão do desenvolvimento de tecnologia? Eu quero empregos de qualidade. Não quero que o país seja formado por uma população de limpadores de para-brisa” salienta Pinguelli Rosa.

INFLUÊNCIA POLÍTICA – Segundo os especialistas, a transferência do controle de uma companhia do governo para a iniciativa privada costuma trazer melhoras na gestão do negócio.

“Há alguns argumentos clássicos a favor da privatização: o aumento da eficiência, a redução da influência política na indicação de cargos e o maior combate à corrupção”, acentua André Diz, que, no entanto, coloca dúvidas sobre a lisura de um grande processo de privatização, especialmente se for feito às pressas.

“Quem vai tocar as privatizações? São os mesmos políticos que estão hoje no Congresso? Sempre há o risco de ocorrerem negociatas para favorecer um determinado grupo privado na disputa”, adverte, dizendo que algumas privatizações tendem a sofrer maior resistência, tanto da população como do Congresso, o que pode obrigar o governo a fazer concessões políticas arriscadas.

E A PETROBRAS? – “Tentar privatizar a Petrobras, por exemplo, pode implicar desgaste político grande. Há resistência de sindicatos fortes, da sociedade em geral e do próprio Congresso. Será que vale a pena queimar um cartucho assim? Seria um custo alto, que poderia colocar em risco, por exemplo, a aprovação da reforma da Previdência, que é mais importante neste momento”, afirma Diz.

Ele lembra que o governo atual, do presidente Michel Temer (MDB), propôs no ano passado um plano de privatização de 88 estatais. No entanto, apenas 21 projetos devem ser concluídos até o fim deste ano. A maioria das privatizações, incluindo a da Eletrobras, deverá ficar para 2019.

Pinguelli Rosa diz que as empresas continuam sujeitas à corrupção mesmo depois de transferidas à iniciativa privada. “Privatização não elimina corrupção. Temos casos de empresas que foram privatizadas e estão envolvidas em escândalos”.

CASO DA EMBRAER – Pinguelli Rosa, professor da Coppe/UFRJ, citou como exemplo um caso recente envolvendo a Embraer, fabricante de aviões privatizada em 1994. A companhia pagou uma multa de US$ 206 milhões para encerrar uma investigação de corrupção nas justiças dos Estados Unidos e do Brasil. As autoridades concluíram que a Embraer pagou propina em negociações para venda de aviões na Índia, Arábia Saudita, República Dominicana e Moçambique.

O programa de governo de Bolsonaro afirma: “A linha mestra de nosso processo de privatizações terá como norte o aumento na competição entre empresas. Esse será nosso foco: gerar mais competição. Afinal, com mais empresas concorrendo no mercado, a situação do consumidor melhora, e ele passa a ter acesso a mais opções, de melhor qualidade e a um preço mais barato”.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Entretanto, alguns especialistas discordam da visão do candidato. As privatizações favorecem o aumento da eficiência na gestão das empresas, mas não necessariamente promovem o aumento da concorrência.

Eles avaliam, por exemplo, que uma eventual privatização do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal abriria caminho para aumentar ainda mais concentração no setor bancário.

“Hoje você tem três grandes bancos privados [Bradesco, Itaú/Unibanco e Santander] e dois grandes públicos. Se você privatizar Banco do Brasil e Caixa, passará a ter cinco grandes privados” , diz Roy Martelanc, coordenador da FIA (Fundação Instituto de Administração), acrescentando:

“O problema é que, a cada cinco ou dez anos, você tem ciclos de consolidação do setor. Em 2008, O Itaú se juntou ao Unibanco. Recentemente, vimos Citi e HSBC sendo comprados por Itaú e Bradesco. Uma vez privatizados, a chance de isso acontecer com BB e Caixa mais adiante é bem grande”, declarou Roy Martelanc, coordenador da FIA (Fundação Instituto de Administração).

E A INFLAÇÃO? – O especialista da FIA também afirmou que uma eventual privatização da Petrobras precisa ser bem planejada para evitar a repetição dos problemas vistos no primeiro semestre deste ano, quando a disparada nos preços dos combustíveis levou à greve dos caminhoneiros, provocando desabastecimento no país e aumento da inflação.

“A privatização da Petrobras teria que vir acompanhada de uma regulação mais eficiente. É preciso fortalecer a ANP [Agência Nacional do Petróleo] e estabelecer regras de reajuste de preços, além de algum mecanismo periódico de reequilíbrio de contrato, como já acontece em concessões de geradoras de energia”, salienta Roy Martelanc.

A respeito, o programa de governo de Bolsonaro afirma apenas que “os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais, mas as flutuações de curto prazo deverão ser suavizadas com mecanismos de hedge [proteção] apropriados”.

E A ENERGIA? – O custo da energia elétrica também tende a subir em uma eventual privatização da Eletrobras, avalia Diz, do Ibmec, acrescentando:

“O maior risco da privatização é o governo perder a capacidade de controle sobre os preços da energia elétrica. Seriam necessárias medidas regulatórias para evitar que uma disparada de preço afete o setor produtivo e cause impacto sobre a inflação. Basta lembrarmos o que aconteceu recentemente com o diesel”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Excelente matéria de Téo Takar, enviada à TI por Guilherme Almeida. Mostra que ainda há jornalistas e economistas que se preocupam com os interesses nacionais. Quanto a Bolsonaro, já caiu na Rio e não privatizará Eletrobrás, Furnas, Petrobras,  Caixa e Banco do Brasil. (C.N.)

O Globo pega carona no “escândalo fake” e entrevista ministros-fantasmas

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  Charge do Aroeira (O Dia/RJ)

Miriam Leitão / O Globo      

Três ministros do Supremo consideraram extremamente grave a declaração do deputado Eduardo Bolsonaro . Um deles lembrou que, para fechar o Supremo Tribunal Federal, “o que nem a ditadura tentou”, será preciso “antes disso revogar a Constituição”. Eles preferiram falar sem serem citados porque a decisão tomada é a de que o STF fale por uma única voz – do presidente Dias Toffoli, que estava em um congresso em Veneza, ou do decano Celso de Mello.

Dias Toffoli ainda não se pronunciou, mais de 24 horas depois de o vídeo do deputado irromper nas redes sociais. O presidente da Corte ” não quis botar mais lenha na fogueira “, disse um assessor direto ao colunista do Globo Lauro Jardim.

GOLPISTA – O decano Celso de Mello classificou a afirmação como “inconsequente e golpista” em nota enviada por escrito ao jornal “Folha de S. Paulo”. O ministro ressaltou na mensagem que a votação recorde do deputado – o mais votado da História do país – não legitima “investidas contra a ordem político-jurídica”.

Um dos ministros que não se identificar avaliou ao GLOBO a manifestação de Eduardo Bolsonaro como “uma mistura de autoritarismo com despreparo”.

“É uma declaração despropositada, sequer a matéria envolve o Supremo, a matéria é de competência do TSE. É uma mistura de autoritarismo com despreparo. Já é o segundo pronunciamento de gente das hostes dele nesse sentido em poucos dias” — disse um dos ministros. Ele se referia ao general Eliéser Girão, eleito deputado pelo PSL do Rio Grande do Norte, que propôs a prisão de ministros do Supremo que soltassem condenados por corrupção. “O que ele falou, e ele já é deputado, é golpista. Nem a ditadura fez o que ele disse que é fácil fizer. Em 1969, foram cassados três ministros, mas o STF nunca foi fechado”.

POPULISTA — Outro ministro disse que tem ficado cada vez mais claro o risco da eleição de um populista de direita, mas que o STF não faltará à nacionalidade.

Um terceiro ministro disse que o país está muito tumultuado e que, por isso, todos preferem que o pronunciamento seja de uma só voz. O momento é grave demais para que várias vozes falem pelo STF. Contudo, a avaliação que fazem é que o assunto deve ser levado a sério porque Eduardo Bolsonaro chega a dizer que “nós estamos conversando isso lá”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! A jornalista Miriam Leitão, que trabalha incansavelmente na Organização Globo de manhã, de tarde e de noite, abandonou seu merecidíssimo descanso dominical somente para dar força a este “escândalo fake” com uma notícia fake, em que a dedicada “plantonista” cita apenas o ministro Celso de Mello, que falou à Folha, e outros três misteriosos, que não quiseram se identificar (embora tenham obrigação de saber que a Constituição proíbe o anonimato e ministro de verdade não deve dar declarações em off, como se diz por aí). E tudo isso é feito para destruir a candidatura que vai cortar as verbas da Organização Globo. Com esse amor infinito ao empregador, inventando que “o momento é grave demais”, Miriam Leitão concorre à Piada do Ano e fica a merecer uma estátua equestre diante do prédio de O Globo, por inestimáveis serviços prestados. Francamente… (C.N.)

Mello atiça “escândalo fake” e diz que fala de Eduardo Bolsonaro é “golpista”

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Celso de Mello incentiva campanha contra Bolsonaro

Mônica Bergamo
Folha

O ministro Celso de Mello, do STF (Supremo Tribunal Federal), classificou a afirmação do deputado federal eleito Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), de que bastam um soldado e um cabo para fechar a Corte, de “inconsequente e golpista”.

Disse ainda que o fato de Eduardo Bolsonaro ter conseguido uma votação expressiva nas eleições — ele recebeu quase 2 milhões de votos — não legitima “investidas contra a ordem político-jurídica”.

O magistrado, que é o decano do STF, enviou a declaração por escrito à Folha, e pediu que ela fosse publicada “na íntegra e sem cortes”.

DIZ MELLO – Escreveu o ministro Celso de Mello: “Essa declaração, além de inconsequente e golpista, mostra bem o tipo (irresponsável) de parlamentar cuja atuação no Congresso Nacional, mantida essa inaceitável visão autoritária, só comprometerá a integridade da ordem democrática e o respeito indeclinável que se deve ter pela supremacia da Constituição da República!!!! Votações expressivas do eleitorado não legitimam investidas contra a ordem político-jurídica fundada no texto da Constituição! Sem que se respeitem a Constituição e as leis da República, a liberdade e os direitos básicos do cidadão restarão atingidos em sua essência pela opressão do arbítrio daqueles que insistem em transgredir os signos que consagram, em nosso sistema político, os princípios inerentes ao Estado democrático de Direito”.

REPERCUSSÃO – O vídeo com as declarações de Eduardo Bolsonaro começaram a circular logo cedo entre ministros do STF.  Celso de Mello teve uma das reações mais indignadas. Questionado pela Folha, decidiu enviar a mensagem. Outros ministros trocaram mensagens e telefonemas entre si. Eles aguardam a chegada do presidente da Corte, Dias Toffoli, para discutir um posicionamento. Ele estava em Veneza para compromissos profissionais e deve chegar nesta segunda-feira (22) em Brasília.

A ministra Rosa Weber, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), disse que a magistratura se mantém firme. “No Brasil, as instituições estão funcionando normalmente. E juiz algum no país, juízes todos no Brasil [que] honram a toga, se deixa abalar por qualquer manifestação que eventualmente possa ser compreendida como conteúdo inadequado”, afirmou ela.

Marco Aurélio Mello disse que vivemos “tempos sombrios”. “Vamos aguardar, com toda a serenidade, os acontecimentos”. O vice-procurador-geral eleitoral, Humberto Medeiros, não comentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Entre todos os entrevistados, apenas a presidente do Supremo, Rosa Weber, soube se comportar com a seriedade que o momento exige, nesta fase em que a imprensa está regando uma plantação de “fake escândalo
” para evitar a eleição de Bolsonaro, que anunciou a intenção de reduzir as verbas de publicidade da mídia. Também o ministro Marco Aurélio Mello acertou em cheio, ao dizer que vivemos “tempos sombrios”. Mas esqueceu de acrescentar que estes tempos sombrios foram criados pela corrupção da classe política e pelo comportamento deletério, irracional e antijurídico de determinados ministros do Supremo, entre os quais o próprio Marco Aurélio se inclui. (C.N.)

“Se alguém falou em fechar o STF, precisa de um psiquiatra”, diz Bolsonaro

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro 20/10/2018 Foto: Fabiano Rocha/ Agência O GLOBO

Bolsonaro precisa mandar os filhos calarem a boca

Mariana Martinez
O Globo

O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro , disse neste domingo desconhecer o vídeo que circula nas redes no qual seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, afirma que, para fechar o Supremo Tribunal Federal (STF), basta apenas “um soldado e um cabo”. O candidato disse ainda acreditar que as declarações foram tiradas de contexto.

– Isso não existe. Se alguém falou em fechar o STF, precisa consultar um psiquiatra. Desconheço. Duvido. Alguém tirou de contexto – afirmou.

CONTRA-ATAQUE – Quando questionado sobre a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de suspender propaganda de TV do PT onde cenas de tortura são associadas ao discurso de Bolsonaro, o candidato do PSL voltou a se defender atacando o partido adversário.

– É mentira aquilo. O PT, sem mentir, não é PT. Falaram que eu vou acabar com os professores do Brasil, que vai ser tudo ensino à distância, que vou acabar com o Bolsa Família, o décimo terceiro salário. O PT é a própria fake news. Para derrotar o PT não precisamos mentir, basta mostrar a verdade – afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A declaração do filho de Bolsonaro foi dada a uma pergunta sobre a possibilidade de o Supremo impedir a posse do presidente eleito, em atendimento a alguma denúncia. Esta hipótese, é claro, não existe, porque o STF não tem poderes para  impedir a posse de nenhum candidato eleito sem antes haver o devido processo legal, que às vezes dura anos, como aconteceu com a ação do PSDB contra a chapa Dilma e Temer. Como o filho de Bolsonaro é um ignorante completo, não soube responder à pergunta com a clareza e a sobriedade que o assunto exigia. Mas este novo “fake escândalo” não vai dar em nada, o Supremo é hoje uma instituição desmoralizada, a presidente Rosa Weber já disse que os juízes não se abalam com isso, e vida que segue, como dizia o João Saldanha. (C.N.)

Falidos, 16 estados e DF avançam para gastar 80% da receita com os servidores

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Maeli Prado
Folha

Em 2022, último ano do mandato dos governadores eleitos nestas eleições, 16 estados e o Distrito Federal já estarão gastando acima de 80% das suas receitas somente com despesas de pessoal. Entres os gastos estão aposentadorias, folha de pagamento e auxílios a servidores. Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, que enfrentam sérios problemas de caixa, são os casos mais extremos. Em quatro anos, se nada mudar, de cada R$ 100 arrecadados, mais de R$ 95 serão gastos com pessoal.

Em outras palavras, é um cenário de colapso da prestação de serviços básicos à população, como conclui um estudo realizado pela economista Ana Carla Abrão, ex-secretária da Fazenda de Goiás e sócia da consultoria Oliver Wyman.

DETERIORAÇÃO – A pesquisadora projetou a evolução das despesas dos entes da Federação com servidores estaduais se não houver reformas, em levantamento publicado no ebook “Como Escapar da Armadilha do Lento Crescimento”. A obra é organizada pelo economista Affonso Celso Pastore.

“Os estados brasileiros são os maiores provedores de saúde, segurança e educação”, afirma ela. “Se você colapsa os estados, que é o que esses dados indicam que ocorrerá, não há recursos para investimentos, e a provisão desses serviços passa a se deteriorar de forma irreversível”, diz.

Na prática, as projeções mostram que todos os entes da Federação caminham, em maior ou menor grau, para enfrentar os mesmos problemas do Rio.

SEM GARANTIA – O Estado do Rio, mesmo com medidas recentes de ajuste, não consegue garantir o pagamento do 13º salário dos seus servidores neste ano. Ou o caminho pode ser o de Minas e Rio Grande do Sul, onde também são frequentes os atrasos na quitação da remuneração dos servidores.

A escassez de recursos também vai limitando, cada vez mais, os investimentos. “É claro que o professor tem de ganhar mais, mas o estado precisa ter condição de gastar com merenda e transporte”, exemplifica Ana Carla Abrão.

“Sem recursos para investir em inteligência, haverá mais policiais assassinados em combate. Não adianta ter médicos se não há remédios, hospitais e equipamentos.”

FORA DA LEI – De acordo com a pesquisadora, todos os estados hoje praticamente já desrespeitam a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), que exige que o comprometimento da arrecadação com pessoal, ativos e inativos, não pode ultrapassar 60%. Mas na prática, os números apresentados oficialmente pelos estados são bem diferentes dos encontrados por especialistas em contas públicas.

Há anos, os entes da Federação maquiam a realidade ao não considerar como gastos com pessoal determinadas despesas, como pagamento de pensões, obrigações patronais ou auxílios. Essa prática é chancelada pelos tribunais de contas estaduais.

REVER A LEI – A Lei de Responsabilidade Fiscal foi editada há 18 anos com o objetivo de evitar uma futura derrocada fiscal dos entes da Federação. Ao longo dos anos, foi envelhecendo, e a avaliação de Ana Carla Abrão é que é necessária uma revisão da lei, para modernizar pontos que hoje abrem brechas para alguns gastos não serem enquadrados como sendo de pessoal.

A atualização padronizaria os cálculos a serem apresentados pelos estados e reduziria as incertezas jurídicas atuais.

“O ideal é revisar a legislação, o que fará com que todos os estados sejam desenquadrados e criar um período de transição para o reenquadramento acontecer gradualmente”, defende ela.

MAIS ARROCHO – A exemplo do que ocorreu no Rio, entre as medidas que poderiam ser adotadas estão aumento da contribuição previdenciária de servidores e vedação a aumentos salariais até a situação fiscal se regularizar. Ou seja, ações que dependem da complicada aprovação de Assembleias Legislativas.

“Teria de ser algo coordenado pelo governo federal, com o gatilho da mudança na LRF”, diz a economista.

“Na medida em que ficar claro que o problema é sistêmico, que não tem cor partidária, que não é político, vai ficar mais fácil.”

VELLOSO DISCORDA – O economista Raul Velloso tem uma visão diferente da melhor solução. Para ele, parte importante do problema é o fato de a LRF colocar no mesmo balaio os gastos com funcionários ativos e previdência dos servidores.

Em sua avaliação, o melhor caminho é retirar a previdência dos orçamentos estaduais e criar fundos de pensão que administrem essa dívida separadamente.

“O centro do problema é o gasto com o inativo. É o déficit da previdência dos servidores, que está quebrada”, afirma Velloso. “Tem de separar. O gasto com inativos tem uma tendência explosiva de crescimento.”

MAIS RECURSOS – Além dos servidores, os próprios estados contribuiriam com esses fundos, abastecendo-os com imóveis, fundos imobiliários e ações de estatais, por exemplo. “Você faz a conta: quanto vai exigir de recursos em um horizonte de 70 anos, por exemplo, e estabelece as contribuições previdenciárias dos próprios servidores, que no limite podem ser elevadas, e dos estados”, afirma Velloso.

Independentemente da solução, enfrentar a escalada de gastos nos estados é essencial para evitar que em quatro anos uma quantidade considerável de entes bata às portas do Tesouro Nacional para pedir ajuda.

“O Tesouro vai ser alvo de uma pressão política muito grande”, diz Abrão. “Ou antecipamos uma solução para o problema ou vamos chegar ao final comprometendo a própria gestão fiscal federal.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Vejam bem em que situação os governos pós Itamar Franco colocaram este país. Todos estão pré-falidos – governo federal, estaduais e municipais. Se fossem empresas privadas, os governos já estariam falidos ou em liquidação. Agora, será difícil dar jeito nesta encrenca. Nem o Chapolin Colorado conseguirá nos ajudar. Dá medo olhar para o futuro. (C.N.)

Falando das quatro estações do ano, na visão poética de Ilka Bosse

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Ilka Bosse, poeta catarinense

Paulo Peres
Site Poemas & Canções

A pedagoga (formada em duas habilitações na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras), empresária aposentada, escritora, cronista e poeta catarinense Ilka Bosse, conhecida como Bailarina das Letras, no poema “Falando de Estações”, versificou os quatro períodos que ocorrem durante o ano e nos trazem a vida

FALANDO DE ESTAÇÕES
Ilka Bosse

Entre árvores os raios
Infiltram-se com energia
Com magia…
Eis o sol que brilha
e rebrilha,
Dá o VERÃO o seu BOM DIA!

Tocando morno e suave as faces
O nascer deste astro rei
Como se fosse um beijo
Com a leveza de uma pluma
Que transcende a fronteira
Em busca do OUTONO

Estação ligeira…
Deleita-se entre folhas secas
Que o vento leva…
Arrastando-as com sutileza
Em gramados amassados, pisados…
Onde a brisa está a espera
Para deslizar sobre o verde terno
Da relva fria que anuncia:
É INVERNO!

Com suas alvas manhãs
Gela a mansinha chuva
Regando sementes ocultas
Aguardando a chance
Do brotar da PRIMAVERA.

Primavera!
Enfeita esta estação o universo
Alegrando corações
Com fragrâncias ímpares.
Entre o bailar dos jardins em cores
Dançam árvores, galhos e flores.

São estações!
É vida!
São emoções!
De estação a estação…
Sem se importar… Se…
Outonoinvernoprimavera ou verão

Nomear o astronauta para o Ministério será um desrespeito à Força Aérea

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Pontes é um oficial abominado pela Força Aérea

Carlos Newton

É bom constatar que o futuro presidente Jair Bolsonaro aceita mudar de opinião, ou seja, sabe ouvir conselhos e voltar atrás. Aconteceu isso recentemente, quando descartou a possibilidade de privatização do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e da Eletrobras, cujas vendas estavam entre os sonhos de consumo do delirante economista Paulo Guedes, que deve ser ministro da Fazenda e do Planejamento, se sobreviver até lá.

MADE IN USA – Os generais que assessoram Bolsonaro lhe informaram que nos Estados Unidos, por motivos estratégicos, a Eletrobrás de lá é uma estatal. O capitão Bolsonaro caiu em si e desistiu. Quanto à Caixa Econômica e o Banco do Brasil, os militares foram ainda mais incisivos, e o candidato se aquietou, também abandonou a ideia de privatizar a Petrobras e Furnas.

Neste sábado, dia 20, Bolsonaro deu mais uma recueta. Depois de ter esculhambado o Mercosul e a China, o candidato voltou atrás e passou a pregar um comércio exterior sem viés ideológico. Atendendo a novos conselhos, Bolsonaro preferiu seguir os termos defendidos na guerra fria por Foster Dulles, secretário de Estado dos EUA, que afirmou: “Os Estados Unidos não têm aliados, mas apenas interesses”.

BELA POSTURA – As mudanças de rumo tomadas por Bolsonaro têm sido em defesa dos interesses nacionais. Isso significa que ele pode dizer besteiras, mas é capaz de ouvir conselhos e mudar de ideia, uma postura que todo governante teria obrigação de cultivar.

Até agora, Bolsonaro tem mudado de ideia toda vez que percebe estar dando uma mancada. Por isso, espera-se que ele abandone a decisão de nomear o tenente-coronel reformado Marcos Pontes para o Ministério da Ciência e Tecnologia. Neste sábado, ele disse que  Pontes está praticamente confirmado.

É melhor Bolsonaro mudar de ideia mais uma vez, porque se arrisca a desagradar a cúpula da Aeronáutica, que investiu cerca de US$ 30 milhões na carreira do então major Pontes, incluindo os oito anos que passou em Houston, no Texas, recebendo em dólar e com muitas regalias.

MAU EXEMPLO – Quando vivia em Hoston, o então major Pontes, que é casado, arranjou uma amante brasileira e teve um filho com ela lá no Texas. Após o curso de dois anos na Nasa, esperando na fila para voar. praticamente não fazia nada. Durante seis anos, o então major dizia à Nasa que estava a serviço da FAB, e dizia à FAB que estava à disposição da Nasa. Ficou curtindo vida adoidado, como o personagem Ferris Bueller, no filme clássico de John Hughes.  

O pior é que, antes de dar o passeio no espaço, o major brasileiro já tinha contratado um empresário e criado um site pessoal, só pensava em ganhar dinheiro com palestras e como garoto-propaganda de comerciais, uma grande maluquice. Ele seria facilmente promovido e chegaria a tenente-brigadeiro, o posto máximo, mas preferiu abandonar a Aeronáutica pensando que ia enriquecer, quebrou a cara. Não conseguiu enriquecer e depois foi candidato a deputado federal, quebrou a cara de novo.

Recentemente, grudou em Bolsonaro, que queria até colocá-lo com vice na chapa, mas foi desaconselhado pelos generais que o assessoram. Agora, Bolsonaro inventa este voo solo do astronauta até o ministério da Ciência e Tecnologia, que seria recriado para abrigar o homem do espaço que a Força Aérea despreza e abomina, como exemplo de um mau militar, que troca a farda por trinta dinheiros.    

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P.S.
Essas informações sobre o tenente-coronel Marcos Pontes me foram passados confidencialmente, mas achei melhor revelá-las, para que todos tenham ideia do que está realmente acontecendo. Bolsonaro acha que nomeá-lo seria um ganho de marketing, mas na verdade será uma furada, como diziam antigamente. (C.N.)

Brancos e nulos foram 9% e a bancada do MDB desabou no primeiro turno

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Charge do Donga (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Duas faces marcaram o primeiro turno das eleições, além da vitória de Bolsonaro e sua capacidade de transmitir apoio a candidatos aos governos estaduais. Reportagem de Ana Luiza Albuquerque e Leonardo Diegues, edição de ontem da Folha de São Paulo, destaca que o contingente de votos brancos e nulos ficou na escala de 9%, o que ocorre normalmente em eleições, ficando muito aquém do que vários autores cogitavam e projetavam numa escala bem maior.

Mas o que ocorre na maratona do voto é sempre assim. Quando a campanha se inicia, o grau de desinteresse é muito grande. Mas quando a campanha esquenta e se aproxima do desfecho, os eleitores dispostos a anular ou votar branco, em grande parte acabam marcando seu candidato nas urnas eletrônicas do país.

MÉDIA DE 10% – Quem examinar a história do voto no Brasil vai encontrar uma média em torno de 10%, como aconteceu em 1955 e como aconteceu no primeiro turno de 2018. A reportagem da Folha acentua que aqueles que esterilizaram seu voto terminaram contrariando por larga margem as previsões projetadas para o embate nas urnas.

A campanha deste ano apresentou polarizações que contribuíram para motivar eleitores e eleitoras: a onda contra o PT de Lula e a reação bastante forte contra a corrupção. Foram esses os fatores mais aparentes.

Menos aparentes, mas também muito intensos os impulsos contra o MDB e contra o governo Michel Temer.

ESVAZIAMENTO – Para se ter uma ideia, a bancada do MDB na Câmara Federal desabou dos 65 deputados federais para apenas 34. Os votos parecem ter sido transferidos para a legenda do PSL. A bancada do PSL passou a ser a segunda em número na Câmara dos deputados. Só ficou atrás da bancada do PT. Verifica-se assim que o desastre que marcou o desempenho do candidato do PT foi maior do que aquele que fez submergir uma bancada que era de 62 para uma de 57. Devemos ressaltar que a queda da legenda do PT na área parlamentar foi menor do que aquela registrada pelo desempenho do partido nas eleições majoritárias.

NOVO QUADRO – É com esse quadro estabelecido no primeiro turno que vamos assistir ao segundo turno, cujas pesquisas preliminares apontam para a vitória de Jair Bolsonaro. Surgirá das urnas um novo quadro político para o país. A partir de janeiro de 2019 é que a população brasileira começará a ter uma ideia dos meses que virão depois. Exatamente quando o projeto de governo do PSL passará ao conhecimento público e ao debate nacional. Não possuindo bola de cristal, não podemos calcular o que vai acontecer.

Mas pelo panorama ainda nebuloso divisamos dificuldades que terão de ser contornadas. Porém, em primeiro lugar, o país terá conhecimento do plano do novo governo. Trata-se da passagem semelhante a que marca o crepúsculo e a alvorada.

“Ainda não descobrimos o milagre”, diz Rosa Weber sobre evitar fake news

Resultado de imagem para FAKE NEWS CHARGESManoel Ventura
O Globo

 A presidente do Tribunal Superior Eleitoral ( TSE ), ministra Rosa Weber , negou neste domingo que a Justiça Eleitoral tenha falhado no combate a divulgação de informações falsas durante as eleições deste ano. Para ela, se alguém tiver uma solução para coibir e evitar ” fake news “, deve avisar ao TSE, pois a corte ainda não descobriu esse “milagre”.

— Se tiverem a solução para que se evitem ou se coíbam as fake news, por favor, nos apresentem. Nós ainda não descobrimos o milagre — disse a ministra, durante entrevista à imprensa.

FENÔMENO MUNDIAL – Rosa Weber considerou que a divulgação de notícias falsas é um fenômeno mundial e que o Tribunal Superior Eleitoral não errou.

— Nós entendemos que não houve falha da Justiça Eleitoral a isso que se chama fake news. Todos sabemos que a desinformação é um fenômeno mundial. Gostaríamos imensamente de ter uma solução pronta e eficaz, mas não temos — disse a ministra.

A presidente do TSE considerou que a novidade nessas eleições foi a quantidade de boatos sobre as urnas eletrônicas. “O que há de novidade nesse pleito é a velocidade da circulação e difusão dessas notícias que estão a atentar contra a credibilidade do nosso sistema eleitoral. Esse ponto constitui uma novidade. Não tínhamos a exata visão que a desinformação se voltaria contra a instituição” — acrescentou.

TRÊS VÍDEOS – O Tribunal Superior Eleitoral divulgou três vídeos curtos na tentativa de combater fake news relacionadas a fraude nas urnas. O material deve ser divulgado no WhatsApp, apontada como principal rede para divulgação de notícias falsas.

Na mesma entrevista, o ministro Tarcísio Meira de Carvalho disse que a Justiça Eleitoral recebeu até agora cerca de 400 representações sobre propaganda irregular no processo eleitoral, das quais apenas 40 relativas a fake news.

— O TSE jamais desprezou ou subestimou os impactos desastrosos das notícias falsas catapultadas pelas novas tecnologias. É absolutamente justo observar que o TSE envidou todos os esforços para dotar as eleições de 2018 de um ambiente fértil e propício de ideias para uma democracia plural — disse Carvalho.

LISURA – Participam da entrevista autoridades do Poder Executivo, da Procuradoria-Geral Eleitoral, da Justiça Eleitoral, da Polícia Federal e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Todos eles manifestaram preocupação especial com as suspeitas lançadas sobre a lisura do processo eleitoral.

Se Bolsonaro ampliar a área da agropecuária, prejudicará o país, diz cientista

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Nobre é um cientista de renome mundial

Ana Lucia Azevedo
O Globo

Enfraquecer a conservação do meio ambiente prejudicará a economia e as ambições de política internacional do Brasil, alerta o cientista Carlos Nobre. Nos últimos meses, a campanha eleitoral trouxe à tona assuntos polêmicos como a saída do Brasil do Acordo de Paris (o tratado mundial do clima), a forma de atuação dos fiscais do Ibama no combate aos desmatadores e os prazos para o licenciamento ambiental. Outro tema controverso, levantado pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL), é a fusão do Ministério do Meio Ambiente com o da Agricultura. Para Nobre, membro das academias de Ciências do Brasil e dos Estados Unidos, ex-diretor da Capes e do Inpe e um dos mais renomados especialistas em mudanças climáticas do mundo, a condução desses temas de forma errada pode impactar negativamente a economia brasileira.

O que representa a declaração de Jair Bolsonaro sobre tirar o Brasil do Acordo de Paris?
Me parece uma cópia barata e inconsequente do ato de um presidente estrangeiro. A decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, teve repercussão mais retórica do que prática. Apesar do discurso anticlimático de Trump, dos incentivos à indústria do carvão, as emissões americanas continuam a cair. Isso porque a economia americana fez um movimento sem volta em direção à energia renovável. Além disso, nos EUA os estados têm independência maior. A Califórnia tem metas de redução de emissão ambiciosas como as de países escandinavos, de zerar emissões até 2045, goste Trump ou não.

Qual seria o impacto econômico para o Brasil?
Após caminhar para a energia renovável, a economia global se move para a produção responsável de alimentos, com foco no uso do solo. Nos últimos dez anos, os fundos de investimento têm se distanciado do mercado de carvão. O mesmo começa a ocorrer com alimentos oriundos de desmatamento. Os princípios do investimento responsável se voltaram para o uso da terra. A pressão maior vem de grandes redes de varejo internacionais em resposta ao mercado consumidor e vai aumentar. Estaremos sujeitos a restrições à carne e à soja brasileiras por parte de compradores europeus, japoneses e mesmo chineses. Nossas emissões de CO2 estão atreladas à agropecuária e ao desmatamento associado a ela. É um equívoco político pensar que sair do Acordo de Paris trará tranquilidade econômica para o agronegócio. Ao contrário, tornará o país vulnerável a restrições internacionais. A tendência mundial é não comprar produtos oriundos de desmatamento. Mais de 150 dos maiores fundos do mundo, que investem no setor de produção de alimentos, já se comprometeram com inciativas de princípios éticos. Facilitar a expansão agrícola com desmatamento é atacar a economia.

E as consequências políticas?
Teremos perda de prestígio e da liderança internacional consolidada do Brasil nesta área. O país seguia como o líder natural da economia de baixo carbono. Será ir pela contramão e desistir das ambições de política internacional. Se o Brasil aumentar o desmatamento, as pressões políticas e econômicas crescerão junto.

Qual a consequência de acenar com a facilitação do desmatamento?
É estimulá-lo . E ele já tem aumentado. Tanto os dados do Inpe quanto do Imazon, que devem ser apresentados em breve, mostram tendência de aumento de 30% a 35%. Se o Brasil sair do Acordo de Paris, o impacto será maior.

E o Brasil precisa desmatar para produzir mais?
Não. Temos terra desmatada e abandonada suficiente para continuar a aumentar a produção (a Embrapa estima em 50 milhões de hectares de pastagens degradadas). Além disso, nossa pecuária é extremamente ineficiente. A produtividade da pecuária na Amazônia equivale a um quarto da de São Paulo, com menos de um boi por hectare. Só com o manejo simples, nada moderno, você pode ter três.

Por que precisamos de florestas?
Porque é comprovadamente a forma mais barata e simples de assegurar os recursos hídricos, manter o equilíbrio do clima, a fertilidade do solo, a biodiversidade e capturar o CO2 na atmosfera.

Por que o movimento contra o meio ambiente ganhou força no setor rural?
O discurso antiflorestas nunca desapareceu do setor agrícola, que julga não haver uso mais nobre para a terra do que produzir comida. É uma questão filosófica e social. Proteger a terra para salvaguardar o equilíbrio ambiental em prol da sociedade jamais foi um conceito incorporado. Essa visão emergiu com a polarização, mas não foi inventada por um candidato. É o Brasil arcaico que sempre esteve presente e o pensamento dominante do setor, que acaba por se refletir em desmatamento e grilagem.

Não pesa o fato de estar provado ser preciso áreas preservadas para ter, por exemplo, água?
Parte do agronegócio sabe disso. Mas a grande maioria despreza a ciência e está preocupada em expandir a posse da terra. Pode até usar tecnologia no maquinário mas isso não significa que entenda de ciência. Só uma pequena fração entende isso. Já fui a encontros de agrônomos que trabalham para produtores do Mato Grosso e pensam que a soja gosta de calor e riem das mudanças climáticas. É triste, mas ignoram a realidade. Acima de 35 °C, a produtividade despenca e perto de 40°C chega a zero, segundo estudos da Embrapa. Além disso, no Cerrado já houve uma redução de chuva de 10% nas áreas desmatadas, o que é muito. Temos um cenário nada promissor para uma agricultura produtiva e sustentável na maior parte do Cerrado.

O que representaria incorporar o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ao da Agricultura?
Sinalizaria um inaceitável retrocesso e um sinal verde para o aumento dos desmatamentos e da poluição do ar, dos rios, dos oceanos. O MMA trata de uma extensa pauta, não somente relacionada à agricultura. Não faz sentido subjugar o desenvolvimento sustentável ao viés de ganhos de curto prazo do agronegócio com uma quase completa desregulamentação do setor. Ter órgãos especializados e com missão própria de conservação do patrimônio natural é, no caso brasileiro, uma garantia de sustentabilidade ambiental e bem-estar. E é, no mínimo, uma indevida simplificação imaginar que setores do agronegócio iriam se beneficiar a longo prazo. Um dos grandes beneficiados desta sustentabilidade é a própria agricultura, devido ao aumento de produtividade ao se mesclar ambientes naturais com ambientes agrícolas.

O licenciamento ambiental prejudica a economia?
O Brasil é reconhecido internacionalmente por ter uma moderna e adequada legislação ambiental, equilibrada e que não atrapalha o desenvolvimento econômico. A eficiência de processos burocráticos pode ser aprimorada, mas isso não se aplica só ao licenciamento ambiental, mas a toda máquina governamental. Melhorar a eficiência de ações governamentais é obviamente necessário. Porém, devemos lembrar que muitos atrasos em licenciamentos ambientais se dão devido à baixa qualidade dos projetos de avaliação de impactos enviados pelas empresas.

Há uma indústria de multas?
Não, até porque a taxa de pagamento de multas ambientais não chega a 5%. Os valores arrecadados não são a mola propulsora do sistema de fiscalização ou de volume significativo para outras ações de órgãos ambientais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
Uma entrevista sensacional. Mostra que o próximo governo precisa ouvir os cientistas. O professor Carlos Nobre tem toda razão quando diz que não falta terra abandonada para ser tornada produtiva. A lei deveria ser rigorosa contra o abandono da terra, com cobrança de imposto progressivo. E toda terra abandonada deveria ser desapropriada para efeito de reforma agrária. Simples assim. Mas quem se interessa? (C.N.)

Caríssimo general, o senhor é um macaco (como eu, meus filhos e todos nós)

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Reprodução de N.Tamura (Arquivo Google)

Reinaldo José Lopes
Folha

Caríssimo general, o senhor é um macaco (como eu, meus filhos, e todos nós). Não, por favor, não me entenda mal: a frase acima não é um insulto. Eu também sou um macaco. Meu filho e minha filha, as coisas que mais amo neste mundo, idem. Nosso Senhor, quando se fez homem por amor a nós, assumiu um plano corporal que é basicamente o de um grande macaco africano, ainda que bípede. (Digo “Nosso Senhor” sem ironia alguma —sou tão cristão quanto os apoiadores do seu candidato.)

Toco no assunto porque, alguns dias atrás, o senhor andou conversando com nosso concorrente sobre seus planos para a educação pública no país. Aliás, gostei da sua proposta de valorizar o professor e fazer com que os alunos o respeitem em sala de aula (sou filho de professora do ensino fundamental, sabe como é).

LIMITAÇÃO AO ENSINO – No entanto, foi difícil evitar certo espasmo de vergonha alheia ao ler estas suas declarações: “Escolas orientadas ideologicamente querem mudar a opinião que a criança traz de casa. Cabe citar o criacionismo, o darwinismo, mas não cabe querer dizer que criacionismo não existe. (…) Houve Darwin? Houve. Não é para concordar, tem de saber que existiu.”

Bem, diz o Evangelho que Deus faz cair a chuva imparcialmente sobre os justos e os injustos, mas não diz que o homem que recebe as gotas no nariz pode discordar da existência da dita chuva. Essa continua caindo, independentemente dos desejos do homem.

Assim é com Darwin —aliás, com a teoria da evolução, que avançou a passos largos depois do britânico. O DNA em cada uma das suas células dá testemunho de que o senhor é um grande símio, assim como os fósseis, a anatomia, o comportamento humano.

PROBLEMINHAS – O que me preocupa, general, é a impressão de que vocês têm certos probleminhas com fatos (conforme sugere a sua relutância de chamar o regime ditatorial de 1964 de, ora bolas, ditadura). Mas fiquemos só na seara evolucionista: se um professor disser aos seus alunos que tanto faz como tanto fez se eles se reconhecem como primatas ou acham que o Universo tem 6.000 anos de idade, este mestre não está respeitando as crenças da garotada e de seus pais. Está apenas mentindo para eles, o que é bem diferente.

Repare que explicar aos estudantes o porquê de os fatos apoiarem a teoria da evolução está longe de ser doutrinação ateísta.

A ciência, por definição, tem pouco ou nada a dizer acerca da existência de Deus. Mas estudar as evidências da evolução pode ajudar um bocado a entender como se constrói uma teoria com base no estudo cuidadoso e humilde do mundo ao nosso redor.

É APENAS CIÊNCIA – É o tipo de disciplina mental sem a qual não se criam novas tecnologias, por exemplo —aquelas que hoje fazem a riqueza de um país no longo prazo, e não no ciclo curto e comezinho dos mandatos presidenciais.

General, o senhor e seus companheiros de armas merecem todo o crédito pelo comportamento exemplar que tiveram nos últimos 30 e tantos anos de história brasileira. Acredito firmemente que a imagem do futuro que vocês desejam não é a de um coturno pisoteando um rosto humano para sempre (Orwell, general; se não leu ainda, vale a pena).

Algumas coisas, porém, pisam bem mais fundo que coturnos. Os fatos da natureza, por exemplo (como as mudanças climáticas, aquelas coisas inexistentes que ameaçam tragar as praias de Angra onde seu candidato gosta de pescar em condições duvidosas). Se eu fosse o senhor, não arriscaria levar uma botinada deles.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUm grande artigo de Reinaldo José Lopes, jovem e brilhante jornalista, especializado em Biologia e Arqueologia, autor de “1499: O Brasil Antes de Cabral”. O texto mostra o despreparo do general Aléssio Ribeiro Souto, coordenador do grupo de educação, ciência e tecnologia da campanha de Bolsonaro. Em pleno Século XXI, pretender igualar uma tese religiosa, sem base científica, a uma teoria fundamentada como a Evolução estudada por Darwin é uma postura bizarra, que depõe contra a instrução ministrada nas instituições militares, inclusive na Escola Superior de Guerra. O capitão Bolsonaro precisa se livrar logo desse general. (C.N.)  

Equipe de Jair Bolsonaro já abriu diálogo com o Ministério Público Federal

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Lorenzoni representa Bolsonaro nessas negociações

Mônica Bergamo
Folha

A equipe de Jair Bolsonaro já estabelece pontes com o MPF (Ministério Público Federal). O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), indicado pelo presidenciável para a Casa Civil em seu eventual governo, abriu diálogo com procuradores. Entre seus interlocutores está José Robalinho, presidente da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República). Os dois conversaram depois que Bolsonaro declarou à TV Globo que não respeitará a lista tríplice que procuradores elegem para indicar o procurador-geral da República.

A categoria ficou de orelha em pé com as declarações. Muitos entenderam que Raquel Dodge, atualmente no comando da PGR (Procuradoria-Geral da República), está com os dias contados.

DESRESPEITO – Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, que integrou a Operação Lava Jato, se desprezar a lista tríplice, Bolsonaro “estará desrespeitando a vontade da instituição. E retornará a uma prática do governo FHC [Fernando Henrique Cardoso] que se revelou ruim para o país. Um Ministério Público livre de amarras é essencial para a democracia”.

Lorenzoni foi defensor das dez medidas anticorrupção que procuradores apresentaram ao Congresso. Por isso, mantém canal aberto com alguns deles.

Integrantes experientes do MPF acreditam que haverá uma tentativa de se chegar a um meio-termo: Bolsonaro aceitaria escolher o novo procurador-geral entre os três mais votados da categoria —que, em troca, se articularia para evitar que todos os eleitos fossem “esquerdistas”.

LULA E DILMA – Os mesmos procuradores lembram que Lula e Dilma Rousseff sempre escolheram o primeiro da lista tríplice —mas todos eles tinham o perfil progressista que se encaixava nas preferências dos governos petistas.

Depois que o MPF começou a tocar uma série de investigações contra o PT, houve uma saia justa. Mas os dois presidentes optaram sempre por reconduzir os que já comandavam a PGR para o cargo.