Bolsonaro foi avisado e desde o início aprovou a compra de mansão pelo filho rachadista Flávio

Flávio Bolsonaro compra mansão de R$ 6 mi

Charge do Duke (domtotal.com)

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O entorno do presidente Jair Bolsonaro está trabalhando para desvincular dele a compra, pelo senador Flávio Bolsonaro, de uma mansão avaliada em R$ 6 milhões na região mais nobre de Brasília. Mas pessoas próximas ao presidente garantem que, desde o início, ele foi avisado sobre o negócio. E deu força ao filho para levar a operação adiante.

Também, desde que Flávio comunicou Bolsonaro sobre a intenção de comprar a mansão, havia a percepção de que, quando o assunto se tornasse público, “daria dor de cabeça ao governo”, mas, depois, “a polêmica perderia força”. O importante, no entender da família Bolsonaro, era que o senador tivesse bons argumentos para confrontar os ataques.

GOSTA DE IMÓVEIS – Flávio, que é acusado de lavagem de dinheiro e corrupção, por ter cobrado parte dos salários de assessores quando era deputado na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, com as chamadas rachadinhas, tem um histórico de forte ligações com imóveis. A mansão de R$ 6 milhões é o 20º que ele compra — boa parte já foi vendida.

O filho 01 de Bolsonaro diz que toda a operação é legal, que só conseguiu fechar a compra da mansão porque conseguiu um financiamento, cujas parcelas vão consumir mais da metade de seu salário como senadores, próximo de R$ 33 mil mensais brutos. O Banco de Brasília (BRB), que financiou a mansão, também ressalta que o negócio está dentro da lei.

EM 360MESES – Pela escritura de compra do imóvel, dos R$ 6 milhões, Flávio financiou R$ 3,1 milhões junto ao BRB, para quitação em 360 meses. As taxas de juros ficaram entre 3,65% e 4,85%, bem abaixo da média do mercado. A mulher do senador, Fernanda, que é dentista, também consta como compradora do imóvel.

A compra da mansão foi revelada na segunda-feira (01/03) pelo site O Antagonista. Segundo o registro da operação em cartório, o imóvel tem 2.400 m², está localizado no Setor de Mansões Dom Bosco. No documento, aparece como vendedora é a RVA Construções e Incorporações.

Ainda na presidência da Petrobras, Castello Branco desmoraliza Bolsonaro e reajusta de novo os combustíveis

Entregamos a recuperação da Petrobras prometida', diz Roberto Castello Branco - Seu Dinheiro

Com a mão grande, Castello Branco aumentou o próprio salário

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Ainda no cargo de presidente da Petrobras, o economista Roberto Castello Branco deu um tapa da cara do presidente Jair Bolsonaro ao reajustar novamente os preços dos combustíveis. O executivo foi demitido por Bolsonaro por meio das redes sociais, mas há todo um trâmite legal para que ele deixe o cargo. Por isso, deu uma demonstração de força e de independência ao presidente da República.

Nesta segunda-feira (01/03), a Petrobras informou que reajustará os preços da gasolina em 4,8% (R$ 0,12 por litro) nas refinarias, com o valor médio para as distribuidoras passando para R$ 2,60. Esta é a quinta alta no ano. Desde janeiro, a gasolina acumula reajuste de 41,3%.

DIESEL, TAMBÉM – No caso do diesel, o preço médio nas refinarias subirá para R$ 2,71 por litro, com aumento de 5,03% ou de R$ 0,13. É o quarto aumento no ano, com total acumulado de 34,1%. Esse reajuste deve motivar novas cobranças ao governo por parte dos caminhoneiros.

Castello Branco ficou muito decepcionado com Bolsonaro, para o qual fez forte campanha durante as eleições presidenciais, acreditando que, se eleito, ele tocaria uma ampla agenda liberal. Dois anos e três meses depois da posse, a agenda não saiu do papel e o presidente da República se mostra cada vez maior intervencionista.

Tanto que demitiu o subordinado por discordar da política de preços da Petrobras, que acompanha a variação das cotações do petróleo no mercado internacional e o sobe e desce do dólar.

SEM PREVISIBILIDADE – Para Bolsonaro, tal política prejudica demais aos consumidores, por não ter previsibilidade. Alegou também que Castello Branco dobrou sua gratificação no cargo.

O atual presidente da Petrobras será substituído pelo general Joaquim Silva e Luna, caso o nome dele seja aprovado pelo Conselho de Administração da estatal. O currículo de Luna, porém, não cumpre uma série de requisitos previstos no estatuto da petroleira, como, por exemplo, ter experiência de pelo menos 10 anos do setor de petróleo. 

A expectativa do Palácio do Planalto é de que o Conselho de Administração da Petrobras “passe por cima dessas regras” e cumpra as determinações do presidente da República. Enquanto isso, Castello Branco vai reinando e ainda pode dar novos aumentos para os combustíveis se o petróleo e o dólar continuarem em alta.

Uma arrebatadora canção de amor, na criatividade de Dominguinhos e Nando Cordel

Dominguinhos e Nando Cordel - É Só Você Querer - YouTubePaulo Peres
Poemas & Canções

O cantor, instrumentista e compositor pernambucano Fernando Manoel Correia, nome artístico Nando Cordel, expressa o que acarreta a saudade de um amor na letra de “Gostoso Demais”, parceria com Dominguinhos (1941-2014). A música foi gravada por Maria Bethânia no LP Dezembros, em 1987, pela Universal Music.

GOSTOSO DEMAIS
Dominguinhos e Nando Cordel

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem-querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim o que eu posso fazer

Inquéritos de fake news e atos antidemocráticos incriminam o gabinete do ódio e o próprio Bolsonaro

CPI das Fake News mira grupo que integraria 'gabinete do ódio' no Planalto - Jornal O Globo

Arnaud, do gabinete do ódio, é assessor especial do presidente

Carlos Newton

Aproxima-se o dia 15 de março (cai numa segunda-feira), quando deverão estar concluídos pelo menos dois importantes inquéritos no Supremo, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes – fake news e atos antidemocráticos. Ambos se interligam e envolvem diretamente o Planalto, porque chegaram até o terceiro andar do palácio, onde funciona o chamado “gabinete do ódio”, ao lado da sala onde despachava o presidente Bolsonaro.

Esse “gabinete do ódio” é comandado pelo filho Carlos Bolsonaro,  tendo como principal executivo o especialista em informática Tércio Arnaud Tomaz, assessor especial do presidente e que desde a campanha de 2018 trabalha para a família Bolsonaro.

FINANCIAMENTO INTERNACIONAL – Em entrevista ao programa Canal Livre, da Band, no dia 21, o ministro Dias Toffoli revelou que, por meio da quebra de sigilos bancários, esses inquéritos identificaram financiamento internacional a pessoas que usam as redes sociais para atacar instituições brasileiras, como o próprio STF, responsável pelas investigações.

Segundo o ministro Dias Toffoli, os inquéritos conduzidos pelo relator Alexandre de Moraes aprofundam a investigação desse financiamento vindo do exterior, que é considerado uma prova gravíssima.

“A história do país mostrou ao que isso levou no passado. Financiamento a grupos radicais, seja de extrema direita, seja de extrema esquerda, para criar o caos e desestabilizar a democracia em nosso país”, afirmou o ministro no Canal Livre.

ATAQUES À IMPRENSA – Toffoli disse ainda que a informação sobre financiamento internacional mostra que “há uma organização por trás disso, que ataca inclusive a imprensa tradicional e séria”. E destacou: “Temos que ficar atentos, e o inquérito está em excelentes mãos.”

Como os dois inquéritos chegaram às mesmas pessoas no “gabinete do ódio”, o relator Alexandre de Moraes pode usar a chamada “prova emprestada”, como prevê o Código de Processo Civil.

Em seu artigo 372, o CPC determina que “o juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo, atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório”.

SEM RESSALVAS – A possibilidade de uso da “prova emprestada” é total, porque em 2014, no julgamento do Recurso Especial 617.428, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça estabeleceu, por unanimidade,  que a “prova emprestada não pode se restringir a processos em que figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade, sem justificativa razoável para tanto.

O único requisito é que o uso dessas “provas emprestadas” seja comunicado às partes envolvidas no, para que exerçam amplo direito de defesa.

TERCEIRO INQUÉRITO – O terceiro inquérito que se encontra com o relator Moraes envolve Bolsonaro mais diretamente, porém vai demorar, porque o presidente se recusa a prestar depoimento sobre a acusação de interferência na Polícia Federal, feita pelo ex-juiz Sérgio Moro.

É o mais grave, porque pode ter como “prova emprestada” os gravíssimos relatórios da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre a tentativa de anular as investigações contra Flávio Bolsonaro.

A escolha é do freguês, como dizem os feirantes. Mas a meu ver, o inquérito mais importante é o terceiro, porque nele Bolsonaro se autoincriminou, ao dizer, na reunião ministerial de 22 de abril de 2020:

“Já tentei trocar gente da segurança nossa no Rio de Janeiro, oficialmente, e não consegui! E isso acabou. Eu não vou esperar foder a minha família toda, de sacanagem, ou amigos meus, porque eu não posso trocar alguém da segurança na ponta da linha que pertence à estrutura nossa. Vai trocar! Se não puder trocar, troca o chefe dele! Não pode trocar o chefe dele? Troca o ministro! E ponto final!”

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P.S. –
Bem, se esses motivos não justificam o impeachment desse presidente desequilibrado e fanfarrão, é melhor a gente se mudar para um país mais sério, como o Paraguai.
(C.N.)

Novas avaliações das joias de Cabral indicam que houve alto superfaturamento na venda

Debate sobre avaliação atrasa certame há mais de um ano e meio

Italo Nogueira
Folha

Os responsáveis pelas joalherias que venderam brincos, anéis, pulseiras e outras peças para o ex-governador Sérgio Cabral afirmaram ao juiz Marcelo Bretas que parte dos itens apreendidos pela Polícia Federal perdeu quase metade do valor desde a sua compra. Representantes da Antônio Bernardo e H. Stern que firmaram acordo de delação com o Ministério Público Federal avaliaram 27 das 40 joias disponíveis para leilão a pedido de Bretas.

A nova cotação apontou uma queda de 48% do valor das 27 joias somadas, em comparação ao valor de venda. Os demais 13 itens passarão por uma reavaliação do leiloeiro Renato Guedes, responsável por organizar os leilões da Operação Lava Jato fluminense, por terem sido vendidas por outras lojas.

QUESTIONAMENTOS – O certame está adiado há mais de um ano e meio após uma série de questionamentos sobre o lance mínimo estabelecido por elas. A polêmica sobre os preços dos itens começou após a Folha revelar que os lances mínimos do leilão marcado para agosto de 2019 representavam uma desvalorização total de 78% frente ao que foi pago às joalherias pelas peças por Cabral e sua mulher, Adriana Ancelmo.

São brincos, pulseiras, colares, abotoaduras e relógios que custaram R$ 2,07 milhões ao casal. Os valores foram identificados em notas fiscais das lojas e em pesquisa de mercado pela Polícia Federal. A primeira avaliação após a apreensão dos itens foi feita por um servidor da Caixa Econômica Federal em setembro de 2017. Ele estimou o valor do lote em R$ 455 mil.

Bretas apontou que a discrepância dos preços exigia um novo estudo para definir os lances mínimos. Um avaliador independente contratado pelo leiloeiro reduziu ainda mais o patamar das joias, abaixando em 81%, em média, o valor dos itens que iriam ao certame.

NOVO CÁLCULO – O leiloeiro Renato Guedes ainda refez, por conta própria, um cálculo que partia da média das três avaliações anteriores (PF, Caixa e avaliador independente) e de uma pesquisa de mercado feita por sua equipe na internet. O cálculo resultou numa desvalorização de 60%. O magistrado, então, decidiu convocar representantes das joalherias Antônio Bernardo e H. Stern para que avaliassem as joias que saíram de suas vitrines.

Eles firmaram acordo de delação porque venderam as peças sem nota fiscal para o ex-governador e sua mulher, auxiliando na lavagem de dinheiro apontada pelo Ministério Público Federal. Os responsáveis pelas análises foram Roberto Stern, da H. Stern, e Vera Herrmann, da Antônio Bernardo.

PAR DE BRINCOS – O item que mais perdeu valor, segundo o laudo apresentado, foi um par de brincos Cartier de ouro com 72 diamantes. Comprado por R$ 56 mil, ele foi reavaliado em R$ 12 mil. Apenas um item teve um valor atribuído maior do que o da compra: um par de brincos Bvlgari, adquirido por R$ 35 mil, foi cotado em R$ 40 mil. Os valores a serem confirmados por Bretas são os chamados lances mínimos. No primeiro leilão, recebe-se ofertas a partir desse patamar. Caso não haja interessados, há uma redução de 30% no preço-base para a segunda rodada.

Ironicamente, pode estar nas mãos dos interessados no leilão a comprovação ou não da tese de defesa apresentada por Cabral sobre lavagem de dinheiro com joias. O tema foi pivô de uma discussão do ex-governador com o juiz que levou a sua transferência para Curitiba. Na ocasião, ele foi algemado nas mãos e nos pés.

O ex-emedebista afirmava que não lavava dinheiro com joias porque elas perdiam, segundo ele, valor assim que saiam da vitrine. A discussão começou quando Cabral mencionou a atuação da família de Bretas com bijuterias. “Vossa Excelência tem um relativo conhecimento sobre o assunto porque sua família mexe com bijuterias. Se não me engano, é a maior do estado”, disse o ex-governador, que teve a segunda informação negada por Bretas.

TRANSFERÊNCIA – “Foram as informações que me chegaram”, completou Cabral na ocasião. Essa fala, que indicou para o juiz o recebimento de informações consideradas indevidas a um preso, motivou sua transferência para Curitiba, posteriormente revogada.

Cabral atualmente reconhece a lavagem de dinheiro. Ele entregou à Polícia Federal no ano passado 27 joias que estavam escondidas desde a sua prisão, em novembro de 2016, como parte do acordo de delação premiada firmado com a corporação. Entre elas estava a mais valiosa adquirida pelo casal: o brinco espeto de turmalina paraíba com diamantes, que custou R$ 612 mil.

PENAS – Esse lote de joias, porém, ainda não foi disponibilizado para leilão. Também não tem data marcada o certame para outro conjunto de 97 peças apreendidas numa segunda operação, que prendeu Adriana Ancelmo. Cabral já foi condenado em 17 processos, responde a outros 17 vinculados à Lava Jato, e sua pena somada supera os 332 anos.

No ano passado, porém, o julgamento de um recurso do ex-governador no TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região) abriu a primeira brecha para que a punição seja significativamente reduzida no futuro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAs joias não caíram de preço. Em tradução simultânea, as vendas a Cabral e Adriana Ancelmo foram todas superfaturadas, como preço mais alto do que normal, porque os dois nem se importavam, só queriam lavar o dinheiro, e as joelheiras tinham pleno conhecimento disso. (C.N.)

Marina Silva se vê longe da disputa em 2022 e sugere uma frente pró-Ciro Gomes

Últimas notícias sobre Marina Silva - PontoPoder

Desde março do ano passado, Marina só saiu de casa uma vez

Deu no Correio Braziliense
Agência Estado

Depois de receber 1% dos votos em 2018 na sua terceira tentativa de chegar à Presidência da República, a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva (Rede), de 63 anos, diz não ter planos de se lançar em uma nova disputa em 2022. Vivendo em isolamento social em Brasília, ela afirmou em entrevista por telefone ao Estadão que só saiu de casa uma vez desde o dia 1º de março do ano passado, para ir ao médico.

Sua militância virtual, porém, segue intensa. Ela faz palestras – Marina pretende se aposentar como professora e abriu mão da aposentadoria como senadora – e lidera os debates do partido que criou, a Rede Sustentabilidade. Atualmente, a legenda elabora estratégias para sobreviver à cláusula de barreira no ano que vem.

No precoce tabuleiro eleitoral que se formou, Marina sinaliza apoio a Ciro Gomes (PDT) como o mais forte para quebrar a polarização entre o PT e o presidente Jair Bolsonaro, embora diga que, antes de nomes, o mais importante é discutir projetos. 

A sra. tem disposição para disputar uma nova eleição presidencial?
Não gosto de trabalhar com essas conjecturas. Depois de ter 1% dos votos numa eleição, e diante de tanta gente que teve um melhor desempenho, é difícil alguém fazer essa proposta. Principalmente prevalecendo esse critério de que se discute primeiro as métricas eleitorais, em termos de voto, e não métricas qualitativas, em termos de programa. A única coisa que posso dizer é que tenho me dedicado o tempo todo a construir o que é melhor para o Brasil. Tenho essa disposição para o diálogo. Não sou do tipo que acha que um bom projeto de país só funciona comigo.

Como tem sido a rotina da sra. na pandemia?
Estou em isolamento social desde o dia 1º de março do ano passado. Já tenho 63 anos. É de conhecimento público que sou uma pessoa hiperalérgica e asmática. Só tenho me comunicado com a minha filha que mora aqui do lado. Eles estão em isolamento também. Só saí do condomínio uma vez para ir ao médico. 

Como avalia o cenário da pandemia no Brasil, que bate recorde de mortes, e a estratégia dos governadores?
Não há dúvida de que o Brasil está sendo avaliado como o país com o pior desempenho na condução das medidas de saúde em relação à pandemia. Isso se deve ao fato de o governo ter desistido de cuidar da população brasileira e pela politização, que transforma tudo em cálculo eleitoral. Se o cálculo eleitoral dissesse que fazer lockdown daria algum tipo de dividendo, era isso que teria sido feito. O governo federal, por sua vez, criou todas as dificuldades possíveis para se adquirir a vacina. A politização eleitoreira de um tema que tem a ver com a vida das pessoas é um atraso civilizatório. O negacionismo tem várias formas. Tem o ideológico e primitivo, que é colocado em palavras pelo presidente Bolsonaro, que lavou as mãos, e outro é o negacionismo disfarçado, que maquia o que a ciência está dizendo com uma ética de conveniência. Se não fosse o trabalho que a mídia tem feito, a sociedade brasileira estaria totalmente à deriva.

O PT já colocou o “bloco na rua” para 2022 com Fernando Haddad. No PSDB, João Doria já se movimenta como candidato e Bolsonaro trabalha abertamente pela reeleição. A Rede terá candidato ao Palácio do Planalto?

Há um erro no que está sendo feito. O Brasil vive um cenário de isolamento no âmbito nacional e agravamento da pandemia, mas se cria aqui o falso dilema de que o mais importante é discutir os nomes. O mais importante é discutir qual é o projeto. Eu participo de um campo do qual fazem parte PDT, PV, PSB, Rede e o Cidadania, que tem sido convidado. Há concordância que neste momento temos que adensar um projeto que leve os setores do campo da esquerda democrática, da centro-esquerda e progressistas a ter um projeto que recupere o Brasil para um percurso civilizatório coerente com o que é uma democracia ocidental. O Brasil não pode ficar trancado do lado de fora achando que pode queimar floresta. 

Dentro desse coletivo partidário é possível chegar ao consenso em torno de um nome? Nestas legendas tem a sra. e o Ciro Gomes…
O Ciro já tem o nome dele colocado desde o início, o que é legítimo. O que estamos fazendo é um apelo ao campo da esquerda democrática não dogmática, da centro-esquerda, dos setores progressistas e de centro-direita que pensam em primeiro lugar no Brasil. É nesse lugar que estamos nos articulando, e com uma pessoa que tem uma experiência política, administrativa e de política nacional que já colocou seu nome, que é o Ciro Gomes. Ele está fazendo esse diálogo maior, que não é em torno do nome, mas do projeto. O pior dos mundos é criar a velha polarização que existia, entre PT e PSDB, e deixar o tempo todo o brasileiro em terceiro. Agora seria a velha polarização, mas entre Bolsonaro e Lula ou PT. Agora é o momento de a sociedade assumir o primeiro lugar. Tenho a tranquilidade de quem já perdeu três campanhas, já procurei dar uma contribuição.

Acredita então que Ciro pode liderar uma terceira via em 2022?
O Ciro Gomes tem legitimidade, competência e capacidade para se colocar, mas eu acho que ele próprio não está trabalhando com essa ideia de terceira via. Ele e todos nós buscamos a recuperação sustentável da economia brasileira, a dignidade humana, a defesa da democracia, da liberdade de expressão e das instituições. Queremos uma primeira via. E que nessa primeira via o Brasil seja capaz de colocar em primeiro lugar a saúde do seu povo. 

Como avalia o nome do Luciano Huck para 2022? Ele tem conversado com a esquerda.
Numa democracia é legítimo que surjam nomes. Caberá ao debate democrático mostrar os compromissos, ideias, alinhamentos políticos e evitar que haja uma pulverização de tal forma que permita a continuidade daqueles que estão fazendo mal ao Brasil. É importante que surjam novas lideranças no cenário político. É importante que tenha surgido o nome do Luciano e que um jovem de sucesso como apresentador tenha a intenção de contribuir com o processo político do Brasil. Eu advogo a renovação da política não só no discurso, mas também dos quadros. Mas acho que ele tem alguns problemas claros a serem enfrentados. A fragilidade da articulação em torno da qual a mídia está falando que ele está, com o DEM e o PSDB. A gente ouve que há essa articulação (dele) em torno do DEM e do PSDB. O DEM na eleição da (presidência) da Câmara foi para o Bolsonaro. O PSDB tem o Doria. Tem aí um desafio muito grande. Ele (Huck) precisa refletir muito.

Descarta uma aliança com o PT em uma eventual frente contra Bolsonaro?
Quando o PT já se coloca a priori como tendo Lula ou Haddad como candidato, ele não está entendendo o que está acontecendo. Esse é o momento de olhar de baixo para cima para enxergar o que está acima de nós, e não se candidatar à permanência da velha polarização. O PT tem uma força gravitacional enorme e é um ator importante no processo político, mas a sua importância estratégica será medida pela capacidade de verificar que nem sempre aqueles que têm força gravitacional para polarizar mais conseguem ter a maior credibilidade para derrotar aquele que precisa ser derrotado neste momento. Mais uma vez o PT aponta para uma política de exclusividade, de não considerar a gravidade do momento e ficar discutindo pessoas. Os partidos e lideranças precisam ter um pouco mais de humildade.

A Rede recorreu ao STF contra a decisão que impede a fusão de legendas fundadas há menos de cinco anos. Ano que vem será a prova de fogo dos partidos pequenos para superar a cláusula de barreira. A ideia é fundir a Rede com outra legenda?
A Rede não está considerando a fusão. Esse debate foi feito em 2019 e algumas pessoas da Rede achavam que era melhor uma fusão com o Cidadania. Tenho um respeito enorme pelo Roberto Freire, mas a nossa escolha é que a Rede é necessária. Tomamos essa decisão mesmo não tendo (recursos do) Fundo Partidário.

Se a Rede não considera a ideia de fusão, por que recorreu ao STF?
A democracia existe para que as pessoas possam ter o direito de escolha. O fato de eu não querer fazer uma coisa não significa que vou criar um mecanismo para todos pensarem igual a mim. Eu posso não querer a fusão neste contexto, mas é possível que em outro contexto isso possa vir a ser desejado.

A sra. defende a proposta de federação partidária para superar a cláusula de barreira?
Esse debate vem sendo feito e a Rede participa dele, junto com PCdoB e PV. Isso possibilitaria aos partidos de poderem existir com suas identidades e programas. Esse debate está sendo feito, sim, entre partidos. Toda discussão na reforma eleitoral foi punir e acabar com os partidos de aluguel, mas preservando os partidos ideológicos.

Nunes Marques nega liminar à procuradora acusada de ofender Bolsonaro nas redes sociais

Nunes diz que não se trata de um caso de urgência para justificar liminar

Paulo Roberto Netto
Estadão

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, negou pedido da procuradora Paula Cristine Bellotti, de Itaperuna (RJ), para suspender a pena de censura imposta a ela pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) no ano passado após ter feito críticas ao presidente Jair Bolsonaro nas redes sociais. Segundo o ministro, indicado pelo Planalto à Corte, não se trata de um caso de urgência suficiente para justificar uma liminar.

Paula Cristine publicou em seu perfil no Facebook diversas charges de Bolsonaro no ano passado. Em uma delas, o presidente está de joelhos e lambe os sapatos do então presidente do Estados Unidos, Donald Trump. A legenda dizia: ‘Bolsonaro é um miserável e quer que nós nos tornemos iguais a ele! Cabe a nós decidir!’.

“LIXO” – Outra publicação exibia a imagem de eleitores bolsonaristas com nádegas em vez de rostos e suásticas estampadas em suas camisas. Em uma terceira ocasião, a procuradora publicou fotografias de protesto de estudantes em defesa da Educação e uma manifestação pró-governo e comparou as duas imagens como ‘Estudantes e trabalhadores x o lixo que ocupa a presidência da República e seus vagabundos e fracassados’.

Em agosto, o CNMP puniu a procuradora com a censura — sanção que, na prática, pode dificultar a promoção ou benefícios de carreira dentro do Ministério Público Federal. A condenação também passa a constar na ‘ficha’ de Paula Cristine caso ela seja julgada novamente pelo colegiado, que poderá aplicar penas mais duras.

No pedido ao Supremo, a procuradora pedia a suspensão da punição por considerar que suas publicações estavam abarcadas pela liberdade de expressão, além de terem sido feitas em seu perfil pessoal, sem vinculação com sua atividade no Ministério Público Federal.

URGÊNCIA – Kassio Nunes Marques, porém, apontou que não vislumbra urgência para deferir liminar e suspender a punição. Para o ministro, mesmo que a sanção preveja o impedimento de uma promoção futura, tal cenário se mostra ‘pouco provável em um período próximo’.

“De igual modo, não há qualquer indicação de que a autora esteja na iminência de sofrer prejuízos concretos decorrentes do ato impugnado, tais como a preterição na inscrição em cursos ou seminários”, anotou Kassio.

“Portanto, ainda que alguma das aludidas sanções venha a ser efetivada, nenhuma delas se reveste sequer da aparente natureza de irreparabilidade autorizada de concessão da pleiteada medida de urgência sem a prévia instauração do contraditório”, finalizou.

Empresário que vendeu mansão para Flávio fez negócio milionário com o Senac do DF

Empresário que vendeu mansão para Flávio fez negócio milionário com Senac-DF

Juscelino Sarkis vendeu a mansão por um preço bem convidativo

Lucas Valença
O Antagonista

O empresário Juscelino Sarkis, que vendeu a mansão de R$ 6 milhões para Flávio Bolsonaro com financiamento do Banco Regional de Brasília (BRB), também fechou negócio de R$ 74 milhões com o Senac-DF na gestão de Francisco Maia, morto no mês passado por Covid.

Assim como Paulo Henrique Costa, do BRB, Francisco Maia era apadrinhado de Ibaneis Rocha, que agora tenta emplacar outro aliado no comando da Fecomércio-DF, que controla o Sesc e o Senac locais.

Localizado na Asa Norte, bairro de classe média de Brasília, o imóvel adquirido por Maia, em 23 de dezembro, estava em nome das empresas Cedro Participações, RVA Construções e Incorporações, Estrutural Empreendimentos e Prisma Empreendimentos Imobiliários – que integram o grupo empresarial de Sarkis.

O negócio com o Senac foi registrado no 2º Ofício do Registro de Imóveis, sob a matrícula de nº 58.854.

Na segunda-feira, 22, a Confederação Nacional do Comércio, comandada por José Roberto Tadros, interveio na Fecomércio do Distrito Federal e escolheu o primeiro vice-presidente da Confederação, Valdeci de Sousa Cavalcante, como interventor por 90 dias. Valdeci também é presidente da Fecomércio do Piauí e já é interventor na federação de Minas Gerais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria de O Antagonista contém um erro. O imóvel não fica na “Asa Norte, bairro de classe média de Brasília”. Está localizado no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Paranoá. A região faz parte de um bairro nobre da capital, supervalorizado, nada a ver com classe média, porque o senador rachadista não se mistura com essa gentalha... (C.N.)

Mulher de Daniel Silveira explica recebimento de auxílio emergencial : ‘Cancelar era bem complicadinho’

Paola alega que cancelar o benefício era “muito burocrático

Paulo Cappelli
O Globo

Mulher do deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ), a advogada Paola Daniel publicou um vídeo nesta terça-feira justificando o recebimento de auxílio emergencial mesmo ocupando cargo comissionado no Jardim Botânico, órgão federal.

Paola alega que cancelar o benefício era “muito burocrático” e ” bem complicadinho” e afirma que só soube da existência de dois depósitos de R$ 300 em sua conta após ser procurada pela reportagem do O Globo.    

“COMPLICADINHO” – “Descobriram que recebi o auxílio emergencial. Então veio aquele alvoroço. Realmente solicitei o auxilio emergencial, mas isso foi assim que saiu. Àquela época eu não morava com o Daniel. Não sou dependente dele. Eu tenho a minha dependência financeira, mas assim como muitos enfrentei dificuldades na minha área. Preenchi todos os requisitos para solicitar o benefício. Um tempo depois de solicitar o beneficio, soube que seria nomeada. Comecei a pesquisas sobre cancelamento do auxílio. Pesquisei e vi que o cancelamento era muito burocrático e, isso, se possível. Era bem complicadinho”, justificou.

“O tempo passou, minha nomeação não saiu. Demorou mais do que o previsto. Minha nomeação foi sair dia 20 de outubro. Como só saiu 20 de outubro, a folha de pagamento já tinha sido fechada, então eu só iria receber em dezembro. Para a minha surpresa, em novembro eu recebi uma parcela. Ora, fiquei até em dúvida. Falei: ‘Poxa, será que faço jus ou não?’ Até porque como minha nomeação foi 20 de outubro, de repente tenho direito à parcela de novembro. Vou pesquisar direitinho para saber se tenho que devolver”, disse.

“Fica tranquila, se você recebeu a última parcela é porque você tem direito. Se não o governo já teria cortado o seu benefício´”, disse ela no vídeo, sem no entanto, informar de quem havia recebido o comunicado”. “Tive essa informação e fiquei tranquila”, afirmou.

SURPRESA – “Como eu estava trabalhando em órgão federal, eu pensei, óbvio, os sistemas se comunicam, né? O meu benefício vai ser automaticamente cancelado. Para a minha surpresa, em novembro eu recebi uma parcela”, continuou.

Ela disse que só foi saber de duas parcelas de R$ 300 que caíram em sua conta após reportagem do O Globo entrar em contato. Segundo Paola, o dinheiro caiu em uma conta que ela não costuma movimentar.

“O jornalista printou e me mostrou. Eu falei `desconheço´. Peguei meu extrato, printei e mostrei o extrato de dezembro. Diante disso falei, vou dar uma olhada com calma na minha conta, porque como é conta que não movimento, não fico olhando. Olhei o extrato de janeiro e, para minha surpresa, tinha dois extratos de R$ 300, de 18 de janeiro. Eu desconhecia, tanto que o dinheiro ainda está lá. Já vi como faz para fazer a devolução. Já imprimi a guia. Hoje o sistema é muito mais fácil do que antes. Vou fazer a devolução. Não sou mal caráter nem tiro dinheiro de quem precisa. A questão da mídia não é a Paola, é o Daniel Silveira. Isso tudo é para denegrir a imagem dele”, finalizou.

Moro diz que mensagens hackeadas da Lava Jato criaram “uma série de fantasias construídas, narrativas”

Moro disse ter ‘orgulho’ da Lava Jato e classificou como ‘injustos’ os ataques

Rayssa Motta
Estadão

O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública e ex-juiz da Operação Lava Jato, Sérgio Moro, disse que foram criadas ‘hipóteses fantasiosas’ sobre as mensagens hackeadas dos procuradores que integraram a força-tarefa de Curitiba.

As conversas foram apreendidas na Operação Spoofing, que prendeu o grupo acusado pelo ataque cibernético, e liberadas ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) pelo Supremo Tribunal Federal. Desde então, a defesa do petista vem apresentando ao tribunal laudos feitos por um profissional independente contratado para periciar o material.

GRANDE VOLUME – A análise tem sido feita em etapas em razão do volume de conversas interceptadas. A cada relatório, novos trechos vêm à tona e movimentam a opinião pública.“O que eu tenho visto é uma série de fantasias construídas, narrativas”, disse Moro em seminário virtual promovido pelo Ceap Brasil na segunda-feira, 1º. “Se vê muito no recurso argumentativo a profusão de adjetivos. Se você não tem argumentos, se você não tem fatos, você carrega nos adjetivos, obscurecendo a falta de reais argumentos”.

O ex-juiz voltou a dizer que o diálogo de juízes com advogados, promotores e procuradores é comum no dia-a-dia da Justiça. “Nós temos uma praxe jurídica um pouco mais informal do que existem em outros países. Então a troca de diálogo entre pessoas envolvidas no processo não é algo que, por si só, é criminoso”, defendeu.

Na avaliação de Moro, não há irregularidade no teor das conversas, mesmo que a autenticidade do material não tenha sido atestada. Desde que parte das mensagens foi revelada, ainda em 2019, na série de reportagens conhecida como ‘Vaza Jato’, liderada pelo portal The Intercept Brasil em parceria com outros veículos de imprensa, integrantes da operação repetem que o material não tem validade jurídica uma vez que foi obtido ilicitamente no ataque cibernético e que a veracidade das conversas não é reconhecida pelos interlocutores ou por perícia oficial.

SENSO CRÍTICO – “Não é nenhuma espécie de aconselhamento ou relacionamento inapropriado. As pessoas têm que ter um pouco mais de senso crítico quando existem muitos interesses envolvidos em anulação dessas condenações, existem muitas pessoas poderosas envolvidas”, afirmou Moro.

O ex-juiz também disse ter ‘orgulho’ da Lava Jato e classificou como ‘injustos’ os ataques ao trabalho da força-tarefa. Para Moro, a operação foi um ‘divisor de águas’ para romper com a ‘impunidade dos poderosos’ e gerou uma ‘onda anticorrupção’ na América Latina.

“As pessoas viram e veem até hoje a quantidade de ataques injustos direcionados. Claro, críticas são possíveis, isso é absolutamente viável. Mas ataques injustos e mentiras feitas contra as pessoas que participam, que fazem a coisa certa dentro desses processos”, disse.

DIVISOR DE ÁGUAS – “A Lava Jato, na esteira do caso mensalão decidido antes, foi um divisor de águas no sentido de que a impunidade da grande corrupção, no período em que a operação durou, não se tornou mais a regra. As pessoas foram identificadas, tiveram sua culpa comprovada, foram condenadas, começaram a cumprir pena”, acrescentou.

No seminário virtual, Moro defendeu ainda a construção de uma ‘cultura de integridade’ no País. A bandeira do combate à corrupção, que o acompanha desde os tempos de magistratura, foi colocada como ‘um dos caminhos da prosperidade’.

“Claro que precisa de muito mais coisa: precisa investir em educação, precisa investir em produtividade, eu acho que nós precisamos ter uma economia mais aberta. Mas combater a corrupção é um meio de ganhar eficiência e ganhar prosperidade”, defendeu.

MINISTÉRIO – Moro falou também sobre o período em que ocupou a chefia do Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e explicou os motivos que o levaram a estabelecer como prioridades o combate ao chamado ‘crime de colarinho branco’ e ao crime organizado durante a sua gestão. Segundo o ex-ministro, a ideia foi consolidar os avanços obtidos com a Operação Lava Jato e, ao mesmo tempo, melhorar o desempenho do Brasil no enfrentamento à criminalidade violenta.

“Houve uma enorme resistência em relação a isso, não é o caso agora de entrar nesses detalhes”, disse sobre o combate à corrupção, sem entrar em detalhes.

Compra da mansão é mais uma complicação na vida do rachadista Flávio Bolsonaro

 Foto: Divulgação

Mansão comprada por Flávio Bolsonaro é realmente espetacular

Aguirre Talento

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) terá que gastar mais da metade do seu salário de parlamentar com o pagamento das parcelas do financiamento da mansão de R$ 6 milhões que acaba de comprar no Lago Sul, zona nobre de Brasília, apontam simulações de crédito feitas junto ao Banco de Brasília (BRB). Além disso, para conseguir o financiamento que o senador obteve, seria necessário ter um rendimento mensal bem superior ao seu salário parlamentar, de R$ 33 mil brutos.

De acordo com a escritura de compra do imóvel, Flávio Bolsonaro financiou R$ 3,1 milhões junto ao BRB, para quitação em 360 meses, com taxas de juros entre 3,65% e 4,85%. Sua esposa Fernanda, que é dentista, também consta como compradora.

METADE DO SALÁRIO – O Globo executou simulações de financiamento em parâmetros semelhantes junto ao sistema do BRB. O resultado mostra que a primeira parcela do financiamento seria no valor aproximado de R$ 18 mil. Essa parcela representa mais da metade do valor bruto do salário de Flávio. Com os descontos de impostos, a remuneração líquida do parlamentar fica na faixa dos R$ 25 mil.

A exigência apresentada pelo BRB para autorizar esse financiamento também diverge da vida financeira de Flávio Bolsonaro. As simulações apontam que a renda mínima exigida para obter esse financiamento é de aproximadamente R$ 45 mil, acima do salário do senador.

As taxas de juros apresentadas nas simulações ficam em parâmetros semelhantes aos que constam no registro do negócio de Flávio Bolsonaro.

Mansão comprada por Flávio Bolsonaro Foto: Reprodução

Até o preço do imóvel já está parecendo ter sido barato demais

DENTRO DA LEGALIDADE – A reportagem questionou a assessoria do senador sobre quais os valores do rendimento mensal da sua família e se Flávio possui outras fontes de renda além do salário de parlamentar, mas ainda não houve resposta.

Em um vídeo publicado em suas redes sociais, o senador disse que a compra foi dentro da legalidade.

— Eu vendi um imóvel que eu tinha no Rio de Janeiro, vendi uma franquia que eu possuía também no Rio de Janeiro, e dei entrada numa casa aqui em Brasília, e a maior parte do valor dessa parte tá sendo financiada no banco, numa taxa que foi aprovada conforme meu rendimento familiar, como qualquer pessoa no Brasil pode fazer — afirmou o senador.

Veja imagens internas da mansão de R$ 6 milhões comprada por Flávio Bolsonaro em Brasília:

 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGCom filhos tipo Flávio, Carlos e Eduardo, o presidente Bolsonaro nem precisa de inimigos políticos. Seus próprios rebentos fazem tantas besteiras que se encarregam de arrebentar com a imagem pública do pai. (C.N.)

João Vaccari Neto é condenado pela sétima vez no âmbito das investigações Lava-Jato

Pena é de seis anos de prisão por pagamento de R$ 2,4 milhões à gráfica

Cleide Carvalho
O Globo

O ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto foi condenado pela sétima vez no âmbito das investigações da Lava-Jato, a uma pena de seis anos, seis meses e 22 dias de prisão, pelo juiz Luiz Antônio Bonat, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Nesta ação, ele foi acusado de ter intermediado pagamento de R$ 2,4 milhões feito à Gráfica Atitude, a pedido do PT, pelas empresas Setec e SOG Óleo e Gás, do empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, um dos primeiros delatores da Lava-Jato.

ANULAÇÃO – Das seis sentenças proferidas anteriormente pela 13ª Vara Federal de Curitiba, uma foi anulada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Os desembargadores concluíram que a sentença havia sido baseada exclusivamente em depoimentos prestados por colaboradores da Lava-Jato, sem provas materiais.

Vaccari foi preso em abril de 2015 e deixou a prisão em setembro de 2019. Ele foi beneficiado por indulto natalino assinado pelo então presidente Michel Temer (MDB) em 2017, que reduziu em 24 anos a soma das penas do petista na Lava Jato.

Na sentença divulgada nesta segunda-feira, além de Vaccari foi condenado também o ex-diretor da área de Serviços da Petrobras, Renato Duque. A pena foi de 3 anos, sete meses e 22 dias, a ser cumprida em regime aberto (fora da prisão). O juiz reduziu o tempo da pena em um terço porque Duque passou a colaborar com a Lava-Jato, apesar de não ter conseguido fechar acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal.

DELAÇÃO –  Mendonça Neto teve o processo suspenso, seguindo o acordo de delação. Várias empresas de Mendonça Filho eram prestadoras de serviços para a Petrobras.

Segundo o MPF, a valor foi pago à Gráfica Atitude entre 2010 e 2013, por meio de contratos de prestação de serviço feitos para pagar serviços prestados pela gráfica à campanha do PT, em 2010. A defesa de Vaccari argumentou que os contratos não eram contratos falsos, que houve prestação de serviços e que a denúncia teve como base apenas a declaração do empresário, sem que fosse comprovada a participação do ex-tesoureiro petista.

A ida de Flávio Rocha para Secom foi costurada durante a viagem com Fábio Faria na visita a Suécia, Finlândia, Coreia do Sul, Japão e China para visitar empresas de tecnologia 5G. O almirante, que segue como militar a ativa, já chefiou a Comunicação da Marinha.

Piada do Ano ! MPRJ transfere promotora bolsonarista militante para unidade que investiga Flávio

Promotora é madrinha de casamento da advogada de Flávio

Rayssa Motta e Paulo Roberto Netto
Estadão

A promotora de Justiça Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Ministério Público do Rio, ganhou o noticiário quando, em novembro de 2019, passaram a circular nas redes sociais fotos dela vestindo camiseta de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL), que quebrou uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco.

Na época, ela integrava a equipe encarregada pela investigação do assassinato da parlamentar e acabou pedindo baixa do caso dizendo ser alvo de ‘ataques ideológicos’. O nome da promotora volta a repercutir agora que ela foi transferida para a Promotoria Eleitoral responsável pelo inquérito que apura se houve falsidade ideológica eleitoral nas declarações de bens do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente, na campanha para deputado estadual em 2014.

DECLARAÇÃO DE VALORES – A investigação em questão mira a declaração de valores diferentes atribuídos a um mesmo apartamento em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, nas prestações de contas entregues por Flávio à Justiça Eleitoral em 2014 e 2016. No intervalo de dois anos, o imóvel foi declarado com um valor R$ 142 mil menor. A compra e venda de imóveis também é um dos focos da investigação que denunciou Flávio por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das ‘rachadinhas’.

A nomeação da promotora foi formalizada no final de fevereiro. Segundo o Ministério Público do Rio, a escolha foi feita a partir de ‘critérios objetivos’ e após aprovação em concurso interno. “A designação observou critérios objetivos, após concurso de lotação aberto aos Promotores de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, não tendo havido escolha pelo Procurador-Geral de Justiça. Só após assumir a atribuição, a promotora de Justiça deverá se pronunciar da análise dos procedimentos constantes no órgão”, diz, em nota, a instituição.

APURAÇÃO – As manifestações de apoio ao presidente Jair Bolsonaro levaram à abertura de um procedimento interno no Ministério Público fluminense para apurar suposta conduta político-partidária da promotora. A atuação de promotores em campanhas e ações políticas é vedada pela Lei Orgânica do Ministério Público.

O casso correu sob sigilo e acabou arquivado pela Corregedoria em agosto do ano passado.Além das fotos vestindo a camisa estampada com o rosto de Jair Bolsonaro e a frase ‘Bolsonaro presidente’ e ao lado do deputado Rodrigo Amorim (PSL), Carmen Eliza fotografou a cerimônia de posse do presidente e escreveu na legenda: “Há anos que não me sinto tão emocionada. Essa posse entra naquela lista de conquistas, como se fosse uma vitória”.

A promotora também comemorou o resultado das eleições de 2018 afirmando que o Brasil se livrou de um ‘cativeiro esquerdopata’. “Patriotismo. Assim que se constrói uma nação ! União em prol do Brasil! Família, moral, honestidade, vitória do bem!”, escreveu em suas redes sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGAlém de ferrenha militante bolsonarista, segundo o jornalista Guilherme Amado, da Época, a promotora Carmen Eliza é madrinha de casamento de Luciana Pires, advogada do filho mais velho do presidente ! É o fim da picada, mesmo. Assim como foi dito nesta Tribuna que Eliza deveria se declarar suspeita e sair do caso Marielle Franco, também não cabe a sua participação no inquérito que apura se houve falsidade ideológica eleitoral nas declarações de bens de Flávio. A promotora já deu provas mais do suficientes que está fechada com o presidente até o último fio de cabelo. (Marcelo Copelli)

Após prisão de Daniel Silveira, bolsonaristas baixam o tom e removem vídeos com ataques ao STF das redes

Otoni apagou tuítes referindo-se aos ministros da Corte como criminosos

Deu no O Globo

A prisão do deputado Daniel Silveira (PSL-RJ) após ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF), há quase duas semanas, enfraqueceu a retórica bolsonarista. Após o episódio, apoiadores do presidente Jair Bolsonaro aceleraram a retirada de vídeos e publicações online que citavam a Corte e ajustaram o tom das declarações, em uma tentativa de evitar novos confrontos tão acirrados quanto o protagonizado por Silveira com falas violentas endereçadas a ministros e apologia ao AI-5.

O recuo ficou evidente em levantamentos realizados pela empresa de análise de dados Novelo Data e pelo Projeto 7c0, que atuam compilando dados sobre a remoção de conteúdos no YouTube e no Twitter, respectivamente. Houve movimento neste sentido por parte de colegas de Silveira na Câmara, como Otoni de Paula (PSC-RJ) e Paulo Eduardo Martins (PSC-PR) e também do procurador bolsonarista Ailton Benedito.

COMPORTAMENTO – Monitorando 183 canais bolsonaristas no YouTube, a Novelo Data identificou um comportamento coletivo: no mês anterior à prisão de Silveira, decretada em 16 de fevereiro, houve uma média diária de 11 vídeos sobre o STF removidos dessas páginas. Nos três dias seguintes à decisão do STF de prender o deputado, a média diária saltou para 26.

Os conteúdos apagados por Paulo Eduardo Martins e Ailton Benedito se inserem nessa estatística. Assim como os dois, que são influenciadores digitais do bolsonarismo, também houve remoções feitas por canais com alto número de inscritos. Foi o caso de Verdade Política (1,22 milhão de assinantes); Notícias Política BR (545 mil) e Vista Pátria (536 mil). Procurados pelo O Globo, Martins não quis comentar o caso, e Benedito afirmou que não apagou qualquer conteúdo, que “jamais atacou o STF” e que “sempre pautou suas ações pela ética e respeito às pessoas e às instituições”.

MENÇÕES – No Twitter, onde o Projeto 7c0 monitora 574 contas de políticos com cargos públicos, apenas nove publicações com menções ao STF foram removidas uma semana antes da prisão de Silveira. Na semana seguinte ao episódio, o número subiu para 50.

Otoni de Paula, por exemplo, apagou tuítes em que dizia que “bandido bom para o STF é bandido solto” e que “os milicianos não vão nos calar”, referindo-se aos ministros da Corte como criminosos. O parlamentar disse que as publicações foram apagadas por determinação da Justiça e não “por vontade própria”.

Apesar da mudança evidente, aliados de Bolsonaro, conhecidos pelo tom mais beligerante, negam que estejam operando mudanças na própria retórica, ao passo em que continuam discursando em defesa de Silveira. As falas, no entanto, demonstram traços de ponderação que não existiam anteriormente.

LIMITE – É o caso do deputado Carlos Jordy (PSL-RJ), que comenta a prisão de Silveira enquanto traça um limite para si mesmo. “Continuarei fazendo minhas críticas, mas sem ofensas que possam configurar uma quebra de decoro, sem ameaças pessoais. Não que o discurso do Daniel tenha sido assim, mas foi muito ácido”, afirmou.

O deputado estadual Gil Diniz (sem partido), braço direito de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em São Paulo, afirma que “não será dado qualquer passo atrás” nas críticas ao Judiciário, ao mesmo tempo em que elogia Bolsonaro por ter mantido silêncio em relação à decisão do Supremo.

“Cada deputado tem seu perfil. Alguns mais incisivos, outros mais suaves. Mas não tem como exigir mudança na retórica. Eu vou continuar subindo na tribuna e chamando a atenção para os abusos do STF. Mas o presidente precisa manter a harmonia entre os Poderes”, declarou Diniz.

COBRANÇA – Ao contrário de Diniz, Bolsonaristas mais radicais ainda cobram que o presidente atue para defender Silveira. Paulo Enéas, dono do Crítica Nacional, um dos principais portais de apoio a Bolsonaro, publicou um artigo mencionando a falta de posicionamentos de ministros, como André Mendonça (Justiça) e Damares Alves (Direitos Humanos). “A ausência de manifestação formal emite um sinal de insegurança para os apoiadores do próprio governo”, escreveu Enéas.

Da mesma maneira, Silvio Grimaldo, que comanda o site do ideólogo Olavo de Carvalho, passou os últimos dias compartilhando “memes” sobre como os ministros do STF estariam se agigantando contra conservadores. A militante Sara Giromini, em prisão domiciliar desde o ano passado e rompida com o bolsonarismo, também manifestou incômodo e questionou se, agora, “o Planalto e os direitos humanos se pronunciariam”.

MEDO – O cientista político Carlos Melo, do Insper, diz que a prisão de Silveira criou, nos deputados, um “medo de brincar com o Supremo” e de ecoar pensamentos que, na verdade, são os do próprio presidente.

“A prisão foi um sinal de que os inquéritos sobre atos antidemocráticos e fake news não estão parados e de que há muitos outros na berlinda, tanto quanto Silveira. O silêncio do presidente é circunstancial. Ele ainda vai voltar ao tema e lançará algum sinal para esses setores (que o apoiam). E isso será importante, porque o Silveira disse o que o Bolsonaro pensa”, afirma.

Fachin diz que a democracia no País “está sob ataque” e que o “momento é de alerta”

Ministro afirmou que vive-se no Brasil uma ‘recessão democrática’

Samuel Costa
Estadão

Nesta segunda-feira, dia 1º, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), participou de live da Ordem de Advogados do Brasil (OAB) em homenagem ao constitucionalista Paulo Bonavides. Fachin fez uma breve fala durante a mesa que discutia a ‘democracia representativa’.

Em sua explanação, o ministro afirmou que vive-se no Brasil uma ‘recessão democrática’ e que o momento ‘é de alerta’.  “Além da tragédia pandêmica que assola todo o País, são verificados todo dia atentados à imprensa, apologia da ditadura, da tortura; a depreciação do valor do voto e o incentivo às armas e à violência; e ainda, o incentivo à animosidade entre as Forças Armadas e a sociedade civil”, disse.

SISTEMA ELEITORAL – Fachin defendeu o sistema eleitoral brasileiro, destacando a sua lisura e transparência. “É ciente dessa premissa que a Justiça Eleitoral brasileira tem atuado com absoluta transparência, com o labor de entidades independentes e apartidárias”, disse.

Ele reiterou a legitimidade de um governo eleito através do voto popular, mas ponderou que incentivos a medidas e comportamentos antidemocráticos ferem a autoridade de gestões, que façam uso de tais mecanismos de persuasão. “É legítimo governo que decorre de eleições regulares e, portanto, atende às demandas do povo. Mas é ilegítimo um governo que passa a atuar contra a normalidade constitucional”, afirmou.

DESCRÉDITO – Ele ainda destacou que uma gestão que não atende às promessas feitas em campanha tem potencial para desacreditar os cidadãos. “É forçoso reconhecer que o voto, quando desacompanhado das promessas públicas da sua legítima captação, permite impregnar um ceticismo generalizado, produzido pelas constantes falhas no exercício da representação”.

O ministro defendeu que ‘um governo encontra apenas o seu início nas eleições’ e que a administração pública ‘depende da adoção, da compostura traduzida numa efetiva vigilância do comportamento dos mandatários contra desvios que contrariem a essência da representação, a democracia participativa promove a defesa do engajamento cívico das mais variadas formas’.

RECESSÃO DEMOCRÁTICA – Segundo a análise de Fachin, a saída para o atual momento de ‘recessão democrática’ deve sempre observar a sua legalidade. “A solução dessas questões não deve buscar em lugar algum, remédio qualquer que não seja a constitucionalidade funcional”, disse. “A saída com racionalidade e equilíbrio passa pela Constituição de 1988”, continuou.

“É imprescindível preservar a soberania das instituições (…),respeitar os dissensos, a pluralidade, a diversidade e, acima de tudo, a legalidade constitucional. Respeitar a legalidade das eleições, as saídas democráticas, por quanto pacíficas, estarão sempre dentro da Constituição, nela e com ela, para que tenha-se esperança e não haja retrocesso”.

Flávio Bolsonaro diz que usou dinheiro de venda de imóvel no Rio para comprar mansão de R$ 6 milhões em Brasília

Charge do Duke (domtotal.com)

Marcelo Rocha e Italo Nogueira
Folha

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) afirmou nesta terça-feira, dia 2, que usou recursos da venda de um imóvel no Rio de Janeiro para comprar a mansão de R$ 6 milhões em Brasília. “Tudo registrado em escritura pública”, diz nota divulgada pela assessoria de imprensa do parlamentar. “Qualquer coisa além disso é pura especulação ou desinformação por parte de alguns veículos de comunicação.”

Questionada após a divulgação do comunicado, a assessoria do senador informou que o imóvel vendido foi o apartamento na Barra da Tijuca. A venda ainda não foi informada ao Registro de Imóveis —a responsabilidade é do comprador e não há prazo para fazer o registro

FINANCIAMENTO – Sem detalhar como foi feito o pagamento da entrada, o comunicado de Flávio afirma ainda que mais da metade do valor da transação (R$ 3,1 milhões) ocorreu por intermédio de financiamento imobiliário.

Denunciado à Justiça em novembro de 2020 sob a acusação de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa no caso das “rachadinhas”, Flávio e a esposa, Fernanda Bolsonaro, compraram a casa em janeiro. A informação foi revelada pelo site O Antagonista e confirmada pela Folha, que obteve acesso à certidão do 1º Ofício de Registro de Imóveis do DF, com os detalhes da transação.

O imóvel fica no Setor de Mansões Dom Bosco, no Lago Sul, bairro nobre da capital. Ela tem 1.100 m² de área construída, em um terreno de 2.500 m².De acordo com a certidão do imóvel, o negócio foi fechado com a RVA Construções e Incorporações, empresa do advogado e empresário Juscelino Sarkis.

LONGO PRAZO – O documento informa que R$ 3,1 milhões do valor do imóvel foram financiados pelo BRB (Banco de Brasília). A quitação será em 360 parcelas. O documento menciona taxas que variam de 3,65% a 4,85% ao ano. A amortização será pelo sistema SAC, que consiste em prestações mais altas no início e menores no final.

O BRB é controlado pelo governo do Distrito Federal, comandado por Ibaneis Rocha (MDB), um aliado do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).O salário de Flávio no Senado é de R$ 25 mil líquidos. A esposa é dentista e tem consultório em Brasília. São casados em regime de comunhão parcial de bens.

A mansão em Brasília é o 20º imóvel que Flávio adquire num intervalo de 16 anos —considerando um andar com 12 salas comerciais de que foi proprietário. A intensa atividade imobiliária do senador foi revelada pela Folha em 2018.

IMÓVEIS – Antes de fechar o negócio em Brasília, segundo levantamento patrimonial, Flávio tinha dois imóveis: o apartamento na Barra da Tijuca, adquirido por R$ 2,5 milhões, com financiamento, e uma sala comercial num shopping da zona oeste, avaliada em R$ 150 mil.

Na denúncia oferecida contra o senador no caso das “rachadinhas”, o MP-RJ do apontou que as operações de compra e venda de dois imóveis foi usada para lavagem de dinheiro.

A escritura de compra e venda foi feita em um serviço notarial de Brazlândia, cidade do DF distante cerca de 45 km do Plano Piloto. A matrícula do imóvel, por sua vez, é de responsabilidade do 1º Ofício de Registro de Imóveis do DF, a poucos quilômetros do Congresso.

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ÍNTEGRA DA NOTA DE FLÁVIO BOLSONARO:

“A casa adquirida pelo senador Flávio Bolsonaro em Brasília foi comprada com recursos próprios, em especial oriundos da venda seu imóvel no Rio de Janeiro. Mais da metade do valor da operação ocorreu por intermédio de financiamento imobiliário. Tudo registrado em escritura pública. Qualquer coisa além disso é pura especulação ou desinformação por parte de alguns veículos de comunicação.”

Antes de sair, Alcolumbre contratou amigo marqueteiro para dar curso no Senado a R$ 3,8 mil a hora-aula

Derrotado em Macapá e no STF, Alcolumbre aposta últimas fichas na sucessão  | VEJA

Alcolumbre separou R$ 150 mil para ajudar o marqueteiro

Luciana Lima
Metrópoles

O Senado contratou um curso de “Comunicação Digital” por R$ 3.797,46 a hora-aula. A empresa contratada, sem licitação, é a Vitorino & Mendonça, pertencente aos publicitários Marcelo Vitorino e Natália Mendonça. O contrato, assinado pela diretora-geral da Casa, Ilana Trombka, em 16/12/2020, com vigência até 15/12/2021, tem um valor global de R$ 150 mil por 39,5 horas-aulas.

Vitorino foi responsável pela campanha de Marcelo Crivella que culminou em sua vitória para Prefeitura do Rio de Janeiro, em 2016. Também trabalhou 4 meses na campanha à Presidência da República de Geraldo Alckmin em 2018, até ser substituído pelo publicitário Alexandre Inagaki.

COM ALCOLUMBRE – Em julho de 2019, ele trocou a comunicação do pastor da Universal pela perspectiva de trabalhar para o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

 Embora não apareçam no quadro de funcionários do Senado, os dois publicitários chegaram a ter, em 2017, credenciais do Senado fornecidas pelo gabinete de Alcolumbre. O contrato do curso foi assinado em 16 de dezembro de 2020 e tem vigência de um ano.

De acordo com o Senado, ainda não houve aulas ou palestras ministradas, apesar de um dos termos que trata do regime de execução prever que a empresa executaria os serviços com inicio em até 30 dias contados a partir da assinatura, ou seja, as aulas deveriam ter começado no dia 16 de janeiro deste ano.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUsando recursos públicos, Alcolumbre resolve a vida de seus amigos marqueteiros. Também usando recursos públicos, seu amigo Flávio Bolsonaro compra uma mansão em Brasil por 6 milhões, enquanto na mesma rua está há venda uma bem inferior por R$ 10 milhões. Conclusão: eles acham que os brasileiros podem ser explorados à vontade, e estão certos. É isso mesmo. (C.N.)

Luciano Huck vem sendo tratado pela mídia como se pairasse acima da disputa política

Primeiro comercial de TV via 4G” é estrelado por Luciano Huck e provoca  polêmica nas redes sociais; entenda | VEJA SÃO PAULO

Huck se projeta no noticiário para faturar novos comerciais

Flávia Lima
Ombudsman da Folha

Desde que sua candidatura se tornou o sonho de um grupo de tucanos da velha guarda, o apresentador da Rede Globo e empresário Luciano Huck mantém posição confortável na chamada grande imprensa.

É tema recorrente nas páginas de política dos jornais e regularmente agraciado com espaços para escrever sobre tópicos de sua escolha. Mas não dá entrevistas, ocasiões em que suas ideias poderiam ser esmiuçadas, confrontadas e apresentadas ao leitor. Esse arranjo cômodo saltou aos olhos na semana em que voltei de férias, agitadíssima no mundo da política.

ALIANÇAS COMPLICADAS – No rescaldo das eleições no Congresso, o ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, escancarou a insatisfação com o seu partido, o DEM, em entrevista ao jornal Valor Econômico, na segunda-feira (dia 8/2).

Com isso, deflagrou uma crise que envolveu também o PSDB, consumiu as páginas dos principais jornais ao longo da semana e mostrou que o ensaio geral de alianças pela sucessão de Bolsonaro é bem mais complicado do que se imaginava.

No imbróglio, o nome de Huck apareceu com grande frequência. Maia disse que a aproximação entre o DEM e o governo Bolsonaro, promovida pelo presidente do partido, ACM Neto, fez ruir os esforços de atrair Huck, até então “90% resolvido” a se filiar à legenda, antigo PFL. ACM Neto, segundo a coluna Painel da Folha, teria então iniciado uma ofensiva para evitar o afastamento do apresentador de TV.

DISSE MERVAL – No início da semana, o jornalista Merval Pereira, colunista de O Globo, deu algumas pistas sobre o apresentador ao dizer que Huck não pretende se envolver na disputa partidária e continua interessado apenas em discutir ideias, não legendas.

Se é isso mesmo, Huck pode seguir tranquilo. A depender da Folha, os sinais são de que não será incomodado, desfrutando de uma posição pouco comum entre políticos ou aspirantes a políticos: aparecer e falar, sem ser importunado com questionamentos.

No domingo (7/2), o jornal lhe franqueou mais de meia página no caderno Poder, onde Huck aproveitou para saudar os “heróis da resistência democrática” (de profissionais da saúde a jornalistas, passando por políticos, empresários, professores, climatologistas e as Forças Armadas), ressaltar que a boa política vai salvar o país dos “ismos” e se colocar entre os dispostos a se engajar na (re)construção do país.

ESPAÇO ILIMITADO – Não é de hoje que alguns leitores veem a concessão do espaço com desconfiança –algo de que eu mesma demorei para me dar conta. “É incompreensível o espaço enorme que a Folha dá a Luciano Huck, justo ele funcionário do maior grupo de mídia do país”, disse um deles.

A Folha não está sozinha nesse caldeirão. O Estado de S. Paulo oferece ampla vitrine a Huck em entrevistas que o próprio apresentador conduz com personalidades. É como se Huck pairasse acima das disputas políticas. Só conhecemos suas ideias por meio de seus textos.

Para o leitor, seriam mais relevantes entrevistas com o próprio Huck, nas quais lhe fosse perguntado se de fato pretende se filiar a um partido político, quando isso deve ocorrer, o que pensa das reformas negociadas com o Congresso e como o Estado deve se organizar para prestar serviços públicos, além de dizer com base em quais pressupostos afirmou, em 2018, que Bolsonaro tinha uma chance de ouro de dar novo significado à política no Brasil e quais foram os motivos que o levaram posteriormente a se surpreender com o comportamento do presidente.

PRESIDENCIÁVEL – Vinicius Mota, secretário de Redação, diz que “Luciano Huck é um nome que se apresenta como possível presidenciável em 2022, e a Folha tem uma longa tradição de publicar opiniões das pessoas que cogitam chegar à Presidência da República, de todo o espectro político-ideológico, o que nunca comprometeu nem comprometerá o compromisso editorial de praticar um jornalismo investigativo e crítico em relação a todas elas”.

De fato, de parte do jornal, é esperado que presidenciáveis sejam ouvidos, inclusive em colunas fixas de opinião. A forma eventual como Huck aparece nos jornais, porém, dá um ar desinteressado a uma estratégia política.

Também não parece jornalisticamente razoável que a Folha se sinta satisfeita em replicar o diz que diz em torno do apresentador, mantendo-o a salvo do escrutínio e oferecendo e ele espaços distantes de algo considerado investigativo ou crítico.

MORRER NA PRAIA – Alguns analistas e políticos dizem que o nome de Huck pode, mais uma vez, morrer na praia. Verdade ou não, Huck não pode ser tratado pela Folha como se fosse um personagem estranho à sucessão presidencial e ao debate político.

Já vimos o que acontece quando se trata com condescendência um candidato à Presidência deixando de informar ao leitor sobre quais são suas ideias e afinidades políticas – ainda que ele pareça inviável.

 

Primeiro, lutar pela democracia; depois, escolher realmente o melhor candidato nas eleições de 2022

Manifestação do dia 15 pode ser uma ameaça à democracia. Pense sobre isso.  | Carlos Sousa

Charge do Duke (O Tempo)

Sergio Fausto
Estadão

Faltando mais de um ano e meio para as eleições presidenciais, é cedo para discutir nomes. Mas não para traçar as grandes linhas de um programa que possa vir a ser apoiado no segundo turno por um amplo leque de forças democráticas, do centro-direita ao centro-esquerda. Ele deve espelhar o aprendizado coletivo que fizemos ao longo dos últimos 30 anos e projetar um futuro que nos permita voltar a ter esperança no Brasil.

Responsabilidade fiscal e responsabilidade social devem andar juntas. No Brasil, a segunda exige não apenas atenção à pobreza, mas também à desigualdade. No grau existente no Brasil, ela impede que seja internalizada em cada um e em todos nós a noção de pertencer a um mesmo corpo político, que nos assegure direitos e nos imponha responsabilidades.

NO MESMO BARCO – Precisamos sentir que estamos todos no mesmo barco e temos um destino comum, que nos faça responsáveis pelo bem-estar das gerações presentes e das que vêm por aí. Sem a generalização desse sentimento a Nação não tem futuro.

Não somos todos iguais e as identidades parciais devem ser reconhecidas e respeitadas. Quem teve menos vez e voz ao longo da História tem o direito de gritar para se fazer ouvir. É parte da luta pela construção da cidadania. Mas não podemos perder de vista o objetivo de alargar o espaço da nossa casa comum, em vez de compartimentá-la em lugares de fala incomunicáveis.

O sentimento de que estamos navegando no mesmo barco ou construindo a mesma casa precisa se materializar em compromisso firme com a solvência do Estado, o que implica ter regras fiscais que a assegurem, e com um regime de tributação e gastos públicos que responda à aspiração de criar uma sociedade mais justa em termos de distribuição da renda e oportunidades. Não devemos crescer para depois distribuir, mas sim crescer e distribuir, e faremos uma coisa e outra mais e melhor se cuidarmos de aumentar a eficiência e a produtividade no setor público e no setor privado.

IDÉIAS ULTRAPASSADAS – Outro aprendizado feito nos últimos 30 anos, vivendo a experiência do Brasil e olhando o mundo ao redor, é que a dicotomia mais Estado ou mais mercado nos mantém presos a ideias defuntas. Temos de nos libertar de esquemas ideológicos que bloqueiam a criação e o aprimoramento de sistemas de cooperação não apenas entre o setor público e o setor privado, mas também entre eles e a sociedade.

Um dos papéis fundamentais do Estado no século 21 será orquestrar esses sistemas de cooperação dentro e para além das fronteiras nacionais. As partituras não serão escritas por decreto e impostas de cima para baixo. Sistemas de cooperação têm de ser abertos à competição e submetidos à publicidade e avaliação para reduzir o risco de a cooperação virar um conluio contra os interesses mais amplos da sociedade. Diante da complexidade, interconectividade e velocidade das transformações tecnológicas e científicas e dos desafios de governança que delas derivam, não há Estado demiurgo ou mão invisível do mercado que dê conta do recado.

Nesse contexto, o Brasil pode aspirar a ter presença global em algumas áreas com grande potencial de criação de valor e bem-estar. Para tanto é fundamental produzir e disseminar ciência aqui dentro. E ter uma política externa que expresse interesses nacionais amplos, e não de partidos ou seitas políticas.

A QUESTÃO AMBIENTAL – Agronegócio e meio ambiente ou se harmonizam ou se destruirão mutuamente. Nenhuma outra atividade depende tão diretamente de um regime de chuvas regulado pela floresta úmida. A pressão em favor de padrões cada vez mais elevados de sustentabilidade socioambiental e sanidade dos alimentos não deve ser sentida como “exigências externas”. São uma obrigação do País consigo mesmo.

A soberania da Amazônia brasileira não está em questão. O desafio é exercê-la com responsabilidade em relação ao nosso futuro comum, com os brasileiros e habitantes de um só e mesmo planeta. São cada vez mais sólidas as evidências científicas de que a floresta está se aproximando de um ponto de não retorno, a partir do qual, em lugar de retirar e estocar dióxido de carbono, passa a emiti-lo. Virar as costas para a ciência é entregar-se aos azares das pandemias e das catástrofes climáticas.

O agro é muito importante, mas não é tudo. A necessidade de criação de renda e empregos de qualidade no Brasil ultrapassa em muito a capacidade do novo mundo rural, mesmo considerando todos os seus encadeamentos com os serviços e a indústria.

EMPREGOS URBANOS – É vital criar bons empregos nas maiores cidades e ligá-los à melhoria das condições de vida e convivência nos centros urbanos. Deve-se experimentar e inovar na concepção e implementação de políticas com essa finalidade, com maior consulta à sociedade e mais intensa participação dos cidadãos. As cidades são espaços propícios ao encurtamento da distância entre o mundo oficial e o universo da cidadania.

Acima de tudo e de todos, democracia. Não apenas porque seja melhor do que todas as alternativas conhecidas, mas principalmente porque é a única que nos permite continuar a ter a liberdade para construir um país melhor. Escolher o melhor candidato é o passo seguinte.