Na corrida ao Planalto, Ciro Gomes tenta se posicionar como a terceira via

Evaristo Sá

Ciro Gomes está jogando sua última cartada

Bernardo Mello Franco
O Globo

Ciro Gomes é brasileiro e não desiste nunca. Pela terceira vez, ele se lança candidato a presidente. Pela terceira vez, tenta emplacar como alternativa ao duelo entre petismo e antipetismo.

Nas campanhas passadas, não deu certo. Em 1998, Ciro ficou em terceiro lugar, bem atrás de FH e Lula. Em 2002, chegou a ameaçar o favoritismo do petista. Tropeçou na própria língua e acabou na quarta posição, atrás de José Serra e Anthony Garotinho.

NA PRAIA… – O Ibope de terça-feira indicou que ele voltaria a morrer na praia. Jair Bolsonaro manteve a ponta, e Fernando Haddad assumiu a vice-liderança isolada. Quinta-feira o Datafolha voltou a posicionar Ciro no jogo. Ele não cresceu, mas apareceu em empate técnico com o petista na disputa pela vaga no segundo turno. Nas simulações de confronto direto, foi o único a vencer Bolsonaro fora da margem de erro: 45% a 39%.

É preciso esperar as próximas pesquisas para saber se o candidato do PDT ressuscitou ou recebeu a “visita da saúde”. O Datafolha lhe deu uma boa notícia: ele é o mais citado pelos eleitores que admitem mudar de candidato até o dia 7. Por outro lado, a pesquisa mostrou que seu público é menos convicto do que o de Bolsonaro e Haddad. Nada menos que 57% dos ciristas ainda pensam em mudar o voto.

VERDE E AMARELO – Com o petista avançando pela esquerda, Ciro tenta piscar para o centro e a direita não autoritária. Sua campanha já mudou a programação visual, trocando o vermelho pelo verde e amarelo. Agora ele deve voltar as baterias contra Haddad. “O Brasil não suporta mais um presidente fraco, sem autoridade, que tem que consultar o seu mentor”, atacou, na CBN.

Para viabilizar sua terceira via, Ciro precisa atrair o voto útil de quem teme uma vitória do bolsonarismo ou do petismo. Quinta e sexta-feira, Fernando Henrique Cardoso fez apelos por união contra as duas correntes. O ex-presidente propôs uma aliança em torno de quem tiver “melhores condições de êxito eleitoral”. Ele evitou citar nomes na carta, mas esclarece que não se referia ao pedetista. “Para mim, o Ciro também está nos extremos”, disse à coluna.

A lei não é igual para todos, só atinge os mais pobres, e a impunidade reina…

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Charge do Newton Silva (newtonsilva.com)

Roberto Nascimento

A corrupção no país se tornou endêmica e atinge todas as classes sociais, trata-se de um monstro de várias cabeças, que nos consome diariamente, suga as energias da nação e provoca, pelos seus deletérios efeitos, a infelicidade dos cidadãos mais pobres, notadamente, se bem que a consequência atinge a todos indiscriminadamente, até mesmo àqueles corruptores. A brasilidade vai perdendo a sua razão de existir, pela desesperança que causa a dilapidação do patrimônio nacional.

Como bem disse o eminente ministro aposentado do STF, Eros Grau, em recente artigo no Estadão, não existe justiça na Terra, somente no encontro do humano no paraíso, diante da divindade, portanto, na Cidade de Deus, há justiça verdadeiramente.

POBRES E RICOS – Os fatos demonstram diariamente que, nas prisões fétidas e insalubres, só habitam pobres. Os ricos são mandados para prisões domiciliares, com tornozeleiras fajutas ou sem nada que os controlem. Os poucos que são mandados para o cárcere, pois até para essas leniências com o topo da pirâmide, há que ter um limite do razoável, lá são lhes oferecido certas regalias, que ao cidadão comum (os simples mortais), não é dado ter.

O sistema de poder está incomodado com as sentenças da Lava Jato, por esta simples razão, tentam a todo custo, minar a ação dos promotores e dos juízes, das estirpes de Sérgio Moro e de Marcelo Bretas, pela ordem, Curitiba e Rio de Janeiro, no entanto, há inúmeros juízes com a mesma disposição de enfrentar os corruptos de todos os matizes, incrustados nos três poderes e na nata do empresariado.

DISPARIDADE – Se um juiz solta um poderoso, de Ofício ou fundamentado na linha da Defesa do réu, com base na razoabilidade e nos preceitos da Lei Penal, deve ter a mesma linha de raciocínio, quando confrontado com ações do mesmo tipo, porém, com réus das classes C e D. Se age de maneira diversa, com argumentos humanitários para livrar o réu poderoso e contraditoriamente não entende da mesma forma, quando se trata de réu pobre, então não é justo, não é um bom juiz.

As forças vivas da nação, entende esses procedimentos incongruentes de uma parcela conservadora (no sentido de proteção da classe A) do Judiciário, como sendo um protecionismo a favor de quem tem poder e um desdém contra os que vivem do trabalho. O resultado é um descrédito do Judiciário, que assim é jogado na lama, na qual já está o Poder Legislativo, que vem sendo execrado por gregos e troianos, como nunca antes nesse país.

E OS ADVOGADOS – Os nobres advogados, principalmente àqueles procrastinadores, na defesa da nata da corrupção, também não estão sendo bem vistos pela população. A visão do povo é diferente da classe advocatícia. A profusão de recursos, sem fim, para réus sabidamente criminosos, a ponto de entrarem com embargos dos embargos de declaração, um recurso protelatório, que visa apenas clarear, o que não foi entendido pelo defensor, sem mudar na essência, a sentença punitiva, cria um desalento e uma tristeza no inconsciente coletivo. Definitivamente, o Brasil não é um país justo.

A justiça, é uma peça rara, no mundo, mais no Brasil vem multiplicada a enésima potência. Veja o caso do impeachment da presidente Dilma, que cometeu o crime de responsabilidade fiscal, dentre outros erros administrativos de gravidade, pois bem, seu sucessor também vem cometendo erros em cima de erros e o mesmo Congresso, que varreu a presidente do centro do poder, protegeu e impediu que o atual mandatário tivesse a mesma pena. A justiça não foi feita, pois o entendimento do julgador do Legislativo valeu para o primeiro, mas não vale para o segundo. Então, podemos acreditar nos julgadores do Brasil?

IMPUNIDADE? – Talvez, essas atitudes expliquem o alto índice de violência, jamais experimentado pela sociedade brasileira. É o sentimento de impunidade que exala nos espíritos e mentes, dos cidadãos propensos a pratica da maldade, os falsários, os traficantes, os rufiões, os homicidas, os ladrões, os usurários.

Todos esses hereges já perceberam que não serão punidos no plano terreno e essas pragas humanas não temem o castigo divino, com isso vão ganhando tempo, até que finalmente sejam castigados no metafísico juízo final.

Alea jacta est.

Sob os óculos da perversão, há quem afirme que existem presos demais

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O filho do PM morto é a imagem do caos neste país

Percival Puggina

Sessenta e três mil homicídios – números de guerra civil – são praticados por ano em nosso país. Em igual período, quase seiscentos mil veículos e 1,5 milhão de celulares são roubados ou furtados. Mais de 50 mil estupros notificados. São números impressionantes, assustadores, e justificam a sensação de insegurança e de desproteção em que vivemos.

Enquanto isso, muitos afirmam, sem pestanejar, que no Brasil se prende excessivamente. Gostariam que houvesse mais bandidos nas ruas! O PCC e o CV concordam. O primeiro, aliás, nesta semana, “desencarcerou” vinte e tantos do presídio de Piraquara…

LIBERALIDADES – Obedecendo a essa linha negligente de raciocínio, as franquias do semiaberto, da prisão domiciliar e da descartável tornozeleira são concedidas com liberalidade a criminosos que delas se valem como previsível meio de fuga. Em outras palavras, a justiça, a lei e a sociedade perdem quase todas para crime.

Espantoso? Pois tão espantoso quanto isso é ver e ouvir, cotidianamente, formadores de opinião tratar como “partidários da violência” os que, nesse cenário, se opõem ao desarmamento. Estão preocupadíssimos com assegurar a incolumidade dos bandidos e com garantir a bovina passividade das vítimas. Não contentes com a deturpação dos fatos, os protetores de criminosos ainda se dão ao desplante de equivaler o desejo de autodefesa a um suposto anseio por “resolver disputas à bala”, como se estivéssemos tratando de desavenças pessoais e não de cautela para sobrevivência das vítimas.

ÓTICA PERVERSA – Pronto! Na falta de juízo, de neurônios, ou na ótica perversa desses palpiteiros, o direito natural à autodefesa e o dever moral de proteger a própria família são apontados como deformações de conduta, sujeitas a juízos éticos que raramente incidem sobre quem comete os crimes e gera a insegurança social. Até os traficantes contam com a silenciosa tolerância da mídia desajuizada.

Por outro lado, ninguém ignora os efeitos desastrosos da erotização precoce da infância, da contínua influência de programas impróprios, da pornografia, da ideologia de gênero e do assédio de desqualificada educação sexual proporcionada em alguns educandários. As crianças brasileiras estão expostas a toda sorte de aberrações, nas ruas, nas escolas e nos meios de comunicação. No entanto, a mídia militante joga sobre quem clama por reação da sociedade e interferência dos poderes públicos para coibir abusos, a acusação de “fanatismo religioso” e “moralismo”!

Fica difícil a vida neste país quando tantos se empenham em transformar virtude em vício e vice-versa.

“Carioca da gema” continua se excedendo e teve 100 comentários deletados

Imagem relacionadaCarlos Newton

O editor da TI não tem tempo para ler todos os comentários e fazer moderação de quem ofende, ironiza e escracha outros participantes do blog. Mas o editor está operando por amostragem. Na semana passada, leu de uma só vez 200 comentários e teve de deletar 47, por falta de educação democrática, digamos assim.

Neste sábado, o editor fez nova amostragem, e encontrou insistentes comentários de alguém que se assina “cariocadagema”, cujo comportamento ofensivo e deletério ofende aos cariocas, que decididamente não se comportam assim. Imediatamente, foram deletados os últimos 100 comentários dela, esperando que passe a respeitar as normas e conviva conosco numa boa.

No almoço de quinta-feira, tivemos o prazer de assistir à confraternização de dois outrora desafetos – Carlos Vicente e Darcy Leite, que no final da reunião trocaram um amistoso aperto de mãos.  Na verdade, é muito fácil conviver e respeitar os outros, mas parece impossível que isso ocorra na internet. Infelizmente. Mas vamos continuar tentando.

 

FHC faz um diagnóstico perfeito, mas indica um remédio insuficiente

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Charge do Kacio (kacio.art.com)

Clóvis Rossi
Folha

O diagnóstico feito pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na carta divulgada nesta quinta-feira (dia 20) é absolutamente correto (e, ainda por cima, assustador) mas o remédio proposto, acho eu, é insuficiente. FHC sugere que “os candidatos que não apostam em soluções extremas se reúnam e decidam apoiar quem melhores condições de êxito eleitoral tiver”.

É claramente uma proposta para salvar os candidatos ditos centristas, que capengam nas pesquisas e parecem desde já afastados do segundo turno. O ex-presidente está no direito dele de defender uma candidatura unitária dos centristas (Ciro Gomes está entre os convocados para o diálogo, presidente?).

INSUFICIENTE – É um caminho, embora de difícil concretização, que pode servir para 7 de outubro e eventualmente para o segundo turno, mas claramente insuficiente para o cenário de 1º de janeiro de 2019.

Qual o cenário? Para citar apenas a própria carta de FHC, está assim e ficará ainda pior mais adiante: “Desatinos de política econômica, herdados pelo atual governo, levaram a uma situação na qual há cerca de 13 milhões de desempregados e um déficit público acumulado, sem contar os juros, de quase R$ 400 bilhões só nos últimos quatro anos, aos quais se somarão mais de R$ 100 bilhões em 2018. Essa sequência de déficits primários levou a dívida pública do governo federal a quase R$ 4 trilhões e a dívida pública total a mais de R$ 5 trilhões, cerca de 80% do PIB este ano, a despeito da redução da taxa de juros básica nos últimos dois anos. A situação fiscal da União é precária e a de vários Estados, dramática”.

E TEM MAIS – Seria assustador se fosse só isso, mas, acrescenta o ex-presidente, “como o novo governo terá gastos obrigatórios (principalmente salários do funcionalismo e benefícios da previdência) que já consomem cerca de 80% das receitas da União, além de uma conta de juros estimada em R$ 380 bilhões em 2019, o quadro fiscal da União tende a se agravar. O agravamento colocará em perigo o controle da inflação e forçará a elevação da taxa de juros. Sem a reversão desse círculo vicioso, o país, mais cedo que tarde, mergulhará em uma crise econômica ainda mais profunda”.

Pule-se para a política e o que se tem é “a desmoralização do sistema político inteiro, mesmo que nem todos hajam participado da sanha devastadora de recursos públicos”.

Restabelecer o primado da política seria, pois, o caminho a seguir, mas para fazê-lo seria preciso ampliar a mesa de diálogo. Como?

HOUVE DIÁLOGO? – Volto a uma conversa entre FHC e Lula, quando o primeiro visitou a mulher do segundo que agonizava no hospital, no dia 2 de fevereiro de 2017.

Nessa conversa, Celso Amorim, que fora chanceler de Lula, soltou uma frase que é corretíssima: “Vocês dois têm a obrigação de devolver a esperança ao Brasil”, rememorou o ex-chanceler à Folha dias depois.

Amorim defendeu que os dois líderes dialogassem, daí em diante, em torno de um único tema, a reforma política, com o objetivo precípuo de diminuir drasticamente a influência do poder econômico sobre as votações.

LIDERANÇAS – José Gregori, ministro com FHC, também presente, apoiou a ideia, até porque Amorim acrescentou que a necessidade de algum tipo de entendimento se devia ao fato de que “cada um deles tem liderança que vai muito além de seus respectivos partidos”.

Acrescento eu outro ponto que me parece relevante: FHC e Lula fizeram os dois melhores governos do país desde, pelo menos, Juscelino Kubitschek (1956/61).

Que tiveram pecados, veniais ou capitais, cansei de apontar nas colunas que escrevi durante os oito anos de mandato de cada qual.

OS FEITOS – Mas o fato é que FHC estabilizou a economia, não recorreu a aventuras, iniciou programas sociais e a recuperação do papel do Brasil no mundo, enlameada pela ditadura militar.

Lula não só manteve a estabilidade como ampliou bastante os programas sociais, tampouco se deu à aventuras e ampliou também a participação brasileira no cenário global.

Admito que uma conversa agora parece inviabilizada. Não porque Lula está preso. Se pôde indicar um representante para disputar a Presidência, pode indicar outro (ou o mesmo) para dialogar. O diálogo agora é inviável porque todo mundo só pensa naquilo (passar para o segundo turno e, em seguida, ganhar a eleição).

1º DE JANEIRO – O problema é que vencer não encerra a questão. A data que de fato conta para o futuro não é 7 de outubro nem 28 de outubro, mas 1º de janeiro. É a partir dela que será possível enfrentar as “condições políticas e sociais desafiadoras” como as atuais, para voltar à carta de FHC.

Quanto mais gente estiver à mesa para negociar o futuro, tanto melhor. É utopia? É. Mas a alternativa é “o aprofundamento da crise econômica, social e política”, sempre de acordo com o ex-presidente.

É tarde demais para acontecer a tal união do centro, proposta por FHC

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Charge do Kacio (kacio.art.br)

Pedro do Coutto

Reportagem de Gustavo Schmitt, Jussara Soares, Fernanda Krakovics, Maria Lima e Letícia Fernandes, edição de ontem de O Globo, destaca a carta pública colocada no face book pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, propondo a união dos candidatos do centro contra o que classifica como “Marcha da Insensatez”, na medida em que polariza disputa entre duas facções extremas. O ex-presidente da República considera um cenário dramático no país caso um dos dois pontos mais distantes, um de outro, poderá se concretizar ameaçando a própria democracia

Como seria a união do centro projetada por FHC nas urnas de outubro? Seria uma união entre Geraldo Alckmin, ao lado de Alvaro Dias? Marina Silva achou tarde demais para a proposta, pois significaria tirar as medidas de alguns personagens com a roupa pronta. Alvaro Dias igualmente descartou a hipótese, enquanto Ciro Gomes acusou FHC de tentar “ressuscitar” Alckmin.

RENÚNCIAS – Ocorre que o projeto de FHC implicaria tacitamente na renúncia de alguns candidatos em favor de um único. Quem seria esse único?, eis a questão. A proposta foi formulada já na quase da reta de chegada do primeiro turno, mas representa uma interpretação grave do quadro institucional brasileiro.

Porém, na altura dos acontecimentos não dá mais, inclusive sob o aspecto legal, tempo para realização de novas convenções partidárias e adesão em torno do nome capaz de unir as correntes do centro.

Claramente Fernando Henrique Cardoso está se referindo às candidaturas de Jair Bolsonaro e de Fernando Haddad. O ex-presidente teme a vitória da extrema direita ou então a da extrema esquerda representada por Fernando Haddad, impulsionado pelo Peronismo de Lula. 

NINGUÉM QUER – A reportagem destaca que os candidatos capazes de formar uma campanha de centro descartaram o movimento proposto. O vice na chapa de Marina Silva, Eduardo Jorge, disse que chegou a propor a Fernando Henrique a colocação do tema agora abordado. Para ele, tardiamente abordado, uma vez que no início deste ano levou a ideia a Fernando Henrique Cardoso que na ocasião não quis levar o assunto a frente. Agora o movimento perdeu o sentido porque ultrapassou a hora adequada. 

Fernando Henrique no momento encontra-se tão preocupado com o destino do país que destacou que busca a coesão política com a sensatez para juntar os mais capazes e evitar que o barco naufrague. 

A alternativa para uma posição de centro terá que ser assumida pelos eleitores e eleitoras já que os partidos não poderão mais substituir os candidatos homologados pelo TSE. Nesta alternativa final, na minha impressão só restaria Ciro Gomes. O povo terá que ser juiz de si mesmo.

Maia desmente apoio à proposta de Guedes sobre “superpoderes” a partidos

Rodrigo Maia nega ter apoiado a tese de Guedes

Eduardo Bresciani
O Globo

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nega ter feito um acordo com Paulo Guedes, guru econômico de Jair Bolsonaro (PSL), para dar “superpoderes” a partidos em votações na Casa. Maia afirma que esteve com Guedes há seis meses e tratou apenas de economia. Em encontro com investidores no qual falou sobre a possível volta da CPMF, o economista de Bolsonaro disse ter combinado com o presidente da Câmara um novo modelo de votação no qual se computaria o voto de todos os parlamentares de um partido sobre determinada proposta, ainda que haja divergências dentro da bancada. A informação foi revelada pelo colunista Ascânio Seleme, do Globo.

— Tenho maior admiração pelo Paulo Guedes, mas prefiro as ideias dele na área econômica, tirando a criação da CPMF, claro. Não vou especular em assuntos que não existem— afirmou Maia ao Globo.

DESMENTIDO – O presidente da Câmara disse que em nenhum momento conversou com Guedes sobre sistema de votação no Congresso. Garantiu ter o diálogo se restringido a um debate sobre economia.

Numa conversa com investidores, Guedes atribuiu a Maia o nome do novo sistema de votação, que seria chamado de “voto programático de bancada”. Nesse formato, todos os votos de uma bancada seriam computados integralmente a favor de um projeto se mais da metade dos parlamentares daquele partido votarem a seu favor.

O objetivo seria facilitar a aprovação de projetos de um presidente sem maioria parlamentar. O mecanismo impõe a votação fechada de bancada mesmo que o voto seja aberto. Para aprová-lo no Congresso, contudo, serão necessários os votos da maioria, sem o artifício.

DIZ GUEDES – Ainda de acordo com Paulo Guedes, ele e Rodrigo Maia teriam combinado aumentar o percentual da cláusula de barreira de maneira a permitir o funcionamento de apenas uns cinco partidos no Congresso. “E com cinco partidos”, disse Guedes, acrescentando que a negociação fica muito mais fácil.

No entanto, o economista não disse, nem lhe foi perguntado, se o PSL, partido do seu candidato, conseguirá sobreviver sob essas novas condições.

Piada do Ano! Meirelles aceita proposta de FHC, mas quer ser o “indicado”

Meirelles faz piada e não ri, em ritmo de fracasso

Por G1SP

O candidato à presidente da República pelo MDB, Henrique Meirelles, afirmou nesta sexta-feira (21) em São Paulo que é à favor da proposta de união dos partidos de centro, feita pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e se ofereceu para ser o candidato a ser apoiado
pelo PSDB e pelos partidos do Centrão. 

“A leitura que eu tenho é que ele quer a união do centro com um candidato que tenha condições de ganhar a eleição. E o candidato que está subindo nas pesquisas e tem condições de ganhar a eleição sou eu. Acho que o projeto de união do centro é totalmente viável, desde que o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) esteja disposto a abrir mão da candidatura dele para me apoiar. Só é possível união juntos em torno de um candidato que está crescendo e portanto caminha para a vitória, que sou eu”, disse ele.

SEM CHANCE – Meirelles disse que “não existe a possibilidade de quem está subindo”, como ele, abrir mão da candidatura. “Vamos crescer e ganhar”. “Se o PSDB se unir a nós ainda no primeiro-turno, será bem-vindo e, caso contrário, aceitaremos o PSDB nos apoiando no 2º turno”, disse.

Meirelles passou a manhã de sexta-feira em um evento com militantes partidárias e apresentou propostas para as mulheres. “As três iniciativas mais importantes são: as mulheres devem ganhar o mesmo que os homens em relação semelhante nas empresas. O governo tem que obrigar as empresas a cumprir a lei. Segundo, 30% dos cargos, nos conselhos das estatais serão preenchidos imediatamente por mulheres. E a partir daí, os cargos seguintes; terceiro: nós vamos instituir um Prouni para as creches para beneficiar as mulheres de menor renda, que precisam trabalhar e não tem com quem deixar o filho. Portanto, nós temos um conjunto de propostas desde igualdade profissional e oportunidade para as mulheres, até assistência especial para mulheres de menor renda”, disse o candidato.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGHenrique Meirelles é milionário e importante, está sempre de bem com a vida e gosta de fazer piadas. Com todo o esforço e os muitos milhões consumidos na campanha, até agora nem chega a 1% na pesquisa espontânea (“Em quem você vai votar”). Meirelles é um sucesso como executivo, mas um fracasso como político. (C.N.) 

Em tradução simultânea, FHC está pedindo que o centro apoie Ciro Gomes

FHC preocupa-se com a sucessão no evento da XP

Carlos Newton

Depois de publicar uma carta-aberta no Facebook na quinta-feira, dia 20, quando afirmou que o quadro eleitoral é sombrio e fez um apelo pela união das campanhas de centro para eleger o que chamou de “candidatos mais capazes” contra a “marcha da insensatez”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou à carga nesta sexta-feira, ao afirmar que há uma quebra de confiança no Brasil entre os políticos e a sociedade.

“O momento é difícil, mas temos que ver se alguém tem plano de voo”, disse, ao lado do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, ao participar de um painel no congresso da corretora XP na capital paulista, quando se esperava que Paulo Guedes exibisse o programa econômico de Jair Bolsonaro, mas o economista faltou ao evento, por ter sido desautorizado pelo próprio candidato do PSL. 

DESCONFIANÇA – FHC disse considerar que o Brasil passa por um momento de desconfiança da sociedade na classe política, o que impõe aos atuais candidatos o desafio de transmitir às pessoas uma visão de futuro melhor. “Houve quebra de confiança nos homens que conduzem o País e ninguém ganha confiança sem transmitir a esperança de um futuro melhor”, assinalou o tucano

O ex-presidente defendeu a escolha de uma terceira via, ao observar que, numa democracia, convencer o outro não depende apenas da vontade de uma só pessoa, porque a grande maioria da sociedade talvez não queira escutá-la. Por isso, defendeu que os políticos precisam apresentar à população uma utopia possível e viável. “Tem que ser uma utopia que as pessoas sintam que é o caminho”, comentou.

SEM CITAR ALCKMIN – O tucano FHC se equilibrou em cima  do muro e em nenhum momento citou o candidato de seu partido, Geraldo Alckmin. “O momento é difícil, mas temos que ver se alguém tem plano de voo. Sem plano de voo não se chega a lugar nenhum”, salientou o ex-presidente.

Como a eleição está claramente entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), as declarações de FHC necessitam de tradução simultânea. É óbvio que ele está se referindo ao terceiro colocado, Ciro Gomes (PDT), ao mencionar “alguém que tem plano de voo”.

Se estivesse falando em Alckmin, FHC citaria o nome dele, mas sabe que o tucano não tem programa nem carisma para segurar essa onda. Da mesma forma, não está se referindo a Marina Silva (Rede) nem Alvaro Dias (Podemos), cujas candidaturas também fracassaram. Nem tampouco se refere a João Amoêdo (Novo) ou a Henrique Meirelles (MDB).

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P.S. –
Se alguém der uma empurradinha nele, FHC vai rasgar a fantasia e implorar: “ Pelo amor de Deus, votem no Ciro para evitar uma nova tragédia nacional!!!”. Basta uma empurradinha.

P.S. 2 – Ciro Gomes, que é bipolar e às vezes se comporta como um idiota, não captou a mensagem de FHC e esculhambou o ex-presidente, dizendo que ele estava querendo “ressuscitar Alckmin”. Se tivesse juízo, Ciro deveria ter agradecido a FHC a força que está lhe dando. (C.N.)

Em plena recuperação, Bolsonaro dá entrevista para defender Paulo Guedes

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Sem a sonda no nariz, ele falou por telefone

Igor Gielow
Folha

Na primeira entrevista que concede desde que sofreu um atentado a faca há duas semanas, o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) defendeu seu guru econômico, Paulo Guedes, que criou polêmica ao defender uma espécie de CPMF (o chamado imposto do cheque) em palestra.

“O Paulo segue firme”, disse, sobre boatos de que ele poderia se afastar da campanha após cancelar uma série de eventos em que falaria sobre seus planos para a área econômica. “Posto Ipiranga” de Bolsonaro para a área, o economista já foi anunciado como ministro da Fazenda em caso de vitória do atual líder da corrida ao Planalto.

MEU CRIVO – Segundo o candidato, Guedes nunca defendeu a volta da CPMF, que esteve em vigência de 1997 a 2007. “Isso é uma distorção. Ele apenas está estudando alternativas. Tudo terá de passar pelo meu crivo”, afirmou.

Bolsonaro falou por breves quatro minutos ao telefone com a Folha de seu quarto no hospital Albert Einstein, onde se recupera de duas cirurgias. “Foi barra pesada. Eu quase morri, estou aqui por um milagre. Mas estou bem, meu bom humor voltou”, disse.

Ele tentou minimizar o mal-estar que a fala de Guedes criou na sua campanha. “Olha, ele não tem experiência política. O cara dá uma palestra de uma hora, fala uma coisa por segundos e a imprensa cai de porrada nele”, disse, em referência à simplificação tributária e à alíquota única de 20% do Imposto de Renda para quem ganha mais de cinco salários mínimos, feita em uma palestra a investidores e revelada na quarta (19) pela colunista Monica Bergamo, da Folha.

VAMOS ESTUDAR – “Se ele usa a palavra IVA (Imposto sobre Valor Agregado) e não CPMF, não tem confusão nenhuma. Parece uma boa ideia, vamos estudar. A alíquota única do IR para quem ganha mais é uma boa ideia”, afirmou ele. Sua voz, muito debilitada no vídeo divulgado por seu filho Eduardo no domingo (16), estava praticamente normal, apenas um pouco rouca. Guedes conversou nesta sexta (21) com Bolsonaro por telefone e irá visitá-lo no Einstein neste sábado.

Questionado, o presidenciável acabou não comentando a outra polêmica da semana, que foi o movimento para tutelar as falas e a presença do seu vice, o general Hamilton Mourão (PRTB). Na segunda, ele havia sugerido que lares pobres “sem pai e avô” são “fábricas de desajustados” para o narcotráfico.

ORDENS MÉDICAS – Até aqui, o deputado só havia se manifestado por meio de vídeos gravados. “Eu cumpro rigorosamente as ordens médicas. É impossível eu ir para a rua ou participar de debates antes do primeiro turno. Vou fazer participações pela internet”, disse.

Seus filhos, que tocam a campanha em sua ausência, haviam levantado publicamente a hipótese de Bolsonaro participar do último debate televisivo antes do pleito, no dia 4, na Rede Globo.

“Acho que terei alta nos próximos dias, mas continuo com muito antibiótico”, afirmou.

Ele se queixou bastante da campanha do PSDB, que vem batendo duro em sua imagem na propaganda eleitoral gratuita.

PEGOU PESADO – “Vejo com muita tristeza o Geraldo Alckmin, uma pessoa em quem eu já votei. Ele pegou pesado. Eu não esperava isso dele, mas a verdade é que ele não é diferente do PT”, disse.

“Eu não tenho tempo para rebater esse festival de baixaria. Podia perguntar da merenda, da obra do Rodoanel, da Odebrecht”, disse, elencando denúncias contra a gestão do tucano, ex-governador de São Paulo. “É covardia do Alckmin.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGO importante é obedecer as ordens médicas. O primeiro turno já está faturado e Bolsonaro precisa reunir forças para o segundo turno, quando terá 50% do espaço na TV. (C.N.)

Saudemos a “Primavera” de Cecília Meireles, uma poesia em formato de prosa

Resultado de imagem para cecilia meirelesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

A poeta, professora, pintora e jornalista carioca Cecília Meireles (1901-1964), tem na sua poesia uma das mais puras, líricas, bucólicas, belas e válidas manifestações da literatura contemporânea. A Primavera, que se inicia hoje no Brasil, neste poema em forma de prosa, é descrita numa linguagem “onipotente”, imune a quaisquer condições que impeçam a sua chegada, ainda que efêmera, e implanta seus principais dogmas, que fazem uma festa na natureza.

PRIMAVERA
Cecília Meireles

A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.

Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.

Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.

Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.

Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.

Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.

Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.

Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.

Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Guedes diz que Bolsonaro lhe impôs limites na política, não na economia

Paulo Guedes já está metendo os pés pelas mãos…

Marcello Corrêa
O Globo

O economista Paulo Guedes, assessor do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e escolhido para ser seu ministro da Fazenda, caso eleito, disse ao Globo que procurou lideranças políticas, inclusive o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para discutir sobre a ideia do chamado “voto programático de bancada”, que daria “superpoderes” a partidos. A informação foi revelada pelo colunista Ascânio Seleme. Pelo sistema, todos os votos de uma bancada seriam computados integralmente a favor de um projeto se mais da metade dos parlamentares daquele partido votarem a seu favor. Rodrigo Maia nega que tenha conversado sobre o assunto com Guedes.

Na entrevista abaixo, Paulo Guedes diz ainda que Bolsonaro o desautorizou a ter conversas sobre políticas desde então, mas que ele voltou a mencionar o assunto em pelo menos duas reuniões com investidores, uma com brasileiros e outra com estrangeiros, por acreditar que, depois do segundo turno, a classe política voltará a apostar na ideia.

Como surgiu a ideia do “voto programático”?
Isso aconteceu há seis meses. Conversei com mais gente ainda. Assim que o Jair Bolsonaro me chamou para fazer o programa econômico, a primeira coisa em que eu pensei foi em governabilidade, como vamos aprovar um programa econômico. Estava convencido de que acabou a velha política na base de toma-lá-dá-cá. Essa é uma das razões por trás do sucesso da candidatura do Bolsonaro. Como eu poderia instrumentalizar uma reforma política que permitisse governabilidade em novas bases? Em vez da compra de votos mercenários no varejo, teria que ser a sustentação parlamentar com base em programas partidários.

Como funcionaria o sistema?
Quando comecei a buscar conversas com lideranças políticas para costurar uma aliança de centro-direita na política em torno de um projeto liberal na economia, o que o Rodrigo Maia me disse foi o seguinte: “Paulo, isso já existe. Isso se chama fechamento de questão com fidelidade partidária”. (Pode ser usado) toda vez que não é uma questão de foro íntimo. Se for questões orçamentárias, operacionais, você precisa, nessas ocasiões, recorrer, então, a esse tipo de coisa.

Mas hoje isso é uma decisão do partido…
Claro. Na época, falei que, quem sabe, uma reforma política, então, tem que ter só duas cláusulas. Uma cláusula de desempenho, essa atual cláusula de barreira, se fosse mais inclinada um pouquinho, podia limitar em só quatro a cinco partidos lá na frente. E a outra era sobre essa (do voto programático). Esse voto programático significa que os partidos teriam que trabalhar em torno de programas, e não em torno de acordos mercenários.

A reunião foi há seis meses, mas voltou à tona durante a reunião com investidores?
O que eu disse foi o seguinte: “Pessoal, pelas conversas que tive meses atrás, todo mundo acha que faz sentido essa aliança (de centro-direita)”. Aí eu manifestei meu otimismo na reunião, relatei esse caso e disse: “Acho que isso vai acontecer de novo logo depois que tiver o primeiro turno”. Agora, isso é uma percepção de um sujeito que está confessando que não entende nada de política.

Como o Bolsonaro viu a ideia do voto programático?
O Bolsonaro disse: “Não se preocupa com esse negócio de política, que você não entende disso”

Ele foi favorável?
Não, ele até brinca que convenceu o Paulo Guedes (de que não fazia sentido adotar o voto programático). Isso (a reunião há seis meses) foi muito antes do Jair Bolsonaro me convencer que eu não entendo nada de política.

É possível que seja aplicado em um eventual governo?
Isso não faz parte do cardápio dele. Ele deixou claro: “Não converse nada com ninguém sobre política”. Eu senti que essa aliança de centro-direita na política por um programa liberal na economia é uma ideia que tem muito apelo na classe política, porque o Brasil foi governado 30 anos pela centro-esquerda, que subiu impostos, aumentou o tamanho do Estado.

Como fica a relação após a polêmica do imposto sobre movimentações financeiras, como a CPMF?
Da mesma forma que é natural que ele fale assim: “Não é bem assim esse negócio de política, não, Paulo, o negócio é diferente”. É natural também que, nesse negócio de economia…

E a questão de reforma tributária? O senhor disse que estava dividido entre duas propostas, a do Imposto sobre Valor Agregado (IVA) e o sobre movimentação financeira.
Quem vai decidir é o presidente. Não é a hora ainda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPaulo Guedes é do tipo autoritário. Julga que Bolsonaro, se vencer, fará um governo ditatorial, baixando Atos Institucionais. Desse jeito, Guedes acaba sendo demitido antes de assumir. O que será uma boa, porque se trata de um economista dedicado a vender o país por 30 dinheiros, conforme já afirmamos aqui na TI. (C.N.)

Lula manda em Haddad, Bolsonaro manda em Guedes, e FHC manda em quem?

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Charge do Aroeira (O Dia/RJ)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Enquanto Fernando Haddad (PT) não perde uma chance de reforçar que é pau-mandado do ex-presidente Lula, Jair Bolsonaro (PSL) faz o contrário e põe nos seus devidos lugares o vice, general Hamilton Mourão, e o “Posto Ipiranga”, economista Paulo Guedes. Do hospital, onde continua ativo nas redes sociais, o capitão Bolsonaro cortou as asinhas do general Mourão, que estava doido para substituir o paciente em debates e sabatinas – ou seja, assumir o papel de candidato à Presidência. Bolsonaro foi direto: ou ele vai pessoalmente aos debates, ou ninguém vai.

Também cuidou de conter os arroubos do economista Paulo Guedes, que defende imposto único e avançou o sinal ao admitir a recriação da CPMF. “Chega de impostos”, bradou Bolsonaro, tarde demais. Os adversários estão fazendo uma festa e reforçando a percepção de que, como o candidato não entende nada de economia (aliás, não só de economia…), o governo seria, na prática, de Guedes. Ou do general, que já defendeu intervenção militar.

AMBIVALÊNCIA – Todo o episódio confirma o alerta do economista Persio Arida: que o “estatizante e corporativista” Bolsonaro vai para um lado e o “privatizante e liberal” Guedes vai para o outro. E aí, que governo sai dessa confusão, caso subam a rampa do Planalto? Ou, como indagam os apressados do mercado, que pularam cedo na campanha Bolsonaro por medo do PT: “E a autonomia do Guedes?”. Não é tanto assim, até porque presidente é presidente, ministro da Fazenda é muito importante, mas é só ministro.

Do lado oposto, Lula é a força e a fraqueza de Haddad. A mais contundente confirmação disso foi a forma tortuosa e sofrida com que reagiu à pressão para dizer se, eleito, iria ou não tirar Lula da cadeia via indulto. Foram muitos talvez, quem sabe, muito pelo contrário, até que o governador de Minas, Fernando Pimentel, disse o que parece óbvio: sim, Haddad no Planalto significa Lula fora da cadeia.

NÃO ATRAI VOTOS – Do ponto de vista eleitoral, trata-se do clássico “pregar para convertidos”, porque a ideia agrada a quem já naturalmente vota no PT. E não atrai votos de quem até simpatiza com o jeitão de Haddad, mas não é petista e não quer soltar Lula a qualquer custo, muito menos admite a volta dele no tapetão.

Foi por isso que, na milésima vez que lhe perguntaram a mesma coisa, Haddad jogou a toalha e garantiu que não, não vai dar indulto a Lula. Se é verdade ou não, não se sabe, mas ele mandou um recado para Pimentel, que teve de se retratar: ninguém fala por ele (a não ser Lula, claro).

FARTA MUNIÇÃO – Com essa balbúrdia, os dois favoritos dão farta munição a Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB) e Marina Silva (Rede). “O Brasil não aguenta mais um presidente fraco, que tenha de consultar o seu mentor”, atacou Ciro, ao lembrar o desastre Dilma Rousseff, outro “poste” de Lula. Ciro perdeu o segundo lugar para Haddad, mas tem uma vantagem sobre Alckmin e Marina: não caiu. Assim, se torna a opção mais à mão em caso de uma onda pelo “voto útil” de centro, contra os extremos.

Marina insiste numa campanha considerada elegante por uns e ingênua por outros, enquanto perde votos principalmente para Haddad. Ao contrário, Alckmin acordou, deu um pulo da cama e partiu para a guerra contra Bolsonaro e, no rastro, também contra Haddad. Suas peças na TV agora são duras, com cenas fortes, fazendo até conexão entre o Brasil e a Venezuela e entre Bolsonaro e Chávez. E foram reforçadas por uma carta de Fernando Henrique Cardoso contra a polarização.

Parece improvável que a guinada reverta a favor de Alckmin, mas pode quebrar a convicção antecipada de que a eleição será entre Bolsonaro e Haddad. No mínimo, é um alerta sobre o que pode vir por aí.

Desautorizado por Bolsonaro, Guedes cancela exibição do plano econômico

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Guedes teve de desmarcar importantes compromissos

Deu em O Tempo
(Estadão Conteúdo)

O economista Paulo Guedes, responsável pelo plano econômico do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), cancelou, no início da manhã desta sexta-feira, 21, sua participação em evento na Amcham (American Chamber of Commerce). Guedes faria uma apresentação do plano econômico do candidato.

A informação do cancelamento dessa agenda foi confirmada pela assessoria de imprensa da Câmara de Comércio. É o terceiro compromisso cancelado pelo economista de Bolsonaro, que também não participou do congresso que está sendo realizado pela corretora XP em São Paulo, onde Guedes falaria com investidores às 14h.

CREDIT SUISSE – Na quinta-feira, 20, o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, informou que ele também não iria mais a uma reunião fechada com clientes do Credit Suisse Hedging Griffo (CSHG).

O motivo alegado pelos organizadores para o cancelamento, de acordo com fontes que haviam sido convidadas para o evento, seria “problema em agenda”. Procurado pela reportagem na quinta, o Credit Suisse HG não comentou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A eleição ainda não foi ganha, mas é impressionante a disputa de poder dentro da equipe de Bolsonaro, que é comandada pelos filhos. O fato positivo é que Paulo Guedes, um economista dedicado a vender este país por 30 dinheiros, já está de bola murcha e não apita mais nada. Bolsonoro precisa encontrar alguém que defenda os interesses do país e de seu povo. (C.N.)

 

‘É mais fácil boi voar de costas’, diz Ciro sobre apelo de FHC para unir o centro

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Ciro ironiza FHC, que só respeita o próprio ego…

Mariana Haubert
Estadão

O candidato à Presidência pelo PDT nas eleições 2018, Ciro Gomes, voltou a ironizar nesta sexta-feira, dia 21, o apelo feito nessa quinta-feira, 20, pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) que, em carta, pediu a união do centro político nas eleições de 2018. “É muito mais fácil um boi voar de costas. O FHC não percebe que ele já passou. A minha sugestão para ele, que ele merece, é que troque aquele pijama de bolinhas que está meio estranho por um pijama de estrelinhas. Porque, na verdade, ele está preparando o voto no Fernando Haddad (PT), porque ele não tem respeito a nada e a ninguém, a não ser ao seu próprio ego”, afirmou Ciro em um ato de campanha realizado no Núcleo Bandeirante, região administrativa de Brasília.

Ainda nesta sexta-feira, os presidenciáveis Guilherme Boulos (PSOL) e Marina Silva (Rede) também comentaram a carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Boulos chamou FHC de “hipócrita” e disse que a ascensão de Jair Bolsonaro é responsabilidade do PSDB. Já Marina disse que os tucanos enfrentam as mesmas dificuldades do PT.

POLARIZAÇÃO – A carta do ex-presidente tucano foi um pedido feito pelo seu partido diante da polarização entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) no primeiro turno da campanha presidencial. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin está estagnado nas pesquisas de intenção de voto e não tem conseguido deslanchar para poder brigar por um lugar no segundo turno.

Nesta madrugada, após o debate das emissoras católicas em Aparecida, Ciro já havia atacado FHC ao dizer que ele é “um dos responsáveis pela situação que nós vivemos”.

Ciro também voltou a criticar Bolsonaro ao afirmar que “só uma pessoa muito inocente, doida para ser enganada, acredita que o Bolsonaro vai dar 15 dias de atenção ao Paulo Guedes”, em referência ao economista da campanha do adversário.

Divergência – Guedes e Bolsonaro divergiram nesta semana depois de o primeiro propor a volta da CPMF, imposto sobre transações bancárias, e ser, logo em seguida, desautorizado pelo presidenciável.

A respeito, Ciro Gomes citou uma propaganda que era veiculada no interior do Ceará de um xarope que tinha como slogan: “só burro não toma Castaniodo”. E completou:

“O governo Bolsonaro não acontecerá porque eu vou pedir a Deus que ilumine a minha palavra para proteger o Brasil desse salto no escuro”, disse.

MACHISMO – Em entrevista à imprensa, Ciro também rechaçou a pecha de machista, disse que as mulheres irão salvar o Brasil do fascismo, prometeu que vai fiscalizar e multar empresas que pagarem salários menores às suas empregadas em funções desempenhadas igualmente por homens e disse que irá aumentar a pena para o feminicídio.

“As mulheres brasileiras e os mais pobres vão salvar o nosso País do precipício, do fascismo, do militarismo extremista radical. As mulheres brasileiras têm direito que o país reconheça o seu momento e o país tem que garantir aquilo que já está na regra: mulher que faz o mesmo trabalho de homem tem que receber o mesmo salário de homem”, disse.

COISA VERGONHOSA – O candidato afirmou ainda que irá combater a violência contra a mulher e aproveitou o tema para criticar os boatos de que teria agredido a ex-mulher Patrícia Pilar. “É uma coisa extremamente vergonhosa”, disse.

Nesta semana, a atriz e diretora gravou um vídeo divulgado em redes sociais para desmentir o rumor.

“Eu vou resolver isso, eu vou me vingar disso protegendo o povo brasileiro, especialmente as mulheres contra o nazifascismo que o senhor Bolsonaro representa”, completou.

Ciro está de volta ao jogo e pode até disputar a sucessão com Bolsonaro

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Ciro acha que passará  Haddad na reta final

Merval Pereira
O Globo

O resultado da pesquisa do DataFolha parece ter reaberto a possibilidade de surgir uma terceira via pelo centro contra os extremos. Ciro Gomes busca esse caminho de volta às suas origens, depois de ter flertado com a esquerda nos últimos anos. Se apresenta como centro político, nem esquerda nem direita, e parece estar mais conectado ao espírito dos tempos atuais, que favorece os candidatos mais assertivos, sem importar muito se suas promessas e ideias são factíveis. A disputa está tão radicalizada que o centro pode ser representado por Ciro, um político irascível e com ideias econômicas ultrapassadas, como proibir a fusão da Embraer com a Boeing.

A possibilidade de o eleitorado estar, afinal, buscando a via do meio faz com que candidatos mais genuinamente desse campo, como o tucano Geraldo Alckmin e Marina Silva, da Rede, animem-se. Seria um sinal de que os extremos em provável disputa num segundo turno preocupam o eleitorado.

MARGEM DE ERRO – O candidato tucano ficou estagnado, o que pode ser uma ótima notícia a esta altura do campeonato. Numa visão otimista, ele estaria empatado com Ciro Gomes na disputa do terceiro lugar, isto se diminuirmos dois pontos de Ciro e dermos mais dois para o tucano, num exercício de boa vontade na margem de erro.

É claro que Ciro também faz a leitura da margem de erro a seu favor. Se aumentarmos dois pontos para ele e diminuirmos dois de Haddad, o pedetista estaria empatado com o petista, numericamente à frente.

Mesmo Marina, que continua em tendência de queda, considera que a pregação de temperança na disputa política pode ir ao encontro do desejo mais recôndito do eleitor, que estaria envolvido por radicalizações políticas, mas despertou a tempo. Esse é o espírito de um filmete que está sendo divulgado por sua campanha na internet.

REJEIÇÃO – O petista Haddad, à medida que o eleitorado vai identificando-o como o candidato de Lula, aumenta também sua rejeição. Já mais de 70% dizem conhecê-lo bem, e mais de 60% o identificam como o candidato de Lula. Na pesquisa do DataFolha seu crescimento foi menor que o verificado pelo Ibope, mas as pesquisas foram feitas com métodos diferentes, e, sobretudo, em dias diferentes, e só uma próxima poderá afunilar os resultados em uma mesma direção, ou não.

Todos os candidatos de centro negam-se a unir-se em torno de um só nome, apesar de diversos apelos, e da reafirmação do auto-intitulado centro-democrático da necessidade de união para derrotar os extremos. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso escreveu, via Facebook, uma carta aos eleitores, onde se diz preocupado com a fragmentação política e social do momento e pede uma coesão política, pois ainda há tempo para deter a marcha da insensatez e evitar que o barco naufrague.

CAMPO DE BATALHA – A região nordeste, onde Lula, e agora Haddad, lideram com folga, é o novo campo de batalha para Bolsonaro, que tentará anular a força do petista na região. Mas Ciro também tem uma visão positiva do eleitorado nordestino, acreditando que conterá a subida de Haddad.

Na análise de sua assessoria, o slogan “Haddad é Lula e Lula é Haddad” funciona apenas na propaganda eleitoral, não é assim na vida real. Há um levantamento que indica que o desempenho de Lula no Nordeste, no passado, não foi diretamente relacionado com a votação de Ciro Gomes nos estados da região.

A votação de Ciro Gomes, comparando o pleito de 1998 ( quando foi eleito Fernando Henrique) com o de 2002 (eleito Lula), cresceu em quatro estados. Na Bahia, maior eleitorado da região, a votação de Ciro cresceu cerca de 40%. No Ceará, a votação cresceu cerca de 10%. Em um deles, Pernambuco, a votação foi em percentual praticamente semelhante. O petista cresceu de 1998 para 2002, tirando a maioria de seus votos de outros candidatos, entre eles do PSDB.

TUDO COMO ANTES – Esta realidade se repete agora. Ciro não perde votos na região para Haddad. Com base nestas informações, a avaliação é de que a votação de Ciro vai crescer na região, e que Haddad, para crescer, terá de repetir Lula e tirar votos de outros candidatos. Só que o candidato petista não é Lula nem carregará todos os votos de seu líder.

Pelo DataFolha, Haddad já conseguiu a transferência de cerca de 40% das intenções de voto em Lula, mas faltam pouco mais de 15 dias e sua subida, ao contrário do que aponta o Ibope, não está no ritmo necessário. Para chegar ao segundo turno, porém, Ciro terá que convencer o eleitorado de centro de que não é um mero apêndice de Lula. Por isso tem exacerbado suas críticas a Haddad e ao PT. Mas procura poupar Lula.

A erosão da prática democrática, em meio à polarização política no Brasil

Radicalismo marca o apoio a Bolsonaro e Mourão

Steven Levitsky
Folha

Uma boa Constituição não basta para fazer que a democracia funcione. A democracia depende de normas não escritas. Duas são especialmente importantes. A primeira é a tolerância mútua, ou a aceitação da legitimidade dos oponentes. Isso significa que, não importa o quanto possamos desgostar de nossos rivais em outros partidos, reconhecemos que eles são cidadãos leais, com direito legítimo a governar. Em outras palavras, não tratamos os rivais como inimigos.

A segunda norma é a indulgência. Indulgência significa abrir mão de exercer um direito legal. É um ato de autocontrole, uma subutilização do poder.

JOGO DURO – A indulgência é essencial para a democracia. Os políticos têm a capacidade de usar a letra de qualquer Constituição para subverter seu espírito, transformando instituições em destrutivas armas partidárias. Apontar juízes parciais. Conduzir impeachments em base partidária. Excluir candidatos de um pleito por conta de minúcias legais. O professor de direito Mark Tushnet define o método como “jogo duro constitucional”.

Observe qualquer democracia em colapso e verá uma abundância de jogo duro constitucional: Espanha e Alemanha na década de 1930; a Argentina de Perón; a Venezuela na era Chávez; Turquia, Hungria, Bolívia e Equador hoje em dia.

O que impede que uma democracia seja arruinada pelo jogo duro constitucional é a indulgência. É o compromisso dos políticos de exercerem de maneira contida as suas prerrogativas institucionais, sem utilizá-las irresponsavelmente como armas partidárias.

TOLERÂNCIA – As normas de tolerância mútua e indulgência são as grades de proteção informais da democracia. São elas que impedem que a competição política degringole para o tipo de disputa partidária impiedosa que destruiu as democracias da Europa na década de 1930 e as da América do Sul nas décadas de 1960 e 1970.

A democracia brasileira contava com essas grades de proteção informais, entre 1994 e 2014. O PT e o PSDB competiam vigorosamente, mas aceitavam um ao outro como legítimos. Não se tratavam como inimigos. E os políticos exercitavam a indulgência. Não houve interferência na composição dos tribunais, como aconteceu na Argentina de Kirchner ou na Venezuela de Chávez; não houve impeachments em estilo paraguaio; nem legalização de tentativas dúbias de reeleição por judiciários amistosos, como na Bolívia e Nicarágua.

Mas muita coisa mudou nos cinco últimos anos. À medida que a política se polarizava, a tolerância mútua desaparecia. Muita gente na direita agora vê o PT como ameaça existencial —uma força chavista determinada a se perpetuar no poder. E muitos petistas agora veem seus oponentes como golpistas ou até “fascistas”.

QUAISQUER MEIOS – A erosão da tolerância mútua encoraja o jogo duro constitucional. Quando vemos os rivais como ameaça à nossa existência, como chavistas ou golpistas, nos sentimos tentados a usar quaisquer meios necessários para derrotá-los.

É exatamente isso que está acontecendo agora. O Brasil viu um recuo acentuado na indulgência. O impeachment de Dilma não foi um golpe —foi inteiramente legal. Mas representou um caso claro de jogo duro constitucional. Dilma também se engajou em jogo duro constitucional. A indicação de Lula como chefe de sua Casa Civil, para protegê-lo contra processos, é um exemplo.

A exclusão de Lula da corrida presidencial também foi inteiramente legal. Mas os juízes aceleraram o caso, levando a lei aos seus limites. Lula não precisava ter sido condenado antes da eleição. Mesmo que essas ações sejam consideradas como justificáveis, as consequências são perturbadoras: os petistas acreditam ter sido tirados do poder ilegitimamente em 2016 e impedidos ilegitimamente de recuperá-lo em 2018.

INIMIGOS PERIGOSOS – No Brasil atual, setores importantes da esquerda e da direita veem uns aos outros como inimigos perigosos. Essa intolerância mútua coloca a democracia em perigo. Quando a política fica polarizada a ponto de vermos rivais como ameaça à nossa existência, o que tornaria sua eleição intolerável, começamos a justificar o uso de meios extraordinários —violência, fraude eleitoral, golpes —a fim de derrotá-los.

De fato, a crença de que o PT é chavista levou muita gente na direita a considerar medidas irresponsáveis. Como, por exemplo, votar em Bolsonaro, o candidato verdadeiramente autoritário que está na disputa, para derrotá-lo. A tolerância quanto a líderes e ações antidemocráticas, em nome de derrotar rivais odiados, ajudou a matar a democracia na Alemanha e Espanha na década de 1930, no Chile em 1973, e na Venezuela no começo da década de 2000.

A polarização nublou as percepções. Nem o PSDB nem o PT são uma ameaça à democracia. Os dois partidos deveriam ser rivais acalorados, mas não inimigos temidos. A verdadeira ameaça é Bolsonaro, e a tentação de apoiá-lo, gerada pelo medo. A centro-direita e a centro-esquerda do Brasil precisam perceber a gravidade da situação antes que seja tarde.

Steven Levitsky é cientista político, professor de Harvard
e autor do livro  “Como as Democracias Morrem”

Equipe de Bolsonaro delega área de infraestrutura a militares da reserva

General Ferreira (à esquerda) dirige o Comitê

Talita Fernandes , Mariana Carneiro e Julio Wiziack
Folha

O candidato Jair Bolsonaro (PSL) decidiu entregar a militares a área de infraestrutura do governo caso seja eleito presidente. Na última segunda-feira (17), o guru econômico do presidenciável, Paulo Guedes, teve seu primeiro encontro com o chamado Grupo de Brasília, que reúne militares da reserva interessados em ver suas propostas implementadas em um governo Bolsonaro.

As reuniões, realizadas a portas fechadas no hotel Brasília Imperial, na capital federal, foram a primeira tentativa de unir as equipes que orbitam ao redor de Bolsonaro e que, faltando poucos dias para a eleição, ainda trabalham desarticuladas.

PROJETO DE GOVERNO – O senso de urgência de consolidação de um projeto de governo se deu diante da melhora de desempenho nas pesquisas. Além da área de infraestrutura, as equipes trabalham na construção de um plano mais amplo como base de um eventual governo.

O primeiro diagnóstico é que, para o desenvolvimento de grandes projetos, a crise fiscal tem que ser enfrentada imediatamente e, por isso, estão sendo detalhadas propostas de reforma da Previdência e tributária, alem de desestatizações. Essas iniciativas estão sendo desenvolvidas sob liderança de Paulo Guedes. Os militares, por sua vez, assumiram a liderança nas áreas de infraestrutura e regulação.

GRUPO DE BRASÍLIA – Os temas vinham sendo discutidos separadamente por Guedes e pelo Grupo de Brasília. Mas, depois da reunião da última segunda, o tema passou às mãos do grupo liderado pelo general da reserva Osvaldo Ferreira, do qual também fazem parte os generais Augusto Heleno e Aléssio Ribeiro Souto, além do professor da UnB (Universidade de Brasília) Paulo Coutinho.

Uma sala de eventos do hotel tornou-se uma espécie de QG do grupo, que intensificou as reuniões depois que Bolsonaro foi hospitalizado. Eles avaliam que, com o afastamento do capitão reformado, as ações propositivas ficaram paralisadas, e passou a ser necessário municiar o candidato a vice, o general da reserva Antônio Hamilton Mourão, em suas aparições.

INFRAESTRUTURA –  O general Ferreira, cotado para assumir o Ministério dos Transportes caso Bolsonaro vença, trabalha no programa de infraestrutura desde setembro do ano passado. Formado na Academia Militar, desempenhou funções de engenharia durante sua passagem pelo Exército, principalmente em obras na Amazônia.

O grupo tem como meta terminar projetos em andamento e colocar em análise as cerca de 3.000 obras do governo federal que, segundo seu diagnóstico, estão paradas.

A pretensão é partir do plano de obras e concessões já pronto, elaborado pela EPL (Empresa de Planejamento e Logística), para concluir planejamento já feito por técnicos do governo federal.

CONTINUIDADE – O mantra da equipe é que tudo o que está paralisado merece ser continuado. São exemplos de projetos que receberão atenção a BR-163, que liga o Centro-Oeste a Santarém, a Transnordestina, a Ferrovia Norte-Sul e Angra 3.

O grupo também pretende converter concessões em autorizações, como forma de acelerar desestatizações. O processo funcionaria principalmente para rodovias, que seriam leiloadas em bloco para a administração privada.

A navegação de cabotagem e o setor de telecomunicações são outras prioridades que estão na linha de frente. A equipe de Bolsonaro pretende acelerar a tramitação no Congresso das regras de devolução de ativos à União, pelas empresas de telefonia que obtiveram concessões nos anos 1990. A avaliação é que isso está freando investimentos na área e impedindo o desfecho de uma solução para a Oi. Também sob o guarda-chuva de Ferreira estão os planos para as agências regulatórias.

PRIVATIZAÇÃO – A ideia é que o programa de privatização tenha como estratégia ampliar a venda de ativos de estatais, como subsidiárias de Banco do Brasil, Caixa e Petrobras, sem se desfazer do controle das empresas.

O economista também coordena a área tributária, em que a criação de um imposto único nos moldes de uma nova CPMF foi proposta. Após reação política à proposta, Guedes cancelou participação em eventos, como um do banco Credit Suisse, nesta quinta (20).

Pessoas ligadas a Bolsonaro dizem que há estudos também de uma alternativa menos drástica, de unificar apenas tributos federais para a criação de um IVA (imposto sobre valor agregado), que reuniria PIS, Cofins, IPI e CSLL. O norte das mudanças, dizem, é a simplificação tributária.

Ciro critica voto útil, mas confia nele para vencer Haddad no primeiro turno

Ciro diz ser o único que poderá vencer Bolsonaro

Andreza Matais
Estadão

A campanha do presidenciável Ciro Gomes (PDT) vai explorar em suas próximas peças pesquisas recentes que apontam o candidato como único a vencer com vantagem Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno. Coordenador da campanha de Ciro, o presidente do partido, Carlos Lupi, diz que a estratégia é tentar convencer o eleitorado, inclusive petista, de que o candidato tem hoje mais chances de “impedir o pior”. A avaliação da campanha é de que, com o discurso, podem ganhar os votos de “petistas lúcidos” que queiram ajudar a deter Bolsonaro.

O entorno de Ciro Gomes explica que os ataques ao PT não serão ideológicos, mas à gestão do candidato Fernando Haddad. A moderação será usada para não perder o apoio dos eleitores da sigla.

VALE TUDO – O desempenho de Ciro fez com que virasse alvo nas redes sociais. Pelo WhatsApp circula um meme no qual o famoso pé-frio Mick Jagger diz que vota no pedetista.

Já Marina Silva comemorou a informação do Datafolha de que os eleitores indecisos são, em sua maioria, mulheres. O entorno da candidata vê melhores chances de crescimento nessa parcela da população.

Para reverter a queda, Marina concentrará sua agenda onde teve bom desempenho nas eleições passadas, como Pará, Bahia e Pernambuco, para recuperar esses votos. A exceção é o DF, onde a equipe avalia que Jair Bolsonaro já está consolidado.

SALTO ALTO – Líder nas pesquisas, Bolsonaro não fará ajustes da campanha nessa reta final. O deputado Major Olimpio (SP) diz que o que precisava ser acertado já foi em jantar nesta semana e agora é tocar o barco. “Estamos a um Alckminzinho de vencer no primeiro turno. É coisa pouca”, provoca, citando seu rival.

Após a estagnação em 9 pontos de Geraldo Alckmin nas pesquisas, presidentes de partidos que compõem o Centro estão tendo de lidar com pedidos de candidatos ao Congresso para tirar dos santinhos a imagem do tucano.