Senador da cueca acionou Planalto para obter avião e transportar material de empresa investigada

PF encontra dinheiro na cueca do senador Chico Rodrigues vice-líder do  governo

Charge do Clayton (O Povo/CE)

André de Souza e Aguirre Talento
O Globo

O senador Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado na semana passada pela Polícia Federal com cerca de R$ 30 mil escondidos na cueca, acionou o Palácio do Planalto para obter um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) para transportar material de uma empresa investigada por suspeitas de irregularidades em contrato com o governo de Roraima, aponta a PF na investigação sobre o senador.

Quando a operação foi deflagrada, o presidente Jair Bolsonaro tentou se desvincular do senador e disse que a existência de irregularidades envolvendo o aliado não significa que havia corrupção no governo. A investigação, entretanto, aponta que Chico Rodrigues usou sua influência política junto ao Palácio do Planalto para beneficiar uma empresa investigada.

AVIÃO DA FAB – A Quantum Empreendimentos, contratada por R$ 3 milhões pelo governo de Roraima para fornecer kits de testagem do Covid-19 em um procedimento suspeito de fraude, tem ligação com funcionários do gabinete de Chico Rodrigues, de acordo com as investigações.

A PF localizou troca de mensagens nas quais o senador relata ter solicitado ao Ministério da Defesa e ao Palácio do Planalto a disponibilização de um avião da FAB para transportar material da Quantum em meio à pandemia. A investigação não deixa claro se o transporte foi realmente efetivado, apesar dos pedidos do senador.

DATA PROGRAMADA – Nas mensagens, o senador afirma ter acionado o ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva e funcionários do ministério. “Falei com o brigadeiro Flávio. Está programando a data”, avisou Chico Rodrigues.

O Ministério da Defesa lhe informou que o assunto estava concentrado na Casa Civil e que a demanda havia sido encaminhada para lá. O senador, que era vice-líder do governo Bolsonaro, então usou sua influência política perante o Planalto. “Passei o tel do Secretário e o seu para equipe do Palácio do Planalto. Assunto avião transporte material médico”, afirmou o senador.

SERVIDOR EXONERADO – Tratava-se de equipamentos de proteção comprados em São Paulo e em Santa Catarina, para abastecer os órgãos de saúde de Roraima. O senador foi acionado por um funcionário da Secretaria de Saúde de Roraima, Francisvaldo de Melo Paixão, que depois de ser exonerado acabou delatando irregularidades nos contratos da pasta.

“Ocorre que a empresa QUANTUM, contratada pelo Estado de Roraima em procedimento suspeito de fraude, possui especial vínculo com o Senador CHICO RODRIGUES e seu operador JEAN FRANK, seja através do vínculo societário (o sócio da empresa é esposo da irmã da assessora do Senador, que por sua casada com Jean Frank); seja em razão da atuação do Senador para beneficiar a empresa de diversos modos (usar avião da FAB para realizar transporte de mercadorias da empresa, diligenciar pagamentos, encontros com o servidor da Secretaria de Saúde etc)”, escreveu a Polícia Federal.

DIZ O SENADOR – Em nota, a defesa do senador Chico Rodrigues negou o envolvimento com irregularidades.

“O senador Chico Rodrigues jamais intercedeu indevidamente em prol de qualquer interesse privado no âmbito de contratações no Estado de Roraima ou em qualquer outro órgão. As investigações irão provar que ele não cometeu qualquer irregularidade no exercício de suas funções. O senador está à disposição das autoridades para esclarecer quaisquer dúvidas a respeito dos fatos em apuração”, afirmam os advogados Ticiano Figueiredo, Pedro Ivo Velloso e Yasmin Handar.

Em homenagem a Lula, PT usará horário eleitoral para defender anulação de condenação do ex-presidente

Orientação faz parte das comemorações do 75º aniversário de Lula

Ricardo Galhardo
Estadão

A direção nacional do PT orientou todos os candidatos do partido nas eleições municipais deste ano a usarem o horário eleitoral no rádio e na televisão para defender a anulação da condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a recuperação de seus direitos políticos. A orientação faz parte da série de comemorações que o PT prepara para o aniversário de 75 anos de Lula, no dia 27.

“Orientamos pautar nossa propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV neste dia com homenagem a Lula, com a mensagem #AnulaSTF, pela recuperação de plenos direitos políticos para Lula! Essa deve ser uma bandeira de todos os democratas no país”, diz um ofício assinado pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e pelo o secretário nacional de Comunicação, Markus Sokol, encaminhado a todas as instâncias partidárias.

ESQUERDA FRAGMENTADA – Por orientação de Lula, o PT adotou a estratégia de lançar o maior número de candidatos possível nas eleições municipais. Isso ajudou a fragmentar a esquerda em várias cidades importantes. Segundo cálculos do partido, o PT tem cerca de 60 candidatos próprios nas 95 cidades com segundo turno. Desde o início, a sigla tem dito que as campanhas municipais seriam usadas para defender o legado dos governos petistas e os direitos de Lula.

O ex-presidente foi condenado duas vezes por corrupção passiva e lavagem de dinheiro nos casos do sítio de Atibaia e do tríplex do Guarujá, ambos com base em investigações da Lava Jato. Lula chegou a cumprir um ano e meio de prisão em Curitiba.

Segundo Sokol, o ex-presidente não foi o autor da ideia, mas aprovou a medida. “Não é contra a vontade dele, mas não foi ele que pediu. Lula é superparcimonioso. Ele sempre diz que é o último que poderia pedir essas coisas”, disse o dirigente.

PROGRAMAÇÃO ESPECIAL – A orientação é apenas uma das ações do PT para comemorar o aniversário de Lula. O partido vai estimular os diretórios municipais e candidatos a vereador a convidar a população para comer bolo em homenagem ao ex-presidente. A TVPT veiculará uma programação especial e um minidocumentário contando a trajetória do ex-presidente, e o Instituto Lula vai receber vídeos de um minuto de apoiadores.

“Vamos, nacionalmente como partido, realizar de maneira ampla atividades de comemoração do aniversário do principal dirigente do PT e maior liderança popular do País. Convocamos os diretórios e, em especial, as candidatas e candidatos a vereador(a) e prefeito(a), a comemorarmos juntos esta data, juntos com o povo. Há várias formas possíveis, adaptadas à agenda local, de fazer essa comemoração”, diz o ofício da direção nacional.

DESVIO DE FINALIDADE – Perguntado se a orientação de usar o espaço na TV para a defesa de Lula configura desvio de finalidade, já que o horário eleitoral é pago com dinheiro público para que as campanhas façam sua propaganda, Sokol respondeu que a anulação das condenações do ex-presidente é uma plataforma de todos os candidatos do PT.

“Vamos politizar a eleição. Com este governo Bolsonaro não existe solução real só no âmbito municipal. Não sei se tem alguma definição do que é propaganda eleitoral. Levantar a defesa da maior liderança de massas do Brasil não é uma bandeira política? Se alguém ficar incomodado, é para incomodar mesmo”, disse o dirigente.

Caso do senador de cueca: Alcolumbre diz que Conselho de Ética não pode abrir exceção e votar por ‘conveniência’

Processo de Chico Rodrigues ficará parado nas próximas semanas

Julia Lindner
O Globo

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou nesta terça-feira, dia 20, que o Conselho de Ética só vai retomar as atividades quando as demais comissões voltarem a funcionar. Com isso, o processo do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), ficará parado nas próximas semanas. Segundo Alcolumbre, não é possível abrir exceções para o funcionamento de comissões pela “conveniência ou não de um assunto ou outro”.

As reuniões presenciais das comissões estão suspensas em razão da pandemia do novo coronavírus. Alcolumbre disse que o assunto só começará a ser discutido a partir do dia 4 de novembro, quando está prevista a próxima sessão de votações do Congresso Nacional.

JUSTIFICATIVA – “O ato do Congresso em virtude do coronavírus paralisou o funcionamento de todas as comissões, e o Conselho de Ética é uma comissão permanente”, justificou Alcolumbre em conversa com jornalistas, na tarde desta terça.

Questionado se o processo de Chico Rodrigues, correligionário de Alcolumbre, não seria urgente, ele respondeu que os outros projetos que estão em outras comissões também são. Desde que o parlamentar foi flagrado com dinheiro vivo na cueca, o presidente do Senado se isolou e evitou comentar publicamente o assunto.

“Vamos fazer uma reunião no dia 4 de novembro do Congresso e eu vou conversar com os senadores porque há uma preocupação de muitos senadores em relação ao funcionamento do Congresso por conta do coronavírus “, afirmou Alcolumbre.

CONVENIÊNCIA – “Não posso, por uma conveniência ou não de um assunto ou outro, decidir sozinho isso. Tenho que dividir com todos que estão preocupados com o coronavírus”, emendou na sequência. Mais cedo, o presidente do Conselho de Ética, Jayme Campos (DEM-MT), defendeu a volta imediata do colegiado, mas ponderou que a iniciativa dependeria da pressão de lideranças da Casa.

No início da sessão do Senado desta terça-feira, Alcolumbre anunciou que, com o pedido de licença de Chico Rodrigues apresentado hoje, o afastamento determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, perdeu objeto e foi arquivado pela Casa. Após a decisão de Barroso, caberia ao plenário da Casa validar ou não a medida.

Com 22 votos a favor e 5 contra, CCJ do Senado aprova indicação de Kassio Marques para vaga no STF

Nome de Marques ainda precisa ser aprovado pelo plenário do Senado

Julia Lindner e Leandro Prazeres
O Globo

Com folga, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou a indicação do desembargador federal Kassio Marques à vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A sessão desta quarta-feira, dia 21, foi marcada por uma série de elogios dos senadores ao magistrado, por questões relativas às suspeitas de plágio em trabalhos acadêmicos do desembargador e por acenos do indicado a conservadores.

A indicação foi aprovada pela CCJ pelo placar de 22 votos a favor e 5 votos contrários. O nome de Kassio Marques ainda precisa ser aprovado pelo plenário do Senado. Desde antes da sabatina, a expectativa era de que a CCJ aprovaria com facilidade o nome de Kassio Marques que, desde quando foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro como o indicado à sucessão de Celso de Mello, passou a manter conversas particulares com alguns parlamentares.

ELOGIOS – Em clima ameno, Marques chegou a receber uma série de elogios de parlamentares do governo e da oposição. Alguns dos parlamentares, como Renan Calheiros (MDB-AL), são alvo de investigações e processos que tramitam ou tramitaram no STF. Alegando ser “isento”, Calheiros disse que a escolha de Marques “elevará” o nível do Supremo. Crítico ao governo, Renan tem se aproximado da atual gestão nas últimas semanas.

“Sou isento, absolutamente isento, para avaliar as indicações do senhor Presidente da República. A indicação dos senhor Kassio é, sem demérito para ninguém, uma grande e oportuna indicação que com certeza elevará a nossa corte superior. É uma escolha técnica, criteriosa e especialmente prestigia o Nordeste. Ele demonstrou muita integridade, inteligência, uma espetacular cultura geral e postura moral inquestionáveis “, declarou.

Líder do PT, o senador Rogério Carvalho (SE), reforçou o apoio do partido ao nome de Marques e parabenizou o desembargador “pelo currículo”, alvo de questionamentos. Carvalho também elogiou “a forma como o magistrado respeitosamente atendeu e respondeu a todos”.

ACENO – No início da sabatina, Kassio Marques fez um aceno às alas conservadoras do Senado. Ele classificou sua indicação como uma espécie de “chamado”, fez menções a Deus e até citou um salmo. “Pela manhã, quando acordei lembrei-me do momento que mais tarde me aguardava. A sessão de sabatina no Senado federal. Por alguma razão, associei minha participação em todo esse contexto a um verdadeiro chamado”,  afirmou o desembargador.

Em seguida, Kassio Marques recitar o salmo Isaías, versículo 12. “Eis o Deus meu salvador, eu confio e nada temo. O senhor é minha força, meu louvor e salvação. Com alegria bebereis do manancial da salvação”, declamou o indicado. Questionado sobre sua posição diante das propostas de descriminalização do aborto, Kassio Marques disse que seu posicionamento pessoal é a favor da vida.

“No meu lado pessoal, eu deixei bem claro na minha apresentação, eu sou um defensor do direito à vida e tenho razões pessoais para isso. Se eventualmente for necessário (explicar), são questões pessoais, familiares é a minha formação, é sempre em defesa do direito à vida”, afirmou. Ele afirmou que, na sua avaliação, o atual marco legal sobre o assunto é “razoável” e que o Judiciário ou o Legislativo só deveriam mudá-lo se forem provocados por algum fato grave.

PLÁGIO – Apesar dos elogios recebidos, Kassio Marques também teve que enfrentar questionamentos em relação às suspeitas de plágio em sua dissertação de mestrado e em sua tese de doutorado. Desde a sua indicação, surgiram informações sobre semelhanças entre trechos de seus trabalhos acadêmicos e os do advogado Saul Tourinho. No arquivo da sua dissertação de mestrado, o nome de Saul consta como “dono” do arquivo.

Kassio Marques disse que o problema ocorreu porque ele trocou arquivos com o advogado Saul Tourinho durante a elaboração de sua tese de mestrado, em 2015. Segundo ele, isso explicaria o nome de Saul constar como “dono” do arquivo. Isso também, de acordo com o desembargador, explicaria o fato de o arquivo com a dissertação estar registrado em nome do escritório Pinheiro Neto Advogados, onde Saul trabalhou.

“Quando você faz um compartilhamento de arquivo, se eu pego o texto que eu elaborei e encaminho para um senador, vossas excelências, ao manusearem ele, o registro que foi feito, se ele foi feito o registro na máquina, ele vai pra sua máquina, e a depender… são critérios de informática que eu não sei responder, o arquivo fica registrado”, disse o desembargador.

SEGUNDA INSTÂNCIA – Kassio Marques foi questionado diversas vezes sobre sua posição em relação à possibilidade de cumprimento de pena após a condenação em segunda instância. Em 2019, o STF revertou uma decisão da Corte e permitiu que a prisão só possa acontecer após o esgotamento o chamado trânsito em julgado.

O desembargador, no entanto, fez uma sugestão aos senadores para que haja uma calibragem nas regras da prisão após condenação em segunda instância para evitar possíveis injustiças. Ele defendeu que as decisões judiciais devem ser bem fundamentadas para que a aplicação da regra não ocorra de maneira automática, desconsiderando os antecedentes criminais dos réus.

“Se de um lado temos um criminoso habitual, um traficante, que tenha por profissão delinquir, e do outro lado um pai de família, empregado, com residência fixa e sem antecedentes, mas que por um infortúnio se envolveu em uma briga próximo a sua casa de natureza grave, naquela condenação de segunda instância, se não dermos a possibilidade de fundamentar uma decisão de recolhimento, iríamos aplicar em sede desse automatismo o recolhimento dessas duas pessoas”, disse o desembargador.

Bolsonaro diz que, sem comprovação científica, “toda e qualquer vacina está descartada”

Bolsonaro nega falha de comunicação com o ministério da Saúde

Ingrid Soares
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, dia 21, que “toda e qualquer vacina está descartada” até que haja comprovação científica de eficácia.  O chefe do Executivo ainda criticou o preço unitário da imunização chinesa CoronaVac. A declaração ocorreu durante visita às instalações do Centro Tecnológico da Marinha (CTMSP) em Iperó, São Paulo.

“Toda e qualquer vacina está descartada. Toda e qualquer. Ela tem que ter uma validade do Ministério da Saúde e tem que ter uma certificação por parte da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), fora isso, não existe qualquer dispêndio de recurso, ainda mais um vultuoso como esse, né, que seria para vacinarmos 100 milhões de pessoas a preço aproximadamente 10 dólares por vacina e seria, não fiz as contas ainda, mas seria uma importância bastante absurda ainda mais porque, repito, não temos a comprovação cientifica”, justificou.

CANCELAMENTO – Bolsonaro disse também que pediu o cancelamento do protocolo de intenção de compra de 46 milhões de doses da vacina chinesa, anunciada na terça-feira, dia 20, pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Apesar do atrito e desautorização a Pazuello, o presidente tratou de defendê-lo dizendo que houve uma distorção por parte do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seu desafeto político. Em meio ao imbróglio, Pazuello foi diagnosticado com covid-19 no início desta tarde.

“Por nossa parte não houve falha. Uma pessoa tentou tirar proveito em cima disso. Ele tinha uma audiência marcada para hoje com o ministro Pazuello. Ele passou mal, acho que está baixado no hospital ainda. E depois o Pazuello fez uma videoconferência com outros governadores, onde o Doria entrou no circuito e acabando a videoconferência, Doria correu para a imprensa para dizer que havia assinado um protocolo para a aquisição de vacina chinesa, essas são as palavras dele”, apontou.

CRÍTICAS – O mandatário não poupou críticas ao governador e lembrou sobre a vacinação obrigatória no estado paulista, proposta por ele, além de repetir que o tucano tem espalhado “terror” em meio a pandemia.

“Acho que a população já está por demais inalada com discursos de terrorismo, desde o começo da pandemia, chega. Os números tem apontado que a pandemia está indo embora. Agora, perseguimos a vacina, lá atrás destinamos recursos para Oxford, não para comprar vacina apenas, mas para participar de pesquisa e desenvolvimento e com uma cota de quantidade vacina para nós”. O presidente voltou a dizer que não comprará o imunizante em questão e se desfez da iniciativa chinesa, afirmando que “ninguém além do Brasil está interessado na aquisição”.

IRRITAÇÃO –  Em meio a entrevista, no entanto, Bolsonaro se irritou após uma jornalista questioná-lo se “não houve comunicação entre o ministério da Saúde e o Executivo”. Ele ameaçou deixar a entrevista.

“Não me trate dessa maneira, ou acaba a entrevista. Eu tenho responsabilidade, coisa que você não está tendo aqui. Não é dessa maneira de se perguntar para uma autoridade uma questão séria que mexe com vidas”, rebateu, sugerindo que Doria seria beneficiado com o dinheiro pago ao laboratório chinês.

“Houve uma distorção por parte de João Doria ao tocante ao que ele falou. Ele tem um protocolo de intenções, já mandei cancelar, se ele assinou, já mandei cancelar. O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade, até porque estaria comprando uma vacina que ninguém está interessado por ela a não ser nós, não sei se o que está envolvido nisso tudo é o preço vultoso que vai se pagar por essa vacina para a China”, provocou.

“ZERO DIÁLOGO” – Por fim, questionado se está disposto a manter um diálogo com o governador paulista, o mandatário foi categórico, alegando que a possibilidade é “zero” e que o tucano “não tem responsabilidade com a vida do próximo”, além de ter usado sua imagem para se eleger.

“Zero. Se o secretário de Saúde quiser conversar com Pazuello, sem problema nenhum, eu não converso com uma pessoa que usou meu nome por ocasião das eleições e pouco tempo depois, começou a me atacar visando me desgastar e assim atrapalhar a política brasileira pensando numa futura eleição. Não dá para conversar com esse tipo de gente que não tem qualquer responsabilidade com a vida do próximo, a não ser consigo próprio”, concluiu.

Mais cedo, pelas redes sociais, o chefe do Executivo escreveu que “o povo não será cobaia de ninguém”. Ele acrescentou que não justifica “um bilionário aporte financeiro num medicamento que sequer ultrapassou sua fase de testagem”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Dois pesos, duas medidas. Bolsonaro fala em comprovação científica após ter tentado entubar a hidroxicloroquina até nas emas do Palácio do Planalto. Logo ele, o “dotô” que bate o pé, contraria o mundo inteiro e diz que o remédio é a salvação para a pandemia. Mais uma vez, Bolsonaro arregou. Sabia da intenção da compra das doses da vacina desde o fim de semana. Não se opôs, mas recuou no fim da tarde de ontem, após repercussão negativa de seus apoiadores nas redes sociais. Após o anúncio feito por Pazuello, bolsonaristas iniciaram campanha nas redes contra o que chamam de “vacina chinesa”. Com medo do respingo, Bolsonaro ligou para o ministro, disse que se posicionaria contra o anúncio e assim o fez. Para ficar bonito, reconstruiu a narrativa e tentou sair bem na foto. (Marcelo Copelli)

Lava-Jato consegue repatriar R$ 846,2 milhões de corrupção na Petrobras

Charge do Hector (Arquivo do Google)

Renato Souza
Correio Braziliense

De forma silenciosa, entre 2004 e 2014, o gigantesco esquema de corrupção que se formou em torno da Petrobras cresceu de maneira impressionante até que se estruturou em uma megaorganização. Divididos em núcleos dedicados às áreas de finanças, pagamento de propina e de cooptação do setor político, a quadrilha propiciou o desvio de tanto dinheiro que ficou difícil esconder das autoridades brasileiras o que estava acontecendo.

Além de garantir o prosseguimento das ilegalidades, os criminosos tinham como desafio ocultar os recursos. Foi aí que surgiu o braço internacional do esquema. Por meio de uma rede profissional de lavagem de dinheiro e ocultação de divisas, os envolvidos enviaram quantias para mais de 60 países. Mas, com o sistema fraudulento desbaratado pela Operação Lava-Jato, as autoridades tiveram acesso aos montantes enviados para o exterior. Pela primeira vez na história, os valores repatriados em uma única operação aproximam-se de R$ 1 bilhão.

INTERROGATÓRIO – Para chegar a esse resultado, integrantes do Ministério Público, da Polícia Federal e do Judiciário precisaram interrogar centenas de testemunhas e investigados, conduzir diligências em cinco unidades da Federação e desvendar o caminho percorrido pelo dinheiro até chegar a contas no exterior.

De acordo com o Ministério Público Federal no Paraná, até o primeiro semestre deste ano, foram devolvidos ao território nacional R$ 846,2 milhões. No total, R$ 2,1 bilhões estão bloqueados em diversos países, de acordo com dados da Secretaria de Cooperação Internacional (SCI), vinculada à Procuradoria-Geral da República (PGR). As investigações no âmbito internacional demandam ainda mais esforços, já que precisam contar com a cooperação de autoridades de outras nações.

Com seis anos de existência, a Lava-Jato retirou a cortina que cobria transações espúrias, que usavam empresas e repasses em dólar para dar aparente legalidade a operações milionárias provenientes de desvios nos cofres da Petrobras e de suas subsidiárias. Para encontrar os recursos, os investigadores analisaram o valor recorde de R$ 12 trilhões em contratos e serviços suspeitos.

PAPEL DOS DOLEIROS – Professor de compliance do Ibmec em Brasília, Marcelo Pontes afirma que os doleiros — profissionais que vendem e compram a moeda norte-americana — tiveram papel amplo no envio de recursos para o exterior no esquema descoberto pela Lava-Jato. “Os métodos mais utilizados foram os chamados doleiros, e basicamente, o que eles fazem é intermediar as remessas de recursos ilícitos para contas no exterior. É a chamada lavagem do dinheiro”, destaca.

“Eles têm contatos, formas de abrir contas em outros países para enviar o dinheiro usando intermediários. Dessa forma, fica difícil descobrir os caminhos do dinheiro. Um servidor público que vai receber propina, por exemplo, geralmente é pago por meio de laranjas encontrados por doleiros.

ARTIMANHAS – Ainda de acordo com Pontes, todos os passos eram minuciosamente pensados para impedir que órgãos investigativos e de controle descobrissem as irregularidades e acessassem os recursos, por isso, a importância da cooperação com as autoridades dos demais países envolvidos.

“Existe o método de abrir uma conta no exterior e colocar o nome de um laranja, como um vizinho. E o alvo da propina, que vai receber o dinheiro, como políticos e servidores públicos, recebem uma procuração. Então, não é o titular da conta que movimenta os montantes, mas, sim, o receptor da propina”, detalha. “No entanto, quando as autoridades vão solicitar cooperação, recebem o nome de terceiros, não dos alvos da investigação. Apesar disso, sempre existem rastros a serem descobertos.”

RETIRADAS EM ESPÉCIE – O presidente da Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), Edvandir Paiva, ressalta que, além dos meios eletrônicos, existem casos de retiradas de dinheiro em espécie do país, para dificultar o trabalho de investigação.

“O dinheiro sai tanto em espécie quanto por transferências bancárias. No primeiro caso, assim como acontece com a droga, o dinheiro é retirado do país por pessoas que atuam como ‘mulas’, transportando o dinheiro no corpo ou dentro de outros produtos”, relata. “Já as transferências bancárias ocorrem por meio dos negócios jurídicos simulados”, acrescenta.

As investigações concentraram-se no Ministério Público Federal do Paraná, cuja força-tarefa criada para cuidar do caso foi renovada até janeiro do ano que vem, mas que pode deixar de existir, a depender da decisão a ser tomada pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, quando a prorrogação tiver vencido.

LEI FORTALECEU A OPERAÇÃO – A lei das organizações criminosas, promulgada em 2013, durante o governo da presidente Dilma Rousseff, em que gestores públicos, diretores de estatais e políticos da base do governo ficaram na mira das investigações, foi fundamental para que todo o trabalho da Operação Lava-Jato fosse realizado.

A mudança na legislação permitiu uma punição maior e criou o instituto da delação premiada. O dispositivo encontra a oposição de muitos advogados. Eles alegam que seus clientes são obrigados a produzir provas contra si mesmos e que são pressionados a contar o que sabem às autoridades querem. No entanto, é o mesmo dispositivo que permite a redução de pena e até o perdão judicial para empresas e pessoas que aceitam colaborar e revelar o funcionamento dos esquemas ilegais.

Ao convencer o réu a colaborar, as autoridades podem, ainda, negociar a devolução dos valores que foram desviados e, se necessário, com aplicação de multas, que, muitas vezes, chegam a cifras altas, como é o caso do empreiteiro Marcelo Odebrecht, ex-presidente da construtora de mesmo nome, principal envolvida no sistema criminoso mantido ao longo dos anos. O executivo aceitou pagar indenização de R$ 73,3 milhões a título de danos morais e cumprir 10 anos de prisão.

NOVOS ESQUEMAS – Marcelo Pontes, professor de compliance do Ibmec em Brasília, destaca que, apesar das mudanças na legislação e do reforço em órgãos de controle, não descarta-se a hipótese do surgimento de novos esquemas do tipo, que podem ser tão grandes quanto o que saqueou os cofres da Petrobras e suas subsidiárias.

“Sempre existe esse risco. Quando criam-se novas tecnologias, como as criptomoedas, também surgem novas margens de desvio e lavagem de dinheiro. O crime vai se adaptando. Mas o sistema bancário está reagindo, como é o caso do PIX, que já veio com diversas ferramentas de controle para evitar fraudes. Mas, se as autoridades não ficarem vigilantes, esquemas tão grandes quanto o descoberto pela Lava-Jato podem surgir novamente”, enfatiza. (RS)

PIX é o novo sistema de pagamentos instantâneos, preparado pelo Banco Central, com o intuito de permitir, de forma rápida e segura, transações financeiras a qualquer hora do dia e a qualquer dia da semana. O modelo deve entrar em operação em 16 de novembro.

Biden lidera frente a Trump, mas as pesquisas seriam mais confiáveis do que em 2016?

No lugar do debate, Trump e Biden darão entrevistas ao vivo ao mesmo tempo  | VEJA

Joe Biden lidera as pesquisas, mas quem acredita nelas?

Deu na IstoÉ
(France Presse)

Há quatro anos, a surpreendente vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas levantou a questão sobre a confiabilidade das pesquisas. Devemos acreditar nelas este ano? E o que dizem as pesquisas?

A 15 dias da eleição de 3 de novembro, o democrata Joe Biden está à frente de Donald Trump por nove pontos percentuais em todo o país, de acordo com a média das pesquisas do RealClearPolitics.

COLÉGIO ELEITORAL – No entanto, um candidato pode chegar à Casa Branca sem ter o maior número total de votos, mas deve ser vencedor nos estados com maior peso no Colégio Eleitoral, como aconteceu com Donald Trump em relação a Hillary Clinton em 2016.

Neste ano, seis estados devem decidir quem será eleito: Flórida, Carolina do Norte, Arizona, Wisconsin, Pensilvânia e Michigan. Neles, Biden também aparece primeiro, embora às vezes dentro da margem de erro, com vantagens que variam de 1,4 pontos na Flórida a 7,2 em Michigan.

As pesquisas estavam corretas, um dia antes da votação, com uma pequena vantagem nacional para Clinton. Porém, “erraram em alguns dos principais estados do Meio-Oeste”, o que fez Trump vencedor, ressaltou à AFP Chris Jackson, do instituto Ipsos.

E OS ERROS? – Entre os motivos desses erros, o especialista cita uma sub-representação nas amostras de “brancos sem diploma universitário”, que acabaram votando em Trump.

De lá para cá, o que mudou? Bem. A maioria dos pesquisadores afirma ter corrigido a metodologia para eliminar essa falha. E os principais estados que não foram pesquisados da última vez também estão sendo objeto de muitas outras pesquisas.

Além disso, os pesquisadores observam grande estabilidade: desde o primeiro semestre, Biden lidera as pesquisas com uma vantagem média que nunca foi inferior a quatro pontos.

Em 2016, a curva entre Trump e Clinton, em zigue-zague, se cruzou duas vezes, dando sinais de uma corrida eleitoral incerta. E em um país altamente polarizado, há menos indecisos que provavelmente mudarão de voto no último minuto.

ESCONDER O VOTO – Há eleitores de Trump “tímidos”? É que também se questiona se há eleitores “tímidos” que votariam em Trump, que acabam por esconder seu voto por causa do quão polêmico o candidato é.

O Trafalgar Group, um instituto de pesquisa próximo aos republicanos que se orgulha de usar uma metodologia que supostamente evita esse problema, foi quase o único, em 2016, a mostrar Trump como vencedor na Pensilvânia e em Michigan.

Mas, desta vez, até mesmo essa empresa mostra Biden com vantagem em estados-chave como a Pensilvânia e Wisconsin.

SEM NOVIDADES – Há quatro anos, o empresário que se tornou político era uma novidade, e as novidades são sempre difíceis de serem captadas pelas pesquisas.

“Hoje, o mundo inteiro já tem uma opinião sobre ele, não há mais efeito surpresa em torno de Donald Trump”, explicou Jackson.

 E, apesar de tudo, o New York Times fez as contas: mesmo que as pesquisas em estado por estado estivessem tão erradas como há quatro anos, Biden ainda seria o vencedor.

ATÉ NO TEXAS – “Biden está mais perto, em média, de vencer o Texas”, uma fortaleza republicana, “do que o presidente Trump está de vencer em estados tradicionalmente importantes como Pensilvânia e Nevada”, escreveu recentemente Nate Cohn, um especialista do jornal.

Ainda há incerteza?  Pesquisadores e analistas sempre tomam o cuidado de lembrar que as intenções de voto não são uma previsão e que suas estimativas têm margem para erros.

Na última eleição presidencial, 16 dias antes da eleição, o site FiveThirtyEight previu que Clinton tinha 86% de chance de vencer, quase como Joe Biden hoje.

É DIFÍCIL PREVER – Mas nenhuma das eleições é igual à outra. Nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório e o registro eleitoral varia muito, tornando particularmente difícil prever a participação.

Trump incentiva as multidões entusiasmadas que se aglomeram em seus comícios. Isso se reflete nas pesquisas? Será que o lado democrata se unirá por Biden para derrubar um presidente que está sendo criticado? E nesta ocasião, há também o impacto da pandemia da covid-19.

“A votação antecipada e a votação pelo correio estão em níveis históricos. Não sabemos que efeito isso terá”, ressalta Jackson.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, não se pode confiar cegamente em pesquisas. E haja coração... (C.N.)

TSE determina que extratos bancários de partidos sejam divulgados em tempo real na internet

(Arquivo do Google)

Matheus Teixeira
Folha

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) decidiu nesta terça-feira, dia 20, que os partidos políticos serão obrigados atualizar em tempo real no site da Corte os extratos bancários de todas as movimentações financeiras das siglas. Os comprovantes já são tornados públicos na prestação de contas das legendas, que entregam mensalmente os documentos à Justiça Eleitoral.

Essa obrigação já existe, mas apenas para o período eleitoral. Agora, será dada publicidade rápida a todos os gastos, independentemente se o curso ocorreu em época de eleição. O relator do caso, ministro Luís Felipe Salomão, afirmou que os dados devem ser “disponibilizados na página do TSE na internet, em tempo real, após liberados a esta Corte pelas instituições financeiras”.

TRANSPARÊNCIA – O TSE tomou a decisão por unanimidade após pedido das entidades Transparência Partidária e Transparência Brasil. Salomão ressaltou que é “inequívoca a relevância do tema por envolver a amplitude dos mecanismos de transparência”. Segundo o magistrado, a medida irá conferir “maior eficácia à fiscalização dos recursos movimentados pelas agremiações partidárias”.

Salomão citou que a jurisprudência do STF determina que os recursos do fundo são regidos pelos princípios da administração pública e, portanto, os extratos não têm a prerrogativa do sigilo bancário.

O ministro disse que a regra vale para as eleições desde 2016 e que também incide sobre recursos privados movimentados pelas siglas. Salomão ressaltou que os extratos já são públicos e fornecidos mensalmente pelos partidos ao TSE.Não há razão, segundo o magistrado, “que justifique a diferença de tratamento entre as prestações de contas de campanha e partidárias”.

FUNCIONAMENTO DA DEMOCRACIA – “A publicidade e a transparência dos documentos financeiros, e não somente daqueles que dizem respeito aos recursos públicos repassados às agremiações, são de fundamental importância para o funcionamento da democracia brasileira”, disse.

No processo, as instituições haviam argumentado justamente que há quatro anos a o tribunal eleitoral afastou expressamente o sigilo das contas bancárias de campanhas, inclusive daquelas abertas para recebimento de doações de pessoas físicas, e determinou que os extratos eletrônicos deveriam ser publicados na internet. As entidades afirmam que a medida “qualifica o exercício da cidadania, dado que permite conhecer com mais profundidade as dinâmicas contábeis das agremiações políticas”.

“Aumentar a transparência das contas dos partidos significa criar incentivos para que a sociedade participe ativamente desse processo. Organizações da sociedade civil, imprensa e até mesmo filiados podem tornar-se agentes ativos de colaboração com os órgãos oficiais de controle”, disse. Apenas o ministro Salomão proferiu seu voto na sessão desta terça, no que foi acompanhado pelos demais integrantes da Corte.

Em vez de batom, é dinheiro na cueca, mas Rodrigues confia na cumplicidade dos senadores

Chico Rodrigues e o dinheiro na cueca - Nando Motta - Brasil 247

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Eliane Cantanhêde
Estadão

A semana passada começou com a canetada do ministro Marco Aurélio, que soltou o líder do PCC André do Rap, e terminou com uma outra liminar monocrática, do ministro Luís Roberto Barroso, afastando o “senador da cueca” do mandato e abrindo uma crise entre Judiciário e Legislativo. O presidente do STF, Luiz Fux, tem ou não razão em mirar o excesso de decisões individuais?

Marco Aurélio já beneficiou 79 presos com base na mesma lei que usou para André do Rap e, segundo levantamento do Estadão, o governo e os cidadãos brasileiros estão consumindo fortunas para recapturar 21 desses presos soltos na leva marcoaureliana.

MANDAR A CONTA – O governador João Doria (SP) calcula gastos de R$ 2 milhões só para André do Rap e desabafa: “Dá vontade de mandar a conta para o ministro!” E não é que dá mesmo?

Aliás, o traficante ofereceu R$ 8 milhões de propina para os policiais que o prenderam, o que é um agravante. Imaginem a irritação desses policiais com todo seu esforço jogado fora e um sujeito deste tipo solto por aí, no bem-bom.

De útil, esse erro serviu para acordar a opinião pública para decisões idênticas que vinham se repetindo; ratificar a posição de Fux ao derrubar a liminar de Marco Aurélio; avisar ao mesmo Fux que presidentes não estão acima dos demais e só agem assim em casos excepcionais; abrir o debate sobre a avalanche de decisões individuais num tribunal de 11 votos.

PRESOS ILEGALMENTE – O efeito prático, porém, foi jogar luzes no artigo 316 do Código Penal. Ao contrário do que se imagina, e até com boas razões, a intenção do legislador não foi beneficiar corruptos e bandidos como André do Rap, mas sim trazer uma solução para um problema crônico: os mais de 200 mil brasileiros que neste momento estão presos provisoriamente, muitos indevida ou até injustamente. O objetivo foi evitar que provisório se eternize.

Não deu certo. Em vez de beneficiar pobres, negros e desvalidos, o artigo 316 é usado por bandidos cheios de dinheiro, como André do Rap. Por isso, o nonsense de Marco Aurélio serviu também para o plenário limitar a abrangência do artigo: ele não obriga a soltura do preso, só abre o questionamento sobre a manutenção da prisão.

DINHEIRO NA CUECA – Assim como soltar André do Rap causou uma comoção nacional, os R$ 33 mil na cueca do senador Chico Rodrigues (DEM-RR) mobilizaram mídia, redes, chargistas e gozadores em geral. E assim como Marco Aurélio não titubeou em botar um em liberdade, Barroso também não ao afastar um senador do mandato. Nova confusão!

O ministro explica que sua decisão – que só chegou ao Senado na sexta-feira à noite, obviamente para dar tempo a um acordo – não foi por causa da cueca, mas sim porque Rodrigues era simultaneamente (até então) da comissão do Senado sobre recursos da covid e investigado por desvios na Saúde em Roraima. O fato é que isso dividiu o Senado e o STF.

UM SENADOR FORTE – Rodrigues tem a cara do Professor Raimundo do Chico Anísio, mas não é fraco, não. Além da “união estável” com Jair Bolsonaro e da vice-liderança do governo no Senado, é amigão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que depende do Supremo e dos senadores para uma missão que, se não é, deveria ser impossível: a reeleição para o cargo.

Os dois são senadores do Norte e do DEM e Rodrigues liderava as articulações para as ambições continuístas de Alcolumbre, que quebra a cabeça, com a Advocacia do Senado, para sair da enrascada. Uma coisa é certa: com ou sem dinheiro na cueca – que é só a parte pitoresca da história –, o senador não será cassado pelo Senado, nem pelo STF. Se licenciou e vai esperar o tem passar.

Há três anos, a corte decidiu que só Câmara e Senado têm poder para suspender ou cassar deputados e senadores e, vamos combinar, nenhum dos dois tem pressa em julgar colegas, mesmo presos ou de tornozeleira. Não é, deputada Flordelis?

Senador com dinheiro na cueca amplia prazo da licença para seu filho assumir o mandato

Senador Major Olímpio afirma preferir Lula a Bolsonaro no PSL

Rodrigues sai e deixa o filho em seu lugar no Senado

Julia Lindner
O Globo

Flagrado com dinheiro vivo na cueca, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) ampliou o pedido de afastamento do mandato de 90 para 121 dias, conforme antecipou a colunista Bela Megale. Caso a mudança seja aprovada, será convocado o primeiro suplente do parlamentar durante a licença. Neste caso, o filho de Rodrigues, Pedro Arthur, que disputou a última eleição na chapa do pai.

“Venho retificar a petição protocolada na data de hoje, às 8h49, para requerer que a minha licença ao cargo de Senador da República se dê pelo prazo de 121 (cento e vinte e um) dias”, escreveu Rodrigues em mensagem enviada à Mesa Diretora.

A VEZ DO SUPLENTE – Conforme o regimento do Senado, o suplente só pode ser convocado se o prazo da licença for superior a 120 dias. Inicialmente, é convocado o primeiro suplente. Se ele não aceitar, é o segundo suplente quem assume.

Na mensagem original com o pedido de licença, Rodrigues voltou a alegar inocência e afirmou que não deve ser condenado previamente. “Serei julgado pela mais alta Corte judicial do País, composta por aqueles que detém o mais alto conhecimento jurídico. Tenho confiança e tranquilidade que terei a meu favor a Justiça e um julgamento humano”, escreveu.

“Por trás desse broche de senador, há um ser humano. Rogo a deus que ilumine os homens e me julguem de maneira sábia e imparcial”, concluiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGPara evitar mais problemas com a cueca, o filho do senador já comprou uma mochila grande, do tamanho da usada pelo ex-tesoureiro petista João Vaccari, cujo apelido era “Moch”. Como diz o velho ditado, “mudam os cavalos, mas a manjedoura é a mesma”.. (C.N.)  

Alexandre de Moraes é o novo relator do inquérito contra o presidente Jair Bolsonaro

TRIBUNA DA INTERNET | Moro afirma ter nove provas que confirmam  interferências políticas de Bolsonaro na PF

Charge do Amarildo (amarildo.com.br)

José Carlos Werneck

O Ministro Alexandre de Moraes será o relator, em substituição ao ministro Celso de Mello, do inquérito que investiga suposta interferência do presidente da República, Jair Bolsonaro, na Polícia Federal e outras ilegalidades denunciadas pelo ex-ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Moraes foi escolhido nesta terça-feira, através de sorteio realizado pelo sistema eletrônico do Supremo Tribunal Federal, em determinação feita por seu presidente, ministro Luiz Fux, atendendo a um pedido feito pela defesa do ex-ministro Moro, que também figura como investigado no inquérito, acusado de denunciação caluniosa e outros seis crimes.

URGÊNCIA – Os advogados de Moro fundamentaram o pedido alegando necessidade de dar “urgência” à investigação.

A nomeação do novo relator foi feita em meio à discussão sobre a sucessão referentes aos processos pertencentes à relatoria de Celso de Mello, pois o Regimento determina que o futuro ministro que irá substituí-lo no Supremo Tribunal Federal assuma  todas as 2.755 questões relatadas pelo ministro que se aposentou este mês.

Está tudo dominado! Crime organizado infiltrou-se na Política, na Justiça e na Polícia

Opera10: Redação - Proposta 2016-38 - Poder paralelo e crime organizado

Charge do Amarildo (Arquivo Google)

Aristóteles Drummond
(Diário de Petrópolis) 

O drama vivido pelo Rio entre tráfico, milícias, controle territorial de áreas densamente habitadas, como Complexo do Alemão, Rocinha e Maré, se insere em quadro grave e exige a união dos três poderes da federação.

A infiltração do crime organizado está na política, no Judiciário, no aparelho policial, imobilizando qualquer tentativa pontual de implantar a ordem e a autoridade constitucional. E o arsenal de que dispõem as diferentes facções não pode inibir o poder público. Tolerar, conviver, foi a experiência colombiana que não deu certo.

ALÉM DO NARCOTRÁFICO – A sociedade, distraída com seus problemas do cotidiano, agora com a pandemia, não se apercebeu da dimensão das organizações criminosas que respondem por negócios milionários no Rio, fora da droga.

O fornecimento de gás a preços exorbitantes, as vans, mototáxiS e comercialização via ambulantes de cargas roubadas são atividades como empresas. Foi-se os tempos dos bicheiros, que usavam pouco da violência e ainda geravam empregos, promoviam o carnaval e tinham até serviço social.

O jogo agora é pesado e envolve muita gente grande. E, o que é mais assustador, são pessoas em altas posições reconhecidas pela cobertura que oferecem ao crime.

PELO BRASIL TODO – Essa situação, mais grave no Rio, está presente nas demais regiões metropolitanas. É missão a ser assumida para valer pelas Forças Armadas, que, no passado, já livraram o país de ameaças ousadas, armadas e financiadas. E, como no passado, em estreita colaboração com os estados.

Passada a pandemia, é preciso equacionar a questão das reformas para o país ter condições de aspirar sair da crise na economia. Este é um tema a ser encarado pelos governos, acompanhado pela mídia e cobrado pela sociedade.

GERAR EMPREGOS – Tudo passa pela presença de novas empresas, de prestigiar efetivamente vocações naturais do Estado, em que a sede sul-americana da Coca-Cola é um exemplo. A volta da legalização do jogo , que é inevitável e geradora de estimados dez mil empregos no Rio, vai depender de um mínimo de controle na área da segurança.

O Judiciário choca quando no próprio STF são protegidos bandidos notórios pela periculosidade. Recentemente o próprio Presidente Fux teve de agir diante de decisão absurda de um colega e com agravante do pedido ter partido de escritório de um ex assessor do ousado magistrado. Assim, aonde vamos chegar?

Collor é alvo de ação da Polícia Federal que investiga esquema de propinas para liberação de licenças ambientais

Ação investiga esquema criminoso entre os anos de 2014 e 2015

Deu no Estadão

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira, dia 21, a Operação ‘O Quinto Ato’ para investigar suposto esquema criminoso, mantido entre 2014 e 2015, que envolvia pagamento de propinas para intervenção junto ao Ibama, visando à liberação da licença ambiental de instalação do Porto Pontal Paraná Importação e Exportação SA, no Paraná. O senador Fernado Collor está entre os alvos da ofensiva.

Cerca de 50 agentes cumpre 12 mandados de busca e apreensão em endereços de Curitiba, Pontal do Paraná, Gaspar (SC) e São Paulo (SP). As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal, que determinou ainda o bloqueio de valores dos investigados. Segundo apurado pelo Estadão, um endereço ligado a Collor em São Paulo é alvo de busca da operação.

PAGAMENTOS EM ESPÉCIE –  De acordo com a PF, a investigação é desdobramento da Operação Politéia – ofensiva aberta em 2015 que identificou bens de luxo pertencentes a um parlamentar federal que teriam sido pagos com propinas recebidas de empresários que tinham interesse em sua atuação política junto a órgãos federais. Também há indícios de pagamentos de vantagens indevidas em espécie, ressalta a corporação.

A Politéia foi a primeira fase da Lava Jato aberta nas investigações que correm perante o Supremo Tribunal Federal. Na ocasião foram cumpridos 53 mandados de busca e apreensão em Brasília e em seis Estados, sendo que na residência de Collor em Brasília, os agentes levaram três automóveis de luxo importados.

O nome da operação, ‘O Quinto Ato’, faz uma referência ao rastreamento financeiro efetuado pela Polícia Federal a partir do pagamento da ‘5ª parcela’ de um jato executivo adquirido pelo parlamentar investigado, diz a PF.

Acompanhe ao vivo ! CCJ sabatina Kassio Nunes Marques, indicado ao STF

Expectativa é de que a sessão transcorra em clima cordial

Deu no Correio Braziliense

Começou, às 8h desta quarta-feira, dia 21, a sabatina do desembargador Kassio Nunes Marques, indicado pelo presidente Jair Bolsonaro para ocupar uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

A expectativa entre os 27 membros do colegiado é de que a sessão transcorra em clima cordial e que o magistrado tenha o nome aprovado. A votação final, no plenário no Senado, será realizada ainda nesta quarta-feira.

VAGA DE CELSO DE MELLO – Desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), Marques foi indicado para ocupar a vaga deixada no STF pelo ministro Celso de Mello, que se aposentou neste mês. A escolha de Bolsonaro foi bem recebida entre os parlamentares, inclusive da oposição.

Os senadores poderão fazer perguntas ao indicado do presidente e, na sequência, decidem internamente, entre os membros da comissão e mediante votos secretos, se aprovam o nome. Se passar pelo crivo da CCJ, Kássio Nunes precisará da maioria absoluta dos votos dos senadores (41 dos 81) no plenário para que sua nomeação seja confirmada.

Os requisitos para assumir uma vaga no Supremo Tribunal Federal estão previstos no artigo 101 da Constituição Federal e incluem estar em plena posse dos direitos políticos, ser maior de 35 anos e menor de 65 anos, ter ‘reputação ilibada’ e ‘notório saber jurídico’. Apesar das condições expressas, não há uma regra sobre as perguntas a serem colocadas pelos senadores ou sobre o formato de sabatina.

 

Bolsonaro desmente ministro e diz que a vacina chinesa “não será comprada” pelo governo

Afirmação foi feita em resposta a um comentário em rede social

Victor Farias e Daniel Gullino
O Globo

Menos de 24 horas após o Ministério da Saúde anunciar que tem a intenção de adquirir 46 milhões de doses da Coronavac, vacina candidata contra Covid-19 do laboratório chinês Sinovac Biotech testada no Brasil pelo Instituto Butantan, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira, dia 21, que o imunizante contra o novo coronavírus “não será comprado” pelo governo brasileiro.

A mensagem foi publicada em uma rede social, em resposta a um comentário crítico ao anúncio da pasta comandada por Eduardo Pazuello. “Presidente, a China é uma ditadura, não compre essa vacina, por favor. Eu só tenho 17 anos e quero ter um futuro, mas sem interferência da ditadura chinesa”, comentou o usuário, ao que o presidente respondeu: “Não será comprada”.


REGISTRO DA ANVISA – O acordo foi fechado durante reunião do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, com governadores. A compra só será realizada após a vacina receber um registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A outro usuário que acusou Pazuello de trair o governo ao comprar a vacina chinesa e disse que o presidente “se enganou mais uma vez”, Bolsonaro afirmou que “qualquer coisa publicada, sem qualquer comprovação, vira traição”.

A vacina desenvolvida pelo laboratório chinês sofre críticas de apoiadores do governo que a relacionam ao regime comunista. Além disso, o imunizante é produzido no Brasil em parceria com São Paulo, do governador João Doria (PSDB), ex-aliado de Bolsonaro e vocal crítico da gestão da crise provocada pela pandemia pelo presidente.

OBRIGATORIEDADE – Nesta semana, Bolsonaro afirmou a apoiadores que a vacina contra o novo coronavírus “não será obrigatória e ponto final”, e voltou a criticar o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que defende a obrigatoriedade da dose.

“O Programa Nacional da Vacinação, incluindo as vacinas obrigatórias, é de 1975. A lei atual incluiu a questão da pandemia. Mas a lei é bem clara e quem define isso é o Ministério da Saúde. O meu ministro da Saúde [Eduardo Pazuello] já disse, claramente, que não será obrigatório esta vacina e ponto final”, enfatizou o presidente.

CORONAVAC – De acordo com a gestão Doria, a Coronavac teve os menores índices de reações em comparação a outros imunizantes contra a Covid-19. O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, informou que o sintoma mais frequente nos testes com 9 mil voluntários brasileiros foi dor no local da aplicação, relatada por 18% das pessoas testadas.

A primeira fase de testes clínicos da Coronavac no Brasil terminou na sexta-feira (16), apontando pouco mais de 5% de efeitos colaterais entre quem recebeu a vacina.A vacina desenvolvida pelo laboratório chinês sofre críticas de apoiadores do governo que a relacionam ao regime comunista.

Além disso, o imunizante é produzido no Brasil em parceria com São Paulo, do governador João Doria (PSDB), ex-aliado de Bolsonaro e vocal crítico da gestão da crise provocada pela pandemia pelo presidente.

Repasse de R$ 690 mil do fundão eleitoral a ex-mulher de ministro do Turismo revolta candidatos do PSL

Mais um escândalo de repasse de verbas públicas envolvendo a legenda

Ranier Bragon e Camila Mattoso
Folha

Mais de um terço dos candidatos que o PSL lançou para disputar uma vaga na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte divulgou nesta terça-feira, dia 20, uma nota em que afirma que o partido está se envolvendo, mais uma vez, “em escândalo de repasse de verbas públicas”.

O motivo da revolta de 24 candidatos é o repasse, pela sigla, de R$ 690 mil do Fundo Eleitoral para a candidata a vereadora Janaina Cardoso (PSL), ex-mulher do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, cacique do partido em Minas Gerais.

“NA LAMA” – “O repúdio, além de ser ao ministro, ex-marido da candidata do próprio partido, também diz respeito à senhora Janaina Cardoso, em uma atitude, mais uma vez, que deteriora o PSL, e que joga na lama o nome de um partido, envolvido, mais uma vez, em escândalo de repasse de verbas públicas, o que deprecia não apenas as candidaturas, mas as histórias de outros candidatos, idôneos, patriotas e conservadores no mesmo cenário”, diz a nota, que é assinada inclusive pela presidente do PSL Mulher em Minas, Marcela Valente.

Em 2019 a Folha revelou, em diversas reportagens, a existência de candidaturas laranjas lançadas pelo PSL, em Minas e em Pernambuco, com o intuito de desviar verbas da cota feminina. Então presidente do PSL mineiro, Márcelo Álvaro foi denunciado pelo Ministério Público sob acusação de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

O ministro nega ter cometido qualquer tipo de irregularidade.Na nota divulgada nesta terça-feira, os candidatos afirmam que o repasse apenas à ex-mulher de Álvaro Antônio, que disputa uma vaga na Câmara de Vereadores de BH, causa desigualdade na disputa entre os candidatos.

VELHA POLÍTICA – “Além disso, há um desrespeito. Em um pleito eleitoral, vence quem trabalha e constrói, através de sua luta, a conquista de uma cadeira, no caso da Câmara Municipal de Belo Horizonte, e que não seja através desse jogo da velha política, de enorme discrepância, feito com verba pública”.

Os candidatos dizem ainda que o repasse é imoral —”R$ 690 mil para cada um? Qual a razão para tal situação acontecer? O que está por trás de tudo isso? Os candidatos do PSL, em sua grande maioria, são favoráveis ao combate à corrupção e de respeito ao dinheiro público. Uma disparidade dessa não condiz com o entendimento dos candidatos e, por isso, a revolta se faz presente”.

A nota encerra dizendo que “quem combate a corrupção nas ruas também não pode ser conivente com situações extravagantes dentro do mesmo partido”. O dinheiro recebido por Janaina representa quase o limite legal de gastos permitido para a campanha de um vereador em Belo Horizonte, que é de R$ 692 mil. Procurados, Álvaro Antônio, o PSL de Minas e a candidata não se manifestaram até a publicação desta reportagem

Edu Lobo e Chico Buarque foram buscar inspiração em Dante para criar “Beatriz”

Edu Lobo e Chico Buarque, grandes parceiros e amigos

Paulo Peres
Poemas & Canções

 

Os compositores cariocas Chico Buarque de Holanda e Edu Lobo deixaram a genialidade invocar inspiração para compor a música “Beatriz”, e foram buscar um poema de Jorge Lima, no qual a personagem chamava-se Agnes e era equilibrista, mas chegou a um ponto que a letra não saía com esse nome, Agnes. Então, surgiu o nome “Beatriz”, que era a musa inspiradora de Dante Alighieri, a qual podemos notar quando os parceiros fazem alusão ao citar na letra “comédia” e “divina”, mencionando à grande obra de Dante, “A Divina Comédia”. Dizem que Dante viu Beatriz uma única vez, e nunca falou com ela, nutrindo uma paixão que iria inspirar seus poemas. Beatriz é uma das canções do musical “O Grande Circo Místico”, cujo disco com o mesmo nome foi lançado, em 1983, pela Som Livre.

BEATRIZ
Edu Lobo e Chico Buarque

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

Partidos têm histórico de impunidade em casos como o do senador com dinheiro na cueca

Sua informação em primeira mão: Homem preso com dinheiro na cueca vinha para Curitiba

Charge do Lane (Arquivo Google)

Camila Mattoso
Folha

Se seguir os conselhos que tem recebido, de pedir licença por conta própria, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) pode evitar que seu afastamento seja julgado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Do mensalão à Lava Jato, envolvidos em escândalos de corrupção de grande repercussão não receberam punições de seus partidos.

A lista inclui Delcídio do Amaral (PT), José Roberto Arruda (DEM), Geddel Vieira Lima (MDB), Aécio Neves (PSDB), Eduardo Cunha (MDB), Sérgio Cabral (MDB), e outros.

As legendas se dedicaram a esfriar as crises. É o caso, agora, de Chico Rodrigues (RR), pego com dinheiro entre as nádegas. O DEM diz que ainda vai avaliar quais medidas tomar.

DINHEIRO VIVO – Em 2005, um assessor do deputado José Guimarães (PT-CE) foi pego com US$ 100 mil dentro da cueca e R$ 209 mil em duas sacolas, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Mais recentemente, o ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (MDB), então assessor do presidente Michel Temer, foi filmado correndo com R$ 500 mil numa mala, recebida do grupo Friboi.

Alguns dos personagens pediram desfiliação de seus partidos, mas por decisão própria, como Delcídio, Arruda, Geddel (condenado no caso do bunker de R$ 51 milhões), Rocha Loures e Cabral, este último condenado 14 vezes pela Lava Jato do Rio.

Nem Flordelis dos Santos Souza (RJ), acusada de ser mandante do assassinato do marido, foi excluída pelo PSD. Por enquanto ela está afastada.

REBELDES EXPULSOS – Aqueles que descumpriram ordens de dirigentes, por outro lado, entraram na mira. Como em 2003, quando o PT mandou embora Heloísa Helena (AL), Babá (PA), Luciana Genro (RS) e João Fontes (SE), acusados de desobedecer orientações da legenda. No ano passado, o PDT ameaçou excluir Tabata Amaral (SP) por ter votado a favor da reforma da Previdência.

Se seguir os conselhos que tem recebido, de pedir licença por conta própria, Chico Rodrigues pode evitar que seu afastamento seja julgado pelo plenário do Supremo. O ministro Luís Roberto Barroso avalia tirar o caso da agenda da corte, justificando não haver mais motivo, caso o senador de licenciasse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Com toda certeza, a impunidade neste país está chegando ao cúmulo da desfaçatez. Em qualquer nação minimamente civilizada, um parlamentar apanhado pela Polícia nessa situação vexatória já teria sido expulso do partido e da vida pública a toque de caixa, como se faz nas Forças Armadas. Fiquei lembrando aqui o caso do então senador Demóstenes Torres. Diante das acusações de envolvimento com Carlinhos Cachoeira, com gravações judiciais, o parlamentar se defendeu em discurso no plenário e mais de 40 senadores se manifestaram em solidariedade ao colega, que agora quer se candidatar novamente ao Senado. Afinal, que país é esse? (C.N.)

Comitê avisa que vai desligar microfones de Trump e Biden durante debate na quinta-feira

Você vai calar a boca', diz Biden em primeiro debate com Trump | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (Arquivo Google0

Deu na Folha

A comissão responsável pelos debates da eleição presidencial americana anunciou que, no próximo confronto entre Joe Biden e Donald Trump, cada candidato terá seu microfone desligado durante a resposta inicial de dois minutos do adversário.

A decisão foi tomada após o tom caótico do primeiro debate, marcado por interrupções, grosserias e desrespeito ao tempo de fala. Em carta enviada à comissão, o chefe de campanha de Trump contestou a medida, chamando-a de “totalmente inaceitável” e acusando a entidade de ser favorável a Biden.

O DEBATE FINAL – O próximo e último debate será na quinta-feira (22). E a comissão responsável pelos debates garantiu, em nota, que ambos os candidatos haviam concordado com a medida. No entanto, o chefe de campanha de Donald Trump, Bill Stepien, acusou a comissão de favorecer Joe Biden e pediu que ela reformulasse os temas do próximo e último confronto.

Em uma carta, republicada em seu Twitter, Stepien afirma que os temas anunciados pela moderadora do debate, Kristen Welker —combate à Covid-19, famílias americanas, raça, mudança climática, segurança nacional e liderança—, fogem ao foco combinado originalmente, que deveria ser política exterior.

QUEIXAS DE TRUMP – Entre outras acusações, Stepien afirma que a comissão “transformou a temporada de debates num fiasco” e que Biden “está desesperado para evitar o tema”, após “ter apoiado incontáveis guerras”, “ter defendido os interesses da China durante 47 anos” e ser inflexível com relação às datas dos encontros.

Ele também disse ser inaceitável que os candidatos tenham seu microfone cortado ao ultrapassarem o tempo de fala, prática que será adotada após o episódio caótico do primeiro evento, em 29 de setembro.