Sem condições de “cumprir todos os ritos”, governo autoriza contratação de empresas condenadas por fraudes

Rosário disse que a prioridade durante a pandemia “é salvar vidas”

Patrik Camporez
Estadão

O governo Jair Bolsonaro autorizou a contratação de empresas condenadas por fraudes e irregularidades cometidas junto à administração pública durante o período de pandemia do coronavírus.

Até a tarde desta sexta-feira, dia 3, o Ministério da Saúde havia fechado pelo menos 30 contratos por dispensa de licitação, por valores que superam a soma de R$ 150 milhões, para compra de equipamentos, leitos de UTI e outros produtos.

AUTORIZAÇÃO – Em coletiva de imprensa na tarde de hoje, o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, destacou que o governo, no período atual, não tem tido condições de “cumprir todos os ritos” e por isso autorizou a contratação de empresas inidôneas.

Isso quer dizer que as empresas que foram punidas por irregularidades estão liberadas para fornecer produtos para o governo enquanto durar o período de calamidade.

PRIORIDADE – O governo já liberou mais de R$ 5 bilhões para aquisições na pasta da Saúde. Rosário destacou que, em média, um processo de licitação dura cerca de 90 dias. Ele não disse quantas empresas inidôneas já foram contratadas nem quais garantias estão sendo tomadas para que os produtos e serviços sejam prestados corretamente. “Abriu a possibilidade de contratar até empresas inidôneas, pois a prioridade aqui é salvar vidas”, disse.

O ministro disse ainda que há a possibilidade de o governo comprar até equipamentos usados. Segundo dele, os preços praticados hoje são “completamente diferente da realidade”. “Não há tempo para ficar discutindo. As contratações estão sendo feitas sem licitações”.

O ministro disse que tem auxiliado o Ministério da Saúde no sentido de mitigar os riscos na realização das compras. “Dentro da área de auditoria estamos tentando não criar nenhum tipo de problema, tentando mitigar esses problemas”.

Maia e Alcolumbre recusam tentativa de articulação do Planalto e apoiam ações de Mandetta

Mesmo esgotado física e mentalmente, Mandetta segue focado

Daniel Carvalho
Folha

Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), recusaram um convite para encontrar o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na noite desta quinta-feira, dia 2. Em vez disso, jantaram com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

O convite foi feito pelo ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo), pouco antes de Bolsonaro, em entrevista à Jovem Pan, afirmar que está “faltando humildade” a Mandetta. Sem combinar, Maia e Alcolumbre rejeitaram o convite para encontrar com o chefe do Executivo.

RECUSA – Segundo relatos de pessoas próximas aos dois congressistas, o presidente do Senado se recusou porque não havia uma pauta clara para o encontro, e Alcolumbre acabou de se recuperar da Covid-19. Além disso, como o convite foi feito por Ramos, e não pelo próprio presidente, o senador entendeu o gesto muito mais como uma tentativa de articulação por parte do ministro do que uma vontade de Bolsonaro.

Já o presidente da Câmara, de acordo com relatos de aliados, entendeu que seria uma reunião ruim pois Bolsonaro insiste na tese de flexibilizar o isolamento social. Para evitar constrangimentos, Maia também disse não. Logo depois, os chefes do Legislativo receberam Mandetta em um longo jantar na residência oficial da presidência do Senado.

CONFLITO – O ministro da Saúde e o presidente da República vivem momento conflituoso por divergirem em assuntos como o isolamento social e o uso da hidroxicloroquina, medicamento que ainda está sendo testado e vem sendo usado no tratamento de casos graves de infectados por coronavírus.

Pesquisa Datafolha feita de quarta-feira, dia 1º a esta sexta-feira, dia 3, mostra que a aprovação da condução da crise do novo coronavírus pelo Ministério da Saúde disparou, e já é mais do que o dobro da registrada por Bolsonaro. Na rodada anterior, feita de 18 a 20 de março, a pasta conduzida por Mandetta tinha uma aprovação de 55%.

SALTO – Agora, o número saltou para 76%, enquanto a reprovação caiu de 12% para 5%. Foi de 31% para 18% o número daqueles que veem um trabalho regular da Saúde. Já o presidente viu sua reprovação na emergência sanitária subir de 33% para 39%, crescimento no limite da margem de erro. A aprovação segue estável (33% ante 35%), assim como a avaliação regular (26% para 25%).

O levantamento ouviu 1.511 pessoas por telefone, para evitar contato pessoal, e tem margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou menos.No jantar, Maia e Alcolumbre disseram a Mandetta que ele tem total apoio do Congresso Nacional.

DEMISSÃO – Nesta sexta, o presidente da Câmara chegou a dizer em uma videoconferência promovida pelo jornal Valor Econômico que, apesar dos ataques, Bolsonaro não tem coragem de demitir Mandetta e mudar a política de enfrentamento ao coronavírus.

“É fundamental que, no meio do processo [de enfrentamento à doença], a gente não tenha uma perda de um nome como o do Mandetta”, disse Maia. Segundo ele, uma eventual substituição mudaria a política do Ministério da Saúde e significaria que Bolsonaro não acredita no que o ministro está fazendo.

DEFESA – “Ao mesmo tempo, ele não tem coragem de tirar o ministro e mudar oficialmente a política. Ele fica numa posição dúbia.” Mais tarde, antes do início da votação da PEC (proposta de emenda à Constituição) que segrega o Orçamento, voltou a defender Mandetta.

Ao comentar o resultado do Datafolha, que apontou crescimento na aprovação do Ministério da Saúde ante o presidente Bolsonaro, Maia afirmou que a pesquisa mostra que a sociedade brasileira está compreendendo o que representa a pandemia e o trabalho comandado por Mandetta.

COMPETÊNCIA – “[É uma demonstração da] condução firme, transparente e muito objetiva e corajosa do ministro Mandetta, que vem tocando com muita competência o ministério, da mesma forma que fez na secretaria municipal em Campo Grande, como fez quando deputado”, defendeu.

Maia também sinalizou que o Congresso está atento às movimentações de Bolsonaro no sentido de flexibilizar o isolamento social. “Todos os decretos do governo são muito bem analisados pelos partidos, lideranças, mesa da Câmara, mesa do Senado. E algum que tenha divergência em relação ao papel que tem um decreto do presidente sempre pode ser avaliado e discutido e rejeitado pelo Parlamento”, afirmou.

ESGOTADO – A impressão que ficou para Maia e Alcolumbre após cerca de cinco horas de jantar é que Mandetta está cansado, claramente esgotado física e mentalmente, mas não pretende deixar o posto.

Assim como o próprio ministro tem dito publicamente, ele só sairá do cargo por vontade do presidente. Bolsonaro teria assim de arcar com o ônus de sacar alguém mais popular do que ele e que tem aprovação inclusive em sua bolha de apoiadores.

ISOLAMENTO – A disputa que o presidente tem travado com Mandetta isola Bolsonaro dentro do próprio governo. Nos últimos dias, ministros como Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) deram declarações reforçando a importância do isolamento contra o coronavírus. Entre os governadores, Bolsonaro também perdeu apoio como os de Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Comandante Moisés (PSL-SC).

Na pesquisa divulgada nesta sexta, o Datafolha voltou a aferir a aprovação de governadores e incluiu a de prefeitos nesta pesquisa. O presidente está em pé de guerra com os chefes estaduais desde que a crise eclodiu. Ele já ameaçou baixar um decreto para romper o fechamento do comércio em locais como São Paulo.

Aprovam a gestão de seus governadores 58% dos brasileiros, ante 54% da rodada anterior. Reprovam os mesmos 16%, e a avaliação regular caiu de 28% para 23%. Já os prefeitos recebem 50% de ótimo e bom, 25% de regular e 22% de ruim e péssimo.

DISSIDÊNCIA – A rejeição ao trabalho de Bolsonaro subiu mais entre moradores do Sudeste (de 34% para 41%) e no Norte/Centro-Oeste (24% para 34%) —neste caso, é notável a dissidência de Caiado. Ainda assim, essa região é a que melhor avalia (41% de ótimo/bom) o presidente, juntamente com o Sul (39%), onde Comandante Moisés também se desentende com bolsonaristas.

O Nordeste se cristaliza como um centro de rejeição ao presidente nesta crise, com a maior taxa de ruim e péssimo, 42%. Também por lá acham que Bolsonaro mais atrapalha a gestão 57%.

Nos trilhos da Vera Cruz, na criação de Márcio Borges e Milton Nascimento

Mílton Nascimento, Márcio Borges e …”Jules & Jim” de Truffaut ...

Márcio e MIlton, dois gigantes do Clube de Esquina

Paulo Peres
Poemas & Canções                                                   

O escritor, diretor do Museu do Clube da Esquina e poeta mineiro Márcio Hilton Fragoso Borges explica que a letra de “Vera Cruz”, admite três interpretações, uma vez que, pode ser vista como a mulher amada, como a mulher-pátria ou uma composição ferroviária homônima que fazia o trajeto Belo Horizonte-Rio de Janeiro. A música “Vera Cruz” foi gravada por Milton Nascimento no LP Angelus, em 1993.

VERA CRUZ

Milton Nascimento e Márcio Borges


Hoje foi que a perdi
Mas onde já nem sei
Em Vera me larguei
E deito nessa dor
Meu corpo sem lugar

Ah! Quisera esquecer
A moça que se foi
De nossa Vera Cruz
E o pranto que ficou
Da morte que sonhei
Nas coisas de um olhar

Ah! nos rios me larguei
Correndo sem parar
Buscava Vera Cruz
Nos campos e no mar
Mas ela se soltou
No longe se perdeu

Quero em outra mansidão
Um dia ancorar
E aos ventos me esquecer
Que ao vento me amarrei
E nele vou partir
Atrás de Vera Cruz

Ah! Quisera encontrar
A moça que se foi
No mar de Vera Cruz
E o pranto que ficou
Do norte que perdi
Nas coisas de um olhar

É surrealista um presidente criticar publicamente um ministro de seu governo

Henrique Mandetta, ministro da Saúde

Ministro Mandetta soube conquistar a confiança dos brasileiros

Pedro do Coutto

Numa entrevista à Rádio Jovem Pan, o presidente Jair Bolsonaro fez críticas públicas ao ministro Henrique Mandetta, como não fosse ele o titular da pasta da Saúde de seu próprio governo. Nesta altura dos acontecimentos, a confusão, que já era grande tornou-se maior ainda, sobretudo porque a repercussão foi extremamente contrária a sua atitude.

Bolsonaro quer mais humildade de Mandetta acentuando faltar apoio (da opinião pública) para dar uma canetada.  E acrescentou que ninguém de seu governo é indemissível.

GRANDE DESTAQUE – O Globo e a Folha de São Paulo, edições desta sexta-feira, publicaram a matéria com grande destaque, sendo que na FSP tornou-se a manchete principal do jornal. Em O Globo, a reportagem é assinada por Natália Portinari, Paula Ferreira, Thais Arbex, Guilherme Caetano e Bernardo Mello. Na Folha de São Paulo, a matéria foi de Gustavo Uribe e Natalia Concian.

Paralelamente ao impacto político que o episódio destacou, foi publicada uma pesquisa do Datafolha, também de ontem, revelando que 76% da população apoiam Henrique Mandetta. Enquanto em uma pesquisa paralela apenas 33% consideram o governo ótimo e bom. O detalhe importante a ser assinalado em relação a pesquisa anterior é que Mandetta subiu de 51 para 76% e o presidente da República recuou de 39 para 33%.

MANDETTA TRABALHANDO – Esse é um panorama registrado essa semana e ilustrado pelos resultados do levantamento da opinião pública. O Ministro da Saúde não quis comentar o assunto e disse somente que sua posição é de trabalhar para enfrentar o coronavírus. Como se constata, o vértice de popularidade deixa claro a dificuldade que Bolsonaro tem de conviver com seus subordinados.

No meio da confusão, os ministros Onyx Lorenzoni e Paulo Guedes, em entrevista coletiva na tarde de ontem, entrevista da qual o ministro da Saúde não participou, anunciaram que o Poder Executivo deve iniciar na próxima semana a distribuição de 600 reais aos que integram o Bolsa Família e também os trabalhadores avulsos, informais e aqueles cuja renda é mínima, abaixo do salário mínimo.

INDEMISSÍVEL – O ministro Henrique Mandetta disse que não pedirá demissão e se for o caso sairá depois de ato do presidente da República determinando a exoneração.

Enquanto isso a movimentação vai crescer na Esplanada de Brasília, porque a situação do presidente da República está cada vez mais complicada, sem apoio da maior parlamentar e em permanente confronto com os presidente da Câmara e do Senado.

Com isso, Bolsonaro isolou-se ainda mais no Planalto, enquanto aumentam as expectativas de uma eventualidade que a cada dia se torna mais evidente.

Para a cúpula das Forças Armadas, é inaceitável Bolsonaro não se comportar como militar

Colégio militar em homenagem a pai de Bolsonaro é inaugurado hoje ...

O problema é que Bolsonaro não está se comportando como militar

Carlos Newton

Os fanáticos pelo “mito” podem esculhambar à vontade a pesquisa do Instituto Datafolha, dizer que é mais uma obra dos esquerdopatas, petralhas e comunistas que dominam a mídia nacional e internacional, mas a realidade é uma só – Jair Bolsonaro não tem condições mínimas para comandar um país da importância do Brasil, que é o quinto maior em território, sexto em população e nono em volume de PIB, ou seja, gigante pela própria natureza.

O fato concreto é que Bolsonaro, diante do primeiro problema realmente grave de sua gestão, além de demonstrar não saber administrar a crise, está atrapalhando as autoridades encarregadas de fazê-lo.

BOLSONARO ISOLADO – Com essa postura negativa e inaceitável, o presidente está perdendo apoio em todos os setores, especialmente na classe média e entre os militares, embora ele julgue (?) que as Forças Armadas estariam dispostas a tudo para mantê-lo no poder.

É claro que a ficha está caindo e o próprio Bolsonaro começou a sentir esse isolamento. Na manhã de segunda-feira, dia 30, ele descumpriu a agenda e resolveu visitar o general Eduardo Villas Bôas, ex-comandante do Exército, para lhe pedir apoio, e foi atendido, com uma nota postada no Twitter pela assessoria do oficial.

Neste sábado, entrevistado pela jornalista Tânia Monteiro, do Estadão, Villas Boas confirmou a visita e o pedido de apoio, que revela a insegurança do presidente da República. A repórter então perguntou se Bolsonaro tinha perdido apoio dos militares, e o general (ou sua assessoria, pois ele está muito doente) disse que não.

APOIO DOS MILITARES – Em tradução simultânea, este “não” do general Villas Bôas nada significa, porque jamais falaria contra o amigo que ajudou a eleger, mas a verdade é que Bolsonaro não tem mais apoio incondicional das Forças Armadas, que não pretendem avalizar nenhuma insensatez do presidente.

Os oficiais-generais vão cumprir a Constituição, ajudar o governo (qualquer governo) no possível, mas sem se intrometer.  Não querem que a imagem das Forças Armadas seja prejudicada por atos de um presidente complicadíssimo, que pensa (?) estar representando os militares, mas não está. Eis a questão.

Para os chefes militares, a situação gravíssima e inaceitável é que Bolsonaro não se comporta como militar.

QUEBRA DE HIERARQUIA – Como se sabe, uma das dogmas das Forças Armadas é o respeito à hierarquia, um princípio que não se resume a respeitar ordens superiores.

Na crise do coronavírus, os generais da ativa estão assistindo a uma gravíssima quebra de hierarquia cometida por Bolsonaro, cuja obrigação funcional é respeitar a orientação científica das autoridades de saúde do país (Ministério e Vigilância Sanitária) e da Organização Mundial de Saúde, da qual o Brasil é país-membro fundador.

É preciso entender que o raciocínio dos generais é sempre cartesiano. Eles avaliam que um presidente que não respeita a hierarquia científica nacional e mundial, em assunto de interesse vital da saúde de todos os brasileiros, por consequência isso significa que esse presidente não aceita hierarquia alguma.

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P.S
. – A carreira militar instrui os oficiais a obedecerem ao método cartesiano, criado pelo francês René Descartes. Consiste em se guiar sempre por aquilo que possa ser provado. No caso de Bolsonaro, em meio a uma pandemia, ele insiste em tentar conduzir o país utilizando teses e medicamentos ainda não comprovados cientificamente. Para os oficiais-generais e para qualquer pessoa com um mínimo de bom senso, esse comportamento é intolerável. (C.N.)

Justiça determina que cultos religiosos não sejam considerados serviços essenciais

Charge do Laerte (Arquivo do Google)

Luiz Vassallo
Estadão

O juiz federal Manoel Pedro Martins de Castro Filho, da 6ª Vara de Brasília, determinou, que o governo Jair Bolsonaro adote medida para “impedir que atividades religiosas de qualquer natureza permaneçam incluídas no rol de atividades e serviços essenciais para fins de enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus”.

A decisão que acolhe pedido do Ministério Público Federal é do dia 31 e dava 24 horas para o governo agir. Até o momento, a medida permanece inalterada.

CALAMIDADE PÚBLICA – Segundo o magistrado, que determinou a suspensão de trecho do decreto do presidente sobre serviços essenciais, o texto em relação às igrejas “não se coaduna com a gravíssima situação de calamidade pública decorrente da pandemia que impõe a reunião de esforços e sacrifícios coordenados do Poder Público e de toda a sociedade brasileira para garantir, a todos, a efetividade dos direitos fundamentais à vida e à saúde”.

A Justiça Federal no Rio de Janeiro chegou a decidir de maneira semelhante, mas a liminar foi cassada pelo presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Nesta quinta-feira, dia 2, a Procuradoria no Rio recorreu da decisão.

RECONSIDERAÇÃO – Se o governo quiser recorrer da decisão do juiz de Brasília, poderá pedir sua reconsideração em primeira instância, ou apresentar apelo ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Em ação civil pública movida à Justiça, a Procurador Felipe Fritz Braga usou uma charge da cartunista Laerte Coutinho para ‘ilustrar’ seu pedido. Na imagem, um líder religioso chama os fiéis: “Venham”. Atrás dele Deus alerta: “Venham nada!”.

SEM JUSTIFICATIVA – Segundo ele, ‘sem qualquer justificativa racional’, Bolsonaro “incluiu no rol de serviços essenciais as atividades religiosas de qualquer natureza, dando margem para que os cultos e liturgias presenciais voltem a ocorrer, o que significa grandes e frequentes aglomerações de pessoas num momento em que toda a ciência afirma que o isolamento social é a medida mais eficaz para conter a propagação do vírus”.

“É hora, portanto, de dar à razão e à ciência o peso merecido e necessário, para evitar um dano coletivo de proporções incomensuráveis à saúde individual e coletiva e a fim de proteger o próprio sistema de saúde brasileiro, que ameaça colapsar-se tal como ocorreu na Itália e Espanha, caso as medidas de contenção e isolamento determinadas pela OMS e pelo Ministério da Saúde não sejam seguidas”, escreve.

TSE cogita adiar eleições municipais para dezembro, mas ministros descartam prorrogação de mandatos

“A saúde da população é o bem maior a ser preservado”, diz Barroso

Carolina Brígido
O Globo

Ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cogitam adiar as eleições municipais de outubro para dezembro, devido à pandemia do coronavírus. A decisão sobre a data das votações deve ser tomada entre fim de maio e início de junho, a depender da situação sanitária do país.

Ainda que o quadro não esteja definido, os ministros descartam a possibilidade de prorrogação dos mandatos atuais. Isso aconteceria se as eleições fossem reagendadas para 2021. Ou, ainda, se houvesse unificação com as eleições gerais de 2022.

AVALIAÇÃO – “A saúde pública, a saúde da população é o bem maior a ser preservado. Por isso, no momento certo será preciso fazer uma avaliação criteriosa acerca desse tema do adiamento das eleições. Mas nós estamos em abril. O debate ainda é precoce. Não há certeza de como a contaminação vai evoluir. Na hipótese de adiamento, ele deve ser pelo período mínimo necessário para que as eleições possam se realizar com segurança para a população. Estamos falando de semanas, talvez dezembro”, disse o ministro Luís Roberto Barroso, que vai presidir o TSE a partir de maio.

O ministro afirmou que eventual prorrogação de mandatos não está sendo cogitada na Corte, porque violaria a Constituição Federal. “A ideia de prorrogação de mandatos dos atuais prefeitos e vereadores até 2022 não me parece boa. Do ponto de vista da democracia, a prorrogação frauda o mandato dado pelo eleitor, que era de quatro anos, e priva esse mesmo eleitor do direito de votar pela renovação dos dirigentes municipais. Se for inevitável adiar as eleições, o ideal é que elas sejam ainda este ano, para que não seja necessária a prorrogação de mandatos dos atuais prefeitos e vereadores”, declarou.

UNIFICAÇÃO – Barroso acrescentou que unificar as eleições municipais com a disputa nacional de 2022 seria prejudicial por outro motivo: os temas a serem tratados nas campanhas são totalmente diferentes.

A disputa nos municípios é mais voltada para assuntos locais, como transportes, planejamento da cidade e limpeza urbana. Já a eleição geral trata de temas de interesse nacional, como política econômica e programas sociais. Além disso, unir eleições locais e nacionais seria inviável operacionalmente.

“As eleições municipais deverão mobilizar 750 mil candidatos, cujas candidaturas precisam ser objeto de registro e que, em caso de impugnação, precisam ser decididas pela Justiça Eleitoral. Já é um número muito expressivo. Juntar a eles os questionamentos de registros de candidaturas à Presidência da República, ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e às Assembleias Legislativas significa criar imensas dificuldades para a administração do pleito pela Justiça Eleitoral. Um verdadeiro inferno gerencial”, afirmou.

EXTENSÃO – Barroso lembrou que houve prorrogação de mandatos durante a ditadura militar, quando uma emenda constitucional estendeu até 1982 o mandato de prefeitos e vereadores eleitos em 1976, e que deveria terminar em 1980.

“Não custa lembrar que nesse meio tempo, o Congresso Nacional foi fechado, com base no AI-5, para outorga do chamado Pacote de Abril, um conjunto de medidas eleitorais igualmente casuísticas. E a campanha eleitoral se desenvolveu sob a égide da Lei Falcão, que somente permitia a exibição, na TV, da foto do candidato, sem direito a fala”, observou.

TRABALHO REMOTO – Embora não esteja definido se as eleições serão mesmo adiadas, providências que precisam ser tomadas pela Justiça Eleitoral antes da votação já foram suspensas, por conta do coronavírus. A maioria dos técnicos do tribunal está trabalhando remotamente.

Por isso, não foi possível realizar um teste agendado para meados de março. Há outro teste marcado para depois da Semana Santa, que também deverá ser adiado.

Os testes são de software e também do sistema operacional da urna. Além disso, há outros testes fundamentais que precisam ser realizados antes da votação, como simulações da eleição e totalização de votos. Também está suspenso o treinamento dos cerca de 2 milhões de mesários que atuarão nas votações, o que também prejudica o calendário da Justiça Eleitoral.

PROVIDÊNCIAS – Técnicos do TSE ouvidos pelo O Globo também apontam uma outra questão: ainda que a eleição seja adiada para dezembro, existe uma série de providências que precisam ser tomadas depois das votações que precisariam ser ajustadas.

Antes das posses dos eleitos, em 1º de janeiro, os candidatos devem apresentar prestações de contas e essas contas precisam ser analisadas pela Justiça Eleitoral. Em seguida, vem a diplomação dos candidatos. E, por último, a posse. Para os técnicos, a definição da data da eleição é fundamental para fazer esse planejamento.

DEBATE “PRECOCE” – Em nota, a atual presidente do TSE, ministra Rosa Weber, declarou que não cogitava adiar as eleições de outubro por conta do coronavírus. Disse que o debate ainda era “precoce”. Barroso também tinha se pronunciado nesse sentido. Mas, diante do avanço da Covid-19 no Brasil, as conversas entre ministros tomaram outro rumo.

Por lei, as convenções partidárias estão agendadas para agosto. É o início oficial do processo eleitoral. A depender do cenário da pandemia, não teria como realizar as convenções na data prevista. Nem tampouco as campanhas, que começam depois das convenções – ao menos nos moldes conhecidos. Eleições pressupõem o contato entre as pessoas. Não seria possível substituir isso por uma videoconferência, na visão de ministros.

CORPO A CORPO – No TSE, também estão sendo discutidas formas de se fazer campanha sem aglomeração, caso não sejam adiadas a votação. Se essa hipótese seguir adiante, as campanhas deste ano serão as primeiras sem o chamado corpo a corpo.

Os ministros também conversam sobre as zonas eleitorais. A dúvida é como realizar eleições sem fila para votar, ou com o menor número possível de pessoas reunidas.

DEFINIÇÃO DA DATA – Ministros ouvidos pelo O Globo lembraram que a definição da data das eleições não está somente nas mãos do TSE. O Congresso Nacional poderia aprovar uma proposta de emenda constitucional para mudar o calendário eleitoral.

Se for necessário adiar a posse dos eleitos, por conta das providências a serem tomadas depois da votação, também caberá aos parlamentares aprovar nova data. “A palavra final na matéria será do Congresso Nacional, a quem cabe aprovar emenda constitucional a respeito, se vier a ser o caso “, concluiu Barroso.

Apesar da articulação do Governo, CPI das Fake News é prorrogada até outubro

Andréia Sadi e Marina Franceschini
G1

Integrantes do Palácio do Planalto se irritaram, nesta quinta-feira, dia 2, com a articulação de senadores para aprovar a prorrogação da CPI das Fake News por mais 180 dias, em meio à pandemia do coronavírus.

Segundo o blog apurou, o ministro da articulação política, general Luiz Eduardo Ramos; o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes; e o senador Flavio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro; passaram a noite tentando retirar assinaturas de senadores para evitar a continuação dos trabalhos da comissão.

ATAQUES – Criada em julho de 2019, a comissão tem, entre outros objetivos, a finalidade de a investigar “ataques cibernéticos que atentam contra a democracia e o debate público”. Nas eleições presidenciais do ano passado, surgiram denúncias de que empresas apoiadoras do então candidato ao Planalto do PSL, Bolsonaro, teriam comprado pacotes de disparo de mensagens para difamar, por meio de rede social, o candidato do PT, Fernando Haddad. Bolsonaro nega irregularidades.

Ao blog, o líder do governo no Congresso confirmou o trabalho ontem para evitar a prorrogação da CPI — e disse que precisou levantar uma questão de ordem na sessão virtual ontem, tentando evitar a prorrogação. “Estamos preocupados com máscaras, respiradores: e vamos discutir CPI das Fake News?”, disse ao blog. Segundo ele, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ficou de analisar a questão de ordem.

FOLGA – O presidente da CPI das Fake News, Angelo Coronel, afirmou ao blog que dez senadores retiraram as assinaturas mas conseguiram fechar com sete nomes de folga.

“O prazo final para retirada ou inclusão de novas assinaturas era meia-noite. Dez senadores retiraram, ficamos no prazo limite de arquivamento, mas conseguimos mais sete assinaturas. Com folga de sete nomes, conseguimos dar sequência. Então, foi prorrogada por mais 180 dias”.

Procurada pela reportagem, a secretaria legislativa do Congresso informou que: “A consolidação das assinaturas incluídas e/ou retiradas está sendo feita pela Secretaria. Logo teremos uma lista oficial”.

Aprovação do Ministério da Saúde dispara e é mais do que o dobro da de Bolsonaro

Pablo Jacob / Agência O Globo

Bolsonaro está em queda, enquanto Mandetta sobe cada vez mais

Gustavo Schmitt
O Globo

Pesquisa Datafolha divulgada na tarde desta sexta-feira indica que a aprovação do Ministério da Saúde é hoje o dobro da avaliação do presidente Jair Bolsonaro. Segundo o instituto, a pasta é aprovada por 76% da população, enquanto o presidente recebeu aprovação de 33%. O Datafolha ouviu 1.511 pessoas por telefone entre os dias 1 e 3 de abril.

Na pesquisa anterior, o ministério conduzido por Luiz Henrique Mandetta tinha uma aprovação de 55%. O Datafolha também registrou queda na reprovação da pasta: caiu de 12% para 5%.

BOLSONARO CAI – Bolsonaro, que ainda viu sua reprovação subir de 33% para 39%, segundo Datafolha, vem travando uma disputa interna com o protagonismo de Mandetta à frente do ministério. Nesta quinta-feira, em entrevista a rádio Jovem Pan, o presidente chegou a dizer que falta humildade ao ministro, e que os dois estão “se bicando há tempos”.

Já a aprovação do presidente Bolsonaro oscilou dentro da margem de erro: de 35% para 33%. A avaliação é estável também entre os que consideram o presidente regular: de 26% para 25%.

MANDETTA TRANQUILO – O ministro Mandetta, por sua vez, tem evitado o confronto. Com alta popularidade, o ministro minimizou os ataques do chefe. Disse que continuava trabalhando e que seu foco era o combate à doença.

As críticas do presidente voltaram a trazer à tona especulações sobre a saída de Mandetta do governo. Aliados avaliam que o rompimento definitivo é “questão de tempo”, mas o ministro só está disposto a sair se for demitido. Mandetta recebeu o apoio do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, que afirmou mais cedo que o presidente não tem coragem de demitir o ministro e de mudar a política de enfrentamento ao coronavírus. O deputado reagiu com críticas aos ataques de Bolsonaro contra o ministro.

APOIO AO MINISTRO – Maia disse que o Congresso vai dar todo o respaldo que puder à permanência do ministro da Saúde de Bolsonaro, que, por sua vez, discorda das medidas de distanciamento social adotadas por estados e municípios por orientação do Ministério da Saúde para evitar a propagação da epidemia de coronavírus.

O Datafolha ainda incluiu na pesquisa uma avaliação do Ministério da Economia. Sobre as medidas da equipe de Paulo Guedes para minimizar os impactos da Covid-19 sobre a economia, a maioria dos entrevistados considera o trabalho da pasta bom e ótimo (37%) ou regular (38%). Para 20%, a gestão da economia é ruim ou péssima. A maior aprovação vem de empresários (43%). O pior desempenho, de funcionários públicos (27%).

GOVERNADORES – O Instituto também ouviu os entrevistados sobre a avaliação de governadores no combate ao coronavírus. O presidente enfrenta um embate com os estados e ameaça até baixar um decreto para reabrir o comércio. Entre os que aprovam a gestão dos governadores estão 58% dos brasileiros, ante 55% da pesquisa anterior.

Nesta discussão sobre o fim da quarentena e reabertura do comércio, o governador paulista João Doria chegou a pedir para que os brasileiros não seguissem as orientações do presidente sobre o isolamento social. O Datafolha ouviu os entrevistados sobre essa recomendação de Doria. E, segundo o Instituto, 57% concordam com o governador paulista, contra 32% que acham que ele está errado, e outros 11% que não souberam opinar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Bolsonaro está igual a Jânio Quadros, que pensava (?) que o povo iria carregá-lo nos ombros de volta ao Planalto, caso renunciasse ou fosse deposto. Mas povo não estava nem aí, como dizem os baianos. (CN.)

Como um domador de cavalos e um preparador físico mudaram a vida de um empresário

Livro - Encantadores De Vidas - Eduardo Moreira - Seminovo - R$ 22 ...

Eduardo Moreira escreveu um livro sobre sua recuperação

Júlia de Aquino
Instagram literário @juentreestantes

“Percebi então que meus dois tombos tinham me dado de presente a amizade de dois verdadeiros encantadores de vidas” – diz o empresário Eduardo Moreira, autor do livro “Encantadores de vidas”, uma obra capaz de transformar a vida de quem a lê, e se tratar de autoajuda, mas simplesmente de um relato biográfico.

No livro, o autor conta amava montar a cavalo e dois graves  quedas o fizeram conhecer Nuno Cobra, preparador físico de muitos atletas campeões, e Monty Roberts, o domador de cavalos mais famoso do mundo, e como o convívio com os dois influenciaram sua trajetória.

À PRIMEIRA VISTA – Pelos tons monocromáticos de sua capa, Pode ser que, num primeiro momento, o livro não crie muitas expectativas, mas não se deixe enganar: logo no início, o autor começa a nos surpreender, e vamos nos envolvendo com tudo o que é contado ali.

A leitura é gostosa, fluida e objetiva, mas sem deixar escapar detalhes importantes. Ótima opção para quem quer uma leitura rápida e surpreendente.

MONTY ROBERTS– É maravilhoso conhecer Roberts, o mais conhecido domador de cavalos mais famoso do mundo, que revolucionou as técnicas usadas para amansar equinos, ao criar um método sem violência e apresentar resultados em poucos minutos. Minha sugestão é que após a conclusão do livro o leitor assista a alguns vídeos do mestre. É incrível!

Quem gosta de cavalos ou convive com a espécie vai se apaixonar pelo livro. Pessoalmente, não faço parte desse grupo, mas depois da leitura, tive muita vontade de me aproximar deles.

NUNO COBRA – Também é uma oportunidade especial para conhecer melhor Nuno Cobra e seu método de preparação física, que envolve corpo-mente-espírito.

Em diversos trechos, o autor nos presenteia com a apresentação dos métodos e exercícios do mais famoso preparador físico brasileiro, mostrando inclusive os métodos utilizados para fazê-lo se recuperar das quedas. Eduardo Moreira conta que no início achava tudo muito fácil – quase ridículo –, mas depois foi se conscientizando da importância dos exercícios e atividades, que conseguiram transformar seu corpo de forma excepcional.

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ALGUMAS FRASES MARCANTES DO LIVRO

“Ver minha imagem refletida nos cavalos ajudou a me tornar uma pessoa melhor”.

“O presente que de fato podemos dar aos outros é o nosso tempo”.

“Nuno estava coberto de razão: deveríamos ir devagar exatamente porque tínhamos pressa”.

“Ambos são pessoas que quebraram os paradigmas das áreas em que atuam. Por isso, seguir seus métodos significa enfrentar a resistência do senso comum”

Livro: Encantadores de vidas
Autor: Eduardo Moreira
Editora: Record
Páginas: 270

Justiça determina o bloqueio de R$ 18 milhões do PT por fraudes em obras na sede da Petrobras em Salvador

Decisão está relacionada a esquema na construção da Torre Pituba

Luiz Vassallo, Fausto Macedo e Ricardo Brandt
Estadão

O juiz da 1ª Vara Federal de Curitiba determinou o bloqueio de R$ 18 milhões do Partido dos Trabalhadores (PT), resguardados os recursos do fundo partidário, no âmbito da Operação Lava Jato. A decisão é do dia 24, e também impõe constrição de R$ 400 milhões a marqueteiros, empreiteiros, e construtoras por supostas fraudes na Torre de Pituba, sede da Petrobras em Salvador. A decisão se dá no âmbito de ação civil pública. Paralelamente, 18 são acusados na Justiça Criminal.

Segundo a Procuradoria da República no Paraná, a ‘ação civil pública foi proposta em 16 de dezembro de 2019 pela Lava Jato com pedido de responsabilização por atos de improbidade administrativa contra a Construtora OAS, Partido dos Trabalhadores e 23 pessoas físicas’.

RESPONSABILIZAÇÃO – “Essa é a terceira ação cível contra legendas políticas na primeira instância, sendo que em 2018 o pedido de responsabilização foi do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), enquanto que em 2017 foi do Partido Progressista (PP)”.

“O valor total dessa causa é de R$ 788.528.696,40 e diz respeito à prática criminosa de atos que geraram enriquecimento ilícito, causaram prejuízo ao erário e atentaram contra os princípios da administração pública, com pagamento de vantagens indevidas referentes à obra realizada para a ampliação das instalações da nova sede da Petrobras em Salvador (BA). O imóvel, denominado Torre Pituba/Prédio Itaigaral, é de propriedade da Fundação Petrobras de Seguridade Social (Petros)”, afirma a Lava Jato.

EVIDÊNCIAS – De acordo com a força-tarefa, as ‘investigações reuniram elementos evidenciando que as contratações das empresas Mendes Pinto Engenharia, Odecrecht e OAS para a ampliação das instalações do conjunto Pituba viabilizaram o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras, dirigentes da Petros e agentes políticos ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT), além de terceiros associados a eles’.

“Dentre eles está Renato Duque, que então comandava a Diretoria de Serviços da estatal, que se comprometeu a locar o imóvel da Petros por 30 anos”.

“Além de Duque, OAS e PT, a ação foi oferecida contra Armando Ramos Tripodi, Carlos Alberto Ribeiro de Figueiredo, Gilson Alves de Souza, Antônio Sérgio Oliveira Santana, Wagner Pinheiro de Oliveira, Newton Carneiro da Cunha, Luís Carlos Fernandes Afonso, Carlos Fernando Costa, Rodrigo de Araújo Silva Barretto, Ricardo Santos Caneiro, Irani Rossini de Souza, André Pedreira de Freitas Sá, Francisco Alberto da Mota Santos, espólio de César de Araújo Mata Pires Filho, José Aldemário Pinheiro Filho, Manuel Ribeiro Filho, Elmar Juan Passos Varjão Bonfim, José Nogueira Filho, André Luiz Bastos Petitinga, João Vaccari Neto, Marice Correa de Lima e Valdemir Flávio Pereira Garreta”, afirma a força-tarefa.

ADITIVOS –  Segundo a Procuradoria, a ‘ação aponta que o empreendimento da Torre Pituba, cuja obra havia sido originalmente estimada na ordem de R$ 320 milhões, em abril de 2008, sofreu grandes alterações e foi objeto de aditivos contratuais que fizeram os custos apenas da construção quase que dobrarem, atingindo R$ 588.517.509,47’.

“Esse valor, somado às contratações associadas, resultou no custo total de R$ 816.480.288,81 em novembro de 2010. Em valores atualizados para dezembro de 2019, os valores apenas da obra atingiram R$ 1.250.053.793,19, ao passo que os custos totais do empreendimento da Torre Pituba remontam a R$ 1.366.180.643,45”, diz a Lava Jato.

RESSARCIMENTO – Os pedidos do MPF incluíam a condenação solidária ao ressarcimento ao erário no valor de R$ 197.132.174,10, em razão dos prejuízos causados à Petrobras e à Petros e danos morais coletivos, pagos de forma solidária, no valor integral do dano causado. Além de multa civil individual de duas vezes o valor do dano apurado, totalizando R$ 394.264.348,20, que será indisponibilizado em bens e valores dos réus.

“Para além das mais de cem denúncias criminais propostas em cinco anos, a Lava Jato mostra que os caminhos da corrupção são múltiplos e procura punir os responsáveis em todas suas esferas. Essa é a 11ª ação de improbidade administrativa oferecida pela força-tarefa”, afirma o procurador da República, Felipe D’Elia Camargo.

DENÚNCIA –  Em 19 de dezembro de 2018, uma denúncia criminal foi oferecida pela força-tarefa Lava Jato por conta do esquema criminoso envolvendo o mesmo empreendimento, que também foi alvo da deflagração da 56ª fase da Lava Jato, em 23 de novembro, com o cumprimento de prisões e buscas e apreensões.

Entre os crimes cometidos que constam na denúncia estão corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, desvios de recursos de instituição financeira (Petros) e organização criminosa. As investigações apontaram que as contratações fraudulentas e pagamentos de vantagens indevidas no esquema se estendeu de 2009 a 2016.

MDB e PSB –  Em 18 de dezembro de 2018, a força-tarefa e a Petrobras ajuizaram, em conjunto, ação civil pública com pedido de responsabilização por atos de improbidade administrativa contra o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), cinco políticos e outras doze pessoas físicas e jurídicas.

Na ação proposta, foi descrito o funcionamento de dois esquemas de desvios de verbas da Petrobras, um envolvendo contratos vinculados à diretoria de Abastecimento, especialmente contratos firmados com a construtora Queiroz Galvão, individualmente ou por intermédio de consórcios, e outro referente ao pagamento de propina no âmbito da CPI da Petrobras em 2009.

IMPROBIDADE – Essas atividades ilícitas foram enquadradas nas três modalidades de improbidade, mas se pediu que sejam aplicadas as sanções mais graves, referentes às situações que geram enriquecimento ilícito, e subsidiariamente as demais sanções. O valor total pedido pelo MPF na causa totalizava R$ 3.454.727.308,06 na época. Essa ação de improbidade administrativa tramita sob o número 5057144-14.2018.404.7000.

PARTIDO PROGRESSISTA – Já em 2017, a Lava Jato ajuizou, em 22 de março de 2017, ação de civil pública com pedido de responsabilização por atos de improbidade administrativa em face do Partido Progressista (PP), dez políticos e um ex-assessor.

Na ação proposta, foi descrito o funcionamento de dois esquemas de desvios de verbas da Petrobras, um envolvendo contratos vinculados à Diretoria de Abastecimento, e outro referente aos benefícios obtidos decorrentes da atuação da Diretoria de Abastecimento em prol dos interesses da Braskem, empresa do Grupo Odebrecht, especialmente no contrato de comercialização de nafta entre a estatal e a referida empresa petroquímica.

Ações de improbidade administrativa são demandas que objetivam responsabilizar agentes públicos por desvios de conduta definidos em lei, assim como particulares que concorrem para o ato. A Lei 8.429/92 prevê, basicamente, três tipos de atos de improbidade, com diferentes sanções: os que importam enriquecimento ilícito, os que causam dano ao Erário e aqueles que atentam contra princípios da administração pública.

General Villas Bôas diz que panelaços o preocupam, mas que Bolsonaro deverá sair da crise “por cima”

Villas Boas destacou que Mourão é um ponto de equilíbrio do Governo

Tânia Monteiro
Folha

Na manhã da última segunda-feira, um comboio de carros blindados estacionava em frente a uma casa no Setor Militar Urbano, em Brasília. O presidente Jair Bolsonaro chegava para uma visita inesperada ao general da reserva Eduardo Villas Bôas. O encontro durou poucos minutos, mas foi o suficiente para Bolsonaro receber o apoio público de uma figura que tem forte influência nas Forças Armadas.

Em entrevista nesta quinta-feira, dia 2, ao Estado, Villas Bôas avaliou que Bolsonaro acha que “todo mundo” está contra ele. O ex-comandante do Exército afirmou que o panelaço e a economia preocupam, mas disse acreditar que, ao final, o presidente sairá por cima, e o Brasil vai se recuperar.

O presidente agiu errado em falar que o coronavírus é uma gripezinha?
Ele disse isso, naquele momento, para tentar tranquilizar o País. Mas não é uma gripezinha.

Na manhã de segunda-feira, o presidente esteve na casa do senhor. À tarde, o senhor publicou no Twitter um post de apoio a ele. Ele pediu seu apoio?
Eu já estava pensando em me manifestar. Ele pediu o meu apoio e eu achei oportuno me posicionar e dizer às pessoas qual é a lógica da sua atuação. Pode-se discordar do presidente, mas sua postura revela coragem e perseverança nas suas próprias convicções. Mas ele não pediu isso explicitamente.

O presidente está precisando de apoio neste momento?
Eu acho que o problema para ele é que está todo mundo contra ele. A mídia, principalmente. Nacional e internacional.

Ele perdeu apoio da área militar?
Não.

Mas o presidente mudou o discurso na última terça-feira.
Não foi por minha causa. Mudou por ele. Por ele, eu acho.

Mudar o tom do discurso e falar de forma mais conciliatória foi positivo?
Esta é a linha ideal.

Panelaços mostram que ele perdeu apoio?
Particularmente me preocupo com os panelaços. Pode significar perda de apoio. Isso psicologicamente é negativo.

A atuação dele na pandemia compromete uma reeleição?
Está muito cedo para falar de reeleição. Mas panelaços podem demonstrar uma perda de apoio, embora estejam concentrados nos grandes centros.

O presidente está isolado politicamente? Ele se sente isolado?
Não sei. Isso muda muito conforme as circunstâncias.

A decisão do presidente de não endossar o discurso do Ministério da Saúde pró quarentena vai custar caro a ele?
Acho que essa percepção é temporária. Eu acho que ao final, ele vai sair por cima.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), que apoiava o presidente, disse que o gabinete do ódio, formado inclusive pelos filhos de Bolsonaro, atrapalha o governo. O grupo e os filhos atrapalham o presidente?
Não comento.

Os filhos do presidente têm uma desconfiança muito grande em relação aos militares, particularmente em relação ao vice Hamilton Mourão. Isso mudou?
Não tem motivo para ter qualquer desconfiança do Mourão. Mourão tem sido um ponto de equilíbrio. Ele é leal ao presidente.

As pessoas criticam o que chamam de radicalismo do presidente. A democracia em algum momento foi ameaçada?
O presidente tem uma maneira de ser que pode colocar as pessoas na defensiva. Mas, em nenhum momento, ele feriu a Constituição. Ele é um democrata. Um aspecto importante é que as pessoas não estavam acostumadas a ver, com tanta contundência, alguém se contrapor ao pensamento que predominava.

Há uma tutela branca no presidente Bolsonaro pelos ministros mais próximos agora, como Braga Netto, da Casa Civil, e Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo?
Ninguém tutela o presidente.

Como avalia a guerra entre governadores e o presidente?
Cada um tem de fazer a sua parte e não tem de ficar polemizando. A virtude sempre está no meio. Mas tem havido muito oportunismo político. Não quero nominar. Estou falando em geral.

Depois da pandemia, qual a postura que o presidente tem de adotar em relação aos outros Poderes?
Conciliação. Precisamos buscar harmonia.

Como o País vai sair dessa crise? Como se reconstrói um país depois de uma pandemia, com tanta morte e tanto problema econômico?
Eu creio que, talvez não em aspectos concretos como a economia em geral, mas psicologicamente, vamos sair fortalecidos. Certamente teremos problemas na economia, mas sairemos fortalecidos psicologicamente. Assim como nas guerras, vamos sair com disciplina social, espírito de solidariedade, sentimento pelo País e respeito às instituições.

Após críticas de Bolsonaro, esposa de Moro sai em defesa de Mandetta e do isolamento social

Rosangela diz que entre “ciência e achismo”, fica com a ciência

Deu no Correio Braziliense

A advogada Rosângela Wolff Moro, mulher do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, manifestou, na noite desta quinta-feira, dia 2, apoio ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nas redes sociais. Em paralelo, uma campanha em defesa do titular da Saúde subiu ao topo das menções no Twitter com a hashtag #somostodosMandetta, apoiada por diversos políticos.

 A advogada rendeu a homenagem a Mandetta minutos depois de o presidente Jair Bolsonaro dizer que o ministro “extrapolou” e precisa de “humildade” e que não o demitiu porque está no “meio de uma guerra”.

CONFIANÇA  – Rosângela Moro adaptou uma frase que já vinha sendo usada pela militância lavajatista em defesa de Moro: “In Mandetta I trust (“Em Mandetta eu confio”, em inglês)”, escreveu ela. Os apoiadores da Operação Lava-Jato, que tinha à frente das ações penais o ex-juiz Sérgio Moro, adaptaram a frase “In God we trust” ao ministro. A estampa “In Moro we trust” ganhou cartazes e camisetas em manifestações pelo país.

A advogada postou uma foto de Mandetta em seu perfil no Instagram e escreveu: “Entre a ciência e achismos, eu fico com a ciência. Se você chega doente em um médico, se tem uma doença rara, você não quer ouvir um técnico? Mandetta tem sido o médico de todos nós e minhas saudações são para ele”. A publicação foi apagada logo depois.

INSATISFAÇÃO – O presidente também anda insatisfeito com a postura de Moro durante a pandemia e já reclamou do ministro da Justiça a interlocutores. Moro e Paulo Guedes uniram-se nos bastidores no apoio a Mandetta e na defesa da manutenção das medidas de distanciamento social e isolamento da população no combate à pandemia.

O trio formou uma espécie de bloco antagônico, com o apoio de setores militares, criando um movimento oposto ao comportamento do presidente Bolsonaro, contrário ao confinamento das pessoas, incluindo o fechamento do comércio.

Pressionado, o titular da Saúde deixou claro ao presidente, em reunião no último sábado, dia 28, que não vai se demitir nem mudar de posição. Mandetta foi aconselhado por aliados a se manter firme por ter se tornado “indemissível” num momento de pandemia. Se partir de Bolsonaro uma decisão de retirá-lo de sua equipe, caberá ao presidente assumir o ônus.

Bolsonaro volta a criticar isolamento social e ataca a imprensa: “Não vou perder para esses urubus”

Bolsonaro ignora o mundo e repete ataques às ações e protocolos

Ricardo Della Coletta
Folha

Em mais um ataque à imprensa, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta sexta-feira, di 3, que não chegou à presidência da República “para perder para esses urubus aí”. Bolsonaro deu a declaração ao responder a uma apoiadora, que disse a ele que “Deus é o senhor do tempo” e que o melhor da vida do presidente ainda está por vir.

“Eu não cheguei aqui… pelo milagre da facada, e a eleição também, para perder para esse urubus aí”, respondeu o presidente, ao gesticular em direção ao grupo de repórteres que diariamente acompanha a sua entrada e saída do Palácio da Alvorada.

DISTÂNCIA – Ao descer do comboio presidencial, Bolsonaro pediu que seus simpatizantes se juntassem mais próximos da portaria do Alvorada, para que ficassem longe dos jornalistas —que aguardam em local separado.

“Vamos vencer essa guerra, pessoal”, também disse o presidente na ocasião. A um apoiador que afirmou “só estamos esperando a tua voz”, Bolsonaro respondeu: “Vai chegar a hora certa aí”.

ISOLAMENTO – Ele não se dirigiu em nenhum momento aos jornalistas. Aos apoiadores teceu novas crítica às ações de isolamento social tomadas por governadores. Ele disse que a sociedade brasileira “não aguenta ficar dois, três meses parada”. “Vai quebrar tudo”, declarou o presidente.

“Vocês sabem do meu posicionamento: não pode fechar dessa maneira, e atrás disso vem desemprego em massa, miséria, fome, vem violência”, disse Bolsonaro, ao ser interpelado por um simpatizante que se queixou de medidas do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que determinou o fechamento de comércios e a suspensão de aulas.

“CHUVA”  – “Esse vírus é igual a uma chuva. Vai molhar 70% de vocês. Isso ninguém contesta. Toda a nação vai ficar livre da pandemia depois que 70% for infectado e conseguir os anticorpos. Desses 70%, uma pequena parte, os idosos e quem têm problema de saúde, vai ter problema sério e vai passar por isso também.”

“O que estão fazendo [com o isolamento social] é adiar [a transmissão do Covid-19] para ter espaço nos hospitais. Mas tem um detalhe: a sociedade não aguenta ficar dois, três meses parada. Vai quebrar tudo.”

DEMAGOGIA – Em outra referência a governadores e prefeitos que determinaram políticas de restrição de movimento nas ruas, ele acusou ainda “algumas autoridades” de praticar “demagogia”. “A opinião pública aos poucos está vindo para o nosso lado. Os políticos têm que ouvir o povo. Sabemos que vai ter morte, não negamos isso. Morre de gripe comum, morre de H1N1”, concluiu.

Bolsonaro tem sido criticado por governadores e especialistas em saúde pública por suas declarações em que minimiza o impacto do novo coronavírus e faz apelos pela volta da normalidade. O argumento de sanitaristas e infectologistas é que o isolamento social é efetivo para a redução da velocidade de proliferação da Covid-19.

 

Mandetta fala em sair do cargo, mas Bolsonaro terá que assumir a responsabilidade da demissão

Segundo Bolsonaro, Mandetta “extrapolou um pouco” na crise

Camila Mattoso
Folha

Acusado por Bolsonaro de ter se extrapolado na pandemia do coronavírus e de não ser humilde, Luiz Henrique Mandetta (Saúde) disse a aliados em conversas recentes que deseja deixar o cargo.

O ministro afirmou, porém, segundo relatos, que não pedirá para sair e que vai deixar para o presidente a decisão de lhe tirar em meio a uma crise sanitária. A avaliação é que seu trabalho está sendo constantemente minado por Bolsonaro e que a tendência é de que o quadro da saúde vai piorar, com o avanço do contágio, de mais casos graves, considerando o sistema de saúde precário do Brasil. As consequências, em seu relato para colegas, são imprevisíveis tanto para ele quanto para o presidente.

MISSÃO – Apesar disso, Mandetta tem a visão de que não pode se demitir, é médico e tem o sentido de missão. Mas não faz mais questão de baixar a temperatura com o chefe. Na última semana, com a popularidade que ganhou, o ministro assumiu uma conduta que indica que uma guerra fria entre ele o chefe está instalada.

Nesta quinta-feira, dia 2,  Bolsonaro afirmou em entrevista à Jovem Pan que está faltando “humildade” ao ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. “Tá faltando um pouco mais de humildade pro Mandetta”, disse o presidente. “O Mandetta em alguns momentos teria que ouvir um pouco mais o presidente da República”, afirmou.

Segundo Bolsonaro, o ministro “extrapolou um pouco” na crise do coronavírus. Procurado pela Folha, o ministro da Saúde afirmou que não iria comentar. “Nunca fiz nenhum comentário sobre as ações dele. Não se comenta o que o presidente da República fala.”

DEMISSÃO – “O Mandetta já sabe que a gente tá se bicando há um tempo”, disse o presidente. Bolsonaro nega, porém, que pretenda demitir o ministro que ganhou protagonismo no combate à pandemia do novo coronavírus. “Não pretendo demiti-lo no meio da guerra.”

“Agora, ele [Mandetta] é uma pessoa que em algum momento extrapolou”, declarou o presidente. Bolsonaro diz que montou um ministério de acordo com sua vontade. “A gente espera que ele [Mandetta] dê conta do recado agora.”

MORO E GUEDES – Os ministros Sergio Moro (Justiça) e Paulo Guedes (Economia) uniram-se nos bastidores no apoio a Mandetta e na defesa da manutenção das medidas de distanciamento social e isolamento da população no combate à pandemia. O trio formou uma espécie de bloco antagônico, com o apoio de setores militares, criando um movimento oposto ao comportamento do presidente Bolsonaro, contrário ao confinamento das pessoas, incluindo o fechamento do comércio.

Pressionado, o titular da Saúde deixou claro ao presidente, em reunião no último sábado, dia 28, que não vai se demitir nem mudar de posição. Mandetta foi aconselhado por aliados a se manter firme por ter se tornado “indemissível” num momento de pandemia. Se partir de Bolsonaro uma decisão de retirá-lo de sua equipe, caberá ao presidente assumir o ônus.

VISIBILIDADE – “Enquanto eu estiver nominado, vou trabalhar com ciência, técnica e planejamento”, disse Mandetta em entrevista na segunda-feira, dia 30. Uma intervenção de Bolsonaro, no entanto, já busca tirar a visibilidade do ministro da Saúde, como ocorreu na apresentação do cenário diário da pandemia —transferida agora para o Planalto e com a participação de outros titulares de pastas do governo, e não só de Mandetta.

No campo político, o ministro da Saúde conta com o apoio dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (AP), ambos do DEM, partido de Mandetta. É endossado ainda pelos principais governadores e prefeitos.

Segundo o Datafolha, o trabalho da pasta de Mandetta na crise do coronavírus é aprovado por 55% da população. O índice é bem superior aos 35% que aprovam o trabalho de Bolsonaro, e próximo aos 54% que aprovam a gestão dos governadores em relação ao coronavírus.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Mandetta se mostra centrado em suas ações, sem deslizes e competente. Mas Bolsonaro tenta diariamente fritá-lo, agora explicitamente.  Não “falta humildade” ao ministro. Falta, e muito, bom senso por parte de Bolsonaro. Sem noção, faz questão de expor indevidamente o trabalho eficiente do seu pelotão. Novamente ratifica que não tem noção e talvez não compreenda nunca o cargo que ocupa. (Marcelo Copelli)

Irresponsável, Bolsonaro anuncia decreto contra isolamento e vai acabar sendo derrubado

Crise no Incra opõe aliado de Bolsonaro a militares - JBr.

Bolsonaro tinha tudo para dar certo, porém mostra que não é confiável

Guilherme Caetano e Renata Mariz
O Globo

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta quinta-feira, que pode assinar um decreto para afrouxar o isolamento social nos estados. Segundo ele, pode-se ampliar o número de profissões que voltarão a atuar normalmente durante a quarentena. Ele também pediu aos governadores que “revissem suas posições” no combate ao novo coronavírus.

– Eu tenho um decreto pronto para assinar na minha frente, se eu quiser assinar, considerando ampliar as categorias que são indispensáveis para a economia. Eu, como chefe de Estado, tenho que decidir. Se chegar o momento, vou assinar a MP. Tem ameaça de todo lugar se eu assinar essa medida – disse, em entrevista a rádio Jovem Pan, na noite desta quinta-feira, confundindo decreto com medida provisória.

NÃO PODE TUDO – “Eu apelo aos governadores e prefeitos que revejam as suas posições”, disse. Questionado sobre o motivo de não ter ainda assinado o decreto para reabrir o comércio, Bolsonaro respondeu que “um presidente pode muito, mas não pode tudo”, e que está “esperando o povo pedir mais”.

– Nós temos ali gente poderosa em Brasília que espera um tropeção meu. Eu estou esperando o povo pedir mais. O que eu tenho de base de apoio são alguns parlamentares, não são maioria, mas o povo está do meu lado. Tem que ser responsável. O que muitos governadores mais querem é que eu tome a decisão para trazer o problema para o meu colo, e se tiver alguma morte, me crucificar. Na semana que vem, se não voltar o comércio, eu vou ter que tomar uma decisão. Seja o que o povo quiser.

TRABALHO IRRESPONSÁVEL – Bolsonaro voltou a alimentar a batalha com os governadores, em especial o de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC). Afirmou que os governadores fazem um “trabalho irresponsável” e sugeriu que agem com motivações políticas para tirá-lo do cargo.

– Primeiro, com todo o respeito aos governadores, vocês estão muito mal de porta-voz. Ele porta-voz que vocês elegeram aí é muito ruim em todos os aspectos, vocês sabem quem é. Faz demagogia barata o tempo todo, que é o (governador) de São Paulo. Agora não venha esse porta-voz de discursinho barato, ginasial, falando que o governo tem dinheiro, que tem a Casa Moeda para rodar. Se rodar a moeda, vem a inflação. Nós não queremos o caos no Brasil.

Em seguida, partiu para cima de Witzel. Bolsonaro criticou recentes declarações do governador pedindo que a população não saísse às ruas.

É UMA DITADURA? – “Agora, não podem alguns governadores, como o do Rio de Janeiro, na televisão falando: Fiquem em casa, é uma ordem. Está pensando que é o quê? É ditadura esse negócio aqui, pô? Não é dessa forma que devemos tratar a população”, frisou.

Mas a reação já começou. O presidente do Conselho Nacional dos Secretários Estaduais de Saúde (Conass), Alberto Beltrame, afirmou que um eventual decreto determinando o retorno das atividades em escala, que produzem aglomeração, é medida que “não se cumpre”.

— Um decreto determinando qualquer situação que contrarie a proteção à saúde das pessoas e absurdo. E ordem absurda não se cumpre — diz Beltrame.

APOIO A MANDETTA – O secretário Beltrame ressaltou o apoio dos gestores locais ao ministro Mandetta e à equipe do Ministério da Saúde que conduzem a crise com base em evidências científicas e orientações internacionais. Para ele, Mandetta precisará manter a serenidade que vem demostrando, sem sua avaliação:

— Mesmo diante de diversas desautorizações públicas, Mandetta permanece conduzindo os processos complexos diante de uma emergência de saúde internacional com serenidade e responsabilidade – elogiou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Irresponsável e idiota, Bolsonaro não sabe ceder e continua insistindo em entrar na contramão da História. A cada dia se torna menos confiável. A Câmara vai revogar esta medida provisória em 15 minutos. Se conhecesse o genial Adam Smith e as tendências do liberalismo, Bolsonaro saberia que a mão invisível do mercado já se projeta sobre o Planalto preparando-se para retirá-lo do cargo, de uma forma ou outra, e substituí-lo pelo general Hamilton Mourão, que tem mais preparo e bom senso. E vida que segue, diria João Saldanha. (C.N.)

Mourão defende isolamento social e diz que “logo a vida retornará ao normal”

Retomada das atividades precisa ser ‘lenta, gradual e segura’

Daniel Gullino e Gustavo Maia
O Globo

O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta quinta-feira, dia 2, que o Brasil ainda está em uma fase “pré-pico” dos casos do novo coronavírus e defendeu medidas de isolamento social. Em evento do banco BTG, Mourão também disse que a retomada das atividades econômicas deve ser “lenta, gradual e segura”.

A declaração ocorreu horas após o presidente Jair Bolsonaro afirmar que o coronavírus “não é tudo isso”. “Estamos aqui já vivendo a segundo fase, do pré-pico, e é uma análise constante da evolução da doença, das áreas que realmente estão sendo mais impactadas, para pouco a pouco haver uma liberação das atividade não-essenciais “afirmou Mourão.

POUCO A POUCO –  “Então eu vou usar até uma expressão que era do tempo do presidente (Ernesto) Geisel, quando se referia à abertura política: esse processo terá que ser lento, gradual e seguro, de modo que, pouco a pouco, as atividades vão retornando”, acrescentou.

De acordo com Mourão, o número de casos deverá aumentar até o final de abril, e por isso é preciso preparar o sistema de saúde até lá: “Nós ainda estamos naquele momento pré-pico. A avaliação é que nós temos que continuar com essa política de isolamento, no sentido de atravessarmos esse mês de abril, onde se espera que o pico da doença comece a ocorrer aí a partir do dia 20, 25 de abril, procurando aquilo que vem sendo chamado do achatamento da curva, de modo que o nosso sistema de saúde, e principalmente a chegada dos insumos que estão sendo comprados permita que a gente supere esse momento”.

HISTERIA – Ao mesmo tempo, o vice-presidente disse que não há motivo de “histeria total”: “Não é motivo de uma histeria total como nós estamos vendo. Hoje você toma café, almoça, janta e faz a ceia ouvindo coronavírus. Julgo que isso é uma superexploração e que muitas vezes leva a uma imagem distorcida, principalmente por determinado segmentos da população que não conseguem compreender a realidade”.

De acordo com Mourão, as pessoas não devem ficar irritadas por deixaram de fazer certas coisas, já que “logo, logo a vida retornará ao normal”: Não nos aglomerarmos. Não ficarmos irritados porque não estamos indo a festas, não estamos indo a bailes, não estamos comparecendo a cinemas. Não, vamos entender que esse é um momento e que tudo na vida passa. Serão 30 dias, 60 dias, mas logo, logo a vida retornará ao normal”, disse.

“Todos perderemos alguma coisa nessa crise, mas vamos ganhar algo muito maior, que é o sentimento de união e de capacidade do povo brasileiro de superar desafios”, finalizou.

Ministério da Saúde identifica que 1º caso de coronavírus no Brasil ocorreu no fim de janeiro

Mandetta demonstrou desconhecer registro de caso 

André de Souza, Renata Mariz, Leandro Prazeres e Gustavo Maia
O Globo

O Brasil registrou o primeiro caso de Covid-19 no fim de janeiro. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira, dia 2, pelo Ministério da Saúde, houve uma hospitalização em razão da doença na quarta semana do ano. Até então, o primeiro caso do novo coronavírus no Brasil, que já matou 299 pessoas, tinha sido confirmado no fim de fevereiro.

Segundo o secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Wanderson de Oliveira, o caso é de 23 de janeiro e foi importado, ou seja, contraído em outro país. De acordo com ele, no caso da epidemia de zika, em 2015 e 2016, ocorreu a mesma coisa, ou seja, investigação retroativa descobriu casos mais antigos do que os eram conhecidos inicialmente “Não tem dúvida de que é caso confirmado”, disse Wanderson.

INVESTIGAÇÃO – O Ministério da Saúde explicou que está fazendo uma investigação retroativa de casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Nesse processo, foi encontrado um caso de janeiro. Desde o começo do ano, houve 23.999 hospitalizações por SRAG.

Delas, houve confirmação de covid-19 em 1.587, ou 6,6% do total. Fora o caso de janeiro, todos os demais são a partir da oitava semana, ou seja, já no fim de fevereiro. Nessa semana, houve uma hospitalização.

Depois disso, os números subiram. Na semana seguinte, foram quatro internações. Na décima, 42. Na décima primeira, 355 hospitalizações. Na décima segunda, 710. Na décima terceira, 433. E na décima quarta, que é a semana atual, já são 41. Os números podem mudar, porque nem todos os casos foram investigados.

MAIS CASOS – Quando consideradas apenas as hospitalizações por SRAG em que foi confirmada a presença de um vírus respiratório, a Covid-19 responde por mais da metade dos casos nas últimas três semanas. Em outras palavras, houve mais casos graves relacionados ao novo coronavírus do que com os outros vírus, como o H1N1, o H3N2 e o influenza B, que causam a gripe.

O estado de São Paulo, o mais afetado pela epidemia, concentra 82,5% das hospitalizações por covid-19. Quando considerado todo o universo de internações por SRAG, o estado responde por 48,4% do total. O segundo estado com mais hospitalizações em razão do novo coronavírus é o Rio de Janeiro, com 4,4%.

DESCONHECIMENTO – No início da apresentação do Ministério da Saúde, após a entrevista coletiva, Mandetta foi questionado pelo O Globo sobre a descoberta de que o primeiro caso ocorreu em janeiro, e não em fevereiro. Diante da pergunta, feita fora do microfone, o ministro demonstrou desconhecer a informação, sinalizando negativamente com a cabeça.

Sentado do seu lado, o secretário de vigilância em saúde da pasta, Wanderson Oliveira, interveio e disse que falaria do caso durante sua apresentação, surpreendendo Mandetta. Na saída da apresentação, Oliveira foi abordado pela reportagem, que insistiu no questionamento. O secretário se limitou a responder: “Estamos investigando”.

Rubem Braga, se olhando ao espelho de ressaca e vendo o tempo passar…

Sou um homem quieto, o que eu gosto é... Rubem BragaPaulo Peres   Site Poemas & Canções

Considerado o maior cronista brasileiro desde Machado de Assis, o capixaba Rubem Braga (1913–1990), sempre afirmou que a poesia é necessária, tanto que escreveu vários poemas, entre eles o soneto “Ao Espelho”, no qual retrata uma reflexão pessoal no inexorável passar do tempo. Esta página de poesia é homenagem a Braga, com quem eu e Carlos Newton trabalhamos, na Revista Nacional de Mauritônio Meira.

AO ESPELHO
Rubem Braga

Tu, que não foste belo nem perfeito,
Ora te vejo (e tu me vês) com tédio
E vã melancolia, contrafeito,
Como a um condenado sem remédio.

Evitas meu olhar inquiridor
Fugindo, aos meus dois olhos vermelhos,
Porque já te falece algum valor
Para enfrentar o tédio dos espelhos.

Ontem bebeste em demasia, certo,
Mas não foi, convenhamos, a primeira
Nem a milésima vez que hás bebido.

Volta portanto a cara, vê de perto
A cara, tua cara verdadeira,
Oh, Braga envelhecido, envilecido.