Lobista da Petrobras delata Renan Calheiros e mais 50 envolvidos na corrupção

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Jorge Luz foi lobista na Petrobras e estatais por mais de 50 anos

Aguirre Talento
O Globo

Uma delação ainda sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF), a qual O Globo teve acesso, dá detalhes inéditos sobre a atuação de lobistas na Petrobras e pode dar novo fôlego à Lava-Jato. Jorge Luz, o lobista mais antigo da estatal e próximo do MDB, revelou que mais de 50 políticos, agentes públicos e empresários, brasileiros e estrangeiros, se envolveram em irregularidades em estatais.

Um dos principais alvos é o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Jorge Luz relatou que conversou sobre propina com Renan em seu gabinete no Senado e diz que intermediou pagamentos ao seu grupo político.

ACUSAÇÕES DETALHADAS – Também há acusações contra o ex-deputado Aníbal Gomes (MDB-CE), os petistas Cândido Vaccarezza (SP) e Vander Loubet (MS), o ex-cônsul honorário da Grécia Konstantinos Kotronakis, dentre outros alvos. Luz faz acusações detalhadas contra gerentes de segundo escalão da Petrobras e outros dirigentes da estatal, com extratos bancários e trocas de e-mails.

Arquiteto de formação, Luz, de 75 anos, ganhou fama nos bastidores do poder como o lobista mais antigo da Petrobras e por suas ligações com emedebistas. Nesta profissão, intermediou pagamentos de propina de empresários a políticos e agentes públicos, para que essas empresas abocanhassem contratos milionários com estatais.

A atividade foi interrompida em fevereiro de 2017, quando ele e seu filho Bruno Luz, parceiro de negócios, foram presos na Lava-Jato. Passaram a negociar um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR), assinado no fim do ano passado. Em novembro, o ministro Edson Fachin, do STF, homologou a delação.

VELHOS AMIGOS – O delator também fez um inventário de sua história com Renan Calheiros. Disse que conheceu o senador em 1989 e o reencontrou em 2003, em um café na residência do ex-senador paraense Luiz Otávio Campos (MDB) — seu conterrâneo. Na ocasião, conversaram sobre a indicação de Sérgio Machado, aliado político de Renan, para a presidência da Transpetro. Renan teria pedido a Jorge Luz que fiscalizasse a cobrança de propina por Machado, porque não confiava nele.

O lobista relata, então, diversos encontros com Renan para tratar do assunto. O segundo foi em um apartamento alugado no Hotel Glória, no Rio de Janeiro, em que estavam o emedebista e Machado. Nessa ocasião, Jorge Luz teria sido indicado para cuidar da propina na Transpetro em nome do senador. As tratativas ilícitas com Machado, porém, não avançaram. Então, Jorge Luz conta que procurou Renan e conversou com ele em seu gabinete no Senado, em uma sala à prova de som.

TRAIÇÃO DE MACHADO – De acordo com o lobista, Renan teria ficado “profundamente indignado” com a traição de Sérgio Machado e convocou-o para ir a Brasília. Em outro dia, o trio teria se reunido no gabinete no Senado e Renan teria cobrado o afilhado político sobre a arrecadação de propina, mas Machado disse que não tinha nada para repassar.

Luz relatou ainda que participou de um acerto de propina de R$ 11,5 milhões pagos ao grupo de Renan, em troca do apoio do PMDB à permanência de Paulo Roberto Costa e Nestor Cerveró em diretorias da estatal. Os recursos saíram da empresa sul-coreana Samsung Heavy Industries, que construía dois navios-sonda para a Petrobras.

Luz afirma que recebia do ex-deputado Aníbal Gomes (MDB-CE), aliado de Renan, a indicação das contas no exterior para onde transferir a propina, que era destinada ao senador alagoano e ao senador Jader Barbalho (MDB-PA).

OUTRAS ESTATAIS – O lobista também tinha trânsito em outras estatais, como a Eletronuclear, então comandada pelo almirante Othon Pinheiro — já condenado a 43 anos de prisão. Luz conta que o almirante Othon recebeu propina de uma empresa de informática, a Allen Rio, contratada para fornecer softwares da Microsoft. De 2011 a 2014, a firma recebeu R$ 10 milhões da Eletronuclear.

Todos os citados negam as acusações. A defesa de Renan disse que o senador “não se encontra com Jorge Luz há 25 anos” e que é uma delação “sem amparo em qualquer prova, com o único intuito de obter os generosos benefícios do acordo”. A defesa de Aníbal diz que ele “refuta qualquer envolvimento em condutas ilícitas”. Barbalho negou à PF o recebimento de propina.

A defesa de Machado, que também fez delação, confirmou que ele teve encontros com Jorge Luz, mas afirmou que não fizeram negócios. A defesa do almirante Othon afirmou que “Jorge Luz mente”. As defesas da Allen e de Vaccarezza dizem que só vão comentar após terem acesso à delação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais triste é o envolvimento do vice-almirante Othon Pinheiro, que era um ícone da ciência militar brasileira, como condutor do projeto do enriquecimento de urânio, mas acabou se corrompendo e envolveu a própria filha. (C.N.)

Demissão de ministro por “foro íntimo” não é ato republicano nem democrático

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“Foro íntimo” jamais pode ser justificativa de ato presidencial

Jorge Béja

O porta-voz da presidência da República, Otávio Rego Barros, em curta entrevista coletiva no final desta segunda-feira, anunciou que o presidente Jair Bolsonaro demitiu o ministro-chefe, Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência da República, por motivo “de foro íntimo”. E não deu mais explicações, mesmo encurralado pelos jornalistas presentes.

Não, há algo de muito errado. Somente aos magistrados é dado o direito de se escusar a decidir processo que preside por motivo “de foro íntimo”.

DIZ O CÓDIGO – Está no Código de Processo Civil. E o magistrado – diz a lei – não fica obrigado a esclarecer e revelar aquele motivo que tocou seu “foro íntimo” a ponto de passar o processo a seu substituto ou ao chamado juiz tabelar, que é o da vara seguinte à sua.

Mas não é republicano nem muito menos democrático um presidente da República demitir um de seus ministros e dizer que foi por “foro íntimo”. No exercício da presidência da República o presidente não tem “foro íntimo”. Seu foro, seu interior, seu íntimo, desde que no exercício do cargo, são coletivos, são de todos e ao povo pertencem.

SEM MOTIVOS – Os atos do presidente da República precisam ser motivados, fundamentados, explicados e reveladas as razões que o levaram a praticá-lo, porque no chefe do governo todos nós estamos encarnados e ele a todos nós representa.

E a também curta gravação que o presidente Bolsonaro acabou de divulgar pelas redes sociais não preencheu a lacuna de externar o “foro íntimo” que o levou a demitir seu ministro. Bolsonaro foi superficial, vazio, e o povo brasileiro tem o direito de saber toda a verdade. Era isso que se esperava dele.

Exoneração de Bebianno é a demissão mais esquisita da História Republicana

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Porta-voz anunciou a estranha demissão por “foro íntimo”

Jussara Soares e Karla Gamba
O Globo

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, confirmou nesta segunda-feira a demissão do ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno. Em um pronunciamento à imprensa, o porta-voz leu uma nota na qual comunicou oficialmente que Bolsonaro decidiu pela exoneração de Bebianno. Perguntado sobre a razão da demissão, o porta-voz explicou que foi uma questão de “foro íntimo” do presidente. O general Floriano Peixoto Vieira Neto assumirá o cargo  Ele será o oitavo militar no primeiro escalão do governo.

Em nome do presidente Jair Bolsonaro, Rêgo Barros agradeceu ao ministro Bebianno: “O presidente agradece sua dedicação à frente da pasta e deseja sucesso na nova caminhada” — afirmou o porta-voz.

NA ADVOCACIA – Agora, fora do governo, Bebianno diz que voltará a advogar. Segundo o empresário Paulo Marinho, um dos mais próximos aliados do ex-ministro, ele não descarta seguir na política.

A demissão ocorre após uma crise ao longo de toda a última semana. O ex-ministro foi chamado de mentiroso pelo vereador Carlos Bolsonaro, na última quarta-feira. No Twitter, o filho mais próximo do presidente disse que Bebianno mentiu ao falar ao Globo que havia conversado três vezes com o presidente no dia anterior.

A declaração foi dada para negar que ele estava protagonizando a crise. Na ocasião, Bebianno disse que só havia tratado de assuntos institucionais e não sobre uma possível instabilidade no governo.

ACUSAÇÕES – Carlos chegou a compartilhar um áudio do presidente para Bebianno como forma de comprovar que não o houve uma conversa entre os dois. As mensagens foram posteriormente compartilhadas pelo próprio Bolsonaro.

O processo de desgaste de Bebianno começou com denúncias envolvendo supostas irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL, partido dele e de Bolsonaro, publicadas na “Folha de S. Paulo”. Bolsonaro e os filhos, no entanto, acusam o ex-coordenador da campanha de vazar informações para a imprensa.

A “fritura” do ministro ocorria desde a transição, quando o presidente esvaziou a Secretaria-Geral da Presidência para tirar poderes do desafeto do filho. Durante todo o período de mudança de governo, Bebianno evitou declarações à imprensa e se cercou de militares em seu gabinete como modo de se blindar no Planalto.

Bebianno nega as acusações e promete, fora do poder, comprovar com textos e áudios que não mentiu e que não é responsável pelos casos de candidaturas laranjas nos estados. Ele também está disposto a rebater os ataques de Carlos Bolsonaro.

Na semana passada, políticos e militares atuaram para tentar debelar a crise e evitar a demissão. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, chegou a ligar para o ministro da Economia, Paulo Guedes, para dizer que a demissão poderia atrapalhar a aprovação da reforma da Previdência.

Na sexta-feira, durante uma reunião no Palácio do Planalto, Onyx disse a Bebianno que ele ficaria no governo, mas foi alertado a permanecer em silêncio.

No fim da tarde do mesmo dia, Bolsonaro e Bebianno se encontraram pessoalmente. O presidente chegou a oferecer a ele um cargo na diretoria da hidrelétrica de Itapu, mas Bebianno recusou. Após uma conversa ríspida, com ataques de ambos os lados, Bolsonaro saiu decidido a demiti-lo e integrantes do governo vazaram para a imprensa que o ato de exoneração do ministro já havia sido assinado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEm relação simultânea, “razões de foro íntimo” podem ser substituídas por “pedidos dos filhos”. Bebianno não aceitava a interferência dos filhos de Bolsonaro em assuntos do governo nem o fato de manterem um “olheiro” dentro do Planalto, o primo Léo Índio, muito ligado a Carlos Bolsonaro, que por ele é chamado de Carluxo. O afastamento de Bebianno, por motivo de foro íntimo, é a demissão mais esquisita da História Republicana. E foi um parto prolongado. Resta saber se Bebianno, que recusou a diretoria de Itaipu e a Embaixada na Itália, vai ficar calado ou reagir. (C.N.)

Bolsonaro ofereceu embaixada de Roma a Bebianno, que recusou essa honraria

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Gustavo Bebianno não aceitou ser “comprado” pelo ex-amigo

Ascânio Seleme e Jussara Soares
O Globo

Em uma última tentativa de manter no governo o ministro Gustavo Bebianno, da Secretaria-Geral da Presidência, o presidente Jair Bolsonaro ofereceu a ele o posto da embaixador do Brasil em Roma , na Itália. A proposta, segundo interlocutores do Planalto, foi levada a Bebianno no sábado pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, após um encontro que teve com o presidente no Palácio da Alvorada. O convite foi recusado pelo ministro.

Na noite anterior, conforme o Globo antecipou, Bolsonaro propôs que Bebianno ocupasse uma diretoria da Hidrelétrica de Itaipu. O ministro declinou do convite. Em entrevista no sábado, Bebianno confirmou que recebeu a proposta para Itaipu e disse que não aceitou porque não apoiou Bolsonaro “para ganhar dinheiro” e “nem precisa de emprego”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba, como as coisas mudam! Acusado de corrupção pelo deputado Eduardo Bolsonaro, filho mais novo do presidente, que usou as redes sociais para denegrir o ministro, mesmo assim ele foi convidado para ser embaixador na Itália ou diretor da Itaipu Binacional, mas recusou os dois convites. Sem dúvida, o caso do ministro Bebianno é a demisão mais estranha já tomada na História Republicana. Nunca se viu nada igual. (C.N.)

Bolsonaro e Bebianno articulam uma saída negociada que não deixe sequelas

Mauro Pimentel

A história de uma vitoriosa amizade que acabou subitamente

Lauro Jardim
O Globo

Foi articulada entre Gustavo Bebianno e Jair Bolsonaro uma saída negociada para o imbróglio da demissão do ministro. Bolsonaro, que na quarta-feira chamou Bebianno de mentiroso, fará ainda hoje declarações públicas elogiosas ao ex-aliado.

Bebianno, por sua vez, também irá baixar a fervura da briga e se manifestar no mesmo sentido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG É ingenuidade achar que depois de toda essa confusão, que teve xingamentos de todos os lados, poderá ser encontrada uma solução negociada, que fique bem para todo mundo. Como já afirmamos repetidas vezes, se houvesse algum motivo sólido para detonar Bebianno, o presidente já teria ter assinado o ato há muito dias. Se não assinou, é porque sabe – e sempre soube – que a demissão é injusta. (C.N.)

Secretária de Justiça ganha R$ 54 mil mensais, e o Supremo respalda o pagamento

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Maria Hilda recebe o maior salário da Praça dos Três Poderes

Bernardo Bittar
Correio Braziliense

A aposentadoria de subprocuradora-geral da República, de R$ 37.328,65, somada ao salário de secretária nacional de Justiça, de R$ 16.944,90, faz com que o rendimento mensal de Maria Hilda Marsiaj Pinto, número dois do Ministério da Justiça, ultrapasse em quase R$ 15 mil o teto remuneratório do serviço público. A procuradora nacional tem salário superior, inclusive, ao do ministro Sérgio Moro.

Individualmente, os salários não podem ultrapassar os rendimentos dos ministros do STF, segundo o próprio entendimento de Corte. Ainda assim, o acúmulo nos rendimentos de Maria Hilda Marsiaj demonstra, mais uma vez, os privilégios dos integrantes do Judiciário e do Ministério Público.

COMPARAÇÃO – Juntos, os dois salários de Maria Hilda somam R$ 54 mil mensais, ultrapassando em R$ 14.973,55 o teto constitucional baseado na remuneração dos ministros do Supremo (R$ 39,3 mil).

Como ministro, Sérgio Moro recebe R$ 30.934,70, valor um pouco maior que os R$ 28.947,55 que ganhava enquanto juiz de primeiro grau em Curitiba. O valor acima do teto que Maria Hilda recebe equivale a, praticamente, metade do subsídio de Moro. A Controladoria-Geral da União (CGU), responsável pelo Portal da Transparência, informou que o nome de Maria Hilda ainda não consta na plataforma.

Os valores recebidos pelo cargo dela são baseados na tabela do portal, mas o salário de fato será divulgado apenas na semana que vem. Ainda assim, o Ministério da Justiça confirmou ao Correio que a secretária nacional de Justiça “ocupa cargo com DAS 101.6”, com os vencimentos especificados acima.

SEM ABATIMENTO – A pasta negou que haja abatimento no valor. “A secretária se encontra na mesma situação dos demais aposentados que exercem cargo em comissão, conforme regra estabelecida na Portaria Normativa nº 2 de 2011/MPOG.”

O salário de Sérgio Moro, discriminado no Portal de Transparência (R$ 22.701,30), é referente a um cargo especial de transição governamental. A remuneração como ministro ainda não foi atualizada, disse a CGU. O Correio analisou o contracheque de janeiro de Maria Hilda na Procuradoria-Geral da República. Além do salário, os valores recebidos demonstram o direito a “verbas indenizatórias” não especificadas. O valor foi de R$ 197.427,08. A assessoria de imprensa da PGR disse se tratar de um “benefício eventual”.

FONTE PAGADORA – Enquanto as proposições da reforma da Previdência ainda não alcançam o alto escalão do serviço público, servidores acumulam gratificações que ultrapassam, em muito, o teto constitucional. “O entendimento é o seguinte: quando há fonte pagadora diferente, o teto remuneratório não é um problema.

Nesta questão do salário de aposentada, (Maria Hilda) tem a Previdência do Ministério Público como fonte pagadora. No outro caso, quem assume os custos é a administração direta”, explica o constitucionalista Tony Chalita, sócio e coordenador do departamento de Direito Eleitoral e Político do Braga Nascimento e Zilio Advogados.

De acordo com o especialista em direito administrativo Ivan Lucas de Souza Junior, a Constituição informa “de maneira expressa, no artigo 37, que a acumulação também entra no teto, salvo nas hipóteses permitidas”.

STF CONCORDA – É permitido unir uma aposentadoria e um cargo em comissão, como ocorre com Maria Hilda. “No ano passado, o STF decidiu, numa repercussão geral (ou seja: vale para todo mundo), que em caso de acúmulo, os salários respondem ao teto individualmente, e não somados”.

Com o aumento dos salários do Judiciário no fim do ano passado, o teto constitucional alcançou R$ 39,3 mil. O valor é usado como base para os pagamentos dos salários do resto do país. Procurado pela reportagem, o ministro Sérgio Moro não comentou o caso.

CASO LUISLINDA – Em novembro de 2017, a então ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, apresentou ao governo um pedido para acumular o salário integral do ministério com a aposentadoria da magistrada, o que daria R$ 61 mil.

 À época, disse que “trabalhar sem receber contrapartida se assemelha a trabalho escravo”. Após ter acesso aos contracheques de Luislinda, a Casa Civil deu parecer negando ao pedido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Reina a esculhambação institucional. Se Luislinda ocupasse um cargo inferior, ao invés de ser ministra, teria direito a acumular os salários. Ou seja, o sistema em vigor não tem lógico nem é justo, além de descumprir o que diz a Constituição (artigo 17 das Disposições Transitórias). Este país precisa de uma vassourada, mas Jânio já morreu. (C.N.)

“De hoje não passa”, diz o vice Mourão sobre definição do caso Bebianno

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Mourão não está participando das negociações sobre o caso

Roniara Castilhos e Guilherme Mazui
TV Globo e G1

O vice-presidente, Hamilton Mourão, disse nesta segunda-feira (dia 18) no Palácio do Planalto que uma definição do caso do ministro Gustavo Bebianno “de hoje não passa”. O vice-presidente afirmou ainda que ‘acha’ que ministro da Secretaria-Geral da Presidência vai ser exonerado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Caramba! Quanta indecisão para demitir o ministro… Conforme já afirmamos aqui na TI, se Bebianno fosse realmente corrupto e tivesse cometido algum erro grave, é claro que já teria sido demitido. Mas ficam dizendo que a demora é porque ele sabe todos os podres do governo… Ora, esse governo nem começou e já teria tantos podres assim? Claro que não. A demora significa consciência e falta de segurança para tomar a decisão injusta, apenas isso. Quanto à Mourão, está sendo escanteado por Bolsonaro, que o mantém na geladeira, por motivos óbvios. (C.N.)

Orçamento de 2019 indica que o rombo está na dívida pública e não na Previdência

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Charge do Cicero (ciceroart.blogspot.com)

Maria Lucia Fattorelli e Rodrigo Ávila
Monitor Mercantil

O novo governo acabou de sancionar o Orçamento Federal para 2019, no montante de R$ 3,262 trilhões. Dentre as despesas, sobressai o gasto financeiro com a chamada dívida pública, que consumirá quase 44% de todo o orçamento, ou seja, R$ 1,425 trilhão!

O gasto com servidores públicos – ativos e aposentados – consumirá R$ 350,4 bilhões, evidenciando que não são os servidores ou os aposentados do serviço público que estariam pesando nas contas públicas. As despesas com a Previdência Social (INSS) estão previstas para R$ 625 bilhões, bem menos da metade do que será gasto com a dívida.

SEM INVESTIMENTOS –  O valor destinado a investimentos efetivos é insignificante para um país do porte do Brasil e com tantas necessidades: apenas R$ 36 bilhões.

Portanto, o rombo das contas públicas está claramente localizado nos gastos financeiros com a chamada dívida pública – que nunca foi auditada, como manda a Constituição – e não nas despesas com pessoal ou Previdência. Além disso, diversas receitas da Previdência estão sendo omitidas, o que transformaria o déficit em superávit.

O governo anunciou ainda a existência de um “déficit primário” de R$ 139 bilhões no Orçamento 2019, ou seja, o montante de receitas primárias estaria inferior às despesas primárias, o que justificaria a necessidade de cortar gastos com pessoal e Previdência… Entretanto, verificamos que diversas receitas estão sendo omitidas nesse cálculo primário.

RECEITAS OMITIDAS – Neste “déficit primário”, o governo está omitindo as seguintes receitas:

– Remuneração da Conta Única do Tesouro pelo BC: R$ 91,239 bilhões

– Resultado do Banco Central: R$ 26,365 bilhões

– Recebimento de juros e amortizações das dívidas dos estados e municípios com a União: R$ 22,498 bilhões.

Só essas três fontes já alcançam R$ 140 bilhões, ou seja, se fossem devidamente consideradas, haveria superávit, e não déficit.

COFRE DO GOVERNO – O elevado valor da remuneração da Conta Única mostra também que há um enorme estoque de recursos no cofre do governo – atualmente de R$ 1,25 trilhão, o que desmente completamente o discurso de que “o Estado está quebrado” e que “a reforma da previdência é urgente”.

Outra montanha de recursos, da ordem de R$ 1,2 trilhão, está esterilizada no Banco Central, nas “Operações Compromissadas”, gerando um rombo com a sua remuneração diária aos bancos que somou quase meio trilhão de 2014 a 2017.

Ainda que utilizássemos a metodologia do governo, isto é, a de “déficit primário”, o argumento por ele apresentado está completamente equivocado, pois tal “déficit” não decorre de um suposto exagero nos gastos sociais, mas sim da queda das receitas, em decorrência da crise provocada pela política monetária suicida do Banco Central, que afetou gravemente a economia brasileira, com queda de 7% no PIB em 2015 e 2016 e desemprego recorde.

DÍVIDA PÚBLICA – O gasto com a dívida no Orçamento/2019 compreende um gasto com “Amortizações da Dívida” de R$ 1,046 trilhão e um gasto com “Juros e Encargos da Dívida” de R$ 379 bilhões, somando R$ 1,425 trilhão!

Convidamos nossos leitores a refletir: se estivéssemos de fato “amortizando” a dívida, o seu estoque estaria reduzindo, certo? Como explicar, então, o fato de que o seu estoque tem se elevado exponencialmente?

A justificativa do governo para esse paradoxo – que se repete todo ano – tem sido a alegação de que parte desse valor seria mera “rolagem”, ou seja, substituição de títulos antigos, que estão vencendo, por novos títulos. Ora, mais uma reflexão: se estivesse ocorrendo apenas essa substituição, o estoque da dívida se manteria constante, certo? Mas na verdade o seu estoque continua aumentando, e de forma acelerada! É evidente que há algo errado aí.

FALSA AMORTIZAÇÃO – Na realidade, boa parte do valor indicado como “Amortização” corresponde a uma parcela dos juros nominais que estão sendo pagos mediante a emissão de novos títulos da dívida, embora o Art. 167, inciso III, proíba o pagamento de despesas correntes (dentre elas os juros) com recursos obtidos com a emissão de novos títulos.

Desde a CPI da Dívida Pública concluída na Câmara dos Deputados em 2010, foi enviada denúncia ao Ministério Público sobre a equivocada contabilização de grande parte dos juros como se fosse amortização, pelo simples fato de que a amortização é classificada como uma despesa de capital, burlando-se assim a norma constitucional.

Apesar desse grave problema ter sido detectado e denunciado desde 2010, até hoje nada foi feito sobre esse grave erro, que tem sobrecarregado as contas públicas de forma inconstitucional.

ERRO CONTÁBIL – A consequência desse erro contábil é a seguinte:

– Se faltam recursos para a Educação ou Saúde (despesa Corrente), por exemplo, resta comprometido o funcionamento de universidades, institutos federais, hospitais etc.; são interrompidos diversos projetos de pesquisa; fechados laboratórios e cancelados diversos programas nessas áreas, e a população fica prejudicada em seu direito constitucional;

– Se faltam recursos para o pagamento de juros (despesa Corrente), os rentistas não ficam prejudicados, pois estão sendo emitidos e vendidos novos títulos da dívida e, para driblar a proibição constitucional (Art. 167, III), grande parte dos juros é contabilizada como se fosse amortização.

A auditoria é a ferramenta hábil para revisar essa e outras ilegalidades que estão impedindo o desenvolvimento socioeconômico do nosso rico Brasil, por isso é urgente a sua realização, e com participação cidadã.

Há algo no ar!  Já passa das 13 horas e Bebianno ainda não foi demitido

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Ilustração reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Se Bebianno fosse corrupto e tivesse cometido algum erro grave, é claro que já teria sido demitido. O assunto começou a ser examinado às 7h30 da manhã, no Palácio da Alvorada, pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Bolsonaro já está no Planalto desde as 9h30m. Já passa das 13 hotas, o editor da Tribuna está impaciente. Precisa sair para cumprir um compromisso, mas a curiosidade fala mais alto e é preciso aguardar a definição do presidente.

Manter Bebianno, como é propósito dos integrantes do núcleo duro do Planalto, seria uma medida justa e que demonstraria maturidade e equilíbrio. Confirmar a demissão será um desestímulo a todos aqueles que confiaram em Bolsonaro e querem ajudá-lo a fazer um bom governo.

“Se o presidente quisesse Carlos no Planalto, teria nomeado ele lá”, diz Mourão

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Mourão acha que Bolsonaro ainda vai conseguir conter os filhos

Andréia Sadi
G1 Política

Para o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, se o presidente Jair Bolsonaro quisesse que o filho Carlos Bolsonaro atuasse no Palácio do Planalto, teria o nomeado para um cargo no governo. Carlos é vereador no Rio de Janeiro e, nesta semana, protagonizou uma crise com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Carlos Bebianno. O episódio desgastou a relação de Bebianno com o presidente e deve lhe custar o cargo.

“Eu acho que se o presidente quisesse o Carlos no Palácio do Planalto, ele teria nomeado ele lá”, afirmou Mourão.

VAI RESOLVER… – O vice disse ainda que Jair Bolsonaro vai saber resolver a questão da influência dos filhos no governo. Além de Carlos, Bolsonaro tem outros dois filhos na política: Eduardo (deputado federal) e Flávio (senador). “Acho que o presidente está dando um tempo para organizar isso aí”, disse Mourão.

Na sexta-feira (15), Carlos publicou numa rede social que apoia uma homenagem a Mourão que será feita pela Câmara de Vereadores do Rio.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A família Bolsonaro é chegada a uma teoria conspiratória. O pais e os filhos veem inimigos por todo canto, acham que eles estão infiltrados no Planalto, é um horror. O próprio vice Mourão está sendo considerado “inimigo”, e por isso preferiram deixar o governo parado durante a recuperação de Bolsonaro no Hospital Albert Einstein, sem permitir que o vice assumisse por mais de dois dias. Parece brincadeira, mas é verdade. (C.N.)  

Se estava sendo falso, Bebianno é melhor ator que Tony Ramos, diz Janaina Paschoal

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Janaina diz que não há provas contra Bebiano na gestão do PSL

Deu no Estadão

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP) declarou que o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, não pode ser considerado automaticamente culpado por supostos desvios de recursos do Fundo Partidário para candidaturas laranjas do PSL. A parlamentar o classificou como uma “pessoa controversa”, mas afirmou que não adianta o governo “cortar cabeças” sem uma apuração.

Reforçando que não estava defendendo Bebianno, a deputada  afirmou que o ministro tinha “devoção” por Bolsonaro, mas ponderou: “Estaria ele sendo falso? Talvez. Mas digo, se estava, ele é melhor ator que Tony Ramos. E Tony Ramos é muito bom.”

FALTA O MOTIVO – “Até onde foi noticiado, as situações suspeitas ocorreram em Minas Gerais e em Pernambuco, Bebbiano é do Rio de Janeiro. Vejam, Bebbiano pode ou não ficar no governo, insisto que a situação não me compete. Mas se sair, que seja porque não o desejam por lá”, afirmou nas redes sociais”, acrescentando:

“O fato de Bebianno ter assinado a liberação do dinheiro, na condição de presidente do Partido, não o torna automaticamente culpado, pois ele era a pessoa competente para assinar a documentação. Temos que saber quem, eventualmente, ficou com o dinheiro”, escreveu.

OFERECIMENTO – Na sequência de mensagens na rede social, a deputada relatou ter sido procurada por Bebianno durante a campanha e recusado dinheiro do fundo. “Em meio a tantas acusações, eu fiquei pensando: se ele tinha um esquema de desvio, iria oferecer mandar dinheiro justo para mim? Iria insistir? Entendo que não”, escreveu.

Janaina classificou o ministro como “uma pessoa controversa” e que “muita gente não gosta dele”. “Eu mesma tenho minhas mágoas. Mas não acho justo usar uma denúncia que, a princípio, não o envolve, para vingar outras questões”, afirmou.

Bebianno diz que Bolsonaro está consciente de que a demissão é uma injustiça

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Bebianno insiste em que nada fez de errado na gestão do PSL

Lucas Valença
Correio Braziliense

Era um homem abatido. Gustavo Bebianno deixou, no começo da tarde de domingo, o hotel onde reside e se isolou desde o início da crise política para almoçar. Ele passou uma hora e meia com amigos próximos numa mesa do Tejo, restaurante de comida portuguesa na 404 Sul. Na saída, Bebianno relatou à reportagem que ainda tenta “equalizar” todo o processo que deverá resultar na sua exoneração do cargo. Cortês, tirou selfie com um eleitor e disse que não era hora de comentar o assunto.

Quais os próximos passos do senhor?
O tempo é o senhor da razão. Vou falar depois. Por ora, vou ficar quieto, acalmar minha cabeça. Quem sofre uma injustiça dessas não fica com a cabeça boa. Antes dos meus interesses, pode parecer clichê, mas não é, estavam os interesses do país. Trabalhei, fiz o que fiz por garra, não foi por emprego ou para ganhar dinheiro.

O senhor trabalhou nos últimos dois anos para eleger o presidente…
Não sou perfeito, mas (abaixa a cabeça)…

O senhor fez alguma coisa que tenha levado o presidente a optar pela sua saída?
Absolutamente nada. Zero.

Há uma injustiça?
100%. O presidente sabe.

Sabe?
Sabe, não é maluco.

Qual a posição do senhor em relação ao vereador Carlos Bolsonaro? Ele passou dos limites?
Vou falar depois que sair. Na hora certinha eu falo. Estou equalizando minha cabeça.

Bebianno nega ter dito que Bolsonaro é louco e se tornou um perigo para o país

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Bebiano deve concentrar seus ataques em Carlos Bolsonaro

Camila Turtelli e Anne Warth
Estadão

Magoado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, se sente traído e abandonado e não deve poupar o vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro, caso se concretize sua exoneração nesta segunda-feira, dia 18. A interlocutores, Bebianno tem deixado clara sua mágoa com a atitude do vereador do Rio de Janeiro que tentou lhe cunhar a pecha de mentiroso.

Em conversas, o ministro diz que o “ciúme exacerbado” que Carlos tem do pai foi posto acima do projeto de melhorar o País, ao qual ele se empenhou nos últimos anos, como coordenador e incentivador da campanha de Bolsonaro desde os primórdios.

CARTAS NA MANGA – Ao conquistar a empatia de Jair Bolsonaro, Bebianno virou automaticamente um alvo de Carlos, avaliam o ministro e seus interlocutores.

O ministro, por sua vez, enxerga no vereador uma pedra no sapato do presidente, e só se refere a Carlos com adjetivos que desqualificam sua capacidade intelectual. O ministro pode guardar cartas na manga com o potencial de expor Carlos, inclusive com consequências para o pai.

Pessoas próximas dizem que ele não terá receio em fazer isso. “Ele vai atirar”, aposta um interlocutor diário. Mas o alvo não é o presidente, embora a artilharia possa respingar nele.

DESMENTIDO – O ministro nega que tenha qualificado o presidente como “louco, um perigo para o Brasil”, como relata o colunista Lauro Jardim, no Globo. “Não, não disse isso”, afirmou Bebianno, quebrando o silêncio que se impôs neste domingo, 17, em conversa com o Estado.

Por enquanto, no entanto, Bebianno está se resguardando. Ele quer aguardar o desfecho oficial de seu papel no governo, com a publicação de sua saída no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira. “Preciso esfriar a cabeça”, disse Bebianno neste domingo a interlocutores.

Sem citar o ministro, o presidente Jair Bolsonaro publicou em sua conta do Twitter neste domingo, 17, que o governo está determinado a mudar os rumos do País. Essa foi a primeira declaração pública dele desde sexta-feira, quando começaram os rumores de que Bebianno seria exonerado nesta segunda-feira.

Bebianno sai do governo de cabeça erguida e Bolsonaro não sabe explicar a demissão

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Bolsonaro permite que os filhos tenham até “olheiro” no Planalto

Carlos Newton

A deputada Janaina Paschoal (PSL-SP) está correta, ao indagar nas redes sociais qual a razão de o ministro Gustavo Bebiano estar sendo demitido? Ninguém sabe, até porque o presidente da República não se preocupou em dar à opinião pública uma explicação minimamente aceitável. O Planalto e a família Bolsonaro liberaram quatro versões diferentes, mas nenhuma delas se sustenta em fatos reais. Todas as tentativas de justificar a exoneração foram destruídas pelo chamado Princípio da Razoabilidade – a denominação que os juristas dão à lógica e ao bom senso.

Durante a campanha, da qual foi coordenador nacional, Bebianno era muito ligado aos filhos de Bolsonaro. Depois da posse, ele foi uma das vozes que defenderam que os filhos do presidente se afastassem dos assuntos do governo, e foi assim que seus problemas começaram.

OLHEIRO NO PLANALTO – Como secretário-geral da Presidência, cabia a Bebiano a responsabilidade pelo Planalto e ele era contra a presença de Léo Índio no palácio. Mesmo sem ter função no governo, o sobrinho de Bolsonaro tem crachá amarelo e circula livremente no terceiro e no quarto andar, onde funcionam a Presidência, a Casa Civil, a Secretaria-Geral e a Secretaria de Governo. Há restrições à entrada nesses andares, mas Léo Índio circula à vontade e até confere as agendas dos ministros.

Foi Léo Índio quem avisou a Carlos Bolsonaro que Bebianno iria receber o vice-presidente institucional da Rede Globo, que pedira audiência. A família Bolsonaro encarou isso como traição, embora não passasse de uma atribuição normal do ministro, que à contragosto teve de cancelar a reunião.

Depois, na terça-feira (12), o olheiro Léo Índio viu na agenda de Bebianno que ele iria ao Pará, para lançar o pacote de obras na Amazônia, e levaria jornalistas na equipe, junto com os ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Direitos Humanos). Furioso, Bolsonaro mandou cancelar a viagem e decidiu demitir o ministro, a pedido dos filhos, que estavam loucos para se livrar dele e queriam aproveitar as denúncias sobre candidatas laranjas no PSL, embora Bebianno não fosse responsável por isso.

PRIMEIRA VERSÃO – No dia seguinte, quarta-feira (13) Carlos Bolsonaro desmentiu o ministro, que dissera ter conversado com o presidente sobre a crise do PSL, e começou a confusão. Bolsonaro apoiou o filho e convocou a reportagem da  TV Record, para dar a primeira versão, dizendo ter mandado a Polícia federal investigar o PSL, e adirmou que, se Bebianno fosse culpado, deveria “voltar às origens”.

Em sua ingenuidade, Bolsonaro e os filhos pensaram que Bebianno ia pedir demissão, mas isso não aconteceu. E os ministros militares do Planalto, junto com o vice Mourão e Onyx Lorenzoni, manifestaram-se a favor de Bebianno.

OUTRAS VERSÕES – Surgiram então as outras versões, vazadas pela família Bolsonaro. Uma delas alegava que o presidente ficara aborrecido porque Bebianno teria convidado a equipe de jornalistas a ir à Amazônia com ele. Mas essa justificativa era tão fraca que foi logo abandonada.

Foi também exibida a versão de que a causa seria a audiência que Bebianno aceitara dar ao vice-presidente de Relações Institucionais do grupo Globo, mas essa justificativa também foi sepultada, porque se trata de função inerente ao cargo do ministro, não havia irregularidade alguma.

A ÚLTIMA VERSÃO – Surgiu, então, a última versão, dando conta de que o chefe da Secretaria-Geral quebrara a relação de confiança com Bolsonaro “ao vazar áudios de diálogos entre os dois”.

Mas a versão era falsa. Bebianno não vazou nada a nenhum veículo de comunicação. Apenas mostrou as gravações a outros ministros, para provar que não havia mentido e realmente tinha conversado com o presidente pelo WahtsApp, na terça-feira.

Neste sábado, como não havia mais justificativa para atacar Bebianno, o filho Eduardo Bolsonaro entrou nas redes sociais para dizer que o ministro é “corrupto” e foi culpado pela “candidaturas laranjas”. Além disso, chamou de “jumento e “idiota” quem faz críticas a seu irmão Carlos, vejam a que ponto chegamos.

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P.S. 1Eduardo  deu o fecho no festival de mentiras da família Bolsonaro e isso pegou muito mal no PSL  pois todos sabem que Bebianno não se envolveu em corrupção nem patrocinou candidaturas fantasmas, a responsabilidade era dos diretórios estaduais.

P.S. 2Como se constata, a falta de caráter é mal de família. E Bebiano definiu bem a questão, ao dizer que o capitão, para salvar a pele do filho, “deu um tiro na nuca do soldado que lhe era leal”. (C.N.)

O milho, os bichos da terra e os pássaros do céu, na poesia de Cora Coralina

Resultado de imagem para cora coralina frasesPaulo Peres
Site Poemas & Canções

Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (1889-1985), nasceu em Goiás Velho. Mulher simples, doceira de profissão, tendo vivido longe dos grandes centros urbanos, alheia a modismos literários, produziu uma obra poética rica em motivos do cotidiano do interior brasileiro, como este “Poema do Milho”.

POEMA DO MILHO
Cora Coralina

Milho…
Punhado plantado nos quintais.
Talhões fechados pelas roças.
Entremeado nas lavouras,
Baliza marcante nas divisas.
Milho verde. Milho seco.
Bem granado, cor de ouro.
Alvo. Às vezes, vareia,
– espiga roxa, vermelha, salpintada.

Milho virado, maduro, onde o feijão enrama
Milho quebrado, debulhado
na festa das colheitas anuais.

Bandeira de milho levada para os montes,
largada pelas roças:
Bandeiras esquecidas na fartura.
Respiga descuidada
dos pássaros e dos bichos.

Milho empaiolado,
abastança tranquila
do rato,
do caruncho,
do cupim.

Palha de milho para o colchão.
Jogada pelos pastos.
Mascada pelo gado.
Trançada em fundos de cadeiras.

Queimada nas coivaras.
Leve mortalha de cigarros.
Balaio de milho trocado com o vizinho
no tempo da planta.
” – Não se planta, nos sítios, semente da mesma terra”.

Ventos rondando, redemoinhando.
Ventos de outubro.

Tempo mudado. Revôo de saúva.
Trovão surdo, tropeiro.
Na vazante do brejo, no lameiro,
o sapo-fole, o sapo-ferreiro, o sapo-cachorro.
Acauã de madrugada
marcando o tempo, chamando chuva.
Roça nova encoivarada,,
começo de brotação.
Roça velha destocada.
Palhada batida, riscada de arado.
Barrufo de chuva.
Cheiro de terra: cheiro de mato,
Terra molhada, Terra saroia.
Noite chuvada, relampeada.
Dia sombrio. Tempo mudado, dando sinais,
Observatório: lua virada. Lua pendida…
Circo amarelo, distanciado,
marcando chuva.
Calendário, Astronomia do lavrador.

Planta de milho na lua-nova.
Sistema velho colonial.
Planta de enxada.
Seis grãos na cova,
quatro na regra, dois de quebra.
Terra arrastada com o pé,
pisada, incalcada, mode os bichos.

Lanceado certo-cabo-da-enxada…
Vai, vem, …sobe, desce…
terra molhada, terra saroia…
– Seis grãos na cova; quatro na regra, dois de quebra.
Sobe. Desce…
Camisa de riscado, calça de mescla
Vai, vem…
golpeando a terra, o plantador.

Na sombra da moita,
na volta do toco – o ancorote d’água:
Cavador de milho, que está fazendo?
Há que milênios vem você plantando.
Capanga de grãos dourados a tiracolo.
Crente da Terra, Sacerdote da terra.
Pai da terra.
Filho da terra.
Ascendente da terra.
Descendente da terra.
Ele; mesmo; terra.

Planta com fé religiosa.
Planta sozinho, silencioso.
Cava e planta.
Gestos pretéritos, imemoriais…
Oferta remota; patriarcal.
Liturgia milenária.
Ritual de paz.

Em qualquer parte da Terra
um homem estará sempre plantando,
recriando a Vida.
Recomeçando o mundo.

Milho plantado, dormindo no chão, aconchegados
seis grãos na cova.
Quatro na regra, dois de quebra.
Vida inerte que a terra vai multiplicar.

E vem a perseguição:
o bichinho anônimo que espia, pressente.
A formiga-cortadeira – quenquém.
A ratinha do chão, exploradeira.
A rosca vigilante na rodilha,
O passo-preto vagabundo, galhofeiro,
vaiando, sorrindo…
aos gritos arrancando, mal aponta.
O cupim clandestino
roendo, minando,
só de ruindade.

E o milho realiza o milagre genético de nascer:
Germina. Vence os inimigos,
Aponta aos milhares.
– Seis grãos na cova.
– Quatro na regra, dois de quebra,
Um canudinho enrolado.
Amarelo-pálido,
frágil, dourado, se levanta.
Cria substância.
Passa a verde.
Liberta-se. Enraíza.
Abre folhas espaldeiradas.
Encorpa. Encana. Disciplina,
com os poderes de Deus.

Jesus e São João
desceram de noite na roça,
botaram a benção no milho.
E veio com eles
uma chuva maneira, criadeira, fininha,
uma chuva velhinha,
de cabelos brancos,
abençoando
a infância do milho.

O mato vem vindo junto.
Sementeira.

As pragas todas, conluiadas.
Carrapicho. Amargoso. Picão.
Marianinha. Caruru-de-espinho.
Pé-de-galinha. Colchão.
Alcança, não alcança.
Competição.
Pac…Pac…Pac…
a enxada canta.
Bota o mato abaixo.
Arrasta uma terrinha para o pé da planta.
“- Carpa bem feita vale por duas…”
quando pode. Quando não…sarobeia.
Chega terra. O milho avoa.

Cresce na vista dos olhos.
Aumenta de dia. Pula de noite.
Verde Entonado, disciplinado, sadio.

Agora…
A lagarta da folha,
lagarta rendeira…
Quem é que vê?
Faz a renda da folha no quieto da noite.
Dorme de dia no olho da planta.
Gorda. Barriguda. Cheia.
Expurgo: nada…força da lua…,
Chovendo acaba – a Deus querê.

” – O mio tá bonito…”.
” – Vai sê bão o tempo pras lavoras todas”.
” –  O mio tá marcando…”.
Condicionando o futuro:
” – O roçado de seu Féli tá qui fais gosto…
Um refrigério”.
” – O mio lá tá verde qui chega a s’tar azur…”.
Conversam vizinhos e compadres.

Milho crescendo, garfando,
esporando nas defesas…

Milho embandeirado.
Embalado pelo vento.

“Do chão ao pendão, 60 dias vão”.
Passou aguaceiro, pé-de-vento.
” – O milho acamou…” ” – Perdido?”…Nada…
Ele arriba com os poderes de Deus…”
E arribou mesmo; garboso, empertigado, vertical.

No cenário vegetal
um engraçado boneco de frangalhos,
sobreleva, vigilante.
Alegria verde dos periquitos gritadores…
Bandos em sequência…Evolução…
Pouso…Retrocesso…

Manobras em conjunto.
Desfeita formação.
Roedores grazinando, se fartando,
foliando, vaiando
os ingênuos espantalhos.

“Jesus e São João
andaram de noite passeando na lavoura
e botaram a benção no milho”.
Fala assim gente de roça e fala certo.
Pois não está na taipa do rancho
o quadro deles, passeando dentro dos trigais?
Analogias…Coerências.

Milho embandeirado
bonecando em gestação.
– Senhor!… Como a roça cheira bem!
Flor de milho, travessa e festiva.
Flor feminina, esvoaçante, faceira.
Flor masculina – lúbrica, desgraciosa.

Bonecas de milho túrgidas.
negaceando, se mostrando vaidosas.
Túnicas, sobretúnicas…
saias, sobre-saias…
Anáguas…camisas verdes…
Cabelos verdes…
– Cabeleiras soltas, lavadas, despenteadas…
– O milharal é desfile de beleza vegetal.

Cabeleiras vermelhas, bastas, onduladas.
Cabelos prateados, verde-gaio.
Cabelos roxos, lisos, encrespados.
Destrançados.
Cabelos compridos, curtos,
queimados, despenteados…
Xampu de chuvas…
Flagrâncias novas no milharal
– Senhor, como a roça cheira bem!…

As bandeiras altaneiras
vão-se abrindo em formação.
Pendões ao vento.
Extravasão da libido vegetal.
Procissão fálica, pagã.
Um sentido genésico domina o milharal.
Flor masculina erótica, libidinosa,
polinizando, fecundando
a florada adolescente das bonecas.

Boneca de milho, vestida de palha…
Sete cenários defendem o grão.
Gordas, esguias, delgadas, alongadas.
Cheias, fecundadas.
Cabelos soltos excitantes.
Vestidos de palha.
Sete cenários defendem o grão.
Bonecas verdes, vestidas de noiva.
Afrodisíacas, nupciais…

De permeio algumas virgens loucas…
Descuidadas. Desprovidas.
Espigas falhadas. Fanadas. Macheadas.

Cabelos verdes. Cabelos brancos.
Vermelho-amarelo-roxo, requeimado…
E o pólen dos pendões fertilizando…
Uma fragrância quente, sexual
invade num espasmo o milharal.

A boneca fecundada vira espiga.
Acontece a grande exaltação.
Já não importam as verdes cabeleiras rebeladas
A espiga cheia salta da haste.
O pendão fálico vira ressecado, esmorecido,
No sagrado rito da fecundação.

Tons maduros de amarelo.
Tudo se volta para a terra-mãe.
O tronco seco é um suporte, agora,
onde o feijão verde trança, enrama, enflora.

Montes de milho novo, esquecidos,
marcando claros no verde que domina a roça.
Bandeiras perdidas na fartura das colheitas.
Bandeiras largas, restolhadas.
E os bandos de passo-pretos galhofeiros
gritam e cantam na respiga das palhadas.

“Não andeis a respigar” – diz o preceito bíblico
O grão que cai é o direito da terra.
A espiga perdida – pertence às aves
que têm seus ninhos e filhotes a cuidar.
Basta para ti, lavrador,
o monte alto e a tulha cheia.
Deixa a respiga  para os que não plantam nem colhem
– O pobrezinho que passa.
– Os bichos da terra e os pássaros do céu.

Brizola e Ciro, dois líderes que poderiam ter chegado à Presidência da República

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Leonel Brizola e Ciro Gomes foram vencidos pelas circunstâncias

Antonio Santos Aquino

O delegado federal e ex-deputado Romeu Tuma Junior sabe que Lula foi preparado pelos militares (general Golbery do Coutto e Silva) para impedir o líder trabalhista Leonel Brizola de chegar à Presidência da República depois de 15 anos de exílio. Tuma Jr, já falou isso nas redes sociais e nos livros que escreveu. Os militares tinham medo de Brizola em razão de suas mãos limpas e de sua coragem cívica.

Em agosto de 1961, quando da renúncia do presidente Jânio Quadros, o governador Brizola bradou do Rio Grande do Sul: “Se os militares rasgarem a Constituição, eu levantarei o povo gaúcho em armas. E assim fez. Vieram tomando Santa Catarina e Paraná. Foi quando alguns chefes militares, que viajaram para São Paulo na tentativa de impedir o avanço das tropas gaúchas, refletiram: “Nós viemos combater Brizola, mas ele está com a razão. A Constituição foi desrespeitada. Então houve um acordo para empossar o vice Jango Goulart, com criação do parlamentarismo. E assim se fez a História.

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CIRO DESPERDIÇOU SUAS CHANCES
Pedro Meira

Ciro Gomes desperdiçou as chances que tinha de chegar à Presidência, que nunca foram muitas, porque ficou esperando apoio do PT para vencer a eleição, gastou uma enormidade de tempo falando de “dream team” de governo com Manuela d’Ávila, Marina Silva e Fernando Haddad, oferecendo vaga de vice-presidente para cada um deles.

Além disso, Ciro ainda se queimou totalmente com a opinião pública atacando a Lava Jato e querendo se vender como herdeiro de Lula, porque acreditou na falsa sabedoria de analistas políticos fora de sintonia com o sentimento do povo, que enchiam colunas na imprensa com o argumento de que o eleitorado tinha uma devoção religiosa a Lula e o vingaria na eleição de 2018, o que não ocorreu.

A decantada competência política de Ciro não lhe serviu para perceber o rumo que as coisas estavam tomando.

Bebianno diz que deve desculpas ao país por ter viabilizado candidatura de Bolsonaro

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Bebianno afirma que jamais pensou que Bolsonaro fosse tão fraco

Gerson Camarotti
G1 Brasília

Diante da crise política em que virou protagonista, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, fez um desabafo para interlocutores próximos e demonstrou profundo arrependimento em ter trabalhado ativamente pela eleição do presidente Jair Bolsonaro.

“Preciso pedir desculpas ao Brasil por ter viabilizado a candidatura de Bolsonaro. Nunca imaginei que ele seria um presidente tão fraco”, disse Bebianno para um aliado, numa referência à influência dos filhos do presidente no rumos do governo, especialmente o vereador Carlos Bolsonaro.

PREOCUPAÇÃO – Nessas mesmas conversas, Bebianno demonstra preocupação com o efeito desse protagonismo familiar nas decisões do país. E reconhece que o governo Bolsonaro precisa descer do palanque para administrar o Executivo.

Para aliados de Bebianno, também causou contrariedade o movimento da família Bolsonaro para sacramentar a saída do ministro do governo. No momento em que vários aliados trabalhavam na sexta-feira (15) para baixar a temperatura, contornar a crise e manter Bebianno, integrantes da família do presidente vazaram para a imprensa que o pai havia demitido o ministro, para tornar a queda um fato consumado, sem chance de mudança no fim de semana.

Estratégia “brilhante” de Trump pode abalar a hegemonia mundial do dólar

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Europa já criou seu próprio sistema de compensação financeira

Michael Hudson
Hudson Website

O fim da dominação econômica norte-americana não contestada chegou antes do esperado, graças aos mesmos neoconservadores que deram ao mundo a guerra do Iraque, da Síria e as sujas guerras na América Latina. Assim como a Guerra do Vietnã arrancou os EUA do padrão ouro em 1971, o patrocínio e o financiamento que estão garantindo as violentas guerras para mudança de regime contra a Venezuela e a Síria – e as ameaças de sanções contra outros países que não se unam na mesma cruzada – estão hoje levando países europeus e outros a ter de criar suas próprias instituições financeiras alternativas, para desmantelar a hegemonia do EUA-dólar, do FMI ao sistema SWIFT de compensações.

O país que os diplomatas norte-americanos mais odeiam é o Irã. O fim decidido pelo presidente Trump dos acordos nucleares de 2015 negociados por europeus e o governo Obama escalou a ponto de Alemanha e outros países europeus já estarem ameaçados de sanções se não se retirarem dos acordos que assinaram.

AUTOPRESERVAÇÃO – Como se não bastasse a oposição a que Alemanha e outros países europeus importem gás russo, as ameaças dos EUA sobre o Irã acabaram por empurrar a Europa a buscar algum modo de se autopreservar.

As ameaças imperiais já não são militares. Nenhum país (nem Rússia ou China) tem meios para montar invasão militar a outro grande país. Desde os dias do Vietnã, o único tipo de guerra possível para países ainda democráticos é a guerra atômica, ou pelo menos guerra de bombardeios pesados como os que EUA infligiram ao Iraque, Líbia e Síria. Mas agora a ciberguerra tornou-se meio eficaz para quebrar as conexões de qualquer economia. E as principais ciberconexões hoje são ordens financeiras de transferência de dinheiro – compensações bancárias mundiais –, coordenadas pela SWIFT, sigla em inglês da Sociedade Mundial para Telecomunicações Financeiras Interbancárias, que tem sede na Bélgica.

MOVIMENTAÇÃO – Rússia e China já se movimentaram para criar um sistema alternativo de compensações bancárias, para o caso de os EUA desconectarem os dois países, tirando-os do sistema SWIFT. Mas agora países europeus já entenderam que as ameaças feitas pelo governo Trump podem gerar multas pesadas e confisco de patrimônio, se tentarem insistir em manter o comércio com o Irã, como determinado nos acordos que todos firmaram.

Dia 31 de janeiro, o bloqueio ao Irã foi rompido, com o anúncio de que a Europa criou seu próprio sistema de compensação de pagamentos para usar com o Irã e outros países que sejam alvo dos ataques ‘diplomáticos’ dos norte-americanos.

Alemanha, França e até a Grã-Bretanha, poodle dos EUA, uniram-se para criar o INSTEX — Instrumento para Apoio de Compensações Interbancárias [em inglês, Instrument in Support of Trade Exchanges].

AJUDA HUMANITÁRIA? – A promessa é que será usado só para ajuda “humanitária” para salvar o Irã de uma devastação provocada pelos EUA semelhante à que a Venezuela sofreu. Mas, é considerada também a crescente e cada dia mais furiosa oposição que os EUA fazem à ideia de que o gasoduto Ramo Norte transporte gás russo, essa via alternativa para compensações bancárias está pronta e capacitada para se tornar plenamente operante, caso os EUA tentem um ataque com sanções contra a Europa.

Acabo de voltar da Alemanha e vi impressionante divisão entre empresários e industriais e o governo político. Durante anos, as grandes empresas viram a Rússia como mercado natural, como economia complementar que precisava modernizar a própria base manufatureira e capaz de abastecer a Europa com gás natural e outras matérias-primas. A posição dos EUA nessa Nova Guerra Fria tenta bloquear essa complementaridade comercial.

GÁS RUSSO – EUA alertaram a Europa contra o risco de se tornar ‘dependente’ do gás russo de baixo preço, para vender o gás natural liquefeito caríssimo que os EUA oferecem (prometendo instalações portuárias que ainda não existem em lugar algum, sequer próximas do volume exigido). O presidente Trump também tem insistido em que membros da OTAN gastem na compra de armas no mínimo 2% dos respectivos PIB – e armas a serem compradas, claro, dos mercadores de morte norte-americanos, não franceses nem alemães.

O modo como os EUA fazem pesar a mão está levando a aproximar Rússia e China. A diplomacia norte-americana está ‘unindo’ a Europa ao “pivô geográfico” bem conhecido dos norte-americanos, operando contra, até, o mesmo tal estado de dependência, para cuja criação a diplomacia norte-americana trabalha desde 1945.

FÚRIA DOS EUA – A Europa já se deu conta de que seu próprio sistema monetário de trocas internacionais e suas conexões financeiras podem a qualquer momento atrair a fúria dos EUA. Foi o que ficou muito claro no outono passado, nos funerais de George H. W. Bush, quando o diplomata representante da União Europeia foi deixado para o fim da lista de autoridades chamadas para assumir seu lugar na cerimônia. Foi informado de que os EUA já não consideram a União Europeia entidade muito importante.

Em dezembro, o secretário de Estado Mike Pompeo fez um discurso em Bruxelas sobre a Europa – seu primeiro discurso, ansiosamente aguardado – no qual exortou as virtudes do nacionalismo, criticou o multilateralismo e a União Europeia e disse que “corpos internacionais” que limitam a soberania nacional “devem ser reformados ou eliminados.”

A maior parte desses eventos apareceram na mídia num só dia, 31/1/2019. A conjunção de tantos movimentos dos EUA em tantos fronts, contra Venezuela, Irã e Europa (para nem falar da China e das ameaças de retaliação comercial e ações contra a Huawei, que também emergiram hoje) faz crer que esse será um ano de tensões e rupturas no mundo.

Pesquisa mostra que “cota” de mulheres propicia corrupção e candidatas laranjas

Kadija Foto: Reprodução/Facebook

Candidata Kadija “pagou” a cabos eleitorais que nem a conhecem

Natália Portinari e Daniel Gullino
O Globo

Levantamento feito por O Globo revela que, na última eleição, partidos se valeram de candidaturas de mulheres com desempenho eleitoral inexpressivo para cumprir a cota de 30% do uso do fundo eleitoral. Muitas nem sequer chegaram a fazer campanha. Dos 79 candidatos que registram gastos de mais de R$ 1.000 para cada voto obtido, 76 são do sexo feminino. São R$ 13,8 milhões em fundo partidário e fundo eleitoral, verbas públicas, gastos com essas candidaturas. Nenhuma dessas mulheres foi eleita.

Para efeito de comparação, o gasto médio dos candidatos que disputaram a última eleição pelo país foi de R$ 41 por voto.

EM 21 PARTIDOS – Os casos de candidaturas de mulheres com votação inexpressiva e altos custos envolvem 21 partidos. A sigla que mais se valeu do expediente é do PRB, com 12 mulheres que receberam R$ 4,3 milhões em dinheiro público e, juntas, tiveram pouco menos de 3 mil votos.

As histórias se repetem em todo o país. Tamires Vasconcelos, candidata a deputada estadual do PR do Piauí, declarou um gasto de R$ 370 mil e acabou com 41 votos. No PRB do Maranhão, Maria Regina Duarte Teixeira declarou gastos de R$ 585 mil de verba pública, apesar de ter obtido só 161 votos para deputada estadual. As campanhas não deixaram rastros nas redes sociais e as mulheres não foram encontradas para comentar.

DESMENTIDO – A candidata a deputada distrital Kadija (MDB-DF) declarou gastos de R$ 454,5 mil, mas obteve só 403 votos. Sua principal despesa foi com militantes de rua (93%), mas três pessoas contratadas como cabos eleitorais relataram ao Globo que não fizeram campanha para ela.

Ilka Quinhões Azevedo diz que trabalhou apenas na campanha do candidato do MDB ao governo, Ibaneis, que foi eleito, e que nunca ouviu falar em Kadija. Ela ainda perguntou se o nome do seu genro, Anderson Ferreira de Souza, estava na prestação de contas, o que foi confirmado pela reportagem, e disse que ele também não trabalhou para a deputada.

— Meu nome está na prestação de contas de uma deputada que eu nunca ouvi falar? Eu não trabalhei para ela. Vou atrás dela pedir meu dinheiro

CONFUSÃO – Thiago Neves Braz está em situação semelhante. Ele foi contratado pelo MDB, e ressalta que avisado que o trabalho poderia envolver outros candidatos, mas afirma que não conhece Kadija e não sabia que seu nome estava na prestação de contas dela. Felipe Souza Lopes também conta que não conhece a candidata, mas preferiu não revelar para qual candidato trabalhou.

Outro cabo eleitoral foi Henrique Nelson da Cunha Mesquita. Ele conta que foi um dos coordenadores da campanha de Kadija e que chefiou um grupo de 50 pessoas, grupo em que deu prioridade a Ibaneis. O nome de Henrique, porém, está somente na prestação de contas de Kadija, e não na de Ibaneis. “Eu tinha uma equipe de 50 pessoas. Coloquei 20 para trabalhar para ela e para o Ibaneis e 30 somente para o Ibaneis”.

ESTRANHEZA – Kadija se disse surpresa com a informação e afirmou que todos os seus gastos foram devidamente apresentados à Justiça Eleitoral. Ela afirma não saber qual foi o critério do partido na distribuição do dinheiro, mas admite que a cota de 30% dos recursos para mulheres pode ter influenciado.

— Me causa estranheza quem falou isso. São pessoas que receberam cheques nominais. Não posso dizer que conhecia todas as pessoas, os coordenadores da campanha tinham liberdade para arregimentar. É uma questão que eu tenho que ver na próxima gestão de campanha. Não sei quais foram os critérios do partido. Deve ter tido algo relacionado aos 30%, acho que o partido deve ter feito seus critérios. Mas foi bem tranquilo, me senti até privilegiada.

APENAS UM  VOTO – Teresa Cavalcante Queiroz, candidata a deputada estadual no Ceará, recebeu um voto. Ela disse ao GLOBO que desistiu de fazer campanha porque é funcionária pública e temeu haver incompatibilidade. Na sua prestação de contas, porém, aparece um gasto de R$ 5 mil. Deste valor, R$ 3 mil foi gasto com uma gráfica, no Ceará, no nome de Gustavo Silveira Alves.

— Não sei quem é. Com certeza é com eles (o partido), porque não recebi nada e não gastei nada. Tive um único voto, de uma professora que não estava sabendo que eu desisti — contou.

Por sua assessoria, o partido Democracia Cristã (DC) disse que distribuiu R$ 50 mil do fundo eleitoral para mulheres no Ceará e que coube ao diretório estadual decidir como distribuir o dinheiro. Ely Aguiar, presidente do diretório do Ceará, negou que conheça a candidata a deputada que desistiu de concorrer. “Tem que ver se as contas delas estão pendentes ou não. Que tipo de gasto foi feito. Existe pendência. Não conheço a candidata e nem sei de que forma ela fez a prestação. Ela que tem que responder o tipo de despesa. Ao partido compete liberar o que a justiça manda. Isso foi feito” — afirmou.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O levantamento de O Globo mostra que o problema é a cota de candidatas mulheres. Isso está gerando aberração e corrupção. Mas a matéria comprova que Gustavo Bebianno nada tina a ver com candidatas laranjas, esse problema é de cada diretório estadual. (C.N.)