Como a soja colhida no interior do RS põe em risco o equilíbrio ecológico do ‘planeta’?

France charges Macron's failed EU pick over fake jobs | News24

Macron perdeu uma boa oportunidade de ficar calado

J. R. Guzzo
Estadão

O presidente da França, Emmanuel Macron, não gosta do Brasil, nem dos brasileiros, nem do presidente que eles elegeram dois anos atrás. Mais do que qualquer outra coisa, Macron não gosta da agricultura e dos agricultores brasileiros; sempre faz questão, nos cinco minutos por ano em que pensa alguma coisa em relação ao Brasil, de repetir que a produção de soja por aqui (sem falar no milho, carne, frango e todo o resto) está destruindo a “floresta amazônica” e, com isso, tirando o oxigênio que a França, a Europa e o mundo precisam para respirar. Não há o que fazer a respeito: o homem não muda de ideia e não muda de assunto. Vai continuar assim.

EQUÍVOCO BRUTAL –  O problema com esse tipo de noção é a sua absoluta falta de conexão com a realidade dos fatos. A Amazônia, como pode ser verificado em não mais que dez minutos de pesquisa básica, não tem nada a ver com a soja brasileira, nem com o milho ou com os demais grãos.

Mais de 70% da produção brasileira vem de quatro Estados – Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Mato Grosso. O Mato Grosso ainda tem uma parte do seu território, apenas uma parte, na chamada “Amazônia Legal” – uma ficção burocrática que não tem nada a ver com a geografia, e sim com truques fiscais para se pagar menos imposto.

Mas todo o restante da área cultivada está fora de lá – a maioria dos agricultores do Paraná, por sinal, provavelmente passa a vida inteira sem jamais botar os pés na Amazônia. Além disso, ninguém precisa derrubar uma única árvore para produzir – produzir mais a cada ano, aliás, ocupando o mesmo espaço de terra, por força da tecnologia e do aumento na produtividade.

10% DA PRODUÇÃO – A Amazônia, inteirinha, responde por 10% da produção rural do Brasil – só isso. Como, então, a soja colhida no interior do Rio Grande do Sul pode estar pondo em risco o equilíbrio ecológico do “planeta”? Não pode, e não vai poder nunca.

O presidente Macron, e quem quer pensar como ele, acha o oposto: nunca lhe ocorreu que nos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do Brasil possa existir algum tipo de atividade rural fora da Amazônia, nem que o produtor brasileiro conheça o trator, métodos de irrigação e as noções elementares de agronomia. Colheu um cacho de banana? Então é porque está destruindo “a floresta”.

Macron, se tivesse algum interesse nas realidades, poderia perfeitamente saber disso tudo consultando um dos 5,5 milhões de funcionários públicos franceses que vivem à sua disposição; é impossível que ninguém saiba, nessa multidão toda, como se produz soja no Brasil.

EMPRESA DREYFUS – Também poderia perguntar sobre o assunto a uma das maiores e mais antigas empresas da própria França, a Louis Dreyfus, que trabalha no agronegócio brasileiro há 80 anos, tem 11 mil funcionários no Brasil e opera ativamente em toda a área rural, da soja à laranja, do café ao milho. Mas quem é que está interessado em coisas chatas e sem nenhum proveito político como a busca de fatos? O presidente da França, com certeza, não está.

Sua última ideia a respeito do assunto é acabar com a “dependência” que a França teria da soja brasileira – indispensável para a sua produção de proteínas. Disse que estava sendo “coerente”: quem defende a Amazônia e o meio ambiente tem de ser contra o Brasil e a agricultura brasileira.

SEM COMPARAÇÃO – Do que ele está falando? O Brasil produziu 135 milhões de toneladas de soja em sua última safra; a Europa inteira mal chegou às 3 milhões. Como vai resolver isso? Não vai e, pelo jeito, não está preocupado com os aspectos físicos dessa história toda.

Como se sabe, existem dois tipos básicos de ignorância: a involuntária e a voluntária. A primeira tem remédio. Para a segunda não se conhece solução.

Exército publica fotos para simular que militares usavam máscara e depois apaga

Imagens foram publicadas há dois meses na página oficial do CAEx

Emilly Behnke
Estadão

Fotos de militares do Exército Brasileiro em um treinamento foram alteradas digitalmente para simular o uso de máscaras. As imagens, publicadas há dois meses na página oficial do Centro de Avaliações do Exército (CAEx), acabaram apagadas depois que a edição ganhou repercussão nas redes sociais.

A publicação que saiu do ar incluía uma galeria com nove fotos de treinamento de Suporte Básico de Vida no Trauma, ocorrido de 10 a 13 de novembro de 2020 no Centro de Medicina Operativa da Marinha (CMOpM). Em uma das fotos, que mostrava 22 pessoas, apenas duas utilizavam máscaras reais, item de proteção recomendado por autoridades sanitárias como medida de combate ao novo coronavírus. As outras 20 pessoas da foto tiveram máscaras desenhadas em seus rostos.

IRONIA – Segundo a publicação, participaram do treinamento seis instrutores da Marinha e 16 alunos, sendo um oficial, um cabo e 14 soldados do CAEx. Nas redes sociais, usuários ironizaram a edição feita nas imagens, publicando “selfies” com máscaras desenhadas em seus rostos, apelidadas de “máscara do Exército”.

“Essa máscara do Exército Brasileiro pode não proteger, mas com certeza é a mais fácil de colocar”, disse um usuário no Twitter. Outro escreveu: “Máscara do Exército brasileiro, feita em Paint…. Esse país não pode ser levado a sério”.Em uma selfie com uma máscara desenhada, um internauta ironizou: “Protegido com a máscara oficial do Exército brasileiro”. Outros afirmaram que “a vantagem da máscara do Exército é que você pode imprimir a sua em casa” e que o item virtual “é a única coisa que os camelôs não vão conseguir piratear e vender”.

ALTERAÇÃO – Neste sábado, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) afirmou que a alteração das imagens para incluir o item de proteção é um “deboche institucional”. “Pintar máscara na cara com paint brush é mais do que tosco, é um deboche institucional contra a prevenção de uma doença que já matou mais de 215 mil brasileiros”, escreveu o parlamentar no Twitter.

A “máscara do Exército” também foi desenhada no rosto do personagem Zé Gotinha, que participou ontem da chegada das vacinas vindas da Índia no Rio de Janeiro. O item de proteção virtual também foi adicionado ao rosto em fotos do presidente Jair Bolsonaro, que deixou de lado o uso da proteção após afirmar ter contraído a covid-19, em julho do ano passado.

Sobre a alteração das imagens, o Centro de Comunicação Social do Exército (CCOMSEX) informou à reportagem que as fotos com edição foram disponibilizadas no site e depois excluídas da página assim que identificadas as alterações das imagens originais. “O Comando do CAEx apurou o ocorrido e adotou as medidas cabíveis. O CCOMSEX informa, ainda, que foram adotadas as ações necessárias para que esse tipo de acontecimento não se repita no âmbito do Sistema de Comunicação Social do Exército.”

Pandemia, vacinação e cloroquina: Juristas apontam motivos para abertura de impeachment de Bolsonaro

Charge do Bira Dantas (Arquivo Google)

Breno Pires
Estadão

Diante do agravamento da pandemia de covid-19, os entraves à vacinação e a insistência em tratamentos sem comprovação científica são apontados por juristas como fatores que podem levar ao impeachment do presidente Jair Bolsonaro. Advogados e professores ouvidos pelo Estadão citam diversos trechos da lei federal que trata de crimes de responsabilidade, entre eles a violação ao direito e à garantia à saúde, como motivos para o Congresso remover o presidente do cargo.

Os pedidos de impeachment contra Bolsonaro se multiplicaram desde o início da pandemia de coronavírus. Na terça-feira, 26, o PT, PDT, PSB, Rede e PCdoB também vão protocolar uma ação que pede a saída do chefe do Executivo, tendo como um dos argumentos o fato de que ele não agiu para conter a tragédia no Amazonas e no Pará, onde pacientes morreram em hospitais por falta de oxigênio.

PEDIDOS DE IMPECHAMENT – Desde o início do mandato de Bolsonaro, 61 pedidos de impeachment contra ele foram protocolados na Câmara. Cabe ao presidente da Casa dar andamento ou arquivar as solicitações. Esse é um dos motivos pelos quais Bolsonaro está empenhado em eleger o novo presidente da Câmara, já que o atual, Rodrigo Maia (DEM-RJ), deixa o cargo em 1.º de fevereiro.

A Lei dos Crimes de Responsabilidade, de 1950, também prevê outras condutas que podem levar ao impeachment, como “proceder de modo incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo” e “intervir em negócios peculiares aos Estados ou aos Municípios com desobediência às normas constitucionais”. A Constituição também descreve como crime de responsabilidade atos que atentem contra o texto constitucional e o exercício dos direitos sociais da população, entre os quais está incluído o da saúde.

O professor Rafael Mafei, da Faculdade de Direito da USP, disse que Bolsonaro violou o direito à saúde, quebrou o decoro e agiu para intervir na atuação dos Estados e municípios contra a covid-19. Na sua avaliação, o presidente transformou as medidas recomendáveis para o enfrentamento da pandemia, como distanciamento social, uso de máscara e vacinação, em tema de disputa com adversários políticos.

CÁLCULO POLÍTICO – “O presidente deixou claro preferir que pessoas morram sem vacina a dar o braço a torcer e dar um prêmio a adversários, que poderão dizer que, desde o começo, estavam certos. É um cálculo político que ele (Bolsonaro) faz: oferecer a vida dos brasileiros ao perecimento e ao risco por razões políticas suas”, afirmou Mafei ao Estadão.

De acordo com o professor, Bolsonaro quebra o decoro ao propagar desinformação sobre o tratamento contra covid-19 e fazer propaganda de remédios sem eficácia comprovada. “Ele mente e tem consciência disso”, disse. Além disso, Mafei disse que o presidente sabotou uma tentativa de campanha nacional de vacinação. Citou como exemplo as idas e vindas do governo federal em relação à compra de imunizantes de vários países.

“Não é só o abuso do poder retórico, mas abuso do poder legal de proibir o Ministério da Saúde de tomar medidas”, observou Mafei. “Como vai fazer campanha nacional de vacinação com um governo que sabota compra de vacina, faz campanha antivacina, engana a população sobre tratamento precoce?”, indagou.

“QUESTÃO DE URGÊNCIA” – O professor de Direito Ivar Hartmann, do Insper, disse ao Estadão que o impeachment de Bolsonaro é “questão de urgência” em função do número de mortes no País. No seu entender, o presidente faz uso da administração pública para promover tratamento que, sabidamente, não é eficiente, provocando até mesmo riscos de efeitos colaterais.

“Embora as práticas e os ilícitos que ele está cometendo não tenham começado só agora, pois esse crime está sendo cometido há diversos meses, apenas agora os efeitos estão mais fortes”, destacou Hartmann, um dos mais de 60 ex-alunos da Universidade de Harvard que assinaram um manifesto a favor do impeachment de Bolsonaro.

Além de apontar a violação ao direito à saúde, a advogada constitucionalista Vera Chemim afirmou que Bolsonaro retardou intencionalmente as ações do Executivo no combate à pandemia, “primeiro em relação às medidas médicas adequadas e agora no tema da vacinação”.

CRIME DE RESPONSABILIDADE – Para Chemin, a prática pode ser enquadrada no artigo 9, inciso I, da Lei de Crimes de Responsabilidade. Na sua opinião, o presidente também cometeu o crime de “servir-se de autoridades sob sua subordinação imediata para praticar abuso do poder ou tolerar que essas autoridades o pratiquem sem repressão sua” (Art. 7º da Lei de Crimes de Responsabilidade).

Os crimes de responsabilidade de Bolsonaro, segundo a constitucionalista, vão além da pandemia. “Há que se reconhecer igualmente condutas e atos que remetem, por exemplo, ao artigo 9.º, inciso 5, da Lei de Crimes de Responsabilidade, que é ‘infringir, no provimento de cargos públicos, as normas legais’. Não se pode olvidar as tentativas de nomeação e nomeações de pessoas para determinados cargos, que foram flagrantemente inconstitucionais. As referidas nomeações foram efetivadas de acordo com interesses e objetivos pessoais e políticos, afrontando os princípios constitucionais elencados no caput do artigo 37 da Carta Magna”, disse ela, citando, como exemplo, a nomeação de diretor da Polícia Federal, Alexandre Ramagem.

Com ela concorda o professor Diogo R. Coutinho, da USP, para quem Bolsonaro cometeu uma série de crimes de responsabilidade que não se limitam ao comportamento adotado na pandemia. No seu diagnóstico, porém, foi durante a crise sanitária que Bolsonaro violou mais claramente direitos e garantias, bem como direitos sociais, previstos no art. 7 da Lei dos Crimes de Responsabilidade.

SABOTAGEM – “A política de saúde, um direito social, foi vilipendiada e sabotada constantemente pelo negacionismo e pelo obscurantismo. Os efeitos disso já podem ser vistos e a responsabilidade direta do Planalto será apurada e registrada pela história. Não se pode dizer, a não ser com muita desfaçatez, que não há razões para o impeachment. As condições jurídicas para o impeachment de Bolsonaro estão sendo dadas em abundância e de forma inequívoca”, disse Coutinho.

Rafael Mafei, por sua vez, avalia que um eventual processo de impeachment deveria se centrar na atuação de Bolsonaro na pandemia, para que não se perca o foco. Mesmo assim, ele enxerga outras infrações à Lei de Crimes de Responsabilidade. “Seria possível até fazer um bingo da Lei 1.079 com cada crime de responsabilidade cometido”, disse.

OMISSÕES – Professor da FGV Direito SP, Carlos Ari Sundfeld afirmou que as omissões e ações diretas de Bolsonaro, bem como de seu governo, para sabotar medidas de prevenção e tratamento têm sido sistemáticas. “É um comportamento continuado, que atenta contra o direito social à saúde, garantido pelo art. 196 da Constituição. É possível ao Congresso Nacional enquadrá-lo como crime de responsabilidade, por atentado contra o direito social à saúde. A punição é o impeachment”, declarou.

No entender de Sundfeld, a abertura de um processo assim pode ser importante mesmo que não resulte no afastamento. “A passividade do Congresso está fazendo mal ao próprio governo porque, de certa forma, o Congresso está estimulando as condutas inadequadas do presidente da República, que não encontram barreiras políticas”, argumentou ele. “Abrir o processo permite que o presidente receba uma mensagem jurídica forte. Existem fundamentos jurídicos e o presidente está precisando de um cutucão político”.

 PENAL  – Além dos crimes de responsabilidade, há no meio jurídico a visão de que o presidente também poderia ser acusado de crimes comuns. Enquanto a análise de crimes de responsabilidade é de atribuição do Congresso, a investigação e eventual denúncia de crimes comuns de presidentes são atribuição do procurador-geral da República. Também caberia ao Congresso, no entanto, autorizar a abertura de eventual ação penal, o que levaria ao afastamento do presidente.

Nesta terça-feira, o procurador-geral Augusto Aras — indicado ao cargo por Jair Bolsonaro — emitiu uma nota dizendo que todas as medidas cabíveis, com relação ao combate à pandemia de covid-19, vêm sendo tomadas. A manifestação de Aras foi vista como desastrosa por integrantes do Supremo e interpretada no meio político como um sinal de que ele não pretende investigar Bolsonaro por crimes comuns.

Para juristas ouvidos pelo Estadão, no entanto, há indícios de que Bolsonaro também cometeu crimes comuns na condução da pandemia. Um dos artigos do Código Penal citados é o que criminaliza expor a vida ou a saúde de pessoas a perigo direto e iminente.

ISOLAMENTO – Outro é “infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”, na medida em que o presidente desencorajou as medidas de isolamento determinadas por Estados e municípios e recomendadas pela Organização Mundial de Saúde. Um terceiro crime seria o de prevaricação: “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.

Manifestantes pedem impeachment de Bolsonaro em carreatas nas maiores cidades do país

Carreata pede a saída do presidente Bolsonaro, devido ao fracasso no combate à pandemia da Covid-19 Foto: RICARDO MORAES / REUTERS

No Rio, a carreata se concentrou na Avenida Presidente Vargas

Deu em O Globo

Manifestantes foram às ruas neste sábado pedir o impeachment do presidente Jair Bolsonaro em protesto a favor da vacinação contra a Covid-19. Os atos em forma de carreata, para evitar aglomerações, foram registrados no Rio, Brasília, São Paulo, Belém, e Recife. Outras manifestações também estavam previstas.

Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira indica que  a rejeição ao governo de Bolsonaro cresceu no último mês e atingiu 40%, mas a maioria dos brasileiros é contra a abertura de um processo de impeachment.

PROTESTOS MÚLTIPLOS – Os protestos contra o presidente foram organizados por partidos e movimentos de oposição que não conseguiram unificar os atos. Movimentos à esquerda, como as Frentes Brasil Popular e Povo sem Medo, com apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT), organizaram as carreatas de hoje. Já os grupos à direita, como Vem pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL) marcaram atos para domingo.

Em Brasília, a carreata teve dez quilômetros e chegou a ocupar as duas vias do Eixo Monumental. O grupo se concentrou no estacionamento da Funarte, por volta das 9h30, e seguiu para a Esplanada dos Ministérios. O ato teve a participação de partidos políticos (PT e PCdoB), movimentos populares e sindicatos. A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, participou do protesto em cima do carro de som.

— Estamos aqui em Brasília na carreata pela vida e pelo impeachment de Bolsonaro! Queremos vacina e auxílio emergencial para o povo! — disse ela, para quem um processo de impeachment não geraria instabilidade política no país.

VALORIZAÇÃO DO SUS – O grupo também protestou pela valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos profissionais de saúde, alguns presentes no ato, que atuam na linha de frente com os pacientes infectados com no novo coronavírus.

No Rio, um dos organizadores do ato foi o movimento Acredito, que se diz suprapartidário, e a mobilização foi feita pela internet. A carreata começou em frente ao monumento a Zumbi dos Palmares, na Avenida Presidente Vargas, no Centro. Segundo o Centro de Operações do Rio (COR), a carreata chegou a quatro quilômetros. Manifestantes também pediram aumento das medidas de isolamento nas áreas da cidade com maior número de registro de infecções.

A manifestação em São Paulo se concentrou em frente à Assembleia Legislativa e saiu com destino à Praça Franklin Roosevelt, na República. Manifestantes esticaram uma faixa pedindo o impeachment de Bolsonaro, em frente do Monumento às Bandeiras, no Ibirapuera.

"Fora genocida", diz cartaz de manifestante de dentro de carro, durante carreata em protesto contra a ineficácia do presidente Bolsonaro no enfrentamento da pandemia da Covid-19 Foto: RICARDO MORAES / REUTERS

Houve manifestações nas capitais e em cidades do interior

OUTRAS CIDADES – Recife também foi palco de protesto, que saiu da Fábrica Tacaruna e seguiu em direção à Boa Viagem. Muitos participaram do ato de bicicleta, usando devidamente a máscara obrigatória nas ruas da cidade. Em Belém, a manifestação saiu do Centro e foi até a Praça da República.

Segundo a estimativa da organização do movimento, aproximadamente 500 carros estavam na concentração em Belo Horizonte. Foram organizadas carreatas também em cidades como Contagem, Juiz de Fora, Ouro Preto, Poços de Caldas, Varginha, Uberlândia, Januária, Muriaé e Pedro Leopoldo, entre outras.

MUITAS MANIFESTAÇÕES – Fora de Minas, críticos do presidente também fizeram manifestações. Pela manhã, atos aconteceram em capitais como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Belém, Teresina, Cuiabá. Aracaju e Porto Velho. À tarde, críticos do presidente se mobilizam em capitais como São Paulo, Recife, Curitiba, Campo Grande e Goiânia, Macapá, além de dezenas de cidades no interior dos Estados.

Já as manifestações marcadas para amanhã em São Paulo são puxadas por grupos mais à direita e que se notabilizaram na campanha para o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, como o Vem Pra Rua e o Movimento Brasil Livre (MBL). Os atos também pedirão o impeachment de Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGBolsonaro está conseguindo uma façanha política altamente negativa, ao atrair  contra seu governo manifestantes de esquerda, de direita e de centro. Chama-se a isso “atingir a perfeição”, no mau sentido. (C.N.)

Aras cai na real e abre inquérito no STF contra Pazuello pelo caos em Manaus

Aras quer que autos sejam encaminhados à PF que deve investigar o caso

Renato Souza
Correio Braziliense

Quatro dias depois de dizer que não poderia processar o presidente nem os ministros, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu que o Supremo Tribunal Federal (STF) abra inquérito para apurar a conduta do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello diante do colapso da saúde em Manaus. A cidade registrou escassez de oxigênio e atualmente enfrenta dificuldades para alocar pacientes em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

No pedido enviado ao Supremo, Aras quer que o ministro Pazuello seja ouvido e que os autos sejam encaminhados à Polícia Federal, que deve investigar o caso. A decisão de Aras atende denúncia enviada a Procuradoria-Geral da República por partidos políticos.

OMISSÃO –  Eles acusam o ministro da Saúde e os auxiliares de se omitirem frente a crise na capital amazonense. Os autores do pedido alegam que Pazuello orientou a população a fazer uso de medicamentos sem eficácia científica comprovada contra a covid-19, e de não agir para evitar mortes.

De acordo com as acusações, o governo federal teria sido avisado com semanas de antecedência, pela empresa White Martins – que fornece o oxigênio para hospitais de Manaus, que os estoques do gás estavam acabando, frente a demanda crescente em razão do grande número de internações de pessoas infectadas por covid-19 na cidade. Anteriormente, Aras já havia solicitado investigação contra o governador do Amazonas, Wilson Lima e do atual e do ex-prefeito de Manaus.

ALERTA –  O Ministério da Saúde afirma que só foi informado sobre a falta de oxigênio em 8 de janeiro, mas que já havia um alerta desde o final de dezembro. No entanto, a entrega do oxigênio pelo governo federal só começou no dia 12. De acordo com a PGR, “após analisar as informações, apresentadas em ofício de quase 200 páginas, e atento à situação calamitosa de Manaus, o procurador-geral considerou necessária a abertura de inquérito para investigar os fatos”.

Augusto Aras foi criticado por colegas e acusado de se omitir por eventuais crimes do ministro da Saúde e do presidente Jair Bolsonaro diante da pandemia de coronavírus e da situação de Manaus. Ele é alvo de um pedido de senadores para que responda a um processo administrativo no Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF). A investigação solicitada pelo chefe do Ministério Público não envolve Bolsonaro.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria não menciona um detalhe da maior importância. Nesta sexta-feira, o ministro Ricardo Lewandowski encaminhou ao procurador-geral uma notícia-crime contra o presidente da República e o ministro da Saúde, pelo caos na Saúde. Diante da obrigatoriedade do cumprimento da ordem do STF, Aras aproveitou uma outra ação e mandou investigar somente Pazuello, deixando Bolsonaro de fora. Ou seja, o procurador está cada vez mais desmoralizado, tenta posar de eficiente, mas não engana mais ninguém. Vamos aguardar o que fará Lewandowski, ao notar que está sendo embromado por Aras. (C.N.)

Nomear e cultivar inimigos em moinhos de vento é estratégia clássica de populistas

TRIBUNA DA INTERNET | Não faltou aviso, e o Banco Central adverte  novamente: populismo faz mal para saúde fiscal

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

João Gabriel de Lima
Estadão

“Procure o inimigo!” Jânio Quadros sacava seu bordão quando tinha que comunicar alguma medida impopular e pedia aos assessores que dourassem a pílula. Ficou famoso o episódio em que, ao anunciar um aumento na gasolina, jogou a culpa nos… Estados Unidos. No Brasil sempre pega bem responsabilizar os “americanos”, embora a maior parte de nossos problemas seja fruto de nossa própria incapacidade em resolvê-los.

Nomear e cultivar inimigos é a estratégia clássica do populista – aquele tipo de governante que, na definição dos cientistas políticos, se apresenta como defensor do “povo” contra as “elites”.

BODES EXPIATÓRIOS – No rótulo de “elites” cabe quase tudo: os “globalistas”, sem levar em conta que a circulação de bens, pessoas e conhecimento é crescente e irreversível no mundo atual; os “comunistas”, embora eles sejam irrelevantes no ocidente desde o fim da União Soviética, há 30 anos; ou os “políticos” – apesar do fato incômodo de que todos os populistas são, antes de tudo, políticos.

Qual cavaleiros medievais, o presidente americano, Donald Trump, e o brasileiro, Jair Bolsonaro, costumam girar suas maças contra esses três moinhos de vento. Ao longo da semana os dois estiveram nas manchetes das plataformas de notícias. Bolsonaro por dizer que o Brasil estava quebrado e ele não podia fazer nada, embora presidentes sejam superpoderosos em regimes presidencialistas. Trump pela proeza de incitar um cara-pintada chifrudo e sua gangue contra o Capitólio – onde um colégio eleitoral homologaria, horas mais tarde, a vitória do democrata Joe Biden.

LIGADO A TRUMP… – Em conversa informal com apoiadores, Bolsonaro disse ter acompanhado a façanha de seu contraparte americano (“sou ligado ao Trump, né?”). Afirmou também que, como Trump, desconfiava de fraudes eleitorais, tanto na eleição americana quanto na brasileira – dando a entender que pode usar o mesmo argumento em 2022. Os dois presidentes “ligados” têm um quarto moinho de vento comum: as urnas, sejam elas eletrônicas ou de papelão.

No Brasil ou nos Estados Unidos, parte do apoio a populistas é interesseira ou ocasional. Lucas Berlanza, diretor-presidente do Instituto Liberal, um dos mais tradicionais “think tanks” da direita brasileira, chama isso de “Estratégia Jânio Quadros”. Segundo Berlanza, personagem do minipodcast da semana, foi o que ocorreu quando a UDN de Carlos Lacerda apoiou Jânio, e quando alguns liberais brasileiros endossaram Bolsonaro. Nos dois casos, deu errado. O apoio a Jânio destruiu a UDN. E os liberais, ao perceber que Bolsonaro não era um deles, vão desertando pouco a pouco do time do ministro Paulo Guedes.

REPÚDIO A TRUMP – O apoio de vários republicanos a Trump segue uma lógica parecida. Chocados com a gangue do chifrudo, muitos desembarcaram da canoa populista ao longo da semana passada. Pilares do partido e alguns de seus líderes mais populares renovaram o repúdio a Trump. O ator Arnold Schwarzenegger e o senador Jeff Flakes, herdeiro da tradição conservadora de Barry Goldwater, publicaram artigos-manifesto na The Economist e no New York Times.

A revoada dos apoiadores ocorre quando eles atentam para uma verdade incontornável. É da natureza dos populistas nomear e combater moinhos de vento. Quando seus seguidores atacam símbolos da República como o Capitólio, fica claro, no entanto, que pelo menos um de seus inimigos nada tem de imaginário: a própria democracia.

FALTA DE RESPEITO – A maior parte da sociedade norte-americana, como a de qualquer país bem-sucedido economicamente, respeita de modo ativo e consciente, há muito tempo, as chamadas “instituições” – o Congresso, o Poder Judiciário, a Constituição, o império da lei e por aí afora.

No Brasil não há respeito praticamente nenhum, porque as instituições não se comportam de maneira a serem respeitadas. Na verdade, seus atos comprovam, o tempo todo, que estão fazendo o exato contrário disso. A estima da população pelo Congresso Nacional é zero; pelo Supremo, então, periga ser ainda mais baixa. Se fecharem ambos, pouca gente vai perder cinco minutos de sono. É onde estamos.

Senadores pedem que Conselho Superior do Ministério Público abra processo contra Aras

Brasil Soberano e Livre: Aras, cadê as provas de crimes da lava Jato? A opinião pública está esperando

Charge do Éton (Arquivo Google)

Renato Souza   Correio Braziliense      

Três senadores ingressaram na noite desta sexta-feira (22/1) com uma representação no Conselho Superior do Ministério Público Federal (CS/MPF) contra o procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitando abertura de processo administrativo.

Os parlamentares Randolfe Rodrigues (Rede/AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE) acusam Aras de infração disciplinar em razão de uma nota da PGR que cita o Estado de Calamidade Pública como sendo uma “antessala do Estado de Defesa”.

TAMBÉM OMISSÃO – Os congressistas também acusam Aras de omissão em razão da publicação do mesmo texto, que em outro trecho cita que “eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República são da competência do Legislativo”.

No texto, os senadores afirmam que o chefe do Ministério Público tem se omitido em atuar contra falhas e crimes do presidente Jair Bolsonaro relacionados ao cargo.

“A Organização Transparência Internacional alerta que, depois de um ano no cargo, os atos de Aras têm sido sistematicamente alinhados com o do presidente Bolsonaro, indo contra até mesmo seus posicionamentos anteriores. Exemplo vívido disso é o Inquérito das Fake News (Inq 4781): em outubro de 2019, o PGR se manifestou de forma favorável ao citado inquérito, no entanto, após a investigação atingir apoiadores do Sr. Presidente da República, o PGR pediu que o inquérito fosse suspenso”, descreve o documento.

HÁ NEGLIGÊNCIA – Os parlamentares afirmam que é de competência de Aras investigar e denunciar crimes envolvendo o chefe do Executivo, inclusive em relação à pandemia do novo coronavírus, mas que isso não tem sido feito.

“Ora, é evidente que o processamento e o julgamento de eventuais crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República são de competência do Poder Legislativo. Contudo, não há que se falar apenas em infrações político-administrativas cometidas pelo mandatário máximo da República, mas também de diversas pretensas infrações penais comuns, que deveriam ser fielmente investigadas pela Procuradoria-Geral da República para, sendo o caso, serem devidamente processadas perante o Supremo Tribunal Federal”, detalha o texto do pedido.

SEM MAIORIA – Em setembro do ano passado, o subprocurador-geral José Bonifácio Borges de Andrada foi votado como vice-presidente do conselho. Ele foi eleito com 6 votos, enquanto o então vice, Alcides Martins, que tentava a reeleição, levou 4 votos. Com isso, Aras perdeu maioria no colegiado que é presidido por ele.

Aras chegou a fazer críticas exaltadas aos colegas do CSMPF e até a encerrar reuniões sobre a Lava-Jato enquanto colegas pediam a palavra.

O pedido dos senadores é endereçado Ao subprocurador-geral José Bonifácio e, de acordo com fontes consultadas pela reportagem, já chegou ao gabinete dele.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O Supremo já reagiu, com o ministro Lewandowski encaminhando sexta-feira ao procurador Aras uma notícia-crime contra o presidente Bolsonaro e o ministro Pazuello, feita pelos deputados do PCdoB. Como chefe do Ministério Público, Aras tem obrigação de investigar o presidente da República e seus ministros, em petições com fundamentos sólidos, e será obrigado pelo Supremo a fazê-lo. (C.N.)

Bolsonaro alega ser perseguido pela Globo, por ter cortado verbas publicitárias da emissora

Bolsonaro x Globo | Humor Político – Rir pra não chorar

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Humberto Martins
O Estado de Minas

O presidente Jair Bolsonaro disse, na manhã deste sábado (23/1), que ele e sua família são “perseguidos” pela Rede Globo. “Porque a Rede Globo persegue tanto a mim e minha família. Antonia Fontenelle foi casada com um diretor da Globo, ou seja, fala com propriedade. Tudo o que fiz foi evitar o desperdício de dinheiro público, em respeito ao povo brasileiro”, disse o presidente, pelo Twitter.

Na mesma publicação, Bolsonaro compartilhou o vídeo de uma entrevista da youtuber Antonia Fontenelle, viúva de Marcos Paulo, ex-diretor da TV Globo. Fontenelle fala sobre contenção de gastos na emissora: “A fonte secou. A galera está desesperada e quer tirar o Bolsonaro de qualquer jeito”.

COMENTÁRIOS – Como de costume, usuários da rede social se manifestaram contra e a favor da fala do presidente. “Aaah, pronto. Agora quem sabe das coisas é a Antonia Fontenelle! Cara, você parece uma velha fofoqueira, bicho”, criticou um internauta. “O mito chegou e a teta secou”, disse um apoiador.

Em novembro de 2019, a Folha de S. Paulo noticiou que o Tribunal de Contas da União apurava a mudança de lógica de distribuição de verbas publicitárias do Governo Federal para os canais de tevê aberta.

O TCU apontou que o governo Bolsonaro passou a destinar os maiores percentuais de recursos para Record e SBT – emissoras consideradas aliadas ao Planalto, mas que que têm menos audiência – e diminuiu a verba da Globo, canal mais assistido do país.

MENOS VERBAS – Em 2017, a Globo recebeu R$ 6,9 milhões de verba publicitária do Governo Federal no primeiro trimestre. O SBT recebeu R$ 1,34 milhão e a a Record ficou com R$ 1,21 milhão.

Em 2018, a Globo faturou R$ 5,93 milhões nos três primeiros meses do ano. Em segundo lugar ficou a Record, com R$ 1,308 milhão. Em terceiro ficou o SBT com R$ 1,1 milhão.

Em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro, a Record passou a ser a emissora que mais recebeu dinheiro. O canal do bispo evangélico Edir Macedo, apoiador de Bolsonaro, ficou com R$ 10,3 milhões. O SBT, com R$ 7,3 milhões e a Globo com R$ 7,07 milhões.

HÁ CONTROVÉRSIAS – A afirmação do presidente sobre “evitar o desperdício de dinheiro público” não converge com os números das despesas governamentais.

No primeiro trimestre do governo Bolsonaro, os pagamentos com publicidade aumentaram 63% em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a R$ 75,5 milhões, sem contar os gastos feitos por ministérios e empresas estatais. Os dados são de um levantamento realizado pelo Uol, com base em informações da Secretaria Especial de Comunicação (Secom), vinculada ao Palácio do Planalto.

Para 2021, os gastos previstos pelo governo para publicidade oficial podem chegar a R$577,1 milhões, segundo levantamento do jornal O Globo, com base em dados do Sistema Integrado e Planejamento e Orçamento do Governo Federal (SIOP) e do Projeto de Lei Orçamentária Anual para 2021 enviado pelo governo ao Congresso Nacional.

NO EXTERIOR – Outro levantamento do Uol mostra que, em dois anos de governo, Jair Bolsonaro gastou 17 vezes mais com propaganda no exterior do que todos os governos que o antecederam na última década.

O governo Bolsonaro pagou R$ 27,7 milhões, em 2020, e R$ 11,7 milhões, em 2019, para “contrapor percepções equivocadas e descontextualizadas que, por vezes, surgem no cenário internacional”, segundo a Secom.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O governo de Bolsonaro é de um amadorismo constrangedor. Julga que, ao fazer publicidade no exterior, conseguirá melhor a imagem do Brasil lá fora, que a cada dia fica mais emporcalhada por erros e maluquices do próprio governo, que levam o Brasil ao ridículo. Aliás, em Portugal fazem grande sucesso as “piadas de brasileiro”. Merecidamente, aliás. (C.N.)

Em Brasília, diz a lenda que o piano do Palácio da Alvorada pode tocar sozinho à noite…  

Itamar Franco tinha medo de fantasmas do Alvorada - PressReader

Dona Sarah e Márcia foram receber Itamar no Alvorada

Sebastião Nery

Delicadeza, simplicidade e espontaneidade eram marcas do presidente Itamar Franco. Quem convivia com ele pode comprovar. Vejam esse belo relato de Silvestre Gorgulho, um dos mais importantes jornalistas de Brasília, que acaba de lançar mais um livro, desta vez sobre os 80 anos de Pelé. É um texto delicioso.

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ITAMAR, O PIANO FANTASMA E DONA SARAH  

Silvestre Gorgulho

Passava das 18 horas do dia 8 de junho de 1993. Uma terça-feira. Acabara de fechar minha coluna no jornal Correio Braziliense, quando a secretária da redação me chama:

– Silvestre Gorgulho, é do Palácio do Planalto.

Atendi. Era um velho amigo dos tempos da Embrapa, o advogado Mauro Durante, então Secretário-Geral da Presidência da República. Foi logo me perguntando se dona Sarah Kubitschek estava em Brasília. Disse que sim. Tinha estado com ela na casa da filha Márcia na véspera.

– Ótimo! Então aguarde um pouquinho que o Presidente quer lhe pedir um favor.

ITAMAR DE MUDANÇA – Foram dois ou três longuíssimos segundos. Um favor? Pensei comigo. Para o Presidente da República? Uma nota no jornal? O que será, meu Deus? Entra o Presidente na linha e depois de um afetuoso cumprimento e lembranças passadas, diz:

– Silvestre, tomei uma decisão. Estou morando aqui numa casa da Península dos Ministros, mas o Henrique (Hargreaves), a Ruth (Hargreaves) e o pessoal da segurança, todos estão pressionando muito para eu me mudar para o Palácio da Alvorada. O que você acha?

– Presidente…

– Presidente não! Itamar.

– Sim, sim Presidente Itamar… Acho uma sábia decisão. O senhor já devia ter feito isso há mais tempo. Lá é a residência oficial do Presidente da República. Vai lhe dar mais tranquilidade…

– É o que todos falam. Mas eu só vou numa condição. Não quero ser intruso. Preciso de energias positivas. Aquela foi a residência de um homem de bem, de um grande brasileiro e fico assim meio sem jeito de chegar lá no Alvorada assim sem mais nem menos.

– Como sem mais ou menos, Presidente… Itamar! O Palácio é a residência oficial…

UM AR DE MISTÉRIO – Eu sei. Mas isto tudo para mim tem um ar de mistério. A áurea do Presidente Juscelino domina o Palácio da Alvorada. Não que eu seja supersticioso. Dizem, mesmo, que no Alvorada até o piano toca sozinho à noite – afirmou Itamar.

Sem saber onde ia dar esta conversa, eu falava imaginando mil coisas. Lembrei-me da primeira frase de Mauro Durante: “A dona Sarah está em Brasília?”

– Presidente… Itamar. O que o senhor acha se eu conversar com Dona Sarah e contar desta sua intenção de ir para o Alvorada? Vou pedir para ela ligar para o senhor.

– Fale com ela. Se ela quiser me ligar é um prazer. Você sabe de minha admiração pelo Presidente Juscelino e por dona Sarah. JK me ajudou muito na eleição para o Senado em 1974. Quem sabe ela e Márcia passam toda a manhã comigo lá no Alvorada.

  1. SARA ACEITA – Em vez de ligar, fui ao Memorial JK. Encontrei dona Sarah com o coronel Affonso Heliodoro e a Cirlene. Contei-lhes toda história. Muito feliz e um pouco surpresa, dona Sarah foi logo dizendo que fazia o que Presidente Itamar quisesse. Era muito importante ele ir para o Palácio da Alvorada. Depois de alguns outros comentários, concluiu:

– Silvestre, conheço bem o presidente Itamar Franco. Ele é uma pessoa simples, mas muito atento aos simbolismos. Ele não quer chegar ao Alvorada sozinho. Vamos fazer o seguinte, vou lá recebê-lo com “honras de Chefe de Estado e espírito de Minas Gerais”.

Diante da aprovação e incentivo do Cel. Heliodoro, liguei para Mauro Durante ali mesmo do Memorial:

– Ministro, estou aqui no Memorial com dona Sarah Kubitschek e ela ficou muito feliz com a decisão do Presidente Itamar em se mudar para o Alvorada. Ela vai lhe falar.

UM ENCONTRO EMOCIONANTE – Conversaram e acertaram dia e hora para ela e Márcia irem ao Palácio da Alvorada receber o Presidente Itamar.

Assim, dia 10 de junho de 1993, uma quinta-feira, seis meses depois de ser efetivado Presidente da República, Itamar Franco se muda para o Palácio da Alvorada.

Além de receber “as Honras de Estado e o espírito de Minas”, Itamar proporcionou uma das maiores emoções à dona Sarah: a eterna Primeira-Dama do Brasil havia deixado o Palácio da Alvorada pela última vez em 30 de janeiro de 1961. Há 32 anos ela não voltava à sua primeira residência em Brasília.

O PIANO TOCA… – Numa entrevista coletiva, Itamar e dona Sarah falam para o jornalistas. Lembro-me da primeira pergunta de uma repórter de tevê:

– Dona Sarah, é verdade que aqui no Palácio da Alvorada o piano toca sozinho?

– Olha, minha filha – respondeu dona Sarah. – Este Palácio traz energias extras aos presidentes. Se à noite o piano toca sozinho, está provado o alto astral do Palácio da Alvorada. Há coisa melhor do que uma boa música neste ermo encantado do Cerrado?

Aplausos!

Antes de se despedir de Itamar, dona Sarah agradeceu:

– Vivi um sonho, Presidente. São 32 anos sem contemplar as colunas de Niemeyer, sem entrar na Capelinha do Alvorada e sem colher uma flor deste jardim abençoado.

Lewandowski encaminha à Procuradoria uma notícia-crime contra Bolsonaro e Pazuello

Charge do Adnael (Arquivo do Google)

Lewandowski encaminha à Procuradoria uma notícia-crime contra Bolsonaro e Pazuello

Edis Henrique Peres
Correio Braziliense

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou ao procurador-geral da República, Augusto Aras, notícia-crime contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, e o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Feito pelos deputados do PCdoB, o pedido quer que a dupla seja investigada por supostos atos omissivos e comissivos na adoção das medidas para o combate à pandemia causada pelo novo coronavírus.

A notícia-crime foi enviada a Augusto Aras, pois somente o procurador-geral pode oferecer denúncia pela prática de crime comum contra o presidente da República e contra ministro de Estado.

DESCOMPROMISSO – A Petição 9394, protocolada por oito deputados federais do PCdoB, aponta “descompromisso” do presidente e do ministro da Saúde nas medidas de enfrentamento à pandemia. O partido infere que o governo teria sido omisso ao não tomar providência para evitar a falta de oxigênio hospitalar no sistema de saúde do Amazonas, que resultou na crise em Manaus, a capital do estado.

Para o partido, o presidente e o ministro haviam sido notificados com antecedência sobre a falta de cilindros de oxigênio na região, mas não adotaram nenhum plano ou ação para evitar o colapso do sistema de saúde.

CRIMES COMUNS – Segundo a petição, Bolsonaro e Pazuello podem ter cometido crime tipificado no artigo 132 do Código Penal, que se refere ao ato de expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente.

Outro possível crime citado na petição é o de prevaricação, referente ao artigo 319 do Código Penal (retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal).

PEDIDO NEGADO – Na quinta-feira, Lewandowski negou pedido da Rede Sustentabilidade para afastar o ministro Eduardo Pazuello da pasta da Saúde do governo Jair Bolsonaro.

O ministro registrou que a Corte não tem autoridade para ‘nomear e exonerar os ministros de Estado’ e apontou que, se a Rede pretendesse protocolar um pedido de impeachment de Pazuello, teria de endereçá-lo ao Procurador-Geral da República, Augusto Aras, e não diretamente ao STF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A resposta do Supremo ao procurador-geral Augusto Aras já está dada. Ele, como chefe do Ministério Público, tem obrigação de investigar o presidente da República e seus ministros, em petições com fundamentos sólidos. Aras parece não ter medo do ridículo, mas a ficha terá de cair. (C.N.)

Folha lidera comunicação nos jornais, mas O Globo tem a rede de TV, a Globo News e a CBN

Saiba como explorar imagens e charges na prova de redação do vestibular | Guia do Estudante

Charge do Laerte (Folha)

Pedro do Coutto       

Na edição de quinta-feira, 21 de janeiro, a Folha publicou, com base no Instituto Verificador de Comunicação (IVC) que o jornal lidera a circulação impressa e também online, seguido de O Globo e do Estadão. A Folha, jornal impresso, alcançou a média diária de 337 mil exemplares, incluindo os assinantes e a venda nas bancas. Nos acessos online registrou 256 mil, totalizando assim 633 mil acessos, o que lhe garante o primeiro lugar entre os três maiores jornais brasileiros.

O Globo teve uma circulação média de 332 mil exemplares e 244 mil acessos online. Em terceiro lugar, o Estado de S. Paulo, com uma tiragem impressa de 239 mil e 151 mil acessos online, que significa que a soma dos dois faz com que sua circulação diária média seja de 390 mil unidades.

BOM DESEMPENHO – O superintendente do grupo Folha, Antônio Manoel Teixeira Mendes. comentou o levantamento. Tem razão em comemorar, porque o desempenho do grupo foi muito bom. Os dados refletem as médias diárias no exercício de 2020.

São os três maiores jornais brasileiros por sua importância política e econômica. Sob este prisma, também incluo o Valor, porém este não se encontra na pesquisa divulgada, além disso o forte do Valor é na área econômica e sua circulação parece ser predominantemente à base das assinaturas. Todas as grandes empresas do país são assinantes dos quatro maiores jornais.

Como se constata representam o laço mais forte de informação e opinião, o que chamo de a usina do pensamento do país.

IMPRENSA MUNDIAL – Esses jornais funcionam também como ponte de ligação do Brasil com a grande imprensa estrangeira, como New York Times, Washington Post, Le Monde, Figaro e os ingleses The Guardian e The Economist. É comum ver os quatro grandes jornais brasileiros publicarem reportagens e artigos editados pela imprensa do mundo.  A recíproca também é verdadeira. Deve-se incluir nessa pista de mão dupla o espanhol El País, o italiano Corriere della Sera, o português Diário de Notícias e o argentino La Nación.

Atualmente, com a internet, a circulação online é universal e a edição impressa depende dos fusos horários. Isso no que se refere as principais matérias do dia. Alguns jornais, populares, podem ter tiragens maiores daqueles que assinalo, porém não possuem a mesma importância política e a força junto à opinião pública.

ORGANIZAÇÃO GLOBO – No caso brasileiro tem-se que abrir um parêntese para assinalar a força e o peso da TV Globo, domínio absoluto no mercado e da Globo News que agora compete com a CNN. Pesquisa interessante, que certamente o Ibope possui, é dizer quantos pontos de audiência tem a Globo News e quantos pontos tem a CNN.

Esses dados citados no artigo com base do IVC representam de forma cristalina a usina de pensamento nacional, principalmente se levarmos em conta que de uns tempos para cá pessoas que atuam na comunicação online também são consideradas formadoras de opinião.

Omissão dos militares ajudou a transformar o Brasil num “pária internacional”

JOSÉ PEDRIALI: Inspirado por Trump, Bolsonaro ensaia golpe eleitoral

Charge do Simanca (Charge Online)

William Waack
Estadão

Vamos simplificar as questões de política externa do governo Jair Bolsonaro. Supunha-se que os adultos – militares com formação acadêmica e experiência direta de conflitos internacionais – fossem supervisionar as crianças. Aconteceu o contrário. As crianças é que emparedaram os adultos.

Em alguma medida, é uma repetição do que aconteceu na Casa Branca, onde gente de excelente formação profissional nas áreas de segurança, estratégia e relações internacionais foi chutada por um inepto como Donald Trump, que Bolsonaro escolheu emular. No Brasil, os órgãos de assessoramento da Presidência da República e o próprio Itamaraty acabaram sendo subordinados à profunda ignorância em matéria de relações internacionais de um filho do presidente e suas preferências pessoais.

UM ERRO CRASSO – Os resultados negativos se acumulam. Com o resultado das eleições americanas, o Brasil conseguiu a proeza de se estranhar ao mesmo tempo com as duas principais potências do planeta, pois já se dedicava em provocar a China. Como 11 em 10 analistas de relações internacionais assinalaram, o campo da política externa é, por definição, o campo da impessoalidade, e o alinhamento automático de Bolsonaro ao perdedor Trump é um erro crasso não importa o mérito, postura ideológica ou intenções de qualquer um dos dois.

O mesmo vale em relação à China e à Índia. Somadas, essas duas gigantescas potências asiáticas têm mais ou menos uns 8 mil anos de experiência em política externa e conflitos geopolíticos de enorme amplitude. O Brasil desdenhou da Índia na Organização Mundial do Comércio, e tomou o troco ao ser jogado para o final da fila dos países para os quais os indianos estão exportando vacinas e insumos.

DIPLOMACIA INFANTIL – No caso da briga dos elefantes (China contra Estados Unidos) o Brasil desperdiçou a oportunidade que a geografia lhe dá de tratar a ambos com distanciamento e equilíbrio. Ao contrário, preferiu cutucar os chineses da forma infantil característica de amadores que acham que entendem de política externa, como acontece na assessoria internacional de Bolsonaro, ou confundem a repetição de lemas de movimentos de extrema-direita (contra a China, por exemplo) como afirmação de postulados nacionalistas.

Cego aos dados da realidade, Bolsonaro ainda não demonstrou ter compreendido a natureza das várias rasteiras internacionais que tomou nas últimas semanas, e o impacto que essas fragorosas derrotas – como o chute eleitoral levado por Trump e a recusa da Índia e China na questão das vacinas em nos atender nos prazos que pretendíamos – acarreta na posição política interna de um presidente que só pensa em reeleição.

PURO AMADORISMO – O tamanho dos reveses exigiria de Bolsonaro uma rápida e nítida correção de rumo. Sim, estaria admitindo ter cometido erros grosseiros – por escolhas, repita-se, pessoais – mas dado os trunfos que o Brasil ainda dispõe (Amazônia e produção de alimentos) conseguiria se reposicionar no cenário internacional. Um passo desses, porém, pressupõe dois fatores que não se islumbra no momento.

O primeiro é Bolsonaro entender que na raiz das derrotas que Trump sofreu está o desprezo e a negligência em relação aos “staffs” profissionais treinados para tratar de complexas questões internacionais e suas implicações para os interesses do País. Ao se apegar ao que seu filho e amigos acham que é a política internacional, e relegar a terceiro plano a burocracia meritória do Itamaraty, por exemplo, o presidente apenas reitera uma conduta evidentemente errada.

SILÊNCIO CÚMPLICE – O segundo fator que não se vislumbra está ligado à postura daqueles adultos – militares formados em academia de ótimo nível – que não foram capazes de entender que calar-se para os grotescos erros de política externa, apegados a princípios como lealdade ou hierarquia, compromete as instituições (Forças Armadas, por exemplo) às quais pertencem e, no final das contas, os torna cúmplices no estrago na defesa de interesses da Nação.

Em lugar nenhum eles aprenderam que o Brasil deveria ser um pária internacional. A posição na qual chegamos.

A fatura do negacionismo já chegou e o Brasil pode ficar sem vacinas, por mero descaso

Mundo passa de 40 milhões de vacinas contra Covid aplicadas; Brasil aparece pela 1ª vez em ranking | Mundo | G1

No Brasil, plano de vacinação é boicotado pelo próprio governo

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Foram muitos os avisos, de todas as vertentes políticas, mas o presidente Jair Bolsonaro sempre bateu no peito e manteve firme a sua estratégia destrutiva para o país. Agora, a fatura chegou. Por todos os erros que o governo cometeu, o Brasil pode ficar sem vacina e mais gente mais morrer por causa da covid-19.

Com seu negacionismo extremista, Bolsonaro nunca reconheceu a gravidade da pandemia do novo coronavírus. Desde o primeiro momento, desdenhou da ciência e desqualificou todos os estudos no sentido de combater a covid-19 e estancar as mortes no país — já são mais de 210 mil vidas perdidas no país.

CONTRA O BUTANTAN – Quando se falou da possibilidade de o país desenvolver uma vacina, o presidente colocou a sua manada de seguidores para massacrar a proposta do Instituto Butantan de desenvolver um imunizante em parceria com a chinesa Sinovac.

Fez o que pode para difundir a ideia de que nenhuma vacina era confiável, sobretudo, a CoronaVac, simplesmente porque o Butantan é ligado ao governo de São Paulo, comandado por seu inimigo político, João Doria.

ATAQUES À CHINA – Mais: atacou o quanto pode a China, que, na visão de Bolsonaro, “criou o novo coronavírus para controlar o mundo”. Seus filhos e apoiadores, incluindo o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, dinamitaram todas as pontes diplomáticas com os chineses.

Bolsonaro acreditou que, ao comprar toneladas de cloroquina da Índia, tinha construído uma relação profunda com aquele país. Mas se esqueceu de que parceria é tudo, e jogou contra os indianos na Organização Mundial do Comércio (OMC), onde a Índia defende a quebra de patentes de medicamentos para combater a covid-19. Mas o Brasil ficou do lado dos países desenvolvidos, contrários à proposta.

Agora, o Brasil não consegue trazer vacinas da Índia nem insumos (Ingrediente Farmacêutico Ativo, da China). O país perdeu a capacidade do diálogo. A Índia só vai mandar 2 milhões de vacinas, que atendem a menos de 0,5% da população brasileira.

UM GRANDE IMPASSE – De que adiantará a vacinação que começou agora, com quase 6 milhões de doses da CoronaVac, se não há perspectivas de chegada imediata de mais imunizantes ou da produção por aqui?

O presidente da República nunca pensou em salvar vidas. Para ele, só há um objetivo: manter-se no poder e transformar o Brasil em um país dominado por racistas, misóginos, homofóbicos e, acima de tudo, armados. Um país de milicianos.

Não acreditem em mudança do presidente até 2022, quando ele tentará a reeleição. Bolsonaro é o que há de pior em termos de ser humano. Triste ver que milhões de pessoas ainda acreditam em uma pessoa que só está preocupado com seus próprios interesses.

Movimentos anti-Bolsonaro convocam atos por impeachment nas capitais neste domingo

Panfleto convida população a se unir em ato pró impeachment

Ingrid Soares
Correio Braziliense

Mais de 10 grupos de movimentos populares e organizações civis marcaram para o próximo domingo, dia 24, um ato pelo “Impeachment já” do presidente Jair Bolsonaro. O ato ocorrerá às 16h na Praça dos Três Poderes. Organizadores pedem que os participantes usem máscara e mantenham o distanciamento social.

Segundo a liderança, a intenção é pressionar para que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, acate pedidos de impeachment já apresentados contra o mandatário, e que os deputados votem pela cassação da chapa Bolsonaro e Mourão.

MOTIVOS – Entre os motivos que justificariam a saída do presidente e seu vice, o grupo elenca o boicote à vacina e descaso com a pandemia deixando chegar ao caos em Manaus; a interferência na PF para proteção da família e envolvimento com milícia; a destruição ambiental em todos os biomas do Brasil; a política externa desastrosa, inviabilizando a importação de vacinas da Índia e insumos da China para a produção da vacina nacionalmente; e a criação do gabinete do ódio, disseminação de fakes news, censura e ataques à imprensa.

“Diante de tanta estupidez e atrocidades cometidas por Jair Bolsonaro desde o início de seu mandato, coletivos e organizações da sociedade civil resolveram sair do ativismo digital e tomar as ruas da Capital Federal em um grande ato pelo #ImpeachmentJá”, diz texto de divulgação. Em um dos flyers do movimento, Bolsonaro aparece com uma máscara nos olhos e com dizeres de “O Brasil precisa respirar”.

PARTICIPANTES – Entre os movimentos participantes está a Associação dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente do Distrito Federal (Asibama-DF), o Coletivo Voz e Rua e as Brigadas Populares do DF e o Rede Urbana de Ações Socioculturais (Ruas).

No último dia 8, cerca de 50 manifestantes se reuniram em um ato silencioso na Praça dos Três Poderes. Vestindo roupas pretas e mantendo o distanciamento social, eles pediram o impeachment do presidente Jair Bolsonaro e ‘Vacina Já’ contra a covid-19.

Bolsonaro por sua vez, já afirmou que não dá motivos para a execução da medida. “Quarenta ou 60 processos de impeachment. Isso não vale nada. Só Deus me tira daqui. Não existe nada de concreto contra mim. Agora, me tirar na mão grande, não vão me tirar. Aí, é outra história”, rebateu anteriormente.

Memórias da MPB: A letra genial que Braguinha criou para o choro de Pixinguinha

Yes, Nós Temos Braguinha – Wikipédia, a enciclopédia livre

Braguinha inspirou um belo enredo da Mangueira

Paulo Peres
Poemas & Canções

O compositor carioca Carlos Alberto Ferreira Braga (1907-2006), conhecido como Braguinha ou João de Barro, fez uma belíssima declaração de amor ao colocar letra no famoso choro “Carinhoso”, um dos maiores clássicos da MPB, composto por Pixinguinha.  “Carinhoso” foi gravado por Orlando Silva, em 1937, pela RCA Victor.

CARINHOSO
Pixinguinha e Braguinha

Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo,
Mas mesmo assim foges de mim.

Ah se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero.
E como é sincero o meu amor,
Eu sei que tu não fugirias mais de mim.

Vem, vem, vem, vem,
Vem sentir o calor dos lábios meus
A procura dos teus.
Vem matar essa paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz,
Bem feliz.

E se Augusto Aras estiver apenas embromando Bolsonaro para ganhar a vaga no Supremo?

TRIBUNA DA INTERNET | Aras mente ao dizer que tem provas contra a Lava  Jato. Se tivesse, já teria exibido.Carlos Newton    /   Charge do Clayton (O Povo/CE)

Uma das coisas que são percebidas por quem trabalha em política é que as aparências quase sempre enganam. Praticamente tudo necessita de tradução simultânea, porque é impressionante o índice de desfaçatez, cinismo e traição, conforme estamos acompanhado nas pesquisas sobre as eleições dos presidentes da Câmara e do Senado.

Da mesma forma, merece tradução simultânea a surpreendente e gratuita nota do procurador-geral da República, Augusto Aras, divulgada terça-feira, dia 19, que está agitando a política-.

DISSE ARAS – Sob o título “PGR cumpre com seus deveres constitucionais em meio à pandemia”, assim o procurador-geral sintetizou o objetivo de sua mensagem à nação:

Segmentos políticos clamam por medidas criminais contra autoridades federais, estaduais e municipais. O procurador-geral da República, no âmbito de suas atribuições e observando as decisões do STF acerca da repartição de competências entre União, estados e municípios, já vem adotando todas as providências cabíveis desde o início da pandemia. Eventuais ilícitos que importem em responsabilidade de agentes políticos da cúpula dos Poderes da República são da competência do Legislativo”.

Sem maiores análises, imediatamente nota-se que a finalidade é agradar ao presidente da República, com Aras dizendo claramente que Bolsonaro pode contar incondicionalmente com ele, inclusive acima da lei e da ordem.

REAÇÃO IMEDIATA – Uma tijolada inconstitucional dessa magnitude, partindo do procurador Aras, é claro que imediatamente causaria fortes reações do Conselho Superior do Ministério Público, da Associação Nacional dos Procuradores da República, do Supremo e do Congresso. Mas o melífluo Augusto Aras não está nem aí, como diz a música baiana.

Na nota, o procurador-geral informa que o presidente da República e o ministro da Saúde podem ficar sossegados, porque não serão processados por crimes comuns porventura praticados no enfrentamento à pandemia. Quem quiser que envie um pedido de impeachment à Câmara, onde está tudo dominado, seja com Rodrigo Maia, Arthur Lira ou Baleia Rossi, que são iguais – um pelo outro, eu não quero troca, como se dizia antigamente.

A diferença é que, de agora em diante, Maia vai liderar a oposição a Bolsonaro, porque já percebeu a inevitabilidade do impeachment, pois Bolsonaro é autocarburante e se consome sozinho. 

VÃ ESPERANÇA – Com essa atitude viciosa, Aras tenta reservar para si a próxima vaga no Supremo, que se abre em julho, com a aposentadoria de Marco Aurélio Mello. Mas essa pretensão pode ser esvaziada pela velocidade dos fatos.

Dia 15 de março terminam três inquéritos que atingem diretamente o presidente da República em crimes comuns. Dois deles são interligados – fake news e atos antidemocráticos, porque envolvem o “gabinete do ódio”, que funciona no Palácio do Planalto, sob comando de Carlos Bolsonaro, o filho 02, e do assessor presidencial Tércio Arnaud.

O terceiro inquérito é sobre interferências de Bolsonaro na Polícia Federal, que estão mais do que comprovadas e agora robustecidas pelas provas de atuação da Abin em favor de Flávio Bolsonaro.

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P.S. –
Os três inquéritos que terminam dia 15 de março são relatados pelo ministro Alexandre de Moraes. Se ele pedir abertura de processo à Procuradoria, Aras ele não terá como mandar arquivar, pois as provas são abundantes. E assim Bolsonaro estará automaticamente afastado por 180 dias. Portanto, será o vice Mourão que escolherá o novo ministro do Supremo e ele até pode escolher Aras, agradecido pelos serviços prestados. No caso, Aras então estaria servindo a dois senhores, e ele parece ser especialista nisso. (C.N.)  

Acredite se quiser! Atendimento à Covid-19 no Brasil é melhor do que em muitos países desenvolvidos

CFM divulga orientações sobre EPIs e cuidados durante a assistência -  Medicina S/A

Deve-se reconhecer e enaltecer a importância da ação do SUS

Mário Assis Causanilhas

Os números já estão superados. As aglomerações e festas de fim de ano fizeram o Brasil entrar na segunda onda. Mesmo assim, este artigo de Cláudio Humberto não perdeu atualidade nem relevância, pois mostra uma realidade mais positiva da situação da Covid-19 no Brasil, que demonstra a extraordinária importância do SUS e da assistência pública de saúde, integrada por heróis e heroínas que se dedicam a atender as faixas mais carentes da população, 24 horas por dia e 365 dias ao ano.

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HÁ OUTRA MANEIRA DE NOTICIAR A SITUAÇÃO DA COVID NO BRASIL

Claudio Humberto   /    Diário do Poder

Quando o Brasil superou a marca de 7 milhões de pessoas curadas da covid, esse número representava 97,24% do total de casos encerrados. Em relação a óbitos, jornais famosos, como o francês Le Monde, listam os países de acordo com a população e o Brasil aparece em 24º com 928 mortes a cada milhão de habitantes. Em situação pior, com 932 mortes por milhão, temos a Suíça, sem que ninguém fale em “caos na saúde” lá.

Proporcionalmente, Brasil tem menos óbitos que Argentina (964), México (994), França (1019), Espanha (1100), EUA (1109) e Reino Unido (1136).
Há ainda Peru (1142), Itália (1272) e Bélgica, que tem taxa de 1.707 mortes por milhão de habitantes; quase o dobro da média brasileira.

DIVULGAÇÃO SÉRIA – O Brasil, com 212 milhões de habitantes, tinha 705 mil casos ativos da covid. O Reino Unido (68 milhões de habitantes) tem o dobro: 1,4 milhão.

É assim que se faz uma divulgação séria, comparando dados estatísticos, sem o viez político, sem deturpar os fatos… Não é gerando o pânico na população que males podem ser resolvidos, fazendo com que uma boa parte pense que estamos em meio do caos e vira um “salve-se quem puder” e um “Deus nos acuda”…

Estamos agindo com consciência, salvando muito mais pacientes do que uma boa parte dos países ditos de primeiro mundo…

DENTRO DO RAZOÁVEL – Ninguém quer negar nada… Sabemos o quanto esse vírus é perigoso, mas temos sim agido dentro do razoável e obtendo resultados consideráveis, dentro dessa crise terrível de saúde pública, com implicações na vida de todos…

Vamos sair dessa com a admiração de boa parte do mundo, se Deus quiser!!!

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEsses números comparativos com os outros países deveriam ser exibidos diariamente pelas emissoras de TV e pelos jornais, para que não aprofundemos nosso complexo de vira-latas, mas o jornalismo virou uma guerra de facções. (C.N.)

Desembargador da carteirada é condenado a indenizar guarda que chamou de ‘analfabeto’ em R$ 20 mil

Charge do Amarildo (Arquivo do Google)

Rayssa Motta e Fausto Macedo
Estadão

A Justiça de São Paulo condenou nesta quinta-feira, 21, o desembargador Eduardo Siqueira, afastado do Tribunal de Justiça do Estado, a pagar indenização de R$ 20 mil por danos morais ao guarda municipal Cícero Hilario Roza Neto, a quem chamou de ‘analfabeto’ após receber multa por andar sem máscara de proteção facial obrigatória na pandemia do novo coronavírus.

Na avaliação do juiz José Alonso Beltrame Júnior, da 10ª Vara Cível de São Paulo, que assina a sentença, não há ‘controvérsia sobre as práticas ofensivas’. A abordagem do guarda e a conduta do desembargador foram registradas em vídeo que repercutiu nas redes sociais (assista abaixo).

HUMILHAÇÃO –   “A série de posturas teve potencial para humilhar e menosprezar o guarda municipal que atuava no exercício da delicada função de cobrar da população posturas tendentes a minimizar os efeitos da grave pandemia, que a todos afeta”, diz um trecho da decisão.

“Não é preciso esforço para compreender os sentimentos de humilhação e menosprezo vivenciados pelo requerente”, acrescenta o juiz.Após a repercussão do caso, o desembargador foi afastado das funções por decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que abriu processo administrativo disciplinar para aprofundar as investigações sobre a conduta do magistrado no episódio. Durante o período, ele seguirá ganhando regularmente o salário bruto mensal de R$ 35,4 mil (sem considerar penduricalhos, vantagens indevidas, gratificações e outros benefícios).

ABUSO DE AUTORIDADE – Siqueira também é alvo de um inquérito aberto para apurar se ele cometeu abuso de autoridade no caso. O procedimento está suspenso por determinação do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), até que o plenário analise um habeas corpus formalizado pela defesa do desembargador.

Ao Supremo, os advogados alegaram que não foram ouvidos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), responsável por autorizar a investigação, antes do julgamento que determinou a instauração do inquérito – o que, em última instância, configuraria violação aos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório.

O CASO – Flagrado sem máscara enquanto caminhava em uma praia de Santos, no litoral paulista, o desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha Siqueira chamou de ‘analfabeto’ o guarda civil municipal que lhe pediu que colocasse o equipamento de proteção individual, obrigatório em locais públicos da cidade durante a pandemia de covid-19. Um decreto editado pela prefeitura, em abril, impõe multa de R$ 100 em caso de descumprimento.

“Decreto não é lei”, respondeu Siqueira ao guarda na ocasião, como mostra o vídeo que circulou nas redes sociais. O desembargador chegou a desafiar os agentes a multá-lo e a insinuar que jogaria a autuação ‘na cara’ de um dos agentes caso ele insistisse na notificação.

INTIMIDAÇÃO –  O desembargador também ligou para o secretário de Segurança Pública do município, Sérgio Del Bel, e evocou um suposto irmão procurador de Justiça para intimidar o guarda. No telefonema, diz: “Estou aqui com um analfabeto de um PM seu. Eu falei, vou ligar para ele (Del Bel) porque estou andando sem máscara. Só estou eu na faixa de praia que eu estou. Ele está aqui fazendo uma multa. Eu expliquei, eles não conseguem entender”.

Em nota pública após a repercussão do episódio, Siqueira pediu desculpas por ter se exaltado durante a abordagem da guarda municipal e admitiu que nada justifica os ‘excessos’ que cometeu. No entanto, em resposta aos processos no CNJ, afirmou que sua reação se deu por conta de sua ‘indignação com o desrespeito a questões jurídicas’. O magistrado alega que os agentes teriam cometido ‘abuso de autoridade’.

Os guardas municipais Cícero Hilário e Roberto Guilhermino, humilhados pelo desembargador, foram homenageados pelo então prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), com medalhas pela ‘conduta exemplar’ no episódio.

Piada do Ano ! Saúde não informa estoque de medicamentos e testes de Covid-19 alegando “sigilo”

Fica da picada ! Falta vacina, falta logística e falta transparência

Camila Mattoso
Folha

O Ministério da Saúde se recusa a passar informações sobre a quantidade de testes de Covid-19 e de qualquer medicação de seu estoque. Em resposta a pedido via Lei de Acesso, a pasta de Eduardo Pazuello afirma que as “informações referentes ao estoque de medicamentos sob guarda deste ministério se encontram em status de reservado”. Eles embasam o sigilo, em meio à pandemia, com um documento classificado em 2018, mas especialistas dizem que a justificativa é descabida.

Marina Atoji, gerente de projetos da Transparência Brasil, diz que “colocar o estoque inteiro de medicamentos em grau reservado é contrariar totalmente o princípio de que o sigilo tem que ser exceção, que está bem claro na LAI (Lei de Acesso à Informação). Certamente teria que ser um sigilo restrito a alguns medicamentos e insumos —e, ainda assim, forçando bastante a barra”. Além disso, ela aponta que os testes para Covid-19 não se encaixam na classificação de 2018, dado que naquele ano eles nem existiam.

ARGUMENTO – O ministério argumenta, na resposta ao pedido via Lei de Acesso, feito pelo deputado Ivan Valente (PSOL-SP), que essas informações podem “pôr em risco a vida, a segurança ou a saúde da população” ou “oferecer elevado risco à estabilidade financeira, econômica ou monetária do país”. Atoji diz que isso não faz sentido e pergunta de que forma isso se daria.

“O máximo de sigilo que se poderia admitir seria sobre informações pessoais eventualmente associadas aos dados de estoques e de localização desses estoques. E a LAI determina que, quando um documento contém informações sigilosas e públicas ao mesmo tempo, o órgão deve fornecer as partes públicas e reter apenas as partes sigilosas —e o ministério tem toda a capacidade de fazê-lo, como mostra o próprio Termo de Classificação”, completa Atoji, que também é coordenadora do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas.

“Negar acesso a esse tipo de informação já seria grave em qualquer contexto. Mas neste momento é uma violação gravíssima de dois direitos constitucionais em uma tacada só: o direito de acesso a informações e o direito à saúde”, conclui.O documento diz que as informações devem ter acesso restrito até 2023. As razões para classificação foram ocultadas no documento enviado pelo Ministério da Saúde.

INFORMAÇÕES – O deputado Ivan Valente solicitou informações sobre o estoque atual de testes e insumos para a realização de testes para a Covid-19 em poder do ministério, com a descrição do produto, da empresa fornecedora, a data de validade, a localização, a data de aquisição e os valores despendidos.

Recebeu como resposta o documento sobre o sigilo e um link de acesso para site que supostamente mostraria os contratos de compra de insumos. O link enviado não funciona.“Não há justificativa plausível para que esta informação seja classificada como reservada”, diz Gil Castello Branco, fundador da ONG Contas Abertas.

TRANSPARÊNCIA – “Quanto maior a transparência nesses estoques, maior será o controle social. Se houvesse transparência plena em relação ao oxigênio, por exemplo, possivelmente não teria ocorrido a tragédia de Manaus. É um absurdo. Trata-se de uma informação pública de relevante interesse da sociedade, sobretudo na situação de enfrentamento à pandemia. Não há justificativa plausível para que esta informação seja classificada como reservada”, acrescenta Castello Branco.

“Em um determinado momento em que o estoque da União era elevado, disseram que os estados não tinham solicitado. Como solicitar se a pasta não torna público o estoque existente? Ao que parece, o ministério da Saúde está colocando a sua incompetência como sigilosa”, finaliza.