Deputado que Renan indicou para Ministério vai desmoralizar o governo

Beltrão já reconheceu que é um político incompetente

Eduardo Bresciani e Leticia Fernandes
O Globo

Cotado para assumir o Ministério do Turismo, o deputado Marx Beltrão (PMDB-AL) vem alardeando no governo e no Congresso que não há motivo para ser condenado no processo a que responde no Supremo Tribunal Federal (STF) por falsidade ideológica. A Justiça dirá. O depoimento dele, no entanto, deve ligar um sinal de alerta no Planalto por outro motivo: Beltrão revela sem pudores que não é exatamente um administrador exemplar. Segundo ele, um dos motivos pelos quais se tornou réu foi ter assinado sem ler documentos que chegavam a suas mãos como prefeito de Coruripe (AL).

Nas palavras do próprio, fazia apenas “cara-crachá” do valor dos cheques que tinha de assinar com os documentos recebidos. Ele revela ainda que trabalhava somente de terça a quinta-feira. Para completar, o deputado reconhece ter nomeado um subordinado sem “capacidade técnica” para presidir o instituto de previdência do município, e o próprio indicado, Márcio Barreto, diz também em depoimento não ter “condições intelectuais” para o cargo.

Beltrão é réu por falsidade ideológica porque a prefeitura encaminhou ao Ministério da Previdência nos anos de 2010 e 2011 documentos com informações falsas sobre o repasse de recursos do caixa do município para o instituto local.

FRAUDE COMPROVADA – Auditoria da Receita Federal identificou que a prefeitura pagou R$ 625,9 mil a menos do que deveria. As certidões com dados inverídicos faziam com que o município parecesse estar com suas finanças em dia e continuasse a receber recursos federais. A irregularidade foi sanada em 2012, após a Receita começar a investigar o caso. No depoimento, prestado no Supremo em 4 de maio passado, o deputado negou ter conhecimento do que assinava.

“Todo dia, quando eu chegava na prefeitura — que, normalmente, eu ia terça, quarta e quinta, eram os dias que eu estava despachando na prefeitura —, eu chegava e tinha pilhas de papéis como esses, pilhas de papéis, e todos prontos já pra mim (sic) assinar. Eu não tinha conhecimento técnico para averiguar cada papel que era para assinar”, registra a transcrição do depoimento.

Em outro momento, afirmou não ter tempo de analisar esse tipo de documentação. “Não dá tempo de você ler tudo. Se você for parar para ler tudo, você não vai fazer nada, você vai passar o dia lendo e assinando e tentando ver se todas aquelas informações são verdadeiras ou não”, registrou Marx Beltrão.

ASSINAVA SEM LER – Beltrão disse que apenas checava se o valor dos cheques para assinar estavam de acordo com os documentos apresentados pelos subordinados. “O que era de pagamento, para assinar, de cheque, chegava os documentos, eu só fazia fazer ‘cara-crachá’ com o valor, para não assinar cheque de um valor errado com o documento num valor errado (sic)”, afirmou o ministeriável.

Em sua defesa, ele disse procurar “pessoas de confiança” para as funções. Afirmou que consultorias davam respaldo aos gestores e reconhece que seu indicado para o instituto de previdência, Márcio Barreto, não conseguiu nem sequer lhe explicar qual problema foi identificado pelos auditores da Receita.

“Na época, ele até tentou explicar, mas, cá pra nós, a explicação dele… Ele não tem a capacidade técnica de dizer o que está certo e o que está errado”, afirmou.

NÃO SABIA NADA – Barreto também foi chamado para depor e, assim como Beltrão, reconheceu sua falta de qualificação. Questionado se assinava sem ter conhecimento do teor, respondeu: “Na realidade era, porque eu nem conhecia o que era Previdência”.

O juiz federal que tomou o depoimento de Barreto chegou a questionar se ele considerava ter “condições intelectuais de compreender, de conferir” os documentos. A resposta foi de uma sinceridade incomum: “Ah, não tinha não. Não tinha ideia. Não. Contabilidade, nada”, respondeu.

A nomeação de Beltrão para o Turismo foi suspensa devido à repercussão negativa do processo. A indicação é atribuída a Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado e à bancada da Câmara. O primeiro vice-líder do PMDB na Câmara, Carlos Marun (MS), um dos mais próximos aliados de Eduardo Cunha, defendeu sua confirmação no posto na sexta-feira.  “Utilizar um processo fraco como este, sem condenação, para vetar o nome de um deputado é atitude injustificável”, afirmou Marun, por meio de nota.

O governo gostaria que Renan e o próprio Beltrão indicassem um novo nome para a função de ministro. 

Ministro da Defesa tenta justificar a prisão dos suspeitos de terrorismo

Jungmann tenta amaciar o equívoco do ministro da Justiça

Denise Rothenburg , Leonardo Cavalcanti  e Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Há menos de três meses no cargo, o ministro Raul Jungmann, 64 anos, parece confortável no comando do Ministério da Defesa e, mais ainda, ao defender as prisões de 11 suspeitos com base na Lei Antiterrorismo, da qual foi um dos relatores no Congresso. “Quando alguém migra para qualquer tipo de ato preparatório, aí nós sempre iremos à Justiça e vamos intervir”, disse ele.

Com as Olimpíadas, o Brasil passou a integrar o grupo de países que compartilham informações mais aprofundadas sobre terrorismo, como os EUA, a França, a Inglaterra e a Alemanha. “Até aqui, permanecíamos fora desse rito de intersecção, mas, para um país com as dimensões do Brasil, era inevitável existir essa projeção global”, disse Jungmann na última quinta-feira. Para ele, o Brasil precisa estar atento. “Não pode, como querem nossas elites, ter uma projeção mundial sem ter uma capacidade de dissuasão. E isso significa você ter uma política diplomática, uma diplomacia extremamente atuante e presente.”

Durante a conversa com o Correio, Jungmann disse que o país está preparado para as Olimpíadas, e que isso não é apenas uma avaliação do governo, mas de parceiros internacionais, como os Estados Unidos.

Há terroristas no Brasil?
Você não tem grupos terroristas. Nós não identificamos terroristas no Brasil que, por exemplo, estejam ligados a organizações internacionais, que tenham sido enviados para cá, que tenham sido treinados fora e que tenham entrado no país. Nossa área de inteligência, e também agências de inteligência internacionais, não identificaram essa ameaça. Portanto, nós não temos a informação de que aqui existam terroristas infiltrados.

Mas as últimas ações na Europa foram feitas exatamente por grupos que não tinham treinamento.
Primeiro, é preciso destacar que nós não temos tradição de atos terroristas no Brasil. Em segundo lugar, realizamos nos últimos anos sete grandes eventos. Às vésperas de todos, convivemos com o estresse pré-evento. Sempre existe essa perspectiva de que algo muito grave vai acontecer. O diferencial agora é que você tem essa grande sequência de atos terroristas, mundo afora. E estamos aqui organizando o maior evento global, que é, exatamente, a Olimpíada. Teremos, pela primeira vez, um centro internacional de inteligência que já alcançou o número de 106 especialistas de outros países, que estarão aqui conosco compartilhando informações.

Retirar de circulação “elementos suspeitos” é uma política de segurança preventiva prevista no caderno de encargos, devido às Olimpíadas?
Objetivamente, nós definimos uma linha que não pode ser cruzada, que é aquilo que se chama de atos preparatórios e é, exatamente, algo capitulado e previsto dentro da Lei Antiterrorismo da qual eu fui um dos relatores. Então, no momento em que você migra do juramento, da relação, seja com qual grupo for, e até da louvação, seja como for, e você sempre incide em qualquer tipo de ato preparatório, aí nós sempre vamos procurar a Justiça e vamos intervir. Quer dizer, essa é a linha divisória que não pode ser ultrapassada por absolutamente ninguém.

Do ponto de vista da prevenção, da segurança da Olimpíada, qual é a fronteira entre a simpatia e o engajamento ?
Ocorreram mutações no terrorismo clássico e no terrorismo atual. Particularmente, o sempre supracitado Estado Islâmico tem uma política muito agressiva, através das redes sociais. Qualquer pessoa pode procurar, pode entrar em contato. O que fazemos? O acompanhamento dessas pessoas. É evidente que, se você entrar em contato, trocar informações com uma entidade estrangeira, isso não constitui um crime. Você não tem como tipificar até aí. Agora, eu insisto, quando você migra da relação, da apologia interna, quando você sai do contato, da relação, da troca de informação e começa a concretizar, através de atos preparatórios, com intenção de realizar um ato terrorista, aí, de fato, você está cometendo um crime e a Justiça e a segurança têm que intervir. A pena, só pelos atos preparatórios, pode chegar a oito anos. E no caso de um ato terrorista, até 30 anos. É uma das mais pesadas penas que temos no Código Penal brasileiro.

Vai haver um sistema especial para esse período, na fronteira seca?
O que se pode fazer é um monitoramento das regiões mais sensíveis e fronteiras com Paraguai e Bolívia, que são aquelas onde há, mais intensamente, o fluxo de tráfico, seja de drogas, seja de armas, e assim por diante. E o ministro Serra esta semana está organizando uma reunião com todos os países, para buscar uma forma de atuação conjunta e maneiras de combater de forma integrada, internacionalmente, entre nós e os nossos vizinhos, esses crimes transfronteiriços e coibi-los.

Um adolescente que entra no site do Estado Islâmico já passa a ser investigado?
Não, mas vamos a esse caso concreto agora, desse pessoal que foi preso. Eles começaram a levantar informações em sites do Paraguai e em outros lugares, onde eles poderiam encontrar armas. Então, evidentemente, isso é uma mudança. Você começa a demonstrar intenção completa, na medida em que você se predispõe a procurar compra de armas, semiautomáticas. Aí, evidentemente que você já está cometendo um ato preparatório. Você fazer transporte de explosivos, receber pessoas que vão participar do ato, ceder locais para reuniões que vão levar a organização daquele ato. Tudo isso é calculado como um ato preparatório. Uma parte deles estava organizando isso.

O senhor acha que a prisão dos suspeitos pode trazer uma visibilidade negativa para o país?

Primeiro eu vou usar um testemunho de uma embaixadora dos EUA, que esteve comigo há umas três, quatro semanas. Ela me disse duas coisas. Em primeiro lugar, que nossos serviços de inteligência e os deles (EUA) estavam perfeitamente alinhados e trabalhando muito bem, um depoimento dela. Em segundo lugar, que o serviço de inteligência deles não identificava nenhuma ameaça potencial, aquilo que eu disse desde o começo. Eu acho que, na verdade, estamos mudando de patamar no que diz respeito ao sistema de inteligência como um tudo. De repente, o Brasil está prestes a realizar uma Olimpíada, se projeta sobre o Brasil um conflito geopolítico vivido na Síria. Até aqui, nós permanecíamos fora desse rito de intersecção ou interrelação e você percebe claramente que um país com as dimensões, com o peso do Brasil, é inevitável existir uma projeção global. A verdade é que, em um país como o nosso, é preciso estar atento que não pode, como querem nossas elites, ter uma projeção mundial sem ter capacidade de dissuasão, e isso significa você ter uma política diplomática, uma diplomacia extremamente atuante e presente. Em segundo lugar, você precisa ter poder militar; mais que a capacidade dos militares, você precisa ter um poder de dissuasão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Jungmann está apenas tentando conserta o erro do ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, que mandou prender terroristas tipo pé de chinelo, que nem armas tinham, ao invés de monitorá-los. Até agora, os suspeitos presos não cometeram crime algum, apenas demonstraram  que são completos idiotas, situação que não é punível em lei e até serve de atenuante para efeito de inimputabilidade. Como as espalhafatosas  prisões, o governo certamente despertou a “ira santa” de centenas de pseudos terroristas tropicais. O mais provável, porém, é que não aconteça nada. (C.N.)

Executivo da Odebrecht sugeriu pagar propinas em país sem cooperação com Brasil

Charge do Tacho, reprodução do Jornal VS

Deu no Correio Braziliense 

Um dos três delatores ligados ao “banco da propina da Odebrecht”, o empresário Luiz Augusto França, afirmou que executivos da empreiteira sugeriram que, por causa das investigações da Operação Lava Jato, ele e seu sócios Vinicius Borin e Marco Bilinski saíssem do Brasil rumo a países que não tivessem Cooperação Internacional. Luiz Augusto França disse à força-tarefa da Lava Jato que a conversa começou com Fernando Migliaccio e continuou com Felipe Montoro, executivos da empreiteira.

A cooperação jurídica internacional, segundo define o Ministério da Justiça, é o modo formal de solicitar a algum país medida judicial, investigativa ou administrativa necessária para investigação, inclusive bloqueio de ativos e prisão para fins de extradição.
O empresário relatou que Montoro sugeriu também que os delatores do setor financeiro “apresentassem um plano de gastos decorrentes desta mudança”. Os três delatores trabalharam no Meinl Bank Antigua, supostamente adquirido pela Odebrecht para repassar propinas no exterior.

VÁRIOS ENCONTROS – “Felipe Montoro já esteve no escritório do depoente e também encontraram-se algumas vezes, inclusive, em Viena e Portugal, na maioria das vezes acompanhado de Fernando, ocasiões em que sugeriram aos executivos do Meinl Bank deixarem o Brasil em razão das investigações da Lava Jato; que disseram que eles poderiam escolher alguns países, como Dubai, Antígua, Portugal. República Dominicana, deixando aberto também para outros países, observando que os países que sugeriam não tinham tratado de cooperação, o que daria maior segurança de que não seriam responsabilizados pelas autoridades brasileiras”, afirmou o delator.

Marco Bilinski, Vinícius Borin e Luiz França, que atuavam no setor financeiro e trabalhavam como captadores de clientes para o banco no Brasil, acordaram em pagar R$ 1 milhão de multa cada um e também repatriar todos os bens que possuírem no exterior, recolhendo os impostos às autoridades brasileiras. O valor dos bens no exterior, porém, não foi divulgado.

41 OFFSHORES – Com a homologação, as delações dos três executivos do setor financeiro, que se associaram a Fernando Migliaccio e Luiz Eduardo Soares, então executivos do Departamento de Operações Estruturadas – nome oficial da central de propinas da Odebrecht, segundo a Lava Jato -, poderão ser utilizadas para novas investigações sobre a complexa rede financeira de 41 offshores, empresas em paraísos fiscais, montada pela maior empreiteira do País para distribuir propinas relativas a obras que vão além do esquema de corrupção na Petrobras.

O Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht foi alvo da 23ª etapa da Lava Jato, que levou à prisão do marqueteiro João Santana, sua mulher e sócia, Mônica Moura, além do próprio Borin. Foi a partir da Operação Acarajé – assim batizada em referência a um dos nomes usados nas planilhas da contabilidade paralela da Odebrecht para propinas – que a força-tarefa da Lava Jato chegou ao núcleo dos pagamentos ilícitos da empreiteira.

Marxismo no Direito aumenta a nossa insegurança

Charge da Myrria, reprodução de A Crítica

Percival Puggina

Você provavelmente se criou assumindo como verdadeiras algumas premissas, entre as quais a de que pagamos impostos para que o Estado nos proporcione serviços, ou a de que os poderes de Estado priorizam o interesse público.

O tempo e a vida lhe ensinaram, contudo, que há grande distância entre tais premissas e a realidade. No mundo dos fatos, é para manter o Estado que pagamos impostos. A prioridade número um dele é cuidar de si mesmo. E a preocupação maior dos poderes de Estado é com sua manutenção e com a qualidade de vida de seus membros.

Desnecessário provar o que afirmo. Prefiro dar um passo além e desnudar outro mal que se instalou no Estado brasileiro e, mais intensamente no nosso Direito. Refiro-me a uma visão marxista da criminologia, dita criminologia crítica.

CRIMINALIZAÇÃO – Essa teoria vê o ato criminoso como consequência da estrutura de dominação e como reflexo de uma luta de classes da qual a própria lei penal é instrumento.

A criminalização de condutas seria, então, a forma pela qual o grupo social superior sanciona e reprime certas ações do grupo social inferior. Dito isso, você começa a entender, por exemplo, a origem do uso permanente que as esquerdas fazem do verbo “criminalizar” quando se referem aos repúdios à invasão e à destruição de bens públicos e privados: “Vocês estão criminalizando os movimentos sociais!”. Confere?

 

Pode não parecer muito (quando o bem agredido não nos pertence), mas se trata de algo com seriíssimos reflexos na criminalidade, na ordem pública e na nossa segurança pessoal.

SEGURANÇA PESSOAL – Quando estas ideias saem dos livros, descem com canudo na mão as escadarias das universidades e ganham vida nos tribunais e nos parlamentos, nossa segurança pessoal começa a perder a tutela do Estado e de suas instituições. Perde-a, pela convicção ideológica dos mais altos níveis institucionais. E perde-a, nos níveis inferiores, pela total incapacidade de corresponder à demanda social.

Faltam vagas nos estabelecimentos penais e são insuficientíssimos os contingentes policiais. A estes, falta verba, viatura, armamento e munição. E ainda caem impiedosas sobre seus ombros acusações de brutalidade, preconceito, despreparo e cobranças incompatíveis com o cotidiano de quem ganha o pão com o sangue, a saúde, o medo e a vida.

Como o leitor destas linhas deve ter percebido, a questão que aqui abordo tem tudo a ver com seu dia a dia! Parte significativa da insegurança em que todos vivemos decorre dessa insidiosa penetração do marxismo no nosso Direito e na nossa Política. E ainda temos que assistir os defensores dessa ideologia em orgulhosa contemplação de si mesmos e de sua virtuosa benignidade para com os malfeitores que nos atacam…

PRENDER E SOLTAR – Não haverá policiamento suficiente enquanto os mesmos criminosos, ainda que presos incontáveis vezes, continuarem retornando às ruas pelas mãos gentis do Estado. Nem enquanto a regra for a de prender pelo menor tempo possível. Quem disse que o sistema penal deve que ser um carrossel sem fim, com mais gente fora do que dentro?

A mesma mão que nos escorcha nos tributos estende a sua para quem nos toma a vida e o patrimônio. Por quê? Porque escolheram inverter os polos, fazendo de cada um de nós os verdadeiros autores do suposto ato criminal, culposo ou doloso, de não vivermos e não querermos viver numa sociedade socialista. Como se não nos bastassem os exemplos bem próximos da Venezuela e de Cuba!

Dívida pública e estratégia nacional colocam o Brasil na camisa de força.

Mauro Santayanna
Revista do Brasil

Seguindo a linha de criação de factoides adotada por setores do governo interino – exibe-se a bandeira da “austeridade” com a mão e aumenta-se, com a outra, em mais de R$ 60 bilhões as despesas, proventos e contratações. Uma das novidades da equipe econômica interina é a criação de um “teto” para as despesas do setor público para os próximos 20 anos. A principal desculpa para engessar ainda mais o país – e até mesmo investimentos como os de saúde e educação – é, como sempre, o velho conto da dívida pública.

Segundo jornais como O Globo, a dívida bruta do Brasil somou R$ 4,03 trilhões em abril, o equivalente a 67,5% do Produto Interno Bruto (PIB) – e pode avançar ainda mais nos próximos meses por conta do forte déficit fiscal projetado para este ano e pelo nível elevado da taxa de juros (14,25% ao ano). E daí?

DÍVIDA DOS EUA – A pátria do Wall Street Journal, os Estados Unidos, multiplicou, nos primeiros anos do século 21, de US$ 7 trilhões para US$ 23 trilhões a sua dívida pública bruta, que passou de 110% do PIB este ano, e se espera que vá chegar a US$ 26 trilhões em 2020.

A Inglaterra, terra sagrada da City e The Economist, que tantas lições tenta dar – por meio de matérias e editoriais imbecis – ao Brasil e aos brasileiros, mais que dobrou a sua dívida pública, de 42% do PIB em 2002 para quase 90%, ou 1,5 trilhão de libras esterlinas (cerca de US$ 2,2 bilhões), em 2014. A da Alemanha também é maior que a nossa, e a da Espanha, e a da Itália, e a do Japão, e a da União Europeia…

Já no Brasil, com todo o alarido e fantástico mito – miseravelmente jamais desmentido pelo partido – de que o PT quebrou o Brasil, a dívida pública em relação ao PIB diminuiu de quase 80% em 2002, para 66,2% do PIB em 2015. Enquanto a dívida líquida caiu de 60% para 35%.

E poupamos US$ 414 bilhões desde o fim do malfadado governo de FHC (US$ 40 bilhões pagos ao FMI mais R$ 374 bilhões em reservas em internacionais). E somos um dos dez países mais importantes do board do FMI, e o quarto maior credor individual externo dos Estados Unidos.

MAIS ENDIVIDADOS – Então vamos à inevitável pergunta: por que será que os países mais importantes do mundo e as chamadas nações “desenvolvidas” são, em sua maioria, os mais endividados?

Será que é por que colocam o desenvolvimento na frente dos números? Será que é por que não dão a menor pelota para as agências de classificação de risco, que, aliás, estão a seu serviço, e nunca os “analisaram” ou “rebaixaram” como deveriam? Será que é por que conversam fiado sobre países como o Brasil, mas não cumprem as regras que não param – para usar um termo civilizado – de “jogar” sobre nossas cabeças?

Ou será que é por que alguns, como os Estados Unidos, estabelecem seus objetivos nacionais, e não permitem que a conversa fiada de economistas e banqueiros e a manipulação “esperta” de dados, feita também por grupos de mídia que vivem, igualmente, de juros, sabote ou incomode seus planos estratégicos?

INVESTIMENTO – Todas as alternativas anteriores podem ser verdadeiras. O que importa não é o limite de gastos. Nações não podem ter amarras na hora de enfrentar desafios emergenciais e, principalmente, de estabelecer suas prioridades em áreas como energia, infraestrutura, pesquisa científica e tecnológica, espaço, defesa. O que interessa é a qualidade do investimento.

Como não parece ser o caso, como estamos vendo, dos reajustes dos mais altos salários da República, e dos juros indecentes que o Estado brasileiro repassa aos bancos, os maiores do mundo.

Que tal, senhor ministro Henrique Meirelles, adotar a mesma proposta de teto estabelecida para os gastos públicos exclusivamente para os juros e os respectivos bilhões transferidos pelo erário ao sistema financeiro todos os anos? Juros que não rendem um simples negócio, um prego, um parafuso, um emprego na economia real – ao contrário dos recursos do BNDES, que querem estuprar em R$ 100 bilhões para antecipar em “pagamentos” ao Tesouro?

ABAIXO DE ZERO – Agora mesmo, como o ministro Meirelles deve saber, os juros para igual efeito na Alemanha – com uma dívida bruta maior que a do Brasil – estão abaixo de zero. Os títulos públicos austríacos e holandeses rendem pouco mais de 0,2% ao ano e os da França, pouco mais de 0,3% porque são países que, mesmo mais endividados que o Brasil, não são loucos de matar sua economia, como fazemos historicamente – e seguimos insistindo nisso, com os juros mais altos do planeta, de mais de 14% ao ano, e outros, ainda mais pornográficos e estratosféricos, para financiamento ao consumo, no cheque especial, no cartão de crédito etc.

PENSAR GRANDE – A diferença entre países que pensam grande e países que pensam pequeno, senhor ministro Henrique Meirelles, é que os primeiros decidem o que querem fazer, e fazem o que decidiram, sem admitir obstáculo entre eles e os seus objetivos. Enquanto os segundos, por meio da ortodoxia econômica – e do entreguismo –, antes mesmo de pensar no que vão fazer, submetem-se servilmente aos interesses alheios, e criam para si mesmos obstáculos de toda ordem, adotando – como as galinhas com relação à raposa na reforma do galinheiro – o discurso alheio.

Aqui, senhor ministro, não determinamos nem discutimos, nem defendemos interesses nacionais, e quando temos instrumentos que possam nos ajudar eventualmente a atingi-los, como ocorre com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, nos dedicamos a enfraquecê-los e destruí-los.

MATAR O ESTADO – Cortando onde não se deve e deixando de cortar onde se deveria, estão querendo matar o Estado brasileiro, que, de Brasília a Itaipu, foi responsável pelas maiores conquistas realizadas nos últimos 100 anos – na energia, na mineração, na siderurgia, no transporte, na exploração de petróleo, na defesa, na aeronáutica, na infraestrutura.

Não existe uma só área em que, do ponto de vista estratégico, a iniciativa privada tenha sido superior ao Estado, como fator de indução e de realização do processo de desenvolvimento nacional nesse período – até porque, fora algumas raras, honrosas exceções, ela coloca à frente os seus interesses e não os interesses nacionais.

E é com base justamente na premissa e no discurso contrário, que é falso e mendaz, que se quer justificar uma nova onda de entrega, subserviência e privatismo, com a desculpa de colocar em ordem as contas do país, quando, no frigir dos ovos, nem as contas vão tão mal assim. Basta compará-las às outras nações para perceber isso.

UNIVERSO NEBULOSO – As dificuldades existem muito mais no universo nebuloso dos números, que mudam ao sabor dos interesses dos especuladores (onde está a auditoria da dívida?) do que na economia real.

Se a PEC do Teto, como está sendo chamada pelo Congresso, for aprovada, as grandes potências, como Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha – ainda que mais endividadas que o Estado brasileiro – continuarão progredindo tecnológica e cientificamente, e se armando, e se fortalecendo, militarmente e em outros aspectos, nos próximos anos, enquanto o Brasil ficará, estrategicamente, inviável e imobilizado, e ainda mais distante dos países mais importantes do mundo.

Para enfrentar os desafios de um mundo cada vez mais complexo e competitivo, senhor ministro Henrique Meirelles, o Brasil precisa de estratégia, determinação e bom senso. E não de mais camisas de força.

Desânimo olímpico já atinge a metade da população

Charge do Arionauro (arionaurocartuns.com.br)

Bernardo Mello Franco
Folha

Faltam duas semanas para o início da Rio-2016, mas o espírito olímpico ainda não contagiou os brasileiros. Pelo contrário: o Datafolha descobriu que a rejeição aos Jogos dobrou em três anos. Em junho de 2013, um quarto da população era contra a realização da Olimpíada. Agora o percentual de insatisfeitos saltou para 50%. Metade dos entrevistados diz não ter nenhum interesse pelas competições, e 63% acreditam que o megaevento vai trazer mais prejuízos do que benefícios para o país.

O mau humor parece estar ligado à situação do país e da cidade-sede. O Brasil mergulhou na maior crise política e econômica das últimas décadas, e o Rio voltou aos tempos da penúria e do bangue-bangue.

O governador interino decretou estado de calamidade pública, mas nem precisava. Basta ver a situação de descontrole na segurança, o calote nos servidores e o sucateamento da universidade estadual, a Uerj.

A fase não está boa nem para a propaganda. A turnê da tocha pelo país ficou manchada pela morte estúpida de uma onça. Em muitas cidades, os moradores parecem mais empenhados em tentar apagar o fogo do que em participar do oba-oba.

OPORTUNIDADE PERDIDA – As promessas descumpridas também contribuem para o clima de desânimo. A baía de Guanabara continua imunda, as lagoas da Barra da Tijuca idem, e a expansão do metrô carioca custou o dobro do planejado, mas ainda não foi inaugurada. Se tudo der certo, entrará em funcionamento a cinco dias dos Jogos.

É possível que o início das competições anime a maioria dos insatisfeitos, como aconteceu na Copa. Mas o prefeito Eduardo Paes, que entregou suas obras a tempo, teve razão ao dizer que a Olimpíada será uma “oportunidade perdida” para o país.

Isso também vale para os políticos que festejaram a escolha do Rio como cidade-sede. Em 2009, Lula e Sérgio Cabral transpiravam euforia no anúncio do COI. Hoje os dois andam por baixo, às voltas com a Lava Jato.

A escandalosa falta de ética de hoje remonta à era da escravidão

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Ilustração do Duke, reprodução de O Tempo

Leonardo Boff
O Tempo

O país, sob qualquer ângulo que o considerarmos, é contaminado por uma espantosa falta de ética. O bem só é bom quando é um bem para mim e para os outros; não é um valor buscado e vivido, mas o que predomina é a esperteza, o jeitinho e a Lei de Gérson. Os vários escândalos que se deram a conhecer revelam uma falta de consciência ética alarmante. Diria, sem exagero, que o corpo social brasileiro está de tal maneira putrefato que, onde quer que aconteça um pequeno arranhão, já mostra sua purulência.

A falta de ética se revela nas mínimas coisas, desde as mentirinhas ditas em casa aos pais, a cola na escola ou nos concursos, o suborno de agentes da polícia quando alguém é surpreendido numa infração de trânsito e até em fazer pipi na rua.

Essa falta generalizada de ética deita raízes em nossa pré-história. É uma consequência perversa da colonização. Ela impôs ao colonizado a submissão, a total dependência à vontade do outro e a renúncia a ter sua própria vida. Estava entregue ao arbítrio do invasor. Para escapar da punição, se obriga a mentir, a esconder intenções e a fingir. Isso leva à corrupção da mente. A submissão e o medo levam fatalmente a uma ruptura com a ética.

A VONTADE DO SENHOR – O colonizado se obrigou, como forma de sobrevivência, a mentir e a encontrar um jeitinho de burlar a vontade do senhor. A casa-grande e a senzala são um nicho produtor de falta de ética pela relação desigual de senhor e de escravo. O ethos do senhor é profundamente antiético: ele pode dispor do outro como quiser, abusar sexualmente das escravas e vender filhos pequenos delas para que não tivessem apego a eles. Esse tipo de ética desumana cria hábitos e práticas que, de uma forma ou de outra, continuam no inconsciente coletivo de nossa sociedade.

A abolição da escravatura ocasionou uma maldade ética inimaginável: deu-se liberdade aos escravos, mas sem fornecer-lhes um pedaço de terra, uma casa e um instrumento de trabalho. Foram lançados diretamente na favela. E hoje, por causa de sua cor e de sua pobreza, são discriminados, humilhados e as primeiras vítimas da violência policial e social.

NADA MUDOU – A situação, em sua estrutura, não mudou com a República. Os antigos senhores coloniais foram substituídos pelos coronéis e senhores de grandes fazendas e capitães da indústria.

As relações de produção capitalista que se introduziram no Brasil pelo processo de industrialização e modernização foram selvagens. Nosso capitalismo nunca foi civilizado: guardou sua voracidade de acumulação como em suas origens nos séculos XVIII e XIX.

Para superarmos a crise da ética, não bastam apelos, mas uma transformação da sociedade. Antes de ser ética, a questão é política, pois esta é estruturada em relações profundamente antiéticas.

FORMAR A FAMÍLIA – Tudo deve começar na família. Criar caráter nos filhos, formá-los na busca do bem e da verdade, não se deixar seduzir pela Lei de Gérson e evitar, sistematicamente, o jeitinho. Princípio básico: tratar sempre humanamente o outro. Oriente-se pelos dez mandamentos, que são universais. Traduzidos para hoje: o “não matar” significa venere a vida, cultive uma cultura da não violência. O “não roubar”: aja com justiça e correção e lute por uma ordem econômica justa. O “não cometer adultério”: amem-se, respeitem-se e obriguem-se a uma cultura da igualdade e parceria entre o homem e a mulher.

Isso é o mínimo que podemos fazer para arejar a atmosfera ética de nosso país. Repetindo o grande Aristóteles: “Não refletimos para saber o que seja a ética, mas para tornarmo-nos pessoas éticas”.

Muito apressadinho, Conselho da Petrobras já aprovou a privatização da BR…

Charge do Chico Caruso, reprodução do Arquivo Google

Samantha Lima
Época

A Petrobras decidiu abrir mão de controlar a BR Distribuidora sozinha e oferecerá ao mercado um modelo em que tentará vender 51% do capital votante. Ao mesmo tempo, buscará compartilhar o comando da empresa com o novo sócio. É a primeira grande decisão estratégica da gestão de Pedro Parente. A revisão do modelo de venda se deve ao fato de a proposta anterior, de oferta de participação minoritária, não ter sido bem-sucedida, depois de mais de nove meses de tentativas.

De acordo com a empresa, uma composição de ações ordinárias, com direito a voto (na prática, que definem quem manda a empresa), e preferenciais (sem direito a voto, mas com preferência na distribuição de dividendos), será feita de forma que, no fim das contas, a Petrobras seja majoritária no capital total (soma das duas classes de ações).

ACORDO DE ACIONISTAS? – Em tese, quem compra 51% do capital votante torna-se controlador da empresa, mas a Petrobras quer compartilhar esse controle, o que será possível com um acordo de acionistas a ser assinado com a venda.

Nos últimos meses, três ofertas pela BR Distribuidora chegaram à empresa – duas delas queriam o controle, que, até então, não estava à venda. Uma terceira queria uma participação minoritária, mas em valor menor do que a Petrobras pretendia. No mercado, o entendimento é que “ninguém quer ser sócio minoritário da Petrobras”.

A decisão de vender 51% foi tomada em reunião do conselho de administração da empresa, nesta sexta-feira (22).

OBRAS A CONCLUIR – O colegiado também tomou providências em relação às refinarias Abreu e Lima, em Pernambuco, e Comperj, no Rio de Janeiro. Alvos do esquema de corrupção montado entre empreiteiras e executivos da estatal, as obras tiveram seus orçamentos multiplicados algumas vezes e não foram concluídas.

No caso do Comperj, apenas uma unidade de gás será concluída. As obras do parque de refino da primeira unidade serão suspensas até 2020. A segunda unidade de refino será cancelada.

Em Abreu e Lima, a primeira unidade será concluída, o que aumentará a produção diária de 100.000 barris para 115.000 barris. O destino da segunda unidade ainda será reavaliado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A reportagem é claramente a favor da venda do controle da BR, que deveria ser a última opção e está se transformando na primeira e única. O assunto é de interesse nacional e deveria ser discutido mais abertamente, antes do Conselho aprovar uma decisão de tamanha importância. Como dizi a Barão de Itararé, há algo no ar e não são os aviões de carreira. (C.N.)

Caiu a ficha: Dilma já sabe que não volta e quer abreviar o impeachment

“Quero acabar logo com essa agonia”, afirma Dilma

Daniel Pereira e Laryssa Borges
Veja

Na terça-feira passada, Michel Temer ofereceu um jantar no Palácio do Jaburu aos presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Rodrigo Maia. Não havia uma pauta específica. O objetivo do presidente interino era mostrar à imprensa uma situação de harmonia entre os chefes do Executivo e do Legislativo, para contrastar com o clima beligerante no governo da presidente afastada Dilma Rousseff. Tudo correu conforme o planejado, com uma revelação inesperada. Renan Calheiros disse a Temer que a petista jogou a toalha e admitiu não ter mais chances de impedir a aprovação do impeachment no Senado. Segundo o relato do senador, Dilma desabafou nos seguintes termos: “Quero acabar logo com essa agonia”.

Calheiros é a expressão mais viva do que se pode chamar de “político de Brasília”. Isso significa que está sempre ao lado do poder. Há poucos meses, estava empenhado em desalojar Temer da poderosa presidência do PMDB e, se possível, deixá-lo distante da rampa do Palácio do Planalto. Foi um dos generais da batalha de Dilma para barrar o impeachment.

Sendo um “político de Brasília”, Calheiros é um termômetro quase infalível para detectar a temperatura do poder. Se conversa em tom de confidência com Temer, por quem nunca nutriu grande simpatia, é sinal de que tem certeza de que Dilma não conseguirá recuperar o mandato.

VOTOS SUFICIENTES – A percepção do senador, no entanto, não é propriamente um privilégio. É difícil encontrar em Brasília, mesmo dentro do PT, alguém que acredite na volta de Dilma ao Palácio do Planalto, ainda que as pesquisas de opinião mostrem que mais de 60% do eleitorado prefere a convocação de novas eleições. A questão central é que Michel Temer, em apenas dois meses de interinidade, conseguiu plantar um clima de estabilidade na política e na economia, que favorece sua permanência no poder.

Pelas contas do senador Romero Jucá (PMDB-RR), demitido do Planejamento por conspirar contra a La­va-Jato, 61 dos 81 senadores votarão a favor do impeachment. Eliseu Padilha, chefe da Casa Civil, aposta que o número pode chegar a 63 senadores, incluindo Calheiros.

É tamanha a confiança que Geddel Vieira Lima, o ministro encarregado de negociar com o Congresso, tirará nos próximos dias uma semana de férias. “A fatura está liquidada”, reza o mantra da hora no PMDB.

NOMEAÇÕES – Temer, por via das dúvidas, não descuida de usar a máquina pública para sacramentar sua vitória. De olho nas ruas, sancionou reajustes salariais para servidores públicos e anunciou a ampliação dos financiamentos da Caixa Econômica Federal para a compra de imóveis. Num aceno aos congressistas, vetou novos cortes no Orçamento da União e determinou que sejam nomeadas imediatamente as pessoas indicadas por deputados e senadores de sua base de apoio para ocupar cargos públicos.

Na quarta-feira, o ministro Geddel Vieira Lima recebeu Jovair Arantes (PTB-GO), relator da comissão do impeachment na Câmara, para sacramentar a distribuição de cargos federais em Goiás entre os parlamentares do estado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Politicamente, nada mudou. O regime político é presidencialismo de coalizão (tipo esculhambação), com distribuição de cargos a indicados por parlamentares, liberação das verbas das emendas políticas e tudo o mais. O que mudou na política foi apenas a Lava Jato, obrigando a corrupção a ser mais cautelosa. O resto é tudo igual, embora seja inegável que está bem melhor do que na Era do PT. Quanto à dona Dilma, já vai tarde. (C.N.)

O amor de Clarice Lispector, a ser vivido intensamente

A escritora, jornalista e poeta Clarice Lispector (1920/1977), nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, sustentava que a vida tem que ser vivida intensamente, tal qual o amor, e sem medo, pois ele não mata.

MAS HÁ A VIDA

Clarice Lispector

Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.

Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

              (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

Quais os governos em que as dívidas para com a União mais cresceram?

Charge reproduzida do Arquivo Google

Pedro do Coutto

Eis aí uma pesquisa interessante a ser feita a partir da reportagem de Idiana Tomazelli e Adriana Fernandes, O Estado de São Paulo, edição de sexta-feira, na qual está citada informação do ministro Eliseu Padilha de que a dívida de empresas privadas para com a União eleva-se à escala de 1 trilhão de reais. O número é citado como base de um projeto do governo Michel Temer de tentar vender parcelas desse montante a instituições privadas, às quais a União transferiria o direito de cobrança. Claro que essas instituições cobrariam pelo trabalho e, portanto, só entrariam para os cofres do Tesouro Nacional os resultados que, deduzidas as taxas, poderiam alcançar cerca de 22 bilhões de reais.

Isso porque, calcula o chefe da Casa Civil, que as instituições interessadas poderiam assumir 6% do total da primeira parcela de dívidas vendidas pelo Ministério da Fazenda. Um trilhão de reais é uma quantia enorme, equivalendo praticamente a 18% do PIB do país. Evidentemente ela não foi acumulada de ontem para hoje.

AO LONGO DOS ANOS – A dívida é resultado de muitos anos de inação e de questões judiciais não resolvidas em definitivo, ou transitadas em julgado, mas sem execução respectiva. Para definir as responsabilidades administrativas, é importante que a Fazenda divulgue um levantamento sobre a evolução das parcelas que, através do tempo, atingiram um trilhão de reais. Tal levantamento caracterizaria as responsabilidades de cada presidente da República que não tomou as medidas concretas que deveria ter adotado.

A dívida de 1 trilhão refere-se à administração direta do governo. Cresce fantasticamente, se computadas as dívidas de empresas para com o INSS, que quase dobram seu valor. São mais um trilhão e 800 bilhões de moeda na realidade inadimplente. Há casos até em que empregadores descontaram as contribuições dos empregados e não as recolheram aos cofres da Previdência Social. Se incluirmos, ainda, as dívidas para com as empresas estatais, subiriam muitos degraus ainda no roteiro da omissão e da vontade de adiar decisões e iniciativas concretas.

METADE DO PIB – Para que se tenha a dimensão exata do que representa a quantia de 2,8 trilhões de reais, vale dizer que é a metade do PIB anual brasileiro.  Não se trata apenas do que não foi cobrado, mas sobretudo do que deixou de ser feito, pelo fato dos débitos terem sido depositados na conta corrente do esquecimento.

Mas se de um lado deve-se percorrer o tempo e verificar as escalas de acumulação das dívidas de 2,8 trilhões, pode-se também – sugiro aqui – fazer um levantamento paralelo para revelar quais os governos que mais elevaram a dívida Federal, que, segundo o Banco Central encontra-se no alto de 2,9 trilhões de reais.

IMPORTÂNCIA – As duas pesquisas podem ter sua realização determinada pelo ministro Henrique Meirelles, tal é a amplitude de seu conhecimento das ondas que balançam os mercados financeiros.

Se as dívidas fossem – ou forem – cobradas, a situação das contas públicas que tanto preocupam o presidente Michel Temer e o ministro da Fazenda, seria muito diferente do panorama que ambos apresentam à Nação, preocupando naturalmente 200 milhões de brasileiros atingidos pela inflação e pelo desemprego. Fica aí a ideia à disposição do Palácio do Planalto.

Ação da Abin contra terrorismo é arriscadíssima e pode provocar retaliações

Charge O Tempo 22.7.2016

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Newton

A espalhafatosa operação do Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para evitar atos de terrorismo na Olimpíada é altamente polêmica e controversa. Os dez suspeitos presos nesta quinta-feira são claramente amadores, com baixa capacidade de organização e execução. Lembrando o genial filósofo Aristóteles, que há 2,3 mil anos já ensinava que “o bom senso é elemento central da conduta ética, uma capacidade virtuosa de achar o meio-termo e distinguir a ação correta”, pode-se dizer que, no caso do terrorismo tropical,  o bom senso indicava que a estratégia mais apropriada seria simplesmente monitorar os suspeitos 24 horas por dia.

Com esse cuidado, seria evitada a concretização de atentados e seus frustrados autores poderiam ser presos em flagrante, tudo isso sem causar pânico nem marcar presença na escandalosa mídia internacional, que está esvaziando o grande evento.

Na verdade, o que a mídia tem passado para o resto do mundo é que a Olimpíada no Rio de Janeiro representa um risco crescente em termos de saúde, organização e segurança, esta é a indesmentível realidade.

TUDO VAI MAL – Primeiro, surgiram as ameças de zika, dengue, chicungunha e gripe H1N1. Depois, o atraso nas obras, a queda da ciclovia. Para agravar a crise, o incompetente governador em exercício Francisco Dornelles baixou o decreto da “calamidade pública”, provocando a devolução de 50 mil ingressos já comprados para os jogos. E para culminar, o prefeito Eduardo Paes passou a dar seguidas entrevistas dizendo que não há segurança na cidade e a Olimpíada é uma “oportunidade perdida”.

Em tradução simultânea, pode-se dizer que o Rio de Janeiro nem precisa de inimigos, porque seus próprios governantes se encarregam de destruir a imagem da cidade. E o fazem com um impressionante empenho.

UMA VOZ SENSATA – Na chamada undécima hora, enfim apareceu um político de gabarito para defender a cidade, embora seja tarde demais, o mal já está feito. Em discurso a militares que irão compor as forças de segurança durante a Olimpíada no Rio de Janeiro, na sexta-feira, o ministro da Defesa Raul Jungmann criticou a “paranóia exacerbada pré-Olimpíada”. Voltou a afirmar que não há qualquer “ameaça consistente” de ação durante os Jogos, destacando que as Forças Armadas terão 22 mil militares no Rio durante evento, além dos efetivos da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Guarda Municipal.

Ressalve-se que Jungmann é um homem honrado, que está há décadas na política, já foi ministro duas vezes e não enriqueceu ilicitamente. Pelo contrário, sua declaração de renda revela que não tem casa própria, paga aluguel e seu único bem é um automóvel. Justamente por isso, merece ser ouvido com especial atenção.

RISCO MAL CALCULADO – Ao lançar essa operação escalafobética, as forças de segurança, sob o comando da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) , partiram do princípio de que essa iniciativa desestimulará quaisquer outros atos de terrorismo. Pode ser até que isso ocorra, mas é preciso raciocinar que se trata de fanáticos religiosos que não ligam para a vida. Pelo contrário, os islamistas têm prazer em morrer pela guerra santa, para encontrar a felicidade eterna. E se multiplicam como coelhos, quando se prende um deles, logo aparecem outros para substituí-lo.

Nesse quadro real, promover operações hollywoodianas para prendê-los com base na lei antiterrorismo, mas sem flagrante delito da tentativa de atentado (ou seja, por mero crime de opinião), não somente dificulta a acusação pelo Ministério Público, como também pode despertar, ainda mais, a ira dos mais fanáticos. É aí que mora o perigo.

Bondades e maldades que caracterizam a política nacional

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Chagas

Como aceitar que Michel Temer tenha anunciado a iminência de um pacote de bondades, incluindo nelas montes de nomeações para presidências e diretorias de empresas públicas feitas por deputados e senadores da base aliada? Trata-se de chantagem pura, primeiro porque essas nomeações já deveriam ter sido feitas, em nome da eficiência administrativa do governo. Depois, porque empresas públicas não são capim a ser mastigado por políticos, senão que instrumento de eficiência para o bom andamento de negócios de estado.

Finalmente, pelo prazo fixado para a premiação de quem prometer votar no Congresso projetos de interesse do palácio do Planalto: tem que ser antes da votação final do impeachment de Dilma Rousseff. Depois, não adianta mais, terá chegado a vez do pacote de maldades, com a degola definitiva de Madame…

É assim que continua sendo feita a política entre nós. Dando, o governo receberá. Perdendo a hora de dar, não haverá por que a caridade. Nada difere a administração Temer de sua anterior, de Dilma. As duas significam desprezo absoluto pelas necessidades nacionais.

DE ACORDO COM INTERESSES – Pior fica quando se analisa o comportamento dos partidos, que continuam votando de acordo com seus interesses. Pouco importa se determinada nomeação serve ou contraria a performance desta ou daquela estatal. Se vai causar prejuízo à finalidade para a qual existe ou se contribuirá para a sua melhoria. Valem mais os dividendos para a pessoa que nos governa.

Tem sido assim há décadas, favorecendo PT, PSDB, PMDB ou outro grupo qualquer, formando-se maiorias e minorias segundo esse critério. Chame-se Temer, Dilma, Lula ou Fernando Henrique, arma-se de acordo com sua vontade a estrutura de poder dominante.

Para ficar no tema, indaga-se de João Santana e Mônica Moura quanto faturaram desde que assumiram como marqueteiros do PT. Os dois tiveram seu mérito nas eleições de Dilma. Estarão lamentado o quanto terão salvado?

Atirador que matou dez pessoas em Munique se suicidou, diz a Polícia

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Policiais ocupam o shopping em Munique após o atentado

Deu na AFP

O tiroteio de Munique nesta sexta-feira, que deixou dez mortos e pelo menos 21 feridos, segundo um último balanço, foi obra “muito provavelmente” de um homem sozinho que se suicidou – anunciou a Polícia na madrugada de sábado (horário local).

“Descobrimos, no âmbito da investigação, uma pessoa que se suicidou”, indicou a Polícia em sua conta no Twitter, acrescentando que “se trata, muito provavelmente, do autor, que agiu sozinho”.

A Polícia da cidade bávara (sul da Alemanha) mencionou um “final do alerta” lançado ao ocorrer o massacre, embora se mantenha “prudente”.

Os transportes públicos voltaram a funcionar na madrugada de sexta-feira para sábado, segundo um twítter da polícia local. A estação central de trens de Munique, que havia sido evacuada, reabriu, e os trens voltaram a circular.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Até agora, ninguém assumiu o atentado, não se sabe se a origem é o Estado Islâmico, como tem ocorrido ultimamente. Ao que parece, porém, existe uma guerra declarada do Estado Islâmico contra o resto do mundo, que a Rússia, a Síria e o Iraque estão enfrentando praticamente sozinhos, no Oriente Médio. (C.N.)

Temer demite Jorge Bittar da Telebras, envolvido em contrato de 400 milhões

Bittar armou uma saída apoteótica nos cofres da Telebras

Deu no site Blastingnews

O presidente em exercício, Michel Temer, do PMDB, continua a tomar atitudes polêmicas que visam deixar o seu governo com o menor número de petistas possíveis. A caça às bruxas continua. O novo demitido da vez é Jorge Bittar, que estava no comando da Telebras. O aliado da presidente afastada Dilma Rousseff não faz mais parte do staff da empresa. O movimento de dispensa também atingiu um grupo de funcionários do alto escalão, segundo reportagem da ‘Folha de São Paulo’ , garantindo que toda a diretoria da empresa será demitida.

A demissão ocorreu depois que o blog político O Antagonista publicou uma matéria revelando que Bittar entregou um contrato de cerca de R$ 400 milhões. O dinheiro seria utilizado para instalar estações na terra para ajudar a aumentar a banda larga de um consórcio. Até aí tudo bem. O problema é que o consórcio, denominado EMC, era presidido pelo ex-assessor de Jorge Bittar, Ronal Valladão. O blog ainda diz que no lugar de Bittar, quem assumirá a Telebras é Antônio Loss, executivo do setor de telecomunicações, que já trabalhou na Oi.

DESÂNIMO NO PT – A medida é apenas mais uma para tirar petistas do comando de empresas estatais importantes. Fala-se que esse seria o início do fim do partido de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Isso porque a legenda vai perdendo cada vez mais influência no próprio governo e também na sociedade. A cada aliado que sai do governo, o PT se vê mais complicado na tarefa de achar alguém que consiga rearrumar a casa até 2018, quando ocorrerão novas eleições presidenciais. Um dos favoritos para concorrer é o próprio Lula.

Nem mesmo os maiores aliados de Rousseff acreditam em uma grande possibilidade dela voltar ao poder durante o processo de impeachment. A falta de esperanças estaria fazendo representantes tentarem negociar uma votação rápida contra Dilma no Senado Federal.
                                        (texto enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas)

Procuradoria pede urgência para o julgamento de Gleisi e Paulo Bernardo

Procuradoria argumenta que já éxiste “provas evidentes”

Deu em O Tempo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) urgência no julgamento da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) e do marido dela, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo. Em maio, Gleisi e Bernardo foram denunciados ao Supremo sob a acusação de receber R$ 1 milhão para campanha da senadora em 2010 e, de acordo com depoimentos de delatores, o valor é oriundo de desvios de contratos da Petrobras. Ambos foram citados nas delações do doleiro Alberto Youssef.

Na manifestação enviada ao Supremo, a procuradoria sustenta que há provas evidentes dos crimes. “Há se reiterar que, segundo compreensão do MPF, há evidentes e hígidos elementos concretos para o recebimento da denúncia – que não deixam de existir diante das versões narradas nas respostas à acusação sob exame”, diz a PGR.

Na defesa encaminhada ao Supremo, a defesa da senadora alegou que as acusações são “meras conjecturas feitas às pressas” em função de acordos de delação premiada.

“A requerida [senadora] jamais praticou qualquer ato que pudesse ser caracterizado como ato ilícito, especialmente no bojo do pleito eleitoral ao Senado Federal no ano de 2010, na medida em que todas as suas contas de campanha foram declaradas e integralmente aprovadas pela Justiça Eleitoral”, diz a defesa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se diz no linguajar esportivo, a Procuradoria está “jogando para a arquibancada”, porque não há adianta pedir urgência ao Supremo. Trata-se de um superpoder que não tem urgência para nada, a não ser que o ministro-relator realmente se interesse pela causa. Há recursos que são julgados e os acórdãos (sentenças finais) demoram mais de dois anos para serem publicados e terem efeito na prática, vejam se isso é exemplo de Justiça aqui ou na Conchinchina, com se dizia antigamente. (C.N.)

Executivo fez os pagamentos a Santana e Mônica por ordem de Vaccari, do PT

Fotomontagem sem autoria, reprodução do Arquivo Google

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo
Estadão

O engenheiro Zwi Skornicki, apontado na Operação Lava Jato como operador de propinas do esquema Petrobrás, declarou ao juiz federal Sérgio Moro ter pago US$ 4,5 milhões ao casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, entre 2013 e 2014. Ele revelou a existência de uma ‘conta-corrente’ por meio da qual repassava valores ilícitos a ex-dirigentes da Petrobrás e a credores do PT por indicação do então tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

Em depoimento nesta quinta-feira, 21, Zwi afirmou que ‘acertou’ os repasses diretamente com Vaccari – preso e já condenado na Lava Jato.

Zwi disse, porém, que ‘não sabia’ que os valores depositados em conta secreta do casal de marqueteiros na Suíça eram relativos à dívida de campanha da presidente afastada Dilma Rousseff, em 2010. Mônica Moura e João Santana declararam, também nesta quinta a Moro, que receberam US$ 4,5 milhões relativos a dívida da campanha presidencial de Dilma Rousseff, em 2010.

Zwi assinou acordo de delação premiada, que ainda não foi homologado pelo juiz Moro. Ele foi ouvido como ‘colaborador’, com o compromisso de dizer a verdade. Afirmou que pagou propinas em todos os contratos referentes às Plataformas P51 e P52 ‘com o conhecimento de que ia para agentes das Petrobrás’.

BARUSCO E DUQUE – Contou que também ‘tratou diretamente’ sobre valores ilícitos com Pedro Barusco e Renato Duque, respectivamente ex-gerente de Engenharia e ex-diretor de Serviços da estatal petrolífera. Barusco fez delação e está em liberdade. Duque continua preso. Segundo Zwi Skornick, foi dito a ele que que 50% da propina sobre contratos da Petrobrás ‘iam para o partido’.

Relatou que ‘tratava da parte do partido com João Vaccari’.

Segundo Zwi, foi o então tesoureiro do PT quem indicou o nome de Mônica Moura para que pagasse a ela parte da propina. Mônica indicou a ele a conta Shellbill para receber o dinheiro. Ele afirmou que os US$ 4,5 milhões que entregou aos marqueteiros de Lula e Dilma tiveram oriegem em ‘propina da Petrobrás’.

“Foi feita uma conta corrente do sr. Vaccari”, declarou. “O Barusco quem me apresentou a ele. O Barusco disse que ele (Vaccari) faria a coordenação desses recebimentos.”

ENCONTROS COM VACCARI – O delator contou que manteve encontros pessoais com Vaccari, ‘algumas vezes em seu escritório ou no hotel onde ele (Vaccari) ficava’.

“Essa conta corrente foi feita e sendo paga a pessoas que o sr. Vaccari ia indicando no exterior ou no Brasil”, afirmou Zwi Skornicki. “Os pagamentos eram todos autorizados pelo sr. João Vaccari.”

“Numa das visitas do sr. Vaccari no meu escritório ele disse que tinha que fazer uns pagamentos para o sr. João Santana e para Mônica Moura e que a Mônica iria me procurar. Ela esteve no meu escritório.”

O valor ‘combinado’ e autorizado por Vaccari era de US$ 5 milhões. “Eu disse a ela (Mônica) que não tinha como pagar de uma vez porque o que tinha de saldo dos contratos da Petrobrás não era suficiente. Ficou combinado (o pagamento) em 10 parcelas de 500 mil dólares. Foi uma conversa muito curta, ela chegou no meu escritório e disse ‘vim aqui a mando do sr. Vaccari, gostaria de acertar com o sr. o pagamento’. Eu comentei que não poderia pagar de uma vez. Paguei só 9 de 500 mil até novembro de 2014. Mas ela (Mônica) nunca comentou porque tinha que receber os 5 milhões.”

Ele revelou como a conta corrente era abastecida. “A conta corrente abrangia contratos da Petrobrás e da Sete Brasil.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
A presidente afastada Dilma Rousseff nega ter autorizado o pagamento via caixa dois, a Assessoria do PT diz que nunca houve caixa dois, Lula afirma que não sabia de nada, e o advogado de Vaccari alega que as afirmações de Zwi Skornicki, Mônica Moura e João Santana perante o juiz Sérgio Moro não são confiáveis por ele querem forçar a delação. Ou seja, os depoentes se autoacusam propositadamente, com tudo combinado para que as acusações que se complementem, e tudo isso só para prejudicar Dilma, o PT e Vaccari. É muita perversidade. (C.N.)

Piada do Ano: Dilma diz que “não autorizou” o Caixa 2 da campanha do PT

Como sempre, Dilma Rousseff diz que não sabia de nada

Marina Dias e Gustavo Uribe
Folha

A presidente afastada, Dilma Rousseff, afirmou nesta sexta-feira (22) que não autorizou pagamento de caixa dois durante suas campanhas eleitorais e que, se houve esse tipo de acerto, não foi com seu conhecimento. “Não autorizei pagamento de caixa dois para ninguém. Se houve pagamento, não foi com o meu conhecimento”, disse Dilma em entrevista para a rádio Jornal do Commercio.

A declaração da petista aconteceu um dia após o publicitário João Santana e sua mulher, Mônica Moura, afirmarem em depoimento à Justiça que receberam dinheiro de caixa dois para fazer a campanha de Dilma em 2010. O total, segundo eles, chegou a US$ 4,5 milhões.

Os relatos de Santana e Mônica, assumindo a prática de caixa dois como recorrente em campanhas eleitorais, deixaram a cúpula do PT preocupada. Isso porque, presos há cinco meses em Curitiba pela Lava Jato, ambos negociam um acordo de delação premiada, para tentar atenuar suas penas.

VACCARI AINDA MUDO – Petistas acreditam que as delações em série podem estimular o ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto a também colaborar com a Justiça. Ele tem sido pressionado por familiares a contar o que sabe.

A mulher de João Santana, que cuidava das finanças do casal, disse que, após a campanha de Dilma em 2010, o PT não pagou tudo o que devia e protelava uma dívida de R$ 10 milhões.

Mônica afirmou que tentou resolver o caso “de várias formas” junto a Vaccari, que a orientou a procurar Zwi Skornicki, representante no Brasil do estaleiro asiático Keppel Fels, com negócios com a Petrobras. Ficou acertado então que o débito seria saldado por Zwi em dez parcelas, em uma conta não declarada no exterior.

Na entrevista nesta sexta, Dilma, por sua vez, disse que as declarações do publicitário e de sua mulher não a preocupam, mas, nos bastidores, aliados temem repercussões negativas diante do já bastante difícil cenário para tentar reverter o impeachment no Senado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, Dilma Rousseff não autorizou as pedaladas, não autorizou a compra da refinaria de Pasadena, não mandou subornar a família de Nestor Cerveró para evitar que fizesse delação, e também não autorizou o caixa dois da campanha do PT. Tradução simultânea: Dilma confessa que era uma figura meramente decorativa na Presidência. Se ela não autorizou nada,é  porque não mandava em ninguém no governo, os ministros faziam o que bem queriam.  Então, fica combinada a assim: a gerentona era apenas a mordoma, que agora tenta escapar da acusação de ser culpada de tudo. (C.N.)

Cientistas descobrem que o cérebro tem 97 regiões ainda desconhecidas

A imagem mostra as 180 áreas do cérebro nos hemisférios direito e esquerdo.

Novo mapa mostra que há 180 áreas distintas no córtex

Deu na revista Ciência

Há pouco mais de um século, o cientista alemão Korbinian Brodmann dividiu o cérebro humano em 52 regiões diferentes, criando o primeiro “mapa” do cérebro. Nesta quarta-feira, um esforço científico liderado pela Universidade de Washington em Saint Louis, nos Estados Unidos, atualizou essas divisões, revelando que o córtex, a camada mais externa do cérebro, tem 180 áreas que comandam a consciência, linguagem, atenção, percepções, pensamentos e sensações – um conhecimento sem precedentes sobre a mente humana.

Publicado na prestigiada revista Nature, o estudo está sendo considerado pelos especialistas um marco na área da neurociência e deve guiar estudos futuros que buscam compreender o cérebro humano.

O novo mapa vai ajudar a conhecer o desenvolvimento da mente ao longo dos anos, esclarecer como se dá seu envelhecimento e revelar de que maneira suas funções podem ser alteradas por doenças como Alzheimer ou esquizofrenia.

EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA – “Podemos pensar nesse mapa como se ele fosse uma versão 1.0”, disse o neurocientista Matthew Glasser, um dos autores do estudo, ao jornal The New York Times. “Deve existir uma versão 2.0 assim que os dados forem melhorados e examinados por mais pessoas. Esperamos que o mapa evolua junto com o progresso da ciência.”

Para criar o mapa, os cientistas de sete centros de pesquisa americanos e europeus analisaram imagens de ressonância magnética e a atividade cerebral de 210 adultos que fizeram parte do Human Connectome Project. O programa, financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde americanos (NIH, na sigla em inglês), busca compreender como os neurônios cerebrais se conectam.

Estudar os dois aspectos – imagens e atividade cerebral – em conjunto era necessário porque mapas anteriores olhavam para apenas um aspecto do córtex, por exemplo, como se dá o agrupamento dos neurônios ou que áreas se tornam ativas durante o exercício de algumas funções.

TIPO ASTRONOMIA – “A situação é análoga à astronomia, quando telescópios terrestres produziam imagens obscuras do céu antes do surgimento dos telescópios espaciais e da óptica adaptativa”, afirmou Glassler, em comunicado dos NIH.

A análise dos dados confirmou a existência de 83 regiões cerebrais e descobriu outras 97. Algumas dessas novas áreas são totalmente desconhecidas e outras são subdivisões de porções maiores, como o córtex pré-frontal dorsolateral, que fica na parte anterior do cérebro, e é, na realidade, a reunião de uma dezena de pequenas partes.

A comunidade científica internacional recebeu o estudo como um divisor de águas na área da neurociência. Segundo o neurocientista David Kleinfeld, da Universidade da Califórnia em San Diego, nos Estados Unidos, o novo estudo traz conhecimentos fundamentais para a área. “É um passo em direção à compreensão de por que somos o que somos”, afirmou o ao site do jornal americano The New York Times.

UM ENORME SALTO – “O estudo achou cerca de duas vezes mais áreas do que conhecíamos, o que é um enorme salto para a neurociência cerebral”, disse o neurocientista David McCormick, professor da Universidade Yale, nos Estados Unidos, ao site americano The Verge,  especializado em ciência e tecnologia.

De imediato, o novo mapa do cérebro deve ajudar neurocirurgiões, que poderão planejar as cirurgias com mais precisão, identificando as áreas cerebrais a serem operadas e evitando lesões em regiões que não deveriam ser afetadas pelos cortes. A longo prazo, os dados podem ajudar neurocientistas a compreender desordens complexas e ainda misteriosas, como a esquizofrenia.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMuito importante a matéria enviada pelo sempre atento comentarista Mário Assis Causanilhas. Mostra que até agora pouco se sabia sobre o cérebro. E apesar da sensacional descoberta, ainda continuamos sabendo muito pouco. (C.N.)