Candidatos do PMDB evitam qualquer associação com Temer em suas campanhas

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Charge do Montanaro, reprodução do UOL

Bernardo Mello Franco
Folha

Há algo em comum nas duas eleições mais importantes do ano. Com medo de perder votos, os candidatos do PMDB no Rio e em São Paulo decidiram esconder Michel Temer de suas campanhas. Ninguém quer aparecer ao lado do presidente, que passou a ser visto como um espantalho de eleitores.

Na disputa carioca, Pedro Paulo tenta ignorar a existência de Temer. Apesar de contar com o maior tempo de propaganda, o peemedebista não exibiu nenhuma imagem do correligionário. Nos debates, ele tem sido chamado de “golpista” — o deputado era aliado do PT, mas votou a favor do impeachment na Câmara.

A omissão de Temer provoca mais estranhamento porque três ex-presidentes participam ativamente da campanha no Rio. Fernando Henrique Cardoso pede votos na TV para o candidato do PSDB, Carlos Roberto Osório. Nos últimos dias, Lula e Dilma Rousseff subiram no palanque de Jandira Feghali, do PCdoB.

MARTA QUER DISTÂNCIA – Temer também é o grande ausente na eleição de São Paulo, onde votará no domingo. Marta Suplicy tem se esforçado para evitar a associação com o aliado. Mesmo assim, seu comitê atribui a queda recente nas pesquisas à impopularidade dele. O fantasma de retirada de direitos dos mais pobres, representado pelas reformas trabalhista e previdenciária, passou a assombrar a senadora.

A rejeição ao presidente se transformou na principal esperança de Fernando Haddad para ultrapassar Marta e voltar a sonhar com a ida ao segundo turno. Em ato na noite de terça (27), o petista iniciou o discurso com a palavra “Primeiramente”. A plateia entendeu a deixa e respondeu com um sonoro “Fora Temer”.

Na semana decisiva, o tucano João Doria exibiu o apoio de FHC no horário eleitoral. Lula ainda não apareceu no programa petista, mas participou de duas atividades públicas com Haddad. O prefeito só evitou aparecer com Dilma — afinal, a capital paulista concentrou as maiores manifestações a favor do impeachment.

Como a Petrobras é grande, o atual governo já decidiu reduzi-la à metade

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Charge do Paixão, reproduzida da Gazeta do Povo

Carlos Newton

Nos idos dos anos 80, quando a cultura de baias corporativas ainda não existia e as pessoas trabalhavam em pequenas salas, normalmente com um ou dois funcionários, existia na Petrobras uma “senha” para entrar na sala de um colega. O visitante batia na porta e dizia: “A Petrobras é grande”, ao que o dono da sala, se disponível, respondia: “Vamos fazê-la maior”.

Hoje é o oposto. Dentro das salas privativas, que agora são exclusividade de gerentes, só são bem-vindos os vendedores, os que cancelam projetos e os que não questionam a míngua dos investimentos e recursos.

Também pudera: após a conclusão do atual plano de privatização (ou no neologismo: desinvestimento), que venderá um total de 34 bilhões de dólares, só restará metade da empresa e, vamos todos torcer, uma dívida pagável. Hoje se tem uma empresa e uma dívida impagável. E o governo que salva bancos como o Panamericano ou o Votorantim não considera a possibilidade de salvar a maior empresa do país.

ORIGEM DA DÍVIDA – Parte da dívida se origina de superfaturamentos, outra parte em negócios que deram errado por planejamento megalomaníaco, outra parte, descobriu-se recentemente, foi simplesmente transferida para empresas privadas sem que houvesse contrapartida alguma em produtos ou serviços. O esquema de propinas atinge empresas brasileiras, como OAS e Odebrecht, e estrangeiras, como a SBM e Mitsui Steel.

Mas não se deve esquecer da última parte da dívida: a que foi contraída para executar projetos que deram certo: as vaquinhas que hoje garantem o leite.

VENDENDO O FILÉ – Fragilizada no momento, obviamente a Petrobras agora se obriga a vender os projetos que deram certo, suas vacas leiteiras, pois os capengas, ninguém quer. E assim a Petrobras vende a malha de gasodutos do Sudeste, por onde escoa com exclusividade de 60 a 80% de toda a produção e do consumo brasileiro. A canadense Brookfield pagará 4 bilhões de dólares pelos dutos. Foi divulgado 5 bilhões, mas o último bilhão levará 5 anos para ser pago, e neste período a própria Petrobras terá pago bilhões para a Brookfield transportar seu gás, então é como se esse bilhão nem existisse.

Além dos dutos, foram vendidas as distribuidoras de gás nos estados, para os japoneses da Mitsui (que também foi envolvida nas propinas das construções das sondas, como sócia das empreiteiras), por 700 milhões de dólares (que a Mitsui tem prontamente disponível, pois a própria Petrobras pagou fortunas superfaturadas pelos navios que a empresa construiu com ajuda das empreiteiras).

CAMPOS DE PRODUÇÃO – Na parte da exploração e produção,foi vendido o campo de Carcará para a norueguesa Statoil, sem o risco exploratório (mas ainda com risco de produção) por 1 bilhão de dólares (novamente, são noticiados 2 bilhões, mas a segunda metade só será paga daqui a anos – o que para um devedor feito Petrobras é mesma coisa que nada). Circula o comentário (correto) DE que cada barril de óleo foi vendido ao preço de uma latinha de coca-cola: 1 dólar.

Para completar, foram vendidos os ativos da Argentina e Chile. Entraram 1,2 bilhões de dólares e foram as vendas mais sensatas (sem analisar em detalhes os valores).

LA VAÍ A BR… – Na reta das próximas vendas está a BR distribuidora, que, de tão importante, representa o logotipo da Petrobras. O clássico “BR” verde e amarelo, visto de longe nas ruas e rodovias, mostra a onipresença do Estado brasileiro em todos os rincões deste continental país, mas isso vai acabar.

A compradora paga até US$ 10 bilhões, mas tem condições: ela quer mandar totalmente na empresa e quer usar o seu logotipo, e não o da BR, nos postos. A Shell é uma das que almejam a jóia da coroa.

Mas quem se interessa?

Polícia Federal identificou o risco de o casal Mantega fugir para a Europa

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Mantega e sua mulher “operada” iam viajar para Paris

Bela Megale e Gabriel Mascarenhas
Folha

A Polícia Federal diz ter identificado o risco de o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega fugir do Brasil entre setembro e outubro deste ano. O petista foi alvo da 34ª fase da Operação Lava Jato, na semana passada. Nascido na Itália, Mantega tem dupla cidadania. Investigadores ouvidos pela Folha relatam, em conversas reservadas, que Mantega e a mulher, Eliane Berger, estavam com passagens compradas para Paris com embarque marcado para o dia seguinte ao da detenção, ocorrida na última quinta (22).

Segundo integrantes da PF, após ser alvo de prisão temporária, revogada horas mais tarde pelo juiz Sergio Moro, Mantega remarcou a viagem para 8 de outubro, com retorno previsto para o dia 15 do mesmo mês.

O advogado do ex-ministro, José Roberto Batochio, negou que seu cliente tivesse uma reserva para o dia seguinte à operação, mas confirma que Mantega e a mulher planejavam viajar para Paris no dia 8 de outubro.

O CÂNCER, DE NOVO – Batochio diz que o casal desistiu da viagem devido ao agravamento da saúde de Eliane, em tratamento para combater um câncer.

O advogado de Mantega também rechaça que o petista planejou fugir do país. “Isso é uma sórdida invencionice”, afirmou o defensor.

Entretanto, considerando haver risco de fuga, a PF seguiu monitorando o petista após sua soltura. No início desta semana, a polícia identificou que o ex-ministro petista cancelou a reserva para outubro. De acordo com policiais que participam da investigação, o bilhete comprado garantia ao passageiro a possibilidade de embarcar em qualquer voo em que houvesse vaga – outro ponto rechaçado pela defesa do petista.

PASSAPORTE – Diante do que identificou como plano de Mantega para sair do Brasil, a PF sugeriu informalmente ao juiz Sergio Moro que apreendesse o passaporte do ex-ministro. Até a tarde de terça-feira (27), porém, não havia medidas cautelares que impeçam o ex-ministro de viajar para o exterior.

A Polícia Federal diz ter indícios de que Guido Mantega atuou diretamente para negociar o repasse de recursos ao PT, a fim de pagar dívidas de campanha.

Em depoimento ao Ministério Público Federal, o empresário Eike Batista declarou que foi procurado por ele para fazer um pagamento de R$ 5 milhões ao PT, em novembro de 2012. Na época, o petista era presidente do Conselho de Administração da Petrobras.

Sob orientação do partido, Eike teria firmado um contrato fraudulento com uma empresa do casal de publicitários João Santana e Mônica Moura, para realizar as transferências. Os pagamentos foram feitos no exterior, num total de US$ 2,35 milhões.

Os recursos estão vinculados a supostos desvios na construção das plataformas P-67 e P-70, da Petrobras, construídas para a exploração do pré-sal, em 2012. A defesa de Mantega nega que ele tenha conversado com Eike a respeito disso.

A decisão do juiz Moro de libertar o ex-ministro irritou a PF e os procuradores envolvidos no caso. Ambos avaliam que o magistrado se submeteu à pressão pelo fato de a mulher de Mantega estar doente.

NO HOSPITAL – O petista foi preso enquanto a acompanhava no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Cinco dias depois da operação, o juiz decidiu soltar os outros sete investigados daquele fase.

O advogado Batochio afirma que a investigação tenta justificar supostos erros cometidos na operação que levaram à prisão do cliente.

“A PF e os procuradores sabem que a prisão pegou muito mal e estão fazendo misérias para convencer a população de que não cometeram ilegalidade. Querem justificar o injustificável. Mantega tem residência aqui, é professor na Fundação Getúlio Vargas, enfim, isso é um absurdo”, afirmou o defensor.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O advogado Batochio continua a dizer que a doença da mulher de Mantega (câncer) se agravou. Foi ele quem inventou que ela estava sendo “operada” no momento da prisão, quando fazia apenas um exame de rotina (endoscopia gástrica). Mesmo com o “agravamento” e a “cirurgia”, no dia seguinte ela iria viajar com o marido para se divertir na Europa. Por causa da prisão dele, a viagem apenas foi adiada para o dia 8. Mesmo assim, o advogado continua insistindo na mesma desculpa esfarrapada. A OAB deveria puni-lo por litigância de má fé, por estar transformando a mulher de Mantega numa espécie de José Genoino travestido, aquele que estava para morrer a qualquer momento na Papuda, ganhou direito à prisão domiciliar e está cada vez mais saudável… (C.N.)

Lewandowski ainda ousa dizer que o impeachment foi “tropeço na democracia”

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Charge do Tugi (tugisilveira.blogspot.com)

Deu em O Globo

Em aula dada na segunda-feira, 26, na Faculdade de Direito da USP, o ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski qualificou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) como “um tropeço na democracia”. Lewandowski, que presidiu a sessão que cassou o mandato da presidente no Senado, ainda afirmou sobre o episódio: “A cada 25, 30 anos temos um tropeço na nossa democracia. Lamentável, quem sabe vocês jovens conseguem mudar o rumo da história” — afirmou, dirigindo-se aos alunos.

No evento, cujo conteúdo foi revelado pela revista “Caros Amigos”, o ministro afirmou que foi um “erro” do Supremo não ter aprovado a cláusula de barreira, que permitiu a profusão de partidos e teria desorganizado o presidencialismo de coalizão. “Deu no que deu” — afirmou, referindo-se mais uma vez à retirada de Dilma do poder

REFORMA DO ENSINO – Lewandowski ainda criticou a falta de consulta à população sobre grandes temas nacionais. Referindo-se especificamente à reforma do ensino médio recém-proposta pelo Ministério da Educação do governo Temer e que provocou polêmica ao prever a exclusão de algumas disciplinas hoje obrigatórias, ele afirmou:

“Reforma do ensino médio por medida provisória? São alguns iluminados que se fecharam no gabinete e resolveram ‘vamos tirar educação física, artes’. Poxa vida. O Estado de Direito é aquele que amplia direitos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quer dizer que a culpa dos problemas brasileiros é o excesso de partidos? E a corrupção institucionalizada pelos governos do PT? E os esquemas para perpetuar o partido no poder, como mensalão, petrolão etc.? De toda forma, é preciso reconhecer que Lewandowski está realmente em condições de analisar tropeços democráticos, pois conduziu com maestria o estupro à Constituição no caso do fatiamento da sentença daquela pessoa, cujo nome nem deve ser mais citado, porque já teve seus 15 minutos de fama e deve ser condenada ao esquecimento. (C.N.)

Uma musa de olhos verdes, que inspirou o poeta Machado de Assis

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Site Poemas & Canções

O jornalista, crítico literário, dramaturgo, folhetinista, romancista, contista, cronista e poeta carioca Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) é amplamente considerado como o maior nome da literatura nacional. Poeticamente, declara sua paixão pela “Musa dos Olhos Verdes”, que ninguém sabe se seria inspiradora da personagem Capitu, que tinha “olhos de ressaca”, da cor do mar, porém Machado de Assis jamais descreveu a cor deste mar.

MUSA DOS OLHOS VERDES
Machado de Assis                                         
 

Musa dos olhos verdes, musa alada,
Ó divina esperança,
Consolo do ancião no extremo alento,
E sonho da criança;

Tu que junto do berço o infante cinges
C’os fúlgidos cabelos;
Tu que transformas em dourados sonhos
Sombrios pesadelos;

Tu que fazes pulsar o seio às virgens;
Tu que às mães carinhosas
Enches o brando, tépido regaço
Com delicadas rosas;
Casta filha do céu, virgem formosa

Do eterno devaneio,
Sê minha amante,
os beijos meus recebe,
Acolhe-me em teu seio!

Já cansada de encher lânguidas flores
Com as lágrimas frias,
A noite vê surgir do oriente a aurora
Dourando as serranias.

Asas batendo à luz que as trevas rompe,
Piam noturnas aves,
E a floresta interrompe alegremente
Os seus silêncios graves.

Dentro de mim, a noite escura e fria
Melancólica chora;
Rompe estas sombras que o meu ser povoam;
Musa, sê tu a aurora!

Lula, Dilma, Palocci, Dirceu e Odebrecht arrasaram o governo e o próprio país

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Charge do Jota A, reprodução do Portal O Dia

Pedro do Coutto

Lendo-se com atenção a reportagem de Cleide Carvalho, Dimitrius Dantas e Katna Baran, O Globo de terça-feira, tem-se a sensação de que esse elenco, à frente de uma série de personagens, de fato contribuiu para arrasar o governo e abalar as raízes do país por um longo espaço de tempo. Na mesma página, Sérgio Roxo, em outra matéria, traça o roteiro do ex-ministro Antônio Palocci, demitido da Fazenda por Lula e por Dilma Rousseff da chefia da Casa Civil. Os dois atos, em momentos diversos, tiveram origem em sombras paralelas.

A Odebrecht esteve sempre no centro dos acontecimentos que se desenvolveram e conectaram tanto por ação quanto por omissão. Só ao grupo Palocci, a Odebrecht assinalou ter direcionado 128 milhões de reais, na empreitada sinistra coberta pelo superfaturamento de contratos. Principalmente, os firmados com a Petrobrás. A estatal foi na realidade a ponte entre o sistema empresarial e os ladrões.

PAGO POR NÓS – No fundo, o volume da corrupção está sendo pago pela população brasileira, por todos nós, portanto. Os capítulos da sequência sórdida vão se incorporar para sempre na história do nosso país, talvez como recorde mundial da competição de assaltos aos cofres públicos.

Começou com José Dirceu no mensalão, mas a maratona de 2005 foi superada pela longa prova que foi de 2007, segundo governo de Lula, até a reeleição de Dilma, período que veio das urnas de 2014 para a explosão do ciclo do PT em 2016, neste ano.

Nunca houve nada igual. Esta marca parece ser inultrapassável. Na forma e conteúdo.

REFLEXOS NAS URNAS – Os eleitores do país não poderiam deixar de ser contaminados pelo vendaval de corrupção. Tanto assim que as pesquisas do Ibope e Datafolha vêm revelando os reflexos negativos para os candidatos apoiados pelo PT nas principais cidades brasileiras. Reportagem de Bruno Goes , Gustavo Schmidt e Miguel Cabalero, também no Globo de terça-feira, destaca a posição dos candidatos à prefeitura do Rio nas eleições de domingo. Sílvia Amorim focaliza o quadro para prefeito de São Paulo. Os dois levantamentos foram do Ibope. Coincidem com as tendências iluminadas pelo Datafolha.

No Rio, Marcelo Crivella vai se mantendo de uma pesquisa para outra. E pode até, admito a hipótese de vencer, embora remota, no primeiro turno. Mas se houver segundo turno, a final será contra Pedro Paulo ou Marcelo Freixo. A candidata da coligação PCdoB/PT, Jandira Fegalli, depois do comício da Cinelândia ao lado de Dilma Rousseff, ao invés de subir, desceu. Recuou de 9 para 6% das intenções de voto.

DÓRIA SALTOU – Na capital paulista, o prefeito Haddad, com o apoio pessoal do ex-presidente Lula, só avançou de nono para o décimo andar. João Dória, PSDB, apoiado pelo governador Geraldo Alckmin, saltou de 17 para 28%. Enquanto subia 11 pontos, Celso Russomanno descia de 30 para 24%.

Os candidatos do PT não se destacam também em Belo Horizonte e Porto Alegre. A legenda sofre as consequências do próprio processo que criou para si mesma. Está submergindo com Lula, Dilma, Dirceu, Palocci, nas tormentosas ondas da Odebrecht. A Odebrecht alçou as velas para o naufrágio na borrasca.

Marcos Valério enfim vai delatar corruptos do Legislativo, Executivo e Judiciário…

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Tâmara Teixeira
O Tempo

O empresário Marcos Valério, operador dos mensalões petista e tucano, foi ouvido nesta quarta-feira (28) por cerca de quatro horas por dois procuradores federais enviados pelo procurador geral da República, Rodrigo Janot, e pelos promotores do Ministério Público de Minas Gerais que analisam um pedido de delação premiada no caso do mensalão do PSDB. Na conversa, que foi informal, segundo a defesa, Valério afirmou que irá delatar autoridades do Legislativo, Executivo e, pela primeira vez, apontou que tem informações que comprometem figuras do Judiciário no caso do mensalão e da operação Lava Jato.

INFORMAÇÕES NOVAS – Segundo o advogado de Marcos Valério, Jean Robert Kobayashi Júnior, que acompanhou o depoimento, ele prestou informações que ainda não constam dos autos. “Não só o que ele diz, mas o que vai dizer, vai trazer mais gente para o processo e, com certeza, mais prisões vão acontecer”, disse o defensor em relação a Lava Jato.

Ainda de acordo com Kobayashi, a conversa foi “muito produtiva” e os procuradores federais “ficaram muito satisfeitos”. Os dois procuradores de Brasília não quiseram conversar com a imprensa.

ALÇA DE MIRA – Valério irá delatar cerca de 20 nomes, entre políticos mineiros e de outros Estados, segundo o advogado. Questionado se os nomes estariam no Legislativo ou no Executivo, confirmou que em ambos e disse que “até no Judiciário”, sem citar os órgãos onde as autoridades estariam. “Entendo Judiciário como um todo, mais de um (nome), mais de uma instituição”, afirmou na saída do Ministério Público de Minas.

Os dois procuradores federais enviados por Janot a Belo Horizonte pediram que a  defesa produza um relatório com as informações que Valério tem e que apresente documentos que comprovem as acusações. “O próximo passo é entregar o relatório que estamos fazendo das pessoas que estão envolvidas imputando a elas cada conduta típica que tiverem no caso”, disse Jean Robert Kobayashi. Ele pretende entregar esse material pessoalmente a Rodrigo Janot.

DELAÇÃO DUPLA – Ainda segundo o advogado, Valério tenta uma delação neste momento tanto no caso do mensalão mineiro – que investiga desvio de verbas públicas para a campanha de reeleição do então governador Eduardo Azeredo (PSDB), quanto na Lava Jato.  No primeiro caso, o acordo é negociado desde junho, no segundo, segundo Jean Robert Kobayashi, as atuais tratativas começaram no último dia 12, quando Valério foi a Curitiba prestar depoimento ao juiz Sergio Moro na Lava Jato.

Em Curitiba, Valério voltou a dizer que recebeu do ex-tesoureiro do PT Sílvio Pereira um pedido para fazer um empréstimo de R$ 6 milhões que seriam usados para pagar o empresário Ronan Maria Pinto. Valério diz que desistiu da operação – que seria usada para pagar uma chantagem que o empresário fazia com o ex-presidente Lula e com os ex-ministros José Dirceu e Gilberto Carvalho – quando soube do conteúdo da extorsão.

CASO CELSO DANIEL – Para os investigadores da Lava Jato, Ronan Maria Pinto saberia de informações do assassinato do então prefeito Celso Daniel e chantageava o trio. O prefeito petista teria sido morto porque teria decidido acabar com um esquema de corrupção em seu governo que, supostamente, beneficiava o PT. O valor dos R$ 6 milhões, posteriormente, foi obtido com José Carlos Bumlai, junto ao Banco Schahim. O dinheiro teria sido usado por Ronan Maria Pinto para comprar o “Diário do ABC”.  Segundo a Lava Jato, os R$ 6 milhões obtidos por Bumlai para o PT no Banco Schahim foram um empréstimo fraudulento, que seria pago com propina de contratos com a Petrobras.

Em contrapartida, Marcos Valério pede a transferência da Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, para uma Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac),  além da redução de pena em processos que responde e em outros que já foi condenado. Ele também deseja que futuras condenações não atrapalhem no processo de progressão do seu regime de pena. Desde 2013, ele cumpre 37 anos no caso do mensalão do PT.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA charge do nosso amigo Nani, como sempre, é genial. Valério é um homem-bomba de efeito retardado. Se tivesse feito delação premiada no processo do mensalão, estaria solto, Lula teria sofrido impeachment, Dilma jamais teria existido na política e o país estaria em muito melhor situação. Ou seja, Valério é o culpado de tudo. Um otário que pensava que era esperto. (C.N.)

O vazio das eleições municipais

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Charge do Duke (dukechargista.com.br)

Carlos Chagas

Pesquisas costumam ganhar eleições majoritárias, ainda que surpresas possam acontecer. Em São Paulo, Rio e Belo Horizonte parecem vitoriosos João Dória, Marcelo Crivella e João Leite, ainda que nessas três capitais paire a sombra do segundo turno.

O denominador comum das eleições de domingo é a falta da ideologia há anos verificada ao redor dos vencedores. Deles e da maioria dos candidatos favoritos nas capitais dos demais estados, agora. O fracasso dos indicados pelo PT abre um vazio de razoáveis proporções na ortodoxia política. Ainda que a Direita continue indo muito bem, por conta do imobilismo, a Esquerda escafedeu-se, mais do que se dividir.

A projeção desse fenômeno para as eleições gerais de 2018 está em aberto. Não dá para supor que daqui a dois anos, ao votar para o novo Congresso, os governos  estaduais e  a presidência da República, o eleitor venha a seguir as tendências do próximo domingo, que, aliás, não significam nada. O que representam João Dória, Marcelo Crivella e João Leite, em termos ideológicos? No máximo, identificam-se com o mais do mesmo. Deverão ser eleitos por conta da ausência de programas e de doutrinas.

Essa a lição das eleições municipais imediatamente seguintes à implosão do PT: o vazio. A falta de uma estrutura capaz de substituir aquilo que os companheiros não conseguiram emplacar.

Lula e Marisa foram citados e têm dez dias para contestar a acusação da Lava Jato

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Deu em O Globo

O ex-presidente Lula e sua mulher, Marisa Letícia, foram intimados pela primeira vez após a denúncia do Ministério Público Federal que acusou o ex-presidente de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Após não encontrar Lula e Marisa em sua residência em duas ocasiões, a oficial de Justiça citou e intimou ambos no último sábado após ler os termos do mandado para o casal. A certidão, com as assinaturas do ex-presidente e de Marisa Letícia, foi anexado ao processo nesta quarta-feira.

A citação demorou quatro dias a ser feita devido ao desencontro entre a oficial de justiça e o ex-presidente. Na última quarta-feira, o casal não estava no local. A oficial de justiça voltou à residência do ex-presidente na sexta-feira e entregou um bilhete ao porteiro do prédio informando que retornaria no dia seguinte. No sábado, então, encontrou Lula e Marisa Letícia no prédio. Outro acusado pelo Ministério Público Federal, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, também foi citado e intimado por meio de sua vizinha.

DIFICULDADES – Em outros casos da Lava Jato, o juiz Sérgio Moro teve dificuldade em intimar alguns dos réus, como Claudia Cruz, mulher do deputado cassado e ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

A citação e intimação têm como objetivo avisar o réu do recebimento da denúncia, quando passa a correr o prazo de 10 dias para que seus advogados de Lula e Marisa Leticia apresentem contestação às acusações da força-tarefa da Lava Jato, que foram aceitas pelo juiz Moro.

EIKE NO PROCESSO – Na condição de “interessado”, o empresário Eike Batista, cujo depoimento foi uma das bases para a 34ª fase da Operação Lava-Jato, que teve como alvo o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, pediu para fazer parte do processo que investiga Mantega e mais 15 envolvidos.

Na petição, Eike lembrou que compareceu espontaneamente na Procuradoria da República no Paraná para prestar depoimentos, que vieram a fazer parte da acusação do Ministério Público Federal.

Polícia Federal abre novo inquérito sobre propinas da Odebrecht em 38 obras

Odebrecht

Departamento de propinas era o setor mais atuante da empresa

Deu em O Tempo
Agência Estado

A Polícia Federal abriu novo inquérito para apurar pagamentos de propinas da Odebrecht em outros contratos, além do que estavam sob investigação na Petrobras pela operação Lava Jato. O alvo são 38 negócios identificados nos registros de pagamentos do Setor de operações Estruturadas da empresa – o chamado “departamento da propina” – nas apurações da 35ª fase, batizada de Operação Omertà, que prendeu nesta segunda-feira, 26, o ex-ministro Antonio Palocci.

O delegado da Polícia Federal Filipe Hille Pace, da equipe da Lava Jato, em Curitiba, resolveu nesta terça-feira (27) abrir o novo inquérito. “Resolve: Instaurar Inquérito Policial para amparar as medidas de polícia judiciária decorrentes dada deflagração da 35° fase ostensiva da Operação Lava Jato, batizada de ‘Omertà’, especificamente em relação ao núcleo de investigação objeto das medidas cautelares deferidas”, informa Pace, em seu despacho.

VÁRIOS CRIMES – São apurados crimes de corrupção ativa passiva, quadrilha, lavagem de capitais e de fraude em licitações. “Foram identificados diversos beneficiários de recursos ilícitos disponibilizados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht”, informa o delegado.

Na mira da PF estão 38 obras da empreiteira Odebrecht em todo o país e no exterior. Os empreendimentos foram destacados pelo delegado em relatório da Omertà. “Relaciono algumas das obras públicas e/ou consórcios e empresas indicadas no documento mencionado, repetindo que, por se tratarem de arquivos recuperados, estão parcialmente corrompidos, não sendo permitido vincular diretamente as obras e/ou consórcios e empresas indicadas com os beneficiários encontrados e mencionados acima”, afirma.

VANTAGENS INDEVIDAS – Pace é taxativo. “É indubitável que os nomes que relaciono motivaram pagamento de vantagens indevidas a agentes ainda não identificados”, diz. A Omertà investiga as relações de Antonio Palocci com a Odebrecht. Planilha apreendida durante a operação identificou que, entre 2008 e o final de 2013, foram pagos mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes, incluindo Palocci.

As obras alvo do novo inquérito não tem relação necessária com as propinas pagas ao PT via Palocci. Novos nomes devem surgir, tanto de agentes públicos, como de políticos e operadores.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Quando o delegado fala no Setor de Operações Estruturadas, o repórter deveria traduzir, citando o nome pelo qual era mais conhecido na empresa – Departamento da Propina. Fica mais fácil de entender. (C.N.)

Com nomeação do porta-voz, Temer começa a enfraquecer Eliseu Padilha

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Temer precisa de um porta-voz para começar a se libertar

José Carlos Werneck

Depois da recusa dos jornalistas Eduardo Oinegue e Heraldo Pereira (TV Globo), além de outro profissional cujo nome não foi divulgado, o diplomata Alexandre Parola será o porta-voz da presidência da República.

Sua indicação para a recém-criada Secretaria de Comunicação foi motivada por sua experiência no mesmo cargo, em 2002, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Atualmente, Parola estava lotado no Departamento de Economia do Itamaraty. Segundo a Secretaria de Imprensa, ele irá exercer “todas as funções de um porta-voz”.

O Governo estava á procura de um nome para uniformizar o discurso de comunicação e evitar novos desencontros na equipe. Parola é o quarto nome consultado e foi o único a aceitar a difícil missão, em momento político tão delicado.

Como seu sobrenome, em italiano, significa “palavra”, entre os jornalistas comentava-se que não serão por falta destas que a opinião pública ficará desinformada…

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A nomeação de um “porta-voz” é uma maneira educada do presidente Michel Temer começar a cortar as asas do chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, que chamou a si o comando da Secretaria de Imprensa, que está a cargo de um antigo assessor do PMDB, Márcio de Freitas Gomes. Como jornalista, trata-se de um ilustre desconhecido. que há 15 anos presta inestimáveis serviços aos caciques quem continuam mantendo Temer como refém. (C.N.).

Sem foro privilegiado, Cunha será julgado em Brasília junto com Esteves, do BTG

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Esteves doou R$ 500 mil para a campanha de Cunha em 2014

Gabriel Mascarenhas
Folha

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello decidiu nesta terça (27) enviar à Justiça Federal em Brasília um inquérito que investiga se o ex-deputado federal Eduardo Cunha beneficiou (PMDB) o grupo BTG em emendas de medidas provisórias que tramitaram na Câmara.

A investigação, aberta em abril deste ano, corria no Supremo porque Cunha, enquanto parlamentar, possuía foro privilegiado. Na avaliação de Celso de Mello, ao ter o mandato cassado, no dia 12 deste mês, os casos relacionados a ele devem ficar sob a responsabilidade da primeira instância.

“Presente o contexto ora exposto, impõe-se acolher a promoção do eminente Chefe do Ministério Público da União, tendo em vista a cessação da investidura de Eduardo Cunha no exercício do mandato de Deputado Federal, eis que a situação político-jurídica que lhe garantia, constitucionalmente, prerrogativa de foro[…] perante esta Corte deixou de prevalecer quando a Câmara decretou-lhe a perda do mandato parlamentar”, justificou o decano.

“MENINO DE RECADOS” – Em sua delação premiada, o senador Delcídio Amaral (sem partido-MS) afirmou que é fato conhecido que “o presidente da Câmara funcionava como menino de recados de André Esteves, principalmente quando o assunto se relacionava a interesses do banco BTG, especialmente no que tange a emendas às medidas provisórias que tramitam no Congresso”, diz.

De acordo com a delação, o presidente da Câmara dos Deputados havia apresentado emenda a uma MP “possibilitando a utilização dos FCVS (Fundos de Compensação de Variações Salariais) para quitarem dívidas com a União”, o que seria do interesse do BTG e Esteves.

Em novembro, após a prisão do Delcídio, a Polícia Federal encontrou um bilhete com o ex-chefe de gabinete dele, Diogo Ferreira, segundo o qual o BTG teria pago R$ 45 milhões a Cunha para mudar uma medida provisória em favor dos bancos. “Em troca de uma emenda à medida provisória nº 608, o BTG Pactual, proprietário da massa falida do banco Bamerindus, o qual estava interessado em utilizar os créditos fiscais de tal massa, pagou ao deputado federal Eduardo Cunha a quantia de 45 milhões de reais”, dizia o texto do bilhete.

AÇÕES PENAIS – No último dia 14, o relator dos casos da Lava Jato no Supremo, ministro Teori Zavascki, também remeteu a instâncias inferiores as duas ações penais em que Eduardo Cunha é réu.

Uma delas ficará sob a responsabilidade do juiz Sergio Moro, na primeira instância da Justiça Federal no Paraná, e a outra seguirá para o Tribunal Regional Federal, do Rio de Janeiro.

Moro cuidará do processo pelo qual o ex-parlamentar é acusado de manter contas não declaradas na Suíça. No TJ do Rio tramitará o processo que envolve também a ex-deputada e atual prefeita de Rio Bonito (RJ) Solange Almeida (PMDB).

Ela e Cunha são acusados de terem atuado num esquema de pagamento de suborno referente a contratos da Petrobras para a aquisição de navios-sonda.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Fernando Brito, do blog Tijolaço, lembra a notícia do nosso amigo Fernando Molica, em O Dia, edição de 12 de outubro passado, que só a memória implacável dos 79 anos do professor Nílson Lage recordaria: “Dono do BSI, banco suíço em que Eduardo Cunha também teria conta, o banco brasileiro BTG Pactual doou, em 2014, R$ 500 mil para a campanha do hoje presidente da Câmara dos Deputados. A existência da conta foi revelada pelo Ministério Público suíço. Segundo relatório de Cunha apresentado ao TSE, a doação ocorreu no dia 11 de agosto. O dinheiro foi entregue pelo BTG ao PMDB, que o repassou para a campanha do deputado. Em 14 de julho, 28 dias antes, o banco brasileiro anunciara a assinatura de acordo para a compra do BSI”. (C.N.)

Polícia Federal avança sobre desembargadores que vendiam sentenças no Ceará

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Charge do Kemp, reprodução do humortadela.com.br

Fabio Serapião
Estadão

Com o objetivo de aprofundar suas investigações sobre um esquema de venda de decisões judiciais instalado dentro do Tribunal de Justiça do Ceará, 110 policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão e 24 mandados de conduções coercitivas na manhã desta quarta-feira, 28. Entre os alvos estão os desembargadores da ativa Francisco Pedrosa Teixeira e Sergia Maria Mendonça Miranda, 14 advogados e o desembargador aposentado Valdsen da Silva Alves Pereira.

Segunda fase da operação Expresso 150, a ação de hoje foi autorizada pelo Ministro Herman Benjamin do Superior Tribunal de Justiça e foi batizada de Cappuccino. Benjamin acatou parte da representação proposta pela Polícia Federal na qual os investigadores detalham indicativos de conluio entre advogados e desembargadores visando às liberações de criminosos, por meio da concessão de liminares em habeas corpus impetrados principalmente durante os plantões judiciais.

BLOQUEIO DE CONTAS – Além dos mandados de busca e apreensão e condução, houve a determinação de bloqueio das contas de um desembargador aposentado e um advogado envolvido nas ilicitudes, considerando o montante do valor transacionado indevidamente em torno de decisões atípicas, que beneficiaram mais de 300 pessoas com a inclusão nos quadros da Administração Pública, no cargo de soldado da PM do Estado do Ceará, entre 2011 e 2012, sem que fossem devidamente aprovadas no concurso público.

A PF conseguiu mapear os núcleos criminosos após analisar os materiais apreendidos na 1ª fase da operação, realizada em junho de 2015. Os crimes investigados são: associação criminosa, corrupção passiva, tráfico de influência, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

COMUNICAÇÃO – A Presidência do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará foi comunicada pelo Superior Tribunal de Justiça a respeito de decisões judiciais que envolvem membros da Corte e viabilizou todos os procedimentos necessários ao cumprimento das referidas decisões, pautando-se, como deve ser, pela transparência e pelo respeito à ordem constitucional.

As decisões judiciais e as investigações possuem caráter sigiloso, razão pela qual a o acesso aos fatos e às pessoas envolvidas encontra-se restrito às partes e aos respectivos advogados.

Relator do TCU pede rejeição das contas de Dilma por causa das pedaladas

Charge do Moisés, reprodução do Arquivo Google

Fábio Fabrini
Estadão

O ministro José Múcio Monteiro decidiu pedir ao Tribunal de Contas da União (TCU) que dê parecer pela rejeição das contas do governo Dilma Rousseff em 2015, a exemplo do que ocorreu em relação aos balanços do ano anterior. A apreciação do processo, relatado pelo ministro, está prevista para a semana que vem.

O voto pela reprovação se baseia nas conclusões da área técnica do TCU sobre as contas do ano passado. O Estado apurou que, após avaliar a defesa apresentada pela presidente cassada, a Secretaria de Macroavaliação Governamental do TCU manteve o entendimento de que a gestão Dilma cometeu ao menos 15 irregularidades de maior gravidade, incluindo aquelas que serviram para embasar o processo de impeachment no Senado.

Trata-se das “pedaladas” com recursos do Plano Safra, do Banco do Brasil, e da edição de decretos de suplementação orçamentária em desacordo com a lei.

RELATÓRIO FINAL – O voto pela rejeição das contas foi confirmado ao Estado por interlocutores de Múcio. O ministro, no entanto, não tem dado entrevistas a respeito. Ele e sua equipe trabalham na elaboração do relatório final a ser apresentado ao plenário. O procurador-geral do Ministério Público de Contas, Paulo Soares Bugarin, também trabalha em parecer a ser levado à sessão da semana que vem.

Os auditores que analisaram a defesa de Dilma também consideraram irregulares outras pedaladas, registradas em 2015, no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Também reprovaram manutenção, durante aquele ano, de passivos bilionários junto ao BNDES e ao Banco do Brasil, referentes às operações de mesma natureza que ocorreram em 2014.

OPERAÇÕES ILEGAIS – As pedaladas foram atrasos no repasse de recursos para bancos públicos bancarem obrigações do governo com programas sociais e empréstimos subsidiados. Com isso, os saldos das contas desses programas ficaram negativos nas instituições, que tiveram que cobrir os gastos com o dinheiro depositado pelos correntistas. Para o TCU, esses atrasos configuraram empréstimos ilegais entre os bancos e seu controlador, a União, porque não foram autorizados pelo Legislativo.

Os técnicos do TCU, após analisar as contrarrazões de Dilma, também entenderam que os passivos junto aos bancos não foram registrados na dívida setor público, maquiando as contas de 2015. Além disso, concluíram que, ao finalmente pagar valores devidos às instituições, o governo o fez sem a devida autorização legal.

Outra irregularidade apontada é a abertura de créditos extraordinários por meio de medidas provisórias sem, supostamente, observar requisitos constitucionais de urgência e imprevisibilidade.

IMPROPRIEDADES – Os técnicos também entendem que houve contingenciamento de despesas da União em montantes inferiores aos necessários para atingir a meta fiscal vigente nas datas de edição de alguns decretos; e uso inadequado de recursos de fundos especiais e vinculados, fora outras impropriedades.

Os auditores avaliaram como improcedentes ou sugerem a exclusão de algumas falhas inicialmente imputadas ao governo, entre elas o uso de mecanismos supostamente indevidos para abrir créditos para o Financiamento Estudantil (FIES); e a falta de repasses de recursos do Seguro Obrigatório (DPVAT) ao Fundo Nacional de Saúde.

Reflexões sobre a dilapidação dos fundos de pensão e a realidade das urnas

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Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Roberto Nascimento

Essa simbiose entre o público e o privado envolvendo donos de empreiteiras, sindicatos e elementos do governo petista teve como resultado também um cipoal de perdas significativas no equilíbrio atuarial em Fundos de Pensão de empresas estatais, a saber: Petros, Previ, Funcef e Postalis. Esses quatro foram os mais utilizados, porém, se houver auditorias independentes e justas, encontraremos jabutis em quase todos os Fundos de Pensão.

O caso demonstra que não há a menor fiscalização dos órgãos de controle do Estado para coibir os negócios que envolvem risco para os aposentados, notadamente da Secretaria de Previdência Complementar, que é a responsável por fiscalizar os Fundos de Pensão. No caso em tela, pouco se fala da intervenção do TCU, órgão do Legislativo na análise dessas contas, que causaram prejuízos cavalares nos Fundos de Estatais.

Por essas razões, derivadas da falta de credibilidade na gestão dos Fundos de empresas do governo, a maioria dos trabalhadores deixa de aderir aos Fundos de Previdência complementar, um verdadeiro fracasso oriundo da orgia com o dinheiro público.

DECEPÇÃO – Os cidadãos contribuem na expectativa de usufruírem no ocaso de suas vidas e depois se decepcionam como os cotistas do Fundo Aeros, que ganham hoje aposentadorias menores do que o salário mínimo, sem falar da falência da Capemi e do Montepio da Família Militar.

Importante ressaltar, que essa prática de desviar recursos dos Fundos de Pensão já vem de longe, o que não mitiga os erros estrondosos do lulopetismo, uma ação de traição à classe trabalhadora, especialmente a classe média e o lumpesinato, como comprova a Cooperativa Bancoop, quando centenas de cooperativados ficaram sem sua casa própria, enquanto a cúpula da cooperativa e dirigentes do PT e da CUT tiveram seu quinhão preservado.

NA ERA COLLOR – Lembro que, no governo colorido, Fundos de Pensão de estatais também foram utilizados como a tábua de salvação de empresas pré-falimentares, que apoiaram o candidato Collor, mas naquele governo depois impichado como o deste ano, pouco se comentou na imprensa sobre o conluio entre o público e o privado. No governo FHC, nem se fala, pois foi aquele silêncio constrangedor, a ponto de doer os ouvidos mais sensíveis acerca da gestão dos Fundos de Pensão. Será mesmo, que naquele longo período de oito anos, os gestores dos Fundos de Pensão indicados pelo governo foram de excelência tal, que nada foi objeto de censura? Ou estavam no limite da irresponsabilidade, sem ultrapassarem essa zona cinzenta?

Para concluir essa prosa, que passou do prazo regulamentar, mas que demanda vários capítulos ainda, afirmo com tristeza que a gestão dos indicados pelos governos petistas nos Fundos de Pensão fizeram mais mal aos trabalhadores do que todos os outros governos comandados pelo espectro conservador do mundo político.

A MESMA PRÁTICA – A pergunta que se faz é: Qual a diferença de um governo chamado de esquerda e os governos da direita, se a prática é quase a mesma, com pequenas variações na forma e no conteúdo? Por essas singelas questões ideológicas cimentadas no inconsciente coletivo, os candidatos do PT nessas próximas eleições municipais amargam os últimos lugares nas pesquisas eleitorais.

As urnas de domingo darão o recado do povo aos 14 anos dos governos do PT. Esse partido terá que se refundar ou então se tornará uma legenda nanica até sua completa extinção, simplesmente porque cavou seu próprio buraco, um erro fatal para aqueles que exercem o poder para si e os seus e não para o povo, a sociedade.

 

Narcoestados, presente ou futuro na realidade brasileira?

Milicianos presos no Morro do Fubá, bairro Campinho, no Rio

Chico Regueira

O crime organizado está nacionalizado no Brasil. A exportação para outros estados do modelo de facções e milícias, criado no Rio de Janeiro e em São Paulo, parece definitivamente não estar sendo percebida pelo Ministério da Justiça. A ausência de um projeto brasileiro integrado de combate a esses grupos facilita a expansão deles em escala industrial por capitais e cidades médias. As políticas baseadas na repressão policial feita em trincheiras, esquina por esquina, não levam em conta a extensão territorial do país e a capilaridade das diversas facções.

Não é mais somente o monopólio da venda de drogas ou do gás no varejo que deve ser levado em questão, mas também a ocupação das cidades por facções e milícias que se impõem como um poder paralelo instituído através de ações violentas, torturas e assassinatos, que disseminam o medo em qualquer um que levante a voz contra seus interesses.

POTENCIAL LUCRATIVO – Esses grupos criminosos agem no vácuo deixado pelo Estado, que perde territórios urbanos ao se anular negando políticas públicas, estrutura e direitos básicos às periferias. Cada região abandonada é uma nova área livre a ser ocupada pelo poder paralelo, que enxerga nesses vazios enorme potencial lucrativo através da exploração criminosa.

Cidades como Fortaleza, João Pessoa, Natal, Vitória e Maceió, para citar algumas, assistem impassíveis à expansão de facções que se afirmam pichando suas siglas em muros e postando relatos de dominação no YouTube. Esses grupos se atentaram para a importância da disputa do poder institucional, e hoje buscam espaço na política partidária financiando campanhas e indicando candidatos em algumas dezenas de municípios brasileiros.

Somente no estado do Ceará, advogados de partidos políticos com os quais conversei reservadamente estimam 14 cidades com candidatos a prefeitos, que podem ser eleitos no próximo domingo, indicados pelo tráfico de drogas.

BANCANDO CAMPANHAS – Os traficantes desconhecem dificuldades financeiras e bancam campanhas através de cidadãos laranjas que emprestam, muitas vezes coercitivamente, seus nomes e CPFs para pequenas doações que, somadas, chegam a milhões. Subterrâneas, essas facções não são vistas pelos Tribunais Regionais Eleitorais, que estão atentos apenas a possíveis fraudes no âmbito político-partidário, e que sequer têm capilaridade e força investigativa para deter a expansão deste assombroso fenômeno.

Estamos diante da formação de narcoestados brasileiros que, como um câncer, se instalam silenciosamente, inspirados no modelo mexicano em que o crime se faz representado no Poder Executivo e Legislativo, ditando leis não somente através da política do terror e do medo, mas defendendo também os interesses de seu “negócio”.

Nossas instituições não estão percebendo, ou não querem ver, a profissionalização do crime, seja através de milícias ou facções que se embrenham cada vez mais no Estado, tornando-se parte dele como um cupim que pode, aos poucos, corroer toda a sua estrutura. Será que acordaremos a tempo de combater esse fenômeno, ou já é tarde demais?

Como o corrupto Palocci se encaixa na trajetória do lulopetismo

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Charge do Sid, reprodução da Charge Online

Deu em O Globo

A prisão temporária do ex-ministro Antonio Palocci, o segundo ministro da Fazenda da era lulopetista a ser detido pela Lava-Jato — Mantega, o primeiro —, ajuda a compor um quadro amplo dos maus costumes que o PT desenvolveu no trato com o dinheiro público. Não começaram em Brasília. Vêm de muito longe os desvios neste campo; desde quando o partido começou a vencer eleições municipais e a conquistar as primeiras prefeituras no entorno da São Paulo e interior do estado.

É de 1997 a denúncia do militante e dirigente petista Paulo de Tarso Venceslau contra o amigo do peito de Lula, Roberto Teixeira, advogado e próximo do ex-presidente até hoje. Mantêm relação de compadres. Incomodado com consultorias que Teixeira oferecia a prefeituras petistas, Tarso, ainda crédulo com o PT, relatou à cúpula da legenda a preocupação com aqueles negócios.

Criou-se — por certo, a contragosto de Lula — uma comissão para examinar o assunto. Ela propôs a abertura de processo ético-disciplinar sobre o companheiro Teixeira. A Executiva Nacional acolheu a proposta, nas nada mais aconteceu. A não ser a expulsão de Paulo de Tarso, a decisão de um dos membros da comissão, Hélio Bicudo, fundador do partido, de se desligar — viria a ser um dos signatários do pedido de impeachment de Dilma — e o desgaste junto ao lulopetismo do jovem José Eduardo Cardozo, reabilitado no partido só agora, na defesa que fez de Dilma.

COMPORTAMENTO DELINQUENTE – Essa passagem pode ser considerada a pedra fundamental de um contumaz comportamento delinquente de desviar dinheiro público para o projeto de poder hegemônico da legenda, e o enriquecimento de alguns, o que só ficaria à vista da sociedade a partir do mensalão, em 2005.

A atuação de Palocci nessa engrenagem, em investigação pela Lava-Jato, é coerente com este lado sem ética do lulopetismo, ativo há muito tempo. Médico sanitarista, prefeito competente de Ribeiro Preto (SP) — responsável pela privatização parcial da telefônica da prefeitura, algo inédito naquele tempo —, e hábil ministro da Fazenda num momento grave, no início do primeiro governo Lula, Antonio Palocci repetiria o caminho subterrâneo de muitos outros dirigentes.

EM ASCENSÃO – Tendo assumido a coordenação da campanha de Lula em 2002, com o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André — outra história envolta em brumas —, Palocci cresceu dentro do partido e, depois, no governo.

Agora, pelas revelações da Lava-Jato, começa-se a saber como o ex-ministro passou a servir de intermediário nas sombras entre a Odebrecht e o PT. De 2008 a 2013, teriam saído do caixa dois da empreiteira para o partido R$ 128 milhões.

Já eram conhecidos os sinais de enriquecimento de Palocci. Depois que saiu do governo enxotado pela revelação do caseiro Francenildo sobre a frequência com que visitava uma casa em Brasília destinada a festas e negócios, Palocci parece ter se dedicado com afinco a consultorias, atividade que o derrubou da Casa Civil de Dilma. Sempre essas consultorias.

COERENTE COM 1997 – Palocci se junta a outros “capas pretas” petistas apanhados em delitos, além do próprio Lula: José Dirceu, Genoíno, João Paulo Cunha, Delúbio Soares, para citar alguns poucos. Tudo muito coerente com o que aconteceu em 1997, na denúncia de Paulo de Tarso Venceslau.

Felizmente, acontece um processo dialético no conflituoso relacionamento entre o PT e a democracia representativa brasileira: pressionada pelo partido, aliados e satélites, ela ganha força, cria anticorpos.

Piada do Ano: Odebrecht quer fazer delação sem revelar os políticos envolvidos…

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Fotomontagem sem autoria, reproduzida do Arquivo Google

Bela Megale e Estelita Hass Carazzai
Folha

Deflagrada nesta segunda-feira (26), a 35ª fase da Lava Jato, que foi capitaneada pela Polícia Federal, criou um mal-estar entre a Odebrecht e os procuradores da República que participaram da operação. Eles negociam com a empreiteira acordos de delação e leniência (espécie de delação premiada da pessoa jurídica) há cerca de sete meses. Em fase final de conversas, agora focadas no acerto de multas e penas e com o conteúdo já definido sobre o que os executivos vão revelar, a empreiteira foi surpreendida ao ser o foco de novas acusações juntamente com o ex-ministro Antonio Palocci.

Segundo a Folha apurou, esta fase compromete o ambiente colaborativo entre Odebrecht e procuradores, que chegaram a dar explicações ao grupo sobre o ocorrido. A empresa, porém, não pretende desistir do acordo, visto como sua única alternativa de sobrevivência.

TRANSTORNO – Apesar de não ter sido alvo de buscas, o fato de todas as ações da 35ª fase se concentraram na relação de investigados com a empreiteira incomodou o grupo Odebrecht devido ao transtorno causado junto ao mercado num momento em que a empresa negocia parte de seus ativos para se recompor.

A última fase decorreu de uma investigação da PF a partir de documentos apreendidos em ações anteriores e delações premiadas homologadas, como a da ex-secretária Maria Lúcia Tavares.

As apurações aconteceram paralelamente à negociação da delação, já que a PGR (Procuradoria-Geral de República) proibiu a PF de participar das tratativas com o argumento de evitar vazamentos.

CONTROVÉRSIAS – Segundo a Folha apurou, parte do Ministério Público Federal viu a ação como resposta da PF a esse fato. Porém os policiais negam qualquer tipo de reação e dizem desconhecer mal-estar com a Odebrecht, já que não estão a par da negociação.

A polícia tentou ouvir Marcelo Odebrecht durante a investigação, mas o executivo não quis falar devido à negociação da delação. Os investigadores, então, preferiram deflagrar a operação a esperar o resultado da delação. A PF considera também que a demora na negociação com a Odebrecht pode levar à destruição de provas. Tal risco foi mencionado pelo delegado Filipe Pace no pedido de prisão de Palocci.  “É fato público e notório de que o grupo Odebrecht está em negociação para celebração de acordo de colaboração premiada com a PGR, circunstância que, por si só, deixa em estado de alerta todos os criminosos que se envolveram com o grupo empresarial e poderá ensejar prejuízo a futuras investigações e instruções”, escreveu o delegado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Se a Odebrecht continuar embromando, sem levar a delação a sério, os dirigentes e executivos vão se dar mal. O listão das propinas da empresa tem mais de 300 codinomes, mas os dirigentes e executivos não querem revelar quem são. A força-tarefa teve de descobrir sozinha que “Italiano” é Palocci e “Pós-Itália” é Guido Mantega. Bem, chamar isso de delação seria um bocado de exagero, uma espécie de Piada do Ano. (C.N.)

Cobrança da Comissão de Ética ao ministro da Justiça é “só para constar”

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Moraes é amigo pessoal de Temer e não será demitido

Valdo Cruz
Folha

Depois de ser confirmado no cargo nesta terça-feira (27) pelo presidente Michel Temer, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, foi cobrado a dar explicações num prazo de dez dias à Comissão de Ética da Presidência sobre suas declarações no domingo (25), quando disse que “nesta semana” haveria uma nova operação da Lava Jato. O presidente da comissão, Mauro Menezes, disse que o episódio já seria discutido, mas que decidiu pedir explicações oficiais após uma denúncia ser protocolada no órgão pelo deputado Afonso Florence (PT-BA).

Segundo Menezes, se ficar comprovado que Moraes fez uso de informação privilegiada do governo, a comissão poderá aplicar uma sanção, que vai de uma advertência até uma recomendação ao presidente que o demita. Além disso, o ministro pode ser processado –o vazamento de informações privilegiadas é crime.

A decisão da Comissão de Ética foi tomada nesta terça, no mesmo dia em que o ministro se reuniu com o presidente para tratar do assunto. Na reunião, Temer repreendeu pessoalmente Moraes pelas declarações dadas em Ribeirão Preto (SP), repetindo as reclamações já feitas no dia anterior por telefone.

DESGASTE – O presidente alertou seu ministro que não quer a repetição deste tipo de comportamento, porque gera desgaste para o Palácio do Planalto. Assessores classificaram a fala de Moraes de “desastrosa” e avaliaram como um erro de estratégia o fato de sua equipe ter divulgado o vídeo do episódio. O material confirma as declarações.

“Pode ficar sossegado, apoio total à Lava Jato. Tanto que quinta teve uma [operação], sexta outra e esta semana vai ter mais. Podem ficar tranquilos. Vocês vão ver. Quando vocês virem esta semana, vão se lembrar de mim”, disse o ministro.

Depois da reunião, Alexandre de Moraes disse a interlocutores que estava tudo resolvido entre ele e o presidente. Assessores de Temer chegaram a defender a demissão do titular da pasta da Justiça, mas o peemedebista avaliou que isto iria criar uma crise pior ainda para o Palácio do Planalto e seria uma admissão oficial de que houve vazamento de uma nova fase da Operação Lava Jato.

“USO POLÍTICO” – Alexandre de Moraes foi acusado por petistas de usar politicamente uma informação – a de que haveria operação da Lava Jato nesta semana – depois que o ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), dos governos Lula e Dilma, foi preso nesta segunda-feira (26) pela PF. Moraes nega informação privilegiada sobre a operação.

Temer disse a assessores que ter o mesmo tipo de conversa que teve com Moraes com os demais ministros de sua equipe que têm dado declarações que provocam desgaste em seu governo. Na lista estão Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo), Ricardo Barros (Saúde) e Ronaldo Nogueira (Trabalho).

Segundo assessores, alguns destes ministros estão na “marca do pênalti”. Se voltarem a gerar desgaste ao Palácio do Planalto, com posições polêmicas e declarações desastrosas, correm risco de demissão.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
É necessário haver tradução simultânea. Dizer que o ministro pode ser processado, porque vazamento de informações privilegiadas é crime, só pode ser Piada do Ano. Quanto à cobrança da Comissão de Ética, é conversa fiada, só para constar, tipo factóide. A gravação do ministro é clara – ele estava só tirando uma onda de que comandava a Lava Jato. A nota da Polícia Federal o desmentindo diz tudo. Quanto aos outros ministros, dificilmente serão demitidos, especialmente Geddel Vieira Lima, um dos caciques do PMDB que estão mantendo Temer como refém. (C.N.)