Senador Cid Gomes é baleado após tentar entrar em batalhão da polícia com retroescavadeira no Ceará

Os dois tiros passaram perto, mas não atingiram o coração do senador

Cid, que está licenciado do Senado, estava em uma retroescavadeira e tentava entrar no batalhão da cidade. O trator foi alvejado e teve os vidros estilhaçados. A assessoria de Cid Gomes informou que o senador foi baleado por arma de fogo e que, no início da noite, estava passando por estabilização no Hospital do Coração de Sobral. A equipe do senador informou que ele será transferido para a Santa Casa de Misericórdia de Sobral.

PRIMEIRAS INFORMAÇÕES – Nas redes sociais, o ex-governador Ciro Gomes (PDT) disse que as primeiras informações são de que foram dois tiros, que não atingiram órgãos vitais. “Meu irmão Cid Gomes foi vítima de dois tiros de arma de fogo por parte de policiais militares amotinados e mascarados em Sobral, nossa cidade. Até aqui as informações médicas são de que as balas não atingiram órgãos vitais apesar de terem mirado seu peito esquerdo”, escreveu Ciro.

“Novos exames estão sendo feitos, mas a palavra aos familiares e amigos é de que Cid não corre risco de morte. Espero serenamente, embora cheio de revolta, que as autoridades responsáveis apresentem prontamente os marginais que tentaram este homicídio bárbaro às penas da lei”, afirmou.

NEGOCIAÇÃO – No início da tarde, Cid Gomes avisou por meio de rede social que chegaria em Sobral para tentar negociar o fim das manifestações dos policiais militares. Desde a noite de terça-feira , dia 18, PMs protestam contra a proposta de reestruturação salarial feita pelo governo do Estado.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), estava reunido com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), quando soube que Cid Gomes havia sido baleado. Ele tentou, sem sucesso, ligar para o celular de Cid. Depois, entrou em contato com o ministro Sergio Moro (Justiça) e com o governador Camilo Santana (PT).

“Acompanho com preocupação os desdobramentos do ocorrido com o senador Cid Gomes, na tarde desta quarta-feira (19), em Sobral, no Ceará. Entrei em contato o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, e com o governador do Ceará, Camilo Santana, para obter informações e garantir a segurança do parlamentar”, disse Alcolumbre em nota.

ATAQUES – Até o momento, três policiais foram presos e 261 são investigados por participarem do protesto, que foi proibido na segunda-feira, dia 17, pela Justiça. Em meio aos atos, dois batalhões foram atacados por homens encapuzados, que roubaram dez viaturas em uma das unidades e esvaziaram pneus dos carros em outra.

Na segunda-feira, dia 17, a Justiça havia determinado, a pedido do Ministério Público Estadual, que agentes de segurança poderiam sofrer sanções e até serem presos por promoverem movimentos grevistas ou manifestações no estado.

Em um dos ataques, no batalhão no bairro do Papicu, cerca de dez viaturas foram levadas. Em outro, na Barra do Ceará, os carros tiveram os pneus esvaziados. O governo vai investigar as ações, mas o secretário da Segurança, André Costa, disse nesta quarta-feira que podem ser policiais e até esposas de policiais envolvidos nessas ações.

PORTAS FECHADAS – Os protestos já chegam ao menos a sete cidades do interior do Ceará. Em Sobral, homens encapuzados, com o corpo para fora das janelas de viaturas da Polícia Militar, circularam pelo centro da cidade nesta quarta ordenando que comerciantes fechassem as portas.

Muitos só reabriram as lojas após a chegada de policiais civis e guardas municipais, que estão patrulhando algumas cidades do Ceará com a paralisação de parte da PM. O Ministério da Justiça divulgou nota em que informa que está acompanhando a situação no Ceará e “analisando as providências que podem ser tomadas”.

“Já foram enviadas equipes da Polícia Rodoviária Federal e Polícia Federal para Sobral para garantir a segurança do senador Cid Gomes”, diz o comunicado. Cid Gomes é senador licenciado. Ele se afastou em dezembro para cuidar das eleições municipais no Ceará e deve voltar ao cargo em abril. Em seu lugar assumiu seu suplente Prisco Bezerra (PDT-CE).

BASE ELEITORAL – Sobral é a base eleitoral de Ciro Gomes, candidato a presidente derrotado em 2018 e que apoia o governador petista Camilo Santana.

Seu irmão Cid Gomes foi governador do Estado em momento semelhante de crise com a PM, em 2012.

Bolsonaro minimiza “deslizes” de Guedes e diz que ministro fica no governo “até o último dia'”

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Alessandra Azevedo e Claudia Dianni
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro negou a possibilidade de retirar do governo o ministro da Economia, Paulo Guedes, após as falas polêmicas sobre os impactos da alta do dólar e a postura “parasitária” dos servidores públicos.

Bolsonaro disse ter certeza de que o chefe da equipe econômica “vai continuar conosco até nosso último dia”, apesar de ter “problemas pontuais” e cometer “possíveis pequenos deslizes”. “Se o Paulo Guedes tem problemas pontuais, como todos nós temos, e ele sofre ataques, é muito mais pela sua competência do que por possíveis pequenos deslizes”, disse o presidente, que lembrou já ter cometido “muitos (deslizes) no passado”.

“ATÉ O FIM” – A declaração foi feita nesta terça-feira, dia 18, em cerimônia de transmissão de cargos dos ministros da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, e da Cidadania, Onyx Lorenzoni, no Palácio do Planalto. Segundo o presidente, Guedes “não pediu para sair” do ministério. “Tenho certeza que, como um dos poucos que eu conheci antes das eleições, ele vai continuar conosco ate nosso último dia”, reforçou o chefe do Executivo, seguido de aplausos. “Uma das coisas mais importantes que aconteceram desde o início do mandato foi a recuperação da confiança que o mundo não tinha conosco”, ressaltou.

“Paulo Guedes não é militar, mas é ainda um jovem aluno do Colégio Militar de Belo Horizonte”, disse Bolsonaro, em referência ao grande número de militares no governo, lista engrossada com a nomeação do general Braga Netto, na Casa Civil. Agora, todos os ministros com gabinete no Planalto são militares.

ALVO DE CRÍTICAS – Nos últimos dias, Guedes foi criticado por comparar o servidor público que reivindica aumento a um “parasita” e por dizer que na época do dólar baixo mesmo as empregadas domésticas conseguiam viajar para a Disney. O ministro afirmou que é “bom para todo mundo” que o dólar esteja acima de R$ 4. Bolsonaro, no entanto, disse que estava “um pouquinho alto”.

O presidente também se afastou, na última quinta-feira, dia 13, da visão de Guedes quanto aos servidores. Depois da repercussão negativa das falas do ministro, Bolsonaro disse que “responde pelos próprios atos” e sugeriu que jornalistas tirassem satisfações “com quem falou isso”.

Governo da Bahia desmente vídeo divulgado por Flávio Bolsonaro sobre suposto corpo de miliciano morto

Clã Bolsonoro acusa governo baiano de encomendar morte 

Paulo Roberto Netto
Estadão

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, rebateu o vídeo e as acusações proferidas pelo senador Flávio Bolsonaro pelas redes sociais. Nesta terça-feira, dia 18, o filho do Presidente publicou vídeo de suposto corpo do ex-capitão do Bope, Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em operação policial na cidade de Esmeralda, a 170 quilômetros de Salvador.

Segundo Barbosa, o vídeo divulgado pelo senador não teve a autenticidade reconhecida pela perícia da Bahia e nem pela perícia do Rio de Janeiro. A reportagem buscou o Departamento de Polícia Técnica do Rio, que informou que o vídeo não havia ter sido gravado no local.

DÚVIDAS – “As imagens não foram feitas nas instalações oficiais do Instituto Médico-Legal. Então nós temos a clara convicção de que isso é para trazer algum tipo de dúvida, de questionamento, a um trabalho que ainda não foi concluído”, disse Barbosa. Segundo o secretário, o governo foi ‘instado’ a comentar o resultado de uma perícia, divulgada na semana passada, e que há outros exames a serem realizados.

A única perícia oficial do corpo do miliciano aponta que ele foi morto por dois tiros de fuzil, disparados a, no mínimo, um metro e meio de distância. São mencionados “seis fraturas nas costelas”, “dois pulmões destruídos” e o “coração dilacerado”.

CONTRADIÇÕES – Diferentemente do que alegou Flávio, não há menção à coronhada ou à queimadura. Os ferimentos, segundo os peritos, seriam compatíveis com o impacto no corpo causado por tiros de fuzil, em razão da alta energia cinética dos projéteis.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirma que o diretor do Instituto Médico Legal (IML) da Bahia, Mário Câmara, informou que não é possível confirmar onde o vídeo foi gravado e se o corpo é realmente do capitão Adriano da Nóbrega.

“Não sabemos se foi adulterado, onde foi feito, não sabemos se o corpo é realmente do senhor Adriano. Então não faremos comentários sobre o vídeo”, afirma.

VÍDEO – Flávio Bolsonaro publicou um vídeo de 21 segundos, sem áudio e com imagens fortes, no qual é exibido um corpo etiquetado com o nome de Adriano Magalhães.

“Perícia da Bahia (governo PT), diz não ser possível afirmar se Adriano foi torturado. Foram 7 costelas quebradas, coronhada na cabeça, queimadura com ferro quente no peito, dois tiros a queima-roupa (um na garganta de baixo p/cima e outro no tórax, que perfurou coração e pulmões”, afirmou Flávio Bolsonaro.

INVESTIGADO –  Além de ser acusado de integrar o Escritório do Crime, milícia envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco, Adriano da Nóbrega era investigado pelo Ministério Público do Rio por participação em suposto esquema de rachadinha conduzido no gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

O filho do Presidente empregou a ex-esposa e a mãe de Adriano da Nóbrega. Ao deflagrar operação contra endereços ligados ao ex-assessor Fabrício Queiroz e Flávio Bolsonaro em novembro do ano passado, o Ministério Público detalhou conversas entre Nóbrega e sua ex-esposa, Danielle, que era funcionária de Flávio.

Após reportagem do ‘Estado’ revelar movimentações atípicas de Queiroz, Danielle foi exonerada do cargo e cobrou explicações do miliciano em mensagens obtidas pela promotoria. Nelas, a ex-esposa de Adriano da Nóbrega afirma que ele também se beneficiava do suposto esquema de ‘rachadinhas’.

Separação de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira rendeu alguns clássicos da MPB

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Herivelto e Dalva viveram uma tumultuada história de amor

Paulo Peres
Poemas & Canções

O ator, cantor e compositor nascido em Vila de Rodeio, atual Município de Engenheiro Paulo de Frontin (RJ), Herivelto de Oliveira Martins (1912-1992), viveu com Dalva de Oliveira um intenso e turbulento amor entre 1930 e 1940. Segundo alguns historiadores, o relacionamento rendeu alguns clássicos para a MPB, entre os quais, “Bom Dia”, em parceria com Aldo Cabral, cuja letra retrata a surpresa e o sofrimento que uma separação podem trazer. O samba Bom Dia foi gravado por Linda Batista, em 1942, pela RCA Victor.

BOM DIA
Aldo Cabral e Herivelto Martins

Amanheceu, que surpresa
Me reservava a tristeza
Nessa manhã muito fria
Houve algo de anormal
Tua voz habitual
Não ouvi dizer
Bom dia!
Teu travesseiro vazio
Provocou-me um arrepio
Levantei-me sem demora
E a ausência dos teus pertences
Me disse, não te convences
Paciência, ele foi embora

Nem sequer no apartamento
Deixaste um eco, um alento
Da tua voz tão querida
E eu concluí num repente
Que o amor é simplesmente
O ridículo da vida

Num recurso derradeiro
Corri até o banheiro
Pra te encontrar, que ironia
E que erro tu cometeste
Na toalha que esqueceste
Estava escrito bom dia

Lula diz que Bolsonaro “tem um plano de desmonte da estrutura pública brasileira”

É a primeira vez que Lula está em Brasília após de ser solto

Renato Souza
Correio Braziliense

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro, nesta terça-feira, dia 18, em Brasília. Ele participou de um encontro do PT no qual foram debatidas as eleições municipais deste ano e as novas estratégias do partido.

Entre os assuntos discutidos, esteve uma nova política de comunicação do PT, que deve aumentar a presença nas redes sociais, e propostas econômicas a serem apresentadas no Congresso Nacional. Uma delas trata de um plano emergencial para a geração de emprego.

DESMONTE – “O Bolsonaro não tem um programa de governo até agora. Tem um plano de desmonte da estrutura pública brasileira. Desde que ele assumiu, a economia eu diria que teve um alento. Os empregos que são criados são os informais”, disse Lula.

O petista declarou que existe uma proposta, do partido, para fazer com que o Banco Central deixe de atuar apenas no câmbio e outras áreas do mercado financeiro, mas também seja responsável por acompanhar e atuar em relação ao desemprego.

CANDIDATURAS –  O ex-presidente afirmou que estão sendo avaliadas as candidaturas para as eleições municipais e sugeriu que Fernando Haddad não deve se candidatar à Prefeitura de São Paulo. “Quando o Haddad quiser ser candidato, ele será candidato. Tem uma disputa por prévias em São Paulo. Tem muitos nomes”, completou.

Haddad, também presente no encontro, reforçou as declarações. “Teve uma etapa de inscrição para as prévias em São Paulo. Eu me inscrevi nas prévias? Eu fui candidato em 2012 e 2016”, disse o ex-prefeito da capital paulista.

OFENSAS A JORNALISTAS – Lula criticou ainda as declarações do presidente Jair Bolsonaro em relação à jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha de S. Paulo. O presidente da República fez insinuações com teor sexual sobre a profissional.

“Já virou um comportamento cotidiano dele, ofender as pessoas. Lamentavelmente, me parece que a educação e o respeito não chegaram à cabeça do governo Bolsonaro. Está na hora dele aprender bons modos”, completou Lula.

O ex-presidente continua em Brasília nesta quarta-feira, dia 19. Na parte da tarde, ele presta depoimento na Justiça Federal de Brasília. Lula é acusado de editar a medida provisória 471 para beneficiar montadoras. “É uma farsa, uma mentira”, disse ele sobre a acusação.

General Heleno também fala o que não deve e abre mais uma crise com o Congresso

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General Heleno, quando está calado, até parece ser um poeta

Amanda Almeida, Bruno Góes, Naira Trindade, Natália Portinari e Isabella Macedo
O Globo

Além do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que acusou o ministro Augusto Heleno de ter virado um ‘radical ideológico contra a democracia’, outros parlamentares reagiram nesta quarta-feira à declaração do chefe do Gabinete de Segurança Pública (GSI) do governo Bolsonaro, que recomendou ao governo para não ceder às “chantagens” do Congresso.

O embate é a respeito do controle da ordem de execução de R$ 46 bilhões em emendas parlamentares — um acordo devolvia ao governo a gerência sobre R$ 10,5 bilhões. No Planalto, porém, há resistência em cumprir o combinado com deputados e senadores.

CONTAMINAÇÃO  – Parece que a perda de compostura, a falta de noção da importância do cargo está se espalhando por todo o governo, contaminou todo o governo. Está se tornando um governo que tem como característica falta de compostura e de noção da dignidade do cargo – diz o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Para ele, Heleno tem de ser convocado para se explicar ao Congresso: “Claro. As coisas estão passando do limite.”

A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), disse que o partido tentará convocar Heleno. “General Heleno, pode dar murro na mesa, falar palavrão, espernear. Mas terá de se explicar, conforme manda a Constituição, ao Congresso que tanto despreza. Será convocado”, anunciou no Twitter.

HAVIA ENTENDIMENTO – O acordo entre Executivo e Congresso manteria vetado um trecho que explicita a punição ao gestor que não seguir a ordem de liberação de emendas imposta pelo Parlamento, mas devolveria aos parlamentares o controle sobre mais de R$ 30 bilhões. A votação não ocorreu, porém, por divergências quanto ao texto final de um projeto de lei que deveria ser enviado pelo Executivo para selar o acordo.

Além disso, um grupo de senadores foi contrário ao acordo e defendeu que o governo deveria definir a execução de todas as emendas parlamentares, e não só uma parte delas.

RANDOLFE IRONIZA – O líder da minoria no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), ironizou a suposta iniciativa do Congresso em fazer um acordo:

“A carapuça não serviu para mim. Nesse tema, eu tenho apoiado o presidente, mesmo o presidente sendo o Bolsonaro. Nós obstruímos e derrubamos, enquanto os bolsonaristas ficaram quietos e o próprio general Heleno chancelou acordo do Bolsonaro com os presidentes da Casa a favor da derrubada do veto. Talvez, tivesse que servir para o próprio presidente da República porque foi ele quem fez acordo com os presidentes da Casa” – disse.

Randolfe, no entanto, pondera que, talvez, não seja estratégico convocar Heleno: “Não estou a fim de dar picadeiro para palhaço. Aqui não é circo”.

DESTINOS VERBAIS – Líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP) escreveu nas redes sociais que “desatinos verbais só tumultuam o ambiente político e atrapalham o andamento das reformas”.

“Já passou da hora de parar de produzir crises desnecessárias e concentrar os esforços na aprovação das reformas tributária e administrativa”, disse o tucano.

Primeiro vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira (Republicanos-SP) reforçou as críticas às declarações do ministro Augusto Heleno de que o governo precisa enfrentar a ‘chantagem’ do Congresso em relação aos vetos da Lei de Diretrizes Orçamentárias e considerou a fala como “desrespeitosa”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O general Heleno perdeu uma boa oportunidade de ficar calado e fazer poesias, como diz o senador Romário (podemos-RJ). Aliás o próprio Romário, quando calado, também é um poeta. (C.N.)

 

CPMI das Fake News quer rastrear rede responsável por disparos em massa nas eleições de 2018

Charge do Lézio Júnior (Arquivo do Google)

Julia Chaib, Danielle Brant e Renato Onofre
Folha

Integrantes da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) das Fake News querem, a partir dos depoimentos dos sócios da Yacows nesta quarta-feira, dia 19, rastrear a rede de empresas de marketing digital terceirizadas responsáveis por disparos em massa pelo WhatsApp nas eleições de 2018.

Os congressistas investigam como a Yacows obteve CPFs de idosos usados para registrar chips de celular e garantir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos. Uma das linhas de investigação é de que a empresa faria parte de uma rede de terceirizadas contratadas pela AM4, que prestou serviços para a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018, para enviar as propagandas eleitorais pelo WhatsApp.

DISPAROS – A Folha revelou, em outubro de 2018, que empresários usaram a Yacows e pelo menos outras três empresas para disseminar mensagens com conteúdos apócrifos contra campanha do então candidato petista Fernando Haddad.

Entre as táticas havia o uso de números de telefones estrangeiros para barrar limites impostos pelo aplicativo. O plano era ampliar esses serviços nas vésperas do segundo turno, no dia 28 de outubro daquele ano.

Até agora, a CPMI já identificou 24 números e centenas de endereços de IPs envolvidos na operação. As linhas telefônicas têm números registrados nos Estados Unidos, no Vietnã e na Inglaterra. Segundo documento da comissão a que a Folha teve acesso, apesar de os números serem registrados no exterior, os disparos foram feitos no Brasil, conforme os IPs associados a cada linha.

CHEFES DE HANS – A intenção da CPMI é que Flávia Alves e Lindolfo Alves Neto, sócios da Yacows, convocados a depor nesta quarta-feira, esclareçam a participação da empresa nos envios de propaganda eleitoral pelo WhatsApp. Eles eram os chefes de Hans River do Rio Nascimento. Em depoimento na semana passada, o ex-funcionário confirmou o uso dos CPFs pela empresa e mentiu sobre a atuação da jornalista Patrícia Campos Mello, da Folha.

No final de 2018, ele enviou à reportagem uma relação de 10 mil nomes de pessoas nascidas de 1932 a 1953 (de 65 a 86 anos), que, segundo ele, era distribuída pela Yacows aos operadores de disparos de mensagens. A lei exige o cadastro de CPFs existentes para liberar o uso de um chip.

Como o WhatsApp trava números que enviam grande volume de mensagens para barrar spam, as agências precisavam de chips suficientes para substituir os que fossem bloqueados e manter a operação. Se os congressistas julgarem que as informações obtidas são insuficientes, cogitam pedir mandados de busca e apreensão nos endereços ligados à AM4.

ESQUEMA – Um dos sócios da empresa, Marco Aurélio Carvalho, chegou a participar da equipe de transição do governo Bolsonaro, no fim de 2018. Ele ficou apenas um mês na função. Com os mandados, dizem integrantes da CPMI, seria possível localizar os acordos feitos entre a AM4 e as outras empresas, além de buscar outras provas que ajudem a entender o esquema de disparos em massa.

Na avaliação de integrantes da CPMI, saber como a empresa obteve o cadastro com os CPFs é fundamental na investigação sobre os disparos em massa pelo WhatsApp. A equipe técnica da comissão avaliava que os responsáveis pela Yacows podem adotar narrativa semelhante à de Hans, que isentou as campanhas de Bolsonaro e do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), de práticas ilegais nas eleições, enquanto afirmou que o PT fez uso dos serviços da empresa.

Ainda assim, a oposição e congressistas do centrão pretendem pressionar os sócios a revelar detalhes, por exemplo, da relação da empresa com a AM4. Eles querem saber como a empresa de marketing contratou a Yacows e quais os termos do acordo.

BLINDAGEM – Flávia e Lindolfo, no entanto, devem ser blindados por aliados de Bolsonaro que integram a comissão. Hoje, na análise de técnicos, a maioria dos titulares da CPMI é governista: são 18 aliados, contra 14 da oposição. Nesta terça-feira (18), o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) requereu a quebra dos sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático ligados a Hans. O pedido não tem prazo para ser analisado e votado no colegiado.

Deputados e senadores ainda não fecharam acordo sobre os 88 requerimentos que estavam protocolados até o fim da tarde de terça-feira. A intenção do presidente da CPMI, senador Angelo Coronel (PSD-BA), é colocar em pauta em sessão deliberativa convocada para 3 de março, logo após o Carnaval.

Entre os nomes que podem ser convocados estão, além de Hans e Patrícia, o do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, dos ex-presidentes petistas Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva e de outros jornalistas.

TEMPO HÁBIL – Se aprovados, dificilmente haverá tempo hábil para que todos deponham na CPMI, que oficialmente termina em 13 de abril. No total, mais de 60 depoimentos ou convocações ainda foram analisados e aprovados pela comissão.

A relatora, deputada Lídice da Mata (PSB-BA), pretende prorrogar os trabalhos por dois meses, mas com o objetivo de ganhar prazo para aguardar a autorização judicial de quebra de sigilos telefônicos e bancários de pessoas e empresas investigadas. Hans é ex-funcionário da Yacows e, em depoimento à comissão na semana passada, mentiu e insinuou que Patrícia Campos Mello queria trocar informações por sexo.

CRIME – O Código Penal estipula que fazer afirmação falsa como testemunha em processo judicial ou inquérito é crime, com pena prevista de 2 a 4 anos de reclusão, além de multa. Na condição de testemunha, Hans se comprometeu em falar a verdade à comissão.

O regimento do Senado diz que a inquirição de testemunhas em CPMIs segue o estabelecido na legislação processual penal. Após o depoimento de Hans, Lídice já havia pedido ao procurador-geral da República, Augusto Aras, a abertura de uma investigação contra Hans por falso testemunho no depoimento. No pedido, a deputada diz que Hans cita informações que, posteriormente, “viriam a se mostrar inconsistentes ou inverídicas”.

Maia critica ministros que operam com “agenda de redes sociais” e alerta para polarização política

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

João Sorima Neto
O Globo

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou nesta terça-feira, dia 18, que parte dos ministros do governo Jair Bolsonaro ainda tem agenda voltada para as redes sociais. Segundo ele, trata-se de um grupo dentro do governo, mas fora do Palácio do Planalto, que ainda acha que a permanência na polarização ideológica é o que mantém  sua força política. Maia não citou nominalmente nenhum ministro.

“Desde o início, o Parlamento vem se focando nos problemas do Brasil e não nas redes sociais. A gente sabe que os problemas do Brasil são maiores e mais complexos do que ficar batendo boca com aqueles que pensam diferente da gente nas redes sociais”, afirmou Maia, durante evento na capital paulista promovido pelo banco BTG Pactual.

PROPAGAÇÃO – Ele observou que frases de efeito “viralizam” nas redes sociais para o bem e para o mal. “Às vezes você acerta uma frase, às vezes você erra. E quando você erra isso viraliza também contra você”, afirmou.

Maia disse que a ala ideológica do governo ainda tem alguns ministérios importantes. O deputado disse que mais grave que os comentários é ver pastas tão decisivas para o futuro de uma nação presas nesse tipo de agenda.

“E o problema verdadeiro da pasta não está sendo tratado. Está sendo tratada a agenda que transforma um tema pequenininho, mas que em tese vai atingir o PT.  Aí vira um tema de rede social. Eles conversam entre si e ficam achando que o Brasil é esse um milhão de pessoas que estão nas redes sociais”, afirmou.

AGENDA – Maia disse ainda que não faz parte do grupo ideológico ‘que não chamo de direita, mas chamo de autoritário das redes sociais’. Segundo ele, há nesses agrupamentos uma agenda de enfrentamento e enfraquecimento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Enfatizando que não se referia a Bolsonaro, com quem tem boa relação, Maia disse que há pessoas com menos espaço no governo responsáveis por fazer ataques frequentes ao ex-presidente Lula enquanto há questões graves a serem resolvidas como problemas na Educação, falta de vagas em hospitais e a violência. “Esse ambiente de fake news não gera nenhuma solução para os problemas reais da sociedade brasileira”, disse.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGMaia, desta vez ele foi certeiro em suas observações. Com a descentralização das informações e a maior democratização dessa administração de ideias e notícias, a internet se torna um meio cada vez mais interessante e poderoso. Quem detém atenção, concentra poder, “guia” seguidores (muitas vezes ao som do berrante) e consegue informar ou desinformar. E o que se observa neste governo, de fato, é que tem muito integrante se preocupando mais com a atualização do seu status e com os aplausos virtuais do que em colocar verdadeiramente a mão na massa. O número de pessoas privilegiadas por ações reais, por vezes, parece menos importante do que o número de likes advindos com uma anedota marota publicada nas redes. É preciso deixar o governo virtual de lado e a constante justificativa de que antes era assim, para começar a obter resultados. (Marcelo Copelli)

Advogado de Flávio diz que miliciano era “inocente” e que farsa tenta atingir a família Bolsonaro

Wassef diz que “execução” teria participação do governo da Bahia

Camila Mattoso
Folha

O advogado de Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, diz que a morte do ex-PM Adriano da Nóbrega foi uma “execução”, com a participação do governo da Bahia. Em entrevista à Folha nesta terça-feira, dia 18, ele afirma que o ex-capitão do Bope “não é miliciano, nunca foi miliciano, não participava de nenhuma milícia”.

Acusado de comandar a mais antiga milícia do Rio, Adriano era investigado por participação em diversos homicídios no Rio, suspeito de integrar um grupo de assassinos profissionais do estado e ser sócio no jogo de máquinas caça-níqueis.

“MENTIRAS” – “O que tem é um brasileiro, a quem chamaram de miliciano, de chefe do escritório do crime, de envolvido na morte de Marielle [Franco, vereadora do PSOL assassinada em 2018] e de ser ligado à família Bolsonaro. Eu lhe afirmo e desafio a qualquer um no Brasil: todas as afirmações são falsas, mentirosas e levianas. O único objetivo dessa farsa é atingir a imagem da família Bolsonaro”, afirma.

O ex-PM foi homenageado e defendido pelo presidente e seu filho em 2005, quando chegou a ser condenado por homicídio — depois absolvido. Duas familiares trabalharam com Flávio, quando era deputado estadual. Adriano aparece também citado na investigação que apura a prática de “rachadinha” no antigo gabinete do senador.

FAKE NEWS – Segundo Wassef, porém, ”forças ocultas” do Rio quiseram “fabricar esse personagem, um monstro” para atrelá-lo ao filho do presidente. “De forma fraudulenta e por meio de fake news tentaram ligar Adriano a Flávio Bolsonaro”, diz. “Está claro que ele [Adriano] caiu em uma cilada”.

O advogado diz também que “infindáveis fontes” lhe disseram que o ex-capitão do Bope era considerado “o famoso capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite”.Como mostrou o Painel, o advogado tem a opinião de que o caso deveria ser federalizado e que é “muitíssimo mais grave” que o da menina Ágatha Félix, baleada no Rio no ano passado.

“Por que tanta comoção com Marielle? Por que todo mundo grita até hoje, entidades nacionais e internacionais? O quê que Marielle tinha que Adriano não tinha?”, questiona.

O presidente Jair Bolsonaro disse que tomou providências para uma perícia independente no corpo de Adriano da Nóbrega. Do que se trata exatamente isso?
Não ouvi o discurso do presidente. Mas me parece absolutamente acertado. Não podemos permitir em um estado democrático que um cidadão seja brutalmente torturado e assassinado, seja ele quem for, criminoso ou inocente. A nossa Constituição não prevê pena de morte. Menos ainda quando a vítima, esse senhor que se chama Adriano, não possui uma única condenação criminal, sequer em primeira instância, respondendo tão somente a uma única ação penal. Dentro da lei, ele é tecnicamente considerado inocente. Tem um status técnico-jurídico igual ao da jornalista que me entrevista e o meu. Um cidadão inocente que foi brutalmente torturado e posteriormente assassinado, com a conivência de, certamente, altas autoridades.

O entendimento que o senhor tem é de que foi uma execução?
É incontestável, inequívoco, incontroverso que esse cidadão foi brutalmente torturado e posteriormente executado, com dois tiros à queima-roupa. A questão de fazer uma perícia ou investigação é meramente formalidade, porque é absolutamente fora de qualquer dúvida que esse cidadão foi torturado. A perícia vai mostrar isso de forma absolutamente científica.

O senhor disse que não ouviu o presidente falar, mas defendeu o posicionamento de se fazer uma perícia independente…
[Interrompe] Na verdade, vou muito além. Se tivesse como dar uma opinião, acho que é o caso de federalizar. Acho que não tem que ter uma só perícia, tem que ter uma participação do Ministério da Justiça, uma investigação federal, por autoridades isentas, que de fato querem buscar a verdade. Quem matou o Adriano? Por que executaram o Adriano? Quem teme descobrir a verdade? Vindo da Bahia, é muito certo que ali está tudo orquestrado.

O que o senhor chama de orquestrado?
Vou citar um exemplo heróico de uma atuação policial. A Polícia Militar de São Paulo adentrou a favela de Paraisópolis. Qual foi procedimento do governador [João] Doria? Uma apuração para saber o que houve. E quero aproveitar a oportunidade para parabenizar a corregedoria da PM de São Paulo, que absolveu todos os policiais. Eles agiram heroicamente. Só estou te mostrando que mesmo em casos em que a polícia está correta, a praxe é a imediata apuração dos fatos. Por que, estranhamente, na Bahia, você vê uma força de coalização, das mais altas autoridades, do governador para baixo, que mais parecem advogados de defesa particulares de torturadores e assassinos do Bope, que torturaram e mataram esse cidadão?

No ano passado, a menina Ágatha Félix, de 8 anos, morreu no Rio e não houve manifestação do presidente. Por que há no caso Adriano?
Vamos lá. De novo. Não posso falar em nome do presidente da República. Todos os dias, no Brasil, temos centenas de crimes. É óbvio que um presidente não vai poder estar se manifestando toda hora para cada crime que ocorra. O que acabei de explicar é que as graves circunstâncias que envolvem o assassinato, com tortura, com a participação do governo da Bahia… Nós não podemos tirar fora de contexto. Vamos falar da menina Ágatha que a senhora falou. Você está falando de uma favela carioca, num tiroteio, onde policiais são recebidos à bala. Há uma troca de tiros com centenas de indivíduos armados com fuzil.

Desculpa cortar o senhor, mas não há informação de que houve troca de tiros. Até o fim da investigação não foi falado isso.
O que eu sei é que já foi apurado, parece que não foi divulgado, é que a bala que matou a menina não saiu da arma de nenhum policial. O que estou dizendo é que é absolutamente impossível e incomparável uma cena de perseguição policial em favela carioca e troca de tiro com uma situação de um indivíduo que sofreu uma verdadeira diligência, com a autorização e a participação do governo da Bahia. Estamos falando de deslocamento do Bope, mais de 70 policiais. Isso é muitíssimo mais grave e é o caso, sim, de autoridades públicas federais se manifestarem.

Eu quero ver a OAB falando, as ONGs, o ministro da Justiça, e, digo mais, eu gostaria de ver agora o empenho e o grito da sociedade. Quem mandou matar Adriano? Por que tanta comoção com Marielle? Por que todo mundo grita até hoje, entidades nacionais e internacionais? O quê que Marielle tinha que Adriano não tinha? Por quê? Eu quero o mesmo empenho e isonomia. Eu quero todos os brasileiros iguais. O tratamento tem que ser igual. Jair Bolsonaro foi quase assassinado. Ninguém se moveu para perguntar quem mandou matar Jair Bolsonaro.

A conclusão do inquérito da Ágatha foi de que o tiro que matou a menina partiu de um PM. O senhor disse que é muitíssimo mais grave o caso do Adriano, que ainda não teve investigação. Por quê?
A vida humana é preciosa e ninguém vale mais que ninguém. O que estou dizendo que é mais grave é quando o Poder Público, de alguma forma, por ação ou omissão, sabendo com antecedência sobre o que estava por vir, permitiu que um cidadão fosse torturado e posteriormente executado. Isso é muitíssimo mais grave do que uma troca de tiros convencional em que, por acidente, um projétil perdido mata um cidadão, seja ele quem for, criança, velho, não importa quem. Alguém mirou na Ágatha e falou ‘eu vou matar essa menina de sete anos, porque ela é parte do Comando Vermelho’? O que temos ali foi uma bala perdida, um acidente de trabalho. Infelizmente, ceifou a vida de uma criança. Isso é de uma gravidade indiscutível. Agora, o que estou dizendo, é que pegar um ser humano vivo, quebrar sete costelas, abrir-lhe com uma coronhada na cabeça, torturá-lo e depois assassiná-lo de forma dolosa, essa cena é muitíssimo mais grave.

Que elementos concretos de prova o senhor tem para dizer que houve uma execução e que foi tramada?
É impossível responder de forma objetiva, mas vou começar com uma frase curta. Contra fatos não há argumentos. Hoje temos um corpo humano morto, com sete costelas quebradas, marca de tortura no peito, coronhada na cabeça, a cabeça aberta, duas marcas de tiro à queima-roupa. Esse fato fala por si. Não há espaço para devaneios teóricos. Se foi uma troca de tiro, ele tomou dois tiros, era para levá-lo para o hospital. Não há nada no mundo que possa justificar. Isso é tortura, isso é execução.

Eu pergunto, já que era uma uma mega-operação dessa, ninguém filmou? Ninguém tinha uma GoPro no capacete como os policiais de São Paulo têm? A polícia baiana não teve a mínima cautela de pegar alguém para acompanhar e registrar? Nada disso aconteceu. Foram lá, e um homem sozinho foi torturado e executado. Por que um boletim de ocorrência não contém absolutamente nada?

O senhor teve acesso ao boletim de ocorrência?
Não, mas eu conheço pessoas que tiveram acesso e disseram que não contém nenhum dado.

Qual é a razão de o senhor e seus clientes defenderem que houve uma execução nesse caso?
Ninguém está defendendo nada. Eu estou falando como cidadão. Não estou falando como advogado do presidente Jair Bolsonaro, nem de Flávio Bolsonaro. Estão querendo botar goela abaixo da população brasileira que houve uma troca de tiros e que eles são heróis e que aquilo era um criminoso perigoso. Oras, um criminoso perigoso, a quem chamam de miliciano.

O senhor sempre faz questão de dizer que Adriano é inocente, já que não tem condenação. Não é uma contradição dizer que foi uma execução na Bahia, quando ainda nem se investigou?
Não é contraditório por um motivo simples. De forma fraudulenta e por meio de fake news tentaram ligar Adriano a Flávio Bolsonaro, eu, como advogado de Flávio fui obrigado a investigar as circunstâncias e a história do próprio Adriano. Eu apurei coisa que a própria imprensa nunca apurou. Ele não é miliciano, nunca foi miliciano, não participa de nenhuma milícia. Quantas ações penais existem no Brasil contra Adriano? Apenas uma. E o que tem nessa ação penal? Nada. Não existe nada no papel, no Judiciário, que mostre que ele é o que a imprensa vem dizendo há um ano. Miliciano ou chefe do escritório do crime. São absolutamente infundadas, sem qualquer lastro de prova.

As forças ocultas do Rio quiseram fabricar esse personagem inexistente, um monstro, que seria o Adriano, para, em um segundo momento, atrelá-lo ao Queiroz, para, em um terceiro momento, atrelá-lo ao Flávio Bolsonaro. E amarrar todos e vincular uma coisa à outra. Está claro que ele caiu em uma cilada, um processo que é uma armação para incriminar um indivíduo. O que existe no Judiciário não é compatível com a quantidade de matérias que há na imprensa.

Nas últimas contestações da defesa na Justiça, o Ministério Público cita seis casos de antecedentes criminais do Adriano. O senhor diz que ele não é e nunca foi um miliciano. Por que ele não se entregou à polícia?
Segundo consta em todas as informações, ele sabia que era uma armação e que as forças ocultas do Rio estavam armando para transformá-lo em um monstro e incriminá-lo, inclusive tentando envolvê-lo no assassinato de Marielle, que é outra fraude que tentaram imputar a esse cidadão, o objetivo de tudo isso era para tentar vinculá-lo a um grande projeto político e envolvê-lo com Flávio Bolsonaro. Quero acreditar que ele resolveu preservar sua integridade física. Ele escapou de ser assassinado no Rio e foi assassinado em outro estado.

O senhor está dizendo que tudo que aconteceu com o Adriano foi no sentido de prejudicar a família Bolsonaro?
Quando eu, defendendo os interesses do meu cliente Flávio, fui apurar e tentar descobrir tudo o que existe em torno desse Adriano, eu vi que a verdade processual do Adriano não é o que a imprensa diz. Quantas condenações existem em torno do Adriano? Nenhuma.

Quem teria interesse na morte do Adriano?
Não sei. Acho que as autoridades têm que investigar seriamente para apurar.

A defesa mostrou que não está convencida das investigações da facada contra Bolsonaro. Que recado isso passa para a população? Há algum crédito nas instituições brasileiras?
Há todo crédito nas instituições brasileiras, mas isso não quer dizer que, quando nos depararmos com cenas horrendas de barbáries, todos não devemos nos unir e gritar contra tais atos, para que sejamos iguais aos Estados Unidos, não como a Venezuela, os países tiranos.

Isso não pode passar a mensagem de que contra vocês, vocês contestam, contra os outros, vocês referendam?
Isso não existe. Não tem nexo ou lógica. O presidente está falando de um ou outro caso pontual. Em um, ele foi vítima de tentativa de assassinato. É de uma gravidade sem precedentes. Ele praticamente foi e voltou do além por vontade de Deus. Ainda bem, senão estaríamos sendo comandados por um comunista. Deus teve piedade do Brasil e dos brasileiros.

O senhor diz que a história toda do Adriano tem muitas fake news. Qual a relação entre a família Bolsonaro e Adriano?
Não existe relação entre Adriano e a família Bolsonaro. Não existe relação entre Adriano e Jair Bolsonaro, não existe relação entre Adriano e Flávio Bolsonaro. Vou repetir. Adriano foi homenageado há 15 anos, assim como diversos outros policiais foram. Por quê? Porque a pauta da família Bolsonaro sempre foi a segurança pública, o Brasil, as vítimas de violência e a família brasileira. Se analisarmos dentro desse contexto, é uma coisa absolutamente normal.

Oras, Jair e Flávio Bolsonaro deram uma medalha ao capitão Adriano há 15 anos. Alguém foi investigar quem era capitão Adriano há 15 anos? Por que foi homenageado? Por que foi considerado na época um herói do Bope? Muitos no Rio dizem… Eu estou te falando, eu, paulista, fui para o Rio e escutei de infindáveis fontes que ele era considerado o famoso capitão Nascimento do filme Tropa de Elite. Essa era verdadeira imagem do Adriano, um homem que combatia o tráfico e os criminosos, mas parece que ele andou esbarrando no interesse de alguém no Rio de Janeiro. É o que parece, o que tudo indica. Então passou a ser perseguido. Essas são as histórias que eu ouvi.

Então vamos lá, a primeira fake news: relativa à vida de Adriano. Segunda, relativa à morte de Marielle. Terceira, envolvimento de Adriano com a família Bolsonaro. Fake news, envolvimento de Adriano sendo chefe do escritório do crime. Fake news, envolvimento de Adriano com as milícias. Salvo se a senhora me trouxer um processo, eu quero uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro robusta, séria, que prove. Na denúncia, tem que ter elementos. Não pode ser uma denúncia genérica e inepta. O que tenho é um brasileiro, a quem chamaram de miliciano, de chefe do escritório do crime, de envolvido na morte de Marielle e de ser ligado à família Bolsonaro. Eu lhe afirmo e desafio a qualquer um no Brasil: todas as afirmações são falsas, mentirosas e levianas. O único objetivo dessa farsa é atingir a imagem da família Bolsonaro.

Além da homenagem que o senhor citou, havia duas parentes de Adriano no gabinete do Flávio. Isso também o senhor contesta?
Não contesto absolutamente, mas precisamos saber das circunstâncias. Ora, a mãe do Adriano, por tudo que apurei, era uma líder muito influente na comunidade e fazia um trabalho junto às famílias de policiais militares, à comunidade carente. O então ex-assessor e chefe de gabinete do Flávio, Queiroz, conhecia essas pessoas e sabia do trabalho exemplar delas. Da mesma forma, a ex-mulher do Adriano. Lembrando que à época dos fatos, nada havia contra ninguém. Nem contra Adriano ou contra essa mulheres. O problema é que, quando começamos a tirar de contexto informações e misturar coisas do passado com o presente, aí fica complicado.

Agora, nunca existiu qualquer contato de Flávio ou Jair com Adriano, desde a época das medalhas e da homenagem. Não existe qualquer relação. Nem de amizade, nem de falar de futebol, nada. Zero. Eu desafio qualquer um do Brasil a trazer qualquer indício, foto, prova, testemunho de que viram tomando um chopinho e conversando de algo. Não existe relação. Adriano é estranho à vida de todos, do meu cliente, da minha. Como advogado do Flávio, tenho que combater a série de mentiras imputadas, que são jogadas contra meu cliente.

Esse pensamento e essas conclusões sobre Adriano foram também a dos seus clientes? Isso fez com que as familiares do ex-PM fossem para o gabinete do Flávio?
Não, não, não. Uma coisa não se comunica com a outra. Estamos falando de pessoas distintas, de épocas distintas. Primeiro, Flávio Bolsonaro não tinha qualquer relação, amizade e nem tratava nada com a mãe de Adriano e a ex-mulher dele. Quem contratou e tratava com elas era Queiroz.

Na época da homenagem, ele já era investigado…
[Interrompe] O Adriano estava preso na época de uma das homenagens. E quando recebeu essa medalha dentro do presídio militar, uma das coisa que levou à hombridade era a convicção de sua inocência, de que ele estava sendo vítima de uma perseguição. O que, inclusive, provou-se verdade, tanto que foi absolvido. Então além de ser policial militar e o presidente Bolsonaro e o Flávio Bolsonaro prestigiarem essa classe, à época dos fatos saiu no Rio e era negócio corrente que o Adriano havia sido vítima de uma grande injustiça, onde tentaram atribuir a ele um homicídio que não foi um homicídio, mas legítima defesa, quando matou um criminoso. Essa foi a história. A convicção de tudo e todos é que era inocente.

Uma semana antes da morte do Adriano, após a primeira operação na Bahia, que falhou, quando lhe procurei, o senhor me disse que havia uma situação para matar o Adriano. Por que chegou ao senhor essa informação?
Ali eu disse ‘olha, é muito sério ter uma matéria na Veja onde a esposa está gritando que vão assassinar o marido’. Ali já era do conhecimento de incontáveis pessoas que tal operação realizada em Sauípe foi à revelia da lei. Era um assassinato premeditado. Tanto era verdade que o que aconteceu? Cadê o Adriano hoje? Acabou o Adriano. Foi cometido o crime e a senhora jornalista é testemunha disso.

Mas por que chegou ao senhor essa informação?
Sou advogado do Flávio. Volta e meia citavam esse cidadão de forma fraudulenta para vincular a meu cliente. Tudo o que se diz me interessa. Ora, naquele momento, como havia lhe dito, já circulava no meio de inúmeros advogados que aquela operação havia acontecido sem mandado judicial. E eu sugeri tentar ver o que tinha de documento. Não teve resposta. O que ela [mulher do Adriano] gritou e anunciou na Veja aconteceu. Quem sabe se a imprensa tivesse feito antes o barulho que faz agora teria evitado o assassinato de uma pessoa.

O presidente citou na entrevista nesta terça (18) também uma preocupação com os celulares apreendidos do Adriano. Qual é a preocupação?
Eu não vi a entrevista, como lhe disse, mas eu duvido que ele tenha reocupação com o celular do Adriano. O que acho que existe é o presidente querer uma investigação séria. E isso é obrigação.

Eduardo Bolsonaro imita o pai, dá “banana” e manda deputadas “rasparem o suvaco”

Oposição gritava ‘Fascista! e Eduardo rebatia: ‘Raspa o suvaco’

Camila Turtelli
Estadão

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) criticou nesta terça-feira, dia 18, parlamentares mulheres que fizeram uma nota de repúdio ao presidente Jair Bolsonaro pela ofensa à jornalista Patrícia Campos Mello, repórter do jornal Folha de S.Paulo. Irritado, Eduardo subiu à tribuna da Câmara logo após a líder do PSOL, Fernanda Melchionna (RS), chamar o presidente de “machista”.

“Esse tipo de discurso também revolta. A deputada diz que fala em nome das mulheres. Calma aí. Será que não tem mulher aqui comigo não? Uma banana, em nome das mulheres. Uma banana! Quero saber onde elas estavam quando o Lula falou em mulheres de grelo duro”, questionou Eduardo na tribuna na Câmara, acompanhado de deputados do PSL, homens e mulheres.

GRAMPO – A frase foi uma referência a uma conversa grampeada entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro Paulo Vannucchi, em 2016. Na ocasião, Lula disse a Vannucchi que estava chamando as petistas Fátima Bezerra e Maria do Rosário para acompanhar de perto Douglas Kirchner, um dos procuradores que o investigavam. No diálogo, ele se referiu às feministas do partido de forma grosseira. “Cadê as mulheres do grelo duro do nosso partido?”, perguntou.

Ao ler a nota de repúdio a Bolsonaro, Fernanda Melchionna – acompanhada de outras deputadas da oposição – disse que falava em nome das mulheres brasileiras “desrespeitadas por um presidente machista que ataca a liberdade de imprensa”.

SANÇÕES – Logo depois, a bancada do PSOL na Câmara protocolou representação na Comissão de Ética da Presidência da República, pedindo que Bolsonaro fique sujeito às sanções previstas no Código de Conduta da Alta Administração Federal.

“O presidente da República não pode se valer do seu cargo para iniciar uma cruzada contra a imprensa brasileira, proferindo ofensas de teor misógino e machista”, diz o texto. Na prática, porém, a Comissão de Ética é um órgão auxiliar do presidente.

Sob o argumento de que estava “revoltado”, Eduardo prosseguiu com os “questionamentos” às colegas, especialmente as do PT. Enquanto o filho “zero três” de Bolsonaro falava, um tumulto tomava conta do plenário, com vaias de um lado e gritos de apoio, de outro.

“TEM QUE ENGOLIR”  – “Onde vocês estavam? Estavam perdendo dinheiro enquanto isso. Estavam roubando”, disse ele ao se dirigir à presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR). “Isso daqui não passa de discurso político, isso aqui é a imposição do politicamente correto para tentar calar a boca do presidente Jair Bolsonaro. Eu quero saber qual outro presidente machista deixou sua mulher discursar na posse. A mulher do Lula só serviu para levar a culpa da roubalheira”, provocou. “Nós somos os revoltados que até ontem não tínhamos espaço aqui. Agora, vocês vão ter de nos engolir. Aqui ninguém se dobra ao politicamente correto, não”.

A oposição gritava cada vez mais alto “Fascista! Fascista!”. Eduardo, por sua vez, rebatia: “Raspa o suvaco, hein? Senão dá um mau cheiro do caramba”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Assistimos, mais uma vez, a um show de baixo nível. Um deputado eleito por milhares de cidadãos dando o “recado” e ocupando espaço mandando mulheres rasparem o suvaco e infantilmente imitando o pai distribuindo bananas ?  Não há sequer respeito pelas mulheres. A ausência de bom senso nos discursos impera. Enquanto isso, questões importantíssimas alongam a fila de espera nas pautas políticas. (Marcelo Copelli)

Lula, o Papa e a bem-sucedida campanha de desinformação tramada pela esquerda

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Afinal, o Papa sabe a verdade sobre Lula ou está distraído?

Percival Puggina

O papa Francisco recebeu Lula em audiência privada. O fato prova quanto é bem sucedida a campanha de desinformação promovida pela esquerda em relação à política no Brasil a partir de 2016. Apesar de ser essa uma atividade intensa e ostensiva, muitos ainda não entenderam o quanto ela é eficaz. Quem é de esquerda acredita. Se duvidar, dê uma olhada no que milhões afirmam insistentemente nas redes sociais.

Para sucesso dessa desinformação, convergem, entre outros, certos partidos políticos, grandes empresas nacionais e estrangeiras de comunicação alinhadas com a esquerda mundial e seus correspondentes lá e cá, governos e ONGs com interesses contrariados em nosso país. E por aí vai a rede, desinformando e desorientando opiniões.

PROXIMIDADE – A esse elemento de desinformação, essencial à sobrevivência da esquerda, somam-se a notória sensibilidade do Papa às teses dessa corrente ideológica (esquerda populista), a atividade de nossa conhecida CNBB, e a proximidade de Francisco com D. Cláudio Hummes (cardeal mais próximo dele e amigo pessoal de Lula há mais de meio século).

Quando o Papa diz a Lula que “é bom vê-lo caminhando na rua”, revela sua convicção de que está diante de um “injustiçado” que, aliás, não pode “sair para a rua” porque recebe vaia. Uma gigantesca desinformação, à qual pessoalmente se integrou, sobre a realidade brasileira. E não lhe faltam desinformantes.

Assim, não me surpreende, também, que as notícias dessa audiência mencionem acriticamente haverem, os dois, discutido e pensado “soluções sobre injustiças e desigualdades no mundo”.

UM POBRE RICO – Para quem sabe como a banda toca, pode haver maior incompatibilidade quanto a do interlocutor do Papa e essa pauta? Lula teve um passado humilde e tem um presente abastado. Quanto do que é seu, abriu aos pobres? Não há senão hipocrisia nisso que os franceses chamam bourgeoisie de gauche (burguesia de esquerda). A propósito, Louis Maurin, diretor do francês Laboratório das Desigualdades, parece tratar do Brasil e não da sua França quando fala em burguesia cultural…

Lula é réu condenado em dois processos por corrupção passiva e responde a outras quatro ou cinco ações semelhantes em diferentes juízos e tribunais.

Os crimes por cuja prática tem sido denunciado e condenado envolvem relações escusas com os interesses de grandes empresas em negócios com o governo.

MUITAS QUADRILHAS – Essas empresas e esses interesses, durante a gestão lulista, ensejaram o surgimento de organizações criminosas que beneficiaram partidos políticos da base do governo à esquerda e à direita, transformando seus anos de gestão em tempos de desenfreada corrupção. Nunca na história roubou-se tanto de um povo, amplificando “injustiças e desigualdades”.

Mais de R$ 14 bilhões são previstos para recuperação pela força-tarefa de Curitiba. Destes, R$ 4 bilhões já foram restituídos pelos ladrões. Numa ponta, a dinheirama financiou campanhas, desequilibrou disputas eleitorais e comprometeu a representatividade em nossa incipiente democracia. Noutra, construiu imensas fortunas pessoais. É incalculável o dano que essa roubalheira causou à economia e aos mais pobres, desencadeando desemprego e recessão.

QUANTO ELE GANHA? – É bom lembrar que Lula, em audiência presidida pelo juiz Sérgio Moro, interrogado sobre quanto ganhava por mês, reconheceu algo que não se pode admitir de uma pessoa adulta, não interditada: não soube dizer quanto ganhava.

A governança instituída por ele não inventou a corrupção, mas promoveu um upgrade de tais proporções que a mais fornida conta corrente do visitante de Sua Santidade não era em algum banco, mas no Departamento de Operações Estruturadas da Odebrecht.

Euforia com o crescimento da economia esmorece antes da Quarta-Feira de Cinzas

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Charge do Bruno Galvão (Arquivo Google)

Vera Magalhães
Estadão

A felicidade do pobre parece/ A grande ilusão do carnaval/ A gente trabalha o ano inteiro/ Por um momento de sonho/ Pra fazer a fantasia/ De rei ou de pirata ou jardineira/ E tudo se acabar na Quarta-Feira.” – esses versos acima são da pungente A “Felicidade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, e me voltaram à mente de forma recorrente depois da fala de Paulo Guedes a respeito dos malefícios do real sobrevalorizado.

O ministro da Economia atravessou o samba e acabou por contribuir com uma fantasia candidata a hit do carnaval de 2020: além de reis, piratas e jardineiras, vem aí uma legião de

ALGO INIMAGINÁVEL – Porque a tal “festa” das domésticas no exterior só é imaginável em blocos e carros alegóricos, uma vez que, ainda que o real estivesse na base do “um para um” com o dólar, não sobra dinheiro para a grande maioria dos empregados domésticos viajar.

Então, por que raios o homem mais importante do governo, aquele em quem o “deus mercado” aposta todas as fichas, a ponto de tapar o nariz para os despautérios do presidente e a incompetência gerencial em quase todas as outras áreas, se põe a fazer perorações sem nexo dia sim, outro também?

Talvez Guedes esteja percebendo que a pauta que idealizou para 2020 vai deslizando como a felicidade do pobre, e que a euforia com o “boom” da economia brasileira neste ano 2 da gestão Bolsonaro já passou antes mesmo da Quarta-Feira de Cinzas que anuncia a tristeza sem fim do clássico da bossa nova.

VIAJA NA MAIONESE – Diante das dificuldades, o ministro viaja na maionese ao tentar fazer o jogo do contente da Pollyana. Sim, existem várias razões de teoria econômica para defender o dólar apreciado sobre o real. E nenhuma delas passa nem perto da fictícia festa das domésticas na Disney. Guedes sabe disso, percebeu por onde estava indo quando já era tarde demais e, em vez de encerrar a fala ali, se pôs a tentar emendá-la.

Não pode ser atribuída só à falta de tato retórico a reiteração de declarações atravessadas do ministro: ele está claramente pressionado e desgostoso com o ritmo dos seus projetos, e não pode culpar quem deveria.

Guedes imaginou que a tal linha de produção de reformas estaria mais azeitada neste ano. Depois de segurar a reforma administrativa, Bolsonaro começou 2020 enaltecendo sua urgência. Para, logo em seguida, engavetá-la de novo.

GANHADOR DO OSCAR – E que aqui ninguém tente culpar sua fala comparando servidores a “parasitas”, outro meme instantâneo pela referência ao grande ganhador do Oscar deste ano. A má vontade com a reforma já havia sido replantada na cabeça do inseguro presidente pelos seus assessores palacianos, com os quais o titular da Economia vem se estranhando não é de hoje.

Sem poder mandar ao Congresso a reforma tributária que gostaria, com a administrativa engavetada, tendo de apagar incêndio de Bolsonaro com os governadores depois do ridículo “desafio” de zerar o ICMS dos combustíveis, tendo sido bucha de canhão em Davos para ouvir as críticas que deveriam ser destinadas ao colega do Meio Ambiente, Ricardo Salles, há de se convir que o Posto Ipiranga está numa fase “tristeza não tem fim”.

TUDO DANDO ERRADO – O duro é que a conjuntura internacional, com um surto do novo coronavírus cujos alcance e duração não são possíveis de estimar, e o calendário local, com eleições logo ali, não prenunciam que as coisas vão melhorar depois da Quarta-Feira. Dependerá da articulação política, que, por ser naturalmente desconjuntada, precisa da atuação direta de Guedes.

Se ele não sair dessa maré braba, e rápido, a euforia da virada de ano terá sido como a felicidade do pobre. Ou das domésticas, que não conseguem viajar nem para Cachoeiro do Itapemirim, quem dirá para a Disney.

Janaina Paschoal diz que declaração de Bolsonaro sobre repórter da Folha foi “um ato de inegável grosseria”

Deputada diz que seria prudente Bolsonaro “”se policiar”

Mônica Bergamo
Folha

A deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP), coautora do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), avalia que o insulto do presidente Jair Bolsonaro à repórter da Folha Patrícia Campos Mello foi “um ato de inegável grosseria” e que “todo ser humano pode se esforçar para melhorar”.

“Seria prudente o presidente se policiar e seus auxiliares não o instigarem. Essas situações não ajudam ninguém. Por mais que ele tenha sido eleito com esse estilo, todo ser humano pode se esforçar para melhorar”, afirma Janaina. Para ela, porém, a fala de Bolsonaro “não parece suficiente para um impeachment”.

CRÍTICAS  – Eleita com recorde de votos pelo PSL, partido que elegeu o presidente, Janaina foi umas das principais apoiadoras de Bolsonaro durante a campanha, mas tem feito críticas pontuais à sua administração desde então.

“Ele tem esse jeitão, não se policia, reitera na prática das grosserias”, disse ela em entrevista à BBC News Brasil. A deputada, no entanto, afirma que não vê ofensa de Bolsonaro à jornalista Patrícia Campos Mello como ataque à imprensa, mas como “algo pontual”.

ALVO – Janaina Paschoal também já foi alvo de ataques nas redes sociais, tanto por ser a autora do pedido de impeachment de Dilma quanto por criticar Bolsonaro em 2019.

“Eu não gosto desse discurso meio vitimista do machismo. Eu sou atacada por me manifestar livre e claramente e por não me submeter a ninguém. Não descarto que haja uma indignação maior por eu ser mulher. Mas creio que o que incomoda mais é a independência. Na luta entre gangues, apanha mais quem anda sozinho.”

“CARONA” – Diversos apoiadores de Bolsonaro têm acusado a deputada de “ter pego carona” na popularidade de Bolsonaro e agora abandoná-lo. “Ontem (segunda-feira), fiz uma postagem crítica ao bolsonarismo e apanhei o dia todo. Eles não entendem que não nos ajudam a ajudar”, diz a deputada. No Twitter, ela disse que quem a acusa de traidora “ou não tem memória, ou tem problema de cognição”.

“Na convenção do PSL, eu disse, olhando nos olhos do então candidato à Presidência, ser fiel ao Brasil e não a ele pessoalmente. Disse que o apoiaria em razão de, naquele momento, ele ser o único com condições de vencer o PT. Se os bolsonaristas fossem inteligentes, não atacariam quem apoiou e apoia o presidente deles.”

“FURO” – Na manhã desta terça-feira, dia 18, Bolsonaro insultou a jornalista Patrícia Campos Mello com insinuação sexual. “Ela [repórter] queria um furo. Ela queria dar o furo a qualquer preço contra mim [risos dele e dos demais]”, disse o presidente, em entrevista diante de um grupo de simpatizantes em frente ao Palácio da Alvorada.

A declaração do presidente foi uma referência ao depoimento de um ex-funcionário de uma agência de disparos de mensagens em massa por WhatsApp, dado na semana passada à CPMI das Fake News no Congresso.

O depoimento à comissão foi de Hans River do Rio Nascimento, que trabalhou para a Yacows, empresa especializada em marketing digital, durante a campanha eleitoral de 2018.

FRAUDE – Em dezembro daquele ano, reportagem da Folha, baseada em documentos da Justiça do Trabalho e em relatos do depoente Hans, mostrou que uma rede de empresas, entre elas a Yacows, recorreu ao uso fraudulento de nome e CPFs de idosos para registrar chips de celular e garantir o disparo de lotes de mensagens em benefício de políticos.

Já na CPMI, diante de deputados e senadores, ele deu informações falsas e insultou Patrícia, uma das autoras de reportagem sobre o uso fraudulento de nomes e CPFs para permitir o disparo de mensagens.

Era só o que faltava! Deputados manobram para ampliar desmatamento na Amazônia

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Edio Lopes, relator, é um dos incentivadores do desmatamento

Carlos Newton

Justamente num momento em que o governo brasileiro está enfrentando uma campanha mundial em defesa da preservação da Amazônia, aparecem dois deputados verdadeiramente idiotas e incluem no parecer de Medida Provisória uma emenda que permite ampliar o desmatamento em Roraima e no Amapá. Como dizia o humorista Barão de Itararé, era só que faltava!

Um dos parlamentares chama-se Edio Lopes, eleito pelo PL de Roraima, que foi escolhido para ser relator da Medida Provisória 901, publicada em outubro de 2019, que trata da transferência para Roraima e Amapá de terras atualmente pertencentes à União.

EMENDA INDEVIDA – Enviado ao Congresso pelo Executivo, o texto original não fazia nenhuma referência sobre a redução da cobertura nativa em imóveis rurais. Mas uma emenda introduzida na medida provisória pelo relator permite que proprietários rurais em Roraima e Amapá reduzam a área de cobertura nativa de suas fazendas, de 80% para 50% da área total.

Acolhida pelo relator, essa emenda foi proposta pelo senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR). É uma excrescência jurídica que mutila a melhor legislação ambiental do mundo, o Código Florestal brasileiro, que destina 20% da área das propriedades rurais para reservas ambientais, com aumento para 35% quando a fazenda for na região do Cerrado e para 80% na Amazônia.

Agora, a dupla sertaneja Edio e Mecias quer bagunçar o Código Florestal, para ampliar o desmatamento em Roraima e no Amapá, dois Estados que já têm gravíssimos problemas ambientais devido à agricultura e à exploração mineral.

EXCRESCÊNCIA JURÍDICA – Espera-se que essa excrescência jurídica seja extirpada do parecer, para que o Código Florestal continue garantindo a preservação da maior floresta do mundo, porque no Brasil as leis já existem, o que falta é vontade política para punir os infratores, que podem pegar cadeia e ter de pagar as multas milionárias aplicadas pelo Ibama e outras instituições.

Conforme já assinalamos aqui na Tribuna da Internet, citando importante reportagem de Alceu Luís Castilho e Leonardo Fuhrmann, o maior desmatador da Amazônia é o banqueiro Daniel Dantas, através da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa dos fundos de investimentos geridos pelo banco Opportunity. A empresa, comandada pelo ex-cunhado de Dantas, Carlos Rodenburg, acumula multas de mais de R$ 325 milhões.

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P.S.
Em tradução simultânea, basta cumprir a lei, que pune os desmatadores com multa e reclusão progressiva em relação à área devastada. Se o governo tiver vontade política, podemos contar que a Amazônia será preservada. Além disso, teremos mais 35% do Cerrado e 20% das outras regiões do país que estão sendo replantadas pelos produtores rurais. Em São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo, é impressionante a extensão que já foi reflorestada. (C.N.)

AGU contraria ministro Sergio Moro e diz que juiz de garantias traz “maior isenção e imparcialidade”

Charge do Roque Sponholz (humorpolitico.com.br)

Pedro Prata
Estadão

A Advocacia-Geral da União cravou que a instituição do juiz de garantias visa ‘maior isenção e imparcialidade’ e ‘preservação de um maior patamar de neutralidade cognitiva do juiz sentenciante’. Em manifestação ao Supremo, a AGU fustigou a Ação Direta de Inconstitucionalidade 6300, proposta pelo PSL, contra os seis artigos da Lei nº 13.964 que instituem o juiz de garantias.

O parecer vai contra posicionamento do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) e frustra o ex-juiz da Operação Lava Jato, que já declarou publicamente ser contra o magistrado de garantias.

“GARANTIA CONSTITUCIONAL” – O documento é assinado pelo Advogado-Geral da União, André de Mendonça, pela secretária-geral de Contencioso, Izabel Vinchon Nogueira de Andrade, e a advogada da União Carolina Sausmikat Bruno de Vasconcelos. Para a AGU, a instituição da figura do juiz é uma ‘garantia constitucional’.

O parecer diz: “O modelo de juiz das garantias instituído no Brasil, de modo sucinto, visa a estabelecer uma nítida separação entre a fase investigativa e a fase efetivamente processual do processo penal, distinguindo os magistrados que atuarão em cada uma delas, de modo a assegurar que o juiz encarregado do julgamento do acusado não tenha previamente participado da fase de produção de provas.”

INSUBSISTÊNCIA – O documento destaca que a figura do juiz de garantias ‘não se trata de um transplante descontextualizado, acrítico ou metodologicamente insatisfatório de soluções estrangeiras’. Na visão da AGU, as ‘pretensões formuladas pelo autor mostram-se insubsistentes’.

“A sistemática do juiz das garantias, introduzida pelo acréscimo dos artigos 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3º-E e 3º-F ao texto do Código de Processo Penal, cumpre o objetivo de permeabilizar a legislação processual penal brasileira ao ideal acusatório agenciado pela Constituição Federal, por meio da otimização dos padrões de imparcialidade na rotina judiciária.”

ARGUMENTAÇÃO – O PSL afirma que a Lei nº 13.964 viola o princípio da isonomia e a simetria em relação às autoridades com foro privilegiado, ‘eis que o juiz das garantias somente encontra previsão para os crimes apurados em primeira instância e, portanto, aquelas autoridades públicas que possuem o foro por prerrogativa de função continuarão tendo o mesmo relator, na fase inquisitorial e na ação penal, tratamento diverso àquele que será dado a todas as demais pessoas nas exatas mesmas condições’.

O partido sustenta que não houve estudo dos impactos econômicos e orçamentários para implementação do juiz de garantias e que poderia haver violação da autonomia financeira do Poder Judiciário e do pacto federativo, uma vez que os Estados ‘seriam obrigados a abrirem créditos suplementares’.

Ainda, considera o tempo para implementação muito curto e que ‘a matéria disciplinada nas disposições atacadas se inseriria na esfera de iniciativa exclusiva do Poder Judiciário’.

CONTEXTO –  A ADI 6300 foi distribuída ao ministro Luiz Fux. Contudo, durante o recesso do Judiciário, o presidente do Supremo, Dias Toffoli, deferiu parcialmente a medida cautelar ao restringir o seu alcance, decidir regrade transição para processos atuais e adiar a implementação por seis meses.

Uma semana depois, Fux derrubou a determinação de Toffoli e suspendeu, por tempo indeterminado, a criação do juiz de garantias. Ele apontou ‘vícios de inconstitucionalidade’ na lei.

AUDIÊNCIAS – O Supremo promoverá duas audiências públicas sobre a criação do juiz de garantias nos dias 16 e 30 de março. Segundo o Estado apurou, Fux pretende liberar as quatro ações sobre o tema para julgamento ainda neste semestre. Conforme antecipou o Broadcast/Estadão em dezembro, a maioria do STF é a favor do juiz de garantias.

MPF defende que Adélio Bispo seja encaminhado a hospital de custódia em Minas Gerais

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Adélio Bispo tem problemas mentais e não poderá cumprir pena

Cleide Carvalho
O Globo

O Ministério Público Federal (MPF) no Mato Grosso do Sul defendeu a transferência de Adélio Bispo para presídio especializado de Minas Gerais, para que sua doença mental e periculosidade possam ser avaliadas continuamente por profissionais de saúde, impedindo desinternação antecipada.

Adélio Bispo foi o autor da facada no abdômen do então candidato e hoje presidente da República Jair Bolsonaro. O crime ocorreu no dia 6 de fevereiro de 2018, na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

INTEGRIDADE FÍSICA – A 3ª Vara Criminal da Subseção Judiciária do município decretou a prisão preventiva de Adélio e requereu a inclusão dele no Sistema Penitenciário Federal para se resguardar a sua integridade física, dado o clamor público gerado pelos fatos.

Em junho passado, Bispo foi julgado e a 3ª Vara decidiu que ele é inimputável por ser portador de transtorno mental delirante persistente. Foi aplicada medida de segurança de internação por prazo indeterminado. A Justiça decidiu que a primeira perícia médica deve ser feita dentro de três anos, em razão “das circunstâncias do atentado e da altíssima periculosidade do réu”

PARECER – A transferência foi defendida em parecer enviado ao juiz federal corregedor de presídios, depois que a direção do presídio federal de Campo Grande afirmou não estar apta para executar a medida de segurança imposta na sentença, por ofertar apenas serviços de saúde de baixa e média complexidade.

“Não existe unidade no sistema dotada de estrutura para execução de medidas de segurança”, afirmam os procuradores. No parecer, o MPF afirma que não questiona a gravidade do ato praticado, mas que isso não pode servir de justificativa para a adoção de soluções que não são sustentadas pelo ordenamento jurídico.

ENCAMINHAMENTO – Os procuradores defendem que ele seja encaminhado a um hospital de custódia ou instituição adequada e que a permanência dele no presídio federal configura “desvio de execução e tratamento desumano e degradante”, o que pode contribuir para agravar seus transtornos psíquicos e aumentar sua periculosidade.

O MPF alerta ainda que o Brasil pode ser representado e condenado perante órgãos internacionais de direitos humanos se Adélio vier a se suicidar por não receber o acompanhamento especializado.

Acredite se quiser! Comissão de Ética arquiva a denúncia sobre Fábio Wajngarten

 chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social , no Palácio do Planalto — Foto: Adriano Machado/Reuters

Fábio Wajngarten, continua sendo investigado pela Polícia Federal

Pedro Henrique Gomes
G1 — Brasília

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu não abrir investigação sobre Fábio Wajngarten, chefe da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom). Ele foi denunciado por ser acionista de uma empresa que presta serviços a algumas emissoras e agências que mantêm contratos com governo, como revelou reportagem do jornal “Folha de S. Paulo”.

O relator do caso, o conselheiro Gustavo Rocha, votou pelo arquivamento. Ele foi acompanhado por outros três integrantes da comissão. O placar final foi de 4 a 2 pelo arquivamento. De acordo com o presidente do colegiado, Paulo Henrique dos Santos Lucon, a comissão pode voltar a discutir a questão caso surjam novas evidências.

TUDO CERTO? – “Foi feita a análise da legislação cabível e a comissão entendeu que não havia indícios para o prosseguimento do processo”, afirmou o presidente da comissão, acrescentando que o fato de Fábio não exercer funções de gestão na empresa foi levado em consideração pela comissão.

Desde janeiro, a “Folha” vem publicando reportagens sobre o caso. Wajngarten, segundo o jornal, é acionista de uma empresa de pesquisa e auditoria de mídia que presta serviços a algumas emissoras de TV e agências de publicidade que mantêm contrato com a Secom, comandada pelo secretário.

Após o arquivamento da denúncia, a Secom divulgou nota na qual disse que “ficou comprovado” que “não há conflito de interesses entre a atuação do secretário e a sua empresa” (veja a íntegra da nota no final desta reportagem).

INDEPENDÊNCIA? – A defesa de Wajngarten também se manifestou e disse que o secretário “como servidor, se submeteu respeitosamente à Comissão de Ética Pública, como advogados, magistrados, promotores em seus órgãos de controle” e que “a Comissão de Ética atuou com a independência que engrandece sua instituição permanente”.

A legislação sobre conflitos de interesses do Brasil proíbe membros do comando dos governos de terem negócios com pessoas físicas ou jurídicas que possam ser afetadas por suas decisões. O conflito de interesses pode configurar ato de improbidade administrativa, se comprovado benefício indevido. A demissão é uma das penalidades previstas.

PF INVESTIGA – No dia 31 de janeiro, a Polícia Federal abriu inquérito, que tramita em sigilo, para investigar supostas irregularidades cometidas pelo secretário.

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República fiscaliza a conduta de ministros, dirigentes de estatais e ocupantes de cargos de natureza especial, como Wajngarten. Os demais servidores federais são fiscalizados pela CGU (Controladoria-Geral da União).

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SECOM COMEMORA A DECISÃO

Veja a íntegra da nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência:

“A decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República é um marco na defesa do Secretário de Comunicação Fábio Wajngarten.

Reduz a insidiosa campanha promovida por um jornal ao seu lugar, apenas um permanente acinte de calúnias e difamações que se revelaram infrutíferas, apesar da implacável campanha diária.

Ficou comprovado, com a decisão da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, de que não há conflito de interesses entre a atuação do Secretário e a sua empresa. E que nenhum grupo econômico do setor foi favorecido pelos atos administrativos do Secretário de Comunicação.

Prevaleceu a verdade e o bom senso. Não há nada de aético ou ilegal na atuação do Secretário Fábio Wajngarten, à frente da Secretaria de Comunicação. A denúncia arquivada é um atestado de idoneidade a ele.

O Secretário de Comunicação continua confiante de que em outros fóruns aonde as supostas denúncias são objeto de apuração, a conclusão será a mesma porque elas não encontram respaldo na realidade.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– O texto da Secom é uma bobajada, um primor que não diz nada, apenas comemora a decisão da Comissão do Planalto, que vai mudar de nome e passar a ser conhecida como Comissão da Falta de Ética. Vamos aguardar a investigação da Polícia Federal. Se Wajngarten tivesse cumprido a lei, a PF jamais teria iniciado a investigação. Quando foi contratado, não há dúvida de que ele mentiu ao preencher o formulário obrigatório. Porém, segundo a Comissão, mentir não é falta de ética. (C.N.)

STF recebe alerta da PF sobre mensagens com ofensas e ameaças a ministros

Ministros foram alertados para que reforcem a segurança

Deu no Correio Braziliense

A Polícia Federal (PF) informou nesta segunda-feira, dia 17, que encontrou mensagens com ofensas e ameaças aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na internet. O conteúdo dos diálogos está mantido em sigilo e foi obtido por meio de monitoramento de rotina, realizado nas últimas semanas na Deepweb, sites com conteúdos ilegais e anônimos da internet.

Segundo a PF, as mensagens se tratam de ameaças genéricas e não indicam indícios do planejamento de qualquer tipo de atentado contra o STF. As investigações continuam para identificar as pessoas envolvidas no caso.

INQUÉRITO – A PF também informou que as todas as informações obtidas foram enviadas ao ministro do Supremo Alexandre de Moraes, relator de um inquérito aberto pelo presidente da Corte, Dias Toffoli, no ano passado, para apurar ameaças aos ministros pela internet. Em março de 2019, Toffoli determinou a abertura de um inquérito para apurar notícias falsas (fake news) que tenham a Corte como alvo.

A medida foi tomada “considerando a existência de notícias fraudulentas, conhecidas como fake news, denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de ânimos caluniantes, difamantes e injuriantes, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal (STF), de seus membros e familiares.”

 Na ocasião, a medida foi contestada pela então procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Para a ex-procuradora, caberia ao Ministério Público realizar tais investigações e não ao Judiciário.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Apesar de classificarem as ameaças como “genéricas” , todos os ministros do STF foram alertados por Toffoli, para que reforcem a segurança. Na tal “Deepweb”, uma “unidade” de traços terroristas divulgava mensagens sobre as rotinas dos ministros da Corte. Sob o risco da ação de covardes desocupados, que buscam na visibilidade a via para instaurar o pânico, todo cuidado é pouco. (Marcelo Copelli)

“Se não quer me ajudar, pelo menos me permita governar em paz”, diz Rui Costa sobre governo federal

Costa e Bolsonaro trocaram acusações no fim de semana

Pedro Caramuru e Gregory Prudenciano
Estadão

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), publicou em sua conta do Twitter nesta segunda-feira, dia 17, que quer “governar em paz, mesmo sem apoio do Governo Federal”. “Se não vai ajudar, pelo menos me deixe trabalhar em paz”, escreveu o governador. A frase também foi dita pelo petista durante a transmissão semanal ao vivo do programa Papo Correria no YouTube.

Durante o programa, Rui Costa disse: “Eu falo ‘se não quer ajudar’ porque o governo federal deve a Bahia mais de R$ 450 milhões. Não está credenciando hospitais novos que eu fiz. Só no ano passado a Bahia deixou de receber mais de R$ 200 milhões em recursos que iriam para a Saúde. Se quer perseguir a Bahia, se não quer me ajudar, pelo menos me permita governar em paz”. “Chega de agressão”, pediu.

ATAQUE – Os atritos entre o governador baiano o presidente da República, Jair Bolsonaro, ganharam novos contornos no último fim de semana, quando Bolsonaro disse que governo da Bahia “mantém fortíssimos laços” com bandidos e que a “PM da Bahia, do PT” era responsável pela morte do ex-capitão do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Adriano da Nóbrega.

Rui Costa é um dos vinte governadores que publicaram uma carta criticando o presidente Jair Bolsonaro por declarações que “não contribuem para a evolução da democracia no Brasil”. “Não queremos ser agredidos de forma permanente e regular pela Presidência da República”, disse Costa durante o programa.