Atestados rubricados pelo negacionismo governamental

Bolsonaro nunca assumiu, na prtica, o seu papel de governante

Marcelo Copelli
Estado

Em meio pandemia de Covid-19, aps quase um ano, o Brasil ainda se assemelha a um barco deriva, sem a menor perspectiva de seu to esperado resgate. Autoridades discutem at que ponto medidas restritivas podem ou devem ser tomadas, trazendo no bojo dos debates a prioridade entre a sobrevivncia do indivduo ou da economia, sem obrigatoriamente apresentarem alternativas minimamente conciliatrias.

Ao longo dos ltimos meses, nos quais inmeras fragilidades foram expostas, norteadas pela agonia e pelo desespero, o Pas sofreu com o desgoverno federal e ainda testemunha o exerccio dirio de uma necropoltica efetivada a cada declarao presidencial, que em momentos de inmeras demandas, envereda pela desconstruo de valores, pela contramo fatal rumo ao caos e pela perseverante ideologia calcada em suposies que ameaam o futuro.

CONFRONTO – Enquanto verdadeiros lderes buscam promover a coeso entre os seus, buscando respostas e lutando pela manuteno da vida, estarrecida, a sociedade brasileira curvada ainda assiste atnita os clamores j quase roucos da Cincia diante das indispostas recomendaes e dos maus exemplos do presidente da Repblica, incitando aglomeraes sob a mira perversa e debochada de sua roleta russa e da rasa justificativa de que as mquinas no podem parar.

No leme da nao, o comandante eleito ratifica que nunca assumiu, de fato, o seu papel, conduzindo e buscando unir diferenas rumo instaurao de um horizonte seguro. Pelo contrrio, demonstra que capaz de rir diante do possvel naufrgio da embarcao.

NEGACIONISMO – O mandatrio apostou no negacionismo, na falida e gasta receita sem eficcia e na agenda da desinformao para ludibriar os que ainda sobrevivem. E suas moedas de jogo foram vidas. De forma insensvel, permanece ignorando o sofrimento de famlias e minimiza milhares de bitos, cujos atestados certamente estampam a sua rubrica, o seu sarcasmo e as lgrimas das vtimas.

Ento Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando gua, lavou as mos diante da multido, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Mas, contrariando o governador da provncia romana da Judeia, no Brasil nem lavar as mos o atual e ainda gestor assim faria, pois isso seria corroborar com as medidas de proteo recomendadas em tempos de pandemia. Perde-se a vida, mas no a razo, segundo a sua torta concepo.

Resta saber como chegou-se beira deste precipcio e quantos ainda tero que pular. Triste a constatao de que, para muitos, nem mesmo a pandemia foi capaz de ressignificar valores.

Com Brasil deriva, Bolsonaro contribui para causar uma grave crise institucional

Charge do Amarildo (Arquivo do Google)

Marcelo Copelli

Ao longo de toda a sua vida poltica, o atual presidente, Jair Bolsonaro, sempre deixou claro, atravs de inmeras aes e embates, que, diante da ausncia do dilogo e do respaldo de slidos projetos, enveredaria pela propagao da desinformao, das teorias conspiratrias e, sobretudo, dos violentos ataques aos que ousassem discordar de suas narrativas, por vezes alucinadas.

O que explicitamente poderia compor contra a sua pretensa caminhada, encontrou simpatia em uma massa que cresceu exponencialmente ao longo dos ltimos anos por diversos motivos, seja por admirao, similaridade de pensamentos ou simplesmente raiva da urna eletrnica; razes pelas quais, em 2018, seus eleitores garantiram a cadeira presidencial para o Forrest Gump tupiniquim.

PACOTE COMBO – Com Bolsonaro, o pas rubricou por quatro anos o mais caro pacote combo dos planos ofertados por ocasio da eleio, j que a reboque, os brasileiros ganharam no somente um contador de histrias, mas tambm trs figurantes de mandatrios – os filhos 01, 02 e 03 – com direito a vergonhosos pitacos na conduo do pas, gerando, por vezes, estrondosos rudos internacionais, alm de um vasto leque de questionveis ministros e secretrios que seguem risca a premissa do “manda quem pode, obedece quem tem juzo.

Assim, Bolsonaro se faz onipresente em todos os ministrios e secretarias. Espirrou fora do tom, est fora. Sem conversa ou direito explicao. E que passe a boiada, adiante com o berrante, sob a batuta do imperativo monlogo presidencial.

Desde quando ainda cochilava pelas Casas Legislativas, e l se foram trs dcadas, Jair sustentou o seu vazio discurso atravs de pautas igualmente descabidas, a exemplo da luta contra a invaso comunista, da urgncia em disponibilizar vias legais para que o cidado de famlia andasse armado ou ainda da sumria excluso das falsas cartilhas escolares, entre tantas outras bandeiras fugazes e duvidosas.

NA CONTRAMO – Ao longo de dois anos de mandato no Planalto, o atual presidente remou contra a mar quase que diariamente, contradizendo recomendaes adotadas por todo o mundo, ignorando a realidade pandmica, chutando estatsticas, expondo a populao prpria sorte, promovendo desencontros e rindo da promoo de conflitos.

Entoando o seu samba de uma nota s, Bolsonaro foi capaz de mentir reiteradas vezes para todo o pas, negando os seus prprios discursos anteriores, inflamando os seus currais eleitorais, quebrando a bssola do bom senso e deixando o pas definitivamente sem rumo.

SEM PLANEJAMENTO – No h seriedade ou planejamento estratgico. As promessas de mudanas ficaram restritas campanha eleitoral e, ainda que consiga chegar at o fim de sua gesto, Bolsonaro certamente no conseguir provar a que veio. E no por culpa da crescente e insatisfeita oposio, pelos percalos do caminho ou ainda em virtude da crise sanitria, mas pela sua intrnseca incapacidade de gerir um condomnio, qui um pas de dimenso continental.

Parafraseando o cineasta Luis Buuel, as oportunidades no abundam, e raramente as encontramos uma segunda vez. E, por maior que seja a resilincia exigida da sociedade, o presidente ultrapassou o seu limite no carto corporativo da boa vontade e j deu reiteradas oportunidades para ser cancelado definitivamente do cenrio poltico. S falta o providencial carimbo em seu passaporte para uma viagem apenas de ida.

Por enquanto, o Brasil segue desgovernado e deriva. Os poucos coletes que ainda restavam, Bolsonaro fez questo de jogar ao mar.

Acuado pela prpria incompetncia, Jair Bolsonaro sobrevive de blefes e mentiras

Charge do Duke (domtotal.com.br)

Marcelo Copelli

Diante da presso que recai sobre o governo federal, Bolsonaro, mais uma vez, apelou para a ameaa travestida pelo blefe da cnica ironia, e declarou que “quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura so as suas Foras Armadas.

O presidente se esfora, com as suas ralas cortinas de fumaa e o seu incipiente discurso, para desviar a ateno do fracasso no qual est atolado, protagonizando uma gesto cujo semblante se reconhece, at mesmo internacionalmente, pela absoluta falta de competncia que traa os seus caminhos.

NEGACIONISMO – Descendo a ladeira, Bolsonaro, o defensor da cloroquina, fez questo de configurar-se como um dos poucos e infelizes exemplos em todo o mundo que, durante a crise sanitria, optou no somente pelo negacionismo, mas, sobretudo, pelo deboche e pelo descaso, lavando as mos e remando contra a imperativa e cruel realidade instaurada pela falta de estrutura da sade pblica, que sempre demandou urgncia, rubricada pelas milhares de mortes e pelas covas abertas.

O presidente nunca se responsabilizou por qualquer desventura. Sempre teve o nome dos culpados na ponta da lngua, acusando e descartando ministros desalinhados, colocando na conta do Supremo e do Congresso, ou mesmo jogando no colo da imprensa.

EVOLUO DA “GRIPEZINHA” – Segundo Bolsonaro, a pandemia era uma gripezinha, que passou a ser uma inveno da oposio para derrub-lo e depois se tornou uma conspirao comunista internacional que matou milhares de pessoas somente para atingi-lo, refletindo a grandeza que julga possuir o nosso esboo de Donald Trump tupiniquim.

Fica a dvida se as narrativas presidenciais so frutos de sua criatividade, se representam um caso patolgico, merecedor de estudo ou internao, ou ainda se simplesmente refletem a insensibilidade do falso Messias sobre as demandas da populao.

REALIDADES OPOSTAS – Assistir ao mandatrio comemorar a possibilidade de estudos de novas vacinas serem reprovados, s para que tivesse razo sobre o seu opositor, representa o quo distante est a dura realidade da sociedade que agoniza e a fatdica fantasia desenhada pela mente conturbada do gestor que no aceita ser contrariado.

Ainda sem entrar no mrito das acusaes envolvendo o restante do seu cl, com filhos que tambm figuram na poltica, e que acreditam cegamente terem sido simultaneamente eleitos presidentes da Repblica coadjuvantes em 2018, no h muito o que esperar de Bolsonaro, ao menos em questo de progresso e desenvolvimento do Pas.

Isso porque durante as dcadas nas quais dormitou no Legislativo, deu robustos sinais de sua falta de comprometimento e irresponsabilidade em sucessivos mandatos. Afinal, qual a magnitude de seus projetos ao longo de todos os anos em que foi deputado? Qual a causa efetivamente defendida em prol de uma sociedade mais justa?

PROMESSAS – Sua conduta se resumiu s promessas de armar a populao, ao invs de reforar uma segurana pblica que j paga pelo cidado-eleitor, destratar segmentos que at hoje julga como sendo minorias, e a promoo da cultura do dio e da desinformao. O resto, foi confeito.

Quando Bolsonaro, diante de seu cercadinho de apoiadores, conta suas anedotas e faz as esdrxulas ameaas, respaldadas por uma perigosa necropoltica, no s despreza a importncia do cargo para o qual foi eleito, mas tambm esfrega na cara sofrida do Brasil que o ruim pode ainda piorar. E muito. Movidos pela clera insubmissa que nos aflige, fica a pergunta, parafraseado o rei Juan Carlos, afinal, por que no te calas ?

Ainda restam dois anos de gesto, salvo o caso de uma providencial abreviao impeditiva. Mas fica uma certeza; se a populao brasileira tinha que passar por provaes, com Bolsonaro entrou na fila pelo menos umas trs vezes. Est pago e ainda ficar crdito na conta.

Brasil tem dficit de 4,4 mil juzes, sem contar com os novos “juzes de garantias”…

Resultado de imagem para juiz charges

Charge reproduzida do Arquivo Google

Jos Marques e Flvia Faria
Folha

Um a cada cinco cargos de juiz no Brasil est vago, segundo dados do Conselho Nacional de Justia (CNJ). De acordo com o rgo, em 2018 havia cerca de 18 mil magistrados em atividade e cerca de 4.400 postos desocupados. A maioria (69%) est lotada na Justia estadual, ramo que tem 22% de vacncia. Na Justia Federal, que rene pouco mais de 1.900 juzes, o ndice de 24%.

A falta de magistrados um dos entraves para a implementao da figura do juiz das garantias pelo pas. Em 20% das comarcas, h apenas um magistrado trabalhando.

EM ALTA – Apesar dos postos vagos, o nmero de juzes no Brasil cresceu 14% desde 2009. As despesas do Judicirio, por outro lado, tiveram queda. Foram gastos cerca de R$ 109,1 bilhes (valor corrigido pela inflao) em 2009. Em 2018, a despesa caiu para R$ 93,7 bilhes.

Naquele ano, chegaram Justia estadual, em mdia, 1.668 novos processos para cada magistrado. Na Justia Federal, onde a maior parte dos casos da Lava Jato so processados, o acmulo de trabalho maior: foram 2.090.

Nos dois ramos do Judicirio, acumulavam-se mais de 70 milhes de processos sem soluo em 2018.

ENGARRAFAMENTO – Na Federal, a taxa de congestionamento, que mede o percentual de casos que permaneceram pendentes em relao ao que tramitou, era de 86%. O ndice cresce desde 2012, quando registrou 78%.

Na Justia estadual, a situao mais grave no Tribunal de Justia de Santa Catarina, com taxa de 82,1%. O de Roraima, por sua vez, teve a menor do pas: 53,5%.

Em mdia, um processo criminal leva trs anos e dez meses para chegar primeira sentena na Justia estadual. No Rio Grande do Sul, o tempo chega a oito anos. No Distrito Federal, por sua vez, a mdia de 11 meses.

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NOTA DA REDAO DO BLOG
Vamos falar srio e claramente. S existe congestionamento de processos porque os juzes trabalham pouco. Apesar de receberem auxlio-refeio, s chegam ao Frum no incio da tarde. Jamais trabalham nos feriados enforcados. Alis, somente trabalham quando bem entendem e tm direito a 60 dias de frias por ano. Se os juzes tivessem de dar duro como os demais trabalhadores brasileiros, j teriam dado jeito no pas. (C.N.)-

A magia e a emoo de uma final e a percepo de um atpico torcedor de binculos

A mo invisvel capaz de sacudir milhares ao mesmo tempo

Marcelo Copelli

Devoo, encantamento, paixo sem limites. Um mergulho coletivo, onde “ningum larga a mo de ningum”, onde o flego compartilhado, capaz de unir desconhecidos que se reconhecem e se tornam amigos fraternos pelo olhar, pela camisa, pelo abrao na hora do gol ou pelo choro insubmisso aps uma derrota.

assim, como telespectador que de longe observa, que vejo o amor pelo futebol. Podendo ser considerado um carioca “atpico”, indiferente ao andamento das tabelas estaduais ou nacionais do esporte, confesso que tento sentir, com uma certa pitada de admirao, a ligao quase que umbilical de milhares de torcedores com seus times. No h questo, naquele momento, que interfira na exploso de sentimentos, sobretudo em uma deciso mundial.

“A MISSO” – E dessa forma que comeo a explicar, ainda sem jeito, o que se segue. Hoje pela manh, recebi a sugesto do amigo CN, pedindo que eu escrevesse sobre o jogo que, mais uma vez, pararia o Rio de Janeiro e, certamente, vrios outros pontos do Brasil. Independentemente de torcer ou no pelo time em campo, cada um se sente representado, ainda que no confesse, acredito.

Mas a minha questo no era escrever sobre o jogo em si, opinar sobre as estratgias ou tcnicas. Ou melhor, era. E respondi ao amigo que tentaria, mesmo nesse caso me considerando um mero “aliengena” que, de binculos, apenas admira a alegria que pinta as ruas da cidade, se comove com os gritos de todas as idades que ecoam pelos quatro cantos do pas e tenta entender a motivao de tanta paixo. Mas, que em sua intimidade, se reserva solido da percepo.

PLACAR DESCONHECIDO – Em tempo, escrevo essas linhas antes da partida. Achei melhor no saber o resultado, pois, independentemente do placar, busquei optar por um outro caminho e escrever sem o vcio apaixonado ou possveis interferncias.

Aos mais surpresosdiante da minha afinidade esportiva, digo que j torci pelo Amrica do Rio. No brigava com ningum e, de certa forma, era querido por todos. Algum no gosta do Amrica ? No tem como. o segundo time de todo carioca. Por afeio ou pena mesmo.

COMOO – Mas, voltando minha auto-excluso das rodas de conversas futebolsticas, as finais importantes, que envolvem uma grande comoo, sempre me chamaram a ateno. Talvez mais pela necessidade de entendimento sobre o sentimento que se desdobra coletivamente e de forma impressionante, do que pelo prprio desfecho, no meu caso.

Tanto a alegria quanto a tristeza motivadas por uma final nos espantam. Como se fosse uma mo invisvel capaz de sacudir milhares de pessoas ao mesmo tempo e uni-las sob um s manto ou acolh-las em um s pranto. E na preparao para uma final, vale tudo. O importante se sentir parte. ter motivo para comemorar e enfim dizer “ do Brasil !”.

ESPETCULO – Para uns um momento de fuga do cotidiano to fatigado. Para outros, um breve, porm marcante, momento em que as diferenas so deixadas para trs.

Busquei explicaes para assimilar tanta gana pela questo, mas percebi, ao longo dos anos, que simples magia. E para isso no h explicao. Mesmo de fora, reconheo, o espetculo no pode e no deve parar. Essa emoo, ningum capaz de tirar.

Tendncia de “arquivamento de inqurito por Segvia foi um tiro pela culatra

Entrevista foi um recado ao delegado Cleyber Malta

Marcelo Copelli

As declaraes feitas pelo diretor-geral da Polcia Federal, Fernando Segovia, na ltima sexta-feira, dia 9, em entrevista agncia de notcias Reuters, sobre a possvel recomendao pelo arquivamento do inqurito dos portos contra Temer por falta de provas, desencadeou uma enorme crise dentro da corporao e acabou com o aparente sossego do feriado carnavalesco do presidente na Restinga de Marambaia, no Rio de Janeiro.

INTIMAO- Aps a desastrosa repercusso,delegados do grupo de inquritos da Lava Jato reagiram imediatamente, uma vez que ningum da corporao havia sido consultado ou apoiado a insana manifestao de Segvia. Alm disso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Lus Roberto Barroso o intimou a explicar as declaraes que ameaaram o delegado responsvel pelo caso, “que deve ter autonomia para desenvolver o seu trabalho com iseno e livre de presses”.

Segovia logo tentou consertar o que j estava quebrado. Enviou mensagem para colegas do Sindicato de Delegados da PF do Distrito Federal, negou o tom das declaraes, a interferncia nas investigaes e se desculpou admitindo apenas que deu uma “opinio pessoal” e teve uma “concluso apressada” sobre o inqurito no qual afirmou no existirem indcios de que a Rodrimar tenha sido beneficiada pelo decreto de Temer.

No a primeira vez que Segovia explicita seu papel de frgil defensor de Temer. No fim do ano passado, questionou o ritmo da investigao conduzida pela Procuradoria Geral da Repblica contra o emedebista, declarando que uma nica mala talvez no desse toda a materialidade para apontar se houve ou no crime, e quais os partcipes, ao se referir ao episdio do deputado da mala, em que Rocha Loures foi flagrado recebendo R$ 500 mil que seriam de propina da JBS. E o diretor da PF acrescentou que os resultados da investigao seriam um ponto de interrogao no imaginrio dos brasileiros.

INDICAO POLTICA – A escolha de Segovia para a Diretoria da PF foi ancorada pela articulao dos ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, do ex-presidente Jos Sarney e do ministro do Tribunal de Contas da Unio (TCU) Augusto Nardes, com a rubrica final de Temer, mesmo sem ser o nome preferido pelo ministro da Justia, Torquato Jardim, a quem a Polcia Federal est subordinada.

Pouco antes de sua posse, Fernando Segovia j registrava visitas ao presidente, mesmo fora da agenda oficial.Aps assumir o cargo, continuou a encontr-lo, inclusive na semana em que Temer entregaria as 50 respostas Polcia Federal sobre o inqurito dos portos. Tanto o Planalto, quanto Segovia negaram que o assunto do encontro tenha sido esse, mas quem acredita?

PEDRA NO SAPATO – Assim que Segovia assumiu a direo-geral da PF, o foco em Cleyber Malta Lopes, que conduz o inqurito em que Temer investigado, aumentou. O delegado sempre foi uma das pedras no sapato presidencial e j era desafeto antigo do diretor da PF desde a poca em que presidiu um inqurito envolvendo a famlia Sarney, quando Segoviaera superintendente no Maranho.

No foi por acaso que Cleyber Malta teve o nome citado na entrevista dada Reuters, na qual se destacou que uma investigao interna poderia ser aberta para apurar a conduta do delegado pelos questionamentos enviados a Temer no caso. O discurso inclinado, alm de ameaador, deixa clara a relao prxima e dependente entre Segovia e Michel Temer.

PELA CULATRA – A declarao que provocou essa hecatombe poltica acabou por se tornar um tiro no p, dele prprio e, por consequncia, do j to impopular Temer. Com a atrapalhada entrevista, intencionava-se mandar um “sutil” recado pblico e direto para Cleyber Malta, na tentativa de cont-lo e, em seguida, extirp-lo das preocupaes presidenciais, provocando sua sada das investigaes. A ingnua estratgia, entretanto, no durou. Provocou descontentamentos dentro da corporao e questionamentos do Ministrio Pblico e do Supremo.

As previses do diretor sobre um inqurito em curso, conduzido por outra pessoa, suas garantias e perigosas ligaes agora exigiro mudanas nos prximos passos do governo para contornar a questo dos portos que foi reaquecida.

Se a inteno de Segovia era matar no peito o inqurito da Rodrimar, agora ter que amargar o gol contra marcado.E Temer, que j no sabe mais o que fazer para evitar tantos desgastes, continuar na mira das investigaes, buscando desesperadamente uma soluopara manter o foro privilegiado e ficar a salvo da Justia.