Guedes será lembrado como maior inimigo da Previdência, que ainda ampara os brasileiros

Veja a charge do Dorinho (edição 2866)

Charge do Dorinho (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

O corte de quase R$ 1 bilhão do Orçamento da Previdência Social, para este ano, indica que tanto o presidente Jair Bolsonaro quanto o ministro Paulo Guedes não têm o menor apreço pelos aposentados e pensionistas. Vai faltar dinheiro para atender as demandas dos brasileiros, especialmente os que precisam do auxílio-doença e de perícias médicas.

Essa dupla sinistra está apostando no caos e no sofrimento dos que precisam do INSS, justamente o povo mais pobre. Que falta de humanidade…

DEUS E FAMÍLIA? – Como pode um governante, após fazer esse corte absurdo, ainda ter audácia para falar em Deus, Família e Pátria? Pura falácia e palavras ao vento. Tentam enganar o povo evangélico, que também sofre na pele os efeitos dessa política antissocial. Não adianta os pastores defenderem o governo nos cultos, pois ninguém muda a realidade com discurso.

O ministro Paulo Guedes sempre sonhou com o fim da Previdência Social. Tentou implantar o modelo de capitalização da Previdência, que seria gerido pelos grandes bancos e fracassou no Chile, onde está sendo reformulada.

Atender aos banqueiros é a especialidade de Guedes, que sempre viveu e enriquecer no mercado financeiro. É a área dele, nada a ver com o social. E o presidente não pode o demite, porque teme perder o apoio do Sistema Financeiro. Guedes é o braço dos Bancos.

VOLTARÁ A TENTAR – No Chile, a equipe dos chicagoboys que Guedes integrava conseguiu destruir a aposentadoria pública, na era do ditador Augusto Pinochet. Aqui no Brasil, na reforma da Previdência, os militares ficaram de fora e o Congresso não embarcou nessa empreitada de Guedes. O ministro ficou possesso, não suporta ser contrariado. 

Bem, neste ano Guedes ainda não conseguirá a capitalização da Previdência, pois em época de eleição os parlamentares não fazem maldades. Mas esperem 2023, se Bolsonaro vencer…

Até lá, está sendo preparado o terreno, com esse do corte de quase 1 bilhão no Orçamento do INSS. Vai faltar dinheiro para atender as demandas dos brasileiros.

SUCATEAR O  SISTEMA – O objetivo é sucatear o sistema, impedir a contratação de novos funcionários, para substituir os que vão se aposentando, e, com isso, jogar a opinião pública contra o INSS.

Estará assim armado o circo para um novo sistema de aposentadoria, que Guedes vai apregoar como o melhor dos mundos de Voltaire. E mais para a frente, quando os jovens de hoje se tornarem idosos e forem receber os proventos da aposentadoria capitalizada, ficarão frustrados e desesperados, conforme os chilenos estão agora.

Não adiantará poderá culpar nem Guedes nem Bolsonaro, porque daqui a 40 anos esses dois insensíveis estarão na lata do lixo da História.

ABANDONO DA EDUCAÇÃO – Outra coisa, os cortes na Educação demonstram que esses governantes também não tem compromisso com os brasileiros que frequentam as escolas públicas. Com isso, condenam a classe trabalhadora a ficar excluída da nova matriz tecnológica baseada na informática, na robótica e na automação.

Não temos computadores individuais para os alunos das escolas públicas. Em outros países, além de tablets, é oferecido o 5 G para todos se conectarem.

E o Brasil vai ficando para trás, de retrocesso em retrocesso. Será que ainda há por aqui brasileiros que concordem com isso? Veremos na eleição.

Somente 4,69% dos brasileiros confiam nas pessoas e este clima de desconfiança é altamente prejudicial

Tem charges e memes zoando o anacrônico 'voto impresso', o 'Brasil por  Dentro' (com Socorro Lira), os 11 anos da TV ArtMultCultural e tem Arnaldo  Afonso (com Rosa Freitas) no 'Música no

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Roberto Nascimento

Saiu uma interessante pesquisa no Estadão atestando que só 4,69% dos brasileiros confiam nas pessoas, um no outro, o restante não confia. O levantamento foi feito pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), e os analistas chegaram à conclusão de que esse comportamento pode prejudicar avanços sociais e reformas políticas, mas não se interessaram em informar e debater as razões práticas para essa falta de confiança que hoje caracteriza os brasileiros.

Na verdade, tal desconfiança tem fundamentos, que vêm de cima para baixo, a partir das classes governantes e dominantes, que demonstram abertamente não acreditar na viabilidade do próprio país onde vivem e enriquecem

DINHEIRO NO EXTERIOR – Sabe-se que uma das práticas mais usuais das elites é depositar no exterior suas riquezas. Com as raras e honrosas exceções de empreendedores que ainda insistem em apostar no Brasil, isso vale tanto para a grande maioria dos empresários e investidores quanto para a totalidade dos beneficiários da corrupção e da impunidade reinantes.

A coisa chega a tal ponto que os recursos públicos do Fundo Partidário são usados para comprar aeronaves e iates, anuncia também o Estadão, sem que não aconteça rigorosamente nada. Os partidos são apenas obrigados a devolver o dinheiro usando outros recursos do mesmo Fundo Partidário, sem que seus dirigentes sejam sequer processados.

Assim, não causa a menor reação o fato de o ministro Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tenham investido suas fortunas em paraísos fiscais, no caso, as Ilhas Virgens Britânicas, faturando milhões com a subida do dólar, sem o menor esforço.

COMO CONFIAR? – Depois da revelação do “Pandorra Papers”, os brasileiros não têm como confiar no que Guedes e Campos Neto dizem. Em qualquer país minimamente civilizado, esse fato concreto se tornaria um tremendo escândalo, o presidente teria afastado os dois, inclusive o presidente do Banco Central, que tem autonomia e mandato, mas pode ser demitido em caso de falta de ética.

Surge, assim, uma pequena crítica: Como confiar em reformas, se elas só pioram ainda mais, a vida dos brasileiros, se essas iniciativas são feitas para agradar as classes produtoras e ceifar direitos dos trabalhadores?

Será que alguém ainda acredita nesse Congresso, conduzido por Arthur Lira e Rodrigo Pacheco? Nesse governo, tocado por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes? E nesse Supremo, liderado por Gilmar Mendes e Dias Toffoli?

Ainda longe da democracia, a China inicia a reabilitação de Confúcio, seu maior guia espiritual

Top 10 - frases - confúcioRoberto Nascimento

O jornalista Marcelo Ninio, direto de Qufu, na China, publicou em O Globo uma interessante reportagem sobre uma cerimônia na cidade onde nasceu o filósofo Confúcio, pai e guia espiritual da cultura chinesa, para celebrar o seu nascimento há 2752 anos.

O atual presidente da China, Xi Jinping, vem intensificando o processo de reabilitação de Confúcio, indo na direção contrária do timoneiro Mao Tse Tung, que na Revolução Cultural (1966-1976) mandou queimar todos os livros de Confúcio e dinamitar seu túmulo na cidade de Qufu.

TIDO COMO CONSERVADOR – Os maoístas consideravam Confúcio um obstáculo ao progresso e um propagador e símbolo do reacionarismo burguês.

A reabilitação de Confúcio serve aos propósitos de o atual líder Xi Jinping se perpetuar no Poder, para se tornar um novo Imperador do Sol Nascente. Para isso, pouco se importa com a contradição entre um Estado laico como a China, inspirado nas ideias de Marx, Engels e Mao Tsé-Tung, e o tom religioso da reabilitação de Confúcio. É uma fé sem Deus, conforme retrata o jornalista Marcelo Ninio.

O Partido Comunista Chinês sabe que o povo precisa de fé, de uma filosofia que ajude a seguir unido em torno de seu líder, que completa dez anos de mandato e se pretende vitalício.

SEM RENOVAÇÃO – Nesse particular, Xi Jinping quer romper a linha seguida por Deng Xiaoping, sucessor de Mao, que elaborou o modelo de renovação das lideranças máximas, através de mandatos fixos para os presidentes, para evitar a personificação do presidente, o que chamam de Culto à Personalidade, inaugurado por Mao Tse Tung, o líder da Revolução Chinesa, que tomou o Poder em 1949 até sua morte em 1976.

Essa nova mudança de rumos da China visa impedir que o maior país asiático possa repetir o fenômeno ocorrido na União Soviética (URSS). Os líderes chineses temem a divisão do país, a semelhança do que ocorreu com os soviéticos, após a abertura democrática idealizada pelo presidente Mikhail Gorbachev, que provocou movimentos separatistas e enfraqueceu a potência econômica e militar do antigo regime.

A China não é mais um país comunista puro, tornou-se uma nação capitalista na economia e centralista no regime de governo (ditadura de esquerda). Quem manda na China é o líder respaldado pelo Partido Comunista.

SE JINPING MORRER? – Uma grande questão é a estabilidade do país após a morte de Xi Jinping? Lembrem-se que a China enfrentou forte turbulência quando o grande timoneiro Mao Tse Tung morreu e foi sucedido pela mulher e três auxiliares, apelidados de a “Gangue dos Quatro”. Foram logo derrubados, e assumiu então as rédeas do país o líder Deng Xiaoping, responsável pela abertura da economia para o mundo ocidental, tornando o país num novo eldorado capitalista, devido aos baixos impostos, salários irrisórios e inexistência de leis ambientais

A preocupação da elite do poder na China é com a perda do controle das massas. Qualquer movimento libertador é logo sufocado, a censura caracteriza a imprensa e a internet é controlada. Assim, embora tenha se aproximado do capitalismo, a China continua distante da democracia, com ou sem a volta de Confúcio.