Processo contra Moraes nos EUA é grave, porque desmoraliza o ministro e o Brasil

Ilustração reproduzida do Correio Braziliense

Carlos Newton

É um espanto a frieza do ministro Alexandre de Moraes, que continua atuando normalmente no Supremo Tribunal Federal, sem demonstrar a menor contrariedade por ter sido flagrado vendendo proteção a um criminoso de grande porte, como Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Como se sabe, a mulher dele, Viviane Barci de Moraes, celebrou um contrato de R$ 129,6 milhões para prestação de serviços que jamais foram executados. Pelo contrário, ao tentar exibir supostos trabalhos, a advogada Viviane citou serviços que na verdade foram prestados por outros escritórios de advocacia,

TOFOLLI, TAMBÉM – Na mesma situação está outro ministro, Dias Toffoli, que também se envolveu com Vorcaro na venda de um luxuoso ressort no Paraná e foi até obrigado a se declarar impedido de votar no processo do Master. Toffoli tenta agir como Moraes, como se não tivesse acontecido nada, porém não demonstra a mesma desfaçatez – anda recolhido, cabisbaixo e fugindo da imprensa.

É que há uma diferença entre os dois. Toffoli sabe que tudo será uma questão de tempo. Fatalmente será incriminado no caso do Master e acabará condenado pela Segunda Turma. Já o ministro Moraes tem esperança de acabar incólume, porque foi a mulher dele que formalmente se expôs. Mas é certo que o STF estará totalmente desmoralizado se livrar o ministro de punição.

É claro que estamos falando em tese, com base no dizem as leis e os costumes, porque no Brasil a Justiça vive seu pior momento, basta lembrar a recente libertação da primeira-dama do PCC, Stella Stefanie de Oliveira, algo inimaginável em qualquer país civilizado.

AÇÃO NOS EUA – Outra diferença é que Toffoli só se preocupa com seus problemas no Brasil, enquanto Moraes está sendo processado também nos Estados Unidos. É uma ação politicamente grave, porque desmoraliza não somente o Supremo, mas também o próprio país.

Há quem pense que Moraes agiu certo, porque uma das redes sociais atingidas, a plataforma de vídeos Rumble, não tinha escritório de representação no país, mas não é esse o caso.

Na realidade, o ministro está sendo processado pela Rumble e pela Trump Media, empresa de propriedade do presidente americano, por haver emitido ordens de bloqueio de contas em redes sociais nos Estados Unidos. As acusações incluem abuso de poder e censura ilegal contra usuários alinhados à direita brasileira, como o blogueiro Allan dos Santos.

PRIMEIRA EMENDA – Segundo as empresas, as decisões do ministro, ao obrigar a Rumble a remover contas de usuários, violam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão.

Dificilmente Moraes será inocentado. Isso significa nova inclusão na Lei Magnitsky, o que envolve o congelamento de bens em território americano, pagamento de indenizações e proibição de que cidadãos, empresas e bancos americanos se relacionem com o ministro.

A juíza Mary S. Scriven, da Flórida, estendeu o prazo para que a Rumble e a Trump Media respondam aos argumentos da Advocacia-Geral da União, representada por um escritório de advocacia americano. Depois que isso ocorrer, a questão irá a julgamento.

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P.S.
Culpado ou inocente, isso pouco interessa a Alexandre de Moraes, porque o mal já está feito. Por sua prepotência, arrogância e desfaçatez, ele conseguiu se desmoralizar e agora está prestes a desmoralizar o próprio país. (C.N.)

Ministros do STF seguem “roteiro” da Lava Jato para tentar anular o caso Master

Charge: Enquanto isso no STF. - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Carlos Newton

As notícias de que a Polícia Federal determinou o afastamento do perito João Cláudio Nabas, por vazamento de informações incriminando os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, indicam que integrantes da Suprema Corte realmente estão empenhados em evitar a punição dos envolvidos no escândalo do Banco Master.

O esquema segue o roteiro da ardilosa manobra feita em 2019, que conseguiu anular todas as condenações da Lava Jato, com base em provas ilegais apresentadas pelo hacker Walter Delgatti, contratado para gravar ilegalmente os celulares do então juiz Sérgio Moro e de procuradores federais

PROVAS ILÍCITAS – Destaque-se que, para destruir a Lava Jato, os ministros do STF aceitaram usar provas ilícitas sem ao menos periciá-las, e foi assim, desprezando as exigências legais, que rapidamente declararam uma suposta “imparcialidade” da força-tarefa da Lava Jato.

Com essa manobra, não somente anularam todas as condenações, mas também providenciaram que muitos bilhões de reais fossem devolvidos aos empresários corruptos.

Agora, no caso Master, o novo esquema de impunidade tentará se basear no vazamento de provas contra ministros, atribuído ao perito federal João Cláudio Nabas, além de outros argumentos que já estão sendo colocados por Gilmar Mendes, o decano do STF.

NO RODA-VIVA – Em recente entrevista no programa Roda-Viva, ao comparar o caso Master à Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes citou o vazamento de mensagens pessoais das conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com sua então noiva Martha Graeff. Disse ele: 

“O ministro André [Mendonça] libera uma ordem que havia sido dada pelo então relator no sentido de não permitir que a CPI [do INSS] fizesse aquela quebra de sigilo. E houve aquilo que nós conhecemos, a quebra de sigilo, inclusive de conversas íntimas e a revelação. […] Muitos vazamentos, prisões de familiares, são elementos que levam a pelo menos uma preocupação e similitudes com o que ocorreu anteriormente”.

O ministro também fez críticas sobre uma reunião de Mendonça com um advogado que lhe falou sobre delação premiada no caso do Master. “Na conversa que nós tivemos, por exemplo, André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade. Por quê? A lei não permite que o relator ou o juiz participe da delação. O acordo é entre Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator. Então, aqui, já há algo de erro crasso.”

CONTESTADO NO ATO – O ministro foi imediatamente contestado pelos jornalistas, porque Alexandre de Moraes, relator da trama golpista, discutia normalmente com advogados a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Bolsonaro, e assim Gilmar ficou numa saia justa no Roda-Viva. 

Os jornalistas lembraram também que, na Lava Jato, um dos episódios mais emblemáticos envolveu a divulgação de escutas telefônicas de conversas entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, em 2016, quando ex-presidente estava respondendo a vários processos e teve seu celular grampeado judicialmente.

Lula, na época, foi impedido de tomar posse na Casa Civil por decisão do próprio Gilmar Mendes. O ministro aceitou usar como prova as gravações que tinham sido feitas com o prazo legal já encerrado e até  citou os diálogos com a então presidente como argumento para a tese de “desvio de finalidade” na nomeação dele para ministro, para evitar ser preso por corrupção e lavagem de dinheiro, o que depois acabou acontecendo.

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P.S. – As situações não são semelhantes, mas o grupo de ministros integrado por Gilmar, Moraes,  Toffoli e outros, sem a menor dúvida, fará o possível e o impossível para tumultuar o caso do Banco Master e garantir a mesma impunidade conseguida na Lava Jato. Para conseguir essa neta, porém, terão de neutralizar o relator André Mendonça, e isso não será nada fácil. (C.N.)

Vexame! PCC é perseguido nos EUA, mas continua a ter “apoio” da Justiça brasileira

Justiça manda soltar mulher acusada pelos EUA de elo com PCC

Stella Stefanie, a primeira-dama do PCC, já está solta

Carlos Newton

É uma situação surrealista, que chega a ser inacreditável. Enquanto nos Estados Unidos a facção criminosa brasileira PCC (Primeiro Comando da Capital) é considerada organização terrorista, para facilitar a ofensiva policial destinada a enfrentá-la, no Brasil a Justiça continua apoiando esses criminosos de uma forma acintosa e desafiadora.

Figura de destaque na lista dos integrantes do PCC divulgada pelo governo americano, a brasileira Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira foi presa na semana passada pela Operação Exchange da Polícia Federal, mas cinco dias depois a Justiça Federal de São Paulo mandou soltá-la, junto com outros integrantes da quadrilha, sob alegação de que não existiriam motivos para manter a prisão.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – Justamente numa época em que se discute a possibilidade de uso da Inteligência Artificial (IA) no funcionamento da Justiça, surge essa decisão estarrecedora e estapafúrdica da juíza Monica Aparecida Bonavina Camargo, lotada em Santos (SP), ao soltar Stella Stefanie e outros investigados, alegando falta de fatos novos que justificassem as prisões.

Foi realmente uma decisão tipo Inteligência Artificial, porque o inaceitável e abominável ato demonstra que a juíza federal não é humana e raciocina como um robô, que vive à parte da sociedade, pois está absolutamente alheia ao que acontece no Brasil e no mundo.

Além disso, ela agiu como um robô apresentando defeito, pois foi um ato revestido de ilegalidade, abertamente mal intencionado, porque a juíza não deu a menor importância às informações da Polícia Federal, que pedira a prisão preventiva devido ao risco de fuga e à alta periculosidade da primeira-dama do PCC, uma alegação que qualquer Inteligência Artificial entenderia.

TUDO AO CONTRÁRIO – Ao justificar a assombrosa e revoltante decisão, a juíza argumentou que não havia motivos para converter a prisão temporária em preventiva, porque as buscas já haviam sido concluídas…

O mais incrível é que, na mesma decisão, a magistrada Monica Aparecida Bonavina Camargo determinou a prisão preventiva do chefão Victor Henrique de Oliveira Shimada, que comanda o PCC ao lado de Stella Stefanie. Ou seja, nenhum rigor em relação aos criminosos já presos, porém máximo rigor contra quem está foragido e bem longe das garras da lei, como se uma coisa justificasse a outra, num raciocínio calhorda e também robótico.

Repete-se, assim, aquela longa lista de decisões judiciais que libertam criminosos de grosso calibre e alto poder corruptivo, como André de Oliveira Macedo, o célebre André do Rap, um dos mais importantes líderes do PCC.

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P.S.
Recordar é viver. O megatraficante foi preso em setembro de 2019, mas ficou pouco tempo na cadeia. Em outubro de 2020, ganhou liberdade com um habeas corpus concedido por Marco Aurélio Mello, do Supremo, em pleno sábado. O ministro, que também parece precursor da Inteligência Artificial, justificou a soltura com base no artigo 316 do Código de Processo Penal, que determina a renovação da prisão preventiva a cada 90 dias. Como a prisão do megatraficante não havia sido renovada dentro do prazo, Marco Aurélio entendeu que ele estava detido ilegalmente… No domingo, ao tomar conhecimento da decisão, o então presidente do STF, Luiz Fux, mandou o criminoso ser novamente preso. Mas ele já estava longe e nunca mais foi encontrado. Na época, Fux lamentou, dizendo: “Ele debochou da Justiça”. E até hoje há juízes que continuam debochando. (C.N.)

É preciso festejar a sublime lição que a Copa está dando sobre miscigenação

Allez les Bleus": o canto da torcida da França que já foi motivo de briga judicial; entenda | Ge

A torcida da França exibe um país em plena miscigenação

Carlos Newton

Envolvidos nessa paixão fulminante que o futebol desperta, a ponto de a Fifa ter mais países filiados (211) do que a própria Organização das Nações Unidas (193), são poucos os que percebem a extraordinária, sublime e definitiva lição que essa Copa está dando ao mundo inteiro.

O impressionante evento esportivo confirma o conceito criado pelo sociólogo brasileiro Gilberto Freyre (1900/1987) sobre a chamada democracia racial, em absoluto pioneirismo, porque foi o primeiro intelectual que estudou a importância da miscigenação na fase pós-escravatura da humanidade.

TÍTULO DE SIR – Como escritor, Gilberto Freyre dedicou-se pesquisar a interpretação do Brasil sob ângulos de sociologia, antropologia, geografia e história. Foi também autor de ficção, jornalista, deputado federal, poeta e pintor.

É considerado um dos mais importantes sociólogos do século XX. Tinha grande admiração pela cultura inglesa e via o Reino Unido como modelo de tradição, ordem e desenvolvimento. Escreveu vários livros sobre a Inglaterra.

Seu conhecimento era tamanho que recebeu o título de Doutor Honoris Causa na renomada Universidade de Sussex. Em 1971, a consagração:  foi agraciado pela rainha Elizabeth II com o título de Cavaleiro Honorário da Ordem do Império Britânico. Como estrangeiro, ele não podia usar o “Sir” antes do nome, mas foi condecorado e teve reconhecida a grande contribuição à cultura mundial.

DEMOCRACIA RACIAL – Em sua vasta obra, o intelectual pernambucano jamais usou a expressão “democracia racial”, mas fixou as bases dessa evolução social em “Casa-Grande & Senzala”, de 1933.

Freyre simplesmente inverteu as teorias ignaras da época, que viam a mistura de raças como uma degeneração. Ao contrário, ele encarava a mestiçagem como um fenômeno positivo, argumentando que a miscigenação seria uma grande força e se tornaria o maior diferencial da identidade brasileira.

O autor defendia que a colonização portuguesa no Brasil, por ter sido mais branda e flexível, permitiu uma convivência íntima e uma intensa troca cultural e racial entre colonizadores, indígenas e africanos.

Gilberto Freyre: biografia e Casa-Grande & Senzala - Toda Matéria

Freyre foi um verdadeiro gênio da raça

CRÍTICAS VAZIAS – Na época, Freyre foi muito criticado por militantes negros, porque a expressão “democracia racial” passara a ser amplamente usada por intelectuais e políticos a partir da década de 1940, para esconder a existência de preconceito no Brasil. Mas o tempo passou e somente agora, quase 100 anos depois da publicação de “Casa Grande & Senzala”, a Copa de 2026 nos exibe o impressionante fenômeno da miscigenação racial.

Países europeus têm jogadores de todas as raças, o Japão apresenta um goleiro negro, as seleções africanas tem craques mulatos e brancos, até a Noruega tem negros no time, a Suíça é uma miscigenação, algo numa visto.

O mais importante, porém, são as torcidas, todas elas também exibindo a mistura humana que avança no mundo, mostrando que Gilberto Freyre tinha razão e a democracia racial será inexorável.

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P.S. –
Não existe nenhuma força mais democrática do que o amor. É a paixão entre amantes de diferentes raças que está purificando o mundo. Não adianta que alguns países muçulmanos continuem sonhando com um predomínio político e militar que lhes possibilite submeter, doutrinar ou até eliminar da face da terra os infiéis. Isso jamais acontecerá, porque não somente o amor possibilita a miscigenação, como a paixão pelo futebol também a incentiva expressivamente. Esta é a maior lição que os shows das torcidas estão ensinando ao mundo inteiro, nos fazendo lembrar a importância de um pensador como Gilberto Freyre, que merece ser classificado como gênio da raça. (C.N.)

Piada do Século! Ancelotti ganha aumento para R$ 6 milhões e quer ficar até 2030

Charge do Duke | A convocação de Ancelotti para a Seleção ...

Charge do Duke (Arquivo Google)

Carlos Newton

Por incrível que pareça, a grotesca eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 não mudará os planos da CBF para Carlo Ancelotti, o treinador retranqueiro que não gosta de atacantes dribladores.

O diretor executivo de seleções, Rodrigo Caetano garantiu que o treinador italiano permanecerá no comando da equipe até a Copa do Mundo de 2030.

“Cabe a nós agora ressaltar a necessidade de termos um ciclo dentro de uma normalidade, com um pouco mais de calma, com um trabalho que vai ser dada a continuidade com o ‘Mister’ até a Copa de 2030 e com os ajustes necessários. Que tenhamos o mínimo de tranquilidade para seguir em frente e preparar a próxima Copa”, disse Rodrigo Caetano, que merece o título de Cretino do Século.

DISSE O RETRANQUEIRO – Após a derrota, o retranqueiro Ancelotti, que convoca reserva do Flamengo para ser titular na seleção, fugiu do estádio para evitar ser entrevistado pelos jornalistas. Ficou muito feio deixar o filho representá-lo, mas o que fazer.

Mais tarde, pensando no contrato que conseguiu fazer com os otários da Confederação Brasileira de Futebol, Ancelotti aceitou dar uma entrevista à imprensa, para insinuar que ficará à frente da equipe até 2030.

“Óbvio que estamos todos profundamente tristes. Porque acho que fizemos até agora não um mundial especial, um bom mundial, acho que também o jogo de hoje merecia ganhar o jogo e quando passa um momento assim tem que pensar que uma derrota é o começo de uma nova aventura. temos que seguir melhorando, encontrar novas ideias, não é um fim, é o início de um novo ciclo esta derrota”, disse o cara de pau.

GANHOU AUMENTO – A verdade é que o dinheiro fácil sempre fala mais alto. Sem contar os R$ 70 milhões já recebidos até agora, o técnico receberá um total de R$ 288 milhões nos próximos quatro anos.

O motivo é que o contrato com a CBF estabeleceu um  aumento estipulado para o novo ciclo que eleva os ganhos do treinador para R$ 6 milhões mensais (R$ 72 milhões por ano).

Essa remuneração faz dele o técnico de seleção mais bem pago do mundo. Como o acordo com a Confederação foi renovado e se mantém válido para o novo ciclo, apesar da eliminação da equipe no Mundial de 2026, só nos resta rezar para que o italiano tome vergonha na cara e peça demissão.

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P.S.
Como o Brasil não é o país mais rico do mundo, é preciso destronar os atuais dirigentes da CBF e enviar Ancelotti para o raio que o parta, juntando todos eles no mesmo camburão. Como diz Luxemburgo, a culpa é da imprensa, que fica endeusando esses treinadores estrangeiros, que ainda são chamados de “Mister”. É muita burrice e subserviência. (C.N.)  

Perito da PF foi “contratado” por Vorcaro para anular a apuração do caso Master

Conversas de Moraes com Vorcaro foram vazadas pelo perito

Carlos Newton

Há novidades em relação à reportagem do Estadão, publicada sexta-feira, dia 3, sobre a investigação envolvendo o perito João Cláudio Nabas, da Polícia Federal, que produziu em dezembro dois vídeos sobre as conversas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que incriminam os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Em maio, a PF afastou o servidor João Cláudio Nabas, especialista em crimes financeiros, que foi identificado como autor dos vazamentos sobre os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Mas agora surgem informações de que está havendo corporativismo na PF, que abriu apenas processo administrativo contra o perito, embora o caso seja tão grave que requeira também inquérito policial.

MAIS SUBORNO – Ouvidas pela Tribuna da Internet no final de semana, fontes da própria Polícia Federal revelaram que o caso precisa ser apurado mais profundamente, porque há fortes evidências de que o perito João Nabas teria sido subornado pela quadrilha liderada por Vorcaro.

As suspeitas surgiram porque o servidor, lotado em Vilhena (Rondônia), adotou um comportamento  afrontoso, como se quisesse ser identificado como autor do vazamento de informações.

Ao invés de agir dissimuladamente, João Cláudio Nabas fez o contrário. Sugeriu a vários policiais da PF que fizessem o vazamento, ninguém aceitou e ele então enviou as informações usando o próprio computador da agência. Ou seja, agia como se quisesse ser apanhado, o que rapidamente acabou acontecendo.

SERVIDOR EXEMPLAR – Com 20 anos de atuação na Polícia Federal, João Cláudio Nabas era considerado um servidor exemplar. Especialista na investigação de crimes financeiros e fraudes previdenciárias, ele atuava como professor em cursos promovidos pela própria PF.

Jamais houve caso semelhante na corporação. Sempre que algum servidor, agente ou delegado federal se corrompia, invariavelmente tentava esconder de todas as formas os crimes cometidos. Mas o perito fez exatamente o contrário.

A situação está ainda mais estranha, porque a PF não aprofundou a investigação e até agora não apurou se Nabas recebeu suborno de Vorcaro para tumultuar o caso Master, como aconteceu na Lava Jato, cujos réus tiveram as condenações anuladas e os empresários corruptos até receberam de volta muitos bilhões de reais em recursos públicos que haviam desviado.

SEM PUNIÇÃO – Embora o vazamento seja uma falta grave, se não houver amplo processo judicial a punição do perito limitar-se-á à demissão, por quebra de confiança e violação de dever funcional. Desse jeito, não há a menor possibilidade de prisão, pois será enquadrado apenas no art. 325 do Código Penal (“Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação“).

A condenação máxima é de dois anos de detenção, a serem cumpridos em liberdade, por se tratar de e pena inferior a quatro anos, além de ser réu primário. com bons antecedentes,

No caso da Lava Jato, a operação foi tumultuada e desfeita também com base em provas ilícitas, extraídas em gravações feitas pelo hacker Walter Delgatti Neto, que invadiu ilegalmente os celulares de autoridades, incluindo o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da operação. E agora, sete anos depois, o caso do Banco Master passou a correr o mesmo risco, devido a esse vazamento proposital de provas montadas pelo perito.

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P.S.
Os ministros Moraes e Toffoli sonham em repetir no caso Master o mesmo esquema de impunidade adotado na Lava Jato, que destruiu a maior operação contra corrupção já feita no mundo. Desta vez, porém, há uma diferença – o relator é André Mendonça e a presidência do julgamento, na Segunda Turma, estará a cargo de Luiz Fux. Amanhã, voltaremos ao palpitante assunto, que é mais importante do que a eleição presidencial. (C.N.)

PF justifica afastamento do perito que vazou provas contra Toffoli e Moraes

Perito é alvo de operação por vazar conversas de Moraes - Opinião em Pauta

Perito João Nabas foi identificado como autor dos vazamentos

Carlos Newton

A imprensa livre faz a festa no caso do Banco Master e está atenta às manobras destinas a anular processos e condenações. É preciso que os jornalistas estejam atentos e fortes, para evitar o mesmo vexame que aconteceu na Lava Jato, que chegou a colocar um presidente da República na cadeia, mas tudo acabou numa macropizza, com o Supremo passando a borracha na corrupção e devolvendo bilhões de reais a empresários inescrupulosos.

Na Lava Jato, ficou demonstrado até onde vai a ousadia dos ministros do Supremo, porque a operação foi desfeita com base em provas ilícitas, extraídas de gravações feitas ilegalmente pelo hacker Walter Delgatti Neto.

VAZA JATO – Conhecido pelo apelido de “Vermelho”, por causa dos cabelos ruivos, o hacker ficou famoso em 2019 ao invadir os celulares de autoridades, incluindo o então juiz Sergio Moro e procuradores da operação.

Seus vazamentos, conhecidos como “Vaza Jato”, expuseram conversas que levantaram dúvidas sobre a imparcialidade dos investigadores e possibilitaram que o STF anulasse as condenações, embora em todos os países minimamente democráticas as provas obtidas ilegalmente não possam ser usadas em processos.

No caso, ocorreu um absurdo ainda maior, porque as gravações sequer foram periciadas, para que se soubesse se eram verdadeiras. O Supremo não quis nem saber, passou o rodo na Lava Jato e estancou a sangria, atendendo ao que sugeriu à época o senador Romero Jucá (MDB-RR), em conversa com o ex-presidente da Transpetro, o corruptíssimo Sérgio Machado.

PERITO DA PF – No caso atual da investigação sobre o Banco Master, a novidade surgiu nesta sexta-feira, dia 3, quando o Estadão deu como manchete do portal a seguinte notícia: “Perito da PF produziu arquivos ‘Moraes’ e ‘Toffoli’ a partir do celular de Vorcaro, diz investigação”.

Assinada por três excelentes jornalistas (Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo), a matéria relata que a Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do STF, ter apurado que o perito criminal João Cláudio Nabas, lotado em Rondônia, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de informações encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, e até sugeriu a colegas da própria PF o vazamento do material.

As informações fazem parte da investigação aberta por ordem de Mendonça para apurar vazamentos do celular de Vorcaro e que resultaram no cumprimento de busca e apreensão contra João Cláudio Nabas em maio, por suspeitas de violação do sigilo funcional. Ele foi afastado de suas funções após a operação.

SEM COMENTÁRIOS – A reportagem do Estadão entrou em contato com o escritório de advocacia que defende João Nabas e não houve manifestação. O espaço segue aberto e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também foram procurados, mas não responderam.

Especialista no combate a crimes financeiros, Nabas foi convocado para auxiliar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro do ano passado. A investigação sobre o vazamento descobriu que ele acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”, informa o Estadão.

Os documentos compilavam no celular do banqueiro os diálogos e as menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, assim como sua então mulher, Roberta Rangel . Um deles incluía trechos do contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Segundo o Estadão, um dos policiais da equipe relatou que Nabas realizou a análise dos dados de forma remota a partir de Vilhena (RO), onde é lotado, e de onde enviou, em 5 de dezembro de 2025, um arquivo em PDF sem identificação contendo um compilado de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.

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P.S.
Quando a imprensa tem liberdade para atuar, fica mais fácil esclarecer os crimes, porque a sociedade pode acompanhar o transcorrer dos inquéritos e evitar favorecimentos. Essa matéria do Estadão é importantíssima e demonstra que as investigações estão avançando, embora ainda não se consiga saber como está a apuração dos atos ilegais envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, cuja falta de transparência está sendo denunciada pelo próprio Estadão, em matéria do analista Carlos Andreazza. Vamos voltar ao assunto, amanhã, com informações adicionais, que a Tribuna da Internet está colhendo em Brasília. (C.N.)

Histórias do cônsul sequestrado e do Papa Francisco, que tinha um amigo no Brasil

Lembranças libertas - Quatro cinco um

Aloysio Gomide e Maria Aparecida, felizes de volta ao Rio

Carlos Newton

No dia de hoje, 4 de julho, há 55 anos (4.7.1971) a Igreja Bom Jesus do Calvário da Via Sacra, que fica na Rua Conde de Bonfim 50, Tijuca, bem perto do “Alzirão”, estava superlotada.  Na rua, uma multidão se aglomerava. Não, para ver os noivos que subiriam ao altar às 8 da noite para o casamento que seria celebrado pelo cônego Olympio de Melo, que foi prefeito do Distrito Federal, quando o Rio era a capital da República.

A multidão queria ver o cônsul Aloysio Gomide e sua esposa Maria Aparecida Gomide. Era a primeira vez que o cônsul aparecia em público depois de passar sete meses no cativeiro em Montevidéu, sequestrado pelos guerrilheiros tupamaros.

DEU NO JORNAL – Tudo isso aconteceu porque naquele domingo, 4 de julho de 1971, O Globo publicou na primeira. página a notícia que o casal Aloysio e  Aparecida Gomide seria padrinho de casamento do então repórter Jorge Béja, que foi o primeiro a doar dinheiro para arrecadar 1 milhão de dólares e entregar aos tupamaros como pagamento do resgate do diplomata.

Então, pelo seu gesto, o repórter da Rádio Nacional, Béja foi contemplado com a promessa de dona Aparecida: “quando o Aloysio for libertado, ele e eu  queremos ser padrinhos do seu casamento “. 

O dinheiro arrecadado foi levado de ônibus para o Uruguai, entregue aos tupamaros, que soltaram o cônsul foi libertado. De volta ao Rio, ele cumpriu a promessa feita pela esposa,

MULTIDÃO – Era muita gente, muita gente mesmo, pessoas do povo e repórteres, fotógrafos e cinegrafistas. Afinal, todos queriam ver, fotografar e ouvir o diplomata e sua esposa. A multidão era tanta que lembrou o que décadas depois veio a ser o “alzirão” das Copas do Mundo de Futebol.

Béja depois deixou a Rádio Nacional e, já formado em Direito e inscrito na OAB, foi ser diretor jurídico da Estrada de Ferro do Corcovado, cargo que ocupou por dois anos. Depois, começou a advogar com escritório próprio, sempre defendendo vítimas de danos.

Casou-se com uma grande historiadora, Clarinda Béja, que estudou com ele em Paris, na Sorbonne, e se tornou um dos maiores juristas brasileiros;

CASAL PERFEITO – Tenha uma admiração enorme por Jorge Béja e Clarinda, que formam um casal perfeito. Sou mais ligado a ele, com quem convivo desde os velhos tempos, quando o advogado era sempre convocado a dar entrevistas, devido à importância das causas que defendia.

É um profissional raro, que comparo a Sobral Pinto, vizinho de minha família em Laranjeiras, com quem também convivi muito e sou amigo de seu neto e das duas bisnetas. Dr. Sobral tinha muita coisa em comum com Béja, como o saber jurídico, a honra e a religiosidade. Além disso, os dois jamais cobraram um tostão para defender suas causas.

E há outro detalhe: em sua carreira singular, Béja se especializou em defender vítimas de negligência estatal ou privada e suas famílias, como os náufragos do Bateau Mouche, os adolescentes chacinados na Candelária, os soterrados no desabamento do Elevado Paulo de Frontin e no edifício Palace II, é um nunca-acabar de casos humanitários. Sempre me emociono quando escrevo sobre ele.

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P.S. –
Outro detalhe: Jorge Béja é um pianista clássico de primeira categoria. Numa certa noite, em Buenos Aires, ele estava se apresentando num evento, quando recebeu um bilhete, pedindo que tocasse “Clair de Lune”, de Debussy. Ele atendeu. Na recepção que se seguiu, o cardeal Jorge Bergoglio, autor do pedido, agradeceu a gentileza e ficaram amigos, passando a se corresponder, inclusive depois que Bergoglio se tornou o Papa Francisco, uma honra realmente extraordinária. (C.N.)

Caso Master comprova: a imprensa livre é fundamental para limpar este país

Janaina Paschoal teme prisão de Malu Gaspar, do O Globo – Portal Vale  Evangélico

Vorcaro tentou destruir Malu Gaspar, mas foi derrotado

Carlos Newton

No século 16, quando os maiores intelectuais da época criaram o movimento que passou a ser chamado de Iluminismo, eles deram enorme impulso ao desenvolvimento político e social da Europa, e uma de suas principais metas era impor que todos fossem iguais perante a lei, um imenso desafio que até hoje não se concretizou.

Esse objetivo continua a ser uma utopia, como costumava dizer Lord Kenneth Clark, um dos maiores historiadores e filósofos do século 20. “Civilização? Até hoje ainda não encontrei nenhuma. Mas tenho certeza de que, se algum dia a encontrar, saberei reconhecê-la”, afirmava o pensador britânico.

META UTÓPICA? – Clark morreu em 1983, ainda sem ter encontrado nenhuma civilização. É possível que sua utopia se concretize, mas isso somente poderá acontecer se a imprensa cumprir seu papel de atuar como fiscal dos governantes e das instituições.

Essa tem sido a função da imprensa desde o século 15, quando o alemão Johannes Gutenberg criou o sistema de tipos móveis, revolucionando a difusão do conhecimento na Europa, permitindo a produção em massa de livros e jornais.

Assim, três séculos depois, quando o nobre francês Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu, desenvolveu a teoria dos Três Poderes, independentes e harmônicos, tese que possibilitaria a difusão da democracia, já estava implícita a fundamental função da imprensa.

ARMA DEMOCRÁTICA – Sem imprensa livre, não há democracia – simples assim. Mas os insistentes usurpadores de recursos públicos, que desgraçadamente existem em todos os países, não pensam assim, como é o caso do banqueiro Daniel Vorcaro.

Na última quarta-feira, O Globo publicou importantíssima reportagem, denunciando que o dono do Banco Master e o publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi, vasculharam a vida privada da jornalista Malu Gaspar, para impedir que fizesse novas denúncias sobre o Master.

O celular de Vorcaro mostra que Miranda “revirou a vida” da jornalista e repassou ao ex-banqueiro informações sobre familiares, contas bancárias e a vida pessoal dela.

NADA CONSTA – Foi um esforço inútil. Nada consta contra a jornalista Malu Gaspar, nem mesmo multas de trânsito. Essa constatação foi um desespero para Vorcaro.

Acostumado a privar da intimidade não somente do presidente Lula e da família Bolsonaro, mas também de governadores, prefeitos, parlamentares, magistrados, ministros do Supremo e diretores do Banco Central, de repente o banqueiro fraudador encontrou uma pessoa honrada. E era justamente uma jornalista.

Foi o que bastou para destruir o maior esquema de corrupção já montado no Brasil desde o escândalo da Petrobras, que ficou conhecido como Lava Jato. E isso só aconteceu porque Malu Gaspar sabe honrar a profissão que escolheu.

AQUI NA TRIBUNA – É preciso destacar que a excepcional repórter conseguiu destruir o esquema do Master apesar de trabalhar em O Globo, um jornal que apoia todos os governos e não incentiva a publicação de denúncias que atinjam as elites dos três Poderes e do setor empresarial. Mas ela soube contornar as dificuldades e publicam as gravíssimas revelações.

Na verdade, os jornalistas carecem de veículos em que possam fazer denúncias livremente, como a Tribuna da Internet. Desde 2009 estamos circulando diariamente, publicando reportagens próprias e de outros veículos de comunicação, e não fomos processos. Todas as informações eram verdadeiras.

Em minha carreira, que vai completar 60 anos em dezembro, somente fui processado quatro vezes – pela Mitra Diocesana do Rio (corrupção nas obras da Catedral), pela indústria Bayer, (morte de operário na linha de produção), pelo empresário, armador e banqueiro José Carlos Fragoso Pires (crimes do colarinho branco); e pelo Partido Verde (desvio do Fundo Partidário). Em todos os processos, fui inocentado.

BALANÇO DE JUNHO – Como fazemos todos os meses, vamos divulgar o balanço das contribuições feitas por comentaristas deste blog. De início, os depósitos na Caixa Econômica Federal:

DIA  REGISTRO   OPERAÇÃO                 VALOR
03    031145       DEP. DIN. LOTERIA…..100,00
11    111551       DEP. DIN. LOTERIA…..200,00
11    021100       DEP. DIN. AGENCIA……76,14
19    191346       DEP. DIN. LOTERIA…..100,00
23    231506       DEP. DIN. LOTERIA…..200,00

Agora, as contribuições feitas no Banco Itaú/Unibanco:

01    PIX TRANSF JOSE FR01/06………..150,00
01    PIX TRANSF PAULO R01/06……….100,00
02    TED 001.5977.JOSE A P J…………..352,06
15    TED 001.4416.MARIO ACRO……..300,00
30    TED 033.3591.ROBERTO SD………200,00

Agradecendo muito as contribuições que nos permitem exercitar diariamente essas utopias de imprensa livre, de democracia e de civilização, lembramos aqui na Tribuna que o exemplo de Malu Gaspar precisa ser seguido em todas as redações. (C.N.)           

Aos poucos, o STF tornou-se um tribunal que envergonha o país perante o mundo

Tribuna da Internet | Melhor código de ética para o STF é apenas “tomar vergonha na cara”

Charge do Duke (Arquivo Google)

Carlos Newton

Como acontece em todo órgão colegiado, sempre houve disputas entre grupos de ministros no Supremo Tribunal Federal. Isso ocorre desde sua criação, em 1891, em projeto desenvolvido por Ruy Barbosa, que esteve nos Estados Unidos e se baseou na Suprema Corte norte-americana. Essas divisões são absolutamente normais e democráticas, mas somente existe respeito a opiniões divergentes e a lei é estritamente obedecida.

Nessa já longa trajetória do STF, houve também interferências políticas e ideológicas, como aconteceu na ditadura de Getúlio Vargas e no regime militar de 1964, que foram períodos de exceção.

CORPORATIVISMO – Nos últimos tempos, mesmo em regime democrático, a situação mudou bastante, porque o STF passou a cultivar uma tendência corporativa tão forte que chegou ao ponto de interpretar as leis segundo coordenadas político-partidárias, de acordo com cada situação em julgamento.

Esse corporativismo, que começou lá atrás, na fase da Operação Lava Jato, nada tem de democrático, porque não respeita as leis vigentes e as modifica a bel prazer, mesmo que se trate de norma jurídica de alcance universal.

A primeira infração nesse nível ocorreu em 2019, sob presidência de Dias Toffoli. Para libertar seu amigo Lula, o ministro conseguiu aprovar a proibição de cumprimento de pena de prisão para condenados em segunda e terceira instâncias, um absurdo jurídico que não existe em nenhuma nação da ONU.

LULA LIBERTADO – Dois anos depois, para possibilitar a candidatura de Lula, em 2021 o relator da Lava Jato, Edson Fachin, comandou a anulação de todas as condenações do político petista, sob argumento de que ele não poderia ter sido julgado em Curitiba, pois morava em Brasília à época dos crimes.

O STF criou assim a “incompetência territorial absoluta”, norma jurídica que também não existe em qualquer país das Nações Unidas. E, de lá para cá, os ministros nunca mais pararam de adaptar as leis às suas necessidades.

Recentemente, eles consideram como “terroristas” cerca de 1,6 mil pessoas, que depredaram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023 ou se envolveram no planejamento do golpe de estado no ano anterior.

MUITAS ABERRAÇÕES – As decisões do STF foram tão grotescas que estarão para sempre destacadas na História do Direito Universal. São  aberrações inacreditáveis, como considerar que “planejamento” possa significar “tentativa”. Além disso, para aumentar artificialmente as penas, supostos crimes foram duplicados, embora fossem excludentes entre si.

Assim, esses 1,6 mil réus foram condenados simultaneamente por “tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito” e também por “golpe de Estado”, além de “dano qualificado ao patrimônio da União” e “deterioração de patrimônio tombado”, que são crimes excludentes. Ou se pratica um ou o outro, jamais os dois, ao mesmo tempo.

Para culminar, o STF puniu por “associação criminosa armada” cerca de 1,6 mil pessoas que nem se conheciam e jamais portaram armas, à exceção dos militares incriminados pelo planejamento do golpe, embora planejar não constitua crime, repita-se, em nome da verdade.

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P.S.
Surgem perguntas que não querem calar. O que ganharam os ministros e o próprio Supremo com essas aberrações jurídicas? E o que o país ganhou com isso. Nada, rigorosamente nada. Tudo seria fácil e proveitoso se o STF se limitasse a cumprir as leis, com seus ministros lembrando que, ao tomar posse, assumiram o seguinte compromisso: “Prometo bem e fielmente cumprir os deveres do cargo de Ministro do Supremo Tribunal Federal, em conformidade com a Constituição e as leis da República”. Palavras, porém, são apenas palavras, e podem sem ser levadas pelo vento. (C.N.)

Em matéria de cinismo, Davi Alcolumbre consegue rivalizar até mesmo com Lula…

Davi Alcolumbre anunciou que o Senado acionará o STF para defender as  prerrogativas parlamentares de Jaques Wagner (PT-BA), investigado na  Operação Compliance Zero. Segundo o presidente da Casa, medidas judiciais  comprometeram o

Wagner foi ao plenário de óculos escuros para não ser reconhecido

Carlos Newton

Os pecados capitais – que sintetizam a doutrina moral do Cristianismo na classificação de vícios e comportamentos prejudiciais que dão origem a outros pecados – originalmente eram oito, porque incluíam a melancolia. Com o passar do tempo, as lideranças católicas decidiram fundir a melancolia com a preguiça, e assim os pecados foram reduzidos a sete – soberba, avareza, inveja, luxúria, gula, ira e preguiça.

Rever essa lista de maus comportamentos sociais nos dá a certeza absoluta de que os sete pecados capitais foram adotados na atualidade como programa dogmático dos principais políticos brasileiros.

RETROCESSO – O desenvolvimento tecnológico e social mostra que existe uma dinâmica em busca de aprimorar os relacionamentos humanos. Ou seja, cada nova geração deveria ser melhor do que a anterior. Mas não é isso que se vê na prática. Em determinadas nações podem ocorrer fenômenos de retrocesso social, que parece ser atualmente o caso do Brasil.

No século passado, entre 1930 e 1980, éramos felizes e não sabíamos, porque o Brasil se tornou o nação com maior crescimento do PIB, acredite se quiser. Foi a época do chamado “milagre brasileiro”, que levou o país a figurar como sétima economia mundial.

Depois disso, os pecados mortais se popularizaram nas elites nacionais de tal forma que sobreveio o retrocesso, com a favelização das grandes cidades, a corrupção política e empresarial, o surgimento das facções e milícias, a educação precária, a insegurança reinante e tudo o mais.

OUTRO PECADO – Como temos mania de grandeza e até costumamos dizer que Deus é brasileiro, nossas elites fizeram questão de cultivar mais um pecado que deveria ser considerado capital – o cinismo.

Na classe política, então, o cinismo está sendo cultivado em todo o seu esplendor, a ponto de o presidente da República proclamar-se o homem mais honesto do país, apesar de condenado em cinco processos por corrupção e lavagem de dinheiro, sempre por unanimidade, tendo cumprido 580 dias de cadeia: “Não tem nesse país uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, do Ministério Público, da Igreja Católica, da Igreja Evangélica, nem dentro do sindicato. Pode ter igual, mas eu duvido”.

Lula teve coragem de dizer essa insanidade, mas não conseguiu responder às denúncias sobre sua atuação como agente da ditadura militar, infiltrado no sindicalismo, feitas por diferentes autores, como Romeu Tuma Jr., Mário Garnero, José Nêumanne, Claudio Tognolli, Ivo Patarra, Duda Teixeira, Gabriel Magalhães e outros mais.

ATRÁS DO CINISMO – Além de não responder a nenhuma das acusações, Lula jamais processou nem processará nenhum de seus muitos biógrafos.  Preferiu se esconder atrás do cinismo.

Bem, se fosse uma característica apenas de Lula, seria até compreensível. Era pobre, jamais leu um livro etc. e tal. Mas e os outros? O que explica que corrupção, favorecimentos e penduricalhos dominem tão amplamente as consciências das elites, a ponto de os reajustes salariais serem concedidos na mesma proporção?

Assim, quando um trabalhador de salário mínimo ganha 10%, a remuneração dele aumenta apenas RS 162,10, enquanto quem já ganha o teto tem reajuste de R$ 4.636,62. Com isso, a desigualdade social cresce desgovernada, e ainda chamam isso de democracia…

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P.S. 1
Quanto ao cinismo, tornou-se marca registrada da realidade brasileira. Nesta terça-feira, dia 30, o show foi no Senado, com o corruptíssimo Davi Alcolumbre pregando a inocência de Jaques Wagner, aquele que não leva dólares e euros na cueca, prefere guardá-los em pilhas, para apreciá-los no recesso do luxuoso lar de ex-sindicalista.

P.S. 2Disse Alcolumbre: “Este país aqui está condenando todas as pessoas antes de a investigação ser concluída e antes de o mérito da investigação ser concluído, sem dar o processo de ampla defesa e o contraditório para todos os brasileiros”. Assim, em matéria de cinismo, Alcolumbre quase se iguala a Lula e merece, pelo menos, o Oscar de Coadjuvante.

P.S. 3 – Wagner também é um caso à parte. A Polícia encontrou 55 mil dólares e 33,5 mil euros. Ele disse que eram” sobras de diárias” que guardava em “envelopes do Senado”. Mas os agentes federais só acharam as notas, não havia um só envelope… (C.N.)

Caiado cai na armadilha de Kassab e desfaz sua parceria com Romeu Zema

Dois homens sentados lado a lado em ambiente interno, ambos vestindo ternos azuis e camisas brancas. O homem à esquerda tem cabelo branco e sorri levemente, enquanto o homem à direita, com cabelo escuro, também sorri e está próximo a um microfone.

Afinal, por que Caiado decidiu aceitar Kassab como vice?

Carlos Newton

Como ensinava o filósofo espanhol Ortega Y Gasset, a vida e a política são construídas pelas circunstâncias. As peças vão se movendo e se interconectando, ao formar mosaicos e criar destinos, mesclando situações, independentemente dos partidos ou da dicotomia direita e esquerda.

No caso do pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD), sua principal circunstância chama-se Gilberto Kassab, que é fundador e proprietário da nova versão do PSD, a legenda que Getúlio Vargas criou em 1945 para lançar a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra e depois seria novamente vitoriosa com Juscelino Kubitschek em 1955.

ALIANÇA COM ZEMA – Na atual eleição, o novo PSD tinha três governadores pré-candidatos à Presidência – Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS). Os três foram embromados por Kassab de tal forma que Ratinho e Leite desistiram e vão ficar fora da política, porque não deixaram os cargos no prazo legal e não podem mais se candidatar.

Sobrou Caiado, que recentemente fez um acordo com outro pré-candidato, o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), para se unirem numa só chapa a partir de agosto.

Kassab não gostou nada, porque essa aliança aumentaria as chances de Caiado. Fez o possível e o impossível para boicotar o acordo, a tal ponto que Caiado enfim decidiu aceitá-lo como vice numa chapa “puro sangue”.

KASSAB NA CHAPA – Sem alternativa, Caiado anuncia nesta quarta-feira, dia 1º, a participação de Kassab, que na verdade é como o radialista Abelardo Barbosa, o Chacrinha, e não veio para somar forças, mas apenas para confundir.

A princípio, Kassab não pretende que Caiado ganhe a eleição, porque poderia dominar o PSD e tirá-lo da presidência do partido, que mantém o enriquecimento ilícito e o poder político de Kassab, que desde 2011 vive por conta do partido, que lhe garante cargos de secretário de Estado e até de ministro.

A candidatura a vice parece não ter força para mudar a circunstância de Kassab, cuja estratégia sempre foi deixar de ter candidato no primeiro turno e depois apoiar o vencedor da eleição e se beneficiar com a participação no governo e a nomeação dele próprio e de seus indicados.

E CAIADO? – Bem, mesmo tendo de aturar essa candidatura a vice, que deveria somar, mas pretende dividir, Ronaldo Caiado vai seguir em frente. As pesquisas são desanimadoras, mas em meados de junho surgiu um levantamento do Instituto Alfa Inteligência, que lhe deu 7% das intenções de voto e outros 7% para Zema. Somados, eles chegariam a 14% e transformariam a terceira via numa realidade palpável.

De toda forma, para ter alguma chance, Caiado precisa assumir uma estratégia mais direta e esclarecedora. Primeiro, explicar que sua família comanda Goiás desde o Século 18. Seus antecessores Antônio José Caiado, Totó Caiado, Brasil Ramos Caiado e Leonino Caiado governaram Goiás.  Seu tio Emival Ramos Caiado, como senador, foi um dos líderes da campanha de JK para construir Brasília.

Em miúdos, Ronaldo Caiado é político desde sempre, e seu lema de campanha poderia ser algo assim “Vote no menos pior, aquele que não precisa roubar, porque já nasceu rico e se orgulha de trabalhar pelo Brasil”. Apenas isso.

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P.S. 1 –
Será que Lula da Silva e Flávio Bolsonaro podem utilizar algum lema de campanha desse tipo? Claro que não… O passado dos dois é tão sujo que não há como limpar. Ambos nasceram pobres, mas as famílias enriqueceram fazendo política, o que não deixa de ser uma importante circunstância.

P. S. 2Por fim, pode haver outra explicação para Kassab querer se tornar vice. Talvez as chamadas pesquisas internas, feitas pelos próprios partidos, já estejam demonstrando que Caiado vem subindo nas intenções de voto, o que seria uma nova circunstância, realmente espetacular. (C.N.)

Flávio Bolsonaro demonstra não ter o menor preparo para se tornar presidente

CHARGE – Blog do Cardosinho

Charge do Fr@nk (Arquivo Google)

Carlos Newton

Há diversas versões sobre a briga entre herdeiros de Jair Bolsonaro ainda em vida, que é tão espetacular quanto a disputa na família de Chico Anysio. No caso da discórdia que afeta a eleição, uma das informações é de que tudo começou lá atrás, quando o ex-presidente anunciou que o filho Flávio seria o nome da família para concorrer à Presidência.

Os outros dois legatários, Eduardo e Michelle não gostaram nada, porque ambicionavam a cabeça de chapa e não foram comunicados previamente sobre os motivos da escolha.

OUTRAS VERSÕES – Uma segunda versão diz que a atitude de Michelle, divulgando um vídeo agressivo e tudo o mais, foi determinada pelo próprio Bolsonaro, para tentar preservar a família do escândalo que ainda está por vir, devido às relações de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, com detalhes explosivos, ainda não revelados.

Essa versão é radical, porque revela que Boldonaro estaria disposto a detonar a candidatura de Flávio, o que significaria apoiar a própria Michelle ou algum candidato de outro partido, como Ronaldo Caiado (PSD), com quem o ex-presidente sempre teve excelentes relações.

Há também uma terceira versão, lembrando que enteado e madrasta jamais tiveram um convívio amistosa, Flávio se sentiu o máximo com a indicação feita pelo pai e não tentou prestigiar ao máximo a candidatura de Michelle ao Senado no Distrito Federal, para evitar problemas de relacionamento na família.

ENTREGUISTA – Seja qual for a versão verdadeira, já nem importa mais. O fato concreto é que Flávio Bolsonaro acaba de abalar a própria candidatura, ao enviar mensagem a Marco Rubio, secretário norte-americano de Estado, agradecendo o fato de os Estados Unidos considerem como terroristas as fações CV e PCC, além de colocar à disposição do governo dos Estados Unidos sua equipe de transição, caso seja eleito, para negociar acordos comercias com os EUA.

Portanto, Flávio Bolsonaro adiantou que se portará como um presidente entreguista, como se dizia antigamente, que se mostra disposto a permitir interferência externa em assuntos internos.

Em poucas e mal traçadas linhas, o candidato mostrou que não pode ser confiável às classes produtoras agrícolas, comerciais e de serviços, além de perder apoio da Faria Lima, pois defender o Brasil não significa se rebaixar perante os Estados Unidos.

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P.S.
Se for verdadeira a versão de que Bolsonaro está convicto de que errou ao indicar Flávio à Presidência, o melhor que o ex-presidente poderia fazer é apoiar o candidato Ronaldo Caiado, que sem dúvida é o menos ruim entre os 14 pré-candidatos já lançados. Mas quem se interessa?  (C.N.)

Desse jeito, o retranqueiro Ancelotti vai levar à loucura os torcedores brasileiros

Endrick diz que sentiu 'leveza impressionante' em 1ª vez no Bernabéu

Endrick entrou e mudou totalmente o desenrolar do jogo

Carlos Newton

O Brasil já ganhou duas copas com treinadores retranqueiros – Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari – e essa realidade demonstra que o fator sorte também pode ser decisivo. De qualquer forma, quando a torcida começa a vaiar o técnico e chamá-lo de burro, como já é o caso de Carlo Ancelotti, isso significa que tem algo errado na condução da equipe.

Como sempre acontece, em matéria de craques, a seleção do Brasil não fica a dever a nenhuma outra. O problema é a escalação. O retranqueiro Ancelotti fez questão de convocar veteranos que conhece de outros carnavais na Europa e montou uma defesa fraca, porque não ataca.

AMIGO DANILO – Devido à contusão de Wesley, ficou sem opção na lateral direita e escalou o amigo Danilo, que é reserva no Flamengo, uma equipe que tem uma das melhores defesas e foi vice-campeão mundial perdendo nos pênaltis contra o PSG, base da seleção francesa.

O agora lateral Danilo, que não viu a bola em nenhum dos jogos e apenas teve uma iluminação no lançamento para Casemiro fazer o primeiro gol, foi justamente ele quem deu o passe errado ao atacante japonês Sano, que chutou de fora da área e abriu o placar. Detalhe: o goleiro Alisson, que não inspira muita confiança, estava mal colocado no lance.

O central Marquinhos, outro protegido de Ancelotti, também errou um passe que possibilitou um perigoso ataque japonês, mas felizmente não saiu gol.

OUTRAS NULIDADES – Do lado esquerdo, Gabriel Magalhães jamais será melhor do que Léo Pereira, que sabe avançar, bate faltas à perfeição e faz gols. E o lateral Douglas Santos é um apagão e até hoje ninguém sabe por que tem sido escalado.

No segundo tempo, com Endrick no lugar de Paquetá e Martinelli substituindo Matheus Cunha, o jogo mudou de figura e ficou fácil, o Brasil deu um baile. Se Neymar tivesse entrado, ficaria mais fácil ainda.

Agora vamos aguardar o próximo adversário. Podemos ganhar o hexa, não há dúvida, mas Ancelotti vai levar os torcedores brasileiros à loucura, porque aqui sempre queremos que os melhores sejam escalados.  E haja Rivotril.

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P.S. 1 – Se Ancelotti tiver juízo e escalar no ataque Vini Jr, Endrick e Luiz Henrique, com Neymar entrando no segundo tempo, quem irá à loucura são os times adversários.

P.S. 1 –Já ia esquecendo: Casemiro, mais uma vez, não jogou nada. Ficou naqueles passinhos para os lados, no dois pra cá, dois pra lá, em homenagem à Elis Regina. Só fez o gol, e por isso foi escolhido o melhor do jogo pelos gênios da TV Globo. O melhor em campo foi Bruno Guimarães.  (C.N.)

Supremo não surpreende ao “reaprovar” penduricalhos que ele próprio permitiu

Tribuna da Internet | Ministros do Supremo festejaram seu pior Natal de todo os tempos

Charge do Zappa (humortadela)

Carlos Newton

A imprensa finge se surpreender com a notícia de que Supremo Tribunal Federal formou maioria para liberar o pagamento de penduricalhos retroativos, destinados a engordar os contracheques de juízes, procuradores e promotores do Ministério Público.

Com o voto do ministro Luiz Fux durante julgamento virtual neste sábado (27), o placar está 5 votos a 0 pela liberação. Mas será que alguém esperava outra posição de Fux? Claro que não.

AUXÍLIO-MORADIA – Foi justamente Fux o ministro que, em 15 de setembro de 2014, proferiu decisão liminar que assegurou direito ao auxílio-moradia a todos os juízes federais em atividade no país.

Mesmo com esse pecado original de ter sido o grande incentivador dos penduricalhos, Fux deve ser reconhecido como maior (ou único) jurista da atual leva de ministros. Realmente, ele fez carreira brilhante como advogado, professor universitário e juiz, tornando-se o maior civilista brasileiro, principal responsável pela reforma do Código de Processo Civil, apelidado de “Código do Fux”.

Até permitir o escabroso auxílio-moradia, o currículo de Fux só tinha uma mancha – o esforço extraordinário que fez para a filha ser nomeada desembargadora no Tribunal do Rio de Janeiro.

CARREIRA ADMIRÁVEL – Penduricalhos à parte,  Fux estava fazendo uma carreira admirável no Supremo, votando sempre na forma da lei. Assim, foi contra a libertação do presidiário Lula da Silva em 2019, depois foi voto vencido também na anulação das condenações do político petista em 2021.

Em todas as ocasiões, somente escorregou ao aprovar o penduricalho inicial; ao permitir que o filho abrisse um escritório de advocacia em Brasília; e ao votar a favor daquelas penas absurdas que o relator Alexandre de Moraes conseguiu ilegalmente impor aos envolvidos no 8 de Janeiro, ao “duplicar” leis e inventar a “formação de quadrilha armada” por pessoas que nem se conheciam e jamais portaram armas.

Fux só viria a se arrepender na chamada undécima hora, no final de 2025, quando percebeu que esses julgamentos políticos precisavam ter fim, e então redigiu uma obra volumosa – as 429 páginas de seu voto pela absolvição de Bolsonaro na Primeira Turma.

PENDURICALHOS – Agora, Fux vota novamente a favor dos penduricalhos e acompanha os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin, Edson Fachin e Flávio Dino, que propuseram limite de 35% do teto salarial para o pagamento das chamadas “indenizações”, termo utilizado para criar novos penduricalhos, a pretexto de excesso de trabalho.

Quanto à qualificação de Fux como melhor integrante do STF, essa menção agora é ameaçada por dois ministros que nunca tiveram notório saber nem reputação ilibada, até porque eram praticamente desconhecidos – Nunes Marques e André Mendonça, que têm votado sempre na forma da lei. No entanto, se aprovarem os penduricalhos, também entrarão no bloco dos sujos, é claro.

O julgamento virtual segue até esta terça-feira (30), mas os penduricalhos já estão vergonhosamente aprovados, porque empate de 5 a 5 beneficia o réu.

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P.S.
No Japão, ocorre justamente o contrário. Lá os juízes não ganham altos salários e os tribunais mantêm alojamentos com quitinetes para abrigar os que ainda não possuem casa própria. Os magistrados também não têm salas próprias, trabalham junto com os escrivães. Mas quem se interessa? (C.N.)

Brasil precisa de um presidente que saiba como enfrentar Trump e Macron

Trump threatens 100% tariffs on wine if France won't drop tech tax | Mashable

Macron e Trump querem boicotar o agronegócio brasileiro

Carlos Newton

Deitado eternamente em berço esplêndido, o Brasil precisa desesperadamente de um governante que consiga entender o jogo-duro da política internacional e os movimentos que fazem as grandes potências, como Estados Unidos, China e União Europeia. Existe um político com esse perfil, o ex-governador Tarcísio de Freitas, mas está fora de cogitações, descartado pela ignorância e presunção de Jair Bolsonaro.

Ao anunciar a candidatura do filho mais velho, que não tem o menor preparo para governar o país, o ex-presidente demonstrou total desprezo aos interesses nacionais e criou um problema de difícil solução.

DIGNIDADE – Mesmo sem o apoio de Bolsonaro, Tarcísio poderia ter saído candidato a Presidência, com grandes chances de vencer Lula da Silva e montar um governo de união nacional, como fez Itamar Franco (1992/1995), que era filiado ao PL e armou uma fortíssima base aliada, integrada por PMDB, PSDB, PFL, PSB, PTB, PDT, PDS, PPS e até PCdoB, ficando o PT praticamente isolado na Oposição.

Mas Tarcísio de Freitas é um homem honrado, coisa rara na política, e teve a dignidade de se mostrar agradecido a Bolsonaro, que o nomeou ministro da Infraestrutura e depois bancou a candidatura dele a governador de São Paulo.

Mas agora é tarde e o Brasil está imobilizado pela sinistra e deletéria polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, dois perdidos numa política suja, como diria o ator, diretor e dramaturgo Plínio Marcos. E nenhum dos dois tem condições de defender os interesses do Brasil, que está sob forte ataque no xadrez da política internacional.

TESE DE TRUMP – O presidente Donald Trump quer eleger Flávio Bolsonaro porque será um serviçal dos EUA, enquanto Lula é um político que poderá atrapalhar bastante os interesses norte-americanos, ao se ligar ainda mais à China.

O déficit comercial dos Estados Unidos com a China é de US$ 300 bilhões. Os americanos importam muito mais produtos manufaturados e eletrônicos do que exportam para o mercado chinês, negociando principalmente produtos agrícolas, matérias-primas e produtos industriais, como aeronaves e componentes para linhas de produção.

Em queda nas pesquisas e com rejeição crescente, Trump pode levar à derrota o Partido Republicano em novembro, quando serão eleitos os 435 membros da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e muitos governadores, prefeitos, legisladores estaduais e autoridades locais.

TARIFAÇOS –  Para tentar reduzir esse déficit e proteger a indústria local, a administração norte-americana tem adotado diversas medidas, especialmente os tarifaços nas importações e os subsídios ao setor agrícola, os chineses fazem o mesmo e a Europa também é cada vez mais protecionista, liderada pelo francês Emmanuel Macron.

Em meio a essa intrincada crise, o próximo presidente brasileiro precisa saber se equilibrar para defender os interesses nacionais. Os principais candidatos — Lula e Flávio — são totalmente despreparados. Os outros 12 candidatos também são decepcionantes.

O menos ruim, digamos assim, é o ex-governador Ronado Caiado, mas sua candidatura demora a decolar, porque é boicotada pelo próprio presidente do PSD, Gilberto Kassab, que age como dono do partido e não admite que surja alguma liderança que possa destroná-lo.

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P.S.Este ainda é o retrato da política brasileira, polarizada entre Lula, líder sem herdeiros, e Bolsonaro, líder com herdeiros abaixo da crítica. Pode ser que Caiado desponte, mas está difícil. Essa situação faz lembrar a velha piada de que o Brasil só cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. (C.N.)  

Pesquisas independentes contestam a liderança absoluta de Lula na campanha

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: Labirinto das pesquisas

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Carlos Newton

Temos afirmado aqui na Tribuna da Internet que as pesquisas eleitorais no Brasil não merecem confiabilidade, porque a compra e venda de resultados tornou-se um dos melhores negócios do momento. Para confirmar essa denúncia, basta fazer uma comparação entre os últimos levantamentos dos institutos, que gostam de ser chamados assim, vá lá.

Como todos sabem, a imprensa segue as pesquisas como se fossem previsões de Zaratustra, o célebre profeta grego que o filósofo Nietzsche e o psiquiatra Jung gostavam de citar, misturando chiclete com banana. Mas o que há de manipulações nas pesquisas não é brincadeira, num excelente negócio que movimenta milhões de reais por semana.

DOIS TIPOS – A melhor comparação a ser feita é entre as pesquisas que são patrocinadas por alguma entidade ou empresa e as que são bancadas pelos próprios institutos.

Nas duas últimas semanas, surgiram importantes levantamentos sem patrocinador, que entram em choque com os resultados das pesquisas encomendadas, digamos assim, que sempre colocam Lula da Silva ou Flávio Bolsonaro ganhando todos os demais em qualquer turno, com grande facilidade.

Mas como isso pode acontecer se Lula e Flávio são repudiados em todas as pesquisas, inclusive as patrocinadas, como a Datafolha, em que o atual presidente é rejeitado por 46% dos eleitores e o rival chega a 48%?

ALTÍSSIMA REJEIÇÃO – Nas pesquisas sem patrocínio, a rejeição a Lula dispara, como no levantamento do instituto francês Ipsos-Ipec, um dos maiores do mundo, em que 56% dos brasileiros não confiam em Lula.

Nesta quinta-feira, dia 25, a Pesquisa Poder360, também sem patrocinador, aponta que Lula caiu para empate técnico no segundo turno contra quatro candidatos – Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e até Joaquim Barbosa, que mal entrou em cena.

Um resultado semelhante é indicado pelo instituto Gerp, também sem patrocínio, que traz Flávio Bolsonaro à frente de Lula, com empate técnico do petista em relação a Caiado (39% a 38%) e também a Zema (39% a 36%).

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P.S.
Fica claro, portanto, que existe uma diferença básica entre as pesquisas com ou sem patrocínio. Não há como provar que exista manipulação, mas os indícios são muito consistentes. Quando a Copa acabar, as manipulações vão diminuir, porém não há como evitá-las. O TSE está até tentando regulamentar as pesquisas, porém é muito difícil,  porque vivemos num país livre, e a liberdade tem suas esquisitices, digamos assim. (C.N.)

EUA e a Europa, ao boicotar o Brasil, obrigam Lula a se aproximar da China

Trump revela mensagem de Macron em ofensiva pré-Davos - Bloomberg

Macron e Trump tentam boicotar as exportações do Brasil

Carlos Newton

Os militares ficaram ditatorialmente no poder por 21 anos. Fizeram muita coisa errada, especialmente ao torturar e matar os opositores do regime. Mas fizeram também muita coisa boa, em termos de energia, telecomunicações e rodovias, que alavancaram um invulgar desenvolvimento, chamado à época de milagre brasileiro, e chegamos a ser o país com maior crescimento do PIB no século passado, entre 1930 e 1980, acredite se quiser.

O feito mais importante da ditadura, porém, foi a criação da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) pelo mais jovem ministro do país, Luiz Fernando Cirne Lima, que assumiu o cargo com apenas 36 anos.

CIRNE LIMA – Engenheiro agrônomo formado em Porto Alegre, Cirne Lima fez especialização nos Estados Unidos e na Argentina. Conduzia as fazendas da família e em 1968 tornou-se presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul.

Em 1969, foi nomeado ministro da Agricultura pelo presidente Garrastazu Médici, que lhe pediu sugestões para ocupar o cerrado do Centro Oeste e também o entorno da Amazônia, áreas que o governo pretendia colonizar.

Cirne Lima sabia que especialistas brasileiros estudavam como desenvolver a agricultura brasileira, através da ABCAR (Associação Brasileira de Crédito e Assistência Rural).

ESPECIALISTAS – Os líderes da iniciativa eram o sociólogo José Pastore; o professor Fernando Rocha, da Faculdade de Agronomia de Viçosa; e os agrônomos Renato Simplício Lopes e Eliseu Alves, que trabalham na ACAR-Minas.

Liderados pelo jovem ministro Cirne Lima, em 1973 esse grupo implantou a Embrapa, que viria a revolucionar a agricultura e conseguir tornar o Brasil o maior exportador de alimentos.

Devido à extensão das áreas agricultáveis, à abundância de água para irrigação e às condições de luminosidade, que permitem seguidas safras em várias culturas, tudo indica que o Brasil logo se tornará o maior produtor mundial, superando os concorrentes EUA, China e Índia.

BOICOTE AO BRASIL – Como não conseguem enfrentar a produtividade brasileira, Estados Unidos e União Europeia estão boicotando abertamente o Brasil. E isso não tem nada a ver com ideologia, direita ou esquerda.

O americano Donald Trump está prejudicando o Brasil propositadamente, e o francês Emmanuel Macron segue o mesmo caminho. Em sua ignorância, Lula não entende essas jogadas da política internacional, que estão afetando os exportadores brasileiros.

Portanto, não importa se o vencedor da eleição for Lula da Silva, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema ou Joaquim Barbosa. Qualquer um deles terá de se aproximar cada vez mais do grupo dos Brics, em defesa da economia brasileira, ligando-se especialmente à China e à Rússia, pois a Índia é nossa rival na exportação de alimentos.

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P.S. 1 –
A situação é inquietante, e Trump acaba de visitar a China, na tentativa de aumentar as exportações. Se Lula tivesse mais jogo de cintura, saberia atender a gregos e troianos, como se dizia antigamente. Mas desde sempre ele insiste em apoiar ditaduras sinistras, como Cuba, Venezuela, Nicarágua e Irã, agindo contra os interesses dos Estados Unidos. E assim a situação tende a se complicar ainda mais.

P.S. 2Se Flávio Bolsonaro vencer a eleição, vai virar as costas aos Brics e entregar o país aos EUA, porque ele consegue ser mais ignorante do que Lula. E o resto é folclore, como dizia Sebastião Nery. (C.N.)

Defesa da AGU no processo contra Moraes nos EUA tem argumentos inviáveis

Justiça dos EUA autoriza AGU a atuar em ação de empresa de Trump contra Moraes | Jovem Pan

Moraes pensou que poderia dar ordens à Justiça dos EUA

Carlos Newton

No processo movido nos Estados Unidos pelas empresas Rumble e Trump Media contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a atuação da Advocacia-Geral da União está necessitando de tradução simultânea.

Em nota oficial,  a AGU anunciou nesta terça-feira (23) “uma importante vitória”, mas já era esperado que a juíza federal Mary Scriven aceitasse a participação da AGU na condição de “terceiro interessado”, por se tratar de ação judicial contra integrante da Suprema Corte de uma nação que desde sempre mantém relações diplomáticas com os Estados Unidos.

SERIA GRAVE ERRO – Em qualquer país, raramente os tribunais recusam a participação de ”terceiro interessado”, porque essa decisão pode configurar cerceamento de defesa. Além do mais, nesse caso específico, desconhecer o direito de participação da AGU no processo seria também um grave erro diplomático.

A ação judicial aberta na Flórida é sui generis. Acredita-se que nunca houve nada igual. Justamente por isso, a juíza resolveu admitir a intervenção do governo brasileiro na ação judicial e suspendeu o exame da revelia contra Moraes, solicitada pelas empresas americanas que o processam.

A ação agora entra em nova fase – a réplica. Ou seja, as empresas Rumble e Media Trump têm prazo até 7 de julho para responder aos argumentos da defesa apresentada pela AGU.

VAI A JULGAMENTO – Em seguida, se não houver apresentação de novas provas, que podem ser refutadas ou não, o processo fica concluso para julgamento e a juíza vai apresentar sua decisão de primeira instância.

Nesta terça-feira, a AGU distribuiu à imprensa um texto comemorativo, como se fosse “uma importante vitória” o recebimento de sua contestação pela Vara na Flórida. Porém, não foi tanto assim. A juíza Mary Scriven apenas cumpriu a praxe processual.

Na verdade, a defesa de Moraes, que apresentada pelo escritório norte-americano Foley Hoag LLP, contratado pela AGU, apresentou uma contestação genérica e pouco consistente, com base apenas na questão da soberania nacional.

ARGUMENTO FRACO – A AGU sustentou que decisões judiciais do STF brasileiro não poderiam ser questionadas perante tribunais de outros países. Destacou que “a submissão de atos jurisdicionais soberanos à apreciação de cortes de outros países implica grave ofensa à imunidade de jurisdição, princípio consagrado no Direito Internacional e na legislação federal dos Estados Unidos, e pode representar uma ofensa à soberania nacional e à independência do Poder Judiciário brasileiro”.

O argumento da AGU chega a ser infantil, porque a imunidade de jurisdição não é um princípio incontestável e nem deveria ser utilizado na caso em questão.

De acordo com a Teoria da Imunidade, vigente no Direito Internacional, a proteção às decisões do Supremo brasileiro não pode ser absoluta. Aliás, o próprio STF firmou jurisprudência de que atos ilícitos praticados por Estados estrangeiros que violem  os direitos humanos não possuem imunidade de jurisdição.

PONTO-CHAVE – A questão principal do processo é o fato de o ministro Alexandre de Moraes ter determinado que as plataformas de vídeo e as redes sociais americanas retirassem da web, nos Estados Unidos, as postagens já feitas por diversos opositores do atual governo brasileiro, e impedissem que fizessem novas inserções, o que configura censura prévia nos EUA.

Outro ponto-chave foi desrespeito aos direitos humanos, porque Moraes determinou a prisão desses opositores nos Estados Unidos e a extradição deles para o Brasil, decisões tão estapafúrdias que foram ignorada pelo FBI e pela Interpol.

Trocando em miúdos, a AGU ainda não tem motivos para comemorar a grande vitória, porque as empresas Rumble e Trump Media ainda vão expor seus motivos e apresentar provas adicionais, antes de haver o julgamento da questão.

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P.S.O problema de Moraes é o temperamento ditatorial. Ele até hoje não entendeu que não deveria ter determinado que a Justiça dos EUA cumprisse suas decisões emitidas em nome do Supremo. Ao contrário, ele apenas poderia ter informado os acontecimentos à Justiça americana e pedido as providências necessárias. Há uma diferença enorme entre pedir e exigir, mas o ministro não consegue fazer distinção entre uma coisa e outra. (C.N.)

É espantoso que ainda existam pessoas que acreditam nas pesquisas eleitorais

Pesquisas eleitorais - Espaço Vital

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Em países como o Brasil, as pesquisas eleitorais são um ramo promissor no setor de serviços, não há dúvida. O faturamento cresce a cada eleição, batendo seguidos recordes. Basta dizer que até maio deste ano, foram feitos mais de 700 levantamentos sobre perspectivas das eleições de outubro, com investimentos de R$ 40 milhões.

É muito dinheiro rolando por baixo da ponte que conduz ao poder. O TSE informa que 2024, foram realizadas 14 mil pesquisas, com gastos quase R$ 172 milhões em levantamentos sobre intenção de voto para os cargos de prefeitos e vereadores. Estas são apenas as pesquisas oficiais, registradas na Justiça Eleitoral, mas existem milhares de outras que são feitas por baixo do pano… e que até custam muito mais caro.

EXCITAÇÃO – A imprensa contribui generosamente para o sucesso comercial dos institutos, que gostam de serem chamados assim, e divulgam os resultados como se fossem infalíveis, oriundos do Oráculo de Delfos, centro religioso mais importante e reverenciado da Grécia Antiga, nas encostas do Monte Parnaso.

Mas a realidade não é bem assim, e a melhor definição de pesquisa é a que define essa atividade como “a arte de torturar os números até que eles confessem os resultados pretendidos”.

O fato concreto é que toda eleição é marcada por erros grotescos, em que os resultados das urnas têm sido absurdamente diversos daqueles apontados às vésperas da votação.

ERROS BIZARROS – Lembrem o que ocorreu em 2018 com a vitória de três azarões em Estados importantes – Romeu Zema em Minas Gerais, Wilson Witzel no Rio de Janeiro, e Carlos Moisés em Santa Catarina.

Os disparates foram ainda piores na disputa para o Senado, quando favoritos absolutos, indicados por todas as pesquisas, acabaram chegando em terceiro ou quarto lugar, como Dilma Rousseff em Minas Gerais, Eduardo Suplicy em São Paulo, Roberto Requião e Beto Richa no Paraná, ou José Fogaça no Rio Grande do Sul.

Em 2022, também houve muitas mancadas dos institutos. Tarcísio Freitas, por exemplo, venceu o primeiro turno com 7 pontos de vantagem sobre Fernando Haddad, que liderava amplamente as pesquisas.

MAIS VEXAMES – Foi mais uma sucessão de vexames. No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro foi reeleito no primeiro turno, embora as pesquisas indicassem que haveria segundo turno contra Marcelo Freixo.

Para o Senado foi um festival. No Paraná, Sergio Moro venceu e o favorito Alvaro Dias ficou em terceiro lugar; e no Espírito Santo, Magno Malta derrotou a líder Rose de Freitas.

Em São Paulo, o astronauta Marcos Pontes venceu o líder Márcio França com 13,5 pontos de vantagem; e no Rio Grande do Sul o general Hamilton Mourão, que estava derrotado nas pesquisas, elegeu-se senador.

DATAFOLHA – Vejam agora a nova pesquisa Datafolha. O respeitado instituto quer nos convencer de que, entre cada grupo de 1.784 pessoas que encontrarmos nas ruas e irão mesmo votar, cerca 80% delas vão votar em Lula ou Flávio Bolsonaro, e apenas 20% delas estariam dispostas a sufragar algum dos outros 12 candidatos alternativos. Somado aos brancos e nulos, esse total chegaria a menos de 26%.

Mas não é isso que as pesquisas apresentam no quesito rejeição. Bolsonaro é repudiado por 48% dos eleitores e Lula por 46%, no próprio Datafolha. E pesquisa mais recente, do Instituto Ipsos-Ipec, indica que 56% dos brasileiros não confiam em Lula.

Apenas uma pesquisa, feita pelo Alfa Inteligência, independente e sem patrocinador, indica Ronaldo Caiado e Romeu Zema com 7 pontos cada. Todas as demais jogam no abismo os dois candidatos alternativos. Por que será?

P.S. Os números precisam ser torturados com arte. Caso contrário, entregam em choque entre si. Nas regras da probabilidade, é praticamente impossível que candidatos vençam o pleito tendo 48% (Flávio) ou 46% (Lula) de rejeição. Isso só acontece se eles forem os vencedores do primeiro turno. Porque qualquer outro candidato, com menos rejeição, pode derrotá-los no segundo turno. Justamente por isso, as pesquisas precisam manter a polarização, a qualquer custo.  Pense sobre isso, antes de acreditar em pesquisas eleitorais num país corrupto como o Brasil. (C.N.)