José Dirceu incita conflito nas ruas como tentativa de se livrar novamente da cadeia 

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

O ex-ministro José Dirceu armou uma manobra desesperada ao conclamar a militância do Pt e seus aliados a promoverem uma “revolta” em Porto Alegre no dia 24 de janeiro, quando a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) irá julgar a apelação do ex-presidente Lula da Silva, contra sua condenação a 9 anos e meio de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro, no caso do tríplex do Guarujá.

À primeira vista, a radicalização do apelo de Dirceu parece ser voltada para garantir a candidatura de Lula à Presidência e salvar o PT de uma derrota eleitoral desmoralizante. No entanto, a ousada postura do ex-ministro esconde um objetivo pessoal – ele tenta criar uma situação de caos social para evitar que seja revogada sua prisão domiciliar, com sua consequente recondução à cadeia federal em Curitiba.

PRISÃO DOMICILIAR – Depois de um ano e nove meses preso na capital do Paraná, o ex-ministro ganhou o benefício da prisão domiciliar em maio, após sua defesa recorrer ao Supremo Tribunal Federal para que ele aguardasse em liberdade o julgamento do recurso na segunda instância.

Na Segunda Turma do STF, votaram pela soltura Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Ricardo Lewandowski. Os ministros Celso de Mello e Edson Fachin se manifestaram contrários à libertação. Ao desempatar e soltar Dirceu por 3 votos a 2, Gilmar Mendes classificou o gesto dos procuradores que atuam em Curitiba de uma “quase brincadeira juvenil” por tentarem pressionar o tribunal a manter o petista preso.

Em 26 de setembro, a situação se inverteu, pois  o TRF-4 confirmou por unanimidade (3 votos a 0) a sentença do juiz Sérgio Moro contra Dirceu e aumentou a pena para 30 anos e nove meses, por 2 votos a 1, em condenação de segunda instância.

SEM CHANCES – Embora seus advogados tenham decidido apresentar recurso de Embargos Infringentes, Dirceu sabe que se trata de uma aventura jurídica, sem a menor chance de prosperar, porque a condenação já está decidida e o novo julgamento apenas decidirá se a pena inicial de 20 anos e dez meses será aumentada ou não. Ou seja, os advogados apenas ganharam tempo, mas a volta do ex-ministro à cadeia é inexorável.

No desespero, Dirceu está convocando a militância do PT a comparecer a Porto Alegre para tumultuar o julgamento do ex-presidente Lula da Silva no TRF-4, dia 24 de janeiro. E sua mensagem é um grotesco apelo à guerra civil: “A hora é de ação não de palavras, transformar a fúria e revolta, a indignação e mesmo o ódio em energia, para a luta e o combate“, conclamou.

Denunciar, desmascarar e combater a fraude jurídica e o golpe político as ruas para ir às urnas e derrotar os inimigos da democracia da soberania do povo trabalhador e do Brasil“, acrescentou o ex-ministro, chamando a data do julgamento de “Dia da Revolta”.

TIRO PELA CULATRA – Não se sabe qual será a consequência desta ensandecida manobra de Dirceu, mas é certo que ele cometeu crimes incursos na Lei de Segurança Nacional:

       Art. 18 – Tentar impedir, com emprego de violência ou grave ameaça, o livre         exercício de qualquer dos Poderes da União ou dos Estados. Pena: reclusão,           de 2 a 6 anos.

       Art. 22 – Fazer, em público, propaganda: I – de processos violentos ou ilegais         para alteração da ordem política ou social. Pena: detenção, de 1 a 4 anos.

É claro que Dirceu vai responder a mais um processo, com agravante de ter cometido os crimes quando se encontrava em prisão domiciliar. Além disso, será novamente preso assim que for publicado o acórdão do TRF-4, confirmando sua condenação como transitada em julgado na segunda instância.

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P.S. – O que vai ocorrer em Porto Alegre é imprevisível – pode acontecer um grave confronto entre a Brigada gaúcha e os militantes, ou pode não acontecer nada, repetindo-se o fracasso da manifestação petista em Curitiba, quando Lula foi depor perante o juiz Sérgio Moro, dia 13 de setembro. (C.N.)

A miséria absoluta esmagada pela riqueza total, na visão realista de Peter Singer

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Singer é considerado o maior filósofo do mundo

Carlos Newton

Peter Albert David Singer tem 71 anos, nasceu na Austrália, filho de judeus vienenses. O pai era comerciante, e a mãe, médica. Três de seus avós morreram em campos de concentração nazistas. Um deles, David Ernst Oppenheim, seu avô materno, foi amigo de Sigmund Freud, com quem escreveu “Dreams in Folklore”, e do psicanalista e filósofo Alfred Adler.

Peter Singer e a sua irmã Joan foram educados em escolas laicas e ele desde cedo se desligou do judaísmo. Formou-se em Filosofia e tem uma magnífica carreira. Ex-Oxford e ex-Nova York, atualmente divide-se entre duas outras universidades, a de Princeton, nos Estados Unidos, e a de Melbourne, na Austrália. Singer é um exemplo de intelectual engajado, pois mantém uma sólida produção acadêmica associada a um intenso ativismo social, em defesa dos pobres e do meio ambiente.

Desde sempre, tem sido um incansável crítico das desigualdades sociais e foi considerado uma das pessoas mais influentes do mundo, pela revista Time, e como o filósofo vivo de maior repercussão, pela revista New Yorker. Seu engajamento social o levou a criar uma organização não governamental de auxílio aos extremamente necessitados, denominada “The Life You Can Save” (A Vida que Você Pode Salvar). Ele próprio doa um percentual significativo de seu salário para causas humanitárias.

Sempre atento ao contexto mundial, nosso amigo e articulista Mathias Erdtmann envia à “Tribuna da Internet” o mais recente artigo de Singer, que mostra o mundo enlouquecido e desigual em que estamos vivendo. 

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O HOMEM QUE NÃO SALVOU O MUNDO
Peter Singer

Mês passado, “Salvator Mundi”, o retrato que Leonardo da Vinci fez de Jesus como Salvador do mundo, foi vendido em um leilão por $400 milhões de dólares (mais que o dobro do recorde anterior para um trabalho de arte vendido em leilão). O comprador também teve que pagar taxas e comissões adicionais de $50,3 milhões de dólares. A pintura teve inúmeros retoques, e alguns especialistas questionam se é,  de fato, um Da Vinci.

O comprador – que muitos acreditam ser o príncipe coroado Saudita, Mohammed bin Salman, representado por um primo distante – pagou um preço altíssimo por uma pintura de um homem que disse a um homem rico: “Vai, vende teus bens, dá o dinheiro aos pobres, e terás o tesouro no céu”. Isto torna relevante a pergunta: O que alguém conseguiria fazer disponibilizando $ 450 milhões de dólares para os pobres?

A visão de 9 milhões de pessoas poderiam ser restaurada, para aquelas com cegueira curável, ou, alternativamente, seria possível prover 13 milhões de famílias com ferramentas e técnicas que permitiriam um aumento de 50% na produção de seu plantio de alimentos.

Se quiser seguir a sugestão de Jesus de forma mais literal, você pode simplesmente entregar o dinheiro para as famílias mais pobres do mundo, para que elas o utilizem como quiserem. (…)

Caso ache que os recebedores vão gastar em álcool, apostas ou prostituição, a instituição Give Directly (EUA) fez uma avaliação independente mostrando que, em geral, isso não acontece. As transferências de dinheiro da Give Directly aumentam a segurança alimentar, a saúde mental e mesmo as posses das famílias. 

Por $450 milhões, é possível ainda comprar redes de proteção para camas para 271 milhões de pessoas, as protegendo da malária. 

Quando uma pessoa escolhe comprar “Salvator Mundi” ao invés de restaurar a visão de 9 milhões de pessoas, o que pode ser imaginado a cerca de seus valores? Uma coisa é clara: ela não se importa muito com outras pessoas. Qualquer prazer que ela, sua família, ou amigos terão ao observar a pintura não pode ser comparado com o benefício de restaurar a visão mesmo que de uma pessoa, quanto mais de milhões.

Certo ou errado, nós damos muito mais importância para os próprios interesses (e o de nossos filhos, parentes e amigos), do que para os interesses das demais pessoas. Quanto mais distante, mais diferentes de nós, maior a taxa de desconto que aplicamos na prática sobre o interesse dos outros.

De fato, existe um ponto a partir do qual o desconto é tão grante, que os interesses dos outros são tratados com tanta indiferença, que precisamos dizer “Chega, isso foi longe demais”.

Podemos, inclusive, dizer que as pessoas mais influentes já ultrapassaram este ponto. Para mim, é inquestionável dizer que este ponto foi muito ultrapassado quando a pessoa se preocupar mais em possuir uma pintura do que com a visão de milhões de pessoas.

PT planta muitas notícias a favor de Lula, mas na verdade a candidatura dele já era…

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Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Newton

A assessoria do PT trabalha incansavelmente, em busca de declarações de juristas, advogados e cientistas políticos que simpatizam com o partido, para semear notícias de que o ex-presidente Lula da Silva ainda teria alguma possibilidade de ser candidato, com base em recursos a serem apresentados ao Tribunal Regional Federal (TRF-4), ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Até aí, tudo bem, as notícias são até verdadeiras, porque Lula realmente tem direito de apresentar recursos a todos esses tribunais, não há nenhuma novidade nisso. Mas o que importa é saber se ele poderá ou não ser candidato.

SEM CHANCES NO TRF-4 – No primeiro tribunal, o TRF-4 de Porto Alegre, as chances de Lula ser absolvido são praticamente nulas. Basta conferir o retrospecto das decisões anteriores da 8ª Turma, em julgamentos da Lava Jato. Até agora, os desembargadores federais só revogaram condenações do juiz Sérgio Moro nos casos em que não havia provas materiais ou acessórias, ou seja, as sentenças tiveram como única sustentação as delações premiadas.

O caso do tríplex de Lula (corrupção e lavagem de dinheiro) é muito diferente. Não faltam provas materiais e depoimento acessórios, é um verdadeiro festival. E os três desembargadores já sinalizaram que vão manter a condenação, porque a defesa de Lula recentemente requereu levantamento do bloqueio de bens, mas eles recusaram por unanimidade. Se tivessem se sensibilizado com os argumentos dos advogados, suspenderiam o bloqueio, é claro.

DOIS RECURSOS – Na verdade, Lula só terá dois recursos, antes que a decisão do TRF-4 transite em julgado, incluindo seu nome na Lei da Ficha Limpa e impedindo o registro da candidatura. O primeiro a ser apresentado – Embargos de Declaração com efeito modificativo – é julgado rapidamente, em poucos dias será rejeitado.

Somente se a decisão for 2 a 1, o que é possibilidade remotíssima, caberá apresentação de Embargos Infringentes, provocando novo julgamento com participação de mais dois desembargadores federais. O PT está espalhando a notícia de que caberia apresentar Embargos Infringentes mesmo com resultado de 3 a 0, se houver divergência sobre a dosimetria da pena, mas esta hipótese é absurda, pois não favoreceria a candidatura de Lula, já que neste segundo julgamento a condenação nem entraria em discussão, apenas os anos de cadeia. Quer dizer, a Lei da Ficha Limpa será aplicada. Além do mais, julgamentos de Embargos Infringentes não demoram, a condenação logo transitará em julgado e Lula estará inelegível antes da data do registro da candidatura, em agosto..

OUTROS RECURSOS – A Lei da Ficha Limpa é impositiva. Assim que a questão transita em julgado na segunda instância, a candidatura não pode mais ser registrada pela Justiça Eleitoral. Mas é claro que o PT vai pedir o registro da candidatura em agosto, e o TSE vai impugnar, conforme já adiantou o ministro Luiz Fux, que a partir de fevereiro já estará presidindo a Justiça Eleitoral.

A defesa de Lula então vai ao STJ, por se tratar de questão criminal, e depois ao Supremo, mas os recursos não têm efeito suspensivo, ou seja, a candidatura continuará impugnada. Dificilmente os ministros-relatores concederão uma liminar, devem deixar a decisão para os respectivos plenários. Sem liminar, enquanto não houver julgamento em plenário, a candidatura segue impugnada. Lula pode até continuar fazendo campanha, mas seu nome não constará na lista de candidatos.

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P.S. 1
– Tudo vai acabar no Supremo. Estamos raciocinando “dentro da lei”. Mas é claro que existe a solução “fora da lei”.  Se o recurso cair com Ricardo Lewandowski ou Dias Toffoli, por exemplo, pode até ser concedida a absurda liminar, que não adiantará nada, pois o plenário do Supremo logo em seguida detonará Lula com maioria folgada, podem acreditar.

P.S. 2 – Recapitulando: tudo isso, inclusive a decisão final do Supremo, deve acontecer antes de agosto. Ou seja, a candidatura de Lula não “eczistirá”, como diria o padre Óscar Quevedo.  (C.N.)

Para defender o Estado mínimo, o ideólogo de Bolsonaro se inspira em Karl Marx

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Seria Paulo Guedes um admirador de Marx?

Carlos Newton

Aqui na ‘Tribuna da Internet’, quando se fala nos grandes pensadores Karl Marx e Friedrich Engels, muitos defensores da intervenção militar ou da eleição dos torturantes Bolsonaro/Mourão têm ataques apopléticos e entram em estado de choque. O motivo é simples – na realidade, nada sabem sobre Marx e Engels, sobre sua obra monumental em defesa dos direitos humanos, das oportunidades iguais, do resgate dos excluídos e da liberdade de imprensa. Na minha visão pessoal, tenho muita admiração por Engels, por ser de família abastada, beneficiária da exploração dos trabalhadores, que não tinham direitos sociais à época. Ou seja, Engels lutava contra seus próprios interesses financeiros.

No Brasil de hoje, vejam a ironia do destino. O economista/banqueiro Paulo Guedes, guru ideológico do candidato Jair Bolsonaro, mostra ser um conhecedor e admirador da obra de Marx, e até se inspirou nela para defender o Estado mínimo, em artigo publicado nesta segunda-feira, dia 11, em O Globo, sob o título “Disfuncional e corrupto”.

SEM NOVIDADES – Como diria o grande escritor alemão Erich Maria Remarque, não há nada de novo no front ocidental, porque não é a primeira vez em que Paulo Guedes, para sustentar suas teses neoliberais, recorre ao pensamento do velho Marx.

Em 4 de janeiro de 2016, no artigo “Farsa ou tragédia?”, também em O Globo, o guru de Bolsonaro já havia citado Marx, ao defender a tese de que os partidos que se revezam na luta pelo poder consideram que a conquista da imensa engrenagem do Estado é a mais importante presa. E ao fazer a citação, escreveu Paulo Guedes:

Esta não é a crônica de um liberal brasileiro sobre os 30 anos de uma transição incompleta do antigo regime militar para uma República corrompida pelo pensamento único da social-democracia. Mas sim observações de Marx a respeito dos descaminhos da República francesa em ‘O Dezoito Brumário de Louis Bonaparte’, opúsculo em que registra a frase de Hegel de que “todos os fatos e personagens de grande importância na história universal ocorrem duas vezes”, acrescentando: “a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

O QUE DISSE MARX – “O Poder Executivo, com sua imensa organização burocrática, sua artificial e complexa engrenagem estatal, seu exército de funcionários, esse espantoso corpo parasita que cobre com uma membrana a sociedade inteira em todos os seus poros, tornou-se uma administração centralizada do poder do Estado. E a revolução que assumiu como objetivo destruir todos os poderes independentes, mesmo municipais e provinciais, aprofundou ainda mais a centralização, ampliando ao mesmo tempo o aparelho de poder governamental e seus atributos. Novos grupos de interesse tornavam-se novos materiais nas mãos do Estado, e cada interesse retirado à iniciativa particular em nome de um interesse geral superior era transformado em objeto da gestão governamental. Os partidos que se revezavam na luta pelo poder consideravam a conquista dessa imensa engrenagem do Estado a mais importante presa do vencedor”, escreveu Marx no clássico “O Dezoito Brumário”, insistentemente citado por Guedes.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Guedes mostra a importância de se conhecer e entender a portentosa e humanitária obra de Marx e Engels, sem essas bobajadas de atribuir a eles os erros dos supostamente comunistas Stálin, Pol Pot, Ceaucescu, Mao ou Fidel Castro. É uma idiotice tão grande quanto atribuir a Adam Smith os erros dos também supostamente capitalistas Hitler, Mussolini, Suharto, Milosevic, Papa Doc, Pinochet ou Idi Amin Dada.

Paulo Guedes faz bem em assimilar ensinamentos de Marx sobre a necessidade de um Estado mínimo. Pessoalmente, eu também defendo esta tese, mas faço uma ressalva – é preciso ter um Estado mínimo e forte, porque não existe exemplo de país que se tenha desenvolvido sem um Estado forte e capaz de regular os interesses que permeiam as diferentes camadas sociais.

MARX POETA – Para quem gosta de literatura, há também o Marx poeta, de múltiplas obras. Vejam este trecho da “Tragédia do Destino”, um poema particularmente comovedor, ainda que profundamente triste, mostrando o que Marx trazia no coração:

“A menina está ali tão reservada,
tão silente e pálida;
a alma, como um anjo delicada,
está turva e abatida…
Tão suave, tão fiel ela era,
devotada ao céu,
da inocência imagem pura
que a Graça teceu.
Aí chega um nobre senhor
sobre portentoso cavalo,
nos olhos um mar de amor
e flechas de fogo.
Feriu-a no peito tão fundo,
mas ele tem de partir,
em gritos de guerra bradando:
nada o pode impedir”.

Os detratores de Marx logo irão dizer que o cavaleiro era um comunista impiedoso, que matou friamente a jovem. Mas os poetas sabem que ela foi ferida de amor, quando seu amado partiu para a guerra.

Delações de Loures e Geddel são “presentes de Natal” que Temer tenta evitar

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Depois que conseguiu escapar do processo no Supremo por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, que foi suspenso pela Câmara, o maior problema de Michel Temer e do núcleo duro do Planalto passou a ser a possibilidade de haver delação premiada de dois integrantes do chamado “quadrilhão” do PMDB – o ex-assessor presidencial Rocha Loures e o ex-ministro Geddel Vieira Lima, ambos flagrados com malas de dinheiro. Se os dois contarem tudo o que sabem, com toda certeza vão desestabilizar o governo e inviabilizar o sonho de Temer ser candidato à reeleição.

Eles foram presos no mês de junho, em operações separadas. Loures deu muita sorte e ganhou prisão domiciliar no dia 1º de julho, por decisão do ministro Edson Fachin, por isonomia, depois que a Primeira Turma do Supremo tirou da cadeia a irmã e o primo do senador Aécio Neves. Pouco depois o ex-ministro Geddel também recebeu o benefício da prisão domiciliar, no dia 12 de julho, por decisão do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal de Brasília, mas em 8 de setembro voltaria para a cadeia, devido aos R$ 51 milhões encontrados no apartamento de Salvador.

EVITAR DELAÇÕES – Com o processo de Temer/Padilha/Moreira suspenso no STF, a prioridade do Planalto passou a ser a luta para evitar que o ex-assessor e o ex-ministro façam delação premiada. Filho de um grande empresário paranaense, que tem negócios em São Paulo e foi eleito diretor da Fiesp, Loures é um amador no mundo da corrupção. Seu constrangimento ao receber a mala de dinheiro era visível, ele não sabia direito o que fazer. Quanto a Geddel, é um filhinho da mamãe, covarde e chorão, chegou até a alegar que querem estuprá-lo na cadeira, é um vexame atrás do outro.

Para acalmar o ex-assessor presidencial apanhado com a mala de dinheiro, o Planalto prometeu a Loures que ele teria foro privilegiado, a ação iria ficar parada, acabaria prescrevendo. Mas está dando tudo errado. O ministro-relator Edson Fachin mandou desmembrar o processo, para que o ex-assessor presidencial seja processado na primeira instância federal. E nesta segunda-feira (dia 11)  a Justiça Federal recebeu a denúncia oferecida pela Procuradoria contra Loures, que assim se torna réu pelo crime de corrupção passiva, no caso da mala  com R$ 500 mil, recebida num restaurante em São Paulo, em abril deste ano.

GEDDEL – No caso do ex-ministro Geddel, o Planalto lhe prometeu que o Supremo vai rejeitar a prisão de réu condenado em segunda instância, ele então seria libertado por habeas corpus e seus advogados ficariam recorrendo repetidas vezes, até prescrever a pena,  pois ainda nem houve sentença em primeira instância e isso vai demorar muito.

Mas Geddel não é trouxa e sua situação se agravou muito, com o envolvimento do irmão Lúcio e da mãe Marluce, também incriminados na corrupção. Assim como no caso de Loures, também para Geddel a única saída é fazer delação e colocar a culpa em quem de direito, como se diz no linguajar forense. É só uma questão de tempo.

Dívida pública está travando o crescimento nacional, mas os candidatos silenciam

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Charge do Paixão (Gazeta do Povo)

Carlos Newton

Não há dúvida de que o país está de cabeça para baixo – ou de ponta cabeça, como dizem os paulistas. A nação de maior potencial de crescimento sustentado está absolutamente travada, sem perspectivas. Esse problema começou a se agravar a partir do irresponsável governo de Fernando Henrique Cardoso, que passou a acumular uma dívida interna suicida, e hoje o Brasil está com seu desenvolvimento socioeconômico bloqueado, devido ao descontrole dos gastos públicos e à exploração financeira movida pelos investidores nacionais e internacionais.

A dívida pública bruta (governos federal, estaduais e municipais) já passa de R$ 4,7 trilhões, mais de 73% do PIB. Quem é otimista alega que no Japão, em Singapura, nos EUA, na China e em outros países esta relação entre dívida e PIB é até maior, mas os realistas logo explicam, à moda do marqueteiro americano James Carville: “Lá os juros são menores, estúpido!”

SEM DEBATE – Como todos sabem, aqui no Brasil a liberdade de imprensa tem limites e jamais são contrariados o interesse dos banqueiros e dos investidores. Por isso, hoje somente se fala em reforma da Previdência, não há um debate aberto sobre o maior problema nacional, que é justamente o descontrole da dívida.

Para “solucionar” o problema, o criativo ministro-banqueiro Henrique Meirelles inventou o teto de gastos, que é um programa do tipo “de volta para o futuro”, porque a dívida só estará sob controle daqui a 20 anos, e se tudo der certo. Mas até lá Inês é morta, diria o D. Pedro português. Aliás, a longo prazo todos estaremos mortos, como ensinava Lord Keynes, ao prescrever sempre medidas econômicas capazes de surtir efeito imediato.

E acontece que o tal “teto dos gastos” de Temer/Meirelles não deu certo, o déficit primário aumenta cada vez mais e o governo federal já está elevando o limite das despesas a serem feitas pelos Estados, depois será a vez dos municípios, e la nave va, cada vez mais fellinianamente…

CAPITALISMO SEM RISCO – Há outros países, porém, que se acautelam do capitalismo financeiro. A Suécia e a Dinamarca se orgulham de terem dívida pública de menos da metade da média na zona do euro. O fundo de riqueza soberana de US$ 820 bilhões da Noruega significa que o governo não tem dívida líquida. Nessas nações que mesclam o capitalismo e o socialismo, o problema é a dívida dos consumidores e o aquecimento artificial do mercado imobiliário, ou seja, nada que a “mão invisível do mercado” não venha a resolver, como dizia Adam Smith.

Mas aqui debaixo do Equador decidiram transformar o Brasil no piloto de provas do capitalismo sem risco que o pensador Karl Marx tanto temia, a ponto de criar o neologismo “rentista” e prever que haveria essa nova forma de exploração do homem pelo homem, através da exploração dos países pelos detentores do capital.

Há poucos meses a importante revista britânica “The Economist” chamou atenção para o acerto da previsão de Marx, ao antever essa etapa do humanidade, em wur há predomínio do capitalismo financeiro, aquele que nada produz, não cria empregos nem distribui riquezas, é como o orgulho, que se alimenta de si mesmo.

SILÊNCIO PROFUNDO – É fundamental que os candidatos a Presidência da República exponham com clareza o que pretendem fazer em relação à dívida, sem essa embromação de aguardar a solução para daqui a duas décadas, já tendo fracassado logo no primeiro ano. Mas ninguém toca no assunto.

A questão financeira é tão grave e peculiar que no Brasil os bancos continuam cobrando de 400% a 500% ao ano em prosaicas dívidas de cartão de crédito, diante de uma inflação anual que o governo diz ser de apenas 3%. Isso não acontece em nenhum outro país do mundo civilizado, digamos assim. No entanto, nenhum candidato fala sobre isso. E também não se manifestam como vão reduzir os gastos públicos excessivos, as mordomias, os penduricalhos. Nada, nada.

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P.S. –
Este silêncio profundo é inquietante. Espera-se que algum candidato toque nesses assuntos. Mas até agora, nada, até porque a imprensa não pergunta. A abordagem dessa questão é sempre “en passant”, como dizem os franceses. (C.N.)

Era só o que faltava! General Mourão deve ser o vice na chapa de Bolsonaro

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Mourão e Bolsonaro mantêm relações de amizade

Carlos Newton

A palestra feita pelo general Hamilton Mourão no Clube do Exército, em Brasília, na última quinta-feira, reforça a especulação de que o chefe militar pretende disputar a eleição de 2018 como candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro, pelo partido Patriotas (ex-PEN). Ao responder perguntas da platéia, com pedidos para se candidatar, o oficial admitiu essa possibilidade, ao afirmar: “Eu apenas digo uma coisa: não há portas fechadas na minha vida”. O general acrescentou que seu domicílio eleitoral é em Brasília e que passará para a reserva em 31 de março do ano que vem. Depois disso, deverá morar no Rio de Janeiro.

Juridicamente, não há impedimento para que o chefe militar seja candidato. Somente militares da ativa são impedidos de participar de atividades político-partidárias. Para Mourão, a obrigação de o militar se afastar para concorrer a cargo eletivo é “saudável”. No seu caso, basta se filiar ao partido no início de abril, dentro do prazo de seis meses antes da realização das eleições.

APOIO A BOLSONARO – Segundo o jornal Gazeta do Povo, ao ser questionado sobre o presidenciável Jair Bolsonaro, que é capitão da reserva do Exército, Mourão afirmou que o deputado federal “é um homem que não tem telhado de vidro, não esteve metido nessas falcatruas e confusões”. E acrescentou: “Ele terá que se cercar de uma equipe competente. […] Obviamente, nós, seus companheiros, dentro das Forças, olhamos com muito bons olhos a candidatura do deputado Bolsonaro.”

Os dois são amigos pessoais. Quando Mourão estava no Comando Militar do Sul, em Porto Alegre, Bolsonaro foi visitá-lo e trocar ideias com ele. Logo depois, o general  foi removido da chefia do Comando Militar do Sul por prestar homenagem póstuma ao coronel Brilhante Ustra, o primeiro oficial a ser identificado como torturador. Neste episódio, Bolsonaro ficou solidário com Mourão.

“DR. TIBIRIÇÁ” – A tortura a presos políticos é crime previsto pela Convenção de Genebra. O coronel Ustra, que usava o codinome de “Dr. Tibiriçá” e era chefe de operações do DOI-CODI de São Paulo, foi reconhecido nua solenidade por Bete Mendes, então deputada federal do PT paulista. Depois, vários outros ex-presos políticos reconheceram Ustra, entre eles o economista Persio Arida, e o coronel foi condenado pela Justiça como torturador, mas não cumpriu pena devido à Lei da Anistia.

As Forças Armadas brasileira condenam a prática de tortura, mas ainda há uma pequena facção que tenta justificar os excessos cometidos no regime militar, quando houve não somente supliciamento de presos políticos, mas também bárbaros assassinatos e ocultação de cadáveres. O general Hamilton Mourão e o deputado Jair Bolsonato integram essa ala minoritária das Forças Armadas brasileiras.

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P.S.
Uma coisa é defender intervenção militar para reorganizar o país nesta fase de esculhambação institucional que afeta os três Poderes, indistintamente. Outra coisa muito diferente é apoiar militares de tendência ditatorial que continuam a defender a prática de torturas em pleno Século XXI. Pensem nisso. (C.N.)

Irresponsável, Trump acende o estopim de nova guerra entre árabes e israelenses

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Palestinos queimam bandeiras dos EUA e de Israel

Carlos Newton

Conforme assinalamos há alguns dias, o presidente americano Donald Trump age de forma totalmente irresponsável e não tem assessores de alto nível que possam dissuadi-lo de determinadas decisões em que nada se ganha e tudo se perde, como no caso do reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, onde será instalada a Embaixada dos EUA, único país a tomar essa posição perigosa, delicada e leviana. Há reação negativa dos povos árabes e também de Israel, que tenta chegar a um acordo de paz com os palestinos, mas agora veio tudo abaixo, as negociações não existem mais, os violentos protestos voltaram às ruas, a insegurança é contagiante.

O jornal moscovita “Izvéstia” revela que o chefe do Comitê de Assuntos Internacionais do Conselho da Federação Russa, Konstantín Kosatchióv, disse que o reconhecimento dos Estados Unidos de Jerusalém como a capital de Israel pode se desestabilizar ainda mais a região.

NOVA BOMBA – “Pré-anunciada pela Casa Branca, a decisão extremamente intempestiva de Donald Trump sobre o reconhecimento de Jerusalém como a capital do Estado de Israel pode ser uma nova bomba para a situação já precária na região”, diz a agência russa Interfax, citando as palavras de Kosatchiov.

A decisão do presidente dos EUA já tinha sido criticada pelo presidente francês Emmanuel Macron, porque essas as ações dos EUA violam o princípio de criação de um país palestino, nos termos das resoluções do Conselho de Segurança e da Assembléia Geral das Nações Unidas, que contavam com apoio até dos EUA.

O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta sexta-feira, em sessão extraordinária para discutir o assunto, após oito dos quinze membros do órgão solicitarem o encontro.

REVOLTA – Por óbvio, a decisão irrefletida de Trump, tomada a pretexto de cumprir um compromisso de campanha que jamais foi levado a sério, causou revolta e indignação entre palestinos, além de receber condenação por parte de líderes de países árabes e islâmicos. Alguns dos principais aliados dos Estados Unidos na Europa, entre eles Reino Unido, Alemanha e França, também criticaram a decisão, por prejudicar as negociações de paz e transformar Jerusalém numa bomba-relógio.

O jornal londrino “The Guardian” publicou reportagem descrevendo o clima no campo de refugiados palestinos de Shuafat, na cidade de Jerusalém. Revelou que Ismail Haniyeh, líder do Hamas, grupo islâmico que governa a Faixa de Gaza e é considerado uma organização terrorista por diversos países, conclamou os palestinos a realizarem “um dia de fúria” nesta sexta-feira, dia mais importante da semana islâmica. Haniyeh também convocou todas as facções palestinas a iniciarem uma nova intifada contra Israel, além de pedir a todos os países muçulmanos que se unam contra a “declaração de guerra dos Estados Unidos”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Como se vê, se ainda existem fatores de risco que ameaçam a paz mundial, o principal deles é bastante conhecido e atende pelo nome de Donald John Trump, que faz jus ao título do programa de TV que apresentava e realmente se mostra um aprendiz em matéria de política interna e externa. Como diz o lema lá deles, que Deus salve e América, mas não se esqueça de nós, aqui do lado debaixo do Equador. (C.N.)

Tudo pronto para o STF extinguir a prisão após segunda instância, só falta a data

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O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, liberou para julgamento em plenário as ações sobre prisão após o réu ser condenado em segunda instância. Em tradução simultânea, isso significa que está tudo pronto para milhares de criminosos serem liberados, de uma só penada, pois a medida não beneficiará apenas os réus da Lava Jato. Vai incluir muitos outros condenados, como o ex-senador Luiz Estevão, que só depende dessa decisão do Supremo para ser solto, pois seu julgamento no Tribunal Superior de Justiça (a terceira instância) ficou para o Dia de São Nunca, como se dizia antigamente. Os famosos réus da Lava Jato também aguardam ansiosamente a mudança na jurisprudência do Supremo, com José Dirceu à frente e Lula da Silva logo atrás, puxando o cordão da impunidade.

Não se pode prever quando será marcado esse julgamento, considerado fundamental para o futuro da Operação Lava Jato. O Supremo está prestes a entrar em recesso e só voltará a funcionar plenamente apenas em fevereiro de 2018, vejam que seus integrantes jamais poderiam ser considerados “escravos da função”, como reclama o ministro Gilmar Mendes.

DEPENDE DE CÁRMEN – A definição da pauta de julgamentos é prerrogativa da presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, que não tem a rediscussão do tema entre suas prioridades, porque sabe que está tudo dominado, a maioria votará contra a prisão após segunda instância, e como diz a canção do baiano Anderson Cunha, o povo do gueto mandou avisar que vai rolar a festa, vai rolar.

Embora o juiz Sérgio Moro tenha afirmado esta semana que ainda resta esperanças de que alguns ministros mudem seus votos, as expectativas são de que o Supremo vai abrir a porteira aos criminosos por 6 votos a 5 ou até 7 a 4.

No ano passado, o placar da votação sobre a execução antecipada das penas foi apertado, com seis votos a cinco. Do lado majoritário, alinharam-se os ministros Edson Fachin, Luís Roberto Barroso, Teori Zavascki, Luiz Fux, Gilmar Mendes e Cármen Lúcia. Mas agora tudo ficou diferente, Zavascki morreu e o Supremo se prepara para mudar a jurisprudência.

DESRESPEITO – Na verdade, esse entendimento do STF foi do tipo vacina e “não pegou”. Os ministros Celso de Mello e Marco Aurélio, que votaram contra, ao lado de Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Rosa Weber, simplesmente se recusaram a cumprir a jurisprudência. O decano Celso de Mello mandou soltar um réu condenado em segunda instância por homicídio qualificado, que matou seu sócio numa boate e escondeu o cadáver, vejam que magistrado generoso, até parece o colega Marco Aurélio, que libertou por liminar o goleiro Bruno, cuja ex-amante foi morta e serviu de comida para cachorros.

Agora, Rosa Weber parece estar arrependida e pode mudar o voto, mas não adiantará nada, porque Marco Aurélio, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, no afã de libertar réus da Lava Jato, vão soltar também milhares de criminosos comuns. A fatura estará liquidada por 6 votos a 5, podem apostar.

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P.S.
 – A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, que está cada vez mais desgastada, vai empurrar o assunto com a barriga, mas é só uma questão de tempo, porque o próximo presidente será Dias Toffoli, e aí é que vai rolar a festa, vai rolar… (C.N.)

Donald Trump é um irresponsável que põe em risco a paz e a economia mundial

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Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton

Ao fim de quase um ano na Casa Branca, o presidente norte-americano Donald Trump mostra que ainda não aprendeu nada. Radical, oportunista e cafajeste, ele continua agindo de forma altamente irresponsável. Não entende que não tem o direito de errar e simplesmente despreza qualquer contribuição que possa evitar que equívocos capazes de desestabilizar os Estados Unidos e colocar em risco a economia mundial. Seu projeto para reduzir drasticamente os impostos é tão leviano e danoso que motivou veementes protestos dos principais beneficiários, os 400 empresários mais ricos dos Estados Unidos.

A reforma tributária do governo Trump é tão insensata, inconsequente e irrefletida que está enfrentando uma tropa da pesada. Cerca de 400 empresários milionários e bilionários dos EUA há duas semanas assinaram uma carta pedindo ao Congresso que não reduzisse as taxas. Os megainvestidores George Soros e Steven Rockfeller, que assinaram o apelo, a redução de impostos só favorecerá a desigualdade social e aumentará a dívida do país.

NÃO FAZ SENTIDO – “Se não podemos nos permitir gastar mais dinheiro público, como aceitar a redução dos impostos dos ricos. Não faz sentido”, afirmou Bob Crandall, ex-presidente da American Airlines e um dos que assinaram a carta,  que, de acordo com a Responsible Wealth (Riqueza Responsável), está em sintonia com a grande tradição de filantropia americana.

“Somos ricos profundamente preocupados com a nossa nação e a nossa gente, e escrevemos com um único pedido: Não reduzam nossos impostos”, diz a carta aberta, que não surtiu efeito. Por 51 votos (republicanos) contra 49 (48 democratas e um republicano), o Senado aprovou a proposta de reduzir radicalmente os impostos para as empresas e os contribuintes mais ricos, ao mesmo tempo que autoriza a exploração de petróleo no Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico e põe fim à obrigatoriedade de os cidadãos terem um seguro de saúde.

A vitória foi imediatamente comemorada pelo presidente Trump no Twitter: “Estamos um passo mais perto de dar ENORMES cortes fiscais às famílias de toda a América. Agradecimentos especiais ao líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, e ao presidente Orrin Hatch por terem liderado a discussão no Senado. Estou ansioso por promulgar a lei até ao Natal!”

PLANOS DE SAÚDE – Nos EUA, é obrigatório ter seguro-saúde. Caso contrário, paga-se  uma multa de 2,5% da renda familiar ou 685 dólares por adulto e 347.50 por criança (o que for maior). Não existe um sistema de atendimento gratuito à população. Os hospitais de pronto-socorro são como o SUS e atendem a qualquer  pessoa. A diferença é que depois a conta chega pelos correios. O paciente pode parcelar a dívida, que só deixa de existir quando for paga. Simples assim.

Neste ponto, a reforma de Obama é acertada, porque elimina pagamento da multa por falta de plano de saúde. Mas o restante da reforma tributária é tenebroso. A carga fiscal das empresas vai cair de 35% para 20% já a partir de 2019; e os impostos para cerca de metade da população também diminuem, embora menos e com validade somente até 2025.

A enorme redução de impostos vai beneficiar as grandes empresas e os contribuintes mais ricos em relação aos mais pobres. Além disso, a reforma fiscal de Trump acaba também com várias deduções agregadas a impostos locais e estaduais.

DÍVIDA PÚBLICA – A dívida pública norte-americana bateu novo recorde, alcançando os 20 trilhões de dólares (R$ 62 trilhões) e continua crescendo. Segundo a mídia norte-americana, trata-se da primeira vez que a dívida pública federal do país correspondeu a uma quantia tão significativa de 20 trilhões de dólares, e o presidente Trump avalizou a subida do teto da dívida, no projeto orçamentário.

Esta é a maior preocupação dos 400 empresários que enviaram ao Congresso o abaixo-assinado. Trump está pouco ligando e argumenta que, mesmo já superando o PIB,  a dívida pública dos EUA não é mais alta do mundo, este índice é mais elevado no Japão, em Singapura e em alguns outros países.  Mas um dia terá de ser paga, dizem os empresários.

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P.S. 1 – Diminuir impostos significa reduzir os gastos em programas de educação, saúde e transportes públicos, que favorecem os mais pobres. Mas quem liga para os mais pobres, neste mundo de meu Deus perdoai?

P.S. 2Trump é despreparado e irresponsável na política externa e também na interna. Ele não consegue entender que, se os EUA se desestabilizarem, o mundo inteiro terá gravíssimos problemas. (C.N.)

Não riam… Pesquisa mostra que reeleição de Temer é viável (na avaliação do Planalto)

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Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Cada um vê as coisas como lhe apetecem, diz o velho ditado lusitano. Nesse embalo, o presidente Michel Temer e o núcleo duro do Planalto ficaram entusiasmados com a pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada neste domingo (dia 3) pelo jornal “Folha de S.Paulo”, porque os resultados indicam que está melhorando a aceitação do governo. Na comparação com o levantamento anterior, feito em setembro, o quesito “Ótimo/bom” se manteve em 5%, mas o índice “Regular” subiu de 20% para 23%, enquanto a rejeição “Ruim/péssimo” caiu de 73% para 71%. Segundo a análise do Planalto, os novos números indicam que a candidatura de Temer à reeleição não é uma hipótese absurda, se 28% já fazem uma avaliação do governo como “Regular” a “Ótima” .

O nível de confiança da pesquisa, segundo o jornal, é de 95%, significando que, se levarmos em conta a margem de erro de dois pontos percentuais, a probabilidade de o resultado retratar a realidade seria de 95%.

INDECISOS – O núcleo duro do Planalto ficou animado também com a informação de que está aumentando o número de indecisos (46%) e de votos brancos e nulos (19%). Segundo o Datafolha, até agora apenas 35% dos eleitores definiram seus votos. Em tradução simultânea, isso significa que a eleição ainda nem começou.

Outro resultado animador seria o fato de que, entre os 35% que opinaram na pesquisa espontânea, Temer aparece com 1%, mesmo sem ser candidato. Além disso, deste total de 35%, pelo menos um terço são de votos para Lula, que não deverá estar na disputa, porque será julgado em segunda instância no primeiro semestre de 2018 e tudo indica condenação por unanimidade, o que eliminará a candidatura do petista, pela Lei da Ficha Limpa.

ECONOMIA – Na empolgação, os assessores de Temer não cansam de repetir a explicação do marqueteiro americano James Carville (“É a economia, estúpido!”), ao afirmarem que a retomada do crescimento será o grande trunfo para reeleger Temer.

Neste particular, o maior empecilho seria uma candidatura do ministro Henrique Meirelles, que também teria como principal bandeira a recuperação da economia, com inflação baixa, juros em queda e criação de empregos. Por isso, os esforços do Planalto se voltam para boicotar a candidatura de Meirelles, através de um acordo palaciano com o ministro Gilberto Kassab, que é uma espécie de “dono” do PSD, partido ao qual Meirelles está filiado.

Acontece que, se Kassab lhe fechar as portas, Meirelles tem até abril para entrar em outro partido, carreando para a nova legenda os incomensuráveis recursos de sua campanha, a mais rica da sucessão.

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P.S. 1 –
Há controvérsias sobre a informação, estrategicamente vazada pelo Planalto, dizendo que Temer poderia apoiar a candidatura de Meirelles. Na verdade, os dois se odeiam e inevitavelmente estarão em campos opostos na batalha eleitoral. Temer quer assumir a autoria da recuperação econômica, mas Meirelles diz que fez tudo sozinho.

P.S. 2 – No sonho da reeleição, Temer abriu a chave do cofre e está irrigando com recursos públicos os veículos da grande mídia e seus sites, usando nesta empreitada as estatais e o chamado sistema S. (C.N.)   

Rodrigo Maia quer continuar na Câmara e se firma como “o dono” do DEM

Fernanda da Escóssia
BBC Brasil

Nos corredores da Câmara Municipal do Rio, o vereador e ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM) vem sendo chamado de “pai do noivo” – referência ao poder conquistado por seu filho, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados e primeiro na linha sucessória caso o presidente Michel Temer (PMDB) não termine o mandato.

O nome de Rodrigo também circula como possível candidato a presidente da República. No entanto, a depender do pai do noivo, Rodrigo não concorrerá ao Planalto: será de novo candidato a deputado federal e disputará outra vez o mandato de dois anos na presidência da Câmara.

Ao analisar o quadro para as eleições de 2018, Cesar diz que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sairá candidato a presidente, mas se eleito, não conseguirá ser diplomado por causa de suas condenações criminais (por corrupção ativa e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato), e isso criaria uma crise institucional no país.

BOLSONARO – Sobre o deputado federal e ultradireitista Jair Bolsonaro (PSC), Cesar avalia que ele se expôs cedo demais e cairá nas pesquisas, enquanto o tucano Aécio Neves, alvo da Lava-Jato, “faleceu politicamente” e sequer tentará a reeleição ao Senado. Só sairá para deputado federal por Minas Gerais.

A conversa com o PSDB está difícil, alfineta, porque o PSDB tem “complexo de argentino”: “Se você compra pelo que ele vale e vende pelo que ele acha que vale, você fica rico”. César afirma que o melhor diálogo é com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mas o PSDB não é só Alckmin.

A ascensão de Rodrigo Maia provocou uma curiosa inversão de papéis entre os Maias. Se antes Rodrigo era, para os cariocas, o filho de Cesar, agora Cesar é que é, na cena brasileira, o pai de Rodrigo. Segundo Cesar, não faltaram apelos para que, quando o presidente Michel Temer apareceu nas gravações do empresário da JBS Joesley Batista, Rodrigo o empurrasse ladeira abaixo e assumisse o governo. “Rodrigo, não joga nessa”, foi o conselho do pai, ídolo político do filho.

ACUSAÇÕES – Os Maias, pai e filho, foram citados nas delações da Odebrecht como supostos beneficiários de caixa 2 em campanhas eleitorais e estão respondendo a inquéritos. Os dois negam. Cesar também está recorrendo na Justiça de uma condenação por improbidade administrativa durante sua gestão como prefeito do Rio, pela contratação sem licitação do escritório de advocacia de um cunhado.

Vereador em segundo mandato, prefeito do Rio que mais tempo ocupou o posto (três mandatos), Cesar recebeu a BBC Brasil na última quinta-feira, na sala da Comissão de Relações Internacionais da Câmara Municipal.

Aos 72 anos, gravata sem nó pendurada no pescoço, fala sem pressa e gosta de seu duplo papel, de analista político e de pai do presidente da Câmara. Diz que o DEM seguirá no governo Temer e crescerá, depois de anos de encolhimento. No Rio, o partido quer vê-lo candidato ao governo. Cesar diz que não decidiu ainda. “Temos de esperar as águas de março (prazo legal para troca de partido), vamos ver quem fica, quem é arrastado pela corredeira”. Como prefeito mais longevo do Rio, as águas de março são um fenômeno que Cesar Maia conhece bem.

BBC Brasil – O deputado Rodrigo Maia, seu filho, disputará a Presidência da República pelo DEM?
Cesar Maia – Em nenhuma hipótese. O Rodrigo é candidato a deputado federal; se eleito, vai ser candidato a presidente da Câmara. A avaliação nossa e de muita gente é que o próximo presidente vai concluir um ciclo que começou no governo Temer e que para isso não pode fazer um governo tradicional. Ele precisa ter uma Câmara de Deputados com liderança organizada, e o Rodrigo, pelo estilo dele de ouvinte, de confiabilidade, adquiriu essa capacidade. O próximo presidente, seja ele qual for, vai precisar de um presidente da Câmara com o perfil do Rodrigo. Não é um perfil ideológico, embora ele defenda as ideias dele, liberais, mas não defenda as ideias dele com raiva. A relação dele com os partidos de esquerda é boa, foi eleito com voto deles também. O Brasil precisa de alguém que tenha essa capacidade de coordenar a Câmara.

BBC Brasil – O senhor já disse que Rodrigo Maia era do médio clero. Como se vai do médio clero à Presidência da Câmara?
Maia – Ele não é um político de clientela, como o baixo clero, mas não é um político que, no parlamento, tenha uma liderança ideológica no amplo sentido do termo. Ele tem uma liderança pessoal. Por isso ele precisa ter diálogo com o clero todo. Se ele estiver lá em cima, como o Fernando Henrique, ele não dialoga. A condição de médio clero permite a ele dialogar pra cima e pra baixo.

BBC Brasil – Sua mulher, mãe do Rodrigo, enviou uma mensagem ao filho pedindo que ele não conspirasse. Por que?
Maia – Foi verdade (a mensagem). Aí é uma questão de ética, ética pessoal. Na hora que surge o caso Joesley, começam aqueles apelos, vamos lá, Rodrigo, está na tua hora. Derruba o Temer e você assume. Essa era a conversa do vizinho, amigo, deputado, tentando impressionar o Rodrigo para que ele aceitasse esse desafio. Isso eu ouvi de gente muito alta: “O governo Temer vai cair; se ele vai cair, vamos administrar essa queda”. O Rodrigo resistiu. Numa dessas, a mãe dele falou isso. Não joga nessa.

BBC Brasil – O senhor acredita que o ex-presidente Lula conseguirá ser candidato?
Maia – Eu acho que ele não poderá assumir.

BBC Brasil – Será candidato, mas não poderá assumir?
Maia – Sim. A primeira discussão é se a (sentença em) segunda instância será decidida antes da campanha eleitoral. De qualquer maneira, o recurso dele ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) ainda permite que ele continue candidato, até que o TSE decida. Depois você tem no TSE todos os processos protelatórios, na figura de um ex-presidente muito popular. Eu vi uma pesquisa da Bahia ontem, o Lula com 60%, 55%. Política é política. Lula vai ser candidato, mas ser diplomado será muito difícil.

BBC Brasil – Se ele não for candidato, o senhor acredita que ele transfere voto para o candidato que indicar?
Maia – Não tem hipótese. Esse é o drama do PT. Eles têm um candidato com enorme popularidade, mas que não tem capacidade de transferir o voto para ninguém. Eles fizeram um testezinho numa eleição municipal no Piauí, há uns três meses. O prefeito caiu, e o Lula foi pra lá, tomar cafezinho lá, e o candidato do Lula perdeu a eleição. Ele (Lula) vai levar até perder no TSE. Aí ele recorre ao Supremo. Se ele chegar na diplomação, vai ser questionado na própria diplomação. Aí é uma insegurança política e jurídica para o país gigantesca. É um presidente não presidente? Como é que as pessoas reagem numa eleição presidencial, direta, tendo votado num candidato que teve 50 milhões de votos? Como vão reagir: “Os burocratas de colarinho branco decidem que o eleito não pode assumir”. É um caso de instabilidade institucional.

BBC Brasil – Bolsonaro já está no segundo turno?
Maia – Acho que não. Bolsonaro foi lá em cima (nas pesquisas) principalmente no vácuo do centro para a direita. E buscou definir sua estratégia, de “já estou em campanha”, “vou me apresentar como confiável na economia”. É perigosa (a estratégia). Essa combinação de um candidato ultraconservador nos valores e ultraliberal na economia, como é que o eleitor percebe essa miscelânea? Ele se expôs cedo demais. Com aquela subida dele, ele tinha que viajar mesmo, mas não tinha que se expor tanto. Um dia vi uma entrevista, Bolsonaro autêntico, agressivo. É difícil ele, depois de tantos anos carregando um perfil, de repente mudar de perfil. Você cai naquele ensinamento do Jacques Séguéla, que foi marqueteiro do (François) Mitterrand (ex-presidente francês). Ele disse que a cena política é muito parecido com a cena teatral, mas há uma diferença. Na cena teatral, se você muda de personagem, continua a produzir emoções. Na cena política, se muda o personagem, não produz mais emoções. Ele (Bolsonaro) chega num lugar num dia e deita falação. No outro, é um liberal. Como é que isso se constrói em três ou quatro meses?

BBC Brasil – Quem será o anti-Lula e o anti-Bolsonaro?
Maia – Nem falo de anti. Minha previsão é que Bolsonaro vai cair o suficiente para entusiasmar outros candidatos a entrarem nesse vácuo de direita em direção ao centro.

BBC Brasil – Num segundo turno entre Lula e Bolsonaro, o DEM vai com quem? E o senhor?
Maia – Não adianta dizer com quem vai. Por que o DEM sobreviveu a essa desintegração dos partidos políticos? O DEM assumiu posição de oposição ao governo Lula e ao PT. O DEM foi coerente, e com isso despencou de cem deputados para 29 que tem hoje. Você pode pegar um personagem do DEM acusado de alguma coisa, mas é diferente do caso do Aécio. No PT, vários ex-presidentes foram presos, como Dirceu e Genoino. O PSDB tinha um presidente forte, uma liderança, que já faleceu (Sergio Guerra, em 2012). E teve o Aécio agora.

BBC Brasil – Politicamente, acha que Aécio também “faleceu”?
Maia – Ele deve saber disso, vai sair candidato a deputado federal lá em Minas. É um golpe no partido. O PMDB é uma confederação, em que cada estado tem sua total autonomia, e a direção do PMDB entende esse confederalismo e respeita.

BBC Brasil – O DEM já decidiu quem apoiará em 2018?
Maia – Não decidiu. No dia 14 de dezembro o DEM realiza seu congresso e vai haver uma intervenção generalizada em todos os diretórios e a substituição por comissões provisórias, para facilitar a entrada de pelo menos nove deputados federais agora e outros mais, não sei quantos, em março. Quase todos do PSB de Pernambuco. O DEM, entre seus quadros atuais, ainda não tem nome para presidente da República. Uma candidatura para presidente da República não é voto no partido, é voto do personagem. Esse personagem pode ascender de repente. Nesse momento não temos esse nome dentro do partido.

BBC Brasil – E a aliança com o PSDB, tradicional aliado do DEM?
Maia – Tá difícil agora. O PSDB tem aquele complexo de argentino. Se você compra ele pelo que ele vale e vende pelo que ele pensa que vale, você fica rico. O PSDB traz quadros que foram exilados, construíram aquele perfil intelectual, e na hora em que eles entram para conviver com o Congresso se sentem num patamar superior. Isso vai gerando uma dificuldade de convivência. A eleição de FHC em 1994 foi resultado do Plano Real. Você tem que lembrar que Fernando Henrique em 1985 perdeu a eleição de prefeito (em São Paulo) para o Jânio Quadros, e que ele era senador porque era suplente do Franco Montoro. O Plano Real é que vai catapultá-lo para um nível de popularidade. O Fernando Henrique estabeleceu com o PFL (atual DEM) uma parceria muito orgânica, entendeu naquele momento que o país precisava de reformas liberais, que não poderiam ser conduzidas pelas lideranças do PSDB, partido da social-democracia. Na hora que faz a parceria com o PFL, com o Marco Maciel de vice, o PFL assume seu programa dentro do governo FHC. O Fernando Henrique Cardoso fica à vontade para empurrar para o PFL aquilo que não interessa a seus quadros. Foi uma parceria perfeita, mas, como parceria perfeita, foi a última.

BBC Brasil – Como está hoje a conversa com o PSDB?
Maia – A relação do Alckmin com o DEM é pessoalmente muito boa. Só que o PSDB é mais do que o Alckmin. Dentro do governo de Michel Temer o PSDB tem ministérios fortíssimos, mas na hora que dá o desgaste de popularidade eles estão começando a ser afastar. A possibilidade de o DEM apoiar um candidato do PSDB é quase que residual. Não tem alternativa no campo daqueles que estão metendo a cara pelas reformas. O líder do PSDB na Câmara é opositor ao governo, e por aí vai. O Alckmin fez uma declaração, anteontem, dizendo que está na hora de sair desse barco. Fernando Henrique deu entrevista dizendo “temos de deixar isso de lado”. A pessoa pode ter muitas razões para sair, mas não pode ser assim, ‘ah, tô saindo fora’.

BBC Brasil – O DEM segue no governo?
Maia – Certamente. O compromisso nosso era o mesmo do PSDB, esse é o governo que vai fazer as reformas, várias delas impopulares, mas essas reformas vão construir a possibilidade do próximo governo ser um governo exitoso. Era a tese do PSDB também. Está difícil, muito difícil. Evidentemente, vamos ser práticos. Se o Alckmin tiver 35% das intenções de voto, os deputados pressionam: “Vamos lá, o homem está eleito”. Mas não é o caso.

BBC Brasil – E no Rio? O senhor disputará o governo?
Maia – Os deputados federais querem, eu não quero. Idade, tempo, minha coluna… Estou muito feliz como vereador. Feliz como qualquer pai ficaria ao ver seu filho chegar onde chegou. E feliz com as atividades que tenho. Sou o primeiro a chegar na Câmara e o último a sair. Faço discurso todo dia. Estou muito feliz para me deslocar para uma eleição majoritária. O PSDB esteve comigo aqui no Rio. Eu disse para eles e eles concordaram: temos que atravessar as janelas de março, nossas águas de março, para ver para onde foi o PMDB, o DEM… Vamos receber mais nove deputados; se entram mais dez em março, a gente passa o PSDB. Só em abril saberemos o que vai acontecer. Os ministros e secretários vão se descompatibilizar. Passadas as águas de março, vamos ver o que sobrou, quem foi levado pela corredeira, quem não foi… Ontem o Eliseu Padilha falou que o PSDB não é base do governo. O que ele quer dizer com isso? Que nas discussões para 2018, nesse momento, o PSDB não participa. Vamos ter que esperar o acordo nacional para ver os acordos estaduais.

BBC Brasil – Se o senhor não for candidato, de quem vocês estão próximos? Eduardo Paes?
Maia – O DEM não tem. Com o Eduardo acho muito difícil. Talvez por má vontade minha, mas acho muito difícil. Consigo controlar minha má vontade com algum tipo de reflexão racional, o Rodrigo é muito amigo do Eduardo Paes. Eu deixei de ser. O Eduardo Paes está exageradamente calado num momento em que aconteceu o que aconteceu com o grupo diretivo do PMDB do Rio. Era o grupo dele, ele tem que dizer alguma coisa, mesmo que seja um texto para o blog dele, o Twitter dele… O que o pessoal amigo dele vaza é que ele vai sair do PMDB. Vai pra onde? Esse negócio de Lava-Jato de repente aparece na terça-feira no Jornal Nacional.

BBC Brasil – A propósito da Lava-Jato, há uma investigação sobre o senhor e o Rodrigo Maia, a partir das delações da Odebrecht, indicando que os senhores teriam recebido doações irregulares.
Maia – Nunca recebi doação nenhuma. Eu já fui ouvido nos inquéritos na Polícia Federal. Eu nunca tive contato com isso. Pelas perguntas que me fizeram, vi que não tinham o que perguntar.

BBC Brasil – Um candidato deve querer em seu palanque em 2018 o presidente Temer, cujo governo tem 3% de aprovação?
Maia – O presidente Temer está exclusivamente focalizado com o seu governo. Portanto, com a base ampla que tem, não pode participar de campanha. Se eu tivesse na Alemanha eu responderia. No Brasil, é difícil dizer. Tem aquela expressão do James Carville (estrategista da campanha de Bill Clinton): “É a economia, estúpido!”. Ela não se aplica mais de forma generalizada. Tem muitos casos em que a economia se descola da política, Trump é um exemplo. Temer é outro exemplo. A política descolando da economia. O Temer vai crescer até o final do governo? Vai. Quanto? Não sei. Vai que vai de 5% pra 15%. Não acho que Temer vá ser um não-eleitor. Não acho que vá ser eleitor. Temer vai jogar tudo para concluir seu governo, demonstrando que seu compromisso de realizar as reformas, relançando o país, está sendo cumprido. Vai deixar o julgamento dele para a história.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Sem novidades no front. Há cerca de três meses, informamos aqui na Tribuna da Internet que Rodrigo Mais seria candidato a deputado, para fazer uma bancada forte e continuar ganhando visibilidade na presidência da Câmara. Já o pai é candidatíssimo ao governo do Estado do Rio, contra Romário (Podemos), Eduardo Paes (PMDB) e outros mais. (C.N.)  

 

Datafolha mostra que, se Lula não disputar, o maior beneficiado será Ciro Gomes

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Sem Lula, Bolsonaro lidera e Ciro empata com Marina

Carlos Newton

Muito importante a pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada neste sábado. Ao contrário do que se esperava, a grande novidade é que está aumentando o número de indecisos (46%) e de votos brancos e nulos (19%). Isso significa que apenas 35% dos eleitores já definiram seus votos e os candidatos têm de correr atrás de 46%, porque quem declara que vai votar branco ou nulo (19%) dificilmente volta atrás. Em tradução simultânea, pode-se dizer que a eleição ainda nem começou.

A candidatura de Lula deverá ser barrada, porque está previsto para o primeiro semestre o julgamento em segunda instância da condenação dele por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex no Guarujá, tudo indica que a sentença do juiz Sérgio Moro será confirmada e Lula estará fora, atingido pela Lei da Ficha Limpa.

SEM LULA – Diante da perspectiva de condenação e alijamento do petista, a pesquisa que merece maior atenção inclui esta pergunta: “Em quem você votará, se Lula não disputar a eleição?”. E o resultado foi muito interessante, mesmo.

No principal cenário sem Lula, o candidato Jair Bolsonaro aparece com 21%, seguido por Marina Silva com 16%, em situação de empate técnico com Ciro Gomes, que se beneficia de votos que eram de Lula e sobe para 12%. Geraldo Alckmin vem atrás com 9%, empatado tecnicamente com Alvaro Dias (5%). O ex-prefeito paulistano Fernando Haddad, possível substituto de Lula, ficaria com 3%, empatado tecnicamente com a Manuela D´Ávila , que teria 2%.

Detalhe da maior importância: nas simulações sem Lula, o voto em branco ou nulo sobe bastante, de 12% a 14% para 25% a 30%.

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P.S. 1 –
Uma conclusão óbvia sobressai: além da ausência de Lula aumentar o número de indecisos e também os votos brancos ou nulos, o candidato Ciro Gomes é mais beneficiado do que o próprio petista que substitui Lula – no caso, o ex-prefeito Fernando Haddad.

P.S. 3Conclusão final: Se Lula ficar mesmo de fora e mandar que os petistas votem em Ciro Gomes, o candidato do PDT passará a ter chances muito concretas de vitória. E o presidente do PDT, Carlos Lupi, então repetirá o papel ridículo que fez com Dilma Rousseff e vai sair gritando: “Ciro, eu te amo!” (C.N.)

Gilmar Mendes precisa sofrer impeachment e receber tratamento especializado

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Charge do Mário (Arquivo Google)

Carlos Newton

É evidente que os demais ministros do Supremo já perceberam que o comportamento do ministro Gilmar Mendes não é normal e suas decisões contribuem para desgastar cada vez mais a imagem do Poder Judiciário, exatamente num momento crucial em que a política e a administração pública estão submetidas a um rigoroso processo de moralização que jamais teve similar no país. Na forma da lei, já existem motivos suficientes para que se peça o impeachment do ministro, mas isso não vai acontecer, porque seu comportamento não representa um fato isolado e a grande maioria dos integrantes do tribunal tem concorrido para levar adiante o processo de desmoralização da Justiça.

A decisão de soltar novamente o corruptíssimo empresário Jacob Barata Filho demonstra que o ministro Gilmar Mendes perdeu a noção das coisas, pois tomou uma decisão sem sustentação jurídica, com base apenas no exercício da soberba, um dos mais conhecidos pecados capitais, definido no Eclesiastes pela expressão latina «Vanitas vanitatum omnia vanitas» (Vaidade das vaidades, tudo é vaidade»..

PELA TERCEIRA VEZ – Em agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal já tinha concedido outros dois habeas corpus ao empresário, com quem teve relações pessoais, por ser padrinho de casamento da filha de Barata e tio do noivo.

Já houve reação a esses procedimentos, mas não adiantou nada. Quando Gilmar Mendes mandou voltar Barata pela segunda vez, em agosto, a Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) enviou carta-aberta ao Supremo, pedindo aos magistrados para “conter a ação e o comportamento” do ministro Gilmar Mendes. O documento da Associação afirma que “o ministro se destaca e destoa por completo do comportamento dos demais integrantes da Corte”, criticando “a desenvoltura” com que Gilmar Mendes se envolve em assuntos “fora dos autos” e questionando a imparcialidade do ministro para aturar nos processos que envolvem o compadre Jacob Barata Filho.

SEM JUSTIFICATIVA – O pior é que esta terceira decisão nem teve justificativa jurídica. Não levou em conta o fato de Barata continuar dirigindo as empresas envolvidas em corrupção, mesmo estando sob prisão domiciliar. Gilmar Mendes alegou que os decretos de prisão concedidos pela 7ª Vara Federal Criminal e pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região foram uma maneira de contornar sua decisão anterior de libertar o empresário corruptor.

“Tenho que a decisão do Juízo de origem sugere o propósito de contornar a decisão do STF. Dado o contexto, é viável conceder ordem de ofício, suspendendo a execução de ambos os decretos de prisão em desfavor do paciente”, decretou o ministro do STF, desconhecendo toda a base jurídica que fundamentou os pedidos de prisão.

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P.S. 1
Como se sabe, não se trata de um criminoso comum. Barata é réu em duas ações penais no Rio, acusado de pagar R$ 500 milhões em propinas a políticos fluminenses.

P.S. 2Ao julgar réus com os quais se relaciona e tem amizade, como Barata Filho e Michel Temer, o ministro descumpre as leis e o próprio Regimento do Supremo. Mas a quem reclamar, se quase todos os ministros do Supremo também descumprem essas leis?

P.S. 3 –  Ao que parece, as instituições apodreceram, mas os magistrados ainda não conseguem sentir o cheio nauseabundo, putrefato e pestilento que eles mesmos exalam. (C.N.)

“Provas” que o doleiro Tacla Duran enviou à CPI foram grotescamente fraudadas

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Duran mentiu descaradamente ao depor na CPI

Carlos Newton

O advogado doleiro espanhol Rodrigo Tacla Duran, que trabalhou para a Odebrecht de 2011 a 2016 e conseguiu fugir para a Espanha, transformou-se em agente de uma campanha de desmoralização contra o juiz federal Sérgio Moro e a própria Lava Jato. O criminoso foragido tem se oferecido para dar sucessivas entrevistas à imprensa brasileira e suas bombásticas declarações viralizam na internet, repercutidas por sites e blogs ligados a partidos e políticos envolvidos nos esquemas de corrupção, é um verdadeiro festival.

Aqui na “Tribuna da Internet” temos mantido distância desse tipo de “informante”, porque estamos apoiando com entusiasmo a luta contra a corrupção desfechada pela força-tarefa da Lava Jato, formada pela Polícia Federal, Procuradoria-Geral da República e Receita Federal. E nossas suspeitas sobre Tacla Duran vem agora a ser confirmadas, em seu depoimento à CPI da JBS, pois as provas apresentadas (fotos de mensagens em celular) foram claramente falsificadas.

FOTOS E PERÍCIA – Como se sabe, o doleiro espanhol apresentou nesta quinta-feira (dia 30) à CPI da JBS uma perícia para mostrar que são verdadeiras as mensagens que ele teria trocado com o advogado Carlos Zucolotto, amigo e padrinho de casamento do juiz Sergio Moro. O foragido Duran apresentou fotos de mensagens de Zucolotto pelo Wickr, um aplicativo que deleta correspondência automaticamente depois de um curto espaço de tempo. E com essas “provas” ele reforçou as acusações de que o amigo de Moro teria intermediado negociações paralelas dele com a força-tarefa da Operação Lava Jato.

Uma das definições mais perfeitas de Estatística serve também para Perícia, ao assinalar que é “a arte de torturar os fatos até que eles confessem o objetivo que se pretende”. No caso de Duran, a perícia arranjada por ele é de fancaria, uma armação mal feita e que não comprova nada, muito pelo contrário, aliás.

Imagens de mensagens que Tacla Duran afirma ter trocado com Zucolotto

Primeira, terceira e quarta respostas de Tacla Duran não têm horário da transmissão

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JOGO DOS NOVE ERROS

1 – Duran era usuário do aplicativo Wickr, que deleta correspondência automaticamente depois de um curto espaço de tempo. A simples utilização desse recurso já demonstra que Duran é um pilantra envolvido em ilegalidades, porque pessoas decentes não usam programas que apagam suas mensagens.  

2 – Como o aplicativo Wickr desfaz as conversas, isso significa que Duran fez questão de fotografá-las naquela época, há quase dois anos. E somente agora, na CPI da JBS, subitamente se lembrou de apresentá-las. Quem é que pode acreditar numa bobagem dessas?

3 – E de repente Duran surgiu com essas fotos, depois tê-las submetido na Espanha a um exame pericial, que deve ser do mesmo tipo da “perícia” que foi encomendada pelo advogado de Temer na gravação de Joesley Batista, como todos se lembram.   

4 – É duro ver esta armação ser acolhida pela imprensa, para caluniar o advogado Carlos Zucolotto, que representou o escritório de Duran apenas em ações trabalhistas, antes da Lava Jato, e que afirma jamais ter trocado mensagens com Duran, até mesmo porque nunca baixou em seu telefone o aplicativo Wickr.

5 – Não é necessário ser “perito” em Campinas ou em Madri para identificar a fraude urdida pelo doleiro Tacla Duran. E fica claro que a conversa foi montada para atingir diretamente o juiz Moro, ao qual nas falsas mensagens Zucolotto se referiria como “DD”, que significa Digníssimo, uma forma de denominar magistrados.

6 – A conversa não tem a menor verossimilhança, porque Duran teria de pagar uma multa de R$ 15 milhões e isso não existe. O valor da multa só é fixado na sentença ou na homologação do acordo de delação premiada.

7 – Além disso, nenhum cliente aceitaria pagar a um advogado R$ 5 milhões por ter reduzido uma dívida de R$ 15 milhões para R$ 5 milhões. Ou será que alguém  pode acreditar nisso? Perguntem a qualquer advogado.

8 – O pior mesmo foi a falta de cuidado ao montar as “mensagens” no aplicativo. O autor da fraude simplesmente esqueceu de inserir o horário de transmissão na segunda resposta de Duran, assim como na terceira e na quarta respostas. E o famoso “perito” espanhol nem percebeu este importante detalhe…

9 – Para culminar, inexplicavelmente as fotos foram feitas por outro celular. Ora, por que Duran se daria ao trabalho de usar um celular adicional, se poderia ter simplesmente  gravado/fotografado as mensagem em seu próprio celular. É um amadorismo gritante e revelador.

MORO DEFENDE – Duran não faz acusações diretas ao juiz Sergio Moro. O magistrado, no entanto, saiu em defesa do advogado quando a Folha revelou as acusações. Na época, afirmou ser lamentável que a palavra de um acusado foragido da Justiça brasileira seja utilizada para levantar suspeitas infundadas sobre a atuação do Poder Judiciário.

Mas a Folha de S. Paulo insistiu em prestigiar o doleiro, que diz estar escrevendo um livro para destruir a Lava Jato, vejam que pretensão. E agora esta deplorável figura é entrevistada pela CPI mista da JBS via teleconferência, para seguir denegrindo um juiz notável quanto Sérgio Moro, que já se tornou uma das personalidades mais admiradas do mundo.

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P.S. –
O mais ridículo é que sites e blogs estejam a noticiar que a mulher de Moro desistiu de manter sua página nas redes sociais por causa dessas novas acusações de Tacla Duran. Como dizia o mestre Ataulfo Alves, a maldade nessa gente é uma arte… (C.N.)

Reeleição é apenas uma das alternativas de Temer para manter o foro privilegiado

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Charge do Samuca  (Diário de Pernambuco)

Carlos Newton

Como dizia Vinicius de Moraes no genial “Soneto da Separação”, de repente, não mais que de repente a grande mídia começou a noticiar a pretensão do presidente Michel Temer se candidatar à reeleição, conforme há vários meses vínhamos informando aqui na “Tribuna da Internet”, com absoluta exclusividade. O motivo desta aventura eleitoral, como todos sabem, é a desesperada necessidade de Temer manter o foro privilegiado.

Mas a candidatura à reeleição não é a única iniciativa destinada a manter Temer a salvo da Justiça.  Uma das alternativas é preservar o foro privilegiado através da criação do chamado regime semiparlamentarista, arquitetado pelo ministro Gilmar Mendes exclusivamente para atender as necessidades  de Temer, nada tem a ver com o interesse nacional.

“MEIO GRÁVIDA” – Não existe nada igual no mundo, ninguém sabe ao certo o que significa o semiparlamentarismo, que seria mais ou menos como considerar uma mulher como “meio grávida”. A única coisa que se sabe, com certeza, é que se trata de uma saída para Temer não ser processado.

Além da semimudança do regime, o Planalto também se esforça para ampliar o foro privilegiado. Quer modificar a emenda de Álvaro Dias, aprovada por unanimidade no Senado e que restringe o foro privilegiado ao presidente e vice-presidente da República e aos presidentes de Câmara, Senado e Supremo. Uma das pretensões de Temer é estender o foro aos ex-presidentes da República – ele, Lula, Dilma, FHC e Sarney.

Mas esta alternativa só serve para Temer, deixando no sereno os ministros Eliseu Padilha e Moreira Franco, pois a emenda Alvaro Dias acaba com todos os foros especiais que hoje beneficiam cerca de 50 mil autoridades. Portanto, o Planalto acha que o ideal seria simplesmente arquivar a proposta do senador paranaense. Mas isso não acontecerá.

E O SUPREMO? – Os planos de Temer e do Planalto, que têm apoio entusiástico da bancada da corrupção, amplamente majoritária na Câmara, esbarram em dois obstáculos – a pressão da opinião pública pelo fim da impunidade e a firme disposição do Supremo de não validar o foro privilegiado para crimes cometidos antes da ocupação do cargo ou mandato atual.

Isso significa que Temer terá de atirar Padilha e Moreira ao mar, porque o caso deles é perdido, seja pela possível aprovação da emenda Alvaro Dias, seja pela restrição a ser adotada pelo Supremo ao foro privilegiado em crimes ocorridos anteriormente ao cargo ou mandato. Com diziam os dois amigos comunistas Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar, se ficar o bicho pega, se correr o bicho come…

REELEIÇÃO – Quanto à candidatura de Temer, na Praça dos Três Poderes não se fala em outra coisa. Para manter o foro privilegiado e se livrar da implacável primeira instância da Justiça Federal, Temer está mesmo disposto a ser candidato à reeleição. Não é por mera coincidência que seu personal marqueteiro Elisinho Mouco está instalado com a equipe há meses no quarto andar do Planalto, regiamente pagos com recursos públicos.

Quando chegar a hora, Temer vai parodiar o velho bordão de D. Pedro I, ao se insurgir contra Portugal: “Atendendo a insistentes pedidos  para concluir a recuperação do país, digam ao povo que fico” – será a desculpa de Temer.

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P.S.
Padilha e Moreira estão desesperados. Sabem que serão apanhados tão logo percam o foro privilegiado, o que acontecerá depois que o ministro Dias Toffoli devolver os autos da proposta de Luís Roberto Barroso para restringir a proteção aos corruptos. É só uma questão de tempo. Mas eles fingem que não está acontecendo nada e jamais serão alcançados. São dois perdidos num governo sujo, personagens de um moderno Teatro do Absurdo sem final feliz. (C.N.)

Na reta final, Temer, Lula, Dirceu, Eike, Moreira e Meirelles entram na Piada do Ano

Eike é como Buster Keaton, faz a piada e fica sério

Carlos Newton

Com a entrada na reta final, o concurso Piada do Ano ganha inscrições de última hora, todos dispostos a levar o troféu a qualquer custo. A empolgação leva alguns concorrentes a exagerar na dose e suas anedotas acabam caindo no ridículo. O presidente Michel Temer, por exemplo, tem pouca inspiração, mas quer concorrer a todo custo e chegou a mandar fazer um reaproveitamento da grande piada de Dilma Rousseff e exibiu na TV a nova versão da “Saudação à mandioca”, uma das maiores criações de sua antecessora, que se notabilizou internacionalmente com a anedota “Estocagem do vento”, em plena Assembléia da ONU. No desespero, Temer já prepara até o lançamento de sua candidatura à reeleição, realmente uma anedota sensacional.

O ex-presidente Lula, que ganhou o troféu no ano passado com a piada “O homem mais honesto do mundo”, faz uma inscrição atrás da outra, em busca do bicampeonato. Sua candidatura, por exemplo, é uma grande piada, porque todo mundo sabe que ele será condenado em segunda instância no incrível caso do tríplex, que não era dele, mas quem orientou a reforma, mandou instalar elevador, encomendou uma piscina e escolheu até os equipamentos da cozinha foi Dona Marisa Letícia.

PERDOANDO TUDO – Na tentativa de ganhar novamente o concurso, Lula já se inspirou até em Nélson Rodrigues e relançou a piada “Perdoa-me por me traíres”, em duas versões. Primeiro, anunciou que vai perdoa todos os partidos que se uniram para aprovar o impeachment de Dilma Rousseff e tirar o PT do poder. Todo mundo caiu na gargalhada. Lula então se entusiasmou, emendando com piada de que vai perdoar também o juiz Sérgio Moro e a força-tarefa da Lava Jato, e só esperando que lhe peçam desculpas e arquivem os processos.

Isolado em Brasília, José Dirceu também se animou em participar. Entendiado por estar em prisão domiciliar e não haver roda de samba diária na capital, o ex-ministro  está disputando a Piada do Ano com o artigo que escreveu na Folha, no qual expôs sua “estratégia” para o PT ganhar as próximas eleições. Realmente, demonstrou alta criatividade.

EIKE SE INSCREVE – Aproveitando a oportunidade de se apresentar em “stand up comedy” numa CPI do Senado, o empresário Eike Batista também exercitou o humor nesta quarta-feira, dia 29, ao confirmar que existem influências políticas na concessão de empréstimos para o BNDES, mas ele próprio não recebeu nenhum favorecimento, porque seus projetos eram todos de “interesse nacional”.

Os senadores caíram na gargalhada e depois tiveram de aplaudir de pé quando Eike emendou e fez elogios à força-tarefa da Lava que o prendeu em janeiro na penitenciária de Bangu 9, quando ele teve de se livrar da peruca e assumir a careca. A piada realmente é ótima e original, porque foi a primeira vez que os senadores viram um réu enaltecer os responsáveis por sua punição, pois Eike ainda cumpre prisão domiciliar e não pode sair de casa à noite nem nos fins de semana e feriados.

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P.S.
A disputa é muito árdua. Uma piada atrás da outra. Nesta quarta-feira, Moreira Franco também se inscreveu, com a piada de que Temer pode apoiar a candidatura de Meirelles à presidência da República. Na Praça dos Três Poderes, foi uma gargalhada em uníssono, porque todo mundo sabe que Temer odeia Meirelles e acusa o ministro de querer faturar a recuperação da economia e levar todo o mérito por essa grande vitória governamental. Aliás, Temer quer justamente o contrário do que disse Moreira – seu plano é ser candidato à reeleição, com o apoio fundamental de Meirelles, que seria mantido como ministro no próximo governo. Portando, com a insistência em suas candidaturas, Meirelles e Temer também fazem piadas maravilhosas, é um nunca-acabar. (C.N.)

Lula pode perder as esperanças de ser candidato, não há mais a menor chance

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Existem duas situações políticas totalmente distintas na eleição de 2018. A primeira hipótese parte do pressuposto de que Lula da Silva será candidato, irá para o segundo turno, disputará a Presidência contra Jair Bolsonaro e ninguém pode prever quem ganhará a eleição. A segunda possibilidade é de que Lula não consiga ser candidato, e assim o PT ficará fora do segundo turno e também será impossível antecipar quem irá enfrentar Bolsonaro. E tudo vai depende do resultado do julgamento de sua Apelação ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), contra a condenação a nove anos e meio de prisão aplicada pelo juiz Sérgio Moro, por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá.

Como se sabe, para ter sua candidatura registrada pela Justiça Eleitoral, Lula precisará de pelo menos um voto a favor no julgamento da 8ª Turma do TRF-4, para que seus advogados possam apresentar embargos infringentes e adiar a decisão, de forma a permitir o registro da candidatura.

SEM CHANCE – Sonhar ainda não é proibido, mas já está mais do que evidente que Lula será condenado no TRF-4. Nesta terça-feira, dia 28, a 8ª Turma negou um importante recurso da defesa de Lula para dar sequência ao mandado de segurança que solicita o desbloqueio de bens dele, no processo da Lava Jato envolvendo o tríplex em Guarujá.

O pior foi que a 8ª Turma, além de manter o bloqueio de R$ 16 milhões, estabelecido como dano mínimo, também determinou o sequestro do apartamento, que foi devolvida à empreiteira OAS pela família Lula da Silva, está fechado e não pode ser vendido nem alugado.

Com esta decisão, tomada por unanimidade, a 8ª Turma do Tribunal sinaliza que vai manter a condenação de Lula, que também já teve bloqueados judicialmente mais de R$ 600 mil em contas bancárias e cerca de R$ 9 milhões que estavam depositados em dois planos de previdência privada.

UM DIA DE CÃO – Foi uma terça-feira terrível para a defesa de Lula. Além da decisão negativa da 8ª Turma do Tribunal, houve a publicação de uma importante matéria de José Marques na Folha de S. Paulo, mostrando que os desembargadores federais estão acelerando cada vez os julgamentos dos processos da Lava Jato.

A fila anda e o levantamento feito pelo excelente repórter demonstra que a Apelação apresentada pela defesa de Lula não tarda a ir a julgamento. E isso acontecerá bem apenas no início do registro das candidaturas, que só acontecerá em agosto.

O julgamento de Lula não vai demorar, porque Ministério Público Federal já encaminhou parecer à 8ª Turma do TRF-4, reforçando o pedido de condenação. Agora só falta o voto do relator João Pedro Gebran Neto, que será encaminhado ao revisor Leandro Paulsen, que então analisará o parecer e marcará a data do julgamento, que tudo indica confirmará a condenação de Lula por 3 votos a 0, impedindo que sua candidatura seja registrada na Justiça Eleitoral, devido à Lei da Ficha Limpa.

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P.S.
É impressionante que importantes observadores políticos continuem analisando a sucessão presidencial de 2018 como se a candidatura de Lula fosse irremovível, um fato consumado, quando na verdade é apenas uma obra de ficção, com prazo de validade prestes a vencer. Lula já é carta do baralho e a grande dúvida é saber quem irá enfrentar Bolsonaro no segundo turno. Estou com vontade de abrir um bolo esportivo aqui na TI, para saber quem a galera acha que vai preencher a vaga de Lula na sucessão. Como diz a Bíblia, muitos são chamados, mas poucos os escolhidos. (C.N.)

Radicalismo liberal de Paulo Guedes ameaça destruir a candidatura de Bolsonaro

O economista Paulo Guedes durante entrevista (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)

Guedes quer reforma total na CLT e na Previdência

Carlos Newton

O banqueiro Paulo Guedes, cotado para conduzir a economia do país caso o candidato Jair Bolsonaro vença as eleições, é um dos ideólogos do Instituto Millenium, criado em 2005 para implantar no Brasil um sistema político-econômico ultraliberal, com privatização de todas as estatais, redução radical dos direitos trabalhistas e previdenciário, com submissão do país ao sistema globalizado imposto pelas forças econômicas transnacionais. Sua intransigência é bastante conhecida, através dos artigos que escreve e das entrevistas que concede representando o pensamento da extrema-direita do Millenium.

“NOVA SOCIEDADE” – Guedes defende o conceito de uma “nova sociedade aberta”, quer vender todas as estatais e critica enfaticamente o ex- presidente Fernando Henrique Cardoso, dizendo que ele é “o homem que se envergonha das próprias privatizações”.

Em artigo publicado nesta segunda-feira por O Globo, o porta-voz do Millenium, ao analisar a campanha eleitoral da sucessão, classifica a assustadora dívida pública do governo de “moderado endividamento” e defende uma redução radical dos direitos sociais, através de “verdadeiras reformas trabalhista e previdenciária, e não puxadinhos de fim de governo”.

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“NÃO HÁ TEMPO A PERDER”
Paulo Guedes
(O Globo)

O programa de uma campanha presidencial para as eleições de 2018 terá de enfrentar os temas que descredenciaram candidatos e partidos da Velha Política. Corrupção e impunidade na política. Estagnação econômica e desemprego em massa. Falta de segurança das vidas e propriedades nas ruas e no campo. Falta de saneamento básico, moradia, acesso aos serviços de saúde e de educação para as classes mais pobres.

O enigma que devorou a classe política e degenerou a democracia emergente é que o governo gasta muito e gasta mal.

Gasta muito se compararmos suas necessidades de financiamento com as fontes disponíveis: impostos, emissão não inflacionária de moeda e moderado endividamento.

Gasta mal se compararmos os usos alternativos dos recursos públicos: de um lado, juros astronômicos tornaram o país o paraíso dos rentistas e o inferno dos empreendedores, enquanto faltam de outro lado recursos para saúde, educação, segurança e moradia nas comunidades em que efetivamente vive a população.

As digitais de programas de estabilização mutilados pela falta de apoio fiscal são os excessivos gastos em juros da dívida interna.

Mas gasta-se demasiado também em salários e benefícios previdenciários abusivos no setor público, se comparados aos existentes no setor privado, ou mesmo aos níveis mais baixos do próprio funcionalismo público.

São excessivos e socialmente perversos também os subsídios e isenções a empresas e setores favorecidos discricionariamente pelo governo.

A perversidade dessa estrutura de gastos públicos resulta no agravamento das desigualdades sociais.

O caminho para a recuperação da dinâmica de crescimento econômico e a regeneração da classe política passa pelo aperfeiçoamento das instituições republicanas e pelo aprofundamento das reformas.

O pacto federativo como eixo de governabilidade. A reforma política, o fim do foro privilegiado e as medidas anticorrupção para garantir efetividade e decência na vida pública. É uma bela agenda.

Os gastos públicos são centralizados em demasia (reforma fiscal), financiados por impostos excessivos (reforma tributária), as relações de trabalho são obsoletas e os encargos sociais proibitivos (verdadeiras reformas trabalhista e previdenciária, e não puxadinhos de fim de governo).

Não há tempo a perder.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– Na expectativa de chegar ao poder e colocar em prática suas teses inovadoras, que até hoje não foram adotadas em nenhum outro país, Paulo Guedes se conteve e não avançou muito o sinal neste texto para o Globo. Mas a internet está repleta de artigos e entrevistas em que o ideólogo do Millenium se expõe “au grand complet”, com dizem os franceses, que são espertos e jamais aceitariam a aventura de um liberalismo total. Na realidade, Paulo Guedes é um radical intransigente, seu furor uterino liberalizante mostra-se incontrolável, quer sepultar John Maynard Keynes e ressuscitar Adam Smith, desprezando tudo o que prática político-econômica tem comprovado desde a Grande Depressão de 1929. Diante desta realidade, fica no ar a grande dúvida: será que Jair Bolsonaro defende as mesmas teses inflexíveis do Instituto Millenium ou entrou nessa história de gaiato, sem saber como quem está lidando? Logo saberemos. (C.N.)

“Biografia da Televisão Brasileira” comete um grave erro sobre Roberto Marinho

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Livro diz que Marinho “comprou” a TV Paulista

Carlos Newton

Em festiva noite de autógrafos, foi lançado há dias em São Paulo o livro “Biografia da Televisão Brasileira”, (2 volumes com mais de 900 páginas),  de autoria de Flávio Ricco e José Armando Vannucci.

José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o mago da televisão brasileira, que transformou a Rede Globo numa das maiores empresas de comunicação do mundo e que de lá foi inexplicavelmente afastado por Roberto Irineu Marinho, atual diretor-presidente da antiga empresa 296 Participações S/A (hoje, denominada Globopar), é importante e fundamental registrar essa história em um livro. “Toda e qualquer obra que seja escrita para contar essa epopéia é necessária para futuras gerações”, disse Boni.

ERRO NO LIVRO – A minuciosa biografia comete um equívoco ao dizer que Roberto Marinho comprou a TV Paulista (atual TV Globo de São Paulo) da Organização Victor Costa, porque isso não é verdade. E para que no futuro não se alegue ignorância, é bom esclarecer pelas seguintes razões:

1 – A Organização Victor Costa não era acionista e nem controladora da Rádio Televisão Paulista S/A, canal 5 de São Paulo. A TV Paulista jamais fez parte da Organização Victor Costa.

2 – Em novembro de 1964, Marinho firmou um instrumento particular, verdadeiro contrato de gaveta, por intermédio do qual teria adquirido de Victor Costa Júnior o controle da TV Paulista, mas ele nem era acionista da emissora, apenas diretor. No inventário de Victor Costa, pai dele, concluído em 1986, também não constou como bem a ser inventariado a antiga Rádio Televisão Paulista S/A, concessionária do canal de 5  de São Paulo.

3 – Esse “negócio impossível” jamais poderia ter se efetivado sem a prévia aprovação das autoridades federais, que até hoje informam ignorar a existência desse contrato de gaveta ou instrumento particular de cessão de cotas, objetivando a transferência do controle da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo) para Roberto Marinho.

4 – Para o Ministério Público Federal, que já investigou essa questão, a Rádio Televisão Paulista S/A (atual TV Globo de São Paulo) funcionou irregularmente sob o comando de Roberto Marinho a partir de maio de 1965, pois seu quadro de acionistas (eram mais de 600) até 1976 não fora regularizado, o que deveria ter causado a cassação da concessão da TV, não fossem a boa vontade e a omissão do regime militar então vigente.

NEGÓCIO FORJADO – A bem da verdade, não houve venda nem compra, apenas usurpação dos direitos societários dos 600 sócios fundadores da TV Paulista, com base na alegação de que muitos teriam falecido ou não foram encontrados em seus endereços residenciais ou comerciais.

Segundo os advogados da Rede Globo, neste caso teria ocorrido a “prescrição” de supostos direitos. Exemplificando melhor: Marinho se apossou, ilegalmente, das ações e como não houve denúncia à época, tudo teria se legalizado com o transcorrer do tempo, como se fosse possível existir “usucapião” de bens particulares, de propriedade reconhecida e legitimada, em apossamento de má fé.

COM NOVO “DONO” – O caso da TV Paulista é semelhante à situação de um proprietário de um automóvel, que, tendo deixado seu precioso carro em um estacionamento por longo tempo, posteriormente teve seu veículo registrado em nome de outra pessoa, com base em documentos mal forjados, que passaram a justificar uma compra e venda que jamais existiu.

Acertadamente, os autores da “Biografia da Televisão Brasileira” fizeram a ressalva de que “a compra da TV Paulista, até nos dias de hoje levanta discussões sobre sua validade e gera polêmicas”, mas jamais deveriam aceitar a versão fantasiosa que a Rede Globo propaga, ao afirmar que Roberto Marinho teria comprado a TV Paulista em negócio fechado com a Organização Victor Costa, que jamais foi dona do estratégico Canal 5 de São Paulo.

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P.S. 1 –
Numa segunda edição da obra, que é importantíssima e tem um valor extraordinário, os autores precisam corrigir essa impropriedade. A bem da verdade, é claro.

P.S. 2 –
E não perca amanhã o artigo mostrando como uma empresa com capital de apenas R$ 1,4 mil passou a ser controladora da Rede Globo, em decreto assinado pelo então presidente Lula em 2005. (C.N.)