Juiz e delegada se desentendem por causa de perguntas feitas por Toffoli

ONG na mira de Toffoli é crítica a decisões do ministro - 05/02/2024 -  Poder - Folha

Toffoli desrespeitou a delegada e mandou suas perguntas

Alvaro Gribel e Aguirre Talento
Estadão

A audiência no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira, 30, sobre investigações de irregularidades no Banco Master começou com duas discordâncias entre a delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo e o juiz auxiliar Carlos Vieira Von Adamek, sobre a condução do processo.

Primeiro, Palazzo queria fazer a acareação (confronto de versões), porque essa era a determinação oficial do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso, para a sessão desta terça.

SEM DESPACHO – Apesar de a assessoria do STF ter informado que ele havia mudado de ideia, permitindo os depoimentos e deixando a decisão sobre a acareação a cargo da delegada, não houve despacho nesse sentido e, por isso, Palazzo quis seguir o que valia do ponto de vista oficial.

Foi então que Adamek ligou para Toffoli, e o ministro determinou, por telefone, que os depoimentos fossem tomados antes.

Depois, Adamek entregou a Palazzo uma lista de perguntas que deveriam ser feitas pela delegada – o que fez com que ambos elevassem o tom do desentendimento. Ela afirmou que caberia à PF conduzir o interrogatório, e não ao STF.

DELE PRÓPRIO – Adamek, então, ligou novamente para Toffoli, que ordenou que as perguntas fossem feitas como se fossem dele próprio.

De acordo com interlocutores do STF, o juiz auxiliar entregou as perguntas à delegada dizendo que seria uma “sugestão” para o interrogatório dela, mas não interferiu nas perguntas feitas por ela.

Na visão de pessoas envolvidas no processo, as perguntas de Toffoli configuram uma inversão da ordem jurídica, já que o próprio ministro passou a conduzir as investigações, passando por cima da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

NOVIDADE – O procedimento adotado por Toffoli não é comum em apurações criminais na fase de inquérito. No STF, no entanto, o ministro Alexandre de Moraes foi criticado por agir como juiz e investigador. A mesma crítica tem sido feita a Toffoli no caso Master.

Como revelou o jornal O Globo e confirmou o Estadão, na lista de perguntas ao banqueiro Daniel Vorcaro estavam questionamentos sobre o que ele havia achado da atuação do próprio BC sobre a liquidação do Master.

Interlocutores do ministro Dias Toffoli, porém, afirmam que foi a própria delegada quem tomou a iniciativa de perguntar ao banqueiro sobre a atuação do Banco Central no processo de investigação do Master.

OUTROS DEPOIMENTOS – Depois de Vorcaro, deram seus depoimentos o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, foi deixado para falar por último

O BC chegou a pedir ao STF para que ele falasse por videoconferência, mas o pedido foi negado pela Corte, sob justificativa que Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, falariam presencialmente.

6 thoughts on “Juiz e delegada se desentendem por causa de perguntas feitas por Toffoli


  1. Toffoli quer criar uma espécie de “embargos infringentes” na decisão unânime do colegiado de diretores do BC (inclusive o Galípolo) a respeito da liquidação do Master e, assim, desfazer a liquidação e também – a seguir – valer a compra do liquidado pelo BRB.
    Que patife !

    • Como assim ? Ora, Ailton Aquino, antes da decisão unânime, retardou ao máximo a liquidação do Master. É aí que Toffoli quer aproveitar para intervir no BC, que, teoricamente, é independente. Se duvidar, vamos ter que pagar indenização.

      Bem, se temos criminoso descondenado, porque não teríamos banco fraudulento desliquidado ?

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