Veto à Lei da Dosimetria pode levar STF a novo confronto com o Congresso

Projeto da dosimetria deve ser questionado no STF

Mariana Muniz
O Globo

Com a mobilização do Congresso para derrubar o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto da dosimetria, ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o tema será questionado e apreciado pela Corte.

Se o veto for derrubado, o texto será promulgado e beneficiará o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros condenados pela trama golpista e os ataques do 8 de janeiro de 2023. Magistrados ouvidos pelo O Globo afirmam que, se isso ocorrer, o STF será provocado a se pronunciar sobre a legalidade da iniciativa.

ATRIBUIÇÃO – Em dezembro, porém, quando a proposta foi aprovada, uma ala de ministros da Corte avaliava que não caberia ao tribunal impor obstáculos ao texto aprovado, tendo em vista que esta é uma das atribuições do Congresso.

Parte do texto também teve o aval de integrantes do tribunal e foi elaborado pelos parlamentares. O projeto vetado por Lula altera os critérios utilizados pelo Judiciário para o cálculo das penas aplicadas.

Parlamentares da oposição e parte do Centrão já articulam o movimento contrário à decisão do presidente, anunciada nesta quinta-feira durante solenidade que marcou os três anos do 8 de janeiro. Em anos recentes, o tribunal se debruçou sobre a validade ou não de vetos presidenciais em algumas ocasiões.

Em 2023, Lula vetou parte da lei aprovada pelo Congresso que validava a tese do Marco Temporal das terras indígenas, declarada inconstitucional pelo Supremo no mesmo ano. Contudo, os parlamentares derrubaram o veto de Lula e partidos governistas acionaram a Corte pedindo a derrubada da tese — que acabou sendo declarada inconstitucional novamente em julgamento concluído no final de 2025.

ZONA FRANCA – Ainda em 2022, durante o governo Bolsonaro, o plenário decidiu, por exemplo, derrubar o veto do então presidente contra a proibição de empresas da Zona Franca de Manaus importarem petróleo e derivados com isenção de PIS e Cofins. Antes, em 2020, a Corte considerou inválido um veto de Bolsonaro que desobrigava o uso de máscaras em presídios durante a pandemia de covid-19.

Um dos principais pontos do texto vetado nesta quinta-feira por Lula muda a forma de somar as penas quando um réu é condenado por mais de um crime cometido no mesmo contexto, ao proibir a chamada soma material das condenações.

Na prática, quando crimes como tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado fossem praticados conjuntamente, passa a valer apenas a pena mais grave, e não a soma das duas condenações, como ocorre hoje.

FLEXIBILIZAÇÃO – Além disso, o projeto flexibiliza as regras para progressão de regime nos crimes contra o Estado Democrático de Direito. O texto prevê a aplicação do menor tempo possível de prisão para a mudança de regime, sem levar em conta fatores como reincidência, uso de violência ou grave ameaça.

Dessa forma, condenados que apresentassem bom comportamento poderiam progredir para o regime semiaberto ou aberto após o cumprimento de ao menos 16,6% da pena. Atualmente, esse percentual é de 16%, mas a legislação em vigor prevê critérios mais rígidos para crimes dessa natureza, especialmente quando envolvem violência ou ataques às instituições.

4 thoughts on “Veto à Lei da Dosimetria pode levar STF a novo confronto com o Congresso

  1. Teria havido um “acordão” entre Barba e deputados e senadores

    Eles aprovaram. Agora ele vetou. E, depois, eles derrubam o veto.

    A ver.

    Judiciário seria desdobro seguinte.

  2. Direitas e Centrão (desnorteados) se acorrentam a golpismo do ex-mito

    Paulinho da Força (…) está empenhado em livrar o ex-mito e seus comparsas da cadeia. Há dez anos, ele também tentou emplacar uma anistia para Eduardo Cunha.

    A prisão do ex-mito ofereceu uma oportunidade para setores da direita se descolarem do golpismo.

    Até aqui, a opção majoritária foi por se acorrentar aos condenados. É perda de tempo esperar outra atitude do Centrão, mais interessado em salvar o Banco Master do que em proteger a democracia.

    Os autoritários dessa história são os derrotados de 2022, que não aceitaram o resultado das urnas e tentaram usar a força para se perpetuar no poder.

    Fonte: O Globo, Opinião, 09/01/2026 00h00 Por Bernardo Mello Franco

  3. Se essa cuanga for aprovada reduziria a pena dele em quanto?
    Ele pegou 27 anos e três meses, reduziriam pra uns 15 anos?
    Eu no caso dele ia preferir outra facada, agora nas costas.

    • Ainda no terreno das elucubrações, alguns da esquerdas alegam que ele só se elegeu por causa da facada, nessa linha de raciocínio, se ele morrer na prisão vai eleger seu filho.

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