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Tarcísio desmarcou viagem anterior após declaração de Flávio
Jeniffer Gularte
O Globo
Com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, vai visitar Jair Bolsonaro (PL) na próxima quinta-feira no ensaio de uma reaproximação com o ex-presidente. No final de semana, o governador também declarou apoio à mobilização liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) a favor da soltura de Bolsonaro.
Em vídeo nas redes sociais, afirmou que a caminhada expressa “uma vontade imensa de mudança” e disse que o movimento seria resultado do que chamou de inconformismo diante de uma “crise moral” no país. Na semana passada, Tarcísio recuou da visita que faria no dia 22 ao ex-presidente para evitar que o encontro virasse um gesto político em torno da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
MOTIVO PESSOAL – A justificativa formal apresentada pelo governador foram compromissos em São Paulo, mas ele permaneceu no Palácio dos Bandeirantes. Na sexta-feira, Tarcísio alegou motivo pessoal pela ausência na visita e afirmou que iria se empenhar pela campanha de Flavio Bolsonaro:
“Não tem nada de pressão. Até porque agora a gente vai trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro, não vai ter problema nenhum com relação a isso. Acho que, com o tempo, as coisas vão se acomodando. Isso é absolutamente normal. Tenho certeza que teremos uma candidatura muito competitiva”, acrescentou o governador.
A interlocutores, no entanto, Tarcísio reconheceu incômodo com a declaração de Flávio afirmando que, na visita, ele ouviria de Bolsonaro que uma eventual candidatura à Presidência estava descartada e que a reeleição em São Paulo era essencial.
PAPUDINHA – Bolsonaro está preso no Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como “Papudinha” por ficar ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por uma tentativa de golpe de Estado e todas as suas visitas precisam ser autorizadas por Moraes.
Apesar das afirmações públicas de que tentará a reeleição em São Paulo, Tarcísio vem ampliando movimentos para se manter na corrida ao Palácio do Planalto, com críticas ao governo Lula e conversas sobre seu futuro político.
Neófito político, Tarcínico enfia agora o rabo entre as pernas e vai dizer ‘sim, senhor’ ao seu criador e guru, o ex-mito.
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Achando-se se presidenciável, Tarcínico perdeu o controle até do próprio governo
Um exemplo disso é a lambança perpetrada pelo seu secretário Kassab, que iria deixar o cargo em dezembro.
E que não só não deixou o posto como ainda abandonou a suposta candidatura presidencial de Tarcínico, passando a promover abertamente a candidatura do paranaense Ratinho Jr ao Planalto.
Nikolas, o novo “bezerro de ouro” do Brasil
O risco para o país não é a eleição de candidatos que misturam política e religião, mas a normalização desse padrão
O exímio mobilizador digital – travestido de deputado federal -, Nikolas Ferreira (PL-MG), caminhou de Paracatu (MG) a Brasília (DF).
É claro que o jovem bezerro de ouro fez tudo isso em nome de Deus, pátria e família, né? Jamais passou pela minha cabeça ser por interesse pessoal e eleitoreiro.
Ao longo do trajeto, o pregador mineiro ratificou a iniciativa como um evento de motivação religiosa. Cercou-se da linguagem da fé e mobilizou lideranças do meio evangélico.
Misturar religião e política sempre funcionou, e em tempos de internet e redes sociais, o algoritmo assume o papel de apóstolo moderno.
O fanatismo político-religioso aparece quando esse padrão deixa de ser episódico e passa a estruturar o poder.
A história mostra que esse padrão não termina bem.
Sociedades não entram em crise apenas por “excesso de divergência”, mas por perderem a capacidade de divergir como parte do processo político.
A instrumentalização da religião não é perigosa por envolver a fé, mas por bloquear a revisão, a evidência e a responsabilidade.
A democracia deixa de funcionar como um sistema de correção e passa a operar como um sistema de confirmação de certezas transcendentais.
O desafio do Brasil é preservar a ideia básica de que política é campo de decisão humana, falível, revisável, e não extensão de um dogma religioso qualquer.
Fonte: O Antagonista, Opinião, 25.01.2026 15:43 Por Ricardo Kertzman
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