
No centro da tensão está o estratégico Estreito de Ormuz
Pedro do Coutto
A escalada militar envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã já produz consequências profundas que ultrapassam o campo bélico e alcançam a economia global, a diplomacia e até a estabilidade política interna de diversos países.
No centro dessa tensão está o estratégico Estreito de Ormuz, corredor por onde transita parcela significativa (20%) do petróleo mundial, cuja eventual obstrução elevaria rapidamente o preço do barril e pressionaria cadeias produtivas e índices inflacionários em escala planetária.
EFEITOS SISTÊMICOS – Instituições como o FMI e a Agência Internacional de Energia reiteram há anos que qualquer instabilidade no Golfo Pérsico gera efeitos sistêmicos, pois compromete fluxos logísticos essenciais e amplia o custo energético global, afetando especialmente países dependentes de importação de combustíveis.
Nesse contexto, a possibilidade de retaliação iraniana por meio de ataques indiretos ou restrições ao transporte marítimo insere-se numa doutrina de dissuasão assimétrica analisada por centros estratégicos como o Council on Foreign Relations e o International Institute for Strategic Studies, que destacam a capacidade de Teerã de projetar influência regional sem recorrer necessariamente a confrontos diretos convencionais.
A ausência de um cessar-fogo imediato amplia o risco de escalada por ciclos sucessivos de ação e reação, padrão recorrente em conflitos do Oriente Médio, mas que agora ganha dimensão global diante da posição cautelosa de Rússia e China, potências que avaliam custos e benefícios estratégicos antes de qualquer alinhamento explícito.
NOVA ORDEM – Esse cálculo geopolítico sinaliza a transição para uma ordem internacional mais fragmentada e competitiva, na qual crises regionais se conectam a disputas globais por influência.
Paralelamente, a guerra na Ucrânia permanece como variável invisível, drenando recursos militares e atenção diplomática do Ocidente, o que reforça a percepção de que conflitos regionais hoje funcionam como peças interligadas de um tabuleiro estratégico mais amplo. O resultado é um ambiente internacional de tensão prolongada, em que cada episódio local repercute na arquitetura de poder global.
Nesse cenário, o posicionamento do Brasil contrário aos bombardeios reflete sua tradição diplomática de defesa do multilateralismo e do papel mediador da Nações Unidas, ao mesmo tempo em que revela preocupação pragmática com os impactos econômicos de uma alta abrupta do petróleo sobre inflação, combustíveis e equilíbrio fiscal doméstico. A guerra distante, portanto, tem efeitos concretos na vida econômica nacional.
TURBULÊNCIAS – Ao mesmo tempo, o ambiente político brasileiro convive com turbulências institucionais que evidenciam como crises externas podem amplificar tensões internas. Decisões recentes do Supremo Tribunal Federal — como a anulação de medidas investigativas determinada por Gilmar Mendes em processo que tangencia interesses ligados ao ministro Dias Toffoli e conexões empresariais envolvendo o Banco Master — reacendem debates sobre transparência, limites das CPIs e o delicado equilíbrio entre os poderes da República.
Em meio a esse entrelaçamento de guerra externa e disputas institucionais internas, emerge um clima de incerteza estrutural que desafia governos, mercados e sociedades.
A atual fase histórica não é marcada apenas por confrontos militares pontuais, mas por uma disputa contínua de influência política, econômica e narrativa que redefine, silenciosamente, o equilíbrio do poder global e testa, simultaneamente, a resiliência das democracias nacionais.
A causa-tampão, o anti-imperialismo, que oculta as verdadeiras causas da tal “esquerda progressista”, a tornou uma força reacionária, atrasada, extemporânea, que assim se expressa:
– é uma causa inócua. Impérios só são superados por outros, e no momento, nem a China, que abandonou as superstições da esquerda e tornou-se a Segunda Economia, faz cócegas no domínio norte-americano, antes tem aí um mercado de 438,9 bilhões de dólares e superávit de 295,4 bilhões (a China vai muito jogar fora tudo isto pra ficar do lado do porco anticivilizacional, Lula, na Guerra do Irã. O máximo que faz é soltar notinhas proforma. É a prevalência da infra sobre a superestrutura);
– mostrando não ter causa nenhuma, acaba por adotar a defesa do que há de mais sórdido, atrasado e bárbaro, como a defesa do narcotraficante e torturador maduro, ou o hitler da atualidade, o finado Khamenei, in nomini do anti-imperialismo;
– sendo os EUA hegemônico da fantástica evolução das forças produtivas que deram na Quarta Revolução Tecnológica, misturando alhos com bugalhos, acabam de se contraporem a este avanço, tornando-se uma força conservadora e reacionária, tendo a frente o jacu de gaiola, Lula, que quer que retornemos à Era da Máquina de Escrever.
Sendo que o propósito, ainda que metafísico-idealista de Marx e seu socialismo, era justamente libertar as forças produtivas das amarras que haveria no capitalismo. E não as segurar como o seu líder reacionário, Lula, quer fazer, taxando e censurando as big techs.
São da mesma espécie dos cristãos, que usam o revolucionário Cristo, para justificar suas ideais conservadoras.
Na realidade trata-se de uma força anticivilizacional, reacionária, retroutópica e fora da realidade e de nosso tempo.
Ah! Importante destacar, que adotando oportunistamente o identitarismo (advindo da cultura woke do Império), a tal “esquerda progressita” abandonou a eventual luta no que importa e que pode transformar, a infraestrutura, pra militar no mundo cor-de-rosa metafísico da superestrutura.
Ou seja, uma luta inócua, sem qualquer capacidade de trasnformar efetivamente qualquer coisa.
Com seu apoio ao massacre do povo iraniano, não só a nossa, como toda a tal “esquerda” mundial, pregou o último prego no seu caixão.
Um exemplo desta sua militância, tão somente no mundo cor-de-rosa da superestrutura, é a defesa da jornada 6X1, em que uma lei poderia mudar as complexas relaçoes do mundo real infraestrutural, das forças produtivas e relações socias concretas.
O que acabo de ver no twitter de um desses sujeitos:
“O capitalismo ruiu e os EUA precisam de uma guerra para ofuscar suas próprias mazelas”.
Quem quiser compreender como funciona a cabeça esquizo-idealista-metafísica destes sujeitos, leaiam A Sagrada Familia, de Marx, disponível aqui: https://dlivros.com/livro/sagrada-familia-karl-marx