Luiz Felipe Pondé
Folha
O escritor Nelson Rodrigues deveria ser lido em cada lar, nas escolas, em cada enfermaria de hospital, nos cemitérios, em cada cama de casal, nas igrejas, na porta dos bares, nas confrarias de bêbados, nas escolas de freiras e nas casas das “meninas”, ditas filhas da desgraça.
Mas não. Tentam apagá-lo das casas editoriais, chamam-no de reacionário e machista, veem nele um inimigo supremo do progresso moral, quando ele foi, na verdade, o profeta da morte dos gestos.
MORAL E GESTOS – Ao contrário do que pensam os idiotas da objetividade, a moral é feita de gestos, não de ideias. Não existe moral sem gestos, enquanto ideias confundem a alma. Mesmo a imoralidade é feita de gestos e também é parte da moral. Se não existisse aquela, esta seria inútil e oca. Só os imorais, assim como os neuróticos, verão a Deus.
O patife, a vagabunda, a adúltera são seres morais, enquanto o idiota da objetividade é um sujeito, em termos morais, tão estéril quanto três desertos. Como Nelson mesmo dizia, o profeta é aquele que vê o óbvio. E o ululante.
Nosso mundo moral se transformou em três desertos. O bem moral jamais pode ser objeto de promoção como é hoje em dia. No limite, o marketing torna as pessoas estéreis.
FILOSOFIA DE NELSON – A obra do Nelson tem conceitos filosóficos. No entanto, em relação a conceitos filosóficos, a atitude dele é o gesto tímido, não a propaganda da posse desta inteligência filosófica.
Um pouco como ele dizia a respeito do bem — o bem se envergonha de ser chamado pelo seu nome, esconde-se da plateia, prefere o anonimato. Se alguém o confrontar, morrerá de vergonha. Se puder, mentirá acerca de si mesmo, e esta mentira será o mais profundo ato de misericórdia. Qualquer um que olhar o bem nos olhos, cairá de joelho — ou, se não cair de joelhos, é porque já estará no inferno.
Mas a visão aguda da alma moral humana, no Nelson, toca o sublime. Sua crítica à educação sexual nas escolas, principalmente nas escolas “pra frente” de freiras paulistas, deve-se à afirmação delas, segundo Nelson, de que mesmo crianças de cinco anos podem e devem ter aulas de educação sexual. E aí vem o centro da argumentação delas —”não há mistério algum no sexo”. Será?
SEXO E MISTÉRIO – Toda forma de sexo carrega em si algum nível de mistério, mesmo que seja sexo pago às meninas que tornam a vida de alguns homens menos solitárias. Sexo e felicidade não estão necessariamente relacionados. E isso já é, em si, um mistério, uma vez que, em grande parte das vezes, ele nos leva à infelicidade, mesmo que tenha sido por amor.
Nada há de “saúde” no sexo, portanto, não existe sexo saudável. Não é natural como “ter sede e beber água”, como outras freiras diziam, segundo Nelson. Alguém pode imaginar mistério maior do que o sexo em meio ao voto do celibato? Quanto mais reprimido, mais poderoso. Dele, potencialmente, sai um outro ser humano. O luto do sexo, principalmente se foi elemento constitutivo de um relacionamento romântico, nunca repousará.
ENTRE AS PERNAS – Para os homens, o lugar do mistério está entre as pernas das mulheres. Quando não há mais interesse nesse mistério, parte do que é ser uma mulher se esvai como um animal que sangra por horas, ainda estando vivo. Agoniza, enquanto grita contra a injustiça do mundo.
Há no Nelson uma compreensão precisa do conceito filosófico de “imaginação moral”. Tal conceito foi cunhado a partir de um famoso trecho da obra “Considerações sobre a Revolução na França”, do autor britânico Edmund Burke, ao final do século 18, em que ele descreve o que viria a acontecer com os aposentos da rainha Maria Antonieta durante a Revolução Francesa.
Esta cena descreve a invasão do povo aos aposentos dela e, consequente, a vandalização de tudo aquilo que ela tinha ali. Roupas, acessórios, maquiagem, sapatos, cama, lençóis, espelhos. Burke, muito precisamente, percebe que uma vez tendo descoberto que a rainha era apenas uma mulher, logo descobririam que uma mulher é apenas um animal.
EXEGESE DA MORAL – Aqui está o núcleo do conceito de “imaginação moral”. A moral não é um conjunto de ideias, mas hábitos, símbolos, cheiros, gostos, costumes, objetos estéticos, narrativas, medos, interdições —enfim, fruto da imaginação e não da lógica ou do encadeamento de argumentos. Pois bem, o Nelson sabia disso, coisa que pouca gente importante sabe.
Nelson relata o que um jovem — a figura boçal criada pela contracultura, “a grande impostura” — disse certa vez. “O lar nada mais é do que cadeiras, mesas, louças”.
Nelson percebeu a devastação do lugar da família na imaginação moral. Hoje, essa devastação virou ciência, artefato de uso comum por parte dos inteligentinhos.
https://www.henrymakow.com/
[1/3 15:36] “Makow – Por que as pessoas estão enlouquecendo?”
1º de março de 2026.
Assim como a questão da expansão da corrupção, pelas elites cleptopatrimonialistas, conluiadas no Aparato Petista, para o mercado financeiro, não se trata do aumento de eventual percepção e condenação do aumento de sua imoralidade, mas de uma restrição absolutamente material, econômica, capitalista, como expus, recorrendo a Marx no comentário do artigo anterior.
“Se há corrupção bancária, manipulação de ativos, fraudes contábeis ou captura regulatória, isso desorganiza o sistema de crédito. E quando o crédito trava, a produção trava.”
Os canalhas do Aparato Petista usaram e abusararam da crítica do moralismo “retrógrado e burguês”, para justificar sua ciminalidade, quando, à época da corrupção da Lava Jato, em que agiram justo e hipocritamente em conluio com a burguesia “moralista”.
Não eram criminosos, assaltantes do povo, mas vítimas do moralismo conservador burguês.
https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/03/7-bilionarios-afetados-pela-lava-jato-tem-patrimonio-total-de-r-288-bilhoes.html
Tenhamos extremo cuidado com elaboradíssimos textos e ações filosoficamente justificados.
Os canalhas do Aparato Petista usaram e abusararam da crítica do moralismo “retrógrado e burguês”, para justificar sua ciminalidade, quando, à época da corrupção da Lava Jato, em que agiram justo e hipocritamente em conluio com a burguesia “moralista”.
Não eram criminosos, assaltantes do povo, mas vítimas do moralismo conservador burguês.
https://epoca.globo.com/tempo/noticia/2016/03/7-bilionarios-afetados-pela-lava-jato-tem-patrimonio-total-de-r-288-bilhoes.html
Tenhamos extremo cuidado com elaboradíssimos textos e ações filosoficamente justificados.
Tenhamos extremo cuidado com elaboradíssimos textos e ações filosofica e moralmente justificados.
A propósito da família, como repositória da perfeição, da expressão de Deus, da harmonia e dos valores morais mais sagrados, trata-se um construção idológica, que só serve pra ocultar a devassidão que aí pode se dar.
Vejamos a realidade nua e crua
“No Brasil, dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, nos registros de estupro de vulnerável, a maioria das vítimas é criança ou adolescente, e o agressor costuma ser pai, padrasto, tio, avô, irmão ou outro conhecido próximo.
Estatísticas do Ministério da Saúde, com base nas notificações do sistema de saúde, também apontam que grande parte das violências sexuais contra menores ocorre na residência da vítima.
Organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde registram padrão semelhante: globalmente, a maioria dos abusos contra crianças é cometida por alguém que já faz parte do círculo de confiança.” (ChatGpt)
Assim como a esquerda, que lança mão da boa causa anti-imperialista, pra ocultar suas mais ignominosas causas, a Direita, usa a família, dando a ela um ar de perfeição, esconde-as como centro de eventuais pervesões, para justificar suas causas nada recomendáveis.
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Efeméride:
Estava eu, numa aula de Direito, no meu último curso de Mestrado absorto na elaboração de um trabalho, quando a professora de Direito perguntou qual era a base da Sociedade (algo padrão), dois colegas do Ministério Público, era em Administração Pública, disseram, no normal desta questão, a família.
E, eu, sem sequer tirar os olhos do meu caderno, disse: depois de Freud, dizer que a família é a base da Sociedade …
Elevei uma questão básica, ideal e teórica pruma questão real, concreta e fora da teorização “normal”.
Só sei que até hoje esta questão é-me central nos meus devaneios intelecto-filosóficos.
A propósito os bolsonaristas, em sua manifestação agora, na Paulista, têm como meta resgatar “os valores da família”.
Estamos indo muito bem … no caminhao esquizo-metafísico da mistificação.
“A família é amplamente considerada a base da sociedade, atuando como a célula fundamental de socialização, onde indivíduos aprendem valores, respeito e caráter.
. Constitucionalmente protegida, ela molda normas sociais, sendo crucial para o desenvolvimento humano e a estabilidade da comunidade.”
Em os “7 gatinhos”, o “reacionário e conservador” Nelson rodrigues, como o trata a escumalha da tal “esquerda progressita” expõe a pervesrsão que se dá no seio das famílias “perfeitas”.
Sinopse:
“Os Sete Gatinhos”, peça de
Nelson Rodrigues (1959), é um drama trágico que escancara a hipocrisia de uma família carioca dos anos 50. A trama foca nos Noronha, onde as irmãs se prostituem para sustentar a caçula, Silene, acreditando ser ela pura, até que a revelação de sua gravidez destrói essa fachada moral.”
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Para se submeter ao escrutínio da psicanálise, que nos possibilita compreender e elaborar estas idiossincracias, é preciso ira 7 vezes ao inferno e voltar.
Não sei se se trata de um site legal, mas aí esta a obra-prima.
Não deixem de assistir.
https://m.ok.ru/video/8698294242017
O que acaba ocorrendo é que pra preservar a “santidade da família” as vítimas, notademente as crianças, são compelidas a não denunciar seus parentes, muita das vezes, os próprios pais.