Mesmo com tornozeleira, Vorcaro continuava a financiar ataques ao Banco Central

Influenciadores foram pagos para atacar o BC

Johanns Eller
O Globo

O CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, continuou a planejar ações criminosas mesmo após sua primeira prisão em novembro de 2025 e a subsequente imposição de tornozeleira eletrônica após ser liberado da cadeia pela Justiça Federal. A Polícia Federal (PF) aponta como um dos exemplos o pagamento a influenciadores de direita que atacaram o Banco Central (BC) e questionaram a liquidação do Master pelo órgão regulador.

De acordo com os investigadores, o dinheiro era repassado aos influencers por meio de um dos comparsas de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão, que segundo a PF também é conhecido pelo apelido de “Sicário”. As informações constam da decisão do relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que determinou nesta quarta-feira a nova prisão do banqueiro e de seu cunhado e operador financeiro, o pastor Fabiano Zettel.

DENÚNCIA – Em janeiro, o esquema acabou denunciado por dois influenciadores de direita, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL) e Juliana Moreira Leite, que não toparam fazer o serviço. O “briefing” apresentado aos influencers orientava a disseminação da narrativa de que o Banco Central havia se precipitado ao decretar a liquidação do Master.

Nos documentos repassados aos influenciadores, aos quais a equipe da coluna teve acesso à época, o serviço foi batizado de “Projeto DV”, referência às iniciais de Daniel Vorcaro.

A estratégia digital ocorreu no mesmo período em que o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jhonatan de Jesus instou o BC a explicar o processo de liquidação do Master e sinalizou a possibilidade de reverter a medida por meio da corte contábil, o que posteriormente foi descartado pelo próprio presidente do órgão, Vital do Rêgo, diante da repercussão negativa.

ENCOMENDA – Entre as encomendas aos influenciadores estava a divulgação uma reportagem de 19 de dezembro do portal Metrópoles que noticiava um despacho do tribunal de contas. “TCU vê indícios de precipitação em liquidação do Master e dá 72 horas para BC se explicar”, dizia a manchete a ser compartilhada nos perfis com centenas de milhares e até milhões de seguidores.

“As novas evidências apresentadas agora a esta Suprema Corte comprovam que Phillipi Mourão faz a ponte entre os desejos de Daniel Vorcaro em influenciar a opinião pública e influenciadores contratados pela organização criminosa. Esse mesmo modus operandi está em investigação nos autos do Inq. 5035, cujas ações prosseguiram mesmo após sua prisão e posterior revogação pelo TRF1, no dia 28 de novembro de 2025, uma vez que a contratação de influencers para a execução do “Projeto DV” foi colocada em prática logo depois, isto é, no mês de dezembro de 2025 e tinha o objetivo de atacar a reputação do Banco Central do Brasil no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União emitia sinais de que desfaria a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando assim uma decisão da Autarquia Federal”, diz um trecho da representação da PF destaca no despacho de Mendonça.

“Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada”

FUGA – A liquidação do Master se deu em 17 de novembro, um dia após a prisão preventiva de Vorcaro pela PF. O executivo tentava embarcar em um jato no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) com destino a Malta, o que foi encarado pelos investigadores como uma tentativa de fuga.

O banqueiro deixou a cadeia em 28 de novembro por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas foi submetido ao monitoramento por tornozeleira eletrônica. Os esforços para cooptar influenciadores financeiramente e atacar o Banco Central se deram ao longo de dezembro e janeiro, quando Vorcaro estava sujeito às diligências da Justiça.

14 thoughts on “Mesmo com tornozeleira, Vorcaro continuava a financiar ataques ao Banco Central

  1. A vagabundagem está furiosa já dizendo que os últimos escândalos é para a tranformar, santa que é, em bandida.

    É uma socialista boazinha, que adora os pobres … tanto que o mantém sempre nesta condição.

    https://www.poder360.com.br/poder-economia/brasil-e-5o-pais-mais-desigual-do-mundo-diz-estudo-de-piketty/

    Já chamam o caso Banco Master de Lava Jato 2, no sentido que eventuais condenações e prisões sejam futuramente revogadas.

    Mas a querela não está tão fácil como no assalto dos 20 bilhões da Lava Jato 1.

    Embora ainda dominem boa parte da sociedade, com milhões de seguidores, canalhas ou imbecis, e o mundo político, igualmente composto por canalhas e imbecis, que lhe vem dando sustentação, há, por exemplo, uma forte exposição pela imprensa de seus atos escusos.

    Desta forma há um jogo, ainda com resultado indeterminado.

    Uma coisa é certa, se esta vagabudagem, além de sair impune e ainda vencerem as eleições, já era.

    Seria a consolidação, legalização e constitucionalização do Estado Cleptopatrimonialista.

  2. Influenciadores foram pagos para atacar o BC

    Alguns militantes , fantasiados de jornazistas também recebiam grana do bandidão do MaSTFer….

    Segundo os Especialistas de Plantão, um Òrgão de Propaganda Soviética do Desgoverno Corrupto Don Narcoleone estava na folha de pagamento do Bandidão…..

    aquele abraço

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