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Charge do Duke (Rádio Itatiaia)
Merval Pereira
O Globo
Eu, sinceramente, temo o que está acontecendo. Abrindo o sigilo da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, há um trecho do ministro Alexandre de Moraes em que ele fala a Cid que é a última chance ele tem de falar a verdade. “Se não cumprir o acordo, o senhor vai ser punido, juntamente com sua família, sua mulher e seus filhos”.
Isso é exatamente o que acusaram o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores de Curitiba de fazerem: chantagear os presos para chegar a uma delação premiada. E as prisões alongadas, que o ministro Gilmar Mendes tanto reclamava estão acontecendo de novo.
AGORA, É LEGAL – Estão fazendo tudo o que acusaram o Moro e os procuradores de Curitiba de fazerem, na suposição de que estão defendendo a democracia. Assim como Moro achava que estava defendendo a democracia, acusando o pessoal do PT e seus aliados.
A chance de isso ser revogado mais adiante, se mudarem os ventos políticos é grande. É lamentável que o Brasil esteja neste ponto.
Tudo é politizado, tudo tem um viés e se pode mexer em qualquer decisão do STF dependendo do momento político, da formação do STF, de quem designou quem.
VITÓRIA DA DEMOCRACIA – No momento, a decisão da Procuradoria-Geral da República é uma vitória da justiça e da democracia, porque estou convencido de que havia realmente um golpe sendo tramado.
Mas na época da Lava-Jato também era uma vitória do combate à corrupção. Era evidente o que aconteceu, as pessoas confessaram, devolveram dinheiro, pediram desculpas. Como saímos desse buraco que estamos nos metendo? O futuro preocupa.
Em 2026, se ganhar a direita, tudo isso será esquecido, com a alegação de que foi um complô contra Bolsonaro, contra a direita. E assim nós vamos vivendo; e não é de amor.
…e assim nós vamos vivendo, numa utopia de democracia e independência, instrumentalizada por quem domina ou compra as mídias e nos explora.
“O Brasil deixou de ser colônia em 1822”, disse Alexandre de Moraes.
Moraes é ruim também de História. O Brasil só deixou efetivamente de ser ‘colônia’ de Portugal em 1889, com o golpe de Estado da Proclamação da República.
Tanto é que, no período ‘imperial’ de 1822 e 1889, governaram o Brasil os imperadores portugueses Dom Pedro I e Dom Pedro II e seus asseclas, dando ao país uma ‘fachada’ de independência, nunca efetivamente conquistada por brasileiros.
Em 1889, com o golpe agro-militar, derrubaram e expulsaram daqui os portugueses, que foram embora e deixaram para trás um gigantesco território que conquistaram e que até hoje ‘governantes’ brasileiros, com raríssimas exceções, não souberam o que fazer com esse país continente, em grande parte ora abandonado.
Meu Deus!
Jornalista, jornalista! Toda hora o jornalista que chancela a matéria está na Globo News, um programa que virou chacota entre jornalistas sérios (ainda existem), pois seus comentaristas jogaram fora a imparcialidade e aceitaram passivamente o rótulo de porta-voz do Governo Federal. É profissão de fé…
A verdade
“Eu, sinceramente, temo o que está acontecendo. Abrindo o sigilo da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, há um trecho do ministro Alexandre de Moraes em que ele fala a Cid que é a última chance ele tem de falar a verdade. “Se não cumprir o acordo, o senhor vai ser punido, juntamente com sua família, sua mulher e seus filhos”.
Mandou bem senhor jornalista!
Verdade significa o que está em conformidade com a realidade ou os fatos. É o oposto da falsidade.
Uma verdade: “No Brasil atual, o que é correto hoje pode não ser amanhã”. Mandou bem, também aqui, senhor jornalista.
E foi polindo o texto com mais verdades: “Isso é exatamente o que acusaram o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores de Curitiba de fazerem: chantagear os presos para chegar a uma delação premiada. E as prisões alongadas, que o ministro Gilmar Mendes tanto reclamava estão acontecendo de novo”.
Entretanto, “o uso do cachimbo entorta a boca”, diz o ditado popular. E o senhor jornalista não resistiu a tantas verdades, bem ditas e benditas, afinal o consórcio precisa manter o narrativas e defesa intransigente do Governo Federal.
Lógico, os números de audiência, eleitores e assinantes (jornais, rádios e televisão, por exemplo) em queda permanente, aliado ao declínio de receitas do grupo, provocam efeito em cascata na subserviência editorial e leva muitos à produção de matérias controversas, ambíguas e alienadas.
E foi por esse caminho que o senhor jornalista teve a recaída e voltou: “VITÓRIA DA DEMOCRACIA – No momento, a decisão da Procuradoria-Geral da República é uma vitória da justiça e da democracia, porque estou convencido de que havia realmente um golpe sendo tramado”.
Golpe? É possível que o comandante fosse o vendedor de algodão-doce ou a criatura do batom…
Onde está o rascunho? “Ontem era fundamental”…hoje…
Na “denúncia” do PGR o que se observa é muita criatividade e ilações sem conexão com os fatos, onde esqueceram até da narrativas de “minuta do golpe”. Por que será? O Presidente da República, ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua prorrogação, relatará os motivos determinantes do pedido, devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta. Art. 138.
Repetindo: CONGRESSO NACIONAL decidirá por maioria absoluta. Art. 138.
Texto compilado
Art. 138. O decreto do estado de sítio indicará sua duração, as normas necessárias a sua execução e as garantias constitucionais que ficarão suspensas, e, depois de publicado, o Presidente da República designará o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas.
§ 1º O estado de sítio, no caso do art. 137, I, não poderá ser decretado por mais de trinta dias, nem prorrogado, de cada vez, por prazo superior; no do inciso II, poderá ser decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira.
§ 2º Solicitada autorização para decretar o estado de sítio durante o recesso parlamentar, o Presidente do Senado Federal, de imediato, convocará extraordinariamente o Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias, a fim de apreciar o ato.
§ 3º O Congresso Nacional permanecerá em funcionamento até o término das medidas coercitivas.
Certamente a NARRATIVA não seria “golpe”, “contrario sensu” não deveria constar na Constituição Federal.
E outra: como a denúncia da PGR pode ser vitória da democracia, cara pálida? Os aplausos para a peça inútil são feitos apenas pelos cooptados pela narrativa criativa. Vitória da democracia apareceu sim, mas descortinada pela imensidão de brasileiros que apontaram os vícios insanáveis e aberrações jurídicas digitadas nas precárias páginas que ao final receberam a assinatura do PGR.
Na Bíblia, em Mateus 6:24, está escrito: “Vocês não podem servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro”.
Na expressão popular “não se pode agradar a Deus e ao diabo ao mesmo tempo” temos que é impossível servir a dois senhores.
Perfeito !!!
O Merval tb mente, descaradamente, infelizmente, até porque, na verdade, não é de agora que o Brasil é assim, o Brasil sempre foi assim, desde a proclamação da república do militarismo e do partidarismo, politiqueiro$, e seus tentáculos velhaco$, com a imprensa falada, escrita e televisionada a bordo, valendo lembrar que para a tal rede globo na qual atual como serviçal, no Brasil, a famigerada ditadura militar de 21 anos era normal…